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	<title>Arquivos puer aeternus - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Apr 2026 15:34:44 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos puer aeternus - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Fantasmas do coração: como reconhecer e superar os relacionamentos que somem como fantasmas na escuridão</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/fantasmas-do-coracao-como-reconhecer-e-superar-os-relacionamentos-que-somem-como-fantasmas-na-escuridao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caroline Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 15:16:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[comprometimento]]></category>
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		<category><![CDATA[puer aeternus]]></category>
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		<category><![CDATA[responsabilidade afetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O relacionamento fantasma ocorre quando uma pessoa se mostra interessada e disponível, mas, na realidade, está apenas se divertindo ou explorando a conexão sem qualquer intenção de compromisso. Ela pode ser carismática, charmosa e até mesmo sedutora, criando uma ilusão de envolvimento genuíno. No entanto, assim que a relação começa a exigir maior profundidade, ela [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-relacionamento-fantasma-ocorre-quando-uma-pessoa-se-mostra-interessada-e-disponivel-mas-na-realidade-esta-apenas-se-divertindo-ou-explorando-a-conexao-sem-qualquer-intencao-de-compromisso-ela-pode-ser-carismatica-charmosa-e-ate-mesmo-sedutora-criando-uma-ilusao-de-envolvimento-genuino-no-entanto-assim-que-a-relacao-comeca-a-exigir-maior-profundidade-ela-desaparece-como-um-fantasma-alegando-que-nada-existiu-entre-eles-deixando-para-tras-um-rastro-de-confusao-e-frustracao" style="font-size:18px"><em><strong>O relacionamento fantasma ocorre quando uma pessoa se mostra interessada e disponível, mas, na realidade, está apenas se divertindo ou explorando a conexão sem qualquer intenção de compromisso</strong>. Ela pode ser carismática, charmosa e até mesmo sedutora, criando uma ilusão de envolvimento genuíno. No entanto, assim que a relação começa a exigir maior profundidade, ela desaparece como um fantasma, alegando que nada existiu entre eles, deixando para trás um rastro de confusão e frustração.</em></h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-lidar-com-essa-situacao-que-se-torna-cada-vez-mais-frequente-e-essencial-desenvolver-habilidades-de-percepcao-e-autoprotecao-nas-relacoes" style="font-size:18px"><strong>Para lidar com essa situação, que se torna cada vez mais frequente, é essencial desenvolver habilidades de percepção e autoproteção nas relações.</strong></h2>



<p style="font-size:18px">O primeiro passo consiste em reconhecer os <strong>sinais de alerta</strong>: inconsistência, evasividade em conversas mais profundas ou relutância em abordar o tema do compromisso indicam que algo está fora do lugar. Desenvolver o autoconhecimento e o autoamor é fundamental para identificar o que se busca em um relacionamento e, com o fortalecimento pessoal, ter autonomia para fazer escolhas conscientes.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse processo, a terapia se apresenta como um espaço seguro e guiado para explorar essas questões. Auxiliando na identificação de padrões de comportamento, no fortalecimento da autoestima e na ressignificação de experiências passadas que possam estar perpetuando tais dinâmicas. <strong>É importante evitar o apego emocional a indivíduos que não demonstram disponibilidade genuína para a construção de algo sólido</strong>. Em última análise, a priorização do bem-estar e da felicidade pessoal deve prevalecer sobre a expectativa de mudanças alheias ou o investimento em relacionamentos onde não há disposição para compartilhar o caminho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-imaturidade-emocional-frequentemente-manifestada-na-recusa-em-assumir-responsabilidades-e-no-medo-de-crescer-emerge-como-um-desafio-central-nos-relacionamentos-contemporaneos" style="font-size:18px">A <em>imaturidade emocional</em>, frequentemente manifestada na recusa em assumir responsabilidades e no medo de crescer, emerge como um desafio central nos relacionamentos contemporâneos.</h2>



<p style="font-size:18px">Sob a perspectiva da psicologia analítica, essa dinâmica se entrelaça com a presença do arquétipo do &#8220;Puer Aeternus&#8221;, a eterna criança, presente no inconsciente coletivo. Este artigo explora como essa figura arquetípica, presente em diversas manifestações, influencia os padrões de comportamentos e a formação de vínculos, especialmente nos relacionamentos afetivos. </p>



<p style="font-size:18px">Analisaremos a visão da psicologia analítica sobre o &#8220;<em>Puer Aeternus</em>&#8220;. Desvendando sua influência no desenvolvimento de relacionamentos voláteis e na dificuldade de estabelecer laços duradouros em nossa sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tenho-observado-tanto-na-pratica-clinica-com-clientes-quanto-nas-relacoes-sociais-um-aumento-na-imaturidade-como-padrao-comportamental-nos-relacionamentos-atuais" style="font-size:18px">Tenho observado, tanto na prática clínica com clientes quanto nas relações sociais, um aumento na imaturidade como padrão comportamental nos relacionamentos atuais.</h2>



<p style="font-size:18px">Jung definiu arquétipos como modelos de comportamento inatos, compartilhados pelos seres humanos no inconsciente coletivo. Embora todos herdem esses padrões, algumas pessoas podem apresentar uma maior identificação com um arquétipo específico. A imaturidade, nesse contexto, manifesta-se através do arquétipo do &#8220;<strong>Puer Aeternus</strong>&#8221; – a eterna criança. Assim como outros arquétipos, o &#8220;Puer Aeternus&#8221; se expressa em duas polaridades apresentando a criatividade, a potencialidade de vida, a alegria e o entusiasmo em seus aspectos construtivos, e a imaturidade, frivolidade e o medo de crescer em seus aspectos destrutivos.</p>



<p style="font-size:18px">No processo de desenvolvimento psicológico, o ser humano naturalmente nasce, cresce, amadurece e, por fim, morre.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-puer-aeternus-ou-a-eterna-crianca-encontra-dificuldades-em-trilhar-esse-caminho-de-desenvolvimento-e-amadurecimento-psicologico" style="font-size:18px"><strong>O &#8220;<em>Puer Aeternus</em>&#8220;, ou <em>a eterna criança</em>, encontra dificuldades em trilhar esse caminho de desenvolvimento e amadurecimento psicológico.</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Ele se recusa a integrar o fluxo da vida adulta, negando o crescimento e permanecendo preso, de forma regressiva, à fase da infância. Simbolicamente, o &#8220;Puer&#8221; é como a semente que teme deixar de ser semente, que se recusa a germinar, e acaba por se tornar uma semente estéril. A criança, por sua própria natureza, não possui a responsabilidade por seus atos e não precisa responder ou atender às demandas da vida, encontrando na mãe – ou na figura materna – um lugar de segurança e conforto. A entrada na vida adulta, por outro lado, exige a assunção da responsabilidade pela própria existência. O &#8220;Puer&#8221; demonstra dificuldade em reconhecer os aspectos positivos do amadurecimento e da vida adulta.</p>



<p style="font-size:18px">A criança, vivendo como extensão dos pais, nutre a necessidade de se sentir genuinamente amada e valorizada – sentimentos essenciais para o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança, que a preparam para os desafios da vida. A transição da sensação de ser especial, vivenciada na infância, para a vida adulta, onde se torna &#8220;mais um na multidão&#8221; e se depara com normas, hierarquias e responsabilidades, pode assustar e paralisar o &#8220;Puer&#8221;.</p>



<p style="font-size:18px">Percebe-se, assim, que o receio de amadurecer está intrinsecamente ligado ao medo de assumir responsabilidades e compromissos, características fundamentais para o estabelecimento de vínculos. Esse medo de enfrentar os desafios da vida, típico da jornada do herói, leva-o a acomodar-se e a não avançar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-puer-e-a-puella-na-mitologia"><strong>O Puer e A Puella na mitologia</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Os mitos são narrativas ancestrais que carregam uma história arquetípica, emergindo do inconsciente coletivo para nutrir e orientar a psique consciente. São histórias numinosas, dotadas da capacidade de transformar aqueles que as escutam. Por possuírem infinitas facetas, podem ser ampliados sob diversos ângulos da narrativa. Um exemplo clássico do &#8220;Puer&#8221; é retratado no <em>mito de Eros e Psique</em>.&nbsp; Apresento, de forma resumida, um olhar sobre a imaturidade nas relações, relacionada ao &#8220;Puer Aeternus&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-eros-surge-como-a-personificacao-do-puer-a-semente-que-nao-germinou-aprisionada-na-infancia-e-que-carrega-sua-frivolidade-para-o-mundo" style="font-size:18px"><em>Eros</em> surge como a personificação do &#8220;Puer&#8221;, a semente que não germinou, aprisionada na infância e que carrega sua frivolidade para o mundo.</h2>



<p style="font-size:18px">Eros, o famoso cupido, personifica o &#8220;Puer&#8221; em sua essência. Ele se entrega a uma existência inconsequente, utilizando o arco e flecha para manipular os sentimentos alheios, provocando paixões efêmeras e, por vezes, destrutivas, a mando de sua mãe, Afrodite.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Eros é, acima de tudo, o leal companheiro de Afrodite</strong>. Embora ela seja a deusa do amor, não o direciona ao casamento, permanecendo ela mesma em um matrimônio infeliz e distante com Hefesto. A crença de que Afrodite criou Eros sozinha reforça a ideia de um voto incondicional de lealdade, representando a &#8220;mãe terrível&#8221; que exige a companhia do filho e não se importa com suas &#8220;aventuras&#8221; amorosas, desde que ele retorne sempre a ela, sua parceira feminina. Essa dinâmica estabelece uma participação mística entre Eros e sua mãe, ilustrando a situação arquetípica do &#8220;Puer&#8221; nas relações.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse contexto, o &#8220;Puer&#8221; pode desenvolver uma vida sexual, mas sua lealdade e amor permanecem atrelados à <strong>figura materna</strong>, aquela que lhe oferece proteção e segurança. </p>



<p style="font-size:18px">Consequentemente, ele se envolve em relacionamentos, mas ao perceber a necessidade de compromisso, recua, paralisado. Mesmo quando consegue estabelecer um vínculo, enfrenta dificuldades em criar laços duradouros e em se entregar plenamente e ser um parceiro comprometido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-versao-feminina-do-puer-e-a-puella" style="font-size:18px">A versão feminina do Puer é a Puella.</h2>



<p style="font-size:18px">O <em>mito de Demeter e Perséfone</em>, em um dos seus ângulos, retrata a narrativa em que Perséfone é uma mulher que não consegue se libertar da mãe, só se casa porque é raptada por Hades- deus do submundo. Mesmo tendo o seu próprio reino, prefere deixar de ser rainha para manter-se princesa. Renuncia a tudo para estar de volta à casa da mãe pela maior parte do tempo. Percebe-se que ela está mais preocupada em não contrariar a mãe do que em entregar-se a um caminho de sua escolha. Revisita Hades com quem pode ter uma vida sexual, mas retorna sempre para o seio materno num movimento circular.</p>



<p style="font-size:18px">Fazendo uma ampliação desta analise, Paranaguá, nos esclarece que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:17px">“Para manter-se próxima a mãe, a Puella desenvolve um padrão de relacionamentos insatisfatórios, quiçá destrutivos e abusivos, com o intuito de sempre ter uma justificativa para voltar para casa materna. Nesse caso, se une àqueles que, de alguma forma, correspondem ao seu animus, que está constelado em matizes negativos sem que ela saiba disso.” (PARANAGUÁ, p. 124)</p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">A autora complementa que outro padrão comum na relação entre mãe e filha, que pode favorecer o desenvolvimento da &#8220;Puella&#8221;, é a mãe que mina a autonomia e a autoconfiança da filha, levando-a a acreditar que é incapaz de gerir a própria vida.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse contexto, a proximidade e o cuidado materno podem parecer a opção mais atraente. Contudo, essa dinâmica pode resultar na supressão dos talentos da filha, impedindo-a de florescer e de produzir frutos nutritivos.</p>



<p style="font-size:18px">Um indivíduo identificado com o arquétipo do &#8220;Puer&#8221; pode manifestar-se como um homem/mulher-criança, superficialmente fascinante e atraente, porém imaturo, incapaz de se comprometer, de procriar e de estabelecer laços duradouros. Dotado de grande potencial, mas frequentemente consumido por sonhos irreais e sem a capacidade de se entregar a compromissos, ele encontra na ligação íntima com a mãe arquetípica um refúgio, uma forma de escapar das responsabilidades inerentes à vida adulta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-imaturidade-e-vinculo-fantasma"><strong>Imaturidade e vínculo fantasma</strong></h2>



<p style="font-size:18px">No âmago do ser humano, reside uma profunda necessidade de estabelecer vínculos, impulsionada por impulsos instintivos como a carência afetiva, o vazio existencial e o medo da solidão. O &#8220;Puer&#8221;, tal qual qualquer ser humano, anseia por segurança e satisfação afetiva, porém, evita a responsabilidade inerente ao compromisso, vivendo em uma tentativa constante de conciliar essa dicotomia. É nesse conflito que reside o cerne de sua neurose: a psique se confronta entre o consciente e o inconsciente, podendo conduzir a uma solução através da função transcendente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-este-fenomeno-refere-se-a-capacidade-de-simbolizar-e-transcender-o-conflito-como-meio-de-reequilibrio-psiquico" style="font-size:18px">Segundo Jung, este fenômeno refere-se à capacidade de simbolizar e transcender o conflito como meio de reequilíbrio psíquico.</h2>



<p style="font-size:18px">Paranaguá, por sua vez, esclarece que &#8220;<em>quando esse recurso não opera adequadamente, em vez da transcendência, observa-se o agravamento da neurose e a instalação de comportamentos sintomáticos e compensatórios, que, em última análise, não promovem o equilíbrio psíquico&#8221;</em> (PARANAGUÁ, p. 126). <strong>Assim, emerge o vínculo fantasma, resultado do embate entre a busca por uma conexão autêntica e a aversão ao compromisso</strong>.</p>



<p style="font-size:18px">O termo &#8220;<em>vínculo fantasma&#8221;</em> foi ampliado por Tatiana Paranaguá em sua obra &#8220;<em>Vínculo Fantasma &#8211; Os Relacionamentos Voláteis da Atualidade</em>&#8220;. Segundo a autora, uma das principais características do vínculo fantasma é a desconexão entre pensamento, sentimentos, ações e palavras. Ele se manifesta, com frequência, em relacionamentos onde as expectativas dos envolvidos divergem. Um dos parceiros pode almejar um relacionamento estável e duradouro, enquanto o outro, mesmo ciente disso, mantém a situação em um estado de ambiguidade, enviando sinais de que a relação está progredindo em direção a um compromisso.</p>



<p style="font-size:18px">Essa dinâmica geralmente se estende até que a necessidade de uma conversa mais profunda sobre o futuro da relação surja, ou quando um desafio que exige companheirismo e comprometimento se apresenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fantasma-busca-no-outro-experiencias-que-lhe-proporcionem-conforto-e-satisfacao-alguem-que-atenda-as-suas-expectativas-e-sustente-suas-projecoes" style="font-size:18px">O &#8220;fantasma&#8221; busca no outro experiências que lhe proporcionem conforto e satisfação, alguém que atenda às suas expectativas e sustente suas projeções.</h2>



<p style="font-size:18px">Assim, ele permanece na relação enquanto ela for divertida, prazerosa, interessante e descomplicada. No entanto, quando a relação e a pessoa se tornam reais, ele a rejeita e se afasta friamente, negando qualquer envolvimento e dizendo que nada existiu entre eles. O parceiro, então, fica desolado, sem compreender o que aconteceu e questionando-se se fez algo de errado.</p>



<p style="font-size:18px">É crucial notar que o envolvimento sexual entre duas pessoas, quando consensual e com objetivos alinhados, não configura um vínculo fantasma. Este último se caracteriza pela busca de compromisso por parte de um dos envolvidos, enquanto o outro se esquiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-regido-pelo-arquetipo-do-puer-demonstra-dificuldades-em-assumir-responsabilidades-e-em-se-comprometer-inclusive-com-seu-proprio-desenvolvimento-pessoal" style="font-size:18px">O indivíduo regido pelo arquétipo do &#8220;Puer&#8221; demonstra dificuldades em assumir responsabilidades e em se comprometer, inclusive com seu próprio desenvolvimento pessoal. </h2>



<p style="font-size:18px">Consequentemente, essa dificuldade se estende ao relacionamento com o outro e à construção de vínculos. Para ele, as relações tendem a ser efêmeras, valendo a pena apenas enquanto se mantêm leves e prazerosas. Embora possa, por vezes, iniciar um relacionamento, diante das dificuldades inerentes à vida, o &#8220;Puer&#8221; tende a se afastar, buscando refúgio na segurança dos laços familiares. Dessa forma, indivíduos identificados com esse arquétipo frequentemente vivenciam os vínculos fantasmas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crescente-prevalencia-desse-padrao-comportamental-nos-leva-a-refletir-sobre-a-imaturidade-presente-em-nossa-epoca" style="font-size:18px">A crescente prevalência desse padrão comportamental nos leva a refletir sobre a imaturidade presente em nossa época.</h2>



<p style="font-size:18px">A tecnologia, embora capaz de aproximar pessoas, também contribui para tornar os vínculos cada vez mais voláteis e pueris. Em suma, a imaturidade emocional, personificada pelo arquétipo do &#8220;Puer Aeternus&#8221; e seus comportamentos associados, evidencia os desafios atuais nos relacionamentos, gerando os &#8220;vínculos fantasmas&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-por-seguranca-e-a-aversao-ao-compromisso-ilustradas-nos-mitos-de-eros-e-psique-e-demeter-e-persefone-revelam-a-dificuldade-em-estabelecer-lacos-autenticos" style="font-size:18px">A busca por segurança e a aversão ao compromisso, ilustradas nos mitos de Eros e Psique e Deméter e Perséfone, revelam a dificuldade em estabelecer laços autênticos.</h2>



<p style="font-size:18px">Essa prevalência nos convida à reflexão sobre a importância do amadurecimento emocional e da busca por conexões genuínas. Oferecendo um caminho para a construção de relacionamentos mais saudáveis e significativos.</p>



<p style="font-size:18px">Para lidar com essa situação, que se torna cada vez mais frequente, é essencial desenvolver habilidades de percepção e autoproteção nas relações. O primeiro passo consiste em reconhecer os sinais de alerta: inconsistência, evasividade em conversas mais profundas ou relutância em abordar o tema do compromisso indicam que algo está fora do lugar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-desenvolver-o-autoconhecimento-e-o-autoamor-e-fundamental-para-identificar-o-que-se-busca-em-um-relacionamento-e-com-o-fortalecimento-pessoal-ter-autonomia-para-fazer-escolhas-conscientes" style="font-size:18px">Desenvolver o autoconhecimento e o autoamor é fundamental para identificar o que se busca em um relacionamento. E, com o fortalecimento pessoal, ter autonomia para fazer escolhas conscientes.</h2>



<p style="font-size:18px">Nesse processo, a terapia se apresenta como um espaço seguro e guiado para explorar essas questões, auxiliando na identificação de padrões de comportamento, no fortalecimento da autoestima e na ressignificação de experiências passadas que possam estar perpetuando tais dinâmicas. <strong>É importante evitar o <em>apego emocional</em> a indivíduos que não demonstram disponibilidade genuína para a construção de algo sólido.</strong></p>



<p style="font-size:18px">Em última análise, a priorização do bem-estar e da felicidade pessoal deve prevalecer sobre a expectativa de mudanças alheias ou o investimento em relacionamentos onde não há disposição para compartilhar o caminho.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/caroline/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/caroline/">Caroline Costa &#8211; Analista em formação IJEP</a>/ @carolinecosta.terapeuta</strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-r-eferencia" style="font-size:16px"><strong>R</strong>eferência</h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>JUNG, C. G. A natureza da psique. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013</li>



<li>PARANAGUÁ, Tatiana. Vínculo fantasma: os relacionamentos voláteis da atualidade. Rio de janeiro: Record, 2024.</li>
</ol>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-menino-ney-a-peleja-entre-o-puer-e-a-sombra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Aimar Euzebio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 12:38:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
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		<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neymar é uma figura controversa: por um lado, com seu "futebol moleque", é criativo, ousado e habilidoso; por outro, um homem infantilizado, inconsequente e sombrio. Ao "homenino", tudo é permitido e concebido. Neymar foi colocado numa espécie de Terra do Nunca e não quer sair de lá. Em terminologia junguiana, Neymar está identificado com Puer aeternus, o arquétipo da criança-divina que, quando na polaridade negativa, a pessoa fica presa nunca espécie de adolescência e se recusa a amadurecer. Neste ensaio, proponho, de forma despretensiosa, um diálogo entre a teoria junguiana e as narrativas midiáticas, em um exercício argumentativo e hipotético, para explorar o arquétipo do puer aeternus, tomando Neymar como referência.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-menino-ney-a-peleja-entre-o-puer-e-a-sombra/">O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Neymar é uma figura controversa: por um lado, com seu &#8220;futebol moleque&#8221;, é criativo, ousado e habilidoso; por outro, um homem infantilizado, inconsequente e sombrio. Ao &#8220;homenino&#8221;, tudo é permitido e concebido. Neymar foi colocado numa espécie de Terra do Nunca e não quer sair de lá. Em terminologia junguiana, Neymar está identificado com Puer aeternus, o arquétipo da criança-divina que, quando na polaridade negativa, a pessoa fica presa nunca espécie de adolescência e se recusa a amadurecer. Neste ensaio, proponho, de forma despretensiosa, um diálogo entre a teoria junguiana e as narrativas midiáticas, em um exercício argumentativo e hipotético, para explorar o arquétipo do puer aeternus, tomando Neymar como referência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-percebe-se-que-na-sociedade-contemporanea-em-sua-rica-diversidade-ha-uma-notavel-e-crescente-tendencia-de-rejeitar-o-processo-natural-do-envelhecimento" style="font-size:18px">Percebe-se que na sociedade contemporânea, em sua rica diversidade, há uma notável e crescente tendência de rejeitar o processo natural do envelhecimento.</h2>



<p style="font-size:18px">Uma espécie de sombria pressão social para manter a imagem jovial, levando muitas pessoas a se sentirem compelidas a buscar meios extremos para retardar ou até mesmo reverter sinais de envelhecimento, a manter corpos perfeitos e rostos sem rugas divulgados no narcísico espelho do Instagram. O apego à ideia da perpetuação da juventude não se limita apenas a preocupação estética; também pode refletir um temor do desconhecido, da perda de vitalidade e da inevitável aproximação da morte.</p>



<p style="font-size:18px">A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estima que em 2023 mais de 2 milhões de procedimentos foram realizados pelos brasileiros<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Em contrapartida, em 2022 o IBGE apontou aumento da longevidade nos cidadãos do nosso país<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>.</p>



<p style="font-size:18px">Estamos imersos num Espírito da Época no qual a juventude é exaltada de forma exacerbada e a velhice é temida. Para Jung, o termo Espírito da Época, ou &#8220;Zeitgeist&#8221; em alemão, refere-se ao conjunto de ideias, valores, crenças, atitudes e comportamentos que predominam em uma determinada época ou cultura. É como um &#8220;clima psicológico&#8221; que molda a forma como as pessoas pensam, sentem e se comportam. O temor e a aversão ao envelhecimento permeiam tanto o inconsciente individual quanto o coletivo na contemporaneidade. Segundo a máxima de que &#8220;o que está fora também está dentro&#8221;, essa apreensão também pode estar profundamente ligada ao arquétipo do <em>puer aeternus</em>, o eterno jovem, pois reflete uma relutância em aceitar o processo natural de maturação e envelhecimento que caracteriza a jornada da vida.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Von-Franz</strong> (1992, p. 9) reflete acerca do <em>puer aeternus</em> como arquétipo do deus criança-divina, “o deus da vida, da morte e da ressurreição — o deus da juventude divina, correspondente aos deuses orientais Tamuz, Átis e Adônis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-titulo-puer-aeternus-portanto-significa-juventude-eterna" style="font-size:18px">O título puer aeternus, portanto, significa juventude eterna&#8221;.</h2>



<p style="font-size:18px">O <em>puer aeternus</em>, ou &#8220;eterno jovem&#8221;, é um arquétipo que representa uma pessoa que se recusa a amadurecer emocionalmente, preferindo permanecer em um estado de juventude e irresponsabilidade. De forma apressada e bastante resumida, em sua polaridade negativa, os <em>pueri</em> &nbsp;(plural de puer e puella) apresentam relutância em assumir responsabilidades consideradas adultas; buscam continuamente liberdade e aventura; têm a tendência a evitar compromissos duradouros; se recusam em enfrentar as realidades do envelhecimento e da maturidade emocional; buscam (por vezes de forma desesperada) pela preservação da juventude e da vitalidade física; são muito impacientes e volúveis emocionalmente; possuem um <em>donjuanismo</em> e dificuldades em estabelecer vínculos afetivos como característica, e enorme dificuldade de adaptação a rotina.</p>



<p style="font-size:18px">O sociólogo e filósofo <strong>Zygmunt Bauman</strong> (2001, p. 8) reflete que as principais características da modernidade líquida são: &nbsp;desapego, provisoriedade e acelerado processo da individualização, tempo de liberdade e, concomitantemente, de insegurança. Talvez o Espírito da Época esteja tão líquido quanto as relações estabelecidas pelo “espírito <em>puer”</em> que pulsa na contemporaneidade.</p>



<p style="font-size:18px">Os fluidos se movem facilmente. Eles &#8216;fluem&#8217;, &#8216;escorrem&#8217;, &#8216;esvaem-se&#8217;, &#8216;respingam&#8217;, &#8216;transbordam&#8217;, &#8216;vazam&#8217;, &#8216;inundam&#8217;, &#8216;borrifam&#8217;, &#8216;pingam&#8217;, são &#8216;filtrados&#8217;, &#8216;destilados&#8217;; diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos &#8211; contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho&#8230; Associamos &#8216;leveza&#8217; ou &#8216;ausência de peso&#8217; à mobilidade e à inconstância: sabemos pela prática que quanto mais leves viajamos, com maior facilidade e rapidez nos movemos (Bauman, 2001, p. 8).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-analise-didatica-trabalharemos-a-figura-publica-e-polemica-de-neymar-jr-o-menino-ney-para-refletir-nao-apenas-o-puer-que-o-habita-mas-a-sombra-projetada-em-seu-estilo-de-vida" style="font-size:18px">Como análise didática, trabalharemos a figura pública e polêmica de Neymar Jr, o “menino Ney”, para refletir não apenas o <em>puer</em> que o habita, mas a sombra projetada em seu estilo de vida.</h2>



<p style="font-size:18px">A intenção é dialogar com a teoria no campo da Psicologia Analítica e das notícias coletadas na mídia, num exercício argumentativo e hipotético, sem nenhuma pretensão de limitar ou fechar o tema.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar da Silva Santos Júnior, aos 11 anos de idade, chegou às categorias de base do Santos, de onde não saiu mais até tornar-se profissional. Dotado de grande talento e virtuosismo, à medida que o adolescente crescia sustentava precocemente a família com seu salário, promovendo gradativamente a melhora no padrão de vida parental<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>.</p>



<p style="font-size:18px">Com suas jogadas criativas, Neymar possui singular capacidade de driblar em espaços apertados, escapar da marcação de vários jogadores e criar oportunidades de gol para si mesmo e para seus companheiros de equipe. Sua visão antecipa as jogadas e, por vezes, resulta em assistências decisivas. É um jogador extremamente criativo, buscando maneiras de surpreender seus adversários, pois não tem medo de tentar formas ousadas e inventivas em campo. Tudo isso temperado com um “jeito moleque”, conquistou o coração dos torcedores e a atenção dos clubes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hiper-estimulado-e-protegido-pelos-pais-desejado-e-promovido-pelos-clubes-enaltecido-e-ovacionado-pelos-fas-nao-demorou-muito-para-sua-meteorica-ascensao" style="font-size:18px">Hiper estimulado e protegido pelos pais, desejado e promovido pelos clubes, enaltecido e ovacionado pelos fãs, não demorou muito para sua meteórica ascensão.</h2>



<p style="font-size:18px">Um profissional de alto rendimento como ele requer compromisso e dedicação, mas Neymar driblou as regras e viveu uma vida permeada de festas, romances, escândalos financeiros e sexuais. De certo modo, parte de seus admiradores o isentam de suas responsabilidades quando o tratam por “menino Ney”. Ao menino, tudo é permitido e concedido.</p>



<p style="font-size:18px">Em geral, aquele que se identifica com o arquétipo do <em>puer aeternus</em> “<em>permanece durante muito tempo como adolescente, isto é, todas aquelas características que são normais em um jovem de dezessete ou dezoito anos continuam na vida adulta, juntamente com uma grande dependência da mãe</em>” em boa parte dos casos (VON-FRANZ, 1992, p. 9).</p>



<p style="font-size:18px">Em sua polaridade positiva, os <em>pueri</em> são muito criativos, estimulantes e mantém o charme da juventude. São divertidos, interessantes, agradáveis de conversar desde que sejam conversas superficiais, não gostam de situações convencionais. <strong>Geralmente o charme juvenil do <em>puer aeternus</em> se prolonga até os últimos estágios da vida</strong> (VON-FRANZ, 1992, p. 9).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-e-novidade-que-neymar-tem-um-lado-religioso-e-nao-esconde-de-ninguem" style="font-size:18px">Não é novidade que Neymar tem um lado religioso e não esconde de ninguém.</h2>



<p style="font-size:18px">Evangélico e conservador, suas polêmicas são antigas&#8230; Em 2015 usou faixa na cabeça escrita 100% Jesus ao ganhar a Liga dos Campeões jogando pelo Barcelona durante a comemoração no estádio olímpico de Berlim, após a vitória por 3 a 1 sobre o Juventus. Tal manifestação causou polêmica na França, e os torcedores o acusaram nas redes sociais de proselitismo religioso<a id="_ftnref4" href="#_ftn4">[4]</a>. Outra polêmica foi ostentar um enorme crucifixo ao desembarcar na Arábia Saudita, para se apresentar ao seu time (islâmico) contratante Al Hilal<a id="_ftnref5" href="#_ftn5">[5]</a>. Numa atitude desrespeitosa e arrogante, o <em>puer</em> Neymar percebe-se como alguém especial, e que “não tem necessidade de adaptar-se, pois as pessoas é que têm que adaptar-se a um gênio como ele” (VON FRANZ, 1992, p.10).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-paradoxalmente-o-lado-evangelico-de-neymar-e-facilmente-sublimado-pelas-festas-babilonicas-que-promove-numa-combinacao-de-ostentacao-mulheres-bebidas-e-sabe-se-la-quais-outras-situacoes-dionisiacas-algumas-de-suas-festas-duram-dias-promovidas-de-casas-a-cruzeiros" style="font-size:18px">Paradoxalmente, o lado evangélico de Neymar é facilmente sublimado pelas festas babilônicas que promove. Numa combinação de ostentação, mulheres, bebidas e sabe-se lá quais outras situações dionisíacas, algumas de suas festas duram dias, promovidas de casas à cruzeiros.</h2>



<p style="font-size:18px">Como vimos anteriormente, desde menino, ao revelar sua enorme habilidade, obteve o apoio obsessivo e incondicional do pai, ex-jogador fracassado, que incentivou o jovem a alavancar sua carreira. Neymar Jr vive a vida não vivida de seu pai; este mesmo que, ao projetar sua vida frustrada no filho, o impede de crescer e ser responsável por seus atos.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar pai, assume as inconsequências do filho para que os problemas não atrapalhem sua performance dentro de campo. Problemas como sonegação de impostos na Espanha; liberação da acusação de amigos por estupro; atenuar as acusação do filho de traições amorosas; minimizar os flagras das festas quando deveria estar recluso se recuperando de lesões entre outros escândalos. Hiper protegido pelo pai e blindado das consequências de seus atos, o menino Ney é mantido cativo numa espécie de Terra do Nunca pela figura paterna.</p>



<p style="font-size:18px">Não assumir a consequência de seus atos faz com que a sombra emerja, pois, conforme Jung (2013, OC 9/2, §14) “<em>a sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais</em>”. Neste processo de conscientização, é necessário reconhecer os aspectos sombrios da personalidade como eles realmente são. Essa prática é uma base essencial para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, costuma enfrentar resistência significativa.</p>



<p style="font-size:18px">A relação com a mãe é de quase reverência. Seu iate, palco de várias festas, foi batizado de Nadine, em deferência a ela. Em seu Instagram pessoal, Neymar fez uma homenagem no dia das mães se referindo como “minha super heroína”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="553" height="413" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4.png" alt="" class="wp-image-11664" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4.png 553w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-300x224.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-150x112.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-450x336.png 450w" sizes="(max-width: 553px) 100vw, 553px" /></figure>



<p>Fonte: Instagram – acesso em 12 mar. 2023</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2001-p-98-diz-que-o-aspecto-negativo-do-puer-aeternus-indica-o-si-mesmo-preso-no-inconsciente-e-que-nao-se-realiza-na-pratica-o-desenvolvimento-bloqueado-depende-muitas-vezes-de-uma-ligacao-muito-estreita-do-filho-com-a-mae" style="font-size:18px">Jung (2001, p. 98) diz que o aspecto negativo do <em>puer aeternus</em> indica o “<em>si mesmo preso no inconsciente e que não se realiza na prática. O desenvolvimento bloqueado depende muitas vezes de uma ligação muito estreita do filho com a mãe</em>”.</h2>



<p style="font-size:18px">Por sua vez, a mãe não esconde uma predileção em namorar homens muito mais jovens, atléticos, na mesma faixa etária do filho. Podemos arriscar a pensar em projeção, uma vez que, para Jung (2013, OC 6, §881), projeção significa “<em>transferir para o objeto um processo subjetivo” e que “pertencem à esfera da sombra, isto é, ao lado obscuro da própria personalidade</em>” (JUNG, 2013, OC 9/2, §19).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-idealizacao-da-mae-pelo-filho-ocorre-devido-a-uma-serie-de-razoes-que-pode-incluir-a-tentativa-de-preenchimento-do-vazio-emocional-na-busca-por-realizacao-pessoal-atraves-do-sucesso-dele" style="font-size:18px">Essa idealização da mãe pelo filho ocorre devido a uma série de razões, que pode incluir a tentativa de preenchimento do vazio emocional na busca por realização pessoal através do sucesso dele.</h2>



<p style="font-size:18px">Neste caso, a mãe pode demonstrar comportamento superprotetor e manipulador em relação ao filho, além de codependência emocional, onde ela inconscientemente espera que o filho atenda suas necessidades; tentativa de controle; dificuldade em aceitar a falibilidade do filho (que, aos olhos dela, é sempre perfeito).</p>



<p style="font-size:18px">Por outro lado, o filho fica inconscientemente estigmatizado na condição de “pequeno príncipe”, infantilizado e fragilizado, e tem a tendência de buscar a mãe projetivamente em suas companheiras. Uma espécie de “donjuanismo” faz com que o filho inconscientemente reproduza as dinâmicas experimentadas com a mãe em seus relacionamentos amorosos, buscando parceiras com características semelhantes a ela. O menino Ney coleciona beldades e pouco se fixa nas relações, numa falta de comprometimento afetivo com as mulheres que se envolve. Num misto de encantamento e tédio, envolve-se amorosamente, mas trai suas companheiras, expondo-as, por vezes, a situações públicas e constrangedoras.</p>



<p style="font-size:18px">Além deste imbróglio familiar que foi levantado de forma tão didática e despretensiosa neste texto, temos os amigos. Neymar é como <strong>Peter Pan</strong> cercado por seus &#8220;parças&#8221;, os amigos inseparáveis que decidiram ter como missão na vida desfrutar do reino do amigo-príncipe. E o acompanham pelo mundo, aplaudindo, incentivando, defendendo e desfrutando de privilégios que nunca teriam, graças à fortuna do menino Ney, sem jamais o contrariar ou o questionar. Os “parças” são uma espécie de meninos perdidos da Terra do Nunca, que veem em Peter Pan seu ídolo, inspiração e chefe.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neymar-e-talentoso-milionario-vive-de-forma-luxuosa-se-relaciona-com-as-mais-lindas-mulheres-com-mais-de-221m-de-seguidores-1-no-instagram-seu-estilo-de-vida-e-cobicado-por-milhares-de-fas" style="font-size:18px"><strong>Neymar é talentoso, milionário, vive de forma luxuosa, se relaciona com as mais lindas mulheres. Com mais de 221M de seguidores<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a> no Instagram, seu estilo de vida é cobiçado por milhares de fãs.</strong></h2>



<p style="font-size:18px"><strong>Fica a reflexão que talvez Neymar seja uma espécie de receptáculo da sombra coletiva</strong>, pois, “<em>a sombra coletiva, agregada e institucional sempre contém a sombra não examinada de cada um de nós. Aquilo do qual somos inconscientes, ou não desejamos enfrentar, contribuirá para nossa sombra coletiva e institucional</em>” (HOLLIS, 2010, p. 138).</p>



<p style="font-size:18px">No caso de Neymar, a figura do <em>puer aeternus</em> resplandece com força arquetípica. Ele é o menino eterno, brincante, seduzido pelo instante orgástico, pela leveza irresponsável do agora. Esse puer, ainda que fascinante, provoca inquietação, pois nos lembra tanto o desejo secreto de viver livres das amarras quanto o risco de sermos devorados pela própria recusa em amadurecer. Sua conduta desperta nossas sombras individuais e coletivas, pois revela aquilo que por vezes ocultamos: a nossa dificuldade em sustentar escolhas, limites, consequências, e o desejo de uma sedutora vida permeada de luxos e facilidades.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar encarna, assim, uma mensagem ambígua e um tanto sombria: a de que a juventude e a liberdade podem ser buscadas a qualquer custo, mesmo quando o preço é a erosão do compromisso, o adiamento da responsabilidade e a impossibilidade de sustentar um eixo interno mais maduro. Ele nos confronta com o dilema eterno entre o impulso do puer brincante e a exigência transformadora da vida adulta, dilema que, no fundo, pertence menos ao atleta e mais ao inconsciente deste “homenino”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/05CtpCSpQxE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/daniela/">Me. Daniela A. Euzebio – Didata em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>BAUMAN, Zygmunt. Modernidade liquida. Rio de Janeiro: Zahar,</p>



<p>2001</p>



<p>HILLMAN, James. O livro do Puer: ensaios sobre o Arquétipo do Puer Aeternus. São Paulo: Paulus, 1998.</p>



<p>HOLLIS, James. A sombra interior. Por que pessoas boas fazem coisas ruins? São Paulo &#8211; Novo Século, 2010.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Cartas, Volume I. São Paulo: Ed. Vozes, 2001.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 6).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Aion &#8211; Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 9/2).</p>



<p>VON FRANZ, Marie-Louise. Puer Aeternus: a luta do adulto contra o paraíso da infância. 2ª ed. São Paulo: Paulus,1992.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Acesso em 22 de abril de 2024</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Fonte: <a href="https://www.sbcp-sp.org.br/na-midia/cirurgias-plasticas-devem-somar-2-milhoes-de-procedimentos-em-2023-aponta-pesquisa/">https://www.sbcp-sp.org.br/na-midia/cirurgias-plasticas-devem-somar-2-milhoes-de-procedimentos-em-2023-aponta-pesquisa/</a>. Acesso em 29 jan. 2023.</p>



<p><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Fonte: <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/expectativa-de-vida-sobe-de-768-para-77-anos-no-brasil-diz-ibge/">https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/expectativa-de-vida-sobe-de-768-para-77-anos-no-brasil-diz-ibge/</a>. Acesso em 29 jan. 2023.</p>



<p><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> Fonte: Wikipedia. Disponiível em: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#Biografia">https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#Biografia</a>. Acessado em: 19 fev. 2024.</p>



<p><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> Fonte: Le Figaro. Disponível em <a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/le-figaro-diz-que-faixa-de-neymar-100-jesus-foi-vista-como-proselitismo-por-torcedores/197437074#:~:text=Campe%C3%A3o%20pela%20primeira%20vez%20da,o%20jornal%20%E2%80%9CLe%20Figaro%E2%80%9D">https://www.jusbrasil.com.br/noticias/le-figaro-diz-que-faixa-de-neymar-100-jesus-foi-vista-como-proselitismo-por-torcedores/197437074#:~:text=Campe%C3%A3o%20pela%20primeira%20vez%20da,o%20jornal%20%E2%80%9CLe%20Figaro%E2%80%9D</a>. Acesso em 22 abr. 2024</p>



<p><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> Fonte: Metrópole. Disponível em <a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/neymar-chama-atencao-ao-chegar-na-arabia-saudita-com-crucifixo-veja">https://www.metropoles.com/entretenimento/neymar-chama-atencao-ao-chegar-na-arabia-saudita-com-crucifixo-veja</a>. Acesso em 22 abr. 2024.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-menino-ney-a-peleja-entre-o-puer-e-a-sombra/">O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Complexo Materno, Relação Transferencial e o Puer/Puela Aeternus</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/complexo-materno-relacao-transferencial-e-o-puer-puela-aeternus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2022 02:09:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[puer aeternus]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5392</guid>

					<description><![CDATA[<p>Complexo Materno! A base fundante de nossa psique, influenciando as relações de todos os homens e mulheres, independente das orientações sexuais. Este ensaio aborta alguns aspectos deste complexo, que é necessário para todos nós, mas quando fica negativo, provoca danos significativos</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Começamos com o triste ditado popular: &#8220;<strong>Ser mãe é padecer no paraíso</strong>&#8220;. Isso já é um absurdo que coloca a mãe numa condição infeliz de não poder gozar e desfrutar da vida nem no paraíso.</em> </p>



<p><em>Obviamente que essa mãe humana, que renunciou de se beneficiar do paraíso, vai cobrar dos seus filhos, com juros e correção monetária, mesmo que de forma inconsciente, esse sacrifício. E esses, por culpa, identificação projetiva ou raiva, vão sofrer as consequências deste <strong>arquétipo materno</strong>, que constela muito antes do complexo de ego! Porque todo indivíduo identificado com o <strong>arquétipo da vítima</strong> sempre irá projetar o algoz no seu entorno relacional, manipulando com culpas e penas, na relação transferencial de todos nós!</em></p>



<p>A partir daí começamos a compreender as diferenças entre homens e mulheres, onde eles, dentre todas elas, busca apenas uma. E elas, por sua vez, desejam encontrar todos eles naquele que foi eleito como príncipe/herói que vai levá-la para um novo mundo. Mas isso fica para um outro ensaio, a respeito dos arquétipos psicopompos de Anima e Animus, porque neste focarei mais no Complexo Materno.</p>



<p>Jung, mesmo na sua época lutando contra a criminalização e a patologização da homossexualidade, sugeriu que aspectos negativos do <strong>complexo materno</strong> no homem poderiam levar ao homossexualismo, ao dom-juanismo e eventualmente também a impotência. Explicando que no homossexualismo o componente heterossexual pode ter ficado, inconscientemente, preso na figura materna e que no dom-juanismo, a mãe é procurada inconscientemente “em cada mulher” ou então aparece a<strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/a-pratica-da-psicoterapia-o-sectarismo-e-a-masculinidade-toxica-na-abordagem-junguiana/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> masculinidade tóxica</a></strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-qualquer-modo-o-complexo-materno-masculino-nao-e-tao-direto-quanto-o-feminino-por-conta-da-semelhanca-do-genero-sexual" style="font-size:19px">De qualquer modo, o <strong>complexo materno masculino</strong> não é tão direto quanto o feminino, por conta da semelhança do gênero sexual.</h2>



<p>A referência materna no homem é absoluta, e única, porque a mãe é o primeiro ser feminino com o qual o futuro homem entra em contato e ela não pode deixar de aludir, direta ou indiretamente, grosseira ou delicadamente, consciente ou inconscientemente à masculinidade do filho. Tal como este último toma consciência gradual da feminilidade da mãe ou pelo menos responde de forma inconsciente e instintiva a ela.  (OC 9/1 &#8211; § 162).</p>



<p>Os aspectos positivos do complexo materno no filho é possibilitar que o homem tenha refinamento estético, sensibilidade artística, capacidade de educar e até dotes intuitivos, com espírito de cuidar e preservar valores, relações de amizade, além de ter mais receptividade espiritual.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complexo-materno-na-filha">Complexo materno na filha</h2>



<p>Em contrapartida, o complexo materno na filha, quando negativo, pode fazer com que ela desenvolva uma <strong>hipertrofia maternal</strong>, desejando ser mãe de tudo e de todos, inclusive mãe da mãe, dos filhos, do marido e até das suas relações de amizade. Outra possibilidade é a <strong>exacerbação do eros</strong>, quando ela passa a desejar homens que se parecem com seu pai, o marido da mãe, destruindo casamentos na condição da amante.</p>



<p>Também pode acontecer a <strong>identificação com a mãe</strong>, onde ela assume a condição da <strong>eterna filha</strong>. <strong>Uma Perséfone que depende da sua mãe para tudo</strong>. E, por fim a outra hipótese, é a <strong>defesa contra a mãe</strong>: quando ela passa a negar tudo que se assemelhe a mãe, a maternidade e o maternal. (OC 9/1 &#8211; § 170).</p>



<p>Associado a todos estes padrões e conflitos, na maioria das vezes reativos e inconscientes, temos inúmeros <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica-e-a-dinamica-do-adoecer-afetos-emocoes-e-complexos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sintomas de adoecimento</a></strong>, que os estudos e pesquisas da  <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica-realidade-subjacente-de-toda-doenca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Psicossomática</a></strong> nos ajudam a compreender a dimensão do sofrimento psíquico que está subjacente no amago de toda ferida.</p>



<p>Por isso, temos tantas mulheres sofrendo de doenças que podem estar denunciando os desejos de atacar ou fugir das situações de abuso, como no caso da<strong> fibromialgia</strong>, ou o conflito com a maternagem, fertilidade e  criatividade, que pode estar associado a <strong>endometriose</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-analitico-tem-como-objetivo-fazer-com-que-o-ego-que-e-o-administrador-da-consciencia-se-engaje-no-caminho-da-realizacao-do-self-que-c-g-jung-chamou-de-individuacao" style="font-size:19px">O <strong>processo analítico</strong> tem como objetivo fazer com que o ego, que é o administrador da consciência, se engaje no caminho da realização do Self, que C. G. Jung chamou de individuação.</h2>



<p>Para isso é necessários o reconhecimento e a diferenciação da sombra e dos complexos, para que aconteça a separação simbólica destas referencias e futura integração destes conteúdos. Porém, essa empreitada não é tão fácil, porque os mecanismos que defendem a manutenção do ego alienado, dominado pela sombra e complexos negativos, são muito eficientes e mutantes, dificultando o vínculo ou o avanço na relação analítica, valendo-se, como principal arma, das transferências para o analista.</p>



<p><strong>Jung</strong> afirma que os atributos do arquétipo da mãe, e também da grande mãe, são o “maternal”: simplesmente a mágica autoridade do feminino; a sabedoria e a elevação espiritual além da razão; o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona as condições de crescimento, fertilidade e alimento; o lugar da transformação mágica, do renascimento; o instinto e o impulso favoráveis; o secreto, o oculto, o obscuro, o abissal, o mundo dos mortos, o devorador, sedutor e venenoso, o apavorante e fatal.</p>



<p>Estes atributos do arquétipo materno já foram por mim descritos minuciosamente e documentados em meu livro Símbolos da transformação. Nesse livro formulei as qualidades opostas desses atributos que correspondem à mãe amorosa e à mãe terrível [&#8230;] Trata-se de três aspectos essenciais da mãe, isto é, sua bondade nutritiva e dispensadora de cuidados, sua emocionalidade orgiástica e a sua obscuridade subterrânea. (OC9/1 &#8211; §158)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-arquetipo-materno">Arquétipo materno</h2>



<p>Ele continua afirmando que o <strong>arquétipo materno</strong> é a base do chamado <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/complexo-materno-negativo-um-caminho-para-o-inconsciente/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">complexo materno</a></strong>. É uma questão em aberto saber se tal complexo pode ocorrer sem uma participação causal da mãe passível de comprovação. Segundo minha experiência, parece-me que a mãe sempre está ativamente presente na origem da perturbação. Particularmente em neuroses infantis ou naquelas cuja etiologia recua até a primeira infância. Em todo caso, é a esfera instintiva da criança que se encontra perturbada, constelando arquétipos que se interpõem entre a criança e a mãe como um elemento estranho e muitas vezes causando angústia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-os-filhos-de-uma-mae-superprotetora-por-exemplo-sonham-com-frequencia-que-ela-e-um-animal-feroz-ou-uma-bruxa-tal-vivencia-produz-uma-cisao-na-alma-infantil-e-consequentemente-a-possibilidade-da-neurose-oc9-1-161" style="font-size:18px"><strong>Quando os filhos de uma mãe superprotetora, por exemplo, sonham com frequência que ela é um animal feroz ou uma bruxa, tal vivência produz uma cisão na alma infantil e consequentemente a possibilidade da neurose</strong> (OC9/1 &#8211; §161).</h2>



<p>Dentre todas as possibilidades de transferência, a do complexo materno negativo é a mais perversa porque mantém o analisando na condição de <strong><em>puer aeternus</em></strong>. A eterna criança ou adolescente que não quer contrariar a mãe, mesmo quando o psicoterapeuta for homem.</p>



<p>Esse dinamismo neurótico é muito frequente e faz com que os analisandos sabotem o processo psicoterapêutico de todas as formas. Chegando até a mentir a respeito da sua realidade existencial, para não desagradar ou decepcionar a mãe!</p>



<p>A consequência é <strong>devastadora </strong>para a análise. Por um lado, o analisando filho quer seduzir a &#8220;mãe&#8221; terapeuta de qualquer forma. Por outro lado, o complexo ativo usa e abusa de todas suas artimanhas para evitar que a análise evolua. Inclusive interrompendo o processo, acusando a transferência como impeditivo. Porém, obviamente, o indivíduo que é vítima deste complexo materno negativo, repetirá o mesmo dinamismo na nova tentativa psicoterapêutica. Sempre projetando a responsabilidade no analista anterior, porque a &#8220;culpa&#8221; de todo infortúnio, para o <em><strong>puer aeternus</strong></em>, é do outro! Porque ele é apenas uma pessoa bem-intencionada, alegre, intensa e, infelizmente, azarada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-escreve" style="font-size:20px">Jung escreve:</h2>



<p>Psicologicamente o <em><strong>puer aeternus</strong></em> é uma figura arquetípica que, em sentido positivo, representa uma força psíquica criativa, enquanto o aspecto negativo indica o si mesmo preso no inconsciente e que não se realiza na prática. O desenvolvimento bloqueado depende muitas vezes de uma ligação muito estreita do filho com a mãe (C. G. Jung &#8211; Cartas, Ed. Vozes &#8211; 2001, Vol. I. pág. 98).</p>



<p>É interessante que a base deste sentimento, que é incestuoso, porque objetiva voltar para o ventre materno, é uma tentativa de experimentar a condição de <strong>confiança primordial</strong> da época da relação mãe e bebê antes mesmo da estruturação do ego, até os seis meses de vida.</p>



<p><strong>A intenção do complexo é satisfazer os desejos nostálgicos e regressivos</strong>; que quando não se concretizam por conta da intervenção do analista, produzem sentimentos de raiva e desejo de abandonar a &#8220;mãe&#8221;, preventivamente antes que ela o abandone, ou se subjugar para a <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/mae-devoradora-e-seus-filhos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mãe devoradora</a></strong>.</p>



<p><strong>Jung chamou isso de defesa contra a supremacia da mãe, valendo ser qualquer coisa desde que diferente da mãe.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-imago-parental">Imago parental</h2>



<p>Essa situação faz com que o indivíduo fuja, inconscientemente, da <strong>imago parental</strong>, para não ser como eles, sem conseguir saber como ele é de fato. Consequentemente, a estruturação da personalidade fica prejudicada e a tentativa estéril e patológica mais comum que surge são as paixões por parceiros igualmente imaturos e, infelizmente, na maioria das vezes egoístas e abusivos, que destroem ainda mais a autoestima e a capacidade e prontidão para o <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/autoconhecimento-como-caminho-de-cura-pessoal-e-social-a-individuacao-do-ego/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">autoconhecimento</a></strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-transferencia-analitica">Transferência analítica</h2>



<p>Neste caso a <strong>transferência </strong>sempre é devastadora para a manutenção da análise, porque o vínculo com o analista é mais forte do que o com a análise. Se o analisando não conseguir compreender que a análise é mais importante do que o analista e que ele tem que enfrentar o complexo dominante, junto com o analista e no processo psicoterapêutico, mais uma vez acontecerá a frustação.</p>



<p>E, como no mito de Sísifo, partirá para um novo recomeço, por um novo caminho, mas com a mesma pedra, que é o complexo materno negativo e o dinamismo do <em><strong>puer aeternus</strong></em> constelado na personalidade. Sempre com o objetivo de seduzir o novo analista na figura da futura mãe que brevemente será abandonada, como defesa contra fóbica ao abandono original.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">WALDEMAR MAGALDI FILHO</a>, Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana; Psicossomática e Homeopatia. Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: Dinheiro, saúde e sagrado &#8211; Ed. Eleva Cultural. Coordenador e professor dos cursos de Pós-graduação <em>lato sensu</em> que titula especialistas em <strong><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/psicologia-junguiana" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Psicologia Junguiana</a></strong>; <strong><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/psicossomatica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Psicossomática</a></strong> e <strong><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/arteterapia-e-expressoes-criativas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Arteterapia e Expressões Criativas</a></strong>, oferecidos pelo <strong>IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</strong>.</p>



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<p>Waldemar Magaldi Filho &#8211; 19/03/2019</p>



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