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	<title>Arquivos sanford - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Jul 2026 20:00:34 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos sanford - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>O Amor que Devora: Morro dos Ventos Uivantes e a Psicologia das Relações Possessivas</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-amor-que-devora-morro-dos-ventos-uivantes-e-a-psicologia-das-relacoes-possessivas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 16:53:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presente artigo analisa, à luz da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o fenômeno das relações amorosas tóxicas, tomando como referência simbólica o romance Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (1847), e suas adaptações cinematográficas. A partir dos conceitos junguianos de anima, animus, projeção, sombra e individuação, e em diálogo com as elaborações de Emma Jung, John A. Sanford e James Hollis, discute-se de que modo a paixão fusional, frequentemente confundida com o amor verdadeiro, constitui na realidade uma identificação inconsciente entre dois psiquismos cativos das próprias imagens internas.</p>
<p>A relação entre Catherine Earnshaw e Heathcliff é tomada como expressão arquetípica de um amor que, por não atravessar a tarefa do reconhecimento da alteridade, se converte em possessão e destruição. Ao final, propõe-se que somente a retirada das projeções e a integração dos opostos permitem a passagem do amor arquetípico ao amor real — passagem que a própria narrativa de Brontë sugere no desfecho, quando a segunda geração se reconcilia com aquilo que havia sido devorado pela primeira.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>O presente artigo analisa, à luz da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o fenômeno das relações amorosas tóxicas, tomando como referência simbólica o romance Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (1847), e suas adaptações cinematográficas. A partir dos conceitos junguianos de anima, animus, projeção, sombra e individuação, e em diálogo com as elaborações de Emma Jung, John A. Sanford e James Hollis, discute-se de que modo a paixão fusional, frequentemente confundida com o amor verdadeiro, constitui na realidade uma identificação inconsciente entre dois psiquismos cativos das próprias imagens internas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre Catherine Earnshaw e Heathcliff é tomada como expressão arquetípica de um amor que, por não atravessar a tarefa do reconhecimento da alteridade, se converte em possessão e destruição. Ao final, propõe-se que somente a retirada das projeções e a integração dos opostos permitem a passagem do amor arquetípico ao amor real — passagem que a própria narrativa de Brontë sugere no desfecho, quando a segunda geração se reconcilia com aquilo que havia sido devorado pela primeira.</p>



<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading"><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Poucas obras da literatura ocidental traduziram com tanta densidade a experiência do amor patológico quanto Morro dos Ventos Uivantes. Publicado em 1847, sob o pseudônimo de Ellis Bell, o único romance de Emily Brontë continua a inspirar adaptações cinematográficas — desde a clássica versão de William Wyler (1939), com Laurence Olivier e Merle Oberon, passando pela leitura mais sombria e primitiva ou selvagem de Andrea Arnold (2011), até a recentíssima adaptação de Emerald Fennell (2026), estrelada por Jacob Elordi e Margot Robbie. Esta última, ainda que tenha dividido público e crítica, teve o mérito inegável de recolocar em circulação, no debate cultural contemporâneo, as inquietações em torno da relação entre Catherine e Heathcliff — o que, sob a ótica clínica, é também uma oportunidade para repensar o modo como a cultura segue idealizando vínculos fusionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Em todas essas versões, o que persiste e fascina é exatamente aquilo que escapa às convenções do romance romântico: a fronteira tênue entre paixão e possessão, entre amor e o aniquilamento.</strong></p>



<h2 id="h-heathcliff-e-catherine-nao-se-amam-como-duas-pessoas-eles-se-amam-como-se-fossem-partes-da-mesma-alma-separadas-por-engano" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Heathcliff e Catherine não se amam como duas pessoas; eles se amam como se fossem partes da mesma alma, separadas por engano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu sou Heathcliff”, declara Catherine. Essa frase, frequentemente lida como ápice da entrega amorosa, é, do ponto de vista da Psicologia Analítica, a confissão de uma identificação fusional em que os limites do eu se dissolvem na imagem do outro. É justamente sobre essa zona de indistinção — onde o amor se confunde com a apropriação do outro — que este artigo se propõe a refletir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma cultura que ainda romantiza ciúme, exclusividade absoluta e sofrimento amoroso como provas de devoção, e em que muitos pacientes chegam ao consultório relatando relações marcadas por dependência, possessividade e violência psíquica, parece-me oportuno revisitar a obra de Brontë como um caso simbólico exemplar. Trata-se de uma narrativa que antecipa, em mais de um século, o que Jung viria a descrever como o efeito devastador das projeções não reconhecidas da anima e do animus.</p>



<h2 id="h-os-parceiros-invisiveis-anima-animus-e-o-outro-imaginado" class="wp-block-heading"><strong>Os Parceiros Invisíveis: Anima, Animus e o Outro Imaginado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung, todo homem carrega em si uma figura interior feminina (a anima) e toda mulher, uma figura interior masculina (o animus). Tais figuras não são simples “lados femininos” ou “masculinos” da personalidade; são configurações arquetípicas do inconsciente, dotadas de relativa autonomia, que mediam nossa relação com o mundo psíquico mais profundo (JUNG, 2014a). Sanford (1990) lembra que, enquanto não se tornam conscientes, anima e animus tendem a ser projetados em pessoas reais, alterando profundamente nossa percepção delas. É a isso que chamamos, em linguagem comum, “paixão” ou “estar apaixonado”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>“Quando a anima e o animus são projetados em outras pessoas, a percepção que temos delas fica profundamente alterada. Na maioria dos casos, o homem projetou a anima na mulher, e a mulher projetou o animus no homem. A mulher carregou para o homem a imagem viva da alma ou da faceta feminina dele próprio, e o homem carregou para a mulher a imagem viva do próprio espírito dela.” (SANFORD, 1990, p. 18)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-eis-a-chave-para-compreender-heathcliff-e-catherine" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Eis a chave para compreender Heathcliff e Catherine.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O que une esses dois personagens não é, em sentido estrito, o conhecimento mútuo de duas subjetividades e fissuras, mas a coincidência de um campo arquetípico no qual cada um se torna depositário involuntário das imagens internas mais arcaicas do outro. Heathcliff, o estrangeiro de origem desconhecida, encontrado nas ruas de Liverpool, é, para Catherine, a personificação perfeita do animus selvagem — indomado, ligado à terra, ao instintivo. Catherine, por sua vez, é para Heathcliff uma anima que carrega, simultaneamente, a luminosidade da infância partilhada e a sombra do orgulho aristocrático que o rejeita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sanford (1990, p. 22) sublinha que tais imagens projetadas, justamente por serem arquetípicas, se acham carregadas de energia psíquica e produzem um “efeito magnético sobre nós, e a pessoa que carrega uma projeção tenderá a atrair-nos ou a causar-nos repulsa em alto grau, da mesma forma como um ímã atrai ou repele outro metal”. É essa intensidade magnética — não o conhecimento da pessoa real — que descreve com precisão a vinculação entre os dois protagonistas de Brontë.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emma Jung (1990) observou, do lado feminino do mesmo fenômeno, que quando a projeção encontra ressonância no portador externo a relação parece, no início, ter alcançado uma satisfação e uma perfeição plenas. Mas essa aparente perfeição traz consigo um custo muito alto: “Este estado de fascinação e de condicionamento absoluto ao outro é conhecido como ‘transferência’, que não é outra coisa que a projeção” (JUNG, E., 1990, p. 24). A relação se torna, então, simbiótica; cada um precisa do outro para sustentar uma imagem que, na verdade, pertence ao próprio inconsciente.</p>



<h2 id="h-a-paixao-como-cilada-e-a-confusao-entre-amor-e-identificacao" class="wp-block-heading"><strong>A Paixão como Cilada e a Confusão entre Amor e Identificação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Há, na cultura ocidental contemporânea, uma equivalência implícita entre intensidade afetiva e autenticidade do vínculo. Quanto mais alguém sofre, mais se acredita que ama. Quanto mais incapaz de viver sem o outro, mais se imagina ter encontrado o “amor verdadeiro”. Sanford (1990, p. 30) é categórico ao desfazer esse equívoco:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>“O amor real começa somente quando uma pessoa chega a conhecer a outra, para quem ele ou ela é realmente um ser humano, e quando começa a amar esse ser humano e a preocupar-se com ele. (&#8230;) com raízes tão pouco profundas, não pode desenvolver-se nenhum amor real e permanente. Ser capaz de um amor real significa amadurecer, estimulando expectativas realistas em relação às outras pessoas.” (SANFORD, 1990, p. 30)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A paixão arquetípica, portanto, não é amor; é a antessala possível do amor, ou sua mais sedutora falsificação. Ela pode evoluir para um vínculo amadurecido na medida em que ambos os parceiros se disponham ao trabalho psíquico de retirar as projeções e reconhecer no outro um ser distinto — com seus limites, seus humores, suas zonas obscuras. Quando essa passagem não ocorre, o que era fascinação converte-se em possessividade, controle e, em casos extremos, violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É exatamente esse o destino dos amantes da obra em questão. Quando Catherine escolhe casar-se com Edgar Linton — figura social adequada, mas afetivamente inerte —, ela trai não apenas Heathcliff, mas a si mesma, na medida em que sacrifica seu próprio animus em troca de uma persona socialmente aceitável. Heathcliff, por sua vez, não consegue elaborar o luto. Em vez de retirar a projeção e reconhecer Catherine como uma mulher real, falha e finita, ele mergulha em uma vingança que se estende por gerações. Sua paixão, agora amputada de qualquer reciprocidade possível, transforma-se em ódio; o amor que não pôde ser vivido converte-se em compulsão de destruição. Tudo aquilo que permanece não-elaborado no inconsciente, ensina-nos Jung (2013a), tende a retornar ao sujeito sob a forma daquilo que ele costuma chamar de destino.</p>



<h2 id="h-possessao-e-sombra-quando-o-amor-adoece" class="wp-block-heading"><strong>Possessão e Sombra: Quando o Amor Adoece</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia Analítica utiliza o termo possessão para descrever situações em que o ego é dominado por um complexo autônomo do inconsciente. Quando a anima ou o animus tomam o lugar do ego, a pessoa age como se “estivesse fora de si” — expressão popular cuja precisão clínica é notável. Sanford (1990, p. 80) sugere que, na mulher, é preciso reconhecer que “as opiniões e as críticas destrutivas, que subitamente surgem em sua consciência” carregam, por trás delas, a figura arquetípica do animus em sua face negativa; analogamente, no homem, irritação, mau humor súbito e insatisfação sexual difusa costumam denunciar a presença da anima ferida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heathcliff é, do ponto de vista psicológico, alguém possuído pela própria sombra e por uma imagem fusional da anima. Sua incapacidade de existir independentemente de Catherine não é poesia; é sintoma. Ele se converte naquilo que Esther Harding (apud SANFORD, 1990, p. 98) chamava de amante fantasma — figura que ronda a psique do outro, seduzindo-a com fantasias românticas que “não têm relação com a realidade de um homem real, nem com a realidade do mundo inteiro dela” (SANFORD, 1990, p. 99).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>“Como amante fantasma, o animus ronda a mente de uma mulher, procura seduzi-la com fantasias românticas irreais e cada vez mais vai fazendo sua consciência ser absorvida pela irrealidade. Então não pode ocorrer desenvolvimento psicológico algum, porque a mulher se apaixona pelas fantasias que não têm relação com a realidade de um homem real, nem com a realidade do mundo inteiro dela.” (SANFORD, 1990, p. 99)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Há, neste ponto, um ensinamento clínico essencial: relações tóxicas não nascem, em primeiro lugar, da maldade individual de seus protagonistas. Elas nascem da recusa, em geral inconsciente, de assumir a responsabilidade pelo próprio mundo interno. Hollis (2008) lembra que a tarefa do amor amadurecido é justamente tornar consciente aquilo que antes se projetava, suportando a desilusão necessária para que algo verdadeiro possa nascer entre duas pessoas. Trata-se, em última instância, do luto da imagem — luto que Heathcliff e Catherine se recusam a fazer e que, por isso mesmo, devora suas vidas.</p>



<h2 id="h-a-segunda-geracao-e-o-duplo-casamento-a-possibilidade-de-individuacao" class="wp-block-heading"><strong>A Segunda Geração e o “Duplo Casamento”: A Possibilidade de Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Há, contudo, na narrativa de Brontë, uma sutileza que escapa às leituras mais ressentidas e que a analista junguiana Barbara Hannah (apud SANFORD, 1990, p. 100) foi das primeiras a observar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O romance não termina com a morte dos amantes; ele prossegue com a história da segunda geração — a jovem Cathy, filha de Catherine, e Hareton, sobrinho de Heathcliff. Esses dois personagens, inicialmente brutalizados pela atmosfera psíquica deixada pelos antecessores, encontram aos poucos uma forma de relação fundada no reconhecimento mútuo, no aprendizado e na ternura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final da obra, como observa Sanford (1990, p. 100), “há um duplo casamento: o casal terreno, Cathy e Hareton, e o casal espiritual, Heathcliff e Catherine”. A leitura analítica de Hannah é a de que “Heathcliff é uma personificação do animus” e de que, no fim da história, “se realiza o duplo casamento que é um símbolo da plenitude” (apud SANFORD, 1990, p. 100).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse desdobramento narrativo carrega uma sabedoria psicológica notável. Aquilo que não pôde ser integrado em uma geração precisa, muitas vezes, ser reelaborado na seguinte. O amor fusional, arquetípico, sobrevive como mito; mas é o amor discreto, terreno e relacional que carrega a possibilidade da individuação. O trabalho psicológico do amor amadurecido, observa Jung (2013b), consiste precisamente em estender ao outro um reconhecimento que ultrapasse a imagem que dele formamos.</p>



<h2 id="h-consideracoes-finais" class="wp-block-heading"><strong>Considerações Finais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A obra O Morro dos Ventos Uivantes pode ser lida, à luz da Psicologia Analítica, como uma fenomenologia rigorosa do amor possessivo. A obra de Brontë não condena seus amantes; ela os mostra cativos de forças psíquicas que excedem suas capacidades egóicas de compreensão. Heathcliff e Catherine não escolheram livremente sua paixão — foram tomados por ela. Esta é, talvez, a contribuição mais penetrante do romance: lembrar-nos de que aquilo que chamamos de amor é, com frequência, o nome bonito que damos a uma identificação inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A clínica contemporânea encontra, todos os dias, mulheres e homens que repetem, em escala íntima, a tragédia do “amor” tóxico. Pessoas que não conseguem deixar relacionamentos reconhecidamente nocivos, porque o que as prende ali não é o parceiro real, mas a imagem arquetípica nele projetada. Pessoas que confundem ciúme com amor, controle com cuidado, fusão com intimidade. Para essas pessoas — e talvez para todos nós, em algum momento da vida —, o convite da Psicologia Analítica é o mesmo que a própria Emily Brontë parece oferecer ao final do livro: permitir que a próxima geração viva o amor que a anterior não conseguiu viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Permitir, em outras palavras, que o ímpeto do Daimon amoroso, em vez de devorar o sujeito, possa atravessá-lo como força de individuação. Reconhecer no outro um ser humano, e não um espelho. Suportar a desilusão de que ninguém nos completa, porque a tarefa de tornar-se inteiro é, no fim, intransferível.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/">Maria Helena Soares Marinho &#8211; Membro Analista IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristinaguarnieri/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Guarnieri &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



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<iframe title="Artigo novo: &quot;O Amor que Devora: Morro dos Ventos Uivantes e a Psicologia das Relações Possessivas&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/Q3BU6Gq8NB0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BRONTË, E. Morro dos Ventos Uivantes. Trad. Adriana Lisboa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HARDING, M. E. The Way of All Women. New York: David McKay Co., 1961.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J. Pantanos da Alma: Nova vida em lugares deprimentes. São Paulo: Paulus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Obras Completas, vol. IX/1. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. O eu e o inconsciente. Obras Completas, vol. VII. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. A prática da psicoterapia. Obras Completas, vol. XVI. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, E. Animus e Anima. São Paulo: Cultrix, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANFORD, J. A. Os Parceiros Invisíveis: O masculino e o feminino dentro de cada um de nós. São Paulo: Paulus, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WUTHERING Heights. Direção: William Wyler. Estados Unidos: Samuel Goldwyn Productions, 1939.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WUTHERING Heights. Direção: Andrea Arnold. Reino Unido: Film4, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WUTHERING Heights. Direção: Emerald Fennell. Reino Unido / Estados Unidos: LuckyChap Entertainment / MRC / Warner Bros. Pictures, 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Criando intimidade com a sombra: Relação entre ego x sombra x persona</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/relacao-entre-ego-sombra-e-persona/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcella Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 15:34:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[integração da sombra]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sanford]]></category>
		<category><![CDATA[whitmont]]></category>
		<category><![CDATA[zweig]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8632</guid>

					<description><![CDATA[<p>Todos nós buscamos sempre entrar em contato com a nossa melhor versão e resistimos à ideia de que para chegarmos perto do melhor em nós teremos que inevitavelmente conhecer também a nossa pior versão. Imaginar que também somos o que não queremos, que aquilo que repudiamos no outro também pode pertencer a nós, que podemos fazer aquilo que não gostaríamos de assumir nem para nós mesmos é assustador. Mas a verdade é que nós somos imperfeitos e conhecer esse estranho que habita em nós é essencial para a busca da nossa totalidade.<br />
Faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade a busca por pertencimento e aprovação do outro, porém, por mais que façamos manobras para nos tornar melhores, ‘limpando’ tudo que julgamos como ruim, não somos blindados do contato com a sombra.<br />
Não importa o quanto nossa persona esteja trabalhada ou o quanto adaptada ao coletivo ela esteja. O próprio meio, e não somente nossas questões pessoais, vão continuar nos proporcionando meios de contato com esses conteúdos sombrios a fim de reconhecermos o que tanto nos afeta e de qual forma podemos lidar com eles. Achamos que quanto mais ajustados à polaridade contrária da sombra, mais estaremos seguros. Contudo, acontece justamente o oposto. E é neste momento que o ‘ponto cego’ aparece.<br />
Quando mudamos a pergunta “o que eu tenho a ver com ela?” por “em qual momento eu a considerei como conflitante a mim?” conseguimos compreender o sentido desses conteúdos nos perturbar e decidimos como reagir à eles. Quando trazemos para perto da consciência, tiramos um pouco da carga afetiva desta energia autônoma e buscamos recursos para lidar com ela ou transformá-la. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Criando intimidade com a sombra. Reflexões sobre como a persona moldada para se adequar ao coletivo pode se distanciar do verdadeiro eu</em>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="border-style:none;border-width:0px;border-radius:0px;font-size:16px;font-style:italic;font-weight:300"><blockquote><p><em>“Ah, se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar, insidiosamente cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las do resto de nós e destruí-las. Mas a linha que divide o bem do mal atravessa o coração de todo ser humano. E quem se disporia a destruir uma parte do seu próprio coração?” Alexander Solzhenitsym</em></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro de nós, existe uma parte que não gostamos de olhar, que negamos, que contradiz o que gostaríamos de reconhecer em nós. Esta parte é chamada de <strong>sombra</strong>. Muitas vezes ela é um problema de ordem moral, pois vai contra o ego e a persona. Ou seja, vai contra o modo que conseguimos nos enxergar. Segundo Jung “nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento” (Jung, 2012, p19).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imaginar que também somos o que não queremos, que aquilo que repudiamos no outro também pode pertencer a nós, que podemos fazer aquilo que não gostaríamos de assumir nem para nós mesmos, é assustador. Mas a verdade é que nós somos imperfeitos e conhecer esse estranho que habita em nós é essencial para a busca da nossa totalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sabemos-que-a-sombra-nao-e-apenas-aquilo-que-desconheco-totalmente-em-mim-mas-tambem-aquilo-que-minha-consciencia-considerou-contraria-a-atitude-ideal" style="font-size:17px">Sabemos que a sombra não é apenas aquilo que desconheço totalmente em mim, mas também, aquilo que minha consciência considerou contrária à atitude ideal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como o ego é de natureza unilateral, qualquer coisa que se diferencie dele – assuntos negligenciados, inaceitáveis, reprimidos &#8211; vai se acumulando no inconsciente e se torna parte de uma personalidade inferior, ou seja, uma sombra pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>sombra</strong> é parte da psique inconsciente que interage com a consciência. Traz forte carga de afeto para ações e reações e que nos provoca desconfortos sempre que entramos em contato com ela. Esta sensação se dá porque lapidamos nossa personalidade e nosso modo de ver o mundo de forma que esses conteúdos fiquem reprimidos e distantes de nós. Ressaltando esta ideia, encontramos no livro ‘Ao encontro da Sombra’ um trecho que explica esta dinâmica:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“Por ser contrária à atitude consciente que escolhemos, não permitimos que a sombra encontre expressão na nossa vida; assim ela se organiza em uma personalidade relativamente autônoma no inconsciente, onde fica protegida e oculta” (Zweig, et al., 2012, p.28).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de prosseguirmos, gostaria de complementar esta parte conceitual de sombra com dois recortes feitos por <strong>Edward Whitmont</strong>, apresentados no capítulo “A evolução da sombra”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“O termo sombra refere-se àquela parte da personalidade que foi reprimida em benefício do ego ideal. (&#8230;) Assim como as figuras oníricas ou fantasias, a sombra representa o inconsciente pessoal. Ela é como que um composto das couraças pessoais dos nossos complexos e, portanto, o portal de acesso a todas as experiências transpessoais mais profundas.” (Zweig, et al., 2012, p.36)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Whitmont pontua a <strong>tendência arquetípica de projetarmos os conteúdos sombrios nos outros</strong>, replicando a dinâmica do bode expiatório. Como se todo o mal ou erro estivesse presente apenas no mundo exterior do outro e este deveria ser eliminado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A sombra é a experiência arquetípica do ‘outro’, aquele que, por ser-nos estranho, é sempre suspeito. A sombra é o impulso arquetípico de buscar o bode expiatório, de buscar alguém para censurar e atacar a fim de nos vingarmos e nos justificarmos; ela é a experiência arquetípica do inimigo, a experiência da culpabilidade que sempre recai sobre o outro, pois estamos sob a ilusão de que conhecemos a nós mesmos e já trabalhamos adequadamente nossos próprios problemas. Em outras palavras, na medida em que é preciso que eu seja bom e justo, ele, ela ou eles tornam-se os receptáculos de todo o mal que deixo de reconhecer dentro de mim mesmo”. &nbsp;(Zweig, et al., 2012, p.39)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-incomodo-da-sombra" style="font-size:19px">O incômodo da sombra</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de a sombra conter pontos positivos e negativos em sua essência, geralmente seus conteúdos nos incomodam. Justamente porque os achamos inadequados e prejudiciais à lapidação da nossa personalidade. Na tentativa de compreender o porquê tais assuntos nos incomodam, costumamos tomar uma certa distância. Olhando para a característica atuante no outro e, só depois disto, abrimo-nos para a possibilidade de nos questionar sobre o motivo daquilo nos afetar tanto. Dificilmente aceitamos com facilidade que aquilo pode ser também uma condição nossa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;font-style:italic;font-weight:300"><blockquote><p>“quando nos recusamos a enfrentar a sombra, (&#8230;) nossas projeções transformam o mundo à nossa volta num ambiente que nos mostra a nossa própria face, mesmo que não a reconhecemos como nossa”. <strong>Whitmont</strong> (Zweig, et al., 1994, p.40)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade a busca por pertencimento e aprovação do outro</strong>. Ao mesmo tempo que vamos nos identificando como indivíduo, começamos a lapidar nossas características de forma a potencializar aquilo que nos agrada e que também agrade o outro, enquanto vamos encontrando meios de esconder ou transformar os aspectos que achamos feios e inapropriados. Desta forma, conseguimos também encontrar recursos de adaptação às diversas situações, dando vida às versões de nós mesmos de acordo com o que nos é exigido. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este recurso de adaptação do ego para o mundo exterior é chamado de <strong>persona</strong> &#8211; a qual pode ser positiva ou negativa. <strong>É a máscara que usamos para nos relacionarmos com os outros, para confrontar o mundo e as pessoas</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-persona-e-a-primeira-parte-de-nos-que-as-outras-pessoas-veem-e-a-nossa-parte-que-queremos-que-elas-vejam-sanford-1988-p-88" style="font-size:21px">“A persona é a primeira parte de nós que as outras pessoas veem, e a nossa parte que queremos que elas vejam” <strong>(Sanford, 1988, p.88)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por conceito, a persona é positiva, pois nos ajuda a adequar ao coletivo. Contudo, ela pode se tornar negativa quando esta adaptação se transforma em uma mudança quase que total do que somos e como nos reconhecemos, visando uma adequação total com o coletivo mesmo que este modo não reflita a nossa própria essência. Podemos assumir que quando isso acontece, essa versão transformada se distancia de quem ela é de verdade, ou seja, do Self e da identificação egóica. O risco do indivíduo não saber mais diferenciar quem ele é da pessoa que ele quer parecer se torna cada vez mais concreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que façamos manobras para nos tornar melhores, ‘limpando’ tudo que julgamos como ruim, não somos blindados do contato com a sombra. Ela irá aparecer no nosso cotidiano, assombrando nossa persona, tirando-nos da nossa zona de conforto. Pela própria definição do termo, todo receio extremo, todo incomodo que nos afeta além do que podemos lidar faz parte da nossa sombra. Tudo o que nos impacta fortemente e não é considerado, também alimenta nossa sombra.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-persona-x-anima-animus-sombra-x-ego">Persona x Anima/Animus &#8211; Sombra x Ego</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de prosseguir, é importante ressaltar que <strong>a</strong> <strong>persona não faz polaridade com a sombra</strong> (como muitos confundem conceitualmente). <strong>Persona é uma estrutura psíquica que faz oposição à anima/animus</strong>, uma vez que ambos são recursos relacionais. Enquanto a persona se relaciona com o mundo exterior, anima/animus são recursos de relação com o mundo interior. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>sombra</strong>, por sua vez, se apresenta em <strong>oposição ao ego</strong>, conforme explicado no início deste artigo. Não vou me aprofundar nesta questão pois isso seria tema para um próximo artigo, mas essa explicação se faz necessária para entendermos o recorte feito neste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não importa o quanto nossa persona esteja trabalhada ou o quanto adaptada ao coletivo ela esteja. O próprio meio, e não somente nossas questões pessoais, vão continuar nos proporcionando meios de contato com esses conteúdos sombrios a fim de reconhecermos o que tanto nos afeta e de qual forma podemos lidar com eles. Porém, é nítido que quando isso acontece, buscamos a saída que parece ser mais garantida: nos blindamos desses conteúdos devolvendo para o outro a responsabilidade de transformação do conteúdo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, como proteção, buscamos recursos para fortalecer nossa <strong>persona</strong>, melhorando aquilo que achamos que contrapõem o que nos denuncia, nos sentindo superior ao que nos incomoda. Encontramos ferramentas que eliminam o que não deve vir à tona, fazemos tudo como forma de controlar a ação desses conteúdos em nossas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-achamos-que-quanto-mais-ajustados-a-polaridade-contraria-da-sombra-mais-estaremos-seguros-contudo-acontece-justamente-o-oposto" style="font-size:18px">Achamos que quanto mais ajustados à polaridade contrária da sombra, mais estaremos seguros. Contudo, acontece justamente o oposto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E é neste momento que o ‘ponto cego’ aparece. Se tento compreender meus conteúdos sombrios e adequá-los ao manejo da persona posso, como efeito contrário, alimentá-la, pois vou ‘resolver’ essa falta fortalecendo uma conduta que irá me afastar ainda mais dela; que vai provar para mim e para os outros que aquilo não me pertence.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-lidar-com-a-sombra-nao-basta-ter-conhecimento-sobre-ela-e-preciso-se-apropriar-da-questao-e-entender-sua-real-motivacao-de-existir" style="font-size:18px">Para lidar com a sombra não basta ter conhecimento sobre ela, é preciso se apropriar da questão e entender sua real motivação de existir.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A integração da sombra sempre coincide a dissolução da falsa persona. A pessoa torna-se muito mais realista a respeito de si mesma; ver a verdade sobre a nossa própria natureza sempre tem efeitos muito salutares. (&#8230;) Parar de mentir para nós mesmos a respeito de nós mesmos, essa é a maior proteção que podemos ter contra o mal”. (Sanford, p. 47)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Agora que chegamos ao ponto de entender que mesmo diante de um trabalho de adaptação ao meio exterior, nossa persona não dará conta de esconder ou de se blindar diante da sombra, quero voltar um pouco no início deste artigo. Se toda sombra, antes de ser jogada ao inconsciente passa pelo filtro do ego ideal, não seria uma alternativa para lidar com esses conteúdos, voltar para nossa essência e investigar qual foi a motivação inicial do ego ter desconsiderado a integração desta característica?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-nunca-e-formada-de-modo-aleatorio" style="font-size:20px"><strong>A sombra nunca é formada de modo aleatório</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso falamos que a sombra também guarda um potencial enorme de transformação em nossas vidas. Se nós queremos nos conhecer verdadeiramente, temos que ir em busca da nossa totalidade, reconhecendo os aspectos de luz e sombra. Logo, sabendo mais sobre as nossas sombras, conseguimos entender também quais partes a consciência de cada um rejeita, quais partes ela não quer lidar e o porquê o ego decidiu que aqueles pontos deveriam ser filtrados da consciência. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não paramos para pensar que em muitos casos acabamos vivendo características unilaterais só para não deixar esta sombra ter expressão, mas ela sempre dará um jeito de se apresentar para nós – seja através do comportamento do outro, seja através daquilo que nos afeta. Entrar em contato com a sombra não é ter que transformar todos os conteúdos; algumas características serão trabalhadas, outras deverão ser apenas suportadas. Mas, a partir do momento que nós nos apropriamos do que até então desconhecemos, deixamos de ficar totalmente vulneráveis aos seus conteúdos, pois saberemos também quais são nossos limites, o que podemos fazer e, assim, criamos oportunidades de nos conhecermos dentro da nossa unicidade e inteireza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tiramos do outro a responsabilidade de se tornar impecável dentro do nosso julgamento, permitimos que o coletivo e a nós mesmos sejam diferentes, as vezes conflitantes, mas dentro da verdade de cada um. Isto é parte da cura dos relacionamentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tentar-entender-a-sombra-pela-persona-pode-ser-uma-manobra-falsa-que-vai-nos-colocar-apenas-como-superior-a-esses-conteudos" style="font-size:20px">Tentar entender a sombra pela persona pode ser uma manobra falsa que vai nos colocar apenas como superior a esses conteúdos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se, depois deste primeiro reconhecimento, pararmos para investigar em qual momento da vida nosso ego ideal – parafraseando Whitmont – fantasiou que seriamos melhores se não tivéssemos tais características; se o julgamento como errado e feio veio de nós mesmos ou se nos foi ensinado pelo núcleo mais próximo, talvez, de fato, conseguiremos entender o sentido desta sombra ter se tornado sombra e reavaliar, se nas condições atuais, tais características devem ainda ser julgadas como inapropriadas por nós ou se já estamos prontos para lapidá-las ao nosso favor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando mudamos a pergunta “o que eu tenho a ver com ela?” por “em qual momento eu a considerei como conflitante a mim?” conseguimos compreender o sentido desses conteúdos nos perturbar e decidimos como reagir à eles. Enquanto a sombra é inconsciente, nossa reação vem proporcional ao desconhecido que se tornou em mim. Quando trazemos para perto da consciência, tiramos um pouco da carga afetiva desta energia autônoma e buscamos recursos para lidar com ela ou transformá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o que é nosso trabalhará ao nosso favor, mesmo que a princípio se pareça negativo. Este é o caminho para a nossa totalidade.</p>



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<iframe title="Artigo Novo: Criando intimidade com a sombra: Relação entre ego x sombra x persona" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/2zUUQM5HVd0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/marcellaferreira/">Marcella Helena Ferreira &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Guarnieri &#8211; Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas" style="font-size:18px">Referências Bibliográficas:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>JUNG, Carl Gustav. 2012a</strong>. <em>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo.</em> 8°. Petrópolis: Vozes, 2012a.Vol.9/2</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>__. 2012b</strong>. <em>O Eu e o Inconsciente.</em> 24°. Petrópolis: Vozes, 2012b.Vol.7/2</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ZWEIG, Connie e ABRAMS, Jeremiah. 1994</strong>. <em>Ao encontro da sombra</em>. 1°. São Paulo: Cultrix, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SANFORD, John A. 1998.</strong> <em>Mal o lado sombrio da realidade</em>. 1°. São Paulo: Paulus, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e confira nossos Cursos e Pós-Graduações: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça nossos Congressos Junguianos: <a href="https://ijep.pages.net.br/congressos-carl-jung-ijep">Congressos IJEP (pages.net.br)</a></p>
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