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	<title>Arquivos james hillman - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos james hillman - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>O QUE DIZ SEU DAIMON?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-que-diz-seu-daimon/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 13:37:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> Fazendo alusão ao Mito de Er, contado por Platão no livro A República, em que cada pessoa entra no mundo ao ser chamada e recebe um daimon particular que acompanhará essa alma, guiando-a e intuindo-a, pois quando aqui chegamos esquecemos do que combinamos, o que tem norteado a sua vida? Qual o seu propósito? O que o inspira e o motiva?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Até você tornar o inconsciente consciente, ele irá dirigir sua vida e você vai chamar isso de destino.</p><cite>C.G. JUNG </cite></blockquote></figure>



<h2 id="h-resumo-fazendo-alusao-ao-mito-de-er-contado-por-platao-no-livro-a-republica-em-que-cada-pessoa-entra-no-mundo-ao-ser-chamada-e-recebe-um-daimon-particular-que-acompanhara-essa-alma-guiando-a-e-intuindo-a-pois-quando-aqui-chegamos-esquecemos-do-que-combinamos-o-que-tem-norteado-a-sua-vida-qual-o-seu-proposito-o-que-o-inspira-e-o-motiva" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Resumo: Fazendo alusão ao Mito de Er, contado por Platão no livro <em>A República</em>, em que cada pessoa entra no mundo ao ser chamada e recebe um daimon particular que acompanhará essa alma, guiando-a e intuindo-a, pois quando aqui chegamos esquecemos do que combinamos, o que tem norteado a sua vida? Qual o seu propósito? O que o inspira e o motiva?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Você pode dizer que se esqueceu desse chamado, ou que ele se perdeu diante das demandas da vida, ou pode tentar evitá-lo com força hercúlea, mas a verdade é que ele sempre vai manifestar-se, o daimon não desaparece.  </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Daimon</strong> era o termo usado pelos antigos gregos quando se referiam à força espiritual ou entidade guardiã, um anjo da guarda, que guiava o indivíduo por toda sua vida, e <strong>Hillman </strong>(2025, p. 13) descreve o daimon como “um guia espiritual que nos conecta à nossa vocação mais profunda, ajudando-nos a perceber aquilo que é essencial para a realização do nosso potencial”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Hillman, a vida é uma jornada com foco na busca do sentido e do significado e o daimon é a nossa bússola nesse caminho, que nos orienta e nos faz lembrar da nossa verdadeira natureza e que, muitas vezes, nos tira da zona de conforto, para que atendamos ao chamado da nossa alma, fazendo com que nossa vida se torne mais autêntica, com mais propósito e nos transformemos em quem, realmente, fomos destinados a ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa visão corrobora com a teoria do fruto do carvalho, “segundo a qual cada pessoa tem uma singularidade que demanda ser vivida e que já existe mesmo antes de poder ser vivida” (HILLMAN, 2025, p. 28).</p>



<h2 id="h-hillman-diz-que-as-implicacoes-praticas-ocorrem-assim" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Hillman diz que as implicações práticas ocorrem assim:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">(a) Reconhecer o chamado como o fato primordial da existência humana; (b) alinhar a vida com esse chamado; (c) ter o bom senso de perceber que os acidentes, inclusive o coração partido e os choques naturais herdados pelo corpo, pertencem ao padrão da imagem, são necessários a ela e ajudam a consumá-la). (HILLMAN, 2025, p. 30)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui começa o desafio: “reconhecer o chamado”, que é algo individual, genuíno, que nos diferencia ou nos destaca das demais pessoas, e isso, muitas vezes, é assustador, pois vivemos em uma sociedade que normatiza, que rotula, que classifica, exclui e banaliza quem está fora do padrão social tido como normal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas pessoas deixam de atender, ou alinhar sua vida a esse chamado por diversas razões: desde a influência castradora dos pais, a pobreza que aniquila as forças, a falta de fé, os diagnósticos médicos que rotulam essa característica como doença e até o simples comodismo na zona de conforto. (Cf. HILLMAN, 2025, p. 259)</p>



<h2 id="h-aceitar-o-chamado-implica-tambem-em-resignar-se-as-adversidades-e-assumir-as-consequencias-que-esse-direcionamento-do-daimon-nos-conduz" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Aceitar o chamado implica também em resignar-se às adversidades e assumir as consequências que esse direcionamento do daimon nos conduz.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O daimon começa a dar seus indícios na infância, é nessa época que ele indica o caminho, o que muitas vezes é classificado de pirraça ou teimosia é o próprio daimon em ação em resposta a esse chamado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Toda criança é dotada e já nasce com uma série de dados, de dons que lhes são peculiares e que se mostram de formas peculiares, muitas vezes inapropriadas e causando sofrimento.</p><cite>HILLMAN, 2025, p. 35</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Essa teoria explica a infinidade de casos de crianças, que na mais tenra idade apresentam determinadas habilidades inatas ou características de personalidade extremamente desenvolvidas, o que nos leva a certeza de que as pessoas não chegam aqui nesse mundo como “tábulas rasas”, elas trazem&nbsp; consigo, “dentro de uma bolota” (alma), o fruto do carvalho, que podemos nomear como o Mito do Significado, o propósito de suas vidas, e que têm como protetor dessa missão, o daimon, que irá lembrá-las desse compromisso &nbsp;e redirecioná-las,&nbsp; quando elas desviarem do percurso.</p>



<h2 id="h-hillman-relata-diversas-historias-de-celebridades-que-desde-a-infancia-apresentam-caracteristicas-que-independentemente-das-condicoes-culturais-sociais-economicas-e-afetivas-se-mostravam-predeterminadas-a-algo-muito-maior" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Hillman relata diversas histórias de celebridades que, desde a infância, apresentam características que, independentemente das condições culturais, sociais, econômicas e afetivas, se mostravam predeterminadas a algo muito maior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o caso de Josephine Baker. Nascida em 3 de junho de 1906, no Hospital St. Louis Social Evil, nos Estados Unidos, pelo nome do hospital, poder-se-ia dizer que nada de bom poderia vir de lá, mas Freda J. McDonald, registraria sua passagem por esse mundo como exemplo do fruto que cumpriu o desejo do Self.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui já encontramos uma força interior muito intensa, pois muitas pessoas se deixam sucumbir por um sistema de crenças depreciativo e limitante decorrente de sua origem ou situação financeira, acreditando estarem fadadas a um destino previsível e pré-determinado.</p>



<h2 id="h-josephine-teve-uma-infancia-de-extrema-pobreza-trabalhava-em-casa-de-familia-desde-crianca-para-sobreviver-a-comida-era-escassa-ao-contrario-das-pulgas-que-eram-muitas-e-compartilhadas-com-seu-cachorro-ja-que-ambos-dividiam-o-chao-para-dormir" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Josephine teve uma infância de extrema pobreza, trabalhava em casa de família desde criança para sobreviver. A comida era escassa, ao contrário das pulgas, que eram muitas e compartilhadas com seu cachorro, já que ambos dividiam o chão para dormir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ela vivia apanhando de uma de suas patroas, que a deixava constantemente nua, porque as roupas eram caras demais. (Cf. HILLMAN, 2025, 77). Talvez seja por esse motivo, que Josephine quando iniciou sua carreira artística, se sentia tão à vontade em se apresentar quase nua e despertar tanto fascínio na plateia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conta-se que quando criança, Josephine montava um palco no porão com caixotes e que batia nas crianças quando elas não prestavam atenção em sua apresentação. Aqui podemos perceber o daimon dando seus primeiros indícios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos 19 anos ela se torna conhecida pelo mundo no Teatro Champs-Élysées, em Paris, e deste momento em diante, o sucesso, a fortuna e a luxúria, passam a ser suas companheiras de jornada, mas como foi dito inicialmente, o daimon não desaparece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1939 estoura a Segunda Guerra Mundial e Josephine aos 32 anos, tem a rota de sua vida redirecionada pelo daimon novamente: ela quer servir à França, país que adotou e se torna espiã, arriscando sua vida levando informações escondidas nas partituras musicais, até Portugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Josephine por ser negra, muitas vezes foi expulsa de teatros e quase sofreu o risco de deportação e execução, mas isso não a intimidou e nem a fez desistir de seu ideal.</p>



<h2 id="h-podemos-perceber-que-josephine-realmente-estava-empenhada-em-seguir-sua-vocacao-sem-se-importar-com-as-consequencias-que-pudessem-advir-de-suas-acoes-ela-estava-sendo-guiada-pelo-seu-proposito" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Podemos perceber que Josephine realmente estava empenhada em seguir sua vocação, sem se importar com as consequências que pudessem advir de suas ações. Ela estava sendo guiada pelo seu propósito.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">A vocação (do latim vocatus) é o que somos chamados a fazer com a energia da nossa vida. Sentir que somos produtivos é uma parte fundamental da nossa individuação, e deixar de responder à nossa vocação pode causar dano à alma. Não escolhemos realmente uma vocação; na verdade é ela que nos escolhe. Nossa única escolha é o modo como respondemos. (HOLLIS, 1995, p. 101)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No Marrocos onde tinha bom relacionamento com a família dos Governantes, resgatou judeus da repressão e após a libertação de Paris, arrecadou centenas de quilos de alimentos para auxiliar os necessitados, devido a essas ações, foi condecorada com a Cruz de Guerra das Forças Armadas Francesas e a Medalha da Resistência, além de receber do presidente Charles de Gaulle, o grau de Cavaleiro da Legião de Honra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-o-daimon-tambem-direcionou-josephine-a-auxiliar-na-luta-contra-o-racismo-e-pela-emancipacao-dos-negros-nos-estados-unidos-onde-apoiou-o-movimento-dos-direitos-civis-de-martin-luther-king" style="font-size:16px">O daimon também direcionou Josephine a auxiliar na luta contra o racismo e pela emancipação dos negros nos Estados Unidos, onde apoiou o Movimento dos Direitos Civis de Martin Luther King.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu último feito foi empregar todo seu dinheiro para manter um imóvel abrigando onze crianças de diversos países e etnias, que ela adotou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1975, dias antes de morrer, falida, sem teto e envelhecida, Josephine fez seu último show em Paris, onde foi ovacionada pelo público. (Cf. HILLMAN, 2025, p. 79)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Josephine Baker cumpriu com o Mito do seu Significado e deixou registrado ao mundo seu propósito de servir ao daimon, buscando aliviar o sofrimento e permitir que outras pessoas tivessem possibilidade de viver e não apenas sobreviver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Josephine poderia continuar em sua vida de estrelado, com a fama, riqueza e a luxúria características, mas seu caráter a impulsionou a fazer algo mais relevante, que pudesse servir à coletividade e a uma finalidade maior e o daimon a conduziu nesse sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa visão do coletivo corrobora com uma característica do conceito de Processo de Individuação desenvolvido por Jung (2015), em que o indivíduo não é direcionado ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso. “A meta da individuação não é outra senão a de despojar o si mesmo dos invólucros falsos da persona, assim como do poder sugestivo das imagens primordiais” (JUNG, 2015, p. 64).</p>



<h2 id="h-algumas-pessoas-poderao-argumentar-que-nao-possuem-talento-ou-um-dom-especial-para-atender-ao-chamado-mas-em-relacao-a-essa-questao-hillman-nos-diz-que-nao-devemos-confundir-um-dom-especial-com-o-chamado" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Algumas pessoas poderão argumentar que não possuem talento ou um dom especial para atender ao chamado, mas em relação à essa questão, Hillman nos diz que não devemos confundir um dom especial com o chamado.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">O talento é apenas uma parte da imagem; muitos nascem com talento para música, matemática e mecânica, mas apenas quando esse talento contribui para a imagem como um todo e é levado à frente pelo caráter é que reconhecemos a excepcionalidade. Muitos são chamados, poucos são escolhidos, muitos tem talento, poucos têm o caráter que consegue realizar o talento. O caráter é o mistério individual. (HILLMAN, 2025, p. 256)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O caráter é essa força interna, que faz com que o indivíduo seja incapaz de realizar algo diferente daquilo que ele foi destinado a fazer (fruto do carvalho), e quando o indivíduo está alinhado a esse propósito, independentemente da atividade que exerça, ele executará de forma peculiar e integral, pois estará sendo guiado pelo seu daimon.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Hillman, “A teoria do carvalho defende que todos somos escolhidos. A própria questão da individualidade presume que há um fruto do carvalho único que caracteriza cada pessoa.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande problema é que a sociedade atual patologiza o chamado, medicalizando o sintoma, fazendo com que o indivíduo se mantenha anestesiado e preso ao <em>status quo</em>, afastando-se desta maneira do destino orientado pelo daimon.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme Hillman (2025, p. 54), a nossa cultura classifica o sintoma como algo “ruim”, mas, para onde ele vai quando é eliminado? Ele realmente desaparece? O que estava tentando expressar? “Há ‘algo mais’ no sintoma além de sua negatividade antissocial, disfuncional e obstaculizante.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais paradoxal que isso possa soar, os sintomas devem ser encarados como presentes, pois são convites para o indivíduo reajustar a rota da sua vida, como uma exigência do Si-Mesmo. “O indivíduo é intimado, psicologicamente, a morrer para o velho eu para que o novo possa nascer” (HOLLIS, 1995, p. 20).</p>



<h2 id="h-essa-e-uma-caracteristica-marcante-da-crise-da-meia-idade-onde-o-individuo-se-ve-impelido-a-encontrar-respostas-a-dilemas-existenciais-e-enfrentar-situacoes-muitas-vezes-evitadas" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Essa é uma característica marcante da “Crise da Meia Idade”, onde o indivíduo se vê impelido a encontrar respostas a dilemas existenciais e enfrentar situações muitas vezes evitadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As crenças que nos sustentaram na primeira fase da vida se tornam ineficazes. Ideais e ídolos antes venerados se transformam como “poeira ao vento”. Jung (2013, p. 784) diz que: “Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Iniciamos essa reflexão com o Mito de Er, que afirma que a cada um de nós recebe um daimon para nos auxiliar nessa jornada, você já conseguiu identificar esse seu guia pessoal?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Você tem seguido as orientações dadas por ele?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu propósito de vida está alinhado ao objetivo que seu daimon está lhe propondo, ou você ainda coloca seu “destino” nas mãos de um guia externo baseado nos interesses e opiniões da nossa sociedade capitalista, midiática e consumista?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Boa reflexão!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-santos/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-santos/">Cristiane dos Santos &#8211; Analista Junguiana em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação: </p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James. <em>O código da alma: </em>em busca da essência e do chamado. São Paulo: ed. Goya, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A Passagem do Meio:</em> da miséria ao significado na meia-idade. São Paulo: ed. Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.<em> </em><em>A Natureza da Psique.</em> 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O Eu e o Inconsciente</em>.27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="369" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-1024x369.png" alt="" class="wp-image-13336" style="aspect-ratio:2.7767271109133387;width:752px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-1024x369.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-300x108.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-768x277.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-150x54.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-450x162.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1-1200x432.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/07/banner-pos-graduacao-29.6.26-1.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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			</item>
		<item>
		<title>Daimon e o Destino</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/daimon-e-o-destino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 23:20:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[james hillman]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>James Hillman em seu livro O Código do Ser &#8211; Teoria do fruto do carvalho, fala da vocação, destino, caráter, e sobre imagem inata. E eu, invocando Jung, diria também, do Mito do Significado de cada um de nós, ou seja, desta singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">James Hillman em seu livro O Código do Ser &#8211; Teoria do fruto do carvalho, fala da vocação, destino, caráter, e sobre imagem inata. E eu, invocando Jung, diria também, do Mito do Significado de cada um de nós, ou seja, desta singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de poder ser vivida. Do Daimon; anjo da guarda; alma; gênio; imago; jinn; espírito&#8230; É ele o portador do nosso destino. Ideia trazida de Platão através do Mito de Er no livro da República.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hillman diz que o daimon nos acompanha para que nossa vocação seja vivida, tornando-se um chamado necessário para a realização existencial. Ele, sugere que prestemos atenção na infância, nos primeiros sinais do daimon em ação, com o propósito de entendermos suas ações e não bloqueá-lo. Alerta para a deficiência da pedagogia e psicologia do nosso tempo que tentam moldar a criança para o mundo e não o contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um mundo doente qual a vantagem de se ter uma criança adaptada? Em um mundo tão esquizofrênico, tão sem alma, haverá vantagem em criarmos filhos adaptados? Mas se não forem adaptados conseguirão viver sem sofrimento?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Antroposofia, que tem ramos como a Medicina Antroposófica e a Pedagogia Antroposófica ou Pedagogia Waldorf, também fala da presença do anjo da guarda acompanhando a evolução de cada ser. Ele é o portador do plano ideal e das decisões para esta existência, acompanha o indivíduo guardando e protegendo. Uma porcentagem muito grande de indivíduos acredita em anjos da guarda, no mundo todo, em todos os tempos e em várias religiões, o guardião do ser para o vir a ser. Um daimon.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso ego sempre vive o conflito consciente/inconsciente, onde demandas opostas clamam por existir, essa pressão pode levar a caminhos, muitas vezes, diversos àqueles que planejávamos por longos tempos. Com o tempo acabamos por descobrir que fora a melhor das escolhas, mas quem escolheu em nós? Que sombra atuou? Foi o daimon? Foi o Self?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, 16-11-1959 Cartas :</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando digo que não preciso crer em Deus porque eu &#8220;sei&#8221;, quero dizer que sei da existência de imagens de Deus em geral e em particular. Eu sei que é assunto de experiência universal e, como não sou exceção, sei que também tenho tal experiência que eu chamo Deus. É a experiência de minha vontade contra uma outra vontade, muitas vezes mais forte, que cruza meu caminho com resultados aparentemente desastrosos, colocando ideias estranhas em minha cabeça e manobrando meu destino às vezes para uma direção indesejável ou dando-lhe desvios inesperadamente favoráveis, sem meu conhecimento ou intenção. A força estranha contra ou a favor de minhas tendências conscientes me é bem conhecida. E por isso eu digo: &#8220;Eu sei&#8221;. Mas por que chamar este algo de &#8220;Deus&#8221;? Eu perguntaria: &#8220;Por que não&#8221;? Sempre foi chamado &#8220;Deus&#8221;. Um nome excelente e muito apropriado. Quem poderia dizer em sã consciência que sua vida e destino foram obra exclusiva de seu plano consciente? Temos nós um quadro completo do mundo? Milhões de condições estão na verdade além de nosso controle. Em várias ocasiões nossas vidas poderiam ter tomado um rumo bem diferente. As pessoas que acreditam que dirigem seu destino são em geral escravas dele&#8230;Eu sei o que quero, mas tenho dúvidas e incertezas se o Alguma Coisa é da mesma opinião ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teilhard de Chardim nos aponta para o Ponto Ômega, destino da humanidade, criado por Deus desde sempre. A teoria do Caos traz a ideia de atrator, que os cientistas mais conservadores e céticos, como David Ruelle entendem como atratores estranhos, uma ideia da qual ainda se busca a fórmula matemática, e na visão de outros membros da Ciência Holística nos aponta para um Atrator Cósmico, que desde o princípio nos atrai para nosso destino de plenitude e completude. No plano individual Jung nos aponta para o processo de Individuação, sentido teleológico onde a realização plena do si-mesmo, ou Self, nos atrai para a plenitude da nossa existência e realização que é diferente de individualidade, egocentrada e apartada do social, mas um processo que aponta para o coletivo, buscando compreender os anseios do ser humano e suas projeções sociais, sendo assim como uma ponte entre o Self e o Self cósmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia de totalidade, de unidade, permeia todo o Cosmos. Como diziam os pitagóricos o Um é o princípio criador e a multiplicidade numérica é a manifestação expressa na criação. É a &#8220;hipótese de Deus&#8221; que Teilhard de Chardim relata em relação aos cosmologistas modernos, dentre eles Paul Davies , que diz:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não posso acreditar que nossa existência neste universo seja uma mera peculiaridade do destino, um acidente da história, um grito incidental no grande teatro cósmico. Nosso envolvimento é íntimo demais. A espécie Homo pode não importar nada, mas a existência da mente em algum organismo em algum planeta do universo é certamente um fato fundamentalmente significativo. Através dos seres conscientes o universo gerou autoconsciência. Isto não pode ser um detalhe banal, um subproduto menor de forças indiferentes e sem objetivo. Nossa existência é intencional&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A autoconsciência permite ao homem um novo-olhar que possibilita a compreensão de si mesmo e do universo, porque somos a flecha ascendente da grande síntese biológica. Mesmo assim, a evolução não pára e o próprio Homem torna-se evolução, por meio do Caos e da busca da nova ordem. Por isso, quando a vida der uma grande guinada, entregue-se e confie, faça acontecer o melhor porque não importa o caminho e os percalços, mas o destino. Nosso ego não o conhece, mas nosso Self sim.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autora: Profa Dra. Ercilia Simone D. Magaldi</strong></p>



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		<title>Reimaginando o Processo de Individuação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reimaginando-o-processo-de-individuacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ajax Salvador]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 12:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[james hillman]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim como outras a palavra, individuação (Verselbstung) é uma presença que têm etimologia, história e pode ser personificada. “(&#8230;) as palavras são pessoas” (Hillman, 2010) p. 54. Pode-se buscar a alma na palavra vista então como um mensageiro portador de sentido metafórico; cheio de poderes invisíveis. Individuação&#160;é para Jung o processo de “&#8217;tornar-se si-mesmo&#8217; (Verselbstung) [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Assim como outras a palavra, individuação (<em>Verselbstung</em>) é uma presença que têm etimologia, história e pode ser personificada. “(&#8230;) as palavras são pessoas” (Hillman, 2010) p. 54. Pode-se buscar a alma na palavra vista então como um mensageiro portador de sentido metafórico; cheio de poderes invisíveis.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Individuação</strong>&nbsp;é para <strong>Jung</strong> o processo de “&#8217;tornar-se si-mesmo&#8217; (<em>Verselbstung</em>) ou &#8216;o realizar-se do si-mesmo&#8217; (<em>Selbstverwirklichung</em>).”&nbsp;(JUNG, 2001, §266).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O termo (<em>Verselbstung</em>) foi usado anteriormente por&nbsp;<strong>Goethe</strong>&nbsp;indicando um estreitamento ou concentração em Si-mesmo ou isolamento interno, mas apontando aderência ao individual como vicio ou crime uma vez que o bem e a virtude dirigem-se ao universal.&nbsp;(WELLBERY 1996). Em&nbsp;<strong>Kant</strong>&nbsp;ser senhor de si-mesmo é estar livre do jugo passional dos mobiles empíricos, não se deixando determinar pelas emoções e paixões; “tornar-se si-mesmo” seria estar sob o comando da Razão, através do pensamento orientado pelo vontade equivalente aos imperativos categóricos.&nbsp;(CENCI s.d.). Em&nbsp;<strong>Nietzsche</strong>&nbsp;o (<em>“Verselbstung”)</em>&nbsp;si-mesmo é tornar-se a pessoa que você sabe ser e a possibilidade de fraqueza da vontade ser abolida. A racionalidade é ou produziria a fraqueza da vontade derivada da falta de paixão.&nbsp;(HOFFMANN, 2008).&nbsp;Em&nbsp;<strong>Schopenhauer&nbsp;</strong>o tema da&nbsp;<strong>Individuação</strong>&nbsp;estaria mais próximo da “vontade” que revelar-se-ia imediatamente a todas as pessoas como o em-si. “O mundo da vontade” seria independente da representação e, portanto, não se submeteria às leis da razão; seria o princípio fundamental da natureza que apareceria na queda de uma pedra, no crescimento de uma planta ou no puro comportamento instintivo de um animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se ver através da “Individuação” uma configuração que constelação a tensão entre algo que procura independência, isolamento, unicidade e elementos que buscam influenciar, misturar-se, determinar e mesmo conduzir.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Interessante que Jung escapa da aproximação abstrata desta tensão e problematiza como se dá o processo de se saber quem é? Ou como se realizam as separações entre as partes e o todo. Como cada personalidade (persona), potencialmente um si-mesmo, se relaciona com os “outros”? Jung recorre aos textos alquímicos buscando superar o paradoxo ou a antinomia e fazer do duplo um. (JUNG, 1978).&nbsp;<strong>“(&#8230;) a aparente unidade da pessoa que declara com firmeza: “eu quero, eu penso etc., se racha e se dissolve como consequência do choque com o inconsciente”&nbsp;</strong>(JUNG, 1978) p.60<strong>.&nbsp;</strong>A unidade que emerge não é o “Eu” anterior em sua ficção, senão que&nbsp;<strong>um outro que é designado por “Si-mesmo”</strong>; que nunca perde o sentimento doloroso de sua natureza dual. O processo que buscaria realizar a unidade realiza o múltiplo. Individuação supera o paradoxo ou a antinomia realizando-o; personificando a Sra. “individuação”. Jung afasta-se da individuação (e mesmo da personalidade) como coisas definidas, literais &#8211; seja de maneira abstrata ou concreta. Propõe um olhar através ou metaforizar e assim tornar-se “Si-mesmo” pode tornar-se devir outros, sem que o “Eu” se desfaça. Reconhecer que o que aparecia como sendo “Eu” é apenas um dos complexo entre muitos. Um complexo configurado como todos os outros pelo hábito; neste caso talvez o habito de dizer Eu.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph">A<strong>utor: Ajax Perez Salvador</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CENCI, M.P. “UMA APRESENTAÇÃO DOS CONCEITOS DE ARBÍTRIO E VONTADE EM KANT.”&nbsp;<em>files.kantianos.webnode.com.br.</em>s.d. http://sites.unifra.br/Portals/1/ARTIGOS/edicao3/KANT_MPC.pdf (acesso em 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOFFMANN, Tobias .&nbsp;<em>Weakness of Will from Plato to the Present (Studies in Philosophy and the history of philosophy).</em>&nbsp;Washington, DC : The catholic University of American Press, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>La psicologia de la transferencia.</em>&nbsp;Buenos Aires: Editorial Paidos, 1978.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WELLBERY, David E.&nbsp;<em>The Specular Moment: Goethes Early Lyric and the Beginnings of Romanticism.</em>&nbsp;Stanford: Stanford University Press, 1996.</p>
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