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	<title>Arquivos pais e filhos - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos pais e filhos - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Crescer dói?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/crescer-doi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Borba dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 21:51:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[cg jung]]></category>
		<category><![CDATA[crescer]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento humano]]></category>
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		<category><![CDATA[ego]]></category>
		<category><![CDATA[etapas de crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[red: crescer é uma fera]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir de uma leitura simbólica do filme Red: Crescer é uma Fera, este texto busca explorar a pergunta “crescer dói?”. A animação narra a jornada de Mei, uma adolescente que se transforma em um panda vermelho sempre que suas emoções transbordam. Partindo da ideia de que o amadurecimento só se torna possível por meio das relações que estabelecemos com o outro e, sobretudo, por meio do diálogo honesto com as emoções que nos atravessam, a análise utiliza a narrativa da Pixar como pano de fundo para refletir a respeito de quanto o crescimento psíquico exige confronto, coragem e vínculos verdadeiros. Entre rituais de contenção, expectativas parentais e a busca por autenticidade, o filme se revela como uma metáfora potente sobre a força transformadora dos relacionamentos e sobre a importância de libertarmos aquilo que, por medo ou lealdade, mantemos aprisionado dentro de nós.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/crescer-doi/">Crescer dói?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong>RESUMO: </strong>A partir de uma leitura simbólica do filme <em>Red: Crescer é uma Fera</em>, este texto busca explorar a pergunta “crescer dói?”. A animação narra a jornada de Mei, uma adolescente que se transforma em um panda vermelho sempre que suas emoções transbordam. Partindo da ideia de que o amadurecimento só se torna possível por meio das relações que estabelecemos com o outro e, sobretudo, por meio do diálogo honesto com as emoções que nos atravessam, a análise utiliza a narrativa da Pixar como pano de fundo para refletir a respeito de quanto o crescimento psíquico exige confronto, coragem e vínculos verdadeiros. Entre rituais de contenção, expectativas parentais e a busca por autenticidade, o filme se revela como uma metáfora potente sobre a força transformadora dos relacionamentos e sobre a importância de libertarmos aquilo que, por medo ou lealdade, mantemos aprisionado dentro de nós.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-filme-red-crescer-e-uma-fera-2022-e-uma-animacao-da-pixar-sensivel-e-envolvente-que-conta-a-historia-de-mei-lee-uma-adolescente-de-13-anos-que-vivencia-descobertas-e-tensoes-tipicas-desta-etapa-da-vida" style="font-size:18px">O filme <em><strong>Red: Crescer é uma Fera</strong> (2022)</em> é uma animação da Pixar sensível e envolvente que conta a história de Mei Lee, uma adolescente de 13 anos que vivencia descobertas e tensões típicas desta etapa da vida.</h2>



<p style="font-size:18px">Enquanto é surpreendida por mudanças latentes no corpo e no humor, ela também precisa lidar com sua família e com as heranças transgeracionais que compõem sua história. Mais do que uma trama sobre adolescência e seus ritos de passagem, é um convite para observarmos o poder transformador de nos relacionarmos com o outro e com as emoções que nos atravessam a partir desses encontros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-a-partir-desse-pano-de-fundo-que-este-texto-se-propoe-a-investigar-a-pergunta-titulo-crescer-doi" style="font-size:20px">É a partir desse pano de fundo que este texto se propõe a investigar a pergunta título: crescer dói?</h2>



<p style="font-size:18px">A narrativa apresenta Mei como a filha “perfeita”, profundamente dedicada a corresponder às expectativas dos pais, sobretudo de sua mãe, Ming, cuja postura zelosa, amorosa e controladora organiza toda a dinâmica familiar, enquanto o pai, Jin, cuida e oferece suporte de forma mais discreta. Esse vínculo, marcado por amor, orgulho e pressão, é o terreno onde nasce a tensão central: ao entrar na adolescência, Mei começa a vivenciar desejos e transformações corporais que a afastam da criança obediente que sempre foi. Entre o conforto da infância e o chamado do novo, ela experimenta o primeiro ciclo menstrual e, simultaneamente, descobre que suas emoções mais fortes a fazem transformar-se em um panda vermelho gigante.</p>



<p style="font-size:18px">Através do Panda Vermelho, a personagem vai nos ensinando que só podemos nos desenvolver psiquicamente dialogando com as emoções que nos compõem e que nossas relações são terrenos férteis para nossa dialética emocional. É no encontro com nossos entes queridos que podemos fazer reencontros e confrontos com as múltiplas e contraditórias partes que nos habitam.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-ensina-gugguenbul-craig-somente-mediante-ao-intercambio-emocional-com-aqueles-com-quem-vive-uma-relacao-de-amor-e-que-uma-nova-dimensao-pode-penetrar-em-seu-mundo-amortecido-guggenbuhl-craig-2004-p-138-139" style="font-size:18px">Como ensina Gugguenbül-Craig: “somente mediante ao intercâmbio emocional com aqueles com quem vive uma relação de amor é que uma nova dimensão pode penetrar em seu mundo amortecido” (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 138-139).</h2>



<p style="font-size:18px">Na teoria, parece simples, e até poético, imaginar essa troca emocional, mas Mei revela o quanto esse processo pode ser assustador quando temos de encarar os aspectos destrutivos e agressivos da nossa própria “fera”. Isso acontece porque relacionar-se exige intimidade com o outro e, antes de tudo, conosco mesmos. Ela evidencia o quanto é difícil aceitarmos nossas partes sombrias e indesejáveis, e como, muitas vezes, fugimos da tarefa de cuidar de nossos vínculos, evitando conversas difíceis. Assim como Mei, quantas vezes não evitamos o confronto em nome de uma suposta harmonia? Talvez por medo de ficarmos vulneráveis, de decepcionarmos quem amamos ou de sermos feridos. E, pouco a pouco, vamos nos tornando menos permeáveis e sensíveis.</p>



<p style="font-size:18px">É justamente nesse ponto de tensão, quando a tentativa de esconder ou conter o que é doloroso já não se sustenta, que a narrativa avança. Após um episódio marcante na escola, Mei recolhe-se ao quarto, um espaço que, simbolicamente, já não comporta seu novo tamanho nem o peso do que ela tenta esconder. É, então, que seus pais revelam a verdade: o panda é uma herança familiar transmitida de mãe para filha desde a ancestral Sun Yee, que recebeu esse poder como dádiva para proteger sua família durante a guerra. O segredo, enfim, vem à tona, junto da promessa de um ritual que poderá conter a fera na próxima lua vermelha.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-trama-o-panda-vermelho-simboliza-o-que-na-psicologia-junguiana-chamamos-de-complexos" style="font-size:18px">Na trama, o Panda Vermelho simboliza o que, na psicologia junguiana, chamamos de complexos:</h2>



<p style="font-size:18px"> núcleos emocionais autônomos, carregados de significados, afetos intensos e impulsos que emergem tanto da história pessoal quanto da herança coletiva. Na família Lee, esse legado aparece em explosões emocionais e comportamentos repetitivos, nos quais as mulheres são tomadas pelo panda como se perdessem momentaneamente a própria consciência, um retrato preciso de um complexo constelado. O filme, assim, evidencia a força dos complexos familiares que atravessam gerações e mostra como a família passou a realizar rituais para aprisionar esse espírito em amuletos, numa tentativa de livrar-se desse estado avassalador e impedir que as emoções comandassem suas ações.</p>



<p style="font-size:18px">Essa dinâmica soa muito próxima da nossa própria contemporaneidade, em que nos tornamos cada vez mais defendidos e impermeáveis, acreditando que negar ou conter nossas emoções impede o “estrago feito pelo panda”. E é possível compreender o tamanho desse temor, pois, segundo Jung, ao lidar com tais forças, estamos, de certo modo, lidando com a ira de Deus, que ele assim definiu:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>É um nome apropriado para todas as grandes emoções que ocorrem em meu próprio sistema psíquico e que dominam minha vontade consciente, apoderando-se do controle sobre mim mesmo. É por este nome que designo tudo o que se atravessa de forma violenta e desapiedosa, o itinerário por mim traçado; tudo o que subverte minhas concepções subjetivas, meus planos objetivos, e interfere no curso da minha vida, seja para o bem seja para o mal (JUNG,&nbsp; p. 146, 2012).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">Ao longo da narrativa, Mei experimenta na própria pele o quanto é arriscado e trabalhoso “desafiar os deuses”, sobretudo quando isso envolve decepcionar os pais; trata-se do processo de diferenciação descrito pela psicologia analítica, em que o jovem começa a se reconhecer como alguém distinto da família e passa a buscar a própria identidade. À medida que aguarda o dia do eclipse lunar, ela aprende a se relacionar com seu Panda Vermelho, permitindo-se viver suas experiências, conquistando autenticidade e reconhecendo-se no mundo para além do olhar materno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-movimento-descobre-que-incorporar-o-urso-tambem-traz-ganhos-torna-se-popular-na-escola-e-recebe-o-afeto-incondicional-das-amigas" style="font-size:18px">Nesse movimento, descobre que incorporar o urso também traz ganhos: torna-se popular na escola e recebe o afeto incondicional das amigas.</h2>



<p style="font-size:18px">O ponto de virada surge quando decide ir ao show de sua banda preferida, mesmo sem a aprovação dos pais, trabalhando para juntar o dinheiro necessário para os ingressos, uma metáfora clara de que toda transformação exige esforço e tem um preço. E, ao afirmar que “não é um simples show, é um portal para a vida adulta”, Mei ecoa uma imagem que Jung também propõe, ao comparar a passagem da infância para a adolescência a um verdadeiro nascimento:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>No estágio infantil da consciência, ainda não há problemas; nada depende do sujeito, porque a própria criança depende inteiramente dos pais. É como se não tivesse nascido ainda inteiramente, mas se achasse mergulhada na atmosfera dos pais. O nascimento psíquico e, com ele, a diferenciação consciente em relação aos pais só ocorrem na puberdade, com a irrupção da sexualidade. A mudança fisiológica é acompanhada também de uma revolução espiritual. Isto é, as várias manifestações corporais acentuam de tal maneira o eu, que este frequentemente se impõe desmedidamente (JUNG, 2013a, p. 346-347).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">A imagem do parto como metáfora para o nascimento psíquico da adolescência é profundamente rica. Do ponto de vista do bebê, podemos imaginar o desconforto de não caber mais naquele espaço antes seguro e acolhedor, que, de repente, se torna estreito e insuficiente. Para nascer, ele precisa se lançar por um canal apertado rumo a um mundo vasto, com muita claridade e completamente desconhecido.</p>



<p style="font-size:18px">As contrações que impulsionam essa passagem são dolorosas, inevitáveis e requerem esforço mútuo; tanto mãe quanto bebê dependem de se renderem ao fluxo natural da vida. E, do ponto de vista materno, o parto natural é uma experiência de dor visceral, que exige entrega absoluta e deixa marcas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assim-o-nascimento-do-adolescente-tambem-nao-sera-indolor-pais-e-filhos-atravessam-tensoes-intensas-e-o-processo-nao-termina-no-parto" style="font-size:18px">Assim, o nascimento do adolescente também não será indolor: pais e filhos atravessam tensões intensas, e o processo não termina no parto.</h2>



<p style="font-size:18px">Depois dele, existe o desafio de adaptação: o bebê precisa aprender novas formas de respirar e alimentar-se, enquanto a mãe enfrenta o puerpério, um período emocionalmente denso e exigente. Da mesma maneira, a entrada na adolescência inaugura um novo modo de existir, que demanda força, coragem e um reajuste honesto do vínculo entre pais e filhos.</p>



<p style="font-size:18px">É nesse contexto simbólico que surge o segundo grande conflito da trama: Mei descobre que o show de sua boyband favorita acontecerá exatamente no dia do ritual destinado a aprisionar seu panda. Essa “coincidência” a obriga a encarar uma escolha inevitável entre lealdade à família e seu próprio rito de passagem. É impossível ter as duas coisas ao mesmo tempo. Inicialmente inclinada a seguir o ritual, ela se sensibiliza com a atitude do pai, que lhe mostra gravações em que aparece feliz com as amigas e revela que o panda de Ming, sua mãe, era muito mais destrutivo, carregando uma ferida antiga.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-reconhecer-essa-historia-e-validar-a-singularidade-da-filha-o-pai-atua-como-uma-especie-de-guia-interno-ajudando-a-a-perceber-que-pode-e-precisa-decidir-a-partir-de-si-mesma" style="font-size:18px">Ao reconhecer essa história e validar a singularidade da filha, o pai atua como uma espécie de guia interno, ajudando-a a perceber que pode, e precisa, decidir a partir de si mesma.</h2>



<p style="font-size:18px">Ao crescer, os filhos inevitavelmente rompem expectativas, e isso dói nos pais. Ming expressa essa dor de forma explosiva quando Mei abandona o ritual e escolhe manter seu panda para ir ao show, surgindo como um panda colossal que simboliza sua fúria e medo. No confronto final, mãe, filha, avó e tias entram juntas em uma espécie de floresta mágica (o inconsciente familiar), onde encaram feridas herdadas e aceitam que Mei seguirá com seu panda.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse processo, Ming reconhece o peso de ter vivido para agradar a própria mãe e, ao soltar essa exigência, permite que Mei faça escolhas mais autênticas. A separação é dolorosa, mas necessária: Mei sustenta sua decisão apesar do medo, e Ming&nbsp; suporta o corte simbólico do cordão umbilical. Por fim, ao encontrar a ancestral que originou o panda, Mei pergunta se pode se arrepender, mas recebe apenas um abraço afetuoso e silencioso, um chamado para confiar em si mesma, mesmo diante do desconhecido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-crescer-afinal-e-um-caminho-sem-retorno-uma-vez-ampliada-a-consciencia-nao-e-possivel-voltar-ao-estado-anterior" style="font-size:18px">Crescer, afinal, é um caminho sem retorno; uma vez ampliada a consciência, não é possível voltar ao estado anterior.</h2>



<p style="font-size:18px">E é exatamente isso que vemos ao final do filme: Mei emerge mais autêntica e serena, capaz de ressignificar o panda e, com isso, romper o padrão familiar que a aprisionava. Agora, ela dialoga com suas emoções, nem se submete cegamente a elas, nem tenta eliminá-las. Sua mãe também cresce: guarda o espírito do Panda em um novo amuleto, um bichinho virtual que precisa ser cuidado e alimentado. O Panda, antes preso num pingente rígido e silencioso, passa a ter espaço para se relacionar com ela, que, por sua vez, deve sustentar esse vínculo vivo. Afinal, “<em>quando duas pessoas se encontram, suas psiques se defrontam em sua totalidade; o consciente e o inconsciente, o dito e o não dito, tudo afeta o outro</em>” (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 50).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-fim-com-o-longa-metragem-testemunhamos-a-forca-do-crescimento-individual-e-familiar-que-emerge-de-um-processo-amoroso-e-doloroso-de-mudanca-crescer-so-e-possivel-a-partir-das-relacoes-e-da-coragem-de-transgredir-e-doi-mas-vale-a-pena" style="font-size:18px">Por fim, com o longa-metragem, testemunhamos a força do crescimento individual e familiar que emerge de um processo amoroso e doloroso de mudança. <strong>Crescer só é possível a partir das relações e da coragem de transgredir e dói, mas vale a pena</strong>!</h2>



<p style="font-size:18px">É um trabalho para toda a vida, aqui ilustrado na turbulência sagrada da adolescência e no impacto que ela provoca no universo parental. Encerro refletindo se o nosso maior desafio é lançar dos amuletos que nos aprisionam ou anestesiam, das antigas formas de proteção que já não nos servem para libertar o espírito do nosso próprio Panda, portanto, o convite permanece no ar: o que ainda mantemos aprisionado em nós, acreditando ser segurança, mas que, na verdade, impede o nosso crescimento?</p>



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<p style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/paula-borba-dos-santos/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/paula-borba-dos-santos/"><strong>Paula Borba dos Santos</strong> &#8211; <strong>Analista em formação pelo IJEP</strong></a></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Glória G. de Miranda &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas" style="font-size:19px"><strong>Referências bibliográficas:</strong></h2>



<p>BENEDITO, Vanda. <strong>Desafios à Terapia de Casal e de Família</strong>: Olhares junguianos da clínica contemporânea. 1. ed. São Paulo, Summus Editorial, 2021.</p>



<p>GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf.<strong> O Abuso do Poder na Psicoterapia.</strong> 1. ed. São Paulo, Paulus, 2004.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Escritos diversos</strong>: Psicologia e Religião Ocidental e Oriental. 3. ed. Petrópolis, Vozes, 2012.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <strong>A natureza da Psique.&nbsp; </strong>10. ed. Petrópolis, Vozes, 2013a.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.<strong>Civilização em Transição.&nbsp; </strong>6. ed. Petrópolis, Vozes, 2013b.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>O Desenvolvimento da Personalidade. </strong>14. ed. Petrópolis, Vozes, 2013c.</p>



<p>RED: crescer é uma fera. Direção: Domee Shi. Produção: Lindsey Collins. [<em>S. l.</em>]: Pixar Animation Studios; Walt Disney Pictures, 2022. 1 filme (aprox. 100 min), son., color.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>À procura do pai no parceiro amoroso</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-procura-do-pai-no-parceiro-amoroso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 19:12:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Esse texto foi fundamentado no livro O Desenvolvimento da Personalidade, de Carl Gustav Jung e apesar de abordar um recorte feminino, a problemática é análoga à vivência masculina, ou seja, o homem procurando sua mãe na parceira amorosa. O intuito dessas linhas é convidar o leitor à reflexão de como estamos conduzindo a educação [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px;line-height:1.6"><strong>Resumo</strong>: Esse texto foi fundamentado no livro <em>O Desenvolvimento da Personalidade,</em> de Carl Gustav Jung e apesar de abordar um recorte feminino, a problemática é análoga à vivência masculina, ou seja, o homem procurando sua mãe na parceira amorosa. O intuito dessas linhas é convidar o leitor à reflexão de como estamos conduzindo a educação de nossas crianças. Visa também a conscientização de como pequenas atitudes, que muitas vezes julgamos inofensivas, podem provocar danos profundos à psique de nossas crianças e que repercutirão durante a vida toda. É um chamado à introspecção e à análise sobre qual terreno estamos edificando as nossas relações e que tipo de herança estamos deixando para as futuras gerações. Boa leitura!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-aquilo-que-quisermos-mudar-nas-criancas-devemos-primeiro-examinar-se-nao-e-algo-que-e-melhor-mudar-em-nos-mesmos-jung"><strong><em>“Tudo aquilo que quisermos mudar nas crianças, devemos primeiro examinar se não é algo que é melhor mudar em nós mesmos.” Jung</em></strong></h2>



<p style="font-size:19px">Nos meus atendimentos comecei a perceber um padrão recorrente em algumas de minhas clientes e durante a anamnese pude perceber que elas estavam vivenciando uma dinâmica familiar herdada nos primeiros anos da vida e até durante a gestação.</p>



<p style="font-size:19px">Traições, relacionamentos tóxicos e abusivos, agressividade, drogadicção, sensação de não serem ouvidas ou validadas, desrespeito e comportamentos que impactavam a autoestima eram questões constantemente narradas.</p>



<p style="font-size:19px">Durante a anamnese comecei a perceber que essa vivência era muito familiar, pois, quando crianças, haviam presenciado essa estrutura emocional em seus lares e que atualmente, de forma inconsciente, estavam replicando esse padrão comportamental em suas vidas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A criança tem uma psicologia singular. Assim como o seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 84)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Jung destaca com essa afirmação que a maneira de viver dos pais influencia profundamente na formação da personalidade da criança e que a atmosfera familiar molda e determina o direcionamento que essa pessoa dará à sua vida.</p>



<p style="font-size:19px">Jung (2013, p. 60) diz que durante a infância a consciência vai se formando por um agrupamento gradual de fragmentos e que esse processo dura a vida inteira, mas que a partir da puberdade, vai se tornando cada vez mais lento.</p>



<p style="font-size:19px">É devido à esta constatação que se diz que a primeira infância é a época propícia para incutir crenças e valores nas crianças, além de corrigir tendências nocivas que por ventura elas apresentem.</p>



<p style="font-size:19px">Esse é o momento em que as sementes lançadas encontram as condições mais promissoras para fecundação e crescimento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>&#8230; o que importa não são palavras boas e sábias, mas tão somente o agir e a vida real dos pais. Também não está resolvido o assunto se os pais apenas procuram viver de acordo com os valores morais geralmente aceitos, porque o cumprimento de costumes e leis pode servir igualmente para encobrir uma mentira de tal modo sutil que, por isso mesmo, escape à percepção de outras pessoas. </p><cite>&nbsp;(JUNG, 2013, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-nos-convoca-a-necessidade-de-uma-atitude-etica-verdadeira-e-transparente-em-nossas-relacoes" style="font-size:19px">Jung nos convoca à necessidade de uma atitude ética, verdadeira e transparente em nossas relações.</h2>



<p style="font-size:19px">Ele nos convida à inteireza, com a integração dos aspectos luminosos e sombrios de nossa personalidade.</p>



<p style="font-size:19px">Essa é uma questão muito complexa, pois, para se ter uma relação realmente harmoniosa, exige-se do casal, primeiramente, uma sinceridade consigo mesmo e depois com o parceiro. É essencial desnudar-se e entrar na relação de forma inteira, sem subterfúgios, manipulações ou falsas promessas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Coisas que pairam no ar ou que a criança percebe de modo indefinido, a atmosfera abafada e cheia de temores e apreensões, tudo isso penetra lentamente na alma da criança, como se fossem vapores venenosos.</p><cite>(JUNG, 2013, p. 139)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Não adianta querer representar uma relação do tipo “<strong><em>família margarina</em></strong>”, pois o inconsciente da criança, como diz Jung: “<strong><em>constitui parte da atmosfera psíquica dos pais</em></strong>” e está à espreita, vendo e registrando tudo o que acontece, para no futuro balizar suas escolhas baseadas nessas impressões.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essas-escolhas-acontecem-de-forma-inconsciente-pois-como-o-padrao-esta-incutido-na-psique-essas-pessoas-vao-atrair-para-suas-vidas-parceiros-e-circunstancias-similares-como-se-fossem-um-ima" style="font-size:19px">Essas escolhas acontecem de forma inconsciente, pois, como o padrão está incutido na psique, essas pessoas vão atrair para suas vidas, parceiros e circunstâncias similares, como se fossem um ímã.</h2>



<p style="font-size:19px">&nbsp;Os amores não vivenciados, as mentiras ocultadas, as emoções veladas, os desejos reprimidos e as verdades não verbalizadas pelos pais são captadas pelo inconsciente da criança, que dependendo do grau de ligação a eles, influenciará as escolhas em sua vida, no caso dos relacionamentos amorosos, a pessoa buscará um parceiro com tendências idênticas ou diametralmente opostas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Em regra, a vida que os pais podiam ter vivido, mas foi impedida por motivos artificiais, é herdada pelos filhos, sob uma forma oposta. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-verificamos-assim-que-o-padrao-energetico-do-parceiro-escolhido-esta-estritamente-vinculado-a-energia-psiquica-do-modelo-de-pai-que-essa-mulher-teve" style="font-size:19px">Verificamos assim que o padrão energético do parceiro escolhido está estritamente vinculado à energia psíquica do modelo de pai que essa mulher teve.</h2>



<p style="font-size:19px">Não é uma questão de azar, ou de dedo podre, ou gostar de sofrer, essa escolha é fruto de uma “<em>infecção que se dá por via indireta, fazendo com que os filhos assumam uma atitude em relação ao estado de espírito dos pais: ou reagem em defesa própria por meio de um protesto mudo, ou se tornam vítimas de uma coação interna de imitação, que os paralisa psiquicamente</em>.” (JUNG, 2013, p. 89)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entao-os-pais-devem-ser-perfeitos-para-assegurar-uma-vida-sem-influencias-negativas-aos-seus-filhos-jung-nos-diz-que" style="font-size:19px">Então os pais devem ser perfeitos para assegurar uma vida sem influências negativas aos seus filhos? Jung nos diz que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O que importa não é que os pais devam ser perfeitos, a fim de não causarem danos aos filhos. Caso fossem realmente perfeitos, isto seria catastrófico para os filhos, pois neste caso não restaria a estes outra coisa senão o sentirem-se moralmente inferiores; a não ser que preferissem ultrapassar os pais, empregando os mesmos meios que eles, isto é, imitando-os. Mas este último recurso apenas adia a prestação de contas, no máximo até a terceira geração. Os problemas recalcados e os sofrimentos que foram deste modo poupados fraudulentamente na vida produzem um veneno secreto, que penetra na alma dos filhos, mesmo através das paredes mais grossas do silêncio ou do reboco mais duro aplicado sobre os sepulcros, porque passa através de tudo isso como que deslizando de maneira fraudulenta e sobreposta. </p><cite>(JUNG, 2013, p.89)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-como-saio-dessa-situacao" style="font-size:19px">“E como saio dessa situação?”</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>“É possível atrair parceiros diferentes desse padrão?</strong>”</p>



<p style="font-size:19px">Essas são perguntas que constantemente ouço após a identificação e conscientização dessa dinâmica, desse padrão de atração repetitivo, inicialmente totalmente inconsciente e tão desestruturante.</p>



<p style="font-size:19px">Jung (2013, p. 205) diz que esse momento de conscientização pode ser atingido através de vários caminhos, mas que eles obedecem a certas leis. Normalmente essa mudança acontece no início da segunda metade da vida, que é uma fase de fundamental importância psicológica.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O meio da vida é um tempo de desenvolvimento máximo, quando a pessoa ainda está trabalhando e operando com toda a sua força e todo o seu querer. Mas nesse momento tem início o entardecer, e começa a segunda metade da vida&#8230;. Procura-se encontrar suas motivações verdadeiras e surgem descobertas. O indivíduo consegue conhecer sua peculiaridade por meio da consideração crítica de si próprio e de seu destino. Mas esses conhecimentos não lhe são dados de graça. Chega-se a tais conhecimentos apenas por abalos violentos. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 205-206)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Os abalos violentos mencionados por Jung são decorrentes da mudança de paradigma que a pessoa vivencia no entardecer da vida, provenientes da constatação de que aquilo que era importante na primeira metade da vida, agora se mostra insuficiente ou inadequado e que os valores e crenças que alicerçavam sua vida, se tornaram frágeis e insustentáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aquilo-que-foi-propagado-como-garantia-de-felicidade-nao-produz-preenchimento-interno-nem-tampouco-paz-a-alma" style="font-size:19px">Aquilo que foi propagado como garantia de felicidade não produz preenchimento interno, nem tampouco, paz à alma.</h2>



<p style="font-size:19px">Essa fase desperta na pessoa um profundo desejo de tornar-se uno e indivisível.</p>



<p style="font-size:19px">É nesse momento que ela percebe que passou muito tempo em sua vida, procurando por alguém que a completasse, que preenchesse o vazio existencial originado na infância, decorrente das situações em que vivenciou o abandono, o abuso, a rejeição, a violência, a inadequação, a falta de afeto e atenção, quando sua voz e vontade foram suprimidas e sua autoestima reprimida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-e-a-hora-de-virar-o-jogo-e-parar-de-projetar-no-parceiro-os-aspectos-desse-pai-ausente-fraco-castrador-devorador-manipulador-abusivo-e-violento" style="font-size:19px">Essa é a hora de virar o jogo e parar de projetar no parceiro os aspectos desse pai ausente, fraco, castrador, devorador, manipulador, abusivo e violento.</h2>



<p style="font-size:19px">Perceber que se faz necessário a ruptura da vontade inconsciente de querer salvar nossos pais, vivendo a vida que eles não conseguiram, para sermos dignos de receber o amor, o afeto, a atenção e a validação deles.</p>



<p style="font-size:19px">Esse é um processo extremamente desafiador, mas, profundamente libertador.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;À procura do pai no parceiro amoroso&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/uEZSjeu6wTY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-santos/">Cristiane dos Santos &#8211;  Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>JUNG, C.G. &nbsp;<em>O Desenvolvimento da Personalidade</em>. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br"><strong>www.ijep.com.br</strong></a></p>



<p></p>
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		<title>A proeza de ser Independente: filhos criados sob o narcisismo dos pais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/narciso-e-o-narcisismo-dos-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jul 2023 10:17:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[abuso familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[dependência emocional]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[narcisismo]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos familiares]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7886</guid>

					<description><![CDATA[<p>A proeza de ser independente – filhos criados sob o narcisismo dos pais</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O narcisismo dos pais é algo desafiador a se lidar. A tarefa de criar filhos ultrapassa as margens de condições ideais e necessárias para o desenvolvimento saudável</em>, <em>passando pela construção de uma educação ancorada em valores</em>. <em>Visando superar obstáculos sombrios e obscuros</em>, <em>que habitam o mais profundo em cada um de nós. </em></p>



<p>Os pais desempenham um papel crucial na formação da personalidade dos filhos. Quando estes pais encontram dificuldades para lidar com seus próprios aspectos negativos, podem desenvolver uma conexão distorcida com a criança no exercício da parentalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-artigo-tem-como-alvo-uma-tentativa-de-explorar-brevemente-questoes-voltadas-as-dificuldades-encontradas-pelos-filhos-filhos-estes-que-apesar-da-responsabilidade-e-ate-mesmo-da-maioridade-podem-se-perder-ao-encontro-da-autonomia-e-seguranca-que-pede-a-vida-adulta" style="font-size:16px"><strong>Este artigo tem como alvo uma tentativa de explorar, brevemente, questões voltadas às dificuldades encontradas pelos filhos</strong>. Filhos estes que, <strong>apesar da responsabilidade e até mesmo da maioridade, podem se perder ao encontro da autonomia e segurança que pede a vida adulta.</strong></h2>



<p>O que nos parece ser uma questão voltada a uma dinâmica disfuncional parental no relacionamento com os filhos. Tornando, assim, o alcance da maturidade algo bem distante. Ou seja, esta relação pode estar baseada não somente no autovalor que constituí o individuo – o qual poderíamos chamar de condição narcísica natural, mas também como infortúnio nesse relacionamento, levando a prováveis danos futuros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-a-personalidade-vai-se-desenvolvendo-ao-longo-da-vida-para-se-constituir-plenamente-na-maturidade-1910" style="font-size:16px">Segundo <strong>Jung</strong>, a personalidade vai se desenvolvendo ao longo da vida, para se constituir plenamente na maturidade (1910).</h2>



<p>Para o autor, os temas juvenis se iniciam logo após a puberdade até aproximadamente trinta e cinco anos. Não há aqui o objetivo de discorrer sobre a patologia do transtorno narcisista de personalidade. Nem tampouco fazer dos pais os culpados pelas dificuldades que muitos filhos se deparam no enfrentamento da vida.</p>



<p>O mais importante aqui seria farejar a medida certa neste relacionamento, união e diferenciação familiar. Pois, as figuras paternas podem tanto promover o “voo” de seus filhos, lançando-os na vida, como podem criar laços onde os mesmos permanecerão atados. O termo “<strong>narcisismo</strong>” não foi muito usado por Jung. O termo é encontrado somente quatro vezes em sua obra, sendo que três dessas citações são usadas como referência crítica à obra de Freud (JUNG, 2011b, p. 482). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conceito-comum-do-narcisismo-que-ha-muito-ocupa-a-atencao-humana-e-a-auto-adoracao-extrema-que-vem-acompanhada-de-uma-indiferenca-que-nega-a-necessidade-de-outra-pessoa-schwartz-1982" style="font-size:17px">O conceito comum do narcisismo que há muito ocupa a atenção humana, é a auto <strong>adoração extrema</strong>, que vem acompanhada de uma indiferença que nega a necessidade de outra pessoa (SCHWARTZ, 1982).</h2>



<p>A palavra faz referência a um mito. O mito de Narciso e Eco foi narrado pelo poeta Ovídio em <em>Metamorfoses</em>, uma de suas obras mais famosas. Segundo o mito, Narciso era belo e vaidoso. Quando nasceu, um dos oráculos chamado Tirésias disse que ele seria muito atraente e que teria vida longa, desde que não conhecesse a si próprio. Entretanto, não deveria admirar sua própria beleza, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida. Quando adulto, atraia olhares de muitas pessoas, mas desprezava a todas. Uma das ninfas chamada Eco, apaixonou-se loucamente por Narciso, mas fora rejeitada por ele. A deusa Nêmesis é quem auxilia na vingança. Eco atraiu Narciso para uma fonte que ao se debruçar sobre as águas enxerga sua própria imagem e se encanta por ela. Morre fascinado por si mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-da-relacao-eu-outro-que-trata-o-mito-de-narciso-existindo-esse-outro-dentro-ou-fora-de-nos" style="font-size:18px">É da relação eu-outro que trata o mito de Narciso, existindo esse outro, dentro ou fora de nós.</h2>



<p><strong>A maneira que lidamos ao longo da vida com esses outros externos e internos originaram inúmeras concepções sobre o narcisismo</strong> (RUBINI, 2020). Pensando na questão de Narciso e alguns padrões familiares temos que: tanto a relação consigo mesmo quanto com o outro podem levar ao sofrimento e consequências indesejáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-na-consciencia-se-vive-uma-realidade-unilateralizada-ou-seja-rigida-e-inflexivel-tal-como-narciso-corre-se-o-risco-de-morrer-sem-contemplar-a-entrega-para-a-vida" style="font-size:17px"><strong>Quando na consciência se vive uma realidade unilateralizada, ou seja, rígida e inflexível tal como Narciso, corre-se o risco de morrer sem contemplar à entrega para a vida</strong>.</h2>



<p>Chama atenção a <strong>inflexibilidade</strong> que aparece em muitas dinâmicas familiares, quando o comportamento adotado por elas enaltece uma união de modo marcado e unilateralizado. O que gera um campo de força fechado e rígido &#8211; que esconde, por trás de sentimentos como amor e proteção, um egoísmo e, ao que parece, um sistema muito confortável de prisão.</p>



<p>Nesta dinâmica os fatores externos podem ficar sob o jugo de uma realidade psíquica muito inflexível. Neste terreno, as portas podem estar fechadas para todo tipo de diversidade e complexidade, apoiados até mesmo em verdades únicas, distanciando-se mais e mais da alteridade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-medo-pode-ser-uma-questao-importante-neste-ambito-familiar-e-os-integrantes-contagiados-em-maior-ou-menor-grau-tudo-aquilo-que-e-novo-deve-ser-evitado-no-primeiro-momento-ou-vivenciado-sempre-com-muita-cautela" style="font-size:17px"><strong>O medo pode ser uma questão importante neste âmbito familiar e os integrantes contagiados em maior ou menor grau</strong>. Tudo aquilo que é novo deve ser evitado no primeiro momento ou vivenciado sempre com muita cautela.</h2>



<p>Além do medo, outra situação relevante seria a dificuldade que estes filhos podem encontrar em vivenciar plenamente suas experiências e aspirações. Pois podem ser “convidados” a testemunhar de muito perto a vida dos pais, participando sempre de todos os conflitos em questão.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:21px">
<p style="font-size:15px">[&#8230;] <em>Cada um logo compreende aquilo que conseguimos controlar mais ou menos, isto é, a consciência e seu conteúdo, é, no entanto, apesar de todo nosso esforço, ineficiente quando comparado com os efeitos incontroláveis do fundo psíquico. Como então se poderá proteger as crianças contra os efeitos provenientes de si próprio, quando falha tanto a vontade consciente como o esforço consciente? Indubitavelmente será de grande utilidade para os pais saberem considerar os sintomas de seu filho à luz dos seus próprios problemas e conflitos. É dever dos pais proceder assim.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>Neste particular, a responsabilidade dos pais se estende até onde eles tem o poder de ordenar a própria vida de tal maneira que ela não represente nenhum dano para os filhos. Em geral se acentua muito pouco quão importante é para a criança a vida que os pais levam, pois o que atua sobre a criança são os fatos e não as palavras. Por isso deverão os pais estar sempre conscientes de que eles próprios, em determinados casos, constituem a fonte primária e principal para as neuroses de seus filhos </em></p>
<cite>JUNG,1981, § 84</cite></blockquote>



<p>Quando se chega à vida adulta espera-se que o indivíduo tenha condições de iniciar o rumo de sua jornada, mesmo que esta ainda não pareça assim tão evidente. Que consiga discernir entre o que não lhe chama atenção de outros interesses. Que possa farejar seus medos e limitações para poder trabalhar em prol de seu desenvolvimento. Manejando a cada fase, a função judicativa da consciência, para benefício de seu processo de diferenciação dos padrões familiares impostos e até mesmo os sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-termos-de-comportamento-e-atitudes-e-muito-comum-que-estes-pais-idealizem-os-filhos-de-acordo-com-suas-expectativas" style="font-size:16px">Em termos de comportamento e atitudes é muito comum que estes pais idealizem os filhos de acordo com suas expectativas.</h2>



<p style="font-size:16px">Estes pais podem se tornar extremamente protetores, inviabilizando fases de descoberta através do abuso de poder ou até mesmo usando do medo e/ou chantagem emocional. Por outro lado, todos estes comportamentos podem ser muito sutis. Desde violação dos limites de privacidade, passando pelo controle das escolhas dos filhos, falta de empatia, exigência constante de atenção e também manipulação.</p>



<p>De um modo extremo, podemos ainda falar sobre a demonstração de <strong>inveja</strong> frente às conquistas dos filhos. Com atitudes de boicote e falta de encorajamento; críticas em excesso e dificuldades para elogiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-calligaris-1996-ha-um-esforco-por-parte-do-individuo-na-satisfacao-do-outro-principalmente-os-pais-com-sua-imagem" style="font-size:18px">Para <strong>CALLIGARIS</strong> (1996) há um esforço por parte do indivíduo na satisfação do outro – principalmente os pais, com sua imagem.</h2>



<p>De certa forma, os filhos podem desenvolver a tendência de sentirem-se culpados por não serem bons o suficiente e tentar a todo custo corresponder às expectativas em troca de admiração, aumentando ainda mais, sentimentos de inferioridade e denegação. Ao invés de olharem para si mesmos podem estar preocupados com seu empenho em balizar o humor dos pais, promovendo alegria e tentando evitar que se sintam frustrados. Aqui podemos encontrar muitas questões ligadas à ansiedade, devido um sentimento de angústia iminente, sempre presente.</p>



<p>Esse <strong>excesso de controle</strong> tende a enfraquecer a relação, levando esses filhos a experimentarem altos níveis de carência, vulnerabilidade e dependência emocional e financeira.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p style="font-size:16px"><em>[&#8230;] Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram ( pois se trata de fenômeno psicológico atávico do pecado original). Esta afirmação poderia parecer algo de sumário e artificial sem esta restrição: essa parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido se não a tivessem ocultado mediante subterfúgios mais ou menos gastos. Trata-se pois de uma parte da vida que – numa expressão inequívoca – foi abafada talvez com uma mentira piedosa. É isto que abriga os germes mais virulentos.</em></p>
<cite>JUNG, 1981§ 87</cite></blockquote>



<p>Em algum momento, até mesmo na ausência dos pais, ao se dar conta do tempo passado, terão que lidar com o susto frente às dificuldades e dar continuidade a um caminho que irão &nbsp;seguir, ainda que sem um planejamento prévio e, contabilizando as inseguranças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nocao-ou-senso-de-identidade-nos-leva-a-saber-sobre-nos-mesmos" style="font-size:20px"> A noção ou senso de identidade nos leva, a saber, sobre nós mesmos.</h2>



<p>Quando passamos muito tempo voltados ao externo, na tentativa de atender os anseios do outro, incorreremos na falta de nos assistir com legitimidade, revelando prováveis falhas de identidade e pouca ou quase nenhuma intimidade como a esfera inconsciente.</p>



<p>Pode-se falar aqui sobre a questão do sentido junguiano da existência ou ausência do poder orientador do Si- mesmo, que é o único capaz de dar á pessoa um sentido de direção e, em última análise, uma percepção de identidade pessoal (SCHWARTZ, 1982).</p>



<p>Com o passar do tempo, as ligações parentais vão cedendo espaço a outros tipos de vínculos, tais como sociais, afetivos e profissionais e esta ampliação de apoio emocional é que também vai permitir posteriormente, o processo de individuação, que se inicia na segunda metade da vida.</p>



<p>Assim, espera-se que esses filhos alcancem um desenvolvimento pleno e saudável; que possam usufruir da autonomia que diz respeito à capacidade de se tornar independente, tomar decisões e se responsabilizar por elas. Caminhar na busca de seu verdadeiro” Eu”, integrando na consciência o que estava inconsciente, desenvolvendo suas potencialidades, se tornando único e autêntico.</p>



<p><strong>Apesar de toda a complexidade e possíveis impactos que envolvem o relacionamento entre pais e filhos, a esperança (aquela que não espera passivamente) pode inteirar uma singularidade profunda, muito bem representada pelo” Si- mesmo</strong>.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha – Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Diretor e Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>CALLIGARIS, Contardo. “Essas crianças que amamos demais.”In: Crônicas do individualismo cotidiano. São Paulo: Editora Ática, 1996</li>



<li>JUNG, C.G. O desenvolvimento da personalidade. O.C v. 17. Petrópolis: Vozes [1981]</li>



<li>OVÍDIO<em>. Metamorfoses</em>. São Paulo, 2017</li>



<li>RUBINI, Rosana. Feridas psíquicas, Jung e o narcisismo. Junguiana vol.38 n 1 São Paulo jan./jun.2020</li>



<li>SCHARTZ – SALANT, N. Narcisismo e transformação do caráter: a psicologia das desordens do caráter narcisista. Junguianos – cultrix. São Paulo. 1982</li>
</ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A proeza de ser independente – filhos criados sob o narcisismo dos pais #Shorts" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/QbNoaIR0abI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p></p>
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		<title>Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mae-eu-te-amo-mas-amo-ainda-mais-a-minha-jornada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 May 2021 17:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo propõe refletir sobre a simbiose família/mãe/filho e o distanciamento necessário entre eles para o filho ganhar sua autonomia na vida. Buscou-se dados quantitativos para ilustrar o tamanho do fenômeno no Brasil bem como uma análise do conto de Percival, dos ciclos Arturianos.&#160; O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que nas [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_430.jpeg" alt="Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada Psicologia Junguiana" width="280" height="460"/></figure>



<p>Este artigo propõe refletir sobre a simbiose família/mãe/filho e o distanciamento necessário entre eles para o filho ganhar sua autonomia na vida. Buscou-se dados quantitativos para ilustrar o tamanho do fenômeno no Brasil bem como uma análise do conto de Percival, dos ciclos Arturianos.&nbsp;</p>



<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que nas últimas duas décadas indivíduos entre 25 e 34 anos estão considerando cada vez menos sair de casa. No final da década de 1990, 20% dos indivíduos dessa faixa etária morava com os pais; já, no final de 2010, a taxa aumentou para 25%. O IBGE ainda aponta que 60,2% desses jovens são homens.&nbsp;</p>



<p>Sair de casa na maioridade é um processo natural do ciclo familiar, apontam Cerveny e Berthoud (2010), pois existe uma necessidade de diferenciar-se da família e buscar autonomia, contudo, parece que esta faixa etária tem modificado o comportamento coletivo. Vale a ressalva que aqui não estamos pensando nesta autonomia como um individualismo e ascensão de carreira, mas como a autonomia integral do ser humano maduro – bio-psico-socio-espiritual: o processo de individuação. Sobre o individualismo, Jung (2013) aponta que “nunca foi um desenvolvimento natural, mas sim uma usurpação contrária à natureza, uma atitude inadequada e impertinente, que muitas vezes se revela oca e sem consistência, por desabar à primeira dificuldade encontrada”. (JUNG, 2013, §292).&nbsp;</p>



<p>Cerveny e Berthoud (2010) ainda denominam estes jovens de “Geração Canguru”, devido ao marsúpio, a bolsa epidérmica que&nbsp;cobre a parte dos seios da canguru fêmea, servindo como uma incubadora para os filhotes, na região do ventre, que transporta e protege o canguru filhote.&nbsp;Ferreira, Rezende e Lourenço (2011, p.14) discorrem que fatores como “a comodidade, o conforto, a segurança financeira, um bom padrão de vida, a progressão na carreira profissional são tidos como prioridades” por esses jovens adultos. Mesmo com a preocupação com a carreira, os autores revelam que&nbsp;o consumo desta geração tende à compra de produtos supérfluos – de roupas caras ou em exagero a vídeo games do ano, etc.&nbsp;</p>



<p>Juntando isso à aspiração do individualismo tão estrutural na sociedade por estes jovens e à crítica a este modelo por Jung, pode-se reconhecer que há uma fragilidade psíquica para o enfrentamento das adversidades sociais. Jung (1995, §456) explica que “o medo do mundo e o dos homens causa um recuo maior [&#8230;] o que leva ao infantilismo e à volta ‘para dentro da mãe’”.&nbsp;</p>



<p>Outro fator de grande importância para os filhos permanecerem em casa são os pais que, em sua maioria, não tem discutido, cobrado ou incentivado seus filhos a buscarem autonomia de vida. Como a família é composta por poucos filhos, os pais parecem não sentir tanto o ônus de sustentar mais um indivíduo, abrindo espaço para o adulto que trabalha e tenta subir na carreira com custo zero.</p>



<p>Vale ainda somar este fenômeno ao número de crianças e jovens brasileiros que crescem sem seus pais no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro do Direito de Família, 5,5 milhões de crianças e jovens não possuem o nome do pai na certidão de nascimento. Além disso, ainda temos uma infinidade de famílias onde a figura paterna inexiste e os filhos são criados pelas avós ou terceirizados para outros cuidadores ou instituições. Desta forma, este artigo faz um recorte de um segmento socioeconômico menos excluído.</p>



<p>Este exemplo não é único e nem localizado. Pelo mundo existe o fenômeno dos&nbsp;<em>Hikikomori,&nbsp;</em>indivíduos que não saem de casa e não estabelecem contato interpessoal com ninguém, vivendo em seus quartos e conectados na internet, explanado em meu livro “Contágio Psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia”. E também, indivíduos que mesmo após saírem de casa buscam no parceiro o vínculo inicial do pai ou da mãe, reconfigurando assim, a estrutura familiar inicial, assim como Jung (1995) aponta:</p>



<p>Um indivíduo é infantil porque se libertou insuficientemente ou não se libertou do ambiente da infância, isto é, da adaptação aos pais, razão por que reage perante o mundo como uma criança perante os pais, sempre exigindo amor e recompensa afetiva imediata. Por outro lado, identificado&nbsp; com os pais devido à forte ligação aos mesmos, o indivíduo infantil comporta-se como o pai e como a mãe. (JUNG, 1995, §431)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se lançarmos o olhar à literatura a fim de encontrar uma lenda, um conto que faça uma homologia ao descrito acima, encontraremos Percival. Percival, de acordo com Chrétien de Troyes, é filho de um nobre cavalheiro morto em batalha e da mulher Heartsorrow. Esta, por sua vez, traduzindo seu nome para o português, é “Tristeza no Coração”. Na lenda, conta-se que ela perdeu seu marido e demais filhos para as batalhas cavalheirescas, tendo que criar Percival sozinha. O jovem era o grande e único vínculo que a mulher possuía, pois ambos viviam isolados na floresta. Sobre Heartsorrow, pode-se conferir Nichíle (2021) refletindo sobre o papel cultural da maternidade ao longo da história e na contemporaneidade. A autora aponta que a cultura patriarcal trouxe a partir do séc. XVIII como positivo o comportamento da mãe demasiadamente protetora e altamente atuante em sua maternagem, sendo ela criticada e condenada caso não cumpra este papel exaustivo, esquecendo-se até sua integralidade bio-psico-sócio-espiritual em prol da maternidade, promovendo as mais variadas frustrações nas mulheres.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retomando a lenda, Percival encontrava-se em uma grande simbiose com este feminino materno, simbolizado pela floresta e pela sua mãe. Já os jovens e adultos “cangurus” também parecem estar em simbiose com a família de origem. Assim como marsúpio, estes jovens e o próprio Percival permanecem em um estado de passividade e de fantasia. A imagem da Árvore Wak-wak que Jung (1995, p. 251) traz em Símbolos da Transformação ilustra brilhantemente tal simbiose:</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11.jpeg" alt="" class="wp-image-4845" width="276" height="479" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11.jpeg 421w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11-173x300.jpeg 173w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11-150x260.jpeg 150w" sizes="(max-width: 276px) 100vw, 276px" /></figure>



<p>Não somente a árvore é um símbolo materno, mas também o dragão, monstro que os cavalheiros usualmente enfrentam nas lendas, contos e mitos:&nbsp;</p>



<p>o dragão, como imagem materna negativa, exprime a resistência contra o incesto, ou melhor, o medo dele. O dragão e a serpente são os representantes simbólicos do medo das consequências da quebra do tabu, da regressão para o incesto. Por isto é compreensível porque sempre encontramos a árvore com a serpente. A serpente e o dragão têm principalmente o significado de guardiães e defensores do tesouro. Na canção persa antiga de&nbsp;<em>Tishtriya</em>&nbsp;aparece, neste sentido, o cavalo negro&nbsp;<em>Apaosha</em>, que mantém ocupadas as fontes do lago das chuvas. O cavalo branco&nbsp;<em>Tishtriya</em>&nbsp;duas vezes avança em vão contra&nbsp;<em>Apaosha</em>, mas na terceira tentativa, com a ajuda de&nbsp;<em>Ahuramazda</em>, consegue vencê-lo<sup>123</sup>. Abrem-se então as comportas do céu e uma violenta chuva cai sobre a terra<sup>124</sup>. (JUNG, 1995, §395).</p>



<p>Pondera-se ainda que a fantasia neste ponto é uma encruzilhada para o indivíduo. Se por um lado ela pode promover um impulso de “ir para a vida” e almejar uma autonomia, isto é, tornar-se um processo psíquico de progressão, por outro, ela também pode manter o indivíduo no estado infantil simbiótico como supracitado, gerando indivíduos não-autônomos, frustrados pois não alcançam suas expectativas pueris, mas aparentemente com uma vida confortável.&nbsp;</p>



<p>Já na lenda, Percival encontra cinco cavalheiros que atravessavam a floresta e fica encantado e paralisado com suas armaduras, emergindo assim nele um desejo de tornar-se também um cavalheiro. Conta-se que Percival enfrenta sua mãe e vai à procura de Rei Arthur, exclamando para ela: “<strong>mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</strong>”. Sua mãe, contudo, morre de dor pela perda do filho. Esta passagem deve ser lida e apreendida de forma simbólica, tanto para os filhos atuais como para seus pais.&nbsp;</p>



<p>Quando os jovens adultos saem de casa, eles devem matar, no sentido de transformar, as fantasias e expectativas “perfeitas” e infantis para encontrar assim seus caminhos de vida – diferenciar-se deste mundo ilusório (Maya = Mãe). Perfeitas, afinal, tudo o que está em potência é perfeito: a poesia não colocada no papel é perfeita, diz Fernando Pessoa, ela imperfeiçoa-se ao escrever. Já, mulheres e homens pais deveriam reconhecer que seus papéis enquanto mães e pais foram cumpridos, a fim de transformá-los e ressignificá-los para um outro nível de paternargem e maternagem. Este processo do enfrentamento da fantasia é relatado por Jung (2011) quando aponta que:</p>



<p>consiste em entender sua própria fantasia como um verdadeiro processo psíquico, que aconteceu a ele mesmo. Ainda que de certo modo a pessoa olhe para isso como que de fora e sem participação, no entanto ela própria também é a figura que age e sofre no drama da alma. Este conhecimento significa um progresso tão importante quão imprescindível. Enquanto a pessoa apenas olhar para as imagens da fantasia, é ela como o tolo Parcival [&#8230;]. Quando então cessar o fluxo das imagens, tudo se parecerá como se nada houvesse acontecido, ainda que se repita mil vezes o processo. Mas desde que a pessoa reconheça sua participação, então ela deverá entrar no processo com sua reação pessoal, como se ela fosse uma figura da fantasia, ou melhor, como se fosse real o drama que se desenrola diante de seus olhos. E na verdade um fato psíquico o acontecimento dessa fantasia. Ele é tão real como a pessoa é um ser psíquico real. Se a pessoa não realizar esta operação, todas as transformações ficam relegadas para as imagens, enquanto ela própria não se transforma. (JUNG, 2011, §407)</p>



<p>O real drama do ego é servir à alma rumo ao processo individuação, isto é, buscar autonomia e integralidade bio-psico-sócio-espiritual: tornar-se quem se é. Ao enfrentar os desafios da vida o indivíduo tem a oportunidade de relativizar e descontruir suas fantasias pueris (muitas vezes heranças dos pais); aprofundar-se em sua própria alma e encontrar no lodo da profundeza o ouro da vida. Este processo também é contado em Percival, quando o rapaz emprenha-se na busca do Santo Graal (Self &#8211; Si-mesmo).&nbsp;</p>



<p>Sobre o Santo Graal, historicamente, ressalva-se que vale considerar a lenda de Percival como uma passagem da cultura pagã para o cristianismo, revelando o processo de repressão do feminino visto nos últimos séculos. Loomis (1963) demonstra que o Graal, tão perseguido por Percival, possui uma homologia com o caldeirão da cultura e da mitologia céltica e gaulesa, que oferecia a quem toma-se dele a Vida e livraria o indivíduo da Morte e da Fome.&nbsp;</p>



<p>Retomando, o processo de tornar-se quem se é, assim como no setting terapêutico, faz o “eu” começar a perceber e criar enfrentamentos com sua sombra. Para isso, é necessário que ele não esteja na simbiose materna na posição de acolhido, se não é impossível concluir a obra heroica, isto é, de enfrentar o que ele não aceita em si, bem como a própria imagem da mãe (complexo materno). Por isso mesmo, Jung faz a comparação entre o “Filho da Mãe” humano e simbólico:</p>



<p>o “filho de sua mãe”, enquanto apenas ser humano, morre cedo, mas como deus pode realizar o que não é permitido, o sobre-humano, pode cometer o incesto mágico e com isto alcançar a imortalidade. Em muitos mitos o herói não morre, mas em compensação precisa vencer o dragão da morte. (JUNG, 1995, § 394).&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este “morrer cedo” pode ser considerado de forma literal, visto estudos anteriores de&nbsp;<em>puer aeternus</em>, mas também, simbólico: indivíduos que nunca buscaram à autonomia permanecem no&nbsp;<em>uno</em>&nbsp;amedrontados, portanto, não vivem. Não à toa Jung (1995, §315) aponta que “o neurótico que não consegue separar-se da mãe tem boas razões: afinal é o medo da morte que o prende a ela”. Por isso a frase “<strong>Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</strong>” pode parecer dura sob a ótica da contemporaneidade, visto que aí surge o filho ingrato e abandonador, isto é a sombra do “Filho da Mãe”, mas mais do que necessária – preparou Percival para morrer, e, enantiodromicamente, para viver. Se este não abandona, isto é, deixa o bando, ele viverá sempre na sombra materna, acolhido e protegido pelo dragão.&nbsp;</p>



<p>Leonardo Torres &#8211;&nbsp;Membro Analista em Formação no IJEP</p>



<p>REFERÊNCIAS</p>



<p>CERVENY, C. M. O; BERTHOUD, C. M. E. Ciclo vital da família brasileira. In: OSORIO, L.C.; VALLE, M.E. Manual de Terapia Familiar.&nbsp;Porto Alegre: Artmed, 2009, p.25-37.</p>



<p>CERVENY, C.M.O; BERTHOUD, C.M.E et al.&nbsp;Família e ciclo vital: nossa realidade em pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.</p>



<p>Der Percevalroman (Li contes del Graal) / von Christian von Troyes&nbsp;; unter benutzung des van Gottfried Baist nachgelassenen Handschriftlichen Materials hrsg. von Alfons Hilka. &#8211; Halle&nbsp;: Max Niemeyer, 1932. &#8211; LIV, 808 p. . Frontespizio. Disponível em:&nbsp;<a href="https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao">https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao</a></p>



<p>ESCHENBACH, Wolfram von e Richard Wagner.&nbsp;Parsifal.&nbsp;Editora Nova Acrópole. Lisboa. 1997.</p>



<p>Geração Canguru: Algumas Tendências que Orientam o Consumo Jovem e Modificam o Ciclo de Vida Familiar Patrícia Aparecida Ferreira, Daniel Carvalho de Rezende y Cléria Donizete da Silva Lourenço&nbsp;<a href="http://www.revistaespacios.com/a11v32n01/11320143.html">http://www.revistaespacios.com/a11v32n01/11320143.html</a>&nbsp;Espacios. Vol. 32 (1) 2011.</p>



<p>JUNG. C. G. Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis: Vozes, 2013.&nbsp;</p>



<p>JUNG. C. G. Mysteruim Coniunctionis 14/2. Petrópolis: Vozes, 2011.&nbsp;</p>



<p>JUNG. C. G. Símbolos da Transformação. Petrópolis: Vozes, 1995.&nbsp;</p>



<p>NÍCHILE, T. Maternidade: Escolha ou Obrigação? Disponível em: https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao</p>



<p>Paternidade responsável: mais de 5,5 milhões de crianças brasileiras não têm o nome do pai na certidão de nascimento disponível:&nbsp;em:&nbsp;<a href="https://ibdfam.org.br/noticias/7024/Paternidade+respons%C3%A1vel:+mais+de+5,5+milh%C3%B5es+de+crian%C3%A7as+brasileiras+n%C3%A3o+t%C3%AAm+o+nome+do+pai+na+certid%C3%A3o+de+nascimento">https://ibdfam.org.br/noticias/7024/Paternidade+respons%C3%A1vel:+mais+de+5,5+milh%C3%B5es+de+crian%C3%A7as+brasileiras+n%C3%A3o+t%C3%AAm+o+nome+do+pai+na+certid%C3%A3o+de+nascimento</a></p>



<p>LOOMIS, R. S. The Grail : from Celtic myth to Christian symbol.&nbsp;Mythos, 1963.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Leonardo Torres</em></strong></h4>
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		<item>
		<title>A Criança com Câncer, Seus Pais e Espiritualidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-com-cancer-seus-pais-e-espiritualidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Macieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 19:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;“A espiritualidade não pode ser esquecida, pois é ela que nos faz humanos” Viktor Frankl Atualmente falamos muito em oferecer tratamento integral para os pacientes. Para isto é necessário também um olhar mais atento ao papel que a família desempenha como agente de cuidados quando um de seus membros adoece. Mais importante ainda, se o [...]</p>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>&nbsp;“A espiritualidade não pode ser esquecida, pois é ela que nos faz humanos”</em></p>
<cite>Viktor Frankl</cite></blockquote>



<p>Atualmente falamos muito em oferecer tratamento integral para os pacientes. Para isto é necessário também um olhar mais atento ao papel que a família desempenha como agente de cuidados quando um de seus membros adoece. Mais importante ainda, se o paciente que adoece é uma criança. Desta forma, pensamos sempre em uma unidade de cuidados paciente/família.</p>



<p>Durante a gestação o psiquismo da criança está imerso no psiquismo materno, formando um vinculo que se atenua ao longo da vida, mas que não cessa de existir. Mesmo quando o filho atinge a fase adulta e se encontra a milhares de quilômetros de distância esta ligação se mantém.</p>



<p>Quando uma criança adoece de câncer, sua vida passa por rápida e intensa transformação, assim como o cotidiano familiar. De um momento para o outro, ela se vê atirada em um hospital, onde é cercada por pessoas estranhas em um ambiente desconhecido, no qual será submetida a uma série de exames e procedimentos invasivos e dolorosos. Independentemente de sua idade e de sua capacidade de compreensão cognitiva da realidade que a rodeia, ela de algum modo se dá conta de que algo grave e temível está acontecendo consigo (Menezes et. al. 2007).</p>



<p>Abalada pela sensação de perda iminente, impotente e vulnerável, a família acompanha a criança na travessia de situações desconhecidas, difíceis e dolorosas. No desejo de oferecer apoio e poupar a criança de um excesso de sofrimento, os familiares experimentam, eles próprios, sentimentos de desamparo, que comprometem seu bem-estar físico, emocional e espiritual.</p>



<p>Auxiliar os pais no comportamento de enfrentamento adequado pode ter efeitos positivos no ajustamento e sobrevida da criança com câncer. Contrariamente, enfrentamento inadequado por parte dos pais está associado à piora dos sintomas de estresse na criança, tais como aumento da ansiedade, perda de esperança, insegurança e aumento da dor. Um programa de auxílio deve levar em consideração as características culturais e as variáveis religiosas da família (Suzuki &amp; Kato, 2003)</p>



<p>Integrar espiritualidade e religiosidade à área da saúde física e mental tem inspirado muitas pesquisas que atestam os benefícios desta integração. Pacientes e familiares, ameaçados na sua existência, precisam encontrar no profissional de saúde que os assiste, a possibilidade de recuperar sua saúde física, psicológica, emocional e também a saúde existencial, lembrando que a espiritualidade faz parte da existência humana.</p>



<p>As manifestações de religiosidade e de espiritualidade de crianças com câncer&nbsp;&nbsp;e de seus familiares, no decorrer do tratamento, que aparecem permeadas por situações de crise originadas pelos sofrimentos que a doença impõe, pela instabilidade da vida que pode ficar &#8220;por um fio&#8221; ou se acabar, pela apreensão e medos de diferentes ordens, dentre os quais o medo da morte, é uma realidade no hospital (Valle, 2006).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para a autora acima, a possibilidade de morte de um filho ameaça a função da paternidade&#8230; Significa uma perda de parte de si mesmo. E é em Deus e na religião, freqüentemente, que os pais se refugiam, que eles buscam apoio para conseguir uma compreensão para o que está acontecendo e para conseguir dar continuidade à sua vida.</p>



<p>Muitos estudos demonstram associação positiva entre espiritualidade e religiosidade, sendo que a maioria desses aponta para melhores indicadores de saúde mental e adaptação ao estresse em pessoas que praticam atividades ditas religiosas (Moreira-Almeida; Lotufo Neto e Koenig, 2006). Desta forma, atender aos aspectos da espiritualidade se torna cada vez mais necessário na prática de assistência à saúde, o que justifica sua integração no trato com pacientes e familiares.</p>



<p>De fato, crenças espirituais costumam ser uma fonte importante de conforto e apoio para muitos pacientes com câncer e suas famílias, mas elas podem desempenhar um papel particularmente grande quando o paciente é uma criança. Os pais que enfrentam uma doença grave e possível morte de um filho, e as próprias crianças tentando encontrar um sentido para a doença, para o sofrimento e a morte, muitas vezes voltam seu olhar para além do mundo material na busca de conforto e explicações. Pais de crianças e de adolescentes com câncer podem encontrar na espiritualidade o apoio fundamental necessário ao processo de&nbsp;enfrentamento.&nbsp;&nbsp;A espiritualidade imprime significado ao adoecimento e auxilia na identificação de forças para enfrentar as dificuldades advindas do sofrimento e da morte, qualquer que seja a religião da família.</p>



<p>Interessante pesquisa qualitativa foi feita no Brasil, com o objetivo de se conhecer a relação entre as experiências de nove famílias de diferentes religiões, que vivenciaram a experiência de ter uma criança gravemente doente e sua religião, doença e histórias de vida (Bousso, Serafim e Misk, 2010). Como resultado observou-se que as narrativas evidenciaram a busca pelas famílias, qualquer que fosse sua religião, por atribuir significados às experiências vivenciadas, a partir de suas crenças religiosas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Peres et al (2007),&nbsp;</p>



<p>Cada vez mais a ciência se curva diante da grandeza e da importância da espiritualidade na dimensão do ser humano. Ser humano é buscar significado em tudo que está em nós e em nossa volta, pois somos seres inacabados por natureza e estamos sempre em busca de nos completar. A transcendência de nossa existência torna-se a essência de nossa vida à medida que esta se aproxima do seu fim.</p>



<p>Embora a literatura nos sugira que a busca de significado e propósito de uma doença costuma ser freqüente, ainda nos é difícil avaliar sobre em que medida a doença infantil provoca angustia existencial dos pais ou sobre como estes podem encontrar sentido nesta experiência. E será em sua espiritualidade que muitos se encontrarão forças para resistirem.</p>



<p>Podem os médicos colaborar com os pais de crianças com câncer em suas buscas de sentido e significado? As pesquisas mostram que para muitos médicos que cuidam de pacientes terminais uma preocupação cada vez mais importante é o bem-estar espiritual e o senso de significado e propósito na vida daqueles sob seus cuidados.</p>



<p>Os médicos e todos da equipe de saúde podem ser capazes de auxiliarem a formulação da paz de espírito e senso de controle, ao darem aos pais informações médicas de alta qualidade, incluindo informações acerca dos prognósticos, mas também suportando ouvir e facilitando aos pais manterem-se confiantes em suas crenças. As crenças podem ter um efeito profundo em suas vidas e escolhas para o cuidado (Mack et al. 2009).</p>



<p>Para Peres et. al.(2007), a psicoterapia baseada na linha integrativa transpessoal ou com enfoque existencial também pode ser uma ferramenta eficaz no auxílio ao paciente e/ou sua família que procura resolver aspectos relacionados ao significado e ao propósito da vida.</p>



<p><strong>Mestre Rita de Cassia Macieira</strong></p>



<p>Professora do IJEP</p>



<p><strong>Referencias:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p>Bousso, RS., Serafim TS., Misk MD. Histórias de vida de familiares de crianças com doenças graves: relação entre religião, doença e morte.&nbsp;Rev. Latino-Am. Enfermagem 18(2):[07 telas]mar-abr 2010</p>



<p>Mack, JW.; Wolfe, J.; Cook, EF.; Grier, HE.; Cleary PD.; Weeks, JC.. Peace of Mind and Sense of Purpose as Core Existential Issues Among Parents of Children With Cancer.&nbsp;Arch Pediatr Adolesc Med. 2009;163(6):519-524. DOI: 10.1001/archpediatrics.2009.57</p>



<p>Menezes CNB; Passareli PM; Drude FS; Santos MA; Valle ERM. Câncer infantil: organização familiar e doença. Rev. Mal-Estar Subj. v.7 n.1 mar. 2007</p>



<p>Moreira-Almeida, A.; Lotufo Neto, F.; Koenig, H.G. &#8211; Religiousness and mental health: a review.&nbsp;<em>Rev Bras Psiquiatr&nbsp;</em>28(3):242-250, 2006</p>



<p>Peres, MFP.; Arantes, ACLQ; Lessa, PS; Caous, CA. A importância da integração da espiritualidade e da religiosidade no manejo da dor e dos cuidados paliativos. Rev. psiquiatr. clín. vol.34&nbsp;&nbsp;suppl.1 São Paulo&nbsp;&nbsp;2007 doi: 10.1590/S0101-60832007000700011&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Suzuki LK, Kato PM.&nbsp;Psychosocial support for patients in pediatric oncology: the influences os parents, schools, peers and technology.&nbsp;J Ped Onc Nurs, 2003; 20(4):159-174</p>



<p>Valle ERM. O câncer na criança e as manifestações da espiritualidade. Boletim III(2) Soc Bras Psico-Oncologia, 2005. Disponível em&nbsp;<a href="http://www.virtuotech.com.br/download/webanexoslink/sbpo-105/edicoes/III-002.htm">http:///www.virtuotech.com.br/download/webanexoslink/sbpo-105/edicoes/III-002.htm</a></p>
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		<item>
		<title>A Influência da Psique dos Pais na Psique dos Filhos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-influencia-da-psique-dos-pais-na-psique-dos-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Antonioli]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 19:20:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[maternagem]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
		<category><![CDATA[paternagem]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde a concepção do ser humano, muitos fatores podem interferir no relacionamento pais e filhos, temos conhecimento do que ocorre na nossa consciência e desconhecemos como o inconsciente dos cuidadores influência o desenvolvimento da psique das crianças, impedindo que se desenvolvam verdadeiros laços afetivos entre a criança e os responsáveis, colocando toda a família na [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde a concepção do ser humano, muitos fatores podem interferir no relacionamento pais e filhos, temos conhecimento do que ocorre na nossa consciência e desconhecemos como o inconsciente dos cuidadores influência o desenvolvimento da psique das crianças, impedindo que se desenvolvam verdadeiros laços afetivos entre a criança e os responsáveis, colocando toda a família na faixa de risco para os diversos desvios de relacionamento, incluindo a negligencia, o desinteresse pelo bem estar do filho através de condutas que podem desencadear todos os tipos de doenças na criança, até os acidentes e a violência.</p>



<p>Esta influência do inconsciente dos cuidadores sob a psique das crianças podem acontecer em qualquer idade, entre a criança ou adolescente e seus responsáveis, seja na gravidez e ao nascimento os períodos mais frágeis.</p>



<p>As atuais pesquisas mostradas por <strong>Figueiró</strong> (2009, p.10), apontam ser o adulto resultado da sua natureza, das relações com a família e grupos sociais, da cultura, valores, crenças, normas e práticas. O argumento de que a primeira infância é decisiva na formação do adolescente e do adulto passou a sustentar-se em estudos e pesquisas científicas nos últimos cem anos. Recentemente, a neurociência evidencia que episódios precoces de natureza física, emocional, social e cultural permanecem inscritos por toda existência nas conexões sinápticas do ser humano. Este fenômeno é possível diante da neuroplasticidade e das atividades biomoleculares.</p>



<p>Os fatores de risco e proteção da violência, sua emergência e prevenção, são conhecidos da literatura médica, começa no período da pré concepção com fetos indesejados ou rejeitados e permanece nas gestações mal cuidadas, tensas e desamparadas. Estes fatores continuam atuando na primeira infância com a privação de nutrientes afetivos fundamentais ao saudável desenvolvimento psíquico, social e cultural. Oitenta por cento da violência é transgeracional, passa de uma geração a outra e é possível prevenir esta violência através do apego seguro com o desenvolvimento da empatia na formação do individuo. A prevenção depende de uma base segura, da sensibilidade e da resiliência, que é a capacidade deste indivíduo de lidar com problemas e superar obstáculos.</p>



<p>A ciência tem comprovado a importância da educação e dos cuidados de qualidade durante os primeiros anos de uma criança para o seu desempenho escolar satisfatório e para uma vida adulta plena. O período que vai da gestação até o sexto ano de vida, e particularmente de zero a três anos incluindo o período gestacional, são os mais importantes na preparação dos alicerces das competências, habilidades emocionais e cognitivas futuras. É neste período que a criança aprende, com mais intensidade, a agir, a sentir, a se relacionar, e a desenvolver importantes valores a partir de suas relações na família, na escola e na comunidade.</p>



<p>A partir destes conceitos da literatura médica acrescentamos os conceitos da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung&nbsp;e do Método Acesso Direto do Inconsciente / Terapia de Integração Pessoal da autora Renate Jost de Morais&nbsp;para entendermos o desenvolvimento da psique na infância e como ocorre a influência da psique dos pais sobre a psique dos filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-no-desenvolvimento-da-psique-da-crianca-existe-uma-relacao-de-identidade-entre-o-inconsciente-dos-pais-e-filhos" style="font-size:20px"><strong>Para Jung, no desenvolvimento da psique da criança existe uma relação de identidade entre o inconsciente dos pais e filhos</strong>.</h2>



<p>E esta relação de identidade pode ser a causadora de futuras neuroses, doenças físicas, atos de criminalidade e acidentes destas crianças. Os profissionais da área da saúde, que se ocupam em cuidar de crianças recebem diariamente cuidadores que relatam sintomas orgânicos, ou psíquicos, que apesar dos estudos médicos avançados, constituem verdadeiros enigmas que desafiam diariamente as modalidades diagnósticas e terapêuticas. </p>



<p>Como disse <strong>Jung</strong> (1972, p. 129), “Procura-se às vezes uma causa orgânica para alguma perturbação e não sabe que deveria procurá-la em outro lugar”. Este “outro lugar” pode ser evidente para os psicólogos analistas que conhecem a possibilidade de que as dificuldades psíquicas no relacionamento entre pai e mãe possam ser responsabilizadas por alterações orgânicas e psicológicas dos seus filhos. Jung (1972, p.129) diz que “a criança faz de tal modo parte da atmosfera psíquica dos pais que as dificuldades ocultas aí existentes e não resolvidas podem influir consideravelmente na saúde dela”.</p>



<p>De acordo com<strong> Jung</strong>, existe um <strong>estado de identidade </strong>do inconsciente entre pais e filhos através do desenvolvimento da psique desde o nascimento da criança ao primeiro ano de vida, continuando até a adolescência.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-psique-da-crianca-nao-nasce-tabula-rasa-ja-existe-nesta-crianca-um-inconsciente-e-um-germe-do-nucleo-da-consciencia-que-sera-o-ego" style="font-size:19px">A psique da criança não nasce “Tábula Rasa”, já existe nesta criança um inconsciente e um “germe” do núcleo da consciência, que será o ego. </h2>



<p><em>Que vai proporcionar e promover a proteção da psique infantil e as escolhas de quais estímulos permanecerão na consciência e quais permanecerão no inconsciente. </em></p>



<p>Considerando-se o fato que a criança se desenvolve lentamente do estado inconsciente para o estado consciente, compreende-se também que a maioria das influências do ambiente são inconscientes. As primeiras impressões recebidas da vida são as mais fortes e as mais ricas em consequências, mesmo sendo inconscientes, e talvez justamente porque jamais se tornaram conscientes, ficando assim inalteradas.</p>



<p>E para <strong>Moraes</strong> (2008, p.213) “isto é possível graças a característica de comunicabilidade absoluta do inconsciente, que não é limitado pelo tempo, pelo espaço e pela matéria”. Este conceito referente ao inconsciente está presente também na Psicologia Analítica de C. G. Jung, Stein (2006, p. 179) relata em uma carta de Jung: “foi Einstein quem primeiro me levou a pensar sobre uma possível relatividade tanto do tempo quanto do espaço, a sua condicionalidade psíquica”.</p>



<p>O período vital da criança, Moraes afirma que, a criança tem percepção ampla e profunda dos acontecimentos que a cercam, sendo esta percepção inconsciente. Moraes (2007, p.163) diz “a criança, quando nasce, já traz em si – e bem elaborada – toda a estrutura básica de seu psiquismo e a programação orgânica. E na infância, a criança continua mentalmente mais comandada pelo inconsciente que pelo consciente”. </p>



<p><strong>Jung</strong> (1972, p.121) diria ainda que “<em>a maioria das impressões surgidas nos primeiros anos de vida se torna rapidamente inconsciente e forma a camada infantil do inconsciente pessoal</em>”. Para <strong>Moraes </strong>(2007, p. 96) as crianças “costumam expressar a sua dor através de comportamentos simbólicos, doenças, acidentes, bloqueios de aprendizagem, agressividade&#8230;”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-atraves-da-sua-pesquisa-moraes-consegue-quantificar-o-quanto-o-inconsciente-dos-pais-afeta-a-crianca-tracando-a-dinamica-pais-e-filhos" style="font-size:18px">Através da sua pesquisa, <strong>Moraes </strong>consegue quantificar o quanto o inconsciente dos pais afeta a criança, traçando a dinâmica pais e filhos</h2>



<p>A grande força de influência inconsciente que os pais têm sobre a criança diminui gradativamente à medida que esta cresce. Em proporção estimativa, não estatística, eu diria que a influencia dos pais na fase do útero materno é de 90%, restringindo-se gradativamente a 75% até cinco anos de idade, a 65% dos cinco aos dez anos, e a 50% na adolescência, sendo que após essa idade o jovem a censura e se defende dessa influencia conscientemente (MORAES, 2008, p. 96).</p>



<p>E, de acordo com a mesma autora, um dos “mecanismos de defesa” da criança no período da infância, principalmente no primeiro ano de vida, é a doença física e a provocação de acidentes. Para Moraes (2007, p.169) “a criança adoece sem medir muito as consequências e percebe, com astúcia, que em torno das doenças dela os pais se unem quando não estão bem em seu relacionamento”. A criança se expõe com facilidade a perigos, riscos de vida e morte quando não se sente amada, ou melhor, quando não se sentiu amada na fase do útero materno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-a-psicologia-analitica-de-c-g-jung-e-importante-promover-a-autoeducacao-dos-adultos" style="font-size:21px">Para a Psicologia Analítica de C. G. Jung é importante promover a autoeducação dos adultos.</h2>



<p>Como disse Jung sobre a educação do adulto (1972, p. 63) “<strong>sua cultura não deve jamais estacionar, pois de outro modo começará a corrigir nas crianças os defeitos que não corrigiu em si mesmo</strong>”. É muito importante a atitude sincera dos pais.</p>



<p>Quanto mais impressionantes forem os pais e quanto menos quiserem assumir seus próprios problemas (muitas vezes pensando diretamente no bem dos filhos!), por um tempo mais longo e de modo mais intenso terão os filhos de carregar o peso da vida que seus pais não viveram, como que forçados a realizar aquilo que eles recalcaram e mantiveram inconsciente (JUNG, 1972, p. 84).</p>



<p>Entendemos que para Jung <strong>o erro dos pais estaria em fugir das dificuldades da vida levando tudo para o inconscient</strong>e, acarretando com esta atitude, indeléveis consequências na psique da criança.</p>



<p>Os conceitos apresentados nestes estudos colaboram com a medicina acadêmica que diz ser o&nbsp;cérebro construído dentro de um modelo homeostático (auto ajustado, buscando o equilíbrio) dentro de uma tríade: mãe, pai e sociedade. Suas influências, e por consequência as melhores medidas de prevenção de patologias, tanto orgânicas e como vimos neste estudo, patologias psíquicas, são da genética, da vida intrauterina, experiências durante o nascimento, amamentação no pós-parto exclusiva e depreferência até seis meses (a amamentação é a melhor medida de prevenção neuronal, afetiva e social), dos primeiros dias de vida extrauterina e do tipo de amparo (acolhimento e recepção na família e sociedade). De acordo com experiências vividas no período pós-natal (físicas e afetivas, positivas ou negativas) é que se formarão os novos caminhos neuronais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ser-humano-como-visto-nestes-estudos-encontra-se-ao-nascer-imaturo-prematuro-e-totalmente-dependente-dos-seus-cuidadores" style="font-size:18px">O ser humano como visto nestes estudos encontra-se ao nascer imaturo, prematuro e totalmente dependente dos seus cuidadores.</h2>



<p>Os mecanismos do desenvolvimento da psique e relação primal também auxiliam promover a construção e constituição do sujeito e seu ingresso normal ou patológico na sociedade. Ressalta-se neste processo o fundamental papel parental, de seus substitutos e da sociedade na apresentação do mundo.</p>



<p>Neste estudo os conceitos trazidos por Jung e Moraes colaboram com o argumento de que a primeira infância é decisiva na formação do adolescente e do adulto. A prevenção depende de uma base segura, da sensibilidade e da resiliência, que é a capacidade deste indivíduo de lidar com problemas e superar obstáculos.</p>



<p>Apesar de tudo, para Jung não convém exagerar em demasia a importância desse fato das atuações inconscientes, este fenômeno como relatado neste estudo, pertence ao desenvolvimento da psique da criança. Também aqui, como em outros pontos da prática psicológica, se constata o fato de que numa família de vários filhos apenas um ou outro deles reage no sentido de uma identidade marcante em relação ao inconsciente dos pais, enquanto os demais nada manifestam. A disposição específica de cada indivíduo é que desempenha o papel quase decisivo.</p>



<p><strong>Para pais e educadores seria uma omissão deixar de considerar a causalidade psíquica, mas seria erro atribuir a essa instância a culpa de tudo</strong>. Em cada caso influem os dois fatores, a influência dos cuidadores e a disposição de cada indivíduo, sem que um deles precise excluir o outro. Muitas vezes, para Jung e Moraes, a influência da psique dos pais sobre a psique da criança, atua mais como simples ca­talisador a desencadear reações que podem ser explica­das de modo melhor a partir da massa hereditária.</p>



<p>Acrescentamos aos conceitos de Jung a precocidade da influência da psique dos pais sobre a psique dos filhos, através da experiência clínica do Método ADI / TIP, que verificou a existência de uma instância humanística, a pessoalidade do ser humano, denominada no Método ADI / TIP, de Eu-Pessoal. Este visualizará o gameta feminino, o óvulo, o gameta masculino, a espermatozoide que formarão o futuro embrião; este fenômeno acontece três dias antes da concepção. Para Moraes a pessoalidade, ou Eu-Pessoal, estará presente nos fatos marcantes da vida do ser humano e será responsável pelas reações no desenvolvimento do corpo físico e do desenvolvimento da psique.</p>



<p>A influência da psique dos pais sobre a psique dos filhos trazido por Jung e Moraes, desde o período pré concepção e principalmente no primeiro ano de vida, abre novas possibilidades e responsabilidades, aos cuidadores, profissionais da área da saúde e profissionais da área da educação preocupados com a promoção da saúde integral do ser humano, assim é que além da hereditariedade, dos agentes infecciosos, é de suma importância levar em consideração o desenvolvimento da psique da criança. Para estes autores os pais, ou cuidadores, deveriam promover uma relação saudável em suas uniões e criar um ambiente saudável para conviverem com a criança. Para tanto é fundamental que a própria psique dos adultos que convivem diariamente com a criança estejam em contínuo processo de educação.</p>



<p>Entendemos finalmente que o desenvolvimento da psique saudável da criança está diretamente relacionado à psique saudável dos adultos. Concluímos que psiques saudáveis geram ambientes saudáveis, sendo redundante afirmar ser necessário um processo consciente de autoeducação deflagrado por adultos responsáveis e conscientes.</p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lucianaantonioli/">Autora: Luciana Antonioli</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p>FIGUEIRÓ, João Augusto.&nbsp;<em>A primeira infância e a inviabilização do possível</em>. São Paulo:&nbsp;Publicações Cremesp:&nbsp;Revista Ser Médico, pg. 10, edição 48 – Julho/Agosto/Setembro de 2009.</p>



<p>FORDHAM, Michael.&nbsp;<em>A criança e o indivíduo.</em>&nbsp;São Paulo: Ed. Pensamento &#8211; Cultrix, 1994.</p>



<p>HALL, Calvin Springer.<em>&nbsp;Introdução à psicologia junguiana.</em>&nbsp;São Paulo: Ed. Cultrix, 2005.</p>



<p>JACOBY, Mario.&nbsp;<em>Psicoterapia junguiana e a pesquisa contemporânea com crianças; padrões básicos de intercâmbio emocional.</em>São Paulo: Ed. Paulus, 2010.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>Obras Completas de C. G. Jung.&nbsp;</em>Petrópolis:Vozes. Os seguintes volumes são mencionados no texto:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol. VII / 1 –&nbsp;<em>Psicologia do inconsciente,&nbsp;</em>1971.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol. VII / 2 –&nbsp;<em>O eu e o inconsciente,</em>&nbsp;1971.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol.VIII / 2 –&nbsp;<em>A natureza da psique,&nbsp;</em>1971.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol. IX / 2 –&nbsp;<em>AION estudo sobre o simbolismo do si &#8211; mesmo</em>, 1976.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol. XVII &#8211;&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade,&nbsp;</em>1972.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vol. XVIII / 1 –&nbsp;<em>Fundamentos da psicologia analítica,</em>&nbsp;1981.</p>



<p>______ &#8211;&nbsp;&nbsp;<em>Memórias, sonhos e reflexões.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2006.</p>



<p>LIPTON, Bruce H.<em>&nbsp;A biologia da crença;&nbsp;</em>ciência e espiritualidade na mesma sintonia: o poder da consciência sobre a matéria e os milagres. São Paulo: Butterfly Editora, 2007</p>



<p>MORAES, Renate Jost.&nbsp;<em>O inconsciente sem fronteiras</em>. Petrópolis: Ed. Idéias &amp; letras, 2007.</p>



<p>______ .<em>&nbsp;As chaves do inconsciente.&nbsp;</em>&nbsp;Petrópolis: Ed. Vozes, 2008.</p>



<p>NEUMANN, Erich.<em>&nbsp;A criança.</em>&nbsp;São Paulo: Cultrix, 1980</p>



<p>STEIN, Murray.&nbsp;<em>Jung, o mapa da alma: uma introdução</em>. São Paulo: Ed. Cultrix, 2006.</p>



<p>CENTRO BRASILEIRO DE PSICOLOGIA JUNGUIANA.&nbsp;<em>Jung e o Ocultismo</em>&nbsp;&#8211; Millenium Vídeos Produção &#8211;&nbsp;psifer@vento.com.br</p>



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<p><em>Figueiró,&nbsp;</em>João Augusto – Médico clínico e psicoterapeuta. Membro fundador, vice-presidente e diretor cientifico do Instituto Zero a Seis – Primeira Infância e Cultura de Paz.</p>



<p>&nbsp;<em>Moraes</em>, Renate Jost de. Brasileira, gaúcha, residente em Belo Horizonte desde 1979. É criadora do Método ADI/TIP – Abordagem Direta do Inconsciente/Terapia de Integração Pessoal. É psicóloga graduada e pós-graduada (Latu Sensu) em Psicologia pela PUC-MG, tendo formação em Serviço Social&nbsp;e&nbsp;em Enfermagem. Defendeu tese sobre “O Problema Social do Hanseniano”. Foi Conselheira Nacional do Serviço Social.</p>



<p> <em>Jung, </em>Letters, Vol.2. pp. 108-9.</p>



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