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	<title>Patricia Moura Vernalha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Patricia Moura Vernalha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>QUANDO A MÃE INTERNA DEIXA DE INGERIR &#8211; O complexo materno negativo e a redistribuição da energia psíquica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 13:14:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo da mãe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O complexo materno negativo pode dificultar o desenvolvimento da autonomia psíquica ao manter a libido vinculada a relações fusionais e padrões inconscientes de adaptação. A partir da concepção da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, sobre complexo, arquétipo e energia psíquica, discutem-se como determinadas dinâmicas maternas interferem no processo de diferenciação e autonomia do individuo, favorecendo estados de esgotamento, responsabilidade excessiva e limitação da espontaneidade psíquica. A tomada de consciência dessas configurações possibilita a redistribuição da energia anteriormente aprisionada no complexo, abrindo espaço para formas mais autênticas de relação consigo mesmo e com o outro.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>: O complexo materno negativo pode dificultar o desenvolvimento da autonomia psíquica ao manter a libido vinculada a relações fusionais e padrões inconscientes de adaptação. A partir da concepção da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, sobre complexo, arquétipo e energia psíquica, discutem-se como determinadas dinâmicas maternas interferem no processo de diferenciação e autonomia do individuo, favorecendo estados de esgotamento, responsabilidade excessiva e limitação da espontaneidade psíquica. A tomada de consciência dessas configurações possibilita a redistribuição da energia anteriormente aprisionada no complexo, abrindo espaço para formas mais autênticas de relação consigo mesmo e com o outro.</p>



<h2 id="h-este-artigo-propoe-uma-reflexao-a-luz-da-psicologia-analitica-acerca-do-complexo-materno-negativo-da-redistribuicao-da-energia-psiquica-e-seus-impactos-no-processo-de-diferenciacao-psiquica-e-apropriacao-de-si-mesmo" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Este artigo propõe uma reflexão à luz da Psicologia Analítica, acerca do complexo materno negativo, da redistribuição da energia psíquica e seus impactos no processo de diferenciação psíquica e apropriação de si mesmo.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas experiências psíquicas não se anunciam inicialmente como sofrimento. Ao contrário, organizam-se silenciosamente no interior da vida cotidiana, diluídas no amor, na responsabilidade, na adaptação e também na lealdade e no cuidado. Digo com isso, que o complexo materno negativo não se constitui apenas através de experiências explicitas de rejeição, abandono ou violência. Em muitos casos, ele se organiza precisamente em relações permeadas por forte vinculo e pertencimento, mas que em longo prazo dificultam o desenvolvimento da autonomia psíquica e a diferenciação enquanto individuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A força do vinculo materno pode ultrapassar a dimensão do cuidado, transformando-se em um campo emocional, no qual a vida do filho e/ou filha passa a organizar-se em função das necessidades, fragilidades ou expectativas dessa mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum nas sessões, relatos de adultos, que trazem na memória a vivência em lares, com um campo psíquico extremamente organizado em torno da adaptação, do controle silencioso e da contenção da vida. Estas mães aparecem como uma figura paradoxal, frágeis externamente, porém destemidas internamente e quase estrategistas – se assim podemos mencionar, com a ressalva de uma dinâmica profundamente inconsciente. A mãe parece pequena, delicada em demasia, mas toda a realidade gira em torno da manutenção de sua estabilidade psíquica.</p>



<h2 id="h-os-complexos" class="wp-block-heading"><em>OS COMPLEXOS</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung (2014<strong>)</strong> um complexo afetivo é a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional e que, além disso, é incompatível com atitude habitual da consciência. Esta imagem, dotada de poderosa coerência interior, com totalidade própria, goza de um grau relativamente elevado de autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>[&#8230;] “É dos complexos que depende o bem-estar ou a infelicidade de nossa vida pessoal.” (JUNG,OC VIII/2,§209)</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung ainda ressalta que os complexos não são totalmente de natureza mórbida, mas manifestação vital próprias da psique seja esta diferenciada ou primitiva. Já a consciência, está invariavelmente convencida de que os complexos são inconvenientes e, por isso, devem ser eliminados de um modo ou de outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os complexos não constituem apenas conteúdos psíquicos isolados, mas núcleos autônomos carregados de energia psíquica. Quando ativados, tendem a capturar a atenção da consciência, distorcer a percepção da realidade e produzir reações automáticas, muitas vezes desproporcionais à situação objetiva. O individuo passa, então, a responder menos ao presente e mais ao conteúdo emocional acumulado em torno do complexo.</p>



<h2 id="h-o-arquetipo-materno" class="wp-block-heading"><em>O ARQUÉTIPO MATERNO</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo materno é a base do chamado complexo materno</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como todo arquétipo, o materno também possui uma variedade de aspectos: desde a própria mãe e a avó; a madrasta e a sogra; uma mulher qualquer com a qual nos relacionamos, até em sentido mais amplo, a Igreja, a Terra, a floresta, as águas quietas e em sentido mais restrito, a terra arada, o jardim, a árvore. (JUNG, 2016)</p>



<h2 id="h-entre-as-qualidades-desse-arquetipo-estao-a-sabedoria-profunda-a-elevacao-espiritual-o-colo-que-acolhe-cuida-e-oferta-condicoes-para-o-crescimento" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Entre as qualidades desse arquétipo estão a sabedoria profunda, a elevação espiritual, o colo que acolhe, cuida e oferta condições para o crescimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a figura da mãe seja Universal, sua imagem muda substancialmente na experiência prática individual. Isto significa que não é apenas da mãe pessoal que provém todas as influências sobre a psique infantil, mas é muito mais o arquétipo projetado na mãe que outorga à mesma um caráter mitológico e com isso lhe confere autoridade e até mesmo numinosidade. Os efeitos traumáticos da mãe estariam divididos em dois grupos: primeiro os que correspondem a atitudes realmente existentes na mãe pessoal e segundo, aqueles que só aparentemente possuem tais características, uma vez que se trata de projeções fantasiosas por parte da criança. (JUNG, 2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo materno negativo não se constitui apenas como lembranças da mãe real, mas como uma organização autônoma da psique, formada pela sobreposição entre experiências infantis, fantasias inconscientes e conteúdos arquetípicos vinculados a imagem do arquétipo da Grande Mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva da Psicologia Analítica, o problema não reside na existência do complexo em si – uma vez que os complexos fazem parte da dinâmica natural da psique, mas na condição em que o indivíduo passa a ser dominado por ele, tendo sua consciência parcialmente submetida as reações automáticas, afetos e padrões vinculados à imagem materna internalizada. Nesse estado de possessão psíquica, grande parte da energia libidinal permanece aprisionada na repetição dos conflitos e identificações inconscientes.</p>



<h2 id="h-sobre-a-libido" class="wp-block-heading"><em>SOBRE A LIBIDO</em></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:12px">
<p class="wp-block-paragraph">[&#8230;] “É mais prudente por isso, ao falarmos de libido, entender com este termo, um valor energético que pode transmitir-se a qualquer área, ao poder, a fome, ao ódio, a sexualidade, a &nbsp;religião etc., sem ser necessariamente um instinto especifico [.”&#8230;] (JUNG OC V §197).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, 2016 diz que a libido se expressa na comparação com o Sol, como luz, fogo, sexualidade, fertilidade e crescimento; que a imagem materna é um símbolo da libido.</p>



<h2 id="h-a-grande-questao" class="wp-block-heading"><em>A GRANDE QUESTÃO</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A questão que se coloca, portanto, é: O que ocorre quando o sujeito deixa de ser governado por esse núcleo autônomo, isso é possível? Se sim, para onde se desloca a energia antes investida no complexo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo materno negativo pode estruturar-se a partir de diferentes configurações da experiência materna: mães invasivas e controladoras, que impedem a diferenciação psíquica do filho; mães frias ou emocionalmente indisponíveis, cuja ausência afetiva produz um sentimento persistente de desamparo; mães negligentes, incapazes de oferecer continência emocional; a mãe narcisista, cuja organização psíquica permanece excessivamente centrada em si mesmo, nas próprias necessidades emocionais e em suas fragilidades inconscientes, dificultando o reconhecimento do filho como um sujeito separado e dotado de individualidade própria, ou ainda figuras profundamente ambivalentes, que alternam cuidados e rejeição, proximidade e afastamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nosso estudo, porém, vamos nos ater a configurações mais sutis da dinâmica materna, frequentemente mais difíceis de serem reconhecidas, permeadas por um ambiente acolhedor e de pertencimento, como explicado no inicio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, na perspectiva da Psicologia Analítica, o impacto psíquico dessa vivência não se restringe ao campo objetivo da relação com a mãe real. A experiência vivida associa-se às fantasias inconscientes e aos conteúdos arquetípicos ligados à imagem da Grande Mãe, formando um núcleo autônomo carregado de intensa tonalidade afetiva.</p>



<h2 id="h-a-dinamica" class="wp-block-heading"><em>A DINÂMICA</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os efeitos psíquicos do complexo materno negativo frequentemente se manifestam por meio de uma dependência emocional persistente ou, em movimento oposto, por uma rejeição radical de tudo aquilo que simbolicamente remeta ao feminino, à vulnerabilidade e ao vínculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em muitos casos, o individuo oscila entre a necessidade inconsciente de aprovação materna e tentativas defensivas de afastamento, sem que consiga estabelecer uma relação verdadeiramente diferenciada com a própria interioridade. Tal dinâmica pode comprometer o desenvolvimento da autonomia psíquica, dificultar escolhas pessoais e afetivas e sabotar o processo de individuação, uma vez que parte significativa da energia permanece aprisionada na repetição dos conflitos vinculados ao complexo.</p>



<h2 id="h-alem-disso-o-complexo-pode-produzir-uma-relacao-distorcida-com-o-feminino-interno-fazendo-com-que-o-cuidado-receptividade-sensibilidade-e-entrega-seja-vivida-como-ameaca-fraqueza-ou-invasao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Além disso, o complexo pode produzir uma relação distorcida com o feminino interno, fazendo com que o cuidado, receptividade, sensibilidade e entrega seja vivida como ameaça, fraqueza ou invasão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de constituir uma dimensão integrada da personalidade, o feminino pode ser experimentado de forma defensiva, fragmentada ou excessivamente idealizada. Nesse sentido, o complexo materno negativo não mantém o individuo ligado propriamente a mãe real, mas aprisionado à imagem psíquica dessa mãe, que continua atuando internamente como uma presença autônoma, organizando afetos, vínculos e modos de perceber a si mesmo e o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do complexo materno negativo, determinadas experiências afetivas, relações amorosas ou figuras de autoridade podem mobilizar intensamente a imagem materna internaliza fazendo com que antigas dinâmicas inconscientes sejam constantemente reatualizadas.</p>



<h2 id="h-em-simbolos-da-transformacao-jung-2016-nos-lembra-de-que-a-vida-chama-o-individuo-para-a-independencia-e-quem-nao-atender-a-este-chamado-por-comodidade-e-temor-infantis-esta-ameacado-de-neurose-e-que-para-a-luta-da-vida-e-necessaria-a-libido-toda" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Em símbolos da transformação, Jung, 2016 nos lembra de que a vida chama o indivíduo para a independência, e quem não atender a este chamado, por comodidade e temor infantis, está ameaçado de neurose. E que para a luta da vida é necessária à libido toda.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px;line-height:1.4"><blockquote><p>[&#8230;] Quando a libido abandona a claridade do mundo, seja por decisão própria , seja pela diminuição da força vital ou pelo destino, ela volta a seu próprio fundo, para a fonte da qual um dia brotou, e retorna àquela brecha, o umbigo, pela qual um dia penetrou neste corpo. Esta brecha chama-se mãe, pois é dela que nos veio a corrente da vida. Quando se trata de realizar uma grande obra diante da qual o homem recua, duvidando de sua força, sua libido regressa para aquela fonte – e é este o momento perigoso em que se faz a decisão entre destruição e nova vida. Se a libido fica presa no reino maravilhoso do mundo interior, o homem se transforma em sombra para o mundo exterior, ele está como morto ou gravemente doente. Mas se a libido consegue desvencilhar-se e subir à tona, o milagre aparece: a viagem ao submundo é uma fonte de juventude para ela e da morte aparente desperta novo vigor. </p><cite>Jung, OC V, §449</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, “retirar a energia do complexo” não significa eliminá-lo da psique, uma vez que estes pertencem à própria estrutura do funcionamento psíquico. Trata-se, antes, de um processo de desidentificação, no qual o indivíduo deixa de estar inconscientemente fundido ao complexo e passa a estabelecer uma relação mais consciente com ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao enfraquecer-se a identificação com a mãe interna, a libido anteriormente fixada na dinâmica do complexo pode tornar-se novamente disponível para o movimento da vida psíquica, favorecendo processos de diferenciação, autonomia, criatividade e individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui é que tudo muda&#8230; Esse processo geralmente inicia-se pela percepção dos padrões repetitivos e pelo sofrimento que dele decorrem. Muitas vezes, é a própria intensidade do sofrimento que atua como gatilho para o inicio da transformação, levando o sujeito a confrontar os modos pelos quais permanece aprisionado à dinâmica materna inconsciente. A partir dai, torna-se possível um movimento de diferenciação psíquica, no qual a mãe começa a ser distinguida da imagem psíquica construída em torno dela.</p>



<h2 id="h-e-como-se-caisse-uma-ficha-ao-percebermos-que-nossa-reatividade-no-dia-a-dia-nao-e-sobre-o-que-esta-acontecendo-no-agora-mas-sim-um-eco-das-dores-do-complexo" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">É como se “caísse uma ficha”ao percebermos que nossa reatividade no dia a dia não é sobre o que está acontecendo no agora, mas sim um eco das dores do complexo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caminho, o trabalho com os símbolos é fundamental. Os sonhos, a imaginação ativa e a arte viram pontes para acessar e ampliar a consciência a partir do inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, ocorre a retirada gradual das projeções: a imagem materna deixa de ser inconscientemente transferida para outras relações marcadas pela dependência afetiva e pela necessidade de aprovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a energia psíquica anteriormente aprisionada no complexo torna-se novamente disponível para o desenvolvimento da autonomia, como se aquela energia que estava trancada no complexo voltasse para as mãos de seu verdadeiro dono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que essa transformação se consolida, observa-se uma diminuição da reatividade emocional e uma ampliação da capacidade de escolha consciente; ou seja, vai deixando de reagir de maneira automática às antigas feridas emocionais. A relação com a mãe – ou com sua imagem interna – tende a tornar-se mais realista, menos idealizada e menos dominada pelos afetos primitivos do complexo, sem precisar romper com a mãe real.</p>



<h2 id="h-esse-movimento-favorece-o-desenvolvimento-de-uma-funcao-interna-de-cuidado-capaz-de-oferecer-sustentacao-psiquica-sem-reproduzir-a-logica-invasiva-negligente-ou-ambivalente-originalmente-associada-a-experiencia-materna" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Esse movimento favorece o desenvolvimento de uma função interna de cuidado, capaz de oferecer sustentação psíquica sem reproduzir a lógica invasiva, negligente ou ambivalente originalmente associada à experiência materna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, pode emergir aquilo que simbolicamente pode ser compreendido como uma forma de automaternagem: a capacidade de tornar-se, para si mesmo uma presença suficientemente boa, que nutri, mas não sufoca; que cuida, mas não interdita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Surge, então, a possibilidade de uma vida psíquica mais própria, no qual o individuo deixa de organizar sua existência em torno da ferida materna. A automaternagem implica uma relação mais madura com as próprias necessidades emocionais, permitindo que o indivíduo desenvolva continência interna, autorregulação afetiva e autocuidado. Agora, a energia psíquica será direcionada para si mesmo, em prol de sua evolução, do seu vir-a-ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe deixará de ser um destino psíquico, para ser apenas origem!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pmoura/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/pmoura/">Patricia Moura Vernalha – Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/"><strong>Waldemar</strong> <strong>Magaldi</strong> &#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo apresentação:</p>



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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br"><strong>www.ijep.com.br</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O Dinheiro como Espelho da Psique &#8211; o que o inconsciente revela sobre poder, valor e manejo do financeiro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-dinheiro-como-espelho-da-psique-o-que-o-inconsciente-revela-sobre-poder-valor-e-manejo-do-financeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 17:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[energia psíquica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo explora a temática financeira, onde o dinheiro como um símbolo, espelha dinâmicas inconscientes ligadas ao poder, ao valor e ao merecimento. Com base na Psicologia Analitica, discute-se como crenças profundas podem influenciar o manejo financeiro e explicar porque algumas pessoas vivem maior fluidez econômica, enquanto outras enfrentam tensão ou medo, mesmo com esforços contínuos. O estudo propõe a compreensão do dinheiro como expressão da energia psíquica, convidando a uma relação mais consciente e integrada com a dimensão material da vida.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo explora a temática financeira, onde o dinheiro como um símbolo, espelha dinâmicas inconscientes ligadas ao poder, ao valor e ao merecimento. Com base na Psicologia Analitica, discute-se como crenças profundas podem influenciar o manejo financeiro e explicar porque algumas pessoas vivem maior fluidez econômica, enquanto outras enfrentam tensão ou medo, mesmo com esforços contínuos. O estudo propõe a compreensão do dinheiro como expressão da energia psíquica, convidando a uma relação mais consciente e integrada com a dimensão material da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O dinheiro é uma temática de intensas emoções, pois além de um veículo de troca, é um símbolo carregado de energia psíquica refletindo a relação do individuo com o próprio poder e também com o principio de valor interior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As atitudes e comportamentos assumidos frente ao dinheiro, impregnados da herança familiar, transgeracional e cultural, reverberam positiva ou negativamente, não só em suas trajetórias pessoais, mas também na sociedade, no presente e adiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tema recorrente, é gerador de preocupações e angústias, circulando como principal meio de troca de bens e serviços humanos. É inegável que participamos de uma sociedade estruturada na produção e no consumo incessante de bens – particularmente supérfluos, que atraem afetos, ativam desejos e impulsionam praticas de compras que, muitas vezes não atendem a necessidades reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na história do desenvolvimento da humanidade, em diversas culturas o dinheiro se fez presente, ocupando um lugar de importância e influenciando a vida dos indivíduos, desde a criação das primeiras moedas até o surgimento das cédulas. (MEIRELLES, 2012)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-acordo-com-ferreira-2007-o-dinheiro-e" style="font-size:19px"><strong>De acordo com Ferreira (2007) o dinheiro é:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Estoque de valor, unidade de contabilidade, padrão de pagamento adiantado. Possui múltiplas dimensões simbólicas, entre elas: extensão de nosso self, poder, talento, habilidade, beleza, saúde, inteligência e oferece aquela possibilidade da pessoa sentir-se sempre especial. Nas sociedades capitalistas, o dinheiro está associado à segurança, sucesso, liberdade, independência, esperteza, benção de Deus, status, merecimento, bem estar, comparação social.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung nos convida a observar que aquilo que não é conscientizado tende a se manifestar como destino. Nesse sentido, nossas dificuldades ou excessos na relação com o dinheiro podem ser entendidos como expressões simbólicas de conflitos mais profundos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O presente estudo tem por objetivo uma breve analise sobre o dinheiro como um símbolo psíquico cuja manifestação está diretamente ligada à dinâmica inconsciente que atravessa o individuo no que se refere a poder, valor e também merecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Observa-se que sua investigação em pesquisa parece ainda se apresentar de forma mais limitada, sendo frequentemente tangenciada muito mais por aspectos econômicos e sociais, do que simbólicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-seria-a-contribuicao-da-psicologia-analitica-junguiana-para-o-entendimento-da-relacao-entre-as-questoes-psiquicas-e-monetarias" style="font-size:19px">Qual seria a contribuição da psicologia analítica junguiana para o entendimento da relação entre as questões psíquicas e monetárias?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A representação monetária é alvo de projeções, pois o dinheiro e seu caráter psicológico encontram-se profundamente vinculado à dinâmica psíquica dos sujeitos, não se ligando somente à esfera pessoal, mas também ao coletivo, como os arquétipos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-weatherford-2005-o-dinheiro" style="font-size:19px"><strong>Segundo Weatherford (2005) o dinheiro:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Permite que os seres humanos estruturem a vida de formas incrivelmente complexas que não se encontravam disponíveis antes da invenção do dinheiro. A qualidade metafórica concede-lhe um papel de enfoque na organização do significado da vida. O dinheiro representa uma forma infinitamente ampliável de estruturar o valor e as relações sociais e pessoais, politicas e religiosas, bem como as comerciais e econômicas.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Chama a atenção o fato de que, enquanto algumas pessoas conseguem estabelecer uma relação tranquila, saudável e fluida com o dinheiro – experimentando organização e planejamento, sensação de segurança e ainda prosperidade; outras, apesar da produção e competência, parecem viver em constante tensão financeira e a relação com o dinheiro pode ser permeada tanto pela escassez quanto pelo exagero.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">&nbsp; Uma investigação mais aprofundada sobre a construção desses conceitos na psique, de modo pessoal se faz importante. O dinheiro “em si”, por vezes, não é o ponto central, mas pode estar a serviço de uma representação de suma importância para o indivíduo dentro de sua história de vida e também familiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seria-conveniente-fazer-referencia-aqui-ao-conceito-da-psicologia-analitica-acerca-dos-complexos" style="font-size:19px">Seria conveniente fazer referencia aqui ao conceito da Psicologia analítica acerca dos complexos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para Jung os complexos se constituem a partir de ideias com forte carga afetiva, capazes de influenciar os pensamentos e ações. “<em>[&#8230;]</em> <em>uma determinada situação de forte carga emocional incompatível com as disposições ou atitude habitual da consciência</em>.” (JUNG, 2013, p. 47).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung explicou que a palavra “complexo”, no seu sentido psicológico, introduziu-se na língua alemã e que hoje em dia todo mundo sabe que as pessoas “tem complexos”, mas acabam desconhecendo algo de grande importância: que os complexos podem nos ter.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-estudos-experimentais-trabalhando-com-as-associacoes-jung-aponta-a-existencia-do-complexo-financeiro" style="font-size:19px">Em Estudos experimentais, trabalhando com as associações, Jung aponta a existência do <strong>complexo financeiro</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A temática financeira não aparece em grande quantidade nos referenciais teóricos da psicologia e, de forma similar, assuntos sobre dinheiro ainda geram desconforto e podem ser evitados, por isso “<em>[&#8230;] é considerado de bom tom escamotear assuntos de dinheiro</em>” (JUNG, 2013, p.254).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Dessa forma vai se revelando as relações estabelecidas no cenário financeiro, de acordo com o funcionamento interno de cada um. Jung, 2012, aponta, por exemplo, que economizar dinheiro pode trazer mais prazer do que despender, enquanto que para outros, o contentamento está em esbanja-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Alcançamos, assim, a compreensão de que no traço psicológico do dinheiro, além da existência do complexo monetário, há ainda espaço para as projeções pessoais sobre sua figura. Na relação estabelecida com o dinheiro, fica claro como os afetos estão dispostos, desde os temores existentes em sua vida, até os sonhos que pretende viver no futuro. &nbsp;LOCKHART <em>et al</em> ,1997)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Somando-se a isso temos os arquétipos e o inconsciente coletivo, onde os arquétipos como instancias psíquicas relativamente autônomas não são capazes de se integrar a consciência por meio racionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-arquetipos-como-estruturas-psiquicas-inatas-e-universais-desempenham-um-papel-essencial-na-compreensao-da-abordagem-analitica" style="font-size:19px">Os arquétipos, como estruturas psíquicas inatas e universais, desempenham um papel essencial na compreensão da abordagem analítica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para Jung são formas típicas de comportamento que ocorrem sempre e em toda parte; padrões recorrentes que moldam a experiência humana e de forma espontânea aparecem nos sonhos e narrativas culturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O dinheiro atua como uma força de caráter arquetípico, portanto, passível de múltiplas leituras e aplicações de acordo com aquele que dele faz menção. Nessa direção, o dinheiro não se fixa em uma única definição, seja como troca, valor ou energia, pois possui múltiplas raízes, preservando um caráter de incerteza e indeterminação. Podemos dizer: “[&#8230;] <em>o dinheiro é tão amplo e profundo quanto o oceano, o inconsciente primordial, e nos torna assim também. Ele sempre nos leva a enormes profundezas</em>” (LOCKHART <em>ET al</em>. 1997, p.29).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dinheiro-pode-ser-entendido-como-uma-expressao-de-padroes-arquetipicos-impactando-no-desenvolvimento-psicologico-poderiamos-citar-arquetipos-financeiros-tais-quais-o-arquetipo-do-provedor-do-perdulario-do-avarento-e-outros" style="font-size:19px">O dinheiro pode ser entendido como uma expressão de padrões arquetípicos, impactando no desenvolvimento psicológico. Poderíamos citar arquétipos financeiros tais quais: o arquétipo do <strong>provedor</strong>, do <strong>perdulário</strong>, do <strong>avarento</strong> e outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Lockhart</strong> complementa que a influência desses arquétipos financeiros vai além dos aspectos racionais das decisões, trazendo as historias inconscientes que moldam as escolhas econômicas associadas ao dinheiro. Com isso, entende-se que quando as questões relativas ao dinheiro não encontram um espaço reconhecido na consciência, sua dimensão arquetípica pode adquirir autonomia e tornar-se invasiva, irrompendo na vida psíquica sem pedir consentimento ao ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Consequentemente, compreender o arquétipo do dinheiro exige ainda a ponderação de uma característica central dessa instancia psíquica: o seu caráter simbólico. Esses aspectos simbólicos mostram-se capazes de estabelecer uma ligação com os conteúdos monetários, resultando numa dimensão simbólica que se inscreve no próprio fenômeno do dinheiro; ou seja, o entendimento de símbolo guarda aproximações importantes com a maneira como o dinheiro é concebido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Convém ressaltar que o dinheiro, embora atue como instrumento de troca, mobiliza também forças psicológicas que permeiam a vida interior e as relações humanas. Na perspectiva da psicologia analítica, pode ser compreendido como um arquétipo contemporâneo, um símbolo que excede o domínio material e revela sentidos profundos, enraizados tanto no inconsciente coletivo quanto na jornada de individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-embora-o-dinheiro-apresente-aspectos-universais-sua-leitura-e-compreensao-estarao-conectadas-a-experiencia-pessoal-e-subjetiva-do-self" style="font-size:19px">Embora o dinheiro apresente aspectos universais, sua leitura e compreensão estarão conectadas a experiência pessoal e subjetiva do Self.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Magaldi</strong> (2004) analisa intersecções culturais, religiosas e econômicas, mostrando como o dinheiro, compreendido como símbolo arquetípico, interfere nas questões existenciais e na própria busca do sagrado na sociedade atual. Para o autor, o dinheiro ultrapassa sua utilidade econômica e adquire uma função psíquica e arquetípica de grande peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Mantendo um diálogo constante com o inconsciente e configurando valores e motivações pessoais e coletivas. Diz ainda que, em muitas situações, nota-se que a falta de saúde produz perda de dinheiro e aumento de sagrado. Em outras, a falta do sagrado produz aumento do dinheiro e a perda da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-assumir-a-funcao-de-instrumento-de-poder-e-autonomia-o-dinheiro-e-igualmente-capaz-de-desestabilizar-a-psique-provocando-compulsoes-e-tensoes-emocionais" style="font-size:19px">Ao assumir a função de instrumento de poder e autonomia, o dinheiro é igualmente capaz de desestabilizar a psique, provocando compulsões e tensões emocionais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode atuar como uma projeção psíquica, condensando afetos e desejos inconscientes, tornando-se assim, tanto um agente de alienação quanto um potencial caminho para a integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>O dinheiro funciona como um mediador entre o mundo material e o espiritual</strong>. Quando acolhido de modo equilibrado pode encarnar liberdade e sentido; mas, quando mal elaborado, converte-se em símbolo de alienação e aprisionamento. Tal compreensão vincula o dinheiro ao percurso de individuação proposto por Jung, no qual se busca a integração entre os aspectos da consciência e do inconsciente. (LOCKHART 2001)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando o dinheiro é percebido como um fim em si mesmo, ele pode se tornar um elemento alienante, desconectando o indivíduo de seus valores essenciais, pois, se relacionar de modo saudável com o dinheiro envolve sua percepção a fim de um propósito maior e não como finalidade em si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dinheiro-enquanto-simbolo-traz-projecoes-inconscientes-revelando-complexos-relevantes" style="font-size:19px">O dinheiro, enquanto símbolo traz projeções inconscientes, revelando complexos relevantes. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre eles, destacam-se o medo da escassez e a compulsão pela acumulação, que frequentemente expressam conflitos internos ligados à segurança e autovalorização. Essas projeções podem atuar de forma limitante ou transformadora, conforme sejam ou não integradas ao processo de individuação. Quando esses temas são trazidos para consciência e trabalhados, pode-se chegar ao crescimento psicológico, direcionando o individuo para uma relação mais equilibrada com o dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Transformar a relação com o dinheiro de uma forma livre e criativa é o sentido maior e isso nada tem haver com falta de dividas ou condições e capacidade para gastar. A transformação chega quando se transita suavemente entre as escolhas conscientes e os valores pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Magaldi nos lembra de que é a partir do uso consciente do dinheiro que todas essas demandas serão conciliadas; ou seja, é preciso transformar o dinheiro em um elemento facilitador tanto para o sagrado, com sua estrutura ética e moral, quanto para a saúde, não só do individuo, mas da sociedade e do meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E ainda, com o passar do tempo fica claro que a falta de autoconhecimento, produz o desejo do poder e, neste caso, o dinheiro, e o seu acumulo, servem de instrumento que sustenta a ilusão do poder e o enfrentamento do medo. Logo, os princípios universais da evolução, com sua dinâmica do dar, receber e retribuir ficam comprometidos. A ambição do indivíduo que atingiu o autoconhecimento e encontrou o prazer em servir, não abre mão da sua qualidade de vida, mas esta voltada para a própria humanidade. O dinheiro é uma energia capaz de produzir transformações. (MAGALDI 2004).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-ele-e-mais-do-que-um-meio-de-troca-e-um-simbolo-carregado-de-energia-psiquica-um-reflexo-da-relacao-do-individuo-com-o-proprio-poder-e-com-o-principio-de-valor-interior" style="font-size:19px">Na perspectiva da psicologia analítica, ele é mais do que um meio de troca, é um símbolo carregado de energia psíquica, um reflexo da relação do individuo com o próprio poder e com o princípio de valor interior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A forma como cada pessoa lida com ele revela aspectos profundos de sua historia psíquica e de suas crenças inconscientes. Reconhecer a parte sombria do dinheiro é integrar o poder pessoal sem se deixar dominar por ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Outra limitação diz respeito à sensação de não merecer prosperar; uma vivencia ligada ao complexo, muitas vezes formado nos primórdios da vida, quando a autoestima se molda a partir da aceitação ou rejeição das figuras de autoridade. Ao alimentar a ideia de perfeição ou sofrimento relacionada a merecimento, o dinheiro passa a simbolizar uma recompensa proibida. A partir disso, barreiras invisíveis a abundancia são criadas, e a prosperidade se associa assim à culpa ou ate mesmo perda de amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As pessoas que estabelecem uma relação difícil com o dinheiro não vivem apenas um estado de escassez em seu aspecto material, mas experimentam um estado interno de constante tensão, insegurança e significado distorcido em relação ao valor – tanto financeiro quanto pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-observa-se-muitas-vezes-uma-dissociacao-entre-competencia-e-merecimento" style="font-size:19px">Observa-se muitas vezes, uma dissociação entre competência e merecimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A capacidade até pode ser reconhecida racionalmente, mas emocionalmente permanece vinculada a uma imagem interna de insuficiência. O dinheiro, então, passa a representar uma medida simbólica de amor, segurança e aceitação – e sua ausência pode reativar feridas antigas ligada ao abandono, rejeição e desamparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já, para aqueles que vivenciam o dinheiro com maior fluidez, parece haver uma relação mais integrada com o próprio valor, com a noção de merecimento e com o exercício do poder pessoal. O dinheiro é percebido como um meio, não como uma ameaça ou única fonte de identidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-simbolica-o-dinheiro-representa-energia-em-movimento" style="font-size:19px">Na <strong>visão simbólica</strong>, o dinheiro representa <strong>energia em movimento</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao fluir livremente encontramos vitalidade e o principal, criatividade. Quando bloqueada, há estagnação e medo. Assim como o ouro na alquimia, o dinheiro simboliza a transformação da matéria bruta em valor consciente, onde a verdadeira riqueza não esta em acumular, mas em fazer circular – dentro e fora de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para apreender as atitudes e valores que moldam nossa relação com o dinheiro, é essencial voltar o olhar também à família, matriz primeira de transmissão simbólica, pois dela recebemos identidade e reconhecimento, bem como um modo de agir que se desdobra e se renova ao longo das gerações. Este valor familiar pode ser transmitido entre as gerações, influenciando comportamentos e perpetuando os mais diversos padrões de comportamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A <strong>educação financeira</strong> é considerada instrumento central para aprimorar a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro. Entretanto, os programas atuais, voltados, sobretudo para aspectos técnicos e operacionais acabam negligenciando a dimensão simbólico-psíquico que permeia e orienta grande parte das condutas financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em síntese, comprova-se a necessidade de uma reflexão critica sobre o manejo dos indivíduos acerca de suas finanças e como essas interações podem impactar emocionalmente, pois as questões financeiras podem ser causas frequentes de sofrimento psíquico na contemporaneidade, em um contexto social pressionado pelo ideal de sucesso econômico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-cenario-a-psicologia-analitica-pode-muito-contribuir" style="font-size:19px">Nesse cenário, a psicologia analítica pode muito contribuir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Trabalhar as crenças sobre o dinheiro é, na verdade, um convite à integração psíquica; olhar para o poder, o medo e o merecimento como partes legitimas do ser. Ao reconhecer que o dinheiro é apenas um veículo do próprio poder criativo, deixa-se de ser escravo dessas “verdades” inconscientes para se tornar coautor de sua própria prosperidade. O dinheiro deixara de ser tabu, para voltar a ser o que sempre foi: energia a serviço da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desse modo, torna-se possível evitar que o dinheiro, à semelhança de qualquer conteúdo psíquico não reconhecido, deslize para a sombra e assuma um caráter destrutivo, incidindo tanto sobre a vida pessoal quanto sobre a dimensão coletiva. (JUNG, 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Integrar todas essa dimensões não significa apenas aprender a administrar melhor as finanças, mas reconectar-se com o próprio valor essencial, permitindo que o dinheiro deixe de ser campo de batalha e passe a ser expressão coerente de uma vida que se sente legitimada a prosperar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha – Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, Vera Rita. <em>Psicologia Econômica:</em> <em>Estudo do Comportamento econômico da tomada de decisão</em>. 1 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>A Natureza da psique</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Aspectos do drama contemporâneo</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2012</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Civilização em transição</em>. &nbsp;ed. Vozes: Petrópolis, 2007</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Vida Simbólica: escritos diversos</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Estudos Experimentais. ed. Vozes: Petrópolis, 2011</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOCKHART, Russel <em>et al</em>. <em>Dinheiro e Alma</em>. Dallas: Spring Publications, 1997</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEIRELLES, <em>Valéria Maria. Atitudes, crenças e comportamentos de homens e &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;mulheres em relação ao dinheiro na vida adulta</em>. 2012. 155f. TESE (Doutorado em Psicologia Clinica) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Waldemar. <em>Dinheiro, Saúde e Sagrado</em>. Eleva, 2004</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEATHERFORD, J. <em>A História do Dinheiro</em>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;O dinheiro como espelho da psique&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/qcayuuHS4RY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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			</item>
		<item>
		<title>Da Aventura Exterior à Jornada Interior: Uma breve Análise sobre Riscos e Autoconhecimento</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/da-aventura-exterior-a-jornada-interior-uma-breve-analise-sobre-riscos-e-autoconhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 12:39:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[aventuras]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[esportes radicais]]></category>
		<category><![CDATA[jornada interior]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo é a tentativa de traçar um paralelo entre o enfrentamento do medo, a exploração de limites e autoconhecimento sob a ótica da Psicologia Analítica. Essa integração visa à compreensão de como experiências de risco, ou até mesmo esportes radicais servem de catalisadores para o desenvolvimento pessoal, podendo funcionar como um sistema de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em><strong>Resumo</strong>: Este artigo é a tentativa de traçar um paralelo entre o enfrentamento do medo, a exploração de limites e autoconhecimento sob a ótica da Psicologia Analítica. Essa integração visa à compreensão de como experiências de risco, ou até mesmo esportes radicais servem de catalisadores para o desenvolvimento pessoal, podendo funcionar como um sistema de compensação para prorrogar ou evitar o aprofundamento da conexão com o mundo interior.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-por-experiencias-radicais-e-novas-aventuras-tem-ganhado-crescente-popularidade-nas-ultimas-decadas" style="font-size:20px">A busca por experiências radicais e novas aventuras têm ganhado crescente popularidade nas últimas décadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Essa tendência parece estar ligada a várias mudanças sociais, culturais e psicológicas que moldam o comportamento humano contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Caracterizada por rotinas monótonas e crescente urbanização, a vida moderna se vê as voltas em um ambiente estressante e desconectado da natureza. As atividades de aventura oferecem uma oportunidade para romper com esse cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Não há dúvidas sobre os benefícios físicos e mentais que existem na conexão do ser humano com a natureza, onde a busca pelo novo pode representar um engajamento ativo no estímulo da criatividade e capacidade de explorar, e ainda, superar obstáculos em atividades extremas poderia estar relacionado a uma maior capacidade no enfrentamento dos desafios da vida cotidiana. Acredito que poderíamos traçar aqui um paralelo sobre o enfrentamento do medo, exploração de limites e a contribuição para o autoconhecimento, sob a ótica da Psicologia Analítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Com um pouco mais de calma, enxergamos o outro lado da moeda, um cenário que pode se transformar em problema, quando falta planejamento e preparo adequado para as experiências.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-ultimos-acontecimentos-envolvendo-quedas-de-baloes-no-brasil-e-ainda-o-acidente-na-perigosa-trilha-de-um-vulcao-na-indonesia-abrem-espaco-para-reflexoes-e-inumeros-questionamentos" style="font-size:20px">Os últimos acontecimentos, envolvendo quedas de balões no Brasil e ainda o acidente na perigosa trilha de um vulcão na Indonésia, abrem espaço para reflexões e inúmeros questionamentos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Este estudo também nos aproxima da tentativa de compreensão sobre as reais motivações que levam indivíduos a se arriscarem em atividades sem o devido conhecimento, preparo ou ainda a falta de adequada crítica sobre as implicações de possíveis falhas na segurança de um modo geral. Seriam estas experiências compensatórias?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O mundo parece estar de cabeça para baixo quando observamos que a vida de pessoas pode estar em segundo plano, ofuscada pela supremacia do comercio e a venda agressiva de experiências turísticas. A incessante busca por lucro e exploração do turismo como um produto comercial, transformam experiências autênticas em mercadorias, fazendo com que a verdadeira essência da vivência e da conexão com o entorno não seja prioridade. Esse fenômeno não apenas desumaniza as interações sociais, mas também aliena os indivíduos de suas próprias vivências.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-somos-convocados-agora-a-desafiar-novas-formas-de-perceber-o-mundo-pois-aquilo-que-e-divertido-simples-e-com-sentido-pode-estar-tomando-distancia-de-um-proposito-real" style="font-size:20px">Somos convocados agora a desafiar novas formas de perceber o mundo, pois aquilo que é divertido, simples e com sentido, pode estar tomando distância de um propósito real.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Antes de avançarmos é importante destacar que não há intenção aqui de oposição, muito menos desmerecimento aos amantes de esportes radicais, bem como aqueles que apreciam experiências de risco. Na verdade, estas atividades podem proporcionar grande satisfação e experiências profundas e enriquecedoras. Um exemplo emblemático disso foi à atuação de mergulhadores amadores que, com coragem, desempenharam um papel crucial no resgate das crianças presas em uma caverna na Tailândia, muito bem documentado em <strong>“The Rescue”</strong> (2021), feito esse, que ressalta não apenas as habilidades e a paixão dos praticantes, mas também a capacidade de unir as pessoas em situações de risco e solidariedade. Portanto, ao abordar os riscos, é igualmente necessário reconhecer pontos positivos e suas contribuições.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Porém aqui, buscamos entender o que de fato estaria por trás do anseio de uma intensa emoção? Uma <strong>fuga</strong> necessária?<strong> Compensações devido a rotinas maçantes, monótonas ou até mesmo complexas</strong>? Para Jung, o medo, que é inerente à natureza humana e considerado uma emoção, poderia surgir do conflito entre o consciente que reprime e o inconsciente que revela. Ao falar da questão do medo cita o que conhecemos em sua obra por <strong>sombra.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O inconsciente pessoal contém desde memórias reprimidas, lembranças perdidas, até percepções dolorosas, que não foram intensas o suficiente para alcançar a consciência; ou seja, estamos falando de algo que corresponde à sombra. (JUNG, 2013)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-traz-ainda-a-importancia-do-processo-de-tomada-de-consciencia-da-parte-inferior-da-personalidade-jung-2014" style="font-size:20px">Traz ainda, a importância do processo de tomada de consciência da parte inferior da personalidade. (JUNG, 2014)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Sobre o temido encontro consigo mesmo, encontro este que necessita de coragem para enfrentar tudo o que demais desagradável nos habita, <strong>Jung</strong>, (2016) fala sobre a evitação que acontece a qualquer custo, principalmente nas projeções que fazemos a nossa volta. A sombra está viva em nossa personalidade e quer sempre participar, não sendo possível anulá-la de forma alguma. A figura da sombra personifica tudo aquilo que nos incomoda e não reconhecemos em nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">São aquisições da existência individual, os conteúdos do inconsciente pessoal. A sombra constitui um problema de ordem moral, que desafia a personalidade do eu como energia moral. Sem isso é impossível qualquer tipo de autoconhecimento. (JUNG, 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Uma ideia de que essas atividades seriam como compensações para desafios pessoais. A busca por experiências emocionantes pode ser vista como uma maneira de ignorar a necessidade de olhar para dentro, fornecendo uma descarga de adrenalina que serve como uma distração momentânea dos dilemas internos. Essa busca, muitas vezes é percebida como liberdade, mas pode ser apenas um escapismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-muito-maior-do-que-podemos-imaginar-o-numero-de-pessoas-que-tem-medo-do-inconsciente-tais-pessoas-tem-medo-ate-da-propria-sombra" style="font-size:20px">É muito maior do que podemos imaginar o número de pessoas que tem medo do inconsciente: <strong><em>“Tais pessoas tem medo até da própria sombra.”.</em></strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>[&#8230;] E para curar-se tal caso, devemos encontrar um caminho através do qual a personalidade consciente e a sombra possam conviver.</p><cite> JUNG, 2013 §132</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-e-inadequada-e-incomoda-mas-nao-e-de-todo-mal" style="font-size:20px">A sombra é inadequada e incômoda, mas não é de todo mal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Jung, 2002, também nos lembra da necessidade do medo para se proteger. Sobre o medo do inconsciente, fala sobre um sintoma relacionado à falta de adaptação, onde o homem estaria sempre à procura de tarefas, evitando momentos de maior contemplação e contato com o mundo interior, bem como dos possíveis ataques de seus conteúdos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A busca por adrenalina pode ser uma forma de se conectar com a vida, mas deve ser equilibrada com uma rica exploração interna de nossas sombras e de nossa psique. Em última análise, a verdadeira aventura pode ser aquela que nos leva para dentro, onde reside a fonte de nossa autenticidade e crescimento pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-suma-importancia-para-o-desenvolvimento-psicologico-clarear-o-sombrio-abre-as-portas-para-um-processo-de-compreensao-que-pode-facilitar-a-individuacao-jung-1985" style="font-size:20px">De suma importância para o desenvolvimento psicológico, clarear o sombrio abre as portas para um processo de compreensão que pode facilitar a individuação. (JUNG, 1985)</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-medo-das-emocoes-do-inconsciente-e-tao-forte-que-obrigou-o-homem-civilizado-a-desenvolver-a-consciencia-jung-2016" style="font-size:20px">O medo das emoções do inconsciente é tão forte, que obrigou o homem civilizado a desenvolver a consciência. (JUNG, 2016)</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-a-tomada-de-consciencia-da-sombra-e-que-se-inicia-o-desenrolar-do-processo-de-individuacao-que-e-uma-tarefa-sumamente-penosa-jung-1979" style="font-size:20px">Com a tomada de consciência da sombra é que se inicia o desenrolar do processo de individuação que é uma tarefa sumamente penosa. (JUNG,1979)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em símbolos da transformação, traz o medo do mundo interno, que em relação ao mundo externo pode ser bem mais pavoroso, principalmente quando negado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-individuacao-o-manejo-do-medo-se-apresenta-em-grande-valia-libertando-ou-aprisionando-o-individuo-nesse-caminho" style="font-size:20px">Na individuação, o manejo do medo se apresenta em grande valia, libertando ou aprisionando o indivíduo nesse caminho:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] Quanto mais o individuo foge à adaptação tanto mais aumenta seu medo, que então o acomete em todas as oportunidades e em grau cada vez maior, impedindo-o.</p><cite>JUNG, 2016, §456</cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O medo da vida não é um fantasma imaginário, mas um pânico muito real que só parece tão insignificante porque sua verdadeira origem é inconsciente e por isso projetada: a jovem parcela da personalidade que é impedida e retida diante da vida produz medo e transforma-se em medo. O medo parece vir da mãe, mas na realidade é o medo mortal do indivíduo instintivo, inconsciente, que em consequência do continuo recuo diante da realidade, está excluído da vida.</p><cite>JUNG, 2016, §551</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Por vezes sentimos muito medo de mergulhar profundamente naquilo que verdadeiramente somos e tomados por este medo acabamos por nos entregar a infinitos estímulos externos, que de forma ilusória promete nos conectar com algo divino, como a natureza, através das mais variadas experiências, mas acabamos anestesiados e desconectados de nossos propósitos; de certo, nos afastando da <strong>conexão</strong> e caminhando para uma <strong>invasão</strong> à natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O medo da vida e da morte, podem também explicar situações de relação simbiótica entre mãe e filho. A ideia é que o indivíduo sente-se mais seguro permanecendo em um estágio mais conhecido e, portanto mais seguro, dificultando a separação do mundo da mãe.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-precisa-deixar-o-conforto-e-a-seguranca-da-fase-vivida-para-arriscar-se-ao-desconhecido" style="font-size:20px">O indivíduo precisa deixar o conforto e a segurança da fase vivida para arriscar-se ao desconhecido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Chama atenção o fato de muitos consumidores de experiências de aventuras acabarem por esquecer e não questionar medidas de segurança, não refletindo sobre possíveis consequências.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-podemos-conciliar-a-busca-por-emocao-e-aventura-com-a-necessidade-de-explorar-nosso-mundo-interior-e-confrontar-nossas-sombras" style="font-size:20px">Como podemos conciliar a busca por emoção e aventura com a necessidade de explorar nosso mundo interior e confrontar nossas sombras?</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>[&#8230;] Uma consciência mais elevada e mais ampla, que só surgirá mediante a assimilação do desconhecido, tende para autonomia. [&#8230;] Quanto mais poderosa e independente se torna a consciência e, com ela, a vontade consciente, tanto mais o inconsciente é empurrado para o fundo, surgindo facilmente à possibilidade de a consciência em formação emancipar-se da imagem primordial inconsciente.</p><cite> JUNG, 2003, §12&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Von Franz, 1999, em seu livro: <strong><em>Puer Aeternus: A luta do adulto contra o paraíso</em> <em>da infância</em>,</strong> onde puer tem por definição: “<em>um arquétipo relacionado à adolescência, que pode “indicar certo tipo de jovem que tem um complexo materno fora do comum</em>”, fala que o adulto aprisionado neste arquétipo tem dificuldades para trabalhar e se relacionar”. Outra característica desse comportamento é que segundo a autora, a ligação com a mãe é tão forte que a forma encontrada para se desfazer esse nó, tem muitas vezes, um fim trágico. O comportamento de risco é característico e apesar da contradição, parece ser a única saída para vencer o medo da separação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A única saída que este tipo de homem teme é a de se ligar a qualquer coisa. Há um medo terrível de se prender, de entrar no tempo e no espaço totalmente, e de ser o ser humano específico que ele é. Há sempre o medo de ser pego em uma situação da qual seja impossível sair. Toda definição é para ele um inferno. Ao mesmo tempo, há sempre algo simbólico – principalmente uma atração por esportes perigosos, particularmente aviação e alpinismo – de modo que nesses esportes ele se encontra o mais alto possível, simbolizando a separação da mãe, isto é, da terra da vida comum.</p><cite>(Von Franz, 1999 p.10).</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Citada por Morelli, (2009), Kast explica que os complexos parentais podem se formar em qualquer fase da vida, mas na infância se formarão como base da vida e dependendo do caso, podem ser positivos ou negativos, atrapalhando ou favorecendo o desenvolvimento da psique.·.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O complexo do eu de uma pessoa deve desligar-se, “de modo apropriado à idade”, dos complexos materno e paterno, para que ele possa perceber suas tarefas de desenvolvimento apropriadas à idade e ter à sua disposição um complexo do eu coerente – um” eu suficientemente forte “- que lhe permita perceber as exigências da vida, lidar com dificuldades e conseguir certo grau de prazer e satisfação.</p><cite> (1997, p.10</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Partindo da exploração dos símbolos na obra de Jung, afirmando que os símbolos são formas através das quais o inconsciente se comunica com a consciência, podem essas experiências ser vistas como símbolos de algo mais profundo – o desejo da libertação, autoafirmação, ou até mesmo uma busca por significado em um mundo repleto de incertezas?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-processo-de-individuacao-temos-um-movimento-em-direcao-ao-entendimento-pleno-de-si-mesmo-o-trabalho-simbolico-e-a-auto-exploracao-sao-essenciais-para-o-crescimento-pessoal" style="font-size:20px">No processo de individuação temos um movimento em direção ao entendimento pleno de si mesmo, O trabalho simbólico e a auto exploração são essenciais para o crescimento pessoal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em “<strong>O homem e seus símbolos</strong>&#8221; Jung incentiva uma reflexão crítica sobre nossas decisões e comportamentos”. O desafio aqui se torna não apenas o de buscar emoções intensas, mas também de ser crítico sobre o contexto dessas experiências e suas implicações para a psique. Isso nos leva a um exame mais profundo da forma como lidamos com riscos, tanto internos quanto externos, e nos convida a repensar o que realmente significa ser corajoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Kast</strong> (1997) menciona que as atividades como esportes radicais podem ser uma manifestação externa do que está acontecendo internamente na psique. O apelo por esportes radicais, muitas vezes, reflete uma necessidade de romper com rotinas seguras e explorar limites, tanto física quanto emocionais. Para muitos, essas atividades podem representar um símbolo de libertação, coragem e a busca por experiências intensamente significativas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-exploracao-de-espacos-externos-e-a-luta-interna-pelo-autoconhecimento-sao-indissociaveis" style="font-size:20px">A exploração de espaços externos e a luta interna pelo autoconhecimento são indissociáveis.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Ambos os caminhos oferecem experiências significativas que, quando integradas de maneira consciente, podem levar a uma compreensão mais profunda de nós mesmos e de nosso lugar no mundo. Assim, a busca por emoção não deve ser apenas uma fuga, mas uma oportunidade para o crescimento e a reflexão pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Enquanto escalar uma montanha ou voar em um balão pode proporcionar uma sensação temporária de liberdade, a verdadeira liberdade reside na capacidade de entender e integrar os próprios sentimentos e experiências.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A sensação de liberdade que muitos experimentam em atividades radicais pode servir como um distrator, enquanto a verdadeira coragem reside na disposição de enfrentar a dor, a consciência e as verdades ocultas dentro de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Através dessa lente, devemos considerar nossas escolhas de forma crítica – não apenas em relação às atividades externas que buscamos, mas também em relação às nossas motivações. O verdadeiro desafio não está apenas em buscar novas emoções, mas em compreender porque e como essas experiências se encaixam em nossas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A busca por adrenalina pode ser uma forma de se conectar com a vida, mas deve ser equilibrada com uma rica exploração interna de nossas sombras e de nossa psique. Em última análise, a verdadeira aventura pode ser aquela que nos leva para dentro, onde reside a fonte de nossa autenticidade e crescimento pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">As pessoas devem se sentir encorajadas não apenas a subir montanhas, mas também a deslizar no mais profundo que sua mente possa alcançar.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patricía Moura Vernalha – Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Psicologia do inconsciente. OC 7/1. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. A Natureza da psique. OC 8/2. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Os arquétipos e o Inconsciente coletivo. OC 9/1, RJ: Vozes, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Aion – Estudos sobre o simbolismo do si- mesmo OC 9/2, RJ: Vozes, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Psicologia e religião OC 11/1. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Interpretação psicológica do dogma da trindade. OC. 11/2 Petrópolis, RJ: Vozes,1979</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Mysterium Coniumctionis. OC. 14. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Fundamentos da psicologia analítica OC. 18/1.Petrópolis, RJ: Vozes, 1983</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. Cartas de C.G. Jung; vol. 1,2 e 3; editado por Aniela Jaffé. Petrópolis, RJ: Vozes: 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAST, Verena. Pais e filhas, mães e filhos: caminhos para a auto-identidade a partir dos complexos materno e paterno. São Paulo, SP: Loyola, 1997</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORELLI, Paula Nogueira de Toledo. O temor secreto dos perigos da alma – Uma revisão Bibliográfica sobre o conceito do medo na Psicologia Analítica. Mestrado em Psicologia Clínica PUC-SP, 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>VOCÊ TEM MEDO DO QUE?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/voce-tem-medo-do-que/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 14:18:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[emoções]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9769</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Onde está  seu medo, aí está sua tarefa”  Jung Resumo: Este artigo sugere breve ampliação a respeito da emoção  complexa e primordial que é o medo. Ele se apresenta sob diversas formas, em diferentes contextos e cenários, mas o foco em questão diz respeito ao medo menos concreto e mais subjetivo, que pode  aparecer como [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong>“<em>Onde está  seu medo, aí está sua tarefa”</em></strong><em> </em></p><cite><strong>Jung</strong></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este artigo sugere breve</strong> <strong>ampliação a respeito da emoção</strong>  <strong>complexa e primordial que é o medo. Ele se apresenta sob diversas formas, em diferentes contextos e cenários, mas o foco em questão diz respeito ao medo menos concreto e mais subjetivo, que pode  aparecer como o “medo da vida”. Amplia ainda, sob a ótica da Psicologia Analítica, a importância do reconhecimento e aceitação do medo, pois só assim será possível o enfrentamento que possibilita a transformação da jornada, caso  contrário, a presença de uma trajetória marcada por inseguranças é estagnação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O medo é uma emoção complexa, temática relevante na compreensão do desenvolvimento da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nos dicionários encontramos: “<em>estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência</em>.”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É uma condição inevitável do ser humano, emoção primordial que nos habita desde os primeiros momentos de vida e que também tem a função de preservação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Chama nossa atenção, quando essa emoção deixa de funcionar como um sistema preventivo e caminha para uma intensidade que pode paralisar o desenvolvimento psíquico. O ser humano sofre com perigos concretos e reais, temendo de forma direta e dirigida alguma situação, pessoas ou objetos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-artigo-porem-vamos-ampliar-de-forma-breve-o-medo-subjetivo-que-vai-se-instalando-aos-poucos-discreta-e-sorrateiramente-sao-muitos-os-medos-mas-nossa-atencao-tera-como-foco-o-medo-da-vida-e-suas-consequencias" style="font-size:18px">Neste artigo, porém, vamos ampliar de forma breve, o medo subjetivo que vai se instalando aos poucos, discreta e sorrateiramente. São muitos os medos, mas nossa atenção terá como foco: “<strong>o medo da vida</strong>” e suas consequências.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No contexto clínico não foram poucos os relatos ouvidos tais como: “<em>Eu não era assim, fui ficando diferente; antes era mais espontâneo, agora, me sinto “travado”&#8230;” </em>ou <em>“ &#8230;como&nbsp; as coisas estão difíceis em hoje em dia, não há o que se fazer&#8230;”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em sua essência, a jornada da vida vem repleta de desafios e incertezas, mas também de oportunidades. A imprevisibilidade de sua natureza pode gerar um sentimento profundo de medo, que muitas vezes se manifesta como uma paralisia frente a rotina diária, mudanças inevitáveis, bem como as expectativas sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O percurso de cada indivíduo, frequentemente é marcado por um sentimento difícil de se ignorar: o medo. De papel crucial na nossa sobrevivência, alertando sobre os perigos e ameaças no entorno, o medo vai além de uma resposta instintiva, moldando nossas relações, nossos comportamentos e até mesmo as decisões mais fundamentais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-que-o-medo-seria-uma-oportunidade-de-desenvolvimento-e-transformacao-a-partir-de-seu-reconhecimento" style="font-size:18px">Jung acreditava que o medo seria uma oportunidade de desenvolvimento e transformação a partir de seu reconhecimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De forma discreta, aos poucos, o indivíduo pode deixar de fazer coisas simples do dia a dia, ou vai mudando de postura frente a desafios mais complexos, comprometendo desta forma seus relacionamentos e sua produtividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung fala muitas vezes sobre o medo em seus escritos, um sintoma, para ele, de um distúrbio originário, principalmente, do conflito entre os opostos: <strong>consciente x inconsciente</strong>, que aparece em fases diferentes do desenvolvimento da personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung (1940) discorre sobre as transições das fases da vida e o desenvolvimento da psique, discutindo sob o caráter numinoso destas mudanças, que podem aparecer muitas vezes de forma aterrorizante. Principalmente se os acontecimentos da vida, não forem esclarecidos sob a luz de dados conscientes e inconscientes, de forma complementar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>O medo é uma emoção que nos possuí e que mostra indícios de uma adaptação insuficiente.</p><cite> JUNG, 2002</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ele-pode-ser-tanto-um-empecilho-quanto-um-impulso-para-o-crescimento-pessoal-e-a-transformacao-quando-o-compreendemos-melhor-aprendemos-a-navegar-por-suas-complexidades-e-utiliza-los-a-nosso-favor" style="font-size:18px">Ele pode ser tanto um empecilho quanto um impulso para o crescimento pessoal e a transformação. Quando o compreendemos melhor, aprendemos a navegar por suas complexidades e utilizá-los a nosso favor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É preciso reconhecer primeiramente, que nos encontramos vulneráveis ou evitativos frente a uma situação ou momento da vida. O ponto de referência pode ser a expressão de uma série de dificuldades que se apresentam, desde resistência, rigidez de pensamento e até mesmo o aparecimento de componentes corporais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>O medo do mundo interno pode ser muito mais pavoroso que o do mundo externo, principalmente quando negado. É o temido encontro com o inconsciente.</p><cite> JUNG,1986</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há uma tendência em manter-se seguro, em um estado mental passível de controle e previsão, permanecendo em um estágio mais conhecido, evitando a qualquer custo a ansiedade e o estresse que possam surgir com novas experiências.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As reviravoltas inesperadas da vida levam a emoções que oscilam entre&nbsp; esperança e o desespero, podendo também levar a uma avassaladora sensação de impotência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A coragem de mergulhar no mundo interno e se abrir para o autoconhecimento afim de refletir sobre si mesmo, nos aproxima do conflito entre os conteúdos sombrios do inconsciente e a forte resistência do ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Enquanto a consciência reprime, o inconsciente revela. Quando as emoções são negadas podem se apresentar das mais diversas formas, desde o aparecimento nos sonhos, inúmeros sintomas de adoecimento, até nos ataques de ansiedade,&nbsp; muitas vezes culminando na famigerada síndrome do pânico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-se-desenvolver-o-individuo-precisa-abrir-mao-do-conforto-da-fase-vivida-para-se-arriscar-rumo-ao-desconhecido-onde-o-caminho-da-vida-e-tornar-se-consciente-incorporando-aspectos-inconscientes" style="font-size:18px">Para se desenvolver, o indivíduo precisa abrir mão do conforto da fase vivida para se arriscar rumo ao desconhecido, onde o caminho da vida é tornar-se consciente, incorporando aspectos inconscientes.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>E quando o homem não ousa, alguma coisa se rompe no sentido da vida e todo o futuro está condenado a uma mediocridade vã, a um crepúsculo iluminado só por fogos fátuos. </p><cite>JUNG,1986</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Mas o que realmente sustenta esse medo</strong>? Seriam as incessantes demandas da sociedade contemporânea, com seus padrões de beleza e sucesso impostos ou a busca desenfreada por segurança, própria da natureza humana, em um mundo imprevisível?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tornar-se consciente significa entrar na realidade e perder as ilusões da infância. O adulto aprisionado nesse arquétipo – o do puer aeternus, tem dificuldade para se relacionar e também de trabalhar. (VON FRANZ, 1999)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A realização do potencial pleno do indivíduo vai exigir a transgressão de alguns padrões vigentes, até o momento em que novas necessidades se apresentam. Estes padrões estariam voltados a valores e comportamentos, com maior atenção à esfera familiar e o desligamento dos complexos parentais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-kast-1997-o-medo-da-busca-pelo-novo-e-principalmente-a-dificuldade-de-amadurecimento-representam-um-meio-para-continuarem-sobre-eternos-cuidados" style="font-size:18px">Para Kast,(1997), o medo da busca pelo novo e principalmente a dificuldade de amadurecimento, representam um meio para continuarem sobre eternos cuidados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O trabalho clínico, no processo analítico, coloca luz na autonomia do cliente, reforçando aspectos acalentadores do arquétipo materno, fortalecendo o ego, através da análise do medo e da ansiedade a partir das relações parentais vivenciadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Observamos que o medo pode aparecer como sintoma de algum processo psíquico que necessita ser compreendido, mas chega também, muitas vezes reprimido, na forma de uma queixa latente, disfarçado em dificuldades difíceis de serem identificadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não aprofundaremos aqui, os relevantes aspectos dos complexos materno e paterno, positivos e negativos, que estão por trás desse medo da vida, porém vale salientar a necessidade de uma diferenciação consciente dessas representações, para que se possa aproveitar ao máximo o potencial criativo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-que-nao-se-emancipa-desenvolvera-limites-do-eu-inseguros-sua-trajetoria-sera-marcada-por-problemas-que-envolvem-separacao-recomeco-rompimentos-e-novas-tentativas-kast-1997" style="font-size:18px">O indivíduo que não se emancipa, desenvolverá “limites do eu inseguros”, sua trajetória será marcada por problemas que envolvem separação, recomeço, rompimentos e novas tentativas. (KAST,1997)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung, o medo revela uma tendência prospectiva da psique, anunciando no desenvolvimento uma nova fase, que pode trazer muitas inseguranças. O apego a uma fase anterior potencializa o medo, e é tarefa do ego se libertar, para haver continuidade no desenvolvimento e amenização do medo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quanto mais o indivíduo e a sociedade encontram-se afastados do self, quanto mais a consciência e o ego se artificializam, maior o medo. O homem civilizado aprendeu a separar a consciência das camadas mais profundas, como forma de controle e quanto mais distante de si-mesmo, mais perdido fica. (JUNG,2014)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A Psicologia Analítica amplia o medo para além da patologia, buscando uma compreensão simbólica. Motivando-nos para a totalidade e não para a perfeição,  que é outro fator gerador de insegurança  e medo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ficamos por aqui, acalentando a idéia, a imagem, a contrução de um indivíduo que possa se tornar uma entidade completa e autêntica, através de experiências significativas, alinhada com seus valores e crenças. Que ao integrar diferentes aspectos da personalidade, adquira equilíbrio e bem estar emocional. Que possa compreender seu lugar no mundo, explorando ao máximo seu potencial criativo, produzindo, contribuindo e doando. Que sua existência seja motivo de felicidade para o outro e por fim, uma fonte incessante de “amanhãs” para si mesmo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: VOCÊ TEM MEDO DO QUE?" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/zhcjOwLGW4w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha: Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Analista Didata IJEP: Waldemar Magaldi</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:15px">JUNG,C,G. <strong>A Natureza da Psique </strong>O.C 8/1. Petrópolis R.J: Vozes, 2000</li>



<li style="font-size:15px">JUNG, C,G. <strong>Cartas de C.G.Jung</strong>: vol. 1,2 e 3, Petrópolis, RJ: Vozes, 2002</li>



<li style="font-size:15px">KAST, VERENA. <strong>Pais e filhas, mães e filhos: caminhos para a auto identidade a partir dos complexos materno e paterno. </strong>São Paulo, SP- Loyola, 1997</li>



<li style="font-size:15px">VON FRANZ, MARIE LOUISE. <strong>Puer Aeternus, a luta do adulto contra o paraíso da infância. </strong>São Paulo, SP.  Paulista, 1999</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e&nbsp;<strong>Pós-Graduações</strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Promoção especial para o próximo semestre&nbsp;</strong>(março/abril 2025):</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://chk.eduzz.com/801V2KKQ97"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-9777" style="width:501px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-1024x1024.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-300x300.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-150x150.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-768x768.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-450x450.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Quando a vida finalmente dá certo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-a-vida-finalmente-da-certo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Aug 2024 21:25:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[cosmovisão]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[intuição]]></category>
		<category><![CDATA[propósito]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<category><![CDATA[zona de conforto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9357</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo fala sobre o desejo de alcançar a plenitude da vida em todos os seus segmentos, destacando porém, que responsabilidade, racionalidade e trabalho com afinco podem não ser suficientes, se as expectativas não estiverem alinhadas a um significado interior maior. E ainda, que este processo estaria altamente vinculado ao conhecimento cada vez mais crescente e aprofundado de si mesmo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em algum tempo de nossa jornada, é quase inevitável o surgimento de pensamentos ou questionamentos sobre o momento em que seremos surpreendidos por grandes mudanças em nossas vidas, mudanças estas que nos conduzirão positivamente a novos patamares, novas frentes e fases.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Estas expectativas são diferentes pra cada pessoa, pois encontram-se apoiadas nas experiências passadas, crenças e valores de cada um. Porém, saliento um modo peculiar na forma de pensar &#8211; que não me atreveria a chamar de mágica -, uma forma de pensamento muitas vezes relacionado à busca por controle sobre os eventos, mas no mínimo de uma projeção ingênua sobre a forma de pensar e viver a vida, caracterizada, por vezes, por expectativas irreais, simplistas e também reducionistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As habilidades latentes que nos acompanham desde o nascimento, e que podem ser desenvolvidas ao longo do tempo, são influenciadas direta ou indiretamente pelo ambiente, educação, estímulos recebidos, oportunidades e vivências pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É importante lembrar que a vida nem sempre segue o curso que esperamos e que desafios surgem no meio do caminho. Exigindo flexibilidade e resiliência no enfrentamento das adversidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-na-importancia-do-autoconhecimento" style="font-size:19px">Jung acreditava na importância do autoconhecimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste ponto, o fio que conduz à elevação de níveis mais sutis de desenvolvimento, envolve o equilíbrio entre os aspectos do inconsciente e da consciência, na busca por integração e individuação como caminhos para a realização e o desenvolvimento pessoal, a fim de se alcançar um estado de totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A partir do autoconhecimento, uma consciência livre de um mundo mesquinho e aberta à participação de um mundo mais amplo de interesses vai emergindo, e esta consciência ampliada já não é aquela pertencente ao novelo egoísta das ambições, temores e desejos de caráter pessoal, compensados inconscientemente por contratendências ( Jung, 2014)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seguimos-na-ilusao-de-ja-nos-conhecer-e-nao-entendemos-a-importancia-da-cosmovisao-que-se-refere-ao-modo-como-o-individuo-enxerga-e-interpreta-a-realidade-ao-seu-redor" style="font-size:19px"><strong>Seguimos na ilusão de já nos conhecer</strong> e não entendemos a importância da cosmovisão, que se refere ao modo como o indivíduo enxerga e interpreta a realidade ao seu redor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A reflexão sobre si mesmo nos leva a entender que esta cosmovisão não é para o mundo e sim para nós próprios. E que ao formarmos uma imagem global do mundo seremos capazes de ver a nós mesmos, que somos cópias fiéis deste mundo. Não existe um momento exato em que a vida começa a dar certo, mas sim um processo contínuo de evolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não é fácil manter foco e disciplina; a motivação muitas vezes faz falta e com isso, um planejamento que exige clareza, direcionamento e objetivos concretos pode gerar falsas expectativas. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Seria correto então afirmar que o sucesso de uma vida bem vivida, em todos os seus aspectos, não depende somente das virtudes do indivíduo. tais como responsabilidade, caráter e desejo de desenvolvimento e, ainda, de estrutura familiar com ambiente favorável e oportunidades do meio externo?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tudo nos leva a crer que sim, pois estas características, isoladas da integração das diferentes partes da personalidade e aceitação de seus aspectos tanto positivos quanto negativos pode revelar uma vida &#8221; segura&#8221;, &#8221; funcional&#8221; e aparentemente &#8220;aprazível &#8220;, porém à margem do <strong>propósito </strong>e sem conexão com algo maior que a própria individualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando olhamos para nossa realidade com plena consciência, somos capazes de enxergar oportunidades de aprendizado e transformação em tudo que nos acontece. Sejam estas toda sorte de bênçãos ou mesmo os indesejados reveses. Através das funções da consciência, o estudo determinante de Jung no contexto do funcionamento da psique enfatiza a intuição- descrita muitas vezes como uma compreensão profunda e instantânea sobre algo sem a necessidade da razão, desempenhando um papel importante em nos avisar sobre algo novo que está prestes a entrar em nossa consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-estamos-abertos-e-receptivos-aumentamos-a-chance-de-perceber-sinais-sutis-de-que-algo-novo-se-aproxima" style="font-size:19px">Quando estamos abertos e receptivos aumentamos a chance de perceber sinais sutis de que algo novo se aproxima.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Buscando lugar em nossa consciência, nos preparando, ou até mesmo encorajando na exploração daquilo que esta se apresentando. Porém, é comum o estranhamento frente ao novo. Muito mais fácil seria se pudéssemos nos entregar a sensação interna e, imediatamente estarmos preparados para grandes mudanças e decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitos, frente à angústia, podem viver esse cenário interno com paralisia e retrocesso, ou até mesmo uma tentativa de adaptação ao que se apresenta externamente, sem a paciência, que pode trazer o tempo necessário para descobrir o que devemos levar adiante ou deixar no caminho, com leveza e acima de tudo com muita responsabilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-falemos-entao-da-famosa-zona-de-conforto" style="font-size:19px">Falemos então da famosa &#8220;zona de conforto &#8220;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse estado mental, familiar onde o risco de estresse é mínimo, pois as situações são previsíveis, permitindo um estado constante de segurança e confiança. Sair dessa zona implica exposição e desafios, que podem ser intimidantes, mas também podem levar ao desenvolvimento e crescimento pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dessa-maneira-comecamos-a-nos-aproximar-da-ideia-do-que-pode-ser-uma-vida-que-se-realiza-e-que-atrelada-ao-autoconhecimento-pode-revelar-a-chave-que-abre-todas-as-portas" style="font-size:19px">Dessa maneira, começamos a nos aproximar da ideia do que pode ser uma vida que se realiza e que, atrelada ao autoconhecimento, pode revelar a chave que abre todas as portas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo <strong>Jung</strong>, (2013 p. 86) o processo de tornar-se homem acontece através da tomada de consciência das pretensões egoísticas. Onde o indivíduo percebe os seus motivos e procura formar uma ideia mais completa possível de sua própria natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma reflexão e confronto consigo mesmo que, embora muito desconfortável para aquele que se encontra predominantemente inconsciente, é uma operação necessária, que reúne partes dispersas do eu, levando a um aflorar espontâneo do si-mesmo que já existia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A sombra é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma, não sendo possível anula-la argumentando ou torná-la inofensiva através da racionalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Temos, porém que reconhecê-la afim de nos tornarmos verdadeiramente honestos e autênticos ( Jung, 2016). Assim, para Jung (2011) o homem se mostra tal como é, revelando o que antes estava oculto sob a máscara da adaptação convencional: a sombra, que ao se tornar consciente pode ser integrada ao eu, fazendo que se opere uma aproximação da totalidade, totalidade esta que não é a perfeição, mas o ser completo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-agora-entendemos-que-a-vida-finalmente-da-certo-quando-vivenciamos-cada-experiencia-sem-queimar-as-etapas-necessarias" style="font-size:19px">Agora entendemos, que a vida finalmente dá certo quando vivenciamos cada experiência sem queimar as etapas necessárias:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“Onde há uma lacuna,</em><br><em>onde falta o verdadeiro saber,</em><br><em>ainda hoje o espaço é preenchido</em><br><em>com projeções.”</em><br></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-existe-o-certo-pra-vida-dar-certo" style="font-size:19px">Não existe o &#8220;CERTO&#8221; pra vida dar certo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma rotina simples de viver pode ser o ápice da felicidade, desde que o manancial das potencialidades tenha sido esgotado, para que se possa lidar de forma assertiva e funcional com os conflitos que vem e vão pela vida, nos levando a viver o melhor das coisas e aproveitando cada momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os sinais externos não poderão jamais definir o valor humano de cada indivíduo, mas para que isso não nos paralise, é necessário enfrentar o medo de uma batalha competitiva, que por vezes, nós mesmos criamos dentro de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando nos deparamos com a motivação que orienta nossas escolhas e ações, entendemos que estamos no caminho que escolhemos cautelosa e respeitosamente, e nesta estrada quem nos faz companhia é o PROPÓSITO, que revela nossa missão nessa viagem, e que finalmente podemos dizer que deu certo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Quando a vida finalmente dá certo&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/h4TeA3pmtms?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha &#8211; Membro Analista em formação pelo Ijep</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata Ijep</a></strong></p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h1>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>O eu e o inconsciente</em>. Vol. 7/2 &#8211; Editora Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. <em>O símbolo da transformação na missa.</em> Vol. 11/3 &#8211; Editora Vozes, 2013 JUNG,C.G. OS arquétipos e o inconsciente coletivo. vol.9/1 &#8211; Editora Vozes, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG,C.G. <em>Ab-reação- análise doa sonhos e transferência</em>. Vol. 16/2 &#8211; Editora Vozes, 2011 JUNG, C.G. Psicologia e Religião. vol. 11/1 &#8211; Editora Vozes, 2013.</p>
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		<title>Inteiro mesmo é quem descobriu o &#8220;Servir&#8221;</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/servir-para-ser-inteiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 18:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[consciencia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<category><![CDATA[servir]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8826</guid>

					<description><![CDATA[<p>A temática desse artigo diz respeito ao servir. Vivemos a contemporaneidade que preza e direciona a homogeneidade, que aos poucos nos isola e afasta de uma identidade individual. O servir fala da ampliação e do genuíno desenvolvimento da consciência e com isso alcançar o homem inteiro. Assim, o desejo de encontrar o propósito da vida estará na disposição honesta do sacrifício da jornada.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: A temática desse artigo diz respeito ao servir. Vivemos a contemporaneidade que preza e direciona a homogeneidade, que aos poucos nos isola e afasta de uma identidade individual. O servir fala da ampliação e do genuíno desenvolvimento da consciência e com isso alcançar o homem inteiro. Assim, o desejo de encontrar o propósito da vida estará na disposição honesta do sacrifício da jornada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos na busca incessante na tentativa de alcançar um estado de equilíbrio e plenitude nas diversas áreas da vida, desde a física e social até a emocional, intelectual e espiritual.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Poderíamos falar aqui, de modo redutivo que bastaria o nosso envolvimento integral com a harmonia das virtudes, aceitação das limitações e desenvolvimento contínuo das potencialidades, para que fosse dada a largada em direção a jornada única de cada um de nós. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E ainda, que cultivando hábitos saudáveis de autocuidado, bem como atenção as diversas formas de relacionamento, em algum momento seríamos arrebatados por um significado maior e dessa forma estaríamos falando de propósito de vida e evolução. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, na prática, essa transparência e linearidade nem sempre estão presentes e a contento, onde o desafio de protagonizar e sustentar uma estória genuína, produtiva e assertiva pode ser muito maior do que se imagina.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-a-contemporaneidade-de-intensa-pressao-e-com-isso-lancados-para-fora-para-o-externo-constantemente" style="font-size:18px">Vivemos a contemporaneidade de intensa pressão, e com isso lançados para fora, para o externo, constantemente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Corremos sem direção, a fim de dar conta de tudo aquilo que possa anestesiar nossos anseios. Consumimos por diversas vezes o que não precisamos e até o que não conhecemos. Também podemos replicar ideias sem crítica e reflexão para que possamos nos manter na famosa “<strong>zona de conforto</strong>&#8220;, nas massas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia analítica – prospectiva por natureza provoca a reflexão do ser humano<strong> INTEIRO</strong>, do ser humano que busca o seu caminho e nele encontra o seu propósito de vida. Dessa forma, a motivação para este artigo coaduna com a hipótese de que só encontrará o seu propósito de vida quem estiver disposto a <strong>SERVIR</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-entrelinhas-somos-convocados-a-perfeicao-ao-mesmo-tempo-que-sabemos-ser-esse-estado-algo-impossivel-de-ser-alcancado" style="font-size:18px">Nas entrelinhas somos convocados a perfeição, ao mesmo tempo que sabemos ser esse estado algo impossível de ser alcançado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos de nós, de maneira destemida, partem desenfreadamente rumo a essa conquista ilusória do ego que envolve prazer, poder e controle, e uma outra parcela se acomoda em padrões condicionados intermináveis. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como bem diz <strong>Stein</strong> (2020), quem somos como indivíduos, faz parte de uma complexa rede de diversos componentes, reunidos em um “objeto” psicológico que se chama <em><strong>self </strong></em>e o <em><strong>opus</strong></em> humano, ou seja, a obra que podemos realizar, diz respeito a tomar consciência sobre tudo aquilo que nos é ofertado, para de forma criativa ampliar e só depois devolver à vida. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-do-que-se-trata-este-servir">Mas do que se trata este SERVIR?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, primeiramente podemos falar do despertar e do desenvolvimento da consciência, que tem sua sustentação no processo de uma vida inteira &#8211; <strong>o processo de individuação</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As conquistas desse processo fazem referência ao alcance de autonomia e liberdade acerca das identidades que foram criadas na infância e adolescência e que se consolidaram através de apegos e até mesmo necessidades de pertencimento (Stein 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E ainda, um perigo a que <strong>Jung </strong>se referia com frequência diz respeito a<strong> força dos movimentos coletivos que pode arruinar com facilidade os indivíduos</strong>. Testemunhamos constantemente o prejuízo da alma por consequência do predomínio da homogeneidade, que acaba por engolir a identidade individual.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>O movimento para a individuação é um axioma, não é opcional e sua exigência imperativa é uma tarefa contínua (Stein, 2020).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma escolha também implica deixar algo para trás e as vezes, de forma dolorosa, um movimento de crescimento ao desconhecido.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-suportando-a-solidao-de-nossa-jornada-e-confrontando-o-sofrimento-estaremos-proximos-de-quem-devemos-ser-de-verdade" style="font-size:17px">Suportando a solidão de nossa jornada e confrontando o sofrimento, estaremos próximos de quem devemos ser de verdade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>von Franz</strong> (2020) é preciso encontrar o<strong> mito de cada pessoa</strong> e com isso, o sentido ou lugar em que se possa ser criativo na sociedade, levando-se em conta que um mito é coletivo e não pessoal e por isso deve-se dividi-lo com os outros. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Só assim podemos falar sobre o <em>servir</em> em seu significado mais amplo e profundo. <strong>Servir a vida envolve a busca por autenticidade e significado, alinhado com valores e propósitos únicos</strong>. Implica na sintonia com os princípios universais que regem a existência humana, reconhecendo e integrando o bem e mal em nós. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jaffé</strong> (2021) analisa que <strong>não há comunidade sem o indivíduo e que sem comunidade</strong>, mesmo o indivíduo mais livre e seguro de si, ao longo do tempo não poderá prosperar. Reforça ainda, que o processo de individuação exige uma confrontação implacavelmente honesta com os conteúdos do inconsciente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E quais seriam as consequências de se evitar todo esse risco? No mínimo a falta de desejo pela vida e certa ambição, para desembocar na estagnação do processo de desenvolvimento e prejuízo para a alma.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-consciencia-racional-quando-supervalorizada-de-forma-unilateral-e-a-raiz-das-doencas-psiquicas-do-homem-moderno-de-um-mundo-dominado-pelo-eu-nbsp" style="font-size:20px">A consciência racional, quando supervalorizada de forma unilateral, é a raiz das doenças psíquicas do homem moderno, de um mundo dominado pelo eu.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Deixar de ser servo, para servir, é um risco e também um sacrifício</strong>. É abandonar proteção e benefícios em prol da liberdade criativa. Um indivíduo pronto para servir é aquele que se esforça para superar as restrições da sociedade, do meio familiar e de todas as expectativas externas e assim, de modo autêntico, expressa seu potencial interior, contribuindo para o bem-estar e crescimento individual e coletivo. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Este ser humano passa agora a servir ao criativo e não mais ao Ego</strong>. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: Inteiro mesmo é quem descobriu o &quot;Servir&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/1NffzqF_OYA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha – Membro Analista em Formação do IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Analista Didata do IJEP &#8211; Waldemar Magaldi </a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEIN, M. Jung e o caminho da Individuação. São Paulo – Cultrix, 2020&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAFFÉ, A. O mito do significado na obra de Carl G. Jung. São Paulo – Cultrix, 2021&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, M. A busca do sentido- Paulus,2020&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J. A passagem do meio- Paulus,1995 </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossas Pós-Graduações:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



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		<title>A proeza de ser Independente: filhos criados sob o narcisismo dos pais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/narciso-e-o-narcisismo-dos-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jul 2023 10:17:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[abuso familiar]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[dependência emocional]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[narcisismo]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos familiares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proeza de ser independente – filhos criados sob o narcisismo dos pais</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O narcisismo dos pais é algo desafiador a se lidar. A tarefa de criar filhos ultrapassa as margens de condições ideais e necessárias para o desenvolvimento saudável</em>, <em>passando pela construção de uma educação ancorada em valores</em>. <em>Visando superar obstáculos sombrios e obscuros</em>, <em>que habitam o mais profundo em cada um de nós. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pais desempenham um papel crucial na formação da personalidade dos filhos. Quando estes pais encontram dificuldades para lidar com seus próprios aspectos negativos, podem desenvolver uma conexão distorcida com a criança no exercício da parentalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-artigo-tem-como-alvo-uma-tentativa-de-explorar-brevemente-questoes-voltadas-as-dificuldades-encontradas-pelos-filhos-filhos-estes-que-apesar-da-responsabilidade-e-ate-mesmo-da-maioridade-podem-se-perder-ao-encontro-da-autonomia-e-seguranca-que-pede-a-vida-adulta" style="font-size:16px"><strong>Este artigo tem como alvo uma tentativa de explorar, brevemente, questões voltadas às dificuldades encontradas pelos filhos</strong>. Filhos estes que, <strong>apesar da responsabilidade e até mesmo da maioridade, podem se perder ao encontro da autonomia e segurança que pede a vida adulta.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O que nos parece ser uma questão voltada a uma dinâmica disfuncional parental no relacionamento com os filhos. Tornando, assim, o alcance da maturidade algo bem distante. Ou seja, esta relação pode estar baseada não somente no autovalor que constituí o individuo – o qual poderíamos chamar de condição narcísica natural, mas também como infortúnio nesse relacionamento, levando a prováveis danos futuros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-a-personalidade-vai-se-desenvolvendo-ao-longo-da-vida-para-se-constituir-plenamente-na-maturidade-1910" style="font-size:16px">Segundo <strong>Jung</strong>, a personalidade vai se desenvolvendo ao longo da vida, para se constituir plenamente na maturidade (1910).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para o autor, os temas juvenis se iniciam logo após a puberdade até aproximadamente trinta e cinco anos. Não há aqui o objetivo de discorrer sobre a patologia do transtorno narcisista de personalidade. Nem tampouco fazer dos pais os culpados pelas dificuldades que muitos filhos se deparam no enfrentamento da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mais importante aqui seria farejar a medida certa neste relacionamento, união e diferenciação familiar. Pois, as figuras paternas podem tanto promover o “voo” de seus filhos, lançando-os na vida, como podem criar laços onde os mesmos permanecerão atados. O termo “<strong>narcisismo</strong>” não foi muito usado por Jung. O termo é encontrado somente quatro vezes em sua obra, sendo que três dessas citações são usadas como referência crítica à obra de Freud (JUNG, 2011b, p. 482). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conceito-comum-do-narcisismo-que-ha-muito-ocupa-a-atencao-humana-e-a-auto-adoracao-extrema-que-vem-acompanhada-de-uma-indiferenca-que-nega-a-necessidade-de-outra-pessoa-schwartz-1982" style="font-size:17px">O conceito comum do narcisismo que há muito ocupa a atenção humana, é a auto <strong>adoração extrema</strong>, que vem acompanhada de uma indiferença que nega a necessidade de outra pessoa (SCHWARTZ, 1982).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra faz referência a um mito. O mito de Narciso e Eco foi narrado pelo poeta Ovídio em <em>Metamorfoses</em>, uma de suas obras mais famosas. Segundo o mito, Narciso era belo e vaidoso. Quando nasceu, um dos oráculos chamado Tirésias disse que ele seria muito atraente e que teria vida longa, desde que não conhecesse a si próprio. Entretanto, não deveria admirar sua própria beleza, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida. Quando adulto, atraia olhares de muitas pessoas, mas desprezava a todas. Uma das ninfas chamada Eco, apaixonou-se loucamente por Narciso, mas fora rejeitada por ele. A deusa Nêmesis é quem auxilia na vingança. Eco atraiu Narciso para uma fonte que ao se debruçar sobre as águas enxerga sua própria imagem e se encanta por ela. Morre fascinado por si mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-da-relacao-eu-outro-que-trata-o-mito-de-narciso-existindo-esse-outro-dentro-ou-fora-de-nos" style="font-size:18px">É da relação eu-outro que trata o mito de Narciso, existindo esse outro, dentro ou fora de nós.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A maneira que lidamos ao longo da vida com esses outros externos e internos originaram inúmeras concepções sobre o narcisismo</strong> (RUBINI, 2020). Pensando na questão de Narciso e alguns padrões familiares temos que: tanto a relação consigo mesmo quanto com o outro podem levar ao sofrimento e consequências indesejáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-na-consciencia-se-vive-uma-realidade-unilateralizada-ou-seja-rigida-e-inflexivel-tal-como-narciso-corre-se-o-risco-de-morrer-sem-contemplar-a-entrega-para-a-vida" style="font-size:17px"><strong>Quando na consciência se vive uma realidade unilateralizada, ou seja, rígida e inflexível tal como Narciso, corre-se o risco de morrer sem contemplar à entrega para a vida</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Chama atenção a <strong>inflexibilidade</strong> que aparece em muitas dinâmicas familiares, quando o comportamento adotado por elas enaltece uma união de modo marcado e unilateralizado. O que gera um campo de força fechado e rígido &#8211; que esconde, por trás de sentimentos como amor e proteção, um egoísmo e, ao que parece, um sistema muito confortável de prisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta dinâmica os fatores externos podem ficar sob o jugo de uma realidade psíquica muito inflexível. Neste terreno, as portas podem estar fechadas para todo tipo de diversidade e complexidade, apoiados até mesmo em verdades únicas, distanciando-se mais e mais da alteridade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-medo-pode-ser-uma-questao-importante-neste-ambito-familiar-e-os-integrantes-contagiados-em-maior-ou-menor-grau-tudo-aquilo-que-e-novo-deve-ser-evitado-no-primeiro-momento-ou-vivenciado-sempre-com-muita-cautela" style="font-size:17px"><strong>O medo pode ser uma questão importante neste âmbito familiar e os integrantes contagiados em maior ou menor grau</strong>. Tudo aquilo que é novo deve ser evitado no primeiro momento ou vivenciado sempre com muita cautela.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além do medo, outra situação relevante seria a dificuldade que estes filhos podem encontrar em vivenciar plenamente suas experiências e aspirações. Pois podem ser “convidados” a testemunhar de muito perto a vida dos pais, participando sempre de todos os conflitos em questão.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:21px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">[&#8230;] <em>Cada um logo compreende aquilo que conseguimos controlar mais ou menos, isto é, a consciência e seu conteúdo, é, no entanto, apesar de todo nosso esforço, ineficiente quando comparado com os efeitos incontroláveis do fundo psíquico. Como então se poderá proteger as crianças contra os efeitos provenientes de si próprio, quando falha tanto a vontade consciente como o esforço consciente? Indubitavelmente será de grande utilidade para os pais saberem considerar os sintomas de seu filho à luz dos seus próprios problemas e conflitos. É dever dos pais proceder assim.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px"><em>Neste particular, a responsabilidade dos pais se estende até onde eles tem o poder de ordenar a própria vida de tal maneira que ela não represente nenhum dano para os filhos. Em geral se acentua muito pouco quão importante é para a criança a vida que os pais levam, pois o que atua sobre a criança são os fatos e não as palavras. Por isso deverão os pais estar sempre conscientes de que eles próprios, em determinados casos, constituem a fonte primária e principal para as neuroses de seus filhos </em></p>
<cite>JUNG,1981, § 84</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se chega à vida adulta espera-se que o indivíduo tenha condições de iniciar o rumo de sua jornada, mesmo que esta ainda não pareça assim tão evidente. Que consiga discernir entre o que não lhe chama atenção de outros interesses. Que possa farejar seus medos e limitações para poder trabalhar em prol de seu desenvolvimento. Manejando a cada fase, a função judicativa da consciência, para benefício de seu processo de diferenciação dos padrões familiares impostos e até mesmo os sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-termos-de-comportamento-e-atitudes-e-muito-comum-que-estes-pais-idealizem-os-filhos-de-acordo-com-suas-expectativas" style="font-size:16px">Em termos de comportamento e atitudes é muito comum que estes pais idealizem os filhos de acordo com suas expectativas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">Estes pais podem se tornar extremamente protetores, inviabilizando fases de descoberta através do abuso de poder ou até mesmo usando do medo e/ou chantagem emocional. Por outro lado, todos estes comportamentos podem ser muito sutis. Desde violação dos limites de privacidade, passando pelo controle das escolhas dos filhos, falta de empatia, exigência constante de atenção e também manipulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um modo extremo, podemos ainda falar sobre a demonstração de <strong>inveja</strong> frente às conquistas dos filhos. Com atitudes de boicote e falta de encorajamento; críticas em excesso e dificuldades para elogiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-calligaris-1996-ha-um-esforco-por-parte-do-individuo-na-satisfacao-do-outro-principalmente-os-pais-com-sua-imagem" style="font-size:18px">Para <strong>CALLIGARIS</strong> (1996) há um esforço por parte do indivíduo na satisfação do outro – principalmente os pais, com sua imagem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">De certa forma, os filhos podem desenvolver a tendência de sentirem-se culpados por não serem bons o suficiente e tentar a todo custo corresponder às expectativas em troca de admiração, aumentando ainda mais, sentimentos de inferioridade e denegação. Ao invés de olharem para si mesmos podem estar preocupados com seu empenho em balizar o humor dos pais, promovendo alegria e tentando evitar que se sintam frustrados. Aqui podemos encontrar muitas questões ligadas à ansiedade, devido um sentimento de angústia iminente, sempre presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse <strong>excesso de controle</strong> tende a enfraquecer a relação, levando esses filhos a experimentarem altos níveis de carência, vulnerabilidade e dependência emocional e financeira.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>[&#8230;] Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram ( pois se trata de fenômeno psicológico atávico do pecado original). Esta afirmação poderia parecer algo de sumário e artificial sem esta restrição: essa parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido se não a tivessem ocultado mediante subterfúgios mais ou menos gastos. Trata-se pois de uma parte da vida que – numa expressão inequívoca – foi abafada talvez com uma mentira piedosa. É isto que abriga os germes mais virulentos.</em></p>
<cite>JUNG, 1981§ 87</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em algum momento, até mesmo na ausência dos pais, ao se dar conta do tempo passado, terão que lidar com o susto frente às dificuldades e dar continuidade a um caminho que irão &nbsp;seguir, ainda que sem um planejamento prévio e, contabilizando as inseguranças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nocao-ou-senso-de-identidade-nos-leva-a-saber-sobre-nos-mesmos" style="font-size:20px"> A noção ou senso de identidade nos leva, a saber, sobre nós mesmos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando passamos muito tempo voltados ao externo, na tentativa de atender os anseios do outro, incorreremos na falta de nos assistir com legitimidade, revelando prováveis falhas de identidade e pouca ou quase nenhuma intimidade como a esfera inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se falar aqui sobre a questão do sentido junguiano da existência ou ausência do poder orientador do Si- mesmo, que é o único capaz de dar á pessoa um sentido de direção e, em última análise, uma percepção de identidade pessoal (SCHWARTZ, 1982).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o passar do tempo, as ligações parentais vão cedendo espaço a outros tipos de vínculos, tais como sociais, afetivos e profissionais e esta ampliação de apoio emocional é que também vai permitir posteriormente, o processo de individuação, que se inicia na segunda metade da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, espera-se que esses filhos alcancem um desenvolvimento pleno e saudável; que possam usufruir da autonomia que diz respeito à capacidade de se tornar independente, tomar decisões e se responsabilizar por elas. Caminhar na busca de seu verdadeiro” Eu”, integrando na consciência o que estava inconsciente, desenvolvendo suas potencialidades, se tornando único e autêntico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apesar de toda a complexidade e possíveis impactos que envolvem o relacionamento entre pais e filhos, a esperança (aquela que não espera passivamente) pode inteirar uma singularidade profunda, muito bem representada pelo” Si- mesmo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha – Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Diretor e Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>CALLIGARIS, Contardo. “Essas crianças que amamos demais.”In: Crônicas do individualismo cotidiano. São Paulo: Editora Ática, 1996</li>



<li>JUNG, C.G. O desenvolvimento da personalidade. O.C v. 17. Petrópolis: Vozes [1981]</li>



<li>OVÍDIO<em>. Metamorfoses</em>. São Paulo, 2017</li>



<li>RUBINI, Rosana. Feridas psíquicas, Jung e o narcisismo. Junguiana vol.38 n 1 São Paulo jan./jun.2020</li>



<li>SCHARTZ – SALANT, N. Narcisismo e transformação do caráter: a psicologia das desordens do caráter narcisista. Junguianos – cultrix. São Paulo. 1982</li>
</ul>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A proeza de ser independente – filhos criados sob o narcisismo dos pais #Shorts" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/QbNoaIR0abI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Aceito logo crio</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/aceito-logo-crio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 12:19:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7308</guid>

					<description><![CDATA[<p>O tempo nos impele de um lado, com a sensação de pressa constante e de outro, as duras penas, nos faz entender que nossos processos de vida muitas vezes não podem ser acelerados. Receber e elaborar as adversidades que se apresentam a todo momento sem abandonar nosso mundo interior, pode se tornar um gigantesco desafio.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O tempo nos impele de um lado, com a sensação de pressa constante e de outro, as duras penas, nos faz entender que nossos processos de vida muitas vezes não podem ser acelerados. Receber e elaborar as adversidades que se apresentam a todo momento sem abandonar nosso mundo interior, pode se tornar um gigantesco desafio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fantasia de controle acaba quando uma vida se interrompe da noite para o dia, quando um corpo antes saudável se apresenta enfermo, quando a natureza escancara suas forças promovendo catástrofes, ou até mesmo nas dificuldades&nbsp;&nbsp;que surgem de pequenas intercorrências do dia a dia, enfim, quando a imprevisibilidade fala mais alto e o caos pode se instalar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sentidos nos auxiliam na percepção do que está a nossa volta e em nosso interior, favorecendo uma conexão relevante entre emoção e imaginação, podendo levar a inúmeras experiências de transformação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Proponho aqui uma breve ampliação, na tentativa de farejar um consenso na relação entre <strong>aceitação e criatividade </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo fato da Criatividade ser considerada uma qualidade inerente ao ser humano, sugere sempre um potencial a ser realizado. Deixa de ser compreendida apenas como um desdobramento do conceito de inteligência para se destacar em diversas teorias, desde o surgimento de uma ideia original ou aperfeiçoamento, até uma capacidade de ampliação da personalidade. (CARVALHO 2012)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dicionário junguiano (2002, p.135) entende a criatividade como &#8221; ato ou processo autêntico, e só secundariamente artístico&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, (2009a) compreende a criatividade como uma essência viva no sujeito, que deve ser entendida como um complexo autônomo, que surge e desaparece de acordo com sua própria tendência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor entende que o sujeito é dominado pelo impulso criador, relacionando o conceito de instinto com a criação, onde o impulso à ação seria sua definição de instinto, &#8221; processos inconscientes e herdados que se repetem uniformemente e com regularidade por toda a parte&#8221; (JUNG,1919/1984b, 267)</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atitudes frente a tudo o que é apresentado pela vida irão impactar positiva ou negativamente, definindo nossa maneira de &#8221; estar no mundo &#8220;.&nbsp;&nbsp;Entendemos assim o efeito de aceitar &#8211; substantivo feminino, que tem o ato ou efeito de anuir, com acolhimento e receptividade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nas exigências internas e externas da vida, aceitar o quê? Como?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiramente, entendo que aceitar vai muito além do consentir, do concordar, tampouco do&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;resignar. Refiro-me a aceitação atrelada a algo maior, que nasce da permeabilidade de conteúdos do inconsciente para a consciência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como humanos evoluímos na capacidade cerebral neocortical, nos tornando os únicos seres capazes de refletir e questionar. Neste ponto é que penso na aceitação, pois a capacidade reflexiva nos coloca numa posição de vantagem para lidar com a angústia. Está última, pode impactar negativamente -através do medo e paralisação, ou do anestesiamento &#8211; com os fármacos e infinitas patologias. Porém, nesta evolução também somos capazes de total entrega aos mistérios da vida, se usufruirmos do potencial de abstração e simbolização alcançando algo de novo em nosso caminho: criação&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Kast (2016) ficamos decepcionados quando por muitas vezes, aquilo que esperamos não acontece ou se apresenta muito diferente do esperado, onde a expectativa é uma postura de imaginação alimentada pela esperança, e ao citar Jung nos faz lembrar que falta ao homem a capacidade de perceber o significado da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mitologia, o suposto filho caçula de Zeus, Kairós era o responsável pelo momento oportuno, momento bom. É preciso que se perceba este momento para agir, momento</p>



<p class="wp-block-paragraph">este que está presente em todas as áreas da vida. Neste processo existe a necessidade de abandonar o domínio da razão e se entregar a intuição, percebendo possibilidades do &#8221; vir a ser&#8221; (KAST 2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda em Kast (2016), temos a importante necessidade de vivenciar o presente, sem abdicar do propósito e do desejo de criar o que está por vir. O sentido ou propósito aparece quando compreendemos o mundo de forma simbólica, pois os símbolos representam a situação concreta e real, embora possam remeter a um significado transcendente da experiência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A não aceitação nos coloca de encontro a situações catastróficas; assim aquele que aceita está mais próximo de transformar sua vida. Independente do desafio que se apresenta, o posicionamento escolhido permitirá ou não o desprendimento daquilo que se perdeu, que ficou para trás, abrindo- se para a renovação em si mesmo e também na vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aceitar não significa se submeter passivamente, é sobre compreender. Para Kast (2016), é possível ser resiliente e ter condições de lidar com os reveses da vida, aprendendo a confiar em nossa capacidade de trabalhar de forma criativa com situações difíceis, bem como compreender os desígnios do se<strong><em>lf</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que a não aceitação nos leva ao processo inverso da evolução, regredindo ao cérebro reptiliano, onde as necessidades básicas de sobrevivência são suficientes, nos aprisionando em uma &#8221; zona de conforto &#8220;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na entrega para o desconforto, para a frustração e para angústia, entendo que despertamos para novos interesses e estes podem nos conduzir firme e assertivamente na direção de processos criativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ato de criar é uma maneira de reorganizar a própria experiência interna, em direção a novos insights sobre a mesma realidade. Para Storr (1993), citado por Carvalho (2012) o indivíduo criativo tende a sofrer menos, por ter maior capacidade de lidar com suas tensões interiores. Enfatiza ainda, que o trabalho criativo protege o sujeito de um adoecimento psíquico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica claro que toda a vida é repleta de possibilidades de mudança, desde que exista o genuíno desejo para tal, um impulso ou necessidade de se arriscar a uma nova visão do mundo bem como da própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entender a criação neste contexto não alcança compreender a produção de algo próximo a &#8221; obra prima&#8217;, mas a criação de algo que afete direta e positivamente a forma de viver. Dessa forma, o indivíduo que se esforça, respeitando suas características únicas, seguirá em direção as existentes formas de superação, utilizando-se de todo seu potencial criativo para produzir novas visões e comportamentos em relação a variedade de situações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro dessa ideia de aceitação, forma-se um canal estreito com o processo criativo, aumentando as chances de mudanças, muito embora conscientes que mudanças significativas raramente são rápidas e simples. Quando o indivíduo se transforma, todas as áreas da sua vida são afetadas, modificando sua forma de se relacionar com o outro e consigo mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, conciliar este processo me parece que está além da resiliência, da</p>



<p class="wp-block-paragraph">flexibilidade e de uma boa dose de paciência; é exigido de nós, a coragem da entrega sem garantias. A força geradora que nos faz compreender para aceitar, escancara imediatamente as portas da Criatividade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensei neste exato momento, no filme: &#8221; O poço &#8221; (2019), onde descer e aprofundar parecia ser o único caminho, onde o irracional poderia conduzir a algo transformador, e a doçura da sobremesa &#8221; panacota&#8221;, podendo representar de um simples prazer até o ponto máximo da liberdade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha</a>&#8211; Membro analista em formação do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Analista Didata &#8211; Waldemar Magaldi</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" width="4" height="4">&nbsp;CARVALHO, OLAVO &#8211; Criatividade e abertura de espaço:&nbsp;<strong>Um estudo Junguiano &#8211;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dissertação para obtenção do título de MESTRE em Psicologia Clínica –&nbsp;</strong>Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC SP&nbsp;&nbsp;77p. 2012</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" width="4" height="4">&nbsp;JUNG, C G. Instinto e inconsciente [1919] in&nbsp;<strong>Natureza da psique,&nbsp;</strong>OC volume VIII. Petrópolis: Vozes, 1984&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" width="4" height="4">&nbsp;JUNG, C G. Relação da Psicologia Analítica com a obra de arte poética [1922] in</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O</strong>&nbsp;<strong>Espírito</strong>&nbsp;<strong>da</strong>&nbsp;<strong>arte</strong>&nbsp;<strong>na</strong>&nbsp;<strong>ciência</strong>, OC volume XV. Petrópolis: Vozes, 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" width="4" height="4">&nbsp;KAST, VERENA:&nbsp;<strong>A</strong>&nbsp;<strong>alma</strong>&nbsp;<strong>precisa</strong>&nbsp;<strong>de</strong>&nbsp;<strong>tempo:&nbsp;</strong>Vozes, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img loading="lazy" width="4" height="4">&nbsp;O Poço.&nbsp;&nbsp;Direção: Galder Gaztelu &#8211; Urrutia. Roteiro: David Desola, Pedro Rivero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">País: Espanha Distribuição: Netflix 2019</p>
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		<title>Aspectos sombrios na filha do pai</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/aspectos-sombrios-na-filha-do-pai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 15:39:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio tem a intenção de ampliar questionamentos sobre o complexo paterno, que sob a luz do dinamismo patriarcal se inicia na relação primal e se prolonga para a vida ulterior do indivíduo. Neste caso, faz-se um recorte dos possíveis impactos decorrentes da fragilidade do exercício da paternidade para a menina, futura mulher.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este ensaio tem a intenção de ampliar questionamentos sobre o complexo paterno, que sob a luz do dinamismo patriarcal se inicia na relação primal e se prolonga para a vida ulterior do indivíduo. Neste caso, faz-se um recorte dos possíveis impactos decorrentes da fragilidade do exercício da paternidade para a menina, futura mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É universal a simbologia da figura materna, que docemente nos conduz ao reino do aconchego, da doação e do amor. Igualmente relevante, embora com certa impessoalidade na experiência inicial, a dimensão &#8220;pai&#8221; guarda a promessa de alteridade, que se fortalece na vivência diária da paternidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não faltam trabalhos abordando os efeitos nocivos do complexo paterno negativo, que abrangem desde a ausência real da figura paterna &#8211; por morte ou abandono, passando pela ausência emocional e chegando às diversas formas de violência, direta ou indireta, tais como: abuso de álcool e outras substâncias, violência doméstica e transtornos psiquiátricos limitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu olhar tenta alcançar linhas sutis que podem se formar, aos poucos, ao longo dos anos, traçando funcionamentos e personalidades que em algum momento precisarão de maior atenção. Refiro-me aqui a questões vivenciadas por mulheres, que na fase adulta se deparam com os mais diversos medos; estes podem ser concretos, direcionados a objetos, pessoas ou situações, ou ainda o medo emocional, subjetivo, substantivo, que aparece nos escritos de Jung como temor perante a vida e até mesmo temor frente ao inconsciente, tornando clara a necessidade de re-significar as representações parentais, principalmente a paterna, no intuito de reduzir danos no enfrentamento da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem abre para a criança o universo do pai não é o indivíduo enquanto pessoa, mas sim o dinamismo paterno; diferente da mãe, que ocupa na vida da criança uma função mais pessoal e concreta frente às demandas maternas. As diversas relações do filho, ao longo da vida &#8211; consigo mesmo, com o outro e com o mundo serão mediadas pela representação do pai, baseadas nas regras, limites, qualidade, finalidade, regularidade, objetivos e responsabilidades. (Lima Filho 2002)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima Filho, ainda ressalta que a ausência de um representante paterno, tal como se vê no caso da mãe, é danosa para a personalidade. No lugar de se relacionar com o mundo, o filho se diluí, podendo invadir ou se deixar invadir quando faltam regras e limites. A partir do representante do pai, a criança torna-se um membro da coletividade humana, pois lhe é ofertado o conceito de &#8220;outro&#8221; enquanto semelhante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa noção do outro decorre do papel exercido pela figura paterna, atuando na separação dos filhos acerca da simbiótica relação com a mãe. Stevens (1993: p.119) descreve o amor paterno:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“</em>(&#8230;) a criança nunca esteve, antes, fisicamente unida ao pai ou dele dependeu, no que se refere ao corpo, para se alimentar: assim, o pai é a primeira pessoa que a criança ama numa base espiritual, oposta a base física. À medida que este relacionamento vai amadurecendo, há também uma consciência cada vez maior da parte do filho, de que o afeto ligado ao pai difere em qualidade do afeto materno: ele é menos envolvente, e não é tão crítico (&#8230;)&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pai instaura a falta e nomeia a realidade. O que chega da mãe é preenchimento. Do pai, a falta, mas também recursos para tal preenchimento, ou seja, ajuda a criança a vivenciar por conta própria seus recursos, para que seja capaz de lutar e suprir a si mesma. (Lima Filho, 2002)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Corneau (1991), citado por Lima Filho (2002) o que estimula as realizações do filho é o amor condicional do pai, revelando-se crucial no desenvolvimento da responsabilidade, superação e respeito à hierarquia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E como farejar estas questões, quando elas se encontram em um cenário de estrutura familiar aparentemente saudável, beirando tudo que é ditado pela norma? Um lar amoroso trabalho com afinco e responsabilidade a fim de garantir que todas as necessidades sejam supridas na medida do possível: alimento, saúde educação etc. Enfim, a família &#8220;quase perfeita&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, podemos estreitar um pouco mais sobre as contribuições do pai na construção da identidade da mulher e seu desenvolvimento psíquico. Sua atuação na vida poderá caminhar para o lado positivo e saudável, ou negativo e disfuncional, de acordo com os vínculos estabelecidos, bem como o processo de internalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tão importante quanto à interdição da relação simbiótica com a mãe, é a capacidade do pai real, de humanizar os aspectos arquetípicos na filha. Para que isso ocorra, a figura paterna precisa de prontidão para acessar seus aspectos sombrios. Somente desta forma, a filha terá condições de trabalhar seu processo de diferenciação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mais diversas atitudes, principalmente as que se referem ao trabalho, influenciarão diretamente nas atitudes da filha. Quando a relação constituída somente aparenta positividade e solidez, provavelmente o vínculo será negativo. Dessa forma a tendência ao perfeccionismo estará sempre presente; já a criatividade, provavelmente estará quase sempre escassa e como resultante disso: possível excesso de trabalho, com sensação de ineficiência constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a figura do pai enxerga e admite suas próprias fragilidades e limitações, permite que esta filha consiga lidar com suas faltas instaladas na psique e ao mesmo tempo encoraja, abrindo espaço para o desejo de seguir adiante, independente das dificuldades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem estaria por traz das dificuldades do pai, que carrega as melhores intenções sobre proteger e orientar, mas que ao negar seu lado mais obscuro vai mantendo esta filha aprisionada na superfície?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só consigo pensar no MEDO. Duas palavras eram usadas na Grécia antiga para diferenciar apreensões:&nbsp;<strong><em>deos,&nbsp;</em></strong>referente a um temor controlado e refletido e&nbsp;<strong><em>phobos</em></strong><em>,&nbsp;</em>que é um medo intenso e irracional acompanhado de fuga. Sendo um mecanismo de defesa, uma emoção inata, o medo normal aparece como proteção frente a algo que nos coloca em risco e cessa assim que o perigo desaparece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung (2002), o medo é uma emoção que nos possuí, mostrando indícios de uma adaptação insuficiente; um sintoma de um conflito entre opostos psíquicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poderíamos assim falar, pensando na figura do pai, no medo que a alteridade, por suas exigências produz, estando esta emoção relacionada às questões prováveis de aprovação social, tais como: reputação, crítica, fracasso e solidão. O não conhecimento dos conteúdos complexos e arquetípicos por parte do pai o deixariam aprisionado e cada vez mais distante do processo de individuação. Dessa forma, sendo o pai o portador do LOGOS, se consumido pelo medo, pode se tornar a figura que abre a porta, em períodos de transição, para o temor maior frente aos fantasmas do inconsciente da filha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em símbolos da transformação vol. V, Jung fala sobre o medo do mundo interno, que pode ser mais pavoroso que o medo do mundo externo, principalmente quando negado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, estas questões provavelmente poderão ser trabalhadas e re-significadas pela filha que alcançar um nível de desconforto. Caso tenha um ego estruturante, um ego mais fortalecido e flexível será capaz de transitar pelo desconhecido com um pouco mais de autonomia, tendo condições de se preservar de uma possível invasão do inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As dificuldades vivenciadas por muitos pais existem de fato; longe de mim qualquer tentativa de não legitimá-las, mas o impacto que de isso ocorre também é legítimo. O medo, que aumenta a distância entre a consciência e o inconsciente, tira a clareza da percepção e como conseqüência inibe comportamentos críticos acerca da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este pai deixa de vivenciar a satisfação de se perceber como um verdadeiro herói, pelo fato de portar medos e fraquezas. Deixa de se perceber como um grande entusiasta, por conta de emulações e ainda, de usufruir da sensação de grande mestre, orientador, simplesmente por não admitir de forma genuína ter receios e dúvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pai que não enfrentou com coragem (ação do coração), o medo, provavelmente não assumiu uma posição de autoridade. Disso resultam duas formas de comportamento. A primeira, seria a busca de poder de forma autoritária, arrogante e abusiva. Outra maneira seria um distanciamento de si mesmo, se entregando a uma postura de inferioridade e subserviência. Em ambos os casos, há uma interdição da possibilidade criativa da alteridade</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a menina, agora mulher, cabe a coragem do confronto, se assim lhe aprouver. Daqui para frente, os aspectos internos se tornarão os olhos que guiam, e o conforto estará intimamente ligado à renúncia de tudo aquilo que pode afetar o destino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embrenhar-se na sombra reconstrói o passado e prospecta de forma vivificada para grandes possibilidades. Abre-se espaço para o CRIATIVO, para o AUTÊNTICO, gratificando nossos antepassados, sem abrir da mão do que podemos de fato nos tornar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Patrícia Moura Vernalha – Membro Analista em formação do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Didata: Waldemar Magaldi</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-patricia-moura-vernalha-21-03-2022"><strong><em>Patrícia Moura Vernalha &#8211; 21/03/2022</em></strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br/artigos">&nbsp;Voltar</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">LIMA FILHO, A. O pai e a psique. São Paulo &#8211; Paulus, 2002</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Símbolos da transformação vol. 5 &#8211; Editora Vozes limitada, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEVENS, A. Vida e pensamento: uma introdução &#8211; Editora Vozes, 1993</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. A natureza da psique vol. 8/2 &#8211; Editora Vozes, 2013</p>



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