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	<title>Arquivos realização pessoal - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 02 Jun 2026 15:39:13 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos realização pessoal - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A sede pela realização em tempos áridos de alienação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-sede-pela-realizacao-em-tempos-aridos-de-alienacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 14:06:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
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		<category><![CDATA[sucesso]]></category>
		<category><![CDATA[tornar-se quem se é]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse artigo levanta a questão da tão buscada realização, ser realizado. Como podemos entender o que é real, o que é concreto? Coloca-se a figura arquetípica do diabo, passando pelos conceitos de sombra, persona e individuação, bem como as falas e expressões socias na prática clínica sobre o alienar-se em prol de uma chancela social de ser realizado.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-sede-pela-realizacao-em-tempos-aridos-de-alienacao/">A sede pela realização em tempos áridos de alienação</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Esse artigo levanta a questão da tão buscada realização, ser realizado. Como podemos entender o que é real, o que é concreto? Coloca-se a figura arquetípica do diabo, passando pelos conceitos de sombra, persona e individuação, bem como as falas e expressões socias na prática clínica sobre o alienar-se em prol de uma chancela social de ser realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atualmente, há uma pressão constante e visceral para que todos sejam completamente realizados em todos os campos possíveis da vida. Entretanto, esse ópio coletivo acaba drenando a vitalidade úmida da alma, bem como as oportunidades de auto revelação e expressão, sustentado na ignorância e superficialidade do terreno pessoal de conhecimento. Afinal, o que é realização, o que é ser realizado na vida?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao se pensar em algo realizado, a concepção do que é real aparece e se mostra. Ser real ou possuir qualidades que remetam a uma vivência real atravessa o reconhecimento da singularidade presente em cada um, como também a retirada da identificação com a persona e com os ditames coletivos e seus dogmas inquestionáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Viver em um coletivo preservando o subjetivo é uma combinação alquímica complexa e desafiadora, pois há o risco de ora sucumbir em uma mistura indiscriminada da expectativa gerada em nós, ora se excluir completamente da sociedade, levando a vida de um ermitão alicerçada no argumento de ser contra o sistema- gerando uma não adaptação necessária no mundo externo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“As possibilidades de desenvolvimento comentadas nos capítulos anteriores são, no fundo, alienações de si-mesmo, modos de despojar o si-mesmo de sua realidade, em benefício de um papel exterior ou de um significado imaginário. Em ambos os casos, verifica-se uma preponderância do coletivo.” (JUNG, OC.7/2, §267)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na psicologia Junguiana, o conceito de <strong>persona</strong> revela o modo como nos relacionamos com o mundo externos e seus objetos, a construção que elaboramos sustentada em imagem, qualidades e bases morais.</p>



<h2 id="h-muitas-vezes-o-peso-dessa-mascara-dessa-persona-solapa-quem-realmente-somos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Muitas vezes, o peso dessa máscara, dessa persona, solapa quem realmente somos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Aquilo que tem o poder de realização, demonstrado ao longo dos mitos, contos e narrativas arquetípicas, muitas vezes não se encontra em um coletivo massificado que funciona como uma engrenagem perfeita e automática, mas sim em campos, em territórios, desconhecidos, distantes e contrastantes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que “alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo.” (JUNG, OC.7/2, §246)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como ousarei ser um biólogo em uma família tradicional de médicos? A tradição dos meus ancestrais tem a força de trabalhar no campo da engenharia. Posso ingressar no campo da psicologia? Aprendi que a vida que realmente importa é aquela com um casamento firme e estável. Porém, a ideia de viver sendo solteiro/a me atrai, ou vice versa. Como lido com isso? A crença religiosa dos meus grupos de amigos é mais tradicional, mais ortodoxa. Entretanto me identifico com religiões ou cultos de origem africana ou oriental. Posso me permitir experienciar caminhos diferentes?</p>



<h2 id="h-se-permitir-questionar-o-proprio-caminho-e-um-ato-de-bravura" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Se permitir questionar o próprio caminho é um ato de bravura.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quem questiona ou reflete sobre seus passos e suas pegadas consegue ampliar suas marcas. A vida não é uma linha reta já definida impossível de ter curvas e reviravoltas. Todavia, se aventurar em outros caminhos contrários ou desconhecidos convoca os fantasmas da insegurança e das dúvidas sobre a própria competência e autorização interna de se reinventar. Essa postura é coibida pelo espirito da época vigente, pois o lema é: trabalhe, não pense; pague seus tributos e confie nos caminhos que todos já fizeram e foram “aprovados” pelo grupo. Ter uma atitude aquariana de ir ao oposto do já determinado e realizar um encontro com sua própria essência e individualidade leonina é rechaçado a todo instante, mas é o caminho que promove uma realização.</p>



<h2 id="h-o-conceito-do-se-individuar-do-tao-conhecido-processo-de-individuacao-passa-na-trilha-do-se-realizar-do-encontrar-aquilo-que-e-mais-genuino-e-autentico-em-si-devolvendo-e-compartilhando-com-o-coletivo-posteriormente-tudo-aquilo-que-conheceu-na-sua-propria-jornada" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O conceito do se individuar, do tão conhecido processo de individuação, passa na trilha do se realizar, do encontrar aquilo que é mais genuíno e autentico em si, devolvendo e compartilhando com o coletivo posteriormente tudo aquilo que conheceu na sua própria jornada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Logo, é um processo de desenvolvimento psíquico, uma elaboração da personalidade para um encontro com a totalidade, no qual há uma <strong>diferenciação da massa</strong> e uma <strong>integração em sua própria natureza</strong>, se tornando real.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“No processo de individuação antecipa uma figura proveniente da síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade. É, portanto, um símbolo de unificação dos opostos, um mediador, ou um portador da salvação, um propiciador de completude.”</em> <em>(JUNG, OC.9/1, § 278)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na lâmina 10 do tarô, a roda, há uma roda navegando em um mar; ou flutuando no ar. Esse tema arquétipo convida a não se apegar ao que foi construído e se lançar em uma reviravolta, em ficar balançando ou suspenso em um novo eixo. É uma porta, um portal, uma rachadura que se abre naquilo que é definitivo. Ser realizado abre inúmeras possibilidades de vivências. Afinal, qual a base da construção daquilo que nomeamos como válido? Quais pensamentos e orientações nos inspiram e para quais caminhos levam? O que fazemos com o que nos foi dado e estruturado?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Carregamos uma imagem tão bem formanda sobre nós, certezas tão arraigadas e consolidadas em um suposto saber. Assim como a terra rígida, seca, compactada, naturalmente raxa e abre vincos, a autodeterminação cega e alienada sobre o que há no profundo, formando uma carapaça de “intelectualidade” e bons costumes apoiadas em uma moral virtuosa, possui um prazo de validade. No primeiro impacto, se quebra. Nos primeiros ventos ou ondas do mar psíquico, não se sustenta. O fim de um casamento, a perda de um emprego, uma traição inesperada, uma quebra financeira, uma morte dolorida ou uma experiência anímica traumática. A roda gira, balança, revelando e forçando a realização da natureza interior.</p>



<h2 id="h-uma-figura-arquetipica-presente-nos-campos-ferteis-do-inconsciente-coletivo-e-o-diabo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Uma figura arquetípica presente nos campos férteis do inconsciente coletivo é o diabo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Anjo caído que governa a matéria e suas riquezas. Senhor do oculto e daquilo que não se vê. A asa dupla que estabelece encruzilhadas e dúvidas; que questiona até que ponto conhecemos a totalidade da nossa natureza, inclusive a parte sombria. Um detalhe vale a pena ser colocado: a sombra tem riquezas. Queremos ser realizados? Então teremos que conversar com essa grande figura alada! Não é se identificar com o mal puro, com o mal coletivo e destruidor &#8211; como já dizia Jung, esse mal é real, tem efeitos psicológicos e concretos; mas sim conciliar as potências internas que ficaram misturadas e alocadas no território sombrio da realidade psíquica.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A autonomia da psique cheira ao primitivo como algo demoníaco e mágico. Consideramos esta atitude perfeitamente normal do primitivo. (&#8230;) havia uma crença generalizada e natural em seres sobre-humanos que, segundo nosso conhecimento atual, eram personificações de conteúdos inconscientes projetados” (JUNG, OC.10/3, §843)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A sombra não é somente um território de podridão e perversidade. Lá contém energia psíquica bruta, não elaborada, rica em força, que não teve a oportunidade de sequer ser reconhecida. O ouro se encontra no fundo e é resultado de um processo constante e longo de temperatura e pressão. Negociamos, conversamos, mediamos, resgatamos, através dessa figura de duas asas, aquilo que nos pertence por direito da vida.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A sombra, embora seja uma figura negativa per definitionesm, deixa entrever muitas vezes traços ou associações positivas, os quais apontam para um cenário de outro tipo. É como se ela escondesse conteúdos significativos sob um invólucro inferior” (JUNG, OC 9/1, §485)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-realizacao-surge-quando-a-prima-materia-se-transmuta-em-lapis-em-ouro-alquimico-apos-um-processo-de-idas-e-vidas-de-subidas-e-descidas-de-altos-e-baixos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A realização surge quando a prima matéria se transmuta em lápis, em ouro alquímico após um processo de idas e vidas, de subidas e descidas, de altos e baixos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É quase um senso comum que a realização vem no final da vida, depois de uma caminhada árdua de encontros e desencontros. Estamos com paciência, tolerância, para vivenciar esse tempo? Conseguimos sustentar a angústia que esse processo estimula? Em uma época na qual o imediatismo é soberano, não há espaço para a inteligência e para os processos lunares, de autoconhecimento profundo. Uma postagem e uma curtida valem muito mais do que o silêncio de encontrar a si mesmo, mesmo que seus efeitos colaterais sejam um aumento da sensação de solidão, de viver uma vida falsa ou aquela insônia que perturba a nossa paz fraudulenta.</p>



<h2 id="h-lancemos-agora-a-pergunta-de-um-milhao-voce-venderia-sua-alma-em-troca-de-um-reconhecimento-coletivo-e-a-seguranca-de-um-pertencer-em-grupos-sinalizando-um-sucesso-uma-chancela-do-eu-me-realizei" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Lancemos agora a pergunta de um milhão. Você venderia sua alma em troca de um reconhecimento coletivo e a segurança de um pertencer em grupos, sinalizando um sucesso, uma chancela do “Eu me realizei”?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Somos inundados a todo momento por marcadores socias de uma realização: uma eficiência, uma produtividade no trabalho reconhecido por todos; promoções sucessivas e repletas de glória; carros importados e viagens anuais para Europa; graduação em Medicina; um casamento alegre, vivo, instagramável, com filhos, cachorros. A grande questão não é conseguir todos esses marcadores, mas sim ser definidos por eles. Negociar a alma, ou seja, aquilo que há de mais profundo, a água que umidifica a vida, o humus que conecta e aduba a consciência e o viver o aqui e agora, pode levar a derrocada de uma realização real e profunda.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Individuação significa tornar-se único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais intima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos pois traduzir “individuação” como “tornar-se a si -mesmo” ou “realizar-se do si-mesmo””. ( JUNG, OC</em> <em>7/2, §266)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-na-pratica-clinica-nao-e-raro-ouvir-de-pessoas-a-queixa-de-se-sentir-falsificado-vivendo-de-uma-maneira-artificial-mesmo-obtendo-tudo-que-o-coletivo-exige-e-chancela" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na prática clínica, não é raro ouvir de pessoas a queixa de se sentir falsificado, vivendo de uma maneira artificial, mesmo obtendo tudo que o coletivo exige e chancela.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Eu me sinto como uma fraude para minha esposa”; “o meu trabalho é somente para pagar boleto”; “não consigo mais ter libido, nem ereção na hora do sexo”; “me sinto um grande impostor para mim mesmo”. </em>As águas internas, a ânima, o eros, precisam de um corpo, de uma terra adequada para poder se concretizar, se realizar, se manifestar. Compramos gato por lebre quando o assunto é autocuidado e expressão do nosso pleno potencial. A cegueira com sua enganação de si se tornou a nova referência do bom sucesso e do que é real.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A culpa é do masculino destruidor ou a culpa é das mulheres que querem ser bancadas. Até mesmo o encontro mais profundo dessas duas potências da realidade psíquica foi deturpado. A diferenciação e a união/agregação se tornaram brigas e rixas, aprofundando o abismo do encontro com o outro, ou seja, o encontro com nós mesmos, que leva ao caminho de se tonar real.</p>



<h2 id="h-por-fim-a-busca-insaciavel-para-sermos-realizados-com-sua-furia-enlouquecida-baseada-em-uma-corrida-de-vantagens-intoxica-quem-entra-nessa-ilusao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Por fim, a busca insaciável para sermos realizados com sua fúria enlouquecida baseada em uma corrida de vantagens intoxica quem entra nessa ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ser real, não é andar pela vida de maneira inconsequente e irreflexiva achando que o meio ambiente e o meio que nos cerca é obrigado a aceitar aquilo que eu sou, meus comportamentos e minhas ideias e falas. É olhar para dentro e conseguir enxergar a multiplicidade com sua complexidade; é ir além de um sucesso profissional, de ter um relacionamento pleno; é encontrar aquilo que há de mais caro em nós mesmos, é nos encontrar e nos enfrentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É não ser perfeito, é ser inteiro. É expressar a verdade que nos toca, é ampliar imagens e os afetos que nos atravessa; é olhar para as fraquezas e as potencialidades. É ter a abertura para o mundo, reconhecer que a realidade do outro e a minha realidade constroem verdades distintas, que precisam ser integradas e acolhidas para que um dia consigamos transformar a realidade coletiva com suas verdades preconceituosas ou discriminatórias. É ser concreto e íntegro conectado com a totalidade, criando e sendo criativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha &#8211; Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo convite:</p>



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</div></figure>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O eu e o inconsciente</strong>. OC.7/2. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. OC.9/1. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Civilização em transição</strong>. OC.10/3. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="414" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1024x414.png" alt="" class="wp-image-13090" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1024x414.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-300x121.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-768x311.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-150x61.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-450x182.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1200x486.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Inscrições abertas no <strong>Curso de Introdução à Teoria de C.G. Jung</strong> &#8211; Para Graduados em Geral &#8211; Vagas limitadas: <a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas" type="link" id="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Trabalho, identidade e realização pessoal</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-identidade-e-realizacao-pessoal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2022 19:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[realização pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[realização profissional]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4328</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo procura explorar e refletir sobre a relação da humanidade com o trabalho. Essa atividade já foi sinônimo de tortura, de punição divina mas hoje é vida com viés de identidade e auto-realização. Mas movimentos como a Grande Resignação mostram que sempre estamos em busca de rever nossa relação com o trabalho.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A profissão e/ou o trabalho são parte importante da nossa vida adulta, desde crianças somos questionados sobre “o que queremos ser quando crescer”. Pensando que, se quando crescermos não trabalharmos, não somos talvez adultos ou cidadãos. Trabalho vem do latim <em>“tripalium”, </em>que é o nome de um instrumento de madeira de três pontas, usado para trabalhos agrícolas ou para tortura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por muito tempo o significado de trabalho foi associado a fardo e sacrifício. Na Grécia Antiga, o trabalho era desprezado pelos cidadãos livres. Platão considerava o exercício das profissões vil e degradante. Nos primeiros tempos do cristianismo, o trabalho era visto como tarefa penosa e humilhante, como punição para o pecado. Ao ser condenado, Adão teve por expiação trabalhar para ganhar o pão com o suor do seu próprio rosto (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando essa concepção do trabalho como castigo divino ou tarefa menos digna, vemos que o ser humano sempre teve uma relação complicada com o trabalho. Essa visão perdura até hoje, pois o trabalho intelectual é visto como nobre e elevado, enquanto o trabalho braçal é visto como algo de menos valia. Não é a toa que o trabalho braçal até pouco tempo atrás era destinado à mão de obra escrava.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A concepção de trabalho como fonte de identidade e autorrealização humana, foi constituída a partir do Renascimento. [&#8230;] A partir dessa época, uma outra visão passou a vigorar, concebendo o trabalho não mais como uma ocupação servil. Longe de escravizar o homem, entende-se que propicia o seu desenvolvimento, preenche a sua vida, transforma-se em condição necessária para a sua liberdade (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não à toa, muitas vezes somos identificados com ou pelo nosso trabalho. Até pouco tempo, a profissão era uma espécie de prefixo identitário, dizendo qual o papel daquela pessoa na sociedade. Ou ainda, quem nunca fez ou ouviu a pergunta: O que (você) faz da vida? Como se o único fazer da vida estivesse ligado ao valor produzido ou ao trabalho realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A categoria trabalho não pode ser pensada como natural ou a-histórica. O trabalho impregnado de toda uma subjetividade, inserido em um contexto econômico/ político/ social com tantas diversidades, leva os indivíduos a terem vivências bastante distintas. Ao longo dos tempos, identifica-se duas visões contraditórias do trabalho que convivem nos mesmos espaços, e por vezes, um mesmo indivíduo revela sentimentos ambíguos em relação a sua vida profissional (RIBEIRO e LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas visões apresentadas dizem respeito às concepções de trabalho como sofrimento, castigo, obrigação ou como gerador de valor pessoal, fonte de satisfação, crescimento e dignidade (“O trabalho dignifica o homem”). E como falado as vezes essas duas concepções ocorrem ao mesmo tempo no indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Profissão, vem da palavra professar, do latim, “professio, onis”, cujo sentido é ensinar. É a mesma origem da palavra professor. Professar também tem o significado de declaração ou confissão pública<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Professar também é um ato de fé e o trabalho com a fé, é chamado de vocação. Vocação é o chamado, pois entende-se que nem todo mundo pode ser um trabalhador da fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente a profissão era parte da herança familiar. Hoje temos a “possibilidade” de escolha, mas ainda assim há fatores culturais e socioeconômicos envolvidos, portanto, muitas vezes essa escolha é limitada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estando em contato com nosso chamado a vida é mais fluida, os estresses não pesam e se luta o bom combate. Aí é que reside a diferença entre trabalho e profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 39% dos brasileiros têm interesse em mudar de carreira ou profissão<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>: Perspectiva de maior remuneração, desejo de inovar ou aprender algo novo, busca de realização pessoal e expectativa de uma melhor qualidade de vida foram os motivos apontados. Ou seja, para 39% o trabalho ainda tem o teor mais prevalente de castigo do que de realização pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achei interessante inclusive observar que a maioria dos textos que li sobre transição de carreira falam que é uma crise que se apresenta por volta dos 40 anos de idade, quando já se teve a oportunidade de viver uma parte da vida profissional. No entanto, parece que esse fenômeno tem se dado cada vez mais cedo. Sair de uma área que, você já possui experiência, conhece pessoas, domina técnicas, é remunerado e possui história para mergulhar numa nova profissão não é uma tarefa simples, nem fácil. Ouvir o chamado é um ato de coragem e de ir encontro ao Si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise de meio de carreira parece ser mais comum entre os 40 e 50 anos de idade, não coincidentemente o período apontado como metanoia por Jung. Esse processo pode se iniciar aos 30 anos. Nessa idade, o indivíduo se volta ao desenvolvimento de aspectos inconscientes. E atualmente os jovens abaixo de 30 anos são os que mais se demitem voluntariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Não coincidentemente, essas idades têm a ver com o processo de intensificação do autoconhecimento, o voltar-se para dentro e conhecer a si mesmo, levando então o indivíduo a buscar sentido em sua vida, de acordo com sua vocação, seu chamado. A adaptação à transição de carreira na meia idade emerge como uma oportunidade para a reavaliação de valores individuais na esfera do trabalho e para a construção de um caminho que promova a expressão do novo autoconceito profissional (QUISHIDA e CASADO, 2009).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O homem deve ser levado a adaptar-se em dois sentidos diferentes, tanto à vida exterior – família, profissão, sociedade – quanto às exigências vitais de sua própria natureza. Se houve negligência em relação a qualquer uma dessas necessidades, poderá surgir a doença. (JUNG, 2014, v. 17, par. 172).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há atualmente em curso um movimento, principalmente nos países ricos, mas que já começa a apresentar seus sinais por aqui, chamado de A Grande Resignação<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. Trata-se de um movimento coletivo, não organizado, em que as pessoas estão pedindo demissão voluntariamente de seus empregos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que a Grande Resignação veio como resposta às condições de trabalho precárias, que foram percebidas principalmente durante a pandemia. Quem se isolou nesse período, percebeu como a vida não pode ser segmentada. Em um mesmo ambiente, no caso, nossas casas, tivemos lar, escritório, escola, faculdade, etc, tal qual acontece em nossa “casa” interna. No entanto, durante a pandemia, tudo isso passou a ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo aumentando a sensação de esgotamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o trabalho na pandemia trouxe em muitos casos um desejo maior de ficar em casa, de se ter vida com maior qualidade, estar mais próximo da família ou até mesmo ter mais tempo para si. Nesse sentido, o dilema viver para trabalhar ou trabalhar para viver se apresenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O trabalho não pode ser uma negatividade da vida, mas, muito pelo contrário, sua expressão, coisa que o capitalismo, em suas mais variadas versões apresentadas no decorrer da história, não permitiu que ocorresse. Eis a Esfinge que cabe ao homem contemporâneo decifrar, para não ser definitivamente devorado por ela (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos apontam que 32% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, ou de esgotamento profissional<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>. Muitas pessoas deixaram de considerar o trabalho como a prioridade das suas vidas e passaram a ver a vida como a prioridade das suas existências. O constante estresse causado pela cobrança por uma produtividade, medo do desemprego, por outro lado, faz com que se aceite trabalhar em condições cada vez mais precárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>As condições e as exigências do mercado de trabalho na atualidade rotinizam e amortecem o sentido da vida, deixando no corpo as marcas do sofrimento, que se manifestam nas mais variadas doenças ditas ocupacionais, além de atentar contra a saúde mental, em especial quando o psiquismo anquilosado em sua mobilidade faz com que a mente seja absorvida em formas de evitação do sofrimento (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mais nova música da Beyoncé – Break My Soul (Despedaçar Minha Alma) (https://youtu.be/yjki-9Pthh0), inclusive, diz-se que pode ser o hino dessa era e suspeita-se que tem inclusive incentivado as pessoas a pedirem demissão ao invés de perderem sua alma para o trabalho. Diz a música:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Eu vou encontrar uma nova motivação/ droga, me fazem trabalhar tanto/ Às nove no trabalho, saio depois das cinco/ E forçam meus nervos, por isso não durmo à noite<a href="#_ftn5" id="_ftnref5"><strong>[5]</strong></a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A meu ver há em curso um movimento, uma nova busca de significado pelo trabalho, individual e coletivamente. O cansaço não é apenas individual, mas faz parte de um movimento coletivo de pensar nosso papel na sociedade e o papel do trabalho em nossa vida consequentemente. Longe de trabalhar apenas para viver, queremos trabalhar para significar. Além disso, não devemos ser criados para o trabalho e sim para a vida, pois não somos apenas aquilo com que trabalhamos, mas podemos trabalhar com o que somos de melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mauro Angelo Soave Junior – Membro Analista em Formação do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E. Simone Magaldi – Analista didata do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O.C. XVII, O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">HELOANI, José R. e CAPITÃO, Cláudio G. Saúde Mental e Psicologia do Trabalho. In: São Paulo em Perspectiva, v.17, n.2, p.102-108, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUISHIDA, Alessandra; CASADO, Tania Adaptação à transição de carreira na meia-idade Revista Brasileira de Orientação Profissional, vol. 10, núm. 2, 2009, pp. 81-92</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, Carla Vaz dos Santos; LEDA, Denise Bessa. O significado do trabalho em tempos de reestruturação produtiva.<strong>&nbsp;Estud. pesqui. psicol.</strong>,&nbsp; Rio de Janeiro ,&nbsp; v. 4,&nbsp;n. 2,&nbsp;dez.&nbsp; 2004 . &nbsp; Disponível em &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812004000300006&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em&nbsp; 29&nbsp; jun.&nbsp; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UVALDO, Maria da Conceição Coropos. Tecendo a trama identitária: um estudo sobre mudanças de carreira. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VELOSO, Elza Fátima Rosa. Decisões na transição interprofissão: um modelo de orientação de mudanças de carreira. Tese de Livre-Docência, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> https://www.dicio.com.br/profissao/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a>https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2022/02/19/quer-mudar-de-carreira-ou-emprego-em-2022-veja-pontos-para-avaliar.ghtml</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a>https://www.istoedinheiro.com.br/o-que-e-a-grande-resignacao-e-como-ela-pode-mudar-os-paises-ricos/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/burnout-e-reconhecido-pela-oms/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/nova-cancao-de-beyonce-representa-grande-resignacao-de-geracao-de-trabalhadores-nos-eua.ghtml</p>
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