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	<title>Arquivos futebol - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos futebol - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>O herói de mil gols: os sacrifícios (e a húbris) de Edson para eternizar Pelé</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-heroi-de-mil-gols-os-sacrificios-e-a-hubris-de-edson-para-eternizar-pele/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Wagner Borges]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 12:01:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Duas personalidades, uma só manifestação. É possível dizer que Pelé só se tornou um mito por ter, em Edson, o herói que precisava? Jung escreve: “Na análise final, só contamos para alguma coisa por causa do essencial que encarnamos e, se não encarnamos isso, a vida é desperdiçada”. Quem há de dizer que Edson não encarnou o seu essencial? Muitos gênios sucumbiram psiquicamente à própria genialidade e a maioria dos homens se esconde dela, com medo da loucura. Com todos os defeitos, Edson foi diferente.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><em><strong>Genius </strong>era o termo usado pelos romanos para designar o chamado da natureza universal (o “espírito”) que anseia se manifestar por meio da vida de um indivíduo. Os gregos diziam daimon. Cada ser humano, segundo essas antigas civilizações, teria o seu próprio “gênio”. Nas palavras do escritor alemão <strong>Thomas Mann</strong>: “O gênio pode estar encerrado numa noz e, mesmo assim, abarcar a totalidade” (apud HILLMAN, 1997, p. 9). Não é sem referências históricas, mesmo que inconscientes, que se classifica Pelé de gênio: seus feitos com a bola no pé — incluindo mais de mil gols — foram capazes, aos olhos de muitos, de “abarcar a totalidade”.</em></p>



<p style="font-size:19px">Minha relação com Pelé me remete à ideia que faço de períodos pré-históricos, quando a memória dos heróis da tribo, guerreiros que asseguravam a sobrevivência, as conquistas e a reputação da coletividade, eram transmitidas à noite, em volta de fogueiras mágicas e de forma oral.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-eu-era-bem-pequeno-e-escutava-encantado-meu-pai-falar-sobre-os-feitos-de-pele" style="font-size:19px">Eu era bem pequeno e escutava, encantado, meu pai falar sobre os feitos de Pelé.</h2>



<p style="font-size:19px">Quando nasci, Pelé já estava aposentado dos gramados, e eu via Edson, geralmente “à paisana”, desvestido de seu gênio, em comerciais ou programas de TV. Mas, como já vivíamos tempos modernos, meu pai alugou uma fita cassete chamada “Isto é Pelé”, um documentário de 1974, para que eu visse, com meus próprios olhos, as histórias que ele me contava. O futebol de Pelé era mesmo mais que espetacular. Aos meus olhos, era, de fato, numinoso.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-escreveu-na-analise-final-so-contamos-para-alguma-coisa-por-causa-do-essencial-que-encarnamos-e-se-nao-encarnamos-isso-a-vida-e-desperdicada-apud-hillman-1997-p-10" style="font-size:19px">Jung escreveu: “Na análise final, só contamos para alguma coisa por causa do essencial que encarnamos e, se não encarnamos isso, a vida é desperdiçada” (apud HILLMAN, 1997, p. 10). </h2>



<p style="font-size:19px">Edson Arantes do Nascimento encarnou o seu gênio, o seu essencial, e foi também capaz de, na medida do possível, proteger-se do peso arquetípico que seu <em>daimon</em> trazia: sempre que podia, reforçava que Edson, embora responsável pelo “nascimento” de Pelé, era um ser distinto do mito que concebeu.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>James Hillman</strong>, em sua obra, “<strong>O Código do Ser</strong>”, traz histórias de inúmeras personalidades proeminentes em diversas áreas da atividade humana, como artes, política e esportes, para mostrar que, em grande medida, suas vidas pareciam, desde o ventre materno (quiçá até antes disso), designadas ao caminho que percorreram e às obras que realizaram. A maioria dos casos trata de pessoas que, aparentemente, não tiveram escolha, senão “encarnar o seu essencial”, tamanha a força com a qual ele se lhes impunha.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-todavia-tao-importante-quanto-realizar-o-mito-de-nossas-proprias-vidas-seria-proteger-ao-maximo-a-consciencia-da-volupia-dos-conteudos-inconscientes-que-alimentam-de-energia-esse-daimon-a-que-se-refere-hillman" style="font-size:19px">Para<strong> Jung</strong>, todavia, tão importante quanto realizar o mito de nossas próprias vidas seria proteger, ao máximo, a consciência da volúpia dos conteúdos inconscientes que alimentam de energia esse <em>daimon</em> a que se refere Hillman.</h2>



<p style="font-size:19px">Por isso, tão importante quanto não ignorar e não negar o <em>genius</em>, dando-lhe vazão, seria, na medida do possível, compreendê-lo, em seu aspecto consciente e inconsciente, o que pressupõe, também, reconhecer que ele não é nosso (nós é que somos dele) e que nem tudo nele nos é dado a conhecer. Por isso, para Jung, tão importante quanto viver o essencial, é viver o homem mundano, mais instintivo e menos celestial e o único capaz de manter os pés em terra firme (Cf. JUNG, 1999, §36-38).</p>



<p style="font-size:19px">Essa não é uma tarefa nada fácil, e Edson não cansava de dizer que só Deus poderia explicar o advento de Pelé e a vida que esse gênio proporcionaria ao menino pobre de Três Corações (MG). O crédito que Edson atribuía a Deus, para explicar Pelé, pode ser entendido, sob a ótica junguiana, como uma medida de higiene psíquica indispensável para que pudesse carregar esse mítico peso nos ombros (Cf. JUNG, 2013, §792-794). Em outras palavras, ao interpretar dessa maneira seu milagre pessoal, Edson assegurava o indispensável quinhão de reconhecimento à própria inconsciência. Não tê-lo feito poderia ser um fardo pesado demais para sua sanidade e as consequências psicológicas poderiam ser trágicas, como atestam a vida de inúmeros outros gênios da humanidade — independentemente da área — que se confundiram com “seus”&nbsp;<em>daemones</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-submissao-autoconquistada-de-edson" style="font-size:19px"><strong>A submissão autoconquistada de Edson</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Paulo Roberto Falcão, jogador brasileiro de futebol de renome internacional, certa vez, disse que o atleta morria em duas oportunidades: na aposentadoria e na morte de fato. O estudo da psicologia analítica nos obriga a concordar com Falcão e acrescentar, à sua reflexão, que não apenas os atletas, mas todos os seres humanos morrem mais de uma vez ao longo de suas vidas. Ao menos, assim deveria ser.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-se-nao-fossemos-capazes-de-diversas-mortes-e-renascimentos-em-vida-como-seria-possivel-suportar-as-mudancas-que-o-tempo-e-as-experiencias-nos-impoem" style="font-size:19px">Afinal, se não fôssemos capazes de diversas mortes e renascimentos em vida, como seria possível suportar as mudanças que o tempo e as experiências nos impõem?</h2>



<p style="font-size:19px">Por isso, é perfeitamente possível dizer que se morre simbolicamente, como no caso de uma aposentadoria, mais de uma vez ao longo da existência e que essas mortes são as grandes responsáveis pela continuidade renovada da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-joseph-campbell-atesta-essa-tese-apenas-o-nascimento-pode-conquistar-a-morte-nascimento-nao-da-coisa-antiga-mas-de-algo-novo-campbell-2007-p-26" style="font-size:19px"><strong>Joseph Campbell</strong> atesta essa tese: “<em>Apenas o nascimento pode conquistar a morte — nascimento não da coisa antiga, mas de algo novo</em>”  (CAMPBELL, 2007, p. 26).</h2>



<p style="font-size:19px">Não é sem sentido que Edson tem Nascimento no nome. Para que Pelé seguisse vivo, mesmo após a aposentadoria, como porta-voz do legado de seu <em>daimon</em>, Edson precisou se sacrificar (e renascer) inúmeras vezes. O texto de <strong>Campbell</strong> segue confirmando o que escrevemos: “<em>Dentro do espírito e do organismo social deve haver — se pretendemos obter uma longa sobrevivência — uma contínua ‘recorrência de nascimento’ [palingenesia] destinada a anular as recorrências ininterruptas da morte</em>”. </p>



<p style="font-size:19px">O autor de “<strong>O Herói de Mil Faces</strong>”, contudo, vai além: <em>“&#8230; o trabalho de Nêmesis [deusa grega do equilíbrio, que castiga os excessos] — caso não nos regeneremos — se realiza por intermédio das próprias vitórias que obtemos: a maldição irrompe da casca de nossa própria virtude</em>” (CAMPBELL, 2007, p. 26).  <strong>É o êxito que nos leva aos excessos e à queda</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-campbell-o-heroi-e-o-homem-da-submissao-autoconquistada" style="font-size:19px">Para Campbell, “o herói é o homem da submissão autoconquistada”.</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Submissão ao que? À morte</strong>. Só a submissão à morte nos permite nascer de novo, renovados em humildade, e é preciso ser um herói para confiar no renascimento e se entregar, humildemente, ao “fim”.</p>



<p style="font-size:19px">Edson teve uma longa vida, o que significa dizer que ele sobreviveu inúmeras vezes às vitórias e conquistas a que foi designado por seu gênio. Se sobreviveu, foi porque soube morrer para poder nascer de novo, ao menos algumas vezes. Contudo, apesar dos méritos psicológicos que inferimos até aqui, é possível supor, naturalmente, que Edson nem sempre foi capaz de tal submissão. Suas “falhas” são o que nos permitem diferenciá-lo mais claramente de seu mito e aproximá-lo do homem comum, sobretudo quando esse se perde de seu lado mundano e se envaidece do próprio&nbsp;<em>daimon</em>. Essas falhas também constituem a exceção que confirma a regra; são a sombra do herói, a húbris (insolência aos deuses) que o torna mortal — e todos, sem exceção, morreremos para esta vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-leito-de-morte-tambem-pode-ser-uma-sala-de-aula-ou-o-cenario-de-uma-jornada-heroica" style="font-size:19px">Mas o leito de morte também pode ser uma sala de aula ou o cenário de uma jornada heroica.</h2>



<p style="font-size:19px">O câncer de cólon de Edson, descoberto pouco mais de um ano antes de seu falecimento, mas com o qual convivia há mais tempo, seguramente, pode ter sido um adversário indispensável ao seu desenvolvimento pessoal.</p>



<p style="font-size:19px">Em termos junguianos, pode ter sido indispensável em seu processo de individuação — quem sabe? <a href="https://www.terra.com.br/esportes/futebol/netos-de-pele-filhos-de-sandra-regina-perdoam-rei-do-futebol-o-amor-vence-todas-as-coisas,68bb5b63ff39a398a4752684f9c7d22bxk3frrzy.html">Ao chamar, a seu leito de morte, seus netos Octávio e Gabriel, filhos de Sandra, a quem rejeitou publicamente, e lhes pedir perdão</a>, Edson possivelmente completou sua última e heroica jornada nesta vida, conquistando a derradeira submissão e, por que não, coroando a eternidade de seu gênio, de seu mito: Pelé. </p>



<p style="font-size:19px">A quem essa reflexão sobre o significado para a vida de Edson Arantes do Nascimento possa ter soado exagerada ou generosa demais, deixo as palavras de Jung, registradas ainda nas primeiras linhas de sua autobiografia: “<strong>O que se é, mediante uma intuição interior, e o que o homem parece ser <em>sub specie aeternitatis</em> só pode ser expresso através de um mito</strong>” (JUNG, 2021, p. 25).</p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/wagnerhilario/">Wagner Borges – Membro Analista em Formação</a></strong> </p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi — Membro Didata</a></strong></p>



<p></p>



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<p><strong>Bibliografia</strong></p>



<p>CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 2007</p>



<p>HILLMAN, James. O Código do Ser — uma busca do caráter da vocação pessoal. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.</p>



<p>JUNG, C. G. A natureza da psique. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>_________. Memórias, Sonhos e Reflexões. 35ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.</p>



<p>_________. Psicologia do Inconsciente. 12ª ed. Petrópolis: Vozes, 1999.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-heroi-de-mil-gols-os-sacrificios-e-a-hubris-de-edson-para-eternizar-pele/">O herói de mil gols: os sacrifícios (e a húbris) de Edson para eternizar Pelé</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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