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	<title>Arquivos dia dos pais - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos dia dos pais - Blog IJEP</title>
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		<title>Enfim, um feliz dia dos pais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 12:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A paciente X é filha do segredo, isto é, a mãe lhe contou, quando atingiu a maioridade, que seu pai era outro que não o marido dela. Num caso deste, o analista junguiano possivelmente trabalhará conteúdos associados ao complexo paterno e, claro, materno, que levam a moça a &#8220;jogar&#8221; com o amor paterno do pai [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A paciente X é filha do segredo, isto é, a mãe lhe contou, quando atingiu a maioridade, que seu pai era outro que não o marido dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num caso deste, o analista junguiano possivelmente trabalhará conteúdos associados ao complexo paterno e, claro, materno, que levam a moça a &#8220;jogar&#8221; com o amor paterno do pai &#8220;adotivo&#8221; e a hesitar em assumir seu papel social, ingressando numa universidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, uma das críticas às psicoterapias &#8211; e igualmente a alguns métodos em outras áreas do conhecimento, como a análise do discurso em Comunicação &#8211; seria a de não levar em consideração elementos sócio-históricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos voltar ao caso. A garota está inserida no século XXI, na maior metrópole latino-americana, tendo sido criada numa família de classe média baixa, de condições humildes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se formos analisar o caso tomando em consideração o aspecto histórico, teríamos de lembrar que se trata de alguém imerso numa cultura patrilinear. O pai, no caso, assume o papel de provedor, uma vez que a mãe não exerce uma atividade remunerada fora do lar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, fazemos parte de uma nação ainda predominantemente machista, no qual a mulher ocupa uma posição pública considerada por muitos como &#8220;menor&#8221; do que o homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o adultério feminino é considerado mais sério do que o masculino &#8211; ainda que, convenhamos, o próprio Jesus teria perdoado uma adúltera com o argumento de que todos têm suas falhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se voltássemos no tempo das culturas celtas ou das míticas Amazonas, por exemplo, com sua gestão matrilinear, essa questão seria irrelevante e não causaria psicopatologias na moça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que, imersa numa cultura diferente, não só ela mas várias outras seriam fruto de uniões semelhantes porque o hábito social era o de as mulheres procurarem um parceiro quando desejavam ter prazer ou gestar um filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tese, aplicar o modelo matrilinear à análise da moça no século XXI, naturalmente, não resolveria a questão. Seria mais ou menos como tentar rodar um Windows 10 num antigo computador 486 &#8211; não há diálogo entre o hardware antigo e o software novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por essa linha de raciocínio, um caminho possível seria conscientizar sobre as linhagens matrilineares, as patrilineares e a necessidade contemporânea de entender os gêneros numa perspectiva de relação, onde um não existe sem o outro, preferencialmente em equilíbrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, podemos dizer que o esclarecimento do contexto sócio-histórico seria benéfico. Contudo, não bastaria. Limitar-se aos índices e signos de uma sociedade em um dado tempo e espaço não é suficiente para compreendê-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que, para dar conta da complexidade contemporânea, só mesmo o símbolo poderia ajudar de uma forma mais integral na tentativa de compreensão do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que é símbolo? Trata-se de algo cujo significado transcende suas bordas, suas fronteiras. Dois troncos de uma árvore unidos em ângulos de 90 graus formam uma cruz. Mas o simbolismo da cruz pode ter leituras distintas em culturas diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cruz celta, por exemplo, em seu hibridismo cultural, traz tanto a raiz cristã quanto o círculo, que nesta tradição simboliza o ciclo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise junguiana preconiza o processo de conscientização de conteúdos inconscientes pessoais, que emergem ao longo das sessões, a partir da perspectiva do paciente. &nbsp;Já conteúdos simbólicos de caráter arquetípico, mais profundos, são ampliados com o auxílio do analista, que deve ter um bom repertório de variadas mitologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem isso, corre-se o risco de as sessões gravitarem apenas em torno do ego &#8211; o centro da consciência -, representado por queixas, diagnósticos de transtornos mentais e/ou fenômenos que impactam o indivíduo inserido na sociedade contemporânea. O que não atende a necessidade de compreender o norte que o self &#8211; entendido na psicologia junguiana como o centro e a totalidade psíquicas &#8211; deseja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O self pode se manifestar de várias formas. Na psicologia junguiana, em geral se observam as sincronicidades, os sintomas e os sonhos trazidos espontaneamente ao consultório pelo paciente ou o resultado de &#8220;lições de casa&#8221; que envolvem expressões criativas, como pinturas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conclusão é a de que um analista com esta visão ampliada talvez pudesse ajudar a jovem a romper o ciclo de perceber-se como uma vítima, excluída socialmente e focada em suas psicopatologias. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao despotencializar este complexo, ela poderia se sentir agradecida pelo pai &#8220;adotivo&#8221;, que lhe deu as bases necessárias para que ela seja um ser humano integrado como indivíduo e como parte de uma família, capaz de contribuir socialmente e até ajudar outras pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monica Martinez, ítalo-brasileira, é especialista em Psicologia Junguiana pelo IJEP, jornalista, escritora, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e pós-doutora pela Umesp. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade do Texas em Austin. Atende na Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo. Contatos:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@blogspot.com">analisejunguianasp@blogspot.com</a>. E-mail:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@gmail.com">analisejunguianasp@gmail.com</a>.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Monica Martinez&nbsp;</em></strong></h4>
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