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	<title>Arquivos Velhice - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 05 Mar 2026 16:05:47 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Velhice - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Entre o Vivido e o Não Vivido: A Sabedoria da Velhice</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/entre-o-vivido-e-o-nao-vivido-a-sabedoria-da-velhice/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosana T W Hanada]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 15:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Envelhecer é, talvez, uma das experiências humanas mais universais e, paradoxalmente, menos compreendidas. Em uma sociedade que idolatra a produtividade, a juventude e o desempenho, o processo de envelhecimento costuma ser visto sob a ótica da perda: perda do corpo, do vigor, do espaço social, da autonomia. Entretanto, para a Psicologia Analítica, a velhice representa muito mais do que um declínio orgânico. Trata-se de um período decisivo para a alma, um momento em que os conteúdos esquecidos, negados ou não vividos ao longo da vida retornam, convidando a consciência para um diálogo profundo com o inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A metáfora solar utilizada por Jung ilustra esse processo ao afirmar que “<strong>a vida desce agora montanha abaixo, com a mesma intensidade e irresistibilidade com que a subia antes da meia-idade</strong>” (JUNG, 2013a, §798). A consciência, antes dirigida ao mundo e às suas exigências, passa a se voltar para o íntimo, em que um pedido de reorganização e de sentido começa a emergir. É nesse ponto que a velhice revela sua dimensão simbólica: um tempo em que a vida nos devolve a nós mesmos. É um convite à interiorização, ao recolhimento e à pergunta essencial: <em>“O que foi feito da minha vida e o que ainda falta integrar?”</em> O envelhecimento é uma espécie de retorno ao próprio eixo, quando o ego, já cansado de manter as personas, encontra-se diante da tarefa inevitável de olhar para si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esta reflexão nasce de duas fontes: minha trajetória pessoal e o estudo desenvolvido em meu trabalho sobre envelhecimento na conclusão do curso de psicologia junguiana. A intenção desse artigo é oferecer um olhar cuidadoso e humano sobre uma etapa que, embora temida, pode ser rica e libertadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-envelhecimento-como-movimento-de-interiorizacao" style="font-size:22px"><strong>O Envelhecimento como Movimento de Interiorização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung comparou a vida humana ao curso do sol: da aurora ao zênite, a energia progride para fora e para frente, expandindo-se em direção ao mundo (Cf. JUNG, 2014, §114). É o período da juventude e da maturidade inicial, dedicado à formação das personas, ao aprendizado social, ao trabalho, aos papéis familiares e à conquista de um lugar no mundo. Trata-se da fase em que a consciência se fortalece por meio da relação com o exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entretanto, ao atravessar o meio-dia simbólico da vida, algo começa a mudar internamente. A força que impulsionava o indivíduo para fora passa a demandar retorno, introspecção e simplificação. O olhar antes voltado para conquistas e estabilidade começa a buscar silêncio, significado e profundidade. Jung descreve esse fenômeno como uma mudança natural do eixo energético, um deslocamento do foco da adaptação externa para a integração interna, pois:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>O ser humano não chegaria aos setenta ou oitenta anos se esta longevidade não tivesse um significado para a sua espécie. Por isto, a tarde da vida humana deve ter também um significado e uma finalidade próprios, e não pode ser apenas um lastimoso apêndice da manhã da vida.</p><cite>JUNG, 2013a, § 787</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-segunda-metade-da-vida-a-alma-pede-um-outro-tipo-de-alimento-menos-material-mais-simbolico-menos-performatico-mais-essencial" style="font-size:18px">Na segunda metade da vida, a alma pede um outro tipo de alimento: menos material, mais simbólico; menos performático, mais essencial.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É o período em que muitas pessoas começam a questionar seus valores, suas identidades e até mesmo a necessidade de manter certas máscaras sociais. A persona, tão necessária na adaptação ao mundo externo (Cf. JUNG, 2015, §246), começa a se mostrar estreita para conter o movimento da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo costuma ser acompanhado por sentimentos de estranhamento, inquietação ou certo vazio. O que antes parecia suficiente, como carreira, desempenho, reconhecimento, segurança, status, já não oferece o mesmo sentido. É o inconsciente que está chamando a atenção da consciência para a necessidade de reorganização interna (Cf. JUNG, 2013b, §331b).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A vida moderna reforça um padrão que prolonga artificialmente a lógica da juventude: produtividade contínua, culto ao corpo, aceleração, hiperconexão, negação da fragilidade e da vulnerabilidade. Essa força cultural empurra o indivíduo a permanecer na expansão, mesmo quando sua psique pede quietude. O conflito entre essas duas dinâmicas, a externa coletiva e a interna individual, gera sofrimento e angústia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No entanto, do ponto de vista junguiano, este é justamente o momento mais potente da existência. É quando a pessoa tem a oportunidade de questionar as narrativas que construiu sobre si mesma e de permitir que as partes esquecidas de sua alma, muitas vezes relegadas ao inconsciente por exigências da persona e do contexto social, venham à luz (Cf. HOLLIS, 1995, p. 58). É uma fase em que as perguntas se tornam mais importantes que as respostas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-meia-idade-a-pessoa-fica-mais-suscetivel-a-ocorrencia-da-metanoia-que-pode-significar-expansao-da-consciencia-ir-alem-da-razao-logica-transcender-converter-se-ter-mudanca-de-crencas-ou-visao-de-mundo-magaldi-2023" style="font-size:18px">Na meia-idade, a pessoa fica mais suscetível à ocorrência da metanoia, que pode significar “expansão da consciência, ir além da razão lógica, transcender, converter-se, ter mudança de crenças ou visão de mundo” (MAGALDI, 2023).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O envelhecimento, então, deixa de ser interpretado como perda e passa a ser compreendido como um convite para reorganizar a vida a partir da verdade interior, não mais das expectativas externas, mas um chamado para viver “melhor”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No caminho da individuação, esse movimento de interiorização representa maturação (Cf. JUNG, 2014, §91). Assim como o sol que se põe tingindo o céu de cores que só o entardecer pode produzir, o envelhecimento oferece tonalidades de sabedoria que não estão disponíveis em outras fases da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-nao-vivida-e-o-retorno-dos-conteudos-esquecidos" style="font-size:22px"><strong>A Vida Não Vivida e o Retorno dos Conteúdos Esquecidos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao atravessar a metade da vida, muitas pessoas descobrem que o passado, antes acomodado em silêncios, retorna, muitas vezes, com surpreendente intensidade. Sensações de nostalgia, lembranças persistentes, perguntas sobre escolhas feitas ou evitadas, e um sentimento difuso de que “algo essencial ficou para trás” começam a ocupar a paisagem interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nesse-momento-que-nossa-vida-nao-vivida-se-ergue-dentro-de-nos-exigindo-nossa-atencao-johnson-2010-p-9" style="font-size:18px"><em>“É nesse momento que nossa vida não vivida se ergue dentro de nós, exigindo nossa atenção” (JOHNSON, 2010, p. 9).</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung (Cf. 2013, §789), a vida vivida de forma expandida, útil, eficiente, com boa imagem social, emprego adequado e bom casamento são conquistas importantes e necessárias na primeira metade da vida, mas:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="is-style-large wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Infelizmente não são objetivos suficientes nem têm sentido para muitos que não veem na aproximação da velhice senão uma diminuição da vida e consideram seus ideais anteriores simplesmente como coisas desbotadas e puídas! Quantas coisas na vida não foram vividas por muitas pessoas – muitas vezes até mesmo potencialidades que elas não puderam satisfazer, apesar de toda a sua boa vontade – e assim se aproximam do limiar da velhice com aspirações e desejos irrealizados que automaticamente desviam o seu olhar para o passado (ibidem, p. 357).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nada-do-que-deixamos-de-viver-desaparece-tudo-e-preservado-no-inconsciente-a-espera-de-um-momento-propicio-para-emergir" style="font-size:18px">Nada do que deixamos de viver desaparece; tudo é preservado no inconsciente, à espera de um momento propício para emergir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A meia-idade é o momento propício para que isso ocorra, conteúdos antes reprimidos encontram passagem para a consciência, trazendo à tona aspectos esquecidos, negados ou simplesmente negligenciados (Cf. HOLLIS, 1995, p. 58). A psique tenta reparar e integrar aquilo que ficou sem lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essas imagens que emergem, os sentimentos que insistem, as memórias que reaparecem têm o propósito de ampliar a consciência, mesmo quando provocam desconforto. A nostalgia que muitos sentem é um sinal simbólico de que fragmentos da personalidade desejam ser reconhecidos. Ela aponta para partes legítimas de nós mesmos que, por circunstâncias diversas, não puderam se desenvolver.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-isso-a-vida-nao-vivida-nao-e-apenas-sombra-dolorosa-contem-tambem-brilho-vocacao-e-vitalidade-que-nao-encontrou-expressao-cf-johnson-2010-p-147" style="font-size:18px">Por isso, a vida não vivida não é apenas sombra dolorosa: contém também brilho, vocação e vitalidade que não encontrou expressão (Cf. JOHNSON, 2010, p. 147).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitas pessoas, ao envelhecer, se surpreendem ao reencontrar antigos desejos, gostos esquecidos, aspirações que adormeceram, sensibilidades que haviam sido abafadas pela necessidade de adaptação. Tudo isso ressurge, não para ser realizado literalmente, mas para ser integrado simbolicamente (<em>ibidem,</em> p. 239).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando esses aspectos retornam e não são reconhecidos, costumam produzir inquietação interna. A pessoa pode experimentar irritação frequente, rigidez, desânimo, ressentimentos difíceis de localizar, ou uma sensação persistente de inadequação. O sujeito percebe que viveu uma vida inteira respondendo às expectativas externas, familiares, sociais, culturais, e agora sente o peso de ter se afastado demais de si mesmo. Em alguns casos, esse processo pode manifestar-se em sintomas físicos, depressivos, sensação de fracasso ou medo de que o tempo restante não seja suficiente para viver de forma autêntica, conforme Stein (<em>apud </em>Pandini, 2014, p. 24).&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-fundamental-compreender-que-integrar-a-vida-nao-vivida-nao-significa-recuperar-literalmente-o-que-nao-foi-feito-algo-impossivel-e-muitas-vezes-fantasioso" style="font-size:18px">É fundamental compreender que integrar a vida não vivida não significa recuperar literalmente o que não foi feito – algo impossível e, muitas vezes, fantasioso.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A integração ocorre quando se permite que o significado daquilo que não foi vivido encontre expressão de alguma forma. Isso pode acontecer por meio da criatividade, da arteterapia, de novos interesses, de diálogos profundos, de maior liberdade emocional, de transformações internas, ou simplesmente pela capacidade de olhar para a própria história com autoperdão, compaixão e compreensão. Ao reconhecer esses conteúdos, o indivíduo resgata energia psíquica que estava aprisionada e sente-se mais inteiro, mais coerente consigo mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Envelhecer, assim, revela-se como um processo de reencontro. Não se trata apenas de revisitar o que passou, mas de compreender quem se tornou e quem ainda pode ser. A vida não vivida, quando acolhida, torna-se ponte entre o que fomos e o que podemos integrar. Ela permite que a última etapa da vida seja vivida em totalidade, com a serenidade de quem reconhece, nas palavras de Caetano Veloso, “a dor e a delícia de ser o que é” da canção “Dom de Iludir”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-envelhecer-a-luz-da-psicologia-analitica" style="font-size:22px"><strong>Envelhecer à luz da psicologia analítica</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Portanto, envelhecer é muito mais do que atravessar a última etapa cronológica da vida. Se a primeira metade da vida se organiza em torno da formação das personas, da adaptação ao mundo e da consolidação do ego, a segunda metade inaugura um processo inverso: a alma pede profundidade, interiorização e plenitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A velhice nos convida a rever a biografia pela ótica da presença. Não mais perguntamos “o que conquistei?”, mas “quem me tornei?”. Nessa fase, a necessidade de manter imagens sociais se afrouxa, permitindo que a autenticidade ganhe espaço. A consciência volta-se para temas outrora evitados como a vida não vivida, sendo uma oportunidade tardia de reconciliação. A proximidade da finitude, longe de ser apenas fonte de insegurança, desperta a urgência de viver o que ainda pode ser vivido, de integrar o que ficou esquecido e de honrar aquilo que não se pôde realizar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hillman-lembra-que-esses-fragmentos-da-biografia-nao-sao-descartaveis-eles-precisam-ser-transformados-pela-reflexao-tardia-em-substancia-capaz-de-fortalecer-o-carater" style="font-size:18px"><strong>Hillman</strong> lembra que esses fragmentos da biografia não são descartáveis, eles precisam ser transformados pela reflexão tardia em substância capaz de fortalecer o caráter.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A revisão da vida, esse gesto de olhar para trás não apenas para recordar, mas para compreender, permite que erros e acontecimentos antes dispersos revelem padrões e significado. É como se a velhice nos oferecesse a oportunidade de organizar nossa narrativa interna, reconhecendo que cada experiência, mesmo as mais dolorosas, fazem parte de nossa alma (Cf. HILLMAN, 2001, p.24).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando vivido com consciência, o envelhecimento torna-se um processo alquímico. O supérfluo se dissolve, o essencial se intensifica, e aquilo que parecia fragmentado encontra coerência (Cf. MAGALDI, 2020). Revisar a vida não é apagar dores nem refazer escolhas, mas reconhecer seu propósito no desenvolvimento da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ser humano não envelhece para morrer, mas para se tornar inteiro. O envelhecimento é a fase em que o Self, essa instância que transcende o ego, orienta com mais clareza seu chamado (Cf. JUNG, 2013a, §787). É como se, no crepúsculo da vida, a alma adquirisse uma outra luminosidade, menos solar, mais interior; menos expansiva, mais verdadeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, envelhecer torna-se um ato de coragem, a coragem de olhar para si, de acolher o que faltou, de reconciliar o vivido e o não vivido, de aceitar a própria história e de permitir que a vida siga seu curso natural. E é justamente nesse gesto de entrega, desapego e autenticidade que se revela a maior possibilidade dessa etapa: viver, finalmente, a vida como merece ser vivida – porque <strong>envelhecer é fazer da vida uma obra. E toda obra verdadeira, quando chega ao fim, não se encerra: se revela.</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/beatriz-whitaker/">Rosana T W Hanada – Analista em formação IJEP</a></strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James<em>. </em><em>A força do caráter</em> <em>e a poética de uma vida longa</em>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A passagem do meio. </em>Da miséria ao significado da meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSON, Robert. <em>A vida não vivida: </em>A arte de lidar com sonhos não realizados e cumprir o seu propósito na segunda metade da vida. São Paulo: Paulus, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A Natureza da Psique. </em>10.ed.Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ O <em>Desenvolvimento da Personalidade</em>. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Psicologia do Inconsciente</em>. 24.ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O Eu e o Inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar (2020). <em>Alquimia e Psicologia Junguiana</em>. <em>&lt;https://www.youtube.com/watch?v=zxKBRbY2ENE&gt; </em>Acesso em 29 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar (2023). Metanoia na Psicologia Analítica.&nbsp; &lt;<em>https://blog.ijep.com.br/metanoia-na-psicologia-analitica&gt;/</em> Acesso em 25 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PANDINI, Ana. <em>Metanoia:</em> caminho para o desenvolvimento no meio da vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tese Doutorado USP. São Paulo, 2014. 176 f. Disponível em: &lt;<em>https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-19122014-110846/pt-br.php</em>&gt;&nbsp;</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Aniversário do nascimento de Carl Gustav Jung (26/07/1875 &#8211; 06/06/1961) o chamado do envelhecimento</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/aniversario-do-nascimento-de-carl-gustav-jung-26-07-1875-06-06-1961-o-chamado-do-envelhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 22:09:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito se aprende com os mestres, principalmente com os grandes mestres. Não se trata de idolatria, isto fazemos com os gurus, mas de uma riqueza de aprendizado que nos leva a uma condição de autoconhecimento inigualável, daí nosso profundo respeito. Jung mostrou-me uma pessoa que jamais pensei ser. Ao estudar sua obra e refletir sobre [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/aniversario-do-nascimento-de-carl-gustav-jung-26-07-1875-06-06-1961-o-chamado-do-envelhecimento/">Aniversário do nascimento de Carl Gustav Jung (26/07/1875 &#8211; 06/06/1961) o chamado do envelhecimento</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br>Muito se aprende com os mestres, principalmente com os grandes mestres. Não se trata de idolatria, isto fazemos com os gurus, mas de uma riqueza de aprendizado que nos leva a uma condição de autoconhecimento inigualável, daí nosso profundo respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung mostrou-me uma pessoa que jamais pensei ser. Ao estudar sua obra e refletir sobre ela na minha vida, principalmente agora no anoitecer que se avizinha, encontrei muita luz e muita sombra. Tão grandiosas como jamais sonhara. De santa a pecadora eu percorro todos os domínios do céu e do inferno. No envelhecimento o conhecimento do pensamento de Jung faz com que percebamos as profundas modificações em nosso psiquismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebo isso também em cada um que se senta em meu consultório, infelizmente a percepção de si-mesmos é sempre muito distorcida. Nosso trabalho não é levar o paciente a um estado de plenitude, mas, como dizia Jung:&nbsp;&#8220;Eis porque o objetivo mais nobre da psicoterapia não é colocar o paciente num estado impossível de felicidade, mas sim possibilitar que adquira firmeza e paciência filosóficas para suportar o sofrimento&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim é, o sofrimento não é uma opção, mas o que fazemos desta vivência, sim, o é. &nbsp;Nosso trabalho é resgatar as grandes questões filosófico existenciais que trazem sentido à vida, que impulsionam ou paralisam o&nbsp;Processo de Individuação. Jung nos ensina que: &#8220;Nós, os psicoterapeutas, deveríamos ser filósofos, ou médico-filósofos &#8211; não consigo deixar de pensar assim&#8230;&#8230;..´religio in statu nascendi` porque tudo o que envolve a grande confusão que está nos primórdios da vida, não existe uma separação que evidencie uma diferença entre filosofia e religião.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Costumo dizer o seguinte ditado: &#8220;Com Deus tudo, sem Deus nada.&#8221; O Self, como&nbsp;Imago Dei, como o&nbsp;Atman,&nbsp;é a centelha divina em nós. Jung assim define nosso centro e totalidade psíquicas. Portanto, esse ensinamento que é de Jung, mas também muito anterior a ele, nos mostra como a religião é importante em nossa vida, principalmente na grande virada da meia idade quando o ter cede (ou deveria ceder) lugar ao ser.&nbsp; E o chamado do Self, para nosso processo de individuação, se apresenta com muito mais força, através de sonhos, sincronicidade, sintomas e etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento da vida Jung nos ensina a importância do&nbsp;religere:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A suprema dominante é sempre de natureza filosófico-religiosa &#8211; o que é próprio do dinamismo mais espontâneo da vida é o mesmo que jorra de uma atitude filosófico-religiosa&#8230;é muito natural que os distúrbios dos processos afetivos dos pacientes despertem no terapeuta os fatores filosófico-religiosos correspondentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Busca-se aí o recurso da filosofia e religião, de fora, que é fornecido à consciência.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A passagem da maturidade para a velhice é esse momento de reflexão existencial onde as banalidades e superficialidades do cotidiano nos causam enfado e desânimo, esse momento, de se voltar para dentro, muitas vezes é entendido como depressão, mas na verdade, essa tristeza acontece com quem não resgatou, ao longo das suas experiências, o seu Mito do Significado, no dizer de Jung, ou seu mais alto fim existencial, como fala a homeopatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que estou aqui? De onde vim? Para onde vou? A que se propõe toda minha existência? Qual a imagem de Deus que encontro dentro de mim?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia as grandes questões precisarão ser pensadas, se não vieram antes, no envelhecimento surgirão com certeza. No final da vida Jung dizia que esperava sim que a vida tivesse sentido. Era a fala do velho sábio, assim como responde ao repórter da BBC que lhe perguntara se acreditava em Deus e Jung, reflexivo, responde: Eu sei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sêneca: &#8220;Deve-se aprender a viver por toda a vida e por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer&#8221;. &#8220;Vive mal quem não sabe morrer bem&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na velhice não há mais tempo para o que não seja essencial. Assim, a reflexão sobre a morte e o morrer precisa acontecer. Diz Nietzsche:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&#8220;Muitos morrem demasiado tarde e alguns, demasiado cedo. Ainda soa estranha a doutrina: ´Morre a tempo!´</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Morre a tempo: é o que ensina Zaratustra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem dúvida, quem nunca vive a tempo, como iria morrer a tempo? Antes não tivesse nascido! &#8211; É assim que aconselho os supérfluos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas também os supérfluos levam sua morte muito a sério e também a mais vazia das nozes quer ser quebrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos dão importância à morte; no entanto, ainda a morte não é uma festa. Ainda os homens não aprenderam como se consagram as festas mais bonitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu vos mostro a morte que aperfeiçoa, que se torna, para o vivo, um aguilhão e uma promessa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da sua morte, morre o homem realizador de si mesmo; morre vitorioso, rodeado de gente esperançosa a fazer auspiciosas promessas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria mister aprender a morrer assim; e não deveria haver festa na qual um moribundo não consagrasse os juramentos dos vivos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem de nós morrerá a tempo? Quando o tempo passa tão rápido e o corpo da velha carrega a psique da menina, da jovem, da mulher?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim é preciso conhecer O Mito do Significado de nossas vidas, buscar a todo momento a realização da plenitude, da inteireza, de realizar o si-mesmo. Só morre a tempo o ego que se rende ao Self, quem como Árjuna se rende a Krishna, quem se rende a si-mesmo independente da sociedade e dos &#8220;bons costumes&#8221;. Para que ajustar-se a uma sociedade esquizofrênica e consumista quando o Self almeja voos fraternos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi sempre diz que quem não vive para servir, não serve para viver, pois é. A quem eu sirvo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung termina Memórias, Sonhos e Reflexões muito menos ligado ao ego do que as árvores, plantas e animais. Sim, ele estava conectado ao Todo, não mais o eu ou o nós, mas tudo, todos, Todo. Ampliar-se, expandir-se, não acumular, não ter mãos que seguram coisas e impedem-nos de voar. É preciso tornarmo-nos alados como Zaratustra, tornarmo-nos novamente crianças e nos encantarmos com as árvores, as plantas e os animais. Morrer na terra para germinar flor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, obrigado, onde seu espírito estiver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung: &#8220;Se atribuímos uma finalidade e um sentido à ascensão da vida, por que não atribuímos também ao seu declínio? Se o nascimento do homem é prenhe de significação, por que é que a sua morte também não o é?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analita Junguiana</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro didáta e fundadora do IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 16/06/2019</em></strong></h4>
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