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	<title>Arquivos insconsciente - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Jan 2026 14:04:34 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos insconsciente - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Um diálogo necessário entre a Psicologia Analítica e relatórios de saúde mental da criança e do adolescente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-dialogo-necessario-entre-a-psicologia-analitica-e-relatorios-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Danielle Chaves Gomes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 17:49:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[blog ijep]]></category>
		<category><![CDATA[crianças e adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Chaves]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-dialogo-necessario-entre-a-psicologia-analitica-e-relatorios-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente/">Um diálogo necessário entre a Psicologia Analítica e relatórios de saúde mental da criança e do adolescente</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tenho-grande-interesse-em-aproximar-a-psicologia-analitica-de-outras-areas-do-conhecimento-e-das-questoes-que-marcam-a-contemporaneidade" style="font-size:19px">Tenho grande interesse em aproximar a Psicologia Analítica de outras áreas do conhecimento e das questões que marcam a contemporaneidade.</h2>



<p style="font-size:19px">Acredito que nós, terapeutas junguianos, podemos construir pontes entre a Psicologia Analítica e os fenômenos atuais, ampliando reflexões sobre os desafios do nosso tempo. Esse tangenciamento — seja em artigos como esse, congressos, aulas, diálogos ou sessões de análise — enriquece terapeutas, analisandos, profissionais de outras áreas e o coletivo. Por isso, considero essencial que a Psicologia Analítica dialogue com campos como políticas públicas, epidemiologia, cultura, educação e saúde, pois esses espaços evidenciam, de forma concreta, como a vida psíquica se expressa na sociedade em determinado tempo e espaço.</p>



<p style="font-size:19px">Entre os muitos temas possíveis, escolho aqui a infância e a adolescência. Seguindo a intenção exposta anteriormente, os dados oficiais de saúde mental aparecem como uma fonte valiosa de reflexão, já que há a possibilidade de analisá-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-de-avancar-e-importante-fazer-algumas-ressalvas" style="font-size:19px">Antes de avançar, é importante fazer algumas ressalvas.</h2>



<p style="font-size:19px">Definir saúde mental não é simples, devido às diversas discussões sobre o tema. Assim, utilizo a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) pela frequência com que aparece na literatura e por ser uma das principais referências deste trabalho. Além disso, embora o foco aqui seja a vida psíquica de crianças e adolescentes, é essencial lembrar que todos somos frutos de um contexto biopsicossocial e espiritual, que deve sempre ser considerado na análise.</p>



<p style="font-size:19px">Para a OMS, a saúde mental está inserida em um contexto biopsicossocial e, portanto, sofre a influência de múltiplos fatores que estão interligados entre si, exercendo cada qual a sua participação no bem-estar mental. Quando há saúde mental, o indivíduo é capaz de lidar com situações estressantes da vida, de aprender, desenvolver suas habilidades, trabalhar, se relacionar e contribuir com sua comunidade. Especificamente em relação às crianças, ela se reflete em distintos aspectos do desenvolvimento, como um senso positivo de identidade, capacidade de organizar pensamentos e emoções, construção de relacionamentos sociais e capacidade de aprendizado &#8211; o que irá impactar, no futuro, na sua participação na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-oms-lembra-que-a-saude-mental-nao-esta-inserida-em-um-sistema-binario-no-qual-ou-se-tem-saude-mental-ou-nao" style="font-size:19px">A OMS lembra que a saúde mental não está inserida em um sistema binário, no qual ou se tem saúde mental ou não.</h2>



<p style="font-size:19px">Pelo contrário, uma pessoa com algum diagnóstico de transtorno mental pode experienciar períodos de maior bem-estar mental, assim como uma pessoa sem qualquer transtorno pode passar por momentos de baixo nível de bem-estar. Sendo assim, no decorrer da vida, o bem-estar mental oscila na dependência de fatores individuais, familiares e estruturais que, combinados, são determinantes da saúde mental porque podem atuar de forma protetiva ou não (WHO, 2021; WHO, 2022).</p>



<p style="font-size:19px">Em 2022, ano em que a ONU estimou a população mundial em 8 bilhões, a OMS divulgou sua maior revisão sobre saúde mental desde a virada do século, e apontou que cerca de 970 milhões de pessoas viviam com pelo menos um transtorno mental em 2019,&nbsp; aproximadamente 13% da população mundial (WHO, 2022; UNITED NATIONS, 2022).</p>



<p style="font-size:19px">Em relatório mais recente, constatou-se que a prevalência aumentou para 14% em 2021, avançando mais rápido que o crescimento populacional entre 2011 e 2021. Entre as crianças de 5 a 9 anos, 7% viviam com algum transtorno mental; entre adolescentes de 10 a 19 anos, esse número subia para 14%.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alem-disso-um-terco-dos-transtornos-que-aparecem-na-vida-adulta-se-inicia-ate-os-14-anos-metade-ate-os-18-e-quase-dois-tercos-ate-os-25-anos-who-2025" style="font-size:19px">Além disso, um terço dos transtornos que aparecem na vida adulta se inicia até os 14 anos; metade até os 18; e quase dois terços até os 25 anos (WHO, 2025).</h2>



<p style="font-size:19px">A esses dados soma-se o relatório do UNICEF (2021), que reforça o papel decisivo dos determinantes de saúde mental na infância e adolescência. O documento destaca o papel crucial dos determinantes de saúde mental nessa fase do desenvolvimento e mostra como experiências adversas — como abuso, negligência e violência — influenciam de forma significativa o bem-estar psíquico infantil.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>Para facilitar a compreensão, o UNICEF organiza esses determinantes em três esferas</strong>: o mundo da criança (ambiente doméstico e cuidados), o mundo ao redor (escola, comunidade, vínculos) e o mundo mais amplo (determinantes sociais).</p>



<p style="font-size:19px">Em relação ao primeiro fator, foco deste artigo, ressalta que o papel dos pais no processo de promoção e apoio ao desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual de uma criança é de suma importância para a construção de uma base sólida da saúde mental da criança e do adolescente. Porém, muitos pais precisam de apoio nesta construção em relação à própria saúde mental, com orientações, informações e apoio psicossocial. (UNICEF, 2021).</p>



<p style="font-size:19px">Dentre tantos dados, estudos, considerações e apontamentos, uma informação é comum e de extrema importância: o período da vida compreendido desde a gestação até a puberdade é a etapa da vida na qual o ser humano está mais suscetível à influência dos fatores determinantes de saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-por-sua-vez-destaca-que-nesta-fase-se-encontram-as-bases-da-vida-psiquica-como-sera-explicitado-adiante" style="font-size:19px">Jung, por sua vez, destaca que nesta fase se encontram as bases da vida psíquica, como será explicitado adiante.</h2>



<p style="font-size:19px">Considerando que a criança permanece por muitos anos sob a influência dos pais e do ambiente familiar, é de extrema importância ir além dos critérios diagnósticos e, com base na Psicologia Junguiana, compreender como a dinâmica familiar impacta o desenvolvimento psíquico, ajudando a interpretar o que os dados oficiais revelam.&nbsp; Isto não significa que se negue os diagnósticos apresentados.</p>



<p style="font-size:19px">Sobre isso, a psicopatologia, na perspectiva da Psicologia Analítica, tem uma visão importante sobre a forma como se dá a dinâmica da relação consciência e inconsciente, na compreensão da psicogênese do que é dito “doente”, conforme pontua <strong>Salvador</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O texto Junguiano leva a refletir que algo apareceria como psicopatológico (doente) quando, numa dissociação na psique, se instalasse uma cisão e embate onde o padrão dominante na consciência vivesse como ameaça e lutasse contra os aspectos configurados em complexo de outra forma. (&#8230;) E, quanto mais unilateral e rígida, maior a intensidade do que diverge do dominante.</p><cite>(2022, p. 441)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Desta forma, o Professor <strong>Ajax Salvador</strong> nos traz que aquilo que aparece como ‘doente’, trata-se, na realidade, da dinâmica de um eu rígido, inflexível e unilateral, que não se relaciona com os conteúdos do inconsciente.</p>



<p style="font-size:19px">É essa dinâmica de “luta” contra os conteúdos inconscientes que está como pano de fundo do sofrimento da alma, podendo chegar até mesmo a uma dissociação psíquica, levando a um quadro de psicose. Porém, quando falamos da infância e da adolescência, um olhar para além desta dinâmica deve ser lançado, pois se trata de uma etapa da vida em que a psique ainda está em formação e desenvolvimento e a criança ainda está imersa na vida psíquica dos pais e cuidadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-sentido-carl-gustav-jung-destaca-que-ha-um-fator-preponderante-em-relacao-aos-outros-que-influencia-a-formacao-e-o-desenvolvimento-da-psique-infantil" style="font-size:19px">Neste sentido, Carl Gustav Jung destaca que há um fator preponderante em relação aos outros que influencia a formação e o desenvolvimento da psique infantil:</h2>



<p style="font-size:19px">Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram (pois se trata de fenômeno psicológico atávico do pecado original). Tal afirmação poderia parecer algo de sumário e artificial sem esta restrição: essa parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido se não a tivesse ocultado mediante subterfúgios mais ou menos gastos. Trata-se, pois, de uma parte da vida que — numa expressão inequívoca — foi abafada talvez com uma mentira piedosa. É isto que abriga os germes mais virulentos. (JUNG, 2013a, p. 52).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-ainda-que-os-pais-sao-fontes-primarias-das-neuroses-dos-filhos-e-que-via-de-regra-as-reacoes-mais-fortes-sobre-as-criancas-nao-provem-do-estado-consciente-dos-pais-mas-de-seu-fundo-inconsciente-jung-2013a-p-51-p-84" style="font-size:19px">Jung ressalta ainda que os pais são fontes primárias das neuroses dos filhos e que “<em>(&#8230;) via de regra, as reações mais fortes sobre as crianças não provêm do estado consciente dos pais, mas de seu fundo inconsciente</em>.” (JUNG, 2013a, p. 51, p. 84).</h2>



<p style="font-size:19px">Sendo assim, é importante compreender que não são somente as atitudes conscientes de pais e cuidadores que afetam a vida psíquica da criança. A forma que se relacionam com o inconsciente também afeta, ou seja, aquilo que não é falado, que é negado, reprimido e não confrontado também afeta. Isso ocorre porque o eu da criança está em formação e, portanto, principalmente a criança pequena, vive em um estado de inconsciência sobre si própria, que origina uma indiferenciação em relação ao objeto, de tal maneira que experimenta a mãe e o mundo como sendo si própria. (JUNG, 2013a, p. 50).</p>



<p style="font-size:19px">A consequência é que, devido ao estado de identidade que se estabelece, a criança não sabe diferenciar o que é conteúdo dela e o que é conteúdo de seus pais, e a consequência é que ela vai se tornando depositária das questões deles, tomando como parte de si tudo o que ocorre na vida psíquica de seus pais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-isso-jung-nos-diz-nesse-trecho-que-e-longo-mas-fundamental-para-o-entendimento" style="font-size:19px"><strong>Sobre isso, Jung nos diz nesse trecho que é longo, mas fundamental para o entendimento:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Não é a vida honesta e piedosa, não é a inculcação de verdades pedagógicas que exercem influência moldadora sobre o caráter da pessoa em formação; o que tem maior influência é a atitude emocional, pessoal e inconsciente, dos pais e educadores. A desarmonia latente entre os pais, uma preocupação secreta, desejos secretos e reprimidos, tudo isso produz na criança um estado emocional, com sinais perfeitamente reconhecíveis, que devagar, mas segura e inconscientemente vai penetrando na psique dela, levando às mesmas atitudes e, portanto, às mesmas reações aos estímulos do meio ambiente. (&#8230;). Se nós, adultos, mostramo-nos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>JUNG, 2012, p. 524</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Zweig e Abrams (1994, p.69) ampliam essa ideia ao dizer que&nbsp; “Cada um de nós tem uma herança psicológica que não é menos real que nossa herança biológica. Essa herança inclui um legado de sombra que nos é transmitido e que absorvemos no caldo psíquico do nosso ambiente familiar.” Portanto, estamos falando de uma herança psíquica transgeracional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outro-ponto-essencial-da-relacao-parental-e-a-projecao" style="font-size:19px"><strong>Outro ponto essencial da relação parental é a projeção.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Jacoby (2010, p.28) mostra como a imagem arquetípica da criança é frequentemente projetada sobre o filho quando os pais não buscam sua própria realização. Nestes casos, o desejo de autorrealização é projetado nas crianças e pode trazer consequências significativas em suas vidas porque “ela rouba, até mesmo violenta, o crescente esforço por autonomia da criança em amadurecimento.” (JACOBY, 2010, p.27).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-campo-da-relacao-primal-autores-como-neumann-e-edinger-destacam-que-sera-fundamental-para-o-desenvolvimento-psiquico" style="font-size:19px">No campo da relação primal, autores como Neumann e Edinger destacam que será fundamental para o desenvolvimento psíquico.</h2>



<p style="font-size:19px">É a vivência de segurança adquirida na relação primal que capacita o eu a integrar as possíveis crises que possam transcorrer no percurso do desenvolvimento. Também é esta experiência que capacita a criança a suportar as inibições impostas por um código de conduta ou por valores culturais (NEUMANN, 1995, p. 51). Edinger (2020, p. 29, p.60) pontua que&nbsp; a vivência de segurança e acolhimento nos primeiros anos é decisiva para a formação do eixo eu–Si-mesmo.</p>



<p style="font-size:19px">Quando essa relação é fragilizada — seja por ausência de afeto, violência, rejeição, abandono ou mesmo conflitos familiares intensos — surgem danos psíquicos que podem ressoar por toda a vida, como sentimentos de vazio, desespero, falta de sentido e, em casos extremos, psicoses e risco de suicídio. Aqui, vale lembrar os dados de suicídio na infância e na adolescência apresentados nos relatórios e a reflexão acerca do quanto tais análises podem estar representando a dor da falta do amor, da aceitação e de um ambiente amoroso. Por outro lado, um ambiente excessivamente permissivo também pode gerar inflação do eu, dificultando o contato com limites e frustrações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-desafio-da-educacao-esta-em-estabelecer-o-equilibrio-entre-os-dois-caminhos" style="font-size:19px">O desafio da educação está em estabelecer o equilíbrio entre os dois caminhos.</h2>



<p style="font-size:19px">É possível perceber, após toda a discussão do tema, que a conclusão dos relatórios de que a maioria dos transtornos mentais se iniciam no início do desenvolvimento é perfeitamente plausível de acordo com a visão junguiana, ao considerar que a psique do adulto é uma consequência da psique que iniciou sua formação na infância. Inclusive, como coloca Jung, tal influência pode conduzir toda a vida da pessoa: “Vemos em cada neurótico como a constelação do meio ambiente infantil influencia não só o caráter da neurose, mas também o destino de vida, até mesmo em pequenos detalhes.” (JUNG, 2012, p. 526).</p>



<p style="font-size:19px">Em resumo, pais e cuidadores exercem grande influência sobre o desenvolvimento psíquico infantojuvenil por diversas vias: herança psicológica transgeracional; formação da sombra; projeções parentais; e prejuízo da formação e desenvolvimento do eixo eu-Si-mesmo &#8211; onde está a influência da relação primal, do tipo de educação e do ambiente. Por isso, quando falamos de saúde mental da criança e do adolescente, não podemos separar essa discussão da saúde mental dos pais e cuidadores e de seu compromisso com o autoconhecimento. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-que-esse-efeito-seja-minimizado-jung-pontua-que" style="font-size:19px">Para que esse efeito seja minimizado, Jung pontua que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A única coisa que pode preservar a criança desses danos desnaturais é a atitude sincera dos pais diante dos problemas da vida.” (JUNG, 2013a, p. 89). Também nos lembra que: “Para o bem de seus filhos, os pais deveriam considerar seu dever jamais esquecer suas próprias dificuldades íntimas. O que não devem fazer é reprimi-las levianamente e talvez fugir de confrontos dolorosos. </p><cite>JUNG, 2013a, p. 140</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">É possível concluir o quanto esta fase da vida é importante e determinante para o bem-estar mental de toda uma vida, não somente na infância. Além disso, fica claro que não é possível separar saúde mental da criança e do adolescente da saúde mental parental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-a-compreensao-junguiana-mostra-que-quando-se-fala-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente-e-de-suma-importancia" style="font-size:19px"><strong>Em resumo, a compreensão junguiana mostra que quando se fala de saúde mental da criança e do adolescente, é de suma importância:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:19px">a valorização do autoconhecimento dos pais;</li>



<li style="font-size:19px">que se incluam intervenções que ajudem pais e cuidadores a reconhecerem suas projeções;</li>



<li style="font-size:19px">que políticas públicas considerem pais e cuidadores, e não apenas as crianças;</li>



<li style="font-size:19px">a compreensão dos sintomas infantis como expressões também de complexos familiares;</li>



<li style="font-size:19px">que considerem a criança como sujeito, mas também como parte de um campo psíquico maior.</li>
</ul>



<p style="font-size:19px">Por fim, ressalto o quanto Jung foi pioneiro: muito antes de haver dados epidemiológicos mundiais, ele já apontava que as bases da vida psíquica se estruturam nos primeiros anos de vida, aquilo que hoje é sustentado por pesquisas globais.</p>



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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/">Danielle Chaves Gomes de Oliveira – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Maria da Glória Miranda &#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></h2>



<p>EDINGER, E.F. Ego e arquétipo: uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos</p>



<p>fundamentais de Jung. 2.ed. São Paulo, Cultrix, 2020.</p>



<p>HILLMAN, J. Estudos de psicologia arquetípica. 1.ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1978.</p>



<p>JACOB, M. Psicoterapia Junguiana e a pesquisa contemporânea com crianças. 1.ed. São</p>



<p>Paulo, Paulus, 2010.</p>



<p>JUNG, C.G. Estudos Experimentais, 3. ed., Petrópolis, Vozes, 2012.</p>



<p>JUNG, C.G O desenvolvimento da personalidade. 14. ed. Petrópolis, Vozes, 2013a.</p>



<p>NEUMANN, E. A criança. 10. ed. São Paulo, Cultrix, 1995</p>



<p>SALVADOR, A.P. Psicopatologia na perspectiva junguiana: uma psicopatologia “re-imaginada”.In: MAGALDI, W. (Org.). Fundamentos da psicologia analítica. 1.ed. São Paulo, Eleva Cultural, 2022.</p>



<p>UNICEF. United Nations Children’s Fund, The State of the World’s Children 2021: On My</p>



<p>Mind – Promoting, protecting and caring for children’s mental health, UNICEF, New York:</p>



<p>2021.</p>



<p>UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs, Population Division. World Population Prospects 2022: Summary of Results. New York: United Nations; 2022.</p>



<p>WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Comprehensive mental health action plan</p>



<p>2013–2030. Geneva: World Health Organization; 2021.</p>



<p>WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World mental health report: transforming</p>



<p>mental health for all. Geneva: World Health Organization; 2022.</p>



<p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. World mental health today: latest data. Genebra:2025.</p>



<p>ZWEIG, C.; ABRAMS, J. Ao encontro da sombra. 1. ed. São Paulo, Cultrix, 1994.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A crise da meia-idade como chamado da alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crise-da-meia-idade-como-chamado-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caroline Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2025 13:35:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[crise da meia idade]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10234</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: A crise da meia-idade, embora frequentemente associada a um período negativo, pode ser reinterpretada como um chamado profundo da alma, um convite à introspecção e à transformação. Este artigo examina esse momento delicado da segunda metade da vida, sob a perspectiva da psicologia junguiana, ampliando o nosso olhar para a necessidade de reintegrar aspectos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Resumo: </strong>A crise da meia-idade, embora frequentemente associada a um período negativo, pode ser reinterpretada como um chamado profundo da alma, um convite à introspecção e à transformação. Este artigo examina esse momento delicado da segunda metade da vida, sob a perspectiva da psicologia junguiana, ampliando o nosso olhar para a necessidade de reintegrar aspectos não vividos da vida &#8211; que são essenciais para o desenvolvimento da personalidade e para a sensação de significado existencial mais profundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-desenvolvimento-da-humanidade-e-marcada-por-ciclos-de-crise-revolucao-e-transformacao-tanto-em-nivel-coletivo-quanto-individual" style="font-size:20px">A história de desenvolvimento da humanidade é marcada por ciclos de crise, revolução e transformação, tanto em nível coletivo, quanto individual.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A contemporaneidade, em particular, se caracteriza por uma intensificação dessas crises, manifestando-se em instabilidade política, econômica e social, e reverberando profundamente na experiência individual.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Momentos de <strong>crise</strong>, embora frequentemente associados a eventos puramente negativos, são, em sua essência, períodos que impulsionam mudança e transformação.&nbsp; </p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>A própria etimologia da palavra &#8220;crise&#8221; remete a movimento, a um processo dinâmico que impulsiona a reflexão e a busca por novas possibilidades.</strong></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A profundidade das dúvidas e incertezas, inerentes aos momentos de <strong>crise</strong>, nos força a questionar padrões de comportamentos e paradigmas arraigados. Abrindo caminho para a (de)cisão – a ruptura com o conhecido e o surgimento de novas perspectivas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-da-psicologia-analitica-longe-de-representar-um-desastre-a-crise-se-configura-como-uma-oportunidade-de-confrontar-a-psique-a-fim-de-reconhecer-e-integrar-aspectos-sombrios-da-personalidade" style="font-size:20px">Na visão da psicologia analítica, longe de representar um desastre, a crise se configura como uma oportunidade de confrontar a psique, a fim de reconhecer e integrar aspectos sombrios da personalidade.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Em momentos de crise, somos levados a refletir sobre nossas polaridades. Essa atitude de confrontação gera uma tensão psíquica que se manifesta como sofrimento, angústia e ansiedade. &nbsp;Embora desagradáveis, essas emoções podem ser impulsionadoras de mudança, levando à criatividade e à busca de novas soluções. No entanto, se reprimidas, podem resultar no desenvolvimento de patologias.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A necessidade de olhar para o mundo interno pode surgir de maneira natural, quando passamos por momentos difíceis e precisamos superar perdas, desafios e problemas diversos – ou através do estímulo para ampliação da consciência que ocorre durante o processo de análise.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-embora-possivel-em-qualquer-fase-da-vida-a-meia-idade-se-apresenta-como-um-periodo-particularmente-propicio-a-essa-busca-interna" style="font-size:20px">Embora possível em qualquer fase da vida, <strong>a meia-idade</strong> se apresenta como um período particularmente propício a essa busca interna.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A inversão natural da energia psíquica, do mundo externo para o interno, combinada com a crescente consciência da finitude, impulsiona o anseio de reconciliação com as partes não vividas da personalidade. Levando à necessidade de <strong>integrar aspectos inconscientes</strong>, com o propósito de reunir nossos pedaços faltantes e nos tornamos inteiros.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A dor da <strong>crise de meia-idade</strong> frequentemente resulta da dissonância entre o &#8220;eu&#8221; autêntico e a personalidade construída ao longo da vida.&nbsp;As escolhas inevitáveis que fazemos implicam na renúncia de outras possibilidades, gerando um conflito interno, especialmente quando essas renúncias, que não foram vivenciadas, representam aspectos essenciais da nossa identidade.&nbsp;</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Assim, podemos observar que sempre teremos que lidar com nossas possibilidades não vividas. No entanto, a problemática surge quando essas partes não vividas são fundamentais para a nossa sensação de completude.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jonhson-e-ruhl-esclarecem-que" style="font-size:20px">Jonhson e Ruhl esclarecem que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>&nbsp;A vida não vivida inclui todos os aspectos essenciais do sujeito que não foram integrados à sua experiência. São talentos e capacidades que foram abandonados ao longo da primeira metade da vida e permaneceram inconscientes. Estes aspectos não vividos encontram lugar no subterrâneo da nossa psique e, à medida que vamos envelhecendo, podem tornar-se problemáticos se não forem resgatados.</p><cite>(JOHNSON; RUHL, 2010)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-periodos-de-crise-temos-a-sensacao-de-estar-desconectados-de-nossa-propria-vida-p-erdendo-a-capacidade-de-sentir-prazer-e-se-envolver-nas-relacoes-e-situacoes-do-dia-a-dia" style="font-size:20px"><strong>Nos períodos de crise temos a sensação de estar desconectados de nossa própria vida</strong>. P<strong>erdendo a capacidade de sentir prazer e se envolver nas relações e situações do dia</strong> <strong>a</strong> <strong>dia.</strong></h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Nestes momentos, somos atravessados por questionamentos como:</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Quem sou eu?</em></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>O que estou fazendo da minha própria vida?</em></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Será que está é a profissão que realmente deveria estar seguindo?</em></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Será que está relação faz sentido para mim?</em></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>A crise de meia-idade</strong>, portanto, se apresenta como uma oportunidade de confrontar a personalidade moldada pela aculturação, com o &#8220;si-mesmo&#8221; autêntico. Caracteriza-se, assim, por um período de conflito interno intenso que geralmente é acompanhado pela redução da energia disponível para a realização das atividades cotidianas. Essa experiência nos leva a questionar crenças e paradigmas que nortearam a nossa vida até então.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A resistência a essa confrontação, bem como a incapacidade de abandonar crenças ou relacionamentos que não fazem mais sentido, pode gerar sentimento de vazio existencial, angústia e falta de propósito, demonstrando que a vida está acontecendo desconectada das necessidades da alma. Já a conscientização e a integração dessas partes não vividas, por outro lado, abrem caminho para uma nova etapa de desenvolvimento pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-johnson-e-ruhl-salientam-que" style="font-size:20px">Johnson e Ruhl salientam que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>&nbsp;A tarefa mais importante da meia-idade é <strong>viver a vida não vivida</strong> em busca de ser mais realizado e trazer sentido à existência. Ao explorarmos a vida não vivida, ultrapassamos os limites de nossos medos, anseios e decepções, adquirimos nova vitalidade e energia e aprendemos a expandir nossa visão para além da consciência comum, assumindo nossa forma plena de ser.</p><cite>(JOHNSON; RUHL, 2010)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A vida nos oferece uma quantidade de energia suficiente para a nossa jornada, contudo, quando percebemos a redução progressiva dessa energia, é necessário nos questionar se as escolhas que estamos fazendo fazem sentido para a nossa alma.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Hollis</strong> salienta que “<em>somente observando a nossa perda de energia que podemos segui-la até o local da separação. A energia perdida é recuperável. Se escolhermos servir a alma a energia volta a nos servir.</em>”</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Percebemos que o descontentamento e a falta de energia comum nos momentos de crise, podem servir como um portal que nos conduz à ressignificação das experiências vividas e a mudanças necessárias para nos expressar no mundo conectados com a alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diante-do-exposto-podemos-nos-questionar-qual-a-melhor-maneira-para-lidar-com-momentos-de-crise" style="font-size:20px"><strong>Diante do exposto, podemos nos questionar: qual a melhor maneira para lidar com momentos de crise?</strong></h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Como já vimos, devemos lidar com a crise como uma oportunidade e não como um desastre</strong>. Buscando desenvolver um trabalho reflexivo para entender o propósito de estarmos passando por ela, qual o sentido desta situação em nossa vida e o que podemos aprender com essa experiência?</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">As possíveis respostas encontradas durante a reflexão, embora dolorosas, por revelar nossas contradições, podem ser profundamente libertadoras, permitindo o resgate e a integração de potencialidades reprimidas.&nbsp; Essa nova compreensão pode proporcionar um redirecionamento de vida mais consciente e a descoberta de novos caminhos, mais plenos de realização existencial.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">No entanto, para o Self ganhar espaço e energia na vida, e poder atuar como uma bússola interna que a direciona segundo os anseios da alma, torna-se necessário o “morrer” simbólico de velhas atitudes e pensamentos, considerados essenciais pelo ego.&nbsp; Vale salientar, que essa “morte” não é literal, mas uma transformação que permite um renascimento mais autêntico e alinhado com a verdadeira essência do ser.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-enfatiza-que-a-psique-e-um-sistema-dinamico-a-qual-possui-caracteristicas-autocorretivas-e-compensatorias-fato-que-a-permite-retornar-sempre-a-sua-trajetoria-ou-seja-torna-se-si-mesmo" style="font-size:20px">Jung enfatiza que a psique é um sistema dinâmico, a qual possui características autocorretivas e compensatórias. Fato que a permite retornar sempre a sua trajetória, ou seja, torna-se si-mesmo.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Corroborando com este ponto de vista, Jung traz a visão de <strong>metanóia</strong> como mudança radical vinda de um inconsciente que entra em conflito com a consciência sintônica e com o <em>status quo</em> adquirido com tanto esforço. Ela produz angústia, depressão, pensamento de morte, assim como perspectiva de liberdade, de novos planos e de um novo renovador que muda o rumo de uma vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-explica-que-a-palavra-metanoien-significa-justamente-mudar-de-mente-ou-mudar-a-maneira-de-pensar" style="font-size:20px">Jung explica que a palavra<em> metanoien</em> significa justamente “mudar de mente” ou “mudar a maneira de pensar.”</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">A<strong> metanóia</strong> remete ao corte que rompe o contínuo da história, estabelecendo uma nova ordem, podendo acontecer tanto em nível coletivo como individual. Fala sobre a necessidade de mudanças ao longo da vida e remete tanto a noção de morte, quanto de renascimento compatível com a demanda inconsciente.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Desta forma, percebemos que os aspectos da vida não vivida, repletos de potencial criativo, merecem atenção, pois representam uma rica fonte de motivação e propósito.&nbsp; As escolhas feitas ao longo da vida inevitavelmente levaram à repressão de outras facetas da personalidade, que agora podem emergir como novas oportunidades de desenvolvimento e direcionamento existencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-trazida-a-consciencia-a-vida-nao-vivida-pode-torna-se-o-combustivel-para-nos-levar-alem-de-nossas-limitacoes-atuais-e-em-direcao-a-uma-vida-mais-profunda" style="font-size:20px"><strong>Quando trazida a consciência, a vida não vivida pode torna-se o combustível para nos levar além de nossas limitações atuais e em direção a uma vida mais profunda.</strong></h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4">Em última análise, a <strong>crise de meia-idade</strong>, apesar de seu caráter desafiador, apresenta-se como um catalisador fundamental para a introspecção e a subsequente reconexão com alma.&nbsp; Este processo permite a ressignificação de padrões comportamentais e ao direcionamento da energia vital para a realização do propósito da alma.</p>



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<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/caroline/">Caroline Costa &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">JOHNSON, R. A.; RUHL, J. M. Viver a vida não vivida: A arte de lidar com sonhos não realizados e cumprir o seu propósito na segunda metade da vida. Petrópolis: Vozes, 2010.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">HOLLIS, James. A passagem do meio: da miséria ao significado na meia idade. São Paulo: Paulus, 1999.</p>



<p style="font-size:24px"><strong>Canais IJEP:</strong></p>



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