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	<title>Arquivos marama - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos marama - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Marama e o Rio dos Crocodilos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/marama-e-o-rio-dos-crocodilos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Keller Alves Villela Ocaña Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 12:40:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Sabemos que os contos de fada nos ajudam a entender temáticas universais, arquetípicas. Eles tem uma linguagem simbólica, assim como os sonhos, e são extremamente importantes dentro da psicologia junguiana. Através da vivência de ler ou ouvir um conto de fada podemos caminhar em nossa própria jornada. Esse artigo traz o conto MARAMA E [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/marama-e-o-rio-dos-crocodilos/">Marama e o Rio dos Crocodilos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><em><strong>Resumo</strong>: Sabemos que os contos de fada nos ajudam a entender temáticas universais, arquetípicas. Eles tem uma linguagem simbólica, assim como os sonhos, e são extremamente importantes dentro da psicologia junguiana. Através da vivência de ler ou ouvir um conto de fada podemos caminhar em nossa própria jornada. Esse artigo traz o conto <strong>MARAMA E O RIO DOS CROCODILOS</strong>, um conto africano que trata da temática da menina sem pais que precisa empreender uma jornada em busca de amadurecimento. <strong>Eu te convido a caminhar junto de Marama nessa incrível aventura e através da história dela você poderá encontrar a si mesmo</strong>.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-partir-de-agora-vamos-acompanhar-a-historia-inspiradora-de-uma-menininha-corajosa-chamada-marama" style="font-size:19px">A partir de agora vamos acompanhar a história inspiradora de uma menininha corajosa chamada Marama.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ela viverá aventuras rumo a sua jornada de amadurecimento e nós iremos com ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama era uma menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos cuidados de uma das mulheres da aldeia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Mas era uma mulher má, que batia na menina, não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu a Marama um pilão pesado, que se usa para descascar arroz, e lhe disse:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Vá ao rio dos crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar o arroz.&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama se pôs a chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e caudaloso, cheio de cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só as gazelas e os leões iam lá beber.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que pegou o pilão e foi-se embora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No caminho para a floresta ela encontrou um leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz horrível:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Como você se chama e para onde você vai?&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-estava-com-medo-mortal-mas-cantou-com-sua-doce-voz-nbsp" style="font-size:19px">Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.1">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>&#8211; Marama é meu nome</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e não tenho mãe&#8230;</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Vou ao rio</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>para lavar este pilão.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Ao rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>minha madrasta me mandou.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Lá só vão gazelas</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e leões para beber.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Lá dormem cobras</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e crocodilos.</em>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Então vá, Marama, menina sem mãe! </em>&#8211; disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama continuou seu caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da cabeça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Qual é seu nome e para onde você vai? </em>– perguntou.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-estava-com-medo-mortal-mas-cantou-com-sua-doce-voz-nbsp-0" style="font-size:19px">Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>&#8211; Marama é meu nome</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e não tenho mãe&#8230;</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Vou ao rio</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>para lavar este pilão.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Ao rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>minha madrasta me mandou.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Lá só vão gazelas</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e leões para beber.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Lá dormem cobras</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e crocodilos.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Então vá, Marama, menina sem mãe!</em> &#8211; disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou cuidar para que as cobras e os crocodilos que vivem no rio não incomodem você.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama ajoelhou-se na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhe escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não poderia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu da água um crocodilo que lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Leve este pilão para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda a aldeia, a fim de que todo mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-lhe-agradeceu-e-voltou-para-casa-no-caminho-encontrou-de-novo-o-leao-nbsp" style="font-size:19px">Marama lhe agradeceu e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">&#8211; <em>Deixe-me pegar o pilão, Marama, menina sem mãe</em> &#8211; disse ele. É pesado demais para você. Vou levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando Marama chegou em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos. Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz e foi-se apressada para o rio, a fim de ela também encontrar um novo, branquinho e incrustado de ouro e prata.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No caminho para a floresta, encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Quem é você e para onde você vai?&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs-se a correr há mais não poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois simplesmente levantou os ombros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando chegou ao rio, um velho horroroso crocodilo lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes lhe saindo da cabeça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Como você se chama e para onde você vai? </em>– perguntou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos cantavam em coro:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.2">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>&#8211; Marama, a menina sem mãe,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>pode vir lavar</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>seu pilão no rio,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>pois o poderoso Subara,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>rei do rio,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>é seu amigo.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>Mas para você, mulher má,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>o rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>significa a morte!</em>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">E assim foi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-ja-sabemos-ao-analisar-um-conto-de-fada-nao-existe-certo-e-errado" style="font-size:19px">Como já sabemos, ao analisar um conto de fada não existe certo e errado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Os contos trazem uma linguagem simbólica que fala direto ao inconsciente de cada pessoa que lê ou ouve a narrativa</strong>. É uma linguagem que conversa com nossa alma e despertará em nós sentimentos, sensações e impressões que podem ensinar muito sobre a nossa própria vida e sobre nossas experiências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">O conto que trago hoje, é um conto africano e fala de uma menininha que mora numa aldeia, e que muito cedo perdeu seus pais e foi entregue a uma mulher muito má que deveria ocupar-se de sua criação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Aí já podemos observar que o conto apresenta a ausência dos pais e a presença de uma “madrasta”. Esse é um tema bem recorrente nos contos. A falta de mãe para proteger, cuidar, nutrir, dar colo e carinho para a criança sendo substituída por uma figura feminina nada maternal, nada acolhedora, que a princípio podemos ver – e essa acaba sendo nossa tendência no início – como uma figura realmente muito má, mas que se olharmos de forma simbólica e mais atentamente perceberemos que é só por causa dessa madrasta, dessa mulher “má” que a menina sai e enfrenta os perigos da floresta.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-chega-uma-hora-na-vida-que-temos-que-deixar-o-seio-materno-o-lugar-de-conforto-e-enfrentar-a-vida" style="font-size:19px"><strong>Chega uma hora na vida que temos que deixar o seio materno, o lugar de conforto e enfrentar a vida</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Nesse conto, Marama não tem pai nem mãe, e é jogada para fora da “zona de conforto” pela madrasta, é ela quem manda a menina para o rio dos crocodilos para lavar o pilão usado por ela para descascar arroz. <strong>Marama chora, pois tem medo de enfrentar o caminho</strong>. O rio é longe, cheio de cobras e crocodilos, e podemos imaginar que ela terá que atravessar uma floresta para chegar ao rio, uma floresta repleta de perigos e animais selvagens. As pessoas já sabiam que não era fácil chegar ao rio, Marama sabia que elas tinham muito medo de ir até lá, pois pelo caminho poderiam encontrar leões e crocodilos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-frequentemente-podemos-nos-encontrar-na-mesma-situacao-que-marama-com-medo-apavorados-com-algo-desconhecido-que-se-apresenta-em-nosso-caminho" style="font-size:19px">Frequentemente podemos nos encontrar na mesma situação que Marama, com medo, apavorados com algo desconhecido que se apresenta em nosso caminho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Não adianta chorar, é preciso ter a coragem para atravessar a floresta, enfrentar os animais selvagens e chegar ao rio. Ora, aqui claramente podemos entender isso como a nossa jornada para dentro, para nosso mundo interior, a floresta do nosso inconsciente, o rio de nossa alma, e para chegarmos lá é preciso silenciar e dar espaço ao movimento que vem de dentro, confiar no caminho, porém teremos que enfrentar os animais, os desafios apresentados ao longo do caminho, nossos complexos e só depois de fazermos isso acontecerá uma mudança, uma transformação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Apesar de Marama ter tanto medo de sua madrasta, entre o medo de ficar, apanhar e ser castigada pela mulher ou enfrentar os perigos do caminho, ela escolhe seguir rumo ao rio, levando o pilão que pertencia a madrasta para lavar. <strong>E sabemos bem que uma mudança de atitude só é possível quando a dor de ficar é maior que a dor de mudar</strong>. Nesse caso ficar e apanhar era bem pior do que o que ela poderia encontrar em seu caminho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-nossas-vidas-vivenciamos-varias-situacoes-assim-carreiras-com-as-quais-ja-nao-nos-identificamos-relacionamentos-que-ja-nao-fazem-mais-sentido-amizades-que-nao-nos-dizem-mais-nada" style="font-size:19px"><strong>Em nossas vidas vivenciamos várias situações assim, carreiras com as quais já não nos identificamos, relacionamentos que já não fazem mais sentido, amizades que não nos dizem mais nada</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Terra árida, terreno que já não é capaz de alimentar e nutrir a vida, só nos resta enfrentar o desconhecido, iniciar a caminhada e ver onde vai dar – e podemos nos surpreender – como aconteceu com Marama.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Logo no início do caminho ela encontra com o leão que a questiona e quer saber sobre a menina, mesmo com medo ela responde cantando uma triste canção que conta a história de uma pobre menina sem mãe. <strong>Marama é sincera e verdadeira</strong> e o leão percebe isso, decide ajudá-la dizendo para não ter medo e seguir seu caminho que ele garante que ninguém irá incomodá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Percebemos que quem a ajuda é o leão – rei da floresta – uma figura masculina, podemos entender como a <strong>figura de pai</strong> que falta para a menina, uma figura que irá protegê-la ao longo do caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Podemos entender a figura do leão desse conto como a voz de um pai interno que vem em nosso auxílio quando precisamos, uma voz que vem nos apontar o caminho, uma voz que nos impulsiona, que nos dá coragem para seguir. <strong>Assim também o <em>animus</em>, muitas vezes se apresenta como um animal de poder.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Chegando ao rio, Marama encontra um crocodilo com uma boca enorme e olhos grandes e vermelhos – imagine que figura assustadora para uma garotinha. Mas o crocodilo não a ataca, ele quer saber quem é ela, e novamente Marama canta a canção de sua vida, o crocodilo encantado pela história da menina lhe diz para lavar seu pilão sem medo, que ninguém a incomodará. Marama ajoelha-se e começa a lavar o pilão, porém ele é muito pesado e Marama o deixa escorregar e cair no fundo do rio, a menina se desespera e novamente se põe a chorar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Como ela explicaria que perdera o pilão, o pilão que a madrasta usava para descascar o arroz, provavelmente cada mulher da aldeia tinha seu próprio pilão, com certeza a madrasta a castigaria – pobre Marama – nesse momento surge do fundo do rio um crocodilo com um pilão novinho, branquinho incrustado de ouro e prata e o entrega para Marama e lhe diz para levar o pilão para casa e mostrar a toda aldeia e falar que o poderoso Subara rei dos crocodilos é seu amigo. Marama agradece, pega o pilão e começa sua jornada de volta a aldeia. Encontra novamente o leão e ele diz que levará o pilão até sua casa, pois ele é pesado demais, e assim todos saberão que o rei dos crocodilos é seu amigo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Vamos pensar na tarefa que leva Marama a encontrar esses animais e enfrentar todos esses perigos – é o pilão – um instrumento usado para descascar arroz</strong>. Certamente uma tarefa destinada as mulheres da tribo, mas Marama é uma criança, uma menina. Então por que ela deveria atravessar a floresta para lavar o pilão? E um pilão que não lhe pertencia, ele era de sua madrasta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Podemos fazer aqui uma relação com a transição, uma passagem de menina para mulher, mas não podemos fazer essa transição carregando conteúdos que não são nossos, conteúdos entregues a nós por outros, muitas vezes já sujos, desgastados demais, encardidos&#8230; precisamos encontrar os nossos – o nosso “pilão”, novo, branquinho, limpinho e repleto de joias.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-pilao-velho-corresponde-a-uma-velha-atitude-e-o-pilao-novo-a-uma-nova-atitude-mais-ampla" style="font-size:18px">O pilão velho corresponde a uma <strong>velha atitude</strong> e o pilão novo a uma <strong>nova atitude</strong>, mais ampla.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">E toda a aldeia deveria saber de seu pilão, deveriam saber que ele foi lhe dado por Subara o rei dos crocodilos. Todos na aldeia deveriam saber que Marama agora possuía seu próprio pilão, ela mesma agora era responsável por descascar o arroz com seu próprio instrumento. Uma mulher – não mais uma menina – responsável por si mesma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No início Marama tinha medo de enfrentar a floresta por causa dos animais selvagens e dos perigos que poderia encontrar, mas precisamos nos lembrar que esses animais viviam logo ali, pertinho da aldeia, faziam parte do todo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-nossa-psique-acontece-o-mesmo-temos-medo-do-inconsciente-e-de-tudo-que-se-esconde-nele-mas-devemos-lembrar-que-nele-ha-perigos-mas-tambem-ha-muitos-aliados-que-podem-ajudar-nos-na-mudanca-de-atitude-basta-que-prestemos-atencao-nbsp" style="font-size:19px">Com nossa psique acontece o mesmo, temos medo do inconsciente e de tudo que se esconde nele, mas devemos lembrar que nele há perigos, mas também há muitos aliados que podem ajudar-nos na mudança de atitude, basta que prestemos atenção.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando Marama chega à aldeia a madrasta se encanta com o pilão da garota e nem se dá conta de que seu próprio pilão se perdeu, é cegada, por assim dizer, pela beleza e riqueza do pilão de Marama e só quer saber onde foi que a menina encontrou tal joia. Assim que Marama lhe conta, ela parte para o rio afim de pegar um pilão para si mesma que seja igual ao de Marama. Bem, vejamos, um sapato que calça bem um pé pode não servir em outro, e é exatamente o que acontece com a madrasta da menina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ela vai atrás daquilo que não lhe pertence e ao encontrar o leão e ser questionada por ele, ela não sabe o que dizer e sai correndo. Mais adiante encontra o crocodilo e foge novamente, não vai muito longe, sendo perseguida por todos os animais que cantam que ali, naquele rio, Marama pode lavar seu pilão pois é amiga de Subara, o rei dos crocodilos, mas ela – a madrasta má – por ser uma mulher má só encontrará no rio sua morte. E assim acontece.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-velha-atitude-precisa-morrer-para-que-uma-nova-maneira-de-viver-pensar-e-agir-possa-nascer-em-nos" style="font-size:19px"><strong>Uma velha atitude precisa morrer para que uma nova maneira de viver, pensar e agir possa nascer em nós.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em><strong>É o diálogo entre o velho e o novo, entre uma atitude consciente e outra ainda inconsciente que precisa acontecer para uma renovação</strong>. É encontrar o próprio jeito de fazer as coisas, sem repetir o jeito dos outros – é usar nosso próprio pilão.</em>&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assim-e-na-nossa-vida-nao-podemos-sair-por-ai-carregando-ideias-comportamentos-valores-dos-outros" style="font-size:19px">Assim é na nossa vida, não podemos sair por aí carregando ideias, comportamentos, valores dos outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>Precisamos adquirir consciência e ir em busca de nossas próprias ideias – ampliar a nossa consciência a respeito do que nos é passado por nossas famílias e pela sociedade e isso só se faz se aceitarmos a jornada necessária, uma jornada que implica em dialogar com o conteúdo desconhecido que está dentro de nós, e é nessa dialética entre ego e Self que encontramos a renovação, a ampliação que nos permite nos adentrarmos no Processo de Individuação.&nbsp;</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: MARAMA E O RIO DOS CROCODILOS" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/Sl9FnWc0vo4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/keller/">Ms. Keller Villela &#8211; Membro Analista Didata em formação pelo IJEP&nbsp;</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Membro Analista Didata do IJEP &nbsp;</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia-nbsp"><strong>Referência:</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BONAVENTURE, Jette. <strong>O que conta o conto?</strong> São Paulo: Paulus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/marama-e-o-rio-dos-crocodilos/">Marama e o Rio dos Crocodilos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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