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	<title>Arquivos chamado - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos chamado - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reescrevendo-o-destino-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-como-expressao-do-daimon/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 16:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo analisa a transição&#160; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/reescrevendo-o-destino-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-como-expressao-do-daimon/">Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este artigo analisa a transição&nbsp; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação</strong>. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por autenticidade e inteireza. A <strong>crise</strong>, nesse contexto, atua como catalisadora de transformação psíquica. A partir de autores como Jung, James Hollis, James Hillman e William Bridges, argumenta-se que a reconexão com a vocação profunda representa um rito de passagem contemporâneo. O trabalho, então, deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão do self em ação. A travessia da meia-idade se revela, assim, como oportunidade de reescrever o destino com base em um chamado interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-contexto-contemporaneo-caracterizado-por-rapidas-transformacoes-sociais-culturais-e-tecnologicas-observa-se-um-crescente-numero-de-pessoas-questionando-seus-caminhos-profissionais-e-repensando-suas-trajetorias-de-carreira" style="font-size:20px">No contexto contemporâneo, caracterizado por rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas, observa-se um crescente número de pessoas questionando seus caminhos profissionais e repensando suas trajetórias de carreira.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Em uma sociedade na qual o trabalho ocupa papel central na construção da identidade, a mudança de profissão — especialmente na meia-idade — torna-se uma experiência intensa, muitas vezes acompanhada por <strong>crises existenciais</strong>. Assim, é interessante lançarmos luz sobre os aspectos simbólicos, existenciais e arquetípicos implicados nessas mudanças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-do-que-uma-simples-reorientacao-funcional-esse-movimento-pode-representar-um-mergulho-psiquico-em-direcao-ao-self-revelando-o-processo-de-individuacao-descrito-por-c-g-jung" style="font-size:20px">Mais do que uma simples reorientação funcional, esse movimento pode representar um mergulho psíquico em direção ao self, revelando o processo de individuação descrito por C.G. Jung.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Elemento central do pensamento de Jung, o chamado <strong>processo de individuação</strong> é aquilo por meio do qual que a pessoa vai se conhecendo, retirando suas máscaras, retirando as projeções lançadas anteriormente no mundo externo e integrando-as a si mesmo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Dessa forma, podemos traduzir ‘individuação’ como tornar-se ‘si-mesmo’ (Verselbstung) ou o realizar do si-mesmo (Selbstverwirklichung). </p><cite>Jung, 1987, p. 49</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">O processo de individuação acontece em três movimentos gerais: o primeiro é o caminho para a <strong>diferenciação do coletivo</strong>; o segundo, a<strong> diferenciação de si</strong>, a realização de si-mesmo; e, por fim, <strong>o retorno ao coletivo</strong>, de uma forma mais integrada. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-diferenciacao-pressupoe-o-afastamento-da-conformidade-pessoal-e-da-coletividade-para-depois-voltar-de-forma-mais-autentica-e-contribuir-com-uma-nova-dinamica-a-coletividade" style="font-size:20px">A diferenciação pressupõe o afastamento da conformidade pessoal e da coletividade, para depois voltar de forma mais autêntica e contribuir com uma nova dinâmica à coletividade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">A transição de carreira pode ser compreendida, também, à luz do conceito de <strong>persona</strong> de Jung, como um momento em que a máscara social que usamos — e que foi funcional em determinado período da vida — começa a mostrar sinais de inadequação ou desgaste em relação à totalidade do self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-a-persona-e-a-mascara-que-o-individuo-apresenta-ao-mundo" style="font-size:20px">Para <strong>Jung</strong>, a persona é a &#8220;máscara&#8221; que o indivíduo apresenta ao mundo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Ela representa os papéis sociais que assumimos (profissional, familiar, social) e é necessária para a convivência e adaptação no mundo externo. A persona organiza a forma como nos apresentamos socialmente, mas não representa nossa essência profunda. É um compromisso entre o indivíduo e a sociedade. A transição de carreira, especialmente quando motivada por um impulso interno (e não apenas externo, como uma demissão), costuma ocorrer quando a persona vigente deixa de servir ao desenvolvimento psíquico. Nesses casos, “a persona profissional” pode ter sido construída para atender expectativas parentais, sociais ou culturais, porém, chega um ponto em que a rigidez dessa máscara começa a sufocar o self — o centro organizador da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">O trabalho, além de garantir sustento, oferece um sentido de pertencimento e contribui para a formação da identidade. A ocupação escolhida molda a autoimagem e influencia diretamente o modo como o indivíduo se percebe no mundo. No entanto, quando esta função perde o significado ou entra em conflito com aspectos mais profundos da psique, ocorre um deslocamento: o sujeito se vê impelido a buscar outra expressão de si no mundo.<br><br>Essa ruptura geralmente se intensifica na meia-idade, fase marcada, segundo autores como James Hollis, por uma série de questionamentos existenciais. Para <strong>Hollis </strong>a meia-idade é um momento de transição e mudança profunda na vida do indivíduo: a metanoia é um processo de &#8220;<strong>morte e renascimento</strong>&#8220;, onde a pessoa revisa sua vida e se reconecta com seus valores e propósito. É nesse período que o indivíduo revisita escolhas passadas, confronta a finitude, e busca ressignificar sua vida. A transição de carreira, nesse contexto, pode funcionar como um gatilho ou como consequência de um processo interno de desconstrução e reconstrução psíquica. A crise, portanto, assume papel de catalisadora de mudança e de crescimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-reinvencao-de-carreira-na-meia-idade-tem-caracteristicas-especificas" style="font-size:20px">A reinvenção de carreira na meia-idade tem características específicas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Segundo Jung (1987), na primeira metade da vida gastamos parte da nossa energia para nos adaptar ao mundo exterior; na segunda metade é chegada a hora de nos voltarmos mais para nosso mundo interior.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A primeira metade da vida é um período de progressiva expansão. O jovem terá de renunciar aos hábitos de infância, aos aconchegos familiares, para atender aos desafios do mundo exterior. Terá de estudar, trabalhar e conquistar uma posição social. Terá de vivenciar em si mesmo a eclosão dos instintos e fará encontro com o sexo oposto. Ficará apto a gerar. [&#8230;] Na segunda metade da vida as tarefas são diferentes. Acabou o tempo de expansão. Agora é tempo de colher, de reunir aquilo que estava disperso, de juntar coisas opostas, de concentrar. </p><cite>Silveira, 1997, pp. 156-157</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Demandas sobre o sentido da vida e o que fazer no futuro promovem um mergulho nas profundezas da alma e, ao mesmo tempo configuram-se em possibilidade de renovação, metaforicamente expressa por Jung: “<strong><em>Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã (…) É como se recolhesse dentro de si os próprios raios</em></strong>” (2013, p.354). Ele complementou, afirmando que entramos despreparados na segunda metade da vida: “<strong><em>Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer</em></strong>” (2013, p. 355).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-transcende-os-limites-de-uma-simples-reorientacao-funcional-ou-de-uma-resposta-estrategica-as-demandas-do-mercado" style="font-size:20px">A transição de carreira na meia-idade transcende os limites de uma simples reorientação funcional ou de uma resposta estratégica às demandas do mercado. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Quando abordada sob a perspectiva da psicologia analítica, ela se revela como um movimento psíquico profundo — uma travessia simbólica que atualiza o processo de individuação. Trata-se, portanto, de um deslocamento do eixo da vida: do ego adaptado à persona para o self como centro regulador da totalidade psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ja-apontava-que-a-realizacao-do-si-mesmo-e-o-maior-de-todos-os-valores-humanos-jung-1987-p-56-mas-essa-realizacao-nao-ocorre-sem-rupturas" style="font-size:20px">Jung já apontava que “<strong><em>a realização do si-mesmo é o maior de todos os valores humanos</em></strong>” (Jung, 1987, p. 56), mas essa realização não ocorre sem rupturas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">A <strong>persona</strong>, outrora útil, começa a ruir, sinalizando que o que antes servia à adaptação ao mundo já não atende mais à alma. Nesse momento, surgem sintomas, crises, angústias — expressões da psique que exigem escuta e reorientação. A crise, nesse sentido, é uma oportunidade. Como afirma Hollis (2011), “toda crise, mesmo a mais devastadora, carrega em si uma convocação à transformação”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>A meia-idade é terreno fértil para essa convocação</strong>. Segundo Jung, é nesse período que somos impelidos a buscar o que nos foi deixado de lado na construção da persona: “<strong><em>O encontro com o si-mesmo é muitas vezes experimentado como uma derrota para o ego</em></strong>” (Jung, 2013, p. 357). Essa derrota, porém, não é destrutiva — é uma rendição necessária ao daimon interior, que exige expressão e autenticidade. Como observa James Hillman, “<strong><em>o daimon é a imagem do destino pessoal, o portador do nosso sentido mais profundo</em></strong>” (Hillman, 1996, p. 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>William Bridges</strong>, renomado consultor americano que trouxe grande contribuição para o gerenciamento da transição para indivíduos e empresas nas últimas décadas, contribui com uma compreensão fenomenológica do processo de transição, descrevendo-o como um ciclo composto de fim, zona neutra e novo começo. Ele enfatiza que a <strong>zona neutra </strong>— essa fase de vazio e ambiguidade — é “<strong>o local onde a criatividade e o renascimento se tornam possíveis</strong>” (Bridges, 1999, p. 135). É nesse espaço liminar que os antigos referenciais se dissolvem e algo novo, ainda indefinido, começa a se formar. Tal como nas fases da alquimia, é no nigredo que se inicia o processo de transformação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escuta-do-daimon-que-jung-via-como-uma-forca-interior-compulsiva-apud-staub-1981-p-121-exige-coragem" style="font-size:20px">A escuta do daimon — que Jung via como “uma força interior compulsiva” (apud Staub, 1981, p. 121) — exige coragem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Não se trata de uma escolha <strong>racional</strong>, mas de um assentimento existencial àquilo que nos move de forma inegociável. Hollis (2011) afirma: “<strong>Podemos escolher uma carreira, mas não escolhemos uma vocação. A vocação nos escolhe</strong>.” Essa dimensão vocacional, que se manifesta muitas vezes por meio de sintomas, inquietações ou súbitas inspirações, remete a algo maior do que o ego: trata-se de um chamado à autenticidade e à integração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-a-mudanca-de-carreira-torna-se-um-rito-de-passagem-contemporaneo-em-que-o-trabalho-deixa-de-ser-apenas-instrumento-de-sobrevivencia-e-passa-a-ser-expressao-simbolica-do-self-em-acao-no-mundo" style="font-size:20px">Neste contexto, a mudança de carreira torna-se um rito de passagem contemporâneo, em que o trabalho deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão simbólica do self em ação no mundo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Como escreve Jung em <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>: “<em>Todos os meus escritos são, de certa forma, tarefas que me foram impostas de dentro. Nasceram sob a pressão de um destino. O que escrevi transbordou da minha interioridade. Cedi a palavra ao espírito que me agitava</em>.” (Jung, 1987, p. 194-195). <strong>Essa integração entre vida interior e realização exterior é o verdadeiro sinal da individuação em curso</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Por fim, ao acolhermos a possibilidade de reescrever o destino — não como um ato voluntarista, mas como escuta ativa do que nos habita — nos aproximamos da inteireza. Como nos lembra Nietzsche, <em>“<strong>torne-se quem tu é</strong>”</em>. Quando a vida profissional se torna reflexo da alma, a transição já não é apenas uma mudança de rumo, mas uma reconciliação com aquilo que sempre nos habitou — silenciosamente — à espera de ser vivido.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/"><strong>Maria Helena Soares Marinho</strong> &#8211; Analista em formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/"><strong>Cristina Guarnieri </strong>&#8211; Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>BRIDGES, William. Managing Transitions: Making the Most of Change. 2. ed. Cambridge, MA: Da Capo Press, 1999.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>HILLMAN, James. O Código do Ser: Um guia arquetípico para o destino e o caráter. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>HOLLIS, James. A passagem do meio. São Paulo: Paulus, 2011.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos e Reflexões. ed. Nova Fronteira, 1987.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. A dinâmica do inconsciente. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. (Obras completas de C. G. Jung, v. 8).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras completas de C. G. Jung, v. 16).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente. 6. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>STAUB DE ÁVILA, Regina. A Descoberta do Si-Mesmo na Psicologia de C.G. Jung. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1981.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep"><strong>Canais IJEP:</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10882" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pós-graduações&nbsp;</strong>– Certificado pelo MEC – 2 anos de duração- Psicologia Junguiana; Arteterapia e Expressões Criativas; Psicossomática;&nbsp;<strong>Matrículas abertas</strong>:&nbsp;<a href="http://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Congressos Junguianos</strong>: Gravados e Online – Estude Jung de casa! Aulas com os Professores do IJEP:&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>YouTube</strong>&nbsp;<strong>IJEP</strong>:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos">+700 vídeos de conteúdo junguiano</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="772" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png" alt="" class="wp-image-10924" style="width:674px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-300x226.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-768x579.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-150x113.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-450x339.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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			</item>
		<item>
		<title>Servir para Ser</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/servir-para-ser/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2022 19:09:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma vida sem sentido não tem sentido! E o único sentido que faz sentido para a vida é o de servir a própria vida. Este ensaio reflete a respeito da necessidade de servirmos para sermos!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ter capacidade crítica e reflexiva é o que me mantém&nbsp;vivo, confiante, plural e feliz! Foi isso que fiz quando anunciei publicamente o sétimo dia do falecimento da minha mãe, aos 101 anos de idade, agradecendo tudo que ela fez por mim e, ao mesmo tempo, criticando o que ela deixou de fazer por ela, na direção consciente do seu processo de individuação. Com isso, acredito que deixei claro a diferença que faço entre amar e gostar. Infelizmente, assim como ela, a maioria dos humanos, por ficarem monotemáticos e egoístas, perdem a oportunidade de servir ao Self que, para C. G. Jung, é a representação da Imago Dei em nós, ou Deus em nós! Ampliando um pouco mais a questão, posso amar uma pessoa, e com isso vibrar e contribuir para sua realização, mesmo que seu caminho vá numa direção contrária ao meu ou dos meus gostos, exercitando minha capacidade de tolerância. Por isso, existem muitos seres humanos, que amo verdadeiramente, e estou sempre pronto para servir e contribuir com seus caminhos de realização, mesmo não gostando se suas posições políticas, religiosas, hábitos, etc. Óbvio que, por amar, jamais deixo de estimula-los criticamente, com o propósito de ampliação da consciência &#8211; creio que essa é a minha missão. Porém, quando o convívio passa a ser oneroso, e para respeitar as diferenças passo a me desrespeitar, começo a me desamar e, neste caso, a distância se faz necessária, porque o convívio passa a ser muito desgostoso, consciente de que o limite do amor ao próximo é o amor a nós mesmos preservado!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estar&nbsp;vivo, de verdade, é necessário fazer muitas trocas: dando, recebendo e retribuindo, inclusive as críticas reflexivas, que servem para a ampliação da consciência &#8211; nossa e do nosso entorno relacional! Isso irá possibilitar a prática da alteridade, que nos permite sair da nossa lente de condicionamentos e conforto, para nos vermos pelas lentes do outro! Essa prática nos faz tolerantes, mais fraternos e igualitários. Porque lidar com o contraditório, sem encará-lo como um ataque pessoal, contribui para a evolução do conhecimento e do pensamento. Nossa estrutura de consciência necessita do Ego, que é seu gestor e precisa lidar com as forças opositivas entre Bios e Zoé, matéria somática e energia psíquica respectivamente. Elas são informações presentes em dinâmicas de movimento opostas, a primeira está hipostasiada no plano físico e instintivo do corpo ou soma, que Jung atribui ao espectro Infravermelho da Luz &#8211; como símbolo da consciência -, e a segunda no plano arquetípico, nos remetendo as dimensões anímicas e espirituais da psique, o espectro ultravioleta da Luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dessa tensão, o Ego (que é primeiro complexo que se diferencia do inconsciente, arquetipicamente presente em todos humanos e inicialmente identificado com a corporalidade), faz polaridade opositiva e complementar com a Sombra (que por ser arquetípica, é universal). O Ego, apesar de não ser a totalidade da consciência, é o representante dela, assim como a Sombra, que também não é a totalidade do inconsciente, é sua representante. Da mesma forma que na Sombra estão muitos aspectos da Anima ou do Animus (nossos contrapontos sexuais, do ponto de vista egóico), no Ego estão a maioria dos aspectos da Persona, porque o Ego necessita da Persona para se relacionar e adaptar-se com o entorno social, e tudo isso pertence ao Self, que é a totalidade do Sí-mesmo. Com isso, de forma indireta, Persona e Sombra fazem espelhamento opositivo, assim como a Persona do Ego masculino faz oposição com a Anima e a Persona do Ego feminino faz oposição ao Animus. Porém, Jung também diz que para chegarmos na relação com a Anima ou com o Animus devemos ultrapassar as barreiras da Sombra e flexibilizar a Persona, as máscaras funcionais, para servirmos a alma, que não tem gênero ou raça, em seu fluxo contínuo que almeja a unidade. Porém, na maioria das vezes, o Ego, com seu livre arbítrio e sem saber estar aprisionado por complexos patológicos, dificulta e até pode interditar essa realização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estar&nbsp;confiante&nbsp;é preciso ter fé na vida &#8211; fiar com Deus, no sentido de distribuir seus talentos, entusiasmadamente, para a humanidade, com resiliência e coragem, aceitando o fato de que tudo o que vem, independentemente de produzir prazer ou dor, alegria ou tristeza, está vindo com o propósito do nosso aprimoramento evolutivo, anímico e espiritual, que vai muito além dos apêgos egóicos, fixados no corpo e na territoriedade reptiliana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com essas duas premissas conquistadas, podemos ser&nbsp;plurais, e não promíscuos, deixando de existir monotematicamente, dominados pelos complexos patológicos. Isso mesmo, os complexos nos deixam monotemáticos, com atitudes fóbicas e unilaterais, frequentemente manifestadas nos fanatismos religiosos, no apêgo às doenças crônicas, no partidarismo político, nas dietas rígidas, na vigorexia, ortorexia, anorexia, bulimia, hipocondria, oniomania,&nbsp;entre outros transtornos obsessivos e compulsivos como dependências de álcool, drogas, da&nbsp;beleza, do sexo, da riqueza, do trabalho, da fama, etc. Obviamente, nossa modernidade líquida e do vazio, onde tudo e todos são descartáveis, como bens de consumo, usando-nos como bens de produção para continuarmos consumindo e poluindo, no amplo sentido, estimula todas essas unilateralidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, para ser&nbsp;feliz, é necessário estarmos livres para fazermos nossa escolha de dependência e servidão missionária ao amor. Porque, quando aprendemos amar tudo e todos, nos amamos e seremos amados por Deus &#8211; no sentido de possibilitarmos que a imanência do Self atinja seus propósitos e sentidos transcendentais. Isso equivale a estarmos engajados, conscientemente, com o processo de individuação, servindo para ser, na certeza de que quando mais darmos, mais teremos para dar, vivenciando o mistério, o encanto, o lúdico do cotidiano, transformando o ordinário em uma aventura extraordinária, com humor e alegria. Essa é a verdadeira arte, que só aqueles que estão à serviço da alma conseguem realizar. Os outros, infelizmente a maioria comum, perdeu o romantismo do viver, aprisionados na miserabilidade egoísta do ego, assumindo a condição de coitados desgraçados, brigando pelas certezas, pela normalidade, contra as doenças, as dores, os desamores, com o que fizeram ou deixaram de fazer com e para eles, hipostasiando raiva, culpa, medo, ansiedade, &nbsp;ressentimento, vingança ou mágoa, obviamente vivendo exclusivamente pela preservação do território, que é a primazia do Bios, que é finito e ilusório, mesmo com suas personas aprisionados em discursos e práticas aparentemente voltados para Zoé!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para evitar que o passado traumático deixe de se manifestar como complexo autônomo e patológico, muitas vezes expressado em sintomas físicos e ou psíquicos, é necessário o enfrentamento consciente, possibilitando sua simbolização e ressignificação. Negar o passado é tão patológico quanto ficar paralisado nele. Por meio da ressignificação é possível o surgimento da superação e a capacidade empática da alteridade para servirmos, amorosamente, os demais feridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a&nbsp;consciência evolutiva, que nos coloca responsáveis e protagonistas do processo de individuação, exige autoconhecimento, por meio da capacidade crítica e reflexiva, com o contínuo reconhecimento, respeito e enfretamento da sombra, que está em nós, ao invés de buscar práticas alienantes, por meio de fanatismos que levam a estados alterados da consciência, direta ou indiretamente, que acabam impedindo o autojulgamento critico, a alteridade e a servidão amorosa. Após aprendermos a agradecer tudo que vem e dizer o sim incondicional à vida, sem abrirmos mão do servir, começaremos a perceber que nada é por acaso e que tudo faz parte da gargalhada divina e transcendental!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paz e Bem</p>



<p class="wp-block-paragraph">Julho de 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">*WALDEMAR MAGALDI FILHO:&nbsp;Psicólogo, Analista Junguiano Didata do IJEP, Especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Homeopatia; Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado &#8211; Interfaces Econômicas e Religiosas à Luz da Psicologia Junguiana&#8221;, Ed. Eleva Cultural, Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação que titulam especialistas em: Psicologia Junguiana; Psicossomática; Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (www.ijep.com.br), oferecidos nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Abadia de Heiligenkreuz (Baixa Áustria).&nbsp;Claustros &#8211; Estátua de Maria Madalena ungindo os pés de Cristo (século XVIII), de Giovanni Giuliani.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Waldemar Magaldi Filho &#8211; 16/06/2019</em></strong></h4>



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