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	<title>Arquivos filosofia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Mar 2026 22:17:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos filosofia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 10:18:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Alquimia da Vontade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ndividuação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade do Cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[waldemar magaldi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos e continuada pela descida ao mundo das sombras em O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado <a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/"><strong>Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</strong></a> e continuada pela descida ao mundo das sombras em <a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/"><strong>O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</strong></a>. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar na obra de Byung-Chul Han sobre a sociedade do cansaço. Ele expressou o desejo de que sua existência não se resumisse ao excesso de obrigações e produtividade. Observamos muitos indivíduos que, sob o manto de uma suposta motivação, escondem o vício no trabalho e negam suas obsessões por fama e capital. Convido você a descer da &#8220;esteira rolante&#8221; dos automatismos cotidianos e mergulhar em uma jornada da <strong>Alquimia da Vontade e individuação</strong>. Vamos conversar sobre como esse processo nos permite trocar o chumbo da servidão voluntária pelo entusiasmo do Self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-divertimento-como-fuga-e-o-vazio-do-hiperconsumo"><strong>O Divertimento como Fuga e o Vazio do Hiperconsumo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao estruturar este fechamento, decidi investigar a alquimia entre os verbos <strong>tenho que</strong>, <strong>preciso</strong> e <strong>quero</strong>. Busco a profundidade da psicologia analítica em diálogo com pensadores que moldaram minha visão ao longo de décadas. Recorro ao conceito de &#8220;divertimento&#8221; de Blaise Pascal, que denuncia a distração como uma fuga de si mesmo, e ao vazio descrito por Gilles Lipovetsky na era do hiperconsumo. Encontro ecos no &#8220;amor líquido&#8221; de Zygmunt Bauman e no &#8220;espetáculo&#8221; de Guy Debord, onde a imagem artificial substitui a vivência pulsante da alma. Resgato o &#8220;direito à preguiça&#8221; de Paul Lafargue e o &#8220;ócio criativo&#8221; de Domenico De Masi, além da sensibilidade de Hermann Hesse na arte dos ociosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-e-o-mercado-o-resgate-do-sagrado"><strong>A Natureza e o Mercado: O Resgate do Sagrado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ailton Krenak e Davi Kopenawa nos lembram da urgência de reintegrar o humano à natureza contra o utilitarismo predatório que devora o sagrado. Por fim, as críticas de Karl Marx e Max Weber sobre a desumanização do homem transformando-o em um mero autônomo do mercado capitalista, fundamentam esta reflexão. O sistema tenta transformar a vida em bem de produção, mas a psicologia junguiana nos convoca ao resgate da subjetividade. <strong>A vida é curta demais para sermos pequenos</strong> e o processo de individuação exige que troquemos a engrenagem do mercado pelo pulsar do coração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-caminho-do-meio-entre-o-velho-sabio-e-a-crianca-divina"><strong>O Caminho do Meio: Entre o Velho Sábio e a Criança Divina</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aquele que conseguiu se entregar ao chamado e enfrentou a saída e o posterior retorno à caverna torna-se um místico por integrar os arquétipos do Velho Sábio com a Criança Divina, encontrando a liberdade no serviço e construindo pontes para o infinito. Muitas pessoas, contudo, são tomadas pela compulsão pela liberdade ao negar vínculos, obrigações e dependências. Na realidade, tornam-se escravas de um &#8220;<strong>complexo de liberdade</strong>&#8220;. Segundo Spinoza, o livre-arbítrio genuíno não é sobre ter liberdade de escolha sem restrições, mas sim sobre compreender as causas que nos influenciam. A liberdade é o resultado do entendimento das causas que determinam nossas ações; ao compreendê-las, agimos de maneira mais livre e racional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-espelho-a-alma-autoestima-e-individuacao"><strong>Do Espelho à Alma: Autoestima e Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Através do autoconhecimento, torna-se possível compreender nossas peculiaridades, diferenciar-nos da imago parental e dos condicionamentos adquiridos, reconhecendo os aspectos sombrios e os complexos para nos tornarmos mais íntegros. Conscientes de quem, como e o que somos, conquistamos a autoestima e o amor-próprio, aprendendo a respeitar a nós mesmos para poder dar e exigir respeito. Sabemos agora o que nos pertence, o que desejamos e o que não desejamos, tanto para o Si-mesmo quanto para os demais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso nos possibilita a autonomia, que nos confere a liberdade para escolhas conscientes de dependência ou servidão, livres de códigos morais rígidos, pois encontramos a dimensão ética do existir e do &#8220;bom combate&#8221;. O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos alheios. Para o analista junguiano, isso revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-despertar-do-querer-a-alquimia-da-liberdade-no-retorno-a-caverna"><strong>O Despertar do Querer: A Alquimia da Liberdade no Retorno à Caverna</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta um novo tipo de sombra: a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria das pessoas caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos que elas não escolheram. Para o analista junguiano, esse cenário revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada. Precisamos, portanto, dissecar os verbos que sustentam nossas correntes ou que, se bem compreendidos, forjam nossa libertação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-tenho-que-o-algoz-que-habita-em-nos"><strong>O &#8220;Tenho Que&#8221;: O Algoz que Habita em Nós</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O verbo &#8220;tenho que&#8221; representa a voz do algoz internalizado. Ele manifesta o superego social, as exigências do mercado e as expectativas familiares que sequestram nossa autenticidade. Quando dizemos &#8220;<strong>tenho que ser produtivo</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>tenho que ser feliz</strong>&#8220;, estamos servindo a uma Persona que não nos pertence. Jung descreve esse estado como uma servidão voluntária, onde o indivíduo se torna uma peça funcional da engrenagem coletiva, mas perde o contato com sua essência singular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse estágio, a vida se transforma em um inventário de obrigações sem alma. O indivíduo autômato executa tarefas com perfeição, mas carrega um vazio que nenhum sucesso material consegue preencher. Ele habita a &#8220;sociedade do cansaço&#8221;, onde o excesso de positividade e a cobrança por desempenho esgotam a libido criativa. O &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; é a sombra da caverna que tenta nos convencer de que a liberdade é apenas uma escolha entre diferentes formas de obediência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-preciso-a-armadilha-da-carencia-fabricada"><strong>O &#8220;Preciso&#8221;: A Armadilha da Carência Fabricada</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; vem de fora, o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; simula uma necessidade interna que, muitas vezes, é artificial. O sistema de consumo sequestra o verbo &#8220;precisar&#8221; para criar a ilusão de falta constante. Acreditamos que precisamos do último modelo de celular, da aprovação constante nas redes sociais ou de um corpo que atenda a padrões irreais. Essa necessidade fabricada mantém o ego em um estado de carência eterna, impedindo que ele mergulhe nas águas profundas do Ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A carência é a alavanca do mercado. Ela transforma desejos legítimos da alma em necessidades urgentes do corpo e do ego. Quando confundimos o que é essencial para nossa nutrição psíquica com o que é imposto pela vitrine, e pelos algoritmos, perdemos nossa bússola. O &#8220;preciso&#8221; torna-se uma corrente que nos prende ao objeto, impedindo o fluxo da vida. Na perspectiva da psicossomática, essa busca incessante por preenchimento externo muitas vezes se manifesta em sintomas físicos, lembretes dolorosos de que a alma está faminta por sentido, não por produtos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-quero-a-bussola-da-alma-e-o-bom-combate"><strong>O &#8220;Quero&#8221;: A Bússola da Alma e o Bom Combate</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O verbo &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; é o mais perigoso para qualquer sistema de controle e, por isso, é o mais sufocado. O querer autêntico não nasce da falta, mas da plenitude do Si-mesmo (Self). Ele é a manifestação do entusiasmo, que em sua raiz grega, <em>entheos</em>, significa &#8220;ter um deus dentro&#8221;. Quando um indivíduo descobre o que realmente quer, ele inicia o &#8220;<strong>bom combate</strong>&#8221; pela sua autenticidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente do desejo caprichoso do ego, o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; junguiano é teleológico: ele aponta para uma finalidade maior. Ele é a energia que flui do centro da psique para o mundo, organizando a ação de forma coerente e vigorosa. Quem quer de verdade não se cansa da mesma maneira que quem apenas obedece. A ação que nasce do querer é devocional, é um sacrifício consciente do ego em favor da totalidade. Esse querer revolucionário permite que o indivíduo retorne à caverna não como um pregador arrogante, mas como um canal de vida que contagia o entorno com sua presença e verdade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-integracao-o-caminho-da-individuacao"><strong>A Integração: O Caminho da Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A individuação não exige que abandonemos todas as obrigações ou necessidades. Ela propõe uma mudança na fonte do impulso. O indivíduo consciente minimiza o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; ou o transforma em um compromisso ético com seu próprio processo. Ele usa o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; com sabedoria, distinguindo o que nutre a alma do que apenas entulha a existência. E, acima de tudo, ele coloca o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; como o mestre de sua jornada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver de forma integral significa aceitar o paradoxo de ser um ser comum, mas singular. A vida é curta demais para sermos pequenos, como costumo dizer. Ser pequeno é aceitar a vida crônica, repetitiva e sem brilho. Ser grande é assumir a responsabilidade por nossa própria luz, integrando nossas sombras e falando a linguagem do coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final desta trilogia, o convite permanece: que possamos trocar a esteira rolante pela dança ativa com o destino. Que o nosso fazer seja um &#8220;<strong>sacro ofício</strong>&#8220;, uma religação constante entre o que realizamos no mundo e o que somos em essência. A liberdade não é a ausência de limites, mas a escolha consciente de quais limites servem ao nosso crescimento. Que o seu &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; seja a luz que ilumina não apenas o seu caminho, mas também o daqueles que ainda buscam a saída da própria escuridão. Por isso, mais importante do que a quantidade ou a intensidade do seu fazer é a certeza de que esse fazer está alinhado com seu chamado, proporcionando sentido, significado e valor pessoal, coletivo e ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acesse a Trilogia Alquímica de Waldemar Magaldi no Blog do IJEP:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a></strong></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Bauman, Z. (2004). <em>Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De Masi, D. (2000). <em>O ócio criativo</em>. Rio de Janeiro: Sextante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debord, G. (1997). <em>A sociedade do espetáculo</em>. Rio de Janeiro: Contraponto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Han, B.-C. (2015). <em>Sociedade do cansaço</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hesse, H. (1984). <em>A arte dos ociosos</em>. Rio de Janeiro: Record.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2011). <em>A vida simbólica</em> (Vol. 18/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kopenawa, D., &amp; Albert, B. (2015). <em>A queda do céu: palavras de um xamã yanomami</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Krenak, A. (2019). <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lafargue, P. (1999). <em>O direito à preguiça</em>. São Paulo: Hucitec.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lipovetsky, G. (2005). <em>A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo</em>. Barueri: Manole.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Magaldi Filho, W. (2006). <em>Dinheiro, saúde e sagrado: uma análise junguiana da relação do homem com o dinheiro</em>. São Paulo: Eleva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marx, K. (2013). <em>O capital: crítica da economia política</em>. São Paulo: Boitempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pascal, B. (2004). <em>Pensamentos</em>. São Paulo: Martins Fontes.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Spinoza, B. (2015). <em>Ética</em>. Belo Horizonte: Autêntica.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Weber, M. (2004). <em>A ética protestante e o espírito do capitalismo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.<strong></strong></p>



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			</item>
		<item>
		<title>O jovem adulto: reflexões sobre o vazio existencial e a plenitude da vida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-jovem-adulto-reflexoes-sobre-o-vazio-existencial-e-a-plenitude-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2020 19:21:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Dependência Química]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo jovem adulto, em torno dos 20 aos 40 anos, é marcado por um período de nossas vidas em que somos conduzidos para fora, buscando a plenitude das nossas potencialidades, no alcance da realização pessoal. É um processo que envolve coragem, determinação e escolhas. &#160;Geralmente deixamos a casa dos pais, assumimos o primeiro emprego, [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-jovem-adulto-reflexoes-sobre-o-vazio-existencial-e-a-plenitude-da-vida/">O jovem adulto: reflexões sobre o vazio existencial e a plenitude da vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O mundo jovem adulto, em torno dos 20 aos 40 anos, é marcado por um período de nossas vidas em que somos conduzidos para fora, buscando a plenitude das nossas potencialidades, no alcance da realização pessoal. É um processo que envolve coragem, determinação e escolhas. &nbsp;Geralmente deixamos a casa dos pais, assumimos o primeiro emprego, casamos ou estabelecemos outros relacionamentos importantes, temos filhos e acompanhamos o desenvolvimento deles. Somos movidos por ideais, que simbolicamente nos fazem lembrar das palavras do poeta Mário Quintana: “Se as coisas são inatingíveis&#8230; ora! Não é motivo para não querê-las&#8230; Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta fase, vivemos em busca de grandes metas &#8211; sucesso, saúde e felicidade – que são incentivadas pela nossa sociedade e reforçadas especialmente pela mídia. A preocupação maior é em torno do TER (cargos, bens materiais, relação estável, entre outros), alimentando o nosso ego. Ao mesmo tempo, trazemos dentro de nós uma carga genética física e emocional, com marcas e vivências de várias gerações, que nos permitem um olhar para a nossa singularidade. Neste sentido, Hillman trouxe uma reflexão: “Cada pessoa possui dentro de si uma singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes mesmo de ser vivida” (2001, p. 16). Em outras palavras, é a presença do inconsciente pessoal e coletivo, ao mesmo tempo um convite para o SER, incentivando-nos para a caminhada rumo ao Self.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Surgem questões importantes: como conciliar a vivência da liberdade, da independência financeira, das relações afetivas duradouras, neste mundo acelerado e descartável? Possibilidades nem sempre presentes, que podem gerar um mal-estar, uma sensação de desamparo, incompletude e desmotivação, traduzidas em vazio existencial, descritas de algum modo por Sigmund Freud em O Mal-Estar da Civilização e, também por Zygmunt Bauman, em O Mal-estar da Pós-Modernidade. Percebe-se que até hoje predomina a cultura do evitamento da dor e do silêncio com o sofrimento psíquico, amenizado com medicalizações, porém Jung, em seus estudos sobre a psique humana, metaforicamente nos alertou sobre os distúrbios neuróticos, que podem ser manifestados mais cedo ou mais tarde e que precisam de um olhar diferenciado: “O vinho da juventude nem sempre se clarifica com o avançar dos anos: muitas vezes até se turva” (2013, p. 352).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem inúmeros autores que estudam o desenvolvimento humano e cito alguns que me auxiliam na ampliação de algumas questões comuns nesse período de vida. Segundo Papalia, D. E., Olds, S. W., &amp; Feldman, R. D. (2006, p. 367), os aspectos do desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial se entrelaçam. A fase do jovem adulto é marcada pelas habilidades físicas e sensórias. A cognição envolve o pensamento relativo, pós-formal, que auxilia em experiências nos diferentes contextos, com inteligência emocional, compreensão de si e do outro. Da mesma forma, o desenvolvimento psicossocial está relacionado à questões que estruturam a vida pessoal e social, que envolvem escolhas sobre a formação, a profissão, os laços de amizade e os relacionamentos afetivos, valiosos para a saúde e o bem-estar. Neste contexto, deparamo-nos com diferentes realidades e as angústias nos impulsionam para a procura de possibilidades criativas e recomeços. &nbsp;As universidades são cada vez mais frequentadas por pessoas de diferentes idades, em busca da segunda graduação e de especializações. O mundo do trabalho, que é bem diversificado e expandido para o campo virtual, também é ocupado por maior número de mulheres em profissões tradicionalmente exercidas por homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro, Erik Erikson nos deixou a ideia de que as pessoas se desenvolvem durante toda vida. Ele apresentou para o período do jovem adulto a sexta crise do desenvolvimento: intimidade versus isolamento. Hoje nos deparamos com estilos em que a intimidade e interioridade tendem ao silêncio e, em seu lugar são exaltadas as performances nas cenas espetaculosas do mundo virtual. Ao mesmo tempo, o senso de pertencer na intimidade está presente em ciclos de vidas conjugais e não-conjugais. Apesar das mais variadas oportunidades em diferentes dimensões, chega um momento que a questão de permanecer sozinho ou não, fala mais alto e, muitos se decidem pelo casamento. Jung, na sua época já dizia: “A escolha do parceiro normalmente se realiza por motivos inconscientes e instintivos, desde que o casamento não tenha sido arranjado pela inteligência, pela astúcia ou pelo tal amor providente dos pais” (2013, p.204). Em nome do amor fazemos escolhas e promovemos encontros, como Fernando Pessoa trouxe em seu versos: “Quando te vi, amei-te já muito antes. Tornei a achar-te quando te encontrei&#8230;” (Alves, 2005, p. 101).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos gerais, podemos caracterizar o casamento como a busca de realização, escolha que ocorre cada vez mais tarde, com menos filhos e, com a opção de adoção ou a utilização dos métodos alternativos de concepção. Os filhos representam a conservação da espécie, a continuidade da família e os sonhos concretizados. Jung, trouxe-nos essa afirmação em outra expressão: “A imensa maioria dos homens desde tempos imemoráveis sentiu necessidade da continuação da vida” (2013, p.359). Assim sendo, a vida familiar varia de acordo com a cultura e os relacionamentos se organizam de várias formas, sendo que a divisão de tarefas, adotada por muitos, pode contribuir para a deterioração ou melhora do casamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo humanista, defendido por Maslow, propõe a existência de um conjunto de necessidades comuns à todos os seres humanos e também, que todos são atuantes em seu próprio desenvolvimento, por meio da escolha, da criatividade e da autorrealização. Dessa forma, cada um é responsável pela sua caminhada e nem sempre as escolhas são saudáveis, necessitando da ruptura de padrões estabelecidos. No sentido metafórico, a música Sentado À Beira Do Caminho, cantada por Erasmo Carlos, retrata essa realidade: “Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim. Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim&#8230; Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste&#8230;” Mais uma vez trago Jung, que dizia: “Sem haver necessidade, nada muda e menos ainda a personalidade humana” (2013, p. 184). Nos consultórios, cada vez mais estão presentes as dificuldades em estabelecermos relacionamentos estáveis, os problemas oriundos da convivência conjugal e a educação dos filhos. As disfunções geralmente são marcadas por ansiedade ou por características depressivas, que também envolvem o empenho e desempenho sexual. As separações e os divórcios são frutos do isolamento em redes virtuais, das disfunções eréteis e transtornos pré-menstruais, das violências domésticas e, tantos outros problemas não integrados, envolvendo um período doloroso de resolução e de adaptação. São realidades de um mundo que incentiva a aparência e a contenção da expressão dos sentimentos, em que os “não ditos” podem se transformar em doenças, envolvendo as diferentes dimensões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filósofo Rudolf Steiner, criador da Antroposofia, defendeu a ideia de que a vida é cíclica e é dividida em fases de sete anos. De acordo com o autor, dos 21 aos 42 anos, o ser humano se insere na sociedade e faz as escolhas. Desta forma, dos 21 aos 28 anos &#8211; fase dos limites – ocorre a ápice da fertilidade e é o início da fase da alma, surgindo diferentes emoções e dúvidas. Dos 28 aos 35 anos &#8211; fase organizacional &#8211; ocorre a crise do talento, com questionamentos sobre qual caminho seguir. Finalmente, dos 35 aos 42 anos, com a crise de autenticidade, surge a fase da alma e da consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro, Jung nos deixou inúmeras reflexões sobre a importância de ampliarmos a nossa consciência. Entre elas, podemos citar a dificuldade de lidarmos com as incertezas. Temos uma tendência de projetarmos e criarmos expectativas, centradas em certezas e em resultados imediatos, que podem se tornar problemas e, para tanto, ele propõe uma forma diferente de compreendermos nossas demandas: “Os problemas, portanto, implicam a possibilidade de ampliar a consciência, mas também a necessidade de nos desprendermos de qualquer traço de infantilismo e de confiança inconsciente na natureza (p. 344). Ele complementa: “Sem consciência, não existem problemas” (p.345). Um exemplo atual é a presença do COVID-19, provocando inquietações diante da dualidade de nos recolhermos em nossas casas para protegermos os que estão em situação de risco ou continuarmos a nossa jornada de trabalho com atividades externas. Quantas posturas conflitantes, julgamentos e confusões nos cercam! O desconhecido, em forma de medo, coloca-nos diante do perigo de riscos e a possibilidade de fugirmos do problema. Em contrapartida, propicia-nos um momento oportuno para refletirmos sobre o que o inconsciente coletivo nos mostra e que precisa ser ressignificado. Como disse Jung, duas diferenças geram as dificuldades: “a desigualdade de tempo no desenvolvimento e o alcance da personalidade espiritual” (2013, p.206). Entre muitas questões que envolvem o momento, podemos pensar sobre o que representa o isolamento: a saída da turbulência social e o encontro com as nossas sombras que evitamos reconhecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda, sobre o desenvolvimento humano, Jung dizia: “A curva psicológica da vida, entretanto, recusa-se a se conformar com estas leis da natureza. A discordância às vezes começa já antes, na subida” (2013, p.363). Ele complementa: “Um jovem que não luta nem triunfa perdeu o melhor de sua juventude” (2013, p.364). Essas ampliações nos convidam a pensar no sentido e significado das nossas escolhas, que podem suscitar diferentes crises e possibilitar a entrada na metanóia, fase em que geralmente repensamos estilos dominantes, produzimos mudanças e novas adaptações, não necessariamente na metade da vida ou em idade cronológica específica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para finalizar, cito Jung, com mais considerações sobre a curva da vida: “A recusa em aceitar a plenitude da vida equivale a não aceitar o seu fim. Tanto querer viver é sinônimo de não querer morrer. A ascensão e o declínio formam uma só curva” (2013, p.364). Uma só curva, com ascensão e declínio e, muitas oportunidades no decorrer do percurso. São colocações que nos permitem ampliar e compreender que o vazio existencial e a plenitude da vida sempre envolvem nossas escolhas. Para tanto, podemos errar e recomeçar sempre, em qualquer momento de nossas vidas, integrando as polaridades razão e sentimento. São as vivências que nos permitem obter o conhecimento do coração, que não encontramos nos livros de ensinamentos racionais. Algumas vezes, perdas são necessárias para dar espaço ao novo, simbolicamente representado por algo que alimente a nossa alma. Podemos transcender e viver as nossas potencialidades com plenitude!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, analista junguiana em formação pelo IJEP. Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;clacims@gmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Melancolia, fotografia da escultura de Albert Gyorgy, em Genebra, retratando sobre o vazio existencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem. A maçã e outros sabores. Campinas: Papirus Editora, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAUMAN, S. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, S. O mal-estar na civilização. Edição Stanford Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James. O código do ser: em busca do caráter e da vocação pessoal. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">________________O desenvolvimento da personalidade. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIEVEGOED, Bernard.&nbsp; Fases da vida. Crises e desenvolvimento da Individualidade. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano (8ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUINTANA, Mário. Espelho mágico. Porto Alegre: Editora Globo, 1951.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da Psicologia Moderna. 10ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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			</item>
		<item>
		<title>Realidade Como o que Produz Efeito</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/realidade-como-o-que-produz-efeito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ajax Salvador]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 23:07:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parte-se da afirmação de Jung: &#8220;Não conheço nada a respeito de uma supra-realidade. A realidade contém tudo o que podemos saber, pois aquilo que age, que atua, é real.&#160;&#8221; (JUNG, 1984, §742); da mesma forma que &#8220;o pensamento (que) existiu e existe, mesmo que não se refira a uma realidade palpável, e produz inclusive efeito. [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Parte-se da afirmação de Jung: &#8220;Não conheço nada a respeito de uma supra-realidade. A realidade contém tudo o que podemos saber, pois aquilo que age, que atua, é real.&nbsp;&#8221; (JUNG, 1984, §742); da mesma forma que &#8220;o pensamento (que) existiu e existe, mesmo que não se refira a uma realidade palpável, e produz inclusive efeito. &#8221; (JUNG, 1984, §744), também seria real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung diz que em uma &#8220;situação da experiência&#8221; haveria sempre um certo condicionamento psíquico que se interpõe ao imediatamente dado,&nbsp;não haveria acesso direto a qualquer coisa ou uma &#8220;realidade imediata&#8221;. A assimilação seria uma tendência no sujeito que o leva a interpretar de determinada maneira. O que produz o efeito de interpretação seriam as relações em complexo. Isto faria com que tudo aparecesse na psique associado em algum complexo e todas as coisas só possam aparecer em relação. Citando Condillac afirma que: &#8220;Não há processos psíquicos isolados, como não existem processos vitais isolados. &#8221; (JUNG, 1984, §197). Desta forma a&nbsp;consciência pode assumir o papel de &#8220;complexo assimilante&#8221;&nbsp;(JUNG, 1984, §197).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A narrativa Junguiana afasta-se do pensamento unitário e coloca como referência fundamental a noção de complexo: &#8220;o complexo é uma unidade psíquica&#8221; (JUNG, 1999, p.33). Não haveria algo que pudesse ser unitário, isolado e fora da psique pois:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo acontecimento afetivo torna-se um complexo. Se o acontecimento não estiver relacionado a um complexo já existente, possuindo assim um significado momentâneo, ele submerge (&#8230;) até o momento em que uma impressão semelhante a reproduza novamente. (JUNG, 1999, p.58)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um complexo afetivo seria uma imagem de determinada situação psíquica &#8220;dotada de poderosa coerência interior e tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado de autonomia. &#8221; (JUNG, 1984, §201). &#8220;Eles (os complexos) são grupos autônomos de associações, com tendência de movimento próprio, de viverem sua vida independentemente de nossa intenção. &#8221; (JUNG, 1983, p. 67).&nbsp;Pode-se refletir que os seres não seriam coisas em si isoladas e independentes. Todos os atributos ou propriedades que procuram caracterizar singularmente os seres seriam &#8220;neles&#8221; e não &#8220;deles&#8221;, não seriam como propriedades particulares. Os sentidos de cada atributo ou ato também não seria do ser, mas seria efeito de diversos olhares outros (diversos complexos configurados por diversos padrões arquetípicos diferentes); ou seja, tudo sempre em relação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afirma-se com isto um olhar em que os &#8220;fatos&#8221; que aparecem como imediatamente dados ou como certeza sensível seriam efeitos da assimilação de complexos aglutinando e unificando o diverso na existência. E, a&nbsp;realidade passa a ser tudo o que produz efeito,&nbsp;mesmo que não se refira a algo palpável, mensurável ou claramente definido na consciência. Assim como eram reais os complexos inconscientes que não podiam ser vistos, tocados ou mensurados, a não ser em seus efeitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta perspectiva &#8220;Realidade&#8221; seria tudo aquilo que produz efeito e faz parte do mundo vivo. Por isso, na perspectiva Junguiana&nbsp;fantasia é realidade, uma vez que produza efeito é real!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que aparece como&nbsp;verdade empírica teria a estrutura de uma ficção&nbsp;&#8211; seria efeito das funções dirigidas da consciência que inibem &#8220;todos os elementos psíquicos que parecem ser, ou realmente são incompatíveis&#8221; (JUNG, 1984, §136). A determinação psíquica dos complexos unificando a multiplicidade excluiria o que parece incompatível por um&nbsp;ato de julgamento&nbsp;que &#8220;é parcial e preconcebido, porque escolhe uma possibilidade particular, à custa de todas as outras.&nbsp;&#8221;&nbsp; (JUNG, 1984, § 136). Além disto julgaria a partir do que é conhecido na experiência e não do que é novo ou desconhecido. Jung fala de &#8220;um fator significativo, instintivo que é a&nbsp;libido de parentesco. &#8221; (JUNG, 1978, p.98). E dos perigos das &#8220;afinidades&#8221; com seu impulso de assimilar o insondável e &#8220;incompatível&#8221; à forma objeto familiar e conhecida e realizar &#8220;oculta situação incestuosa&#8221; (JUNG, 1978, p. 104).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;realidade material&nbsp;estaria sempre em constante movimento, mudança, múltipla, paradoxal, cheia de sentidos e mistérios variados, em infinitas possibilidades de configuração e reconfiguração; seria ao mesmo tempo conhecida e misteriosa, enigmática. Quando isto se torna insuportável a unilateralidade da consciência produziria uma unificação da realidade de forma a torná-la estável, domesticada e é isto que apareceria a consciência como imediaticidade da certeza sensível. Esta leitura aproxima-se da frase de Freud que Žižek cita onde &#8220;A realidade destina-se àqueles que não podem suportar o sonho&#8221; (Freud &#8211; apud &#8211; Žižek, 2010, p.125). Os seja a verdade teria a estrutura de uma ficção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reforça-se esta compreensão quando é tratado o &#8220;problema das atitudes típicas na estética&#8221; (JUNG, 1991b, p.278) e se aponta que diante da quantidade impressionante e estonteante de objetos animados, o homem criaria para si uma&nbsp;abstração, &#8220;isto é, uma imagem abstrata universal em que limita as impressões numa forma fixa. Esta imagem tem o significado mágico de uma proteção contra a mudança caótica da vivência. &#8221; (JUNG, 1991b, p.285).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abstração tem sempre este efeito: mata a atividade independente do objeto na medida em que esta se relaciona magicamente com a psique do sujeito. Por isso, o abstrativo a utiliza conscientemente, para proteger-se contra a influência mágica do objeto. (JUNG, 1991b, p.284).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora leve à criação de formas artísticas e ao conhecimento do objeto, a abstração seria uma função que &#8220;luta contra a participação mística primitiva. Ela afasta do objeto para destruir os vínculos com ele. &#8221; (JUNG, 1991b, p.283). E, por fim, o homem mesmo pode tornar-se uma abstração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O homem mergulha tão profundamente e nela se perde que, ao final, coloca sua verdade abstrata acima da realidade da vida, e a vida, que poderia estorvar o gozo da beleza abstrata, é de todo reprimida. Ele mesmo se torna abstração, ele se identifica com o valor eterno de sua imagem e nela se fixa, porque se transformou para ele em fórmula redentora. Renuncia, desse modo, a si mesmo e transfere sua vida para sua abstração na qual, de certa forma, fica cristalizado. (JUNG, 1991b, p.285).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Critica-se a &#8220;crença pura e simples de que o âmbito da ideia e o âmbito da palavra que lhe correspondia em geral deveriam coincidir em todos os casos. &#8221; (JUNG, 1991b, p.45). Jung fala da ilusão do significado absoluto das palavras -&#8220;as palavras são muitas vezes expressão inadequada dos fatos&#8221; (JUNG, 1991b, p.45).&nbsp;Seria essa significação mágica e absoluta das palavras, que levaria a pressuposição de também estar contida nelas a atitude objetiva das coisas. Refere que o princípio da inerência&nbsp;sofre também &#8220;do velho fetichismo de palavras que admite ingenuamente que a palavra coincide com a coisa. &#8221; (JUNG, 1991b, p.46).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma Jung apresenta uma crítica ao olhar abstrato que pode ser aproximado do tema discutido por Nietzsche em &#8220;Sobre verdade e Mentira&#8221; (NIETZSCHE, 1978, p.48), na formação de um conceito que, &#8220;nasce por igualação do não-igual&#8221;.&nbsp;O que é chamado de &#8220;natureza&#8221; por Nietzsche poderia ser visto como realidade material que não se submete nunca inteiramente a formas ou conceitos, mas que não seria totalmente inacessível pois se apresentaria através dos efeitos de resistência ao que parece nítido e empiricamente evidente para determinados padrões complexos. Os efeitos dos complexos inconscientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;atitude empática&nbsp;tem sua base no significado e força mágicos do objeto e também cria. Neste caso o sujeito é que se apoderaria do objeto mediante uma identificação mística; &#8220;influenciado magicamente pela força do fetiche, mas, por outro, é também o feiticeiro e acumulador da força mágica que fornece carga ao fetiche. &#8221; (JUNG, 1991b, p.283). Na atitude empática haveria também despotencialização inconsciente do objeto pois os conteúdos são idênticos e fariam com que este pareça sem vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Astutamente Jung ainda aponta que&nbsp;a atitude empatizante&nbsp;ao trazer para dentro do objeto a atividade e vida do sujeito,&nbsp;ao se entregar ao objeto este se tornaria objeto; se identifica com o objeto e, portanto,&nbsp;sai de si mesmo.&nbsp; Ao empatizar a vontade de agir em um &#8220;outro&#8221; (objeto)&nbsp;se liberta do ser individual,&nbsp;abrindo a compulsão interna da experiência para um objeto externo pode-se sentir a individualidade &#8220;fluir para limites estreitos, em oposição à diferenciação ilimitada da consciência individual. &#8221;&nbsp;(JUNG, 1991b, p.285). Realizar-se-ia uma&nbsp;auto-renúncia pois colocaria&nbsp;uma limitação nas possibilidades ilimitadas do agir ficando nos limites dessa objetivação presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Empatia e abstração são apontados por Jung como mecanismos de adaptação e proteção.&nbsp;Se a imagem abstrata aparece como muro protetor contra os efeitos destrutivos dos objetos inconscientemente animados, na&nbsp;atitude empatizante há uma proteção contra a dissolução por fatores internos subjetivos&nbsp;(possibilidades ilimitadas da fantasia e correspondentes impulsos à ação). (JUNG, 1984, §92). Entretanto é interessante observar que&nbsp;ao se entregar ao &#8220;outro&#8221;&nbsp;(ao se tornar objeto), ao sair de si (ou do que a consciência vive subjetivamente como sendo si mesmo) é que pode&nbsp;haver uma libertação do ser individual. Ao perder-se na auto-renucia é que se poderia ter uma forma de liberdade que não é fazer apenas o que o Ego deseja, mas de estar livre para não ter que ser dominado imperativamente só pelo complexo do Ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se entender que o que se chama &#8220;seres reais&#8221; são efeitos de relação entre infinitos elementos com infinitos significados também em relação. O acesso às formas de relação seria possível pelos efeitos destas sobre a atividade objetivante da consciência. Os efeitos tanto poderiam ser visíveis e mensuráveis como aparecerem na forma de resistência ou interferência sobre o que parece claro e nítido. A atitude que Jung propõe para o analista é a que reconhece e dá tanto valor para esta segunda forma de efeitos como para a primeira. Para isto seria preciso buscar escutar o misterioso, enigmático, desconhecido ou o inconsciente &#8211; que não se encontra em outro local, mas que pulsa vivo em tudo indeterminando qualquer coisa que pareça clara, nítida, determinada e conhecida para a consciência. Assim a realidade pode ser vista como tudo o que produz efeito e não apenas o que é visível, palpável ou mensurável.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autor: Ajax Perez Salvado</strong>r</p>



<h1 class="wp-block-heading has-regular-font-size">Obras Citadas</h1>



<p class="wp-block-paragraph">HEGEL, G.W.F.&nbsp;Enciclopédia das ciências filosóficas &#8211; A Ciência da lógica.&nbsp;Vol. 1. São Paulo: edições Loyola, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;A Natureza da Psique. Vols. VIII-2. Petrópolis: Vozes, 1984.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-.&nbsp;Fundamentos de Psicologia Analítica.&nbsp;Vol. Vol. XVIII/1. Petrópolis: Vozes, 1983.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-.&nbsp;La psicologia de la transferencia. Buenos Aires: Editorial Paidos, 1978.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-.&nbsp;Psicogênese das doenças mentais. Vol. III. Petrópolis: Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-.&nbsp;Símbolos da transformação: análise dos preludios de uma esquizofrenia. Vol. V . Petrópolis: Vozes, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-.&nbsp;Tipos Psicológicos. Petrópolis: Vozes, 1991b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NIETZSCHE, Friedrich W. &#8220;Sobre verdade e mentira no sentido extra moral.&#8221; Nietzsche, Friedrich.&nbsp;Os Pensadores &#8211; Obras Incompletas. São Paulo: Abril cultural, 1978. 45-52.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ŽIŽEK, Slavoj. &#8220;Não existe grande Outro.&#8221;&nbsp;Revista Cult&nbsp;14 de março de 2010: 125.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Em &#8220;Símbolos da Transformação&#8221; Jung refere preferir a expressão &#8220;imago&#8221; ao invés de complexo, para indicar a &#8220;(&#8230;) independência viva na hierarquia psíquica, aquela autonomia que se cristalizou como particularidade essencial do complexo de sentimentos às custas de experiências múltiplas e que é ilustrada pelo conceito de &#8220;imago&#8221; (&#8230;) imago tem apoio no romance Imago de Spitteler e na antiga ideia religiosa de &#8220;imagines&nbsp;et lares&#8221;. Em meus escritos posteriores uso o termo &#8220;arquétipo&#8221; e com isso quero expressar o fato de tratar-se de motivos impessoais, coletivos. &#8221; &nbsp;(JUNG, 2008, §63, nota de rodapé nº5)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Como é exposto no texto &#8220;Psicologia da Transferência&#8221; capítulo I falando sobre a Fonte de Mercúrio (JUNG, 1978). O mar nosso (&#8220;mare nostrum&#8221;) aponta que todo ser surgira sempre em relação, por tanto nosso. Assim, toda determinação de qualidades (propriedades ou atributos) seria um processo relacional. Só se determinaria algo em relação a outro algo que é posto ao mesmo tempo e quando é posto em uma situação, em um contexto próprio a existência; como foi exposto por Hegel na ciência da lógica (Hegel, 1995). A água perene e o mar tenebroso indicariam que o processo está sempre em movimento, um constante devir &#8211;&nbsp;Aqua vitae&nbsp;&#8211; água da vida. (&#8230;) O homem só apareceria como totalidade vivente e como unidade no ato. O ato que se origina como resultado de impulso, sucessão e realização. Ato como o resultado de um evento que abarca a totalidade anímica.&nbsp; (JUNG, 1978, p.72).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Jung chama de &#8220;fator psíquico&#8221; ao que aparece produzindo efeitos de perturbação para o que era esperado pelo modo de proceder empírico das ciências naturais -&#8220;(&#8230;) descobri os complexos de tonalidade afetiva que anteriormente eram registrados sempre como&nbsp;falhas de reação. &#8221; (JUNG, 1984, §196). Ou seja, psíquico seria aquilo que &#8220;perturba&#8221; o que é esperado como acerto na velocidade e na média das reações e de suas qualidades &#8211; E, mesmo não se podendo ver, tocar ou medir, isto produz efeito e é através deste efeito que é possível alguma aproximação do que seriam os complexos inconscientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Se o que aparece como conhecido é uma forma de negar aspectos incompatíveis ou paradoxais isto seria uma maneira de desconhecer. Por outro lado, se o desconhecido, misterioso e enigmático abre acesso a realidade viva em constante mudança com infinitos sentidos então &#8220;conhecer&#8221; passa a ser uma forma de desconhecer e ouvir o erro, a falha, o misterioso e enigmático inconsciente uma forma de conhecer. Uma forma que extrai mistério, desconhecido, inquietação e indeterminação de tudo que parece claro e determinado. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&#8221; (&#8230;) princípio da inerência está em que uma afirmação de identidade também nada tem a ver com a coisa: a palavra capim não tem nexo com a coisa capim. &#8221; (JUNG, 1991b, p.46).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&#8220;Poderíamos então neste caso falar de uma abstração inconsciente, sempre à disposição, que apresenta o objeto como desprovido de alma. &#8221; (JUNG, 1991b, p.284).</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Toda palavra torna-se logo conceito justamente quando não deve servir, como recordação, para a vivência primitiva, completamente individualizada e única, à qual deve seu surgimento, mas ao mesmo tempo tem de convir a um sem-número de casos, mais ou menos semelhantes, isto é, tomados rigorosamente, nunca iguais, portanto, a casos claramente desiguais.&nbsp;Todo conceito nasce por igualação do não-igual. Assim como é certo que nunca uma folha é inteiramente igual a uma outra, é certo que o conceito de folha é formado por arbitrário abandono dessas diferenças individuais, por um esquecer-se do que é distintivo, e desperta então a representação, como se na natureza além das folhas houvesse algo, que fosse &#8220;folha&#8221;, uma espécie de folha primordial, segundo a qual todas as folhas fossem tecidas, desenhadas, recortadas, coloridas, frisadas, pintadas, mas por mãos inábeis, de tal modo que nenhum exemplar tivesse saído correto e fidedigno como cópia fiel da forma primordial. Denominamos um homem &#8220;honesto&#8221;; por que ele agiu hoje tão honestamente? &#8211; Perguntamos. Nossa resposta costuma ser: por causa de sua honestidade. A honestidade! Isto quer dizer, mais uma vez: a folha é a causa das folhas. O certo é que não sabemos nada de uma qualidade essencial, que se chamasse &#8220;a honestidade&#8221;, mas sabemos, isso sim, de numerosas ações individualizadas, portanto desiguais, que igualamos pelo abandono do desigual e designamos, agora, como ações honestas; por fim, formulamos a partir delas uma&nbsp;qualitas occulta&nbsp;com o nome: &#8220;a honestidade&#8221;. A desconsideração do individual e efetivo nos dá o conceito, assim como nos dá também a forma, enquanto que a natureza não conhece formas nem conceitos, portanto também não conhece espécies, mas somente um X, para nós inacessível e indefinível. Pois mesmo nossa oposição entre indivíduo e espécie é antropomórfica e não provém da essência das coisas, mesmo se não ousamos dizer que não lhe corresponde: isto seria, com efeito, uma afirmação dogmática e como tal tão indemonstrável quanto seu contrário. &#8221; (NIETZSCHE, 1978, p.48) negrito meu.</p>
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		<title>Metafísica Heideggeriana e a Angústia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/metafisica-heideggeriana-e-a-angustia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 20:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[heidegger]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;“O Nada e Seu Valor Metafísico”, na visão de M. Heidegger em sua obra “QUE É METAFÍSICA” Heidegger nesse livro ao buscar, na ciência, a compreensão do ente, depara-se com o nada: “A ciência nada quer saber do nada. Mas não é menos certo também que, justamente ali, onde ela procura expressar sua própria essência [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;“O Nada e Seu Valor Metafísico”, na visão de M. Heidegger em sua obra “<strong>QUE É METAFÍSICA”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Heidegger nesse livro ao buscar, na ciência, a compreensão do ente, depara-se com o nada: “A ciência nada quer saber do nada. Mas não é menos certo também que, justamente ali, onde ela procura expressar sua própria essência ela recorre ao nada. Aquilo que ela rejeita, ela leva em consideração” (pág.25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heidegger passa então a questionar: “Que é o nada?”. Vemos aí que já existe a idéia do nada como ente, algo que é. É contraditório, ambíguo, pensar no nada como algo que “é” o que quer que seja ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo-se o entendimento “o nada é a negação da totalidade do ente, o absolutamente não ente” (pág.26). A negação é ato de entendimento dentro da lógica, portanto o nada é mais originário que o não e a negação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo, nessa direção do pensamento, o nada a negação da totalidade do ente, precisamos primeiramente entender o que é essa totalidade do ente, se é que isso seja possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heidegger então diz que nos momentos de tédio ou na alegria da existência de um ente querido, sentimos o ente em sua totalidade, ou seja, o revelar do ser-aí.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse ente em sua totalidade temos justamente o ocultamento do nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o contrário? Quando nos deparamos com o nada? Heidegger diz que esse instante, raro, acontece por ocasião da angústia&#8230;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, não podemos confundir angústia com temor. O temor nós o sentimos em relação a algo exterior que nos torna medrosos, inseguros, confusos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A angústia não tem essa relação real disto ou daquilo. Ela nos coloca diante de um vazio.&nbsp;&nbsp;“A angústia diante de &#8230; é sempre angústia por&#8230; mas não por isto ou aquilo”(pág. 31).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, a angústia traz em si a própria manifestação do nada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Somente continua presente o puro ser-aí no estremecimento deste estar suspenso onde nada há em que apoiar-se” (pág.32).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse instante faz-se necessário uma reflexão sobre o filósofo: essas constatações acerca do nada e da angústia não me surpreenderiam se vindas de uma leitura de Jung, psicólogo familiarizado na sutil percepção do ente frente a esse nada que é a angústia. No entanto, quem nós vemos é um Heidegger sensível ao entendimento desse fato, comum, embora extremamente complexo, que a cada dia, em maior grau, surpreende-nos quando, em meio ao caos da modernidade, sentimo-nos sem chão, suspensos, sem identificação com o vazio circundante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguindo-se a resposta da questão percebemos que o nada que se revela na angústia, não nos é revelado como ente ou como objeto. Ele é apenas manifesto através da angústia: “Na angústia deparamos com o nada juntamente com o ente em sua totalidade” (pág.33). Vemos que o nada se revela com o e no ente, porém como algo que foge em sua totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nada se caracteriza pela rejeição, é a nadificação do ente em sua totalidade, não é, no entanto, a sua destruição ou a sua negação. É simplesmente a “estranheza com o absolutamente outro em face do nada” (pág. 34).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É a alteridade do ente frente ao nada, que se conduz primeiro do ser-aí diante do ente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ser-aí quer dizer: estar suspenso dentro do nada” (pág. 35).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ser-aí suspenso dentro do nada possibilita a relação com o ente, conosco mesmos, livres, em nossa totalidade. É a nossa transcendência em nosso ente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O nada é a possibilitação da revelação do ente enquanto tal para o ser-aí humano” (pág. 35).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um dito popular que diz que: “é preciso descer ao fundo do poço para ascender à luz”. É somente através desse estado de angústia, desse vazio circundante, que nos deparamos com nossa essência, caso contrário viveremos na superfície do ser-aí.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A angústia está sempre presente, nos a velamos através do ser-aí, raras vezes nos entregamos a este nadificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O estar suspenso do ser-aí dentro do nada originado pela angústia escondida é o ultrapassar do ente em sua totalidade: a transcendência” (pág. 39).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heidegger faz esses questionamentos acerca do nada para apresentar-nos a própria metafísica: “ta meta physika” =&nbsp;&nbsp;“além”&nbsp;&nbsp;do ente enquanto tal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Metafísica é o perguntar além do ente para recuperá-lo, enquanto tal e em sua totalidade, para a compreensão” (pág. 39).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na metafísica temos de um lado as questões metafísicas e de outro o ser-aí que a interroga. Estão inter-relacionados, numa interdependência constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;“Em que medida perpassa e compreende a questão do nada a totalidade da metafísica?” (pág. 40).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer da história essas questões acerca do ente e do nada se equiparam, para questionar um obrigatoriamente nos deparamos com o outro, são equivalentes no questionamento metafísico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou se nega o questionamento acerca do nada “do nada nada vem” (pág. 40), ou se coloca o nada em total oposição ao ente, como sua negação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão do ser é intrínseca a metafísica, e a questão do nada compreende a totalidade da metafísica, isso enquanto nos força a enfrentar o problema da origem da negação; “nos coloca fundamentalmente diante da decisão sobre a legitimidade com que a lógica impera na metafísica” (pág.42).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência não pode mais ignorar o nada, uma vez que somente no instante de confronto do ser-aí com o nada é que se transcende e se percebe enquanto ente em sua totalidade. Ou seja, para se chegar a um (ente), é imprescindível não ignorar o outro (nada), já que este possibilita a compreensão daquele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nada, portanto, é uma questão que permeia a totalidade da metafísica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A metafísica é o acontecimento essencial no âmbito do ser-aí. Ela é o próprio ser-aí” (pág.43).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No parágrafo da pág. 44 uma comparação me parece exemplificar essa questão da transcendência do ente: os yogues, os iniciados, nos ensinam que através da meditação atingimos nosso Eu Superior, para tanto se faz necessário um silenciar dos sentidos, do pensamento, do eu inferior, seguindo-se um mergulho no vazio, ou seja, no nada, só então nosso Eu Superior se nos revela em sua plenitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concluindo; na suspensão do ser-aí na vivência nadificante do nada é que o ente em sua totalidade nos faz plenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, todo processo terapêutico positivo passa por um estágio de reconhecimento, seguindo-se um estágio de angústia que, se bem elaborado, não permitindo a fuga, mas o confrontamento com o nada, o paciente torna-se consciente de si; compreende-se como um ente em sua totalidade. Vemos ser a angústia um fator positivo e totalmente contrário à depressão, ansiedade, neurose e outros tantos sintomas que no linguajar comum se confundem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se, através destes questionamentos, Heidegger trouxe grande benefício à filosofia e consequentemente a metafísica, demonstrando o grande valor do nada dentro desta ciência, muito, também, trouxe a psicologia junguiana demonstrando que esse “monstro assustador” que é a angústia, e que cedo ou tarde se nos avizinha, é fator necessário de crescimento, de evolução enfim.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autora: Ercília Simone Dálvio Magaldi</strong></p>
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		<title>Dias de Hoje</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/dias-de-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 18:25:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ken wilber]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diz o&#160;Tao Te king: “De mil benefícios goza um povo, Quando não se fala mais em ser virtuoso nem santo. Verdadeira reverência e amor sincero Medram numa sociedade Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos. A ordem não reina numa sociedade Onde o interesse determina o agir. Esses princípios não podem [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Diz o&nbsp;<em>Tao Te king</em>:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<em>De mil benefícios goza um povo,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Quando não se fala mais em ser virtuoso nem santo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Verdadeira reverência e amor sincero</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Medram numa sociedade</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A ordem não reina numa sociedade</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde o interesse determina o agir.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esses princípios não podem ser prescritos,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mas devem ser vividos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Somente onde eles são vivenciados</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>É que ajudam os homens.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A ética genuína só existe</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde o homem vive de dentro da sua fonte</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>E age pela pureza do seu coração;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde a genuinidade do seu ser</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Se revela em atos desinteressados</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>E isentos de desejos.”</em> 19 (O fundamento da verdadeira ética).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certamente o momento presente em nada se parece com os dizeres de Lao-Tse. O mundo, o Brasil, vive uma turbulência onde as Bestas, <strong>Wotan</strong>, como diria Jung, despertaram e ameaçam as pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mas os Demônios não despertam sozinhos</strong>. Hão de ser feitos muitos sacrifícios e rituais para despertá-los. Muitos interesses hão de estar presentes para que estas forças atuem na massa e estas sejam devidamente manipuladas e a onda seja posta em movimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O que os manipuladores e instigadores da violência não sabem é que, uma vez em movimento, a onda cria autonomia e não é mais direcionada. Assim como um complexo de massa. Assim como a sombra coletiva quando constelada torna-se incontrolável, geometricamente mais forte que a soma de seus elementos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A moral é prerrogativa do ego, mas a ética é intrínseca ao Self e de há muito estamos desconectados de nós mesmos. Nossa sociedade é muito ególatra, &#8211;&nbsp;<em>A ética genuína só existe</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde o homem vive de dentro da sua fonte –&nbsp;</em>diz Lao-Tse, justamente onde vive o homem em processo de individuação, de maneira consciente e cooperativa,&nbsp;&nbsp;em seu eixo ego-self, conectado a sua essência, projetado em seu sentido teleológico, irmanado à sociedade e não apartado &#8211;&nbsp;<em>numa sociedade</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde o interesse determina o agir. –&nbsp;</em>como&nbsp;alerta o texto acima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vemos nos dias atuais, e não só no Brasil, é um levante de forças inconscientes e perversas que resistem à conscientização da civilidade. E pessoas, que professam uma civilidade, apoiam atitudes cuja consequência é certamente desastrosa, porque na massa há um rebaixamento de consciência e um despertar de forças inconscientes que, de há muito tempo, estão sendo alimentadas pelas redes sociais, pela mídia e por pessoas interessadas na desestabilização econômica e social, com interesses pessoais e partidários. É certo que as consequências serão violentas e sangrentas, como as que estamos vendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Não há controle de massa.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O conhecimento atual é fragmentário e o conhecimento necessário para entender o que está ocorrendo é o da história e da filosofia e, infelizmente estes não se fazem com frases de efeito, é necessário debruçar-se em compêndios por dias, meses, conectar um fato a outro, buscar sentido onde nem sempre ele está presente. Entender o efeito enantiodrômico que existe na corrente do tempo, nos feitos históricos. A enantiodromia é a teoria do caos, em todo caos há um princípio de ordem e vice-versa, tudo é uma questão de temporalidade e compensação. Hoje estamos mergulhando no caos social e pouca gente percebe que há pouca consciência e muita inconsciência. Por mais que o homem avance tecnologicamente, estamos retornando as trevas da ética e da moral. Uma compensação à tecnologia é a barbárie humana, isso é enantiodromia. Não é possível que tudo avance ao mesmo tempo, sempre haverá avanços e retrocessos. Infelizmente o retrocesso é psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung comenta acerca dos fatos ocorridos na Alemanha e que parecem estar próximos de se repetirem em vários pontos do planeta: “No momento em que o mal irrompe no mundo, ele já eclodiu por toda parte no âmbito psíquico. A toda ação corresponde uma reação que provoca tanta ou mais destruição do que a ação criminosa, pois o mal deve ser totalmente erradicado. Para não sermos contaminados pelo mal, precisaríamos propriamente de um ‘rite de sortie’ que consistiria na declaração solene da culpa e da absolvição posterior do juiz, do verdugo e do público.” Indignado acrescenta: “Com espanto, comprovamos que o homem é capaz de tudo, que nós somos capazes de tudo e desde então paira uma dúvida atroz acerca da humanidade a que pertencemos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você se considera capaz de espancar uma mulher até a morte que supostamente pertence a uma seita que utiliza crianças em rituais macabros? Você se considera capaz de jogar um vaso sanitário de uma marquise de um estádio sobre uma multidão? Você se considera capaz de atear fogo em um ônibus com passageiros dentro? Você se considera capaz de quebrar caixas eletrônicos para tirar o dinheiro que está lá dentro? Você se considera capaz de destruir concessionarias de carros e os veículos que lá estão de maneira torpe e gratuita? Você é capaz de destruir o patrimônio público de maneira irresponsável simplesmente para demonstrar insatisfação governamental, política, vivencial, &#8230;? Você não faz isso porque acha errado, porque não tem coragem, ou porque tem medo de ser preso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acreditando ou não, fazendo ou não todas estas coisas, uma parte de nós torce para que elas sejam feitas enquanto outra as abomina. É a natureza humana, o que não está na luz da consciência está na escuridão do inconsciente, assim é. Partilhamos o mesmo inconsciente coletivo, experienciamos a mesma evolução e passamos pelas mesmas fases reptilianas em que nosso objetivo único era sobreviver, crescer e perpetuar. Quantos indivíduos vivem exatamente desta maneira e sem nenhum outro objetivo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece que uma parcela ainda grande da humanidade vive no nível <strong>Bege</strong> = arcaico/instintivo, na análise de <strong>Ken Wilber</strong>, onde o que impera é a necessidade de sobrevivência, vivem em bandos de sobrevivência, mas não, temos um desenvolvimento que nos leva além disso porém, nos campos de refugiados que proliferam no mundo de hoje, é isso que vemos crescer dia a dia. Wilber diz que aí estão 0,1% da população do mundo e exercem 0% do poder, mas será que este número não tem crescido?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O nível <strong>Roxo</strong> = mágico/animista, é o das tribos étnicas com 10% da população mundial no entendimento de Wilber e exercem 1% do poder mundial. Como sua designação diz, creem em muitas coisas mágicas, possuem fortes laços de sangue, unem-se em grupos, gangues, comunidades, equipes esportivas, “tribos” corporativas e são comuns no terceiro mundo. São belicosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dois níveis pertencem ao grupo de indivíduos cuja população subsiste ao nível pré-pessoal, os 4 seguintes pertencem aos níveis pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nível <strong>vermelho</strong> = deuses do poder, diz Ari Raynsford: “primeira emergência do self distinto da tribo; poderoso, impulsivo, egocêntrico, heroico. Espíritos mágicos-místicos, dragões, feras. Deuses e deusas arquetípicos, seres poderosos, forças com que se podem contar, tanto boas quanto más. Senhores feudais protegem os servos em troca de obediência e trabalho. A base dos impérios feudais – poder e glória. O mundo é uma selva cheia de ameaças e de predadores. Conquista, engana e domina; aproveita ao máximo, sem desculpa ou remorso”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora pareça um conto, ainda temos muitas civilizações vivendo nesta esfera mítica, atualizada enquanto imagem arquetípica, mas os conteúdos estão todos lá.. 20% da população mundial no entender de Wilber vive neste nível e 5% deles exercem poder mundial. São os líderes de gangues, soldados mercenários, astros de rock, rebeldes&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nível 4 é o <strong>Azul</strong> = regra conformista. É introduzido o conceito de Outro e de Ordem, onde regras devem ser seguidas para que consequências não sejam vivenciadas. As hierarquias são rígidas e invioláveis. O maniqueísmo é imposto. Sistema paternalista. Déspotas protegem e exploram e sociedades imaturas anseiam por governantes paternalistas, mesmo que sejam cruéis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste nível temos 40% da população mundial e 30% do poder. Semelhantes à América puritana, Fundamentalismo Islâmico, lugares patriotas extremos, onde existe uma maioria moralista&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nível 5 é o <strong>laranja</strong> = realização científica. É a libertação do self da mentalidade de grupo, é a busca pela verdade de maneira individualista, científica. Busca da realização científica e dos bens materiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência se torna soberana sobre a política, economia e todas as outras esferas da vida humana. Aqui temos a base dos estados corporativos, com todos os movimentos que lhes dão sustentação. Reino da Wall Street, Grandes Indústrias, guerra Fria, materialismo, Classes emergentes&#8230; Equivalem a 30% da população e representam 50% do poder mundial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próximo nível é daquelas criaturas que querem fazer a diferença neste planeta. São o nível 6 <strong>Verde</strong> = O Self sensível. São os indivíduos politicamente corretos, que possuem consciência ecológica, que querem resgatar Gaia, mãe Terra como um ser vivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente são apenas 10% da população mundial e exercem 15% do poder, mas são os mais necessários para acabarmos com o caos social. Pregam a igualdade, bases relacionais de ajuda e diálogo, são a base das comunidades coletivas que visão a sustentabilidade. Decidem através de reconciliação e consenso, coisa rara nas negociações que vemos hoje e que geram tanta violência nas ruas. Pregam a espiritualidade e a&nbsp;&nbsp;harmonia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente do ocidental que tende ao pensamento linear, eles propõem um pensamento mais oriental não-linear. São grupos pós-modernistas, Greenpeace, ecopsicologia, direitos humanos, movimentos de diversidade, psicologia humanística&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Você já pensou em fazer parte de um grupo desses?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem ainda mais dois níveis que <strong>Wilber</strong> chama de níveis do Ser. Eles reconhecem e respeitam todos os níveis da espiral, embora o contrário não seja verdade, cada nível ache que seu modo de vida seja o melhor e mais adequado à humanidade e que os outro são errados, infiéis, pagãos&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses dois níveis são: <strong>Amarelo</strong> = Integrativo, traz uma visão de caleidoscópio de hierarquias naturais, sistemas e formas. Priorizam a competência e o conhecimento em detrimento do poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O outro é o <strong>Turquesa</strong> = Holístico, com energias integrativas unindo as polaridades de sentimento e conhecimento. Ampla consciência. Grande unificação em teoria e prática. Ari Rainsford: “Algumas vezes envolve a emergência de uma nova espiritualidade como uma teia de toda a existência. O pensamento turquesa usa a espiral completa; vê múltiplos níveis de interação; detecta harmônicos, as forças místicas e os estados de fluxos que permeiam todas as organizações. “Infelizmente encontramos apenas 0,1% da população no nível turquesa, certamente se fosse diferente o mundo não estaria tão caótico como está.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta explanação partiu do meu comentário sobre nossa evolução a partir do estágio reptiliano de sobrevivência, aí veio o límbico das emoções e, pelo visto hoje, elas estão absolutamente sem controle, como se fossemos puramente mamíferos e nada mais. Com o néo-cortex adquirimos o potencial reflexivo, criativo e simbólico. Quando na massa, certamente, este estágio fica entorpecido pelos anteriores porque ele perde a capacidade de atuação. Não conseguimos reagir de maneira civilizada numa situação de conflito na massa, quando a onda perde o controle nossa reação é fuga ou ataque. A reação é atômica. Deixamos de ser humanos, somos apenas matéria reagente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se considerarmos que temos o neo-cortex complexo então&#8230;cuja finalidade é trazer a capacidade de transcendência e integração&#8230;.Pergunto: Esses indivíduos, que nos dias de hoje – maio de 2014 – estão quebrando tudo no país, passaram por este estágio evolutivo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão não é o direito de reivindicar, a questão é o de como se organizar para faze-lo. Pensar em quem se vai prejudicar, quais as consequências e riscos. Um indivíduo é muito diferente de uma massa de indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jung</strong> diz: “A contínua expansão da assistência estatal é, por um lado, muito bonita mas, por outro, bastante suspeita na medida em que retira do indivíduo a responsabilidade, produzindo cordeiros e pessoas infantilizadas. Ademais existe o perigo da exploração dos competentes pelos irresponsáveis, como aliás aconteceu em muitos casos na Alemanha. É preciso que se tente preservar o máximo o instinto de autoconservação do cidadão, pois separado da raiz nutrícia de seus instintos o homem se converte num joguete de todos os ventos; nesse caso, ele não passa de um animal doente, desmoralizado e degenerado cuja sanidade só poderá ser restituída mediante uma catástrofe”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Influenciado pela mídia funesta, esse “cordeiro” pode ter seu lobo inconsciente alimentado e desperto, e se um lobo pode ser domesticado, uma matilha não é passível de controle. É o que estamos vendo todos os dias na tela das televisões de todo país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando às vésperas da Copa do Mundo de Futebol se faz campanha contra a mesma, eu pergunto: Agora? Qual o intuito de se fazer manifestações, paralisações num momento como este? Claro que existiam prioridades a serem vistas e exigidas quando houve a candidatura do Brasil a país sede da Copa, e não agora quando o evento está para ocorrer, quando esperamos recuperar um dinheiro mal gasto e que este é o ÚNICO meio de vermos algum lucro voltando aos cofres. Não dá para dar tiro no pé. Não é fazendo greves e passeatas, dificultando a vida de um monte de pessoas, que vamos recuperar o dinheiro mal gasto em estádios. Concordo que não precisávamos disso. Mas agora é ridículo fazermos essas manifestações. O nome disso é alienação. Chegou tarde, já foi. Agora o que está havendo é massa de manobra. Por que só viram agora? Esse povo todo nas ruas não sabia que estavam construindo estádios? Não sabiam que haveria uma Copa? Onde estavam quando tudo começou? Dormindo? Esperaram o dinheiro ser gasto, os estádios construídos, para então fazerem baderna?&nbsp;&nbsp;Por que não antes, quando começaram a falar em fazer, quando disseram que iriam fazer a Copa aqui?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalizando; agitação, manifestação, massa, fazem despertar forças que muitos de nós forçosamente ignoramos e alguns jamais ousariam imaginar. Jung, gênio que era, nunca se enganou acerca dessas forças latentes e adormecidas, ele traz esse alerta sempre importantíssimo e atual: “Uma argumentação racional é apenas possível e profícua quando as emoções provocadas por alguma situação não ultrapassam determinado ponto crítico. Pois quando a temperatura afetiva se eleva para além desse nível, a razão perde sua possibilidade efetiva, surgindo em seu lugar slogans e desejos quiméricos, isto é, uma espécie de possessão coletiva que, progressivamente, conduz a uma epidemia psíquica. Nestas condições, prevalecem todos os elementos da população que levam uma existência antissocial, tolerada pela ordem da razão. Esse tipo de indivíduo não é simplesmente uma curiosidade apenas vista nas prisões e hospícios. Em minha opinião, para cada caso manifesto de doença mental existem ao menos dez casos latentes que nem sempre chegam a se manifestar, mas cujas condutas e concepções encontram-se sob a influência de fatores inconscientes doentios e perversos, apesar de toda aparência de normalidade. Evidentemente não podemos dispor de nenhuma estatística médica a respeito da frequência das psicoses latentes. Mas mesmo que o seu número fosse inferior a um décimo dos casos manifestos de doença mental e criminalidade, sua incidência relativamente baixa significaria muito, em vista da alta periculosidade que esses elementos representam. O seu estado mental corresponde a um grupo da população que se acha coletivamente exaltado por preconceitos afetivos e fantasias de desejo impulsivas. Nessa espécie de ambiente, eles se sentem totalmente ajustados e em casa. Eles conhecem, por experiência própria, a linguagem desses estados e sabem lidar com eles. Suas quimeras, baseadas em ressentimentos fanáticos, fazem apelo para a irracionalidade coletiva, encontrando aí um solo frutífero, na medida em que exprimem certos motivos e ressentimentos também presentes nas pessoas normais, embora adormecidos sob o manto da razão e da compreensão. Esses indivíduos, apesar de constituírem um número pequeno em relação ao conjunto da população, representam um grande perigo, pois são fontes infecciosas sobretudo em razão do conhecimento muito limitado que as pessoas, ditas normais, possuem de si mesmas”.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autora: Dra E. Simone D. Magaldi</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">C. G. JUNG.&nbsp;<em>Presente e Futuro.&nbsp;</em>Vozes</p>



<p class="wp-block-paragraph">C. G. JUNG.&nbsp;<em>Aspectos do Drama Contemporâneo.&nbsp;</em>Vozes</p>



<p class="wp-block-paragraph">LAO-TSE.&nbsp;<em>Tao Te King.&nbsp;</em>Alvorada</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos de Ken Wilber com&nbsp;&nbsp;Dr. Ari Rainsford na FACIS.</p>
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		<title>Raízes Filosóficas entre Jung e Kant</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/raizes-filosoficas-entre-jung-e-kant/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 13:22:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[kant]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Immanuel Kant nasceu em Königsberg, Prússia Oriental em 12-04-1724 (apogeu do Iluminismo &#8211; Enciclopédia), teve sua formação religiosa no pietismo (movimento que se registrou no interior do luteranismo, o qual destacava a religião prática e íntima em detrimento da teologia dogmática, estava sujeito a estreitas atitudes morais), sua família era simples e extremamente religiosa. Estudou [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Immanuel Kant nasceu em Königsberg, Prússia Oriental em 12-04-1724 (apogeu do Iluminismo &#8211; Enciclopédia), teve sua formação religiosa no pietismo (movimento que se registrou no interior do luteranismo, o qual destacava a religião prática e íntima em detrimento da teologia dogmática, estava sujeito a estreitas atitudes morais), sua família era simples e extremamente religiosa. Estudou Filosofia, Matemática e Teologia. Martin Knutzen o encaminhou no estudo da física newtoniana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1770 foi nomeado professor de lógica e metafísica na universidade de sua cidade onde permaneceu até o início de sua doença em 1798, a partir daí foi perdendo suas faculdades, inclusive a memória e a palavra, faleceu em 12 (28) -02- 1804, com 80 anos, assistido apenas por seus criados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kant foi uma personalidade única na história da filosofia, era extremamente meticuloso, metódico e pontual, jamais saiu de Königsberg, o que não o impediu de acompanhar os acontecimentos marcantes de sua época: Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. Vemos que era um período marcado pela repressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua vida foi toda dedicada aos estudos, ao ensino, a reflexão e a escrita. Não casou, não teve filhos e nem se apaixonou, possuía pouquíssimos amigos, vivia com um criado e uma criada. Gostava de comer sempre sozinho e passeava sempre, independente do tempo, pontualmente, pelo mesmo lugar, sem alterar o trajeto e sem deixar de carregar seu guarda-chuva. Permanece a anedota de que os habitantes do lugar acertavam seus relógios pelos hábitos de Kant.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escreveu várias obras que marcaram o pensamento do homem moderno. As principais:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; História Universal da Natureza e Teoria do Céu. 1755.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Da Forma e dos Princípios do Mundo Sensível e do Mundo Inteligível. 1770.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Crítica da Razão Pura . 1781</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Prolegômenos à Toda Metafísica futura que possa apresentar-se como ciência. 1783.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Fundamentação da Metafísica dos Costumes. 1785.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Crítica da Razão Prática. 1788.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; Crítica do Juízo. 1790.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &#8211; A Religião Dentro dos Limites da Razão Pura. 1793.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra de Kant vai refletir a ação humana &#8211; moral. Para ele moral significa você ser capaz de se conhecer e conhecer o mundo criticamente, fugindo das regras sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kant questionou os racionalistas (Descartes, Leibniz e Wolff) e os empiristas (Bacon, Hume e Locke), a partir dele a matemática e a física se desenvolveram muito. Ele procurou fazer uma filosofia crítica não só da matemática e não só da física, mas uma análise crítica do homem. Se o empirismo e o racionalismo convergiram em Kant, esse por sua vez foi a base para o idealismo e o positivismo que a ele se seguiram. Por isso a frase: &#8220;Do empirismo e do racionalismo origina-se o criticismo&#8221;. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos discernir 3 períodos dentro de sua obra:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1)&nbsp;1755 &#8211; 1770 = elabora uma fundamentação da questão da razão, se posicionando contra o racionalismo e o empirismo extremado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2)&nbsp;1770&nbsp; &#8211; 1790&nbsp; =&nbsp; torna suas críticas mais fortes e procura se aprofundar no estudo da razão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3)&nbsp;&nbsp;1790&nbsp; &#8211;&nbsp; l798&nbsp;&nbsp; =&nbsp; completa seus estudos sobre a razão já associando a questão da moral e da liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O termo crítica visa estabelecer uma ciência e uma moral fundadas na razão. Kant faz uma crítica profunda à filosofia; porque esta se tornou dogmática (inquestionável), e ao se dogmatizar a filosofia dogmatizou o pensamento humano, só valorizou a razão, mantendo-a num estado de natureza. É preciso instaurar um estado jurídico da razão (estado de direito), com capacidade de decisão sem os argumentos de autoridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp; ciência em si é falha se não houver&nbsp; a razão, uma Razão Pura que possa ser crítica. O fundamental no pensamento de Kant é a idéia de crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Razão&nbsp;levando a questionamentos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1)&nbsp;Que&nbsp;posso saber?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Questão teórica</p>



<p class="wp-block-paragraph">2)&nbsp;Que&nbsp;devo&nbsp; fazer?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Questão prática</p>



<p class="wp-block-paragraph">3)&nbsp;Que&nbsp;me é permitido esperar?&nbsp;&nbsp; Questão teórico-prática (religiosidade)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Razão&nbsp;comprometida com a existência:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1)&nbsp;inteligência&nbsp;_____ posso saber</p>



<p class="wp-block-paragraph">2)&nbsp;vontade&nbsp;_________devo fazer</p>



<p class="wp-block-paragraph">3)&nbsp;sentido&nbsp;__________permitido&nbsp; esperar</p>



<p class="wp-block-paragraph">Númeno&nbsp;(coisa em si) &#8211; essência. Nós precisamos do fenômeno, que se dá através dos sentidos, para chegar ao númeno, mas esse é nosso limite &#8211; como Jung e oposto a Goethe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno que me conduz ao númeno é o &#8220;a priori&#8221; (impuro), esse é o momento que através dos sentidos eu desvelo a coisa em si (teórico). O &#8220;a posteriori&#8221;&nbsp; é a análise e conhecimento do fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O &#8220;a priori&#8221; puro, não necessita de nenhuma experiência, é livre de empirismos. São os dados cognoscitivos que temos armazenado em nosso intelecto (arquétipos em Jung). As elucubrações intelectivas não passam, necessariamente, pelas experiências, mas surgem por uma vontade interior de compreensão transcendental. Normalmente são gerados pela universalidade dos conceitos, ou seja, os conceitos universais são necessários para a compreensão, para facilitar o entendimento intelectivo,&nbsp;pura&nbsp;lógica:&nbsp;Beleza, Verdade, Bondade&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAZÃO PURA &nbsp;&#8211; &nbsp;conhecimentos superiores que fazem do homem um ser pleno, capaz de se elevar do mundo sensível para o mundo intelectivo, sem as amarras do empirismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os postulados da RAZÃO PRÁTICA são:&nbsp;DEUS, LIBERDADE&nbsp; E&nbsp; IMORTALIDADE (ou alma).&nbsp; Aqui podemos pensar numa referência aos pilares da psique: ética e metafísica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A existência de Deus deve ser vista como uma experiência racional. Você vai conhecer e racionalizar DEUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Kant a intuição é um aspecto da razão. Ela conduz o processo de entendimento.Intuição&nbsp;Kantiana&nbsp;é ver o fato e retirá-lo do contexto e passar a analisá-lo sem as influências do meio (para Jung a intuição é uma função diferente da função pensamento).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Metafísica&nbsp;é&nbsp;intuição, entendimento.&nbsp;Nós&nbsp;ascendemos&nbsp;ao nosso&nbsp;ser&nbsp;pela metafísica. Em Kant a metafísica se interioriza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kant questiona o primado da Razão, pois o ser humano não é só razão &#8211; é prático, é sentimento, é existência e é, sobretudo, liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O saber teórico e o saber prático não devem ser separados. Essa associação nos leva a noção de crença, a noção de DEUS &#8211; eu formo a idéia da UNIDADE e de DEUS &#8211;&nbsp; essa é a verdadeira prova da existência de Deus. (Podemos pensar no processo de vivência e autoconhecimento que é o processo de Individuação, e por fim no Self&nbsp; como essa idéia de unidade e de sagrado que temos em nossa psique).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é aceitar Deus, mas acreditar que Deus é uma realização ética. Existimos em função de alguém que nos criou &#8211; sou, portanto, uma parte de Deus (Ser Gerador), (Ainda aqui podemos inferir a idéia de Self como criador do ego, e mais ainda se pensarmos em Self como os orientais pensam Atman, aí teremos a própria divindade em nós, e só a descobrimos no caminho para dentro).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa percepção de si e do mundo, percebemos a Unidade Geradora que criou tudo &#8211; &nbsp;nós e a natureza: somos a própria manifestação de Deus (além do Self pessoal, podemos, no entanto, inferir a idéia de um Self Cósmico).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUÍZO&nbsp;ANALÍTICO: somente quer entender, analisar um conceito. Ou seja, uma simples análise. (O predicado é a simples explicitação do conteúdo do sujeito. Ex. O triângulo é uma figura de 3 lados).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUÍZO&nbsp;SINTÉTICO: é a síntese daquilo que eu estou conhecendo, é querer conhecer a fundo a questão. (É dar um ou vários predicados ao sujeito, implica num juízo próprio. Ex. Monografia: é preciso dizer algo acerca do sujeito que não esteja implícito a ele).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo&nbsp;nosso juízo, quando eu me deparo com o fato em si (a priori) é analítico (há um leve interesse de análise), todo processo que me levará ao a posteriori é o juízo sintético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IMPERATIVO:&nbsp; por essa palavra, no pensamento kantiano, podemos entender DEVER.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IMPERATIVO&nbsp;HIPOTÉTICO: quando eu percebo que uma ação é necessária para atingir um fim. Depois de uma análise você terá que tomar uma atitude. Hipotético porque você sabe que não há outro caminho, não há alternativa. Por exemplo: as prescrições de um médico. Aqui o que determina é a necessidade e a prudência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">IMPERATIVO&nbsp;CATEGÓRICO: uma ação é necessária desde que criticamente analisada todas as alternativas. Aqui o que determina é a moralidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em&nbsp;Kant MORAL e VONTADE são indissolúveis. O DEVER em Kant é a vontade imbuída de uma consciência crítica que leva a uma ação. O dever de fazer com pureza de intenção, com conhecimento de causa. Estamos acostumados a agir por dever e não agir com dever &nbsp;&#8211;&nbsp; esse último é a moralidade em Kant, ele é amadurecido pela experiência e pela reflexão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kant gira sempre em torno da questão da moral, ele quer uma moral que faça o homem perceber sua função no mundo e que se perceba enquanto indivíduo livre (O Mito do Significado na obra de Jung). Há de se saber porque aceitar ou rejeitar, sem submissão ou rebeldia. Por isso a filosofia de Kant é crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moral&nbsp;em Kant é falar em ÉTICA. Lei é moral e não ética. O indivíduo&nbsp; moral é o que se submete às leis e costumes, o indivíduo ético é o que cria seus padrões morais e o segue com dever.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na&nbsp;Fundamentação&nbsp;da Metafísica dos Costumes, Kant fala que a experiência de Deus nos leva a crer que Ele é uma realização ética. Traz também a noção do SER SUPRA- EMPÍRICO &#8211; sua existência é tão pura, tão crítica, tão racional, que ele ultrapassa um mero argumento de autoridade &#8211; transcende o mundo empírico e a si, ele está acima da mesquinhez humana. É preciso unir razão e sentimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Liberdade&nbsp;é uma propriedade da vontade, porém deve ser racional. Felicidade não é uma mera soma de contentamentos, segundo Kant, é um prazer gerado pela consciência, ou seja, não está presa ao sensível, mas ao SUPRA-SENSÍVEL. A felicidade é um estado universal, é um construir diariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa vontade kantiana faz lembrar os termos clássicos VIRTÚ e FORTUNA, assim como Maquiavel utilizou: é mais do que virtude já que sem ela as outras virtudes e talentos humanos não seriam postos em prática, é mais do que fortuna (enquanto simples riqueza), pois não basta encontrá-la, é necessário cultivá-la interiormente em todos os nossos dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ser ético em Kant: &#8220;Àquele que foi dado o privilegio do saber, foi conferido também o dever de agir&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As citações e referências kantianas são constantes nas obras de Jung, o que também é verdade é que, até hoje, o mundo Ocidental sofre uma forte influência de sua teoria do conhecimento, principalmente nos meios acadêmicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se, por um lado, a teoria kantiana auxilia para que compreendamos melhor as ciências e cheguemos a um grande desenvolvimento tecnológico e científico, por outro lado dificulta o rumo à espiritualização, uma vez que coloca a nossa experiência mais profunda e mais íntima como uma realidade psíquica e não objetiva, tão diferente do que vivenciam os orientais, dos quais hoje sofremos forte influência no campo metafísico. Vejamos nas palavras de Jung, em&nbsp;Psicologia&nbsp;e Religião Oriental&nbsp;(pág. 102/103): &#8220;Este conflito também é conhecido pelo ocidental: para este, trata-se da relação entre o homem e Deus. A Índia moderna assumiu em larga escala, e posso confirmá-lo por minha própria experiência, a terminologia européia o ´si-mesmo` ou âtman, e Deus são termos essencialmente sinônimos. Mas, com uma certa diferença em relação ao binômio ocidental ´homem e Deus`, o conceito de ´eu`, como se nos afigura, é marcadamente&nbsp;psicológico. Por isso estaríamos inclinados a pensar que o problema metafísico ´homem e Deus` foi deslocado para o plano psicológico. Mas se pensarmos bem, verificaremos que não é assim, pois a noção hindu de ´eu` e de ´si-mesmo` não é propriamente psicológica, mas &#8211; poderíamos dizer &#8211; tão metafísica quanto a de ´homem e Deus`. Falta ao hindu, tanto quanto à nossa linguagem religiosa, a perspectiva da teoria do conhecimento. O hindu é ainda ´pré-kantiano`. Esta complicação é desconhecida na Índia, como também entre nós, em amplos setores. Por isso não há na Índia uma psicologia, no sentido ocidental do termo. A Índia é pré-psicológica, isto é, quando fala no &#8220;si-mesmo&#8221;, ela o pensa como objetivamente existente. A psicologia&nbsp;não&nbsp;faz assim. Com isto não pretende negar, de modo algum, a exitência do conflito, mas ela reserva para si a pobreza ou a riqueza do seu desconhecimento acerca do si-mesmo. Não resta dúvida de que temos uma fenomenologia&nbsp;sui-generis&nbsp;e paradoxal do si-mesmo, mas percebemos muito bem que identificamos&nbsp; algo de desconhecido através de meios limitados, e o expressamos em estruturas psíquicas sem saber se elas são adequadas ou não à natureza daquilo que queremos conhecer&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em&nbsp;J. J. Clarke,&nbsp;Em&nbsp;Busca de Jung, percebemos a forte influência de Kant em Jung, mas também somos alertados para seu distanciamento (pág.50): &#8220;Um estudo dos pressupostos filosóficos subjacentes à obra de Jung leva-nos de volta ao grande filósofo do século XVIII Immanuel Kant. Desde seus primeiros dias, antes de ingressar na Faculdade de Medicina, Jung ficara profundamente impressionado com a filosofia de Kant, cuja influência lhe saturou o trabalho de toda a vida em tal extensão que, em 1941, pôde declarar que &#8220;epistemologicamente, apoio-me em Kant&#8221;, e ainda, (pág. 51): &#8220;O ponto de partida de Jung não diferiu inteiramente do de Hume e Kant, isto é, da crença de que a mente em si, e não o mundo além dela, é o objeto mais imediato de percepção, e que tudo o que alegamos conhecer é de certa maneira dela derivado. Por isso mesmo, ele argumentava caracteristicamente que ´em certo sentido, nada há que seja diretamente experimentado, exceto a própria mente. Tudo é mediado através da mente, traduzido, filtrado, alegorizado, torcido e mesmo falsificado por ela`. Isto não significa, porém, que temos acesso direto à mente em sua natureza mais profunda. Jung, tal como Kant, permaneceu invariavelmente agnóstico nesse ponto.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outros aspectos Jung foi além do mestre, uma vez que Kant era a &#8211; histórico (pág. 54): &#8220;Para Jung, e também para Hegel e outros sucessores de Kant durante o período romântico, o entendimento humano tinha que ser compreendido em termos históricos&#8221;. Para Kant o entendimento é como uma necessidade lógica, (pág. 54): &#8220;Para Jung, por outro lado, a estrutura da consciência era um precipitado da evolução humana, um fato contingente da psique do homem, modelado pelo tempo e relacionado com suas condições históricas. Em outras palavras, os arquétipos são fatos contingentes da história e experiência humanas que, por mais profundamente enterrados estejam na psique, por mais antigos e enraizados na história, poderiam concebivelmente ter sido diferentes, caso a história humana, biológica e cultural, tivesse sido diferente. De fato, em seus últimos anos, Jung sentiu-se em condições de atacar Kant no próprio núcleo de sua teoria, ao argumentar que os conceitos de espaço, tempo e causação implantados na física newtoniana não eram, como acreditava Kant, princípios universais&nbsp;a priori, mas produtos da consciência humana, que muda e evolui com a história&#8221;. (Daí nossa dificuldade, como frutos de uma academia kantiana, em entendermos a sincronicidade, uma vez que esta rompe com tempo/espaço/causação)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kant acreditava, como vimos, que o entendimento aliado a experiência levam a certeza de Deus, para Jung esse fato não se dá (pág. 56/57) : &#8220;Mesmo que a pesquisa psicológica provasse que a idéia de Deus está gravada na psique humana como uma imagem arquetípica universal, &#8220;nada de positivo ou de negativo é por isso afirmado sobre a possibilidade da existência de Deus&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clarke alerta para o fato de que apesar da forte influência de Kant em Jung, ele não pode ser considerado um kantiano, mas sim um&nbsp;neokantiano, alguém que ampliou a teoria do mestre e deu saltos significativos em relação a mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que é certo é a grande erudição de Jung, alguém que soube ler na história, no interior do homem, no pensamento dos grandes homens, nas crenças e religiões, nas ciências e no ocultismo a amalgama de que é feito o nosso ser&nbsp; e, o mais importante, foi o fato de se deixar aberto para o novo, buscando na nova física&nbsp; os dados que viriam esclarecer os buracos na compreensão da totalidade humana e cósmica.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autora: Ercilia Simone Dalvio Magaldi</strong></p>
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