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	<title>Arquivos tarot - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sat, 03 Jan 2026 17:50:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos tarot - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>“Eu amo Jung”: Categorizações reducionistas em nome de C. G. Jung</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/eu-amo-jung-categorizacoes-reducionistas-em-nome-de-c-g-jung/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2025 18:13:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[ativar arquétipos?]]></category>
		<category><![CDATA[religião de jung]]></category>
		<category><![CDATA[tarot]]></category>
		<category><![CDATA[teoria de cg jung]]></category>
		<category><![CDATA[teoria junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[tipos psicológicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda que não tenhamos uma estatística formal, a percepção tácita indica que cada vez mais pessoas de diversas formações pessoais e profissionais têm se interessado pelas ideias junguianas, seja para atuarem como terapeutas/analistas, seja para aplicarem sua psicologia em áreas de pesquisas eminentemente das humanas, tais como Comunicação, Ciências da Religião, Administração e outras. Entram nesse grupo também os entusiastas das terapias holísticas (barras de access, florais de bach, aromaterapia etc.) e práticas mânticas (tarot, astrologia, “arquétipo-terapeutas” e outras).</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/eu-amo-jung-categorizacoes-reducionistas-em-nome-de-c-g-jung/">“Eu amo Jung”: Categorizações reducionistas em nome de C. G. Jung</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: Ainda que não tenhamos uma estatística formal, a percepção tácita indica que cada vez mais pessoas de diversas formações pessoais e profissionais têm se interessado pelas ideias junguianas, seja para atuarem como terapeutas/analistas, seja para aplicarem sua psicologia em áreas de pesquisas eminentemente das humanas, tais como Comunicação, Ciências da Religião, Administração e outras. Entram nesse grupo também os entusiastas das terapias holísticas (barras de access, florais de bach, aromaterapia etc.) e práticas mânticas (tarot, astrologia, “arquétipo-terapeutas” e outras).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-questao-observada-e-que-varios-desses-movimentos-deturpam-as-ideias-junguianas-assim-como-expropriam-alguns-de-seus-conceitos-utilizando-os-para-defender-seus-pontos-de-vistas-que-muitas-vezes-nao-encontram-respaldo-genuino-na-teoria" style="font-size:19px">A questão observada é que vários desses movimentos deturpam as ideias junguianas, assim como expropriam alguns de seus conceitos, utilizando-os para defender seus pontos de vistas que, muitas vezes, não encontram respaldo genuíno na teoria.</h2>



<p style="font-size:19px">Um dos exemplos mais recentes é a onda dos “arquétipo-terapeutas”, que são aqueles que usam os, supostos, “12 arquétipos de Jung” para ajudar a pessoa a desenvolver seu autoconhecimento. Segundo consta, o livro “Herói fora-da-lei” teria atribuído a Jung a “honra” de ter “criado” 12 arquétipos. A quantidade de erros nesta pequena acepção é o suficiente para causar um grande estrago: sites vendendo testes que “identificam” qual é o “seu” arquétipo. Diversas áreas utilizando a ideia, deturpada, de arquétipos para compor uma determinada vestimenta, decoração de ambiente ou estratégia de marketing (essa última parece ser a menos deturpada). Enfim, uma série de iniciativas que visa o lucro de quem está por trás disso e em nome da enganação de centenas ou milhares de pessoa. Pior: alguns desses “arquétipo-terapeutas” estimulam que o sujeito “ative” seu arquétipo, como se isso fosse possível!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-deixar-claro-vejamos-o-que-jung-diz-sobre-os-arquetipos" style="font-size:19px"><strong>Para deixar claro, vejamos o que Jung diz sobre os arquétipos:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] o inconsciente contém não só componentes de ordem pessoal, mas também impessoal, coletiva, sob a forma de categorias herdadas ou arquétipos. Já propus antes a hipótese de que o inconsciente, em seus níveis mais profundos, possui conteúdos coletivos em estado relativamente ativo; por isso o designei inconsciente coletivo. </p><cite>(OC 7/2, §220).</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Se os arquétipos estão em estado relativamente ativo, parece que não é possível ativá-los. Em outras palavras, como se acende uma luz que está acesa? Ainda sobre isso, a confusão fica mais generalizada quando se personifica um arquétipo, uma vez que esta estrutura é coletiva e jamais individual.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-sobre-os-arquetipos-jung-deixa-clara-sua-natureza-impessoal-quando-explica-os-arquetipos-de-anima-e-animus" style="font-size:19px"><strong>Ainda sobre os arquétipos, Jung deixa clara sua natureza impessoal quando explica os arquétipos de anima e animus:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se o enfoque psicológico com o qual empreendemos esse confronto for excessivamente personalista, não estaremos levando na devida conta o fato de que se trata de um&nbsp;arquétipo coletivo, o qual não deve de forma alguma ser entendido de um modo pessoal. Ele constitui, muito pelo contrário, um pressuposto universal, e isto a um ponto tal, que muitas vezes nos parece aconselhável referir-nos&nbsp;não&nbsp;a&nbsp;minha anima&nbsp;ou&nbsp;meu animus&nbsp;e sim à anima e ao animus simplesmente.</p><cite>OC 16/2, §469</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">O arquétipo é impessoal e nunca individual, mas ele encontrará o seu correspondente pessoal, em certo nível, na manifestação dos complexos, esses sim conteúdos pessoais e com núcleos arquetípicos. Mas não nos convenceria a hipótese de que os charlatões dos 12 arquétipos estariam substituindo complexo por arquétipo, uma vez que complexos, assim como os arquétipos, são estruturas <strong>autônomas</strong> do inconsciente, <strong>jamais podendo ser ativados ou inativados pela vontade do ego, estrutura da consciência</strong>.</p>



<p style="font-size:19px">O que o ego pode, no máximo, é minimizar os efeitos negativos da manifestação de um complexo. Até porque um complexo só se torna mal quando ego quer apartá-lo forçosamente da consciência, fazendo com que estes se tornem muito incômodos e sintomáticos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>“O complexo prova a sua autonomia pelo fato de não se ajustar à hierarquia da consciência, ou seja, de opor uma resistência efetiva à vontade”</em> (OC 16/1, §196) e ainda <em>“Um complexo só se torna patológico, quando achamos que não o temos”</em> (OC 16/1, §179).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-fim-das-contas-parece-que-os-aplicadores-dos-12-arquetipos-querem-mais-empurrar-o-individuo-a-identificar-se-com-um-determinado-personagem-persona-do-que-de-fato-ativar-um-arquetipo-ate-porque-isso-e-impossivel-para-o-ego" style="font-size:19px">No fim das contas, parece que os aplicadores dos “12 arquétipos” querem mais empurrar o indivíduo a identificar-se com um determinado personagem (persona) do que de fato “ativar” um arquétipo &#8211; até porque isso é impossível para o ego.</h2>



<p style="font-size:19px">A mitologia grega deixa claro que quando um mortal era colocado diante de um deus, ele explodia e morria, pois não tinha condições de absorver a magnitude da deidade. Traduzindo, isso representa simbolicamente que o ego não tem condições de lidar com uma força arquetípica, e que se tiver de fazer isso muito provavelmente irá sucumbir, a exemplo da explicação que Jung dá sobre a emanação do arquétipo de Wotan (Odin) na época da Alemanha Nazista e suas consequências desastrosas e catastróficas para a humanidade (OC 10/2).</p>



<p style="font-size:19px">Também é preciso dizer que não existe uma lista finita de arquétipos. Na verdade, eles são infinitos ou, pelo menos, incontáveis. E ainda que fossem contáveis, Jung nos dá esta lição sobre isso: <em>&#8220;</em><strong><em>É inútil decorar uma lista de arquétipos. Estes são complexos de vivência que sobrevêm aos indivíduos como destino e seus efeitos são sentidos em nossa vida mais pessoal”</em></strong><em> </em>(OC 8/2, §62).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-podemos-no-maximo-sentir-os-efeitos-dos-arquetipos-via-complexos-mas-jamais-controla-los-ou-ativa-los" style="font-size:19px"><strong>Podemos, no máximo, sentir os efeitos dos arquétipos via complexos, mas jamais controlá-los ou ativá-los.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Contudo, as deturpações não param por aí. Atualmente menos comentado publicamente, mas ainda trabalhado especialmente nas empresas, estão os <strong>tipos psicológicos</strong> &#8211; que de uma investigação brilhante de Jung sobre a questão dos opostos, se transformaram em uma categorização empobrecida, que visa descrever a pessoa a partir de uma “<strong>sopa de letrinhas</strong>”.</p>



<p style="font-size:19px">Reconhecemos a importância da teoria junguiana quanto à tipificação tipológica como uma certa bússola para entender o funcionamento da consciência. Contudo, isso nada tem a ver com o reducionismo caracteriológico que os inventários tipológicos, oficiais ou extra-oficiais, tendem a estabelecer.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>Separamos algumas afirmações do Jung sobre a sua teoria tipológica, que desconstrói a ideia de que ela seria para categorizar pessoas</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-comecando-por-este-trecho-de-cartas" style="font-size:19px"><strong>Começando por este trecho de Cartas:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>Prezado Dr. Schäffer, muito obrigado por sua amável e interessante carta. Sua tentativa original de tipificar os indivíduos humanos mostra que o problema tipológico pode ser abordado de todos os lados possíveis e, em geral, com considerável proveito para aquele que inventou o esquema correspondente. Sua tentativa é essencialmente caracterológica, o que não posso dizer de minha tipologia. Minha intenção também nunca foi caracterizar personalidades e por isso não coloquei no início de meu livro a descrição dos tipos. Procurei antes criar um esquema claro de conceitos que se baseia cm fatores empiricamente verificáveis. Minha tipologia não tem por isso a intenção de caracterizar personalidades, mas reunir em categorias simples e bem dispostas o material empírico-psicológico tal qual ele se apresenta a um psicólogo e terapeuta na prática diária. Nunca considerei a minha tipologia como um método caracterológico, nem a usei com este fim </em></p>



<p style="font-size:19px">(Cartas Vol. 1 &#8211; 27/10/1933 – p. 145)</p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px">Na obra <strong>Tipos Psicológicos</strong>, que é extremamente profunda, Jung diz que: “<em>A conformidade das pessoas é apenas um lado delas, o outro lado é sua peculiaridade. A psique individual não se explica por nenhuma classificação </em>(OC 6, §960-961).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tambem-em-cartas-jung-explica-que" style="font-size:19px"><strong>Também em Cartas, Jung explica que:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px">“<em>No que se refere a Tipos psicológicos devo dizer que a tipologia em seu sentido mais estrito sempre me serve como um dispositivo crítico, sendo também a ideia de uma tipologia psicológica uma tentativa propriamente dita de uma psicologia crítica. Mas eu considero isto apenas um aspecto do meu livro. O outro aspecto trata do problema dos opostos, levantado pela crítica. Esta questão eu a abordei sobretudo nos capítulos 2 e 5 (Schiller e Spitteler). Ali está propriamente o específico do livro, o que a maioria dos leitores não percebeu, pois foram induzidos de imediato a classificar tudo e cada um tipologicamente, é em si um procedimento bastante estéril.</em></p>



<p style="font-size:19px">(Cartas Vol. 1 – 18/02/1935 – p. 199).</p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px"><strong>Com isso, fica muito claro que Jung jamais previu que seus Tipos Psicológicos se transformassem em instrumentos de avaliação, categorização e apartação de pessoas.</strong></p>



<p style="font-size:19px">Além desses temas que mencionamos, diversas outras atribuições são dadas à Jung, colocando-o como entusiasta/praticante do tarot, da astrologia, e de outros conhecimentos mânticos, o que também não encontra correspondência literal em sua biografia.</p>



<p style="font-size:19px">É verdade que Jung explora a astrologia em <strong>sentido simbólico</strong> em algum momento de sua obra, mas longe de, por isso, poder ser chamado de astrólogo. Mesmo o tarot, tema de entusiasmo de praticantes da psicologia junguiana, é algo que não tem relevância na obra de Jung, mas também reconhecemos a validade de seu estudo em <strong>sentido simbólico</strong> por aqueles que o fazem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-fim-algo-que-causa-curiosidade-especialmente-entre-os-que-estao-iniciando-o-estudo-da-obra-junguiana-e-a-pergunta-qual-seria-a-religiao-de-jung" style="font-size:19px"><strong>Por fim, algo que causa curiosidade especialmente entre os que estão iniciando o estudo da obra junguiana, é a pergunta: “qual seria a religião de Jung?”</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Em nossa experiência já ouvimos que Jung era espírita, ou que Jung acreditava no Deus metafísico. Afinal, conforme argumentam alguns, ele afirmou que “sabe que ele existe” ou, até mesmo, que Jung acreditava em Jesus como um ser humano que viveu. Convidamos novamente Jung a responder estas questões pela sua própria obra.</p>



<p style="font-size:19px">O fato dele ser aproximado ao espiritismo por parte de alguns talvez se dê por ele ter investigado os chamados fenômenos ocultos no início de sua carreira, tendo classificados estes fenômenos como <strong>manifestações dos complexos do inconsciente</strong> e não como espíritos no sentido religioso.</p>



<p style="font-size:19px">Sobre a crença em Deus ou Jesus, na literalidade, Jung deixa muito claro em obras tais como 7/1, 9/2, 11/2 e 12 (só para ficar nessas) que sua preocupação repousava em entender, exclusivamente, a <strong>realidade psicológica</strong> de Deus e/ou de Jesus, sem com isso querer adentrar num terreno investigativo que visasse explicar a existência literal de um e de outro. Não colocamos as citações aqui até para convidar nossos leitores a buscarem por seus próprios meios estes estudos na Obra Completa.</p>



<p style="font-size:19px">Já sobre Jung crer ou não em Deus, se trata de um imbróglio surgido após ele ter sido questionado sobre isto em uma entrevista de TV para a BBC de Londres, e a sua resposta em inglês, traduzida literalmente, foi: <em>“Difícil de responder. Eu sei. Eu não preciso acreditar. Eu sei”</em> (https://www.youtube.com/watch?v=bTf7vTpcsRQ). Dada a resposta um tanto polêmica, o próprio Jung teve de se explicar sobre isso em um texto que foi publicado no volume 11/6 da Obra Completa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vejamos-o-que-ele-diz-neste-longo-trecho-no-qual-ele-tambem-se-descreve-como-um-cristao-mas-em-sentido-amplo-pois-na-pratica-jung-na-condicao-de-pesquisador-transitou-por-varias-religioes" style="font-size:19px">Vejamos o que ele diz neste longo trecho, no qual ele também se descreve como um cristão, mas em sentido amplo, pois, na prática, Jung, na condição de pesquisador, transitou por várias religiões:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>“Grande parte das cartas que tenho recebido se preocupa principalmente com a minha afirmação de que conheço Deus. Minha opinião a respeito do 4 m‘conhecimento de Deus’ se fundamenta em uma maneira de pensar que nada tem de convencional, e eu compreendo, sem dificuldade, que alguém venha me dizer que não sou cristão. E apesar de tudo considero-me cristão, porque me baseio simplesmente em concepções cristãs. Só que procuro fugir às suas contradições, esforçando-me por manter uma atitude de modéstia que leve em conta o imenso lado da psique humana ainda não investigada. A ideia cristã &#8211; como, de resto, também o Budismo &#8211; mostra-nos sua vitalidade por sua evolução constante e permanente. Nossa época, evidentemente, exige concepções realmente novas, sob este aspecto. Não podemos mais pensar em termos antigos ou medievais, quando se trata da esfera da experiência religiosa.</em> </p>



<p style="font-size:19px"><em>Eu não disse, na entrevista: ‘Há um Deus’, mas: ‘Não preciso crer em Deus; eu sei’. Isto não quer dizer: Sei que há um determinado Deus (Zeus, Javé, Alá, o Deus trinitário), mas antes: </em></p>



<p style="font-size:19px"><em>Sei que me acho claramente confrontado com um fator desconhecido em si e ao qual denomino ‘Deus’, </em>in consensu omnium (‘quod semper, quod ubique, quod ab omnibus creditur’)<em>?</em>.<em> É nele que penso, é por Ele que chamo, todas as vezes que invoco seu nome, nos momentos de medo ou de raiva, todas as vezes que digo espontaneamente: ‘Ó Deus!’ </em></p>



<p style="font-size:19px">(OC 11/6, p. 145-146).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-certa-vez-em-conversa-particular-por-whatsapp-uma-pessoa-comentou-sobre-a-ligacao-de-jung-com-xamanismo" style="font-size:19px"><strong>Certa vez, em conversa particular por WhatsApp, uma pessoa comentou sobre a “ligação” (?) de Jung com xamanismo.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Expliquei que, na prática, essa ligação literal não existia, porém, naturalmente se poderia fazer diversas <strong>leituras simbólicos-arquetípicas</strong> do xamanismo a partir do pensamento junguiano – como se pode fazer da mitologia grega, iorubá, indígena, celta, egípcia, romana, sem qualquer hierarquia sobre elas. A pessoa me respondeu com um áudio de 7 minutos tentando me convencer do contrário&#8230;</p>



<p style="font-size:19px">O “amor” que despendemos ao Jung e à sua obra carece de conhecimento, repertório, estudo de sua Obra e também de sua vida, para evitarmos colocá-lo em nosso próprio leito de Procusto, ou seja, querer enquadrá-lo em nossas crenças e desejos, quem nem sempre condizem com a originalidade de sua Obra. Ao fazer isso, perdemos o horizonte e a profundidade de sua teoria e prática analítica, o que é, essencialmente, mais um ato de desamor do que de amor à vida e Obra de Jung.</p>



<p style="font-size:19px">Sabemos quão frustrante pode ser descobrir que um pensador que tanto amamos, na verdade, tem perspectiva diferente da nossa crença. A verdade é que uma atitude de pesquisa genuína, implica em estar aberto ao contrário ao discordante. Naturalmente, também podemos discordar de Jung como de qualquer outro autor, mas se assim o for, que seja com consistência e com conhecimento profundo de sua obra. Quantas pessoas do Brasil na atualidade, por exemplo, demonizam Paulo Freire sem terem lido uma frase sequer da obra dele? Essa categoria de demonização é rasa, ilógica e fruto de um apaixonamento pelas próprias convicções que não encontram respaldo na realidade.</p>



<p style="font-size:19px">Em nome de uma prática da psicologia analítica que se propõe séria, devemos nos opor a esse tipo de atitude e continuarmos firmes na jornada da propagação de um pensamento junguiano que seja honesto e responsável para com o seu legado.</p>



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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/rafaelrodrigues/">Rafael Rodrigues de Souza – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos (OC 6). 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Psicologia do inconsciente (OC 7/1). 24 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. O eu e o inconsciente (OC 7/2). 25 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique (OC 8/2). 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Aspectos do drama contemporâneo (OC 10/2). 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1990.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Escritos diversos (OC 11/6). 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia (OC 16/1). 16 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Ab-reação, análise dos sonhos, transferência (OC 16/2). 9 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav. Cartas, Volume 1 (1906-1945). Petrópolis: Vozes, 2002.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-1024x576.png" alt="" class="wp-image-11676" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG-1200x675.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/c.g.-JUNG.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>Matrículas abertas no Curso de Introdução à Teoria de C.G. Jung</strong> &#8211; <strong>Vagas limitadas</strong>: <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



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<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A virtude da temperança</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-virtude-da-temperanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcella Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2019 19:34:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[tarot]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na visão junguiana, a meta da vida é o significado, ser feliz é apenas uma consequência. Assim, precisamos aprender a enxergar o sentido de cada situação que passamos. Viver uma vida totalmente voltada para o literal ou de maneira unilateralizada produz sintomas e adoece, pois é a capacidade de simbolizar que permite um diálogo entre [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na visão junguiana, a meta da vida é o significado, ser feliz é apenas uma consequência. Assim, precisamos aprender a enxergar o sentido de cada situação que passamos. Viver uma vida totalmente voltada para o literal ou de maneira unilateralizada produz sintomas e adoece, pois é a capacidade de simbolizar que permite um diálogo entre a situação/objeto e o indivíduo, levando então ao sentido de cada momento. </p>



<p>Se quisermos de fato iniciar o diálogo com o nosso inconsciente, precisamos primeiro aprender a decifrar a sua linguagem. O inconsciente se apresenta e se comunica sempre através de símbolos, que são&nbsp;<em>“um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais al</em><em>ém do seu significado evidente e convencional”</em>. (JUNG, 2008 p.18) Desta forma, o símbolo nos convida para ir além do que se pode ver, ao subjetivo de cada situação. Pede envolvimento pessoal e individual.&nbsp;</p>



<p>Quando entramos em contato com oráculos, o convite para o envolvimento pessoal, para ir além do que é apresentado se intensifica, pois eles são recursos simbólicos para o acesso aos conteúdos do inconsciente. Indo para o universo do Tarot, cada lâmina, rica em símbolos, conta uma história, nos mostra uma personalidade e um aprendizado. Todas as cartas são rituais de passagem – estágios ou processos, não resultados ou lugares estáticos imutáveis.</p>



<p>Aproveitando a excelente oportunidade, peguei o meu próprio&nbsp;<em>deck</em>&nbsp;e me concentrei para ver qual carta estaria em conexão com o momento e, para a surpresa – nem tanto, confesso – saiu a carta que mais representaria não apenas o momento pessoal mas também coletivo, uma vez que sabemos que os oráculos falam sobre a nossa vida sempre dentro de um contexto coletivo, sendo inevitável a visitação do que acontece ao nosso redor.</p>



<p>A carta em questão, tão bonita e doce quanto temida, é a Temperança. Representada pelo número XIV, a Temperança faz parte dos Arcanos Maiores – e vale aqui compartilhar como curiosidade que a palavra arcano significa mistério – e, portanto, sendo um dos mistérios do Tarot, pede para tentarmos decifrar seu simbolismo além de evidenciar um desafio dentro da jornada da vida.&nbsp;</p>



<p>Nos tarots clássicos e modernos, vemos um homem com asas, representando a conexão entre os homens com as hierarquias superiores, tocando o solo com os pés – um deles em contato com a água e outro na terra, e segura nas mãos dois jarros onde a água é trocada entre eles, como se fosse temperar as forças opostas através do liquido. Percebemos aqui a importância de temperar, equilibrar as polaridades: temos homem e anjo, água e terra, razão e emoção, consciente e inconsciente etc.</p>



<p>Vale reparar que mesmo tendo a troca de água entre os jarros, seu conteúdo está contido. Não é despejado de volta na água nem entra água nova. É um momento mais de pausa, de contenção e é por isso que muitas pessoas não se sentem à vontade quando ela aparece – não adianta apressar, tentar controlar, fingir que nada está acontecendo. A carta pede sim movimento, equilíbrio, porém ficamos reféns de algo maior que nós – o momento certo e oportuno está fora das nossas mãos. Muitas vezes temos que fazer nossa parte e apenas esperar.&nbsp;</p>



<p>Nos tempos em que vivemos, cheios de urgência, crises de ansiedade em larga escala; pedir para fazer o possível, tentando equilibrar os opostos na própria individualidade e aguardar, parece até um pouco torturante. Mas é exatamente o que a vida nos pede em muitos momentos. Sair da onipotência de achar que controlamos tudo e todos e parar para olhar os sinais e o ritmo que a própria vida nos impõe é de grande sabedoria. E isso é algo que precisamos aprender com a Temperança.</p>



<p>O Arcano XIV nos convida a fazer a nossa alquimia pessoal – ver em qual área da vida está precisando de um pouco mais de sal, onde precisamos adoçar mais, em qual área colocar pimenta, quase que um processo gastronômico. Ela pede um olhar apurado e coragem para as transformações – é preciso lapidar, é preciso transmutar, é preciso entrar em processos profundos e refletir. E para fazer tudo isso, precisa de tempo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O tempo é o nosso maior aliado no alcance dos nossos objetivos. Neste arcano, dedicar tempo para os cuidados com o corpo, alimentação, estudos, acalmar, entrar em contato com a nossa alma é imprescindível; o tempo se torna nosso maior aliado para a realização dos nossos objetivos. Precisamos resgatar a confiança que as metas e exigências materiais podem ser conquistadas com leveza e serenidade. A vida pode e deve ser levada de forma diferente, com mais presença e atenção. É preciso se lançar para as conquistas da jornada com coragem de se relacionar com cada etapa deste processo, permitindo influenciar e ser influenciado, buscando o sentido profundo de tudo a nossa volta. No tempo onde o imediatismo e o consumismo estão tão em alta, a Temperança surge para desacelerar e nos ensinar a ver além do literal e objetivo.&nbsp;</p>



<p>Ela nos convida a agir com moderação e talvez seja isso que assuste. Como moderar quando apenas se quer controlar e acelerar todos os processos? Como pensar em moderar quando se busca extrair o máximo de cada experiência? E é aqui que novamente ela entra para recordar que a moderação não é necessariamente rasa. Moderar é dar tempo ao tempo, ponderar, é também buscar a exata medida e, para isso, é necessária uma profunda reflexão. O problema é acharmos que apenas o que é exagerado é profundo. Há muita intensidade, análise e envolvimento na moderação e isso é um paradoxo – como a própria vida também o é.</p>



<p>Com moderação, deixamos de ser escravos dos desejos e passamos a ser co-autor das realizações. Podemos sim conquistar, ir atrás do que queremos, mas sempre entendendo que o tempo oportuno precisa estar afinado com os nossos desejos para que eles se concretizem no agora. A moderação também é nossa aliada pois nos protege de ciladas. Por que se briga tanto com ela, não é?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com a energia da Temperança na nossa vida, entendemos que o momento, muitas vezes, não é de superar, mas sim, de respeitar nossos limites. Entender o que queremos, o que é possível, o que é bom, sempre na harmonia perfeita da consciência e dos ‘mistérios’ do inconsciente que também têm voz ativa nos nossos dias.&nbsp;</p>



<p>Quantos momentos fantasiamos ter super poderes para acelerar os fatos, concluir o que nos consome, e brincarmos assim de semi-Deus? Mas a Temperança aparece nestes exatos momentos para nos ensinar que não se deve ter pressa; que é melhor aprender a ser pacientes e avançar aos poucos, com mais preparo, com mais cautela. Geralmente são momentos em que temos apenas que aceitar que nem tudo está ao nosso alcance, que nos resta ter calma e aguardar. Há um tempo certo para tudo na nossa vida. Encontramos na Bíblia a passagem que retrata perfeitamente este tempo de amadurecimento das coisas, que revela o ritmo da vida, do qual desconhecemos&nbsp; a ordem em que se dará o evento, pois isso pertence a Deus, mas que para cada coisa o seu tempo no propósito da existência:</p>



<p>“1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.&nbsp;</p>



<p>2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;&nbsp;</p>



<p>3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;&nbsp;</p>



<p>4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;&nbsp;</p>



<p>5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;&nbsp;</p>



<p>6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;&nbsp;</p>



<p>7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;&nbsp;</p>



<p>8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz “. (Eclesiastes 3:1-8 )</p>



<p>Não podemos esquecer que, na simbologia desta carta, temos a figura de um anjo. Ou seja, não podemos deixar de lado a dimensão espiritual. É preciso também dar voz para este algo além da gente (da mente racional) quando ela se manifesta. O Self vai sempre tentar dialogar com a gente, então nos cabe apenas escutá-lo através das diversas manifestações do inconsciente.</p>



<p>Neste raciocínio, impossível não lembrar do relato do próprio Jung no ‘O Livro Vermelho’. Em duas passagens distintas, em momentos de angústia, ansiedade e raiva, a voz da alma fala para ele esperar. A primeira passagem pode ser encontrada no&nbsp;<em>Liber Primus</em>, Cap IV chamado ‘O deserto’:</p>



<p>“(&#8230;) o que me leva para o deserto, e o que eu devo fazer lá? Existe uma ilusão de que não posso mais confiar ao meu pensamento? Verdadeira é apenas a vida, e tão só a vida me leva ao deserto, realmente não meu pensar que gostaria de voltar para as pessoas, para as coisas, pois lhe é sinistro estar no deserto. Minha alma, o que eu devo fazer aqui? Mas a minha alma falou-me e disse: ‘Espera’. Eu escuto a terrível palavra. Ao deserto pertence a dor”. (JUNG, 2013 p.128)</p>



<p>A partir deste capítulo começa uma discussão de Jung sobre a questão do tempo&nbsp; &#8211; ele fala sobre o homem moderno e sua busca em ganhar tempo, acelerar o processo, etc., e que usa da aceleração do tempo um meio de não se responsabilizar.&nbsp;</p>



<p>Antes de prosseguir para o segundo exemplo, é importante ressaltar que nos capítulos seguintes, de aprofundamento no deserto, Jung conclui que nem o espirito da época, nem o espirito da profundeza – alma – são divinos, mas que a balança é divina – se referindo ao equilíbrio entre o homem que trabalha e o homem que tem essas experiências, o equilíbrio entre o ego e o Self. Puxando para o nosso tema da virtude da Temperança, mesmo que seja iniciado por um período de dor ou desconforto, aprender a equilibrar as polaridades consciência e inconsciente é uma grande virtude.&nbsp;</p>



<p>Na jornada dos Arcanos Maiores do Tarot, temos os arquétipos do Enforcado e da Morte antecedendo a Temperança, nos indicando a possibilidade de antes analisarmos as situações que nos trazem desconforto e fazermos as mudanças necessárias, tirando o que não nos serve mais, limpando o que foi deixado de lado para então, no momento dela, fazermos este equilíbrio, a ponderação, reorganizando os assuntos e sentimentos conforme cabe em cada vida. Pensando nos processos alquímicos, após a Putrefação sugerida no Arcano XIII da Morte, deve-se fazer a Destilação, onde todas as impurezas são extraídas do material já dissolvido, um processo de extração das virtudes. Robert M. Place reforça o propósito da Temperança com a simbologia da Alquimia quando relembra que a&nbsp;<em>“mítica Maria, a Judia,&nbsp;</em><em>é creditada como inventora da Destilaçã</em><em>o –&nbsp;</em><em>tamb</em><em>ém conhecida como Banho-Maria”</em>&nbsp;(2016 p.186), traz o processo mais fundamental da alquimia que é a extração do material de sua solução pela evaporação forçada.</p>



<p>Mais a frente, no cap. VI chamado Divisão do espírito, Jung novamente se revolta com a sua alma quando, novamente, ela propõe algo difícil para ele:</p>



<p>“(&#8230;) Este caminho está cercado de magia infernal; laços invisíveis foram atirados sobre mim e me amarram. Mas o espírito da profundeza aproximou-se de mim e falou: ‘Desce para tua profundeza, afunda-te’. Eu, porém, me revoltei contra ele e falei: ‘Como posso afundar-me? Sou incapaz de fazer isso comigo’. Então o espírito me dirigiu palavras que me pareceram ridículas, e ele disse: Senta-te e descansa’.”. (JUNG, 2013, p.142)</p>



<p>Concluímos, então, que a alma pede ação, mas muitas vezes pede que enfrentemos o estado da espera, da maturação. Enquanto a alquimia está sendo feita, devemos deixar alguns comandos de lado pois só assim é que teremos mais sabedoria para seguirmos a diante. Nem todos os conteúdos estão prontos para serem mexidos no agora.</p>



<p>A Temperança, desta forma, também nos induz a compreender a importância do sentimento como uma função de escolha ativa e inteligente. A água despejada incessantemente de um cálice para o outro se dá porque o sentimento também deve fluir constantemente, sendo reequilibrado a cada momento, de acordo com o que a situação pede. Nós temos a liberdade de escolha, mas temos também que entender que nem sempre os resultados serão imediatos. Deve se ter um olhar atento, honesto e profundo a cada momento, sempre e de novo &#8211; parafraseando o Jung no livro ‘A Natureza da Psique’ (2011).</p>



<p>Nesta difícil relação de espera, devemos compreender que não se trata de uma espera passiva, omissa, onde corremos o risco da procrastinação. A grande joia desta carta é compreender que na espera ativa, eu faço a minha parte, o que já está a minha disposição e deixo o espírito, a alma fazer a parte dela, numa equilibrada e harmoniosa interação do homem com o universo.&nbsp;</p>



<p>Assim, nos tempos atuais de cólera, intolerância e imediatismo, vamos conversar com a Temperança dentro de nós e aprendermos qual é o nosso limite e quais os potenciais ainda não trabalhados, buscando sempre o nosso melhor diante das situações. Como comentei no início, é uma carta bela e doce porque se este momento for encarado como um potencial vasto de aprendizado da nossa alma, ela só tem a nos presentear. Agora é também temido por muitos pois nos traz aquele tipo de lição a qual nós não podemos fugir. Se quisermos amadurecer, teremos que aprender a lidar com ela, olhar no fundo dos seus olhos e humildemente nos render que existem outros de nós neste jogo da vida querendo também ter espaço e presença. Que na jornada da vida, temos alguns momentos de controle. Mas nos outros, só nos resta aguardar.&nbsp;</p>



<p>Referências Bibliográficas</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>A natureza da Psique</strong>: a dinâmica do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>O Livro Vermelho</strong>: edição sem ilustrações. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, C.G. [et al.]&nbsp;<strong>O Homem e seus símbolos</strong>. 2 edição especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.</p>



<p>PLACE, Robert M.&nbsp;<strong>Alquimia e tarô&nbsp;</strong>– Uma investigação de suas conexões históricas. São Bernardo do Campo: Presságio, 2016.</p>



<p><strong>Marcella Helena Ferreira</strong></p>



<p>Analista Junguiana em formação pelo IJEP, especialista em Psicoterapia Junguiana e Psicossomática.</p>



<p>Para contato:&nbsp;<a href="mailto:marcellahlferreira@gmail.com">marcellahlferreira@gmail.com</a>&nbsp;/@conhecendojung</p>



<p><strong>A virtude da Temperança</strong></p>



<p>Na visão junguiana, a meta da vida é o significado, ser feliz é apenas uma consequência. Assim,</p>



<p>precisamos aprender a enxergar o sentido de cada situação que passamos. Viver uma vida totalmente voltada para o literal ou de maneira unilateralizada produz sintomas e adoece, pois é a capacidade de simbolizar que permite um diálogo entre a situação/objeto e o indivíduo, levando então ao sentido de cada momento.&nbsp;</p>



<p>Se quisermos de fato iniciar o diálogo com o nosso inconsciente, precisamos primeiro aprender a decifrar a sua linguagem. O inconsciente se apresenta e se comunica sempre através de símbolos, que são&nbsp;<em>“um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais al</em><em>ém do seu significado evidente e convencional”</em>. (JUNG, 2008 p.18) Desta forma, o símbolo nos convida para ir além do que se pode ver, ao subjetivo de cada situação. Pede envolvimento pessoal e individual.&nbsp;</p>



<p>Quando entramos em contato com oráculos, o convite para o envolvimento pessoal, para ir além do que é apresentado se intensifica, pois eles são recursos simbólicos para o acesso aos conteúdos do inconsciente. Indo para o universo do Tarot, cada lâmina, rica em símbolos, conta uma história, nos mostra uma personalidade e um aprendizado. Todas as cartas são rituais de passagem – estágios ou processos, não resultados ou lugares estáticos imutáveis.</p>



<p>Aproveitando a excelente oportunidade, peguei o meu próprio&nbsp;<em>deck</em>&nbsp;e me concentrei para ver qual carta estaria em conexão com o momento e, para a surpresa – nem tanto, confesso – saiu a carta que mais representaria não apenas o momento pessoal mas também coletivo, uma vez que sabemos que os oráculos falam sobre a nossa vida sempre dentro de um contexto coletivo, sendo inevitável a visitação do que acontece ao nosso redor.</p>



<p>A carta em questão, tão bonita e doce quanto temida, é a Temperança. Representada pelo número XIV, a Temperança faz parte dos Arcanos Maiores – e vale aqui compartilhar como curiosidade que a palavra arcano significa mistério – e, portanto, sendo um dos mistérios do Tarot, pede para tentarmos decifrar seu simbolismo além de evidenciar um desafio dentro da jornada da vida.&nbsp;</p>



<p>Nos tarots clássicos e modernos, vemos um homem com asas, representando a conexão entre os homens com as hierarquias superiores, tocando o solo com os pés – um deles em contato com a água e outro na terra, e segura nas mãos dois jarros onde a água é trocada entre eles, como se fosse temperar as forças opostas através do liquido. Percebemos aqui a importância de temperar, equilibrar as polaridades: temos homem e anjo, água e terra, razão e emoção, consciente e inconsciente etc.</p>



<p>Vale reparar que mesmo tendo a troca de água entre os jarros, seu conteúdo está contido. Não é despejado de volta na água nem entra água nova. É um momento mais de pausa, de contenção e é por isso que muitas pessoas não se sentem à vontade quando ela aparece – não adianta apressar, tentar controlar, fingir que nada está acontecendo. A carta pede sim movimento, equilíbrio, porém ficamos reféns de algo maior que nós – o momento certo e oportuno está fora das nossas mãos. Muitas vezes temos que fazer nossa parte e apenas esperar.&nbsp;</p>



<p>Nos tempos em que vivemos, cheios de urgência, crises de ansiedade em larga escala; pedir para fazer o possível, tentando equilibrar os opostos na própria individualidade e aguardar, parece até um pouco torturante. Mas é exatamente o que a vida nos pede em muitos momentos. Sair da onipotência de achar que controlamos tudo e todos e parar para olhar os sinais e o ritmo que a própria vida nos impõe é de grande sabedoria. E isso é algo que precisamos aprender com a Temperança.</p>



<p>O Arcano XIV nos convida a fazer a nossa alquimia pessoal – ver em qual área da vida está precisando de um pouco mais de sal, onde precisamos adoçar mais, em qual área colocar pimenta, quase que um processo gastronômico. Ela pede um olhar apurado e coragem para as transformações – é preciso lapidar, é preciso transmutar, é preciso entrar em processos profundos e refletir. E para fazer tudo isso, precisa de tempo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O tempo é o nosso maior aliado no alcance dos nossos objetivos. Neste arcano, dedicar tempo para os cuidados com o corpo, alimentação, estudos, acalmar, entrar em contato com a nossa alma é imprescindível; o tempo se torna nosso maior aliado para a realização dos nossos objetivos. Precisamos resgatar a confiança que as metas e exigências materiais podem ser conquistadas com leveza e serenidade. A vida pode e deve ser levada de forma diferente, com mais presença e atenção. É preciso se lançar para as conquistas da jornada com coragem de se relacionar com cada etapa deste processo, permitindo influenciar e ser influenciado, buscando o sentido profundo de tudo a nossa volta. No tempo onde o imediatismo e o consumismo estão tão em alta, a Temperança surge para desacelerar e nos ensinar a ver além do literal e objetivo.&nbsp;</p>



<p>Ela nos convida a agir com moderação e talvez seja isso que assuste. Como moderar quando apenas se quer controlar e acelerar todos os processos? Como pensar em moderar quando se busca extrair o máximo de cada experiência? E é aqui que novamente ela entra para recordar que a moderação não é necessariamente rasa. Moderar é dar tempo ao tempo, ponderar, é também buscar a exata medida e, para isso, é necessária uma profunda reflexão. O problema é acharmos que apenas o que é exagerado é profundo. Há muita intensidade, análise e envolvimento na moderação e isso é um paradoxo – como a própria vida também o é.</p>



<p>Com moderação, deixamos de ser escravos dos desejos e passamos a ser co-autor das realizações. Podemos sim conquistar, ir atrás do que queremos, mas sempre entendendo que o tempo oportuno precisa estar afinado com os nossos desejos para que eles se concretizem no agora. A moderação também é nossa aliada pois nos protege de ciladas. Por que se briga tanto com ela, não é?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com a energia da Temperança na nossa vida, entendemos que o momento, muitas vezes, não é de superar, mas sim, de respeitar nossos limites. Entender o que queremos, o que é possível, o que é bom, sempre na harmonia perfeita da consciência e dos ‘mistérios’ do inconsciente que também têm voz ativa nos nossos dias.&nbsp;</p>



<p>Quantos momentos fantasiamos ter super poderes para acelerar os fatos, concluir o que nos consome, e brincarmos assim de semi-Deus? Mas a Temperança aparece nestes exatos momentos para nos ensinar que não se deve ter pressa; que é melhor aprender a ser pacientes e avançar aos poucos, com mais preparo, com mais cautela. Geralmente são momentos em que temos apenas que aceitar que nem tudo está ao nosso alcance, que nos resta ter calma e aguardar. Há um tempo certo para tudo na nossa vida. Encontramos na Bíblia a passagem que retrata perfeitamente este tempo de amadurecimento das coisas, que revela o ritmo da vida, do qual desconhecemos&nbsp; a ordem em que se dará o evento, pois isso pertence a Deus, mas que para cada coisa o seu tempo no propósito da existência:</p>



<p>“1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.&nbsp;</p>



<p>2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;&nbsp;</p>



<p>3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;&nbsp;</p>



<p>4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;&nbsp;</p>



<p>5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;&nbsp;</p>



<p>6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;&nbsp;</p>



<p>7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;&nbsp;</p>



<p>8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz “. (Eclesiastes 3:1-8 )</p>



<p>Não podemos esquecer que, na simbologia desta carta, temos a figura de um anjo. Ou seja, não podemos deixar de lado a dimensão espiritual. É preciso também dar voz para este algo além da gente (da mente racional) quando ela se manifesta. O Self vai sempre tentar dialogar com a gente, então nos cabe apenas escutá-lo através das diversas manifestações do inconsciente.</p>



<p>Neste raciocínio, impossível não lembrar do relato do próprio Jung no ‘O Livro Vermelho’. Em duas passagens distintas, em momentos de angústia, ansiedade e raiva, a voz da alma fala para ele esperar. A primeira passagem pode ser encontrada no&nbsp;<em>Liber Primus</em>, Cap IV chamado ‘O deserto’:</p>



<p>“(&#8230;) o que me leva para o deserto, e o que eu devo fazer lá? Existe uma ilusão de que não posso mais confiar ao meu pensamento? Verdadeira é apenas a vida, e tão só a vida me leva ao deserto, realmente não meu pensar que gostaria de voltar para as pessoas, para as coisas, pois lhe é sinistro estar no deserto. Minha alma, o que eu devo fazer aqui? Mas a minha alma falou-me e disse: ‘Espera’. Eu escuto a terrível palavra. Ao deserto pertence a dor”. (JUNG, 2013 p.128)</p>



<p>A partir deste capítulo começa uma discussão de Jung sobre a questão do tempo&nbsp; &#8211; ele fala sobre o homem moderno e sua busca em ganhar tempo, acelerar o processo, etc., e que usa da aceleração do tempo um meio de não se responsabilizar.&nbsp;</p>



<p>Antes de prosseguir para o segundo exemplo, é importante ressaltar que nos capítulos seguintes, de aprofundamento no deserto, Jung conclui que nem o espirito da época, nem o espirito da profundeza – alma – são divinos, mas que a balança é divina – se referindo ao equilíbrio entre o homem que trabalha e o homem que tem essas experiências, o equilíbrio entre o ego e o Self. Puxando para o nosso tema da virtude da Temperança, mesmo que seja iniciado por um período de dor ou desconforto, aprender a equilibrar as polaridades consciência e inconsciente é uma grande virtude.&nbsp;</p>



<p>Na jornada dos Arcanos Maiores do Tarot, temos os arquétipos do Enforcado e da Morte antecedendo a Temperança, nos indicando a possibilidade de antes analisarmos as situações que nos trazem desconforto e fazermos as mudanças necessárias, tirando o que não nos serve mais, limpando o que foi deixado de lado para então, no momento dela, fazermos este equilíbrio, a ponderação, reorganizando os assuntos e sentimentos conforme cabe em cada vida. Pensando nos processos alquímicos, após a Putrefação sugerida no Arcano XIII da Morte, deve-se fazer a Destilação, onde todas as impurezas são extraídas do material já dissolvido, um processo de extração das virtudes. Robert M. Place reforça o propósito da Temperança com a simbologia da Alquimia quando relembra que a&nbsp;<em>“mítica Maria, a Judia,&nbsp;</em><em>é creditada como inventora da Destilaçã</em><em>o –&nbsp;</em><em>tamb</em><em>ém conhecida como Banho-Maria”</em>&nbsp;(2016 p.186), traz o processo mais fundamental da alquimia que é a extração do material de sua solução pela evaporação forçada.</p>



<p>Mais a frente, no cap. VI chamado Divisão do espírito, Jung novamente se revolta com a sua alma quando, novamente, ela propõe algo difícil para ele:</p>



<p>“(&#8230;) Este caminho está cercado de magia infernal; laços invisíveis foram atirados sobre mim e me amarram. Mas o espírito da profundeza aproximou-se de mim e falou: ‘Desce para tua profundeza, afunda-te’. Eu, porém, me revoltei contra ele e falei: ‘Como posso afundar-me? Sou incapaz de fazer isso comigo’. Então o espírito me dirigiu palavras que me pareceram ridículas, e ele disse: Senta-te e descansa’.”. (JUNG, 2013, p.142)</p>



<p>Concluímos, então, que a alma pede ação, mas muitas vezes pede que enfrentemos o estado da espera, da maturação. Enquanto a alquimia está sendo feita, devemos deixar alguns comandos de lado pois só assim é que teremos mais sabedoria para seguirmos a diante. Nem todos os conteúdos estão prontos para serem mexidos no agora.</p>



<p>A Temperança, desta forma, também nos induz a compreender a importância do sentimento como uma função de escolha ativa e inteligente. A água despejada incessantemente de um cálice para o outro se dá porque o sentimento também deve fluir constantemente, sendo reequilibrado a cada momento, de acordo com o que a situação pede. Nós temos a liberdade de escolha, mas temos também que entender que nem sempre os resultados serão imediatos. Deve se ter um olhar atento, honesto e profundo a cada momento, sempre e de novo &#8211; parafraseando o Jung no livro ‘A Natureza da Psique’ (2011).</p>



<p>Nesta difícil relação de espera, devemos compreender que não se trata de uma espera passiva, omissa, onde corremos o risco da procrastinação. A grande joia desta carta é compreender que na espera ativa, eu faço a minha parte, o que já está a minha disposição e deixo o espírito, a alma fazer a parte dela, numa equilibrada e harmoniosa interação do homem com o universo.&nbsp;</p>



<p>Assim, nos tempos atuais de cólera, intolerância e imediatismo, vamos conversar com a Temperança dentro de nós e aprendermos qual é o nosso limite e quais os potenciais ainda não trabalhados, buscando sempre o nosso melhor diante das situações. Como comentei no início, é uma carta bela e doce porque se este momento for encarado como um potencial vasto de aprendizado da nossa alma, ela só tem a nos presentear. Agora é também temido por muitos pois nos traz aquele tipo de lição a qual nós não podemos fugir. Se quisermos amadurecer, teremos que aprender a lidar com ela, olhar no fundo dos seus olhos e humildemente nos render que existem outros de nós neste jogo da vida querendo também ter espaço e presença. Que na jornada da vida, temos alguns momentos de controle. Mas nos outros, só nos resta aguardar.&nbsp;</p>



<p>Referências Bibliográficas</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>A natureza da Psique</strong>: a dinâmica do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>O Livro Vermelho</strong>: edição sem ilustrações. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, C.G. [et al.]&nbsp;<strong>O Homem e seus símbolos</strong>. 2 edição especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.</p>



<p>PLACE, Robert M.&nbsp;<strong>Alquimia e tarô&nbsp;</strong>– Uma investigação de suas conexões históricas. São Bernardo do Campo: Presságio, 2016.</p>



<p><strong>Marcella Helena Ferreira</strong></p>



<p>Analista Junguiana em formação pelo IJEP, especialista em Psicoterapia Junguiana e Psicossomática.</p>



<p>Para contato:&nbsp;<a href="mailto:marcellahlferreira@gmail.com">marcellahlferreira@gmail.com</a>&nbsp;/@conhecendojung</p>



<p><strong>A virtude da Temperança</strong></p>



<p>Na visão junguiana, a meta da vida é o significado, ser feliz é apenas uma consequência. Assim,</p>



<p>precisamos aprender a enxergar o sentido de cada situação que passamos. Viver uma vida totalmente voltada para o literal ou de maneira unilateralizada produz sintomas e adoece, pois é a capacidade de simbolizar que permite um diálogo entre a situação/objeto e o indivíduo, levando então ao sentido de cada momento.&nbsp;</p>



<p>Se quisermos de fato iniciar o diálogo com o nosso inconsciente, precisamos primeiro aprender a decifrar a sua linguagem. O inconsciente se apresenta e se comunica sempre através de símbolos, que são&nbsp;<em>“um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais al</em><em>ém do seu significado evidente e convencional”</em>. (JUNG, 2008 p.18) Desta forma, o símbolo nos convida para ir além do que se pode ver, ao subjetivo de cada situação. Pede envolvimento pessoal e individual.&nbsp;</p>



<p>Quando entramos em contato com oráculos, o convite para o envolvimento pessoal, para ir além do que é apresentado se intensifica, pois eles são recursos simbólicos para o acesso aos conteúdos do inconsciente. Indo para o universo do Tarot, cada lâmina, rica em símbolos, conta uma história, nos mostra uma personalidade e um aprendizado. Todas as cartas são rituais de passagem – estágios ou processos, não resultados ou lugares estáticos imutáveis.</p>



<p>Aproveitando a excelente oportunidade, peguei o meu próprio&nbsp;<em>deck</em>&nbsp;e me concentrei para ver qual carta estaria em conexão com o momento e, para a surpresa – nem tanto, confesso – saiu a carta que mais representaria não apenas o momento pessoal mas também coletivo, uma vez que sabemos que os oráculos falam sobre a nossa vida sempre dentro de um contexto coletivo, sendo inevitável a visitação do que acontece ao nosso redor.</p>



<p>A carta em questão, tão bonita e doce quanto temida, é a Temperança. Representada pelo número XIV, a Temperança faz parte dos Arcanos Maiores – e vale aqui compartilhar como curiosidade que a palavra arcano significa mistério – e, portanto, sendo um dos mistérios do Tarot, pede para tentarmos decifrar seu simbolismo além de evidenciar um desafio dentro da jornada da vida.&nbsp;</p>



<p>Nos tarots clássicos e modernos, vemos um homem com asas, representando a conexão entre os homens com as hierarquias superiores, tocando o solo com os pés – um deles em contato com a água e outro na terra, e segura nas mãos dois jarros onde a água é trocada entre eles, como se fosse temperar as forças opostas através do liquido. Percebemos aqui a importância de temperar, equilibrar as polaridades: temos homem e anjo, água e terra, razão e emoção, consciente e inconsciente etc.</p>



<p>Vale reparar que mesmo tendo a troca de água entre os jarros, seu conteúdo está contido. Não é despejado de volta na água nem entra água nova. É um momento mais de pausa, de contenção e é por isso que muitas pessoas não se sentem à vontade quando ela aparece – não adianta apressar, tentar controlar, fingir que nada está acontecendo. A carta pede sim movimento, equilíbrio, porém ficamos reféns de algo maior que nós – o momento certo e oportuno está fora das nossas mãos. Muitas vezes temos que fazer nossa parte e apenas esperar.&nbsp;</p>



<p>Nos tempos em que vivemos, cheios de urgência, crises de ansiedade em larga escala; pedir para fazer o possível, tentando equilibrar os opostos na própria individualidade e aguardar, parece até um pouco torturante. Mas é exatamente o que a vida nos pede em muitos momentos. Sair da onipotência de achar que controlamos tudo e todos e parar para olhar os sinais e o ritmo que a própria vida nos impõe é de grande sabedoria. E isso é algo que precisamos aprender com a Temperança.</p>



<p>O Arcano XIV nos convida a fazer a nossa alquimia pessoal – ver em qual área da vida está precisando de um pouco mais de sal, onde precisamos adoçar mais, em qual área colocar pimenta, quase que um processo gastronômico. Ela pede um olhar apurado e coragem para as transformações – é preciso lapidar, é preciso transmutar, é preciso entrar em processos profundos e refletir. E para fazer tudo isso, precisa de tempo.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O tempo é o nosso maior aliado no alcance dos nossos objetivos. Neste arcano, dedicar tempo para os cuidados com o corpo, alimentação, estudos, acalmar, entrar em contato com a nossa alma é imprescindível; o tempo se torna nosso maior aliado para a realização dos nossos objetivos. Precisamos resgatar a confiança que as metas e exigências materiais podem ser conquistadas com leveza e serenidade. A vida pode e deve ser levada de forma diferente, com mais presença e atenção. É preciso se lançar para as conquistas da jornada com coragem de se relacionar com cada etapa deste processo, permitindo influenciar e ser influenciado, buscando o sentido profundo de tudo a nossa volta. No tempo onde o imediatismo e o consumismo estão tão em alta, a Temperança surge para desacelerar e nos ensinar a ver além do literal e objetivo.&nbsp;</p>



<p>Ela nos convida a agir com moderação e talvez seja isso que assuste. Como moderar quando apenas se quer controlar e acelerar todos os processos? Como pensar em moderar quando se busca extrair o máximo de cada experiência? E é aqui que novamente ela entra para recordar que a moderação não é necessariamente rasa. Moderar é dar tempo ao tempo, ponderar, é também buscar a exata medida e, para isso, é necessária uma profunda reflexão. O problema é acharmos que apenas o que é exagerado é profundo. Há muita intensidade, análise e envolvimento na moderação e isso é um paradoxo – como a própria vida também o é.</p>



<p>Com moderação, deixamos de ser escravos dos desejos e passamos a ser co-autor das realizações. Podemos sim conquistar, ir atrás do que queremos, mas sempre entendendo que o tempo oportuno precisa estar afinado com os nossos desejos para que eles se concretizem no agora. A moderação também é nossa aliada pois nos protege de ciladas. Por que se briga tanto com ela, não é?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Com a energia da Temperança na nossa vida, entendemos que o momento, muitas vezes, não é de superar, mas sim, de respeitar nossos limites. Entender o que queremos, o que é possível, o que é bom, sempre na harmonia perfeita da consciência e dos ‘mistérios’ do inconsciente que também têm voz ativa nos nossos dias.&nbsp;</p>



<p>Quantos momentos fantasiamos ter super poderes para acelerar os fatos, concluir o que nos consome, e brincarmos assim de semi-Deus? Mas a Temperança aparece nestes exatos momentos para nos ensinar que não se deve ter pressa; que é melhor aprender a ser pacientes e avançar aos poucos, com mais preparo, com mais cautela. Geralmente são momentos em que temos apenas que aceitar que nem tudo está ao nosso alcance, que nos resta ter calma e aguardar. Há um tempo certo para tudo na nossa vida. Encontramos na Bíblia a passagem que retrata perfeitamente este tempo de amadurecimento das coisas, que revela o ritmo da vida, do qual desconhecemos&nbsp; a ordem em que se dará o evento, pois isso pertence a Deus, mas que para cada coisa o seu tempo no propósito da existência:</p>



<p>“1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.&nbsp;</p>



<p>2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;&nbsp;</p>



<p>3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;&nbsp;</p>



<p>4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;&nbsp;</p>



<p>5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;&nbsp;</p>



<p>6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;&nbsp;</p>



<p>7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;&nbsp;</p>



<p>8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz “. (Eclesiastes 3:1-8 )</p>



<p>Não podemos esquecer que, na simbologia desta carta, temos a figura de um anjo. Ou seja, não podemos deixar de lado a dimensão espiritual. É preciso também dar voz para este algo além da gente (da mente racional) quando ela se manifesta. O Self vai sempre tentar dialogar com a gente, então nos cabe apenas escutá-lo através das diversas manifestações do inconsciente.</p>



<p>Neste raciocínio, impossível não lembrar do relato do próprio Jung no ‘O Livro Vermelho’. Em duas passagens distintas, em momentos de angústia, ansiedade e raiva, a voz da alma fala para ele esperar. A primeira passagem pode ser encontrada no&nbsp;<em>Liber Primus</em>, Cap IV chamado ‘O deserto’:</p>



<p>“(&#8230;) o que me leva para o deserto, e o que eu devo fazer lá? Existe uma ilusão de que não posso mais confiar ao meu pensamento? Verdadeira é apenas a vida, e tão só a vida me leva ao deserto, realmente não meu pensar que gostaria de voltar para as pessoas, para as coisas, pois lhe é sinistro estar no deserto. Minha alma, o que eu devo fazer aqui? Mas a minha alma falou-me e disse: ‘Espera’. Eu escuto a terrível palavra. Ao deserto pertence a dor”. (JUNG, 2013 p.128)</p>



<p>A partir deste capítulo começa uma discussão de Jung sobre a questão do tempo&nbsp; &#8211; ele fala sobre o homem moderno e sua busca em ganhar tempo, acelerar o processo, etc., e que usa da aceleração do tempo um meio de não se responsabilizar.&nbsp;</p>



<p>Antes de prosseguir para o segundo exemplo, é importante ressaltar que nos capítulos seguintes, de aprofundamento no deserto, Jung conclui que nem o espirito da época, nem o espirito da profundeza – alma – são divinos, mas que a balança é divina – se referindo ao equilíbrio entre o homem que trabalha e o homem que tem essas experiências, o equilíbrio entre o ego e o Self. Puxando para o nosso tema da virtude da Temperança, mesmo que seja iniciado por um período de dor ou desconforto, aprender a equilibrar as polaridades consciência e inconsciente é uma grande virtude.&nbsp;</p>



<p>Na jornada dos Arcanos Maiores do Tarot, temos os arquétipos do Enforcado e da Morte antecedendo a Temperança, nos indicando a possibilidade de antes analisarmos as situações que nos trazem desconforto e fazermos as mudanças necessárias, tirando o que não nos serve mais, limpando o que foi deixado de lado para então, no momento dela, fazermos este equilíbrio, a ponderação, reorganizando os assuntos e sentimentos conforme cabe em cada vida. Pensando nos processos alquímicos, após a Putrefação sugerida no Arcano XIII da Morte, deve-se fazer a Destilação, onde todas as impurezas são extraídas do material já dissolvido, um processo de extração das virtudes. Robert M. Place reforça o propósito da Temperança com a simbologia da Alquimia quando relembra que a&nbsp;<em>“mítica Maria, a Judia,&nbsp;</em><em>é creditada como inventora da Destilaçã</em><em>o –&nbsp;</em><em>tamb</em><em>ém conhecida como Banho-Maria”</em>&nbsp;(2016 p.186), traz o processo mais fundamental da alquimia que é a extração do material de sua solução pela evaporação forçada.</p>



<p>Mais a frente, no cap. VI chamado Divisão do espírito, Jung novamente se revolta com a sua alma quando, novamente, ela propõe algo difícil para ele:</p>



<p>“(&#8230;) Este caminho está cercado de magia infernal; laços invisíveis foram atirados sobre mim e me amarram. Mas o espírito da profundeza aproximou-se de mim e falou: ‘Desce para tua profundeza, afunda-te’. Eu, porém, me revoltei contra ele e falei: ‘Como posso afundar-me? Sou incapaz de fazer isso comigo’. Então o espírito me dirigiu palavras que me pareceram ridículas, e ele disse: Senta-te e descansa’.”. (JUNG, 2013, p.142)</p>



<p>Concluímos, então, que a alma pede ação, mas muitas vezes pede que enfrentemos o estado da espera, da maturação. Enquanto a alquimia está sendo feita, devemos deixar alguns comandos de lado pois só assim é que teremos mais sabedoria para seguirmos a diante. Nem todos os conteúdos estão prontos para serem mexidos no agora.</p>



<p>A Temperança, desta forma, também nos induz a compreender a importância do sentimento como uma função de escolha ativa e inteligente. A água despejada incessantemente de um cálice para o outro se dá porque o sentimento também deve fluir constantemente, sendo reequilibrado a cada momento, de acordo com o que a situação pede. Nós temos a liberdade de escolha, mas temos também que entender que nem sempre os resultados serão imediatos. Deve se ter um olhar atento, honesto e profundo a cada momento, sempre e de novo &#8211; parafraseando o Jung no livro ‘A Natureza da Psique’ (2011).</p>



<p>Nesta difícil relação de espera, devemos compreender que não se trata de uma espera passiva, omissa, onde corremos o risco da procrastinação. A grande joia desta carta é compreender que na espera ativa, eu faço a minha parte, o que já está a minha disposição e deixo o espírito, a alma fazer a parte dela, numa equilibrada e harmoniosa interação do homem com o universo.&nbsp;</p>



<p>Assim, nos tempos atuais de cólera, intolerância e imediatismo, vamos conversar com a Temperança dentro de nós e aprendermos qual é o nosso limite e quais os potenciais ainda não trabalhados, buscando sempre o nosso melhor diante das situações. Como comentei no início, é uma carta bela e doce porque se este momento for encarado como um potencial vasto de aprendizado da nossa alma, ela só tem a nos presentear. Agora é também temido por muitos pois nos traz aquele tipo de lição a qual nós não podemos fugir. Se quisermos amadurecer, teremos que aprender a lidar com ela, olhar no fundo dos seus olhos e humildemente nos render que existem outros de nós neste jogo da vida querendo também ter espaço e presença. Que na jornada da vida, temos alguns momentos de controle. Mas nos outros, só nos resta aguardar.&nbsp;</p>



<p>Referências Bibliográficas</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>A natureza da Psique</strong>: a dinâmica do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>O Livro Vermelho</strong>: edição sem ilustrações. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, C.G. [et al.]&nbsp;<strong>O Homem e seus símbolos</strong>. 2 edição especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.</p>



<p>PLACE, Robert M.&nbsp;<strong>Alquimia e tarô&nbsp;</strong>– Uma investigação de suas conexões históricas. São Bernardo do Campo: Presságio, 2016.</p>



<p><strong>Marcella Helena Ferreira</strong></p>



<p>Analista Junguiana em formação pelo IJEP, especialista em Psicoterapia Junguiana e Psicossomática.</p>



<p>Para contato:&nbsp;<a href="mailto:marcellahlferreira@gmail.com">marcellahlferreira@gmail.com</a>&nbsp;/@conhecendojung</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-marcella-helena-ferreira"><strong><em>Marcella Helena Ferreira&nbsp;</em></strong></h4>
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