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	<title>Arquivos pandemia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos pandemia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Em diálogo com Antígona: um ensaio sobre nossa pandemia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/em-dialogo-com-antigona-um-ensaio-sobre-nossa-pandemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristina Guarnieri]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 19:58:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos uma morte de tudo que conhecíamos. Assistimos a morte de milhares de pessoas no mundo e, no paralelo, discutimos o futuro da economia. Mas a economia depende dos vivos. Nesse embate, não há como não lembrar de Antígona, a tragédia de Sófocles. É a ela que recorremos nesse ensaio para propor uma reflexão com o que hoje estamos enfrentando com essa pandemia.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O que acontece quando constatamos que o universo é indiferente ao nosso sofrimento? Ou quando constatamos que temos muito pouco controle sobre a vida e sobre as coisas? Quando percebemos que estamos nas mãos do acaso? Ou mesmo, quando nos vemos diante de uma grande incerteza? Ou quando temos que lidar com o fato de que todos os nossos sonhos, expectativas, planos, em pouco tempo, se reduziu a pó?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Medo e luto se encontram aqui, e é sobre isso que pretendo, de certa forma, refletir com você, leitor, que talvez já esteja cansado de ser lembrado que estamos vivendo sob pressão ou uma situação nova e desconhecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos vivendo um momento em que a morte não aparece só nos absurdos números das perdas humanas que a cada dia insiste em aumentar, mas também surge roubando sonhos, planos e até mesmo os nossos cotidianos com todas as alegrias, dificuldades e automatismos, características daquilo que se faz hábito. E aquilo que era rotina, hoje se faz presente pela falta, lembrando-nos tudo que perdemos em cada instante, mergulhando-nos em uma diversidade de lutos. Sabemos que o luto é um processo que se inicia após a perda, um conjunto de sentimentos de pesar ou dor que experimentamos diante da morte do outro, mas também um conjunto de sintomas que experimentamos frente às perdas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil ainda temos um ingrediente a mais: uma política sórdida, constituída de pessoas despreparadas, só preocupadas com os próprios interesses. Em meio à pandemia, enfrentamos uma crise política e assistimos ao aumento da descrença em nossos governantes. Essa falta de confiança resulta numa série de mandos e desmandos, de orientações controversas, de um debate público cheio de afetos e&nbsp;<em>fake news</em>. As ofensas são muitas, os argumentos são diversos, mas de fato todos tem supostamente bons motivos para sustentar sua verdade. Entretanto, os bons motivos se tornam nada diante do vírus. Vivemos uma morte de tudo que conhecíamos. Assistimos a morte de milhares de pessoas no mundo e, no paralelo, discutimos o futuro da economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, a economia depende dos vivos. E a morte, como qualquer perda, é uma ruptura em nosso cotidiano que implica dor, mas também implica uma transformação, em busca de uma adaptação a uma nova vida. Experimentamos a morte no corpo, fisiológica e psiquicamente, e os sintomas estão aí para nos revelar como estamos afetados: fortes emoções, estados de alerta, dificuldades com o sono, inquietude, tensão, pânico, irritabilidade, crises de ansiedade, entre tantos outros que, direta ou indiretamente, estão ligados ao estresse do momento. Momento esse, não raro, em que aparecem imagens, ideias que, segundo Jung, podem servir como apoio em nossa reestruturação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trágico que estamos enfrentando nos remete&nbsp;às antigas tragédias que, através de sua narrativa, fornecem-nos imagens mitológicas em um enredo complexo de afetos que podemos nos orientar hoje. O mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja essência&nbsp;é uma representação coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. Poderíamos dizer, junto com Carl Gustav Jung, que o mito é um elo entre o consciente e o inconsciente coletivo, bem como as formas – arquétipos – através das quais o inconsciente se manifesta. Para Jung, “os mitos são revelações originais da psique pré-consciente, afirmação involuntária sobre acontecimentos psíquicos” (1990, § 261). Toda vez que conversamos com as imagens de um mito, podemos buscar um conhecimento mais profundo da condição humana, o que permite que possamos dialogar com uma imagem que nos ajude numa ligação do indivíduo consigo mesmo e, ao mesmo tempo, com toda a humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem que me inspira nesse texto é a imagem de Antígona, personagem da tragédia grega escrita por Sófocles em 442 aC. Antígona, etimologicamente, significa aquela que se coloca diante de sua família ou do meio em que vive (anti = diante de + goné = nascimento ou origem). A personagem é movida pelo que podemos chamar de leis divinas e, diante do decreto de seu tio Creonte, que determinava que seu irmão Etéocles fosse enterrado com todas as pompas fúnebres, pois esse teria feito tudo pela cidade de Tebas e, por considerar que o outro irmão Polenice, teria tentado invadir a cidade, tornando-se assim inimigo, Creonte determina que ele não receba as honras fúnebres e seja lançado aos cães e abutres. Antígona defende a lei natural de enterrar os mortos da família. Os dois lados tem seus motivos e justificativas para defender a própria posição. Porém, Antígona se torna um obstáculo para Creonte, pois poderia fazê-lo perder o controle da situação política de Tebas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, estamos enfrentando uma tensa discussão: o que vale mais, os mortos ou a fome? Coloco dessa forma simplista, pois diante do debate travado no mundo todo, mas especialmente aqui em nosso país, o trato com a doença, epidemia ou economia, parece carecer do apelo à subjetividade, dado que manter o mínimo de controle sobre o caos que o vírus nos trouxe, exige que nossa objetividade, sustentada pelo discurso científico, promova uma orientação em prol de nossa sobrevivência. Os argumentos são muitos, mas as defesas das necessidades básicas apelam para a defesa da sobrevivência: vida e morte parecem realizar uma dança surpreendente, na qual o medo é&nbsp;o anfitrião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de perspectiva, a ideia de um futuro impedido, sonhos destruídos, perda de referências, falta de segurança econômica me coloca na mesma condição do morto que a pandemia carrega. Somos humanos com medo de ser, impactados por nossa própria condição e com medo de morrer. E, tanto faz, se simbolicamente ou concretamente. Nossa dor sofre com a nossa condição de desamparo: estamos só no mundo, sozinho na vida, em casa e na morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso medo é tão forte que retoma a ideia de termos ofendido os deuses, isto é, o que fizemos para enfrentar tal castigo? Quem ofendeu? Quem é o culpado? Qual o sacrifício que pode acalmar os deuses? Como posso me livrar do mal? Eu ofereço a mim mesmo ou ofereço o meu trabalho? Ofereço minha morte ou minha vida?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossa consciência parece colapsar com tanta ambiguidade, pois sua tendência&nbsp;é para unilateralidade. Queremos o conforto da certeza que a tragédia quebra, queremos evitar a tensão dos opostos:</p>



<p class="wp-block-paragraph">É&nbsp;difícil encontrar outro fenômeno psíquico que mostre com maior clareza a polaridade da psique do que a consciência. Se quisermos entender alguma coisa sobre o assunto, só podemos explicar sua dinâmica evidente em termos energéticos, isto é, como um potencial baseado em opostos. A consciência traz estes opostos que sempre e necessariamente estão presentes à&nbsp;percepção consciente. Seria o maior erro pensar que poderíamos livrar-nos dessa polaridade, pois ela é&nbsp;um elemento indispensável da estrutura psíquica. (JUNG, 2013, § 844)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos diante da vulnerabilidade de nossa condição, somos mortais e além disso não temos controle de nada. Esse controle está implicado em nossa autonomia, independência e determinação. Nossa insuficiência estampa as páginas dos jornais, das mídias sociais, dos programas de TV. Discuto com a imagem dos noticiários, pois ele informa sobre aquilo que quero negar; entro em uma disputa nas mídias sociais, pois quero confirmar minhas verdades ou mesmo conscientizar aquele que insiste em não ver o que está acontecendo; discuto com os articulistas dos jornais, pois eles me validam, dando-me mais segurança ou me questionam, deixando-me mais inseguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Antígona me lembra que não quero e não devo ofender aos deuses. Precisamos enterrar nossos mortos, necessitamos da concretude da morte para iniciarmos nosso processo de enlutamento, precisamos velar nossos mortos para que juntos possamos assimilar a ruptura de uma vida e nos lembrar de quem realmente somos. Mas o enterro está sob as leis do Estado, assim como os velórios e todos os nossos ritos fúnebres. E, com isso, uma solidão e distância se impõem no momento mais singular da vida: nossa própria morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do sofrimento é muito difícil não me sentir indignada. Como falar de números de mortos sem lembrar que cada um desses mortos é&nbsp;alguém na vida de um ou outros viventes, que cada número, que teima em crescer, amplia minha sensação de insegurança, meus medos, a dor e a presença de nossa vulnerabilidade. Pois cada morte se refere a uma morte em mim. Não há economia feita de mortos. Na verdade, não há mais saída: os mortos já estão em nossa casa, nos restaurantes, nos bares, nos shows, nos templos, nas escolas, nos bancos, em nossos saldos bancários, em nosso futuro. Por isso, talvez, somos convidados a ignorar os mortos, pois preciso garantir a ilusão de que há um futuro, que a vida retomará seu curso. Para quem? Não podemos nos iludir, a vida continuará, apesar de nós, ou além de nós. A vida não pára e teremos um árdua tarefa daqui para frente, precisamos recolher os nossos cacos e somente os nossos recursos internos irão nos ajudar a prosseguir: os sobreviventes terão que mostrar sua relevância e resiliência diante das adversidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, não&nbsp;é&nbsp;difícil imaginar que muitos de nós precisem de um pai salvador, de preferência o Estado, que nos dê amparo para prosseguir. Mas o Estado não poderá fornecer o amparo necessário, não porque o dinheiro seja insuficiente, porque as regras sejam demais para seguir, ou porque eles podem garantir os meus direitos e desejos. O Estado está refém de sua própria&nbsp;<em>hybris,&nbsp;</em>ou de sua soberba como aponta nosso sábio Tirésias na narrativa, quando vem aconselhar Creonte sobre seus atos. E como prosseguir?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há quem posa nos salvar, precisamos olhar o nosso próprio mal estampado em toda pobreza, miséria, injustiça social, criminalidade, corrupção e crise de valores. Nossa sombra está se revelando diante de nossos olhos. Insistimos em não ver, mas a cordialidade de nosso povo se mostra em sua mais tenebrosa face egoísta. Os gritos e aplausos que ouvimos se tornaram ruídos incômodos do nosso caos enquanto nação. Provavelmente, em breve, seremos mundialmente expostos como o país que teve o maior número de mortes e o mais tolo comportamento diante da crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antígona é uma heroína que se sacrifica pela integridade e pela dignidade humana; ela morre como símbolo da resistência&nbsp;à hipocrisia, ao poder, às decisões arbitrárias, aos interesses egoístas. Antígona, diante da determinação de Creonte, afirma: &#8220;ele não pode impor que abandone os meus.”&nbsp;Creonte indaga Antígona se ela se atreve a desobedecer sua lei, ao que ela responde:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque não foi Zeus que a ditou, nem foi a que vive com os deuses subterrâneos &#8211; a Justiça &#8211; quem aos homens deu tais normas. Nem nas tuas ordens reconheço força que a um mortal permita violar aquelas não escritas e intangíveis leis dos deuses. Essas não são de hoje, ou de ontem: são de sempre; ninguém sabe quando foram promulgadas. (1997, p.62)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antígona nos fala do passado, atualiza o que hoje, sobretudo, causa-nos repulsa. Na agonia de nossa quarentena, enfrentamos os fantasmas que assombram nosso futuro. Os fantasmas vêm cobrar nossa posição diante do caos. O medo pede enfrentamento e coragem. Como nossa tragédia nos ensina?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sófocles nos propõe o embate de dois princípios: o masculino e o feminino, o que é subjetivo e o que é objetivo. Nossa distância social nos remete às diferenças imensas de classes, o que implica uma explicitação do nosso distanciamento enquanto humanos. Eros há muito tem pedido consideração. Mas, talvez, seja insensato de nossa parte confiar a Eros as nossa decisões política e econômicas. Seria insensato. E não posso deixar de citar o argumento de Antígona: […] posso parecer-te uma&nbsp; louca (algumas traduções aparece como insensata), talvez: mais louco, porém, é o que me julga louca. (1997, p.62)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando lemos essa afirmação de Antígona, não há como deixar de nos perguntar: quem é o insensato (ou o louco), qual a insensatez (ou a loucura)? Quem sabe alguma coisa? Quando a dignidade humana é violada em sua mais básica experiência de viver e morrer, quando não mais nos tocamos por tanta morte e por tanta dor, perdemos o senso e nos perdemos na insensatez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acrescento, ainda, a fala de Jung: &#8220;se quisermos entender uma questão tão complexa quanto o bem e o mal, é preciso partir do seguinte: bem e mal são em si&nbsp;<em>princ</em><em>í</em><em>pios</em>; e princípios existem bem antes de nós e perdurarão depois de nós.” (2013, § 859) Jung nos lembra que ao adjetivar algo como bom ou mau, estamos sustentados em um critério subjetivo. Não temos como definir isso. Para ele, precisamos colocar a descoberto a situação conflitiva, que muitas vezes ainda está inconsciente, e, a partir disso, buscar uma saída para o conflito. A tragédia se repete, pois não temos saída para o conflito, não sabemos o que está acontecendo. Muitas coisas nos são apresentadas, mas não sabemos muito bem o seu sentido ou mesmo como qualificá-las ou interpretá-las. Aparecem &#8220;cobertas pelo véu da sombra e ocultas pela escuridão: só mais tarde a luz se projeta sobre o escondido&#8221; (2013, § 866). E quando essa luz será projetada?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Continua o texto:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antígona:&nbsp;</strong>Pouco importa: a lei da morte iguala a todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Creonte:&nbsp;</strong>Mas não diz que o mau tenha o prêmio do justo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antígona:</strong>&nbsp;Não será talvez piedade isso entre os mortos?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Creonte:</strong>&nbsp;Mesmo morto, nunca é amigo um inimigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Antígona:&nbsp;</strong>Não nasci para o ódio: apenas para o amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Creonte:&nbsp;</strong>Se amar&nbsp;é o que queres, vai amar os mortos! Enquanto eu viver, mulheres não governam! (1997, p.62)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como foi dito acima, Eros está confinado na sombra, foi mandado ao mundo dos mortos, parece gritar de lá que sejamos atento ao simples, à vida, ao pequeno que em nós afeta. Mas cheios de razão nos rebelamos contra Eros. E não por acaso, como se não bastasse o caos no mundo, vivemos secretamente a falta de amor dentro de nós: a violência explode fora e dentro das casas, carreatas de reivindicações diante de hospitais e violência doméstica contra idosos, mulheres e crianças dentro dos lares. Será que estamos tentando eliminar o que consideramos frágeis, por medo de enfrentar a nossa própria impotência?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antígona se confronta com Creonte, como a luz se confronta com a sombra, e ambos se explodem na tragédia,&nbsp;única saída para evidenciar a força dos dois lados: “quem percebe ao mesmo tempo sua sombra e sua luz este se enxerga dos dois lados e, assim,&nbsp;<em>fica no meio”&nbsp;</em>(JUNG, 2013, § 872).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando nada enfrenta a desmedida de nossa razão, quando não somos tocadas pelas mais de 20 mil mortes – número que estampa as páginas de jornais quando escrevo esse artigo –, nossa babel de opiniões dispara em um debate insano que produz verdades absurdas que assistimos como um jorro de vômito que cheira mal. O outro que sou obrigada a mastigar me impede de me diluir na massa indiferenciada jogada entre os diversos interesses que a manobram. Ampliar nossa consciência&nbsp;é a única saída, mas isto é trabalhoso, demanda que eu reconheça o mal em mim e, no trabalho de confronto, me entregue ao reconhecimento de minha própria insuficiência, ao silêncio do mistério que me constitui, ao não saber que resiste&nbsp;às opiniões (<em>doxa</em>), na busca incansável do conhecimento (<em>episteme</em>) que pede tempo de dedicação, de esforço, de fé e muito trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hemos, filho de Creonte, será o personagem na tragédia que tentará observar os limites de cada posição. Seu diálogo com Creonte pretende mostrar a necessidade de fazer uma escuta de Antígona, pois mostra a importância de considerar determinados princípios em todas as decisões do coletivo. O diálogo entre Creonte e Hemon mostra que as decisões tem a ver com o poder, mas que há limites, e&nbsp; a morte é um deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tragédia está posta na não escuta. A tragédia é o modo como a vida mostra sua força e como a morte aponta os limites humanos. A tragédia revela como Eros e Thanatos são forças arquetípicas em nós. Forças poderosas que nos constitui e que nos faz andar em pleno abismo como equilibristas em pleno ar, tendo sob os pés um fina linha onde nos sustentamos e onde temos que andar. Portanto, não devemos deixar de escutar o Coro em sua advertência final:&nbsp;“há muito que a sabedoria é a causa primeira de ser feliz. Nunca aos deuses ninguém deve ofender. Aos orgulhosos os duros golpes, com que pagam suas orgulhosas palavras,&nbsp; na velhice ensinam a ser sábios.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos que ser sábios (algumas traduções diriam prudentes) ao julgar o que é necessário agora. Não há como negar que nosso momento, como todos os momentos únicos na existência,&nbsp;é-nos desconhecido e tenebroso. Saber o que é o certo a fazer não&nbsp;é tarefa para uma pessoa. Nenhum de nós sabe o que fazer, nenhum de nós sabe como essa doença se comporta e como iremos nos defender dela, nenhum de nós sabe como estaremos daqui alguns meses, de como viveremos a partir de agora e de como será nosso futuro. Nada é&nbsp;certo&nbsp;– como sempre na vida – mas agora só estamos assistindo tentativas desesperadas de controle como se em algum lugar já soubéssemos o que fazer. O trabalho, a economia, o dinheiro não são alternativas ao isolamento, ao comportamento, à morte. Sabedoria é&nbsp;a condição que o momento nos pede para que a desmedida vivida nesse momento não se torne um golpe ainda maior em nosso orgulho – embora alguns já concordariam que estamos como Creonte, golpeados em nossa soberba e, talvez, compadecidos e fiéis aos nossos princípios, estamos entregues, como Antígona,&nbsp;às nossa decisões apaixonadas. Prudência e sabedoria, talvez, sejam a resposta que devemos aprender com a tragédia. E, para isso, melhor mantermos o silêncio e silenciar tantas desmedidas certezas. E silêncio, nos dias de hoje, não&nbsp;é tão difícil, pois não há&nbsp;como não silenciar diante de tanta morte. Só nos resta o silêncio e, talvez, essa seja a única coisa que possamos fazer. Em silêncio rezar, como forma de velar e honrar aqueles que hoje não nos é permitido prestar as devidas honras fúnebres. Em silêncio guardar todo o enfrentamento e ensinamento do que estamos atravessando. Pois, depois, teremos que agir, e agir com coragem, que será o que a vida irá esperar de cada um de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dra. Maria Cristina Mariante Guarnieri</strong>, Psicóloga clínica, docente do IJEP- Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, nos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, e Arteterapia; Pesquisadora do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia, LABÔ- PUC/SP.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referê</strong><strong>ncias :</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">SÓFOCLES.&nbsp;<em>Antí</em><em>gona.&nbsp;</em>in: Três tragédias gregas: Antígona, Prometeu prisioneiro, Ajax/ trad. Guilherme de Almeida, Trajano Viera, São Paulo: Perspectiva, 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>Civilização em Transição</em>. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______&nbsp;<em>Aion</em>. Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 1990.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Maria Cristina Mariante Guarnieri &#8211; 26/05/2020</em></strong></h4>
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			</item>
		<item>
		<title>CORONAVÍRUS – REFLEXÕES PROVOCATIVAS E METAFÓRICAS</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/coronavirus-reflexoes-provocativas-e-metaforicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jul 2022 23:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicopatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta narrativa exponho temas contraditórios, ambíguos, efêmeros e incertos, e espero que o leitor não os receba como verdades absolutas. Minha intenção é refletirmos quanto que o bom humor e o amor são os melhores instrumentos para que o sistema imunológico fique saudável e eficiente contra os vírus reais, ou ideológicos e políticos, enquanto o medo, a raiva e o egoísmo são destrutivos. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este texto, assim como as demais produções que faço, tem a intenção de socializar intuições, sentimentos, pensamentos e sensações que afloram na minha consciência, à medida que vou sendo afetado pela pluralidade e multiplicidade de estímulos internos e externos, associados aos meus estudos e experiencia clínica e da vida. Nessa dinâmica, algumas ideias que saem deste vaso alquímico me atravessam, e sei que elas não são exclusivamente minhas, porque nada pode ser só nosso. Na condição de analista junguiano, continuamente promovo o confronto antinômico, que equivale ao reconhecimento da polaridade e do contra ponto opositivo daquilo que imaginamos ser a realidade. Atuo continuamente alinhado com a lei dos opostos e valendo-me da ampliação analítica, metafórica e simbólica. Esse método, dialético e hermenêutico, visa estimular a crítica reflexiva e a ampliação da consciência, para que as pessoas possam se libertar das fixações nas imagos parentais, que são as influências trasngeracionais, e adquiram autonomia intelectual, espiritual, econômica, social, familiar, amorosa e profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A meta é diminuir a autonomia da neurose e dos complexos, por meio do confronto do eu com o inconsciente, para que nenhuma forma de partidarismo cego, unilateralidades fundamentalistas, conservadorismos retrógrados e nefastos, egoísmo, medos, ressentimentos, raiva, ódio, fanatismos e obsessão pelo poder, permaneçam dominando o indivíduo, devido sua ignorância ou, caso ele saiba que existe nele o mundo sombrio e os complexos, hipocrisia. Desta forma, os artigos postados no site do IJEP não podem ser compreendidos de forma literal. Quem faz isso, principalmente quando se autoproclama analista junguiano, está sendo leviano e mal-intencionado. Porque, deveria saber que nosso objetivo, assim como foi o do Jung, é possibilitar narrativas analíticas, ampliando simbolicamente os temas, para que possam surgir insights e, consequentemente, a energia psíquica que estava represada possa voltar a fluir para a totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta narrativa exponho temas contraditórios, ambíguos, efêmeros e incertos, e espero que o leitor não os receba como verdades absolutas. Minha intenção é refletirmos quanto que o bom humor e o amor são os melhores instrumentos para que o sistema imunológico fique saudável e eficiente contra os vírus reais, ou ideológicos e políticos, enquanto o medo, a raiva e o egoísmo são destrutivos. Também pretendo analisar, simbólica e metaforicamente, os possíveis benefícios evolutivos desta pandemia, que está fazendo com que as pessoas se distanciem corporalmente, mas se aproximem animicamente. Mas, para isso, precisam superar os mecanismos de defesa que produzem padrões reativos, muito bem descritos por Klüber-Ross, que percorrem atitudes de negação, revolta, barganha e depressão, até que um salto de consciência possa proporcionar a aceitação, para que aconteça a superação da crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contato com infectologistas e cientistas políticos ficou evidente que estamos vivenciando tempos sombrios, e o maior responsável, aparentemente, é a virulência de coisas ínfimas, desprezíveis e até insignificantes, que vão penetrando sorrateiramente nos corações, mentes e corpos, com forte potencial de contágio e capazes de produzirem estragos irreparáveis. Tanto as ideias unilaterais e absolutistas quanto os vírus agem de forma igual. No primeiro momento parecem insignificantes, até acreditamos que não passam de arroubos emocionais, de um indivíduo autêntico e transparente com suas emoções, ou que é uma simples gripezinha. Em ambos os casos, dos vírus psíquicos ou proteicos, os mecanismos de negação possibilitam acreditarmos que, se complicar, tomamos atitudes legais para afastarmos o mal, ou usaremos remédios e exterminamos o inimigo biológico. Só que isso não funcionou nem com a febre espanhola, que começou no USA e matou 100 milhões de pessoas há cem anos, e nem com o nazismo, que matou 85 milhões há 80 anos. Ambas “pestes” começaram devagar e sorrateiramente, invadindo corpos, mentes e corações, até tornaram-se tragédias de grandes proporções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente li esta frase proferida pelo secretário de saúde dos USA, tentando sensibilizar políticos irresponsáveis para o risco do COVID-19: “Tudo o que dissermos antes de uma pandemia vai parecer alarmista. Tudo o que fizermos depois vai parecer insuficiente.” Essa afirmação exige reflexão, humildade e, acima de tudo, cooperação entre toda humanidade, com trocas de informações, tecnologias, solidariedade e desapego material. Pena que a afirmação de Hegel de que “a história nos ensina que a história não nos ensina nada” é verdadeira e, mais uma vez, estamos as voltas com lideranças que pensam exclusivamente no capital, tratando os seres humanos como bens de produção, potencializando as consequências nefastas deste contínuo abuso que gera desequilíbrio ambiental e social, possibilitando o surgimento e a proliferação exponencial desta peste que nos atinge agora e, apesar de alguns idiotas “pregarem” o contrário, exige que a humanidade fique reclusa e isolada em seus lares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que esta situação de isolamento seja superada sabemos que será necessário que mais de 70% da população seja contaminada, curada e, consequentemente, imunizada ao novo coronavírus. Isso se esse vírus não se comportar como a maioria dos nossos políticos, que sofrem mutações ideológicas e comportamentais. Óbvio que ninguém quer ser contaminado. Mas, se não for contaminado não adquirirá imunidade e ficará refém do vírus. Porém, como fomos “educados” para competir, ganhar, acumular, obter vantagens e benefícios, torcemos para que os outros sejam contaminados e, se tiverem sorte, curados, nos livrando desse mal. Também sabemos que essa contaminação, para não sobrecarregar o sistema saúde de alta complexidade, que no Brasil e em grande parte do mundo é insuficiente e incapaz de atender muitas pessoas simultaneamente, a contaminação com o COVID-19 precisa ser diluída nestes próximos 90 dias. Com isso, também fica meio que implícito que até meados de julho/20 ficaremos nesta operação de distanciamento social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece que um possível ganho secundário desta crise é que estão surgindo atitudes de alteridade, do calor amoroso da aproximação das almas, apesar do afastamento dos corpos e, acima de tudo, para o resgate da capacidade do amor altruísta e a luta revolucionária, que começou com o advento de Jesus Cristo, para que todos os humanos, independente de credo, etnias, cor, gênero, orientação sexual ou condição sócio econômica, seja tratado amorosamente, com igualdade, liberdade e fraternidade, transcendendo as diferenças e servindo a alma. Isso é o que&nbsp;Carl&nbsp;Jung&nbsp;chama de estar consciente e atuante no processo de individuação. Mas, para que essa ampliação simbólica aconteça, as pessoas necessitam compreender que aprender palavras podem deixá-las possuídas por conceitos! Quanto menos profundidade e compreensão da complexidade dos fatos e da vida, mais defesa intelectual, conceitos e definições unilaterais. Infelizmente, essa atitude só serve para afastar as pessoas de si mesmas e, consequentemente, de suas almas, aprisionadas em suas personas conceituais, deixando-as dependentes das instituições produtoras dos conceitos e projetando seus aspectos sombrios num outro qualquer!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia é global e não importa onde começou, porque sua capacidade de contágio e disseminação em todos os cantos do planeta servem para compreendermos que não existem muros para conter a força da natureza. Acredito que a direção retrógrada que algumas lideranças está tomando, segregando e instalando muros, apostando neste neoliberalismo que, sabidamente, produz mais sectarismos, exclusão, desigualdade, preconceitos, obsessão pela riqueza material, prazeres efêmeros, egoístas e individualistas, valorizando apenas a racionalidade apolínea, com o advento desta peste, vai ter de ser reconsiderada. Afinal das contas, essa é a função secundária das crises, possibilitar um salto evolutivo na humanidade. Por isso, o prefixo “cri” significa ruptura e mudança. Não é por acaso que está nas palavras Cristo, criança, criatividade e crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A humanidade experimentou inúmeras vezes, tanto individualmente quanto como coletividade, que a consciência individual significa separação e inimizade. No indivíduo, o tempo de dissociação é tempo de doença, o mesmo acontecendo na vida dos povos. Não podemos negar que a nossa época é um tempo de dissociação e doença. As condições políticas e sociais, a fragmentação religiosa e filosófica, a arte e psicologia modernas, tudo dá a entender a mesma coisa&#8230;A palavra crise também é expressão médica que sempre designa um clímax perigoso da doença&#8230;Com a tomada da consciência, o germe da doença da dissociação plantou-se no espírito da humanidade, sendo o maior bem e o maior mal ao nosso tempo.”&nbsp;&nbsp; JUNG, C. G.&nbsp;<em>Civilização em Transição</em>&nbsp;§ 290.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos da psicossomática, na abordagem da psicologia analítica, nos ensina que os sintomas, assim como os sonhos, os eventos de sincronicidade e as produções criativas são manifestações que possibilitam compensação da relação do eu com o inconsciente, ampliação da consciência, autoconhecimento, aprendizado e até antevisão do que está por vir. Por isso sempre afirmo que os sintomas são expressões simbólicas que, de forma violenta, violam e revelam os conflitos do amor próprio. Essas são as razões que nos faz ampliar simbolicamente o sintoma, questionando quando aconteceu, onde aconteceu, que órgão ou sistema está prejudicando, o que você passou a fazer e ou deixou de fazer depois do seu advento, entre outas perguntas que servem para ampliar a consciência e, quem sabe, permitir que a energia psíquica que estava represada volte a circular. Devemos fazer isso tanto com os sintomas individuais quanto com os coletivos, como as “pestes” biológicas ou psíquicas que humanidade vivenciou. Historicamente, sabemos que grandes crises coletivas produziram grandes evoluções. Nos últimos dois séculos tivemos, psiquiatricamente, a histeria que possibilitou o início da inclusão da mulher, a esquizofrenia a relatividade e a depressão o retorno do sagrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, no início da década de 2010, a primeira peste que começou assolar a humanidade é a do conservadorismo retrógrado e nefasto, disfarçada de neoliberalismo capitalista, gerando mais exclusão, desigualdade e desumanidade. Ela acometeu muitas pessoas por não possuírem imunidade para ilusão de poder, segurança e certeza absolutista do discurso unilateralista, nacionalista e materialista do fascismo. Óbvio que muitos simpatizantes deste sistema são oprimidos que, iludidamente, se sentem numa condição melhor na escala social e agora sonham em serem opressores, como nosso saudoso Paulo Freire ensinou, deixando evidente o surgimento dos capitães do mato, na época da escravidão e, infelizmente, alguns permanecem ativos e até galgam poder, sem terem consciência de que estão a serviço, única e exclusivamente, das minorias dominantes da “casa grande”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento, surge o segundo golpe na humanidade contemporânea, o Corona Vírus. Como tenho formação homeopática, acredito que o semelhante é que cura o semelhante e, quem sabe, com essa pandemia, a humanidade consiga restaurar sua imunologia emocional, abrindo mão da ilusão do poder, recuperando nosso bem maior que é o amor, único caminho para restaurar nosso sistema imunológico, para aprendermos a nos defender tanto dos fascistas quanto do COVID-19 e, obviamente, nos&nbsp;livrar da nossa&nbsp;&nbsp;virulência territorialista, sectária, excludente&nbsp;e gananciosa.&nbsp;Porque, nada acontece ao acaso, o Self tem primazia sobre o Ego e, óbvio que tudo ainda de forma incipiente e, infelizmente, unilateral e muitas vezes fanáticas, o benefício da crise ainda está inviabilizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ampliando simbolicamente esta pandemia, temos algumas provocações importantes: Por que será que ela é mais fatal para 70% dos homens acima dos 60 anos e as crianças raramente complicam, mas são transmissores em potencial? Por que o vírus ataca, preponderantemente os pulmões e esses, psicossomaticamente, junto com a pele, são responsáveis pela manutenção da vida devido sua função de trocar: dar, receber, retribuir? Será&nbsp;que o medo ou a dificuldade de trocar, de forma harmoniosa e igualitária, está produzindo este sintoma? Por que será que o vírus tem uma camada de gordura e justamente isso é sua vulnerabilidade, destruindo-o com sabão, enquanto 30% da humanidade não tem nenhuma camada gorda para sua proteção, porque estão abaixo da linha de pobreza?&nbsp;Não é interessante que a forma deste vírus é esférica, como os corpos celestes, numa época retrógrada onde alguns até consideram a Terra ser plana? O nome dado ao vírus representa coroa, qual reino ele representa? Sua primeira manifestação foi na cidade que vai implantar primeiramente a tecnologia 5G, será que isso é puro acaso? Existe puro acaso? Por que estamos tendo que temer coisas ínfimas e toda tecnologia atômica de destruição em massa não serve para nada? Porque temos que, ritualisticamente, fazer contínuas ablusões, com a lavagem das mãos? O que temos que, alquimicamente, aprender com a solucio? Por que depois do confinamento, o número de pedido de divórcios na China surpreendeu e agora, no Brasil, durante a quarentena, a violência contra a mulher aumentou? Por que não ligamos para a praga de gafanhotos que está, neste momento, arrasando o continente africano e o novo corona vírus nos interessou muito antes de chegar aqui? Será que temos que voltar para a caverna e reaprender com Platão? Qual é a divindade, parafraseando Jung, que está por trás desta manifestação de Pã?</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os deuses tornaram-se doenças. Não procuramos mais os Deuses no Olimpo, nem nos antigos cultos, templos ou estátuas do passado, nem mesmo em seus dramas e narrativas míticas. Em vez disso, os Deuses aparecem em nossas desordens, particulares é claro, mas também públicas.”&nbsp; JUNG, C.G. in HILLMAN, J. Cidade e Alma, pg. 66.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece que esta pandemia está possibilitando questionarmos o patriarcado que, infelizmente, estava retroagindo para os padrões das regras abraâmicas do antigo testamento. Precisamos repensar que mundo vamos deixar para nossas crianças, que viraram risco de vida para os homens que estão no poder. Acredito que também precisamos repensar as religiões e compreendermos que Deus está dentro de nós e não precisamos de nenhum intermediário para nos aproximar dele. Óbvio que a relação comunitária é importante, mas não da forma que alguns grupos religiosos estão atuando, totalmente voltados para a riqueza material e cobrança de serviços de despachante da relação do fiel com o sagrado. Precisamos deixar a ilusão de vencer o outro e acreditar que iremos vencer juntos, esse é um dos ganhos que essa crise pode estar dando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As sete leis da tábua e esmeraldas, estão amplamente validadas neste cenário de crise! O Princípio de Mentalismo, da Correspondência, da Vibração, da Causa e Efeito, da Polaridade, do Ritmo e do Gênero para que aconteça a Transmutação Mental. O salto de consciência tão necessário para nos salvarmos do planeta e aprendermos amarmos uns aos outros. A crise é uma espécie de enantiodromia, onde o pêndulo está possibilitando refletirmos que de nada adianta o suntuoso e ostensivo arsenal bélico das grandes potencias, com suas ogivas nucleares, misseis, caças, submarinos e a infinidade de equipamentos, armas e investimentos que, com apenas 30% do montante gasto, resolveria o problema mundial da fome, da falta de saneamento, de educação e saúde, promovendo inclusão, igualdade, fraternidade e, consequentemente, liberdade. Essa mudança geopolítica exigiria, cada vez menos, armas de defesa territorial, e possibilitaria mais ciência cooperativa e global para nos proteger das coisas microscópicas e de nós mesmos!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredito que depois desta tempestade, vamos sair da forma que nos vemos, e que vemos o mundo, para vermos ambos de forma diferente &#8211; nós e o mundo, de modo mais plural e diverso, longe da normose do consumo, da competição e do egoísmo, repensando o patriarcado, para que o dinamismo da alteridade venha à tona. Porque, quando superarmos o dinamismo patriarcal, ingressaremos na prática da alteridade, onde a hierarquia será entrelaçada. Assim poderemos compreender que em todas as relações existirão assimetrias, porque, numa mesma relação, em determinados aspectos você pode ser superior e, em outros, inferior, independentemente de gênero. Bem diferente do machismo patológico, onde a superioridade do masculino, diante do feminino, tem que ser absoluta!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia também está revelando que existem bens e serviços que devem ficar por conta do Estado, como saúde, educação e segurança, e que aquilo que chamávamos de normalidade é que era o problema. Por isso, a acumulação ilimitada, a competição, o individualismo, a indiferença com a miséria de milhões de excluídos, a fantasia do Estado mínimo e a exaltação do lema de Wallstreet: “greed is good” &#8211; a cobiça é boa, não tem o menor sentido. Vamos aprender, a duras penas, que existe uma interdependência de todos com todos e que pertencemos a Gaia e que, se não cuidarmos dela, coisas piores virão. Aliás, sem educação de qualidade, ampliação de consciência, autoconhecimento e crítica reflexiva, a Bíblia vira instrumento do diabo ou destes líderes manipuladores, que só querem explorar e tirar dinheiro do povo! Assim como, conhecimentos filosóficos podem virar instrumentos de manipulação nazista, fascista, imperialista ou comunista. A humanidade necessita de mais Jesus nos corações e mentes e menos memes dos falsos profetas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O homem perdeu o temor de Deus e pensa que tudo pode ser julgado de acordo com medidas humanas. Esta hybris, que corresponde a uma estreiteza de consciência, é o caminho mais curto para o asilo de loucos&#8230; Abandonamos, no entanto, apenas os espectros verbais, não os fatos psíquicos responsáveis pelo nascimento dos deuses. Ainda estamos tão possuídos pelos conteúdos psíquicos autônomos, como se estes fossem deuses. Atualmente eles são chamados: fobias, obsessões, e assim por diante; numa palavra, sintomas neuróticos. Os deuses tornaram-se doenças. Zeus não governa mais o Olimpo, mas o plexo solar e produz espécimes curiosos que visitam o consultório médico; também perturba os miolos dos políticos e jornalistas, que desencadeiam pelo mundo verdadeiras epidemias psíquicas.” JUNG. C. G. e WILHELM. R. O Segredo da Flor de Ouro pg. 50.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levar a sério a realidade da alma por meio da relação com o mundo dos espíritos e das imagens, que expressam infinitamente mais do que a linguagem falada ou escrita, é o maior desafio da humanidade neste momento onde as tecnologias da informação e da computação estão prestes em introduzir, na realidade cotidiana, a inteligência artificial e a robótica. É do confronto dialético da consciência com o inconsciente que surgem possibilidades integrativas apontando, tanto para o autoconhecimento quanto para o reconhecimento da alma, para que o homem total possa emergir. A soma dos avanços tecnológicos eletromagnéticos, químicos e biológicos, desarmonizando o meio ambiente e a vida como um todo, podem produzir aberrações bacterianas, virais e fúngicas que associadas a 8 bilhões de seres vivos irão exaurir os recursos naturais, poluindo e contribuindo para o aquecimento do planeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa crise evidencia a falta de políticos com ideologias sérias, éticas e, preferencialmente, democráticos e parlamentaristas, para evitar&nbsp;que um inepto e demente se instale de forma absolutista ou imperialista no poder. Porque, sabemos que o poder afugenta o amor e inebria, direita ou esquerda! A necessidade de instrumentos para evitar que o fascínio pelo poder, pela fama e pelo prazer, neste caso de ver a morte do outro, desvirtuem os valores éticos e ideológicos dos políticos &#8211; não&nbsp;podemos&nbsp;esquecer das&nbsp;três tentações de Cristo. Por isso, essa&nbsp;peste antropogênica é um incomodo ao negacionistas, que desqualificam e até querem destruir a ciência, porque estão abduzidos por convicções extremistas, somadas com avareza, egoísmo e ignorância. Assim como é incomodo para as grandes fortunas, protegidas em seus&nbsp;bunkers&nbsp;assépticos e com seus respiradores garantidos, estimulando que a massa trabalhadora, apesar do contágio e risco fatal, trabalhe, enquanto eles contabilizam mortes e lucros. Para resolvermos esse impasse entre saúde e economia basta pegarmos 10% da fortuna de 20% das maiores riquezas e esse paradoxo se resolve. Além disso, como todos estamos no mesmo barco, quem sabe uma nova ordem econômica venha acontecer, onde a igualdade, com distribuição de conhecimento, saúde, segurança e renda seja praticada de fato.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Educação afetiva emocional é cada vez mais importante e necessária para a saúde do indivíduo e da sociedade. Não adianta nada saber das coisas sem saber de si mesmo, agindo reativamente aos afetos, constantemente possuído por complexos em busca da sobrevivência ou manutenção da vida, na maioria das vezes, sem significado, sentido ou entusiasmo. Como não existe nada absoluto, nem o mal, o novo coronavírus surge neste momento que a humanidade está tensionada de um lado, pela dinâmica dos fundamentalismos e fanatismos religiosos e, do outro lado, pela dinâmica econômica do capitalismo neoliberal valorizando apenas a matéria. Neste caso, como terceiro elemento, destrutivo/criativo, surge esta manifestação virulenta, podendo despertar a consciência de Cristo do amor altruísta, ou gerar mais destruição de todos contra todos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo, o Self Cósmico, pode ter possibilitado essa manifestação trágica, como crise criativa para que a dicotomia unilateral entre as religiões, que desejam manter a humanidade regredida numa condição mágica e paradisíaca, antes da tomada de consciência da queda do paraíso, da nostálgica experiência da confiança primordial. E o materialismo, cumulativo e rentista, que quer transformar a humanidade em bens de produção, como máquinas e autômatos para possibilitar apenas lucros e acúmulo para manter os dominantes no poder, como sempre aconteceu, desde as épocas onde a maioria dos Estados eram religiosos. O mais surpreendente, é que ambas dinâmicas se juntaram, mesmo neste momento que imaginamos que a maioria dos Estados é laica. Provavelmente porque os dominantes sabem que, evolutivamente, o ciclo da alteridade, que é o da revolução Aquariana, anunciado por Cristo há 2 mil anos, está se aproximando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, acredito e desejo que esta crise sirva para revermos a economia global, a exclusão, a desigualdade, os muros, as armas bélicas, a competição, a ganância, as ditaduras, o imperialismo, o negacionismo, o populismo, o fascismo, o nazismo, o fanatismo, as unilateralidades e todos os resquícios retrógrados deste patriarcado hierarquizante e androcêntrico, que agora amedrontado e agonizando, para que o dinamismo da alteridade se instale e impere na humanidade, despertando cooperação, amorosidade, liberdade, igualdade, fraternidade e altruísmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">29 de março de 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paz e Bem, graças ao reconhecimento e aceitação consciente da Guerra e do Mal que habitam em nós!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente fiz dois vídeos que abordam esse tema. Eles estão publicados no Canal do YouTube do IJEP, nestes links:<br><br>Quarentena, depressão e solitude solidária:&nbsp;<a href="https://youtu.be/0U20Q5GcK5s">https://youtu.be/0U20Q5GcK5s</a></p>



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<iframe title="Quarentena, Depressão e Solitude Solidária - Dr. Waldemar Magaldi Filho" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/0U20Q5GcK5s?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph">Coronavírus e sua função evolutiva:&nbsp;<a href="https://youtu.be/sJ2CW6l2-ME">https://youtu.be/sJ2CW6l2-ME&nbsp;</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph">IJEP Live #1 &#8211; Coronavírus &#8211; Reflexões&nbsp;Provocativas e Metafóricas:&nbsp;<a href="https://youtu.be/Zu9Vde9rE80">https://youtu.be/Zu9Vde9rE80</a></p>



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<iframe title="IJEP Live #1 - Coronavírus - Reflexões Provocativas e Metafóricas" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/Zu9Vde9rE80?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>WALDEMAR MAGALDI FILHO</strong>. Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado&#8221;, Ed. Eleva Cultural, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP &#8211; Instituto junguiano de Ensino e Pesquisa (www.ijep.com.br), oferecidos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A invisibilidade: superpoder ou maldição?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-invisibilidade-superpoder-ou-maldicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Michella Paula Cechinel Reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 13:46:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[profissionais da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pandemia por Covid-19 nos mostrou a realidade da saúde do nosso país. Falta de equipamentos, medicamentos, profissionais treinados, políticas públicas consistentes, e aí vai. Até dia 17 de março de 2022, o painel Coronavírus do Ministério da Saúde totalizou mais de 29,5 milhões de pessoas confirmadas e 656 mil mortos (2,2% de letalidade). Por [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A pandemia por Covid-19 nos mostrou a realidade da saúde do nosso país. Falta de equipamentos, medicamentos, profissionais treinados, políticas públicas consistentes, e aí vai. Até dia 17 de março de 2022, o painel Coronavírus do Ministério da Saúde totalizou mais de 29,5 milhões de pessoas confirmadas e 656 mil mortos (2,2% de letalidade).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por trás desses números temos pessoas e suas famílias, que vivenciaram essa sombra coletiva de forma individualizada. E por trás dessas pessoas temos os profissionais de saúde, que desde o início da pandemia, arriscaram suas vidas para cuidar e experimentaram toda essa situação de forma mais intensa, acompanhando o sofrimento, a dor e a morte de milhares de pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em geral, as pessoas que escolhem estudar e trabalhar na área da saúde sentem fascínio pelos mistérios da vida e da morte, e um desejo de se tornar imune a ela. O deus Asclépio, pai da medicina é um exemplo. Ele começou a ressuscitar os mortos causando desconforto no submundo, então Hades se queixa a Zeus sobre o esvaziamento de almas em seu domínio fazendo com que Zeus puna Asclépio fulminando-o com um raio (FILHO&nbsp;&amp;&nbsp;BURD, 2010).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da atração pelo mórbido, o confrontar a terminalidade da vida não é um assunto muito abordado pelas universidades da área de saúde e, diversos autores relatam que uma das dificuldades em lidar com os pacientes terminais é o sentimento de despreparo. O foco fica na doença, no cuidar e salvar o paciente até o último minuto, como uma espécie de negação da finitude da vida. Ziegler (2012) menciona a necessidade de uma relação mais natural com o sofrimento, com a mortalidade e com a natureza mórbida da própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em face da situação epidemiológica, não somos capazes de mensurar o tamanho do sofrimento e dor que esses profissionais de saúde que trabalharam e se dedicaram para cuidar dos pacientes mais graves infectados com Covid vivenciaram? Essa é uma dor que fica invisível, assim como esses profissionais. Normalmente, o foco se volta para aqueles que estão infectados e internados na rede de saúde. Quantos não eram os antigos cuidadores que sucumbiram a doença e possivelmente perderam a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo realizado pela&nbsp;Fiocruz em todo o território nacional, mostrou que a pandemia alterou de modo significativo a vida de 95% desses trabalhadores da saúde. Os dados revelam que quase 50% admitiram excesso de trabalho ao longo desta crise mundial de saúde, com jornadas para além das 40 horas semanais, e um elevado percentual (45%) deles necessita de mais de um emprego para sobreviver (BRASIL, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses profissionais lidam em sua vida cotidiana com&nbsp;<strong>sombras</strong>&nbsp;importantes do ser humano: dor, sofrimento, doença e morte. É antiga a visão sobre a morbidade como algo pecaminoso, castigo ou reparação de um carma, mesmo na cultura oriental. Contudo, podemos olhar para a doença como um desafio que nos impõe desconforto, mas também oportunidade de aprendizados e autoconhecimento. Segundo Ramos (2018, pág. 76-77), os sintomas, sejam físicos ou psíquicos, têm sua origem nos complexos, e a doença é um símbolo que revela a disfunção no eixo ego-Self. O sintoma-símbolo compensa o desvio e aponta sincronicamente para a correção a ser feita (integração do conteúdo inconsciente à consciência). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma outra relação possível aos profissionais de saúde é a do sacerdócio, inclusive historicamente, foram os detentores desses conhecimentos por muitos séculos no ocidente. O sacerdote é aquele que se sacrifica, que se oferece a Deus, como prova de dependência, obediência, arrependimento ou amor. “O sacrifício é um símbolo da renúncia aos vínculos terrestres por amor ao espírito ou à divindade”, segundo Chevalier &amp; Gheerbrant (2020). Enatiodromicamente, a sombra que se constela a essa vontade de ajudar primordial é o desejo de poder e alegria em despotencializar o “cliente/paciente” (GUGGENBUHL-CRAIG, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos esquecer que o tratamento de qualquer doença passa em primeiro lugar pela vontade do chamado “paciente”, que não é tão passivo quanto imaginamos. Estudos sobre a epigenética, a relação mente-corpo e os aspectos energéticos relacionados aos organismos são fontes de diversas pesquisas nas últimas décadas, se contrapondo ao domínio fármaco-cirúrgico. Os estudos clínicos, em geral, têm como grupo controle um medicamento ou intervenção placebo, que surtem efeitos benéficos em uma boa parte dos pacientes. Contudo, o foco dos estudos é na eficácia medicamentosa, e pouco se questiona sobre o efeito placebo e sua viabilidade de tratamento. Esse ponto é importante para refletirmos sobre a falibilidade do profissional. Será que o sucesso ou fracasso de um tratamento são de responsabilidade exclusiva dos profissionais da saúde?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos deixar de dialogar com a morbidade. A doença está a serviço de quê ou de quem? Que complexo está atuando no momento e nos clama por atenção. Hillman (2011) menciona que a energia psíquica precisa de alternância, ora está mais voltada para o ego e a consciência, e ora está mais voltada aos conteúdos do inconsciente. O que reforça a importância de aprendermos a ouvir nossa voz interior, nossos sonhos, nossas intuições. A doença nos leva ao movimento para baixo, mais ctônico, para cama e para dentro, ou seja, é uma oportunidade de introspecção e busca por sentidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A habilidade de transitar por todos os mundos, seja o céu, a terra ou o subterrâneo pertence a Hermes, deus mensageiro do Olimpo e relacionado ao processo terapêutico. Ele mostra flexibilidade suficiente para olhar para todas as polaridades, a dor não é apenas um aprisionamento e sofrimento para o indivíduo, mas pode conter um potencial de crescimento, um olhar para aspectos mais simbólicos. Essa habilidade vai contra a lógica racionalista, linear e medicamentosa adotada pelas ciências da saúde atualmente, com foco no&nbsp;<em>pathos</em>. Essa cosmovisão mais assimétrica e integradora de Hermes pode ajudar os profissionais de saúde a se conectar mais aos indivíduos, suas narrativas de vida, seus desejos e entender que tudo isso está ali diante de si. É mudar o foco da intervenção para o acolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o acolher a si mesmo também faz parte dessa jornada para médicas(os), enfermeiras(os), terapeutas, psicólogas(os), entre outros. É muito comum entre esses profissionais a sobrecarga de trabalho (dois ou mais empregos), plantões noturnos, estresse, conflitos entre as equipes e os colegas de trabalho, baixos rendimentos para quase todas as categorias, etc. Esses são fatores de risco para o adoecimento físico e psíquico. A incidência de depressão e suicídio é alarmante. Estudo norte-americano, segundo Cardoso (2021), mostrou uma taxa de suicídio em médicos de 28 a 40 por 100.000, mais que o dobro da encontrada na população geral (12,3 por 100.000).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O abuso de substâncias também é algo a ser considerado, pois os plantões noturnos quebram o ritmo ou ciclo circadiano, e para se manter acordado, muitas vezes esses profissionais fazem uso de substâncias estimulantes. E para compensar a falta de sono no dia seguinte, podem fazer uso de tranquilizantes, pois precisam descansar para o próximo plantão. A quebra de ritmos é uma questão importante para esses profissionais, afetando todo ciclo de sono-vigília, horários para alimentação, aumento de suscetibilidade para o abuso de drogas lícitas ou ilícitas, doenças, suicídio e morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung (2013, pág. 35), “o desenvolvimento da personalidade é uma das tarefas mais árduas. É dizer sim a si mesmo, tornando-se consciente daquilo que faz e, especialmente, não fechando os olhos a própria dubiedade”. Olhar para nosso lado sombrio e inconsciente, reconhecê-lo, nos remete a nossa inteireza, nosso senso de humanidade. A falibilidade é uma característica humana negada ao profissional de saúde, que é treinado para nunca errar, falhar, pois pode impactar em vidas. E a responsabilidade e a culpa recaem em seus ombros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser infalível é uma característica pertencente aos deuses, e se apegar de forma polarizada a essa ideia pode gerar uma identificação e inflação de ego. Que cuidado esse profissional endeusado será capaz de ofertar? E seu trabalho está a serviço de quem? Do ego ou do outro? O risco de ser fulminado por um raio, ou começar uma jornada equivocada é imenso, se tornando um anti-herói. Da mesma forma, cair na polaridade inversa, da falha e incompetência e ficar preso a esse complexo, pode gerar danos a si mesmo e ao outro na mesma medida. E será que essa ideia de sacerdócio e sacrifício também não impacta no autocuidado de médicos e enfermeiros, afinal, quanto mais próximo do divino, menos corpo possuímos. O caminho para cuidar do outro passa inicialmente na capacidade de cuidar de si mesmo(a).&nbsp;<strong><em>Todo curador tem suas próprias feridas! Vamos olhar para isso?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Michella Chechinel Membra analista em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">E. Simone D. Magaldi membro didata</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL, Ministério da Saúde.&nbsp;<strong><em>Painel coronavírus</em></strong>. Disponível em:&nbsp;<a href="https://covid.saude.gov.br/">https://covid.saude.gov.br/</a>. Acessado em 17 de março de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CARDOSO, F. Setembro amarelo e o suicídio entre profissionais da saúde. Disponível em:&nbsp;<a href="https://portalhospitaisbrasil.com.br/artigo-setembro-amarelo-e-o-suicidio-entre-profissionais-da-saude">https://portalhospitaisbrasil.com.br/artigo-setembro-amarelo-e-o-suicidio-entre-profissionais-da-saude</a><a href="https://portalhospitaisbrasil.com.br/artigo-setembro-amarelo-e-o-suicidio-entre-profissionais-da-saude/">/</a>. Acessado em: 28/12/2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEVALIER, J; GHEERBRANT, A. Dicionários de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Edição 34° revisada. Rio de Janeiro: José Olympio, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FILHO, J.M.; BURD, M.&nbsp;<strong><em>Psicossomática hoje</em></strong>. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, ano 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGGENBUHL-CRAIG, A. O abuso do poder na psicoterapia: e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. São Paulo: Paulus, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, J.&nbsp;<strong><em>Suicídio e alma</em></strong>. 4 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;<strong><em>O segredo da flor de ouro: o livro da vida chinês</em></strong>. 15 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leonel, F.&nbsp;<em>Pesquisa analisa o impacto da pandemia entre profissionais de saúde</em>. Disponível em:&nbsp;<a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-analisa-o-impacto-da-pandemia-entre-profissionais-de-saude#:~:text=Os%20dados%20indicam%20que%2043,a%20necessidade%20de%20improvisar%20equipamentos">https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-analisa-o-impacto-da-pandemia-entre-profissionais-de-saude#:~:text=Os%20dados%20indicam%20que%2043,a%20necessidade%20de%20improvisar%20equipamentos</a>). Acessado em: 11 de fevereiro de 2022.</p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-ramos-g-r-a-psique-do-corpo-a-dimensao-simbolica-da-doenca-6-ed-sao-paulo-summus-2018">RAMOS, G.R. A psique do corpo: a dimensão simbólica da doença. 6 ed. São Paulo: Summus, 2018.</h1>



<p class="wp-block-paragraph">ZIEGLER, A.J.&nbsp;<strong><em>Medicina arquetípica</em></strong>. São Paulo, Paulus, 2012.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A invisibilidade: superpoder ou maldição?" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/AqQrb4LImcc?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading" id="h-michella-paula-cechinel-reis-29-03-2022"><strong><em>Michella Paula Cechinel Reis &#8211; 29/03/2022</em></strong></h4>
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		<title>Atendimento online na pandemia do covid-19 &#8211; uma perspectiva junguina</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/atendimento-online-na-pandemia-do-covid-19-uma-perspectiva-junguina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 17:19:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diagnóstico Psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicopatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>
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		<category><![CDATA[atendimento de psicologia online]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia online]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o advento da pandemia do COVID-19 o atendimento online ganhou um protagonismo inesperado para que psicólogos, terapeutas e analistas continuassem a fazer os seus atendimentos terapêuticos. É possível que até mesmo aqueles menos familiarizados com esse tipo de tecnologia se dispuseram a repensar a prática, a fim de manterem suas atividades profissionais em andamento [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Com o advento da pandemia do COVID-19 o atendimento online ganhou um protagonismo inesperado para que psicólogos, terapeutas e analistas continuassem a fazer os seus atendimentos terapêuticos. É possível que até mesmo aqueles menos familiarizados com esse tipo de tecnologia se dispuseram a repensar a prática, a fim de manterem suas atividades profissionais em andamento e para não interromperem o tratamento de seus pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange especificamente aos psicólogos, o Conselho Federal de Psicologia permite essa a prática do atendimento online, conforme portaria expedida em 2018. Na realidade, sabemos que muito antes disso terapeutas e psicólogos já praticavam o atendimento online, não apenas no Brasil, mas em muitos países, especialmente nos Estados Unidos (Russel, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, seria possível fazer o atendimento online no âmbito da análise junguiana? De maneira geral, penso que sim, mas é preciso observar alguns pontos importantes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes eu queria comentar dos aspectos funcionais dessa forma de atendimento. Mesmo sendo online, esse momento deve se aproximar ao máximo de um consultório terapêutico, ou seja, é preciso que se tenha um espaço que preserve o sigilo da conversa, tanto no ambiente do analista quanto no do analisando e que se tenha mutuamente uma boa conexão de internet para reduzir ao máximo os cortes da fala, por que quando acontece deixa a sessão bastante precária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dúvida que fica no ar é se o processo online tem a mesma profundidade e eficácia que a análise junguiana conduzida de maneira presencial, e aqui se abre um grande campo de pesquisa e debate, e este artigo não intenciona dar a resposta definitiva ou conclusiva sobre isso, mas oferecer algumas reflexões, baseadas em minha prática pessoal dos atendimentos que conduzo, nas conversas com colegas terapeutas que também atuam desta forma e com leituras e pesquisas sobre o tema que já realizei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que não encontraremos diretamente em Jung qualquer alusão à esta forma de conduzir a análise, por uma razão histórica, mas encontraremos uma prática comum e amplamente registrada em sua biografia: a troca de cartas. Não podemos afirmar que as correspondências trocadas entre Jung e Freud, ou entre Jung e diversas outras pessoas, tinham o mesmo efeito da análise pessoal, que requer regularidade e constância, mas seguramente ofereciam questões reflexivas, avaliativas e interpretativas, que se alinhavam em algum nível ao processo analítico. Seria o Skype, Zoom, ou qualquer outro aplicativo de comunicação online com áudio e vídeo, uma evolução das cartas amplamente utilizadas no início do século XX? Claramente nas cartas entre Jung e Freud haviam análises de sonhos que eles realizavam um do outro, mesmo não sendo dentro de uma sala, olhando olhos nos olhos. Não quero reduzir a importância do olho no olho que o ambiente físico do consultório proporciona. Mas não me parece exagero comparar o Skype do século XXI com as correspondências do século XX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disto, precisamos relativizar, porque análise não é só comentar e interpretar um sonho ou um acontecimento. Na análise temos as epifanias, as catarses, os insights, a ampliação dos sonhos – e não a interpretação –, o choro, o riso, a linguagem corporal, os silêncios que falam muito mais do que palavras, dentre outras coisas que não são encontradas numa expressão textual. Por outro lado, parte desses acontecimentos analíticos podem ocorrer via Skype ou por qualquer outro aplicativo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No aspecto simbólico, não podemos nos esquecer que Jung (2002) nos ensina que os inconscientes se comunicam, e que não seria inverossímil fazer uma aproximação entre acontecimentos atribuídos ao campo tecnológico com as questões trabalhadas em análise. Como menciona Merchant (2016) em artigo publicado na Journal of Analytical Psychology, não são raros casos clínicos em que o paciente apresente grandes resistências e a conexão com a internet esteja sempre precária, especificamente para o momento da sessão de terapia, afirmando o paciente “poxa, agora a pouco a conexão estava tão boa”. Ou então, quando a sessão anterior abordou temas densos ao paciente e no momento de se ter a sessão seguinte, a internet sai do ar ou o Skype não conecta. Ou ainda, quando a fala do analista ou analisando fica entrecortada, revelando uma desconexão simbólica com o processo. Seria absurdo ver estes eventos como sincronicidade ou como mecanismos de defesa? Não me parece.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento de pandemia, em que o isolamento social forçado inviabiliza os encontros presenciais, é possível que, em prol da sua resistência, o paciente também use de racionalização, afirmando que não gosta de usar Skype ou que sua internet “não é muito boa”. Penso que neste caso não temos nada a fazer, a não ser respeitar os limites e o posicionamento do paciente, afinal a análise junguiana, tal como menciona Gambini (2008) é como um campo a ser cultivado, onde analista e analisando se colocam como lavradores dessa terra simbólica. Se um dos lados não tem predisposição, por resistência, por evitar entrar em contato com os conteúdos sombrios, nada há a fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Definitivamente o atendimento online não é a mesma coisa que o atendimento presencial, pois além das limitações das observações das expressões corporais, do analista e do analisando e dos riscos de conexões de internet ruins, impede o uso de algumas práticas arteterapêuticas (especialmente para arteterapeutas), dentre diversas outras restrições. Por outro lado, seguramente se apresenta como uma alternativa viável para o processo analítico, mas sempre com a recomendação de que, dentro do possível, se faça sessões presenciais. Afinal, se programar na agenda, ir até o consultório do terapeuta, olhá-lo olhos nos olhos, também é parte da análise, possibilitando ao analisando se conectar antecipadamente ao processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoalmente, ainda que eu conduza atendimentos online, sou um grande entusiasta do atendimento presencial. Mas em tempos de COVID-19, em que a vida nos convida a refletir sobre mudanças profundas na humanidade, cabe àqueles que praticam a análise junguiana, pensar no atendimento online como um novo vaso alquímico, o qual pode ser um viabilizador de transformações significativas da psique, individual e coletivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael Rodrigues de Souza, Psicólogo e Analista Junguiano em formação pelo IJEP &#8211;&nbsp;r.rafaelsouza83@gmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">GAMBINI, Roberto. A voz e o tempo: reflexões para jovens terapeutas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Sincronicidade (v. 8/3). 11ª ed. Petrópolis: Vozes, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MERCHANT, John. The use of Skype in analysis and training: a research and literature review. The Journal of analytical psychology, Sydney, v. 61, n. 3, p. 309-328, jun, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RUSSEL, Gillian Isaacs. Screen Relations: the limits of computer-mediated psychoanalysis and psychoterapy. London: Karnac Books: 2015.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Rafael Rodrigues de Souza</em></strong></h4>
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