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	<title>Arquivos cronos - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Oct 2025 11:52:43 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos cronos - Blog IJEP</title>
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		<title>Cronos e Kairós &#8211; Tempo sem vida é ausência de alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/cronos-e-kairos-tempo-sem-vida-e-ausencia-de-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2025 15:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tempo, tempo, tempo, tempo. És um dos deuses mais lindos”&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A partir do pequeno trecho acima da música “Oração ao tempo” escrita por Caetano Veloso, começo este artigo fazendo um convite para que reflitam, sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo. Estamos vivendo momentos que nos fazem felizes e nos aproximam de quem [...]</p>
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<p style="font-size:22px"><strong><em>“Tempo, tempo, tempo, tempo. És um dos deuses mais lindos”&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A partir do pequeno trecho acima da música “<strong>Oração ao tempo</strong>” escrita por Caetano Veloso, começo este artigo fazendo um convite para que reflitam, sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo. Estamos vivendo momentos que nos fazem felizes e nos aproximam de quem somos, ou apenas vivendo mecanicamente uma rotina de produtividade e de cumprir agendas e compromissos?</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>Uma meta poderia ser tempo para a alma. Ter tempo, respirar lentamente, desfrutar de nossas experiências – ou, quando forem experiências difíceis, absorvê-las calmamente, depois soltá-las.</strong></p><cite> <strong>(Kast. 2016, p. 112)</strong></cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Vimemos em uma época que ouvimos muitas falas em relação a falta de tempo. As pessoas se queixam de não fazer determinadas coisas como por exemplo: simples momentos de lazer ou uma visita a família, alegando não ter tempo para isso. E esse tempo quando utilizado para trabalhar, estudar e produzir, de forma mecânica verificamos uma rotina que a sociedade nos apresenta como o padrão coletivo a ser seguido, perdendo o contato com a alma, como busca de anestesiamento causando adoecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-para-se-relacionar-com-o-mundo-exterior-se-utiliza-da-persona-uma-mascara-para-ocultar-sua-verdadeira-natureza-a-qual-jung-cita" style="font-size:19px">O indivíduo para se relacionar com o mundo exterior se utiliza da persona, uma máscara para ocultar sua verdadeira natureza, a qual Jung cita:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Como o seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é individual, quando na realidade não passa de um papel ou desempenho através do qual fala a psique coletiva. </strong></p><cite><strong>(JUNG. 2006, p.134)</strong></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-se-pode-perder-tempo-mas-o-que-e-perder-ou-ganhar" style="font-size:19px"><strong>Não se pode perder tempo! Mas o que é perder ou ganhar?</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Muitas vezes passamos a cumprir um papel para nós e para a sociedade, fazendo uso da persona e reprimindo cada vez mais conteúdo para a sombra que reúne todas as qualidades desagradáveis, culpas, complexos, emoções negativas bem como potenciais. Temos que produzir cada vez mais, trabalhar, nos atualizar em nossas áreas de atuação e em assuntos diversos, nos relacionar com a família e amigos, cuidar da saúde e se exercitar, conhecer lugares e experimentar coisas diferentes, e muito mais por se fazer. Mas será que em meio a toda essa cobrança em atender inúmeras expectativas, estamos utilizando tempo para movermo-nos a totalidade, rumo ao caminho da individuação?</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Evidentemente, não podemos voltar no tempo, e mesmo que sonhemos com uma vida na natureza, sem relógio – na verdade, não é um sonho que levamos a sério: Idealizar o passado não ajuda em nada. Portanto, trata-se de garantir aquilo que, desde sempre, tem sido um problema: fazer de tudo para que, além da divisão e sobreposição do tempo, respeitemos também o tempo rítmico, a nossa necessidade de ritmos na nossa vida. E isso significa em primeiro lugar tomar tempo para determinados aspectos da nossa vida, para que possamos experimentar algo que satisfaça nosso coração, para que voltemos a nos sentir em casa na nossa vida. </strong></p><cite><strong>(Kast. 2016, p. 11)</strong></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-preciso-o-equilibrio-do-tempo-para-nos-aproximar-dos-simbolos-arquetipicos-dos-deuses-do-tempo-cronos-e-kairos-que-habitam-em-cada-um-de-nos" style="font-size:19px">É preciso o equilíbrio do tempo, para nos aproximar dos símbolos arquetípicos dos deuses do tempo: Cronos e Kairós que habitam em cada um de nós.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando nos anestesiamos no movimento coletivo devorador, estamos vivendo em Cronos com a exaustão em busca de um objetivo que quando alcançado já é preciso ter outro, e mais outro em vista e recomeçar, sem pausas para recarregar e alimentar a alma.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A profundidade e a qualidade do tempo permanecem sobre o domínio de Kairós, onde sem essa relação não é possível desfrutar de coisas que fazem realmente sentido. O fluir do tempo e das coisas a seu tempo, ou seja, o momento da oportunidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cronos-e-tempo-cronologico-e-fisico-quantitativo-e-sequencial" style="font-size:19px"><strong>Cronos</strong> é tempo cronológico e físico, quantitativo e sequencial.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">De acordo com a citação de <strong>Brandão (1987, p. 198) Crono foi identificado muitas vezes com o <em>Tempo </em>personificado. Crono devora, ao mesmo tempo que gera. </strong>Kairós o tempo da alma a qualidade do tempo vivido. É o tempo oportuno que faz um acontecimento ser memorável e especial em sua significância da ocasião, um tempo divino o momento único. Cronos representa o caos, sua perspectiva de tempo é devoradora. Usamos nosso tempo para produzir, performar e crescer<del>,</del> fatiado em partes. Quando não há envolvimento apenas fixação no crescimento até o limite de nossas forças, estamos negando a transformação. <strong>E é aí que o tempo insano devora seus próprios filhos, podendo levar a exaustão e ao adoecimento</strong>.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Por outro lado,<strong> Kairós</strong> é bálsamo, é tempo certo é espera que se aprimora para que no momento certo, venha a colheita do fruto que sacia nossa fome. Os deuses do tempo deveriam caminhar juntos, mas muitas vezes caminham em oposição em nós. Enquanto acordamos e dormimos seguindo o tempo lógico, quantitativo que nos faz organizar nossa rotina diária estamos vivendo ritmados por Cronos. Já viver o tempo da vida em Kairós, não é tempo morto é o tempo da alma vivenciado com significado e propósito. Enquanto Cronos pode simbolizar o caos que ao mesmo tempo nos ordena, nos estrutura e nos organiza, Kairós aponta para a necessidade do ajuste entre consciente e inconsciente, que é preciso ter quietude, pausa e desacelerar esse ritmo para respirar e se voltar para dentro de nós, usando esse tempo com qualidade e propósito, alimentando nossa conexão com a alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-o-espirito-da-epoca-de-um-tempo-que-se-mede-em-acoes-que-organiza-a-vida-pratica-que-nos-pede-eficiencia-e-produtividade" style="font-size:19px">Vivemos o “<strong>espírito da época</strong>” de um tempo que se mede em ações, que organiza a vida prática, que nos pede eficiência e produtividade.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Sob essa visão, Cronos é o arquétipo do que chamamos de tempo histórico, do mundo exterior que nos empurra para cumprir tarefas, papéis e rituais sociais. Kairós é o tempo oportuno, o instante essencial. Quando estamos dispersos, serenos, calmos, fluídos seu tempo se faz presente e certeiro. Não é espera passiva, mas uma espera ativa onde permanecemos em contato com o inconsciente para acolher as imagens do que é único e inevitável no momento.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Cronos pode parecer impiedoso: devora a nossa energia, transforma dias em correria, desorganiza o sono, injeta desorientação e exaustão. Quando nos prendemos excessivamente a Cronos, o tempo cronológico pode nos distanciar dos nossos propósitos de vida, nos adoecendo pela sobrecarga de internalizar uma voz de “produza mais” que ressoa no corpo e na psique.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">É a conexão com os símbolos que podem estabelecer a relação com conteúdo do inconsciente as imagens que emergem a consciência levando a função transcendente. Quando o equilíbrio integra Cronos e Kairós, a experiência do tempo ganha densidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-ao-falar-entre-a-relacao-de-oposicao-diz-o-seguinte" style="font-size:19px">Segundo Jung, ao falar entre a relação de oposição diz o seguinte:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Consiste em suprir a separação vigente entre consciência e o inconsciente. Não se pode fazer isto, condenando unilateralmente os conteúdos do inconsciente, mas, pelo contrário, reconhecendo a importância para a compensação da unilateralidade da consciência e levando em conta está importância. A tendência do inconsciente e da consciência são os dois fatores que formam a função transcendente. <em>É chamado transcendente, porque torna possível organicamente a passagem de uma atitude para a outra, sem perda do inconsciente.</em> </strong></p><cite><strong>(JUNG. 2017, p. 18)</strong></cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Sábio é aquele que consegue fazer a integração de viver Cronos sem afastar Kairós. Quando estamos vivendo Kairós queremos que Cronos permaneça imóvel, porque queremos que o tempo pare para eternizar o momento. Cada momento é oportuno, dependendo das lentes pela qual encaramos as circunstâncias encontramos Kairós, mesmo bem meio aos ponteiros do relógio, surgindo aos poucos e com leveza sem negar as demandas da vida prática.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Os deuses do tempo são dimensões complementares da experiência temporal humana.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Cronos caminha com a rotina diária, ordenando a existência</strong>; <strong>Kairós abre o espaço para a transformação, quando o tempo se faz nutritivo e decisivo</strong>.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Ao honrar ambos, o sujeito pode navegar entre a exaustão do tempo que devora seus filhos e a oportunidade sagrada de um momento que não se repete. Encontrando equilíbrio entre agir no mundo e ouvir o que o inconsciente revela sobre o chamado da nossa alma. Sem se perder de si mesmo durante a jornada.</p>



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</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monica-contreras/">Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf– Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Obras Completas de C. G. Jung.</em> Petrópolis, RJ: Vozes. Os seguintes volumes são mencionados no texto:</p>



<p>Vol. VII/ 2 – <em>O eu e o inconsciente</em>, 2006.</p>



<p>Vol. VIII/ 2 – <em>A Natureza da Psique</em>, 2013</p>



<p>KAST, Verena. <em>A Alma precisa de tempo</em>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016</p>



<p><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>O Contemporâneo e o Moderno: Cronos e Kairós</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-contemporaneo-e-o-moderno-cronos-e-kairos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 18:29:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O</em> <em>mundo em que penetramos ao nascer, é brutal e cruel &#8211; ao mesmo tempo é de uma beleza divina. É uma questão de temperamento acreditar no predomínio do que faz sentido ou do que não faz sentido. Se este último dominasse de maneira absoluta, o aspecto sensato da vida desapareceria cada vez mais, em função da evolução. Mas não é, ou não me parece ser o caso. Como em toda questão de metafísica, ambos são provavelmente verdadeiros: a vida é sentido e não-sentido, ou possui sentido e não-sentido.Tenho a ansiosa esperança que o sentido prevalecerá e ganhará a batalha&#8221;. </em></p><cite><strong>C. G. Jung &#8211; Memórias, Sonhos e Reflexões</strong></cite></blockquote>



<p><strong>Cronos e Kairos</strong> são dois seres mitológicos advindos da cultura greco-romana. <strong>Cronos</strong> refere-se ao tempo de <strong>Saturno</strong> que é cronológico, quantitativo, lógico e sequencial, o tempo que se mede, o tempo que nos resta para a morte, o &#8220;tempo dos homens&#8221; &#8211; que pode ser dividido em anos, meses, semanas, dias, horas, etc. <strong>Kairós</strong> representa o tempo de <strong>Urano</strong>, um momento indeterminado onde algo especial acontece, é a experiência do momento oportuno, teleologicamente, é usado para descrever a forma qualitativa do tempo, o &#8220;tempo de Deus&#8221; &#8211; que não pode ser medido e, por isso mesmo, supera o medo da morte, representado pela expressão latina: Carpe Diem.</p>



<p><strong><strong>Cronos</strong></strong>, na mitologia, castrou seu pai <strong>Urano</strong>, estabelecendo logos aos Caos, assumindo o poder e o trono de seu pai, passando a devorar seus filhos, para evitar futuros oponentes. Por isso, essa perspectiva do tempo é devoradora. Ele também é associado à  figura das três Parcas ou Moiras, as &#8220;Fiandeiras do Destino&#8221;, filhas de Nyx, deusa da noite: Clotho é a tecelã, responsável por tecer o destino com seu fuso mágico, Lachesis é a medidora, distribui e avalia o fio da vida e Atropos, a que corta e dá fim à vida. Ele é cíclico e representa as estações e o tempo rítmico do Sol, entre dormir e acordar, nascer e morrer.</p>



<p><strong>Kairós</strong>, por sua vez, nos dá a capacidade artística de compreender a qualidade do tempo. O tempo certo de cada coisa, que nos possibilita transformar o presente num agradável&nbsp;presente! É simultaneamente o tempo de ter tempo, perder tempo e se entregar ao tempo, com paz e fé. O tempo do encantamento, do&nbsp;Once Upon a Time&nbsp;&#8211; o era uma vez dos contos de fadas. É o tempo do agora, indo além da ilusão do tempo do relógio, com peso, cheiro, cor, sabor e som únicos, que nos faz&nbsp;re-cor-dar&nbsp;&#8211; lembrar para sempre, gravando na memória do coração, decorando, aquela experiência que pode representar toda a existência em apenas um&nbsp;atmo&nbsp;de tempo. Em função da existência do tempo de&nbsp;Kairós&nbsp;nenhum experimento é passível de ser repetido nas mesmas condições, porque cada momento é único. Abalando toda base da ciência mecanicista causal, por ser impossível controlar todas variáveis, por conta do princípio da incerteza e pela influência dos observadores, impossibilitando reproduzir o passado!</p>



<p><strong>Carl Gustav Jung&nbsp;</strong>(1875-1961), uma das mais vigorosas expressões da ciência psicológica, trabalhou muito mais a serviço do tempo de&nbsp;Kairós,&nbsp;sempre comprometido com a ampliação da consciência do homem contemporâneo, que é menos abrangente que o homem moderno, por&nbsp;não saber reconhecer e integrar seus aspectos primitivos e ancestrais, presentes na sombra individual e coletiva. Desta forma, passamos a perceber que o homem contemporâneo, sem o engajamento com a modernidade, torna-se um ser individualista, consumista, alienando de si mesmo, tornando-se anestesiado, apesar de normoticamente adaptado a essa sociedade doente e cada vez mais dependente de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas, e de uma infinidade de produtos supérfluos e descartáveis, num crescente desencantamento do mundo e dessacralização da vida!</p>



<p>O homem contemporâneo, preso exclusivamente no tempo de <strong><strong>Cronos</strong></strong>, fica oscilando entre as mágoas ou culpas do passado e a ansiedade ou medo do futuro, cada vez mais angustiado com a celeridade do tempo e o sentimento de falta de tempo. Devido sua incapacidade de tirar proveito saudável e pedagógico do passado ou de fazer planejamento com significado e sentido para sua evolução existencial, perde-se de si mesmo. Essa condição acaba, de forma defensiva e reativa à depressão, fazendo-o buscar apenas o consumo e o acúmulo material, negando a dimensão espiritual e, consequentemente, a paz. Isso faz com que ele confunda amor com desejo, transformando toda sua vida numa rotina de conquistas materiais e efêmeras. Uma outra metáfora para representar o contemporâneo e o moderno está na metáfora que <strong>Jung</strong> usa no Livro Vermelho (Liber Novus), fazendo a diferenciação entre o espírito da época e o espírito da profundeza:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O espírito dessa época disse-me em voz baixa: ‘Este sentido supremo, esta imagem de Deus, esta interfusão do quente e do frio, isto és somente tu. Mas o espírito da profundeza falou-me: ‘Tu és uma imagem do mundo infinito, todos os últimos mistérios do vir a ser e do cessar de ser moram em ti. Se não possuísses tudo isso, como poderias conhecer?&#8221;</em></p><cite><strong>Carl Gustav Jung, Liber Novus</strong></cite></blockquote>



<p>Enquanto o homem contemporâneo é um conceito cronológico que representa a totalidade dos indivíduos viventes, ligados ao espírito da época, o homem moderno é aquele que se diferencia da massa, por ter profunda consciência do presente, integrando-a ao espírito das profundezas, para que seu chamado teleológico e seus conteúdos imanentes, advindos do inconsciente coletivo, possam se expressar, egoicamente, no seu engajamento ao processo de individuação, visando sua transcendência. Óbvio que, diante das &#8220;tentações&#8221; do prazer sensorial, em todos os sentidos, da sexualidade, da vaidade e da riqueza, onde a ilusão do poder e do controle, promete ao homem contemporâneo muita alegria e sucesso, fica cada vez mais difícil, abrir mão desta promessa espetacular, ainda que vazia e líquida, para entranhar-se nos mistérios do amor, enfrentando a sombra, colocando em risco a persona do puritano realizado, até encontrar o sangue do dragão, o estado alquímico da rubedo, para contribuir na realização da alma.</p>



<p>Neste sentido, a prática das terapias, com abordagens junguianas, <strong>tem objetivo de despertar o ser moderno e a percepção do tempo de&nbsp;Kairós, no homem contemporâneo.</strong> Alinhando-o com o presente, consciente e consequente da sua trajetória temporal, do passado rumo ao futuro, com sentido e significado existencial, comprometido com a história e com a cultura, numa atitude de amor, valorizando o pleno exercício da liberdade, devido a prática da alteridade, e da consciência de si mesmo, apesar das contínuas e presentes interferências do Estado, do mercado e muitas instituições religiosas que, equivocadamente, podem tentar afastá-lo, simultaneamente e reciprocamente, destas conquistas! Para que a Paz e o Bem estejam com ele e sejam praticados por ele, todo tempo, na dinâmica do: <strong>Servir para Ser</strong>! Conscientemente engajado no processo de individuação que, em última instância, é a consecução teleológica presente na imanência do nosso Self, de acordo com esta citação de Jung, no livro Símbolos da Transformação &#8211; §99.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Como o inconsciente impôs aos homens em última análise um destino espiritual em sentido mais amplo e em grau cada vez maior, foi desta experiência que resultou o conceito de que a figura de Deus é um espírito e este deseja o espírito. Isto não é invenção nem do cristianismo nem dos filósofos, mas uma experiência humana primitiva que também o ateu confirma. (Neste caso trata-se apenas daquilo de que se fala, não de sua aceitação ou negação.) A outra definição de Deus por isto diz: &#8220;Deus é Espírito&#8221;. A imagem pneumática de Deus acentuou-se de forma especial no Logos, conferindo ao &#8220;amor&#8221; que provém de Deus um caráter especial, isto é, o da abstração, como o encontramos no conceito do amor cristão.&#8221;</em></p><cite>Carl Gustav Jung, Símbolos da Transformação</cite></blockquote>



<p class="has-text-align-right"><strong>Autor: Waldemar Magaldi</strong></p>
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