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	<title>Arquivos sombra coletiva - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos sombra coletiva - Blog IJEP</title>
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		<title>Sombra, Trauma e Desumanização: Uma leitura Junguiana da Guerra em Gaza a partir do caso Hind Rajab</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 19:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como somos capazes de nos acostumar com o intolerável? Neste ensaio, guiado pela psicologia de Carl Gustav Jung e pelo impacto do filme A Voz de Hind Rajab, reflito sobre as raízes psicológicas da barbárie em Gaza. O texto investiga como projetamos nossas sombras no outro e faz um chamado necessário: precisamos despertar da nossa letargia ética e resgatar a empatia antes que a perda da humanidade se torne a nossa rotina.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/uma-leitura-junguiana-da-guerra-em-gaza/">Sombra, Trauma e Desumanização: Uma leitura Junguiana da Guerra em Gaza a partir do caso Hind Rajab</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Resumo</strong>: Como somos capazes de nos acostumar com o intolerável? Neste ensaio, guiado pela psicologia de Carl Gustav Jung e pelo impacto do filme A Voz de Hind Rajab, reflito sobre as raízes psicológicas da barbárie em Gaza. O texto investiga como projetamos nossas sombras no outro e faz um chamado necessário: precisamos despertar da nossa letargia ética e resgatar a empatia antes que a perda da humanidade se torne a nossa rotina.</p>



<p><strong>Palavras-chave: Sombra, inconsciente coletivo, guerra</strong></p>



<p>Escrevo este ensaio movida por um incômodo profundo, daqueles que não nos deixam em paz. Diante do que vemos em Gaza, tentar manter um distanciamento ou pesar as palavras me parece quase uma ofensa: a devastação ordenada de civis, o sofrimento infantil, a repetição atroz de cenas em que hospitais e ambulâncias deixam de ser lugares de cuidado para integrar a paisagem dos escombros. Diante disso, eu me pergunto o que acontece com a alma de uma sociedade quando ela se acostuma ao intolerável. Não recorro a Jung para substituir a análise histórica, política ou jurídica do conflito, mas porque sinto a necessidade de um outro plano de compreensão. Penso que é necessário entender a relação entre aquilo que negamos em nós mesmos e a violência que retorna ao mundo.</p>



<p>Neste momento penso na frase de Jung em <em>Aion</em>: <em>“quando um fato interior não se torna consciente ele acontece exteriormente, sob a forma de fatalidade”</em> (JUNG, 2013a, § 126). Ela me parece decisiva porque liga a nossa recusa de olharmos para o nosso interior ao desastre histórico. O que não é reconhecido na consciência não desaparece, mas busca uma forma de se manter presente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-guerra-isso-significa-que-medos-agressoes-e-desejos-de-aniquilamento-sao-projetados-sobre-o-outro-o-outro-deixa-de-ser-percebido-como-um-semelhante-e-passa-a-ser-visto-como-ameaca-absoluta" style="font-size:17px">Na guerra, isso significa que medos, agressões e desejos de aniquilamento são projetados sobre o outro. O outro deixa de ser percebido como um semelhante e passa a ser visto como ameaça absoluta.</h2>



<p>É por isso que o caso de Hind Rajab me paralisa. Não estamos falando de um número, mas de uma criança real de aproximadamente 6 anos de idade, presa num carro alvejado, com seus familiares mortos, esperando por um socorro que terminou em mais tragédia. Em 2024, especialistas da ONU alertaram que a morte de Hind, de seus familiares e de dois paramédicos poderia configurar crime de guerra. Investigações particulares da <em>Forensic Architecture</em> sustentaram que a ambulância enviada para resgatá-la foi atingida ao chegar, apontando para fogo de tanque israelense.</p>



<p>A partir desse episódio insuportável, pergunto-me: como conceitos como sombra, projeção e dissociação nos ajudam a compreender a desumanização sem dissolver a responsabilidade de quem aperta o gatilho? E o que essa morte revela sobre a sombra que paira sobre todos nós?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-projecao-do-mal-e-a-fabricacao-do-inimigo"><strong>A projeção do mal e a fabricação do inimigo</strong></h2>



<p>Ainda em <em>Aion</em>, Jung nos adverte contra a tendência confortável de reduzir o mal a uma simples privação do bem. Na experiência psíquica, ele surge de forma densa, como <em>“o oposto do bem”</em> (JUNG, 2013ª, § 75). Essa constatação é central para pensarmos como a desumanização opera. Sempre que uma cultura ou comunidade se imagina plenamente pura ou justa, ela obrigatoriamente precisa despejar a sua negatividade em algum lugar. O inimigo, então, deixa de ser um adversário histórico real e vira o depósito simbólico de tudo aquilo que não suportamos reconhecer em nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-nao-e-apenas-fruto-de-uma-estrategia-politica-a-imagem-do-inimigo-absoluto-mobiliza-estruturas-muito-mais-arcaicas-da-nossa-imaginacao" style="font-size:17px">Isso não é apenas fruto de uma estratégia política. A imagem do inimigo absoluto mobiliza estruturas muito mais arcaicas da nossa imaginação.</h2>



<p>Em <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>, Jung lembra que há uma parte da psique que não deriva da nossa experiência pessoal, formada por conteúdos que <em>“nunca estiveram na consciência”</em> (JUNG, 2014a, § 88). Quando ativamos esses gatilhos, despertamos medos profundos e fantasias de extermínio.</p>



<p>É por isso que a constatação de Jung, no prefácio à 1ª edição da<em> Psicologia do inconsciente</em>, soa tão atual e perturbadora: <em>“o homem civilizado ainda é um bárbaro”</em>, e <em>“a psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações” </em>(JUNG, 2014b). O nosso aprimoramento tecnológico não elimina a barbárie, mas na maioria das vezes, apenas a torna mais justificado. Quando o outro passa a concentrar toda a obscuridade que negamos em nós, ele adquire um efeito <em>“mágico ou demoníaco” </em>(JUNG, 2014b, § 155) sobre nossa percepção. A desumanização nada mais é do que a face política dessa cisão psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-observa-como-o-peso-das-massas-sufoca-o-individuo-e-alerta-para-o-perigo-da-cega-lei-natural-das-massas-em-movimento-jung-2013b-326" style="font-size:17px">Jung observa como o peso das massas sufoca o indivíduo e alerta para o perigo da <em>“cega lei natural das massas em movimento” </em>(JUNG, 2013b, § 326).</h2>



<p>Entendo tal ideia como um alerta para o nosso tempo: o turbilhão das emoções coletivas, somado ao medo e ao ressentimento, funciona como uma anestesia para a nossa consciência moral, substituindo o pensamento crítico por explicações levianas. Nos comportamos frequentemente como animais que inventam inimigos. As guerras funcionam como apavorantes <em>&#8220;dramas da sombra&#8221;</em> onde tentamos trucidar fora o que negamos dentro, amparados na perigosa ilusão dualista de que <em>&#8220;nós somos inocentes; eles são culpados&#8221;</em> (ZWEIG; ABRAMS, 2024). Antes da bala, vem a redução moral. É preciso ensinar uma sociedade a ver certas vidas como menos valiosas e dignas de luto para que se possa matar sem culpa.</p>



<p>O que mais me atormenta, porém, é que a sombra não pertence só ao outro lado. Ela paira sobre todos nós: sobre nações, religiões, projetos políticos e, também sobre as pessoas que observam distantes, que consomem a dor alheia através de imagens. Reconhecer isso não relativiza a responsabilidade, mas apenas impede a tranquilidade moral de quem acredita estar inteiramente fora do problema por fantasiosamente ser apenas uma boa pessoa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-voz-da-pequenina-hind-rajab"><strong>A voz da pequenina Hind Rajab</strong></h2>



<p>O que me assombra na morte de Hind Rajab é como ela arranca todas as máscaras da guerra. Nenhuma teoria estratégica ou desculpa de contenção de dano colateral consegue esconder a brutalidade de uma criança pequena, presa entre os cadáveres da própria família, suplicando por socorro ao telefone por horas. Segundo relatos desoladores, os corpos dela e dos paramédicos só foram localizados doze dias depois, um fato que despedaça qualquer justificativa de guerra. Diante dessa espera no escuro, termos técnicos como operação ou alvo soam falsos. O que resta é a materialidade incontornável da dor: como pode uma criança tão pequena ser deixada por tanto tempo entre mortos, implorando por uma ajuda que não chega?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-analista-junguiano-donald-kalsched-nos-oferece-uma-ideia-importante-para-pensar-esse-abismo" style="font-size:17px">O analista junguiano Donald Kalsched nos oferece uma ideia importante para pensar esse abismo.</h2>



<p>Ele define o trauma como uma experiência que causa uma dor psíquica tão insuportável que ameaça quebrar o próprio &#8220;eu&#8221;, forçando a mente a se dissociar para conseguir sobreviver. Citando Jung, Kalsched lembra que o trauma se impõe à consciência <em>&#8220;como um inimigo ou animal selvagem&#8221;</em>. Mas ao trazer essa teoria para cá, me imponho um limite ético: recuso-me a banalizar o sofrimento de Hind transformando-a num mero símbolo clínico. A teoria só tem serventia se nos impedir de desviar o olhar da vítima real. A criança, aqui, não é uma metáfora, é a prova física e real de que toda a linguagem que tenta higienizar e justificar a guerra fracassou.</p>



<p>É justamente por essa necessidade de não nos deixarmos cegar que o filme <em>A voz de Hind Rajab</em>, dirigido por Kaouther Ben Hania, ganhou uma dimensão muito maior do que a de uma simples obra cinematográfica. O longa estreou em Veneza, ganhou o Grande Prêmio do Júri e alcançou a indicação ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional. O que realmente importa aqui não é o glamour do prêmio, mas a vitrine mundial que ele proporcionou.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-um-momento-em-que-boa-parte-da-populacao-global-consome-o-massacre-em-gaza-em-um-estado-de-total-anestesia-moral-pois-as-pessoas-se-acostumaram-com-o-intoleravel" style="font-size:17px">Vivemos um momento em que boa parte da população global consome o massacre em Gaza em um estado de total anestesia moral, pois as pessoas se acostumaram com o intolerável.</h2>



<p>Nesse cenário, o filme chegar à maior premiação do cinema atual como um choque de realidade em nossa consciência coletiva. Ao incluir o áudio real das ligações de socorro, o filme nos tranca no carro com Hind. Ele nos obriga a ouvir a voz aguda da menina e o desespero exausto dos atendentes do Crescente Vermelho Palestino. O cinema, nesse caso, arranca o espectador da dormência e o obriga a permanecer no tempo infinito daquela espera, tentando trazer de volta a humanidade que a guerra nos roubou.</p>



<p>E é essa mesma imersão na escuta que torna o fracasso do resgate ainda mais revoltante. As investigações sustentam que a ambulância enviada para salvar Hind foi bombardeada ao chegar, um ato que especialistas da ONU apontaram como possível crime de guerra. O que me escandaliza não é apenas a morte, mas a falência total da compaixão humana. Há o pedido de socorro, há o esforço desesperado de adultos para coordenar o resgate, há a ambulância a caminho&#8230; e tudo termina em escombros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-consigo-olhar-para-isso-sem-ver-a-destruicao-do-proprio-conceito-de-refugio" style="font-size:17px"><strong>Não consigo olhar para isso sem ver a destruição do próprio conceito de refúgio.</strong></h2>



<p>É neste ponto que a sombra deixa de ser um conceito e se revela como a fumaça que paira sobre todos nós: que escuridão tomou conta do mundo se já não somos capazes de paralisar uma guerra diante do choro de uma criança ferida? Talvez a escrita deste ensaio seja apenas a minha forma particular de ecoar o que o filme tenta fazer em grande escala: um alerta mínimo, mas necessário, contra a nossa própria anestesia. A humanidade não pode simplesmente se acostumar ao intolerável.</p>



<p>E, para quem assistiu ao filme, permaneçamos com o silêncio ensurdecedor de seu final trágico nada fictício, e com as lágrimas desoladoras que inevitavelmente nos turvam o olhar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-humanidade-precisa-de-esperanca"><strong>A Humanidade precisa de esperança</strong></h2>



<p>Chegar ao fim desta reflexão é ter a certeza de que a barbárie não se inicia no campo de batalha. O processo de desumanização começa muito antes de qualquer disparo ser feito ou de qualquer bomba atingir o chão. Ele nasce na nossa intimidade adoecida, na absoluta incapacidade de lidar com as nossas próprias fragilidades e no hábito perigoso de transferir para o outro a escuridão que negamos em nós mesmos. Quando uma criança indefesa, presa em um carro cercado por escombros, passa a ser tratada pela linguagem oficial como um simples detalhe em um cálculo militar, não estamos lidando apenas com a brutalidade esperada de uma guerra. Estamos diante da destruição completa do nosso próprio vínculo ético e civilizatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-duvida-que-me-persegue-incessantemente-e-se-algum-dia-teremos-a-lucidez-de-perceber-a-nossa-propria-sombra-antes-que-ela-se-materialize-em-politicas-de-exterminio" style="font-size:17px">A dúvida que me persegue incessantemente é se algum dia teremos a lucidez de perceber a nossa própria sombra antes que ela se materialize em políticas de extermínio.</h2>



<p>A história insiste em nos mostrar que, na grande maioria das vezes, só reconhecemos o tamanho da ruína quando ela já esmagou a vida de quem não tinha como se defender. Por isso, o incômodo visceral que me levou a escrever estas páginas precisa continuar existindo e incomodando. A força destrutiva da violência não recobre apenas aqueles que dão as ordens cruéis ou que puxam os gatilhos. Ela ameaça de forma silenciosa e letal a todos nós que somos apenas observadores distantes. Ela envenena os que buscam justificativas lógicas para o absurdo, os que preferem a segurança da omissão e todos aqueles que, dia após dia, aprendem a olhar para a dor dos outros através de uma tela sem sentir absolutamente nada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nossa-tarefa-etica-mais-urgente-portanto-e-a-recusa-ativa-e-constante-dessa-anestesia" style="font-size:17px">A nossa tarefa ética mais urgente, portanto, é a recusa ativa e constante dessa anestesia.</h2>



<p>Compreender que a nossa cegueira interior inevitavelmente retorna ao mundo como fatalidade nos impõe um desafio muito duro, que é a coragem de não despejar sobre o próximo os monstros que não queremos encarar no espelho. Não podemos permitir que o excesso de tragédias nos transforme em cúmplices mudos. A nossa humanidade só terá alguma chance de continuar existindo se o desespero de uma menina real, com um nome, um rosto e uma vida brutalmente interrompida, continuar nos ferindo profundamente. A tragédia de Hind Rajab exige de nós o compromisso inegociável de manter viva a indignação e de jamais aceitar o intolerável como rotina.</p>



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<iframe title="SOMBRA, TRAUMA E DESUMANIZAÇÃO: UMA LEITURA JUNGUIANA DA GUERRA EM GAZA A PARTIR DO CASO HIND RAJAB" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/4QIKay5t8Ac?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-biscalquim-de-andrade/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-biscalquim-de-andrade/">Fernanda Biscalquim de Andrade – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata pelo IJEP</a></strong></p>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p><em>A Voz de Hind Rajab (The Voice of Hind Rajab)</em>. Direção: Kaouther Ben Hania. Tunísia; França: Mime Films, 2025. 1 vídeo (89 min), son., color. Disponível em: Prime Video. Acesso em: 14 mar. 2026.</p>



<p>FORENSIC ARCHITECTURE. <em>The killing of Hind Rajab. 2024.</em> Disponível em: <a href="https://forensic-architecture.org/investigation/the-killing-of-hind-rajab">https://forensic-architecture.org/investigation/the-killing-of-hind-rajab</a> . Acesso em: 18 mar. 2026.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Aion: estudo sobre o simbolismo do si-mesmo.</em> 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>__________________ Civilização em transição. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>__________________ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p>__________________ <em>Psicologia do inconsciente.</em> 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014b.</p>



<p>KALSCHED, Donald. <em>O mundo interior do trauma: Defesas arquetípicas do espírito pessoal. </em>1. ed. São Paulo: Paulus Editora, 2014.</p>



<p>ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah. <em>Ao encontro da sombra: um estudo sobre o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. </em>1. ed. São Paulo: Cultrix. 2024.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-menino-ney-a-peleja-entre-o-puer-e-a-sombra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Aimar Euzebio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 12:38:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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		<category><![CDATA[puer]]></category>
		<category><![CDATA[puer aeternus]]></category>
		<category><![CDATA[sombra coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neymar é uma figura controversa: por um lado, com seu "futebol moleque", é criativo, ousado e habilidoso; por outro, um homem infantilizado, inconsequente e sombrio. Ao "homenino", tudo é permitido e concebido. Neymar foi colocado numa espécie de Terra do Nunca e não quer sair de lá. Em terminologia junguiana, Neymar está identificado com Puer aeternus, o arquétipo da criança-divina que, quando na polaridade negativa, a pessoa fica presa nunca espécie de adolescência e se recusa a amadurecer. Neste ensaio, proponho, de forma despretensiosa, um diálogo entre a teoria junguiana e as narrativas midiáticas, em um exercício argumentativo e hipotético, para explorar o arquétipo do puer aeternus, tomando Neymar como referência.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Neymar é uma figura controversa: por um lado, com seu &#8220;futebol moleque&#8221;, é criativo, ousado e habilidoso; por outro, um homem infantilizado, inconsequente e sombrio. Ao &#8220;homenino&#8221;, tudo é permitido e concebido. Neymar foi colocado numa espécie de Terra do Nunca e não quer sair de lá. Em terminologia junguiana, Neymar está identificado com Puer aeternus, o arquétipo da criança-divina que, quando na polaridade negativa, a pessoa fica presa nunca espécie de adolescência e se recusa a amadurecer. Neste ensaio, proponho, de forma despretensiosa, um diálogo entre a teoria junguiana e as narrativas midiáticas, em um exercício argumentativo e hipotético, para explorar o arquétipo do puer aeternus, tomando Neymar como referência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-percebe-se-que-na-sociedade-contemporanea-em-sua-rica-diversidade-ha-uma-notavel-e-crescente-tendencia-de-rejeitar-o-processo-natural-do-envelhecimento" style="font-size:18px">Percebe-se que na sociedade contemporânea, em sua rica diversidade, há uma notável e crescente tendência de rejeitar o processo natural do envelhecimento.</h2>



<p style="font-size:18px">Uma espécie de sombria pressão social para manter a imagem jovial, levando muitas pessoas a se sentirem compelidas a buscar meios extremos para retardar ou até mesmo reverter sinais de envelhecimento, a manter corpos perfeitos e rostos sem rugas divulgados no narcísico espelho do Instagram. O apego à ideia da perpetuação da juventude não se limita apenas a preocupação estética; também pode refletir um temor do desconhecido, da perda de vitalidade e da inevitável aproximação da morte.</p>



<p style="font-size:18px">A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estima que em 2023 mais de 2 milhões de procedimentos foram realizados pelos brasileiros<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Em contrapartida, em 2022 o IBGE apontou aumento da longevidade nos cidadãos do nosso país<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>.</p>



<p style="font-size:18px">Estamos imersos num Espírito da Época no qual a juventude é exaltada de forma exacerbada e a velhice é temida. Para Jung, o termo Espírito da Época, ou &#8220;Zeitgeist&#8221; em alemão, refere-se ao conjunto de ideias, valores, crenças, atitudes e comportamentos que predominam em uma determinada época ou cultura. É como um &#8220;clima psicológico&#8221; que molda a forma como as pessoas pensam, sentem e se comportam. O temor e a aversão ao envelhecimento permeiam tanto o inconsciente individual quanto o coletivo na contemporaneidade. Segundo a máxima de que &#8220;o que está fora também está dentro&#8221;, essa apreensão também pode estar profundamente ligada ao arquétipo do <em>puer aeternus</em>, o eterno jovem, pois reflete uma relutância em aceitar o processo natural de maturação e envelhecimento que caracteriza a jornada da vida.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Von-Franz</strong> (1992, p. 9) reflete acerca do <em>puer aeternus</em> como arquétipo do deus criança-divina, “o deus da vida, da morte e da ressurreição — o deus da juventude divina, correspondente aos deuses orientais Tamuz, Átis e Adônis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-titulo-puer-aeternus-portanto-significa-juventude-eterna" style="font-size:18px">O título puer aeternus, portanto, significa juventude eterna&#8221;.</h2>



<p style="font-size:18px">O <em>puer aeternus</em>, ou &#8220;eterno jovem&#8221;, é um arquétipo que representa uma pessoa que se recusa a amadurecer emocionalmente, preferindo permanecer em um estado de juventude e irresponsabilidade. De forma apressada e bastante resumida, em sua polaridade negativa, os <em>pueri</em> &nbsp;(plural de puer e puella) apresentam relutância em assumir responsabilidades consideradas adultas; buscam continuamente liberdade e aventura; têm a tendência a evitar compromissos duradouros; se recusam em enfrentar as realidades do envelhecimento e da maturidade emocional; buscam (por vezes de forma desesperada) pela preservação da juventude e da vitalidade física; são muito impacientes e volúveis emocionalmente; possuem um <em>donjuanismo</em> e dificuldades em estabelecer vínculos afetivos como característica, e enorme dificuldade de adaptação a rotina.</p>



<p style="font-size:18px">O sociólogo e filósofo <strong>Zygmunt Bauman</strong> (2001, p. 8) reflete que as principais características da modernidade líquida são: &nbsp;desapego, provisoriedade e acelerado processo da individualização, tempo de liberdade e, concomitantemente, de insegurança. Talvez o Espírito da Época esteja tão líquido quanto as relações estabelecidas pelo “espírito <em>puer”</em> que pulsa na contemporaneidade.</p>



<p style="font-size:18px">Os fluidos se movem facilmente. Eles &#8216;fluem&#8217;, &#8216;escorrem&#8217;, &#8216;esvaem-se&#8217;, &#8216;respingam&#8217;, &#8216;transbordam&#8217;, &#8216;vazam&#8217;, &#8216;inundam&#8217;, &#8216;borrifam&#8217;, &#8216;pingam&#8217;, são &#8216;filtrados&#8217;, &#8216;destilados&#8217;; diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos &#8211; contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho&#8230; Associamos &#8216;leveza&#8217; ou &#8216;ausência de peso&#8217; à mobilidade e à inconstância: sabemos pela prática que quanto mais leves viajamos, com maior facilidade e rapidez nos movemos (Bauman, 2001, p. 8).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-analise-didatica-trabalharemos-a-figura-publica-e-polemica-de-neymar-jr-o-menino-ney-para-refletir-nao-apenas-o-puer-que-o-habita-mas-a-sombra-projetada-em-seu-estilo-de-vida" style="font-size:18px">Como análise didática, trabalharemos a figura pública e polêmica de Neymar Jr, o “menino Ney”, para refletir não apenas o <em>puer</em> que o habita, mas a sombra projetada em seu estilo de vida.</h2>



<p style="font-size:18px">A intenção é dialogar com a teoria no campo da Psicologia Analítica e das notícias coletadas na mídia, num exercício argumentativo e hipotético, sem nenhuma pretensão de limitar ou fechar o tema.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar da Silva Santos Júnior, aos 11 anos de idade, chegou às categorias de base do Santos, de onde não saiu mais até tornar-se profissional. Dotado de grande talento e virtuosismo, à medida que o adolescente crescia sustentava precocemente a família com seu salário, promovendo gradativamente a melhora no padrão de vida parental<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>.</p>



<p style="font-size:18px">Com suas jogadas criativas, Neymar possui singular capacidade de driblar em espaços apertados, escapar da marcação de vários jogadores e criar oportunidades de gol para si mesmo e para seus companheiros de equipe. Sua visão antecipa as jogadas e, por vezes, resulta em assistências decisivas. É um jogador extremamente criativo, buscando maneiras de surpreender seus adversários, pois não tem medo de tentar formas ousadas e inventivas em campo. Tudo isso temperado com um “jeito moleque”, conquistou o coração dos torcedores e a atenção dos clubes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hiper-estimulado-e-protegido-pelos-pais-desejado-e-promovido-pelos-clubes-enaltecido-e-ovacionado-pelos-fas-nao-demorou-muito-para-sua-meteorica-ascensao" style="font-size:18px">Hiper estimulado e protegido pelos pais, desejado e promovido pelos clubes, enaltecido e ovacionado pelos fãs, não demorou muito para sua meteórica ascensão.</h2>



<p style="font-size:18px">Um profissional de alto rendimento como ele requer compromisso e dedicação, mas Neymar driblou as regras e viveu uma vida permeada de festas, romances, escândalos financeiros e sexuais. De certo modo, parte de seus admiradores o isentam de suas responsabilidades quando o tratam por “menino Ney”. Ao menino, tudo é permitido e concedido.</p>



<p style="font-size:18px">Em geral, aquele que se identifica com o arquétipo do <em>puer aeternus</em> “<em>permanece durante muito tempo como adolescente, isto é, todas aquelas características que são normais em um jovem de dezessete ou dezoito anos continuam na vida adulta, juntamente com uma grande dependência da mãe</em>” em boa parte dos casos (VON-FRANZ, 1992, p. 9).</p>



<p style="font-size:18px">Em sua polaridade positiva, os <em>pueri</em> são muito criativos, estimulantes e mantém o charme da juventude. São divertidos, interessantes, agradáveis de conversar desde que sejam conversas superficiais, não gostam de situações convencionais. <strong>Geralmente o charme juvenil do <em>puer aeternus</em> se prolonga até os últimos estágios da vida</strong> (VON-FRANZ, 1992, p. 9).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-e-novidade-que-neymar-tem-um-lado-religioso-e-nao-esconde-de-ninguem" style="font-size:18px">Não é novidade que Neymar tem um lado religioso e não esconde de ninguém.</h2>



<p style="font-size:18px">Evangélico e conservador, suas polêmicas são antigas&#8230; Em 2015 usou faixa na cabeça escrita 100% Jesus ao ganhar a Liga dos Campeões jogando pelo Barcelona durante a comemoração no estádio olímpico de Berlim, após a vitória por 3 a 1 sobre o Juventus. Tal manifestação causou polêmica na França, e os torcedores o acusaram nas redes sociais de proselitismo religioso<a id="_ftnref4" href="#_ftn4">[4]</a>. Outra polêmica foi ostentar um enorme crucifixo ao desembarcar na Arábia Saudita, para se apresentar ao seu time (islâmico) contratante Al Hilal<a id="_ftnref5" href="#_ftn5">[5]</a>. Numa atitude desrespeitosa e arrogante, o <em>puer</em> Neymar percebe-se como alguém especial, e que “não tem necessidade de adaptar-se, pois as pessoas é que têm que adaptar-se a um gênio como ele” (VON FRANZ, 1992, p.10).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-paradoxalmente-o-lado-evangelico-de-neymar-e-facilmente-sublimado-pelas-festas-babilonicas-que-promove-numa-combinacao-de-ostentacao-mulheres-bebidas-e-sabe-se-la-quais-outras-situacoes-dionisiacas-algumas-de-suas-festas-duram-dias-promovidas-de-casas-a-cruzeiros" style="font-size:18px">Paradoxalmente, o lado evangélico de Neymar é facilmente sublimado pelas festas babilônicas que promove. Numa combinação de ostentação, mulheres, bebidas e sabe-se lá quais outras situações dionisíacas, algumas de suas festas duram dias, promovidas de casas à cruzeiros.</h2>



<p style="font-size:18px">Como vimos anteriormente, desde menino, ao revelar sua enorme habilidade, obteve o apoio obsessivo e incondicional do pai, ex-jogador fracassado, que incentivou o jovem a alavancar sua carreira. Neymar Jr vive a vida não vivida de seu pai; este mesmo que, ao projetar sua vida frustrada no filho, o impede de crescer e ser responsável por seus atos.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar pai, assume as inconsequências do filho para que os problemas não atrapalhem sua performance dentro de campo. Problemas como sonegação de impostos na Espanha; liberação da acusação de amigos por estupro; atenuar as acusação do filho de traições amorosas; minimizar os flagras das festas quando deveria estar recluso se recuperando de lesões entre outros escândalos. Hiper protegido pelo pai e blindado das consequências de seus atos, o menino Ney é mantido cativo numa espécie de Terra do Nunca pela figura paterna.</p>



<p style="font-size:18px">Não assumir a consequência de seus atos faz com que a sombra emerja, pois, conforme Jung (2013, OC 9/2, §14) “<em>a sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais</em>”. Neste processo de conscientização, é necessário reconhecer os aspectos sombrios da personalidade como eles realmente são. Essa prática é uma base essencial para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, costuma enfrentar resistência significativa.</p>



<p style="font-size:18px">A relação com a mãe é de quase reverência. Seu iate, palco de várias festas, foi batizado de Nadine, em deferência a ela. Em seu Instagram pessoal, Neymar fez uma homenagem no dia das mães se referindo como “minha super heroína”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="553" height="413" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4.png" alt="" class="wp-image-11664" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4.png 553w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-300x224.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-150x112.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image-4-450x336.png 450w" sizes="(max-width: 553px) 100vw, 553px" /></figure>



<p>Fonte: Instagram – acesso em 12 mar. 2023</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2001-p-98-diz-que-o-aspecto-negativo-do-puer-aeternus-indica-o-si-mesmo-preso-no-inconsciente-e-que-nao-se-realiza-na-pratica-o-desenvolvimento-bloqueado-depende-muitas-vezes-de-uma-ligacao-muito-estreita-do-filho-com-a-mae" style="font-size:18px">Jung (2001, p. 98) diz que o aspecto negativo do <em>puer aeternus</em> indica o “<em>si mesmo preso no inconsciente e que não se realiza na prática. O desenvolvimento bloqueado depende muitas vezes de uma ligação muito estreita do filho com a mãe</em>”.</h2>



<p style="font-size:18px">Por sua vez, a mãe não esconde uma predileção em namorar homens muito mais jovens, atléticos, na mesma faixa etária do filho. Podemos arriscar a pensar em projeção, uma vez que, para Jung (2013, OC 6, §881), projeção significa “<em>transferir para o objeto um processo subjetivo” e que “pertencem à esfera da sombra, isto é, ao lado obscuro da própria personalidade</em>” (JUNG, 2013, OC 9/2, §19).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-idealizacao-da-mae-pelo-filho-ocorre-devido-a-uma-serie-de-razoes-que-pode-incluir-a-tentativa-de-preenchimento-do-vazio-emocional-na-busca-por-realizacao-pessoal-atraves-do-sucesso-dele" style="font-size:18px">Essa idealização da mãe pelo filho ocorre devido a uma série de razões, que pode incluir a tentativa de preenchimento do vazio emocional na busca por realização pessoal através do sucesso dele.</h2>



<p style="font-size:18px">Neste caso, a mãe pode demonstrar comportamento superprotetor e manipulador em relação ao filho, além de codependência emocional, onde ela inconscientemente espera que o filho atenda suas necessidades; tentativa de controle; dificuldade em aceitar a falibilidade do filho (que, aos olhos dela, é sempre perfeito).</p>



<p style="font-size:18px">Por outro lado, o filho fica inconscientemente estigmatizado na condição de “pequeno príncipe”, infantilizado e fragilizado, e tem a tendência de buscar a mãe projetivamente em suas companheiras. Uma espécie de “donjuanismo” faz com que o filho inconscientemente reproduza as dinâmicas experimentadas com a mãe em seus relacionamentos amorosos, buscando parceiras com características semelhantes a ela. O menino Ney coleciona beldades e pouco se fixa nas relações, numa falta de comprometimento afetivo com as mulheres que se envolve. Num misto de encantamento e tédio, envolve-se amorosamente, mas trai suas companheiras, expondo-as, por vezes, a situações públicas e constrangedoras.</p>



<p style="font-size:18px">Além deste imbróglio familiar que foi levantado de forma tão didática e despretensiosa neste texto, temos os amigos. Neymar é como <strong>Peter Pan</strong> cercado por seus &#8220;parças&#8221;, os amigos inseparáveis que decidiram ter como missão na vida desfrutar do reino do amigo-príncipe. E o acompanham pelo mundo, aplaudindo, incentivando, defendendo e desfrutando de privilégios que nunca teriam, graças à fortuna do menino Ney, sem jamais o contrariar ou o questionar. Os “parças” são uma espécie de meninos perdidos da Terra do Nunca, que veem em Peter Pan seu ídolo, inspiração e chefe.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neymar-e-talentoso-milionario-vive-de-forma-luxuosa-se-relaciona-com-as-mais-lindas-mulheres-com-mais-de-221m-de-seguidores-1-no-instagram-seu-estilo-de-vida-e-cobicado-por-milhares-de-fas" style="font-size:18px"><strong>Neymar é talentoso, milionário, vive de forma luxuosa, se relaciona com as mais lindas mulheres. Com mais de 221M de seguidores<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a> no Instagram, seu estilo de vida é cobiçado por milhares de fãs.</strong></h2>



<p style="font-size:18px"><strong>Fica a reflexão que talvez Neymar seja uma espécie de receptáculo da sombra coletiva</strong>, pois, “<em>a sombra coletiva, agregada e institucional sempre contém a sombra não examinada de cada um de nós. Aquilo do qual somos inconscientes, ou não desejamos enfrentar, contribuirá para nossa sombra coletiva e institucional</em>” (HOLLIS, 2010, p. 138).</p>



<p style="font-size:18px">No caso de Neymar, a figura do <em>puer aeternus</em> resplandece com força arquetípica. Ele é o menino eterno, brincante, seduzido pelo instante orgástico, pela leveza irresponsável do agora. Esse puer, ainda que fascinante, provoca inquietação, pois nos lembra tanto o desejo secreto de viver livres das amarras quanto o risco de sermos devorados pela própria recusa em amadurecer. Sua conduta desperta nossas sombras individuais e coletivas, pois revela aquilo que por vezes ocultamos: a nossa dificuldade em sustentar escolhas, limites, consequências, e o desejo de uma sedutora vida permeada de luxos e facilidades.</p>



<p style="font-size:18px">Neymar encarna, assim, uma mensagem ambígua e um tanto sombria: a de que a juventude e a liberdade podem ser buscadas a qualquer custo, mesmo quando o preço é a erosão do compromisso, o adiamento da responsabilidade e a impossibilidade de sustentar um eixo interno mais maduro. Ele nos confronta com o dilema eterno entre o impulso do puer brincante e a exigência transformadora da vida adulta, dilema que, no fundo, pertence menos ao atleta e mais ao inconsciente deste “homenino”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;O menino Ney: a peleja entre o puer e a sombra em Neymar&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/05CtpCSpQxE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/daniela/">Me. Daniela A. Euzebio – Didata em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>BAUMAN, Zygmunt. Modernidade liquida. Rio de Janeiro: Zahar,</p>



<p>2001</p>



<p>HILLMAN, James. O livro do Puer: ensaios sobre o Arquétipo do Puer Aeternus. São Paulo: Paulus, 1998.</p>



<p>HOLLIS, James. A sombra interior. Por que pessoas boas fazem coisas ruins? São Paulo &#8211; Novo Século, 2010.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Cartas, Volume I. São Paulo: Ed. Vozes, 2001.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 6).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Aion &#8211; Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 9/2).</p>



<p>VON FRANZ, Marie-Louise. Puer Aeternus: a luta do adulto contra o paraíso da infância. 2ª ed. São Paulo: Paulus,1992.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Acesso em 22 de abril de 2024</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> Fonte: <a href="https://www.sbcp-sp.org.br/na-midia/cirurgias-plasticas-devem-somar-2-milhoes-de-procedimentos-em-2023-aponta-pesquisa/">https://www.sbcp-sp.org.br/na-midia/cirurgias-plasticas-devem-somar-2-milhoes-de-procedimentos-em-2023-aponta-pesquisa/</a>. Acesso em 29 jan. 2023.</p>



<p><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> Fonte: <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/expectativa-de-vida-sobe-de-768-para-77-anos-no-brasil-diz-ibge/">https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/expectativa-de-vida-sobe-de-768-para-77-anos-no-brasil-diz-ibge/</a>. Acesso em 29 jan. 2023.</p>



<p><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> Fonte: Wikipedia. Disponiível em: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#Biografia">https://pt.wikipedia.org/wiki/Neymar#Biografia</a>. Acessado em: 19 fev. 2024.</p>



<p><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> Fonte: Le Figaro. Disponível em <a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/le-figaro-diz-que-faixa-de-neymar-100-jesus-foi-vista-como-proselitismo-por-torcedores/197437074#:~:text=Campe%C3%A3o%20pela%20primeira%20vez%20da,o%20jornal%20%E2%80%9CLe%20Figaro%E2%80%9D">https://www.jusbrasil.com.br/noticias/le-figaro-diz-que-faixa-de-neymar-100-jesus-foi-vista-como-proselitismo-por-torcedores/197437074#:~:text=Campe%C3%A3o%20pela%20primeira%20vez%20da,o%20jornal%20%E2%80%9CLe%20Figaro%E2%80%9D</a>. Acesso em 22 abr. 2024</p>



<p><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> Fonte: Metrópole. Disponível em <a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/neymar-chama-atencao-ao-chegar-na-arabia-saudita-com-crucifixo-veja">https://www.metropoles.com/entretenimento/neymar-chama-atencao-ao-chegar-na-arabia-saudita-com-crucifixo-veja</a>. Acesso em 22 abr. 2024.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A carga do bode expiatório na dinâmica do complexo familiar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-carga-do-bode-expiatorio-na-dinamica-do-complexo-familiar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Nov 2023 09:49:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
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		<category><![CDATA[Simbolismo]]></category>
		<category><![CDATA[sombra coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A carga do bode expiatório na dinâmica do complexo familiar trata do complexo do bode expiatório em seu surgimento e vivência na família, a partir do conto “A princesa determinada” e dos ensinamentos de Sylvia Perera em sua obra sobre esse complexo. O objetivo é perceber as características da vivência atual e que elementos de transformação são oferecidos pelo resgate simbólico do ritual hebraico do bode expiatório, na inspiração do conto e das considerações teóricas da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O presente artigo trata do complexo do bode expiatório em seu surgimento e vivência no dinamismo familiar, a partir do conto “A princesa determinada”.</em></p>



<p>Muito se usa em nossos dias a expressão “<strong>bode expiatório</strong>” para se referir às pessoas ou grupos sociais sobre os quais se joga uma carga de acusações e responsabilização. Como se fossem eles os “errados”, “feios”, “perigosos”, “estranhos”, enfim, os culpados por tudo o que se considera inaceitável no código moral e de comportamento daquele grupo. E até sobre outros males, como doenças ou calamidades. Normalmente, as ditas “minorias” recebem essas acusações.</p>



<p>Toma-se como base os ensinamentos de <strong>Sylvia Perera</strong> em sua obra sobre esse complexo, comparando o significado originário do ritual hebraico do bode expiatório e mesmo elementos anteriores com a forma como o complexo é vivido na atualidade, desconectados que estamos da fonte transpessoal.</p>



<p>O objetivo é perceber as características da vivência atual e que elementos de transformação são oferecidos pelo resgate simbólico do ritual, a partir da inspiração do conto e das considerações teóricas da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, curativos para a dor de quem vive tomado por esse complexo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-faz-alguem-ser-tomado-pelo-complexo-do-bode-expiatorio-e-que-ele-recebe-e-aceita-a-carga">O que faz alguém ser tomado pelo complexo do bode expiatório é que ele recebe e aceita a carga. </h2>



<p><strong>Complexo, segundo Jung (2018, §201), é “a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional [&#8230;], dotada de poderosa coerência interior”, com totalidade e grau de autonomia elevado, como se fosse um corpo estranho com vida própria, incompatível com a atitude habitual da consciência.</strong></p>



<p>O indivíduo até pode ser – e neste caso busca ser – bem-sucedido e corresponder ao máximo à moral vigente, mas a constelação do complexo sempre o fará se sentir uma fraude, inadequado e indigno, e a rejeição que sofre de fato confirmará esse autodesprezo e o colocará num círculo vicioso do qual é difícil sair.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-decadente-rei-acusador-e-os-exilados"><strong>O decadente rei acusador e os exilados</strong></h2>



<p>O conto “<strong>A princesa determinada</strong>” narra a estória de uma filha que se negou a concordar que a vontade do pai determinasse o seu destino e, exilada no deserto após anos na prisão, construiu a própria vida e o próprio reino, diferente, no qual outros “desencaixados” tinham lugar. Do rei era dito que: “acreditava na autoridade de tudo aquilo que lhe fora ensinado e de tudo aquilo que ele considerava correto” e que se tratava de “um homem justo, sob muitos aspectos, porém de ideias limitadas” (Perera, 2022, p. 160). Quando colocou a terceira filha na pequena cela, ao passo que ele e as outras duas, as obedientes, desfrutavam das riquezas, o povo do país pensou ter feito ela algo muito grave, pois ninguém jamais havia contestado a autoridade do rei. Este mesmo, a princípio, achava que a prisão mostrava ser a sua vontade soberana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-com-o-passar-dos-anos-sem-que-a-princesa-voltasse-atras-considerou-que-a-presenca-dela-enfraquecia-a-sua-autoridade-e-foi-ai-que-resolveu-bani-la-para-o-deserto" style="font-size:16px">No entanto, com o passar dos anos sem que a princesa voltasse atrás, considerou que a presença dela enfraquecia a sua autoridade e foi aí que resolveu bani-la para o deserto.</h2>



<p>Lá ela conseguiu ordenar a sua vida e descobriu que os elementos contribuíam para o todo, sem obedecer às ordens do rei. A princesa exilada casou-se com um viajante de posses e juntos construíram no deserto “uma imensa e próspera cidade em que sua sabedoria, seus recursos e sua fé eram expressos da maneira mais completa” (Perera, 2022, p. 161).</p>



<p>Ali se harmonizaram os “estranhos” e outros banidos, todos contribuindo de forma útil, a ponto de a cidade tornar-se mais poderosa e bela que o reino do pai da princesa. Ela e o marido foram eleitos os monarcas, por escolha dos habitantes. O rei resolveu conhecer aquele lugar que adquiriu tanta fama e era habitado por “aqueles aos quais ele e seus afins haviam desprezado.” Surpreendeu-se ao erguer os olhos aos monarcas, de cujo trono se aproximou com a cabeça curvada, e escutou estas palavras murmuradas por sua filha: “<strong>Vê, meu pai, como cada homem e mulher tem seu próprio destino e sua própria escolha</strong>.” (Perera, 2022, p. 162)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-primeiro-olhar-a-esse-conto-leva-a-identificar-os-estranhos-banidos-ao-deserto-pelo-aspecto-dominante-e-figura-parental-como-os-bodes-expiatorios-daquele-reino" style="font-size:18px">Um primeiro olhar a esse conto leva a identificar os “estranhos”, banidos ao deserto pelo aspecto dominante e figura parental, como os bodes expiatórios daquele reino.</h2>



<p>Afinal, este termo é usado atualmente para indicar indivíduos ou grupos tidos como os causadores de infortúnios. Indivíduos que carregam a <strong>sombra coletiva</strong>, e cuja acusação alivia os acusadores de sua responsabilidade e lhes fortalece o poder. No sacrifício hebreu do bode expiatório, que veremos adiante, existem dois bodes. Um bode sacrificado, oferecido ao Senhor, que redime e purifica. E outro bode expulso ao deserto, dedicado a Azazel (antes um deus ctônico, tornou-se o anjo decaído para os hebreus) que carrega os males e remove a culpa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-dois-tracos-sao-entao-a-vitima-e-o-perseguidor-demoniaco-o-acusador">Os dois traços são, então, a vítima e o perseguidor demoníaco, o acusador.</h2>



<p>“<strong>O acusador do bode expiatório é experimentado como uma moral elevada, mas ultrassimplificada, que representa virtudes coletivas e, portanto, opõe-se à vida instintiva</strong>” (Perera, 2022, p. 27), manifestado no conto na figura do rei. Aquele que deveria ser o regente, o centro diretor de uma totalidade equilibrada, em cujo reino cada elemento contribui de forma funcional e harmônica para o conjunto, está unilateralizado. Abusando do poder e da sua própria vontade. É um rei decadente, portanto, cujo papel está deturpado. A aparente prosperidade do seu reino tem os dias contados. Isto porque o governante não é alguém de visão, mas de ideias limitadas. Que encarcera e bane o princípio feminino, representado pela princesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-nao-se-submeter-ela-denuncia-a-deficiencia-do-pai-e-o-enfraquece">Ao não se submeter, ela denuncia a deficiência do pai e o enfraquece.</h2>



<p>Foi de cabeça curvada que, por fim, o rei precisou se aproximar daqueles “cuja reputação de justiça, prosperidade e compreensão ultrapassava em muito a sua” (Perera, p. 162), governantes dos desprezados e banidos por ele, com os quais foi construído “um estranho e misterioso lugar que florescera num deserto” e cujo poder e beleza sobrepunham o seu reino (Ibid., p. 161).</p>



<p>Assim como este rei, as pessoas tomadas pelo complexo do bode expiatório tornam-se limitadas, unilateralizadas e de ideias fixas. Visto que <strong>não conseguem se conectar ao Self</strong> (aquele que é ao mesmo tempo centro e totalidade psíquica), e a ele servir. Não conseguem viver o processo de ir se tornando quem realmente são. Permanecem presas ao papel coletivo e projetam neste coletivo sua direção, de modo que que não são capazes de “encontrar sua própria autoridade interior ou a integridade de sua consciência individual” (Ibid., p. 20).</p>



<p>Portanto, os bodes expiatórios são, ao mesmo tempo, o rei e os exilados antes de escolherem serem regidos pela princesa (pelo feminino expulso que carrega os valores do material rejeitado). Para aprofundar um pouco mais essa questão, vamos falar do sacrifício hebreu do bode expiatório e de seus traços na atualidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-bode-expiatorio-e-a-manifestacao-atual-no-complexo"><strong>O bode expiatório e a manifestação atual no complexo</strong></h2>



<p>Em várias culturas antigas havia cerimônias de reconciliação, expiação do mal e expulsão dos males (ou elementos tidos como estranhos), transferindo-os para animais, plantas ou objetos, como canal de “renovação do contato com o espírito que rege o povo” (ibid., p. 13). Na cultura hebraica, o <strong>sacrifício do bode expiatório</strong> era parte do ritual do <strong>Yom Kippur</strong>, o Dia do Perdão, ligado a um aspecto de confissão do pecado e expiação da culpa e parte das festividades do Ano Novo.</p>



<p>O sacerdote fazia um ritual preliminar, resgatando a si mesmo e à sua família, o que o diferenciava da posição comum. Procedia, então, servindo a Deus em prol da comunidade, à distinção e oferenda dos bodes. <strong>Um deles era oferecido ao Senhor pelos pecados e sacrificado</strong>. Seu sangue purificava e sacralizava o santuário, o tabernáculo e o altar, aplacando o Deus irado e expiando Israel de suas transgressões e pecados. “<em>Representa a libido que é dedicada e liberada, por meio do sacrifício, para expiar o pecado e aplacar o Deus ultrajado</em>” (Ibid., p. 22). Os restos eram considerados impuros e cremados do lado de fora do acampamento. <strong>O outro bode</strong>, dedicado a <strong>Azazel</strong>, era retirado vivo do acampamento e mandado para o deserto. </p>



<p>Antes, o sumo sacerdote, com as mãos sobre a cabeça do animal, confessava e depositava nele todas as faltas e transgressões dos filhos de Israel. “<em>O errante bode exilado remove a nódoa da culpa. Enquanto portador do pecado, ele carrega os males confessados sobre sua cabeça para longe do espaço da consciência coletiva</em>” (Ibid., p. 22). <strong>Segundo Perera, é a libido ligada às necessidades instintivas ameaçadoras, aos impulsos descontrolados, sobretudo na sexualidade, agressão, cobiça e rebeldia</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sylvia-considera-que-atualmente-existe-uma-distorcao-patologica-da-estrutura-arquetipica-do-ritual-hebraico-na-psique-dos-individuos-identificados-com-o-complexo-do-bode-expiatorio-2022-p-23" style="font-size:18px">Sylvia considera que atualmente existe uma “<em>distorção patológica da estrutura arquetípica do ritual hebraico</em>” na psique dos indivíduos identificados com o complexo do bode expiatório (2022, p. 23).</h2>



<p>Primeiro pela “perda de conexão consciente com a matriz sagrada de onde provém o fluxo curativo e renovador”; segundo, pela “mudança radical na concepção de Azazel”. Ele, que era um deus-bode dos pastores pré-hebraicos, mesmo com o Deus único de Israel, não se tornou o opositor do Senhor, mas um estágio na repressão dessa divindade anterior, ligada também ao feminino e às <strong>religiões naturais</strong>.</p>



<p>Os últimos patriarcas consideravam que ele levava as mulheres ao pecado (sensualidade) e os homens à guerra, relacionando-se, portanto, aos <strong>instintos eróticos e agressivos</strong>. <strong>Ao enviar os pecados a Azazel, remetia-se a libido à sua fonte transpessoal, reconhecendo que nenhum portador humano era capaz de carregá-los</strong>.</p>



<p>Progressivamente, Azazel passou a carregar o exagero defensivo da reação do Senhor contra o mundo do feminino e dos deuses pré-hebraicos. Foi transformado de deus em demônio, com o qual o “bom Deus” tem uma ruptura profunda. Tornou-se semelhante a Satã, o acusador do homem, que representa a Justiça divina dissociada de Sua Piedade (cf. Ibid., p. 26).</p>



<p>Azazel passou a ocupar, psicologicamente, o lugar do juiz arrogantemente puro, condenador e hipercrítico. Aquele que mantém o homem preso a um padrão de comportamento impossível de ser alcançado, pois as forças instintivas irrompem em sua frágil disciplina. É um padrão que não leva em conta os fatos da vida e o envolvimento do homem pela natureza (Ibid., p. 26).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-tempos-atuais-perdeu-se-a-conexao-com-o-transpessoal">Nos tempos atuais, perdeu-se a conexão com o transpessoal</h2>



<p>Nos tempos atuais, perdeu-se a conexão com o transpessoal. Joga-se sobre uma pessoa o peso de um coletivo rejeitado, e ela o assume, sentindo-se forte para carregá-lo, apesar de não o ser; a libido aqui “foi simplesmente confinada, dispersada ou escondida, em vez de sacralizada” (Ibid., p. 28).</p>



<p><strong>Os julgamentos morais da mãe ou do pai, que apontam para “como as coisas deveriam ser e não como elas são” (Ibid., p. 26), dão origem à rejeição do indivíduo na família, que constela o acusador, Azazel.</strong> “Os pais, ou outros, que escolhem um bode expiatório nessa forma moderna e inconsciente, são também, obviamente, vítimas do mesmo complexo” (Ibid., p. 43), assim como o rei do conto. </p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Descobrimos a nossa ‘alteridade’ em ‘outrem’, ou melhor, descobrimos outra pessoa que pensa, age, sente e deseja tudo aquilo que condenamos e desprezamos. Achamos o nosso bode expiatório e, satisfeitos, iniciamos o combate a ele”, ignorantes de que o “terrível adversário” é o “outro” que habita o próprio seio. <strong>Os que assim projetam parecem mais com o aspecto acusador, com seu modelo rígido e sua persona de boas maneiras, dependente da aprovação coletiva</strong>. Onde há uma lacuna, onde falta o verdadeiro saber, ainda hoje o espaço é preenchido com projeções. <strong>Continuamos quase certos de saber o que os outros pensam ou qual é o seu verdadeiro caráter.</strong><br><br><strong>Estamos convencidos de que certas pessoas possuem todos os defeitos que não encontramos em nós mesmos, ou de que se entregam a todos os vícios que naturalmente nunca seriam os nossos</strong>. <strong>Devemos ter o máximo cuidado para não projetar despudoradamente nossa própria sombra, pois ainda hoje nos encontramos como que inundados de ilusões projetadas</strong>. [&#8230;] Como poderá ver claramente, quem não se vê a si mesmo, nem às obscuridades que inconscientemente impregnam todas as suas ações?&#8221;(JUNG, 2020c, §140; 220b, §43)</em></p></blockquote></figure>



<p>Os indivíduos tomados pelo complexo do bode expiatório, inconscientemente, vêm em socorro dessa fragilidade dos pais e da família, da incapacidade de carregar a própria sombra, e carregam toda ela. Identificam-se tanto com a vítima como com o acusador, desqualificando atitudes do outro que não correspondem ao ideal de moral, mas sobretudo aceitando a rejeição e rejeitando-se a si mesmos como uma punição à própria existência.</p>



<p>A consciência luta por corresponder aos imperativos coletivos e “ignora suas necessidades pessoais – exceto as necessidades de ser correto, de vencer ou de ser bem-sucedido, a fim de se encaixar; a fim de pertencer” (PERERA, 2022, p. 27). Carecem, assim, de uma identidade, vivendo mais nos papéis de adaptação assumidos, chamados por Jung de <strong>personas</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><em>“Na verdade, o ego portador da sombra, alienado e errante, anseia de tal modo por ser aceito pelo coletivo que acaba adotando qualquer persona” (PERERA, 2022, p. 32).</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perderam-a-si-mesmos">Perderam a si mesmos.</h2>



<p>O próprio ego está enfraquecido, haja vista que sequer foi bem estruturado. Ego este que normalmente carrega a <strong>sombra familiar</strong>, coletiva e projetada, desde a sua formação na infância. Passam da vítima ao (auto)acusador o tempo todo; o tudo que assumem torna-se nada por ser abstrato, pois na verdade não vivem a responsabilidade pessoal – a sua parte. <strong>Parecem crianças, presos no estado infantil da participação mística, identificados com o inconsciente dos pais e sem conseguir distinguir o que é seu e o que é do outro</strong> (Cf. JUNG, 2020a, §83).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Sentem-se portadores de comportamentos e atitudes vergonhosamente perniciosos e que rompem relações – que perturbam a figura parental” (PERERA, 2022, p. 19).</em></p></blockquote></figure>



<p>Identifica-se com o que é tachado de “ruim”, “errado”, “feio”, uma vez que foi <strong>estigmatizado negativamente em seu próprio lar</strong> (mesmo nos casos em que a não adequação às normas vigentes tenha ocorrido por razões positivas).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fardo-que-essas-pessoas-carregam-inclui-uma-ansiedade-profunda-existencial-pela-falta-de-conexao-com-o-todo-maior-e-sentimento-de-culpa">O fardo que essas pessoas carregam inclui uma <strong>ansiedade</strong> profunda, existencial, pela falta de conexão com o todo maior e <strong>sentimento de culpa</strong>.</h2>



<p>Jung define este fardo como como a emoção experimentada quando nos desviamos da totalidade e nos afastamos do Self (centro regulador da psique, agravado pelo fato de que nos sentimos inaceitáveis para nós mesmos.</p>



<p>O conto “A princesa determinada” não fala como viviam no deserto os expulsos do reino, apenas que ele se transformou com a chegada dela, que encontrou positividade ali. Será que eles não viam isso? Segundo Perera, os identificados com o bode expiatório vivem de tal forma presos ao seu exílio e ansiando retornar ao mesmo coletivo do qual foram banidos, que não veem valor nos elementos rejeitados (p. 133).</p>



<p>Seu exílio é marcado por um medo profundo de qualquer vínculo. O que é paradoxal com a intensa sede que experimentam “de ligação com o Outro, tanto em nível pessoal como em nível transpessoal, e mesmo por um apetite palpável pelo divino” (p. 36). Precisam de ajuda para se reconectar com a fonte, já que a conexão foi perdida há tantas gerações, e para viver relacionamentos autênticos e mútuos, nos quais<strong> recebam e se entreguem de verdade. Que caminho a princesa fez para conseguir isso</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-redencao-pelo-feminino"><strong>Redenção pelo feminino</strong></h2>



<p>No conto, a princesa foi presa pelo pai (o aspecto acusador do complexo do bode expiatório) porque se recusou a concordar que a vontade dele determinasse o seu destino. Existe algo em todo indivíduo que não se rende, e esse algo costuma estar ligado ao desejo, à sensibilidade, à sensualidade, enfim, ao princípio feminino. Provavelmente está preso por muito tempo, justamente porque não se rende à adaptação ao coletivo ao qual o indivíduo tomado pelo complexo se força. E, por isso mesmo, é visto por ele como rebelde e inferior, como aquilo cuja presença o enfraquece. </p>



<p>Contudo, é o que manteve a integridade para que não se esfacelasse totalmente, e cuja pressão pode ajudá-lo a dar um basta à sua situação, o início da transformação. A partir daí vem uma descida ao desconhecido mundo interior, representado pelo deserto, encarando a raiva, a solidão, o medo, o que supõe um sofrimento que pode se estender, mas que agora é o próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-raiva-aqui-pode-ser-uma-manifestacao-do-self-que-defende-a-integridade-do-ego">A raiva aqui pode ser uma manifestação do Self, que defende a integridade do ego.</h2>



<p>Neste deserto, a pessoa vai descobrir e encarar a si mesma, o que tem de limitações e riquezas, e com essas forças começar a construir a própria vida e a ter voz para expressar a individualidade (Cf. Ibid., p. 126). No deserto, primeiro a princesa se viu perdida numa terra inóspita, mas depois começou a encontrar ali o que precisava para viver, e até abrigo, calor e delícias.</p>



<p>Ela assumiu suas necessidades e desejos, descobrindo que a satisfação não dependia do pai. Corresponde ao que Perera ensina de o ego, no processo de cura, dever “tornar-se ativo e responsável, até mesmo heroico, na busca de suprir suas carências” (2022, p. 105). <strong>Agindo com liberdade, iniciativa e responsabilidade é que pode se libertar do domínio acusador de Azazel</strong>, que se dá não imediatamente quando sai de casa, mas quando descobre um jeito de viver <strong>independente das ordens do pai</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-a-toa-o-titulo-do-conto-traz-a-principal-caracteristica-da-princesa-fundamental-para-essa-libertacao-determinada">Não à toa o título do conto traz a principal característica da princesa, fundamental para essa libertação: <strong>determinada</strong>.</h2>



<p>Se alguém aguardava pelo resgate, ela não. Na prisão, manteve as próprias convicções e, assim, a integridade. No deserto, encontrou uma forma de viver, usou de modo criativo os recursos que tinha, valorizando-os (a gruta que servia de moradia, as nozes e frutos, o calor do Sol) e com eles ordenando a própria vida. E, após conhecer e se unir ao parceiro e viver um tempo em seu reino (a importância da integração profunda e vivenciada dos princípios feminino e masculino em si), construíram juntos um reino. Mas não sozinhos. Todo esse movimento que ela, como exilada, fez, convocou os demais. Ajudando-os a se abrirem e se conectarem, com humor e alegria, com leveza, que se contrapõe ao pesado fardo que carregavam. <strong>Quando os canais criativos se abrem é sinal de que os grilhões do complexo foram afrouxados. </strong></p>



<p>Encontrar esses canais criativos é necessário àqueles que estão identificados com energias demoníacas, como os indivíduos portadores do estigma do bode expiatório. A forma criativa proporciona um receptáculo para acolher e dominar essas energias. (Ibid., p. 41)</p>



<p>O que era aquela comunidade, construída no deserto, senão uma totalidade em que cada elemento tem seu lugar e pode se harmonizar, de forma completa e útil, a uma vida multiforme, bem como pode escolher por quem ser regido? <strong>Esse contexto supõe uma abertura ao Self e suas mensagens. </strong>O que é essencial para o processo transformador do indivíduo que está tomado pelo complexo do bode expiatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-proprio-rei-o-pai-tao-obstinado-precisou-chegar-a-esse-lugar">O próprio rei, o pai, tão obstinado, precisou chegar a esse lugar.</h2>



<p>Este rei, inclusive, só pode se aproximar do trono com novas atitudes: curvar a cabeça, achegar-se lentamente, erguer os olhos aos soberanos que não eram ele, reconhecer o que lhe ultrapassava e finalmente escutar palavras murmuradas pelo feminino &#8211; justo o que considerava rebelde e seu ponto fraco.</p>



<p><strong>A transformação de alguém tomado pelo complexo do bode expiatório, como toda mudança profunda, não é fácil nem rápida. </strong>Todavia, esta transformação<strong> corresponde ao anseio de harmonizar e libertar a vida, ao qual o conto dá esperança</strong>. Sendo que, certamente, o acompanhamento psicoterapêutico contribui grandemente com esse processo.</p>



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<iframe title="Artigo Novo: &quot;A carga do bode expiatório na dinâmica do complexo familiar&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/IxoyXbwIjsw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p class="has-regular-font-size"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/tania-pulier/">Tania Pulier — Analista em formação/IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lilian/">Lilian Wurzba — Analista Didata/IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. Vol. 8/2. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p>___. <em>O desenvolvimento da personalidade</em>. Vol. 17. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2020a.</p>



<p>___. <em>Psicologia do inconsciente</em>. Vol. 7/1. 24.ed. Petrópolis: Vozes, 2020b.</p>



<p>___. <em>Psicologia e religião</em>. Vol. 11/1. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2020c.</p>



<p>PERERA, Sylvia Brinton. <em>O complexo do bode expiatório</em>: um estudo sobre a mitologia da sombra e da culpa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022. Edição do Kindle.</p>



<p>Acesse nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>
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