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	<title>Arquivos perséfone - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 14:16:08 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos perséfone - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A invalidação do feminino &#8211; Uma leitura simbólica através do mito de Perséfone e da narrativa de Ofélia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiza de Oliveira Burger]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 13:24:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo propõe uma reflexão simbólica sobre a invalidação do feminino a partir do mito de Perséfone e da narrativa de Ofélia. Mais do que analisar personagens míticas ou literárias, o texto busca compreender como determinadas imagens arquetípicas atravessam o tempo e se atualizam na psique contemporânea, revelando dinâmicas internas que ainda influenciam a forma como muitas mulheres se relacionam. À luz da psicologia analítica, a proposta é investigar de que modo o arquétipo da donzela pode tanto aprisionar quanto iniciar processos de transformação.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-invalidacao-do-feminino-uma-leitura-simbolica-atraves-do-mito-de-persefone-e-da-narrativa-de-ofelia/">A invalidação do feminino &#8211; Uma leitura simbólica através do mito de Perséfone e da narrativa de Ofélia</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" id="h-o-que-o-mito-de-persefone-e-a-personagem-ofelia-criada-por-shakespeare-tem-em-comum" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Este artigo propõe uma reflexão simbólica sobre a invalidação do feminino a partir do mito de Perséfone e da narrativa de Ofélia. Mais do que analisar personagens míticas ou literárias, o texto busca compreender como determinadas imagens arquetípicas atravessam o tempo e se atualizam na psique contemporânea, revelando dinâmicas internas que ainda influenciam a forma como muitas mulheres se relacionam. À luz da psicologia analítica, a proposta é investigar de que modo o arquétipo da donzela pode tanto aprisionar quanto iniciar processos de transformação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-o-mito-de-persefone-e-a-personagem-ofelia-criada-por-shakespeare-tem-em-comum" style="font-size:18px">O que o mito de Perséfone e a personagem Ofélia criada por Shakespeare têm em comum?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-ambas-sao-exemplos-de-invalidacao-do-feminino-em-detrimento-de-um-masculino-abusador-um-masculino-que-acredita-ser-soberano-e-capaz-de-decidir-sobre-o-destino-dessas-mulheres-mais-do-que-elas-proprias" style="font-size:18px">Ambas são exemplos de invalidação do feminino em detrimento de um masculino abusador, um masculino que acredita ser soberano e capaz de decidir sobre o destino dessas mulheres mais do que elas próprias.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não temos como precisar como, quando e onde nasceu o mito de Perséfone. Já a história de Ofélia é retratada no final do século XVI. Mas quantas Ofélias e Perséfones encontramos até hoje incapazes de cuidar do próprio destino e tomar suas próprias decisões?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-mito-core-era-a-filha-de-demeter-e-zeus-retratada-como-uma-menina-ingenua-que-vivia-sob-a-influencia-da-mae-mae-e-filha-viviam-como-se-numa-simbiose-prolongada" style="font-size:18px">No mito, <strong>Coré</strong> era a filha de Deméter e Zeus, retratada como uma menina ingênua que vivia sob a influência da mãe. Mãe e filha viviam como se numa simbiose prolongada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Até que um dia, Hades, guardião do submundo, tio de Coré e irmão de Zeus, decide raptar a sobrinha, com anuência do pai, e levá-la para morar com ele, obrigando-a a abandonar sua vida. Ao lado de Hades, Coré vira rainha do submundo e passa a se chamar Perséfone. O mito conta que depois de comer sementes de romã, ela fica presa no reino dos mortos sem poder voltar definitivamente para sua vida de outrora, e passa a se revezar entre o mundo dos vivos e dos mortos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por mais que o mito também possa ser analisado como uma representação simbólica da transformação de Core para Perséfone e sua libertação de um complexo materno negativo, que permitiu que ela descobrisse um outro lado de sua personalidade sem as amarras de uma mãe superprotetora, não podemos desconsiderar que se trata de uma violação da vontade do feminino e de um pacto patriarcal. <strong>Coré</strong> teve seu destino traçado pelo tio e pelo pai.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-fala-da-transformacao-de-uma-donzela-ingenua-de-certa-forma-aprisionada-nos-cuidados-da-mae-para-uma-rainha-poderosa-do-submundo-mas-a-pergunta-que-fica-e-core-teria-feito-essa-escolha-se-o-seu-poder-de-decisao-nao-tivesse-sido-violado" style="font-size:18px">O mito fala da transformação de uma donzela ingênua, de certa forma aprisionada nos cuidados da mãe, para uma rainha poderosa do submundo. Mas a pergunta que fica é: <strong>Coré teria feito essa escolha se o seu poder de decisão não tivesse sido violado</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Ofélia teve um destino parecido, porém mais trágico</strong>. Ela vivia com o pai, Polônio, e o irmão. Uma mulher doce e pura que se apaixona por Hamlet, que também demonstra ter apreço por ela. Quando o pai e o irmão percebem seu interesse por Hamlet a convencem de que ela jamais conseguiria se casar com ele, visto que ele era o príncipe herdeiro da Dinamarca, e ela de uma família simples. Era preciso deixar esse amor de lado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No entanto, o pai não se incomodou em usar a aproximação dos dois para descobrir o que Hamlet tramava contra o rei (seu tio que ocupou essa posição ao se casar com sua mãe após o assassinato do pai). Polônio combina com o rei de provocar um encontro entre Ofélia e Hamlet para que ela tentasse descobrir quais eram os seus planos. Enquanto isso, eles ficariam escondidos ouvindo a conversa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Hamlet percebe a armação, fica com raiva, e trata Ofélia mal, como se entre eles nunca tivesse havido nenhum sentimento. Ele passa a ignorar a moça e, num momento de raiva e desprezo, chega a sugerir que Ofélia vá para o convento e se torne freira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Logo depois, Polônio é assassinado, por engano, por Hamlet, que acreditava estar matando o rei. Por ordem do rei, ele é enviado para a Inglaterra e Ofélia perde ao mesmo tempo o pai, o homem que amava, e o irmão, que havia saído em missão para outra cidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ofelia-nao-sustenta-tanta-desilusao-e-sucumbe-a-loucura-se-transformando-em-uma-figura-fragil-e-desorientada-que-andava-pela-vila-cantarolando-cancoes-e-distribuindo-flores-ate-que-um-dia-em-uma-de-suas-perambulacoes-ela-cai-em-um-riacho-e-morre-afogada" style="font-size:18px">Ofélia não sustenta tanta desilusão e sucumbe à loucura, se transformando em uma figura frágil e desorientada que andava pela vila cantarolando canções e distribuindo flores. Até que um dia, em uma de suas perambulações, ela cai em um riacho e morre afogada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A história deixa o final aberto a intepretações. Não se sabe se Ofélia se suicida ou se foi um acidente. Mas não importa. Seu destino é resultado das decisões de figuras masculinas presentes em sua vida. Ela teve seus sentimentos invalidados, foi manipulada pela família e ridicularizada pelo homem que amava.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ofelia-e-persefone-como-dinamica-psiquica" style="font-size:20px"><strong>Ofélia e Perséfone como dinâmica psíquica</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Perséfone e Ofélia são imagens arquetípicas que podem representar o arquétipo da donzela</strong>. De um lado, o frescor da juventude, a abertura para o novo e a curiosidade, e de outro, a passividade e a inocência que faz com que sejam facilmente manipuladas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-para-jung-o-conceito-de-arquetipo-indica-a-existencia-de-determinadas-formas-na-psique-que-estao-presentes-em-todo-tempo-e-em-todo-lugar-jung-2014-p-51-eles-representam-padroes-universais-de-comportamento-e-podem-influenciar-nossos-pensamentos-emocoes-de-forma-inconsciente" style="font-size:18px">Para Jung, o conceito de arquétipo indica a existência de determinadas formas na psique, que estão presentes em todo tempo e em todo lugar (JUNG, 2014, P.51). Eles representam padrões universais de comportamento e podem influenciar nossos pensamentos, emoções de forma inconsciente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os arquétipos são formas de apreensão, e todas as vezes que nos deparamos com formas de apreensão que se repetem de maneira uniforme e regular, temos diante de nós um arquétipo, quer reconheçamos ou não o seu caráter mitológico. (JUNG, 2013, P.81)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sendo assim, Perséfone e Ofélia não são apenas personagens de livros ou de narrativas mitológicas, elas representam uma dinâmica psíquica que se repete e atravessa gerações. Por isso, é tão fácil observar comportamentos e dinâmicas parecidas em mulheres que conhecemos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado obtém-se as estruturas básicas da psique humana através da grande quantidade de material cultural. (VON FRANZ, 2022, P.35)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O arquétipo da donzela não é apenas sinônimo de submissão ou invalidação, mas contém potencialidades para tal. Quando essas disposições se apresentam em determinados contextos sociais, podem assumir a forma de passividade e silenciamento. O que se repete não é o mito literal, mas a atualização simbólica de uma estrutura psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ofelias-e-persefones-em-nos-e-entre-nos" style="font-size:21px"><strong>Ofélias e Perséfones em nós e entre nós</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>É fácil identificarmos entre nós mulheres que vivem a mesma dinâmica narrada nas histórias de Perséfone e Ofélia.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quantas mulheres vemos abrindo mão de suas vidas e de suas histórias para viver a partir das expectativas de seus parceiros? Largam suas carreiras, mudam a forma de se vestir, renunciam às amizades, passam a considerar inapropriado aquilo que antes era motivo de felicidade e começam a questionar sua própria capacidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em algumas culturas, por exemplo, ainda é comum que os pais escolham os maridos para suas filhas através de casamentos arranjados, onde a mulher é vista como uma conveniência tanto para o pai quanto para a família do marido que vai recebê-la. Em outras, a influência negativa do pai pode não ser tão radical quanto um casamento arranjado, mas pode se apresentar, por exemplo, numa escolha profissional não reconhecida e aceita por esse pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As taxas absurdas de feminicídio também estão aí para mostrar que os homens continuam não aceitando as escolhas das mulheres, como se suas vidas e histórias pertencessem a eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-mas-aqui-nao-estamos-falando-apenas-de-homens-concretos-mas-tambem-de-uma-dinamica-patriarcal-internalizada-presente-tambem-nas-proprias-mulheres-muitas-vezes-nao-precisamos-de-um-algoz-quando-nos-mesmas-desempenhamos-esse-papel-em-nossas-vidas-um-mergulho-nas-profundezas" style="font-size:18px">Mas aqui não estamos falando apenas de homens concretos, mas também de uma dinâmica patriarcal internalizada, presente também nas próprias mulheres. Muitas vezes não precisamos de um algoz quando nós mesmas desempenhamos esse papel em nossas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-mergulho-nas-profundezas" style="font-size:21px">Um mergulho nas profundezas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O mergulho nas profundezas, quando é uma decisão própria, pode marcar a passagem da donzela inconsciente para uma mulher que participa ativamente da sua própria transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se nas narrativas descritas acima a descida ao inconsciente acontece por imposição externa, no plano psíquico ela pode se tornar um movimento voluntário de integração da própria sombra e de ampliação da consciência, permitindo integrar os aspectos da donzela sem permanecer aprisionada a eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, a sensibilidade deixa de significar fragilidade e passa a ser intuição e a abertura para as relações e a receptividade deixam de ser dependência e passividade e se transforma em vínculo consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A donzela não precisa ser negada nem superada, mas integrada como dimensão da psique feminina, sustentada por discernimento, limites e autoridade interna. Dessa forma, a descida não é mais vista como invasão, mas iniciação escolhida, encontro consigo mesma. A donzela deixa de ser aquela que somente é levada para se tornar a mulher que caminha com as próprias pernas e escolhe o seu caminho.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/luiza-de-oliveira-burger/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/luiza-de-oliveira-burger/">Luiza de Oliveira Burger – Membro Analista em formação/IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf – Analista Didata/IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-r-eferencias" style="font-size:18px"><strong>R</strong>eferências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. A Natureza da Psique. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, MARIE – Louise von. A interpretação dos contos de fada. São Paulo: Paulus, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">LACERDA, Rodrigo. Hamlet ou Amleto? São Paulo: Zahar,2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PACIORNIK, Francis. Despertando suas Deusas. Ebook.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Deméter, Perséfone e Hades: O Mito Revisitado à Luz da Psique Contemporânea e a Drogadição</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/demeter-persefone-e-hades-o-mito-revisitado-a-luz-da-psique-contemporanea-e-a-drogadicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2025 13:47:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[demeter]]></category>
		<category><![CDATA[dependência química]]></category>
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		<category><![CDATA[perséfone]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mito de Deméter, sua filha Core, e Hades, o senhor do submundo, permanece uma das narrativas mais primordiais e pulsantes da psique humana. Longe de ser um mero conto de deuses, ele funciona como um espelho da alma, uma estrutura arquetípica onde se refletem as mais íntimas ressonâncias da condição humana, especialmente no que tange à relação mãe-filha, à perda, ao crescimento e à transformação. Em sua beleza crua, o mito nos convida a explorar as profundezas de nossa própria existência, catalisado pela força invisível de Afrodite, cuja influência tece as paixões e os conflitos que impulsionam tanto a destruição quanto o crescimento evolutivo. Ao revisitar esta história, integramos a profundidade da psicologia analítica de Jung para iluminar sua chocante relevância em nosso tempo, um tempo marcado por ausências, vazios e uma busca desesperada por totalidade, que de forma equivocada pode acabar em drogadição.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong><em>O mito de Deméter, sua filha Core, e Hades, o senhor do submundo, permanece uma das narrativas mais primordiais e pulsantes da psique humana</em></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Longe de ser um mero conto de deuses, ele funciona como um <strong>espelho da alma</strong>, uma estrutura arquetípica onde se refletem as mais íntimas ressonâncias da condição humana, especialmente no que tange à relação mãe-filha, à perda, ao crescimento e à transformação. Em sua beleza crua, o mito nos convida a explorar as profundezas de nossa própria existência, catalisado pela força invisível de Afrodite, cuja influência tece as paixões e os conflitos que impulsionam tanto a destruição quanto o crescimento evolutivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Ao revisitar esta história, integramos a profundidade da psicologia analítica de Jung para iluminar sua chocante relevância em nosso tempo, um tempo marcado por ausências, vazios e uma busca desesperada por totalidade, que de forma equivocada pode acabar em drogadição</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>O mito reflete a relação simbiótica entre mãe e filha, marcada pelas etapas da vida feminina marcadas pelo sangue, como a menarca, o parto, a menopausa e a menacme, além de evidenciar a síndrome do ninho vazio</strong>. Paralelamente, a realidade do patriarcado impõe regras através da figura de Zeus, mas sem a presença desse pai na intimidade familiar, destacando a ausência de uma figura paterna amorosa e presente. Ao mesmo tempo, Afrodite permeia todos os personagens, desencadeando conflitos passionais que podem levar a um crescimento evolutivo ou à destruição, mostrando a complexidade das relações humanas e a influência do amor e do desejo em nossas vidas.</p>



<p class="has-large-font-size wp-block-paragraph"><strong>O Grito no Abismo: O Rapto e o Despertar Forçado</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Imagine a cena: <strong>Core</strong>, a &#8220;jovem anônima&#8221;, a donzela em sua plena inocência, colhe flores num prado banhado de luz, &#8220;inconsciente dos abismos que a esperam&#8221;. É a imagem da juventude protegida, da psique ainda não confrontada com sua própria sombra. De repente, a terra se fende, e dela emerge <strong>Hades</strong>, o soberano do invisível, o deus do que jaz oculto. Seu rapto não é apenas um ato de violência, mas uma potentíssima imagem da iniciação psíquica. É a &#8220;morte da donzela interior&#8221;, um mergulho forçado nas &#8220;trevas mais profundas do reino dos mortos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em termos junguianos, Hades personifica o inconsciente – pessoal e coletivo – com suas &#8220;imagens, instintos, sentimentos que são arquetípicos&#8221;. <strong>A queda de Core é o encontro inevitável com o que desconhecemos em nós mesmos</strong>. A paixão de Hades, inflamada pela mão de Afrodite, serve como o catalisador que rompe o véu da consciência ingênua. A lição é dura, mas essencial: a vida, em sua plenitude, exige que nos atrevamos a descer, a confrontar o sombrio para que o novo possa, enfim, florescer. Este é o primeiro passo na jornada da individuação, a ruptura violenta com a simbiose materna para o doloroso nascimento do eu.</p>



<p class="has-large-font-size wp-block-paragraph"><strong>O Lamento da Terra e a Fria Negociação Patriarcal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong><em>A resposta de Deméter ao desaparecimento da filha é a encarnação do arquétipo da Grande Mãe em sua dor e fúria</em></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A &#8220;mãe arquetípica&#8221;, fonte de &#8220;dedicação integral, nutrição, cuidados, aconchego&#8221;, transforma-se na &#8220;mãe enlutada, velha e enrugada como a terra ressequida&#8221;. Sua dor é tão vasta que ela impõe sua vontade sobre a própria natureza: a terra se torna estéril, as sementes se recusam a brotar, e a fome ameaça deuses e mortais. Este inverno cósmico é o símbolo da &#8220;depressão característica do &#8216;ninho vazio e da solidão'&#8221;, uma recusa do útero da terra em gerar vida enquanto sua própria vida foi roubada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">É neste ponto que a figura de <strong>Zeus</strong>, o patriarca celestial, se torna crucial. Ele, que consentiu com o rapto, representa a ordem patriarcal que impõe regras &#8220;desprovidas de alma e intimidade&#8221;. Sua intervenção não nasce da empatia, mas da necessidade de manter o equilíbrio cósmico e os sacrifícios dos mortais. A negociação que se segue é um pacto frio, uma solução de compromisso que não cura a ferida, mas a institucionaliza. <strong>A ausência de um &#8220;pai amoroso presente&#8221; é gritante</strong>; Zeus governa à distância, suas decisões impactando profundamente a intimidade familiar sem que ele participe dela. O resultado é a criação das estações: o tempo de Perséfone na superfície com sua mãe traz a primavera e o verão, enquanto seu retorno ao submundo traz o outono e o inverno. O mundo, a partir de então, passa a viver sob o ritmo cíclico da perda e do reencontro, um testemunho eterno da ferida deixada pela negociação patriarcal.</p>



<p class="has-large-font-size wp-block-paragraph"><strong>A Alquimia da Alma: De Core a Perséfone, Rainha de Dois Mundos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A verdadeira jóia do mito reside na transformação de <strong>Core</strong>. No submundo, a &#8220;boa menininha&#8221; passiva é forçada a amadurecer. O reino de Hades, inicialmente um lugar de terror, torna-se o cadinho para sua alquimia interior, um espaço de &#8220;retraimento meditativo para o crescimento interior&#8221;. O ato de comer as sementes de romã é o ponto de virada. Longe de ser apenas um truque, é um ato de aceitação. A romã, símbolo da &#8220;sexualidade e do vínculo conjugal inquebrantável&#8221;, representa a integração consciente do mundo subterrâneo. Ao comê-la, Core deixa de ser uma vítima passiva e sela seu destino, tornando-se Perséfone, a temível e respeitada Rainha do Submundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Ela se transforma na figura que pode transitar &#8220;nos dois mundos, o do Inferno e o da Luz&#8221;. Essa capacidade de se mover entre a realidade do ego e a &#8220;realidade arquetípica&#8221; do inconsciente é a própria essência da saúde psíquica e da individuação. <strong>Perséfone não é mais a Core inocente nem a esposa aprisionada; ela é uma nova entidade, uma mulher integral que &#8220;penetra as raízes da dor e descobre o caminho da própria cura&#8221;</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Esta jornada espelha profundamente a busca da mulher contemporânea pela identidade integral. Pressionada a desempenhar múltiplos papéis – a filha obediente (Core), a esposa (Rainha de Hades), a futura mãe (continuadora do legado de Deméter) –, a mulher moderna luta para encontrar a si mesma em meio a tantas expectativas. A jornada de Perséfone ensina que a totalidade não vem da escolha de um mundo em detrimento do outro, mas da coragem de habitar o limiar, de integrar a luz e a sombra, e de se tornar soberana de seu próprio e complexo universo interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-de-hades-e-persefone-ecoa-de-forma-assustadora-nos-dilemas-atuais-funcionando-como-um-diagnostico-para-as-feridas-de-nossa-sociedade" style="font-size:21px">O mito de <strong>Hades</strong> e <strong>Perséfone</strong> ecoa de forma assustadora nos dilemas atuais, funcionando como um diagnóstico para as feridas de nossa sociedade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>A Ausência do Pai e o Patriarcado Rígido:</strong>&nbsp;A figura de Zeus, o pai ausente e autoritário, reflete um mal-estar contemporâneo. O &#8220;patriarcado tirânico&#8221; que valoriza um &#8220;ego hiper-racional, controlador, avesso à emoção&#8221;, cria indivíduos de ego rígido, como &#8220;armaduras pesadas que impedem o movimento, a adaptação, a respiração da alma&#8221;. Sem a presença de um pai amoroso que promova ritos de passagem saudáveis, os jovens são lançados no mundo sem um ego flexível, capaz de negociar com as profundezas. Quando o &#8220;submundo&#8221; pessoal os confronta, esses egos quebradiços colapsam, incapazes de integrar a experiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>A Drogadição como um Falso Submundo:</strong>&nbsp;A sociedade moderna, ao desvalorizar o &#8220;mundo imaginal&#8221; e os rituais, gerou um profundo vácuo de significado. A alma, &#8220;faminta por transcendência&#8221;, busca atalhos. A drogadição surge como um &#8220;rapto moderno&#8221;, uma tentativa desesperada de alcançar um estado alterado de consciência. Como aponta a análise, &#8220;literalizamos nossa busca por experiências profundas&#8221;. A droga se torna um &#8220;reino de Hades artificial&#8221;, um mergulho forçado no inconsciente que oferece a descida, mas raramente a sabedoria do retorno. É uma busca por totalidade que resulta em uma &#8220;totalidade indiferenciada&#8217; urobórica artificial&#8221;, uma armadilha que aniquila em vez de transformar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>A Busca pela Totalidade em um Mundo Fragmentado:</strong>&nbsp;A jornada de Perséfone é um mapa para a cura. Ela nos ensina que a plenitude não está em permanecer na luz da inocência, mas em ter a coragem de descer às nossas próprias profundezas, confrontar nossos medos e impulsos sombrios, e emergir transformado. A solução para as crises contemporâneas não está na condenação moral, mas em &#8220;ousar reinventar&#8221; nossa abordagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size" id="h-o-rapto-moderno-da-alma-a-drogadicao-como-um-falso-submundo"><strong>O Rapto Moderno da Alma: A Drogadição como um Falso Submundo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O eco mais sombrio e trágico do rapto de Core ressoa na epidemia silenciosa da drogadição, que se manifesta como um sintoma agudo do vazio da alma contemporânea. Se Hades fendeu a terra para arrastar a donzela para o invisível, hoje o &#8220;rapto&#8221; se dá através de um portal químico, uma fenda artificial que promete acesso imediato às profundezas, mas que raramente oferece o caminho de volta. É a busca desesperada por um rito de passagem em uma cultura que aboliu seus rituais; é a &#8220;literalização da busca por experiências profundas&#8221; em um mundo que perdeu o contato com o seu &#8220;mundo imaginal&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size" id="h-a-fome-da-alma-e-o-prado-esteril-da-modernidade"><strong>A Fome da Alma e o Prado Estéril da Modernidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A sociedade moderna, com sua obsessão pela racionalidade, produtividade e pela superfície polida das aparências, sistematicamente secou o prado florido onde a alma jovem poderia brincar. O &#8220;patriarcado tirânico&#8221;, com suas &#8220;regras morais desprovidas de alma e intimidade&#8221;, ensina a reprimir, a controlar e a performar, mas não a sentir, a explorar ou a se conectar com o mistério interior. A alma, &#8220;faminta por transcendência&#8221;, encontra-se em um deserto de significado. Sem mitos que a guiem, sem rituais que marquem suas transições e sem anciãos que validem suas jornadas interiores, ela grita por uma experiência que quebre a monotonia do real tangível. A droga surge, então, como uma resposta perversa a essa prece. Ela oferece a promessa de um &#8220;estado alterado de consciência&#8221;, um substituto sintético para o sagrado, um atalho para o abismo que parece mais atraente do que a planície estéril da existência cotidiana.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size" id="h-o-hades-quimico-uma-descida-sem-reino-uma-coroa-de-espinhos"><strong>O Hades Químico: Uma Descida sem Reino, uma Coroa de Espinhos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><em>O Hades mitológico, embora temível, é um reino estruturado. É o domínio do inconsciente, um lugar de leis próprias, de ordem e, crucialmente, de transformação.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"> Perséfone desce para um cosmos, onde, apesar da violência inicial, ela encontra um papel e um poder, tornando-se rainha. O &#8220;<strong>Hades químico</strong>&#8220;, por outro lado, é o caos puro. Não é um reino, mas um vórtex de dissolução. A descida induzida por substâncias não leva a um encontro com os arquétipos em uma narrativa coerente, mas a uma inundação caótica de imagens e sensações que o ego é incapaz de processar. É um &#8220;mergulho forçado&#8221; sem fundo, uma queda que não termina em um trono, mas em um ciclo vicioso de dependência. A romã que Perséfone come a vincula a um novo status e a uma nova sabedoria; a droga, essa romã artificial, não nutre, mas devora, criando um &#8220;vínculo inquebrantável&#8221; não com um reino, mas com a própria substância da sua destruição.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size" id="h-a-falha-na-integracao-o-colapso-do-ego-e-a-impossibilidade-de-ser-persefone"><strong>A Falha na Integração: O Colapso do Ego e a Impossibilidade de Ser Perséfone</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><em>A jornada de Core a Perséfone é uma lição sobre a necessidade de um &#8220;ego estruturante&#8221; forte e, ao mesmo tempo, flexível.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O ego de Core, inicialmente frágil, é forçado a se desenvolver para sobreviver e governar no submundo. Ele aprende a mediar entre a luz e a escuridão. O indivíduo que busca refúgio na drogadição, muitas vezes, parte de um ego já fragilizado ou excessivamente rígido pela couraça patriarcal. Ao se expor à torrente do inconsciente químico, esse ego não se fortalece; ele se fragmenta. Em vez de se tornar o barqueiro que navega as águas profundas, o ego naufraga na própria inundação que provocou. A experiência não pode ser integrada. Não há &#8220;crescimento interior&#8221;, apenas um &#8220;retraimento meditativo&#8221; que se torna isolamento e aniquilação. A pessoa não se torna Rainha de Dois Mundos; torna-se escrava de um único e falso mundo, perdendo a cidadania tanto no reino da luz quanto no da escuridão. O resultado não é a individuação, mas a desintegração, a busca por uma &#8220;totalidade indiferenciada&#8221; que é, na verdade, a anulação do self.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size" id="h-a-dor-de-demeter-e-as-estacoes-da-dependencia"><strong>A Dor de Deméter e as Estações da Dependência</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Nesta tragédia moderna, a figura de Deméter é encarnada pela família, pelos amigos e pela comunidade que assistem, impotentes, ao desaparecimento de seu ente querido. Eles vivem o mesmo inverno da deusa: a terra de seus corações se torna &#8220;ressequida&#8221;, a esperança murcha, e eles vagam por um mundo que perdeu a cor, procurando por uma filha ou um filho que, embora fisicamente presente, está psiquicamente em outro lugar. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A negociação com Zeus se repete nas tentativas de intervenção, nas idas e vindas de clínicas de reabilitação, nas promessas quebradas e nas recaídas. As &#8220;estações&#8221; do mito tornam-se os ciclos cruéis da dependência: os breves períodos de sobriedade são a &#8220;primavera&#8221; de uma esperança frágil, rapidamente seguida pelo &#8220;inverno&#8221; do retorno ao uso, um ciclo que exaure a &#8220;persistência materna&#8221; e deixa um rastro de luto contínuo. É a dor de uma perda que nunca se conclui, pois o raptado está sempre à vista, mas perpetuamente fora de alcance.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em última análise, o mito nos chama a agir como a &#8220;persistência materna&#8221; de Deméter, criando comunidades e redes de apoio que atuem como um útero protetor para aqueles raptados pelo vazio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-jornada-de-persefone-nos-mostra-que-e-possivel-atravessar-o-terror-e-emergir-como-um-soberano-sabio" style="font-size:22px"><em><strong>A jornada de Perséfone nos mostra que é possível atravessar o terror e emergir como um soberano sábio</strong>. </em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Que a profundidade desta história ancestral nos inspire a construir pontes para que todos possam, como ela, florescer em sua totalidade, tornando-se senhores de seus próprios &#8220;dois mundos&#8221;, não aprisionados por um Hades que destrói, mas iniciados por um Hades que transforma. Precisamos urgentemente:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Criar Ritos de Passagem Modernos:</strong>&nbsp;Espaços seguros como a psicoterapia profunda, a arteterapia e retiros de autoconhecimento que permitam um encontro guiado e significativo com o &#8220;Hades&#8221; interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Cultivar o Mundo Imaginal:</strong>&nbsp;Revalorizar a arte, a criatividade, a intuição e o contato com a natureza como portais para a alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Fomentar a Flexibilidade Psíquica:</strong>&nbsp;Promover a integração do masculino e do feminino dentro de cada indivíduo, ensinando que a verdadeira força reside na vulnerabilidade e na capacidade de adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; IJEP</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Deméter, Perséfone e Hades: O Mito Revisitado à Luz da Psique Contemporânea e a Drogadição #jung" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/yyiMuPINuTg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O mito de Perséfone e o chamado da alma no casamento</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-mito-de-persefone-e-o-chamado-da-alma-no-casamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula de Azevedo Bernardi Peñas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 May 2025 12:59:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[perséfone]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Com essa narrativa, podemos ver o espanto e o reconhecimento ocasionado pela Coré. Uma menina doce, infantilizada, que colhia flores de forma ingênua. No mito, Coré aparece como uma nítida: &#8220;filha da mãe&#8221;. Ou seja, uma donzela, cuidada e nutrida somente pela mãe, alheia aos desafios da vida e do precipício do inconsciente. Contudo, [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Resumo</strong>: <strong>Com essa narrativa, podemos ver o espanto e o reconhecimento ocasionado pela Coré. Uma menina doce, infantilizada, que colhia flores de forma ingênua. No mito, Coré aparece como uma nítida: &#8220;filha da mãe&#8221;. Ou seja, uma donzela, cuidada e nutrida somente pela mãe, alheia aos desafios da vida e do precipício do inconsciente. Contudo, no momento do rapto, ao abandonar a antiga vida, vai ao encontro do profundo, das trevas, do invisível. Uma possível leitura dessa profundidade é dizer que ela vai ao encontro da alma. E essa foi a função decisiva do mito. Hades raptou Coré. E, com isso, ela passou de donzela à rainha das trevas. De menina à mulher. De criança à senhora.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A proposta do presente ensaio não é compreender ou absorver a totalidade do mito, conquanto tal missão seria impossível e infrutífera. Berry ensina: “<strong>Não há caminho para <em>fora</em> de um mito – apenas um caminho mais profundamente dentro dele</strong>” (2014, p. 37).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-proposta-aqui-e-convida-los-a-uma-possivel-compreensao-do-mito-de-persefone-a-partir-de-uma-perspectiva-pouco-estudada-a-dela-propria" style="font-size:19px">A proposta aqui é convidá-los a uma possível compreensão do mito de Perséfone a partir de uma perspectiva pouco estudada: a dela própria.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando refletimos sobre e ampliamos um mito, inevitavelmente esbarramos em outros mitos, outros personagens importantes, e em um aspecto relacional. O herói ou heroína normalmente se relacionam com outros personagens, sem os quais o mito não teria qualquer relevância. Nesse ensaio, não pretendo ressaltar os sentimentos de Deméter sobre o rapto da filha, mas sim, a perspectiva da raptada diante do arrebatamento do casamento. Ressalva-se, contudo, que a perspectiva apresentada aqui não é a única possível, e muito menos visa limitar a compreensão do mito, dado seu caráter arquetípico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O conceito de <strong>arquétipo</strong> é fundamental para a compreensão da Psicologia Analítica. O termo não foi cunhado por Carl Gustav Jung, mas foi utilizado por este para definir os moldes psíquicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2014-p-81-em-oc-8-2-280-nbsp-nbsp" style="font-size:19px">Para Jung (2014, p. 81), em OC 8/2, § 280:&nbsp;&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><em>“Os arquétipos são formas de apreensão, e todas as vezes que nos deparamos com formas de apreensão que se repetem de maneira uniforme e regular, temos diante de nós um arquétipo, quer reconheçamos ou não seu caráter mitológico. ”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Dito isto, o objetivo é trabalhar esse convite ao inconsciente que se apresenta com a <em>coniunctio </em>desse casamento divino. Há muitas narrativas acerca do mito de Perséfone.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-dar-contornos-a-narrativa-vamos-observar-os-pontos-cruciais-do-mito-a-partir-da-compreensao-de-brandao-ensina-brandao-2014-p-504" style="font-size:19px">Para dar contornos à narrativa, vamos observar os pontos cruciais do mito, a partir da compreensão de Brandão. Ensina Brandão (2014, p. 504)</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“Filha de Zeus e Deméter, [&#8230;] Coré (v.) ou Perséfone crescia feliz entre as ninfas em companhia de Ártemis e de Atená, quando um dia seu tio Hades, que a desejava, a raptou com o beneplácito e auxílio de Zeus. O local varia muito de acordo com as tradições: o mais “acertado” seria dizer que foi na pradaria de Ena, na Sicília [&#8230;]. ”</em></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Cabe fazer uma consideração acerca das relações familiares nas divindades gregas e romanas. O grau de parentesco entre eles não impacta as relações de casamento, afetivas ou sexuais. Muitos mitos foram passados de forma oral de pais para filhos, então os registros com relação aos familiares diretos não são bem traçados. O fato de Hades ser tio de Perséfone nada impede o casamento, do ponto de vista grego.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-incrementar-a-narrativa-leremos-a-cena-a-partir-dos-olhos-de-calasso" style="font-size:19px">Para incrementar a narrativa, leremos a cena a partir dos olhos de Calasso:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“No lugar em que os cães não conseguem seguir a pestilência por causa do violento perfume das flores, num prado sulcado pela água, que se eleva nas margens para depois se precipitar entre rochas íngremes, no umbigo da Sicília, perto de Enna, ocorreu o rapto de Coré. No momento em que a terra se abriu e apareceu a quadriga de Hades, Coré estava observando o narciso. Observava o olhar. Estava a ponto de colhê-lo. Coré foi então raptada pelo invisível rumo ao invisível. Coré não significa apenas “donzela”, mas também “pupila”. E a pupila, como disse Sócrates a Alcibíades, é “a parte mais excelente do olho”, não apenas porque é “aquela que vê”, mas porque é aquela onde quem olha encontra, no olho do outro, “o simulacro de quem olha”. E se, como queria Sócrates, a máxima délfica do “conhece-te a ti mesmo” só pode ser entendida se for traduzida por “olha para ti mesmo”, a pupila se torna o único meio para a consciência de si. Coré observa o amarelo “prodígio” do narciso. Mas por que esta flor amarela, que adorna ao mesmo tempo as guirlandas de Eros e dos mortos, é tão prodigiosa? O que as diferencia das violetas, dos açafrões, dos jacintos que enchiam o prado vizinho da região de Enna? Narciso é também o nome de um jovem que se perdeu ao olhar-se a si mesmo.</em><br><br><em>Coré, a pupila, estava, portanto no umbral de um olhar em que teria visto a si própria. Estava estendendo a mão para colher aquele olhar. Mas irrompeu Hades. E Coré foi colhida por Hades. Por um instante, o olhar de Coré teve de desviar-se do narciso e encontrar-se com o olho de Hades. A pupila da Pupila foi acolhida por uma semelhante, na qual viu a si própria. E aquela pupila pertencia ao invisível.</em><br><em>Houve quem escutasse um grito naquele momento. Mas o que significava aquele grito? Era apenas o terror de uma donzela raptada por um desconhecido? Ou foi o grito de um reconhecimento irreversível?</em><br><br><em>Alguns poetas antigos insinuaram que Perséfone experimentou um “funesto desejo” de ser raptada, que se uniu com um “pacto de amor” ao rei das trevas, que expôs sem peias ao contágio de Hades. Coré viu a si mesma na pupila de Hades. Reconheceu no olho que observa a si mesmo o olho de um invisível outro. Reconheceu pertencer àquele outro. Superou naquele momento a fronteira que estava prestes a superar enquanto observava aquele narciso. Era o umbral do Elêusis.”</em></p><cite>(1990, p. 145-146)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Com essa narrativa, podemos ver o espanto e o reconhecimento ocasionado pela Coré. Uma menina doce, infantilizada, que colhia flores de forma ingênua. No mito, Coré aparece como uma nítida: “filha da mãe”. Ou seja, uma donzela, cuidada e nutrida somente pela mãe, alheia aos desafios da vida e do precipício do inconsciente. Contudo, no momento do rapto, ao abandonar a antiga vida, vai de encontro ao profundo, às trevas, ao invisível. Uma possível leitura dessa profundidade é dizer que ela vai de encontro com a alma. E essa foi a função decisiva do mito. Hades raptou Coré. E com isso, ela passou de donzela, a rainha das trevas. De menina a mulher. De criança, à senhora.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Para Barcellos, esse momento representa:</p></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“O abandono da mãe pode marcar o encontro com a alma. Se lembrarmos do mito de Eros e Psiquê, há também um afastamento com relação à Afrodite, que ali se apresenta como uma figura materna – pois Afrodite, no conto Eros e Psiquê, está no seu papel de mãe (mãe de Eros), e apresenta um enlace terrível com a Mãe, tanto para Eros quanto para Psiquê. Os dois precisam se afastar dela, para alcançarem a alma como base, essa outra terra, uma terra psíquica.”</em> (BARCELLOS, 2019, p. 277)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O mito de Perséfone continua, relata-se que após seu rapto, sua mãe Deméter secou os campos de cereais, fazendo com que os humanos morressem de fome e se recusou a voltar ao Olimpo até o resgate de sua filha. Zeus, então, intermediou o retorno de Perséfone, agora Rainha das Trevas, para sua mãe. Contudo, restou acordado que ela não poderia comer nada no mundo inferior, pois aqueles que consomem do mundo inferior devem permanecer nele. Sobre isso, Chevalier e Gheerbrant (2024, p. 866):</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“No contexto do mito, a semente de romã poderia significar que Perséfone sucumbiu à sedução e merece, portanto, o castigo de passar um terço da vida nos Infernos. Por outro lado, provando uma semente de romã, ela quebrou o jejum, que era a lei dos Infernos. Ali, quem comesse qualquer coisa, ficava impedido de voltar à terra dos vivos. Foi por um favor especial de Zeus, que ela pôde dividir sua existência entre os dois lugares.”</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-partir-dai-os-relatos-sobre-a-alimentacao-de-persefone-no-mundo-dos-mortos-diverge" style="font-size:19px">A partir daí os relatos sobre a alimentação de Perséfone no mundo dos mortos diverge. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Alguns autores dizem que Hades a obrigou a comer as romãs, outros dizem que ela comeu para não morrer de fome. Para fins desse ensaio, escolhi os relatos de Chantal:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“Chega o momento da partida. Prudente, antes que sua esposa tome o caminho da claridade, Hades lhe oferece uma romã bem madura, a mais bela, avermelhada, para refrescá-la durante a viagem. Também ele está cuidando de sua seara, pois com isso deseja garantir o retorno da esposa, a menos que Perséfone já esteja convencida de que doravante sua vida é com ele – disso a mãe não precisa saber, mas seguramente já suspeita. Durante a viagem para a luz do dia, Proserpina<a id="_ftnref1" href="#_ftn1"><strong>[1]</strong></a> chupa seis dos grãos suaves oferecidos pelo marido: a polpa tenra e suculenta, o sabor acidulado e leve quase a fariam sentir saudades dos beijos do esposo; mas a saudade logo é afugentada pelo reencontro, pelos abraços, beijos e afagos de sua mãe. A alegria, a vida, as estações retornam à Terra e durante seis meses a recobrem de um tapete verdejante e fértil. Ao cabo desse lapso de tempo – um mês por grão de romã -, Perséfone volta a pensar com ternura no esposo. As brigas e os amuos entre a mãe e a filha se multiplicam, de modo que, de comum acordo, elas decidem que a jovem está sofrendo de saudades do país dos mortos, do qual ambas falam muito mal, mas esperando que Perséfone retorne logo para lá. Numa noite, quando sua mãe está dormindo e a terra e os vinhedos estão em plena colheita, a jovem rainha deixa o colo materno e retorna, por vontade própria, para os braços imortais do senhor dos mortos, abraçando durante seis meses o descanso do Hades; enquanto isso, sua mãe se cobre novamente com o véu infértil do luto, assim como o solo se cobre de folhas mortas e, depois, de um tapete de neve, esperando a vinda de Proserpina para renascer de novo na primavera.” </em>(CHANTAL, 2024, p. 182-183)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-esse-relato-percebe-se-que-talvez-persefone-tenha-descoberto-uma-nova-identidade-de-seu-ser-no-hades-e-que-talvez-pasmem-tenha-gostado-da-sua-nova-identidade" style="font-size:19px">Com esse relato, percebe-se que talvez Perséfone tenha descoberto uma nova identidade de seu ser no Hades, e que talvez – pasmem – tenha gostado da sua nova identidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">É evidente que, com isso, não estamos aqui defendendo o rapto de mulheres, mas se lermos de forma simbólica, esse rapto pode ser interpretado como um chamado da alma, pelo sombrio, pelo profundo, pelo inconsciente. Nessa situação, representada pelos Infernos, ela foi atraída para a borda do precipício, e de dentro dele foi arrancada da estabilidade das terras maternas e protetoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O casamento pode ser um dos responsáveis por esse chamado da alma, mas é claro que não é o único. Contudo, nesse ensaio a proposta é falar somente sobre o casamento. O afastamento tanto físico, quanto emocional da família originária, e claro, a dedicação de Perséfone ao novo lar, simboliza a realidade de muitas mulheres ocidentais até hoje (e de alguns homens também). Uma possibilidade é interpretarmos a chegada de Hades como a força avassaladora de um <em>Animus</em> brutal. Jung define o Animus como: “<strong>A mulher não tem <em>anima</em>, mas <em>animus</em>. A <em>anima</em> é de índole erótica e emocional, enquanto que o animus é de caráter raciocinador</strong>”. (JUNG, 2019, p. 83).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo essa definição de Jung, podemos concluir que, no caso de Perséfone, uma menina doce, gentil, infantilizada, uma verdadeira donzela, o casamento despertou um aspecto forte, dominador, de poderio nela. Ela se tornou rainha dos mortos. Por lá passou a dominar tudo e todos. Se tornou senhora daquele reino. Passou de uma deusa primaveril, à deusa da morte. Aquela que governa o mundo da esterilidade. Aquela a quem vários heróis buscaram pra pedirem passagem segura pelos reinos do Inferno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-sobre-o-carater-arrebatador-do-animus-jung-ensina" style="font-size:19px">Ainda sobre o caráter arrebatador do animus, Jung ensina:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“<em>Essas duas figuras crepusculares, do fundo escuro da psique, a </em>anima<em> e o </em>animus<em> (verdadeiros e semigrotescos “guardiões do umbral”, para usar o pomposo vocabulário teosófico), podem assumir numerosos aspectos, que encheriam volumes inteiros. Suas complicações e transformações são ricas como o próprio mundo, e tão extensas como a variedade incalculável do seu correlato consciente, a persona. Habitam uma esfera de penumbra, e dificilmente percebemos que ambos, </em>anima<em> e </em>animus<em>, são complexos autônomos que constituem uma função psicológica do homem e da mulher. Sua autonomia e falta de desenvolvimento usurpa, ou melhor, retém o pleno desabrochar de uma personalidade.</em> ” (JUNG, 2015, p. 101)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O Hades, representante nesse mito da figura do marido, personifica o mundo das possibilidades. Muito embora os Infernos sejam estéreis, e aparentemente sem mudanças, a morte é uma oportunidade. Sem a morte, o trabalho da mãe de Perséfone seria inútil. É necessária a morte para que a vida possa existir. Essa constante renovação é um movimento que observamos na psique. O amor deslumbrado de Hades por Perséfone prova que nem a morte está imune ao poder do amor. E o movimento de Perséfone de poder circular entre o mundo dos vivos e dos mortos mostra o caráter transicional da nossa alma. Nos comunicamos com o mundo exterior, e com o mundo interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-ignoramos-o-mundo-interior-somos-raptados-para-dentro" style="font-size:19px">Quando ignoramos o mundo interior, “somos raptados” para dentro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Assim é o casamento, um convite a lidar com as nossas projeções. A relação com o outro se estabelece a partir das minhas expectativas, projeções e nos apaixonamos pelos nossos próprios conteúdos apresentados num outro. A segurança que esse outro nos oferece é a companhia no caminho para dentro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Podemos olhar esse mito de múltiplas formas, uma delas é a partir do simbolismo da romã, que pode significar a perda da inocência, da virgindade, e o aparecimento do desejo. Somos magicamente atraídos, como Perséfone pelo narciso, por tudo aquilo que esperamos que nos complete. Se por um lado, a representação dos Infernos é um lugar estéril em que nada acontece, por outro, Perséfone encontrou um lugar de possibilidades onde construir sua vida. O marido a convida a reinar e criar um mundo de possibilidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-num-mundo-arido-em-que-nada-cresce-a-roma-encontrou-seu-caminho-provando-que-todas-as-plantas-tem-raizes-no-subsolo-nos-da-mesma-forma-florescemos-no-consciente-mas-nossas-raizes-crescem-nos-espacos-sombrios-do-umbral" style="font-size:19px"><strong>Num mundo árido, em que nada cresce, a romã encontrou seu caminho, provando que todas as plantas têm raízes no subsolo. Nós, da mesma forma, florescemos no consciente, mas nossas raízes crescem nos espaços sombrios do umbral.</strong></h2>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: O mito de Perséfone e o chamado da alma no casamento" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/ahPkvoOa7MY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/paula-penas/">Paula de A. Bernardi Peñas &#8211; Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra E. Simone Magaldi &#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">BARCELLOS, Gustavo. <em>Mitologias arquetípicas: figurações divinas e configurações humanas.</em> Petrópolis: Vozes, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">BERRY, Patricia. <em>O corpo sutil de eco: Contribuições para uma psicologia arquetípica</em>. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">BRANDÃO, Junito de Souza. <em>Dicionário Mítico-Etimológico</em>. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">CALASSO, Roberto. <em>As núpcias de Cadmo e Harmonia.</em> Tradução de Nilson Moulin Louzada. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">CHANTAL, Laure de. <em>Livre como uma deusa grega: Na mitologia o melhor da humanidade é a mulher. </em>Petrópolis: Vozes, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">CHEVALIER, Jean; Gheerbrant, Alain. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 40. Ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 7. Ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">______ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">______ <em>O eu e o inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4">______ <em>Aspectos do feminino</em>. Petrópolis: Vozes, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Canais IJEP:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><em>Congressos Junguianos &#8211; Online e Gravados: </em></strong><em><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></em> </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong>&nbsp;–&nbsp;<strong>Online e Gravado – 30h Certificação</strong></em></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Psicologia Junguiana &#8211; Online ou Presencial São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília</em></strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Proserpina é o nome de Perséfone nos mitos romanos.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-mito-de-persefone-e-o-chamado-da-alma-no-casamento/">O mito de Perséfone e o chamado da alma no casamento</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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