<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos coringa - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/coringa/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/coringa/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sat, 20 Sep 2025 19:25:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos coringa - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/coringa/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A Criança invisível – Santa Dulce e os Coringas contemporâneos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-invisivel-santa-dulce-e-os-coringas-contemporaneos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 10:17:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[coringa]]></category>
		<category><![CDATA[criança abandonada]]></category>
		<category><![CDATA[Elton John]]></category>
		<category><![CDATA[INVISIBILIDADE]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[SANTA DULCE]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5143</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hoje, 13 de outubro/2019, é um dia especial! Devido a comemoração festiva do Círio de Nossa Senhora de Nazaré e da canonização da Santa Dulce dos Pobres, logo após o dia da Padroeira do Brasil e dia das crianças. Neste contexto, acabei de assistir os filmes Coringa e, tardiamente, Rocketman, biografia do cantor Elton John. A soma desses afetos que vivenciei desencadeou fortes emoções e reflexões, que tomo a liberdade de compartilhar para quem se interessar.<br />
A palavra que mais me atravessou foi: INVISIBILIDADE.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-crianca-invisivel-santa-dulce-e-os-coringas-contemporaneos/">A Criança invisível – Santa Dulce e os Coringas contemporâneos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Hoje, 13 de outubro/2019, é um dia especial! Devido a comemoração festiva&nbsp;do&nbsp;Círio de Nossa Senhora de Nazaré e da canonização da Santa Dulce dos Pobres, logo após o dia da Padroeira do Brasil e dia das crianças. Neste contexto, acabei de assistir os filmes Coringa e, tardiamente, Rocketman, biografia do cantor Elton John. A soma desses afetos que vivenciei desencadeou fortes emoções e reflexões, que tomo a liberdade de compartilhar para quem se interessar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra que mais me atravessou foi: <strong>INVISIBILIDADE</strong>. Há muitos anos escrevo textos e comento nas aulas que esse é o drama do homem contemporâneo, com sua miserabilidade egoísta, devido ao contínuo estado de alarme, ou por já estar excluído ou pelo medo da exclusão social e do abandono, sem perceber que o abandono e a exclusão começam em nosso íntimo, ao deixarmos de ver nossa criança interior e, consequentemente, nossa alma, porque nos desconectamos dos aspectos saudáveis do complexo materno, onde o cuidado, o acolhimento, a atenção, a nutrição – física e espiritual – e amor são praticados e aprendidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, a conexão com a criança interior é que irá possibilitar o surgimento da potencialidade do velho sábio, permitindo que toda potencialidade criativa e ética estejam associadas, possibilitando o estado de alegria do viver, mesmo quando surgem obstáculos. Bem diferente do que nossa atual sociedade capitalista estimula, que é a identificação com o <em>Puer Aeternos</em>, o <em>Peter Pan</em>, da terra do nunca, lugar em que o cantor Michael Jackson, uma outra criança abandonada, se refugiou para tentar lidar, literal e patologicamente, com suas criança ferida, reproduzindo mais feridas nas crianças que ele recebia. A&nbsp;relação com a criança interna não tem nada a ver com a identificação com ela. Essa relação exige distanciamento emocional, para compreendermos que tudo que fizeram ou deixaram de fazer faz parte do nosso caminho evolutivo, e o que mais importa é o que faremos com isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em todo adulto espreita uma criança &#8211; uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa&#8221; (Jung, O Desenvolvimento da Personalidade, p. 175)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criança saudável é séria com sua diversão. Lembrando que diversão tem a ver com diversidade e a patologia da criança é que leva para a adversidade, o caminho da divisão diabólica, ao invés da integração simbólica. Desta forma, divertir equivale a integrar o diverso, com entrega, compromisso e ritmo. Bem diferente do que acontece com o <em>Puer</em>, onde as relações são efêmeras, líquidas e vazias, apesar de espetaculares. Na dimensão opositiva do<em> Puer </em>está o <em>Senix</em>, o velho ranzinza e sectário, que não tem paciência para nada. Esse é o futuro que nos espera, caso continuemos nesta dinâmica, um amontoado de velhos excluídos e doentes, por deixarem de consumir&nbsp;o supérfluo, passam a consumir os serviços de saúde, aguardando o chamado da morte sem nunca terem vivido. Isso me fez lembrar do livro: A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando deixamos de lado os aspectos saudáveis do arquétipo da criança, a&nbsp;meu ver, também estamos com dificuldades em lidar com os benefícios positivos do complexo materno. Essa situação reflete na falta de cuidado, na exacerbação do medo e na busca desenfreada e iludida de poder. Mas, o que mais impacta negativamente é o distanciamento do processo de individuação, caminho teleológico para a realização humana, em busca de sentido e significado existencial, por meio do servir, como Jung comenta a respeito deste arquétipo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;é uma personificação de forças vitais, que vão além do alcance limitado da nossa consciência, dos nossos caminhos e possibilidades, desconhecidos pela consciência e sua unilateralidade, e uma inteireza que abrange as profundidades da natureza. Ela representa o mais forte e inelutável impulso do ser, isto é, o impulso de realizar-se a si mesmo&#8221; (Jung, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, página 171, p. 289).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Rocketman, quando o cantor Elton Hércules John, com muita visibilidade, apesar de muito doente, numa clínica para dependências, abusos e compulsões, consegue dar o abraço na sua criança interior, Reginald Kenneth Dwight, sempre invisível, tudo se transformou, não muito diferente da trajetória de Fred Mercury, que somente após cair no fundo do poço, adquirir autoconhecimento e amor-próprio, que conseguiu superar os vícios patológicos, apesar que, neste caso, a AIDS não permitiu longevidade. Bem diferente do que aconteceu com Arthur Fleck , com seu complexo materno negativo e total invisibilidade social, após tantos abusos, inclusive do Estado que deixou de tratar e medicar seus transtornos&nbsp; psíquicos, ultrapassou o limite, na forma do personagem Coringa, que passou a existir, ou seja, ter visibilidade, apesar de patológica, como estava acontecendo com Elton John.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto que as comemorações e festividades para as variações da imagem arquetípica da Grande Mãe se justificam. Graças a essa conexão que conseguimos, mesmo que de forma inconsciente, recordar nossa criança interior. O problema é que, com tantos estímulos artificiais, efêmeros e descartáveis, rapidamente voltamos para nossa dimensão egoísta, invisíveis e cegos para não vermos os sofrimentos alheios, assim também fugimos dos nossos, investindo e desperdiçando toda a vida apenas para as questões materiais da sobrevivência, da competição, do acúmulo, do prazer efêmero. Infelizmente, cada vez mais, sem amor e compaixão, como foi o legado da vida da agora Santa Dulce dos Pobres, que lutou para dar cuidado, inclusão e visibilidade para as crianças mal-amadas, sofridas e abandonadas, nossos coringas contemporâneos, nosso futuro será nefasto!</p>



<p class="wp-block-paragraph">13 de outubro de 2019</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paz e Bem, graças ao reconhecimento e aceitação consciente da Guerra e do Mal que habitam em nós!</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALDEMAR MAGALDI FILHO. Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado&#8221;, Ed. Eleva Cultural, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP &#8211; Instituto junguiano de Ensino e Pesquisa, oferecidos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&gt;&gt;&gt; @ijep_jung &lt;&lt;&lt;</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-crianca-invisivel-santa-dulce-e-os-coringas-contemporaneos/">A Criança invisível – Santa Dulce e os Coringas contemporâneos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O coringa, ou a hannya dionisíaca</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Oct 2019 19:58:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicopatologia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[coringa]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicopatologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4718</guid>

					<description><![CDATA[<p>Arthur Fleck, personagem principal do filme Coringa, teve sua existência negada desde o início, desde sua infância. Sendo ou não, filho bastardo do magnata Thomas Wayne, as duas hipóteses apresentadas na história contam de um abandono: pelo pai rico na primeira suposição, ou por ambos os pais, no caso de realmente ter sido adotado pela [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/">O coringa, ou a hannya dionisíaca</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Arthur Fleck, personagem principal do filme Coringa, teve sua existência negada desde o início, desde sua infância. Sendo ou não, filho bastardo do magnata Thomas Wayne, as duas hipóteses apresentadas na história contam de um abandono: pelo pai rico na primeira suposição, ou por ambos os pais, no caso de realmente ter sido adotado pela mãe doente que o criou. Tratado sempre como uma criança, impedido de crescer psiquicamente, foi projeção de uma felicidade inalcançável de uma mãe disfuncional e doente que o chamava o tempo todo de “Happy” (feliz), apelido infantil que o manteve infantilizado por toda vida. Ninguém ri o tempo todo, a não ser que seja por uma esperança &#8211; o último mal contido na caixa de&nbsp;<em>Pandora</em>&nbsp;– para disfarçar o desespero. Negado pelo pai, fosse ele o milionário Thomas Wayne, fosse ele um pobre qualquer, Arthur não teve uma construção minimamente funcional de um complexo paterno. Herdou de sua mãe a capacidade de viver &#8211; até certo ponto &#8211; de fantasias, até que se tornou a literalização da paradoxalidade &#8211; individual e coletiva &#8211; negada pela sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando comete o matricídio, tentando se livrar na verdade do complexo materno disfuncional que o habita, dá um passo grande para se tornar literalmente uma&nbsp;<em>hannya</em>. A&nbsp;<em>hannya</em>&nbsp;é a representação de uma mulher que se tornou um demônio triste que ri de maneira ameaçadora e mostra, dentro da cultura japonesa do teatro&nbsp;<em>Noh</em>, a confusão de sentimentos humanos. Ela ri com a boca, enquanto seus olhos mostram angústia. Matar literalmente sua mãe não determina o fim do seu complexo materno. Arthur chega a nutrir também uma fantasia de companheirismo projetada numa mulher que mal conhece, uma vizinha. Com a impossibilidade de concretizar seus desejos, e com o embate da realidade, essa fantasia também se esvai, se desfaz. Depois desses acontecimentos, como no mito de&nbsp;<em>Hermafrodito,&nbsp;</em>Arthur é possuído por sua anima enlouquecida, uma ninfa faminta de amor e desejo que se prende a ele com desespero para não mais se soltar, os dois se transformam em um único ser que carrega em si traços masculinos e femininos.&nbsp;<em>Hermafrodito&nbsp;</em>era filho de&nbsp;<em>Hermes</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Afrodite.</em>&nbsp;Seus pais foram portanto, o deus&nbsp;<em>trickster</em>, aquele que consegue transitar entre os três mundos (olímpico, telúrico e ctônico) e tem o poder de dominar as sombras, e a deusa do amor &#8211;&nbsp;<em>Afrodite</em>&nbsp;representa muitas formas diferentes do amor, mas principalmente a força da fecundidade que direciona os seres humanos de maneira instintiva; é o amor animal e selvagem que faz com que até mesmo&nbsp;<em>Zeus</em>, o mais poderoso dos deuses, perca o controle de seus atos. Arthur, tomado por esse amor instintivo, mas de maneira deturpada e distorcida, se torna aquele que faz emergir os conteúdos da escuridão de uma sociedade inteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Coringa é a representação da sombra da cultura hipócrita, egoísta, consumista, preconceituosa, unilateralizante e literalizante. Além disso, traz consigo características de todo indivíduo tratado como invisível por essa sociedade. Por isso, a identificação com o personagem é tão fácil por aqueles que têm o mínimo de sensibilidade, no que diz respeito a essas questões, ao mesmo tempo que é negado veementemente pelas pessoas que mostram indiferença com esses assuntos. Ele pode ser a sombra de qualquer um de nós, afinal, ele é um coringa e pode ocupar qualquer posição no jogo social. Então, é apenas óbvio que quando Arthur se torne o Coringa, leve consigo toda a parte pobre, suja, doente e louca da população de Gotham num movimento frenético e catártico que se espalha contagiando psiquicamente todas essas pessoas. A parte negada da sociedade se identifica com ele, o apoia e o segue, mesmo sem saber direito para onde está sendo conduzida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele representa um impulso irracional para a mudança. É de natureza ambígua: ri com a boca enquanto sofre com os olhos; tem uma aparência andrógina; usa paletó e pinta o rosto como um palhaço; destrutivo e criativo ao mesmo tempo. Nunca sabemos se o que diz é verdade ou mentira. A tensão que antecede suas ações é constante, elas são sempre imprevisíveis. Tem o poder de nos incitar a mergulhar no desconhecido, nas sombras. Essa é a descrição da carta “o louco” do tarô mitológico, e ela é a representação do deus grego&nbsp;<em>Dioniso</em>. Na carta, o deus louco se prepara para saltar para o mundo inferior enquanto é guardado pela águia de&nbsp;<em>Zeus.</em>&nbsp;Arthur desce as escadas nessa mesma direção amparado por pombos, ratos com asas, como são chamados às vezes. Na falta das folhas de vinha nos cabelos, usa apenas tinta verde barata. Assim como a&nbsp;<em>hannya</em>, o louco tem chifres na frente da cabeça, o que indica uma condição instintiva animal. O Coringa é o messias das sombras, um&nbsp;<em>Dioniso</em>&nbsp;do mundo inferior, uma mistura de mitos e mitologemas – o Coringa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não quero reduzir esse personagem a um único mito ou representação simbólica, porque isso transformaria o símbolo em signo e caracterizaria um erro. Faço apenas a consideração da projeção de um aspecto arquetípico específico do inconsciente. Consciente de que o trabalho de análise de mitos, contos de fadas ou sonhos, alinhado com o objetivo da psicologia junguiana, é de sempre ampliar, e não reduzir ou encerrar uma interpretação. O próprio personagem propõe isso de maneira genial: ele não se encerra, não se torna apenas um vilão e não tem apenas duas caras, tem milhares. Essa é a razão pela qual muitos espectadores saíram da apresentação com sentimentos ambivalentes num espectro amplo oscilando entre a atração e a repulsão. Possui todas as caras escondidas pelas máscaras de seus seguidores: qualquer um pode ser um coringa, assim como o Coringa pode ser qualquer um.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No consultório com clientes, em conversas com amigos, conhecidos, e com pessoas que estudam a psicologia junguiana e outras, posso perceber como o filme tem um impacto grande causando impressões profundas nos indivíduos. Gostando ou não do filme, ninguém sai da experiência sem se sentir tocado de alguma maneira. E mesmo que não haja reflexão, a imagem, ou as imagens evocadas em cada um são suficientes para mostrar que arquétipos, afetos e complexos foram estimulados. É extremamente interessante a pluralidade de leituras que surgem, com suas diferenças e similaridades. Obviamente, cada um falando de seus próprios aspectos espelhados, de alguma maneira, na tela do cinema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para mim, de todos os recortes analíticos, o mais importante está na ideia de que, quanto mais unilateral e literal nossa sociedade se torna, maior o perigo de vivermos movimentos enantiodrômicos avassaladores que nos levam para o outro lado do pêndulo, também de forma extrema e patológica. Enquanto não aceitarmos que somos seres paradoxais, e que é necessário mergulhar em si mesmo para integrar nossos aspectos sombrios masculinos, femininos, andróginos e loucos, alimentaremos sociedades com culturas ainda mais divididas e estratificadas. Jung, no texto abaixo, comenta a importância do paradoxal e do enfraquecimento da religião quando esta abre mão do contraditório e dos questionamentos opositivos:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; “Surpreendentemente, o paradoxo pertence ao bem espiritual mais elevado. O significado unívoco é um sinal de fraqueza. Por isso a religião empobrece interiormente quando perde ou reduz seus paradoxos; no entanto, a multiplicação destes últimos a enriquece, pois só o paradoxal é capaz de abranger aproximadamente a plenitude da vida. A univocidade e a não contradição são unilaterais e, portanto, não se prestam para exprimir o inalcançável.” (JUNG, O.C. VOL 12, § 18)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Parece falar aqui especificamente sobre religião, porém, é possível e importante ampliarmos isso para outros &#8211; talvez todos &#8211; aspectos da vida. Percebamos que ele diz que “só o paradoxal é capaz de abranger&nbsp;<strong>aproximadamente</strong>&nbsp;a plenitude da vida”. Ou seja, mesmo vivendo o paradoxo, somos&nbsp;<strong>aproximadamente</strong>&nbsp;completos, e sem ele nos tornamos cada vez mais doentes. É preciso entender e aceitar que em cada um de nós habitam personagens que nos fazem chorar e rir ao mesmo tempo. Ouçamos os loucos, dionísios, coringas e&nbsp;<em>hannyas</em>&nbsp;que vivem em nós e façamos esse mergulho nas profundezas do nosso ser em busca dos paradoxos que nos tornam verdadeiramente aquilo que deveríamos ser, antes que seja tarde demais. Afinal de contas, sem dúvida não pode existir a fé!</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Jose Luiz Balestrini Junior, ser humano, psicólogo, especialista em psicologia junguiana pelo IJEP, analista junguiano em formação pelo IJEP, especialista em medicina tradicional chinesa, e Sifu (mestre) de Kung Fu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E-mail:&nbsp;<a href="mailto:balestrini@lungfu.com.br">balestrini@lungfu.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atende e dá aulas na Zona Sul de São Paulo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Av. Ibijau, 236 – Moema</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consultório: (11) 98207-7766</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.lungfu.com.br/">www.lungfu.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Psicologia e alquimia, O.C. vol. 12, Petrópolis, Vozes, 2016.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>José Luiz Balestrini</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/">O coringa, ou a hannya dionisíaca</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
