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	<title>Renata Pastorello, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Renata Pastorello, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Beleza de Errar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-beleza-de-errar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 13:49:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[beleza de errar]]></category>
		<category><![CDATA[clínica junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[cura psíquica]]></category>
		<category><![CDATA[erro]]></category>
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		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este trabalho convida a repensar o erro não como falha, mas como expressão da vida psíquica que transborda os limites da consciência. À luz da psicologia junguiana, propõe-se compreendê-lo como elemento essencial no processo de individuação e na construção da totalidade. Durante as sessões de atendimento, percebo uma temática recorrente na clínica: um estado [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Este trabalho convida a repensar o erro não como falha, mas como expressão da vida psíquica que transborda os limites da consciência. À luz da psicologia junguiana, propõe-se compreendê-lo como elemento essencial no processo de individuação e na construção da totalidade.</p>



<h2 id="h-durante-as-sessoes-de-atendimento-percebo-uma-tematica-recorrente-na-clinica-um-estado-constante-de-inseguranca-em-relacao-a-estar-fazendo-a-coisa-certa" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Durante as sessões de atendimento, percebo uma temática recorrente na clínica: um estado constante de insegurança em relação a estar fazendo a coisa certa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes, esse estado impede meus clientes de agir, pois o medo do erro e das possíveis consequências acaba paralisando o movimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, é possível observar que aquilo que muitas vezes é vivido como erro ou falha também pode desempenhar um papel fundamental no surgimento de novos caminhos. Ao longo da história, diversos acontecimentos considerados inicialmente equivocados ou acidentais foram reconhecidos como muito importantes para várias descobertas. Um exemplo clássico é o descobrimento da penicilina por Alexander Fleming, que ocorreu a partir de uma contaminação não planejada em um experimento laboratorial. O que poderia ser interpretado como descuido foi, na verdade, um acontecimento decisivo para o desenvolvimento da medicina moderna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem outros exemplos emblemáticos como o forno de micro-ondas, que surgiu a partir da observação inesperada de um chocolate derretido próximo a um equipamento de radar, e o post-it que foi desenvolvido a partir de uma tentativa fracassada de criação de um adesivo forte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses casos ilustram que o erro, aquilo que escapa ao controle, não necessariamente interrompem o curso da experiência, mas podem, ao contrário, trazer novas possibilidades. Nesse sentido, tais acontecimentos convidam a refletir não apenas sobre o erro como uma parte integrante de um processo mais amplo, no qual o inesperado pode operar como condição para a criação.</p>



<h2 id="h-a-partir-dessa-perspectiva-o-erro-pode-ser-compreendido-como-a-expressao-de-conteudos-que-escapam-ao-controle-da-consciencia" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A partir dessa perspectiva, o erro pode ser compreendido como a expressão de conteúdos que escapam ao controle da consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um ponto central na obra de Jung, que entende a psique como um campo dinâmico que é marcado por uma tensão entre polos opostos, entre a rigidez das atitudes conscientes, que são frequentemente moldadas por normas sociais, e a vitalidade da alma, da vida que é de natureza criativa e autônoma. Ele descreve esse &#8220;transbordamento da vida&#8221; de diversas formas, é uma força que não se deixa aprisionar em esquemas preestabelecidos, conforme ele cita:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.3">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>As convenções são em si mesmas mecanismos sem alma, que nada mais podem abranger do que a rotina da vida. A vida criadora fica sempre acima da convenção. Por isso deve haver uma erupção destruidora das forças criativas, quando predominar unicamente a rotina da vida na forma de convenções tradicionais (JUNG, 2014b, § 305)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a tentativa de evitar o erro a qualquer custo, além de ser uma grande ilusão, também é psicologicamente muito problemática. A busca por uma suposta perfeição, sustentada por ideais rígidos e por uma adesão excessiva às normas externas, tende a produzir uma consciência unilateral, fraca, que se afasta da complexidade da vida psíquica.</p>



<h2 id="h-no-entanto-como-aponta-jung-aquilo-que-nao-encontra-lugar-na-consciencia-nao-deixa-de-existir-muito-pelo-contrario-o-que-foi-reprimido-permanece-ativo-no-inconsciente-buscando-formas-de-expressao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No entanto, como aponta Jung, aquilo que não encontra lugar na consciência não deixa de existir, muito pelo contrário, o que foi reprimido permanece ativo no inconsciente, buscando formas de expressão:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px;line-height:1.2">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>A melhor maneira talvez de compreender o inconsciente é considerá-lo como um órgão natural dotado de uma energia criadora específica. Se, em consequência da repressão, seus produtos não encontram acolhida na consciência, surge uma espécie de represamento, uma inibição não natural de uma função orientada para um fim, semelhantemente ao que ocorre com a bílis, um produto da função do fígado, quando impedida de fluir para o intestino. Em consequência da repressão, produzem-se escoamentos psíquicos falsos. Da mesma forma que a bílis penetra na corrente sanguínea, assim também o conteúdo reprimido se irradia para outros domínios psíquicos e fisiológicos. (JUNG, 2014a, § 702)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, quanto maior o esforço em manter-se dentro de um ideal de correção absoluta, maior tende a ser a pressão dos conteúdos excluídos. A consciência, ao tentar se proteger do erro, acaba fazendo exatamente o oposto, pois ela se fragiliza justamente por se tornar menos flexível e menos capaz de dialogar com aquilo que escapa ao seu controle. O erro, então, não aparecerá apenas como uma falha, mas poderá aparecer como uma forma de irrupção desses conteúdos, muitas vezes de maneira inesperada ou desproporcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica aponta para um paradoxo importante dentro da teoria junguiana que é estabelecido pelo seguinte conflito: ao tentar eliminar o erro, corre-se o risco de intensificá-lo. Isso porque a vida psíquica não se organiza segundo critérios de perfeição, mas de compensação e equilíbrio entre o diálogo da consciência com inconsciente.</p>



<h2 id="h-o-inconsciente-nesse-sentido-atua-de-modo-a-contrabalancar-a-unilateralidade-da-consciencia-fazendo-emergir-justamente-aquilo-que-foi-negligenciado-ou-reprimido" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O inconsciente, nesse sentido, atua de modo a contrabalançar a unilateralidade da consciência, fazendo emergir justamente aquilo que foi negligenciado ou reprimido:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.3"><em>A experiência já mostrou, há muito tempo, que entre a consciência e o inconsciente existe uma relação de compensação, e que o inconsciente sempre procura complementar a parte consciente da psique, acrescentando-lhe o que falta para a totalidade, e prevenindo perigosas perdas de equilíbrio (JUNG, 2013, §252)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-assim-o-erro-deve-ser-compreendido-como-parte-constitutiva-da-experiencia-humana-nao-como-algo-a-ser-combatido-ou-uma-rara-excecao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Assim, o erro deve ser compreendido como parte constitutiva da experiência humana, não como algo a ser combatido ou uma rara exceção.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ele marca os pontos de tensão entre aquilo que o sujeito acredita que deve ser e o que realmente aquilo que se realiza. Ao invés de ser evitado a qualquer custo, pode-se lidar de outra forma, pode-se convidar o ego a escutar o erro como um sinal, que muitas vezes é incômodo de ouvir, de que há aspectos da vida que não estão sendo contemplados pela consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa perspectiva, a proposta clínica não se orienta pela eliminação do erro, mas pela ampliação da consciência diante dele. Trata-se menos de tentar corrigir algo e muito mais de compreender que dinâmica psíquica está em jogo, que conteúdo busca expressão, que parte da vida insiste em existir apesar das tentativas de controle. É nesse movimento que o erro pode deixar de ser apenas um ponto de interrupção e passar a operar como um elemento de transformação.</p>



<h2 id="h-sob-essa-perspectiva-o-erro-pode-ser-compreendido-como-uma-grande-oportunidade-dentro-do-processo-de-individuacao-conceito-central-na-psicologia-analitica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Sob essa perspectiva, o erro pode ser compreendido como uma grande oportunidade dentro do processo de individuação, conceito central na psicologia analítica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A individuação não se refere a um ideal de perfeição, mas a um processo contínuo de tornar-se quem se é, o que implica necessariamente o confronto com aquilo que escapa, que falha e que desorganiza a imagem consciente que o sujeito construiu de si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência do erro, quando simbolizada, favorece o diálogo entre consciência e inconsciente, condição essencial para o processo de individuação. Importante ressaltar que não se trata de valorizar o erro em si, mas de reconhecer sua função dentro da dinâmica psíquica, pois ele pode indicar onde a vida insiste em se manifestar para além das formas conhecidas, convocando o sujeito a uma ampliação de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal a cura psíquica é diferente do que entendemos de cura física, onde trabalha-se para a eliminação de algo. A cura psíquica acontece quando há integração.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📃Artigo novo: A Beleza de Errar" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/E-7bzLwkPGU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/renata-pastorello/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Pastorello &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl. G.<em> A Prática da Psicoterapia</em>. Edição digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________<em> A natureza da psique</em>. Edição digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014a</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________<em> O Desenvolvimento da Personalidade</em>, Edição Digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014b</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Intolerância com os Intolerantes</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/intolerancia-com-os-intolerantes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 18:46:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo propõe uma reflexão sobre o paradoxo da intolerância, de Karl Popper, à luz da Psicologia Analítica. A partir de uma vivência cotidiana, analisa-se a intolerância como expressão da cisão entre ego e sombra e a necessidade de integração desses opostos pela função transcendente. A única intolerância que deveríamos admitir na sociedade e [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo:</strong> Este artigo propõe uma reflexão sobre o paradoxo da intolerância, de Karl Popper, à luz da Psicologia Analítica. A partir de uma vivência cotidiana, analisa-se a intolerância como expressão da cisão entre ego e sombra e a necessidade de integração desses opostos pela função transcendente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-unica-intolerancia-que-deveriamos-admitir-na-sociedade-e-principalmente-dentro-de-nos-e-a-intolerancia-com-a-intolerancia" style="font-size:19px">A única intolerância que deveríamos admitir na sociedade e principalmente dentro de nós é a intolerância com a intolerância.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Este é o Paradoxo da intolerância formulado por Karl Popper que consiste em que a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da própria tolerância. Uma sociedade tolerante deve, para se preservar, reservar o direito de não tolerar a intolerância (especialmente quando ela envolve violência física, discursos de ódio ou a tentativa de suprimir o debate racional ou a imposição de uma ideia única).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante uma aventura pessoal em ser a única administradora de um Grupo de Whatsapp de bairro, onde o intuito deste grupo era promover um lugar civilizado de anúncios de produtos e/ou serviços para os moradores, pude perceber o quanto estamos, como sociedade, cultivando a intolerância e querendo que sejamos muito tolerantes com a intolerância alheia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Neste contexto, os participantes ao invés de tolerarem as pequenas imperfeições do grupo, iam pela via contrária: vociferavam a exigência de regras tão perfeitas para que eles, os participantes, não tivessem que sustentar desconforto algum.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nessa-experiencia-antropologica-evidenciou-se-este-espirito-do-tempo-em-que-o-que-e-fortalecido-e-o-desejo-de-satisfacao-do-ego-ao-inves-de-fortalecer-a-flexibilidade-deste-ego" style="font-size:19px">Nessa experiência antropológica evidenciou-se este espírito do tempo em que o que é fortalecido é o desejo de satisfação do ego, ao invés de fortalecer a flexibilidade deste ego.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Um ego forte é como o material de uma ponte: é forte o suficiente para sustentar o peso que o atravessa, porém é flexível o suficiente para não se romper com o movimento da travessia. A intolerância é um sintoma da não aceitação da própria sombra, da cisão e oposição do ego aos conteúdos inconscientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-negar-o-mal-dentro-de-si-o-inconsciente-o-projeta-no-outro-e-justifica-a-violencia-moral-em-nome-do-bem-jung-chama-essa-dinamica-de-posse-pela-sombra" style="font-size:19px">Ao negar o “mal dentro de si”, o inconsciente o projeta no outro e justifica a violência moral em nome do “bem”. Jung chama essa dinâmica de posse pela sombra:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>com a projeção do mal, nós deslocamos o medo e a irritação que sentimos em relação ao nosso próprio mal para o opositor, aumentando ainda mais o peso da sua ameaça.</p><cite>(JUNG, 2019c, p.572)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção é um mecanismo do inconsciente de reorganizar a experiência psíquica buscando se relacionar com a consciência. Porém, na busca por um ego perfeito e imaculado, o indivíduo fragmenta o que é &#8220;indesejável&#8221; (a Sombra) e suprimi o diálogo com esses aspectos transformando-os em luta, esta podendo ocorrer do lado de dentro, como processos depressivos, e ou do lado de fora designando a resolução de forma externa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esta defesa egóica que luta pela manutenção de uma perfeição estática é o que o torna intolerante, sendo dominado muitas vezes por um complexo de inferioridade que, paradoxalmente, se manifesta como um complexo de superioridade ou tirania (como a exigência de regras &#8220;perfeitas&#8221; no grupo, que é uma forma de domínio moral).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ego-inflado-aparecendo-na-forma-de-unico-eu-em-nos-que-deseja-controlar-o-ambiente-as-regras-do-grupo-para-evitar-o-confronto-com-a-propria-multiplicidade-interna" style="font-size:19px">O ego inflado aparecendo na forma de único eu em nós que deseja controlar o ambiente (as regras do grupo) para evitar o confronto com a própria multiplicidade interna.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Como ponto de referência do campo da consciência, o eu é o sujeito de todos os esforços de adaptação na medida em que estes são produzidos pela vontade. [&#8230;] O eu conserva sua condição de centro do campo da consciência; mas, como ponto central da personalidade, tornou-se problemático. Constitui parte desta personalidade, não há dúvida, mas não representa a sua totalidade. </p><cite>(JUNG, 2019a, p.11)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O antídoto para a cisão e a intolerância é a aceitação da dualidade e a integração de todos os aspectos da vida. Especialmente os aspectos que não são agradáveis ao julgamento do ego. O que o Jung chamou de Função Transcendente, a proposta da sua psicologia não está em abraçar um dos lados, ou seja, não é agirmos como se o inconsciente tivesse passe livre para o mundo externo e nem a repressão total deste inconsciente visando atender única e exclusivamente a adaptação externa:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Por “função transcendente” não se deve entender algo de misterioso e por assim dizer suprassensível ou metafísico, mas uma função que, por sua natureza, pode-se comparar com uma função matemática de igual denominação, e é uma função de números reais e imaginários. A função psicológica e “transcendente” resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes. </p><cite>(JUNG, 2019b, p.131)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ou seja, a Função Transcendente é uma atividade natural da psique que une consciente e inconsciente, gerando uma nova atitude levando em consideração os dois mundos: interno e externo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-a-intolerancia-pode-simbolizar-uma-dificuldade-em-realizar-a-funcao-transcendente-a-intolerancia-demonstra-uma-recusa-interior-em-buscar-uma-nova-atitude-que-inclua-o-que-foi-projetado" style="font-size:19px">Neste contexto a intolerância pode simbolizar uma dificuldade em realizar a Função Transcendente; a intolerância demonstra uma recusa interior em buscar uma nova atitude que inclua o que foi projetado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A atitude tolerante, por outro lado, exige o trabalho psíquico de sustentar o desconforto, estabelecendo um diálogo com ele (o &#8220;erro&#8221; do outro, a imperfeição da regra). A flexibilidade do Ego (a ponte forte, porém flexível) só é possível quando ele está em relação com a totalidade. A intolerância é um sinal de que o ego se recusa a estabelecer um diálogo com o inconsciente e se tornou um centro rígido e tirânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A verdadeira &#8220;regra perfeita&#8221; está na estrutura interna do ego em utilizar a flexibilidade, para adaptar-se na medida do possível na estrutura externa. A aceitação da Sombra é o que torna a convivência possível. A intolerância social é, em última análise, o grito da alma que se recusa a confrontar a imperfeição mais íntima: a totalidade da vida que contém não somente a luz como a sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Talvez o verdadeiro sentido do paradoxo de Popper não seja apenas político, mas também psicológico: precisamos aprender a ser intolerantes com a intolerância interior, com a parte de nós que deseja excluir, punir, aniquilar o diferente. Só assim o coletivo poderá se transformar — não pela repressão do mal, mas por sua integração consciente.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Intolerância com os Intolerantes" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/xZMfrKp0Qx0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Pastorello – Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, Carl. G.<em> Aion</em>, 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2019</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">___________<em> A Natureza da Psique</em>, 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2019</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">___________<em>Presente e futuro</em>, 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2019</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Obesidade Simbólica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/obesidade-simbolica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 21:09:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=11199</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: Nesse artigo trago uma reflexão através da ótica da psicologia analítica sobre a dinâmica de consumo de conteúdos atual e como isso resulta em uma obesidade das relações e informações. Essa obesidade traz aspectos nocivos para nosso autodesenvolvimento: acentuam complexos unilaterais; dificulta a capacidade reflexiva e amplificadora e muitos conteúdos são desprovidos de sentido, [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Resumo: Nesse artigo trago uma reflexão através da ótica da psicologia analítica sobre a dinâmica de consumo de conteúdos atual e como isso resulta em uma obesidade das relações e informações. Essa obesidade traz aspectos nocivos para nosso autodesenvolvimento: acentuam complexos unilaterais; dificulta a capacidade reflexiva e amplificadora e muitos conteúdos são desprovidos de sentido, aumentando nossa fome de alma.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Palavras-Chave: Complexo; autodesenvolvimento, autoconhecimento, informação e conscientização</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Eu tenho andado muito reflexiva sobre o papel das redes sociais, da internet, na minha vida de maneira abrangente, tanto profissionalmente como pessoalmente falando: no que essa ferramenta pode me ajudar? Onde estão os riscos dela? O que de fato traz nutrição, alimentando ciclos virtuosos? Por esse motivo venho nesse breve artigo falar um pouco sobre o fenômeno da obesidade da informação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-facilitar-o-acesso-aumentar-as-conexoes-que-tudo-seja-simples-e-fluido-esse-e-um-dos-espiritos-da-epoca" style="font-size:20px">Facilitar o acesso, aumentar as conexões. Que tudo seja simples e fluído, esse é um dos espíritos da época.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">O acesso e a produção de conteúdo oferecidos digitalmente tiveram uma popularização exponencial nos últimos anos. E por isso a internet, através das mídias sociais, é um grande propulsor de visibilidade e de crescimento, principalmente se falarmos de crescimento rápido contendo muito sucesso monetário. Entretanto, toda simplicidade também contém suas regras e custos, então para ter um grande alcance de pessoas, temos que estar muito dispostos a seguir o processo que essa dinâmica pede.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-que-dinamica-e-essa-qual-e-esse-processo" style="font-size:20px">Que dinâmica é essa? Qual é esse processo?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">As mídias sociais (as plataformas hospedeiras desses conteúdos digitais) possuem uma tecnologia inteligente, os algoritmos, que analisam os dados dos conteúdos ofertados versus seus potenciais expectadores, alimentando de inteligência mercantil essas plataformas. Ou seja, os algoritmos, distribuem esses materiais de forma tendenciosa: favorecem os indivíduos que produzem conteúdos que engajem a audiência. O objetivo dos algoritmos é manter o expectador o maior número de tempo possível dentro de uma plataforma. E aqui, quando me refiro a tendencioso gostaria de enaltecer o aspecto literal da palavra que atende a uma tendência sem julgamento se é bom ou ruim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aqui-faco-meu-primeiro-recorte-o-quanto-os-algoritmos-se-assemelham-ao-mecanismo-dos-nossos-complexos-inconscientes" style="font-size:20px">Aqui faço meu primeiro recorte: o quanto os algoritmos se assemelham ao mecanismo dos nossos complexos inconscientes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Segundo a psicologia junguiana, os complexos são conjuntos associativos que podem ser sentidos de forma acentuada e que se organizam em torno de um núcleo arquetípico, concentrando poderosa energia psíquica, e com certa autonomia se transformando em uma pequena personalidade. Tendo energia psíquica suficiente pode expressar sua autonomia frente à consciência e atuar na vida do indivíduo de forma a reviver os padrões, as tendências desse complexo</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Quando se quer dizer ou fazer alguma coisa e, desgraçadamente, um complexo intervém na intenção inicial, acaba-se dizendo ou fazendo a coisa totalmente oposta ao que se queria de início. Há subitamente uma interrupção, e a melhor das intenções acaba sendo perturbada, como se tivéssemos sofrido a interferência de um ser humano ou de uma circunstância exterior. Sob essas condições somos mesmo forçados a falar da tendência dos complexos a agirem como se fossem movidos por uma parcela de vontade própria.&nbsp;</p><cite> (JUNG, 2019a, p. 149)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-algoritmo-trabalha-para-sempre-nos-trazer-conteudos-que-estejam-alinhados-ao-nosso-perfil-de-consumo-e-de-pesquisa-trabalhando-por-analogia-e-semelhanca-ampliando-e-engordando-cada-vez-mais-a-forca-de-associacao-e-o-impacto-para-gerar-em-nos-interesse-e-potencial-mercado-consumidor" style="font-size:20px">O algoritmo trabalha para sempre nos trazer conteúdos que estejam alinhados ao nosso perfil de consumo e de pesquisa, trabalhando por analogia e semelhança, ampliando e “engordando” cada vez mais a força de associação e o impacto para gerar em nós interesse e potencial mercado consumidor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">E assim são também os<strong> complexos</strong>, trabalhando no mesmo sistema de analogia e semelhança, ele direciona a energia psíquica do indivíduo a vivenciar situações externas que validem a tendência deste, como por exemplo: Um forte complexo de abandono tenderá a fazer uma pessoa a ter maior habilidade em identificar traços de abandono em diversas circunstâncias, incluindo uma maior aderência à pessoas que a façam reviver situações de abandono.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-segundo-recorte-que-proponho-e-sobre-a-qualidade-dos-conteudos-ofertados" style="font-size:20px">O segundo recorte que proponho, é sobre a qualidade dos conteúdos ofertados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Como temos um grande número de conteúdo disponível, os produtores precisam cada vez mais chamar a atenção dos internautas em pouco tempo, se não eles “perdem” esse expectador para outro conteúdo que o atraia mais, sendo assim a informação deve ser passada de forma rápida, simples, assertiva (afirmativa, cheia de certezas) fidelizando os usuários. Não é de hoje, que nós seres humanos, trazemos os traços de infantilismo e de confiança no mundo externo apenas, como esclarece <strong>Jung</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>E é assim que vemos qualquer problema que nos obriga a uma consciência maior e nos afasta mais ainda do paraíso de nossa infantilidade inconsciente. (&#8230;) Queremos que nossa vida seja simples, segura e tranquila, e por isto os problemas são tabu. Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem entretanto nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento.</p><cite>(JUNG, 2019b, p.751).</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Ficando claro que a simplicidade única e exclusivamente nos garante em um estado psíquico primitivo, atrofiado e infantil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-terceiro-e-ultimo-recorte-que-proponho-e-em-termos-da-qualidade-desses-conteudos" style="font-size:20px">E o terceiro e último recorte que proponho é em termos da qualidade desses conteúdos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Assim como no campo da alimentação corporal, percebo um fenômeno similar na internet que se chama obesidade da quantidade de relações, de interações e de informações que chegam até nós: Obesidade da informação, um problema do nosso século.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Analisando de forma simbólica</strong>: A maioria dos conteúdos produzidos na internet, são para mim, similares aos alimentos ultra processados que encontramos no supermercado. Tal qual os conteúdos digitais, os alimentos ultra processados são desenvolvidos para serem muito “gostosinhos”, (aquele paladar que agrada muito no ato do consumo). São fáceis de achar (supermercados), simples de consumir (já vem pronto em embalagens práticas) e possuem alguma substância que preenche o estômago (certeza de barriga cheia). Entretanto, eles também são extremamente <strong>vazios de nutrientes, de fibras, de qualidade nutricional</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>E assim eu vejo muitos desses conteúdos digitais</strong>: Estão cada vez mais vorazes, mais simplistas, mais reducionistas e acabam ocupando o buraco que a gente tem dessa fome de trocar que é um dos aspectos primordiais da nossa espécie, mas que não nutre. E esse vazio só vai aumentando, pois a fome continua, e ele vai aumentando tanto ao ponto de corroer a nossa própria alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-quer-que-seja-de-qualquer-modo-e-uma-sorte-que-o-ser-humano-traga-dentro-de-si-seu-regulamento-social-como-uma-necessidade-inata-jung-2019c-p-655" style="font-size:20px">“Como quer que seja, de qualquer modo é uma sorte que o ser humano traga dentro de si seu regulamento social, como uma necessidade inata.” (JUNG, 2019c, p.655)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">A troca, o olho no olho (mesmo que seja virtualmente) &#8211; essa coisa de estar em um jogo de frescobol: onde eu jogo a bola, mas eu também recebo a bola &#8211; é muito importante para o nosso desenvolvimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-a-internet-e-uma-via-onde-a-gente-espelha-aquilo-que-faz-sentido-pra-gente-e-essa-e-outra-faceta-que-necessitamos-de-ampliacao-reflexiva" style="font-size:20px">E a internet é uma via onde a gente espelha aquilo que faz sentido pra gente &#8211; e essa é outra faceta que necessitamos de ampliação reflexiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Os conteúdos midiáticos tendem a ser um espelhamento do que faz sentido para quem o está criando. Contudo, devido à necessidade de síntese, esses conteúdos acabam trazendo tudo de uma maneira muito pequena e unilateral. Isso promove uma rápida absorção para a audiência de conteúdos vazios de nutrientes, porém cheios de receitas perigosas de auto desnutrição. Então não adianta a gente consumir esses conteúdos se a gente não souber e não tiver condições de fazer uma digestão interna. Ver o que realmente faz sentido pra gente e ir atrás de aprofundar para encontrar material rico e saudável para a nossa alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Pois de salgadinho e biscoito recheado o mercado, seja ele físico e literal ou ele simbólico, do que estamos consumindo de forma relacional, está cheio. Agora de arroz com feijão e uma salada cheia de verduras e legumes, apesar de ser disso que precisamos, é muito mais difícil encontrar.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Obesidade Simbólica" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/WZKfo4UPimQ?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Pastorello &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>A Vida simbólica</em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2019a</p>



<p class="wp-block-paragraph">________.&nbsp;<em>A Natureza da psique</em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2019b</p>



<p class="wp-block-paragraph">________.&nbsp;<em>Freud e a Psicanálise</em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2019c</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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		<title>Partos Psíquicos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/partos-psiquicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 15:53:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta reflexão proponho que, assim como há partos físicos, também vivemos partos psíquicos: rupturas internas que impulsionam o autoconhecimento. Inspirado por mitos, análise da natureza e Jung, o ensaio mostra como tensões entre consciente e inconsciente geram renascimentos simbólicos ao longo da vida. Em uma experiência pessoal durante um evento entrei em contato com uma [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><em>Nesta reflexão proponho que, assim como há partos físicos, também vivemos partos psíquicos: rupturas internas que impulsionam o autoconhecimento. Inspirado por mitos, análise da natureza e Jung, o ensaio mostra como tensões entre consciente e inconsciente geram renascimentos simbólicos ao longo da vida.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em uma experiência pessoal durante um evento entrei em contato com uma das versões míticas do nascimento de Eros, no banquete de Platão (PESSANHA, 1991, p.73) que tinha, de forma bem resumida, a seguinte narrativa: Na festa que os Deuses deram em homenagem ao nascimento de Afrodite, Pênia, a Pobreza, veio no final recolher algumas migalhas da festa. Pênia ao ver Poros, o deus dos recursos, que estava adormecido no jardim de Zeus após se embriagar com o néctar, se encanta com ele, se deita ao seu lado fazendo com que ele despertasse e se relacionassem. <strong>Desta união nasce Eros, o deus do amor, do vínculo afetivo</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-mitos-trazem-uma-dinamica-arquetipica-seria-necessario-a-escassez-a-pobreza-para-que-os-recursos-em-nos-sejam-despertados-e-nesse-despertar-nasca-algo-muito-maior-como-o-amor-eros" style="font-size:19px">Os mitos trazem uma dinâmica arquetípica: Seria necessário a escassez, a pobreza, para que os recursos em nós sejam despertados e nesse despertar nasça algo muito maior como o amor, Eros?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Aprofundando nesse pensar, ao observar as relações da natureza, observa-se um processo similar nos nascimentos dos animais e para construir esse raciocínio usarei os pássaros como exemplo: seus filhotes nascem quando rompem a casca do ovo, esta um dia foi sua proteção, mas no decorrer do desenvolvimento do passarinho torna o espaço pequeno e limitador para que sua vida pudesse continuar ali dentro, fazendo com que o filhote finalmente nasça.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ampliando essa análise percebe-se a repetição desse mesmo padrão: Existe sempre algo interno que vai crescendo ao longo do tempo até atingir o involucro que o protege externamente. O que cresce internamente começa a pressionar o “involucro” até que este se rompa e uma nova vida nasça. Os partos biológicos, envolvem uma grande força que se opõe às limitações oferecidas, precisam de pressão e desconforto para acontecer, seja no caso de uma plantinha que rasga a casca da semente, seja no caso dos pássaros que quebram a casca do ovo ou no caso de um ser humano que já não cabe mais na barriga de sua mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E dessa análise surgiu uma nova reflexão sobre os diversos nascimentos da vida de fora e da vida de dentro, afinal de acordo com a segunda lei hermética da correspondência (INICIADOS, [s.d.], p.13): &#8220;<strong><em>O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima</em></strong>.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Onde esta lei estabelece uma correspondência entre o mundo macrocósmico e o mundo microcósmico, indicando que o universo é uma reflexão de si mesmo. Ou seja, há uma harmonia entre os diferentes planos de existência: o físico, o mental e o espiritual. O que acontece em um plano reflete no outro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sendo-assim-se-temos-partos-fisicos-miticos-nao-poderiamos-ter-partos-psiquicos-seriam-esses-provocados-por-uma-tensao-entre-uma-potencia-de-vida-e-as-barreiras-que-a-envolvem" style="font-size:19px">Sendo assim se temos partos físicos, míticos, não poderíamos ter partos psíquicos? Seriam esses provocados por uma tensão entre uma potência de vida e as barreiras que a envolvem?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Jung</strong> no seu livro <strong>A Natureza psíquica</strong> vai dedicar um capítulo inteiro para nos apresentar o conceito de função transcendente onde ele nos explica que esta surge quando na aproximação dos opostos, na dinâmica compensatória entre consciente e inconsciente, a psique trabalha nessa tensão entre os opostos, tensionando os conteúdos conscientes e inconscientes opostos, tornando possível a passagem de uma atitude para outra, sem perda do conteúdo inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-tensao-e-dinamizada-quando-um-afeto-anteriormente-nao-relacionado-converte-se-em-uma-ideia-mais-ou-menos-clara-e-articulada-com-o-apoio-da-consciencia" style="font-size:19px">Essa tensão é dinamizada quando um afeto anteriormente não relacionado converte-se em uma ideia mais ou menos clara e articulada com o apoio da consciência.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“A resposta, evidentemente, consiste em suprimir a separação vigente entre a consciência e o inconsciente. Não se pode fazer isto, condenando unilateralmente os conteúdos do inconsciente, mas, pelo contrário, reconhecendo a sua importância para a compensação da unilateralidade da consciência e levando em conta esta importância. A tendência do inconsciente e a da consciência são os dois fatores que formam a função transcendente. É chamada transcendente, porque torna possível organicamente a passagem de uma atitude para outra, sem perda do inconsciente” (JUNG, 2019, p.145)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seria-entao-o-inconsciente-nossa-fonte-de-recursos-nosso-poros-em-nos-jung-diz" style="font-size:19px">Seria então o inconsciente nossa fonte de recursos, nosso Poros em nós? Jung diz:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“o inconsciente contém não só todo o material esquecido do passado individual, mas todos os traços funcionais herdados que constituem a estrutura do espírito humano” (JUNG, 2019, p.132)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seria-a-consciencia-a-casca-do-ovo-que-envolve-tartarugas-e-passaros-promovendo-futuramente-a-pobreza-de-nos" style="font-size:19px">Seria a consciência a casca do ovo que envolve tartarugas e pássaros, promovendo futuramente a pobreza de nós?</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“a consciência, devido a suas funções dirigidas, exerce uma <em>inibição </em>(&#8230;) sobre todo o material incompatível, em consequência do que, este material incompatível mergulha no inconsciente; 3) a consciência é um <em>processo</em> <em>momentâneo de adaptação”. </em>(JUNG, 2019, p.132)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante nossa jornada, seja do lado de fora, seja do lado de dentro precisamos estar atentos as dores dos vários partos que vão acontecendo ao longo da vida, afinal “<strong><em>a vida do inconsciente prossegue o seu caminho e produz continuamente situações problemáticas</em></strong>” (JUNG, 2019, p.142) que trarão o incomodo necessário à consciência com a finalidade de produzir um parto psíquico (integrar conteúdos inconscientes) na consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pensando em minha própria trajetória pessoal, analiso quantas vezes vivi esses Partos, desde os que me fogem à lembrança consciente como quando houve a ruptura do meu aleitamento materno para que pudesse me alimentar dos alimentos extra-corpo-materno até aos acontecimentos que carrego vivamente na memória como o abandono do meu corpo de criança me tornando uma jovem mulher ou, um dos mais recentes, quando rompi com as expectativas externas e egóicas sobre a vida profissional e sucesso financeiro, trazendo uma nova perspectiva de felicidade e sentido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-fim-inspirada-pelo-poema-tabacaria-de-alvaro-de-campos-fernando-pessoa-quantas-renatas-eu-ja-nao-nasci-nasci-de-mim-mesma-sofrendo-exatamente-do-excesso-de-mim-que-escondia-em-mim-a-mim-mesma" style="font-size:19px">Por fim, inspirada pelo poema Tabacaria de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa: <strong>Quantas “Renatas” eu já não nasci? Nasci de mim mesma sofrendo exatamente do excesso de mim que escondia em mim a mim mesma.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim não temos apenas os partos literais para experenciar, somos convidados ativamente a nascer psiquicamente diversas vezes durante a nossa jornada, afinal “<em><strong>A vida tem de ser conquistada sempre e de novo</strong></em>” (JUNG, 2019, p.142).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Partos Psíquicos" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/fjpo5vT68rc?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Fraccini Pastorello &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">INICIADOS, Três (pseudônimo coletivo).<em> O Caibalion: estudo da filosofia hermética do antigo Egito e da Grécia. </em>Tradução de Rosabis Camaysar. São Paulo: Pensamento, [s.d.],</p>



<p class="wp-block-paragraph">PESSANHA, José.<em> Platão – Coleção Os pensadores</em>, 5.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl. G.<em> A Natureza da Psique</em>, 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2019</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.ijep.com.br"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10707" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-6.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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		<title>De Coré à Perséfone: O voo da borboleta</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/de-core-a-persefone-o-voo-da-borboleta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2025 12:51:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10137</guid>

					<description><![CDATA[<p>Hoje escolhi falar de uma Deusa da mitologia grega que, por meio do seu mito, traz aspectos importantes do processo de transformação da psique feminina. Muitos de nós conhecemos Perséfone através do mito de Deméter, a Deusa da maternidade, da fertilidade e da nutrição, entretanto o mito de Deméter-Perséfone vai além do ensinamento de criar [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Hoje escolhi falar de uma Deusa da mitologia grega que, por meio do seu mito, traz aspectos importantes do processo de transformação da psique feminina. Muitos de nós conhecemos Perséfone através do mito de Deméter, a Deusa da maternidade, da fertilidade e da nutrição, entretanto o mito de Deméter-Perséfone vai além do ensinamento de criar os filhos para o mundo, ele nos traz a reflexão sobre o processo de metamorfose da consciência onde predominam os atributos do feminino (Aqui não estou me restringindo apenas à mulher e sim ao arquétipo).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Coré, que em grego significa virgem, vivia com sua mãe na superfície da Terra onde absolutamente tudo de “bom” era lhe provido e era protegida de qualquer tipo de “perigo”. Coré vivia em uma eterna primavera, onde a predominância desta estação é um clima agradável e ameno. Porém essa situação se modifica quando um dia, Hades irrompe do subterrâneo, vê Coré e se apaixona perdidamente por ela, raptando Coré da superfície e levando-a até o mundo inferior. Bom existe um desenrolar do mito até que se descobre que Coré está com Hades no seu reino e não mais se chama Coré e sim Perséfone, esposa de <strong>Hades</strong>, o Deus do Submundo, agora a desprotegida e imatura Coré é a Rainha das profundezas, é uma Deusa profunda, uma Deusa de Poder, Deusa responsável por cortar o vínculo da alma com o corpo humano (BRANDAO, 1986).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-de-entrar-nos-significados-simbolicos-do-mito-em-si-e-importante-trazer-para-este-artigo-o-conceito-de-anima-e-animus-desenvolvido-por-jung" style="font-size:18px">Antes de entrar nos significados simbólicos do mito em si é importante trazer para este artigo o conceito de Anima e Animus desenvolvido por Jung.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Animus e Anima são arquétipos, que segundo Jung (1991b) constituem uma função psicológica importante: a de serem os condutores da alma na jornada de autoconhecimento que requer o atravessamento da sombra, sendo funções psíquicas que intermediam consciente e inconsciente. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como vou falar sobre a consciência Feminina, aprofundarei aqui o conceito de Animus: Como a teoria Junguiana se baseia na polaridade, onde o UNO é a integração de opostos, então se em uma pessoa os aspectos femininos predominam na consciência, no seu inconsciente existe necessariamente uma imagem de uma forma masculina: Animus, uma divindade inconsciente onde há uma consciência feminina. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-a-consciencia-feminina-tem-em-sua-luz-todo-o-lado-eros-aflorado-sentimental-e-criativo-em-seu-inconsciente-vive-o-animus-que-traz-toda-racionalidade-o-pragmatismo-a-luta-e-a-direcao" style="font-size:18px">Se a consciência Feminina, tem em sua luz todo o lado Eros aflorado, (sentimental e criativo), em seu inconsciente vive o Animus que traz toda racionalidade, o pragmatismo, a luta e a direção. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Através do Animus, o feminino consciente, atravessa as sombras, tendo que lidar com aspectos de pouco conhecimento de seu ego, trazendo o ímpeto, a determinação e a realização para a personalidade consciente feminina.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A psicologia da mulher se baseia no princípio do Eros, que une e separa, ao passo que o homem, desde sempre, encontra no Logos seu princípio supremo. O conceito Eros, em linguagem moderna, poderia ser expresso como relação psíquica, e o do Logos como interesse objetivo”. (JUNG, 2012c, p.134)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entendendo o significado do mito, Coré representa a menina indecisa, que não desagrada, que põe nas mãos externas (Deméter) as rédeas de seu destino e assim nessa dinâmica ela pode seguir pelo resto de sua vida. Entretanto se Coré se permitir atravessar o inconsciente (mundos inferiores) com seu Animus (Hades), ela vira a senhora, a rainha do mundo oculto, do inconsciente, virando a poderosa Perséfone: Deusa dotada de beleza estonteante, conhecimentos profundos e uma conexão com o mundo interior tão poderosa, que aos olhos racionais seriam entendidos como algo mágico, místico: o nosso sagrado. Tal qual lagarta que para poder voar e se reproduzir, Coré precisa entrar no casulo (inconsciente) para sofrer uma metamorfose (a etimologia vem da palavra grega metamórphōsis, que significa transformação, segundo dicionário Michaelis), sem a morte da lagarta, não há o voo da borboleta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-consciencia-feminina-sem-a-integracao-com-seu-animus-funciona-tal-qual-core-insegura-se-cobra-demais-pois-agradar-e-colocar-o-poder-de-decisao-de-protecao-e-de-nutricao-na-mao-dos-outros-e-sinonimo-da-sua-vida" style="font-size:18px">Uma consciência feminina sem a integração com seu Animus funciona tal qual Coré: insegura, se cobra demais, pois agradar e colocar o poder de decisão, de proteção e de nutrição na mão dos outros é sinônimo da sua vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ela acredita que a vida deve ser perfeita e morre de medo de errar e acaba vivendo essa manifestação do Animus como uma grande crítica àquilo que a consciência realiza. Ou seja, sem o casamento de Coré com Hades (diálogo do consciente com inconsciente), a Coré fica refém do rapto, possessão desse Animus, esta crítica excessiva. Porém se Coré se permite descer ao mundo escuro, passar pelas sombras mais aterrorizantes de sua própria inconsciência perceberá o quão poderosa é, que a maior proteção e realização não está no externo, na superfície (que no mito é simbolizado por sua Mãe), mas sim na conexão com o profundo, dentro dela.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“Seja-me dado aqui dizer apenas que entendo o mundo inferior como o reino das almas. Efetivamente, para os gregos de Homero, a psique só era encontrada no Hades. O mundo inferior não a vida – era o lugar da psique” (BERRY, 1980, p. 88).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tal dinâmica é tão poderosa arquetipicamente falando, que muitos livros/filmes com este enredo acabam se tornando histórias de grande sucesso de vendas, como por exemplo: 50 tons de cinza e a saga infantojuvenil o Crepúsculo. Em ambas as histórias existe um homem poderoso e sombrio (Hades) que transforma a vida da garota simples e medíocre (Coré) em uma mulher especial e poderosa (Perséfone). Mas o importante é<em> </em>trabalhar aqui é o símbolo disso tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essas histórias simbolizam o movimento interno que a consciência feminina deve vivenciar para chegar aos aspectos poderosos, numinosos<em> </em>e transformadores. Sabemos que muitas vezes as histórias, mitos, símbolos, são lidos pela consciência de forma literal, não fazendo o trabalho psicológico que é o diálogo consciente com o mundo inconsciente e muitas vezes nessa literalidade, as mulheres projetam fora, o que deveriam vivenciar em sua psique.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vamos-falar-de-outro-conceito-junguiano-importantissimo-projecao" style="font-size:18px">Vamos falar de outro conceito Junguiano importantíssimo: Projeção</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando não conseguimos fazer esse diálogo internamente, nossa pisque espelha fora o que precisamos trabalhar dentro. Falando em exemplos práticos quando a consciência, primordialmente, feminina não faz o diálogo com seu masculino poderoso e sombrio, não realiza o diálogo necessário, ou seja, o aprofundamento, criando raízes para seguir seus caminho singular, o que acontece? Ela se liga afetivamente à essa imagem externa: Um amor, um professor, um chefe etc. E quando eu digo afetivamente, não é uma relação amorosa e/ou sexual.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-realmente-ficar-tomada-de-afetos-por-aquela-figura-fazendo-com-que-esses-tomem-autonomia-versus-o-ego-nada-ha-de-espantoso-no-fato-de-o-inconsciente-aparecer-projetado-ou-simbolizado-pois-de-outra-forma-ele-nem-seria-percebido-jung-2018-p-125" style="font-size:18px">É realmente ficar tomada de afetos por aquela figura. Fazendo com que esses tomem autonomia versus o ego: “nada há de espantoso no fato de o inconsciente aparecer projetado ou simbolizado, pois de outra forma ele nem seria percebido” (JUNG, 2018, p.125).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por isso a projeção acaba sendo um dos nossos primeiros contatos conscientes com o que há em nossa psique, eu mesma em minha adolescência passei por uma experiência projetiva, porém extremamente curativa, conforme relato a seguir.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-minha-infancia-e-adolescencia-era-uma-tipica-representacao-da-deusa-core-muito-sensivel-ao-mundo-real-extremamente-dependente-dos-meus-pais-e-insegura-fazia-tudo-para-agradar-com-o-intuito-de-ser-aceita-e-amada" style="font-size:18px">Em minha infância e adolescência era uma típica representação da Deusa Coré: Muito sensível ao mundo real, extremamente dependente dos meus pais e insegura, fazia tudo para agradar com o intuito de ser aceita e amada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Provavelmente não sairia dessa dinâmica se não tivesse me apaixonado na adolescência por um jovem tipicamente “transgressor” aos olhos dos meus pais: o garoto já havia repetido de ano algumas vezes, cursava supletivo a noite (não por dificuldades econômicas dos pais e sim pelas inúmeras vezes que ele havia repetido o ano escolar), skatista e “descolado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Eu era a melhor aluna do meu ano, nunca havia colocado um cigarro da boca e estava sonhando em entrar na USP, era da escola para casa e de casa para a escola, vivia em minha superfície pueril tal qual Coré.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não seria possível tomar as rédeas da minha própria vida se não descesse aos meus infernos e foi através dessa paixão. Ou seja, a partir de uma projeção externa do meu animus que enfrentei as expectativas externas, me aprofundando em mim mesma. E, “raptada” dos domínios de meus pais, me alicercei no material desconfortável, dolorido porém nutridor que é meu interior para seguir o meu caminho singular.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O rapto, minha confrontação para sair da superfície e mergulhar em mim foi condição primordial para a morte da menina e o nascimento da mulher. Como exposto por Patrícia Berry no livro organizado por James Hillman, Encarando os Deuses: “Além disso, essa perda é apoiada pela maior e mais velha mãe da Terra, Gaia (que cultiva a flor sedutora para Hades) – como se a natureza no nível de Gaia entendesse a violação como necessária” (BERRY, 1980, p.88). Porém, essa descida, esse aprofundamento, esse empoderamento, esse casamento entre a consciência Feminina e o Animus só acontecerá quando houver a integração interna</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Coré simboliza potência fértil, poderosa geradora de vida</strong>: A semente. Que só irá germinar e crescer se for introjetada na solo, dentro da superfície, no profundo. Somente após esse processo de aprofundamento é que a mulher terá raízes fortes, seguras e encontrará os nutrientes necessários para sustentar seus frutos na superfície.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📝Artigo novo: &quot;De Coré à Perséfone: O voo da Borboleta&quot; 🦋" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/fne9K9VtBRw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Fraccini Pastorello</a> </strong>&#8211; Membro Analista em Formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador</a> &#8211; Membro Analista Didata IJEP</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia">Bibliografia:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/metamorfose">https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/metamorfose</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDAO, Junito. <em>Mitologia Grega </em>Volume 1, Petrópolis: Vozes,1986</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERRY, Patrícia. O Rapto de Deméter/Perséfone e a Neurose. In: HILLMAN, James Encarando os Deuses. São Paulo: Cultrix,1980. Cap. 4,</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl. G.<em> Tipos Psicológicos</em> Volume VI, Petrópolis: Vozes,1991</p>



<p class="wp-block-paragraph">________<em>Civilização em Transição</em>. 5.ed. Petrópolis: Vozes, 2012</p>



<p class="wp-block-paragraph">________<em>Mysterium Coniunctionis Volume 1</em>. 6ed. Petrópolis: Vozes, 2018</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/de-core-a-persefone-o-voo-da-borboleta/">De Coré à Perséfone: O voo da borboleta</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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		<title>Grandes capatazes intelectuais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/grandes-capatazes-intelectuais-relacao-entre-trabalho-e-psique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 18:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[#trabalho #ambientedetrabalho #saúdepsíquica #psicologiajunguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantas pessoas chegam na nossa clínica se queixando sobre o ambiente de trabalho. O que tem acontecido? O trabalho tem se tornado uma fonte de adoecimento das pessoas ou sempre foi um fator de adoecimento? Fico reflexiva com a ideia de que as condições de trabalho atualmente têm se tornado insalubres, como se a condição [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quantas pessoas chegam na nossa clínica se queixando sobre o ambiente de trabalho. O que tem acontecido? O trabalho tem se tornado uma fonte de adoecimento das pessoas ou sempre foi um fator de adoecimento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fico reflexiva com a ideia de que as condições de trabalho atualmente têm se tornado insalubres, como se a condição de venda da nossa mão de obra estivesse se deteriorando ao longo dos anos. Se pararmos para pensar de uma forma mais ampla, temos indícios históricos de que antigamente as coisas também não eram tão boas assim, como no início da vida moderna com a Revolução Industrial que transferiu os trabalhos manuais (agrícolas e artesãos) para dentro das fábricas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:15px"><blockquote><p>“Eram precárias as condições de vida e trabalho dos artesãos no início da primeira revolução industrial: as fábricas tinham um ambiente insalubre; o tempo de trabalho chegava a 80 horas semanais; os salários eram bem abaixo do nível de subsistência. Além disso, mulheres e crianças também enfrentavam as mesmas condições de trabalho, e ainda era mais agravante, visto que os salários eram ainda menores.”</p><cite>Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial. Acesso em: 04 set 2024</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hoje-existe-uma-grande-parte-do-mundo-que-regulariza-o-ambiente-de-trabalho-estipulando-as-horas-de-trabalho-salario-minimo-e-jornada-maxima-permitida" style="font-size:16px"><strong>Hoje, existe uma grande parte do mundo que regulariza o ambiente de trabalho, estipulando as horas de trabalho, salário-mínimo e jornada máxima permitida.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sem falar na declaração universal dos direitos humanos proclamada e adotada pela assembleia geral das Nações Unidas desde dezembro de 1948 que se baseia na consideração de que o “<em>reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo</em>” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1948). Fazendo com que todas as relações humanas, independente de seu país, dentro dos países membros da ONU, sejam pautadas por esses direitos. <strong>Então de onde vem esse sentimento? De onde vem essa sensação de que estamos piorando ao invés de melhorar</strong>?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira coisa que me passa pela cabeça é que, de fato, apesar de hoje em dia existirem maiores mecanismos de proteção a abusos, exploração e violência no campo das relações de trabalho, não conseguimos eliminar a expressão do mal que habita a condição humana. Essas leis, auxiliam a trazer para a luz o que é certo ou não fazer com quem empregamos, porém não são capazes de inibir de forma eficiente o abuso e a exploração. <strong>Mas será que é possível eliminar ou atenuar os aspectos sombrios que habitam a psique humana</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-eliminar-a-sombra-e-algo-impossivel-pois-quanto-mais-e-reprimida-mais-continua-a-crescer-jung-2019a" style="font-size:16px">Segundo Jung, eliminar a sombra é algo impossível pois quanto mais é reprimida, mais continua a crescer (JUNG, 2019a).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, é exatamente no confronto com a sombra que conseguimos avançar para uma vida mais saudável e equilibrada pois ao longo desse processo vamos dialogando de forma consciente com diversos aspectos da nossa totalidade, tornando a consciência cada vez mais flexível e receptível aos conteúdos inconscientes. Por isso as leis, apesar de auxiliarem uma melhor manutenção do mundo externo, sozinhas não são eficazes, pois a existência delas sem reflexão não propicia uma tomada de consciência, gerando apenas um conhecimento racional sem sabedoria.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sem-a-existencia-de-um-dialogo-consciente-entre-mundo-interno-e-externo-a-sombra-se-mantem-oculta-e-com-isso-continua-assumindo-suas-caracteristicas-mais-perversas" style="font-size:18px">Sem a existência de um diálogo consciente entre mundo interno e externo a sombra se mantém oculta e, com isso, continua assumindo suas características mais perversas:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p>“Infelizmente, não se pode negar que o homem como um todo é pior do que ele se imagina ou gostaria de ser. Todo indivíduo é acompanhado por uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada à sua vida consciente, tanto mais escura e espessa ela se tornará. Uma pessoa que toma consciência de sua inferioridade, sempre tem mais possibilidade de corrigi-la. Essa inferioridade se acha em contínuo contato com outros interesses, de modo que está sempre sujeita a modificações. Mas quando é recalcada e isolada da consciência, nunca será corrigida.” </p><cite>JUNG, 2019a, p.131</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda questão, que claramente está atrelada a primeira citada acima, é que temos uma falsa ilusão de que o avanço científico, o avanço dos estudos e do conhecimento racional, trazem espontaneamente uma nova atitude psíquica, o que não é verdade. Nunca tivemos tanto acesso à informação, ao conhecimento e mesmo assim ainda sucumbimos, como sociedade, aos padrões arcaicos e instintivos de destruição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim vemos pessoas extremamente capacitadas no campo racional e intelectual, com faculdade, MBA, pós-graduações, mestrados e até doutorados se comportando como verdadeiros capatazes da época colonial. A grande diferença é que a violência utilizada antigamente abarcava a violência física também, e esta foi criminalizada e reprimida às sombras psicológicas. Porém sabemos que nenhum aspecto da vida é factível de eliminação. Então a tentativa de banir não é efetiva, e essa violência na obscuridade encontra em seu carcereiro, a razão e a oportunidade de expressar-se e a violência acaba acontecendo no campo intelectual. O racionalismo e a doutrina cientificista, por exemplo, são prismas através dos quais a realidade é vista, mas são limitados em sua capacidade de captar a totalidade da experiência humana.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p>“O racionalismo e a superstição são complementares. De acordo com a regra psicológica a sombra fica mais forte quando há luz, isto é, quanto mais racionalista for a consciência, tanto mais vivo se torna o mundo de fantasmas do inconsciente.”</p><cite> JUNG, 2019b, p.759</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esses-capatazes-agora-intelectualizados-continuam-a-servico-da-opressao-da-vida-em-virtude-de-uma-maximizacao-de-seus-recursos-financeiros" style="font-size:17px">Esses capatazes, agora intelectualizados, continuam a serviço da opressão da vida em virtude de uma maximização de seus recursos financeiros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Prazos apertados e rígidos, excesso de demanda e de cobranças, amedrontamento de perda monetária são os açoitadores. A pessoa que é subordinada à tais comandos não sofre abusos físicos externos, mas sim abusos psicológicos pautados em ameaças e medo. Inclusive muitas vezes feito de forma muito sutil e velada e outras vezes nem tanto, podendo ser bem explicitadas. Entretanto, ambas as abordagens fazem com que o próprio funcionário e/ou pessoa em subordinação cometa os abusos físicos consigo: tanta pressão, opressão e controle fazem com que as pessoas deixem de se alimentar direito, de se exercitar, de dormir, de cuidar do seu corpo e das demais esferas que sustentam a alma, como o se relacionar com outras pessoas por exemplo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-capatazes-intelectuais-transferem-a-responsabilidade-de-seus-abusos-a-livre-escolha-da-razao-essas-sao-as-regras-quem-nao-quiser-pode-sair" style="font-size:16px">Os capatazes intelectuais transferem a responsabilidade de seus abusos à livre escolha da razão: “essas são as regras, quem não quiser pode sair”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Fazendo com que indivíduos esclarecidos de informações se tornem ignorantes de conhecimento, se tornando tão primitivos quanto o que negam.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:17px"><blockquote><p>“Não haverá desenvolvimento algum, mas apenas uma morte miserável num deserto árido, se acreditarmos poder dominar o inconsciente por meio de nosso racionalismo arbitrário. Foi isto que o princípio alemão “onde há uma vontade, também há um caminho” tentou conseguir, e sabemos quais foram os resultados.” </p><cite>JUNG, 2018, p.1588</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, se na consciência humana não existe uma reflexão sobre a soberania da vida e todos os seus aspectos, sobre o direito de existir de sua multiplicidade e se apenas uma verdade está posta, o que não atende a essa verdade será tiranizada e sofrerá os mais terríveis abusos pois a flexibilidade e a soberania da vida sofrem com a repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-preciso-entender-que-o-trabalho-psiquico-o-carater-reflexivo-exige-muito-comprometimento-da-consciencia-com-a-disciplina-de-dialogo-com-esses-conteudos-conforme-trazido-por-whitmont" style="font-size:16px">É preciso entender que o trabalho psíquico, o caráter reflexivo, exige muito comprometimento da consciência com a disciplina de diálogo com esses conteúdos, conforme trazido por Whitmont:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:17px"><blockquote><p>&#8220;A diferença entre destruir e banir é a diferença entre a repressão e a disciplina. A repressão tenta matar o impulso, tornando-o inconsciente. A disciplina reconhece e acolhe o impulso, mas escolhe em não agir em função dele.&#8221;</p><cite> WHITMONT, 1991, p.127</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Então não adianta apenas irmos atrás de conhecimento no campo lógico, desenvolvermos leis e normas, se isso não vier acompanhado de profundo reconhecimento da sabedoria e soberania da vida, pois esse é o processo de se tornar uma pessoa completa, denominado por Jung de individuação. E isso pode significar dar espaço e valor às emoções, intuição, criatividade e espiritualidade. Reconhecendo a vulnerabilidade e os impulsos naturais como partes legítimas da experiência humana. Mesmo que isso coloque em risco nossas crenças e até maximização de valores monetários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto nossa vida for pautada pelo que se consegue e não pela qualidade de como se vive, não sairemos desse ciclo vicioso. Seguiremos testemunhando um moedor de almas massivo onde os ambientes das relações humanas continuarão sendo ambientes adoecedores, pois a experiência estará sempre subjugada ao materialismo. Jung acreditava que essas sombras coletivas como materialismo extremo, desumanização e crises espirituais são o que sustentam uma cultura de massa de conflitos e guerras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim não temos testemunhado a deterioração da qualidade do ambiente laboral, mas sim temos testemunhado que falta de conexão com a alma não se cura com bibliografia, com conhecimento racional. Podemos avançar, e devemos, no campo intelectual, mas sem integrar os aspectos de alma, continuaremos sendo uma espécie bárbara que não transcende, que fica apenas vivenciando um joguete de opostos, sem de fato progredir no psiquismo coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Renata Fraccini Pastorello &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Membro Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Educa Mais Brasil.&nbsp;<em>Primeira Revolução Industrial</em>. Disponível em: <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial">https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial</a>. Acesso em: 04 set 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">JUNG, Carl. G.<em> A Vida Simbólica vol II</em>, 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">________<em> Psicologia e religião</em>, 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2019a</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">________<em> A Vida Simbólica vol I</em>, 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2019b</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Unicef.<em> Declaração Universal dos Direitos Humanos: Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948. </em>Disponível em: <a href="https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos">https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos</a>. Acesso em: 04 set 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">WHITMONT, Edward C. <em>O Retorno da Deusa</em>. 2.ed. São Paulo: Summus, 1991</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



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