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	<title>Arquivos Transcendencia - Blog IJEP</title>
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	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/transcendencia/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Transcendencia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Conspiração silenciosa</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/conspiracao-silenciosa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 18:39:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Transcendencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será que existe um sentido maior para a vida? Estamos aqui para servir ou apenas lutar por nossa bio sobrevivência?  O que somos e quem somos nós? Estas reflexões estão contempladas neste ensaio e no vídeo indicado.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Terra é um pequeno e raro planeta que vem possibilitando a vida biológica dos seres advindos do carbono, habitado por nós, seres humanos, gerados pelo húmus e, por isso mesmo, dependemos dela! Apesar disso, infelizmente, estamos correndo o risco de sermos extintos, porque acabamos criando e aprendendo a conviver com a destruição da camada mais exterior do planeta, impermeabilizando o solo e a atmosfera, além de estimularmos o egoísmo, a violência, a competição, a desigualdade e uma infinidade de iniquidades. Com isso, somos continuamente expostos ao medo, a dor, a tristeza e acabamos nos tornando sofredores, continuamente assustados com a poluição, o aquecimento global, o risco eminente de catástrofes, gerando, em decorrência disso, a desgraça da exclusão social, racial, religiosa, cultural e, a pior de todas, a econômica. Reativa e condicionadamente, essa situação nos leva para o desconforto psíquico, o qual fomos treinados a aliviá-lo por meio do consumo exagerado de todos os tipos de coisas inúteis e de drogas, o que agrava mais ainda a situação, apesar de proporcionar sensação de anestesia momentânea. Mas, simultaneamente, um movimento silencioso, tranquilo e oculto está acontecendo, e certas pessoas estão sendo tomadas por uma dimensão mais elevada, como uma espécie de luz que as desperta e remete para um estado de amor incondicional, consigo mesmas e pelos próximos, com sentimentos de plenitude e fé! Apesar desse atual retrocesso androcêntrico, misógino, machista e territorialista, representado por lideranças de extrema direita que estão surgindo, legitima ou ilegitimamente.</p>



<p>Esta conspiração vai produzindo uma revolução silenciosa que está se instalando de dentro para fora e de baixo para cima! É uma operação global. Uma conspiração espiritual. Existem células dessa operação em cada canto do mundo, fazendo que a atual percepção horizontal, superficial, imediata e material do nosso planeta, também inclua as dimensões verticais, profundas, implicativas e espirituais. Sua manifestação é sutil, atuando como uma espécie de onda que vai sensibilizando e mobilizando cada vez mais pessoas, até que essa onda se torne uma espécie de tsunami da consciência, devido à quantidade de seres vibrando com ela, produzindo a massa crítica necessária para mais um salto quântico evolutivo!</p>



<p>Dificilmente a grande massa alienada no consumo, nas dívidas e no trabalho, irá assistir na TV, ouvir nos rádios ou ler a respeito dessa conspiração nos jornais. Porque, por um lado, a mídia da sociedade de consumo ainda não está sensível e corajosa para divulgar esse movimento e, por outro lado, aqueles que estão engajados nele não estão buscando glória, não usam uniformes e nem fazem questão do poder ou da gratidão. Por isso o processo vai acontecendo sem alarde, apesar de cada vez mais forte e firme. Fora isso, para que o salto de consciência sustentável e inclusivo aconteça, é preciso romper a capacidade pasteurizante do atual capitalismo, que transforma tudo em matéria a serviço do mercado, inclusive a dimensão sagrada institucionalizada!</p>



<p>Os membros dessa conspiração são recrutados por meio da luz do autoconhecimento que, inevitavelmente, produz ampliação da consciência e compromissos com a humanidade e com o planeta, ao adquirirem ideais de inclusão, sustentabilidade, ecologia e amor universal. Então, essas pessoas vão surgindo de diversas formas, lugares, cores, formações, idades e quantidades diferentes, e são oriundas das mais variadas raças, culturas, costumes, credos religiosos e classes sociais. Porém, cada novo adepto passa por uma espécie de rito onde ele tem que morrer, para sair dos condicionamentos e dos aprendizados paralisantes, para poder renascer orientado na direção do caminho da luz da consciência unitiva, convicto de que ele tem que&nbsp;servir para ser. Muitos servidores dessa nova ordem trabalham anonimamente e silenciosamente, fora de cena e dos holofotes, em cada cultura do mundo, nas grandes e pequenas cidades, em suas montanhas e vales, fazendas, vilas, tribos ou ilhas remotas. Esses revolucionários estão alinhados com o amor ágape, e aprenderam deixar o outro livre, inclusive para amar-lhes, tornando-os igualmente livres, mesmo que alinhados ainda com a velha moral. Porque toda forma de dependência aprisiona! Estando livre, passamos a respeitar as escolhas do outro, porque liberdade respeita liberdade. Mas, para isso, acima de tudo, é necessário o amor próprio, que liberta e deixa o amado livre para sua realização!</p>



<p>A maioria das pessoas cruza por seus servidores nas ruas e nem percebem, porque eles seguem disfarçados, sem aparições espetaculares, realizando seus ofícios, que se tornou sagrado, sem se importarem com quem irá ficar com os louros da vitória, porque, para eles, o servir é mais importante do que o ter e, neste sentido, já encontraram a maior recompensa. Por saberem que tudo e todos pertencem ao uno, e que enquanto existir um ser senciente sofrendo a consciência unitiva estará sofrendo também.</p>



<p>Muitas vezes os participantes dessa conspiração se encontram pelas ruas, trocam olhares de reconhecimento e seguem seus caminhos, a maioria está disfarçada em seus empregos comuns e normais, mas sempre que podem, despem-se de suas personas normóticas e realizam o verdadeiro trabalho, apesar de que mesmo disfarçados e imiscuídos na multidão inconsciente e enredada nos automatismos, seu trabalho está sendo feito, porque a consciência da presença sempre irá interferir na ambiência, ou seja, no entorno objetivo e intersubjetivo.</p>



<p>Esse novo &#8220;exército da consciência&#8221; lentamente está construindo um novo mundo com o poder de seus corações e mentes, com alegria e paixão, apesar de toda adversidade e iniquidade da nossa realidade. São guerreiros pacíficos e silenciosos que cumprem as ordens do poder superior, representante da inteligência espiritual unitiva, jogando bombas suaves de amor sem que ninguém note. Essas bombas muitas vezes são veiculadas nos poemas, abraços, músicas, fotos, filmes, livros, palestras, aulas, entrevistas, palavras carinhosas, meditações, preces, danças, ativismo social, sites, blogs, atos de bondade ou até de indignação, caridade ou solidariedade.</p>



<p>Cada guerreiro da consciência se expressa de forma única e pessoal, com talentos e dons individuais, mas todos estão engajados no mesmo propósito que é a mudança que queremos ser e ver no mundo! Essa é a força que move seus corações, dando a cor-agem para promoverem à transformação silenciosa que provocará a mudança de paradigma necessária, contribuindo para a evolução criativa e espiritual da humanidade. Eles estão conscientes que suas ações devem ser silenciosas e humildes, apesar te terem o poder de todos os oceanos juntos. Eles vão contribuindo lenta e meticulosamente na trans-formação humana, promovendo o amor como a maior e legítima religiosidade do planeta, sem pré-requisitos de grau de educação e sem conhecimentos excepcionais para essa compreensão, porque esse conhecimento nasce da inteligência do coração, escondida pela eternidade, no pulso espiritual e evolucionário presente na imanência de todo ser humano.</p>



<p>Então, que cada indivíduo seja a mudança que quer ver acontecer no mundo, pois ninguém pode fazer esse trabalho por você! Desta forma, sincronicamente, você está sendo recrutando para se juntar a esse exército que têm todos os seus membros continuamente de portas, coração e mentes abertas! Em pé e a ordem para o trabalho de edificação de um mundo mais livre, igual e fraterno.</p>



<p>PAZ e BEM&nbsp;</p>



<p>*&nbsp;WALDEMAR&nbsp;MAGALDI FILHO.&nbsp;Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado&#8221;, Ed. Eleva Cultural, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP (<a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a>), oferecidos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Waldemar Magaldi Filho &#8211; 15/06/2019</em></strong></h4>



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			</item>
		<item>
		<title>Terceira idade: vida em transcendência</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/terceira-idade-vida-em-transcendencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 19:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
		<category><![CDATA[terceira idade]]></category>
		<category><![CDATA[Transcendencia]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O envelhecimento é um processo que ocorre ao longo da vida, e a velhice é a última fase desse ciclo. Ela ocorre após a fase da maturidade e, de modo geral, entre 65 e 74 anos somos considerados “velhos jovens”, com mais de 75, “velhos” e, com mais de 85, “velhos mais velhos”. Esse percurso envolve muitas mudanças que podemos denominar de aspectos biopsicossociais e vêm ao encontro do que Jung nos trouxe como analogia do sol:&nbsp;</p>



<p>Os cento e oitenta graus de arco de nossa vida podem ser divididos em quatro partes. O primeiro quarto, situado a leste, é a infância, aquele estado sem problemas conscientes, no qual somos um problema para os outros, mas ainda não temos consciência de nossos problemas. Os problemas conscientes ocupam o segundo e terceiro quartos, enquanto no último quarto, na extrema velhice, mergulhamos naquela situação em que, a despeito do estado de nossa consciência, voltamos a ser uma espécie de problema para os outros. A infância e a extrema velhice são totalmente diferentes entre si, mas têm algo em comum: a imersão no processo psíquico inconsciente. (2013, O/C 8/2, p.360).&nbsp;</p>



<p>Na terceira idade, podemos mergulhar cada vez mais no inconsciente, permitindo assim que a vida transcenda.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos últimos anos, o número de idosos cresceu e a expectativa de vida aumentou, em função de diferentes fatores. Os sinais de que a velhice está chegando podem ser constatados por algumas características físicas: perda de pigmentação, textura e elasticidade da pele, pelos finos e brancos, diminuição de estatura, rarefação dos ossos e tendência a dormir menos. De forma idêntica, as alterações sociais ocorrem: crise na identidade, mudança de papéis, aposentadoria, perdas diversas, diminuição de contatos sociais e estigmas. Por fim, as alterações psicológicas também podem estar presentes: dificuldade de adaptação aos novos papéis e as perdas orgânicas, alterações psíquicas que exigem tratamento, como depressão, hipocondria, baixa autoimagem e autoestima, entre outros. As alterações citadas não são determinantes e não obedecem rigorosamente à idade cronológica, tendo em vista que o ser humano é integral e único, podendo interferir nos padrões estabelecidos e ressignificar sua vida em qualquer momento. Machado de Assis nos trouxe, em forma de poesia, essa possibilidade: “Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva&#8230;”.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, aspectos culturais interferem na vida do idoso. Em algumas culturas, principalmente nas orientais, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito. Idosos são cuidados, glorificados, reverenciados, sendo consultados antes das grandes decisões. Infelizmente na nossa cultura nem sempre é assim. Queremos viver muito tempo, mas não queremos ser velhos, porque o ancião tem conotação de fragilidade, incompetência e perda de atratividade. Vários estudos são realizados para compreendermos o envelhecimento e, de acordo com Papalia, D. E., Olds, S. W., &amp; Feldman, R. D., ainda nos deparamos com o preconceito de idade contra pessoas mais velhas, utilizando estereótipos que são baseados em ideias errôneas e que causam danos em diferentes dimensões. Muitos idosos são saudáveis, vigorosos e ativos, sendo que as mudanças físicas variam de pessoa para pessoa, podendo-se evitar os efeitos do envelhecimento que permeiam a doença, o desuso e o abuso do corpo. Os problemas crônicos podem se instaurar, mas não limitam as atividades da vida diária. A depressão e a demência podem ter tratamento adequado. De modo geral, os idosos mostram plasticidade no desempenho cognitivo e declínio no funcionamento da memória. (2006, p. 520).&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Rudolf Steiner, com o olhar da Antroposofia, dos 63 aos 70 anos, a sabedoria predomina e, caso tenha respeitado o ritmo de cada fase, sua luz interior também brilhará. Erik Erikson contribuiu com a psicologia do desenvolvimento, apresentando a última crise – integridade&nbsp;<em>versus</em>&nbsp;desespero &#8211; culminando na virtude da sabedoria, ou aceitação de nossa vida e morte iminente. E Jung colaborou com muitas reflexões, principalmente sobre o sentido e significado da vida:&nbsp;</p>



<p>Mas não devemos esquecer que só bem pouquíssimas pessoas são artistas da vida, e que a arte de viver é a mais sublime e a mais rara de todas as artes (&#8230;) Assim, quantas coisas na vida não foram vividas por muitas pessoas – muitas vezes até potencialidades que elas não puderam satisfazer, apesar da sua vontade – e assim se aproximam do limiar da velhice com aspirações e desejos irrealizados que automaticamente desviam o seu olhar para o passado. (2013, O/C 8/2, p. 357).&nbsp;</p>



<p>Conforme a Psicologia Analítica, na primeira metade da vida ocorre o desenvolvimento do ego, voltado para a consciência. Aparecem as personas e as sombras. A totalidade psíquica fica em segundo plano e é substituída pelo princípio dual dos opostos, entre consciente e inconsciente, rompendo-se de algum modo com a entrada na metanoia – crise intensa que comparece diante de angústias &#8211; que nos convida à caminhada rumo ao&nbsp;<em>Self</em>. A segunda metade da vida geralmente é marcada pelo processo de individuação. Ocorre a síntese de fatores que envolvem o consciente e o inconsciente pessoal e coletivo, formando a totalidade da personalidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De modo geral, hoje os idosos são amparados com mais possibilidades quando o assunto é saúde e qualidade de vida. Envelhecer envolve um processo dinâmico, progressivo e irreversível. Conforme Chopra (1994, p. 87), existem três modos de medir a idade de alguém: idade cronológica, idade biológica e idade psicológica. A&nbsp;<em>gerontologia</em>&nbsp;é a<em>&nbsp;</em>ciência que estuda o envelhecimento sob os aspectos social, psicológico, econômico, ético, legal, ambiental e de políticas de saúde. A&nbsp;<em>geriatria</em>&nbsp;cuida dos aspectos preventivos, curativos à saúde dos idosos. A&nbsp;<em>psicologia</em>&nbsp;é uma grande aliada para acompanhamento dos aspectos psíquicos do idoso. Algumas angústias dos idosos que buscam a psicoterapia, envolvem a limitação da capacidade de decisão, de comando e de escolha, que restringem a realização de atividades com os meios intelectual, físico, financeiro e afetivo. Outra queixa frequente é a de sentirem-se sozinhos, sem alguém que escute e compreenda suas necessidades. As patologias que aparecem podem ser transformadas em aspectos saudáveis pela ressignificação de padrões que resultem em manutenção da autonomia e possibilitem o máximo de independência. Em 1985, o grupo de samba Fundo de Quintal trouxe-nos a música<em></em>“Realidade”<em>:&nbsp;</em>“Quando a idade chegar, não deixe transparecer rancor. Se a pele enrugar, sorria, são rugas de amor (&#8230;). Apesar dos pesares, brotou sementes que você plantou. Outro dia virá&#8230;”<em>&nbsp;&nbsp;</em>Nesse sentido, o tempo de&nbsp;<em>Kairós</em>&nbsp;estará cada vez mais presente, permitindo o surgimento de novos significados para a existência.&nbsp;</p>



<p>De acordo com várias estatísticas, os problemas geriátricos mais comuns são: imobilidade com quedas, incontinência, insônia, infecção, iatrogenia, interação farmacológica, insuficiência cognitiva, déficit nutricional e desidratação, déficit imunológico, déficit visual e auditivo. Coincidência ou não, a maior parte das doenças iniciam com as letras “d” e “i”, apontando para problemas de deficiência e incapacidade, que nos levam à dependência dos outros. Sob o olhar da psicossomática, o adoecimento geralmente está interligado com fatores predisponentes e fatores desencadeantes da natureza humana. O eixo psiconeuroendocrinoimunologia, palavra longa, que simbolicamente sugere uma longa caminhada, em que o estresse crônico acelera o envelhecimento e o surgimento de doenças neurodegenerativas, muitas vezes vistas como um luto em vida, ao percebermos os nossos entes queridos em desintegração progressiva da personalidade. E sobre os fatores desencadeantes, Jung dizia:</p>



<p>Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo, o sol recolhe seus raios para iluminar-se a si mesmo. Em vez de fazer o mesmo, muitos indivíduos idosos preferem ser hipocondríacos, avarentos, dogmatistas e&nbsp;<em>laudatores temporis acti&nbsp;</em>(louvadores do passado) e até mesmo eternos adolescentes. (2013, O/C 8/2, p. 356).&nbsp;</p>



<p>Por outro lado, muitos idosos gozam de saúde excepcional, que envolve a harmonia entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, genética, estilo de vida saudável, espiritualidade e mecanismos psicológicos adequados, o que abrange recursos de enfrentamento, boa rede de apoio e resiliência diante das dificuldades.&nbsp;</p>



<p>Envelhecer não é só um fator pessoal. Precisamos cada vez mais do compromisso social, institucional e de políticas públicas que beneficiem e protejam os idosos. Nessa sociedade desigual e discriminatória, cada vez mais eles são cuidadores de filhos adultos, netos ou bisnetos. Alguns continuam trabalhando fora de casa, limitando a sua qualidade de vida, no momento em que a vida requer estilos mais saudáveis, que incluam investimento em cuidados e lazer. Em alguns casos, ocorre o abandono e o abuso por parte de familiares, retirando dos idosos o dinheiro que possuem. Da mesma forma, alguns cuidadores também deixam de exercer os cuidados necessários, o que faz que eles se sintam cada vez mais sozinhos e desprotegidos. Consequentemente, com o declínio de alguns aspectos vitais e sem os cuidados necessários, as doenças podem aparecer e a morte se antecipar. A morte para muitos ainda é algo difícil de conceber e, segundo Jung, aspectos da vida psíquica estão presentes na dualidade viver e morrer: “Tenho observado que aqueles que mais temem a vida quando jovens, são justamente os que mais têm medo da morte quando envelhecem” (2013, O/C 8/2, p.362).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, assim como na alquimia, diferentes etapas nos envolvem desde o nascimento até a velhice. De acordo com Jung,&nbsp;</p>



<p>os quatro estágios com cores mencionadas em Heráclito –&nbsp;<em>melanosis</em>&nbsp;(pretejamento),&nbsp;<em>leukosis</em>&nbsp;(embranquecimento),&nbsp;<em>xanthosis</em>&nbsp;(amarelamento) e&nbsp;<em>iosis</em>&nbsp;(avermelhamento) – com o passar do tempo transformaram-se em&nbsp;<em>nigredo, albedo, rubedo</em>&#8230; (1994, p. 241).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A&nbsp;<em>nigredo</em>&nbsp;pode ser comparada com as noites escuras da alma, em que aparece o sentimento de fundo do poço, a necessidade do pesado e o difícil de ser limpo e purificado, que são as queixas e o sofrimento que precisam de um novo sentido e significado.&nbsp;<em>Albedo</em>&nbsp;é como a aurora, o amanhecer, onde o que não serve mais vai embora, representada pela candura e castidade e é também a fase reflexiva, de distanciamento e de maior consciência. A&nbsp;<em>rubedo</em>&nbsp;é a fase de maior equilíbrio, que envolve o sangue que circula, a vida que contagia o novo ser, podendo ser considerada como renascimento e renovação. Simbolicamente, é a transformação em ouro, que também pode ser compreendida, na linguagem junguiana, como&nbsp;<em>função transcendente</em><strong>,</strong>&nbsp;função psíquica que se origina na tensão criada entre consciente e inconsciente, num movimento de integração dos opostos, que resulta em harmonização.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Assim sendo, a terceira idade&nbsp;não precisa ser marcada por um processo de sofrimento desnecessário e pela simples reprodução de conhecimentos, como aparece simbolicamente no&nbsp;<em>Arquétipo do Velho Sábio</em>, representado por&nbsp;<em>Cronos</em>, o deus do tempo, o pai distante e hostil, o ancião que evita contato com outras pessoas por receio de que desafiem a sua autoridade e que apresenta dificuldade em expressar emoções (BRANDÃO, 1986). Ainda metaforizando,&nbsp;<em>Cronos</em>&nbsp;pode se unir a&nbsp;<em>Reia</em>, a mãe de todos os deuses, filha de Urano (céu) e a Gaia (terra), contribuindo com o fluir da vida. Em outras palavras, o envelhecimento de forma saudável envolve um propósito de vida, um objetivo maior para viver, um projeto de autoconhecimento que favoreça o servir, assim como fez Jung, que produziu um grande legado, principalmente durante o envelhecimento, criando condições para sucessores darem continuidade. E isso pode acontecer em diferentes áreas e em diferentes contextos. Envelhecer inclui um chamado para compreendermos e expressarmos o que é necessário a serviço de algo maior, que analogicamente abrange muitas mortes e renascimentos em vida<em>.&nbsp;</em>“É preciso saber viver”<em>,&nbsp;</em>nas vozes de Roberto Carlos, Erasmo Carlos<em>&nbsp;</em>ou Titãs, é um convite para escolhas saudáveis no presente, que também nos beneficiem no futuro: “Toda pedra no caminho, você pode retirar. Numa flor que tem espinhos, você pode se arranhar. Se o bem e o mal existem, você pode escolher”. Na terceira idade podemos transitar entre perdas e ganhos, com movimentos cíclicos de vida em transcendência.&nbsp;</p>



<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci maria Strieder&nbsp;– Membro analista em formação do IJEP</strong></p>



<p><strong>Waldemar Magaldi – Analista Didata</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Leituras de apoio:</li>
</ol>



<p>ASSIS, Machado de.&nbsp;<em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.</p>



<p>BRANDÃO, J.&nbsp;<em>Mitologia grega.</em>&nbsp;Vol. 1, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p>CHOPRA, D.&nbsp;<em>Corpo sem idade, mente sem fronteiras</em>. RJ: Rocco, 1994.</p>



<p>ERIKSON, E. H.&nbsp;<em>O ciclo de vida completo</em>. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.&nbsp;</p>



<p>JUNG, C. G.&nbsp;<em>A natureza da psique</em>. 10ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>__________&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>__________&nbsp;<em>Psicologia e Alquimia.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p>LIEVEGOED, B.&nbsp;&nbsp;<em>Fases da vida</em>. Crises e desenvolvimento da Individualidade. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.&nbsp;</p>



<p>PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D.&nbsp;<em>Desenvolvimento humano</em>&nbsp;(8ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2006.&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list" start="2">
<li>Músicas:</li>
</ol>



<p>ROBERTO CARLOS.&nbsp;<em>É preciso saber viver</em>. CBS, 1974.</p>



<p>FUNDO DE QUINTAL.&nbsp;<em>Realidade</em>. Álbum seja sambista, Rio de Janeiro: RGE,1984.</p>



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<h4 class="wp-block-heading" id="h-claci-maria-strieder"><strong><em>Claci maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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			</item>
		<item>
		<title>Metanóia e meia-idade: mergulho nas profundezas da alma e no poder de renovação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/metanoia-e-meia-idade-mergulho-nas-profundezas-da-alma-e-no-poder-de-renovacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2020 19:19:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
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<p>A metanóia pode ser compreendida como uma crise de transição, que envolve aquilo que vai além da razão e que exige transgressão para que as mudanças ocorram. O processo de análise tem como objetivo proporcionar a metanóia, que pode ocorrer em qualquer idade cronológica do indivíduo e em diferentes etapas da vida humana, porém nessa ampliação irei fazer uma convenção e me ater mais na crise da meia-idade, período em que há uma tendência natural de ocorrerem mais experiências de metanóia, resultando em transformações sobre a visão de mundo, mudança de crenças e de paradigmas. Pode ser vista como uma conversão, como dizia o apóstolo Paulo, momento em que o mundo exterior se volta para o interior e o tempo linear e sequencial de Khronos vai adentrando em uma dimensão profunda &#8211; tempo de Kairós &#8211; que envolve o recolhimento e o mergulho no inconsciente. Essa jornada favorece o desenvolvimento e a ampliação da consciência com o confronto intrapsíquico de polaridades, que envolvem personas e sombras, permitindo uma caminhada rumo ao Self. &nbsp;Em termos práticos e com o pensamento voltado para outra metade da vida que resta, é um período em que buscamos descobrir o nosso propósito de vida e o significado dos nossos conflitos internos, que ficaram adormecidos no inconsciente e em algum momento afloraram em forma de sintomas, como: a depressão, o abuso de álcool e de drogas ilícitas, as doenças graves, as perdas significativas, as mudanças de trabalho, entre outros. As feridas aparecem, exigem um pensamento realista e uma harmonia com o universo, podendo resultar em ressignificação de velhos padrões. Segundo James Hollis, é morte e renascimento em transição: “Rever a vida a partir da posição da segunda metade dela requer a compreensão e o perdão do inevitável crime da inconsciência. Mas deixar de ficar inconsciente na segunda metade da vida significa cometer um crime imperdoável” (2019, p. 27).&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em termos gerais e, de acordo com a influência da tradição histórica, social e cultural, a meia-idade ocorre entre os 40 e 65 anos e compreende um processo de revisão e reavaliação da nossa vida diante de novas realidades. No contexto da família, é período em que os filhos estão crescidos e foram para o mundo e, no contexto biológico, ainda estamos em boa forma física, cognitiva e emocional. Para a maioria das pessoas, é considerada a melhor fase da vida, embora aponte para alguns declínios. No trabalho, é a fase do auge de ganhos e na sociedade continuamos exercendo diferentes atividades. Mesmo diante da aparente realização, surgem questionamentos: quem sou eu, além dos papéis que exerci até agora? Em que parte da vida passei a esquecer de mim? Demandas sobre o sentido da vida e o que fazer no futuro promovem um mergulho nas profundezas da alma e, ao mesmo tempo configuram-se em possibilidade de renovação, metaforicamente expressa por Jung: “Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã (&#8230;) É como se recolhesse dentro de si os próprios raios” (2013, p.354). Ele complementou, afirmando que entramos despreparados na segunda metade da vida: “Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer” (2013, p. 355).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos poucos, ocorrem as mudanças físicas nas habilidades sensoriais e psicomotoras e trazem o reconhecimento da mortalidade. As mulheres presenciam o climatério, que é o período de transição entre a fase reprodutiva e fase da ausência da reprodução, e a menopausa, com a parada permanente da menstruação. Neste sentido, a palavra klimacton, que surgiu do grego, representa crise ou período de mudança. Para algumas mulheres, os sintomas clínicos aparecem em forma de sudorese, fogacho, palpitação, enxaqueca, insônia, alteração de humor, perda de energia e irritabilidade, que também podem estar relacionadas com as mudanças nos papéis, nos relacionamentos e nas responsabilidades, passando a optarem pela reposição hormonal para amenizarem perdas. Os homens, por sua vez, sentem um declínio gradual dos níveis de testosterona, que também envolve o declínio da fertilidade, a dificuldade em conseguir ereção e a frequência de orgasmo, envolvendo um período denominado andropausa. Na busca de suprir dificuldades, os remédios tomaram espaço no universo masculino e são aliados nas disfunções eréteis, mas quando usados incorretamente, podem causar problemas. De uma forma geral, o estresse desencadeia problemas físicos e psicológicos, aumentando o risco de doenças em forma de alcoolismo, depressão, hipertensão arterial, obesidade, câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, etc.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao falar da etapas da vida humana, Jung nos apresentou a revolução psíquica que ocorre na metade da vida (2013, p.343). É um momento de contração da vida, de dedicar-se ao Si-mesmo, ao potencial da totalidade. Os interesses antigos são substituídos por novos, ocorrendo mudanças nas profundezas da alma. Os homens tendem a voltarem suas atenções para casa, as mulheres para o mundo e questionamentos podem resultar em inversão de valores.&nbsp; Vindo ao encontro, Rudolf Steiner deixou-nos como possibilidade de ampliação os estudos sobre os setênios. Segundo o autor, a partir dos 42 anos, ocorre a maturidade, a profundidade e a espiritualidade. Dos 42 aos 49 anos, ocorrem questionamentos sobre o altruísmo e sobre manter a fase expansiva, com a presença da andropausa e a menopausa. Dos 49 aos 56 anos é a fase de ouvir o mundo, a vitalidade declina e surge a fase inspirativa ou moral. Dos 56 aos 63 anos ocorre a fase da abnegação, em que os reflexos e a mobilidade passam a sofrer alterações, ganhando espaço a etapa mística ou intuitiva. Erik Erikson, apresentou-nos a sétima crise para definir essa fase &#8211; geratividade versus estagnação &#8211; podendo surgir a preocupação com a orientação da próxima geração. Para muitas pessoas, é uma entre muitas transições, não necessariamente resultando em crise.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Papalia, D. E., Olds, S. W., &amp; Feldman, R. D. (2006, p. 458-459), na fase da meia-idade as mulheres se tornam mais assertivas e focais e, os homens emocionalmente mais expressivos, que pode ser visto na psicologia analítica junguiana como um caminho de inversão natural de enantiodromia &#8211; tensão criada entre consciente e inconsciente, que envolve o fluir da energia em um movimento pendular e consiste em passar para o outro lado do pólo &#8211; favorecendo uma complementação anteriormente desconhecida. Com a crise da meia idade, o homem que geralmente é mais assertivo e focal, torna-se mais emocional. Em contrapartida, a mulher que é mais emocional, passa a ser mais assertiva e focal. Pode ser considerado o momento oportuno em que o homem vai aprender a lidar com o lado feminino que não conhecia e, a mulher irá conhecer o universo masculino que desconhecia, influenciando o seu modo de pensar, sentir e agir. &nbsp;Com essas mudanças, o período também é marcado por aumento do número de divórcios e maior dependência de amigos para apoio emocional e orientação prática. Ao mesmo tempo, o divórcio e o segundo casamento dos filhos afeta relacionamentos entre avós e netos, criando novos papéis de parentesco. Nesta fase, permanecemos envolvidos com os filhos adultos, que por motivos econômicos, continuam morando conosco e, também tornamo-nos cuidadores dos pais idosos e doentes. Igualmente, a nossa capacidade de resolver problemas práticos é forte, a nossa criatividade e produtividade dependem de atributos pessoais e forças ambientais, com a transição de papéis em função da longevidade, mudança econômica e social, que nos incentiva para aperfeiçoamento das nossas habilidades em forma de estudos. Essa mistura de mudanças lembram Clarice Lispector, que em uma das suas poesias disse: “Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mitologia, Hades representa o deus das profundezas, deus dos mortos ou do mundo inferior. Os gregos não pronunciavam seu nome por temor e o denominavam de “o ilustre ou o bom conselheiro”. Podemos associá-lo ao inconsciente pessoal e coletivo, onde são guardadas memórias, pensamentos e sentimentos reprimidos. Ao mesmo tempo que representa isolamento e depressão, pode simbolizar o poder da renovação com o uso da expressão criativa ao nos depararmos com o mundo interior. O arquétipo Hades representa a possibilidade de mergulharmos no inconsciente e valorizarmos o autoconhecimento, que vem ao encontro das vivências na metade da vida.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim sendo, podemos afirmar que a metanóia é um caminho para a individuação, sendo um período oportuno de olharmos para as nossas sombras e buscarmos a completude. Ela nos convida para realizarmos os projetos que não concretizamos antes, em função de muitos fatores, mesmo que isso provoque uma mudança radical da nossa vida. Segundo Jung, projetos não realizados representam um depósito de velharias e, são como brasas, que continuam acesas, mesmo debaixo de cinzas amarelecidas (2013, p.351). Para complementar, cito mais uma frase de Jung, que descreveu bem esse período das nossas vidas: “Quanto mais nos aproximamos do meio da existência e mais conseguimos nos firmar em nossa atitude pessoal e em nossa posição social, mais nos cresce a impressão de havermos descoberto o verdadeiro curso da vida e os verdadeiros princípios e ideais do comportamento” (2013, p.351). &nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O processo de individuação é um dos principais pressupostos teóricos de Jung, que envolve um olhar amplo e complexo de diferenciação psicológica como meta da evolução e do desenvolvimento integral da personalidade, sendo necessário um investimento energético para engajar o ego na busca da integração dos aspectos desconhecidos e sombrios que estão no inconsciente, promovendo o autoconhecimento e significado existencial. Para Jung, Salomé e Filemon eram a sua representação intrapsíquica que permitia estabelecer relação, entender seus conflitos, iluminar e transcender, favorecendo seu processo de individuação. Dessa forma, ele realizou a unidade psicológica entre os aspectos conscientes e inconscientes, que contém a vida não vivida e o potencial não realizado, como afirma Stein: “Tornar-se o que a pessoa já é potencialmente, mas agora de um modo mais profundo e consciente” (2006, p.158). &nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante do exposto, podemos dizer que, a metanóia na crise da meia-idade, predispõe o ego a ser mais suscetível e de alguma maneira mais comprometido com o processo de individuação, permitindo o seu encontro com o Self.&nbsp; Para tanto, pode ser vivida como uma crise necessária e oportuna para e reorientar a personalidade e reavaliar a vida com novo sentido e significado. É um processo de transformação diante do que ruiu, que não precisa ser visto como algo patológico, mas como oportunidade de ressignificar padrões, cuidando com responsabilidade e satisfação de todos os aspectos envolvidos. Neste sentido, evidencio o otimismo de Fernando Pessoa sobre a longevidade: “Não importa se a estação do ano muda&#8230;Se o século vira, se o milénio é outro. Se a idade aumenta&#8230;Conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela”. E para exaltar as inúmeras possibilidades que a vida oferece, encerro minhas ampliações com&nbsp;<a href="https://www.google.com/search?q=Gonzaguinha&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgVuLSz9U3MCxIL87LWMTK7Z6fV5WYXpqZl5EIAFVUWHwcAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiWpJ_05qTmAhUXEbkGHdEdAKwQMTAAegQIDBAF">Gonzaguinha</a>&nbsp;e a música&nbsp;<em>O que é? O que é</em>?: &nbsp;“Viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz (&#8230;) Mas e a vida, ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento?” Mergulhar nas profundezas da alma muitas vezes é inevitável e faz parte da amplitude de viver. Intensificar o poder de renovação é opcional e nos permite transcender.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci Maria Strieder, analista em formação pelo Ijep.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p>Leituras de apoio:</p>



<p>BRANDÃO, J. –&nbsp;Mitologia Grega Vol. 1, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p>ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.&nbsp;</p>



<p>HOLIS, James. A passagem do meio &#8211; Da miséria ao significado da meia-idade. São Paulo:Paulus, 2019.&nbsp;</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>________________O desenvolvimento da personalidade. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>LIEVEGOED, Bernard.&nbsp; Fases da vida. Crises e desenvolvimento da Individualidade. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.&nbsp;</p>



<p>LISPECTOR, C. A Hora da Estrela. 12 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</p>



<p>PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano (8ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2006.</p>



<p>PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego.&nbsp;Vol.II. (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha). Coimbra: Presença, 1990.</p>



<p>STEIN, Murray. Jung: o mapa da alma, uma introdução. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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