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	<title>Arquivos eros e psique - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 13 Oct 2026 20:09:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos eros e psique - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Análise Junguiana do Mito de Eros e Psique e sua Relevância Contemporânea: quando o amor imortaliza a alma e a alma amadurece o amor</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/analise-junguiana-do-mito-de-eros-e-psique-e-sua-relevancia-contemporanea-quando-o-amor-imortaliza-a-alma-e-a-alma-amadurece-o-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 00:31:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[eros e psique]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=11090</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste ensaio, Waldemar Magaldi faz uma releitura junguiana do mito de Eros e Psique revelando um roteiro atual da individuação: provocada pelo excesso de beleza, irmãs Inveja e Discórdia e a transgressão de Psique — acender a lamparina e ver o invisível — inaugura a passagem da paixão idealizada ao amor consciente. Atravessando as quatro tarefas de Afrodite. O texto mostra como a alma aprende a discriminar, ordenar, suportar a perda e acolher o mistério, até que amor e alma se coamadureçam na coniunctio. Entre clínica e cultura, o artigo ilumina melancolia, depressão, vínculos e autonomia, oferecendo perguntas práticas para transformar crise em crescimento — quando o amor imortaliza a alma e a alma amadurece o amor.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No início, Psique era uma jovem de rara beleza, porém sem uma persona funcional e com baixíssima autoestima. Faltava-lhe autoconhecimento, inclusive a consciência de que sua beleza provocava o distanciamento temeroso dos homens. Excesso de beleza ou de inteligência tende a dificultar vínculos. Era uma beleza vazia, assim como Eros, aqui como Cupido, filho de Afrodite, também carecia de uma persona saudável, vivendo para atender às demandas passionais da mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem não possui uma persona funcional, capaz de integrar as exigências da existência com a essência anímica e espiritual, permanece infantil ou desorganizado; quem se identifica rigidamente com uma única persona torna-se autômato. Em ambos os casos, deixa-se de servir à Alma. A persona precisa ser instrumento de adaptação e progressão da energia psíquica, a serviço do processo de individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-mim-a-melancolia-e-a-depressao-sao-frequentemente-confundidas-em-abordagens-psiquiatricas-e-psicologicas-diferenciar-seus-nucleos-pode-orientar-intervencoes-mais-precisas" style="font-size:18px">Para mim a melancolia e a depressão são frequentemente confundidas em abordagens psiquiátricas e psicológicas. Diferenciar seus núcleos pode orientar intervenções mais precisas.</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Melancolia: caracteriza-se pela perda ou incapacidade de manter o objeto de amor. São indivíduos profundos, porém com dificuldade de estabelecer vínculos amorosos, vivendo um luto narcísico contínuo e com temor de entrega. São almas sem amor, Psiques sem seus Eros, Narcisos afogados nas mágoas de seus sentimentos. Necessitam amadurecer por meio de vínculos amorosos verdadeiros que possibilita o surgimento do ego estruturante, pois todo eu depende de um tu que está no outro.</li>



<li>Depressão: caracteriza-se pela incapacidade de aprofundamento em si mesmo. Há possibilidade de relações objetais amorosas e passionais, mas sem profundidade de Self. São amantes sem alma, Eros sem suas Psiques, Apolos ressecados no fogo solar de pensamentos aéreos e egóicos. Necessitam de profundidade e busca de sentido para imortalizar a alma, também por meio de vínculos de amor verdadeiro.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tanto-melancolicos-quanto-depressivos-podem-ser-curados-pelo-amor-maduro" style="font-size:19px">Tanto melancólicos quanto depressivos podem ser curados pelo amor maduro:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Melancólicos: ao entregarem sua alma às relações, exteriorizando e extrovertendo a energia psíquica.</li>



<li>Depressivos: ao voltarem o amor para si, interiorizando e introvertendo a energia psíquica.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O mito de Eros e Psique, narrado por Apuleio em &#8220;O Asno de Ouro&#8221;, é um dos contos mais ricos para a interpretação da psicologia analítica. Sob a ótica de C. G. Jung, o mito não é apenas uma história de amor, mas uma profunda alegoria do processo de desenvolvimento da psique humana em sua jornada rumo à totalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-somos-uma-maquina-biologica-ou-apenas-uma-programacao-genetica-com-o-proposito-de-obter-rendimento-de-trabalho-constante-mas-so-conseguimos-atingir-o-ideal-a-necessidade-externa-se-tambem-estivermos-em-consonancia-com-nosso-mundo-interno-isto-e-em-harmonia-conosco-integrando-o-espirito-da-epoca-com-o-das-profundezas" style="font-size:17px">Não somos uma máquina biológica ou apenas uma programação genética com o propósito de obter rendimento de trabalho constante, mas só conseguimos atingir o ideal à necessidade externa se também estivermos em consonância com nosso mundo interno, isto é, em harmonia conosco, integrando o espírito da época com o das profundezas.</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Psique:</strong>&nbsp;Representa a alma humana, o ego consciente em seu estado inicial. No começo do mito, Psique é ingênua, passiva e definida apenas por sua beleza exterior, uma qualidade que atrai a inveja dos deuses e a admiração dos mortais, mas que não constitui uma identidade autêntica. Sua jornada é a transição de um estado de inconsciência para uma consciência duramente conquistada.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Eros:</strong>&nbsp;Simboliza o princípio do amor e da relação, mas também o divino, o irracional e o inconsciente. Sua invisibilidade inicial para Psique significa que a relação dela com o amor (e com seu próprio lado masculino interior) é puramente inconsciente. Eros é a força que a arranca de sua vida comum e a inicia no doloroso, mas necessário, caminho da transformação psicológica.</li>



<li><strong>As irmãs de Psique:</strong> <strong>Inveja e Discórdia</strong>, forças fraternas sombrias que personificam a comparação, a suspeita e a intriga. São agentes do conflito que precipita a consciência. Operam como figuras-trickster que perturbam a ordem aparente, rompendo a bolha da idealização romântica, estimulando a à transgressão de acender a lamparina e contemplar Eros, quebrando o tabu do “não ver”. Sua ação corrosiva força o ego a escolher entre a passividade infantil e a responsabilidade consciente, gerando crise e, consequentemente, ativando o caminho para a função transcendente.</li>



<li><strong>A transgressão da regra de Eros:</strong> A lamparina acesa simboliza a luz da consciência; a gota de óleo que queima Eros, a ferida necessária que separa fusão infantil de relação consciente. A “traição” é paradoxalmente fidelidade à alma: sem o conflito e a queda, não há crescimento. As irmãs, ainda que venenosas, são catalisadoras do despertar de Psique.</li>



<li><strong>As Tarefas de Afrodite:</strong>&nbsp;As quatro tarefas impostas por Afrodite (a Grande Mãe em seu aspecto terrível e possessivo) são provas iniciáticas que forçam Psique a desenvolver qualidades e habilidades que lhe faltam. Cada tarefa corresponde a uma etapa do desenvolvimento da consciência.
<ol start="1" class="wp-block-list">
<li><strong>Separar as Sementes:</strong>&nbsp;Esta tarefa simboliza a necessidade de&nbsp;<strong>discernimento</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>diferenciação</strong>. Psique deve aprender a ordenar o caos de seus próprios pensamentos, sentimentos e conteúdos inconscientes. A ajuda das formigas representa a mobilização de forças instintivas e naturais para colocar ordem no caos interior.</li>



<li><strong>Obter a Lã de Ouro dos Carneiros do Sol:</strong>&nbsp;Os carneiros agressivos e solares representam uma energia masculina destrutiva e perigosa. A tarefa ensina que a confrontação direta com essa força é fatal. Psique deve usar a&nbsp;<strong>estratégia e a sutileza</strong>, coletando a lã presa nos arbustos ao entardecer. Simboliza a necessidade de abordar aspectos poderosos e perigosos do inconsciente (ou um animus negativo) com sabedoria, e não com força bruta.</li>



<li><strong>Coletar a Água da Fonte do Rio Estige:</strong>&nbsp;A água que flui de uma fonte inacessível entre picos representa as águas da vida e da morte, o conhecimento mais profundo e perigoso do inconsciente coletivo. A tarefa é impossível para o ego sozinho. A ajuda da águia de Zeus simboliza a&nbsp;<strong>função transcendente</strong>, uma perspectiva superior e espiritual que permite ao indivíduo acessar e conter percepções que de outra forma o destruiriam.</li>



<li><strong>Buscar a Caixa de Beleza de Perséfone no Submundo:</strong>&nbsp;Esta é a tarefa da&nbsp;<em>nekyia</em>, a descida ao mundo dos mortos. Simboliza a confrontação direta com a sombra, a morte e o núcleo mais profundo do inconsciente. Psique deve encarar o feminino ctônico (Perséfone) para obter uma &#8220;beleza&#8221; que não é superficial, mas que vem da experiência da profundidade e da escuridão. Sua falha ao abrir a caixa representa a última &#8220;morte&#8221; do ego, a rendição necessária antes da transformação final. Possibilitando, ao virar estátua, que Eros comece a agir, enfrentando sua mãe e a sociedade, para se tornar autônomo e maduro.</li>
</ol>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-percurso-de-psique-e-uma-metafora-perfeita-para-o-nbsp-processo-de-individuacao-nbsp-junguiano-a-jornada-da-psique-para-realizar-sua-totalidade-inata-integrando-os-aspectos-conscientes-e-inconscientes-e-tornando-se-um-individuo-completo-e-unificado-o-self" style="font-size:17px">O percurso de Psique é uma metáfora perfeita para o&nbsp;<strong>processo de individuação</strong>&nbsp;junguiano – a jornada da psique para realizar sua totalidade inata, integrando os aspectos conscientes e inconscientes e tornando-se um indivíduo completo e unificado (o Self).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O mito demonstra que a individuação não é um processo linear ou pacífico. Começa com uma ruptura (a perda de Eros), seguida por um período de sofrimento intenso e trabalho árduo (as tarefas) sempre visitado pelo desejo de morrer. É através do enfrentamento dos desafios, e não da sua evitação, que a consciência se expande.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Integração dos Opostos:</strong>&nbsp;O núcleo do processo é a&nbsp;<em>coniunctio oppositorum</em>, a união dos opostos.
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Consciente e Inconsciente:</strong>&nbsp;A relação inicial de Psique com um Eros invisível representa uma união inconsciente, paradisíaca, mas infantil. O ato de acender a lamparina para ver Eros é o despertar da consciência. Esse ato, embora resulte em separação e dor, é fundamental. Não pode haver uma relação verdadeira ou individuação sem consciência. As tarefas subsequentes são o trabalho de reintegrar o inconsciente de uma forma consciente e madura.</li>



<li><strong>Masculino e Feminino:</strong>&nbsp;A união final e divinizada de Eros e Psique simboliza o &#8220;casamento sagrado&#8221; entre os princípios masculino e feminino dentro da psique. Desta união nasce uma nova consciência, simbolizada pela filha do casal, Voluptas (Prazer ou Alegria), que representa uma alegria que não é mais ingênua, mas fruto da integração e da totalidade.</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-conceitos-de-anima-o-feminino-interior-no-homem-e-animus-o-masculino-interior-na-mulher-sao-cruciais-para-entender-a-dinamica-do-casal" style="font-size:18px">Os conceitos de anima (o feminino interior no homem) e animus (o masculino interior na mulher) são cruciais para entender a dinâmica do casal.</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>O Desenvolvimento do Animus de Psique:</strong>&nbsp;A jornada de Psique é um dos melhores exemplos literários do desenvolvimento do animus.
<ol start="1" class="wp-block-list">
<li>No início, seu animus é projetado em Eros, uma figura divina, desconhecida e puramente instintiva.</li>



<li>Através das tarefas, ela retira essa projeção e desenvolve suas próprias qualidades &#8220;masculinas&#8221; (animus): o logos (discernimento e ordem), a coragem, a estratégia e a percepção espiritual. Ela deixa de ser uma vítima passiva e se torna a heroína de sua própria história.</li>



<li>No final, sua relação com Eros não é mais de dependência, mas de mutualidade. Ela se encontra com ele como uma igual, tendo integrado seu próprio poder interior. O animus evolui de uma força possessiva para um mediador do significado e da criatividade.</li>
</ol>
</li>



<li><strong>A Transformação de Eros pela Anima:</strong>&nbsp;Embora o foco esteja em Psique, Eros também evolui. Ele passa de um &#8220;filho da mamãe&#8221; travesso e obediente a Afrodite (preso a um complexo materno negativo) a um amante que desafia a mãe e assume a responsabilidade por sua relação. Seu sofrimento (a ferida da queimadura e a separação) o força a amadurecer. Esse processo reflete a integração de sua própria anima, desenvolvendo a capacidade de relação consciente e de compromisso.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-de-eros-e-psique-permanece-extremamente-relevante-para-os-desafios-psicologicos-da-atualidade" style="font-size:16px">O mito de Eros e Psique permanece extremamente relevante para os desafios psicológicos da atualidade.</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Identidade e Relacionamentos:</strong>&nbsp;Em uma cultura que muitas vezes valoriza a perfeição superficial e o romance idealizado (o &#8220;Eros invisível&#8221;), o mito nos lembra que a verdadeira intimidade requer&nbsp;<strong>consciência, trabalho e a coragem de enfrentar o conflito</strong>. Ele mostra que os relacionamentos são frequentemente o cadinho no qual a individuação ocorre. A crise no relacionamento é o que força os parceiros a olharem para si mesmos e desenvolverem as partes não vividas de sua personalidade.</li>



<li><strong>Busca por Significado:</strong>&nbsp;A jornada de Psique é uma busca por significado que transcende a mera felicidade. O sofrimento dela não é patológico, mas&nbsp;<strong>teleológico</strong>&nbsp;– tem um propósito. Para o indivíduo contemporâneo, muitas vezes perdido em um sentimento de vazio ou falta de propósito, o mito oferece uma narrativa poderosa de que as crises, as depressões (&#8220;descida ao submundo&#8221;) e os desafios da vida não são falhas, mas etapas essenciais no caminho para uma vida mais plena e autêntica.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-de-eros-e-psique-pode-ser-uma-ferramenta-terapeutica-valiosa-tanto-na-analise-pessoal-quanto-na-pratica-clinica" style="font-size:20px">O mito de Eros e Psique pode ser uma ferramenta terapêutica valiosa tanto na análise pessoal quanto na prática clínica.</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Mapeamento do Processo Terapêutico:</strong>&nbsp;O terapeuta pode usar a estrutura do mito para ajudar o cliente a entender em que fase de seu próprio processo ele se encontra.
<ul class="wp-block-list">
<li>Um cliente que idealiza um parceiro, mas evita o conflito real, pode estar na fase do &#8220;Eros invisível&#8221;, e o trabalho terapêutico seria o de &#8220;acender a lamparina&#8221;.</li>



<li>Alguém enfrentando uma série de desafios esmagadores (carreira, família, saúde) pode ser ajudado a reenquadrar essa experiência como suas &#8220;tarefas de Afrodite&#8221;, dando sentido ao sofrimento e focando no desenvolvimento das habilidades necessárias para superá-los.</li>



<li>Um período de depressão profunda pode ser compreendido como a &#8220;descida ao submundo&#8221;, uma fase necessária de introspecção e confronto com a sombra antes de uma renovação psicológica.</li>
</ul>
</li>



<li><strong>Análise de Sonhos e Imaginação Ativa:</strong>&nbsp;As imagens do mito (a águia, os carneiros, as sementes, a caixa) são arquetípicas e podem aparecer em sonhos ou fantasias dos clientes. Conectar essas imagens pessoais ao contexto mais amplo do mito pode fornecer insights profundos sobre os conflitos e o potencial de crescimento do indivíduo.</li>



<li><strong>Autoanálise:</strong>&nbsp;Para a reflexão pessoal, o mito convida a perguntas como:
<ul class="wp-block-list">
<li>&#8220;Que &#8216;sementes&#8217; em minha vida precisam de diferenciação e ordem?&#8221;</li>



<li>&#8220;Qual é a minha &#8216;lã de ouro&#8217; – aquela energia poderosa que tento evitar, mas que preciso aprender a abordar com sabedoria?&#8221;</li>



<li>&#8220;Estou disposto(a) a fazer minha &#8216;descida ao submundo&#8217; para encontrar uma beleza e uma força mais autênticas?&#8221;</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, o mito de Eros e Psique oferece um mapa atemporal da alma, detalhando a jornada dolorosa, mas finalmente gratificante, da consciência ingênua à sabedoria integrada e à capacidade de amar de forma plena e consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amor e Alma amadurecendo na relação!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Eros e psique: a difícil arte dos relacionamentos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/eros-e-psique-a-dificil-arte-dos-relacionamentos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2020 12:03:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[eros e psique]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5558</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em grego a palavra psiqué deriva do verbo psýkhein, “soprar, emitir um sopro”.&#160; Como diz Junito Brandão, “a psiqué é, pois, ´o sopro, a respiração, o hálito, a força vital, a vida´, sentida como&#160;sopro,&#160;daí ´alma do ser vivo, sede de seus pensamentos, emoções e desejos´”&#160;(BRANDÃO, 2014, p. 542). De onde se derivou a noção do [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em grego a palavra psiqué deriva do verbo psýkhein, “soprar, emitir um sopro”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como diz Junito Brandão, “a psiqué é, pois, ´o sopro, a respiração, o hálito, a força vital, a vida´, sentida como&nbsp;<em>sopro,&nbsp;</em>daí ´alma do ser vivo, sede de seus pensamentos, emoções e desejos´”&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 542). De onde se derivou a noção do ´próprio ser, a individualidade pessoal, a pessoa, a parte imaterial e imortal do ser´”&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 542).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Grécia antiga, a psique não era vista como dissociada do corpo. “Somente nas religiões de mistérios,&nbsp;<em>Mistérios de Elêusis, Orfismo, Pitagorismo&nbsp;</em>(&#8230;) é que se postulou a dicotomia corpo-alma”&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 542).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Homero pontua que a psique era um pouco mais substanciosa que um sopro, algo volátil como uma sombra ou fumaça, que habitava o mundo inferior, dos mortos&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 542).&nbsp; Ou como Brandão diz: “Tais enfoques acentuam uma antiga intuição de que o corpo, mesmo após a morte, possuía uma existência real e de que, se esta continuava no Hades, haveria de ser, de certa forma, física”&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 543).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao sair do corpo, a psiqué era prejudicada em sua inteligência e memória, habilidades que ficavam latentes. Por isso, os gregos antigos entendiam que não se morre, “se cobre de trevas”, que seria o sentido de Thánatos&nbsp;&nbsp;(BRANDÃO, 2014, p. 543).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, um dos mitos mais belos é o de Psiquê e Eros. Seu primeiro relato pode ser encontrado na obra&nbsp;<em>O Asno de Ouro,&nbsp;</em>escrito no século II d.C. por Lucio Apuleio (125-175 d.C.). Também conhecida por&nbsp;<em>Metamorfoses&nbsp;</em>(APULEIO, 2019)<em>,&nbsp;</em>trata-se, até onde sabemos, do único romance latino da Antiguidade a sobreviver na íntegra até os dias atuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O Asno de Ouro</em>&nbsp;é uma obra bastante debatida no âmbito dos estudos junguianos. O psicólogo alemão Erich Neumann (1905-1960), dedicado às questões do princípio feminino, escreveu um livro sobre este mito que trata da metáfora da busca da alma pelo amor&nbsp;(NEUMANN, 2017). Ou, mais precisamente, pelo crescimento por meio do relacionamento, que é a grande metáfora do mito de Eros e Psiquê.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como Neumann diz em outra grande obra de estudo do caráter do feminino: “O homem tem uma vivência interior do Feminino, ainda que esta seja a princípio inconsciente, da mesma forma que a mulher vivencia o Masculino”&nbsp;(NEUMANN, 2006, p. 35). Assim, a “vivência do outro sexo é mais ainda objetivada por intermédio da relação viva e direta com ele, algo que se tornou usual no mundo moderno e que tornou possível, em particular ao psicólogo, a introvisão da estrutura profunda do sexo oposto”&nbsp;(NEUMANN, 2006, p. 35). Em outras palavras, “por intermédio da relação viva e direta com ele”&nbsp;(NEUMANN, 2006, p. 35).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto os indivíduos em relação se mantiverem numa perspectiva de desenvolvimento de personalidade no nível infantil, a tendência é a de se projetar seus próprios conteúdos sombrios individuais no parceiro / na parceira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também a psicoterapeuta analítica alemã Marie-Louise von Franz (1915-1998) refletiu sobre o mito de Psiquê e Eros&nbsp;(FRANZ, 2014), isto é, sobre o desenvolvimento anímico do homem por meio da função feminina do seu psiquismo, que na Psicologia Junguiana recebe o nome de&nbsp;<em>anima</em>&nbsp;– enquanto a função masculina do psiquismo de uma mulher é chamada de&nbsp;<em>animus</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para finalizar, é sempre bom lembrar que, como Marie-Louise von Franz diz em Asno de Ouro, essas personificações do cosmo interior que transcendem os limites da personalidade consciente – no mundo que Jung denominou realidade psíquica. E que esses processos de desenvolvimento psíquicos são urdidos no nível profundo do inconsciente. Assim, parece que o indivíduo leva uma dada vida na superfície do consciente até que em algum momento estas duas correntes se encontrem e se unam&nbsp;(FRANZ, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Monica Martinez</strong>, analista em formação do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para saber mais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">APULEIO.&nbsp;<strong>O asno de ouro</strong>. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. DE S.&nbsp;<strong>Dicionário Mítico-Etimológico</strong>. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, M.-L. VONZ.&nbsp;<strong>Asno de ouro: o romance de Lúcio Apuleio na perspectiva da psicologia analítica junguiana</strong>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E.&nbsp;<strong>A grande mãe: um estudo fenomenológico da constituição feminina do inconsciente</strong>. 5. ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E.&nbsp;<strong>Eros e Psique: amor, alma e individuação no desenvlvimento do feminino</strong>. São Paulo: Cultrix, 2017.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Monica Martinez</em></strong></h4>
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