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	<title>Arquivos dia dos pais - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 06 Aug 2026 17:33:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos dia dos pais - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Arquétipo Paterno: Entre o Pai Ideal e o Pai Real</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/arquetipo-paterno-entre-o-pai-ideal-e-o-pai-real/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Keller Alves Villela Ocaña Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 17:33:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.</p>



<h2 id="h-na-psicologia-analitica-de-carl-gustav-jung-os-arquetipos-sao-imagens-primordiais-que-emergem-do-inconsciente-coletivo-e-estruturam-a-experiencia-humana" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, os arquétipos são imagens primordiais que emergem do inconsciente coletivo e estruturam a experiência humana.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre eles, o arquétipo materno e o arquétipo paterno ocupam posição central, pois representam forças universais que moldam tanto o desenvolvimento psíquico quanto as narrativas simbólicas. Eles constituem dois polos fundamentais da experiência psíquica humana. E é importante ressaltar que eles não se reduzem às figuras concretas de pai e mãe, mas representam funções simbólicas universais que estruturam o desenvolvimento psicológico e aparecem de forma recorrente em mitos, contos de fadas e na jornada do herói.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo materno, descrito por Jung como a “Grande Mãe”, traz nutrição, proteção e ligação com a natureza. Em sua face positiva, aparece como acolhimento e fertilidade; em sua sombra, como sufocamento e possessividade. Nos contos de fadas, essa ambivalência é dramatizada em fadas madrinhas e mães boas, mas também em madrastas cruéis e bruxas devoradoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores como Erich Neumann, em <em>A Grande Mãe</em> (2006), aprofundaram essa visão, mostrando como o materno é tanto fonte de vida quanto de ameaça, dependendo da forma como é vivido. Neumann amplia a ideia de Jung ao afirmar que a Grande Mãe é um arquétipo que contém em si todas as polaridades: é a matriz da criação, mas também a devoradora; é a terra fértil que dá alimento, mas também o abismo que engole. Ele destaca que a experiência humana com o materno é sempre ambivalente, pois a mesma força que protege pode aprisionar, e a mesma energia que nutre pode sufocar. Essa duplicidade é fundamental para compreender o desenvolvimento psíquico, já que o indivíduo precisa aprender a se separar da fusão materna sem perder o vínculo com sua dimensão nutritiva e instintiva.</p>



<h2 id="h-na-jornada-do-heroi-neumann-mostra-que-o-materno-e-o-ponto-de-partida-o-heroi-inicia-sua-trajetoria-em-um-espaco-protegido-marcado-pela-fusao-com-o-materno-que-simboliza-acolhimento-nutricao-e-seguranca" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Na jornada do herói, Neumann mostra que o materno é o ponto de partida: o herói inicia sua trajetória em um espaço protegido, marcado pela fusão com o materno, que simboliza acolhimento, nutrição e segurança. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ambiente inicial é essencial, pois fornece ao indivíduo a base instintiva e emocional necessária para enfrentar o mundo. Contudo, permanecer nesse estado de fusão significa não amadurecer: o herói precisa se separar da Grande Mãe para conquistar autonomia e identidade. Essa separação não é simples, porque o materno é ambivalente. Ele é ao mesmo tempo fonte de vida e ameaça, terra fértil e abismo devorador. O herói, ao sair do espaço materno, enfrenta a sombra da Grande Mãe — a bruxa, a madrasta, a deusa destruidora — que simboliza o perigo de regressão e aprisionamento. Esse confronto é necessário para que o herói não permaneça infantilizado, dependente de uma proteção que, se prolongada, se torna sufocante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornada, portanto, dramatiza o processo de individuação: o herói precisa romper com a fusão materna, atravessar o desafio da sombra e, ao final, integrar em si os aspectos positivos do materno — acolhimento, intuição, ligação com a vida — sem ser aprisionado por sua face negativa. Só assim ele pode avançar para o encontro com o arquétipo paterno, que introduz lei, ordem e transcendência, completando o ciclo de amadurecimento.</p>



<h2 id="h-nos-mitos-e-contos-de-fadas-essa-dinamica-aparece-de-forma-recorrente" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nos mitos e contos de fadas, essa dinâmica aparece de forma recorrente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Perséfone, ao ser arrancada do convívio com Deméter, simboliza a separação dolorosa do materno e a necessidade de transitar entre mundos. Em <em>João e Maria</em>, a casa de doces representa o acolhimento ilusório da Grande Mãe, que se revela devoradora na figura da bruxa. Em <em>A Bela Adormecida</em>, o sono profundo é metáfora da regressão ao materno, da qual a heroína precisa despertar para viver sua própria individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo paterno, representa lei, ordem e transcendência. Ele introduz limites, disciplina e abre o caminho para o mundo exterior, para a cultura e para o espírito, funcionando como uma força que conduz o indivíduo para fora da fusão materna e o lança em direção à autonomia. Sua face positiva aparece em reis justos, mentores sábios e pais protetores, figuras que oferecem direção e segurança sem sufocar a liberdade. Já sua sombra se manifesta em personagens autoritários, rígidos ou ausentes, que em vez de guiar acabam por aprisionar ou abandonar.</p>



<h2 id="h-marie-louise-von-franz-em-a-interpretacao-dos-contos-de-fadas-2008-mostra-como-a-ausencia-ou-distorcao-da-funcao-paterna-nos-contos-abre-espaco-para-o-caos-ou-para-a-tirania-materna" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Marie-Louise von Franz</strong>, em <em>A interpretação dos contos de fadas</em> (2008), mostra como a ausência ou distorção da função paterna nos contos abre espaço para o caos ou para a tirania materna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o pai não cumpre sua função simbólica de estabelecer limites e mediar a relação entre o filho e o mundo, o materno pode se tornar excessivo, sufocante ou destrutivo. Essa ausência paterna, tão recorrente nas narrativas míticas e nos contos de fadas, revela a importância da função do pai como mediador entre o lar e o mundo, entre a proteção e a aventura.</p>



<h2 id="h-joseph-campbell-em-o-heroi-de-mil-faces-2007-descreve-o-pai-como-guardiao-do-limiar-cuja-funcao-e-testar-o-heroi-e-permitir-sua-passagem-para-o-mundo-adulto" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Joseph Campbell</strong>, em <em>O herói de mil faces</em> (2007), descreve o pai como guardião do limiar, cuja função é testar o herói e permitir sua passagem para o mundo adulto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro com o pai, segundo Campbell, é um dos momentos decisivos da jornada: o herói precisa confrontar a autoridade, superar o medo e, muitas vezes, reconciliar-se com essa figura para alcançar maturidade. Esse guardião do limiar pode aparecer como um mestre benevolente que transmite sabedoria, ou como um adversário severo que desafia o herói a provar sua força. Em ambos os casos, o pai simboliza a transição necessária entre a infância e a vida adulta, entre a dependência e a autonomia.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo arquétipo possui uma face sombria. No caso do arquétipo paterno, ela se manifesta como autoritarismo, quando a lei se transforma em tirania; rigidez, quando as regras sufocam a espontaneidade; ou ausência, quando o pai não oferece presença emocional ou física. Também pode aparecer como projeção, quando o pai transfere suas frustrações para os filhos. Autores contemporâneos como James Hollis, em <em>Sob a sombra de Saturno</em> (1997), enfatizam que reconhecer e integrar a sombra é essencial para que o pai real se torne mais consciente e presente.</p>



<h2 id="h-nos-mitos-essas-forcas-aparecem-dramatizadas-em-deuses-e-deusas-que-expressam-tanto-a-luz-quanto-a-sombra-dos-arquetipos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nos mitos, essas forças aparecem dramatizadas em deuses e deusas que expressam tanto a luz quanto a sombra dos arquétipos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo materno é representado por figuras como Gaia e Deméter na mitologia grega, que simbolizam fertilidade e nutrição, ou por Ísis no Egito, protetora e cuidadora. Sua face sombria surge em divindades como Kali na tradição hindu, que encarna destruição e renovação. O arquétipo paterno, por sua vez, aparece em Zeus, autoridade suprema da mitologia grega, em Odin, guia espiritual e guerreiro da mitologia nórdica, e nas tradições monoteístas como o Deus Pai, legislador e transcendente. Esses mitos revelam a complementaridade e o conflito entre as forças maternas e paternas, dramatizando a necessidade de equilíbrio entre acolhimento e lei, raiz e direção.</p>



<h2 id="h-no-plano-psicologico-o-pai-real-que-consegue-integrar-sua-sombra-e-equilibrar-disciplina-com-acolhimento-aproxima-se-dessa-funcao-simbolica-tornando-se-nao-apenas-autoridade-mas-guia-espiritual-e-humano" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No plano psicológico, o pai real que consegue integrar sua sombra e equilibrar disciplina com acolhimento aproxima-se dessa função simbólica, tornando-se não apenas autoridade, mas guia espiritual e humano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ser um pai melhor, portanto, não significa encarnar o ideal arquetípico, mas integrar a sombra e equilibrar as forças paternas e maternas dentro de si. Isso envolve autoconhecimento, para perceber padrões herdados da própria relação com o pai e evitar repeti-los de forma inconsciente; presença consciente, que valoriza a constância no cotidiano mais do que grandes gestos; diálogo e vulnerabilidade, mostrando aos filhos que o pai também erra e aprende, humanizando sua função; e equilíbrio com o materno, integrando acolhimento e escuta, não apenas disciplina e lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contos e mitos, vemos como a ausência ou sombra de um dos arquétipos gera desequilíbrio: em <em>Branca de Neve</em>, o pai ausente abre espaço para a tirania da madrasta; em <em>Cinderela</em>, a sombra materna domina enquanto o pai passivo mostra fragilidade; em <em>Star Wars</em>, Luke enfrenta a sombra paterna em Darth Vader e encontra acolhimento materno simbólico na Força; em <em>Rei Leão</em>, Simba integra o legado paterno de Mufasa e supera a ausência materna para assumir sua identidade.</p>



<h2 id="h-no-arquetipo-paterno-temos-dois-polos-pai-e-filho-e-necessario-integrar-o-polo-filho-para-que-se-possa-realizar-uma-paternagem-satisfatoria-ou-seja-o-individuo-precisa-estar-bem-com-a-dimensao-ser-filho-para-conseguir-viver-o-ser-pai" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No arquétipo paterno temos dois polos – Pai e Filho. É necessário integrar o polo “filho” para que se possa realizar uma paternagem satisfatória, ou seja, o indivíduo precisa estar bem com a dimensão “Ser-filho” para conseguir viver o “Ser-pai”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se necessário que o indivíduo olhe para sua própria história de vida, a história vivida com seus próprios pais. Estando diante do filho resgatar também a criança que já foi um dia, e que talvez ainda precise receber paternagem – se essa não foi bem realizada. Dessa maneira, integrando essas polaridades para não sobrecarregar o filho com expectativas e desejos de realização, fechando o ciclo Pai-Filho-Pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro de uma música de <strong>Toquinho e Vinícius</strong> que, para mim, fala exatamente disso: <em>O Filho que eu quero ter*.</em> A letra da música traz o início do ciclo, o desejo de ser pai, e ao se tornar pai ver-se no filho como a criança que já foi, e ver no filho o adulto que quer se tornar pai. E assim fecha-se o ciclo.</p>



<h2 id="h-o-pai-real-e-sempre-um-ser-humano-em-tensao-ele-nao-pode-ser-o-rei-perfeito-mas-pode-ser-uma-presenca-autentica-consciente-e-transformadora" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O pai real é sempre um ser humano em tensão. Ele não pode ser o rei perfeito, mas pode ser uma presença autêntica, consciente e transformadora.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao reconhecer suas limitações e integrar sua sombra, aproxima-se de uma vivência saudável do arquétipo paterno: não como ideal inatingível, mas como função viva que oferece aos filhos direção e acolhimento. Assim, ajudar um homem a ser um pai melhor significa trazer o arquétipo para a realidade, aceitando a imperfeição e valorizando a constância. O pai que consegue equilibrar lei e afeto, disciplina e escuta, aproxima-se daquilo que Jung chamaria de individuação: tornar-se inteiro e, nesse processo, oferecer aos filhos não apenas regras, mas também humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o arquétipo paterno é essencial para o processo de individuação. Ele desafia, testa e orienta, mas também pode falhar e se tornar opressor. Reconhecer essa ambivalência é fundamental para compreender tanto os mitos quanto a vida cotidiana: o pai é sempre uma figura em tensão entre lei e afeto, entre proteção e rigidez, entre presença e ausência. É nesse espaço de tensão que se dá a possibilidade de crescimento, tanto para o filho quanto para o próprio pai, que precisa aprender a ser não o “Grande Pai” idealizado, mas um homem real capaz de oferecer direção sem sufocar, e disciplina sem abandonar.</p>



<h2 id="h-o-filho-que-eu-quero-ter" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><em><strong>* O Filho Que Eu Quero Ter</strong></em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://letras.mus.br/toquinho/"><em>Toquinho</em></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer<br>Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer<br>Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr<br>E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter<br>Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem<br>Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim<br>Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim<br>Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim<br>Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim<br>Dorme menino levado, dorme que a vida já vem<br>Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu<br>Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu<br>E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus<br>Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus<br>Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer<br>Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/keller/"><strong>Me. Keller Villela</strong> &#8211;<strong> Analista Didata em formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, J. (2007). <em>O herói de mil faces</em>. São Paulo: Cultrix/Pensamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J. (1997). <em>Sob a sombra de Saturno</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2012). <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E. (2006). <em>A Grande Mãe</em>. São Paulo: Cultrix.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, M.-L. (2008). <em>A interpretação dos contos de fadas</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Enfim, um feliz dia dos pais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/enfim-um-feliz-dia-dos-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 12:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A paciente X é filha do segredo, isto é, a mãe lhe contou, quando atingiu a maioridade, que seu pai era outro que não o marido dela. Num caso deste, o analista junguiano possivelmente trabalhará conteúdos associados ao complexo paterno e, claro, materno, que levam a moça a &#8220;jogar&#8221; com o amor paterno do pai [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A paciente X é filha do segredo, isto é, a mãe lhe contou, quando atingiu a maioridade, que seu pai era outro que não o marido dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num caso deste, o analista junguiano possivelmente trabalhará conteúdos associados ao complexo paterno e, claro, materno, que levam a moça a &#8220;jogar&#8221; com o amor paterno do pai &#8220;adotivo&#8221; e a hesitar em assumir seu papel social, ingressando numa universidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, uma das críticas às psicoterapias &#8211; e igualmente a alguns métodos em outras áreas do conhecimento, como a análise do discurso em Comunicação &#8211; seria a de não levar em consideração elementos sócio-históricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos voltar ao caso. A garota está inserida no século XXI, na maior metrópole latino-americana, tendo sido criada numa família de classe média baixa, de condições humildes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se formos analisar o caso tomando em consideração o aspecto histórico, teríamos de lembrar que se trata de alguém imerso numa cultura patrilinear. O pai, no caso, assume o papel de provedor, uma vez que a mãe não exerce uma atividade remunerada fora do lar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, fazemos parte de uma nação ainda predominantemente machista, no qual a mulher ocupa uma posição pública considerada por muitos como &#8220;menor&#8221; do que o homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o adultério feminino é considerado mais sério do que o masculino &#8211; ainda que, convenhamos, o próprio Jesus teria perdoado uma adúltera com o argumento de que todos têm suas falhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se voltássemos no tempo das culturas celtas ou das míticas Amazonas, por exemplo, com sua gestão matrilinear, essa questão seria irrelevante e não causaria psicopatologias na moça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que, imersa numa cultura diferente, não só ela mas várias outras seriam fruto de uniões semelhantes porque o hábito social era o de as mulheres procurarem um parceiro quando desejavam ter prazer ou gestar um filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tese, aplicar o modelo matrilinear à análise da moça no século XXI, naturalmente, não resolveria a questão. Seria mais ou menos como tentar rodar um Windows 10 num antigo computador 486 &#8211; não há diálogo entre o hardware antigo e o software novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por essa linha de raciocínio, um caminho possível seria conscientizar sobre as linhagens matrilineares, as patrilineares e a necessidade contemporânea de entender os gêneros numa perspectiva de relação, onde um não existe sem o outro, preferencialmente em equilíbrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, podemos dizer que o esclarecimento do contexto sócio-histórico seria benéfico. Contudo, não bastaria. Limitar-se aos índices e signos de uma sociedade em um dado tempo e espaço não é suficiente para compreendê-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que, para dar conta da complexidade contemporânea, só mesmo o símbolo poderia ajudar de uma forma mais integral na tentativa de compreensão do ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que é símbolo? Trata-se de algo cujo significado transcende suas bordas, suas fronteiras. Dois troncos de uma árvore unidos em ângulos de 90 graus formam uma cruz. Mas o simbolismo da cruz pode ter leituras distintas em culturas diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cruz celta, por exemplo, em seu hibridismo cultural, traz tanto a raiz cristã quanto o círculo, que nesta tradição simboliza o ciclo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise junguiana preconiza o processo de conscientização de conteúdos inconscientes pessoais, que emergem ao longo das sessões, a partir da perspectiva do paciente. &nbsp;Já conteúdos simbólicos de caráter arquetípico, mais profundos, são ampliados com o auxílio do analista, que deve ter um bom repertório de variadas mitologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem isso, corre-se o risco de as sessões gravitarem apenas em torno do ego &#8211; o centro da consciência -, representado por queixas, diagnósticos de transtornos mentais e/ou fenômenos que impactam o indivíduo inserido na sociedade contemporânea. O que não atende a necessidade de compreender o norte que o self &#8211; entendido na psicologia junguiana como o centro e a totalidade psíquicas &#8211; deseja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O self pode se manifestar de várias formas. Na psicologia junguiana, em geral se observam as sincronicidades, os sintomas e os sonhos trazidos espontaneamente ao consultório pelo paciente ou o resultado de &#8220;lições de casa&#8221; que envolvem expressões criativas, como pinturas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conclusão é a de que um analista com esta visão ampliada talvez pudesse ajudar a jovem a romper o ciclo de perceber-se como uma vítima, excluída socialmente e focada em suas psicopatologias. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao despotencializar este complexo, ela poderia se sentir agradecida pelo pai &#8220;adotivo&#8221;, que lhe deu as bases necessárias para que ela seja um ser humano integrado como indivíduo e como parte de uma família, capaz de contribuir socialmente e até ajudar outras pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monica Martinez, ítalo-brasileira, é especialista em Psicologia Junguiana pelo IJEP, jornalista, escritora, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e pós-doutora pela Umesp. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade do Texas em Austin. Atende na Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo. Contatos:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@blogspot.com">analisejunguianasp@blogspot.com</a>. E-mail:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@gmail.com">analisejunguianasp@gmail.com</a>.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Monica Martinez&nbsp;</em></strong></h4>
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