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	<title>Arquivos luminoso - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos luminoso - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Vampyroteuthis Infernalis e o ego demasiadamente ego</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/vampyroteuthis-infernalis-e-o-ego-demasiadamente-ego/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 16:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[vilem flusser]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra as fascinantes características do Vampyroteuthis Infernalis e sua relação com o ego humano neste ensaio filosófico baseado na obra de Vilém Flusser. Explore as conexões entre bioluminescência, psicossomática e comunicação neste mergulho nas profundezas da mente e do oceano.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;<em>Vampyroteuthis Infernalis</em>: Um Tratado&#8221; é uma obra do filósofo tcheco-brasileiro<strong> Vilém Flusser</strong> que explora uma série de temas filosóficos por meio do estudo do <em>vampirotheutis infernalis</em>, uma espécie de <strong>lula abissal</strong>. O livro é um ensaio filosófico que utiliza o animal <em>vampyroteuthis infernalis</em> como um <strong>espelho</strong> para nós seres humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-o-vampyroteuthis-infernalis">Sobre o Vampyroteuthis infernalis</h2>



<p>O Vampyroteuthis infernalis, também conhecido como &#8220;vampiro do inferno&#8221;, é uma espécie de lula que vive em ambientes extremos nas profundezas do oceano. Uma das características mais notáveis do Vampyroteuthis infernalis é a sua capacidade de <strong>bioluminescência</strong>. Ele tem órgãos emissores de luz, fotóforos, localizados em várias partes do seu corpo, inclusive nos tentáculos. Essa característica é usada para confundir predadores e pode ser um método de comunicação entre membros da mesma espécie.</p>



<p>O molusco possui um corpo gelatinoso que o ajuda a flutuar nas águas profundas e escuras onde vive. A sua estrutura corporal é mais próxima da de uma água-viva do que da de outras lulas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-viver-do-vampyroteuthis-infernalis">O viver do Vampyroteuthis infernalis</h2>



<p>Entre seus oito braços, existe uma espécie de membrana que se parece com a asa de um morcego. Isso contribui para o seu nome popular e para sua capacidade de se mover de forma eficiente.<strong> Já, seus braços ou tentáculos também são seus órgãos genitais e é com eles que o molusco descobre o mundo ao seu redor. </strong>O animal tem a capacidade de <strong>mudar a cor de sua pele</strong>, o que serve para camuflagem e possivelmente para comunicação.</p>



<p>O <em>Vampyroteuthis infernalis</em> é encontrado em águas profundas. Geralmente profundidades que variam de seicentos a novecentos metros, embora possam ir ainda mais fundo. Ele habita zonas onde a luz do sol não penetra, em um ambiente conhecido como zona afótica do oceano.</p>



<p>A alimentação deste animal é menos compreendida, mas acredita-se que ele se alimenta de detritos orgânicos que caem do oceano acima, conhecidos como &#8220;<strong>neve marinha</strong>&#8220;. É um animal fascinante que desafia muitas de nossas compreensões convencionais sobre a vida marinha.</p>



<p>No livro, o <em>vampyroteuthis </em>é apresentado como um alienígena em relação a nós. Por causa dessa diferença, ele serve como um contraponto para explorar as<strong> </strong>limitações e possibilidades do pensamento humano. Flusser compara o animal ao ser humano de uma forma mais externa – as estratégias de sobrevivência, comunicação e percepção dessa criatura às nossas, destacando tanto as diferenças quanto as semelhanças inesperadas.</p>



<p>Apesar de Flusser não ter sido simpático à teoria C. G. Jung, gostaria de subvertê-lo e propor <em>vampirotheutis infernalis </em>como um <strong>conteúdo psíquico</strong>, ou seja, não um animal separado de nós, mas também <strong>uma <em>imago</em> que se defronta com o ego em algum momento da vida</strong>. Perguntemo-nos: <strong>quem é este vampiro infernal em mim</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espanto-do-espanto">O espanto do espanto</h2>



<p>Vale a imaginação: em algum momento da vida o molusco resolve vir à terra ou nós às profundezas. Um humano vê o molusco e se espanta. Seu espanto é duplo. Primeiro, ao ver tamanha criatura e a monstruosa diferença entre ele humano. Segundo, <strong>o</strong> <strong>espanto do espanto</strong>, ao perceber o quanto o próprio ser humano é ser uma criatura peculiar assim como o <em>vampirotheutis infernalis</em>.</p>



<p>Neste momento, sem dúvidas, o indivíduo sentirá o “<strong>humano, demasiadamente humano</strong>” que Nietzsche pregoou. Podemos ir além, o indivíduo percebe que o vampiro do inferno não veio das profundezas literais do mar, mas da <strong>psique</strong>. Ele é um ser espiritual diante do pequeno ego. Portanto, melhor seria parafrasear Nietzsche: “ego, demasiadamente ego”.</p>



<p>Essa paráfrase pode ser entendida como um indício de uma hierofania – uma <strong>aparição divina</strong>. <strong>Momento em</strong> <strong>que o ego reconhece o seu tamanho diante de outros conteúdos espirituais ou psíquicos, sentindo uma repulsão e uma atração, ao mesmo tempo, pelo conteúdo manifesto</strong>. No caso, o vampiro infernal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-racionalismo-e-comunicacao">Racionalismo e comunicação</h2>



<p>Retornando ao livro, Flusser utiliza este animal como um &#8220;modelo perculiar” para compreender aspectos fundamentais da existência humana, incluindo temas como consciência, comunicação, tecnologia e cultura. Aqui quero destacar alguns deles. &nbsp;</p>



<p>Os humanos (egos), embebidos do <strong>racionalismo</strong>, usam a<strong> </strong>linguagem<strong> </strong>altamente abstrata para comunicar ideias, emoções e conceitos. O <em>vampyroteuthis</em>, por outro lado, utiliza uma forma mais direta e imediata de comunicação por meio de mudanças de cor e padrões na sua pele.</p>



<p>Considerando a lula como um ser de dentro, fica evidente o quanto é possível discorrer sobre a psicossomática neste ponto. O próprio bebê neonato comunica-se mais como lula do que como ego racionalista. O tipo de choro e a coloração da pele do neonato mudam de acordo com a sua demanda, seja fome ou cólica, etc.</p>



<p>Contudo, nós adultos não perdemos isso, mas tentamos esconder com maquiagens e afins. Nada obstante, o vampiro em nós nos suplanta chegando nas dermatites generalizadas.</p>



<p>Flusser discute como os humanos usam a tecnologia, ferramentas, máquinas e sistemas para mediar nossa relação com o mundo. Esta mediação nos permite alterar nossa percepção e interpretação da realidade. Comparando, o <em>vampyroteuthis</em> usa suas habilidades biológicas inatas, como a bioluminescência, para interpretar e interagir com seu ambiente.</p>



<p>O que nos remete, também, a uma possível metáfora e analogia ao filme &#8220;A Chegada&#8221; (2016), no qual a renomada linguista Louise Banks é chamada a codificar mensagens de seres alienígenas, o que faz explorando as diferentes formas de <strong>conexão</strong> possíveis, descobrindo que a <strong>comunicação</strong> vai muito além das linguagens escrita e falada como a conhecemos hoje, compreensão que acaba por refletir até mesmo nas suas percepções sobre tempo e espaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-lume-central-abissal">O lume central abissal</h2>



<p>Curiosamente C. G. Jung já chamou as profundezas abissais de “lume central”. É desse que surgem as imagens psíquicas, as representações arquetípicas, as visões, as fantasias e os sonhos. A realidade de dentro é comunicada por uma luminescência desse ser que, por vezes, espera que fechemos os olhos à noite para se comunicar com o pequeno ego, por outras, invade a luz do dia confundindo o pequeno ego.</p>



<p>É importante colocar em xeque o processo civilizatório e a cultura.  Em resumo, eles organizam conhecimento, valores e práticas humanas em uma sociedade, como também consolidam os preconceitos – isto é as repressões psíquica de forma social.</p>



<p>Afinal, qualquer preconceito é uma neurose. Isso força o leitor a questionar o que sabemos sobre nossa própria cultura, realidade e a considerar se nossas maneiras de organização social, moral e ética são realmente &#8216;universais&#8217; ou apenas particularidades humanas. A lula de dentro não quer saber de moralidade e organização.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vampyroteuthis-anima-e-animus">Vampyroteuthis + Anima e Animus</h2>



<p>O <em>vampyroteuthis</em> poderia ser reconhecido como uma representação do arquétipo da Anima e do Animus na teoria de C. G. Jung,<strong> forçando-nos a enfrentar as partes escondidas e não reconhecidas de nossa psique</strong>.</p>



<p>Nesse ritmo, tradicionalmente, o arquétipo da <strong>Anima </strong>representa o feminino interior no psiquismo masculino, enquanto o <strong>Animus</strong> representa o masculino interior no psiquismo feminino. <strong>Estes arquétipos agem como um espelho, refletindo aspectos de nós mesmos que são frequentemente relegados ao inconsciente devido às normas sociais e culturais</strong>. </p>



<p>Com sua bioluminescência e adaptações para um ambiente hostil, a lula é uma manifestação contundente desses arquétipos, que também habitam as &#8220;profundezas&#8221; de nossa mente inconsciente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large has-small-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px">Sua aparência estranha e capacidades de comunicação fora do comum servem como um lembrete de que há aspectos da existência humana que são igualmente estranhos e enigmáticos. Ele nos faz questionar as estruturas e suposições que tomamos como garantidas, e nos confronta com as partes de nós mesmos que preferimos manter ocultas.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-profundezas-da-psique">Profundezas da psique</h2>



<p>Ao equiparar as manifestações biológicas do <em>vampyroteuthis</em>, como a bioluminescência, com as manifestações arquetípicas, como sonhos e visões, estamos de certa forma honrando a &#8220;luminescência&#8221; interior de nossa própria psique. Ambas as formas de comunicação são tentativas de iluminar o desconhecido, de fazer sentido de um mundo que é muito maior e mais complexo do que nossa compreensão limitada pode abranger.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p style="font-size:18px"><em>Assim, a obra de Flusser e o vampyroteuthis servem como um convite para explorar as &#8220;águas profundas&#8221; de nossa própria psique, para nos familiarizarmos com os aspectos menos compreendidos de nossa própria humanidade.</em></p>
</blockquote>



<p>O animal e os arquétipos nos oferecem uma oportunidade para a introspecção e a auto-descoberta, nos instigando a ir além das limitações do ego e a explorar o vasto oceano do inconsciente. E tal como o vampyroteuthis, os arquétipos, em sua interação com o ego, revelam que somos, todos nós, &#8220;monstros&#8221; em nossas próprias maneiras.</p>



<p>Por final vale lembrar que disse que <em>desse abismo nós temos permissão somente para conhecer as bordas</em>.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Diretor e Analista Didata IJEP</a></p>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>FLUSSER, Vilem. Vampirotheutis Infernalis: um tratado. São Paulo: Editora Ubu, 2019.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2016.</p>



<p></p>
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