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	<title>Arquivos feminino e masculino - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sat, 06 Sep 2025 12:00:33 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos feminino e masculino - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Jardineiros vs. Mecânicos da Alma: Uma Escolha de Carreira com Consequências Cósmicas </title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/jardineiros-vs-mecanicos-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 10:41:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A senda da psicoterapia analítica junguiana é, com todo o charme e as idiossincrasias, a do jardineiro da Alma. Para o jardineiro, a alma não é uma máquina enferrujada, mas um ecossistema vivo, caótico, surpreendentemente fértil e, por incrível que pareça, curativo. Como se a alma fosse um jardim secreto com dragões e borboletas, e [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-senda-da-psicoterapia-analitica-junguiana-e-com-todo-o-charme-e-as-idiossincrasias-a-do-jardineiro-da-alma" style="font-size:20px"><strong><em>A senda da psicoterapia analítica junguiana é, com todo o charme e as idiossincrasias, a do jardineiro da Alma.</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Para o jardineiro, a alma não é uma máquina enferrujada, mas um ecossistema vivo, caótico, surpreendentemente fértil e, por incrível que pareça, curativo. Como se a alma fosse um jardim secreto com dragões e borboletas, e não um carburador entupido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Nesta visão poética e funcional, <strong>o sintoma não é um erro de fabricação; é uma planta inesperada que brota do solo para sinalizar algo vital sobre a terra interior</strong>. Talvez falte um nutriente essencial (sentido, propósito, aquela paixão que faz o olho brilhar). Talvez o solo esteja envenenado (um trauma não digerido, uma dor antiga, ou o fato de estarmos num caminho que só a sanidade duvida). Ou talvez seja apenas uma flor selvagem e rara que o jardim &#8220;civilizado&#8221; da consciência ainda não aprendeu a reconhecer, porque, vamos combinar, a gente é meio cego para a beleza que não vem com manual de instruções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A angústia, essa velha amiga barulhenta, não é um defeito a ser calado, mas a energia da transformação represada, a água de um rio que busca, desesperadamente, um novo leito para correr. O trabalho do jardineiro, portanto, não é arrancar a planta (ai, que pecado!) ou represar a água (que perigo!), mas entender o solo. É um ato de integração, de ouvir a natureza, de sujar as mãos com a terra da própria existência, sabendo que a vida gosta de crescer, e a alma, de florescer.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-trono-vazio-e-o-velho-principio-ordenador-ou-por-que-o-rei-precisa-de-ferias-nbsp" style="font-size:20px"><strong>O Trono Vazio e o (Velho) Princípio Ordenador: Ou por que o Rei Precisa de Férias</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Existe um &#8220;rei&#8221; ou &#8220;pai&#8221; simbólico em nossa psique que, por mais bem-intencionado que seja, pode se tornar uma tirania</strong>. Não é só uma figura; é um princípio ordenador, aquela lógica fria que exige provas, desconfia da intuição e adora um dogma – seja ele científico, religioso ou cultural. Ele oferece a segurança de uma resposta pronta em troca da liberdade da pergunta viva, aquela que arrepia a espinha. É a voz da sociedade que dita o &#8220;normal&#8221; e patologiza o desvio sagrado, transformando a autenticidade em um diagnóstico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A psicologia comportamental e a psicofarmacologia, em suas formas mais reducionistas, são as guardas leais deste rei. Elas veem a alma como uma máquina com peças defeituosas. Para elas, o sintoma é um erro no código (Ctrl+Z, por favor!). A angústia é um desequilíbrio químico (um &#8220;remédio para isso, por favor!&#8221;). O propósito? Ah, isso é um conceito irrelevante, algo para poetas e gente que não tem o que fazer. A solução delas é a do mecânico: trocar a peça, ajustar o parafuso, reescrever o código. É um ato de supressão disfarçado de cura, como se a alma fosse um motor de carro e não um cosmos em miniatura.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-um-tempo-que-insiste-em-nos-transformar-em-maquinas-de-produtividade-e-em-nos-ajustar-com-a-quimica-da-adaptacao-uma-verdade-ancestral-ecoa-das-profundezas-quase-rindo-da-nossa-ingenuidade" style="font-size:19px"><strong>Em um tempo que insiste em nos transformar em máquinas de produtividade e em nos ajustar com a química da adaptação, uma verdade ancestral ecoa das profundezas, quase rindo da nossa ingenuidade</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Somos levados a crer que o pensamento é uma ferramenta, um produto do nosso &#8220;eu&#8221; consciente, a ser otimizado para o rendimento e o prazer fugaz. Mas, como Jung poeticamente nos ensina, o pensamento, em sua origem, não é invenção; é revelação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ele não brota de nós; ele nos acontece, como um relâmpago que ilumina a paisagem interior. É uma voz que precede o Ego, uma realidade que se impõe, vinda de um oceano de consciência onde nosso &#8220;eu&#8221; é apenas uma ilha, e não o continente. Esta é a linguagem da alma, aquela que a psicofarmacologia e a psicologia comportamental, em sua ânsia por controle e estruturas basilares, tentam silenciar, tratando o espírito como um defeito a ser corrigido, e não como uma fonte a ser ouvida. É uma pena, pois poderiam aprender tanto!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Vivemos sob o jugo de uma consciência que ainda não atingiu seu cume, presa aos tronos vacilantes de símbolos antigos – o pai, o rei, a autoridade externa. A verdadeira jornada da alma, portanto, não é a da adaptação ao mercado e seus &#8220;influencers&#8221; de performance, mas a da rebelião sagrada. É o ato de, na linguagem dos sonhos e da vida, permitir que esse rei simbólico morra. Afinal, em sua majestade, ele talvez estivesse apenas precisando de umas boas férias&#8230; ou de uma aposentadoria forçada para o bem da monarquia interior.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Apenas no silêncio do seu trono vazio, a alma deixa de ser um fenômeno a ser estudado (e dissecado!) e se torna a voz que, finalmente, pode nos guiar</strong>. Não para produzir mais, mas para ser mais. <strong>A morte do rei não é o fim da história, é a grande cura; é o início da jornada</strong>. É o momento em que a alma, por tanto tempo uma província colonizada pela razão e pelo dogma, declara sua independência, levantando a bandeira da totalidade e, quem sabe, de uma boa gargalhada para celebrar a liberdade diante do mistério que virá.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Analogia Para Iluminar (e um pouco de drama):</strong> No reino da Psique, a Anima e o Animus são figuras arquetípicas específicas e poderosas, como sacerdotisa ou velho sábio, uma feiticeira ou um mago &#8211; guias misteriosos. Eles não são a magia do reino (essa é a Alma), mas são os que manejam e revelam ao regente (o Ego), conduzindo-o por caminhos perigosos, mas necessários para a integridade do reino. São eles que, às vezes, sussurram no nosso ouvido: &#8220;Vai lá, arrisca! A pior coisa que pode acontecer é virar uma boa história&#8230; ou um meme.&#8221;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-mais-psique-alma-anima-e-animus-nbsp" style="font-size:20px"><strong>Um pouco mais – Psique – Alma – Anima e Animus</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A psicologia, em sua eterna, e por vezes cômica, busca para decifrar esse enigma ambulante que chamamos de ser humano, vez ou outra esbarra em conceitos que, de tão centrais, parecem complexos labirintos construídos pela própria alma em um dia de inspiração caótica. Com a bússola de Carl Gustav Jung em mãos – e um bom senso de humor e conexão com a realidade, para não nos perdermos nas profundezas –, vamos navegar utilizando digressões, metáforas e simbolizações, para tentarmos desvendar os mistérios da Psique, da Alma e dos arquétipos da Anima e do Animus. Afinal, esses são alguns dos conceitos de estudo dessa teoria científica, que tangencia os mistérios metafísicos do nosso existir de forma empírica, e que insiste em se meter onde não é chamada (e que bom que o faz!).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-para-a-psicologia-que-se-atreve-a-olhar-para-a-propria-alma-sem-medo-de-ser-feliz-e-as-vezes-de-se-deparar-com-a-propria-bagunca-nbsp" style="font-size:19px">Em resumo, para a psicologia que se atreve a olhar para a própria alma sem medo de ser feliz (e às vezes, de se deparar com a própria bagunça):&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>A Psique é o campo de estudo total.</strong> O palco, o elenco, a plateia e o bilheteiro. Nosso objeto de estudo que nos atrapalha porque somos nós mesmos. A Borboleta que Sopra: A palavra grega <em>ψυχή</em> (<em>psyché</em>) evoca a borboleta – criatura leve, que simboliza a transformação e a mobilidade da vida psíquica. Mas também se conecta a <em>ψύχειν</em> (<em>psychein</em>), &#8220;soprar&#8221; ou &#8220;bafejar&#8221;, sugerindo um alento, um princípio de movimento, um sopro divino que nos torna, bem, psíquicos. Ou, como diria um bom comediante, &#8220;um sopro de ar fresco&#8230; ou nem tanto, dependendo do dia!&#8221; Se a vida interior fosse um reino, a Psique seria o reino inteiro, com suas terras conhecidas (a consciência do eu, onde a gente arruma a cama e tenta se portar bem) e seus vastos territórios inexplorados e misteriosos (o inconsciente, onde o dragão dorme e as ideias mais malucas nascem). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-e-a-forca-vital-e-autonoma-que-o-anima-ousadia-iridescente-que-nos-tira-do-sofa" style="font-size:19px"><strong>A Alma é a força vital e autônoma que o anima, ousadia iridescente que nos tira do sofá.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A energia que mantém o show rolando, mesmo quando o roteiro parece não fazer sentido. A Alma (em alemão, <em>Seele</em>), meu caro amigo, não é uma entidade pacata e comportada, sentada em um pedestal. Pelo contrário! Ela é o princípio ativo, autônomo, o dínamo que dá vida à Psique. Uma força motriz que, como um artista excêntrico, é iridescente, vibrante e, por vezes, um tanto quanto traiçoeira. Sua finalidade, acredite se quiser, é nos empurrar para a experiência plena da vida, mesmo que para isso precise nos pregar algumas peças.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-e-aquilo-que-vive-por-si-so-e-gera-vida" style="font-size:19px"><strong>A Alma é &#8220;aquilo que vive por si só e gera vida&#8221;</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">É essa a energia cósmica que seduz a inércia da matéria, convencendo o indivíduo a viver, mesmo que para isso utilize &#8220;ciladas e armadilhas&#8221;, como Jung nos alertava. Ela é a própria serpente do nosso paraíso interior, que não sossega enquanto não nos convence da &#8220;excelência da maçã proibida&#8221; da experiência para o discernimento dos pares de opostos que compõe a integralidade. Sem ela, nos estagnaríamos na maior paixão humana: a inércia. E cá entre nós, quem precisa de tédio quando se pode ter uma aventura existencial, não é?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A palavra alemã <em><strong>Seele</strong></em> conecta-se ao grego <em>aiolos</em>, que significa &#8220;móvel, colorido, iridescente&#8221;. É a força vital que se move, se transforma e muda de cor, como uma pena de pavão em dia de sol.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus-sao-as-principais-estruturas-arquetipicas-dentro-desse-campo-funcionando-como-uma-ponte-essencial-para-o-autoconhecimento-e-a-integracao" style="font-size:19px"><strong>Anima e Animus são as principais estruturas arquetípicas dentro desse campo, funcionando como uma ponte essencial para o autoconhecimento e a integração.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">São diretores de palco que, vez ou outra, empurram um ator para a luz do palco, mesmo que ele prefira ficar nos bastidores. No reino da Psique, a Alma seria a própria magia, a força vital que anima todas as criaturas, plantas e rios — até mesmo aqueles rios de lágrimas que nos lavam a alma. É a energia que impede que o reino se torne um deserto estéril, mesmo que isso implique tempestades, terremotos e, ocasionalmente, aquela crise de riso incontrolável no meio de uma situação séria.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus-sao-contrapontos-dos-principios-masculino-e-feminino-distintos-da-alma-em-sua-totalidade" style="font-size:19px">Anima e Animus são contrapontos dos princípios masculino e feminino, distintos da Alma em sua totalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Eles são arquétipos específicos, um programa pré-instalado em nossa psique, que age como ponte e personifica qualidades relacionais, frequentemente projetadas no outro. São aquelas vozes que, às vezes, nos convencem a mandar uma mensagem “sincera” às três da manhã ou a tomar uma decisão que “parece boa na hora”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">São mediadores entre a <strong>Persona</strong> — estrutura arquetípica necessária para nossa relação com o mundo externo, “construída” pelo nosso Ego teimoso e pressionada pela Sombra, que representa o inconsciente pessoal com seus complexos — e as profundezas do inconsciente coletivo. Anima e Animus são guias, as feiticeiras ou magos; as sacerdotisas misteriosas ou velhos sábios que nos conectam ao nosso centro ordenador, o Si-mesmo (Self), aquela voz sábia que a gente só ouve depois que começamos a deixar de nos esconder naquilo que julgamos saber. Como Jung observou, elas são um “fator” <em>a priori</em> da psique, algo que “emerge espontaneamente em humores, reações e impulsos”, uma “vida por detrás da consciência” da qual, por vezes, a própria consciência emerge. Ou seja, elas são figuras ancestrais que sabem mais do que a gente!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Na psique masculina, a <strong>Anima </strong>é o arquétipo do feminino interior, a personificação de todos os traços femininos que, por pura desatenção social, permaneceram inconscientes. É como o lado “macio” do homem, que ele tenta esconder na frente dos amigos. Na psique feminina, essa função é elegantemente cumprida pelo Animus, o masculino interior, que é uma espécie de versão do “durão”, mas que, no fundo, só quer ser compreendido.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-o-que-e-tocado-pela-anima-ou-pelo-animus-se-torna-numinoso-magico-perigoso-incondicional-e-sim-tabu" style="font-size:19px"><strong>Tudo o que é tocado pela Anima ou pelo Animus se torna numinoso</strong>: mágico, perigoso, incondicional e, sim, tabu.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">São as “serpentes no paraíso” que seduzem para a vida e para o conhecimento, desafiando a ordem estabelecida. Jung nos lembra que elas “não estão totalmente erradas; pois a vida não é somente o lado bom, é também o lado mau. Porque aspiram à vida, que é sinônimo de troca, elas querem o bom e o mau.” Elas são aquele impulso irresistível que nos leva a explorar o desconhecido, mesmo que haja uma placa gigante escrita “Perigo!” — e depois rir do tombo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A Psique é ambivalente, multifacetada, querendo tanto o bem quanto o mal. Mas não por maldade, e sim porque seu objetivo não é a moralidade cartesiana, mas a totalidade da experiência. Ela é a inimiga jurada da estagnação, da unipolaridade, da inércia e daquela &#8220;razoabilidade&#8221; chata que insiste em limitar a vida a uma planilha de Excel.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Ter alma, portanto, é ter &#8220;a ousadia da vida&#8221; – e isso inclui a coragem de ser imperfeito, desorganizado, ocasionalmente hilário e ter a coragem de confrontar os códigos de costume moral.&nbsp;</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lampião e Maria Bonita: um olhar Junguiano sobre Anima e Animus no Cangaço</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/lampiao-e-maria-bonita-um-olhar-junguiano-sobre-anima-e-animus-no-cangaco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Selma Canoas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 10:49:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Lampião e Maria Bonita já se tornou uma lenda, e faz parte do patrimônio histórico-cultural brasileiro.  O propósito deste artigo é, a partir da narrativa desta história, fazer uma análise dos aspectos arquetípicos do animus e anima no contexto do cangaço.<br />
O princípio masculino e o princípio feminino sempre presentes e que buscam a completude podem ser vistos aqui no cenário da caatinga nordestina, entre batalhas, tiroteios, fugas e esconderijos, numa história de muitas aventuras, violência e romance.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ler o delicioso livro de <strong>Wagner G. Barreira</strong> – <strong>Lampião e Maria Bonita – uma história de amor e balas</strong> (que usei como base para este artigo) é fazer uma deliciosa viagem fantástica através de uma parte da história e cultura do povo <strong>nordestino </strong>e de todo o povo brasileiro. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, se aproximar da história de Lampião e Maria Bonita através do <strong>olhar simbólico</strong> é se aproximar de uma história encantada, que nos remete às nossas próprias histórias, nossos próprios conflitos, nosso cangaço particular.  É através deste olhar que trago um breve relato deste casal que faz parte do patrimônio cultural brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-lampiao-ja-se-tornou-uma-lenda-brasileira">A história de Lampião já se tornou uma lenda brasileira.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A história de <strong>Lampião </strong>já se tornou uma lenda brasileira. De construção coletiva, contada em verso e prosa, em historiografias e cordéis, possui muitas versões, que vão do banditismo impiedoso, ao herói que protegia os pobres, passando pelo empresário bem-sucedido em seu “negócio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Bonita </strong>era sua companheira, que com sua personalidade forte, influenciou a forma de funcionamento do cangaço a partir de sua entrada para o bando.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Admirados por uns, recriminados e odiados por outros, sua história povoou os jornais e o imaginário brasileiro no início do século XX, e continua até hoje</strong>. Tudo indica que não existe um único brasileiro que não tenha ouvido falar nestes nomes e conheça ao menos superficialmente essa história.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-sobre-lampiao">Um pouco sobre Lampião</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Virgulino Ferreira da Silva</strong> nasceu em 7 de junho de 1897, embora existam mais treze datas que reivindicam para si esse feito. Natural do sertão pernambucano, mais especificamente em Serra Talhada, passou sua infância brincando do que brincavam os meninos daquele lugar: <em>cangaceiros e volantes</em> , no qual, diferentemente do jogo de <em>polícia e ladrão</em> do sul do país, os times não eram divididos entre o &#8220;bem&#8221; e o &#8220;mal&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era filho de pai almocreve, com fama de sensato e conciliador e de mãe de sangue quente de onde se dizia que vinha o sangue quente dos irmãos Ferreira.  Após um entrevero com um vizinho da familia participou de seu primeiro tiroteio aos 18 anos e motivado por vingança, uma após outra, ele e mais dois irmãos acabaram naturalmente entrando para o cangaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O cangaceiro era visto como um justiceiro e não como um bandido fora da lei. Aquele que ocupava o espaço vago deixado pela polícia e pelo judiciário. A população os tratava com respeito.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao entrarem para o bando de Sinhô Pereira ele e seus dois irmãos ganharam apelidos, mas só o de Virgulino pegou: passou a ser conhecido como Lampião. Mais tarde, já como sucessor de Sinhô Pereira, seria conhecido também como  <em>Rei do Cangaço</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-sobre-maria">Um pouco sobre Maria</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Gomes de Oliveira</strong>, a Maria de Déa, nasceu no dia internacional da mulher, em 8 de março de 1911, em Santo Antônio da Glória, na Bahia. Conforme costume local, vivia com o primo Zé de Neném desde os 16 anos num arranjo casamenteiro feito pelo pai, que não foi feliz pois não geraram filhos uma vez que o marido era estéril.  <strong>Maria, conhecida pelo seu pavio curto, viveu às turras com o marido e à cada briga o abandonava e voltava para a casa dos pais</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria já admirava Lampião mesmo antes de conhecê-lo, pois sua fama o precedia. A população local respeitava Lampião. Por sua vez, Maria o tinha como modelo de valentia, coragem e inteligência. Ela o conheceu pessoalmente em umas das visitas do bando à fazenda de sua família e após bordar alguns lenços de seda para o cangaceiro, começou o namoro, com o apoio decisivo de dona Déa e alguma resistência do pai, que já previa problemas com a polícia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cangaco" style="font-size:18px">Cangaço</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O cangaço, até aquele momento, era coisa de homem. <strong>Lampião</strong>, porém, enquanto escondido na caatinga, sofria por amor. Maria pedia para acompanhar o namorado, e após alguma resistência deste, acabou incluída no bando sob o olhar atônito dos outros cangaceiros. Lampião quebrava a tradição e, dali por diante, viveria suas aventuras ao lado de uma mulher, ainda que isso fosse visto como um mau agouro pois, segundo as crenças, abria o corpo do cangaceiro às balas, o tornava vulnerável. Fato é que depois disso muitas e muitas cangaceiras se juntaram ao bando. Dezenas delas. Fala-se em até setenta cangaceiras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-principio-masculino-e-um-principio-feminino-se-unem-para-viverem-aventuras-no-sertao-nordestino-cercados-de-muita-controversia" style="font-size:18px">Um princípio masculino e um princípio feminino se unem para viverem aventuras no sertão nordestino, cercados de muita controvérsia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa história se apresenta com muitas versões. De algum modo não sabemos mais o que é mito, o que é lenda e o que foi criado e o que de fato foi vivido. Mas é uma história que nos toma emocionalmente, pois a dinâmica presente refere-se a uma estrutura mitológica. É uma história com uma estrutura arquetípica que fala de todos nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Jung</strong> (2013) essa classe de conteúdos do inconsciente – que ele chamou de<strong> arquétipos </strong>&#8211; não pode ser atribuída a aquisições individuais, e sim, é como se pertencessem à humanidade em geral e não à uma psique individual. Os arquétipos encerram motivos mitológicos, os quais surgem novamente em contos de fada, nos mitos, nas lendas e no folclore.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus">Anima e animus</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jung (2015) coloca o conceito de <em>anima</em> e <em>animus</em> como duas figuras arquetípicas presentes na estrutura da psique que respondem ao princípio feminino e princípio masculino. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto arquétipos, estão enraizados no inconsciente coletivo, mas manifestam-se no comportamento. Jung entende <em>anima e</em> <em>animus</em> como complexos funcionais que se comportam de forma compensatória em relação à personalidade externa. <em>Anima</em> é a contraparte feminina da personalidade do homem.<em> Animus</em> é a contraparte masculina presente na personalidade da mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Emma Jung</strong> (2020) <em>anima</em> é também a imagem do ser feminino que o homem traz dentro de si, o arquétipo do feminino. Essa imagem será projetada em uma mulher real &#8211; que corresponda a essa imagem. Ao passo em que a imagem do <em>animus</em> será projetada em um homem real &#8211; cujas características correspondam a essa imagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contextualizando" style="font-size:20px">Contextualizando</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Maria Bonita era uma mulher forte, que já admirava Lampião por sua força e sua coragem mesmo antes de conhecê-lo. Já tinha o <em>animus</em> projetado na figura desse homem, o mesmo&nbsp; <em>animus </em>que fazia dela uma mulher de atitude, que não tolerou o primeiro casamento, que não admitiu a submissão ao pai, e que não admitiu ter seu comportamento tolhido pela sociedade local a partir de sua condição de mulher separada. O mesmo&nbsp; <em>animus </em>que a lançou em uma vida difícil, de muitas privações, mas também de muito companheirismo, liberdade e sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, esse princípio masculino parecia conviver de maneira harmônica com a sua feminilidade. Era uma mulher vaidosa, que trouxe uma nova estética ao cangaço. Foi ela quem inaugurou o estilo elegante, com chapéus bordados, lenços de seda amarrados no pescoço, bordados, pedrarias e joias. Maria, a seu modo, trazia leveza ao bando pois era engraçada, desinibida e brincava com todo o grupo. Era também muito carinhosa com seu Lampião, escovava seus longos cabelos e lhe enchia de carícias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lampião tinha uma grande capacidade de liderança. Sua palavra era lei. Cuidava da logística de cada combate, onde demonstrava calma e inteligência. Tinha regras claras dentro de seu bando, que ninguém ousava desobedecer. Fazia valer a palavra empenhada, o respeito à familia e a moral conservadora. Dentre as muitas divergências na sua historiografia está o número de assassinatos a ele imputados: uns falam em duzentos, outros, mais de mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem imaginaria que este homem pediria a uma mulher que lhe bordasse de forma prestimosa alguns lenços de seda?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-bonita-tambem-se-prestou-a-receber-a-projecao-de-anima-de-lampiao-que-por-ela-se-apaixonou" style="font-size:18px">Maria Bonita também se prestou a receber a projeção de <em>anima</em> de Lampião, que por ela se apaixonou.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E em nome desta paixão se atreveu a quebrar não só uma tradição e regras humanas, mas também de regras sobrenaturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A entrada de mulheres para o bando suavizou a dureza daqueles homens que viviam em combate ou escondidos da perseguição policial na dura secura da caatinga. Pediram a elas que tomassem mais banhos para aliviar o &#8220;bodum&#8221;. Seus uniformes foram otimizados, tornados mais confortáveis e bordados para ficarem mais bonitos. Os icônicos chapéus também foram bordados com estrelas de seis pontas, flor-de-lis e o signo de Salomão, o que remetia às tradições medievais. A estética se tronou exuberante e intimidadora, conferindo identidade ímpar ao grupo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres também criaram seu próprio uniforme composto de vestidos utilitários e acessórios, chapéu baeta e lenços.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-podemos-dizer-que-um-encontrou-no-outro-projecoes-de-aspectos-desconhecidos-de-si-mesmo-e-por-isso-a-ligacao-foi-tao-forte-e-isso-mudou-o-funcionamento-do-bando-e-isso-mudou-o-cangaco" style="font-size:17px">Podemos dizer que um encontrou no outro projeções de aspectos desconhecidos de si mesmo, e por isso a ligação foi tão forte. E isso mudou o funcionamento do bando. E isso mudou o cangaço.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Lampião e Maria Bonita viveram juntos cerca de oito anos. Maria Bonita engravidou quatro vezes, muito embora os três primeiros filhos nasceram mortos. Em sua quarta gestação nasceu Expedita, que viveu com os pais por um mês &#8211; e que depois foi levada para ser criada pelo único irmão de Lampião que não entrou pra o cangaço. Expedita vive até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória de Lampião no cangaço durou aproximadamente <strong>vinte anos</strong>. Findos os quais foi morto pela polícia numa emboscada, em 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, no Sertão de Sergipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cabeças de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram cortadas e expostas em várias cidades nordestinas num espetáculo horroroso e humilhante, até chegarem ao IML de Salvador, onde ficaram expostas por trinta anos, até serem sepultadas em 1969.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-lampiao-e-maria-bonita-possui-um-colorido-de-muitas-nuances-e-pode-ser-analisada-do-ponto-de-vista-da-psicologia-junguiana-por-varias-abordagens" style="font-size:17px"><strong>A história de Lampião e Maria Bonita possui um colorido de muitas nuances e pode ser analisada do ponto de vista da psicologia junguiana por várias abordagens.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os aspectos arquetípicos do <em>animus e anima</em> no contexto do cangaço abordados aqui, são apenas um desses aspectos. Deixo para o leitor apaixonado pela riqueza da nossa história e da nossa gente, as novas análises.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/selmacanoas/">Selma de Fátima Silva Canoas &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Guarnieri – Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia" style="font-size:22px">BIBLIOGRAFIA:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BARREIRA, Wagner Gutierrez. <strong>Lampião &amp; Maria Bonita: uma história de amor e balas. </strong>São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A vida simbólica</strong>. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.&nbsp; (Obras completas de Carl Gustav Jung, 18/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O eu e o inconsciente.</strong> 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015. (Obras completas de Carl Gustav Jung, 7/2)</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Emma. <strong>Animus e anima: uma introdução à psicologia analítica sobre os arquétipos do masculino e do feminino inconscientes. </strong>2. Ed. São Paulo: Pensamento Cultrix, 2020.</p>



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