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	<title>Arquivos propósito - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos propósito - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Esse tal de propósito</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/esse-tal-de-proposito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Oct 2024 12:02:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cada vez mais tem-se falado sobre propósito, no contexto organizacional e mesmo pessoal. Pesquisas mostram que aumenta a percentagem de consumidores que se fidelizam a marcas que atuam para o bem da sociedade e do planeta, e de trabalhadores que buscam empresas com senso de propósito. Mas, afinal: trata-se de uma necessidade humana ou de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Cada vez mais tem-se falado sobre <strong>propósito</strong>, no contexto organizacional e mesmo pessoal. Pesquisas mostram que aumenta a percentagem de consumidores que se fidelizam a marcas que atuam para o bem da sociedade e do planeta, e de trabalhadores que buscam empresas com senso de propósito. Mas, afinal: trata-se de uma necessidade humana ou de estratégia de mercado?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste artigo é, sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, discutir essa questão que se situa em um longo espectro entre o anseio humano ligado à sede de sentido e o aproveitamento que o mercado faz dele. No meio desta faixa ou intervalo, encontra-se a cultura que vem forçando as empresas a escolher abraçar uma causa ou desaparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas descobrem que visar apenas ao lucro a partir do trabalho de quem troca horas por dinheiro é uma fórmula ultrapassada e fadada ao fracasso. Por isso, passam por uma verdadeira transformação, que inclui a descoberta de um propósito. E esse propósito muitas vezes empresta sentido a quem ali trabalha e ainda não encontrou um chamado pessoal, ou reforça o daqueles cujo chamado está ligado à causa da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras utilizam a plasticidade típica do capitalismo, cuja lógica de mercado vai engolindo os movimentos culturais e os transformando em mercadoria. Efetuam mudanças ao ritmo da moda, fortalecendo suas marcas, que se tornam desejos de consumo, podendo inclusive cobrar mais por seus produtos e manter-se na competitividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só por aí é possível ver que o debate é longo e talvez não encontre uma única resposta. No entanto, aprofundar no que está por trás desse tal de propósito é algo rico, atual e necessário. E a Psicologia Analítica tem muito a contribuir com este aprofundamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-proposito-e-a-ciranda-individuo-empresa-individuo"><strong>O propósito e a ciranda indivíduo-empresa-indivíduo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “Marcas significativas” (<em>Meaningful brands</em>) do grupo francês Havas de consultoria de comunicação, publicado em janeiro de 2024, entrevistou cerca de 161 mil pessoas nos cinco continentes a respeito de mais de 2200 marcas de 47 categorias diferentes. O objetivo era examinar o impacto da marca a partir da percepção dos consumidores de seus benefícios pessoais, funcionais e coletivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelaram que fazer bem para o planeta e a sociedade é mais importante agora do que nunca, e mais esperado. A crise climática é o principal acontecimento global que a humanidade enfrenta, segundo a pesquisa — 78% das pessoas pensam que estamos vivendo uma crise ambiental, e 70% acreditam que o mundo vai na direção errada neste assunto. As pessoas sentem os efeitos das crises em suas vidas diárias, nesta ordem: crise econômica, de saúde, social, ambiental e política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os respondentes da pesquisa dizem tentar agir eles mesmos para mudar a situação. Por isso, acreditam que as marcas deveriam atuar com seu poder de influência para causar mudanças positivas. É o que mostram estes índices:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 73% dos consumidores acreditam que as marcas deveriam fazer algo para o bem da sociedade e do planeta — comunicação não é o suficiente</em></strong>;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 72% estão cansados de marcas que fingem ajudar a sociedade enquanto apenas buscam lucrar;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 68% pensam que as empresas/marcas têm o poder de ajudar a resolver alguns dos problemas mundiais.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas que não respondem a esta expectativa por propósito acabam sendo pouco significativas, ao ponto de as pessoas dizerem não se importar se 75% das marcas desaparecessem. Isso acontece no mercado consumidor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-no-trabalho-a-demanda-por-proposito-tambem-tem-se-feito-presente" style="font-size:17px">E no trabalho, a demanda por propósito também tem se feito presente?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"> A consultoria KPMG (2017) levantou alguns dados sobre o tipo de empresa em que a geração Y ou <em>Millennials</em> (pessoas nascidas entre 1985 e 1999) gostariam de trabalhar por toda a sua carreira. Este foi o resultado:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 79% gostariam de trabalhar em empresas que tenham um forte senso de propósito;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 89%, em empresas que façam a diferença no mundo;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 90%, naquelas em que haja um alinhamento entre valores pessoais e corporativos;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 92%, em empresas com uma visão de futuro empolgante.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É curioso que este movimento em direção à busca pelo propósito parte das pessoas em relação às empresas, sejam aquelas das quais compram, sejam aquelas nas quais trabalham. É em primeiro lugar um anseio do indivíduo em relação ao coletivo, pressionando-o, o que está alinhado com o que Jung já dizia na década de 1940:</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Se o todo deve mudar, primeiro deve mudar o indivíduo. O bem é um dom e uma conquista do indivíduo. Como sugestão de massa é simples entorpecente que nunca teve o valor de virtude.”</p><cite> JUNG, 2012, §1378</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Este anseio está ligado ao movimento próprio da psique, que busca totalidade. “<strong>Ela tende à realização total e, no que concerne ao homem, à tomada de consciência total. A tomada de consciência é cultura no sentido mais vasto do termo</strong>” (JUNG, 2016, p. 387). O nível de consciência se eleva, como ensina o próprio Jung, a partir do choque dos contrários. No tema aqui debatido, por exemplo, quando alguém, diante das catástrofes climáticas, questiona se com seus hábitos de consumo contribui para frear ou acelerar a devastação, percebendo ambas as tendências e optando (sem querer abafar a autocrítica) por comprar menos e de marcas que fazem algo pelo planeta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-nos-questiona-e-nos-questionamos-o-mundo-e-a-ele-devemos-responder" style="font-size:17px">A vida nos questiona, e nós questionamos o mundo e a ele devemos responder.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:23px"><blockquote><p>“Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der.” </p><cite>JUNG, 2016, p. 380</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se para Jung “<strong>o conhecimento de si mesmo é a essência e o coração deste processo</strong>” (p. 387), pode-se dizer que a dificuldade de interiorização e profundidade típica do momento atual compromete a busca pelo propósito pessoal; muitas vezes projeta-se as próprias inquietações e vazios na exterioridade, desconhecendo-se o fato de poder residir no fundo do incômodo um chamado pessoal. E, nesta direção, ligar-se através do trabalho a uma empresa com propósito pode emprestar sentido temporariamente a muitas pessoas, pode ser a fagulha que faltava para acender o caminho do autoconhecimento. Afinal, é no fato da vida que reside o sentido da existência, como ensinava também Jung.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas que sede de sentido é esta, tantas vezes declarada, tantas outras escondida ou descoberta por acaso nessas brechas de oportunidade?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-profundo-anseio-da-vida"><strong>O profundo anseio da vida</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Psyche</em> é a palavra grega para alma, a essência mais profunda e íntima do humano. Dela vem a sede e a busca, hoje em dia muitas vezes projetada em coisas e pessoas, quando se perde o movimento que leva a “galgar além de”, a transcendência. A atualidade vive “uma perda da transcendência como perda de sentido, como crise espiritual” (DORST, 2015, p. 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram essas as questões com as quais Jung se ocupou, a ponto de considerar aspecto decisivo da vida humana ter ou não o transcendente como ponto de referência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Para o homem a questão decisiva é esta: você se refere ou não ao infinito? Tal é o critério de sua vida. Se sei que o ilimitado é essencial então não me deixo prender a futilidades e a coisas que não são fundamentais.” </p><cite>JUNG, 2016, p. 387</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Curioso que existe uma escolha nessa afirmação, não se usa a conjunção “e”, mas “ou”. Tomar decisões também é algo do qual se foge ultimamente, em um mundo que apresenta inúmeras possibilidades. Ter tudo ao mesmo tempo, conciliar, manter todas — ou pelo menos várias — janelas abertas sem fazer renúncias é algo tentador. Mas a natureza não aguenta isto, nem a que sucumbe fora, diante dos nossos excessos, nem a que sucumbe dentro — e será que não são, senão a mesma, intimamente ligadas? Jung continua com clareza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Quanto mais o homem acentua uma falsa posse, menos pode sentir o essencial e tanto mais insatisfatória lhe parecerá a vida. [&#8230;] Se compreendermos e sentirmos que já nesta vida estamos relacionados com o infinito, os desejos e atitudes se modificam. Finalmente, só valemos pelo essencial e se não acedemos a ele a vida foi desperdiçada.</p><cite> JUNG, 2016, p. 388</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Essa afirmação já coloca uma questão ao consumismo, mola propulsora do capitalismo, fazendo pensar se realmente é possível empresas com propósito, ou isso seria, em última análise, uma facada no coração do sistema, daí ele só mascarar o de sempre com belos discursos que amenizam consciências.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sera-que-diante-da-pressao-e-clamor-pode-ter-sido-iniciada-uma-transformacao-verdadeira-mesmo-que-em-pequena-parcela-dos-negocios" style="font-size:18px">Será que diante da pressão e clamor pode ter sido iniciada uma transformação verdadeira, mesmo que em pequena parcela dos negócios?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos indivíduos, a escolha apresentada por Jung passa, paradoxalmente, pela conscientização dos próprios limites. Finito e infinito são conscientizados ao mesmo tempo, e isso ocorre ao longo do processo de individuação, do ir se tornando quem se é de fato, descobrindo a sua unicidade — combinação única dos fatores universais. Isso gera comunhão com o outro e com a natureza e o mundo, não somente porque leva a sair do novelo dos interesses egoístas, mas também porque faz a pessoa se perceber cada vez mais como uma minúscula porém essencial parte do todo, com a necessidade de se conectar às demais pela vida deste todo. Esse processo é a descoberta do chamado da alma ou do propósito pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Psicologia Analítica, “<strong>a meta da vida não é a felicidade, e sim o significado</strong>” (HOLLIS, 1999, p. 9), até porque aquela é muito efêmera, enquanto este nos sustenta em grande parte da nossa jornada. E ele é descoberto no profundo, onde muitas vezes só se vai pelo sofrimento. É neste lugar interior que “a alma é fabricada e forjada, onde encontramos não apenas o <em>gravitas</em> da vida, como também seu propósito, sua dignidade e seu mais profundo significado.” (p. 11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta da alma e de sua busca por sentido se dá na profundidade, o que normalmente exige atitude contemplativa e de interiorização. No entanto, este processo de dentro pode começar fora — até porque dentro e fora são só dois lados do mesmo. Como dito anteriormente, um propósito organizacional pode emprestar sentido e desencadear a referência ao infinito.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Onde quer que percebamos a presença da profundidade, no cosmo, na natureza, nos outros ou no eu, estamos no recinto da alma.” </p><cite>HOLLIS, 1999, p. 17</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-a-dificuldade-entao-a-ilusao" style="font-size:16px">Qual a dificuldade, então? A ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se tudo é vivido apenas para fora, virando ativismo, e não se busca nem se recebe ajuda ou incentivo para o autoconhecimento, a ampliação da consciência da unicidade, que é limitação (ou vice-versa), não se pode perceber o ilimitado ou infinito. Acaba-se por absolutizar o finito, seja a empresa ou a fundação, identificando-o ilusoriamente com o ilimitado, “que se manifesta na embriaguez dos grandes números e na reivindicação sem limites dos poderes políticos” e econômicos (JUNG, 2016, p. 388). Daí o risco da idolatria tão presente no sistema capitalista.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compromisso-ou-engano"><strong>Compromisso ou engano?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Questão difícil de responder. E talvez seja mais válida a pergunta do que as respostas, pois ela leva a manter a análise, a reflexão e o senso crítico. Por um lado, o mercado é plástico, flexível, e transforma as demandas humanas para atrair ao consumo e ao lucro. Neste sentido, é possível afirmar com Magaldi:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, só é possível um mínimo de cuidado com as relações humanas e de fraternidade, porém, sempre em função dos próprios interesses do mercado que, livremente, arbitra regras e normas éticas para manter o seu próprio negócio, ‘coisificando’ o humano, estabelecendo apenas um respeito aparente suficiente para preservar as possibilidades futuras de troca proveitosa, pois a lealdade última é devotada tão somente ao dinheiro. (MAGALDI, 2014, p. 196)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, que bom que a mudança da cultura vai forçando as empresas a certas tomadas de posição, seja na sustentabilidade, seja na definição de um propósito! O limite é se o olhar da real intenção está posto no finito ou no infinito. Há negócios, certamente a exceção, que já se percebem como uma obra em construção a serviço da Grande Obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria, porém, tem a lança da ganância material traduzida como acumulação financeira de poucos, escondida na bela plumagem de discursos encantadores. A sedução que eles exercem não dura muito, no entanto, pois o que está em jogo aqui é a interseção — ou não — com o chamado da alma de cada pessoa, e a alma detecta a mentira. Cada vez mais, só a coerência com o propósito declarado fará as empresas sobreviverem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-validas-que-os-discursos-sao-as-acoes" style="font-size:17px">Mais válidas que os discursos são as ações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se os negócios criam ações que promovem a vida, que contribuem de fato com o entorno social e ambiental, são mais capazes de se tornarem possibilidades de realização de sentido para muitos parceiros envolvidos, mesmo que algum com maior consciência crítica possa questionar seu fundo. Enquanto não se está na linha de evolução que já toma como referência o infinito, unindo palavra e ação, parece ser mais válido fazer algo concreto no aqui e agora do que propagandear belas frases.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como as verdadeiras transformações são as que acontecem a partir dos indivíduos, a entrega pela dádiva ou gratuidade gera a autorrealização, a vida com sentido e significado. E somente ela poderá pressionar o coletivo a também se colocar a serviço da vida. Concordando com Magaldi (2014, p. 286), isso significa que fazer simplesmente pelo gosto e pelo amor do fazer é a saída para quebrar esse hábito diabólico do lucro. Para quem conquista essa ‘dádiva’, o fazer deixa de ser imediatamente pelo dinheiro e passa a ser pelo amor ao próprio amor. Essa é a condição de servir com alegria para celebrar todas as expressões evolutivas da vida.</p>



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<iframe title="ARTIGO NOVO: &quot;ESSE TAL DE PROPÓSITO&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/d3_oDxVEtRg?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/tania-pulier/">Tania Pulier — Analista em formação/IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lilian/">Lilian Wurzba — Analista Didata/IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">DORST, Brigitte. Introdução. In: JUNG, Carl Gustav. <em>Espiritualidade e transcendência</em>. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HAVAS. Meaningful Brands 2023 (updated) Global Report: Where new cultural and societal forces are changing what it means to be meaningful, jan. 2024. Disponível em: https://meaningful-brands.com/reports/2023report/. Acesso em: 22 ago. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOLLIS, James. <em>Os pantanais da alma</em>: nova vida em lugares sombrios. São Paulo: Paulus, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>A vida simbólica</em>. Vol. 18/2. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">___. <em>Memórias, sonhos e reflexões</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">KPMG. <em>Meet the millennials</em>, jun. 2017. Disponível em: https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmg/uk/pdf/2017/04/Meet-the-Millennials-Secured.pdf. Acesso em: 16 set. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">MAGALDI, Waldemar. <em>Dinheiro, Saúde e Sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da Psicologia Analítica. 2.ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2014.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e pós-Graduações com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>&nbsp;e Combos Promocionais:</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1024x576.png" alt="" class="wp-image-9511" style="width:515px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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			</item>
		<item>
		<title>Quando a vida finalmente dá certo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-a-vida-finalmente-da-certo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 21:25:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[cosmovisão]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[intuição]]></category>
		<category><![CDATA[propósito]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<category><![CDATA[zona de conforto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9357</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo fala sobre o desejo de alcançar a plenitude da vida em todos os seus segmentos, destacando porém, que responsabilidade, racionalidade e trabalho com afinco podem não ser suficientes, se as expectativas não estiverem alinhadas a um significado interior maior. E ainda, que este processo estaria altamente vinculado ao conhecimento cada vez mais crescente e aprofundado de si mesmo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em algum tempo de nossa jornada, é quase inevitável o surgimento de pensamentos ou questionamentos sobre o momento em que seremos surpreendidos por grandes mudanças em nossas vidas, mudanças estas que nos conduzirão positivamente a novos patamares, novas frentes e fases.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Estas expectativas são diferentes pra cada pessoa, pois encontram-se apoiadas nas experiências passadas, crenças e valores de cada um. Porém, saliento um modo peculiar na forma de pensar &#8211; que não me atreveria a chamar de mágica -, uma forma de pensamento muitas vezes relacionado à busca por controle sobre os eventos, mas no mínimo de uma projeção ingênua sobre a forma de pensar e viver a vida, caracterizada, por vezes, por expectativas irreais, simplistas e também reducionistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As habilidades latentes que nos acompanham desde o nascimento, e que podem ser desenvolvidas ao longo do tempo, são influenciadas direta ou indiretamente pelo ambiente, educação, estímulos recebidos, oportunidades e vivências pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É importante lembrar que a vida nem sempre segue o curso que esperamos e que desafios surgem no meio do caminho. Exigindo flexibilidade e resiliência no enfrentamento das adversidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-na-importancia-do-autoconhecimento" style="font-size:19px">Jung acreditava na importância do autoconhecimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste ponto, o fio que conduz à elevação de níveis mais sutis de desenvolvimento, envolve o equilíbrio entre os aspectos do inconsciente e da consciência, na busca por integração e individuação como caminhos para a realização e o desenvolvimento pessoal, a fim de se alcançar um estado de totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A partir do autoconhecimento, uma consciência livre de um mundo mesquinho e aberta à participação de um mundo mais amplo de interesses vai emergindo, e esta consciência ampliada já não é aquela pertencente ao novelo egoísta das ambições, temores e desejos de caráter pessoal, compensados inconscientemente por contratendências ( Jung, 2014)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seguimos-na-ilusao-de-ja-nos-conhecer-e-nao-entendemos-a-importancia-da-cosmovisao-que-se-refere-ao-modo-como-o-individuo-enxerga-e-interpreta-a-realidade-ao-seu-redor" style="font-size:19px"><strong>Seguimos na ilusão de já nos conhecer</strong> e não entendemos a importância da cosmovisão, que se refere ao modo como o indivíduo enxerga e interpreta a realidade ao seu redor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A reflexão sobre si mesmo nos leva a entender que esta cosmovisão não é para o mundo e sim para nós próprios. E que ao formarmos uma imagem global do mundo seremos capazes de ver a nós mesmos, que somos cópias fiéis deste mundo. Não existe um momento exato em que a vida começa a dar certo, mas sim um processo contínuo de evolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não é fácil manter foco e disciplina; a motivação muitas vezes faz falta e com isso, um planejamento que exige clareza, direcionamento e objetivos concretos pode gerar falsas expectativas. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Seria correto então afirmar que o sucesso de uma vida bem vivida, em todos os seus aspectos, não depende somente das virtudes do indivíduo. tais como responsabilidade, caráter e desejo de desenvolvimento e, ainda, de estrutura familiar com ambiente favorável e oportunidades do meio externo?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tudo nos leva a crer que sim, pois estas características, isoladas da integração das diferentes partes da personalidade e aceitação de seus aspectos tanto positivos quanto negativos pode revelar uma vida &#8221; segura&#8221;, &#8221; funcional&#8221; e aparentemente &#8220;aprazível &#8220;, porém à margem do <strong>propósito </strong>e sem conexão com algo maior que a própria individualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando olhamos para nossa realidade com plena consciência, somos capazes de enxergar oportunidades de aprendizado e transformação em tudo que nos acontece. Sejam estas toda sorte de bênçãos ou mesmo os indesejados reveses. Através das funções da consciência, o estudo determinante de Jung no contexto do funcionamento da psique enfatiza a intuição- descrita muitas vezes como uma compreensão profunda e instantânea sobre algo sem a necessidade da razão, desempenhando um papel importante em nos avisar sobre algo novo que está prestes a entrar em nossa consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-estamos-abertos-e-receptivos-aumentamos-a-chance-de-perceber-sinais-sutis-de-que-algo-novo-se-aproxima" style="font-size:19px">Quando estamos abertos e receptivos aumentamos a chance de perceber sinais sutis de que algo novo se aproxima.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Buscando lugar em nossa consciência, nos preparando, ou até mesmo encorajando na exploração daquilo que esta se apresentando. Porém, é comum o estranhamento frente ao novo. Muito mais fácil seria se pudéssemos nos entregar a sensação interna e, imediatamente estarmos preparados para grandes mudanças e decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitos, frente à angústia, podem viver esse cenário interno com paralisia e retrocesso, ou até mesmo uma tentativa de adaptação ao que se apresenta externamente, sem a paciência, que pode trazer o tempo necessário para descobrir o que devemos levar adiante ou deixar no caminho, com leveza e acima de tudo com muita responsabilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-falemos-entao-da-famosa-zona-de-conforto" style="font-size:19px">Falemos então da famosa &#8220;zona de conforto &#8220;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse estado mental, familiar onde o risco de estresse é mínimo, pois as situações são previsíveis, permitindo um estado constante de segurança e confiança. Sair dessa zona implica exposição e desafios, que podem ser intimidantes, mas também podem levar ao desenvolvimento e crescimento pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dessa-maneira-comecamos-a-nos-aproximar-da-ideia-do-que-pode-ser-uma-vida-que-se-realiza-e-que-atrelada-ao-autoconhecimento-pode-revelar-a-chave-que-abre-todas-as-portas" style="font-size:19px">Dessa maneira, começamos a nos aproximar da ideia do que pode ser uma vida que se realiza e que, atrelada ao autoconhecimento, pode revelar a chave que abre todas as portas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo <strong>Jung</strong>, (2013 p. 86) o processo de tornar-se homem acontece através da tomada de consciência das pretensões egoísticas. Onde o indivíduo percebe os seus motivos e procura formar uma ideia mais completa possível de sua própria natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma reflexão e confronto consigo mesmo que, embora muito desconfortável para aquele que se encontra predominantemente inconsciente, é uma operação necessária, que reúne partes dispersas do eu, levando a um aflorar espontâneo do si-mesmo que já existia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A sombra é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma, não sendo possível anula-la argumentando ou torná-la inofensiva através da racionalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Temos, porém que reconhecê-la afim de nos tornarmos verdadeiramente honestos e autênticos ( Jung, 2016). Assim, para Jung (2011) o homem se mostra tal como é, revelando o que antes estava oculto sob a máscara da adaptação convencional: a sombra, que ao se tornar consciente pode ser integrada ao eu, fazendo que se opere uma aproximação da totalidade, totalidade esta que não é a perfeição, mas o ser completo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-agora-entendemos-que-a-vida-finalmente-da-certo-quando-vivenciamos-cada-experiencia-sem-queimar-as-etapas-necessarias" style="font-size:19px">Agora entendemos, que a vida finalmente dá certo quando vivenciamos cada experiência sem queimar as etapas necessárias:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“Onde há uma lacuna,</em><br><em>onde falta o verdadeiro saber,</em><br><em>ainda hoje o espaço é preenchido</em><br><em>com projeções.”</em><br></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-existe-o-certo-pra-vida-dar-certo" style="font-size:19px">Não existe o &#8220;CERTO&#8221; pra vida dar certo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma rotina simples de viver pode ser o ápice da felicidade, desde que o manancial das potencialidades tenha sido esgotado, para que se possa lidar de forma assertiva e funcional com os conflitos que vem e vão pela vida, nos levando a viver o melhor das coisas e aproveitando cada momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os sinais externos não poderão jamais definir o valor humano de cada indivíduo, mas para que isso não nos paralise, é necessário enfrentar o medo de uma batalha competitiva, que por vezes, nós mesmos criamos dentro de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando nos deparamos com a motivação que orienta nossas escolhas e ações, entendemos que estamos no caminho que escolhemos cautelosa e respeitosamente, e nesta estrada quem nos faz companhia é o PROPÓSITO, que revela nossa missão nessa viagem, e que finalmente podemos dizer que deu certo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Quando a vida finalmente dá certo&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/h4TeA3pmtms?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha &#8211; Membro Analista em formação pelo Ijep</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata Ijep</a></strong></p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h1>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>O eu e o inconsciente</em>. Vol. 7/2 &#8211; Editora Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. <em>O símbolo da transformação na missa.</em> Vol. 11/3 &#8211; Editora Vozes, 2013 JUNG,C.G. OS arquétipos e o inconsciente coletivo. vol.9/1 &#8211; Editora Vozes, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. <em>Ab-reação- análise doa sonhos e transferência</em>. Vol. 16/2 &#8211; Editora Vozes, 2011 JUNG, C.G. Psicologia e Religião. vol. 11/1 &#8211; Editora Vozes, 2013.</p>
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		<item>
		<title>Servir para Ser</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/servir-para-ser/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2022 19:09:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[chamado]]></category>
		<category><![CDATA[propósito]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia anal[itica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido de vida]]></category>
		<category><![CDATA[servidão]]></category>
		<category><![CDATA[servir para ser]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5466</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma vida sem sentido não tem sentido! E o único sentido que faz sentido para a vida é o de servir a própria vida. Este ensaio reflete a respeito da necessidade de servirmos para sermos!</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Ter capacidade crítica e reflexiva é o que me mantém&nbsp;vivo, confiante, plural e feliz! Foi isso que fiz quando anunciei publicamente o sétimo dia do falecimento da minha mãe, aos 101 anos de idade, agradecendo tudo que ela fez por mim e, ao mesmo tempo, criticando o que ela deixou de fazer por ela, na direção consciente do seu processo de individuação. Com isso, acredito que deixei claro a diferença que faço entre amar e gostar. Infelizmente, assim como ela, a maioria dos humanos, por ficarem monotemáticos e egoístas, perdem a oportunidade de servir ao Self que, para C. G. Jung, é a representação da Imago Dei em nós, ou Deus em nós! Ampliando um pouco mais a questão, posso amar uma pessoa, e com isso vibrar e contribuir para sua realização, mesmo que seu caminho vá numa direção contrária ao meu ou dos meus gostos, exercitando minha capacidade de tolerância. Por isso, existem muitos seres humanos, que amo verdadeiramente, e estou sempre pronto para servir e contribuir com seus caminhos de realização, mesmo não gostando se suas posições políticas, religiosas, hábitos, etc. Óbvio que, por amar, jamais deixo de estimula-los criticamente, com o propósito de ampliação da consciência &#8211; creio que essa é a minha missão. Porém, quando o convívio passa a ser oneroso, e para respeitar as diferenças passo a me desrespeitar, começo a me desamar e, neste caso, a distância se faz necessária, porque o convívio passa a ser muito desgostoso, consciente de que o limite do amor ao próximo é o amor a nós mesmos preservado!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estar&nbsp;vivo, de verdade, é necessário fazer muitas trocas: dando, recebendo e retribuindo, inclusive as críticas reflexivas, que servem para a ampliação da consciência &#8211; nossa e do nosso entorno relacional! Isso irá possibilitar a prática da alteridade, que nos permite sair da nossa lente de condicionamentos e conforto, para nos vermos pelas lentes do outro! Essa prática nos faz tolerantes, mais fraternos e igualitários. Porque lidar com o contraditório, sem encará-lo como um ataque pessoal, contribui para a evolução do conhecimento e do pensamento. Nossa estrutura de consciência necessita do Ego, que é seu gestor e precisa lidar com as forças opositivas entre Bios e Zoé, matéria somática e energia psíquica respectivamente. Elas são informações presentes em dinâmicas de movimento opostas, a primeira está hipostasiada no plano físico e instintivo do corpo ou soma, que Jung atribui ao espectro Infravermelho da Luz &#8211; como símbolo da consciência -, e a segunda no plano arquetípico, nos remetendo as dimensões anímicas e espirituais da psique, o espectro ultravioleta da Luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dessa tensão, o Ego (que é primeiro complexo que se diferencia do inconsciente, arquetipicamente presente em todos humanos e inicialmente identificado com a corporalidade), faz polaridade opositiva e complementar com a Sombra (que por ser arquetípica, é universal). O Ego, apesar de não ser a totalidade da consciência, é o representante dela, assim como a Sombra, que também não é a totalidade do inconsciente, é sua representante. Da mesma forma que na Sombra estão muitos aspectos da Anima ou do Animus (nossos contrapontos sexuais, do ponto de vista egóico), no Ego estão a maioria dos aspectos da Persona, porque o Ego necessita da Persona para se relacionar e adaptar-se com o entorno social, e tudo isso pertence ao Self, que é a totalidade do Sí-mesmo. Com isso, de forma indireta, Persona e Sombra fazem espelhamento opositivo, assim como a Persona do Ego masculino faz oposição com a Anima e a Persona do Ego feminino faz oposição ao Animus. Porém, Jung também diz que para chegarmos na relação com a Anima ou com o Animus devemos ultrapassar as barreiras da Sombra e flexibilizar a Persona, as máscaras funcionais, para servirmos a alma, que não tem gênero ou raça, em seu fluxo contínuo que almeja a unidade. Porém, na maioria das vezes, o Ego, com seu livre arbítrio e sem saber estar aprisionado por complexos patológicos, dificulta e até pode interditar essa realização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estar&nbsp;confiante&nbsp;é preciso ter fé na vida &#8211; fiar com Deus, no sentido de distribuir seus talentos, entusiasmadamente, para a humanidade, com resiliência e coragem, aceitando o fato de que tudo o que vem, independentemente de produzir prazer ou dor, alegria ou tristeza, está vindo com o propósito do nosso aprimoramento evolutivo, anímico e espiritual, que vai muito além dos apêgos egóicos, fixados no corpo e na territoriedade reptiliana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com essas duas premissas conquistadas, podemos ser&nbsp;plurais, e não promíscuos, deixando de existir monotematicamente, dominados pelos complexos patológicos. Isso mesmo, os complexos nos deixam monotemáticos, com atitudes fóbicas e unilaterais, frequentemente manifestadas nos fanatismos religiosos, no apêgo às doenças crônicas, no partidarismo político, nas dietas rígidas, na vigorexia, ortorexia, anorexia, bulimia, hipocondria, oniomania,&nbsp;entre outros transtornos obsessivos e compulsivos como dependências de álcool, drogas, da&nbsp;beleza, do sexo, da riqueza, do trabalho, da fama, etc. Obviamente, nossa modernidade líquida e do vazio, onde tudo e todos são descartáveis, como bens de consumo, usando-nos como bens de produção para continuarmos consumindo e poluindo, no amplo sentido, estimula todas essas unilateralidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, para ser&nbsp;feliz, é necessário estarmos livres para fazermos nossa escolha de dependência e servidão missionária ao amor. Porque, quando aprendemos amar tudo e todos, nos amamos e seremos amados por Deus &#8211; no sentido de possibilitarmos que a imanência do Self atinja seus propósitos e sentidos transcendentais. Isso equivale a estarmos engajados, conscientemente, com o processo de individuação, servindo para ser, na certeza de que quando mais darmos, mais teremos para dar, vivenciando o mistério, o encanto, o lúdico do cotidiano, transformando o ordinário em uma aventura extraordinária, com humor e alegria. Essa é a verdadeira arte, que só aqueles que estão à serviço da alma conseguem realizar. Os outros, infelizmente a maioria comum, perdeu o romantismo do viver, aprisionados na miserabilidade egoísta do ego, assumindo a condição de coitados desgraçados, brigando pelas certezas, pela normalidade, contra as doenças, as dores, os desamores, com o que fizeram ou deixaram de fazer com e para eles, hipostasiando raiva, culpa, medo, ansiedade, &nbsp;ressentimento, vingança ou mágoa, obviamente vivendo exclusivamente pela preservação do território, que é a primazia do Bios, que é finito e ilusório, mesmo com suas personas aprisionados em discursos e práticas aparentemente voltados para Zoé!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para evitar que o passado traumático deixe de se manifestar como complexo autônomo e patológico, muitas vezes expressado em sintomas físicos e ou psíquicos, é necessário o enfrentamento consciente, possibilitando sua simbolização e ressignificação. Negar o passado é tão patológico quanto ficar paralisado nele. Por meio da ressignificação é possível o surgimento da superação e a capacidade empática da alteridade para servirmos, amorosamente, os demais feridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a&nbsp;consciência evolutiva, que nos coloca responsáveis e protagonistas do processo de individuação, exige autoconhecimento, por meio da capacidade crítica e reflexiva, com o contínuo reconhecimento, respeito e enfretamento da sombra, que está em nós, ao invés de buscar práticas alienantes, por meio de fanatismos que levam a estados alterados da consciência, direta ou indiretamente, que acabam impedindo o autojulgamento critico, a alteridade e a servidão amorosa. Após aprendermos a agradecer tudo que vem e dizer o sim incondicional à vida, sem abrirmos mão do servir, começaremos a perceber que nada é por acaso e que tudo faz parte da gargalhada divina e transcendental!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paz e Bem</p>



<p class="wp-block-paragraph">Julho de 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">*WALDEMAR MAGALDI FILHO:&nbsp;Psicólogo, Analista Junguiano Didata do IJEP, Especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Homeopatia; Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado &#8211; Interfaces Econômicas e Religiosas à Luz da Psicologia Junguiana&#8221;, Ed. Eleva Cultural, Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação que titulam especialistas em: Psicologia Junguiana; Psicossomática; Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (www.ijep.com.br), oferecidos nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Abadia de Heiligenkreuz (Baixa Áustria).&nbsp;Claustros &#8211; Estátua de Maria Madalena ungindo os pés de Cristo (século XVIII), de Giovanni Giuliani.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Waldemar Magaldi Filho &#8211; 16/06/2019</em></strong></h4>



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