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	<title>Beatriz Proença Whitaker de Assumpção, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Beatriz Proença Whitaker de Assumpção, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Hildegarda de Bingen, uma Psicossomatista no Século XII?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/hildegarda-de-bingen-uma-psicossomatista-no-seculo-xii/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 20:33:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[Hildegarda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No século XII, em plena Idade Média, período em que às mulheres cabiam o silêncio e a obediência aos maridos, além de serem proibidas de estudar e ter acesso aos livros, viveu uma mulher que ganhou grande notoriedade. Santa Hildegarda de Bingen se destacou em teologia, filosofia, música e medicina, entre outras áreas. Respeitada como profetiza e visionária, Hildegarda deixou registrado em sua obra um vasto conhecimento sobre medicina integrativa. Seu tratamento compreendia aliar remédios a partir de plantas medicinais a um estilo de vida mais harmônico, tanto consigo mesmo, quanto com a natureza e com o divino. Até os dias atuais, podemos perceber sua influência em movimentos ecológicos, pacifistas, naturalistas e até feministas. Sua visão, que integrava corpo, mente e alma, não faria dela uma psicossomatista em plena Idade Média? Esse artigo traz um pouco de sua incrível história e se debruça sobre sua faceta de curadora de corpos e almas.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/hildegarda-de-bingen-uma-psicossomatista-no-seculo-xii/">Hildegarda de Bingen, uma Psicossomatista no Século XII?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO: </strong>No século XII, em plena Idade Média, período em que às mulheres cabiam o silêncio e a obediência aos maridos, além de serem proibidas de estudar e ter acesso aos livros, viveu uma mulher que ganhou grande notoriedade. Santa Hildegarda de Bingen se destacou em teologia, filosofia, música e medicina, entre outras áreas. Respeitada como profetiza e visionária, Hildegarda deixou registrado em sua obra um vasto conhecimento sobre medicina integrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu tratamento compreendia aliar remédios a partir de plantas medicinais a um estilo de vida mais harmônico, tanto consigo mesmo, quanto com a natureza e com o divino. Até os dias atuais, podemos perceber sua influência em movimentos ecológicos, pacifistas, naturalistas e até feministas. Sua visão, que integrava corpo, mente e alma, não faria dela uma psicossomatista em plena Idade Média? Esse artigo traz um pouco de sua incrível história e se debruça sobre sua faceta de curadora de corpos e almas.</p>



<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>INTRODUÇÃO</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Meu primeiro contato com a história de Hildegarda de Bingen aconteceu durante minhas pesquisas sobre as curandeiras da Idade Média e me cativou de imediato, tanto quanto me intrigou. Em uma época em que eram negados o acesso aos livros e aos estudos às mulheres, as curandeiras transmitiam entre si o conhecimento que obtinham através da observação e interpretação da natureza. Formando uma sabedoria ancestral que englobava o uso de plantas, animais e minerais no preparo de remédios, infusões, emplastos, banhos, assim como talismãs e encantamentos.</p>



<h2 id="h-elas-atuavam-tanto-no-campo-fisico-concreto-quanto-no-invisivel-espiritual" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Elas atuavam tanto no campo físico, concreto, quanto no invisível, espiritual.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio a essas mulheres que, no final da Idade Média, foram desacreditadas, acusadas e perseguidas, existiu uma que se sobressaiu em diversas áreas: filosofia, teologia, música, astronomia, botânica e medicina, deixando obras escritas relevantes para muitas delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa mulher fascinante que conseguiu, em um momento histórico de silenciamento e apagamento do feminino, ser conhecida e respeitada como visionária e profetisa. Influenciando personalidades notáveis como o imperador Frederico Barbarossa e o Papa Eugênio III, foi chamada de primeira médica da Alemanha (Cf. NOGUEIRA; VASCONCELOS, 2022, p.58).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de sua notória contribuição na área médica, ela foi a primeira mulher a ser considerada uma autoridade em assuntos teológicos. A única mulher medieval a quem se concedeu o direito de pregar a doutrina cristã em público. A única a ser lembrada como compositora de uma vasta obra musical e dramaturga não anônima do Século XII. E, também, a primeira autora a escrever sobre sexualidade e ginecologia sobre o ponto de vista feminino (Cf. VASCONCELOS, 2022).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Nesse sentido, infelizmente, o percentual de mulheres que conseguiam ser aceitas no meio cultural, intelectual e de produção de conhecimento era extremamente reduzido. Portanto, o legado intelectual de Hildegarda, surpreendente nos dias de hoje, </em><em>é </em><em>mais impressionante ainda por ter sido realizado por uma figura feminina na </em><em>é</em><em>poca medieval</em><em>. (MARTINS, 2022, p. 44)</em><em></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Mas afinal, quem foi Hildegarda de Bingen? E como ela conseguiu tanta notoriedade nesse período histórico em que, segundo a sentença de Paulo de Tarso (1, Tim. 2,12), as mulheres não podiam ensinar, aprender e transmitir conhecimento, podendo elas apenas obedecer ao marido e ficar em silêncio (Cf. MARTINS, 2019, p.30)? Nesse artigo vamos conhecer um pouco de sua história, dando uma maior atenção à sua faceta médica naturalista, que promovia a cura do ser humano, tanto do corpo como da alma, através de sua visão integralista.</p>



<h2 id="h-uma-breve-historia-de-sua-vida" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>UMA BREVE HISTORIA DE SUA VIDA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Hildegarda nasceu em 1098, na cidade de Bermersheim, próxima ao Rio Reno, na atual região da Alemanha. Filha de família nobre, aos 8 anos foi confiada aos cuidados de Jutta von Sponheim, abadessa de um convento beneditino para homens e mulheres, como meio de receber instruções. Jutta a ensinou a ler e escrever, cantar salmos, trabalhos manuais, música e botânica. Ainda criança, Hildegarda começou a ter visões espiritualistas, que continham mensagens divinas, e a acompanharam por toda a sua vida. Suas visões, já na vida adulta, foram reconhecidas como autênticas pelo Papa Eugenio III, lhe rendendo o <em>Privilegia, </em>documento que lhe concedeu a emancipação civil e eclesiástica<em>, </em>garantindo autonomia para sua escrita<em>.</em> Essas visões foram registradas, juntamente com algumas de suas lindas ilustrações das visões e de mandalas, em seu livro <em>Scivitas;</em> sua única obra com tradução para o português até os tempos atuais (Cf. ESTEVAM, 2020, p.18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por volta dos quinze anos, fez votos religiosos para se tornar monja beneditina, passando a cuidar dos enfermos que procuravam por ajuda médica e espiritual nos mosteiros. Aprendeu então a fazer emplastos, decocções, banhos e unguentos a partir de plantas, assim como receitar dietas alimentares e a utilização de amuletos. Quando Jutta faleceu, Hildegarda estava com 38 anos e foi eleita para assumir a posição de abadessa do convento. Alguns anos mais tarde, conseguiu permissão para criar um convento exclusivamente feminino em Bingen, longe da autoridade jurídica, financeira e espiritual dos monges, que se desdobrou em litígio por parte do abade do seu antigo mosteiro.</p>



<h2 id="h-em-bingen-pode-se-dedicar-a-seu-trabalho-de-terapeuta-medica-conselheira-espiritual-e-profetiza-recebendo-cada-vez-mais-peregrinos-e-pessoas-em-busca-do-seu-dom" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Em Bingen, pôde se dedicar a seu trabalho de terapeuta, médica, conselheira espiritual e profetiza, recebendo cada vez mais peregrinos e pessoas em busca do seu dom.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse período em que produziu boa parte de sua obra, baseada toda ela em suas visões divinas. Apesar de se apresentar como iletrada, em seus textos podemos perceber sua erudição: era bem informada sobre as discussões de pensadores de seu tempo, como Hugo de São Vitor e Constantino Africano, e teve acesso a autores clássicos como Isidoro de Sevilha, Celso e Galeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra <em><strong>Physica</strong></em>, composta de nove livros, ela descreveu e classificou os elementos da natureza e indicou os remédios que podem ser obtidos de cada planta ou órgão animal, compondo uma verdadeira enciclopédia: são cerca de 300 plantas, 61 tipos de aves e animais voadores, e 41 tipos de mamíferos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8220;Atribui-se a esse livro o estatuto de ter sido o primeiro livro de ciências naturais do Sacro Império Romano-Germânico e de ter sido a base para o estudo da Botânica durante toda a Baixa Idade Média na Europa (sécs. XI ao XV) até o século XVI” (MARTINS, 2019, p.163).</em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Outra obra de muita importância é <em><strong>Causae et Curae</strong></em>, que compreende cinco livros, que tratam desde a Criação do mundo, astros e natureza, há sonhos, causas e tratamento das doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 10 de maio de 2012, o <strong>Papa Bento XVI </strong>completou o processo de canonização de Hildegarda, iniciado ainda no século XIII. Em seguida, em 7 de outubro de 2012, o mesmo Papa concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja Católica Romana, consagrando-a como a quarta mulher a receber esse título, ao lado de Catarina de Siena, Teresa de Ávila e Teresa de Lisieux.</p>



<h2 id="h-a-medicina-de-hildegarda" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>A MEDICINA DE HILDEGARDA</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Hildegarda</strong>, que também era conhecida como<strong> Sibila do Reno</strong>, considerava o ser humano como um sistema complexo interligado entre corpo, mente e espírito (alma): “ela acreditava que a saúde resultava do equilíbrio desses elementos, e que as doenças surgiam quando esse equilíbrio era perturbado” (Antunes, 2024, p.10), considerando dessa forma que o sistema de cura deveria atuar nesses três níveis.</p>



<h2 id="h-sua-medicina-consequentemente-envolvia-praticas-ao-mesmo-tempo-magicas-religiosas-e-cientificas" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Sua medicina, consequentemente, envolvia práticas ao mesmo tempo mágicas, religiosas e científicas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para ela, o humano era reflexo do macrocosmos composto do Divino e da Natureza, e o desequilíbrio trazido pela doença podia ser corrigido de volta ao eixo com um estilo de vida mais harmônico, com uma alimentação mais leve e saudável, com a purificação dos humores, a reconexão com o divino e com a ordem natural. Ou seja, uma vida de moderação que promovesse a conexão com Deus e com a Natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tratamentos prescritos combinavam o uso de ervas e plantas medicinais com conselhos espirituais e práticas de purificação da mente e da alma, como oração, contemplação da natureza, cantos e leituras, a reforma nos hábitos alimentares, e serviços comunitários. Ela ensinava que a mente tinha a capacidade de influenciar o corpo e a alma e defendia que práticas como meditação e oração ajudavam a cultivar uma vida de virtude, fortalecer a mente, a saúde e a conexão com o espiritual (Cf. ANTUNES, 2024, p.43, p.99).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua obra, a abadessa registrou uma compreensão de que quase todas as doenças são causadas por um apagão espiritual da personalidade interior: ela reconhecia os efeitos do estresse, da ansiedade e das emoções negativas na saúde e no bem-estar geral, o que implicava em uma perda de vitalidade, ou de <em>viriditas.</em> Esse era o termo usado por ela para designar as forças curativas transmitidas por Deus para as plantas e animais, representando a energia da fecundidade, da renovação, do crescimento e da regeneração que permeia todas as coisas vivas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;letter-spacing:0px"><strong><em>Sua medicina é baseada no princípio de que todos os processos internos nas pessoas podem ser rastreados até sua origem bioquímica. A substância que faz alguém triste e que desempenha uma regra em todas as enfermidades sérias, ela chama de bile negra.(STREHLOW; WEIGHARD, 2023, p. 30)</em></strong></p>
</blockquote>



<h2 id="h-emocoes-reprimidas-e-a-bile-negra" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>Emoções reprimidas e a Bile Negra</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria dos humores foi criada por Hipócrates (século V a.C.) e desenvolvida posteriormente por Galeno (século II d.C.). Acreditava-se que a saúde dependia do equilíbrio dos quatro fluidos corporais: sangue, bílis amarela, pituíta (muco/fleuma) e atrabílis (bile negra). Hildegarda relacionava ainda cada humor a uma qualidade dos elementos aristotélicos: quente, frio, seco e úmido, empregando medicamentos de qualidades opostas no tratamento. Ela atribuiu muitas doenças ao desequilíbrio no nível dos quatro humores básicos do organismo: quanto maior fosse o grau de desarmonia entre esses líquidos, mais grave seria a doença.</p>



<h2 id="h-para-ela-essas-alteracoes-bioquimicas-nos-fluidos-corporais-tinham-raizes-espirituais-e-emocionais-ela-entendia-que-os-humores-podiam-sofrer-alteracoes-quando-despertadas-as-paixoes-a-ira-a-tristeza-ou-a-raiva" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Para ela, essas alterações bioquímicas nos fluidos corporais tinham raízes espirituais e emocionais; ela entendia que os humores podiam sofrer alterações quando despertadas as paixões, a ira, a tristeza ou a raiva. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para<strong> Hildegarda</strong>, a química do sangue sofria uma grande mudança como resultado de influências negativas. Por exemplo, se alguém não resistisse à ira e explodisse, a bile se acalmava. Porém, se a ira continuasse, a escuridão da bile negra formava uma névoa que envolvia a vesícula biliar, liberando um fluxo completamente amargo, tornando a pessoa triste. A ira contida ativaria um ingrediente no sangue que levaria a um tipo de auto envenenamento (Cf. STREHLOW; WEIGHARD, 2023, p.129).</p>



<h2 id="h-um-corpo-intoxicado-por-emocoes-nao-processadas-segunda-ela-sobrecarregava-o-figado-tornando-o-inchado-e-obstruido" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Um corpo intoxicado por emoções não processadas, segunda ela, sobrecarregava o fígado, tornando-o inchado e obstruído.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ela descrevia esse órgão como um filtro que remove os resíduos prejudiciais e poluentes e transforma em substâncias não venenosas para que os rins possam secretar. O excesso de bile produzida pelo fígado é armazenado na vesícula biliar, se tornando concentrado. A bile negra seria o resultado dessa concentração, contaminando o sangue e causando um humor denso e nocivo. Seu excesso levaria à tristeza profunda, perda de vitalidade, isolamento afetivo e à melancolia. Uma pessoa envenenada pela bile negra sofreria de depressão, febre emocional e problemas estomacais. Segundo Hildegarda, o excesso de bile negra era, dessa forma, uma oportunidade para que a pessoa revisse seu estilo de vida, como um sinal de que algo precisava ser curado e alguma emoção precisava ser libertada. A pessoa estava sendo chamada a reencontrar com o seu centro e se curar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das maiores contribuições da medicina de Hildegarda é o uso de remédios que neutralizam a melancolia. Seu tratamento envolvia unir alimentação e uso de plantas medicinais, que ajudavam na digestão e circulação do sangue, com orações, contemplação e contato com a natureza, meditação para aquietar a mente e se reconectar com o divino e a beleza que há na vida. A música também era uma parte importante do tratamento para aliviar a melancolia, pois ela acreditava que o fígado podia ser influenciado pela audição, e a música, como afirmava, tinha o poder de unir o corpo à alma.</p>



<h2 id="h-numa-e-poca-em-que-nao-era-comum-as-mulheres-participarem-das-deciso-es-pol-i-ticas-e-religiosas-hildegarda-fez-se-ouvir-1" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>&#8220;Numa </strong><strong>é</strong><strong>poca em que não era comum as mulheres participarem das decisõ</strong><strong>es pol</strong><strong>í</strong><strong>ticas e religiosas, Hildegarda fez-se ouvir”</strong><a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></strong></a><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da segunda metade do século XX, os escritos de Hildegarda começaram a serem traduzidos em várias línguas. Suas cartas, mais de 400, puderam lançar luz à aspectos do seu cotidiano, revelando os traços de sua personalidade e como lidava com os problemas administrativos da sua comunidade, como se posicionava e reagia às repercussões das suas obras e como percecionava o contexto social da sua época.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>Delas emerge a figura de uma mulher apaixonada, de convicções firmes, eloquente e destemida, audaz no trato com os poderosos mas possuidora de grande tato diplom</em><em>á</em><em>tico quando necess</em><em>á</em><em>rio, cuidadosa e atenta </em><em>à</em><em>s necessidades das suas monjas e daqueles que a ela recorriam em busca de conselho. Não hesitou em usar a sua aura de profetisa para fazer valer as suas ideias e conquistar os seus objetivos, por vezes amea</em><em>ç</em><em>ando os seus destinat</em><em>á</em><em>rios em nome de Deus (VASCONCELOS, 2022).</em><em></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O pensamento holístico de Hildegarda é considerado moderno até nos tempos atuais. Podemos notar sua influência em movimentos ecológicos, pacifistas, naturalistas e até feministas. Ela se tornou um ícone para muitos que querem viver um estilo de vida mais simples e ligado à natureza (Cf. VASCONCELOS, 2022). Sua visão integral do ser humano, que associa corpo, mente e alma e entende o homem como elemento constituinte da natureza e do divino, me faz pensar na Santa Hildegarda de Bingen como uma psicossomatista junguiana em plena Idade Média. Podemos encontrar em seus textos uma série de outras ideias semelhante àquelas que tão bem conhecemos no universo junguiano. Mas isso será assunto para o meu trabalho de conclusão de curso da Psicossomática.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/beatriz-whitaker/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/beatriz-whitaker/">Beatriz Assumpção: Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano: Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação:</p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ANTUNES, Priscila. <em>O mínimo sobre a medicina de Santa Hildegarda</em>. 1.ed. Campinas: O Minimo, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTEVAM, Maria Terezinha. <em>Um estudo sobre o Physica, de Hildegarda de Bingen: </em>as virtudes curativas de algumas plantas. Dissertação (Mestrado em História da Ciência), PUCSP, São Paulo, 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, Maria Cristina da Silva. O Livro de Plantas de Hildegarda de Bingen. <em>Rónai &#8211; Revista de Estudos Clássicos e Tradutórios</em>. Juíz de Fora. vol.10, n.1, p. 26-49, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ Hildegarda de Bingen: Physica e Causae et Curae. <em>Cadernos de Tradução</em>, Porto Alegre, Numero especial, p.165-177, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NOGUEIRA, Maria Simone Marinho; VASCONELOS, Ana Rachel G.C. Ciência e fé em Hildegard von Bingen. <em>Basilíade &#8211; Revista de filosofia</em>, Curitiba, v.4, n.8,&nbsp; jul/dez, p.57-72, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STREHLOW, Weighard; HERTZKA, Gottfried. <em>A medicina de Santa Hildegarda</em>. 1.ed. Bela Vista do Paraíso: Calvariae Editorial, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VASCONCELOS, Teresa. <em>Santa Hildegarda, mulher de Deus em tempos medievais</em>. <a href="https://setemargens.com/santa-hildegarda-mulher-de-deus-em-tempos-medievais/">https://setemargens.com/santa-hildegarda-mulher-de-deus-em-tempos-medievais/</a> , 08/01/2022. Acesso em: 23 de abr. 2026</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1"><strong><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></strong></a> VASCONCELOS, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Fio que nos Conduz</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-fio-que-nos-conduz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 12:54:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>The way it is (tradução nossa)Há um fio que você segue. Ele passa entre as coisas que mudam. Mas ele não muda. As pessoas se perguntam sobre o que você está perseguindo. Você precisa explicar sobre o fio que te conduz. Mas é difícil para os outros enxergarem.Enquanto você segurá-lo, não pode se perder. Tragédias [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-large is-style-solid-bg" style="font-size:18px"><blockquote><p><em>The way it is (tradução nossa)</em><br><em><br>Há um fio que você segue. Ele passa entre as coisas que mudam. Mas ele não muda. As pessoas se perguntam sobre o que você está perseguindo. Você precisa explicar sobre o fio que te conduz. Mas é difícil para os outros enxergarem.<br></em><br><em>Enquanto você segurá-lo, não pode se perder. Tragédias acontecem; as pessoas se machucam ou morrem; e você sofre e envelhece. Nada que você faça pode impedir a passagem do tempo. Você nunca deve soltar o fio.</em></p><cite>William Stafford</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>RESUMO</strong>: O artigo explora o simbolismo do fio como condutor do destino, da criação e da jornada interior em busca do significado de vida. Passando por diferentes culturas e narrativas, trazemos para o centro da reflexão o mito de Teseu, em que o fio de Ariadne pode ser pensado como a conexão entre a consciência e o inconsciente, permitindo que o indivíduo encontre seu caminho em momentos de crise e transformação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em minhas pesquisas recentes sobre simbologia, um poema atravessou o meu caminho. Não sei dizer se o encontrei ou se fui por ele capturada. Presa em seu nó, como um inseto que fica preso em uma teia de aranha e lentamente é digerido, fiquei refletindo sobre quantas vezes não sentimos a condução desse fio, o qual fala <strong>Stafford</strong>, em nossas vidas? Quantas vezes não somos guiados por uma força invisível, que nos leva em uma determinada direção? Não sabemos aonde estamos indo, ou explicar a sua existência, mas sentimos a sua presença. É um fio que nos acompanha na passagem pela vida, servindo de costura para as nossas histórias, tecendo e remendando as memórias e dando sentido a trama que tece o nosso destino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O simbolismo do fio, como aponta Patrícia Neto, em <em>A trama em atitude simbólica</em>, está diretamente relacionado com simbolismo da tecelagem, que, por sua vez, representa a própria criação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>A criação aqui se refere tanto ao surgimento do cosmos quanto à força criadora presente em cada ser humano, como nos mostram mitos e histórias de diferentes origens</strong>.</p><cite>NETO, 2018, p. 68</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fio-o-tecido-e-o-tear-estao-intimamente-relacionados-aos-simbolos-do-destino-e-da-criacao-de-novas-formas-e-possibilidades" style="font-size:19px">O fio, o tecido e o tear estão intimamente relacionados aos símbolos do destino e da criação de novas formas e possibilidades.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Essa criação não está somente relacionada simbolicamente à predestinação ou ligação entre diferentes realidades, mas também à criação a partir da própria substância, como faz, por exemplo, a aranha.</p><cite>NETO, 2018, p. 69</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Podemos encontrar o símbolo do fio em diversas narrativas: de contos de fadas a mitos, o fio tem um papel relevante na condução de jornadas de transformação. Em diferentes culturas ao redor do mundo, importantes figuras míticas, geralmente femininas, foram associadas ao tecer e ao fiar, revelando sua influência sobre os destinos humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na mitologia grega temos Atenas, filha de Zeus, deusa da tecelagem; temos também as Moiras, que fiam o nascimento, o desenrolar da vida e a sua ruptura. Penélope, que desmancha à noite o manto que tece durante o dia, conseguindo assim adiar o seu destino. No Egito, Neith é a deusa tecelã e símbolo do eterno feminino. Na mitologia germânica, as Valquírias são as fiandeiras do Destino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nos contos de fadas, podemos citar o exemplo da filha do moleiro, que precisa, por ordem do rei, fiar palha e transformá-la em ouro, para salvar sua vida, em Rumpelstiltskin. São histórias que nos mostram que, enquanto estamos vivos, precisamos passar por transformações.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>A verdadeira transformação, que nunca é reversível, acontece internamente e implica dor &#8211; envolve subir (ou descer) de um nível de consciência para o seguinte, ganhando um novo sentido de onde estamos em nossa vida e o que deve vir a seguir.</p><cite>GOULD, 2007, p.13</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teseu-e-o-fio-de-ariadne" style="font-size:19px">TESEU E O FIO DE ARIADNE</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nos debruçaremos neste artigo sobre o mito de Teseu e Ariadne. Nosso herói era filho de Egeu, o rei de Atenas, e de Etra. Ficou conhecido pela sua gentileza, bondade e humildade, assim como por sua valentia e por sua força. Quando completou 18 anos, Teseu corajosamente se voluntariou para se juntar aos 7 rapazes e a 7 moças que eram ofertados anualmente para alimentar o Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem, que era mantido em um labirinto sob o palácio de Creta. O sacrifício humano fazia parte do acordo de paz imposto por Minos, o rei de Creta, ao povo ateniense.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O plano de Teseu era adentrar no labirinto e matar o monstro, livrando seu povo de tamanha crueldade. Porém, o labirinto que abrigava o Minotauro havia sido arquitetado por Dédalo como um organismo vivo, que mudava de forma, de modo que ninguém que entrasse nele conseguiria encontrar a saída.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao chegar em Creta, Teseu foi visto por Ariadne, filha de Minos, que se encantou por ele. Apaixonada e compadecida do destino do herói, Ariadne resolveu ajuda-ló, entregando-lhe uma espada e um novelo de linha vermelha. Em algumas versões, ele deveria amarrar uma ponta na entrada do labirinto e, em outras, Ariadne quem segurava a extremidade. De qualquer forma, para voltar, deveria seguir o fio desenrolado. Guiado pelo fio de Ariadne, Teseu derrotou o Minotauro e conseguiu voltar à luz: ele chegou ao centro e pôde voltar sem se perder nos descaminhos desse labirinto.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-mito-o-heroi-precisa-entrar-no-labirinto-que-aqui-representa-o-desconhecido-para-atingir-o-seu-centro-e-la-lutar-contra-uma-forca-instintiva-selvagem" style="font-size:19px">Nesse mito, o herói precisa entrar no labirinto, que aqui representa o desconhecido, para atingir o seu centro e lá lutar contra uma força instintiva selvagem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Existe uma tarefa a ser realizada, que o transformará. Na mitologia, afirma Carla Almeida, em <strong>O cordão de Teseu</strong>, as descidas às grutas e labirintos representam morte e rituais iniciáticos, onde o indivíduo passa por experiências transformadoras e profundas que o levam à origem do ser (Cf. ALMEIDA, 2009, p.30). São provas de iniciação, em que o símbolo do labirinto anuncia a presença de alguma coisa sagrada e valiosa no seu centro (Cf. CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.597). Teseu não se perde nos descaminhos desse labirinto: há algo que o conduz e que o traz de volta à luz, transformado. <strong>Há <em>o fio de Ariadne</em></strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fio-das-relacoes" style="font-size:19px">O FIO DAS RELAÇÕES</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O labirinto também conduz o homem ao interior de si mesmo, “<em><strong>no qual reside o mais misterioso da pessoa humana</strong></em>” (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.598). Podemos pensar aqui no labirinto como as profundezas do inconsciente, onde, no centro, se encontra a unidade do ser. Assim sendo, o fio pode ser visto como a ponte que liga a consciência ao inconsciente, permitindo que, ao final dessa jornada às trevas, o <em>eu</em> volte à luz. No ato de costurar, o fio tem a função de ligar pedaços que antes estavam desconectados, criando uma totalidade em harmonia. Ele pode também remendar o que estava rompido, ou criar sentido, reunindo partes e possibilitando a relação entre elas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Podemos pensar a costura como metáfora para o impulso arquetípico representado por Eros em sua função de agregar, reunir, juntar, relacionar etc. Isso não apenas no jogo amoroso, do qual fazem parte os relacionamentos, mas em nossas tentativas de juntar, de fazer relação entre nossos mundos interno e externo, colocando assim a psique em movimento.</p><cite>NETO, 2018, p.119</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na maioria das sociedades, as atividades de tecer, fiar, costurar e bordar são historicamente ligadas às mulheres. É uma herança transgeracional, em que o fio preso à agulha constrói narrativas de vida, permeadas por memórias, não só individuais, mas compondo um&nbsp; imenso tecido coletivo. Além de ter função decorativa e de adaptação (como é o caso das vestimentas e artefatos domésticos), essas atividades têxteis transmitem valores, condições sociais e culturais, e também práticas religiosas. É um fazer artesanal que está ligado tanto à construção da identidade individual, como coletiva. (CF. NETO, 2018). P<strong>odemos pensar então no fio de Ariadne como elemento criativo da alma, que nos conduz nos relacionamentos, tanto externos quanto internos</strong>? Será ele o “a<em>uxilio espiritual necessário para vencer o monstro</em>” (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.683)?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fio-da-vida-e-o-self" style="font-size:19px">O FIO DA VIDA E O SELF</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-a-neurose-e-o-sofrimento-de-uma-alma-que-nao-descobriu-o-seu-significado" style="font-size:19px">Para Jung, a neurose é o sofrimento de uma alma que não descobriu o seu significado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na sociedade atual, técnico-científica, vivemos cada vez mais com o sentimento de vazio religioso, ou espiritual. “<strong><em>O cosmo se tornou quase desprovido de alma e os fenômenos naturais tiveram roubada a sua espiritualidade</em></strong>” (JAFFÉ, 2021, p.59). Nos sentimos sozinhos e individualistas; perdemos a ligação com o sentido da vida, com a totalidade. Estamos perdendo nossas costuras, vivendo em mundo cada vez mais doente e deprimido, desconectado da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como traz Aniela Jaffé, em <em><strong>O mito do significado</strong></em>, a experiência do significado, na visão de Jung, depende da percepção de uma realidade transcendental ou espiritual que se une à realidade empírica da vida e que, juntamente com ela, forma um todo (Cf. JAFFÉ, 2021, p.37). <strong>Para ele, a unidade humana é experimentada através do arquétipo central, o Self</strong>. Ele representa a essência da totalidade psíquica, onde consciência e inconsciente se complementam. Ele é o objetivo da vida, porque é a expressão mais plena da combinação de destino que chamamos <em>individuo</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-significado-da-vida-para-jung-e-a-realizacao-do-self-ou-dessa-totalidade" style="font-size:19px">O significado da vida, para Jung, é a realização do Self, ou dessa totalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sendo assim, é trabalho do <em>ego</em>, o complexo do eu, percorrer por esse labirinto a que nomeamos de experiência interior, integrando os conteúdos do inconsciente, em busca de sua completude, mas sem nunca largar o fio que o conduz.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A aventura, essa ida ao inconsciente, no entanto, só tem êxito quando a entrega passiva se transforma numa atitude ativa. Só assim a consciência se delimita em relação ao inconsciente, amplia a sua esfera e a personalidade se desenvolve.</p><cite>JAFFÉ, 2021, p.91</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Adentrar no labirinto e vencer o Minotauro é se confrontar com poderes <em>numinosos </em>do inconsciente, tornando aquilo que era uma ameaça interior como parte de si, atingindo o centro de uma nova vida, podendo então voltar à consciência, conduzido pela alma, renovada de significado. Quanto mais individualistas, costurados no próprio ponto de vista, sem o senso de comunidade para servir de trama desse tecido da vida, mais sozinhos nos sentimos, com uma narrativa esvaziada de significado. O desenrolar da vida depende de seus laços e costuras firmes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-um-conceito-da-filosofia-indiana-chamado-sutratma-em-que-ha-um-elo-vital-que-liga-todos-os-seres-e-uma-essencia-que-todos-compartilham-algo-que-nos-leva-em-direcao-ao-nosso-destino-e-que-passa-pela-ampliacao-de-consciencia-e-esse-algo-e-o-fio" style="font-size:19px">Há um conceito da filosofia indiana chamado <em>Sutratma</em>, em que há um elo vital que liga todos os seres. É uma essência que todos compartilham; algo que nos leva em direção ao nosso destino e que passa pela ampliação de consciência. <strong>E esse algo é o <em>fio</em></strong>.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Imagina você um colar de contas. Imagina que cada continha dessas é um ser humano. Imagina uma conta vaidosa achando que ela é mais brilhante, mais redondinha que as demais, querendo aparecer, querendo se mostrar. Até que depois de muito tempo de experiência, de amadurecimento, essa conta começa a achar que essa vida de vaidade, de superficialidade, não faz mais sentido; ela se esgota de olhar só pra fora. Ela começa a sentir necessidade de vida interior. Quando ela vira pra dentro dela pra procurar algo interior, por dentro dela passa um fio de prata. Ela não está acostumada a reconhecer prata; ela só reconhece pérola. Então ela olha pra dentro e sente como se ela tivesse um vazio. De tanto olhar para esse vazio, de tanto buscar entende-lo, num determinado momento ela acha um pedacinho de prata dentro dela. E diz: olha, essa aí é minha essência, vou contar pra todo mundo. Todo mundo deve ter uma essência também. Lá pelas tantas, essa pérola descobre que esse pedacinho de prata que passa por dentro dela, e o que passa por dentro de todas as outras pérolas, é um só; é um único fio. Então se você sair da ilusão das aparências, você vai perceber que sempre foi a unidade. (Lúcia Helena Galvão em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=G0mLJrqcgeo">www.youtube.com/watch?v=G0mLJrqcgeo</a>)</p></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: O Fio que nos Conduz" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/23e3Qs4Wb4E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/beatriz-whitaker/">Beatriz Assumpção &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Analista Didata</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALMEIDA, Carla Mirelle S. <em>O Cordão de Teseu</em>. A libertação através das artes. Tese de pós-graduação em Terapia Transpessoal, INCISA. Salvador, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <em>Dicionário de símbolos</em>. Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 39.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GOULD, Joan. <em>Fiando palha, tecendo ouro</em>. O que os contos de fadas revelam sobre as transformações na vida da mulher. 1.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAFFÉ, Aniela. <em>O mito do significado na obra de Carl G. Jung</em>. Uma introdução concisa ao estudo da psicologia analítica. 2.ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NETO, Patrícia Elizabeth Widmer Costa. <em>A trama em atitude simbólica</em>. Um olhar da psicologia analítica de Jung sobre mãos que costuram, bordam e tecem. Tese de doutorado em Psicologia da Aprendizagem e Desenvolvimento, USP. São Paulo, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STAFFORD, William. <em>The Way it it. </em>Disponível em<em>: </em><em>https://reflections.yale.edu/article/seeking-light-notes-hope/poem-way-it</em><em>. </em>Acesso em: 20 outubro 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-floresta-uma-imagem-do-inconsciente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
		<category><![CDATA[imagem]]></category>
		<category><![CDATA[imagem arquetípica]]></category>
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		<category><![CDATA[inconsciente coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[Psique]]></category>
		<category><![CDATA[símbolo]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia. INTRODUÇÃO Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:19px"><strong>INTRODUÇÃO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa minha imaginação, me transborda: me atrai para dentro dela. Caminho por entre suas densas árvores. São pinheiros e cedros altos, muito antigos. O ar é úmido e o vento, frio. Apesar de ser uma floresta escura, um tanto misteriosa, os raios de sol conseguem penetrá-la, trazendo a luz dourada para dentro da mata. O chão é forrado por uma folhagem amarelada, recém-caída das árvores.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O que sinto ao vivenciar essa floresta é perto do indizível: é como estar tomada pelo sagrado, por uma presença divina, pelo mistério da vida</strong>. Mas embora eu ande por ela, a sinta, a cheire, a veja, eu nunca estive realmente neste lugar. Pelo menos não conscientemente. Ela se apresenta como uma imagem nítida, real, mas que vem de uma parte em mim que é desconhecida, profunda e incontrolável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Tantas vezes andei por aí tentando achá-la do lado de fora: em viagens e por todos os lugares que passei; procurei em parques, bosques, trilhas e matas. Mas nenhuma era semelhante àquela imagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Até que um dia, alguns anos atrás, em uma conversa com a minha mãe sobre talvez viajarmos para conhecer a região da Alemanha em que viveram nossos antepassados, resolvi pesquisar sobre a <strong>Floresta Negra</strong>. E para minha surpresa, lá estava ela, materializada naquelas fotos do Google! A floresta que sempre povoou minha imaginação, aquela que eu sempre via ao fechar os olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Como é possível eu carregar dentro de mim a imagem de um lugar que eu não conheço, mas que um dia foi o lar dos meus antepassados? De que parte da minha psique essa imagem, tão real para mim, aflora e invade minha consciência?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fantasia-o-pensamento-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>FANTASIA: O PENSAMENTO SUBJETIVO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jung (Cf. 2013b, p. 31-34) descreve, em <em>Símbolos da transformação</em>, os dois tipos diferentes que existem de pensamento: o dirigido e o subjetivo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O dirigido, ou lógico, é aquele que usamos ao nos expressarmos para alguém; aquele que permite nos comunicarmos e adaptarmos à realidade. Podemos dizer que é a exteriorização de uma ideia formulada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Por outro lado, possuímos um pensamento subjetivo, movido por razões interiores, que é a fantasia; o pensamento que é mais impulsionado pelo inconsciente que pela consciência. Segundo Jung, essa fantasia pode vir tanto da camada do inconsciente pessoal &#8211; em que estão as recordações infantis, os conflitos pessoais reprimidos e as evocações dolorosas &#8211; quanto pode vir da camada mais profunda da psique: o inconsciente coletivo. É lá que jazem as imagens humanas universais e originais mais antigas: os arquétipos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-jung-afirma-essas-imagens-do-inconsciente-coletivo-correspondem-a-estados-de-espirito-ancestrais" style="font-size:19px">Como Jung afirma, essas imagens do inconsciente coletivo correspondem a estados de espirito ancestrais:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Assim como nosso corpo em muitos órgãos conserva ainda resquícios de antigas funções e estados, também nosso espirito, que parece ter ultrapassado todos os instintos primitivos, traz ainda marcas do desenvolvimento por que passou e repete o arcaico ao menos em sonhos e fantasias. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">As imagens afloradas do inconsciente coletivo, como aponta Jung (Cf. 2014, p. 91), contêm o resto da vida dos antepassados. Elas carregam uma herança da vida ancestral, que despertam quadros mitológicos. São imagens não preenchidas, já que não foram vividas pessoalmente pelo indivíduo, mas que se formaram a partir da vida, do sofrimento e da alegria dos antepassados, e que agora querem voltar à vida, como experiência e como ação. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-experenciarmos-essas-imagens-arquetipicas-atraves-de-sonhos-fantasias-ou-na-vida-sentimos-uma-forca-numinosa-e-fascinante-abre-se-entao-um-mundo-espiritual-interior-de-cuja-existencia-nem-sequer-suspeitavamos-jung-2014-p-89" style="font-size:19px">Ao experenciarmos essas imagens arquetípicas, através de sonhos, fantasias ou na vida, sentimos uma força numinosa e fascinante, “abre-se então um mundo espiritual interior, de cuja existência nem sequer suspeitávamos” (JUNG, 2014, p. 89).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>AS IMAGENS DA PSIQUE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Como escreveu Gustavo Barcellos, em <em>Psique e Imagem </em>(Cf. 2012, p. 87), para Jung, a psique do ser humano tem a capacidade espontânea e autônoma de criar imagens ou fantasias: capacidade a qual chamamos de imaginação. A psique é constituída essencialmente de imagens: todo o processo psíquico é uma imagem e um imaginar. A imagem não é algo que se vê com os olhos, mas é, antes de tudo, um modo de ver, uma perspectiva. É o único acesso direto que temos à psique, um meio pelo qual as experiências se tornam possíveis. Ela pode se apresentar através de sonhos, fantasias, na arte e nos mitos. Além disso, não é somente um dado visual: ela pode ser sonora, tátil, pode ser uma emoção ou até mesmo estar no corpo (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 95).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung afirma que “<strong>a psique é feita de uma série de imagens, no sentido mais amplo do termo; não é, porém, uma justaposição ou uma sucessão, mas uma estrutura riquíssima de sentindo e uma objetivação das atividades vitais, expressa através de imagens</strong>” (JUNG, 2013a, p. 281).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quanto mais a imagem nos afeta sensualmente, sensorialmente e sensitivamente, mais significado ela tem (Cf. HILLMAN, 2018, p. 121). A psique opera em analogias, ou metáforas, o tempo todo, transportando o significado de uma imagem à outra. Assim, em toda imagem que temos acesso existe uma múltipla relação de significados presentes simultaneamente (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 91-97).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-elas-sao-carregadas-de-simbolos-para-alem-da-sua-aparencia-imediata" style="font-size:19px">Elas são carregadas de símbolos para além da sua aparência imediata.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O símbolo é uma expressão indeterminada, ambígua, que indica alguma coisa dificilmente definível, não reconhecida completamente. O “sinal” tem um significado determinado, porque é uma abreviação (convencional) de alguma coisa conhecida ou uma indicação correntemente usada da mesma. Por isso, o símbolo possui numerosas variantes análogas, e quanto mais possuir, tanto mais completa e correta é a imagem que traça de seu objeto. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 152)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isto-e-todo-simbolo-traz-algo-visivel-em-si-e-por-outro-lado-carrega-algo-invisivel-incompreensivel-como-um-significado-oculto" style="font-size:19px">Isto é, todo símbolo traz algo visível em si e, por outro lado, carrega algo invisível, incompreensível, como um significado oculto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Desse modo, ao simbolizarmos, estamos vendo uma imagem simbolicamente, ou transformamos imagens em símbolos (Cf. HILLMAN, 2018, p. 20). Como disse Hillman, em <em>Uma investigação sobre a imagem</em>, “qualquer evento visto simbolicamente assume uma dimensão; torna-se universalizado, ganha transcendência para além da sua aparência imediata. Sentimo-nos em contato com um grande significado” (HILLMAN, 2018, p.22). Uma imagem sem símbolos é algo visual, que não nos afeta. Mas uma imagem simbólica é carregada de emoção, de energia psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Hillman propõe pensarmos em uma imagem não só como uma cena e um contexto, onde estamos inseridos, mas também como um estado de humor, em que a imagem é que está dentro de nós.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>(&#8230;) a imagem é também algo na qual entro e pela qual sou abraçado. As imagens nos sustentam, e podemos estar nas garras de uma imagem. De fato, elas podem vir de nossas profundezas mais viscerais. </p><cite>(HILLMAN, 2018, p. 68)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A FLORESTA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung (Cf. 2015, p.73) assume a ideia de que a psique cria a realidade todo dia, através da fantasia, ou seja, a fantasia é inerente à alma humana. Assim, ao lidar com imagens, estamos lidando com a alma. A alma vê e ouve por meio da imaginação. “<strong>Imaginar significa libertar os eventos de sua compreensão literal para uma apreciação mítica</strong>” (HILLMAN, 2022, p.64). </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A alma é uma atividade imaginativa que, muitas vezes, nos é apresentada através dos sonhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Uma imagem arquetípica, como expôs Hillman, é o fundamento da fantasia, através da qual o mundo é imaginado. Ela parece conter um conhecimento anterior e uma direção instintiva a um destino, “como se profética, prognóstica” (HILLMAN, 2022, p.43). Ela não é somente aquilo que se vê, mas através do que se vê. Quando estamos diante de uma imagem, precisamos nos perguntar o que ela mobiliza em nossa alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-retomando-entao-a-imagem-da-floresta-quais-simbolos-poderiamos-identificar-e-para-qual-caminho-ela-estaria-apontando" style="font-size:19px">Retomando, então, a imagem da floresta, quais símbolos poderíamos identificar e para qual caminho ela estaria apontando?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Em <em>Símbolos da Transformação</em>, Jung (Cf. 2013b, p. 328) afirma que a floresta, por ser composta por árvores, carrega o seu sentido. Árvores são o símbolo da vida, da regeneração, do ciclo da vida e do materno, sendo assim, a floresta simboliza o inconsciente e o instintivo. Caminhar pela floresta é ir para o outro lado, para o lado inconsciente, para o desconhecido. É conectar-se com o sagrado (Cf. CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.501-502).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Sigo, então, atenta ao chamado da alma, me aproximando do lado instintivo e arquetípico do desconhecido. Trilhando por essa floresta misteriosa do autoconhecimento, dos sonhos e das fantasias.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📝 Artigo novo: A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/gqzCRJ_61-w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/beatriz-whitaker/"><strong>Beatriz Assumpção </strong>&#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/"><strong>Lia Romano</strong> &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Imagem: <a href="https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/">https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">BARCELLOS, Gustavo. <em>Psique e imagem</em>. Estudos de psicologia. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <em>Dicionário de símbolos</em>. Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 39.ed. Rio de janeiro: José Olympio, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">HILLMAN, James. <em>Uma investigação sobre a imagem</em>. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia arquetípica</em>. Uma introdução concisa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav. <em>Natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Símbolos da transformação. </em>9.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia do inconsciente. </em>24.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Tipos psicológicos</em>. Edição digital. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>O homem e seus símbolos</em>. 3.ed. especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</p>



<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-ddcb3d89bd30228e5a845ec0de97b1de wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong> &#8211; <strong>Online e Gravado &#8211; 30h Certificação</strong></em></p>



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<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f00331b9d5e3118ea070d5a1533c383 wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Acompanhe nosso Canal no YouTube: </strong> https://www.youtube.com/@IJEPJung </p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Mosaico como recurso de Ressignificação no Processo Terapêutico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mosaico-como-recurso-de-ressignificacao-no-processo-terapeutico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Feb 2025 22:02:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[kintsugi]]></category>
		<category><![CDATA[mosaico]]></category>
		<category><![CDATA[processo terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[setting terapeutico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RESUMO: Esse artigo, de motivação pessoal, aborda a expressão criativa de se fazer um mosaico, no processo terapêutico, como uma oportunidade de se trabalhar os complexos e reintegrá-los à totalidade psíquica, facilitando a reorganização do mundo interno do indivíduo. INTRODUÇÃO Tenho em casa um jogador mirim de futebol, que sonha muito em um dia ser [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>RESUMO</strong>: Esse artigo, de motivação pessoal, aborda a expressão criativa de se fazer um mosaico, no processo terapêutico, como uma oportunidade de se trabalhar os complexos e reintegrá-los à totalidade psíquica, facilitando a reorganização do mundo interno do indivíduo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:18px">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tenho em casa um jogador mirim de futebol, que sonha muito em um dia ser jogador profissional. Seu corpo, mesmo que ele se esforce, não consegue parar de chutar a bola o tempo todo, da hora que sai da cama, até a hora do boa noite. Pouco tempo atrás, ele acertou a bola em uma prateleira muito alta, onde eu acreditava que meus objetos favoritos estariam protegidos do seu talento futebolístico. Me equivoquei, pois um vaso, que tinha um valor emocional muito significativo para mim, despencou lá de cima e, sendo de cerâmica, partiu-se em diversos pedaços e muitos farelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por saber do meu apreço pelo vaso, meu filho chorava e me abraçava, completamente decepcionado consigo mesmo. Logo que comecei a varrer os cacos, ele me pediu pra que não os jogasse fora, pois ele daria um jeito de colar. Apesar de estar totalmente descrente da eficácia de sua ideia, resolvi guardar os pedaços, para que houvesse uma chance dele se retratar, ainda que apenas em tentativa. Na mesma noite do ocorrido, quando meu marido chegou em casa, ao saber do “caso” do vaso partido, ele me contou que no dia seguinte filmaria uma cena de vaso se quebrando, com a presença no set de filmagem de um restaurador, que usaria uma técnica japonesa para colar os pedaços. Pôde então ser concretizado o desejo muito sincero de uma criança arrependida de sua “boa” pontaria.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-tecnica-citada-e-chamada-de-kintsugi-que-significa-emendar-com-ouro" style="font-size:19px">A técnica citada é chamada de <strong>Kintsugi</strong>, que significa “emendar com ouro”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A técnica consiste em misturar cola com pó de ouro, prata ou platina para recuperar cerâmicas e porcelanas. Surgiu no Japão, no século XV, quando o xogum (mais alto título militar concedido pelo imperador) Ashikaga Yoshimasa enviou à China uma cerâmica quebrada para ser restaurada. Não satisfeito com o resultado, que utilizou grampos metálicos para juntar os pedaços, o xogum pediu para que artesãos japoneses desenvolvessem outra maneira de consertar a peça. Esses artesãos, ao invés de tentarem disfarçar as emendas entre os pedaços partidos, usaram ouro para colá-los e, assim, evidenciar as falhas. <strong>Com isso, os defeitos e imperfeições não foram mais escondidos, mas valorizados, trazendo uma nova beleza para a peça</strong>. Assim, a técnica Kintsugi permitiu que o objeto ganhasse novo uso após seu dano ou ruptura (Cf. HATANAKA, 2023, sp).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-gracas-ao-kintsugi-meu-filho-teve-a-possibilidade-de-reparar-algo-muito-importante-dentro-de-si" style="font-size:19px">Graças ao Kintsugi, meu filho teve a possibilidade de reparar algo muito importante dentro de si. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Ele teve a chance de fazer algo novo surgir dos cacos e me presenteou com um objeto novo, diferente do antigo, mas com um significado muito mais importante para mim.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa situação me fez pensar no uso do mosaico como recurso, dentro de um <em>setting</em> de arteterapia, de possibilidade de ressignificação de uma dor ou até mesmo de conteúdos psíquicos rompidos de nossos clientes. Antes de entrarmos nessa reflexão, vamos conhecer um pouco da sua história como expressão artística.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-breve-historia-do-mosaico" style="font-size:18px">UMA BREVE HISTÓRIA DO MOSAICO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A palavra mosaico, de origem grega, significa “paciência digna das musas”. “Paciência porque requer concentração e muita atenção para executá-lo, e digna das musas por se tratar de um trabalho de uma beleza rara e magnífica” (MEDEIROS; BRANCO, 2012, p. 39). O mosaico é considerado, assim como a pintura e a escultura, uma das primeiras manifestações culturais do ser humano. Pesquisas indicam que a técnica tem origem nas civilizações antigas, como Egito e Mesopotâmia. Segundo historiadores, o primeiro mosaico produzido data de 3.500 a.C, na antiga cidade de Ur, sendo composto por dois painéis realizados em mármore, arenito vermelho e conchas, que eram carregados em procissões.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“A obra retrata a guerra e a paz, com cenas do cotidiano de uma sociedade que utilizava veículos de transporte e de combate com características bem rudimentares.” </p><cite>(MEDEIROS; BRANCO, 2012, p. 40)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No Egito, os mosaicos eram usados para ornamentar as paredes e colunas dos templos com pedras preciosas e vidro. Já na Grécia, os mosaicos eram usados para pavimentar os pisos, retratando cenas com motivos mitológicos e recriando situações de lutas e caças de animais. Quando os romanos conquistaram a Grécia, assimilaram diversas formas de arte, incluindo o mosaico. Neste período, começou a ser usado em basílicas onde eram reproduzidas cenas bíblicas. O mosaico passou então a ser um elemento de difusão do Cristianismo, adquirindo um caráter majestoso de riqueza e poder (Cf. MEDEIROS; BRANCO, 2012, p. 40-43).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Bem mais tarde, no começo do século XX, o arquiteto catalão Antonio Gaudí, utilizou-se do mosaico para conciliar arquitetura e decoração, rompendo com a sua estrutura plana. A técnica chegou no Brasil, sendo utilizada em várias construções espalhadas pelo país, principalmente como revestimento externo. As primeiras cidades a adotarem a técnica, que foi trazida pelos franceses e italianos, foram São Paulo e Rio de Janeiro. Nesta ultima cidade, “as calçadas também ganharam graça e beleza com a iniciativa do prefeito Pereira Passos, quando, em 1905, pavimentou a Avenida Central &#8211; hoje Avenida Rio Branco” (MEDEIROS; BRANCO, 2012, p.43).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uso-do-mosaico-na-arteterapia" style="font-size:18px">USO DO MOSAICO NA ARTETERAPIA</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como o vaso despedaçado e depois restaurado, o mosaico permite que peças inteiras de azulejos sejam quebradas para, então, criar e transformar seus múltiplos cacos em uma nova peça, uma nova unidade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“A produção da peça depende de cada caco encaixado adequadamente na composição da imagem. Um caco que se encaixa em uma determinada parte não cabe na outra.” </p><cite>(MARQUES, 2024, p. 9)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-mesmo-modo-que-o-mosaico-tambem-somos-feitos-de-pedacos-de-diversos-fragmentos-psiquicos-que-nos-compoe" style="font-size:18px">Do mesmo modo que o mosaico, também somos feitos de pedaços; de diversos fragmentos psíquicos que nos compõe.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Apesar de nos reconhecermos como uma unidade, o inconsciente é habitado por inúmeros <strong>complexos</strong>, isto é, imagens de situações psíquicas de forte carga emocional, que geralmente são incompatíveis com a atitude da consciência. Como explica Jung, “<strong>esta imagem é dotada de poderosa coerência interior e tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado de <em>autonomia</em></strong>” (2013, p. 43).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Os complexos são como pedaços que foram arrancados da psique por um choque emocional ou moral, no embate com o mundo exterior</strong>. Por nascerem dessa incompatibilidade com a atitude da consciência, os complexos são reprimidos e se tornam inconscientes. Eles são, então, sentidos em nós como personagens internos autônomos, ou externos (quando projetados), e que têm influência na nossa maneira de pensar, de agir e de sentir. Esse processo de cisão entre consciência e conteúdos do inconsciente tem efeito no indivíduo como uma sensação de perda, “e quando um complexo perdido se torna, de novo, consciente, por exemplo, através do tratamento psicoterapêutico, o indivíduo sente que houve um aumento de força” (JUNG, 2013, p.265).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Verena Kast (2013, p.42), em <em><strong>A dinâmica dos símbolos</strong></em>, identifica no trabalho terapêutico com os complexos, uma chance de desenvolvimento do indivíduo. A autora explica que os complexos podem ter tanto caráter inibidor, quanto promotor. Para ela, ao trabalhar os complexos em um processo analítico, identificando-os e conscientizando-se de sua dinâmica, sempre há a chance de liberar a energia contida nele para que haja sua integração à consciência e, assim, favorecendo o desenvolvimento do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há complexos que inibem, outros que promovem. Esse é um lado da realidade. O outro é que, em todo complexo, ainda que inicialmente se trate de um complexo inibidor sempre será também, se nos envolvermos com ele, um tema de desenvolvimento, um estimulo para o desenvolvimento. (KAST, 2013, p. 72)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-trabalhamos-os-complexos-na-clinica-atraves-da-fantasia-sonhos-e-expressoes-artisticas-ativamos-a-formacao-de-simbolos" style="font-size:18px">Quando trabalhamos os complexos na clínica, através da fantasia, sonhos e expressões artísticas, ativamos a formação de símbolos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os símbolos têm uma função de mediar a relação conflituosa entre a consciência e o inconsciente. Ao simbolizarmos, conseguimos lidar criativamente com a vida, com os conflitos, e, acima de tudo, transformamos as forças inibidoras dos complexos em forças promotoras de desenvolvimento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Os complexos se tornam visíveis nos símbolos, por meio de fantasias. Pois onde há emoções, também há imagens. Os complexos se fantasiam, por assim dizer, nos símbolos.” </p><cite>(KAST, 2013, p. 48)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função simbólica do fazer artístico confere uma manifestação visível ao afeto do complexo. Jung percebeu a importância do uso de técnicas expressivas como meio de acesso ao inconsciente. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como descreve Lígia Diniz (2018, p.35), em <em><strong>Arte: a linguagem da alma</strong></em>, “<strong>a Arteterapia, sob a ótica junguiana, parte do princípio que a vida psíquica tem uma tendência inata à organização e que o processo terapêutico por meio da arte poderá dinamizar esta tendência</strong>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Diniz (2018, p.35), o símbolo, trazido pela expressão artística, tem a capacidade de tocar o afeto, de compreender, refazer e reparar estruturas. Embora seu sentido oculto nunca seja totalmente esgotado, o símbolo traz a chance de trabalharmos o mundo interno do cliente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pratica-da-arteterapia-facilita-a-decifracao-do-mundo-interno-o-conflito-com-as-imagens-e-a-energia-psiquica-que-ai-se-configuram" style="font-size:18px">A prática da Arteterapia facilita a decifração do mundo interno, o conflito com as imagens e a energia psíquica que aí se configuram.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A compreensão destas formas simbólicas possibilita o confronto com o inconsciente e a tomada de consciência de seus conteúdos, pois o mundo das emoções e o mundo das coisas concretas não estão separados por fronteiras intransponíveis. Ambos permeiam-se no dia a dia, o que é particularmente manifesto nas obras de artes plásticas e literárias, e a Arteterapia pode aperfeiçoar estes intercâmbios. (DINIZ, 2018, p.33)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao" style="font-size:18px">CONCLUSÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Trabalhar com mosaico no processo terapêutico é propor para o indivíduo que ele revisite seus fragmentos, os complexos, assim como sua memória e experiências, e possa reorganizá-los em uma nova versão. Através dos símbolos que surgem do inconsciente, o mosaico, como recurso terapêutico, traz uma possibilidade de reintegração dos aspectos que estavam cindidos à totalidade psíquica. A expressão do inconsciente através da arte permite que a carga emocional da imagem simbólica seja despotencializada, facilitando essa reorganização do mundo interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>O indivíduo pode ressignificar então seus conflitos, juntando os cacos, reorganizando e colando</strong>. Desse modo, um novo sentido para a experiência vivida surge, assim como aconteceu com meu filho e o vaso restaurado.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Mosaico como recurso de Ressignificação no Processo Terapêutico" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/lgpLdFT0k3Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Beatriz Assumpção &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Analista Didata IJEP</a> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">DINIZ, Lígia. <em>Arte: linguagem da alma</em>. Arteterapia e psicologia junguiana. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">HATANAKA, Paulo (2023). <em>Kintsugi</em>: <em>aceitar e valorizar as imperfeições</em>. <a href="https://www.japanhousesp.com.br/artigo/kintsugi/">https://www.japanhousesp.com.br/artigo/kintsugi/</a> Acesso em: 18 nov. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">KAST, Verena. <em>A dinâmica dos símbolos</em>. Fundamentos da psicoterapia junguiana. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">MARQUES, Gilmara. <em>O mosaico e a expressão da totalidade da alma</em>. Curso de Arteterapia e expressões criativas, IJEP. São Paulo, 2024. Apostila de aula.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">MEDEIROS, Adriana; BRANCO, Sonia. <em>Conto de fada</em>. Vivências e técnicas em arteterapia. 2ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2012.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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