<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos criança divina - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/crianca-divina/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crianca-divina/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 09 Oct 2026 14:31:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos criança divina - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crianca-divina/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/</link>
					<comments>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 09:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[criança divina]]></category>
		<category><![CDATA[Erês]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Linha das Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[umbanda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=14005</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este ensaio propõe a uma reflexão sobre a imagem da Criança Divina e partir da Psicologia Analítica, em diálogo com a simbólico com a presença dos Erês na Umbanda e com as demandas do espírito do nosso tempo. Em uma sociedade marcada pela aceleração, hiperconexão, produtividade e excesso de estímulos, deixo um convite aos adultos para reconhecerem, acolherem e resgatarem qualidades próprias da sua criança interior. A Criança Divina emerge como uma imagem de esperança e renovação, convocando-nos a recuperar a capacidade de brincar, imaginar, criar e encantar-se com a nossa própria capacidade de nascer e renascer, sempre e de novo.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/">A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este ensaio propõe a uma reflexão sobre a imagem da Criança Divina e partir da Psicologia Analítica, em diálogo com a simbólico com a presença dos Erês na Umbanda e com as demandas do espírito do nosso tempo</strong>. Em uma sociedade marcada pela aceleração, hiperconexão, produtividade e excesso de estímulos, deixo um convite aos adultos para reconhecerem, acolherem e resgatarem qualidades próprias da sua criança interior. A Criança Divina emerge como uma imagem de esperança e renovação, convocando-nos a recuperar a capacidade de brincar, imaginar, criar e encantar-se com a nossa própria capacidade de nascer e renascer, sempre e de novo.</p>



<h2 id="h-ha-imagens-que-atravessam-culturas-religioes-e-tempos-historicos-porque-parecem-tocar-uma-regiao-muito-profunda-da-experiencia-humana-a-crianca-e-uma-delas" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Há imagens que atravessam culturas, religiões e tempos históricos porque parecem tocar uma região muito profunda da experiência humana. A criança é uma delas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Pequena e, ao mesmo tempo, portadora de algo maior que ela mesma; frágil e surpreendentemente poderosa; dependente e, paradoxalmente, símbolo de um futuro ainda não realizado, a criança ocupa um lugar singular no imaginário humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na Umbanda, essa imagem aparece de maneira particularmente expressiva na <strong>Linha das Crianças</strong>, dos Erês, também chamados em diferentes contextos de Ibejis, Beijadas ou Cosminhos. Na Psicologia Analítica, encontramos uma imagem que guarda ressonâncias profundas com essa representação: o arquétipo da Criança Divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Não se trata de afirmar que Erês e Criança Divina sejam a mesma coisa</strong>. <strong>São construções pertencentes a campos distintos</strong>. Entretanto, uma leitura simbólica permite colocá-las em diálogo, observando como ambas podem evocar temas como renovação, espontaneidade, esperança, alegria, transformação e possibilidade de um novo começo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tal aproximação torna-se especialmente significativa principalmente porque vivemos em uma época marcada pelo excesso de estímulos, pela aceleração, pelo cansaço psíquico e pela dificuldade contemporânea de brincar, imaginar e simplesmente estar presente. Num tempo em que somos frequentemente apresentados por siglas, ou melhor, muitas crianças são encapsuladas nestas siglas: TDAH, TEA, TOD, TAG, Transtorno depressivo, Transtorno bipolar e tantas outras classificações que fazem parte do vocabulário contemporâneo sobre o sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Será que podemos pensar que antes de qualquer diagnóstico existe uma criança: aquela que brinca, que sonha, que se angustia, que deseja, que se relaciona, que cria e que sofre. Existe uma história onde ela faz parte e, justamente por isso, a criança simbólica tenha muito a resgatar e nos ensinar.</p>



<h2 id="h-em-os-arquetipos-e-o-inconsciente-coletivo-jung-apresenta-a-crianca-como-uma-imagem-paradoxal-ela-pertence-simultaneamente-ao-passado-e-ao-futuro" class="wp-block-heading" style="font-size:20px">Em <em>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em>, Jung apresenta a criança como uma imagem paradoxal: ela pertence simultaneamente ao passado e ao futuro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao passado porque carrega a memória de nossa condição originária, anterior à diferenciação da consciência. E ao futuro porque anuncia uma transformação que ainda não aconteceu. Jung afirma:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“O motivo da criança representa o aspecto pré-consciente da infância da alma coletiva.” </p><cite>JUNG, 2014, p.163</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acrescenta uma ideia fundamental para compreender a dimensão simbólica da criança: ela pode representar uma antecipação de uma futura transformação da personalidade. A criança, portanto, não é apenas aquilo que fomos. É também aquilo que podemos vir a ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>A criança arquetípica não significa simplesmente infantilidade: ela também é potência de futuro.</strong> É uma pequena semente que contém uma linda árvore que ainda, não podemos enxergar. É o início que carrega secretamente a possibilidade da totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Jung aproxima a imagem da criança do processo de individuação, simbolicamente, ela pode representar uma síntese ainda em formação entre conteúdos conscientes e inconscientes. O motivo da criança aparece, assim, como uma imagem de transformação e de aproximação do Self.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nos mitos e nos contos de fadas, a criança divina frequentemente nasce em circunstâncias de ameaça, abandono ou vulnerabilidade. Ela é pequena demais para enfrentar o mundo e, ao mesmo tempo, carrega algo que o mundo ainda não conhece.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung observa que o motivo da criança aparece em inúmeras culturas sob a forma do deus-menino, do herói-criança, do ser abandonado que sobrevive, da criança milagrosa ou daquele que parece insignificante, mas contém uma força extraordinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança é, portanto, uma imagem de algo novo que ainda não possui lugar na consciência. &nbsp;Ela aparece constantemente em sonhos, fantasias, contos, mitos ou produções artísticas.</p>



<h2 id="h-narrativa-de-um-sonho" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Narrativa de um sonho:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Uma mulher estava numa casa com seus pais e uma amiga que, na realidade, engravidou na mesma época que ela. A mulher teve um menino e a amiga uma linda menina. No sonho a mulher sabia que estava grávida há pouco tempo, pois não tinha barriga. Rapidamente sua barriga cresceu e, quando se deu conta, estava prestes a ter o bebê, seu pai a acompanhava, chamou a ambulância porque começaram as contrações e começou a sentir as dores do parto. Por mais que sua mãe e sua tia quisessem ajudá-la não conseguiram, estourou a bolsa e a bebê escorregou e imediatamente saiu. Quando ela percebeu, a cabecinha já estava ali no seu colo do lado esquerdo, com um cabelinho espetado e olhinhos verdes. A bebê tinha a carinha da mulher quando pequena, era linda, independente, autônoma e muita esperta, sabia exatamente o que queria e onde queria chegar!”</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A princípio, a presença da criança nesse sonho, pode nos levar a pensar: “Será que o sonhador está voltando a ser criança?” ou ainda “Qual parte desse sonhador é infantil?”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mas, refletindo melhor, talvez a pergunta mais apropriada seja “O que nessa mulher sonhadora está tentando nascer?”, “Quem é esse bebê que nasce olhando o mundo de um jeito diferente e com os olhos verdes?”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“&#8230; Nossos sonhos são como janelas que nos permitem olhar para, ou escutar, aquele processo psicológico que está continuamente acontecendo no nosso inconsciente. (JUNG, 1934, apud PUNNETT, 2023, p. 221)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-o-nosso-inconsciente-muito-vezes-nos-chama-a-atencao-para-aspectos-que-precisam-ser-vistos-que-merecem-nosso-olhar-cuidadoso-como-o-nascimento-de-uma-crianca-a-crianca-divina-anuncia-algo-ela-anuncia-uma-nova-fase-um-novo-comeco" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O nosso inconsciente muito vezes nos chama a atenção para aspectos que precisam ser vistos que merecem nosso olhar cuidadoso, como o nascimento de uma criança. A Criança Divina anuncia algo. Ela anuncia uma nova fase, um novo começo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Todo novo começo, de certa forma, é um reencontro, um encontro com nós mesmos, um encontro com um novo eu. O eu que está nascendo, que está surgindo de um modo diferente. É nesse encontro que me faz lembrar da imagem da Criança Divina dentro da Umbanda, símbolo da alegria, da renovação, como uma espécie de energia que nos percorre trazendo uma luz interior, uma verdadeira transformação. Nos faz pensar na energia dos Erês e o mistério da infância na Umbanda.</p>



<h2 id="h-na-tradicao-umbandista-a-linha-das-criancas-possui-significados-proprios-e-nao-deve-ser-reduzida-a-uma-simples-interpretacao-psicologica" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na tradição umbandista, a Linha das Crianças possui significados próprios e não deve ser reduzida a uma simples interpretação psicológica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Rubens Saraceni apresenta os Erês como ligados ao chamado estágio encantado da natureza, e não simplesmente como espíritos de crianças humanas desencarnadas. Em sua formulação, o arquétipo da Criança na Umbanda estaria relacionado aos seres encantados da natureza e às forças dos Orixás.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Todo arquétipo só é verdadeiro se estiver fundamentado em algo preexistente. O arquétipo “Criança” fundamentou-se na inocência na franqueza e na ingenuidade dos seres encantados ainda na primeira idade: a infantil.” (Saraceni, 2023, p.100)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa concepção é importante porque desloca a imagem da criança de uma representação meramente biográfica. Afinal, não se trata simplesmente de “imitar uma criança”.</p>



<h2 id="h-para-saraceni-existe-um-misterio-infantil-que-se-expressa-por-meio-da-inocencia-da-alegria-da-espontaneidade-da-simplicidade-e-da-capacidade-de-transformar-o-ambiente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Para Saraceni, existe um mistério infantil que se expressa por meio da inocência, da alegria, da espontaneidade, da simplicidade e da capacidade de transformar o ambiente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em texto atribuído a Saraceni sobre as Crianças na Umbanda, a Linha das Crianças é descrita como marcada pela ternura, inocência, carinho, alegria e amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sebastião Cabral, escritor, terapeuta e sacerdote umbandista, ao abordar as Crianças na Umbanda, também enfatiza a alegria, a pureza, as cores, o arco-íris, o desprendimento e a possibilidade de renovação das atitudes. Para ele, a presença das Crianças pode simbolicamente nos convidar a começar novamente, tal como uma criança que retorna à tarefa sem carregar o peso excessivo do fracasso anterior, assim como o sonho acima mencionado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim podemos relacionar o arquétipo da criança na Umbanda com o Arquétipo da Criança Divina, na Psicologia Analítica a criança também aparece como possibilidade de recomeço, recuperar a capacidade de renovação.</p>



<h2 id="h-a-crianca-divina-aponta-para-a-possibilidade-de-transformacao-ela-anuncia-o-futuro" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A Criança Divina aponta para a possibilidade de transformação, ela anuncia o futuro.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(&#8230;) A vida é um fluxo, um fluir para o futuro e não um dique que estanca e faz refluir. Não admira, portanto, que tantas vezes os salvadores míticos são crianças divinas. Isto corresponde exatamente às experiências da psicologia do indivíduo, as quais mostram que a &#8216;criança&#8217; prepara uma futura transformação da personalidade. No processo de individuação antecipa uma figura proveniente da síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade. É, portanto, um símbolo de unificação dos opostos, um mediador, ou um&nbsp;portador da salvação, um propiciador da completude. (JUNG,&nbsp;2014,&nbsp;p.&nbsp;16).</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-maturidade-psicologica-nao-exige-eliminar-a-crianca-interior-mas-permitir-que-a-energia-da-crianca-encontre-uma-forma-adulta-de-expressao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A maturidade psicológica não exige eliminar a criança interior, mas permitir que a energia da criança encontre uma forma adulta de expressão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez seja esse um dos grandes desafios do nosso tempo: crescer sem envelhecer por dentro, colocar a alegria num lugar de privilégio psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não estamos falando de uma alegria eterna ou da necessidade de “estar bem” o tempo todo e nem ao menos de felicidade obrigatória. Estamos nos referindo a uma alegria arquetípica, uma abertura à vida, uma transformação interior que nos leva a renovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Um movimento psíquico que permite nascer algo novo, mesmo após sermos idosos ou termos atingido a velhice propiciando a inteireza, a completude.</p>



<h2 id="h-por-isso-a-alegria-das-criancas-na-umbanda-pode-ser-aproximada-simbolicamente-daquilo-que-jung-identifica-como-uma-forca-renovadora-do-arquetipo-infantil" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Por isso, a alegria das Crianças na Umbanda pode ser aproximada, simbolicamente, daquilo que Jung identifica como uma força renovadora do arquétipo infantil.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança não sabe exatamente o que acontecerá amanhã, mas continua a brincar e a se divertir no hoje e no agora. Ela nos convida a comemorar e a lembrarmos da importância dos rituais em nossas vidas que, em muitas famílias, já foram extintos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No calendário popular brasileiro, 27 de setembro tornou-se uma data profundamente associada às crianças, especialmente por sua relação com São Cosme e São Damião e, em muitas tradições afro-brasileiras e umbandistas, com as celebrações dedicadas às Crianças e aos Erês.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para além das diferenças entre as tradições religiosas, essa data pode ser compreendida simbolicamente como uma oportunidade de recordar aquilo que a criança representa para a alma humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O doce, a festa, as cores, a partilha e a alegria podem ser vistos, simbolicamente, como imagens de uma vida que não se resume à produtividade. Existe algo que precisa ser celebrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por sua vez, em nosso calendário o <strong>Dia das Crianças</strong> no Brasil é comemorado no dia <strong>12 de outubro</strong>. A data homenageia as crianças e reforça a importância da garantia de seus direitos, bem como o combate ao abuso infantil.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A ideia de&nbsp;celebrar as crianças no país virou um projeto de lei que&nbsp;foi aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, e&nbsp;assinado como decreto oficial em novembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes com o nome de “Festa da Criança”, sendo&nbsp;comemorada pela primeira vez em&nbsp;12 de outubro de 1925, há 100 anos, diz a Agência Senado.”<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a> (National Geographic Brasil, 2025)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-e-curioso-que-uma-sociedade-que-frequentemente-exige-que-as-criancas-crescam-rapidamente-reserve-um-dia-para-celebra-las" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É curioso que uma sociedade que frequentemente exige que as crianças cresçam rapidamente, reserve um dia para celebrá-las.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Talvez a data possa ser ampliada para além do consumo e das comemorações externas, para um momento de reflexão e de nos perguntarmos: “Onde está aquela criança alegre, que antes brincava e imaginava?”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atualmente somos atropelados pela velocidade e pela hiperconexão, pela produtividade e pelo desempenho, pela necessidade de estar permanentemente disponível e pela dificuldade de silenciar, enfim, pela dificuldade de esperar e pela exigência de sucesso cada vez mais precoce. Um grande paradoxo que nos leva a pensar:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>No adulto está oculta uma criança, uma criança eterna, algo ainda em formação e que jamais estará terminado, algo que precisará de cuidado permanente, de atenção e de educação. Esta é a parte da personalidade humana que deveria desenvolver-se até alcançar a totalidade. </p><cite>Jung, 2013, p. 181</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não precisamos ficar presos ao passado, mas reencontrar aquilo que ainda podemos resgatar e viver no presente: aquela criança que não precisa justificar cada instante de sua existência por produtividade, mas aquele adulto que pode amadurecer sem enrijecer, aquele que continua brincando, rindo, fazendo suas travessias e encontrando sua beleza interior.</p>



<h2 id="h-como-a-mulher-do-sonho-nos-trouxe-precisamos-recuperar-a-crianca-divina-no-nosso-tempo-resgatar-a-capacidade-de-brincar-com-a-vida-e-nos-permitir-nascer-novamente-sempre-e-de-novo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Como a mulher do sonho nos trouxe, precisamos recuperar a Criança Divina no nosso tempo, resgatar a capacidade de brincar com a vida e nos permitir nascer novamente: sempre e de novo!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os Erês, através da sua alegria e encantamento, nos fazem lembrar algo que em nossa época parecem ter esquecido: a vida não é apenas aquilo que precisa ser corrigido, tratado ou adaptado. A vida também precisa ser vivida, imaginada, brincada e encantada, muitas vezes, a Criança Divina não está pedindo para voltar e sim para nascer de novo, de um modo diferente, com olhos verdes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Bedin dos Reis – Membro Analista em Formação IJEP&nbsp;</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata e Fundadora do IJEP</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/0gFVeZxvLPQ?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cabral, Sebastião. <em>Erês na Umbanda</em>: O Mistério Revelado. São Paulo: Madras, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PUNNETT, Audrey (org.) Análise Junguiana de Crianças. São Paulo: Paulus, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>Os Arquétipos da Umbanda: As Hierarquias Espiritual dos Orixás</em>. São Paulo: Madras, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>O Código de Umbanda</em>. São Paulo: Madras, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>O Código dos Orixás</em>. São Paulo: Madras, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie-Louise. <em>A interpretação dos contos de fadas</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> National Geographic Brasil 2025. Disponível em: &lt;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/10/qual-e-a-origem-do-dia-das-criancas-no-brasil-o-unico-pais-que-celebra-a-data-em-outubro">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/10/qual-e-a-origem-do-dia-das-criancas-no-brasil-o-unico-pais-que-celebra-a-data-em-outubro</a>&gt;. Acesso em:13 set.2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="851" height="315" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3.png" alt="" class="wp-image-14013" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3.png 851w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3-300x111.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3-767x284.png 767w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3-149x55.png 149w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-3-448x166.png 448w" sizes="(max-width: 851px) 100vw, 851px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça mais: <a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/">A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
