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	<title>Arquivos comunicação - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos comunicação - Blog IJEP</title>
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		<title>Por mais diálogo entre as áreas de psicologia e comunicação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 11:57:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quais são os processos de comunicação que ocorrem durante uma sessão de terapia? E quando um jornalista faz uma entrevista, seja as breves ou, principalmente, projetos de longo prazo que demandam anos de interação? O modo como esse fenômeno será interpretado depende muito do ponto de vista da área onde o observador está situado. Do [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Quais são os processos de comunicação que ocorrem durante uma sessão de terapia? E quando um jornalista faz uma entrevista, seja as breves ou, principalmente, projetos de longo prazo que demandam anos de interação?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modo como esse fenômeno será interpretado depende muito do ponto de vista da área onde o observador está situado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista etimológico, a palavra Comunicação advém do latim, &#8220;communicationem&#8221;,&nbsp;que desde o século XV significa &#8220;ação de tornar comum&#8221;. Sua raiz é o adjetivo&nbsp;communis, comum, que quer dizer &#8220;pertencer a todos ou a muitos&#8221;. E o verbo é&nbsp;communicare, comunicar, que significa &#8220;tornar comum, fazer saber&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do tempo, contudo, sobretudo com o desenvolvimento dos meios de comunicação, a palavra foi incorporando o sentido de&nbsp;transmitir,&nbsp;passar algo de A para B, como em tese ocorre com o envio de uma carta ou quando assistimos a um programa de televisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a Segunda Guerra Mundial, foram comuns os estudos que tentavam mapear se e como seria possível persuadir os indivíduos para ficarem mais receptivos às mensagens publicitárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente os teóricos em Comunicação defendem que estas teorias que envolvem a noção de manipulação são obsoletas, pois partem do princípio de que o ser humano é totalmente passivo. Sabe-se hoje que a mídia é uma das esferas de influência, como a família e as diversas comunidades que as pessoas pertencem, como a laboral e a religiosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe-se, também, que as classificações tradicionais entre comunicação interpessoal, organizacional e de massa estão em intenso processo de convergência desde o final dos anos 1990, com a expansão da Internet.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos uma época em que a mídia social e os grandes meios de transmissão se conectam de uma forma sem precedentes, de maneira cada vez mais simples e intuitiva. Basta um clique no smartphone ao postar algo no Facebook e um amigo que trabalhe num jornal pode achar interessante e o post virar uma pauta midiática. E vice-versa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, os estudos da área de Comunicação ainda privilegiam a análise de processos que ocorrem por meio de aparatos midiáticos. Um exemplo seria o que ocorre na recepção de um programa de uma emissora de televisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo nos processos comunicacionais que envolvem o ser humano, o aspecto psicológico é pouco compreendido, porque pouco estudado ou visto no viés de abordagens psicológicas que estão mais preocupadas com a superfície dos fenômenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma abordagem jornalística clássica, investigativa, em geral ainda está presa a uma visão predominantemente positivista, moderna, explicativa, mecanicista, cartesiana. O jornalista, de forma legítima, busca &#8220;a verdade&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras áreas do conhecimento, como a História Oral e a Psicologia, compreendem que essa noção de verdade é subjetiva. Muitos historiadores orais trabalham com o conceito de ucronia, isto é, que é uma verdade &#8220;possível&#8221; para dadas circunstâncias que o indivíduo pode ter achado intolerável, como um prisioneiro de um campo de concentração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noção de verdade psicológica, mais ampla, preconiza que se algo está trazendo um sofrimento psíquico é porque, para aquele ser, naquele dado momento, aquilo é real. É a partir desta base que será trabalhado, não como uma mentira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma entrevista jornalística, sobretudo nos processos de apuração de longa duração, entrevistado(a) e jornalista envolvidos sairão transformados em alguma medida. Porém esse processo não é feito nem estudado de forma consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um livro seminal de como este processo pode ter repercussões dramáticas para o jornalista é&nbsp;O Segredo de Joe Gould&nbsp;(Companhia das Letras). A obra foi escrita pelo escritor estadunidense Joseph Mitchell (1908-1996) para a revista&nbsp;The New Yorker&nbsp;numa época em que as apurações levavam até três anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Joe Gould (1889-1957) era um &#8220;sem teto&#8221; atípico. Nascido numa família aristocrática de Boston, nos Estados Unidos, estudou &#8211; como seu avô e pai &#8211; medicina em Harvard. Distúrbios psicológicos o levaram a não conseguir se inserir no meio social. Devido às suas relações sociais, ele se tornou um boêmio que alternava internações com a vida em albergues em Manhattan sustentada à base de &#8220;contribuições&#8221; de celebridades como o autor e. e. cummings.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mitchell projetou-se de tal forma no carismático sem teto que &#8220;mentia&#8221; sobre ter escrito uma obra maior que a Bíblia que sofreu um bloqueio de escrita que durou de 1964 a 1996, ano de seu falecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mitchell também não havia &#8220;cumprido&#8221; a vontade paterna de cuidar da fazenda familiar, também se sentia um peixe fora d´água em Nova York (os perfis que trabalhava expressavam isso, com relatos de mulheres barbadas, coveiros e outros anônimos), também tinha na cabeça um grande romance que jamais chegou a colocar no papel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por 32 anos, diariamente, Mitchell ia para a redação. Os colegas de trabalho ouviam o tac-tac-tac da máquina de escrever ao longo do dia. E ele recebia o salário integralmente ao final do mês. Quando faleceu, os colegas correram revirar seu escritório, na esperança de achar uma produção fenomenal. Não encontraram sequer uma linha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num caso deste, o analista junguiano compreende que há interações de vários níveis que podem estar acontecendo entre ele e o(a) analisando além da comunicação consciente. Os egos do paciente e do analista podem estar em contato com os respectivos inconscientes. Os egos de ambos também podem afetar seus respectivos inconscientes.&nbsp; E ambos podem estar sujeitos à influência do inconsciente de cada um.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, podemos supor que o inconsciente coletivo de Gould transbordou de tal forma para o inconsciente de Mitchell que este, já fragilizado, não deu conta da relação. Naufragou neste mar profundo e intenso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto a área de Comunicação como a de Psicologia já sabem de seus limites, e que não são capazes de explicar todos os fenômenos. Contudo, o diálogo entre especialistas de ambos os campos pode ser salutar para o avanço destas duas ciências no século XXI, notadamente no período tão complexo pelo qual transita nossa civilização. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monica Martinez, ítalo-brasileira, é especialista em Psicologia Junguiana pelo IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, jornalista, escritora, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e pós-doutora pela Umesp. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade do Texas em Austin. Atende na Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo. Contatos:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@blogspot.com">analisejunguianasp@blogspot.com</a>. E-mail:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@gmail.com">analisejunguianasp@gmail.com</a>.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Monica Martinez</em></strong></h4>
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