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	<title>Arquivos pedagogia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos pedagogia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Motivação e Autoestima do Educador</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/motivacao-e-autoestima-do-educador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Apr 2022 13:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[educador]]></category>
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		<category><![CDATA[professor]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É interessante constatarmos que estas características humanas, quando presentes, podem transformar a vida da pessoa e de seu entorno. Motivação está ligada ao conceito de movimento como emoção, palavras advindas do latim:&#160;movere e emovere &#8211; mover-se para dentro e para fora simultaneamente. Por isso, quando não existe um alinhamento harmonioso entre o que está dentro, [...]</p>
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<p>É interessante constatarmos que estas características humanas, quando presentes, podem transformar a vida da pessoa e de seu entorno. <strong>Motivação</strong> está ligada ao conceito de movimento como emoção, <strong>palavras advindas do latim:&nbsp;movere e emovere &#8211; mover-se para dentro e para fora simultaneamente</strong>. Por isso, quando não existe um alinhamento harmonioso entre o que está dentro, a dimensão instintiva, voltada para a manutenção da vida biológica, e o que está fora, os vínculos relacionais na direção da evolução psicológica, com seu potencial anímico e espiritual, surgem os conflitos neuróticos e a ameaça do fracasso existencial.</p>



<p>A<strong>utoestima</strong>, por sua vez, envolve confiança e crenças autossignificantes de autoaceitação e amor próprio, somadas à certeza de que está a serviço de algo maior. Com isso, chegamos ao conceito de fé, que proporciona sentido e significado existencial, despertando o altruísmo pela consciência do servir para ser. Neste sentido, acredito que a união da <strong>motivação</strong> com a <strong>autoestima</strong> é o&nbsp;<strong>entusiasmo, do grego&nbsp;en + theos&nbsp;&#8211; em Deus.</strong></p>



<p>A atual condição humana, voltada apenas para a manutenção da vida biológica, dessacralizada, competitiva e egoísta, quase que interdita o surgimento do entusiasmo. A vida biológica,&nbsp;Bios, é finita e destrutível e só se mantém consumindo outra vida biológica. Literalmente, matamos para não morrer, comemos para não sermos comidos, mas sabemos que um dia perderemos essa luta. Esquecemos que a vida psíquica,&nbsp;Zoé, é infinita e indestrutível. Esta situação alienante gera angústia e medo e, infelizmente, <strong>o homem contemporâneo, tomado por esta infelicidade comum, ao invés de seguir o caminho da religação ao si mesmo, resgatando sua alma, acabou iludidamente, tomado pelo desejo de poder.</strong></p>



<p>O poder é antagônico ao amor, ele necessita de acúmulo e defesas, para ter a sensação de controle. Onde um está o outro desaparece. <strong>Essa condição de necessidade de poder desperta mais angústia e ansiedade, criando o ciclo vicioso que desemboca nas doenças psíquicas, como a depressão, e físicas como o câncer</strong>. Atualmente a medicina psicossomática, que constata que todos os sintomas de adoecimento são reflexos das emoções destrutivas, de baixa <strong>autoestima</strong> e falta de <strong>motivação</strong> para a vida. Ou seja, a perda do entusiasmo.</p>



<p>O educador, nesta perspectiva, precisa resgatar o entusiasmo para poder despertar este sentimento nos seus educandos. Essa é uma empreitada hercúlea, porque os governos, totalmente engajados na dimensão do poder, desprezam a educação, deixando de valorizar tanto os educadores, quanto a própria educação, no sentido de estimular a crítica reflexiva diante desta realidade materialista. Porque assim o poder continua perpetuado. Daí que surge a necessidade de engajamento dos educadores, como agentes revolucionários, para exigir valor para eles e para a educação. Está é a única possibilidade de revertermos esta situação insustentável de iniquidades e desigualdades.</p>



<p><strong>Quem é o educador? </strong>Porque um indivíduo resolve dedicar sua vida para educar as outras pessoas? Será que ele se acha superior, mais conhecedor e capaz frente às demais pessoas e, por isso, se dedica a essa prática? Mas, se é essa a sua razão porque ele se sujeita a tantos maus tratos, desprestígio e baixa remuneração? O educador escolheu ou foi escolhido para exercer a sua profissão? Do que adianta pensarmos em construir um mundo melhor se não deixarmos herdeiros melhores para esse mundo? Ensinamos para que o aluno se sirva do aprendizado ou passe a servir melhor graças ao que aprendeu?</p>



<p>Diante destas perguntas acredito que todo educador vocacionado sabe que sua profissão é missionária, ou seja, ele está sob uma missão maior que é a de ser um agente de transformação. Porém, como a neuropsicologia nos ensina, toda vez que um ser humano é exposto a algum tipo de mudança ele sai da zona do conforto, ou seja, seu circuito de gratificação e recompensa dá lugar ao circuito de aversão, medo, punição e exclusão.<strong> Deve ser essa a razão que justifica a sociedade, com a conivência da maioria silenciosa que somos nós, contribuir ou ficar omissa na transformação do educador missionário, que é vocacionado, em um indivíduo submisso, desqualificado e excluído!</strong></p>



<p>Educar deveria ser o fim ultimo de todo ser humano. Creio que não existe profissão mais nobre e importante. Contribuir para o aprimoramento humano é sagrado. Quem está neste chamado precisa reconhecer seu valor e missão, para poder exigir que seu entorno relacional também reconheça. Ninguém pode dar o que não tem, mas também não receberá o que não deu. Ou seja, só um educador motivado e com boa <strong>autoestima</strong> poderá despertar a <strong>motivação</strong> e a <strong>autoestima</strong> de seus educandos, reestabelecendo o ciclo virtuoso, que valoriza o educador e a educação, colocando-os em primeiro lugar na escala de prioridades para que a humanidade passe a ser mais consequente, amorosa e altruísta.</p>



<p>Mas, para que isso possa acontecer, é necessário, antes de tudo, o investimento maciço no autoconhecimento do educador, para que ele adquira a autoconsciência porque, só quando sofrermos o choque de ver a nós mesmos como realmente somos (e não como gostaríamos ou esperançosamente presumimos ser), é que poderemos dar o primeiro passo em direção à realidade individual. O objetivo desta auto-observação desperta a capacidade de modificar a nós mesmos, tornando-nos agentes da mudança, começando a sacrificar todo tipo de sofrimento! Existe algo mais fácil a sacrificar? Porém, com <strong>a atual educação da manutenção da opressão e do oprimido, aprendemos e ficamos condicionados em sacrificam tudo, exceto nossas emoções negativas e as crenças necessárias parra a manutenção desta situação desigual.</strong> Não há prazer nem gozo que não estamos pronto a sacrificar por razões fúteis, mas jamais sacrificamos nosso sofrimento. Isso nos dá a ilusão de valor, apesar de aprisionados se sem mobilidade sociocultural.</p>
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		<title>Adolescência: percurso entre a criança amada e o adulto reconhecido</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/adolescencia-percurso-entre-a-crianca-amada-e-o-adulto-reconhecido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2019 19:25:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos em uma sociedade que passa por constantes mudanças. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis, aspectos que refletem nas vivências, provocando mudanças de comportamentos. Pais, psicoterapeutas, educadores e todos os envolvidos nas áreas voltadas ao ser humano, ficam perplexos diante do aumento dos índices de suicídio, do uso de entorpecentes, das doenças psicossomáticas [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vivemos em uma sociedade que passa por constantes mudanças. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis, aspectos que refletem nas vivências, provocando mudanças de comportamentos. Pais, psicoterapeutas, educadores e todos os envolvidos nas áreas voltadas ao ser humano, ficam perplexos diante do aumento dos índices de suicídio, do uso de entorpecentes, das doenças psicossomáticas e da ingestão de remédios pelos adolescentes. Surgem questões importantes: O que leva um indivíduo a se drogar para viver? &nbsp;&nbsp;Para que tirar a vida? Será um vazio existencial que precisa ser preenchido? Ou quem sabe a ilusão de acabar com o sofrimento? Não basta justificarmos com os porquês, precisamos ir além e compreendermos o sentido dessa triste realidade. Com esse olhar, convido-os para ampliarmos algumas questões, que envolvem o período cíclico da vida, denominado adolescência.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra adolescência vem do latim adolescere, que significa crescer. A sua definição varia conforme a cultura em que se vive. Historicamente, o termo adolescência é recente. Ariès nos trouxe essa constatação: “Só se saía da infância ao se sair da dependência” (1981, p.42). Assim, era considerado adulto quem não dependia mais dos seus pais. Da mesma forma, Papalia, Olds &amp; Feldman, 2006 descrevem essa dinâmica e afirmam que no Séc. XX as crianças ocidentais entravam no mundo adulto quando amadureciam fisicamente ou quando definiam a sua vocação. Geralmente saíam de casa cedo, optando pelo casamento e gerando filhos. Hoje a puberdade começa mais cedo e a escolha da profissão tende a ocorrer mais tarde.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em termos gerais, existe uma concordância que a&nbsp;adolescência é a&nbsp;fase&nbsp;que marca a transição entre a infância e a vida adulta, que envolve grandes mudanças físicas, cognitivas e psicossociais e dura em torno de 10 anos, iniciando depois dos 10 anos e terminando em torno dos 20 anos.&nbsp;Na sua fase inicial ocorrem várias alterações físicas. Durante o período, continuam ocorrendo as mudanças físicas, acompanhadas de mudanças interiores, que envolvem a aversão ao controle dos pais e a entrada com maior importância dos amigos, resultando em muitos conflitos familiares. Para alguns, são considerados os anos mais difíceis. Na fase final, ocorre a crise da identidade, com o planejamento da vida e a inclusão de maior responsabilidade, culpabilidade definida por lei. Ou seja, a partir deste momento o indivíduo responde legalmente por seus atos.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vindo ao encontro, para Jung a personalidade do ser humano é desenvolvida aos poucos:&nbsp;“A personalidade já existe em germe na criança, mas só se desenvolverá aos poucos por meio da vida e no decurso da vida. Sem determinação, inteireza e maturidade não há personalidade”&nbsp;(2013, p. 182).&nbsp;Legião Urbana, com a música “Tempo Perdido”, amplia a realidade que permeia os adolescentes. Por um lado, tudo muito intenso e rápido, em contrapartida uma sensação que eles têm todo o tempo do mundo:&nbsp;<strong>“</strong><strong>Mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo (…)&nbsp;Somos tão jovens”.&nbsp;</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre tantas&nbsp;características que marcam a adolescência, podemos citar as mudanças hormonais e glandulares, que influenciam no crescimento do corpo, e as alterações emocionais, que aparecem em forma de raiva, mágoa, tristeza, perda e medo. Nesta fase eles se preocupam com a aparência, pensam de forma abstrata, fazem generalizações, descobrem novas realidades, tornando-se imediatistas e imprevisíveis. É um período em que os amigos tomam grande espaço, participando de grupos e tribos. Questionamentos sobre a vida aparecem e as principais inquietações giram em torno da identidade, testando o mundo e expondo-se a riscos.&nbsp;Para Jung, a adolescência é marcada por transformações:&nbsp;<em>&#8220;</em>O nascimento psíquico e, com ele, a diferenciação consciente em relação aos pais só ocorrem na puberdade, com a irrupção da sexualidade. A mudança fisiológica é acompanhada também de uma revolução espiritual”&nbsp;(2013, p. 347).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste sentido, cito mais uma vez a Legião Urbana, que retrata muito bem questões voltadas ao período, com a música “Pais e Filhos”, ouvida e cantada por muitos de nós:&nbsp;<em>&#8220;</em>Sou uma gota d&#8217;água. Sou um grão de areia. Você me diz que seus pais não lhe entendem. Mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo. E isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?”</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constituição Brasileira, no artigo 227, assegura a proteção integral à criança e ao adolescente. Igualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), é um importante instrumento de defesa dos direitos e deveres de crianças e adolescentes, que estão vivendo um período de intenso desenvolvimento físico, psicológico, moral e social. Sabemos que muitos órgãos se envolvem com seriedade para garantir esses direitos e deveres, porém em termos gerais ainda existe muito para fazer.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nos consultórios de psicoterapia aparecem diferentes sintomas para serem ressignificados. Um deles é a ausência e/ou a omissão dos pais, muitas vezes compensadas com presentes e outras facilidades. De forma similar, algumas escolas particulares, com alto nível de exigência teórica e pouco olhar para outras dimensões, contribuem para a formação de sintomas. Os adolescentes se sentem desestimulados e incapazes, afetando a sua autoestima e abrindo&nbsp;espaço para doenças psicossomáticas.&nbsp; Para alguns, escolher uma profissão no final do Ensino Médio é angustiante. Igualmente, passarem no vestibular, perceberem que fizeram uma escolha errada e abandonarem o curso em seguida.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deparamo-nos com realidades preocupantes e cada vez mais presentes: adolescentes que tiram suas vidas diante de frustrações. Como não vivenciaram as pequenas frustrações, sentem-se incapazes de lidar&nbsp;com as dores da alma e escolhem morrer. Hillman, em seu livro Suicídio e Alma, auxilia-nos na compreensão da vida e da morte. De fato, diante da possibilidade de suicídio, precisam morrer muitas coisas para o ser humano não se matar. Renato Russo expressou essa realidade com sua voz encantadora:&nbsp;<em>&#8220;</em>Estátuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender”.&nbsp;</p>



<p>As relações tornaram-se virtuais e a liquidez dos relacionamentos modernos tornaram as pessoas e os objetos descartáveis, realidade que pode ser comparada com a crise de identidade dos adolescentes na busca de um caminho para trilharem com segurança. Lipovetsky (2005), afirma que a sociedade de consumo foi construída sobre as aparências, com o uso desenfreado de bens não duráveis. &nbsp;De forma idêntica, Bauman (2004), nos mostra que a liquidez dos relacionamentos modernos envolve as relações virtuais, que aparentam facilidade e transparência, em detrimento da autenticidade que parece pesada e lenta demais. Para buscar respostas diante das incertezas da vida, podemos digitar uma palavra no Google e aparecem várias possibilidades. As informações disponíveis na internet nem sempre são aplicáveis na vida prática e geralmente causam mais inquietações diante da padronização estabelecida. A angústia continua porque o mundo virtual não conhece nosso campo relacional, não percebe as expressões do nosso corpo que retratam um mal estar na alma e não consegue promover o que mais precisamos: alguém que, de uma forma diferenciada, estabeleça conosco um vínculo de confiança, que nos ouça e que nos dê uma oportunidade de dar voz ao que sentimos. Escutar e dar voz, papel que o psicoterapeuta promove com sabedoria!&nbsp;</p>



<p>Questões que envolvem a sexualidade também fazem parte das demandas nos consultórios. A iniciação da vida sexual, movida por ansiedade e preocupações, exige esclarecimentos e orientações sobre a existência ou não de disfunções. Troca constante de parceiros, experimentação do prazer com meninos e meninas, em busca da resposta para sua identificação sexual também aparecem como demandas. Depressão, suicídio, ansiedade, distúrbios alimentares e drogas. Símbolos de beleza, insatisfação com o físico, anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Uso de objetos cortantes e bebidas alcóolicas. Mundo virtual substituindo relações reais. É o adolescente gritando por ajuda, tão bem interpretado pela Legião Urbana:&nbsp;“Quero colo, vou fugir de casa (&#8230;). Só vou voltar depois das três”.&nbsp;</p>



<p>No decorrer dos anos, diferentes autores de diferentes áreas se empenharam nos estudos sobre a adolescência. Edinger (1972), contribui com os conceitos psicológicos de Jung, que nos permite entender o adolescente, principalmente na sua diferenciação em relação aos pais, momento em que os arquétipos do pai e da mãe perdem a predominância. Assim, ocorre a entrada do herói, na interação com o grupo do mesmo sexo, buscando uma identidade própria. Da mesma forma, os arquétipos da anima na psique do menino e do animus na menina, possibilitando o relacionamento e atração pelo sexo, oposto ou até igual à identificação sexual do ego.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para maior compreensão, Erik Erikson propõe a Teoria Psicossocial, envolvendo 8 estágios do desenvolvimento humano, descrevendo a fase dos 12 aos 18 anos como de identidade x confusão. De acordo com Aberastury e Knobel (1983) algumas características são comuns nos adolescentes. Entre elas podemos identificar a busca de si mesmo e da identidade, a tendência grupal, a necessidade de intelectualizar e fantasiar, as crises religiosas, a vivência do tempo, a sexualidade, a atitude social reivindicatória, as condutas contraditórias, a separação progressiva dos pais e as constantes flutuações do humor. Tânia Zagury, educadora e filósofa, contribui com algumas reflexões (2004, p. 45). Para ela, o maior perigo para um jovem não são as drogas: é não crer no futuro e na sociedade em que vive. A falta de esperança pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo, ao suicídio, à marginalidade e às drogas. Neste processo, é fundamental a integridade dos adultos e atitudes coerentes com seus discursos, que servem de exemplos para eles, que poderão fazer algumas bobagens, mas nada que fira a ética e os valores que aprenderam. Mais importante que satisfazer desejos é ensinar princípios éticos. Adolescentes querem amor, aceitação e respeito. Querem ser ouvidos, protegidos e valorizados!&nbsp;</p>



<p>Segundo as ideias de Calligares, a nossa sociedade incentiva a cultura da autonomia e da independência. É transmitido a ambição de não repetir a vida dos que o geravam, mas de se destacar, porém precisa seguir as regras sociais e não provocar a violência e a desordem. Sair da adolescência significa ser um adulto desejável e invejável, reconhecido pelas relações amorosas/sexuais e o poder, no campo produtivo, financeiro e social. Por outro lado, ele nos deixa indagações:&nbsp;“Por que se tornar adulto se os adultos querem virar adolescentes? (&#8230;) O dever dos jovens é envelhecer. Suma sabedoria. Mas o que acontece quando a aspiração dos adultos é manifestamente a de rejuvenescer?”&nbsp;(2.000, p.74).&nbsp;</p>



<p>Jung, por sua vez, contribui significativamente e nos alerta sobre aspectos importantes na formação da personalidade:&nbsp;“Os filhos são estimulados&nbsp;para aquelas realizações que os pais jamais conseguiram; a eles são impostas as ambições que os pais nunca realizaram. Tais métodos e ideais produzem monstruosidades na educação (&#8230;) Ninguém pode educar para personalidade se não tiver personalidade”&nbsp;(2013, p. 182).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns estudiosos se arriscam, sugerindo alternativas em relação ao que pode auxiliar na educação dos adolescentes. Entre as sugestões apontadas aparece o pertencimento aos grupos de esporte, de música ou religiosos, mas o essencial é que eles se sintam importantes e que saibam que são bons em alguma coisa. A família, independente de como é constituída, tem um papel fundamental, envolvendo-os para realizarem juntos algumas coisas, como passeios, viagens, refeições, entre outros. Vale lembrar que o diálogo, envolvendo uma comunicação assertiva, é uma das melhores opções para resolução de conflitos.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de tantos problemas, a saída criativa é olhar para a angústia, simbolicamente conversar com ela, perceber qual aspecto da vida está gritando por mudanças e permitir que elas ocorram. Olhar para as dores e não encará-las como fim, mas percebê-las como oportunidades, como portas que se abrem para novos sentidos e significados. Entorpecentes e remédios muitas vezes têm a função de&nbsp;“bengalas”, que auxiliam a caminhada, suavizando as dores psíquicas, porém não promovendo a cura da alma. E mais uma vez trago a contribuição de Jung que traduz com sabedoria as reflexões sobre a adolescência:&nbsp;“Somente o outono revela o que a primavera produziu, e somente a tarde manifesta o que a manhã iniciou”&nbsp;(2013, p. 183). Ele complementa:&nbsp;“Somente será possível que alguém se decida por seu próprio caminho, se esse caminho for considerado o melhor”&nbsp;(2013, p. 185). E a caminhada não precisa ser dolorida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Culmino minhas ampliações com mais um trecho da música Pais e Filhos, cantada com a voz marcante de Renato Russo, que permite compreendermos o amor como essência na adolescência e em todas as fases da vida:&nbsp;“É preciso amar as pessoas. Como se não houvesse amanhã. Por que se você parar pra pensar. Na verdade não há”.</p>



<p>Claci Maria Strieder, Pedagoga, Psicóloga, Especialista em Psicossomática e Psicologia Junguiana, Analista em formação pelo IJEP.</p>



<p>Brasília/DF &#8211;  Contato: (61) 99951.0003 &#8211; <a href="mailto:clacims@gmail.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clacims@gmail.com</a></p>



<p>Leituras de apoio:</p>



<p>ABERASTURY, A. KNOBEL, M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. 3ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.&nbsp;</p>



<p>ARIÉS, P.&nbsp;<em>História social da criança e da família</em>. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.</p>



<p>BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.</p>



<p>CALLIGARES, Contardo. A adolescência. São Paulo: Publifolha, 2000.</p>



<p>EDINGER, E. Ego e arquétipo: Uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung. Cultrix, São Paulo: 1972.&nbsp;</p>



<p>ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p>



<p>HILLMAN J.&nbsp; Suicídio e alma. Petrópolis: Vozes; 1993.&nbsp;</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10ª edição. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p>________________O desenvolvimento da personalidade. 14ª edição. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p>LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia de Letras, 2005.</p>



<p>PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D. (2006). Desenvolvimento humano (8ª ed.). Porto Alegre: Artmed.&nbsp;</p>



<p>ZAGURY, Tania. Os direitos dos pais: construindo cidadãos em tempos de crise. 6ª edição. Record, Rio de Janeiro, 2004.</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-claci-maria-strieder"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
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		<title>Educar crianças: um desafio que envolve diferentes olhares</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/educar-criancas-um-desafio-que-envolve-diferentes-olhares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2019 19:33:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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		<category><![CDATA[Psique infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pais, professores, psicólogos e tantos outros profissionais, desafiados a serem competentes, envolvem-se na mesma questão: como educar? Não existe uma receita pronta que possa gerar resultados eficientes em todas as realidades. O ser humano é complexo e na perspectiva junguiana, somos seres humanos únicos, integrais e compreendidos pelas dimensões física, emocional, mental, espiritual e social. [...]</p>
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<p>Pais, professores, psicólogos e tantos outros profissionais, desafiados a serem competentes, envolvem-se na mesma questão: como educar? Não existe uma receita pronta que possa gerar resultados eficientes em todas as realidades. O ser humano é complexo e na perspectiva junguiana, somos seres humanos únicos, integrais e compreendidos pelas dimensões física, emocional, mental, espiritual e social. Em outras palavras, o que funciona bem com um indivíduo, pode não ter eficácia com outro e também envolve outra questão importante, a de educar o educador. Segundo Jung, &#8220;todo nosso problema educacional tem orientação falha: vê apenas a criança que deve ser educada, e deixa de considerar a carência de educação no educador que educa&#8221; (2013, p. 180). Com isso, Jung nos deixou a possibilidade de refletirmos sobre o adulto que traz dentro de si uma criança oculta, que precisa de cuidado permanente. A família e a escola podem contribuir para a formação emocional dos indivíduos!</p>



<p>Precisamos de espaços que educam e ambientes acolhedores que incentivem o desenvolvimento de todas as dimensões, que permitam a promoção do autoconhecimento, da escuta ativa, do incentivo ao espírito de descoberta, de escolhas responsáveis, de cidadania, de consciência ambiental e social, entre outros. E para ser protagonista, a criança precisa ser valorizada e incentivada a expressar pensamentos, sentimentos e necessidades. Assim sendo, poderá participar dos diferentes contextos de forma ativa, e não apenas seguir regras prontas. O grande dilema é como fazer para que isso aconteça.</p>



<p>Desde cedo, participei de estudos e vivências, que possibilitaram maior compreensão dos aspectos relacionados ao educar crianças. Há muitos anos atuo na Educação Infantil e como professora, tendo exercido diferentes funções na área da Educação, percebi ao longo dos anos as mudanças significativas que ocorreram na sociedade, resultando em mudanças de padrões, comportamentos e atitudes, nas famílias e nas escolas, primeiras classes sociais que a criança faz parte. Da mesma forma, participei ativamente da educação dos meus filhos e aprofundei meus estudos no campo da Psicologia, caminhada longa, com acertos e erros, que me permitem fazer algumas reflexões. &nbsp;&nbsp;</p>



<p>Neste sentido, percebo que um dos problemas na educação das crianças gira em torno de dois pólos opostos: ausência ou excesso de proteção, que na psicologia analítica junguiana, podemos denominar de processo de enantiodromia. Para tanto, é necessário buscar saídas criativas e estabelecer a harmonia entre os dois pólos, pois a ausência pode gerar a sensação de abandono. Em contrapartida, excesso de proteção pode gerar insegurança. Duas emoções que podem gerar conflitos internos e quando mobilizadas e vivenciadas com intensidade, resultam em doenças nas diferentes dimensões, sendo muito comum serem diagnosticadas e medicadas como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), o TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) e outros quadros descritos no DSM V.</p>



<p>Os remédios estão cada vez mais presentes na vida das crianças, algumas vezes necessários, mas por outro lado, aparecem no contexto como forma de amenizar sintomas, que muitas vezes se confundem com a ausência de limites e de compensações.&nbsp; No consultório, é comum ouvir as queixas de pais e lidar com as demandas que envolvem o medo de errar e não saber lidar com as diferentes situações na educação dos filhos. E a pergunta clássica que aparece é: &#8220;onde foi que errei?&#8221; Culpas, medos, dificuldades&#8230;</p>



<p>Vindo ao encontro e para ampliar, podemos citar Jung, que em 1931, fez comentários sobre as consequências patogênicas da vida não vivida dos pais sobre seus filhos: &#8220;Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais não viveram. Essa afirmação poderia parecer algo sumária e superficial, sem a seguinte restrição: esta parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido&#8221; (2015, p.121). Percebe-se que no dia a dia muitos pais são permissivos, algumas vezes em excesso, por não quererem que os filhos passem pelas mesmas situações e dificuldades que viveram na infância e também para que eles tenham melhores oportunidades de realizarem seus sonhos. &nbsp;As intenções são as melhores possíveis, porém nem sempre assertivas, pois como já mencionei, é o excesso e a falta que podem causar problemas.</p>



<p>Na psicologia, muitos autores descrevem as etapas que envolvem o desenvolvimento do ser humano.&nbsp; Jung considerou isso uma tarefa por demais de exigente, que envolve a vida psíquica desde o berço até a sepultura, razão pela qual preferiu se ater apenas em certos problemas. Tal complexidade é geradora de conflitos, como podemos perceber em sua fala: &#8220;Queremos que nossa vida seja simples, segura e tranquila, e por isto os problemas são tabus. Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem entretanto nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento. Assim, a negação artificial dos problemas não gera a convicção; pelo contrário, para obtermos a certeza e claridade, precisamos de uma consciência mais ampla e superior&#8230; Sem consciência, não existem problemas&#8221; (2013, p. 343 &#8211; 345). A partir da afirmação de Jung, podemos concluir que um problema é uma oportunidade de dar um novo sentido e significado para os conflitos.</p>



<p>Por um lado, temos consciência que a criança precisa vivenciar limites. Em contrapartida, contribuir para formar limites é um dilema. Envolve dizer sim e não. E qual é a medida? &nbsp;Envolve também o cansaço, o medo de errar, o medo de perder o amor da criança e formas de compensar a ausência. No consultório, deparamo-nos com exemplos típicos de queixas que envolvem cansaço: &#8220;Passo o dia fora trabalhando, quando chego em casa estou cansado, não tenho mais paciência de lidar com meu filho&#8230;&#8221; De forma similar, o medo de perder o amor do filho aparece no contexto: &#8220;Meu filho fica sem a minha presença grande parte do dia&#8230; Vou brigar com ele no pouco tempo em que em que estamos juntos?&#8221; Muito comuns também são os casos de filhos que dormem na mesma cama dos pais desde bebês. Apesar de controvérsias sobre este aspecto, é necessário lembrar que o casal existiu antes do filho e que um espaço seguro para o filho descansar irá contribuir para o desenvolvimento da sua autonomia.</p>



<p>Conflitos internos que se transformam em práticas permissivas, podem resultar em indivíduos sem limites, com dificuldades de interagirem com os demais. Neste sentido, dizer não é tão importante quanto dizer sim, nas ocasiões e na medida certa. E uma regra básica é priorizar qualidade de convivência. Estar inteiro com o filho em pouco tempo de convivência é mais precioso que estar com ele dia inteiro e não lhe dar a devida atenção. Vindo ao encontro, trago uma mensagem postada em rede social eletrônica sobre a modernidade, que me despertou uma reflexão e em resumo dizia: &#8220;Pagamos caro para os outros cuidarem dos nossos filhos e cada vez mais passeamos com nossos cachorros&#8221;. Não se trata de crítica aos cuidados com os animais, que também merecem&nbsp;&nbsp; nossa atenção, carinho e respeito. Trata-se de refletirmos sobre a terceirização dos cuidados para quem nos damos a vida ou escolhemos educar, talvez pela insegurança, falta de paciência e medo de errar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Pertencer à uma família, envolve práticas que compreendem direitos e deveres. Muitas vezes, privamos nossos filhos de uma participação ativa e dinâmica desde cedo, com pequenos afazeres domésticos, graduados de acordo com a idade, que fazem parte do crescimento e envolvem o despertar do sentimento de pertencimento e de responsabilidade. É importante estabelecer combinados e fazer a criança compreender &#8220;para que&#8221; precisam ser cumpridos e lembrar que ela aprende mais com exemplos do que com palavras. São práticas que se aprendem na família e que se ampliam na escola. A escola, por sua vez, contribui para expandir o mundo social da criança, promovendo o conhecimento e o desenvolvimento de habilidades. Neste contexto, algumas vezes aparecem conflitos na resolução de problemas: pais culpam a escola e a escola culpa os pais. O que fazer? Novamente estamos diante de dois pólos opostos. A melhor opção é a família e a escola falarem a mesma linguagem. Tirar a autoridade de uma das instituições é possibilidade de gerar insegurança na criança.</p>



<p>Tanto no meio familiar, quanto no ambiente da escola, é necessário desenvolver o ser humano para lidar com as frustrações, que fazem parte da vida e são importantes para a saúde psíquica. Ajudar o indivíduo a lidar com pequenas frustrações o prepara para lidar com as maiores que surgirão pela vida afora. Hoje, cada vez mais estamos inseridos num mundo individualista, com estilos predominantes e quando ocorrem cisões, os sintomas aparecem em forma de doenças e são medicadas. Muitas vezes, não percebemos o sintoma como oportunidade de ressignificar padrões que nos adoecem. Da mesma forma, o saber esperar, tão importante na estruturação do ser humano, perde-se no imediatismo estimulado pela nossa sociedade. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis!</p>



<p>Outra forma de contribuir significativamente para a formação integral da criança é proporcionar para ela vivências de comunicação assertiva. O diálogo, que é a forma ideal de resolução de muitos conflitos, envolve vários aspectos. Para que ele ocorra com assertividade, é necessário que se escolha um ambiente adequado, que se reconheça e valorize primeiro os aspectos positivos da criança, que se efetive olhando em seus olhos, com uso de voz moderada, com o objetivo de encontrar saídas criativas para os padrões extremos. Isso é respeito e amor!</p>



<p>Deparamo-nos com as mudanças de estilos e de valores, cada vez mais acelerados, incentivados pela mídia e diferentes meios virtuais. &nbsp;Vivências reais são substituídas por relações virtuais. É comum observarmos crianças de todas as idades manuseando celulares. É a forma que alguns pais encontram para ocuparem seus filhos, por acreditarem que mentes ocupadas e fascinadas com aparelhos eletrônicos não dão trabalho. Dar um celular é mais fácil que proporcionar a vivência de limites! &nbsp;Como consequência, crianças com mentes cada vez mais aceleradas, com dificuldade de centrar atenção no cotidiano e em relacionamentos reais. Vale lembrar que no mundo da tecnologia, utilizam-se todas as técnicas avançadas para despertar e prender a atenção do indivíduo, mas não podemos esquecer que a medida do seu uso somos nós que escolhemos.</p>



<p>A tecnologia surgiu e tomou uma dimensão grande em nossas vidas. Tem seu lado importante, útil e necessário, porém não pode tomar todo o espaço das relações reais, principalmente dos valores que são passados no espaço sagrado da família, independente da forma que esse espaço é constituído. As consequências refletem nas escolas. Como estas mesmas crianças vão ter estímulos para as aulas expositivas? É necessário lembrar que grande parte das escolas não está equipada com aparelhos de tecnologia atualizados e muitos professores não têm a formação específica para trabalhar com o mundo digital. Não podemos entrar num processo de enantiodromia, ficarmos presos no pólo oposto e afirmar que a tecnologia é a grande culpada de não darmos conta da educação das crianças. A saída criativa é o limite para encontrar a harmonia: nem ausência, nem excesso. E além do mais, dar orientações para seu uso adequado.</p>



<p>Ao caminharmos na história e entrando um pouco mais no contexto escolar, verificamos que os&nbsp;Direitos da Criança&nbsp;foram assegurados na Constituição de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Marco Legal 13.257, de 2016, específico para crianças de 0-6 anos, assegurando o cuidado integral, um olhar holístico e coletivo, sugerindo o envolvimento de diferentes abordagens e áreas. De forma similar, em 1998, surgiu o Referencial Curricular Nacional, com um novo olhar para a educação: guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais da área, respeitando estilos pedagógicos e a diversidade cultural brasileira. Foi um marco que produziu a possibilidade de cada Estado e o Distrito Federal organizarem seus currículos, favorecendo o desenvolvimento das capacidades física, afetiva, cognitiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social, com orientações para entender a instituição familiar com diferentes modelos em mutação, sujeita a determinações culturais e históricas.</p>



<p>Na mesma época, surgiu o Relatório da Unesco (1999), em que Jacques Debors contribuiu significamente com os&nbsp;Quatro Pilares da Educação, que ao meu ver, envolvem a base da estruturação da educação das crianças: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.&nbsp;Aprender a aprender, para se beneficiar das oportunidades oferecidas;&nbsp;aprender a fazer&nbsp;para estar apto a enfrentar situações de mudança e agir sobre o meio;&nbsp;aprender a ser&nbsp;para desenvolver a personalidade e responsabilidade pessoal eaprender a viver junto&nbsp;para desenvolver a compreensão do outro e a percepção da interdependência. Ao mesmo tempo, podemos estabelecer uma conexão simbólica entre os quatro pilares e as funções psicológicas de Jung: pensamento, sensação, intuição e sentimento. &nbsp;</p>



<p>Hoje, as propostas curriculares estão centradas nos&nbsp;eixos&nbsp;cuidar, educar, brincar e interagir, que se complementam, permeados pelos&nbsp;eixos transversais&nbsp;diversidade, cidadania, sustentabilidade e educação em direitos humanos. São propostas que incluem a singularidade e a diversidade, que ao mesmo tempo envolvem um conjunto de olhares. Para tanto, não existem receitas prontas, mas podemos ampliar a sua compreensão citando a metáfora da montagem de um quebra-cabeça, atividade que as crianças muito apreciam, que para formar o todo é necessário utilizar e encaixar todas as peças. Cada peça representa simbolicamente o olhar das diferentes áreas, que ao serem unidas, alcançam de modo eficaz o resultado almejado.</p>



<p>Para finalizar, vale lembrar que as necessidades emocionais básicas do ser humano, desde que é gerado e até a sua morte, são o amor e o reconhecimento, que podem ser expressados pelo acolhimento, pela escuta, por olhares e ações diferenciadas e de diversas áreas para o alcance de uma educação integral da criança, consolidada na educação emocional. O limite harmonioso se estabelece na expressão do amor e do reconhecimento!</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci Maria Strieder, Pedagoga, Psicóloga, Especialista em Psicossomática e Psicologia Junguiana, Analista em formação pelo Ijep.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p>Leituras de apoio:</p>



<p>DELORS, J. (org.). Educação um tesouro a descobrir &#8211; Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora Cortez, 7ª edição, 2012.</p>



<p>DISTRITO FEDERAL. Currículo em Movimento da Educação Básica: Educação Infantil.&nbsp; 2ª Edição. Brasília: SEEDF, 2018.</p>



<p>JUNG, C. G. A natureza da psique. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p>__________O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p>__________O livro vermelho &#8211; Liber Novus: edição sem ilustrações. 2ª &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reimpressão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.</p>



<p>Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil/Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental &#8211; Brasília: MEC/SEF, 1998.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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		<title>A importância do passado na construção da psique infantil</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-importancia-do-passado-na-construcao-da-psique-infantil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 21:58:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Infantil]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje parece que vivemos um surto de TDAH &#8211; Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou sem hiperatividade, mas com apatia. A que vocês acham que se deve tal comportamento? Uma criança com esse transtorno vive na Lua, como se não tivesse raízes que a prendam à realidade imediata. E é verdade. Quem dá [...]</p>
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<p><br>Hoje parece que vivemos um surto de TDAH &#8211; Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou sem hiperatividade, mas com apatia. A que vocês acham que se deve tal comportamento?</p>



<p>Uma criança com esse transtorno vive na Lua, como se não tivesse raízes que a prendam à realidade imediata. E é verdade. Quem dá raízes é o passado: transgeracional, cultural, ideológico e afetivo.</p>



<p>Ao substituirmos a família, e aí a enorme importância dos avós, tios, primos, bisavós, etc., por tablets, videogames, celulares, tiramos qualquer possibilidade de enraizamento. A família, através de seu convívio, suas histórias, seus comentários sobre os membros da família, como era a vida dos pais na idade deles, seus gostos e costumes, passa para a criança o sentimento de pertença, de saber de onde vim, como viveram meus antepassados, quem sou eu. Ela se reconhece em algum lugar. Tem um contexto histórico, não é descendente dos Pokemon, não tem parentesco com Galinha Pintadinha ou Bob Esponja. Ela aprende a viver no mundo real, sem aquela movimentação excessiva e gritante dos jogos virtuais, dos desenhos com músicas em ritmo frenético que para os pequenos tira da zona de relaxamento, tão importante para o desenvolvimento tranquilo.</p>



<p>A substituição do real pelo virtual tira a possibilidade de adequação social porque nossa realidade não tem o ritmo, o som, as cores dos jogos e desenhos. Ai, em sala de aula, frente as lições de casa, a criança fica entediada&#8230;ela quer e precisa de muitíssimo mais&#8230;até que, na adolescência, as drogas aparecem como a entrada para o mundo fantástico em que foram criadas, tão diferente do tédio do cotidiano.</p>



<p>Nenhuma escola, por melhor que seja sua proposta pedagógica, substitui o lar&#8230;chegamos até aqui porque nos reconhecemos na história. Rudolf Steiner, Maria Montessori, Padovan entre outros, alertam para o perigo da informação precoce, sem o devido investimento na formação, o potencial do vir a ser.</p>



<p>Se seu filho está adiantando, precocemente à frente dos colegas é muito mais motivo de preocupação do que orgulho. Ao queimar etapas do seu desenvolvimento ele está deixando de vivenciar importantes etapas evolutivas da vida, e constelando complexos, dentre eles o de dislexia. Você tem adultos muito inteligentes, mas disléxicos, que sofrem para se adequar, mesmo quando adultos.</p>



<p>Algumas crianças possuem o transtorno, mas são apáticas, não são hiperativas, mas também não respondem ao anseio dos professores e pais. Claro! Qual a graça de se envolver nas atividades propostas?</p>



<p>O pior que muitas escolas acreditam que implementando centros de T.I. os alunos ficarão mais vinculados e interessados e aí voltamos ao círculo vicioso de excessos.</p>



<p>Todo grande educador da história percebeu a fragilidade dalma infantil, os cuidados para despertar-lhe os interesses (clássico exemplo para aprender a ler, encontramos em Emilio ou Da Educação, referência literária da pedagogia, escrito por Rousseau). Mas também nós perdemos a alma em nosso transcurso. Ficamos tecnológicos e práticos em excesso. &#8220;Ganhamos&#8221; tempo para ganhar coisas e perder gente.</p>



<p>Uma tarde na cozinha com a avó ficará marcada na lembrança afetiva da criança e, no futuro, quando adulta, lembrará que foi amada, cuidada, ensinada nos &#8220;segredos&#8221; da família. Ela é pertencente.</p>



<p>Daí poderemos ir além e pensar em depressão. Quão triste e depressivo é não ter lastro, identidade, raízes? Estar no mundo e não reconhecer meu lugar nele. Como saber para onde vou se não sei de onde vim? Só adquirimos o sentido do Mito do Significado de nossas vidas, como dizia Jung, quando me conheço. Um ego estruturante tem consciência corporal e histórica, mas será muito mais rico e autoconsciente se esta história tiver raízes transpessoais.</p>



<p>Aí o papel da tradição religiosa da família, mesmo que se mude no futuro, de vital importância para o encontro consciente dos símbolos inconscientes que permearão todos nossos sonhos durante toda a vida.</p>



<p>O inconsciente recorre a eles quando precisa estabilizar a unilateralidade da consciência, quem não os vivenciou não terá como reconhece-los. Aí ficarão latentes e não atingiram seus objetivos que é a harmonia entre consciente e inconsciente, serão substituídos por medidas mais efetivas como sintomas.</p>



<p>Pensem nisso, conversem mais com as crianças, levem-nas para a cozinha, para o jardim, façam com que participem da rotina da casa, conviver com os parentes, reverenciar os mais velhos. Conte como foi sua infância, partilhe suas brincadeiras preferidas. Certamente precisarão de menos ritalina.</p>



<p>Dra E. Simone Magaldi, Fundadora do IJEP &#8211; Pedagoga, filósofa, especialista em Psicologia Junguiana</p>



<p>Mestre e doutora em Ciências da Religião</p>



<p><a href="mailto:simonemagaldi@ijep.com.br">simonemagaldi@ijep.com.br</a></p>
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