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	<title>Arquivos desenvolvimento pessoal - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 19:59:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos desenvolvimento pessoal - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Partejar a si mesmo: renascimento psíquico na maturidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/partejar-a-si-mesmo-renascimento-psiquico-na-maturidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Pessanha Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 18:08:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<category><![CDATA[transformação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/partejar-a-si-mesmo-renascimento-psiquico-na-maturidade/">Partejar a si mesmo: renascimento psíquico na maturidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong>RESUMO: </strong><em>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-momentos-da-vida-em-que-aquilo-que-antes-sustentava-o-sentido-trabalho-papeis-sociais-expectativas-reconhecimento-posicao-social-deixa-de-responder-as-perguntas-mais-profundas-da-alma-nbsp" style="font-size:18px">​​Há momentos da vida em que aquilo que antes sustentava o sentido — trabalho, papéis sociais, expectativas, reconhecimento, posição social — deixa de responder às perguntas mais profundas da alma.&nbsp;</h2>



<p id="h-a-vida-segue-mas-algo-essencial-se-perde" style="font-size:18px"><strong>A vida segue, mas algo essencial se perde</strong>. Aquilo que antes organizava a identidade já não oferece sustentação. Instala-se um sentimento de vazio, uma perda de vitalidade, um desânimo, que frequentemente é confundido com fracasso pessoal ou até mesmo uma patologia. Esse estado costuma ser vivido com angústia, no entanto, esse esvaziamento não é, em si, depressão nem sinal de adoecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trata-se-muitas-vezes-de-uma-crise-de-identidade-o-individuo-ja-nao-se-reconhece-naquilo-que-antes-lhe-dava-contorno" style="font-size:18px">Trata-se, muitas vezes, de uma <strong>crise de identidade</strong>: o indivíduo já não se reconhece naquilo que antes lhe dava contorno.</h2>



<p style="font-size:18px">O que agradava, já não satisfaz mais; valores que eram importantes perdem a força; surge a experiência de não saber mais quem se é. Esse desconhecimento de si pode ser profundamente desestabilizador — e exatamente por isso, carregado de <strong>potencial transformador</strong>. Perguntas antes irrelevantes tornam-se urgentes. “Por que eu gostava disso e agora não gosto mais?”, “O que, afinal, ainda faz sentido para mim?, “O que a vida quer de mim?”</p>



<p style="font-size:18px">Na Psicologia Analítica, esse momento pode indicar uma <strong>exigência psíquica de transformação</strong>, típica da segunda metade da vida. A busca que se impõe já não é externa. Não se trata de novos projetos, novos papéis ou novos reconhecimentos. Trata-se de uma busca <strong>interior</strong>, que não pode ser simplesmente decidida ou planejada. Ela precisa ser gestada, sustentada e, finalmente, parida. É nesse horizonte que emerge a imagem central deste artigo: <strong>“partejar a si mesmo”</strong>, como símbolo de um processo interno árduo, inevitável e criativo do amadurecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-etapas-da-vida" style="font-size:22px"><strong>As etapas da vida</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Jung descreve a primeira metade da vida como orientada fundamentalmente pela <strong>adaptação ao mundo exterior</strong>. O desenvolvimento da psique, nesse período, está centrado no fortalecimento e na estruturação do ego, que precisa se diferenciar progressivamente do inconsciente (JUNG, <em>2013</em>).</p>



<p style="font-size:18px">Nessa etapa o indivíduo desenvolve a personalidade parcialmente consciente, constrói a persona, sua vida funcional e produtiva. Trabalho, família, vida social e conquistas materiais tornam-se eixos organizadores da identidade. Trata-se de uma fase necessária e legítima do desenvolvimento psíquico. Sem um ego suficientemente estruturado, não há base para desenvolvimento de processos mais complexos.</p>



<p style="font-size:18px">Contudo, Jung é enfático ao afirmar que essa lógica não pode reger toda a existência. Na <strong>segunda metade da vida</strong> surge uma relação diferente entre ego e Self. É o que Jung denomina <strong>metanoia</strong>: uma crise profunda de reorientação psíquica, na qual ocorre um questionamento radical dos valores até então vigentes. A libido (energia psíquica), antes predominantemente dirigida ao mundo externo, volta-se para o mundo interno. O ego passa a buscar o si-mesmo (centro regulador da psique) a procura de uma nova orientação para a vida. É chegado o momento do resgate da alma. A esse movimento Jung dá o nome de <strong>processo de individuação</strong>, entendida como o objetivo do desenvolvimento psíquico em direção à realização da totalidade da personalidade, ao tornar-se verdadeiramente quem se é.</p>



<p style="font-size:18px">Para ilustrar essa inversão de valores, Jung compara o desenvolvimento humano ao curso diário do sol:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:5px">
<p style="font-size:18px">“Suponhamos um Sol dotado de sentimentos humanos e de uma consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol se eleva do mar noturno do inconsciente […] Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e este declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §778).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-inversao-nao-e-patologica-nem-opcional-simplesmente-acontece-quando-o-ego-insiste-em-viver-a-maturidade-segundo-a-logica-da-juventude-expansao-produtividade-adaptacao-externa-o-sofrimento-e-inevitavel" style="font-size:18px">Essa inversão não é patológica nem opcional, simplesmente acontece. Quando o ego insiste em viver a maturidade segundo a lógica da juventude — expansão, produtividade, adaptação externa —, o sofrimento é inevitável.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px">“Da mesma forma que o indivíduo preso à infância recua apavorado diante da incógnita do mundo e da existência humana, assim também o homem adulto recua assustado diante da segunda metade da vida, como se o aguardassem tarefas desconhecidas e perigosas, ou como se sentisse ameaçado por sacrifícios e perdas que ele não teria condições de assumir, ou ainda como se a existência que ele levara até agora lhe parecesse tão bela e tão preciosa, que ele já não seria capaz de passar sem ela.” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §777)</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sofrimento-nesse-contexto-surge-pela-resistencia-a-transformacao-psiquica" style="font-size:18px">O sofrimento, nesse contexto, surge pela <strong>resistência à transformação psíquica</strong>.</h2>



<p style="font-size:18px">Jung foi muito claro ao afirmar que é a recusa em aceitar a mudança, em atender ao chamado do Self, que traz sofrimento. Segundo ele, “para o homem que envelhece é um dever e uma necessidade dedicar atenção séria ao seu próprio si-mesmo. Depois de esbanjar luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe seus raios para iluminar a si-próprio.” (JUNG, 2013)</p>



<p style="font-size:18px">No entanto, é muito comum vermos essa recusa perdurar até depois da metanoia, que costuma acontecer por volta dos 40 anos. Importante deixar claro que o envelhecimento, não leva necessariamente ao amadurecimento psíquico. Para que isto ocorra, o indivíduo deve aceitar esse chamado com consciência e confiança. O processo de amadurecimento pode acontecer tardiamente, ou até mesmo, nunca acontecer.&nbsp; E se assim for, se vive uma velhice sem sentido, em profunda depressão, acompanhado somente das lembranças do passado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-renascimento-psiquico" style="font-size:22px"><strong>O renascimento psíquico</strong></h2>



<p style="font-size:18px">A recusa em viver o envelhecimento sem sentido pode levar as pessoas ao processo do <strong>renascimento psíquico</strong>. Jung se debruçou sobre esse tema, considerando-o como um arquétipo. Isso porque a ideia de renascimento está presente na história da humanidade e amplamente difundida por meio de mitos em diferentes culturas. O renascimento pode ser ocasionado por um evento externo, como por exemplo, uma doença ou a morte de um ente querido, ou interno, como o caso da metanoia.</p>



<p style="font-size:18px">Renascimento, portanto, <strong>não equivale a recomeçar a vida</strong> nem a buscar uma juventude tardia. Trata-se de uma <strong>morte simbólica</strong> de antigas identificações egóicas, acompanhada de desorganização do ego e da emergência de novas imagens orientadoras do Self. Jung descreve diferentes formas de renascimento: a <em>renovatio</em>, na qual funções psíquicas são fortalecidas sem alteração essencial da personalidade; a <strong>transformação no sentido de ampliação</strong>, a possibilidade de modificação da personalidade; e o <strong>renascimento indireto</strong>, pela participação em processos ou ritos de transformação (JUNG, <em>2014</em>). Na maturidade, é frequentemente a transformação que se impõe.</p>



<p style="font-size:18px">Esse processo não é confortável. Ele envolve perda de certezas, desorientação e espera. O ego perde centralidade, e o Self passa a orientar a vida psíquica. Novas imagens e valores emergem do inconsciente, exigindo elaboração simbólica e ética.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-partejar-a-si-mesmo" style="font-size:22px"><strong>Partejar a si mesmo</strong></h2>



<p style="font-size:18px">O renascimento desejado na maturidade é, portanto, um processo consciente, ou seja, de ampliação de consciência. E exige muito trabalho e dedicação. É nesse campo que se insere a imagem simbólica de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>. Partejar a si mesmo não é um projeto de autoaperfeiçoamento; é responder ao <strong>chamado do Self</strong>. É uma experiência psíquica: o nascimento de algo novo.</p>



<p style="font-size:18px">Como todo parto, trata-se de um processo marcado por dor, tempo próprio e impossibilidade de controle. O novo não nasce por decisão racional; ele nasce <strong>apesar do ego</strong>. Partejar a si mesmo é suportar os lutos inerentes à maturidade: deixar morrer personas que garantiam pertencimento, abandonar ideais de onipotência, integrar aspectos sombrios da personalidade que permaneceram dissociados durante a vida produtiva. O que nasce não é um “novo eu” idealizado, mas uma <strong>nova relação entre ego e Self</strong>.</p>



<p style="font-size:18px">Para partejar a si mesmo, é necessário um ego suficientemente flexível, capaz de sustentar a tensão com o inconsciente, sem colapsar nem se defender rigidamente. Esse processo ocorre no tempo do <em>kairós</em>, o tempo da alma, e não no tempo cronológico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transformacao-psiquica-exige-tomada-de-consciencia" style="font-size:18px">A transformação psíquica exige <strong>tomada de consciência.</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Esse processo só se torna possível por meio daquilo que Jung denominou <strong>função transcendente</strong> &#8211; um processo que emerge da tensão entre consciente e inconsciente:&nbsp; passado e futuro, vida externa esvaziada e exigência interna ainda informe. Quando o ego suporta essa tensão sem repressão ou identificação inflacionada, surgem símbolos vivos — sonhos, imagens, sintomas significativos — que mediam a transformação psíquica. Jung afirma que, nesse movimento, conteúdos inconscientes são assimilados pela consciência, ampliando-a e produzindo uma nova atitude diante da vida (JUNG, 2013).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Ninguém que haja passado pelo processo de assimilação do inconsciente poderá negar o fato de ter-se emocionado profundamente e de ter-se transformado.</p><cite>JUNG, <em>O eu e o inconsciente</em>, OC 7/2, §361</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Nesse momento da vida, as perguntas que se impõem não dizem mais respeito ao que foi conquistado ou desempenhado externamente, mas à <strong>verdade psíquica</strong> que sustenta — ou não — essa trajetória.</p>



<p style="font-size:18px"><strong><em>“As personas (máscaras sociais) que desempenhei durante toda minha vida estão conectadas aos valores do Self?”</em></strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><em>“Reconheço minhas partes reprimidas da personalidade (sombras), aqueles piores defeitos ou então aquela potencialidade que não tive coragem de assumir?”</em></strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><em>“Quem eu sou para além da história e dos papeis que representei?”</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-recusa-da-espera-da-morte" style="font-size:22px"><strong>A recusa da espera da morte</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Sob essa perspectiva, o envelhecimento pode ser compreendido como um <strong>portal iniciático</strong>. A perda de valor da persona social não é um empobrecimento, mas uma convocação à interiorização. A recusa em “esperar a morte” — tão frequente em culturas que associam valor à produtividade — pode ser lida como resposta do Self à estagnação psíquica.</p>



<p style="font-size:18px">Como imagem contemporânea desse processo temos o filme <strong>Azul Profundo</strong>. O filme acompanha uma mulher idosa que, após a aposentadoria forçada, se vê retirada do mundo produtivo e confrontada com a expectativa social de recolhimento e espera passiva da morte. Em vez disso, a personagem recusa essa morte psíquica antecipada e inicia um movimento de reinvenção subjetiva, ainda que marcado por solidão, estranhamento e conflito. A crise vivida pela protagonista não se configura como depressão, mas como <strong>desorientação existencial</strong>: aquilo que antes estruturava o cotidiano já não existe, e nada ainda ocupou o lugar deixado por essa perda. A personagem não “se reinventa”; ela <strong>atravessa uma morte simbólica</strong>. A recusa em simplesmente “esperar a morte” não se expressa como rebeldia, mas como <strong>persistência em permanecer viva psiquicamente</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-observa-que-quando-o-desenvolvimento-psiquico-e-interrompido-a-vida-perde-sentido-e-o-individuo-adoece-nao-por-envelhecer-mas-por-deixar-de-se-transformar-jung-2013" style="font-size:18px">Jung observa que, quando o desenvolvimento psíquico é interrompido, a vida perde sentido e o indivíduo adoece não por envelhecer, mas por deixar de se transformar (JUNG, 2013).</h2>



<p style="font-size:18px">O filme encarna essa afirmação ao mostrar que a velhice, quando reduzida à inutilidade social, torna-se insuportável; mas quando vivida como território de escuta e transformação, pode adquirir outro estatus simbólico.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse sentido, o filme ilustra com precisão a imagem de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>: algo precisa morrer, algo ainda não tem forma, e o ego — despojado de seus antigos papéis — precisa suportar a dor, o tempo e a incerteza desse processo. O novo sentido, se surgir, não virá como conquista do ego, mas como resposta silenciosa do Self à coragem de não viver de forma falsa.</p>



<p style="font-size:18px">Como disse Jung: “a vida tem de ser conquistada sempre e de novo&#8221; (JUNG, 2013). Quando a vida externa já não oferece sentido, a psique não está falhando. Ela está exigindo transformação. Nem todo envelhecimento conduz à individuação; mas <strong>sem atravessar a crise</strong>, ela não ocorre.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Partejar a si mesmo</strong> não é escolha confortável, nem promessa de plenitude. É seguir o chamado da alma, quando já não é mais possível viver de outra forma. Em última instância, é responder à pergunta que inaugura a maturidade: <strong>quem sou eu quando já não sou quem fui?</strong></p>



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<iframe title="Artigo Novo: &quot;Partejar a si mesmo renascimento psíquico na maturidade&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/EC0BaGsVZ-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/"><strong>Ana Paula Pessanha Lima &#8211; Membro Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h3>



<p>JUNG, C. G. (2015). <em>O eu e o inconsciente</em> (OC 7/2). Petrópolis: Vozes.</p>



<p>JUNG, C. G. (2013). <em>A natureza da psique</em> (OC 8/2). Petrópolis: Vozes.<br>JUNG, C. G. (2014). <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (OC 9/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p>JUNG, C. G. (2013). <em>Desenvolvimento da Personalidade </em>(OC 17). Petrópolis: Vozes.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Aceitação Coletiva ou Essência Individual: Uma Reflexão Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/opiniao-da-maioria-e-opiniao-propria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leandro Scapellato]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 12:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[relações interpessoais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8015</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, exploramos a questão da aceitação coletiva versus a preservação da essência individual, sob a perspectiva de Carl Jung. Descubra como a busca pela aprovação pode afetar nosso desenvolvimento interno e autonomia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Dia desses me enviaram uma frase, atribuída de maneira incerta — e provavelmente errada — a Eça de Queiróz, dizendo que não deveríamos ter medo de pensar diferente dos outros. O medo, segundo o autor desconhecido, deveria ser o de pensar igual aos outros e todos estarem errados.</em> <em>Mas onde termina a opinião da maioria e começa a opinião própria?</em></p>



<p>Acredito que o problema em pensar igual aos outros não seja exatamente a má sorte de se descobrir errado em grupo, mas sim o preço que se paga, em primeiro lugar, para ter a mesma opinião da maioria, quando a própria opinião não é alcançada com uma reflexão crítica e honesta.</p>



<p>Vejamos: já não é novidade que a maioria das pessoas não define o que é correto. A maioria das pessoas define o que é aceito. <strong>E é claro que o que é aceito frequentemente é visto, principalmente pelo homem médio, como correto.</strong></p>



<p>Por isso, no decorrer da história, vimos pessoas serem castigadas, mulheres serem queimadas, cientistas serem presos, políticos serem exilados e povos serem dizimados por ter ou parecer ter opiniões conflitantes com a opinião geral ou de quem está no poder.</p>



<p>Uma antiga inscrição no templo de Apolo, em Delfos, dizia “conhece-te a ti mesmo”, que podemos compreender basicamente como um convite para que busquemos conhecimento sobre nós mesmos e, a partir desse conhecimento, busquemos a verdade sobre o mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-torna-te-quem-tu-es">Torna-te quem tu és</h2>



<p><strong>Nietzsche</strong>, em sua obra <em>Ecce Homo</em>, revisita o convite do poeta grego Píndaro: “<strong>Torna-te quem tu és</strong>”, afirmando estar contrapondo a inscrição do templo de Apolo. Aquela, de Delfos, colocaria o conhecer como algo da reflexão interna, do pensamento. Esta reflexão, de Píndaro, se relaciona mais com a experiência prática do indivíduo no mundo.</p>



<p><strong>Nietzsche defende a ideia de que devemos nos apropriar do que somos por meio da ação e não buscar um ideal de “eu” e tentar alcançá-lo</strong>. Prática esta que, segundo ele, envolveria moldar-se de maneira desonesta, renunciando a si mesmo para cultivar práticas consideradas “ideais”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>&#8220;[&#8230;] o conhece-te a ti mesmo seria a fórmula para a destruição, esquecer-se, mal entender-se, empequenecer, estreitar, mediocrizar-se.&#8221; </em></p>
<cite>Nietzsche, <em>Ecce Homo</em></cite></blockquote>



<p>Não pretendo entrar aqui na perigosa intenção de julgar a frase do templo de Apolo, tão profundamente trabalhada pelos antigos filósofos. Muito menos pretendo acender minha arrogância a ponto de condenar uma mente tão grandiosa como a de Nietzsche, pelas provocações que teceu — e que, confesso, me agradam muito.</p>



<p>Para mim, as duas frases, de modos diversos, chegam a uma mesma ideia: <strong>é preciso ter autonomia interna perante o mundo</strong>. A partir dessa premissa, a questão que tento trazer aqui parece-me mais superficial — ou não: se o que a maioria pensa define o que é aceito — e não o que é certo —, quem molda as próprias opiniões para encaixá-las às da maioria busca, na verdade, aceitação, e não estar honestamente certo. Em suma, será que sacrificar-se — sacrificar a autonomia interna — é um preço válido para ser aceito pela maioria?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-exatamente-se-sacrifica-para-ser-aceito" style="font-size:20px">E o que exatamente se sacrifica para ser aceito?</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>“Sermos nós mesmos faz com que acabemos excluídos pelos outros. No entanto, fazer o que os outros querem nos exila de nós mesmos.”</em> </p>
<cite>ESTÉS, 2014</cite></blockquote>



<p>O velho <strong>Jung</strong>, em sua pequena e rica obra <em>Presente e futuro</em>, nos ensina que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>Não há e não pode haver autoconhecimento baseado em pressupostos teóricos, pois o objetivo desse conhecimento é um indivíduo, ou seja, uma exceção e uma irregularidade relativas. Sendo assim, não é o universal e o regular que caracterizam o indivíduo, mas o único</em>. </p>
<cite>JUNG, 2013b</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-universo-massificado">Um universo massificado</h2>



<p>Além disso, <strong>Jung</strong> também afirma, na mesma obra, que, em um <strong>universo massificado</strong> — tomando massificação, nesta reflexão, como um processo de destruição da capacidade de reflexão crítica e consciência individual em nome da adoção de comportamentos e ideias automaticamente aceitas pela coletividade —, “O indivíduo [&#8230;] possui uma importância mínima. É uma espécie em extinção. <strong>Quem ousa afirmar o contrário sofrerá imensos embaraços em sua argumentação</strong>”. E, ainda, que “quanto maior a multidão, mais ‘indigno’ o indivíduo [&#8230;] esmagado pela sensação de sua insignificância e impotência [&#8230;].”</p>



<p>Com base na análise acima, <strong>Jung</strong> ainda diz que o <strong>juízo individual </strong>— ou seja, a capacidade de <strong>reflexão crítica</strong> — se torna cada vez mais inseguro, fazendo com o que o indivíduo acabe por renunciar ao próprio julgamento. </p>



<p><strong>Podemos</strong> <strong>compreender que, a partir dessa renúncia do próprio juízo, o indivíduo passar a confiar, sem refletir, no julgamento do que é definido pela maioria ou por quem está no poder formal ou no poder reconhecido pelo indivíduo — o Estado, um partido político, um clube ou uma associação, uma organização religiosa, etc</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:16px"><em>O homem comum, que é predominantemente o homem da massa, em princípio não toma consciência de nada nem precisa fazê-lo, porque, na sua opinião, o único que pode realmente cometer faltas é o grande anônimo, convencionalmente conhecido como “Estado” ou “Sociedade”.</em></p>



<p style="font-size:16px"><em>Mas aquele que tem consciência de que algo depende de sua pessoa, ou pelo menos deveria depender, sente-se responsável por sua própria constituição psíquica, e tanto mais fortemente, quanto mais claramente se dá conta de como deveria ser, para se tornar mais saudável, mais estável e mais eficiente.</em></p>



<p style="font-size:16px"><em>Mas a partir do momento em que se achar a caminho da assimilação do inconsciente, pode ficar certo de que não escapará a nenhuma dificuldade que é uma componente imprescindível de sua natureza. O homem da massa, pelo contrário, tem o privilégio de nunca ser culpado das grandes catástrofes políticas e sociais em que o mundo inteiro se acha mergulhado</em>.</p>
<cite>JUNG, 2013a</cite></blockquote>



<p>Parece óbvio que uma sociedade massificada combate exatamente a autonomia interna, a consciência e a atividade reflexiva individual que tanto buscamos na análise junguiana. Portanto, as ideias massificadas roubam do indivíduo a possibilidade de atravessar o esforço e o sofrimento necessários para que se alcance a própria essência.</p>



<p>E, sem a busca pela própria essência, ao meu ver, esse indivíduo está condenado a se desconectar do seu próprio processo de desenvolvimento, que exige uma organização interna única. E, ainda, a ser sugado de maneira violenta pela massa coletiva, para que assuma em si os moldes — ideias, ética, julgamentos — aceitos por determinada coletividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-s-omente-aquele-que-se-encontra-tao-organizado-em-sua-individualidade-quanto-a-massa-pode-opor-lhe-resistencia-jung-2013b" style="font-size:19px">“S<strong>omente aquele que se encontra tão organizado em sua individualidade quanto a massa pode opor-lhe resistência</strong>”  &#8211; JUNG, 2013b</h2>



<p>Caso contrário, o indivíduo acabará por sacrificar sua própria essência para conseguir assumir a unilateralidade predominante no grupo do qual deseja sentir-se parte. Assim sendo, cito, por exemplo, do partidário que evitará refletir sobre as ideias indigestas do partido ou político que defende.</p>



<p>O religioso fiel reprimirá em si os impulsos humanos condenados pelo líder de sua congregação e ignorará as “falhas” desse líder, não interessa quantas provas tenha delas. O cientista baseado em evidências negará suas experiências numinosas.</p>



<p>O <strong>analista junguiano</strong> não dará voz interna a uma crítica em relação a alguma antiga opinião de <strong>Carl Gustav Jung</strong>. Na realidade, mesmo que lhe pareça clara em si a reprovação da opinião — a mesma coisa com freudianos, lacanianos, gestaltistas, etc. E por aí vai&#8230; <strong>E, ao fazer isso, esse indivíduo também sacrificará a totalidade de si — que inclui todos os opostos e não se forma na unilateralidade</strong> — e, com isso, se afastará de sua jornada de individuação.</p>



<p>Afinal&#8230; Ser aceito pelas pessoas realmente é algo importante, de certa maneira. Talvez sentir pertencimento seja algo necessário em algum nível. Apesar disso, na clínica podemos facilmente notar que pessoas que conseguiram ser muito aceitas pela coletividade ou por grupos específicos que acha importante não necessariamente sentem-se bem consigo mesmas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-isso-talvez-aconteca-exatamente-porque-receber-algo-do-externo-nao-modifica-o-interno" style="font-size:19px">E isso talvez aconteça exatamente porque receber algo do externo não modifica o interno.</h2>



<p><em>Como o próprio Jung afirma, “<strong>a comunidade não é capaz de transformar interiormente o indivíduo</strong>” (JUNG, 2013b).</em></p>



<p>O externo, segundo ele, não tem condições de oferecer aquilo que o homem só pode adquirir com o próprio esforço e desenvolvimento interno. <strong>N</strong>esse contexto<strong>, por exemplo, a pessoa que é amada não será capaz de sentir amor se não amar a si mesma antes</strong>.<strong> </strong></p>



<p><strong>E a pessoa aceita por um grupo provavelmente não sentirá, ou não sustentará um pertencimento se não aprender a aceitar-se como realmente é em sua totalidade</strong>. Principalmente se essa aceitação externa for construída a partir da repressão de partes importantes de si e do <strong>sacrifício da própria essência</strong>.</p>



<p>E, digo mais, talvez, ao aprender a se aceitar em sua totalidade, mesmo contradizendo o que a massa defende, o indivíduo se torne capaz de alcançar <strong>autonomia</strong> a ponto de não se importar tanto pela não aceitação de si por algum grupo específico.</p>



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<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leandroscapellato/">Leandro&nbsp;Scapellato: Membro Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi: Analista Didata e Coordenador IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:22px">Referências:</h2>



<p>ESTÉS, Clarissa Pinkola. <em>Mulheres que correm com os lobos</em>: mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem. 1ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.</p>



<p>NIETZSCHE, Friedrich. Ecce homo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Presente e futuro</em>. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



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