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	<title>Arquivos perda de identidade - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 19:59:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos perda de identidade - Blog IJEP</title>
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		<title>Partejar a si mesmo: renascimento psíquico na maturidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/partejar-a-si-mesmo-renascimento-psiquico-na-maturidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Pessanha Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 18:08:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>RESUMO: </strong><em>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-momentos-da-vida-em-que-aquilo-que-antes-sustentava-o-sentido-trabalho-papeis-sociais-expectativas-reconhecimento-posicao-social-deixa-de-responder-as-perguntas-mais-profundas-da-alma-nbsp" style="font-size:18px">​​Há momentos da vida em que aquilo que antes sustentava o sentido — trabalho, papéis sociais, expectativas, reconhecimento, posição social — deixa de responder às perguntas mais profundas da alma.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-vida-segue-mas-algo-essencial-se-perde" style="font-size:18px"><strong>A vida segue, mas algo essencial se perde</strong>. Aquilo que antes organizava a identidade já não oferece sustentação. Instala-se um sentimento de vazio, uma perda de vitalidade, um desânimo, que frequentemente é confundido com fracasso pessoal ou até mesmo uma patologia. Esse estado costuma ser vivido com angústia, no entanto, esse esvaziamento não é, em si, depressão nem sinal de adoecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trata-se-muitas-vezes-de-uma-crise-de-identidade-o-individuo-ja-nao-se-reconhece-naquilo-que-antes-lhe-dava-contorno" style="font-size:18px">Trata-se, muitas vezes, de uma <strong>crise de identidade</strong>: o indivíduo já não se reconhece naquilo que antes lhe dava contorno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que agradava, já não satisfaz mais; valores que eram importantes perdem a força; surge a experiência de não saber mais quem se é. Esse desconhecimento de si pode ser profundamente desestabilizador — e exatamente por isso, carregado de <strong>potencial transformador</strong>. Perguntas antes irrelevantes tornam-se urgentes. “Por que eu gostava disso e agora não gosto mais?”, “O que, afinal, ainda faz sentido para mim?, “O que a vida quer de mim?”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na Psicologia Analítica, esse momento pode indicar uma <strong>exigência psíquica de transformação</strong>, típica da segunda metade da vida. A busca que se impõe já não é externa. Não se trata de novos projetos, novos papéis ou novos reconhecimentos. Trata-se de uma busca <strong>interior</strong>, que não pode ser simplesmente decidida ou planejada. Ela precisa ser gestada, sustentada e, finalmente, parida. É nesse horizonte que emerge a imagem central deste artigo: <strong>“partejar a si mesmo”</strong>, como símbolo de um processo interno árduo, inevitável e criativo do amadurecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-etapas-da-vida" style="font-size:22px"><strong>As etapas da vida</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung descreve a primeira metade da vida como orientada fundamentalmente pela <strong>adaptação ao mundo exterior</strong>. O desenvolvimento da psique, nesse período, está centrado no fortalecimento e na estruturação do ego, que precisa se diferenciar progressivamente do inconsciente (JUNG, <em>2013</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nessa etapa o indivíduo desenvolve a personalidade parcialmente consciente, constrói a persona, sua vida funcional e produtiva. Trabalho, família, vida social e conquistas materiais tornam-se eixos organizadores da identidade. Trata-se de uma fase necessária e legítima do desenvolvimento psíquico. Sem um ego suficientemente estruturado, não há base para desenvolvimento de processos mais complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Contudo, Jung é enfático ao afirmar que essa lógica não pode reger toda a existência. Na <strong>segunda metade da vida</strong> surge uma relação diferente entre ego e Self. É o que Jung denomina <strong>metanoia</strong>: uma crise profunda de reorientação psíquica, na qual ocorre um questionamento radical dos valores até então vigentes. A libido (energia psíquica), antes predominantemente dirigida ao mundo externo, volta-se para o mundo interno. O ego passa a buscar o si-mesmo (centro regulador da psique) a procura de uma nova orientação para a vida. É chegado o momento do resgate da alma. A esse movimento Jung dá o nome de <strong>processo de individuação</strong>, entendida como o objetivo do desenvolvimento psíquico em direção à realização da totalidade da personalidade, ao tornar-se verdadeiramente quem se é.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para ilustrar essa inversão de valores, Jung compara o desenvolvimento humano ao curso diário do sol:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:5px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Suponhamos um Sol dotado de sentimentos humanos e de uma consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol se eleva do mar noturno do inconsciente […] Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e este declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §778).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-inversao-nao-e-patologica-nem-opcional-simplesmente-acontece-quando-o-ego-insiste-em-viver-a-maturidade-segundo-a-logica-da-juventude-expansao-produtividade-adaptacao-externa-o-sofrimento-e-inevitavel" style="font-size:18px">Essa inversão não é patológica nem opcional, simplesmente acontece. Quando o ego insiste em viver a maturidade segundo a lógica da juventude — expansão, produtividade, adaptação externa —, o sofrimento é inevitável.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Da mesma forma que o indivíduo preso à infância recua apavorado diante da incógnita do mundo e da existência humana, assim também o homem adulto recua assustado diante da segunda metade da vida, como se o aguardassem tarefas desconhecidas e perigosas, ou como se sentisse ameaçado por sacrifícios e perdas que ele não teria condições de assumir, ou ainda como se a existência que ele levara até agora lhe parecesse tão bela e tão preciosa, que ele já não seria capaz de passar sem ela.” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §777)</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sofrimento-nesse-contexto-surge-pela-resistencia-a-transformacao-psiquica" style="font-size:18px">O sofrimento, nesse contexto, surge pela <strong>resistência à transformação psíquica</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung foi muito claro ao afirmar que é a recusa em aceitar a mudança, em atender ao chamado do Self, que traz sofrimento. Segundo ele, “para o homem que envelhece é um dever e uma necessidade dedicar atenção séria ao seu próprio si-mesmo. Depois de esbanjar luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe seus raios para iluminar a si-próprio.” (JUNG, 2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No entanto, é muito comum vermos essa recusa perdurar até depois da metanoia, que costuma acontecer por volta dos 40 anos. Importante deixar claro que o envelhecimento, não leva necessariamente ao amadurecimento psíquico. Para que isto ocorra, o indivíduo deve aceitar esse chamado com consciência e confiança. O processo de amadurecimento pode acontecer tardiamente, ou até mesmo, nunca acontecer.&nbsp; E se assim for, se vive uma velhice sem sentido, em profunda depressão, acompanhado somente das lembranças do passado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-renascimento-psiquico" style="font-size:22px"><strong>O renascimento psíquico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A recusa em viver o envelhecimento sem sentido pode levar as pessoas ao processo do <strong>renascimento psíquico</strong>. Jung se debruçou sobre esse tema, considerando-o como um arquétipo. Isso porque a ideia de renascimento está presente na história da humanidade e amplamente difundida por meio de mitos em diferentes culturas. O renascimento pode ser ocasionado por um evento externo, como por exemplo, uma doença ou a morte de um ente querido, ou interno, como o caso da metanoia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Renascimento, portanto, <strong>não equivale a recomeçar a vida</strong> nem a buscar uma juventude tardia. Trata-se de uma <strong>morte simbólica</strong> de antigas identificações egóicas, acompanhada de desorganização do ego e da emergência de novas imagens orientadoras do Self. Jung descreve diferentes formas de renascimento: a <em>renovatio</em>, na qual funções psíquicas são fortalecidas sem alteração essencial da personalidade; a <strong>transformação no sentido de ampliação</strong>, a possibilidade de modificação da personalidade; e o <strong>renascimento indireto</strong>, pela participação em processos ou ritos de transformação (JUNG, <em>2014</em>). Na maturidade, é frequentemente a transformação que se impõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo não é confortável. Ele envolve perda de certezas, desorientação e espera. O ego perde centralidade, e o Self passa a orientar a vida psíquica. Novas imagens e valores emergem do inconsciente, exigindo elaboração simbólica e ética.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-partejar-a-si-mesmo" style="font-size:22px"><strong>Partejar a si mesmo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O renascimento desejado na maturidade é, portanto, um processo consciente, ou seja, de ampliação de consciência. E exige muito trabalho e dedicação. É nesse campo que se insere a imagem simbólica de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>. Partejar a si mesmo não é um projeto de autoaperfeiçoamento; é responder ao <strong>chamado do Self</strong>. É uma experiência psíquica: o nascimento de algo novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como todo parto, trata-se de um processo marcado por dor, tempo próprio e impossibilidade de controle. O novo não nasce por decisão racional; ele nasce <strong>apesar do ego</strong>. Partejar a si mesmo é suportar os lutos inerentes à maturidade: deixar morrer personas que garantiam pertencimento, abandonar ideais de onipotência, integrar aspectos sombrios da personalidade que permaneceram dissociados durante a vida produtiva. O que nasce não é um “novo eu” idealizado, mas uma <strong>nova relação entre ego e Self</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para partejar a si mesmo, é necessário um ego suficientemente flexível, capaz de sustentar a tensão com o inconsciente, sem colapsar nem se defender rigidamente. Esse processo ocorre no tempo do <em>kairós</em>, o tempo da alma, e não no tempo cronológico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transformacao-psiquica-exige-tomada-de-consciencia" style="font-size:18px">A transformação psíquica exige <strong>tomada de consciência.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo só se torna possível por meio daquilo que Jung denominou <strong>função transcendente</strong> &#8211; um processo que emerge da tensão entre consciente e inconsciente:&nbsp; passado e futuro, vida externa esvaziada e exigência interna ainda informe. Quando o ego suporta essa tensão sem repressão ou identificação inflacionada, surgem símbolos vivos — sonhos, imagens, sintomas significativos — que mediam a transformação psíquica. Jung afirma que, nesse movimento, conteúdos inconscientes são assimilados pela consciência, ampliando-a e produzindo uma nova atitude diante da vida (JUNG, 2013).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Ninguém que haja passado pelo processo de assimilação do inconsciente poderá negar o fato de ter-se emocionado profundamente e de ter-se transformado.</p><cite>JUNG, <em>O eu e o inconsciente</em>, OC 7/2, §361</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse momento da vida, as perguntas que se impõem não dizem mais respeito ao que foi conquistado ou desempenhado externamente, mas à <strong>verdade psíquica</strong> que sustenta — ou não — essa trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“As personas (máscaras sociais) que desempenhei durante toda minha vida estão conectadas aos valores do Self?”</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“Reconheço minhas partes reprimidas da personalidade (sombras), aqueles piores defeitos ou então aquela potencialidade que não tive coragem de assumir?”</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“Quem eu sou para além da história e dos papeis que representei?”</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-recusa-da-espera-da-morte" style="font-size:22px"><strong>A recusa da espera da morte</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sob essa perspectiva, o envelhecimento pode ser compreendido como um <strong>portal iniciático</strong>. A perda de valor da persona social não é um empobrecimento, mas uma convocação à interiorização. A recusa em “esperar a morte” — tão frequente em culturas que associam valor à produtividade — pode ser lida como resposta do Self à estagnação psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como imagem contemporânea desse processo temos o filme <strong>Azul Profundo</strong>. O filme acompanha uma mulher idosa que, após a aposentadoria forçada, se vê retirada do mundo produtivo e confrontada com a expectativa social de recolhimento e espera passiva da morte. Em vez disso, a personagem recusa essa morte psíquica antecipada e inicia um movimento de reinvenção subjetiva, ainda que marcado por solidão, estranhamento e conflito. A crise vivida pela protagonista não se configura como depressão, mas como <strong>desorientação existencial</strong>: aquilo que antes estruturava o cotidiano já não existe, e nada ainda ocupou o lugar deixado por essa perda. A personagem não “se reinventa”; ela <strong>atravessa uma morte simbólica</strong>. A recusa em simplesmente “esperar a morte” não se expressa como rebeldia, mas como <strong>persistência em permanecer viva psiquicamente</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-observa-que-quando-o-desenvolvimento-psiquico-e-interrompido-a-vida-perde-sentido-e-o-individuo-adoece-nao-por-envelhecer-mas-por-deixar-de-se-transformar-jung-2013" style="font-size:18px">Jung observa que, quando o desenvolvimento psíquico é interrompido, a vida perde sentido e o indivíduo adoece não por envelhecer, mas por deixar de se transformar (JUNG, 2013).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O filme encarna essa afirmação ao mostrar que a velhice, quando reduzida à inutilidade social, torna-se insuportável; mas quando vivida como território de escuta e transformação, pode adquirir outro estatus simbólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse sentido, o filme ilustra com precisão a imagem de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>: algo precisa morrer, algo ainda não tem forma, e o ego — despojado de seus antigos papéis — precisa suportar a dor, o tempo e a incerteza desse processo. O novo sentido, se surgir, não virá como conquista do ego, mas como resposta silenciosa do Self à coragem de não viver de forma falsa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como disse Jung: “a vida tem de ser conquistada sempre e de novo&#8221; (JUNG, 2013). Quando a vida externa já não oferece sentido, a psique não está falhando. Ela está exigindo transformação. Nem todo envelhecimento conduz à individuação; mas <strong>sem atravessar a crise</strong>, ela não ocorre.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Partejar a si mesmo</strong> não é escolha confortável, nem promessa de plenitude. É seguir o chamado da alma, quando já não é mais possível viver de outra forma. Em última instância, é responder à pergunta que inaugura a maturidade: <strong>quem sou eu quando já não sou quem fui?</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: &quot;Partejar a si mesmo renascimento psíquico na maturidade&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/EC0BaGsVZ-Y?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/"><strong>Ana Paula Pessanha Lima &#8211; Membro Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h3>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2015). <em>O eu e o inconsciente</em> (OC 7/2). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2013). <em>A natureza da psique</em> (OC 8/2). Petrópolis: Vozes.<br>JUNG, C. G. (2014). <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (OC 9/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2013). <em>Desenvolvimento da Personalidade </em>(OC 17). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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