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	<title>Arquivos Numinoso - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Numinoso - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-relacao-entre-simbolo-intolerancia-e-duvida-no-movimento-evangelico-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Silvana Gomes Venâncio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 13:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “Evangelical ou evangélico [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “<em>Evangelical ou evangélico equivaleria à totalidade dos cristãos que se identificam com a Reforma Protestante do século 16</em>” (LONGUINI, p 21).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" id="h-no-brasil-os-cristaos-nao-catolicos-passaram-a-auto-identificar-se-como-evangelicos-o-mesmo-ocorre-com-as-igrejas-evangelicas-os-proprios-catolicos-passada-a-epoca-de-antagonismos-e-principalmente-por-causa-do-movimento-ecumenico-aceitaram-essa-identificacao-naturalmente-os-catolicos-ao-identificarem-os-cristaos-nao-catolicos-como-evangelicos-contornam-o-designativo-de-protestante-carregado-de-preconceitos-no-brasil-ja-que-no-auge-dos-conflitos-entre-protestantes-e-catolicos-aqueles-eram-designados-por-estes-como-os-que-protestavam-contra-deus-mendonca-1990-p-15-16" style="font-size:20px"><blockquote><p>No Brasil, os cristãos não católicos passaram a auto-identificar-se como evangélicos, o mesmo ocorre com as Igrejas evangélicas. Os próprios católicos, passada a época de antagonismos, e principalmente por causa do movimento ecumenico, aceitaram essa identificação. Naturalmente, os católicos, ao identificarem os cristãos não-católicos como evangélicos, contornam o designativo de “protestante”, carregado de preconceitos no Brasil já que, no auge dos conflitos entre protestantes e católicos, aqueles&nbsp; eram designados por estes como “os que protestavam contra Deus”. </p><cite>(MENDONÇA, 1990, p 15,16)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-uso-do-termo-protestante-para-evangelicos-sempre-foi-mais-usado-por-historiadores-e-sociologos-e-num-momento-ou-outro-algumas-pessoas-de-igrejas-historicas-como-presbiterianos-metodistas-anglicanos-e-luteranos-se-diziam-protestantes" style="font-size:20px">O uso do termo protestante para evangélicos sempre foi mais usado por historiadores e sociólogos e num momento ou outro, algumas pessoas de igrejas históricas, como presbiterianos, metodistas, anglicanos e luteranos se diziam protestantes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">No livro, <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>, que foi escrito na década de 90, se tornou um clássico, os professores Antônio Gouvêa Mendonça e Prócoro Velasques Filho, retratam de modo brilhante as ramificações do protestantismo brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-quem-sao-os-evangelicos-no-brasil-hoje-antes-de-responder-a-esta-pergunta-quero-falar-da-necessidade-humana-de-se-expressar-religiosamente" style="font-size:20px"><strong>Mas quem são os evangélicos no Brasil hoje?</strong> Antes de responder a esta pergunta, quero falar da necessidade humana de se expressar religiosamente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">É claro que uma religião também é um fenômeno sociológico e por esse mesmo motivo pode perder-se de si mesma. Mas para Carl G. Jung, a religião é “(&#8230;) <em>uma das expressões mais antigas e universais da alma humana (&#8230;) além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos</em>” (C. G. Jung, OC 11/1 &#8211; §1).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Carl Jung trata desse assunto do ponto de vista psíquico e empírico, se abstendo de uma abordagem metafísica ou filosófica do problema religioso</strong>. Para ele, existe uma função religiosa no inconsciente que é demonstrada nos símbolos religiosos. C. Jung dá esse exemplo: “<em>quando a psicologia se refere, por exemplo, ao tema da concepção virginal, só se ocupa da existência de tal ideia, não cuidando de saber se ela é verdadeira ou falsa, em qualquer sentido</em>”. Ele continua dizendo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>a ideia é psicologicamente verdadeira, na medida em que existe. A existência psicológica é subjetiva, porquanto uma ideia só pode ocorrer num indivíduo. Mas é objetiva, na medida em que mediante um consensus gentium é partilhada por um grupo maior. </p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1&nbsp; &#8211; § 4).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-sentido-junguiano-toda-religiao-e-verdadeira-e-por-este-motivo-nao-e-simplesmente-criada-por-individuos-ela-irrompe-na-consciencia-individual" style="font-size:20px"><strong>No sentido junguiano, toda religião é verdadeira e por este motivo não é simplesmente criada por indivíduos, ela irrompe na consciência individual</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">C. Jung percebe o caráter&nbsp; numinoso da experiência religiosa, a partir do pensamento de <strong>Rudolf Otto</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Religião é — como diz o vocábulo latino <em>religere </em>— uma acurada e conscienciosa observação daquilo que Rudolf Otto acertadamente chamou de &#8220;<strong>numinoso</strong>&#8220;, isto é, uma existência ou um efeito dinâmico&nbsp; não causados por um ato arbitrário. Pelo contrário, o efeito se apodera e domina o sujeito humano, mais sua vítima do que seu criador.&nbsp; Qualquer que seja a sua causa, o numinoso constitui uma condição do&nbsp; sujeito, e é independente de sua vontade.</p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1 &#8211; § 6).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-c-jung-o-numinoso-pode-ser-capturado-por-um-objeto-visivel-ou-um-influxo-invisivel-que-produz-modificacao-na-consciencia-cf-jung-oc-11-1-6" style="font-size:20px"><strong>Segundo C. Jung, o numinoso pode ser capturado por um objeto visível ou um influxo invisível que produz modificação na consciência</strong> (Cf. JUNG, OC 11/1 &#8211; § 6). </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Rudolf Otto fala de uma experiência profunda de anulação, “<em>a estranha e profunda resposta da psique à experiência do numinoso, a qual propusemos chamar de “experiência de criatura”, constituído pelas sensações de afundar, de apoucar-se e ser anulado</em>” (OTTO, 2007, p 90). De acordo com o teólogo <strong>Paul Tillich</strong>, essa experiência é a de estar possuído por aquilo que toca o ser humano incondicionalmente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O sentimento de ser aniquilado pela presença do divino é o que expressa mais profundamente a relação em que se encontra o homem diante do sagrado. E esse sentimento perpassa todo o ato de fé legítimo e de todo estar possuído em última instância.</p><cite>(TILLICH, 2002, p 13)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-problema-religioso-se-manifesta-nos-seres-humanos-com-a-sua-aproximacao-do-numinoso" style="font-size:20px"><strong>O problema religioso se manifesta nos seres humanos com a sua aproximação do numinoso</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Por isso, vale lembrar, que este só pode ser capturado pelo visível, no símbolo, sendo assim, a experiência religiosa não pode ser de forma alguma algo inflexível, nem mesmo quando se refere a Deus.&nbsp; Para Carl Jung,<strong> Deus é uma realidade psíquica</strong>, embora numa polêmica com Martin Buber, ele diga que nunca afirmou que Deus seja apenas uma realidade psicológica.&nbsp; “<em>Além disso, eu jamais tive a pretensão de enfraquecer o significado dos símbolos; pelo contrário, se deles me ocupei foi por estar convencido de seu valor psicológico</em>” (C. G. Jung. OC 11/2- § 170). Segundo C. Jung, o dogma da trindade é um dos símbolos mais sagrados do Cristianismo, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Paul Tillich afirma que o símbolo é fundamental, para aquilo que nos toca incondicionalmente é Deus (Cf. TILLICH, 2002, p 34). Segundo o teólogo alemão, “<strong>Deus é símbolo para Deus</strong>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-p-tillich-a-preocupacao-incondicional-e-um-dos-elementos-responsaveis-pela-integracao-da-pessoa" style="font-size:20px">Segundo <strong>P. Tillich</strong>, a preocupação incondicional é um dos elementos responsáveis pela integração da pessoa:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Uma&nbsp; preocupação incondicional se manifesta em todas as áreas da realidade e em todas as expressões de vida da pessoa. Isso porque o incondicional não é um objeto entre outros, e sim a base e origem de todo o ser, e como tal, o centro unificador da pessoa.</p><cite>TILLICH, 2002, p 69</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-elemento-unificador-do-incondicional-se-segundo-p-tillich-pode-se-manifestar-na-vida-artistica-nbsp-na-atuacao-etica-na-politica-na-pesquisa-cientifica-entre-outros-aspectos-da-vida" style="font-size:20px">Esse elemento unificador do incondicional se segundo P. Tillich, pode se manifestar na vida artística,&nbsp; na atuação ética, na política, na pesquisa científica, entre outros aspectos da vida.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nós mostramos como a <strong>fé</strong> dá forma e une a todos os elementos intelectuais, emocionais e corporais da pessoa e como ela representa a força integradora como tal. Essa imagem do poder da fé contém, porém, apenas as cores alegres e não os aspectos sombrios da desagregação e do mórbido, que podem impedir a fé de criar uma vida integral da personalidade, mesmo naquelas pessoas em que a força da fé se manifesta de modo mais visíveis: nos santos, místicos e profetas. O homem nunca vive exclusivamente a partir do centro da vida. Em todos os âmbitos de seu ser atuam forças corruptoras.&nbsp; </p><cite>TILLICH, 2002, p 70</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Esse aspecto sombrio e mórbido da relação do ser humano com a fé, precisa ser considerado e observado na experiência religiosa dos evangélicos. Essa dimensão sombria aparece ao meu ver na dificuldade de lidar com a <strong>dúvida</strong>, pois a intolerância mora na dificuldade de lidar com as incertezas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tanto-para-paul-tillich-quanto-para-carl-g-jung-a-experiencia-da-fe-deveria-dar-lugar-para-a-duvida" style="font-size:20px">Tanto para Paul Tillich quanto para Carl G. Jung, a experiência da fé deveria dar lugar para a<strong> dúvida</strong>.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nem a fé pode desaparecer na dúvida, nem a dúvida na fé, se bem que cada uma das duas se pode perder quase que completamente na vida da fé. Mas uma vez que nenhum ser humano é capaz de viver sem uma preocupação última, tanto na fé como dúvida sempre estão por natureza presentes no homem.&nbsp;</p><cite>TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nas pessoas que clamam ter uma fé inabalada, o farisaísmo e o fanatismo são frequentemente a prova infalível de que a dúvida provavelmente foi reprimida ou de fato ainda está atuando secretamente. A dúvida não é superada pela repressão, e sim pela coragem. A coragem não nega que a dúvida está aí, mas ela aceita a dúvida como expressão da finitude humana e se confessa, apesar da dúvida, àquilo que toca incondicionalmente. A coragem não precisa de segurança de uma convicção inquestionável. Ela engloba o risco, sem o qual não é possível qualquer vida criativa.&nbsp;</p><cite> TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O educador e teólogo <strong>Rubem Alves</strong>, reforça essa ideia, em seu livro <em>Religião e Repressão,</em> ao afirmar que qualquer dúvida, ou questionamento são vistas, em determinadas vertentes do protestantismo, como uma atitude suspeita, embora a&nbsp; dúvida seja radicalmente inerente à fé.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Pensada de forma radical, a experiência da fé se revela como irmã gêmea da dúvida. Não, de forma alguma estou sugerindo que falta alguma coisa à fé, que a fé seja incompleta por estar ainda assombrada pela dúvida. </p><cite>ALVES, Rubem. 2005, p. 107</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em outro livro, <em>Dogmatismo e Tolerância</em>, R. Alves, reitera que: &#8220;<em>A fé chegou mesmo a se identificar com a adesão intelectual a um certo número de proposições dogmáticas, que, pretendia-se, expressavam o ‘sistema de doutrinas’ contidas na Bíblia, e que eram necessárias para a salvação</em>.&#8221; (ALVES, Rubem. 2004, p. 71)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-carl-jung-o-ser-nbsp-humano-exposto-a-duvida-nao-deveria-projeta-las-ao-acreditar-que-aqueles-que-pensam-e-refletem-sobre-as-doutrinas-da-fe-sao-inimigos" style="font-size:20px">Para Carl Jung, o ser&nbsp; humano exposto à dúvida não deveria projetá-las ao acreditar que aqueles que pensam e refletem sobre as doutrinas da fé, são inimigos.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O homem que apenas crê e não procura refletir esquece-se de que é alguém constantemente exposto à dúvida, seu mais íntimo inimigo, pois onde a fé domina, ali também a dúvida está sempre à espreita. Para o homem que pensa, porém, a dúvida é sempre bem recebida, pois ela lhe serve de preciosíssimo degrau para um conhecimento mais perfeito e mais seguro. As pessoas que são capazes de crer deveriam ser mais tolerantes para seus semelhantes, que só sabem pensar. A fé, evidentemente, antecipa-se na chegada ao cume que o pensamento procura atingir mediante uma cansativa ascensão. O crente não deve projetar a dúvida, seu inimigo habitual, naqueles que refletem sobre o conteúdo da doutrina, atribuindo-lhes intenções demolidoras.</p><cite>C. G. Jung. OC 11/2 &#8211; § 170</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fiel-cheio-de-certezas-se-organiza-no-mundo-reconhecendo-aliados-e-projetando-suas-duvidas-gerando-inimigos-que-devem-ser-combatidos-a-duvida-nao-assumida-e-projetada-gera-cristaos-evangelicos-intolerantes-donos-da-verdade" style="font-size:20px">O fiel cheio de certezas se organiza no mundo, reconhecendo aliados e projetando suas dúvidas, gerando inimigos que devem ser combatidos. A dúvida não assumida e projetada, gera cristãos evangélicos intolerantes, <strong>donos da verdade</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Uma verdade única que exclui todo aquele que pensa e vive diferente.<strong> Esse diferente é alguém que deve ser combatido e ser retirado o seu direito à voz.</strong> Assim sendo, para responder a pergunta quem são os evangélicos hoje, é necessário olhar para a <strong>repressão da dúvida </strong>e também para as alianças políticas de algumas denominações evangélicos com setores da política brasileira, representada pela bancada evangélica, identificada na sigla&nbsp; BBB (bala, bíblia e boi).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-nao-e-possivel-viver-num-mundo-de-certezas-o-fiel-vai-buscar-no-discurso-politico-conservador-o-meio-ideal-para-idealizar-um-mundo-onde-as-diferencas-as-duvidas-e-a-pluralidade-sejam-silenciadas" style="font-size:20px">Como não é possível viver num mundo de certezas, o fiel vai buscar no discurso político conservador o meio ideal para idealizar um mundo onde as diferenças, as dúvidas e a pluralidade sejam silenciadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Neste sentido, ser evangélico hoje deixou de ser apenas um ramo do protestantismo, para representar uma ideologia social e política, com um projeto político muito bem definido, para impor a sua visão religiosa, cultural e política. A dúvida pertence ao ser humano, sem lugar interno para ela, estamos diante de um grande complexo cultural que tenta dominar o cenário político brasileiro travestido de ideias religiosas.</p>



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<iframe title="Artigo novo: &quot;A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/s6DrBC-TINM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/silvana-venancio/">Silvana Venancio – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ALVES, Rubem. <em>Dogmatismo e Tolerância</em>. São Paulo: Loyola, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">________.ALVES, Rubem. Religião e Repressão. São Paulo: Loyola, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, Carl. (1978). <em>Psicologia e Religião</em>. In Obras completas de C. G. Jung, (Vol.&nbsp; 11/1). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em inglês em 1938.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">________. (2013). <em>Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade</em>. In Obras&nbsp; completas de C. G. Jung, (Vol. 11/2). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em&nbsp; alemão em 1942.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">LONGUINI, Luiz. <em>O novo rosto da missão.</em> Viçosa: Ultimato, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">MENDONÇA, Antonio G.; VELASQUES. Prócoro Filho. <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>. São Paulo, Edições Loyola, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">OTTO, Rudolf. <em>O Sagrado</em>. São Leopoldo: Sinodal/EST; Petrópolis: Vozes, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">TILLICH, Paul. <em>Dinâmica da fé</em>. 7. ed. Trad. de Walter. Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O elemento fogo e a função intuição: energia psíquica curativa ou destrutiva</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-elemento-fogo-e-a-funcao-intuicao-energia-psiquica-curativa-ou-destrutiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2020 19:24:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[Função Intuição]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psique]]></category>
		<category><![CDATA[Símbolo do Fogo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5797</guid>

					<description><![CDATA[<p>Desde cedo aprendemos que com o fogo não se brinca, simbolizando que não podemos tratar descuidadamente de coisas perigosas. Onde há fumaça há fogo, frase usada para falar de alguma coisa misteriosa que está acontecendo. Quantas vezes deixamos o circo pegar fogo e nos deleitamos ao ver desenrolar-se uma situação de conflito. E no calor [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde cedo aprendemos que com o fogo não se brinca, simbolizando que não podemos tratar descuidadamente de coisas perigosas. Onde há fumaça há fogo, frase usada para falar de alguma coisa misteriosa que está acontecendo. Quantas vezes deixamos o circo pegar fogo e nos deleitamos ao ver desenrolar-se uma situação de conflito. E no calor do momento, com as emoções intensas, usamos expressões de linguagem que representam diferentes olhares sobre o fogo, metaforicamente representando impulso, desejo, criatividade, paixão e agressividade, como possiblidade de transformação, em forma de cura ou de destruição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de tantos significados, podemos realizar ampliações sobre os simbolismos do fogo, trazendo Jung (1986), que em seu livro&nbsp;<em>Símbolos da Transformação</em>&nbsp;evidenciou a preparação do fogo como algo existente em todo o mundo, em todos os tempos e que foi perdendo seu mistério aos poucos, porém seu uso continua ocorrendo, envolvendo cerimônias, ritos e mistérios. Em&nbsp;<em>Tipos Psicológicos</em>, Jung descreveu a função intuição, como uma dos quatro instrumentos judicativos da consciência, associado ao elemento fogo e ao movimento, podendo ser compreendida como a faculdade ou ato de perceber, discernir ou pressentir coisas, independente de raciocínio, de análise ou das aparências externas dos fatos. Segundo o autor, “A&nbsp;<a href="http://www.jungnapratica.com.br/o-papel-da-intuicao-nas-mudancas-sociais-de-um-povo/">Intuição</a>&nbsp;é uma&nbsp;percepção&nbsp;imediata de certas relações que não podem ser constatadas pelas outras três funções no momento da orientação” (Jung, 1986, p.69). É formada por imagens simbólicas e conceitos não abstraídos, que não são fáceis de serem traduzidos em palavras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando adentramos na história da humanidade, percebemos percursos em muitos caminhos para a compreensão do fogo. Em culturas antigas, representava um rito sagrado, que envolvia sacrifício aos deuses. A transformação em fumaça permitia o alcance das regiões superiores e cooperação com os deuses. Nas tradições indígenas, acender uma fogueira significava felicidade e prosperidade, representando o próprio sol, que era chamado de O Grande Fogo. Os antigos costumavam se reunir ao redor do fogo da lareira para contar histórias. Ainda hoje se cultuam rituais em torno de fogueiras, lareiras e fogões a lenha. O fogo de uma lareira, dentro de um ambiente caseiro, é aconchegante e inspirador, aquecendo o ambiente e a alma dos amantes. Lidar com o fogo tem um encanto e uma força ameaçadora, principalmente com a intervenção na natureza com queimadas de florestas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mitologia grega (Brandão,1986),&nbsp;<strong>Héstia&nbsp;</strong>é a deusa do fogo sagrado, relacionada com a chama das lareiras que aquecem os lares e os templos, que foi muito respeitada pelos deuses e os mortais. É filha de&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cronos">Cronos</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Reia">Reia</a>, uma das doze divindades olímpicas, e irmã mais velha de Demeter, Hera, Zeus, Poseidon, Hades. Ela simboliza o ponto de equilíbrio interno com momentos de solitude, ensina-nos a olhar para dentro e entrar em contato com os nossos valores para alcançar a harmonia, remetendo-nos ao&nbsp;<em>Self</em>. A tocha olímpica, que surgiu na Grécia Antiga, tem como objetivo levar o fogo para diferentes nações e representa simbolicamente esse espírito da paz representado por Héstia. Ao mesmo tempo, evoca o mito de Prometeu, que roubou o fogo de Zeus para entregar aos mortais e foi castigado por isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elemento fogo constitui uma energia criadora e, segundo Tresidder, possui um vasto sentido simbólico: “Encontra-se o fogo significando a purificação, a revelação, a transformação, a regeneração e o ardor espiritual ou sexual” (2000, p.106). &nbsp;O fogo também tem uma simbologia relacionada à sexualidade. Negar fogo e ser fogo de palha são queixas constantes. O fogo é o representante das paixões, das fortes emoções, do desejo, da libido, revelando também um sofrimento, como cantam Zezé Di Camargo e Luciano:&nbsp;“A ferro e fogo não dá, com tanta indiferença, vendo a vida passar, tropeços e tropeços, pedras no meu caminho&#8230;”.&nbsp; O fogo também pode ser um paradoxo, além de ser extremamente intenso e destrutivo, ele possui em si a fragilidade: ele acaba, mas também acaba com as coisas por onde passa. Ainda sobre o fogo e o amor, Luís de Camões trouxe o paradoxo “Amor é fogo que arde sem se ver”, provocando questionamentos. François La Rochefoucauld, por sua vez, evidenciou a importância de alimentar o amor: “O amor é como fogo: para que dure é preciso alimentá-lo”. Por último, Domenico Modugno, retrata com palavras os sentimentos verdadeiros: “A distância é como o vento, acende os fogos grandes e apaga os pequenos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um modo geral, nos livros de História o fogo aparece como ato de expurgar o mal, com a Santa Inquisição e sua caça às bruxas. De forma idêntica, os contos de fada nos trazem histórias de bruxas com seus caldeirões e seus fornos, que evidenciam o perigo do fogo.&nbsp; João e Maria (Grimm, 2002), é uma história no imaginário infantil, que envolve o desamparo diante do desconhecido, a força interior para vencer o mal e a coragem se livrar do calor do forno, libertando-se também da bruxa. Em contrapartida, vivenciamos desde cedo o valor do fogo no preparo de alimentos, porém “pôr fogo na canjica” não envolve um ato de cozinhar. É uma expressão de linguagem que representa agitação, confusão ou ficar animado, com muita energia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mergulharmos em diferentes crenças, que são inúmeras, deparamo-nos com o Budismo, em que o fogo pode representar a iluminação. Segundo o I Ching, o fogo pode representar as paixões, o espírito ou o conhecimento intuitivo. Os taoístas entram no fogo para libertar-se do condicionamento humano e fazem isso sem se queimarem. Enquanto isso, pôr a mão no fogo, expressão da qual os incorruptíveis saem vencedores, para nós muitas vezes é algo difícil de realizar. Para os cristãos, na busca de Deus, em momentos de louvor e oração, algumas sensações podem ser vivenciadas e manifestadas pelo calor no coração, assim como algumas passagens bíblicas retratam o poder de Deus se manifestando em fogo. No sentido figurativo, podemos citar uma passagem sobre o julgamento em 1 Coríntios 3:13: “Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará”. O&nbsp;fogo pode simbolizar a destruição ou a purificação, que envolve o ato de derreter, de esterilizar ou de moldar. Na liturgia católica o fogo novo é celebrado na noite de Páscoa, como simbolismo da regeneração e penitência. Algumas religiões trazem reflexões sobre o fogo do inferno, enaltecendo a necessidade do calor humano em forma de solidariedade coletiva. Neste sentido, Jung trouxe a reflexão: “O que pensais da natureza do inferno? O inferno é quando a profundeza chega a vós com tudo o que não mais ou ainda não dominais<strong>”&nbsp;</strong>(2016, p. 153).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ritos de purificação pelo fogo também são utilizados em crematórios como ritos de passagem entre o mundo dos vivos e dos mortos. O fogo queima, devora, consome, destrói, reduz às cinzas e está em constante movimento e evolução. Ele pode causar sufocamento com sua fumaça em incêndios, nas paixões, nos castigos e nas guerras.&nbsp; De acordo com Bachelard, aquilo “que se modifica lentamente se explica através da vida, o que se modifica depressa é explicado pelo fogo” (1972, p. 21). Labaredas e fumaça, podem causar queimaduras, que sob o olhar da psicossomática podem revelar raiva expressa no corpo. Em estudos e estatísticas, percebem-se crescentes queimaduras e mortes por asfixiamento, acidentais ou provocadas, envolvendo desespero, culpa, drogadição, alcoolismo, surtos psicóticos e maníacos. Ao mesmo tempo que o fogo faz lembrar de lazer e da gastronomia, acendendo o fogo das churrasqueiras e dos fogões, muitos acidentes são causados. Em alguns casos aparece o fogo&nbsp;posto, que simboliza o incêndio&nbsp;criminoso,&nbsp;provocado intencionalmente, resultando em destruição.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo diferentes estudos da astrologia, os signos com o elemento fogo são&nbsp;Áries, Leão e Sagitário, que seguem seus objetivos com confiança e energia, mobilizados pelo calor, intensidade, iniciativa, impulsividade, liderança, competição, coragem e independência. Áries tem impulsos para fazer começos e sair dos estados de inércia. Leão demarca território, tem necessidade de controle e vai ao palco. Sagitário apresenta facilidade de mudança e adaptações. Não são necessariamente características determinantes no ser humano, mas podem ser exploradas como potenciais, iluminando o lado sombrio para o alcance da harmonia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na alquimia, o elemento fogo é representado por um triangulo apontando para cima (∆). As&nbsp;<strong>substâncias enxofre, mercúrio e sal são a base da&nbsp;<em>prima materia</em>&nbsp;e podem ser separadas por meio do fogo</strong>. Neste contexto, Jung (1994) descreve as sete operações que envolvem o processo alquímico. Em termos gerais, a&nbsp;<em>calcinatio</em>&nbsp;é uma delas, compreendida como a operação que pertence ao fogo e, nesse processo ocorre o aquecimento de um sólido, com o objetivo de volatizá-lo e transformá-lo em pó. É um processo de secagem, que envolve o aquecimento e retirada da água. O fogo é purgador e atua sobre a nigredo, tornando-a branca e evaporando as emoções que não servem mais. Edinger (2006), fala sobre essa dura transformação, que no sentido simbólico envolve muito suor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ampliar, a partir da leitura de autores junguianos, pode-se afirmar que o vaso alquímico é o lugar onde é colocada a&nbsp;<em>prima matéria</em>&nbsp;para ser transformada e envolve a arte de controlar o fogo.&nbsp;<strong>&nbsp;</strong>Os alquimistas o denominavam de crisol, lugar onde se produz crise para encontrar a pedra filosofal, cujo processo de transformação ocorria nos laboratórios. A partir das ideias dos alquimistas e trazendo para a realidade do consultório, o vaso psicoterapêutico é construído dentro da relação entre cliente e psicoterapeuta. Ambos entram no vaso e ambos saem transformados, como enaltece Jung: “Ninguém mexe com o fogo ou veneno sem ser atingido em algum ponto vulnerável.” (1991, p. 19). Neste contexto, três sentimentos são construídos: valorização, pertencimento e segurança. O vínculo produz movimento de energia psíquica para transformar a angústia e o sofrimento, promovendo evolução no processo de desenvolvimento. Simbolicamente, o fogo é energia psíquica liberada gradativamente e é pelo fogo que os complexos são transformados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alquimistas e psicoterapeutas precisam ter fogo próprio e dosar a arte do fogo para realizar as transformações necessárias. De forma metafórica, Rubem Alves complementou: “O analista precisa ter fogo próprio para poder atiçar o fogo do outro” (2010, p.21). A psicoterapia pressupõe ressignificações e é isso que o cliente busca quando procura um psicoterapeuta. Ele representa alguém que auxilia no processo de modificar velhos padrões para deixar o novo entrar, favorecendo melhorias significativas, que vem ao encontro de mais uma frase de Rubem Alves: “Somente os corpos gastos pelo fogo podem se tornar transparentes” (2010, p.45). Complemento a reflexão e culmino minhas ampliações, com o olhar de Jung (2008), que há muito tempo evidenciou a possibilidade de experimentarmos o fogo no plano espiritual, a partir da transformação simbólica que ocorre na operação calcinatio, momento em que o elemento fogo e a função intuição podem resultar em energia psíquica curativa ou destrutiva, a partir de nossas escolhas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, R.&nbsp;<em>As melhores crônicas de Rubem Alves</em>, São Paulo: Ed. Papirus, 2010&nbsp;<a href="http://www.rubemalves.com.br/">http://www.rubemalves.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">BACHELARD, Gaston.&nbsp;<em>A psicanálise do Fogo</em>. Lisboa: Estúdios, 1972.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. –&nbsp;<em>Mitologia Grega Vol. 1</em>, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>CAMÕES</em>,&nbsp;<em>Luís</em>&nbsp;Vaz de, 200 sonetos. L&amp;PM, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E.&nbsp;<em>Anatomia da Psique</em>: o simbolismo alquímico na psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRIMM, Irmãos.&nbsp;<em>Contos de Fada</em>. São Paulo: Iluminuras, 2002.&nbsp;</p>



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https://www.educabras.com/frases/pormenor/frases_la_rochefoucauld
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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/frase">https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/frase</a>&nbsp;de Domenico Modugno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;&nbsp;<em>A Natureza da Psique</em>. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Estudos Alquímicos.&nbsp;</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed.Vozes, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O Eu e o Inconsciente</em>. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O Livro Vermelho</em>&nbsp;&#8211; Liber Novus: edição sem ilustrações. 2ª Reimpressão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Psicologia e Alquimia</em>. Petrópolis: Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Símbolos da Transformação</em>. Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Tipos Psicológicos.&nbsp;</em>Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRESIDDER, Jack.&nbsp;<em>Os Símbolos e os Seus Significados.&nbsp;</em>Lisboa: Estampa, 2000.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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