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	<title>Arquivos perfeccionismo - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos perfeccionismo - Blog IJEP</title>
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		<title>A tentativa de alcançar o inalcançável</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-tentativa-de-alcancar-o-inalcancavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2024 20:46:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabemos que a perfeição é inalcançável, que somos falíveis e que o erro é próprio da nossa humanidade. Mas por que muitos sofrem e se punem quando não conseguem corresponder às altas expectativas que criam para si mesmos? Neste ensaio, abordaremos a autocobrança, perfeccionismo, culpa, produtividade, performance e possíveis impactos na saúde psíquica. Sofrimentos psíquicos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Sabemos que a perfeição é inalcançável, que somos falíveis e que o erro é próprio da nossa humanidade</strong>. Mas por que muitos sofrem e se punem quando não conseguem corresponder às altas expectativas que criam para si mesmos? Neste ensaio, abordaremos a autocobrança, perfeccionismo, culpa, produtividade, performance e possíveis impactos na saúde psíquica.</p>



<p>Sofrimentos psíquicos enfrentados não se apresentam somente como resultado da experiência e história pessoal. Somos fruto igualmente da <strong>cultura</strong> e de um <strong>contexto social</strong>.  Via de regra, crescemos em um meio ocidental produtivista regido pelo verbo <strong>poder</strong>, em que “se eu me dedicar, querer, me esforçar e trabalhar muito, eu posso”. O velho lema do ‘<strong>querer é poder</strong>’.</p>



<p>Nessa dinâmica é preciso estar motivado, ter positividade, acreditar que você é o responsável central pelo seu sucesso ou fracasso. Já que sem esforços não há ganhos (“<em>no pain, no gain</em>”). Além de louvar a ideia de <em>self-made man</em>, que é erguida no contexto meritocrático como a inspiração maior, uma vez que nos é vendido que com dedicação, persistência e trabalho duro tudo é possível.</p>



<p>O filósofo <strong>Byung-Chul Han</strong> nos apresenta que o dever era a tônica de uma sociedade voltada à disciplina e às proibições. Mas agora presenciamos uma sociedade de desempenho pautada pelo verbo<strong><em> </em>poder</strong>. A partir de um determinado ponto da produtividade, o dever se choca rapidamente com seus limites. É substituído pelo verbo <strong>poder </strong>para a elevação da produtividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-apelo-a-motivacao-a-iniciativa-e-ao-projeto-e-muito-mais-efetivo-para-exploracao-do-que-o-chicote-ou-as-ordens-han-2017-p-20" style="font-size:17px">O apelo à motivação, à iniciativa e ao projeto é muito mais efetivo para exploração do que o chicote ou as ordens. (HAN, 2017, p.20)</h2>



<p>As duras imposições que muitas vezes nos auto-submetemos é um verdadeiro chicote a nos molestar. Não somos apenas vítimas, somos também nossos próprios algozes, em um mecanismo de autoexploração que nos dá a sensação de liberdade (HAN, 2012, p. 22). Parece que optamos pelo autodesenvolvimento e pelo melhoramento contínuo. Parece que estamos tentando alcançar a famosa “melhor versão” de nós mesmos. Contudo, as demandas são sempre elevadas e não conseguem ser cumpridas em toda sua extensão, restando dentro de cada um a sensação de fracasso que permeia a vida de um modo envenenador.</p>



<p>Existe uma régua tão elevada e exigências, por vezes extravagantes, que nunca se pode alcançar uma satisfação e uma tranquilidade. Sobra um resquício, uma impureza, um ruído mental, que dá uma carga de como existisse sempre algo que ainda precisa ser feito. Nunca acaba, pois o lugar de perfeição utópica nunca é atingido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-todo-tempo-aparenta-se-estar-em-atraso-em-falta-em-divida" style="font-size:19px">A todo tempo aparenta-se estar em atraso, em falta, em dívida.</h2>



<p>Com um sentimento constante de acúmulo de atividades e obrigações, um cansaço quase que permanente se instala. Este nunca pode ser completamente sanado, uma vez que a lista de tarefas a se realizar segue como um <em>check-list</em> sem fim. Nunca existe um último item a ser ticado, pois novas demandas surgem a todo instante.</p>



<p><strong>Para se somar a essa carga já extenuante, não é preciso somente realizar e cumprir as obrigações. </strong>É preciso fazer muito bem feito. Reside aqui a idealização das ações, que duramente se concretizam na realidade de modo diferente da fantasia impecável das ideias. Ao ver o produto imperfeito das ações, ocorre uma frustração pelo julgamento sempre presente. A consciência treinada a separar, distinguir e classificar prontamente aponta um culpado. Nessa dinâmica, muito frequentemente o indivíduo se martiriza por não conseguir e não ser bom o suficiente. Logo, <em>“o excesso de trabalho e desempenho agudiza-se numa auto-exploração, que é mais eficiente que uma exploração do outro devido ao sentimento de liberdade” </em>(HAN, 2012, p. 8).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-julgamentos-como-o-de-fracasso-culpabilizacao-e-vitimizacao-passam-a-crescer-em-uma-espiral" style="font-size:16px"><strong>Julgamentos, como o de fracasso, culpabilização e vitimização, passam a crescer em uma espiral</strong>.</h2>



<p>Quando observamos mais especificamente a psique feminina, <strong>Marion Woodman</strong> traça em paralelo com a deusa Atena, a deusa da inteligência, e as mulheres na contemporaneidade, em que muitas buscam um nível elevado de excelência e perfeição no âmbito profissional e pessoal. A deusa, na narrativa mitológica, nasce armada com uma lança e com um grito de guerra ao sair da cabeça de seu pai Zeus, local onde foi gestada após o Senhor do Olimpo ter engolido Métis, mãe de Atena.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-atena-nascendo-da-cabeca-de-zeus" style="font-size:19px">Atena nascendo da cabeça de Zeus</h2>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="372" height="568" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image.png" alt="" class="wp-image-9388" style="width:301px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image.png 372w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-196x300.png 196w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-150x229.png 150w" sizes="(max-width: 372px) 100vw, 372px" /></figure>



<p>Em paralelo à<strong> Palas Atena</strong>, a gloriosa deusa de olhos brilhantes, nas palavras de Homero, encontramos a Medusa. Esta antes de ser a mortal górgona temida por petrificar quem a olhasse, era uma linda jovem, a qual ofendeu Atena, que como vingança transformou-a no temido monstro de cabelos de serpente, presas pontiagudas, mãos de bronze e asas de ouro.</p>



<p>Medusa teve seu fim quando Perseu cortou-lhe a cabeça com ajuda das sandálias aladas e da espada de Hermes, do escudo espelhado de Atena e do capacete de Hades, capaz de o tornar invisível. Do corte fatal no pescoço de Medusa, saem Pégaso, uma das mais belas criaturas da mitologia grega, e gigante Crisaor. Em seu regresso o herói, resgata a princesa Andrômeda, que estava presa para ser dada em sacrifício, casando-se depois com ela.</p>



<p>Tomando a narrativa grega, Woodman sugere que as mulheres tornaram-se Atenas da modernidade. Elas são nascidas das testas de seus pais, do centro do funcionar racional e diretivo, ao mesmo tempo em que buscam excelência em tudo que desempenham. Externamente sustentam uma figura de perfeição. Parece que a vida está impecável: trabalho, roupas, casa. Mas essa camada superficial, por vezes, encobre uma prisão em vícios, como a compulsão alimentar, a limpeza excessiva e o perfeccionismo. <strong>A vida torna-se estéril e no cerne destes vícios, encontra-se a deusa enfurecida</strong> (WOODMAN, 2002, p.9)</p>



<p>Dentro dessa configuração, simbolicamente a Medusa está afundada e reprimida nas trevas há longo tempo. Sua presença se manifesta pelo desejo incessante de prazeres efêmeros, conquistas materiais ou pelo alcance de metas estabelecidas. Essa imagem sombria lembra a ira e a repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mera-possibilidade-de-olhar-a-medusa-que-habita-nosso-intimo-gera-uma-petrificacao-pelo-medo">A mera possibilidade de olhar a Medusa que habita nosso íntimo gera uma petrificação pelo medo: </h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>“O complexo de Medusa em sua forma extrema de fato petrifica, pois detém o fluxo da vida, o dar e receber natural de energia.”</p><cite> WOODMAN, 2002, p.54</cite></blockquote></figure>



<p>A realidade em que estamos imersos no presente é uma construção cultural de uma era patriarcal que preza pelo resultado, acúmulo e especialização. Lentamente uma parte do princípio feminino foi arrasado e o poder adentrou no lugar do amor e da capacidade de relacionar-se. O desempenho, a todo instante cobrado e exigido que aumente mais e mais, traz o apelo à perfeição.</p>



<p>&nbsp;Compelidos a fazer o melhor na escola, no trabalho, nos relacionamentos, em cada aspecto de nossa vida, tentamo-nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos. Por um lado, tentamos ser a eficiente e disciplinada deusa Atena e, por outro, somos forçados a afundar na voraz e reprimida energia da Medusa. (WOODMAN, 2002, p. 9)</p>



<p>Quando nossos olhos estão voltados para fora, medimos facilmente nosso valor, nossa percepção de quem somos e nossa felicidade por aquisições externas. Entretanto, a jornada interna de mergulho em si passa pelo reconhecimento de fraquezas, incapacidades e limitações. Não com o olhar condenatório de um juiz interno cruel. Mas com a justa medida do entendimento que nossa natureza é falível e imperfeita. Nossa vida transita no campo da possibilidade de expressão do nosso ser e na busca por descortinar as camadas superficiais que nos afastam do entendimento de nós mesmos.</p>



<p><em>Ex perfecto nihil fit</em> (Nada se pode fazer com o que já é perfeito), dizem os velhos mestres, ao passo que o <em>imperfectum</em> (inacabado) traz dentro de si os germes de um aperfeiçoamento futuro. O perfeccionismo termina sempre em um beco sem saída, ao passo que a integralidade carece somente dos valores seletivos. (JUNG, 2013, §620)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-busca-pelo-perfeito-tenta-se-alcancar-os-deuses">Na busca pelo perfeito, tenta-se alcançar os deuses.</h2>



<p>Contudo a condição humana nos proporciona a capacidade de completude, jamais de perfeição. A própria mitologia é profícua em exemplos de mortais que intentavam ser como deuses ou mais que eles. Todos recolheram o peso de sua desmedida e encontraram ruínas em seu caminho. Incorrer na<em> hybris</em> é esterilizante e mortal.</p>



<p>Na tentativa de alcançar o inalcançável, a realidade fica rígida e engessada. Somente nas frestas do imperfeito, do humano, da queda é que abriremos espaço para a beleza humana, para a expressão e para a criatividade pulsante da vida.</p>



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<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira – Membro analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. Simone Magaldi – Membro didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p>BRANDÃO, Junito de Souza. <em>Mitologia Grega</em>. Volume I, Petrópolis, Vozes, 1986.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Resposta a Jó, Petrópolis</em>. Vozes, 2013.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. <em>Agonia do Eros</em>. Petrópolis. Vozes, 2017.</p>



<p> ___________. <em>Sociedade do cansaço</em>. Petrópolis, Vozes, 2019.</p>



<p>WOODMAN, Marion. <em>O vício da perfeição: compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psíquico</em>. São Paulo, Summus, 2002.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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