<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Seeting Terapêutico - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/seeting-terapeutico/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/seeting-terapeutico/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Mar 2023 17:14:38 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Seeting Terapêutico - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/seeting-terapeutico/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Psicoterapeutas: jardineiros da psique</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/psicoterapeutas-jardineiros-da-psique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2019 19:32:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Seeting Terapêutico]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5814</guid>

					<description><![CDATA[<p>Desde criança as vivências com a natureza me mobilizam e me encantam. O contato com os quatro elementos: terra, fogo, água e ar, que correspondem à luz da psicologia junguiana, e as funções da consciência: sensação, intuição, sentimento e pensamento, auxiliam-me no processo de &#8220;cura&#8221; nas dimensões do corpo, mente, alma e espírito, possibilitando ressignificações [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/psicoterapeutas-jardineiros-da-psique/">Psicoterapeutas: jardineiros da psique</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde criança as vivências com a natureza me mobilizam e me encantam. O contato com os quatro elementos: terra, fogo, água e ar, que correspondem à luz da psicologia junguiana, e as funções da consciência: sensação, intuição, sentimento e pensamento, auxiliam-me no processo de &#8220;cura&#8221; nas dimensões do corpo, mente, alma e espírito, possibilitando ressignificações dos padrões de unilateralidade e intensidade, devido à integração da tensão de opostos geradores de cisão e conflitos. A partir de observações, vivências e reflexões sobre a natureza pude estabelecer conexões com a psique e o processo de psicoterapia, além de perceber que a lei que rege a natureza é a lei da harmonia (Marte/Ares x Vênus/Afrodite), dinâmica da consonância dos dissonantes. É o que trabalhamos com o nosso cliente que se apresenta sem luz em algum aspecto na busca de si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma entrevista realizada por McGuire e Hull (1997, p. 189), Jung descreveu a ligação entre o homem e o meio ambiente a partir dos seguintes termos:&nbsp; &#8220;Todos nós precisamos de alimento para a psique, é impossível encontrar esse alimento nas habitações urbanas, sem uma única mancha de verde ou árvore em flor; necessitamos de um relacionamento com a natureza; precisamos projetar-nos nas coisas que nos cercam; o meu eu não está confinado no corpo; estende-se a todas as coisas que fiz e a todas as coisas à minha volta, sem estas coisas não seria eu mesmo, não seria um ser humano. Tudo que me rodeia é parte de mim.&#8221; Com isso, Jung nos mostra o quanto que a natureza é sábia e nos oferece elementos que possibilitam ampliar reflexões sobre a dimensão do ser humano integral em busca da alteridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, é interessante observarmos o processo de psicoterapia, segundo a psicologia analítica junguiana, como um contínuo caminhar rumo a si mesmo (Self), que envolve a enantiodromia. Inicialmente aparecem as queixas emergentes, carregadas de elementos sombrios a serem discriminados, diferenciados e integrados, resultando em aprendizagem sobre o que o sofrimento trouxe e o despertar de atitude transformadora para resgatar a harmonia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos gerais, o jardineiro é o profissional que cuida dos jardins, repara solo, aduba a terra, rega plantas e realiza podas em determinadas épocas para que elas revigorem, cresçam e floresçam. Para arrumar o jardim é necessário conhecimento, manejo adequado, em que a falta ou o excesso geram desarmonia, que é equivalente à lei da compensação das polaridades. Vindo ao encontro, Milton Nascimento, em sua canção &#8220;O Cio da Terra&#8221; nos lembra da importância de afagar a terra e fecundar o chão&#8230; &#8220;cio da terra propicia estação.&#8221; Preparar o solo, semear, cuidar e colher&#8230; Metaforicamente, é o que nós psicoterapeutas realizamos com nossos clientes, numa dinâmica que envolve o expandir, penetrar, retrair e cristalizar, em ciclos que compreendem o espaço, movimento, energia e tempo, que de alguma forma contemplo neste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante considerar que as estações do ano nos mostram que existe tempo para tudo. E, para ampliar este pensamento, cito Jung (2011, v. 8/2, par. 780) que diz: &#8220;Há alguma coisa semelhante ao sol dentro de nós, e falar em manhã de primavera, tarde de outono da vida não é mero palavrório sentimental, mas expressão de verdades psicológicas&#8221;. A primavera sugere época de crescer e expandir até florir. Envolve força e renovação. O verão pode ser visto como momento de exteriorizar sentimentos, em que acontecem encontros com otimismo e leveza, guiados pela energia do sol.&nbsp; No outono as folhas caem encerrando um ciclo, terminando com nostalgia e amadurecimento. Por fim, o inverno representa recolhimento e interiorização, tristeza, melancolia e depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geralmente o cliente nos procura no inverno de sua vida, no âmago da dor, em busca de resgatar e integrar a escuridão do seu inconsciente à luz da consciência. No decorrer das sessões, ocorre o que podemos chamar de outono, período em que a ampliação dos conteúdos trazidos permite amadurecimento e o cliente começa a perceber a vida com mais leveza e otimismo, analogicamente comparado ao verão. Por fim, nosso cliente cresce, expande e ressignifica sua história, tempo da primavera de sua vida. E o que é a vida senão uma mistura de estações, permeadas pelos elementos terra, água, fogo e ar? &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Plantas nascem, alimentam-se de lodo, estrume, restos que se transformam em flores, frutos e sementes, que nos remete para infância, juventude, vida adulta e velhice. Nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos. Ciclos em que podemos transitar em solos férteis e florescer com as podas realizadas. E podas são lapidações, é deixar morrer algo dentro de nós antes da morte física, para nascer o novo. Plantas embelezam, produzem aromas e essências que curam, ao mesmo tempo produzem a droga que afeta e podem matar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto que pode ser considerado é o que Jung (2011, v. 9/2, par. 78) apresenta sobre as profundezas da alma: &#8220;Árvore nenhuma cresce em direção ao céu, se suas raízes também não se estenderem até o inferno&#8221;. As raízes da árvore procuram espaços e crescem para todas as direções, com aspectos primitivos e funcionais. Sem enraizamento a árvore fica comprometida. Muito similar ao que acontece na história de vida do cliente que é ser único e com história única, que precisa ser compreendido numa dimensão maior. O caule, por sua vez, ligado às raízes e condutor de seiva, é possibilidade de transformação e transcendência. Permite conexões com as dimensões superiores da existência. A copa da árvore, com suas folhas que sintetizam energia, com flores que embelezam e perfumam e com sementes como fonte de renovação, simboliza o alcance da plenitude. Desta forma, podemos refletir sobre alguns princípios da natureza: flores são mandalas naturais e florescem onde foram plantadas, ipês nos ensinam muito sobre como passar por seca intensa para florir, folhas que caem produzem adubo e rosas nascem em planta com espinhos. A adubação e a poda são feitas para estimular o crescimento; quando são mal feitas castram e matam. Flor e fruto colhidos antes do tempo não tem o mesmo encanto e sabor. A árvore se mostra frondosa e produz sombra. Do mesmo modo, nós psicoterapeutas trabalhamos com personas e auxiliamos na integração conteúdos sombrios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro do manejo psicoterático, Jung (2011, v. 10/3, par. 882) contribui de forma significativa: &#8220;Falta contato com natureza que cresce, vive e respira. A pessoa sabe o que é um coelho ou uma vaca através de livros ilustrados, enciclopédias ou televisão. E pensa que conhece realmente, mas fica admirada quando mais tarde descobre que o estábulo fede, pois isso não estava na enciclopédia&#8221;. Penso que nesta visão, Jung sugere que não basta aprendermos conteúdos, definições, técnicas e ficarmos presos ao mundo das ideias. Neste sentido, lembro-me do meu pai, homem do campo e sem conhecimento teórico, todas as noites observava e céu e previa o tempo para o dia seguinte com precisão, por meio de observações, intuições e sensações. &nbsp;É necessário compreender a dor do cliente numa dimensão maior e não tocar em &#8220;feridas&#8221; que não podemos ajudar a curar. Céu, estrelas, lua, sol, vento, seca, chuva, quantas analogias e aprendizagens nos permitem! E como disse Rubem Alves: &#8220;Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A natureza é cíclica e tudo que brota da terra vai para a terra, mesmo após transformações recebidas pela ação do homem. Tudo que temos e precisamos origina-se da natureza. Já dizia Jung (2011, v. 10/1, par. 514), com muita sabedoria: &#8220;Por mais que joguemos fora a natureza por meio da força, ela sempre retorna&#8221;. Saber esperar é um aprendizado tão importante para ser resgatado nesta sociedade imediatista e consumista que estamos inseridos. É preciso trabalhar o valor de aguardar e confiar, assim como a natureza nos mostra seus ciclos de produção em que ocorre o tempo de plantar e o de colher, época de estiagem das águas, época de reprodução e relação com o processo natural do amanhecer e anoitecer. Nestas vivências, pequenas frustrações nos preparam para as maiores que virão como processo natural da vida. É preocupante o aumento de crianças medicadas com ansiolíticos, sem falar do suicídio na adolescência. Doenças emocionais, físicas e espirituais se alastrando, pessoas correndo contra o tempo e cada vez mais doentes, sem transformar seus sintomas em expressões simbólicas. Diante desta realidade, também cabe à nós psicoterapeutas resgatarmos o valor da natureza, que nos dá limite, que é organizador e estruturante, possibilitando administrar as frustrações do nosso imediatismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para finalizar, trago mais uma citação de Jung (1981, v.16/1, Par. 153), que nos remete ao valor do trabalho do psicoterapeuta: &#8220;Uma árvore que cresceu torta não endireita com uma confissão, nem com esclarecimento, mas que ela só pode ser aprumada pela arte e técnica de um jardineiro.&#8221; Assim como o jardineiro que planta, poda, aduba e faz florescer, nós psicoterapeutas &#8211; jardineiros da psique &#8211; podemos ajudar a embelezar seres humanos em busca de sentido e significado, desconstruindo crenças, ajudando a criarem recursos internos para suportarem as podas necessárias e viverem com mais exuberância no florescer de suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, Especialista em Psicossomática e Analista Junguiana em formação pelo Ijep.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brasília &#8211; DF</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem. Postado em textos, crônicas e poesias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, 1981, v.16/1, Par. 153.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, 2011, v. 8/2, par. 780.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, 2011, v. 9/2, par. 78.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, 2011, v. 10/1, par. 514</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, 2011, v. 10/3, par. 882</p>



<p class="wp-block-paragraph">MCGUIRE, W.; HULL, R. F. C. C. G. Jung: entrevistas e encontros. 1. ed. São Paulo: Cultrix, 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NASCIMENTO, Milton.&nbsp; O Cio da Terra &#8211; GERAES, EMI Odeon Brazil,1976.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/psicoterapeutas-jardineiros-da-psique/">Psicoterapeutas: jardineiros da psique</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
