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	<title>Arquivos Psicoterapia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Psicoterapia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A atitude do alquimista e a clínica junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-atitude-do-alquimista-e-a-clinica-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raísa Barcellos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 12:05:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[análise]]></category>
		<category><![CDATA[analista]]></category>
		<category><![CDATA[clínica]]></category>
		<category><![CDATA[junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antigos manuscritos alquímicos ainda tem muito a nos ensinar, dentre as diferentes lições que eles nos deixam, podemos aprender com a atitude dos alquimistas frente ao seu trabalho, sua obra, o opus alchymicum. Aprendemos com os alquimistas como podemos olhar para nossos conteúdos e comportamentos com profunda curiosidade e dedicação, nos colocando, dessa forma, na posição de questionar, por exemplo, opiniões formadas e pouco flexíveis, nos abrindo a novas possibilidades e formas de viver, mantendo o fluxo vivo do “dissolve e coagula”.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-atitude-do-alquimista-e-a-clinica-junguiana/">A atitude do alquimista e a clínica junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-primeira-pergunta-que-pode-surgir-quando-se-fala-de-alquimia-e-para-que-estudar-textos-alquimicos" style="font-size:20px"><strong><em>A primeira pergunta que pode surgir quando se fala de alquimia é: para que estudar textos alquímicos?</em></strong></h2>



<p style="font-size:18px">Antigos manuscritos alquímicos ainda tem muito a nos ensinar, dentre as diferentes lições que eles nos deixam, podemos aprender com a atitude dos alquimistas frente ao seu trabalho, sua obra, o&nbsp;<em>opus alchymicum</em>. Aprendemos com os alquimistas como podemos olhar para nossos conteúdos e comportamentos com profunda curiosidade e dedicação, nos colocando, dessa forma, na posição de questionar, por exemplo, opiniões formadas e pouco flexíveis, nos abrindo a novas possibilidades e formas de viver, mantendo o fluxo vivo do “dissolve e coagula”.</p>



<p style="font-size:18px">O analista no seu ofício, poderá então, com a atitude de um verdadeiro alquimista, abrir-se para provar da amargura do seu próprio ser, buscando oferecer espaço para o não saber, permitindo a descoberta no tempo da alma e proporcionando dessa forma uma clínica, sem conceitos previamente construídos, crenças ou diagnósticos predeterminados, colocando-se na posição de quem quer descobrir junto, abrindo-se ao desconhecido, como quem ajoelha frente ao forno alquímico e está aberto a viver o mistério.</p>



<p style="font-size:18px">Alguns argumentariam que esses são textos defasados, provados cientificamente incorretos ou pseudociência. Nesse artigo, vamos discutir de forma introdutória, um dos muitos aspectos interessantes de textos alquímicos e como Jung os relacionou com a prática da clínica analítica.&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">Para iniciarmos a compreensão do conteúdo de tais textos alquímicos, vamos primeiramente buscar em Jung o conceito de inconsciente coletivo; esse, faz referência a existência de uma parte inconsciente que não procede de natureza individual, mas sim universal e possui, portanto, “conteúdos e modos de comportamento, os quais são&nbsp;<em>cum</em>&nbsp;<em>granos salis</em>&nbsp;os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos.” (Jung, 2012, §3), esses conteúdos do inconsciente coletivo são chamados por Jung de arquétipos.&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">Podemos encontrar representações de conteúdos arquetípicos em diferentes fontes, como por exemplo tradições de povos originários, mitos, contos de fadas, antigos textos religiosos e na alquimia. Através de uma leitura psicológica dessas imagens arquetípicas, entendemos que a esfera psíquica é comum a todos os seres humanos e independe de lugar, tempo ou espaço.&nbsp;&nbsp;Percebemos, porém, que essas imagens podem estar mais ou menos influenciadas pelo contexto histórico social do momento em que são relatadas, e é justamente por isso que essas manifestações e representações assumem formas diferentes.</p>



<p style="font-size:18px">Os textos alquímicos e os alquimistas, por sua vez, tinham uma atitude diferente frente à essas imagens inconscientes, nos explica Von Franz, “(&#8230;) em alquimia as projeções eram feitas de modo sumamente ingênuo e sem programação, e não passavam por qualquer forma de correção.” (Von Franz, 2022, p.35), dessa forma, entendemos uma importante diferença entre o material dos textos alquímicos e outros, isto é, os alquimistas não tinham em geral, uma intenção, crença ou tradição definida ao olhar para certo fenômeno ou imagem inconsciente. Portanto, há muito o que aprender com os alquimistas e a sua atitude frente ao seu trabalho, sua obra, o&nbsp;<em>opus alchymicum</em>.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading is-style-large" id="h-os-alquimistas-nos-convidam-a-olhar-para-nossos-conteudos-e-comportamentos-com-a-curiosidade-e-dedicacao-de-quem-olha-para-uma-barra-de-metal-e-se-pergunta-e-se-eu-colocar-isso-no-forno-o-que-sera-que-acontece" style="font-size:18px">Os alquimistas nos convidam a olhar para nossos conteúdos e comportamentos com a curiosidade e dedicação de quem olha para uma barra de metal e se pergunta: e se eu colocar isso no forno, o que será que acontece? </h2>



<p style="font-size:18px">Essa curiosidade frente aos nossos conteúdos internos, nos ajuda a questionar, por exemplo, opiniões formadas pouco flexíveis e ao olhar para nossos conteúdos com a curiosidade e a dedicação de um alquimista. Poderemos assim, abrir então&nbsp;novas possibilidades e formas de viver, o que está diretamente relacionado ao “dissolve e coagula”, duas operações que em muitos textos resumem a obra alquímica (Edinger, 2006, p.67).&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">O trabalho alquímico muitas vezes vai exigir paciência e lentidão, por exemplo, trabalhar com muito cuidado, para não queimar o conteúdo que está sendo aquecido. Às vezes, o fogo alto pode ser agressivo demais, buscamos portanto uma alternativa,&nbsp;seria&nbsp;possível então aquecer com de esterco de cavalo, por exemplo, diz o autor anônimo do<em>&nbsp;<strong>Rosarium Philosophorum</strong></em>, “<em>[segundo]</em>&nbsp;Aphidius: o cozimento com o fogo que eu te mostrarei consiste em fechar em esterco úmido de cavalo que é o fogo dos sábios, húmido e escuro. É quente em seu segundo grau, e húmido em primeiro.” (Anônimo, sem data. Tradução da autora.)</p>



<p style="font-size:18px">A paciência e a lentidão são parte do ofício, “<em>Eu, porém, descrevi a obra até o fim, apesar de nunca a ter visto. Sei que a obra chega necessariamente a essa natureza. E é impossível saber se não a aprende de Deus ou de um professor que a ensine. E deve saber que é um caminho muito longo. A paciência e a lentidão, são então, indispensáveis no nosso ofício</em>.”(Anônimo, sem data.&nbsp;Tradução da autora.).</p>



<p style="font-size:18px">Não se engane porém, já que, pode sim ser necessário, em dado momento, cozinhar rápido e com o fogo alto, mas a situação será analisada de antemão e a melhor forma de agir será eleita, de acordo com a situação individual e única que se apresentar. Entendemos dessa forma que não existe um só método ou uma forma padrão de trabalhar com esses conteúdos.</p>



<p style="font-size:18px">O espírito do nosso tempo, porém, pode nos pedir que façamos justamente o contrário, que sejamos padronizados, encaixados, embotados, produtivos e adaptados. O que, geralmente, não nos deixa espaço para essa atitude de curiosidade frente a si mesmo, ou seja, olhar para nossos complexos, nossa sombra. </p>



<p style="font-size:18px">Em tempos de inteligência artificial, onde as interações, os textos e as relações se tornam cada vez mais plásticas, estruturadas e padronizadas, resta pouco espaço para dúvidas, já que a inteligência artificial responde. <strong>Byung-Chul Han</strong>, por exemplo, descreve a atitude da nossa sociedade como a sociedade do desempenho, ele diz: “<em>A sociedade do século XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho</em>.” (Han, 2015, p. 16).</p>



<p style="font-size:18px">A atitude dos alquimistas e, portanto, o que a análise junguiana tem a oferecer,&nbsp;acaba indo&nbsp;de encontro a esses preceitos padronizantes do nosso tempo; dentro da clínica buscamos oferecer espaço para o não saber, permitindo a descoberta no tempo da alma. A clínica junguiana é dissidente, vai no oposto do que é pregado no templo do instagram, e por isso o analista não promete resultados ou alega conhecer o caminho de antemão.&nbsp;</p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-o-papel-do-analista-na-analise-nbsp" style="font-size:20px"><strong>O papel do analista na análise&nbsp;</strong></h1>



<p style="font-size:18px">Ao entender que cada processo é único e exige seu próprio tempo e metodologia, podemos pensar no papel do analista, que, portanto, vai precisar da curiosidade e dedicação de um alquimista dentro da sua prática clínica com cada paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-nos-explica-jung" style="font-size:18px">Como nos explica Jung:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:15px">
<p style="font-size:19px"><em>“Se, na qualidade de psicoterapeuta, eu me sentir como autoridade diante do paciente e, como médico, tiver a pretensão de saber algo sobre a sua individualidade e fazer afirmações válidas a seu respeito, estarei demonstrando falta de espírito crítico, pois não estarei reconhecendo que não tenho condições de julgar a totalidade da personalidade que está lá à minha frente. Posso fazer declarações legítimas apenas a respeito do ser humano genérico, ou pelo menos relativamente genérico.” (Jung, 2011, §2)</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">Vamos descobrindo que é parte do ofício do analista entender que não é possível dizer ao outro,&nbsp;que sua forma de existir no mundo ou suas crenças não lhe servem ou que a individuação é por outro caminho, uma vez que entendemos não existir um só caminho ou forma de se portar no mundo, nas palavras de Guggenbühl-Craig: </p>



<h2 class="wp-block-heading is-style-default" id="h-o-verdadeiro-eros-nao-tem-nada-a-ver-com-a-vontade-de-impor-nosso-proprio-plano-e-nossas-proprias-ideias-sobre-os-outros-guggenbuhl-craig-2004-p-23" style="font-size:19px"><em>“O verdadeiro eros não tem nada a ver com a vontade de impor nosso próprio plano e nossas próprias ideias sobre os outros” (Guggenbühl-Craig, 2004, p. 23)</em></h2>



<p style="font-size:18px">Entendemos&nbsp;que ninguém busca tornar-se analista porque não gosta de ajudar as pessoas, o desejo de ajudar é verdadeiro, porém o desejo genuíno de ajudar precisa ser educado, não sabemos na posição de analista o que é benéfico ou maléfico para nossos clientes, ou seja, se um conteúdo precisa cozinhar no fogo alto e seco ou no esterco úmido, as regras e o ajuste sob os quais uma pessoa vive podem ser necessários a sua própria sobrevivência em um dado momento de sua vida.&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">Dentro de um&nbsp;<em>vas bene clausum</em>&nbsp;(um vaso hermeticamente fechado)&nbsp;dentro do qual acontece o processo de análise, a clínica (os clientes) afetam o analista assim como o analista afeta a clínica, talvez essa seja a nossa forma de entender a transferência e contratransferência, ou como diz Guggenbühl-Craig “as psiques do terapeuta e do paciente começam a se afetar mutuamente.” (Guggenbühl-Craig, 2004, p. 46) e reconhecer que essa relação&nbsp;é imprescindível para o trabalho do analista.&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">Dessa forma é parte do trabalho de análise conectar-se com o cliente profundamente, um encontro íntimo, que do latim,&nbsp;<em>intimus</em>, “interior, o que é de dentro”&nbsp;e&nbsp;para isso, o analista precisa estar disposto a provar da amargura do seu próprio ser, como coloca von Franz&nbsp;&nbsp;“O lampejo que se obtém ao olharmos para nós mesmos é geralmente muito amargo, sendo por isso que poucas pessoas o tentam; é pikros &#8211; azedo &#8211; porque corroí e porque é deveras desagradável para as ilusões da consciência.” (Von Franz, 2022, p.152).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-sobre-a-relacao-entre-cliente-e-analista-jung-nos-alerta-nbsp" style="font-size:18px">Ainda sobre a relação entre cliente e analista, Jung nos alerta:&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>“Poderíamos dizer, sem grande exagero, que mais ou menos metade de cada tratamento em profundidade consiste no autoexame do médico, porque ele só consegue pôr em ordem no paciente aquilo que está resolvido dentro de si mesmo.” (Jung, 2011, §239).&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">É esperado, portanto, que o analista esteja profundamente comprometido com o seu próprio trabalho de análise pessoal, tornando-se cada vez mais capaz de reconhecer, ou seja, tornar-se consciente, de suas crenças pessoais e ideais morais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sanford-nos-diz-nbsp" style="font-size:18px"><strong>Sanford </strong>nos diz,&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>“[&#8230;] ao invés de se lutar pelos mais altos ideais morais (ainda que ideias morais também sejam importantes), enfatiza-se a luta por melhor autoconhecimento, na crença de que os ideais e os valores morais do homem só são efetivos no contexto de sua consciência.” (Sanford, 2021, p. 36)&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">Sendo portanto, como analistas, capazes de reconhecer que dentro de uma vontade de liberar um paciente de suas tendências vistas como desfavoráveis e prejudiciais, corremos o risco&nbsp;de nos tornarmos&nbsp;ditadores da liberdade.&nbsp;</p>



<p style="font-size:18px">Assim além de aprendermos com os antigos alquimistas como podemos nos transformar, também aprendemos como podemos construir uma prática clínica sem conceitos previamente construídos, crenças ou diagnósticos predeterminados, que transcende a persona, entendemos a importância de estar na posição de quem quer descobrir junto, abrindo-nos ao desconhecido, como quem ajoelha frente ao forno alquímico e está aberto a viver o mistério.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A atitude do alquimista e a clínica junguiana" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/sDDIC1Y7Bps?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/raisa-barcellos/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/raisa-barcellos/">Raísa Barcellos Nepomuceno &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Balestrini &#8211;&nbsp;Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p><strong>Fonte da imagem</strong>: <em>Mutus Liber</em>&nbsp;(1702). Imagem colorida. Alchemy Website. Disponível em:<a href="https://www.alchemywebsite.com/prints_series_mutus.html"></a><a href="https://www.alchemywebsite.com/prints_series_mutus.html">https://www.alchemywebsite.com/prints_series_mutus.html</a></p>



<p><strong>ANÔNIMO.</strong>&nbsp;<em>Rosarium Philosophorum &#8211;&nbsp;</em>El rosario de los filósofos: segunda parte de la alquimia. De la verdadera forma de preparar la piedra filosofal. [sem local], [sem editora], [sem data]. PDF.&nbsp;</p>



<p>EDINGER, Edward F. Anatomia da psique: o simbolismo alquímico na psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<p>GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf.&nbsp;<em>O abuso do poder na psicoterapia.</em>&nbsp;São Paulo: Paulus, 2004.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.&nbsp;</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Prática da psicoterapia. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>VON FRANZ, Marie-Louise. Alquimia. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2022.</p>



<p>SANFORD, John A. O mal: o lado sombrio da realidade. São Paulo: Paulus, 2021</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Jardineiros vs. Mecânicos da Alma: Uma Escolha de Carreira com Consequências Cósmicas </title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/jardineiros-vs-mecanicos-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 10:41:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A senda da psicoterapia analítica junguiana é, com todo o charme e as idiossincrasias, a do jardineiro da Alma. Para o jardineiro, a alma não é uma máquina enferrujada, mas um ecossistema vivo, caótico, surpreendentemente fértil e, por incrível que pareça, curativo. Como se a alma fosse um jardim secreto com dragões e borboletas, e [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-senda-da-psicoterapia-analitica-junguiana-e-com-todo-o-charme-e-as-idiossincrasias-a-do-jardineiro-da-alma" style="font-size:20px"><strong><em>A senda da psicoterapia analítica junguiana é, com todo o charme e as idiossincrasias, a do jardineiro da Alma.</em></strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Para o jardineiro, a alma não é uma máquina enferrujada, mas um ecossistema vivo, caótico, surpreendentemente fértil e, por incrível que pareça, curativo. Como se a alma fosse um jardim secreto com dragões e borboletas, e não um carburador entupido.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Nesta visão poética e funcional, <strong>o sintoma não é um erro de fabricação; é uma planta inesperada que brota do solo para sinalizar algo vital sobre a terra interior</strong>. Talvez falte um nutriente essencial (sentido, propósito, aquela paixão que faz o olho brilhar). Talvez o solo esteja envenenado (um trauma não digerido, uma dor antiga, ou o fato de estarmos num caminho que só a sanidade duvida). Ou talvez seja apenas uma flor selvagem e rara que o jardim &#8220;civilizado&#8221; da consciência ainda não aprendeu a reconhecer, porque, vamos combinar, a gente é meio cego para a beleza que não vem com manual de instruções.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A angústia, essa velha amiga barulhenta, não é um defeito a ser calado, mas a energia da transformação represada, a água de um rio que busca, desesperadamente, um novo leito para correr. O trabalho do jardineiro, portanto, não é arrancar a planta (ai, que pecado!) ou represar a água (que perigo!), mas entender o solo. É um ato de integração, de ouvir a natureza, de sujar as mãos com a terra da própria existência, sabendo que a vida gosta de crescer, e a alma, de florescer.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-trono-vazio-e-o-velho-principio-ordenador-ou-por-que-o-rei-precisa-de-ferias-nbsp" style="font-size:20px"><strong>O Trono Vazio e o (Velho) Princípio Ordenador: Ou por que o Rei Precisa de Férias</strong>&nbsp;</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Existe um &#8220;rei&#8221; ou &#8220;pai&#8221; simbólico em nossa psique que, por mais bem-intencionado que seja, pode se tornar uma tirania</strong>. Não é só uma figura; é um princípio ordenador, aquela lógica fria que exige provas, desconfia da intuição e adora um dogma – seja ele científico, religioso ou cultural. Ele oferece a segurança de uma resposta pronta em troca da liberdade da pergunta viva, aquela que arrepia a espinha. É a voz da sociedade que dita o &#8220;normal&#8221; e patologiza o desvio sagrado, transformando a autenticidade em um diagnóstico.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A psicologia comportamental e a psicofarmacologia, em suas formas mais reducionistas, são as guardas leais deste rei. Elas veem a alma como uma máquina com peças defeituosas. Para elas, o sintoma é um erro no código (Ctrl+Z, por favor!). A angústia é um desequilíbrio químico (um &#8220;remédio para isso, por favor!&#8221;). O propósito? Ah, isso é um conceito irrelevante, algo para poetas e gente que não tem o que fazer. A solução delas é a do mecânico: trocar a peça, ajustar o parafuso, reescrever o código. É um ato de supressão disfarçado de cura, como se a alma fosse um motor de carro e não um cosmos em miniatura.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-um-tempo-que-insiste-em-nos-transformar-em-maquinas-de-produtividade-e-em-nos-ajustar-com-a-quimica-da-adaptacao-uma-verdade-ancestral-ecoa-das-profundezas-quase-rindo-da-nossa-ingenuidade" style="font-size:19px"><strong>Em um tempo que insiste em nos transformar em máquinas de produtividade e em nos ajustar com a química da adaptação, uma verdade ancestral ecoa das profundezas, quase rindo da nossa ingenuidade</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Somos levados a crer que o pensamento é uma ferramenta, um produto do nosso &#8220;eu&#8221; consciente, a ser otimizado para o rendimento e o prazer fugaz. Mas, como Jung poeticamente nos ensina, o pensamento, em sua origem, não é invenção; é revelação.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Ele não brota de nós; ele nos acontece, como um relâmpago que ilumina a paisagem interior. É uma voz que precede o Ego, uma realidade que se impõe, vinda de um oceano de consciência onde nosso &#8220;eu&#8221; é apenas uma ilha, e não o continente. Esta é a linguagem da alma, aquela que a psicofarmacologia e a psicologia comportamental, em sua ânsia por controle e estruturas basilares, tentam silenciar, tratando o espírito como um defeito a ser corrigido, e não como uma fonte a ser ouvida. É uma pena, pois poderiam aprender tanto!&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Vivemos sob o jugo de uma consciência que ainda não atingiu seu cume, presa aos tronos vacilantes de símbolos antigos – o pai, o rei, a autoridade externa. A verdadeira jornada da alma, portanto, não é a da adaptação ao mercado e seus &#8220;influencers&#8221; de performance, mas a da rebelião sagrada. É o ato de, na linguagem dos sonhos e da vida, permitir que esse rei simbólico morra. Afinal, em sua majestade, ele talvez estivesse apenas precisando de umas boas férias&#8230; ou de uma aposentadoria forçada para o bem da monarquia interior.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Apenas no silêncio do seu trono vazio, a alma deixa de ser um fenômeno a ser estudado (e dissecado!) e se torna a voz que, finalmente, pode nos guiar</strong>. Não para produzir mais, mas para ser mais. <strong>A morte do rei não é o fim da história, é a grande cura; é o início da jornada</strong>. É o momento em que a alma, por tanto tempo uma província colonizada pela razão e pelo dogma, declara sua independência, levantando a bandeira da totalidade e, quem sabe, de uma boa gargalhada para celebrar a liberdade diante do mistério que virá.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Analogia Para Iluminar (e um pouco de drama):</strong> No reino da Psique, a Anima e o Animus são figuras arquetípicas específicas e poderosas, como sacerdotisa ou velho sábio, uma feiticeira ou um mago &#8211; guias misteriosos. Eles não são a magia do reino (essa é a Alma), mas são os que manejam e revelam ao regente (o Ego), conduzindo-o por caminhos perigosos, mas necessários para a integridade do reino. São eles que, às vezes, sussurram no nosso ouvido: &#8220;Vai lá, arrisca! A pior coisa que pode acontecer é virar uma boa história&#8230; ou um meme.&#8221;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-mais-psique-alma-anima-e-animus-nbsp" style="font-size:20px"><strong>Um pouco mais – Psique – Alma – Anima e Animus</strong>&nbsp;</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A psicologia, em sua eterna, e por vezes cômica, busca para decifrar esse enigma ambulante que chamamos de ser humano, vez ou outra esbarra em conceitos que, de tão centrais, parecem complexos labirintos construídos pela própria alma em um dia de inspiração caótica. Com a bússola de Carl Gustav Jung em mãos – e um bom senso de humor e conexão com a realidade, para não nos perdermos nas profundezas –, vamos navegar utilizando digressões, metáforas e simbolizações, para tentarmos desvendar os mistérios da Psique, da Alma e dos arquétipos da Anima e do Animus. Afinal, esses são alguns dos conceitos de estudo dessa teoria científica, que tangencia os mistérios metafísicos do nosso existir de forma empírica, e que insiste em se meter onde não é chamada (e que bom que o faz!).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-para-a-psicologia-que-se-atreve-a-olhar-para-a-propria-alma-sem-medo-de-ser-feliz-e-as-vezes-de-se-deparar-com-a-propria-bagunca-nbsp" style="font-size:19px">Em resumo, para a psicologia que se atreve a olhar para a própria alma sem medo de ser feliz (e às vezes, de se deparar com a própria bagunça):&nbsp;</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>A Psique é o campo de estudo total.</strong> O palco, o elenco, a plateia e o bilheteiro. Nosso objeto de estudo que nos atrapalha porque somos nós mesmos. A Borboleta que Sopra: A palavra grega <em>ψυχή</em> (<em>psyché</em>) evoca a borboleta – criatura leve, que simboliza a transformação e a mobilidade da vida psíquica. Mas também se conecta a <em>ψύχειν</em> (<em>psychein</em>), &#8220;soprar&#8221; ou &#8220;bafejar&#8221;, sugerindo um alento, um princípio de movimento, um sopro divino que nos torna, bem, psíquicos. Ou, como diria um bom comediante, &#8220;um sopro de ar fresco&#8230; ou nem tanto, dependendo do dia!&#8221; Se a vida interior fosse um reino, a Psique seria o reino inteiro, com suas terras conhecidas (a consciência do eu, onde a gente arruma a cama e tenta se portar bem) e seus vastos territórios inexplorados e misteriosos (o inconsciente, onde o dragão dorme e as ideias mais malucas nascem). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-e-a-forca-vital-e-autonoma-que-o-anima-ousadia-iridescente-que-nos-tira-do-sofa" style="font-size:19px"><strong>A Alma é a força vital e autônoma que o anima, ousadia iridescente que nos tira do sofá.</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A energia que mantém o show rolando, mesmo quando o roteiro parece não fazer sentido. A Alma (em alemão, <em>Seele</em>), meu caro amigo, não é uma entidade pacata e comportada, sentada em um pedestal. Pelo contrário! Ela é o princípio ativo, autônomo, o dínamo que dá vida à Psique. Uma força motriz que, como um artista excêntrico, é iridescente, vibrante e, por vezes, um tanto quanto traiçoeira. Sua finalidade, acredite se quiser, é nos empurrar para a experiência plena da vida, mesmo que para isso precise nos pregar algumas peças.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-e-aquilo-que-vive-por-si-so-e-gera-vida" style="font-size:19px"><strong>A Alma é &#8220;aquilo que vive por si só e gera vida&#8221;</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">É essa a energia cósmica que seduz a inércia da matéria, convencendo o indivíduo a viver, mesmo que para isso utilize &#8220;ciladas e armadilhas&#8221;, como Jung nos alertava. Ela é a própria serpente do nosso paraíso interior, que não sossega enquanto não nos convence da &#8220;excelência da maçã proibida&#8221; da experiência para o discernimento dos pares de opostos que compõe a integralidade. Sem ela, nos estagnaríamos na maior paixão humana: a inércia. E cá entre nós, quem precisa de tédio quando se pode ter uma aventura existencial, não é?&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A palavra alemã <em><strong>Seele</strong></em> conecta-se ao grego <em>aiolos</em>, que significa &#8220;móvel, colorido, iridescente&#8221;. É a força vital que se move, se transforma e muda de cor, como uma pena de pavão em dia de sol.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus-sao-as-principais-estruturas-arquetipicas-dentro-desse-campo-funcionando-como-uma-ponte-essencial-para-o-autoconhecimento-e-a-integracao" style="font-size:19px"><strong>Anima e Animus são as principais estruturas arquetípicas dentro desse campo, funcionando como uma ponte essencial para o autoconhecimento e a integração.</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">São diretores de palco que, vez ou outra, empurram um ator para a luz do palco, mesmo que ele prefira ficar nos bastidores. No reino da Psique, a Alma seria a própria magia, a força vital que anima todas as criaturas, plantas e rios — até mesmo aqueles rios de lágrimas que nos lavam a alma. É a energia que impede que o reino se torne um deserto estéril, mesmo que isso implique tempestades, terremotos e, ocasionalmente, aquela crise de riso incontrolável no meio de uma situação séria.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus-sao-contrapontos-dos-principios-masculino-e-feminino-distintos-da-alma-em-sua-totalidade" style="font-size:19px">Anima e Animus são contrapontos dos princípios masculino e feminino, distintos da Alma em sua totalidade.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Eles são arquétipos específicos, um programa pré-instalado em nossa psique, que age como ponte e personifica qualidades relacionais, frequentemente projetadas no outro. São aquelas vozes que, às vezes, nos convencem a mandar uma mensagem “sincera” às três da manhã ou a tomar uma decisão que “parece boa na hora”.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">São mediadores entre a <strong>Persona</strong> — estrutura arquetípica necessária para nossa relação com o mundo externo, “construída” pelo nosso Ego teimoso e pressionada pela Sombra, que representa o inconsciente pessoal com seus complexos — e as profundezas do inconsciente coletivo. Anima e Animus são guias, as feiticeiras ou magos; as sacerdotisas misteriosas ou velhos sábios que nos conectam ao nosso centro ordenador, o Si-mesmo (Self), aquela voz sábia que a gente só ouve depois que começamos a deixar de nos esconder naquilo que julgamos saber. Como Jung observou, elas são um “fator” <em>a priori</em> da psique, algo que “emerge espontaneamente em humores, reações e impulsos”, uma “vida por detrás da consciência” da qual, por vezes, a própria consciência emerge. Ou seja, elas são figuras ancestrais que sabem mais do que a gente!&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">Na psique masculina, a <strong>Anima </strong>é o arquétipo do feminino interior, a personificação de todos os traços femininos que, por pura desatenção social, permaneceram inconscientes. É como o lado “macio” do homem, que ele tenta esconder na frente dos amigos. Na psique feminina, essa função é elegantemente cumprida pelo Animus, o masculino interior, que é uma espécie de versão do “durão”, mas que, no fundo, só quer ser compreendido.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-o-que-e-tocado-pela-anima-ou-pelo-animus-se-torna-numinoso-magico-perigoso-incondicional-e-sim-tabu" style="font-size:19px"><strong>Tudo o que é tocado pela Anima ou pelo Animus se torna numinoso</strong>: mágico, perigoso, incondicional e, sim, tabu.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">São as “serpentes no paraíso” que seduzem para a vida e para o conhecimento, desafiando a ordem estabelecida. Jung nos lembra que elas “não estão totalmente erradas; pois a vida não é somente o lado bom, é também o lado mau. Porque aspiram à vida, que é sinônimo de troca, elas querem o bom e o mau.” Elas são aquele impulso irresistível que nos leva a explorar o desconhecido, mesmo que haja uma placa gigante escrita “Perigo!” — e depois rir do tombo.&nbsp;</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5">A Psique é ambivalente, multifacetada, querendo tanto o bem quanto o mal. Mas não por maldade, e sim porque seu objetivo não é a moralidade cartesiana, mas a totalidade da experiência. Ela é a inimiga jurada da estagnação, da unipolaridade, da inércia e daquela &#8220;razoabilidade&#8221; chata que insiste em limitar a vida a uma planilha de Excel.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Ter alma, portanto, é ter &#8220;a ousadia da vida&#8221; – e isso inclui a coragem de ser imperfeito, desorganizado, ocasionalmente hilário e ter a coragem de confrontar os códigos de costume moral.&nbsp;</strong></p>



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<iframe title="Artigo novo: Jardineiros vs. Mecânicos da Alma: Uma Escolha de Carreira com Consequências Cósmicas" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/NneUIwdL7D8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p></p>
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		<title>É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/e-possivel-usar-o-pensamento-junguiano-para-fazer-a-analise-de-criancas-e-adolescentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jun 2025 12:45:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Você já pensou em como a psicologia junguiana pode ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes? Neste artigo, exploro a intersecção entre a psicologia analítica de Carl Jung, a educação transformadora de Paulo Freire e o desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferecendo uma abordagem única para a terapia de crianças, adolescentes e jovens. Com mais [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Resumo: <strong>Você já pensou em como a psicologia junguiana pode ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes? </strong>Neste artigo, exploro a intersecção entre a psicologia analítica de Carl Jung, a educação transformadora de Paulo Freire e o desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferecendo uma abordagem única para a terapia de crianças, adolescentes e jovens. Com mais de 30 anos de experiência como educadora, psicopedagoga e agora como analista, compartilho insights sobre como integrar essas perspectivas para promover o autoconhecimento, a autonomia e a transformação social.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apos-mais-de-tres-decadas-em-sala-de-aula-convivendo-com-criancas-adolescentes-familias-e-o-complexo-mundo-da-escola-comecei-a-perceber-que-o-que-acontecia-ali-ia-alem-do-que-os-olhos-podiam-ver" style="font-size:19px">Após mais de três décadas em sala de aula, convivendo com crianças, adolescentes, famílias e o complexo mundo da escola, comecei a perceber que o que acontecia ali ia além do que os olhos podiam ver.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Comportamentos repetitivos, desenhos carregados de símbolos, silêncios profundos, explosões de raiva&#8230; tudo isso me fazia perguntar: o que mais está sendo dito aqui, por trás do que é visível? Foi quando me aproximei da psicologia de Carl Gustav Jung e encontrei uma linguagem que parecia traduzir aquilo que eu intuía, mas não conseguia nomear.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-via-o-inconsciente-nao-apenas-como-algo-que-carregamos-por-dentro-mas-como-um-campo-vivo-cheio-de-imagens-e-significados-que-nos-atravessam-mesmo-sem-sabermos" style="font-size:19px">Jung via o inconsciente não apenas como algo que carregamos por dentro, mas como um campo vivo, cheio de imagens e significados que nos atravessam, mesmo sem sabermos.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ele afirmava que “o Self é a totalidade da personalidade, que abrange o consciente e o inconsciente; é o centro regulador da psique” (JUNG, 1976, p. 167). Mesmo na infância, esse Self está se desenhando, e as crianças nos mostram isso de formas simbólicas e espontâneas.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao longo da minha experiência como educadora e psicopedagoga e, mais recentemente, como analista junguiana, percebo que a jornada de compreender o desenvolvimento de crianças e adolescentes é multifacetada, desafiadora e profundamente transformadora. Durante mais de 30 anos como professora, trabalhei com famílias e jovens de diferentes realidades, observando não apenas as questões acadêmicas, mas também as psicológicas e emocionais que se manifestam de forma evidente ou oculta. Em muitos casos, os desafios enfrentados pelos jovens eram tão profundos quanto suas dificuldades acadêmicas, exigindo mais do que apenas uma abordagem pedagógica convencional.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">No contexto da psicologia junguiana, podemos considerar essas questões não resolvidas como símbolos e imagens do inconsciente que, quando trabalhados, podem promover uma integração emocional e psicológica, resultando em um desenvolvimento saudável e equilibrado. Ao integrar a perspectiva junguiana com os pensamentos de Paulo Freire e Piaget, podemos criar uma abordagem terapêutica que favoreça a autonomia, o autoconhecimento e a transformação social de crianças e adolescentes e de suas famílias.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Recordo-me de um aluno que só desenhava labirintos, com linhas complexas e sempre sem saída.</strong> Não era apenas distração: era expressão. Como dizia Jung, “<strong>as imagens do inconsciente possuem vida própria, e aparecem nos sonhos das crianças de forma viva, direta e transformadora</strong>” (JUNG, 2013, p. 41).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aprendi-que-como-educadora-eu-nao-precisava-interpretar-mas-escutar-escutar-as-imagens-os-gestos-os-silencios" style="font-size:19px">Aprendi que, como educadora, eu não precisava interpretar, mas escutar — escutar as imagens, os gestos, os silêncios.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Este texto visa expandir a ideia de como podemos usar o pensamento junguiano para a terapia de crianças e adolescentes, considerando as contribuições do filósofo Paulo Freire e do psicólogo Jean Piaget. A intersecção desses pensadores oferece uma abordagem rica para o desenvolvimento integral também dos adolescentes. Através desta vivência como educadora e terapeuta, observo que essas perspectivas não apenas se complementam, mas oferecem uma base sólida para uma prática terapêutica que respeite o processo de individuação e crescimento das crianças e adolescentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jean-piaget-nos-ensinou-sobre-os-estagios-do-desenvolvimento-cognitivo-da-crianca-e-como-ela-constroi-o-pensamento-atraves-da-acao" style="font-size:19px"><strong>Jean Piaget</strong> nos ensinou sobre os estágios do desenvolvimento cognitivo da criança e como ela constrói o pensamento através da ação.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ele dizia: “<strong>A criança é um ser que constrói progressivamente suas estruturas cognitivas, através da ação sobre o mundo</strong>” (PIAGET, 1975, p. 14). Mas, se Piaget nos ofereceu as bases para entender como a criança pensa, Jung nos ajuda a entender o que ela sente e como expressa isso de forma simbólica.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A psicologia analítica de Carl Gustav Jung oferece uma lente profunda para compreender o inconsciente e os processos de desenvolvimento que ocorrem durante a infância e adolescência. Em sua teoria, Jung (1959) introduziu o conceito de arquétipos, que são imagens primordiais do inconsciente coletivo. Esses arquétipos emergem em sonhos, mitos e histórias culturais, refletindo as experiências universais da humanidade.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Para<strong> Jung</strong>, a infância é um momento crucial no desenvolvimento da psique, é quando a criança começa a entrar em contato com esses arquétipos e a formar uma base psíquica para seu futuro. Ele sugere que, por meio do processo de individuação, a criança, o jovem e o adulto aprendem a integrar os aspectos inconscientes da psique, o que é essencial para o nosso equilíbrio emocional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-dizia-que-o-jogo-infantil-e-o-trabalho-da-crianca-e-por-meio-do-brincar-que-ela-expressa-e-elabora-conteudos-inconscientes-jung-2000-p-88" style="font-size:19px">Jung dizia que “<strong>o jogo infantil é o trabalho da criança. É por meio do brincar que ela expressa e elabora conteúdos inconscientes</strong>” (JUNG, 2000, p. 88).</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Muitas vezes, o que vemos no brincar é a tentativa da criança de organizar o caos interno, de ensaiar soluções simbólicas para os conflitos reais que enfrenta.</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A utilização da psicologia analítica com crianças e adolescentes é extremamente valiosa, pois possibilita a interpretação simbólica dos conteúdos inconscientes que emergem em seus comportamentos e sonhos. Por exemplo, os sonhos podem ser analisados como manifestações do inconsciente da criança e de sua carga transgeracional, refletindo os medos, desejos e conflitos internos que ela ainda não consegue expressar verbalmente. Jung acreditava que, ao permitir que a criança se conectasse com esses conteúdos simbólicos, a terapia proporcionaria uma oportunidade de transformação emocional e psicodinâmica, ajudando-a a integrar seus aspectos inconscientes de maneira saudável e construtiva.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Além disso, a psicologia junguiana também enfatiza a importância da relação terapêutica como um espaço seguro para o processo de individuação. Quando a criança sente que pode ser autêntica e explorar seus sentimentos sem julgamento, ela começa a entender melhor suas próprias motivações e emoções. Isso é fundamental para o desenvolvimento emocional e psicológico de crianças e adolescentes, que frequentemente se encontram em um momento de busca por identidade, pertencimento e autoconhecimento.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O pedagogo <strong>Paulo Freire</strong> (1996) é amplamente reconhecido por sua abordagem educacional libertadora, que defende a conscientização e o protagonismo dos educandos no processo de aprendizagem. Para Freire, a educação deve ser um espaço de diálogo e transformação, onde o educador e o educando se tornam sujeitos ativos da construção do conhecimento. Essa perspectiva tem grande relevância na psicoterapia, pois ela reconfigura a relação entre o terapeuta e o paciente, enfatizando a importância da troca e da escuta atenta. Ao adotar a visão de Freire, a psicoterapia junguiana se torna mais do que um processo de interpretação e análise simbólica: ela se transforma em um espaço de liberdade, onde a criança ou o adolescente pode reescrever suas histórias e integrar suas experiências de maneira autêntica e transformadora.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Paulo Freire, em sua profunda defesa da escuta e do diálogo, dizia que “<strong>ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo</strong>” (FREIRE, 1987, p. 78). Essa visão do educador como alguém que escuta, acompanha e respeita o tempo e o saber do outro é profundamente compatível com o olhar junguiano.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando Freire fala da “palavra como práxis” (FREIRE, 1996, p. 42), penso imediatamente nos símbolos que emergem nas falas das crianças e adolescentes. Não são apenas palavras: são imagens vivas que revelam seu mundo interior. O educador, nesse contexto, não precisa dar respostas, mas sustentar perguntas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-que-o-ambiente-ao-redor-da-crianca-influencia-diretamente-na-formacao-do-self-ele-dizia-se-o-ambiente-externo-nega-a-expressao-do-self-a-crianca-tende-a-desenvolver-uma-persona-fragil-ou-um-ego-defensivo-prejudicando-a-integracao-de-sua-totalidade-jung-2013-p-121" style="font-size:19px">Jung acreditava que o ambiente ao redor da criança influencia diretamente na formação do Self. Ele dizia: “<strong>Se o ambiente externo nega a expressão do Self, a criança tende a desenvolver uma persona frágil ou um ego defensivo, prejudicando a integração de sua totalidade</strong>” (JUNG,2013, p.121).</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A escola, assim como a família, pode ser espelho ou máscara. Pode ajudar a criança a se encontrar ou forçá-la a se esconder. Paulo Freire também alertava para isso: “A opressão nega a vocação ontológica do ser humano para a plenitude” (FREIRE, 1987, p. 33). Precisamos de escolas que acolham o símbolo e a diferença, que escutem o silêncio e permitam o tempo da alma.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao longo dos anos, fui fazendo registros de alguns desenhos de crianças, uma espécie de mapa com símbolos que surgiam em sala de aula. Crianças que desenhavam dragões, adolescentes que escreviam poesias sobre abismos, alunos que falavam com pedras como se fossem oráculos e adultos que sonhavam com ondas gigantes e avassaladoras. Não eram apenas brincadeiras: eram manifestações da alma. Jung dizia que “o símbolo é a melhor expressão possível de algo que ainda não pode ser totalmente conhecido ou racionalizado” (JUNG,1976, p.159).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Essas expressões me ensinaram e me ensinam até hoje, mais do que qualquer diagnóstico. Elas exigem sensibilidade e presença, não apenas técnica. A escuta simbólica, o diálogo verdadeiro e o respeito ao tempo da psique são ferramentas essenciais para quem trabalha com crianças e adolescentes. A psicologia junguiana, quando aliada à pedagogia freiriana e aos aportes de Piaget, nos oferece um caminho mais humano, mais profundo e mais integrador. Como educadora, não interpretei imagens, mas caminhei com elas. Não diagnostiquei, mas acolhi. Não corrigi sonhos, mas os escutei com reverência. É possível, sim, usar o pensamento junguiano para compreender melhor as infâncias e adolescências — e, quem sabe, curar um pouco da nossa própria criança interior.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Freire acredita que a educação deve promover a liberdade, e isso se aplica perfeitamente à psicoterapia, onde o terapeuta deve criar um ambiente seguro para que o cliente, especialmente uma criança ou adolescente, possa expressar seus sentimentos, pensamentos e experiências sem medo de julgamento.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa relação de confiança e liberdade é essencial para o desenvolvimento psíquico saudável, pois permite que o cliente se conecte com os conteúdos inconscientes que precisam ser trabalhados. No contexto junguiano, isso pode ser feito através da exploração de símbolos e imagens que surgem durante a terapia.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A educação transformadora de Freire não se limita às salas de aula. Ela pode ser aplicada também no espaço terapêutico, onde a criança ou adolescente é convidado a se tornar sujeito de seu próprio processo de cura.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Dessa forma, a psicoterapia junguiana, ao incorporar as ideias de Freire, se torna não apenas uma técnica de cura, mas também um ato de empoderamento, onde a criança ou adolescente aprende a lidar com seus conflitos internos e externos de maneira construtiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-teoria-do-desenvolvimento-cognitivo-de-jean-piaget-1976-e-fundamental-para-compreender-como-as-criancas-constroem-sua-percepcao-do-mundo-ao-seu-redor" style="font-size:19px">A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget (1976) é fundamental para compreender como as crianças constroem sua percepção do mundo ao seu redor.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Piaget propôs que as crianças passassem pelos estágios de desenvolvimento cognitivo, cada um caracterizado por diferentes formas de pensar e entender o mundo. Esses estágios – sensório-motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais – influenciam como as crianças processam informações e resolvem problemas, o que tem implicações diretas para a psicoterapia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-integrar-a-teoria-de-piaget-com-a-psicologia-analitica-de-jung-podemos-ver-como-o-desenvolvimento-cognitivo-das-criancas-e-adolescentes-pode-impactar-o-processo-terapeutico" style="font-size:19px">Ao integrar a teoria de Piaget com a psicologia analítica de Jung, podemos ver como o desenvolvimento cognitivo das crianças e adolescentes pode impactar o processo terapêutico.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Durante o estágio pré-operacional, por exemplo, a criança tende a pensar de forma egocêntrica e simbólica.&nbsp; A terapia junguiana pode ser particularmente eficaz nesse estágio, ajudando a criança a entender e integrar esses símbolos, permitindo-lhe desenvolver uma maior compreensão de si mesma e do mundo.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que a criança avança para os estágios de operações concretas e formais, ela começa a construir raciocínios mais lógicos e abstratos. A psicoterapia junguiana, nesse caso, pode ser usada para explorar as questões mais complexas que surgem com o desenvolvimento da consciência e da identidade. Adolescentes, por exemplo, muitas vezes, enfrentam conflitos internos sobre quem são, qual é o seu papel na sociedade e como se relacionam com os outros. A terapia junguiana pode ajudar a explorar esses temas de maneira profunda, utilizando metáforas e símbolos para facilitar a compreensão e a aceitação de si mesmos, uma boa opção é o uso da Arteterapia e expressões criativas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-minha-experiencia-como-educadora-e-psicopedagoga-juntamente-com-minha-formacao-em-psicologia-analitica-me-permitiu-observar-de-perto-os-processos-de-desenvolvimento-e-os-desafios-enfrentados-por-criancas-e-adolescentes" style="font-size:19px">Minha experiência como educadora e psicopedagoga, juntamente com minha formação em psicologia analítica, me permitiu observar de perto os processos de desenvolvimento e os desafios enfrentados por crianças e adolescentes.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Muitas vezes, percebi que os desafios emocionais e psicológicos de meus alunos estavam diretamente relacionados à sua capacidade de integrar suas experiências e diferentes identidades. Quando esses jovens se deparavam com dificuldades, como dificuldades de relacionamento, de aprendizagem, conflitos familiares ou problemas de autoestima, suas emoções se manifestavam de formas que nem sempre eram compreendidas ou respeitadas.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Agora, como analista, posso perceber claramente o valor de integrar a psicologia analítica na terapia de jovens. A minha prática terapêutica, fundamentada na escuta ativa, na interpretação simbólica e na valorização da autonomia do indivíduo, reflete muito do que Paulo Freire propôs no campo da educação. A liberdade de ser quem se é, a capacidade de transformar-se e de encontrar significado nos próprios desafios são componentes essenciais do processo terapêutico, tanto na educação quanto na terapia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-integracao-da-psicologia-analitica-com-os-conceitos-educacionais-de-freire-e-piaget-me-permite-oferecer-uma-abordagem-integral-que-respeita-o-ritmo-e-as-necessidades-emocionais-e-cognitivas-de-cada-crianca-e-adolescente" style="font-size:19px">Essa integração da psicologia analítica com os conceitos educacionais de <strong>Freire</strong> e <strong>Piaget </strong>me permite oferecer uma abordagem integral, que respeita o ritmo e as necessidades emocionais e cognitivas de cada criança e adolescente.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Cada símbolo, cada arquétipo que emerge no processo terapêutico é visto não apenas como uma manifestação do inconsciente, mas como uma ferramenta para o autoconhecimento e a transformação pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-integrar-a-psicologia-analitica-com-os-pensamentos-de-paulo-freire-e-jean-piaget-cria-um-caminho-rico-e-dinamico-para-a-terapia-de-criancas-e-adolescentes" style="font-size:19px">Integrar a psicologia analítica com os pensamentos de Paulo Freire e Jean Piaget cria um caminho rico e dinâmico para a terapia de crianças e adolescentes.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O processo de individuação proposto por Jung, aliado à abordagem libertadora de Freire e à compreensão do desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferece uma base sólida para a terapia que respeita a individualidade de cada jovem e sua jornada de crescimento. A experiência de ser educadora, psicopedagoga e analista me permite afirmar que essa abordagem integrada é profundamente eficaz no tratamento das questões emocionais e psicológicas que surgem no processo de desenvolvimento das novas gerações.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/zeeXJi7_BeA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Cristina Bedin &#8211; Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>FREIRE, Paulo<em>. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</em>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>



<p>FREIRE, Paulo. <em>Pedagogia do oprimido</em>. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. A natureza da psique.</em> Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Memórias, sonhos, reflexões</em>. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1959.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. O desenvolvimento da personalidade</em>. Petrópolis: Vozes, 2000.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. Tipos Psicológicos</em>. Petrópolis: Vozes, 1976.</p>



<p>PIAGET, Jean. <em>A psicologia da criança</em>. Trad. Francisco R. Bordini. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1976.</p>



<p>PIAGET, Jean. <em>O nascimento da inteligência na criança.</em> Rio de Janeiro: Zahar, 1975.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10571" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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		<title>O início do processo de Análise no contexto da Cultura do Ouvir</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-inicio-do-processo-de-analise-no-contexto-da-cultura-do-ouvir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eugenio Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Nov 2024 11:14:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[ouvir]]></category>
		<category><![CDATA[processo de análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O que leva uma pessoa a iniciar uma terapia? Destacam-se entre as motivações para se buscar um analista (ou terapeuta junguiano) um momento de tomada de decisões, o desejo de autoconhecimento e autoestima ou a constatação de uma falta de propósito (sentido) para a vida. Observando que analista e cliente participam de uma cultura [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Resumo:</em></strong><em> O que leva uma pessoa a iniciar uma terapia? Destacam-se entre as motivações para se buscar um analista (ou terapeuta junguiano) um momento de tomada de decisões, o desejo de autoconhecimento e autoestima ou a constatação de uma falta de propósito (sentido) para a vida. Observando que analista e cliente participam de uma cultura do ouvir, partimos do fato empírico de que nas narrativas do cliente o som gera e integra um determinado ambiente, toca os ouvidos e toda a pele dos envolvidos. Da mesma forma, o analista participa de um ambiente sonoro no qual também amplia as narrativas e desafia o cliente a perceber sua vida interior. Analista e cliente estão cientes, conforme lembra Jung, que a vida começa ou tem de ser conquistada sempre e de novo.</em></p>



<p>Após alguns momentos na sala de espera caracterizada por algumas imagens ou outras expressões artísticas nas paredes, a pessoa que decidiu iniciar um processo de análise, na linguagem cotidiana também chamado de terapia, entra na sala do analista para ser acolhido como ser humano num ambiente no qual duas cadeiras confortáveis integram a poética do espaço, ou melhor, do ambiente vivo e caloroso com pinturas, estatuetas, livros e outras imagens que envolvem “<em>o homem e seus símbolos</em>”.</p>



<p>Não faz ideia de quantas pessoas sentaram nas mesmas cadeiras para, no início do processo, <em>compartilhar</em> (o/a analisando ou cliente) e <em>ouvir</em> (o/a analista) as narrativas ou confissões de suas vidas. Histórias longas que normalmente indicam que estão dispostos a iniciar um caminho no qual são parceiros ativos do analista no processo terapêutico, quer este se desenvolva neste ambiente aconchegante como, em muitos casos, no ambiente mediado pelas telas de aparelhos digitais com outros gestos e/ou imagens geradores (as) da confiança que qualifica a relação terapêutica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-leva-uma-pessoa-a-tomar-esta-iniciativa" style="font-size:18px">O que leva uma pessoa a tomar esta iniciativa?</h2>



<p>Destacam-se entre as motivações para se buscar um analista (ou terapeuta junguiano) um momento de tomada de decisões importantes, uma rearticulação das relações familiares, certa dor profunda, o desejo de autoconhecimento e autoestima, a constatação de uma falta de propósito, (sentido) para a vida escondido sob termos como “estresse profissional, “mudança de profissão”, “crise de uma idade qualquer”, “dificuldades com o/a parceiro” ou “revisão do projeto de vida”. Muitas vezes também se trata de uma indicação médica, de um recurso depois de se buscar vários caminhos terapêuticos ou do fato da pessoa ter chegado a um limite onde não sabe mais a quem pedir ajuda.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-despertar-da-consciencia"><strong>O despertar da consciência</strong></h2>



<p>Os diversos motivos muitas vezes se encaixam em um certo despertar da consciência marcado pela dor. Uma constatação aprofundada, entre outros, pela <strong>Dra. Simone Magaldi</strong>, formadora de analistas junguianos:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-ha-despertar-de-consciencia-sem-dor-as-pessoas-farao-de-tudo-chegando-aos-limites-do-absurdo-para-evitar-enfrentar-a-sua-propria-alma-ninguem-se-torna-iluminado-por-imaginar-figuras-de-luz-mas-sim-por-tornar-consciente-a-escuridao-magaldi-in-magaldi-2022-p-67" style="font-size:16px"><strong>“Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão” (Magaldi <em>in</em> Magaldi, 2022, p. 67).</strong></h2>



<p>Esta afirmação articula diversos textos de Carl Gustav Jung no sentido de que “<strong>não se chega à claridade pela representação da luz, mas tornando consciente aquilo que é obscuro</strong>” (Jung, OC 13, § 335). Trata-se de uma necessidade por parte de pessoas que buscam soluções ou modelos mágicos para conseguir imitar loucamente a vida dos chamados “influenciadores” sorridentes e animados que desfilam incessantemente por imagens digitais acessadas nas telas dos celulares. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-voltemos-a-jung" style="font-size:16px">Voltemos a Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>(&#8230;) o impulso da imitação e a avidez mórbida de apoderar-se da plumagem alheia, pavoneando-se com ela, leva muita gente a fazer uso desse tipo de temas ‘mágicos’, para uso externo como se fossem unguento. Na realidade, não hesitamos em fazer as coisas mais absurdas a fim de escapar à própria alma. Pratica-se a ioga indiana de qualquer escola, seguem-se regimes alimentares, aprende-se de cor a teosofia, rezam-se mecanicamente os textos místicos da literatura universal – tudo isto porque não se consegue mais conviver consigo mesmo e porque falta a fé em que algo de útil possa brotar de nossa própria alma. Pouco a pouco esta última (a alma) tornou-se aquela Nazaré da qual nada de bom se pode esperar; vai-se, portanto, procurá-la nos quatro cantos da terra: quanto mais distante e exótico, melhor.</p><cite>Jung, OC 12, § 126</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-diversos-caminhos-que-levam-um-individuo-a-uma-busca-incessante-por-um-nao-sei-o-que-podem-tambem-ser-expressos-na-discreta-ou-apavorante-pergunta-o-que-quer-minha-alma" style="font-size:16px">Os diversos caminhos que levam um indivíduo a uma busca incessante por um <em>“não sei o quê”</em> podem também ser expressos na discreta ou apavorante pergunta: O que quer minha alma?</h2>



<p>Essa questão destaca-se entre tantas outras que permeiam as veredas das narrativas de vida que são ampliadas pelos analistas que de alguma forma convidam para o autoconhecimento, para a lenta observação do Inconsciente Pessoal e para um mergulho no Inconsciente Coletivo.</p>



<p>Aos poucos, além de ouvir as narrativas, mesmo quando aparentemente superficiais, o analista cria ambiente para uma recordação, memória, ou em termos técnicos, uma anamnese do cliente: suas queixas, os sintomas de diversas dores ditas psicológicas ou do corpo em eventuais problemas respiratórios, circulatórios ou digestórios, os medicamentos que toma, os antecedentes familiares, os relacionamentos em casa e no trabalho, vivências religiosas e espirituais, chegando quando possível ao que <strong>Dra. Lia Rachel B. Romano</strong>, em suas aulas no curso de especialização em Psicossomática do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, amplia através do termo “biopatografia”. Uma linha da vida desde sua infância até hoje assinalando eventos marcantes tanto agradáveis como desagradáveis, referindo a idade que tinha quando eles ocorreram.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-trajeto-aberto-as-imprevisibilidades-dos-acontecimentos-da-ultima-semana-que-preocupam-e-ou-distraem-o-a-cliente-nao-se-limita-a-uma-sequencia-de-estrategias-ou-um-mapa-a-ser-seguido-pelo-analista" style="font-size:16px">Este trajeto, aberto as imprevisibilidades dos acontecimentos da última semana que preocupam e/ou distraem o/a cliente, não se limita a uma sequência de estratégias ou um mapa a ser seguido pelo analista.</h2>



<p>O cliente já familiarizado com o processo de análise junguiana sabe que os sonhos são um dos mais importantes caminhos através dos quais a psique humana se manifesta. Aqueles que desconhecem esta informação serão surpreendidos pela <strong>pergunta do analista</strong>: “Além destas narrativas que você contou deste o início da sessão de hoje, anotou e pode trazer agora para análise um dos seus sonhos? ”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muitas-vezes-os-sonhos-geram-algum-desconforto-psicologico-ou-mesmo-fisico" style="font-size:17px">Muitas vezes os sonhos geram algum desconforto psicológico ou mesmo físico.</h2>



<p>Eles revelam algo mais do que a pessoa aos poucos se recorda de suas memórias, ideias dolorosas e percepções guardadas no seu Inconsciente Pessoal; são oportunidades para um mergulho no denominado Inconsciente Coletivo.</p>



<p>Os sonhos não são interpretados como se, por exemplo, uma escada fosse sinal de subida para algo mais alto. Os analistas junguianos preferem o termo “ampliação” dos símbolos dos sonhos no lugar de uma imediata “interpretação” dos sonhos muitas vezes almejada pelos clientes. Os sonhos são ampliados pelo fato que os vários elementos da narrativa onírica funcionam como símbolos que revelam um grande leque de possibilidades.</p>



<p>Aos poucos os clientes descobrem que suas histórias não são apenas pessoais. Elas fazem parte de um conjunto de imagens arquetípicas que, da mesma forma que os instintos básicos (fome, trabalho, sexualidade, reflexão e criatividade), interligam o desenvolvimento pessoal (ontogenética) com todo o desenvolvido da espécie humana (filogenética). Neste sentido, o <strong>Inconsciente Coletivo</strong>, segundo Jung, “é a formidável herança espiritual do desenvolvimento da humanidade que nasce de novo na estrutura cerebral de todo ser humano” (Jung, OC 8/2, § 342).</p>



<p>Em termos didáticos podemos lembrar que a nossa psique se apresenta como consciente, o ego e as formas como nos apresentamos como persona diante da sociedade, e inconsciente. No inconsciente temos o Inconsciente Coletivo (arquétipos e instintos) e Inconsciente Pessoal (sombras e complexos, que serão tratados em outra oportunidade).</p>



<p>Ao relatar um evento ou um sonho com sua mãe, o cliente tem sua narrativa ampliada por todas as imagens de mãe ou arquétipos, entre eles as narrativas mitológicas, que estão no Inconsciente Coletivo das pessoas das mais diversas culturas. Aqui retomamos as palavras do próprio Jung:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-camada-mais-profunda-que-conseguimos-atingir-na-mente-do-inconsciente-e-aquela-em-que-o-homem-perde-a-sua-individualidade-particular-mas-onde-sua-mente-se-alarga-mergulhando-na-mente-da-humanidade-nao-na-consciencia-mas-o-inconsciente-onde-somos-todos-iguais" style="font-size:16px">A camada mais profunda que conseguimos atingir na mente do inconsciente é aquela em que o homem perde a sua individualidade particular, mas onde sua mente se alarga mergulhando na mente da humanidade – não na consciência – mas o inconsciente, onde somos todos iguais.</h2>



<p>Assim como o corpo tem sua conformação anatômica com dois olhos, duas orelhas, um nariz e assim por diante, e apenas ligeiras diferenças individuais, o mesmo se dá com a mente em conformação básica. <strong>A esse nível não somos mais entidades separadas, somos um</strong>. Podemos compreender isso quando estudamos a psicologia dos povos primitivos (Jung, OC, 18/1, § 87).</p>



<p>Como já frisamos, não há um caminho estabelecido no desenvolvimento do processo de análise junguiana. A partir do fato que não somos, como percebemos no cotidiano, entidades separadas e protagonistas, podemos ampliar com Jung a questão que somos um com todas as pessoas e com todo o ambiente planetário.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cultura-do-ouvir"><strong>Cultura do Ouvir</strong></h2>



<p>Voltando a cena das duas pessoas sentadas frente a frente, em ambiente adequado para atendimento ou no contexto de telas digitais, pode-se frisar a importância do ouvido como órgão do sentido que permite a escuta durante o processo de análise.</p>



<p>Não se trata apenas da distinção popular entre o ouvir biofísico e a poética da escuta como acolhida da fala do outro. Este processo não se limita a troca de iniciativa da fala e da escuta entre os protagonistas ou, muito menos a um intercâmbio de estímulos e respostas.</p>



<p>Partimos da observação empírica que nas narrativas do cliente o som gera e integra um determinado ambiente, toca os ouvidos e toda a pele dos envolvidos. Da mesma forma, o analista participa de um ambiente sonoro no qual também amplia as narrativas e desafia o cliente a perceber sua vida interior, acolher as mensagens do inconsciente, enfim a perceber indícios do que pede seu coração, sua alma.</p>



<p><strong>Em um cenário marcado pelo exagero de imagens repetidas em série nas telas dos celulares, desconectadas de seu ambiente e de sua história, marcadas pela fúria devoradora do tempo que as descarta, corremos o risco de quase não vermos mais nexos, relações e sentidos que marcam o universo sonoro.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-percebemos-que-na-denominada-cultura-do-ouvir-somos-desafiados-a-potencializar-a-capacidade-de-vibracao-do-corpo-diante-dos-corpos-dos-outros-a-ampliar-o-leque-da-sensorialidade-para-alem-da-visao" style="font-size:16px"><strong>Neste contexto, percebemos que na denominada “cultura do ouvir” somos desafiados a potencializar a capacidade de vibração do corpo diante dos corpos dos outros, a ampliar o leque da sensorialidade para além da visão.</strong></h2>



<p>Ir além da racionalidade, que tudo quer ver, para participar de ambientes nos quais os corpos possam ser tocados pelas ondas de outros corpos, pelas palavras que reverberam, pela canção que excita ou acalma, pelas vozes que vão além dos lugares comuns e das tautologias midiáticas (Menezes, 2012).</p>



<p>Enquanto o paladar, o olfato e o tato integram os “sentidos da proximidade”, a audição e a visão integram os “sentidos da distância” (Montagu, 1988, p. 19). Essa distinção ajuda a perceber a importância, na contemporaneidade, dos termos cultura visual e cultura do ouvir, bem como dos problemas gerados pela poluição visual e pela poluição sonora, raízes do padecimento dos olhos cansados ou da surdez: é possível que degustemos muito pouco do que vemos e ouvimos. Ao frisarmos o termo “cultura do ouvir” assumimos o desafio proposto pelo sociólogo alemão Dietmar Kamper quanto a “uma nova época para o ouvir”, isto é, para o cultivo das características do ouvir que “requer o tempo do fluxo como tempo do nexo, das conexões, das relações, dos sentidos e do sentir” (Baitello, 2014, p. 145).</p>



<p>Sabemos que o ouvido, além de acolher os sons, isto é, perceber ondas de compressão e rarefação propagadas através de um meio, também é responsável pela localização dos corpos nos ambientes como uma caverna, uma casa ou uma rua. O som, por sua vez, é uma onda constituída por impulsos mecânicos que se propagam através das partículas de um determinado meio. Assim, o som atinge toda a pele do <em>homo sapiens-demens</em> (Morin, 1979), envolve corpos e objetos, ocupa todas as capilaridades e, ao atingir o ouvido de uma pessoa, faz o tímpano vibrar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-e-possivel-escapar-das-vibracoes-sonoras-da-mesma-forma-como-cerramos-as-palpebras-e-fechamos-os-olhos" style="font-size:18px">Não é possível escapar das vibrações sonoras da mesma forma como cerramos as pálpebras e fechamos os olhos.</h2>



<p><strong>Considerando que os sons implicam a materialidade das ondas que nos envolvem, ondas das quais participamos acrescentando outras ondas, podemos dizer que fisicamente os sons geram um determinado ambiente no qual os envolvidos – corpos e objetos – participam de uma forma compulsória, geralmente não podem escolher de não serem tocados pelos sons.</strong></p>



<p>Da mesma forma que as vibrações sonoras ocupam ambientes no sentido físico do termo, podemos dizer que também geram ambientes comunicacionais nos quais é impossível não participar. Perspectiva que nos lembra do antropólogo estadunidense <strong>Ray Birdwhistell</strong> (1918-1994), para quem os seres humanos não são autores da comunicação, mas participam da mesma. Provavelmente neste sentido é que Jung lembra que o analista que acolhe um sonho de alguma forma participa do mesmo, é tocado, vivencia elementos da narrativa para aos poucos ampliar as imagens apresentadas na fala do cliente, nos sons compartilhados.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-dinamica-envolvente-da-materialidade-dos-sons-gera-ambientes-nos-quais-os-participantes-ou-protagonistas-atuam-extrapolando-as-perspectivas-comunicacionais-por-muito-tempo-estudadas-como-estimulos-e-respostas" style="font-size:16px">A dinâmica envolvente da materialidade dos sons gera ambientes nos quais os participantes ou protagonistas atuam extrapolando as perspectivas comunicacionais por muito tempo estudadas como estímulos e respostas.</h2>



<p>Permite passos para uma observação empírica de um modelo de relações humanas  probabilístico e complexo que vai além de uma perspectiva científica funcionalista e determinista.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aqui-e-importante-observar-que-utilizamos-o-termo-corpo-alinhando-os-processos-filogeneticos-desenvolvimento-da-especie-e-ontogeneticos-desenvolvimento-de-cada-individuo-a-complexidade-biologica-e-a-complexidade-cultural" style="font-size:16px">Aqui é importante observar que utilizamos o termo “corpo” alinhando os processos filogenéticos (desenvolvimento da espécie) e ontogenéticos (desenvolvimento de cada indivíduo), a complexidade biológica e a complexidade cultural.</h2>



<p>Entendemos, como afirma <strong>Maurício Ribeiro da Silva</strong>, que “no contexto da comunicação, o estabelecimento de vínculos em lugar de conexões, de trocas simbólicas em lugar de contatos e o estabelecimento da imaginação aliada à recuperação do corpo, enquanto entidade autônoma parece ser o caminho para a contribuição da área [da comunicação no conjunto das ciências]” (Silva, 2012, p. 146).</p>



<p>Em um fragmento do <em>De anima</em>, Aristóteles (384-322 a.C.) já descrevia o som ocupando o espaço, que ele denomina como “vazio”, e que o sonoro é o que pode mover o ar até o ouvido (Aristóteles, [s/d, 419b33] 2012, 91). O espaço, acima chamado de “vazio”, ou, na nossa leitura, o território comum, o ambiente afetivo é justamente o lugar no qual são estabelecidos e mantidos os vínculos. Assim, “<strong>vincular significa aqui ter ou criar um elo simbólico ou material constituir um espaço (ou um território) comum, a base primeira para a comunicação</strong>” (Baitello, 1997, p. 87).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vinculos-sonoros-e-continuos-recomecos"><strong>Vínculos sonoros e contínuos recomeços</strong></h2>



<p>Nesse caminho trabalhamos com uma concepção de comunicação como atividade vinculadora, isto é, geradora de ambientes de afetividade. O ouvir supõe que o corpo esteja presente em um determinado ambiente, que esteja disposto a tal, situação muito delicada quando constatamos a “perda do presente”, isto é, a dificuldade do homem contemporâneio em estar no lugar e no tempo que está o seu corpo (Kamper, 1995).</p>



<p>O ouvir implica, como já acenamos acima, a lenta aprendizagem do sentir para acolher, tecer conexões ou caminhar em busca “das relações, dos sentidos e do sentir” (Baitello, 2014, p. 145).</p>



<p>O ouvir, como sentido de distância, paradoxalmente faz com que os participantes dos processos de comunicação se sintam próximos, reconheçam-se mutuamente. Da mesma forma que o ouvido é invadido pelas ondas sonoras, o corpo do outro pode ser tocado tanto pelas ondas sonoras como, quando há abertura para isso, de forma tátil no abraço e no afago.</p>



<p>O ouvir implica no que Dietmar Kamper denomina o processo de ampliação da percepção do outro quando muito limitada à visualidade. Enquanto o outro é predominantemente uma imagem, pode ser descartado e substituído pela próxima imagem. A pressa em buscar ou deixar-se invadir pela próxima imagem faz com que o tempo se oponha à vida: o ouvir implica na necessidade de não considerar o tempo como um opositor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-frisando-esta-questao-kamper-ja-alertava-que-a-profundidade-do-mundo-nao-e-para-o-olho-e-quando-o-olhar-penetra-apenas-aumentam-novamente-as-superficies-e-superficialidades-kamper-1995-p-57" style="font-size:16px">Frisando esta questão, Kamper já alertava que “a profundidade do mundo não é para o olho. E quando o olhar penetra, apenas aumentam novamente as superfícies e superficialidades.” (Kamper, 1995, p.57)</h2>



<p>Também com o som temos um problema quando se insiste na repetição das palavras ouvidas, em forma de eco, questão já abordada na narrativa grega da ninfa Eco. Por outro lado, na cultura ocidental contemporânea, o silêncio está reservado aos templos, igrejas, salas de concerto, teatros, cinemas e bibliotecas. Guardar o silêncio, talvez o mais eloquente dos clamores, provavelmente é uma prática mais comum nos países do Oriente que nos países do Ocidente. Christoph Wulf frisa que no silêncio se reorganiza o mundo, a linguagem e o discurso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-silencio-se-transforma-o-sentido-surge-uma-complexidade-enigmatica-na-qual-a-linguagem-trabalha-em-vao-wulf-2008-p-147" style="font-size:17px">“No silêncio se transforma o sentido, surge uma complexidade enigmática na qual a linguagem trabalha em vão.” (Wulf, 2008, p. 147)</h2>



<p>A observação do início do processo de análise e atenção a alguns elementos da denominada cultura do ouvir nos levam a relembrar a busca de alguns clientes por uma espécie de solução ou cura de uma determinada dor. E aqui, voltamos a Jung quando enfatiza que:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>[&#8230;] a análise não é uma ‘cura’ que se pratica de uma vez para sempre, mas, antes do mais e tão somente, um reajustamento mais ou menos completo. Mas não há mudança que seja incondicional por um longo período de tempo. A vida tem que ser conquistada sempre e de novo. [&#8230;] A nova atitude adquirida no decurso da análise mais cedo ou mais tarde tende a se tornar inadequada, sob qualquer aspecto, e isto necessariamente por causa do continuo fluxo da vida, que requer sempre e cada vez mais nova adaptação, pois nenhuma adaptação é definitiva.</p><cite>Jung, OC 8/2, § 142 e 143</cite></blockquote></figure>



<p>A interação entre analista e cliente na prática junguiana estimula a alteridade e contribui para que a singularidade de cada um possa interagir livremente na pluralidade e na diversidade. De acordo com <strong>Waldemar Magaldi</strong>, <strong>a meta da análise é</strong> <strong>capacitar o ego para direcionar a sua libido (energia psíquica) no caminho da autonomia</strong> (Magaldi, 2022, p.14).</p>



<p>Por caminhos sempre abertos ao mistério da vida que não se limita a maneira como a percebemos nos limites das alegrias e dores de cada dia, clientes e analistas percorrem um caminho aberto em busca do que Jung denominou o Mito do Significado da própria vida. Tal busca pelo significado passa pelo engajamento no processo de individuação ou processo de desenvolvimento da personalidade individual. Pela busca de uma sabedoria de vida explicitada em algum propósito existencial ou compromisso social considerando, segundo palavras de Jung muito relembradas por Simone Magaldi, que a vida começa ou tem de ser conquistada sempre e de novo (Magaldi, 2021, p.9; Jung, 8/2, § 142).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;O INÍCIO DO PROCESSO DE ANÁLISE NO CONTEXTO DA CULTURA DO OUVIR&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/Apk63uiEiSE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/eugenio-menezes/">Dr. José Eugenio de O. Menezes – Membro Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p style="font-size:15px">ARISTÓTELES. <strong>De anima.</strong> Trad. Maria C.G. dos Reis. São Paulo: Editora 34, 2012. p. 91.</p>



<p style="font-size:15px">BAITELLO Jr., Norval. A cultura do ouvir. In: BAITELLO Jr., N. <strong>A era da iconofagia.</strong> Reflexões sobre imagem, comunicação, mídia e cultura. São Paulo: Paulus, 2014, p.133-146.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl G. <strong>Psicologia e Alquimia</strong> [OC 12]. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl G. <strong>Estudos Alquímicos</strong>. [OC 13]. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl G. <strong>A natureza da psique</strong>. [OC 8/2]. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl G. <strong>A vida simbólica </strong>[OC 18/1]. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p style="font-size:15px">KAMPER, Dietmar. O padecimento dos olhos. In: CASTRO, Gustavo et.al. <strong>Ensaios de Complexidade</strong>. Porto Alegre: Sulina, 1997.</p>



<p style="font-size:15px">KAMPER, Dietmar. <strong>Corpo. Fantasia. Imagem. Loucura</strong>. In: WULF, Christoph; BORSARI, Andrea (Orgs.). <strong>Cosmo, Corpo, Cultura: Enciclopedia Antropologica</strong>. Milano: Bruno Mondadori, 2002.</p>



<p style="font-size:15px">MAGALDI, E. Simone D. <strong>Ordem e Caos. Uma visão transdisciplinar.</strong> São Paulo: Eleva Cultural, 2021.</p>



<p style="font-size:15px">MAGALDI, Waldemar (Org.). <strong>Fundamentos da Psicologia Analítica</strong>. São Paulo: Eleva Cultural, 2022.</p>



<p style="font-size:15px">MENEZES, J.E.O. <strong>Cultura do Ouvir e Ecologia da Comunicação</strong>. São Paulo: UNI, 2016. Disponível em: &lt; <a href="https://static.casperlibero.edu.br/uploads/2014/07/CULTURA-DO-OUVIR.pdf">https://static.casperlibero.edu.br/uploads/2014/07/CULTURA-DO-OUVIR.pdf</a>&gt;. Acesso em: 12 out. 2024.</p>



<p style="font-size:15px">MENEZES, J.E.O.; CARDOSO, M. (Orgs.). <strong>Comunicação e Cultura do Ouvir.</strong> São Paulo: Plêiade, 2012. Disponível em:&lt; <a href="http://casperlibero.edu.br/mestrado/livros-mestrado/">&nbsp;https://www.usp.br/alterjor/wp-content/uploads/2024/06/Livro-COMUNICACAO-E-CULTURA-DO-OUVIR.pdf/</a>&gt; . Acesso em: 12 out. 2024.</p>



<p style="font-size:15px">MONTAGU, Ashley. <strong>Tocar. O significado humano da pele.</strong> São Paulo: Summus, 1998.</p>



<p style="font-size:15px">ROMANO, Vicente. <strong>Ecología de la Comunicación</strong>. Hondarribia: Editorial Hiru, 2004.</p>



<p style="font-size:15px">SILVA, Maurício Ribeiro da. <strong>Na órbita do imaginário.</strong> Comunicação, imagem e os espaços da vida. São José do Rio Preto: Bluecom; São Paulo: Unip, 2012.</p>
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		<title>Self-book como recurso para acessar Conteúdos Inconscientes durante o processo terapêutico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/self-book-como-recurso-para-acessar-conteudos-inconscientes-durante-o-processo-terapeutico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Nov 2024 11:33:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita terapêutica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[self-book]]></category>
		<category><![CDATA[selfbook]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. Clarice Lispector Resumo: Esse artigo aborda a importância da Escrita Expressiva no processo de autoconhecimento e de transformação pessoal e [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não palavra – a entrelinha – morde a isca, alguma coisa se escreveu. </p><cite>Clarice Lispector</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:16px">Resumo: Esse artigo aborda a importância da Escrita Expressiva no processo de autoconhecimento e de transformação pessoal e como suas propriedades terapêuticas auxiliam na ordenação das ideias e consequentemente a fluidez na comunicação.</p>



<p style="font-size:18px">A escrita expressiva proporciona ao indivíduo compreender os acontecimentos do seu mundo interno e a interagir com o simbolismo das imagens, que são passos fundamentais para a regulação da tensão dos conteúdos Inconscientes e Conscientes da psique.</p>



<p style="font-size:18px">Ela é um potente recurso para produção de imagens, desbloqueio criativo e um meio para propiciar um profícuo e silencioso diálogo com os conteúdos simbólicos que habitam a psique, pois permite que conteúdos psíquicos possam aparecer espontaneamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-que-e-a-escrita-expressiva" style="font-size:19px"><strong>Mas o que é a escrita expressiva?</strong></h2>



<p style="font-size:18px">É necessário ser poeta, ou poetisa, ser escritor, ou repentista?</p>



<p style="font-size:18px">As palavras devem rimar e abordar um assunto com maestria?</p>



<p style="font-size:18px">Não, na escrita expressiva o indivíduo escreve sobre seus sentimentos, pensamentos, afetos, sonhos e tormentos para chegar ao Hades e enfrentar seus aspectos mais sombrios e aterrorizantes.</p>



<p style="font-size:18px">Expressar no papel aquilo que sentimos é como dar voz aos diversos personagens que nos habitam e revelar aspectos inconscientes de nossa psique, possibilitando aliviar as “cargas” e mitigar a tensão dos núcleos afetivos, por essa razão, esse processo se torna tão transformador.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p><strong>Depois de escrever, leio&#8230; Por que escrevi isto</strong>? Onde fui buscar isso?  De onde me veio isto?  Isto é melhor do que eu&#8230; Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?&#8230; </p><cite>(PESSOA, 2016, p. 287)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Durante os anos de 1913 e 1930, Carl G. Jung descreveu regularmente sua autoexperimentação, com os exercícios frequentes de esvaziar a mente, o que ele denominou de “<strong>confronto com sua alma</strong>” e de “confronto com o Inconsciente”, material que primeiramente registrou nos <strong>Livros Negros</strong>.</p>



<p style="font-size:18px">Posteriormente, no <strong>Líber Novus</strong> (Livro Novo), assim denominado por Jung, por conter trabalhos tardios, ele transcreveu fielmente muitas das fantasias dos Livros Negros, incluindo reflexões e o significado de cada episódio, além de os copiar em escrita caligráfica. Esse livro também é conhecido como <strong>Livro Vermelho</strong>.</p>



<p style="font-size:18px">Esvaziar a mente parece ser uma ação tão necessária atualmente, num mundo em que os indivíduos são bombardeados por tantas informações, saber filtrar, analisar e classificar o que é útil, importante ou relevante, faz com que o indivíduo fique constantemente acorrentado à Consciência e aos seus processos.</p>



<p style="font-size:18px">De acordo com<strong> Jung</strong> (2013) a vida civilizada demanda em demasia da Consciência, de tal forma que houve um gradual distanciamento entre o ser humano e o Inconsciente.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-classifica-o-inconsciente-em-pessoal-e-coletivo" style="font-size:18px">Jung classifica o Inconsciente em: Pessoal e Coletivo.</h2>



<p style="font-size:18px">Para Jung (2014), o <strong>Inconsciente Pessoal</strong> é composto basicamente por conteúdos que perderam energia e que foram esquecidos, reprimidos ou que nunca emergiram à Consciência devido sua pouca intensidade psíquica. Alguns deles apesar de estarem inconscientes ainda podem ganhar força e essas cargas afetivas são denominadas por <strong>Complexos</strong>.  </p>



<p style="font-size:18px">Já o <strong>Inconsciente Coletivo</strong>, define Jung (2013), é o conteúdo herdado de todos os antepassados desde a origem dos tempos. É o gerador de todos os fatos psíquicos e o organizador dos processos conscientes e, por esta razão, influencia fortemente a liberdade da Consciência. Ele é constituído pelos <strong>instintos </strong>e pelos <strong>arquétipos</strong> e parece ser constituído por algo similar aos temas ou imagens de natureza mitológica. </p>



<p style="font-size:18px">Para “entrar” no processo terapêutico, o indivíduo precisa ampliar a simbologia das imagens e a mitologia que o Inconsciente revela, decodificar a linguagem por ele trazida e mergulhar nas fantasias que ele apresenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-movimento-de-ampliacao-simbolica-as-seguintes-questoes-surgem-o-que-esse-simbolo-quer-me-dizer-qual-o-seu-significado-qual-a-sua-finalidade-como-essa-fantasia-retrata-a-minha-realidade" style="font-size:18px">Nesse movimento de ampliação simbólica, as seguintes questões surgem: “O que esse símbolo quer me dizer?”, “Qual o seu significado?”, “Qual a sua finalidade?”, “Como essa fantasia retrata a minha realidade?”.</h2>



<p style="font-size:18px"><strong>Jung</strong> enquanto supervisionava seus pacientes, relatava seus experimentos e os instruía a fazerem o mesmo. Ele costumava pedir uma cópia desses trabalhos para estudar essas imagens e compará-las com as dele. Para alguns ele até sugeriu que elaborassem seu próprio Liber Novus.  Ele comentou esse procedimento em uma carta a J.A. Gilbert em 1929:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Descobri que, às vezes, é uma grande ajuda, ao manusear um caso desse tipo, encorajá-los a expressar seus conteúdos específicos na forma de escrita ou de desenho e pintura. Existem tantas intuições incompreensíveis nesses casos, fragmentos de fantasia que surgem do inconsciente, para as quais quase não existe linguagem adequada. Deixo que meus pacientes encontrem suas próprias expressões simbólicas, sua “mitologia.</p><cite> (JUNG, 2020a, p. 94 grifos do autor)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Verifica-se assim a eficácia da escrita expressiva durante o processo terapêutico. Onde a palavra oral não encontra o significado para elucidar os conteúdos inconscientes, realizar a amplificação simbólica e integrar criativamente a experiência psicológica.</p>



<p style="font-size:18px">Para <strong>Philippini</strong> (2018) a palavra é como uma fonte geradora da produção de imagens. Ela considera a palavra uma caixa que contém múltiplas potencialidades simbólicas e que, às vezes, uma única palavra pode estar “grávida” de significados.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-palavras-por-vezes-brotam-repletas-de-infinitos-significados-dando-a-possibilidade-da-expansao-de-ideias-e-percepcoes-que-anteriormente-estavam-adormecidas-nbsp" style="font-size:18px">As palavras, por vezes, brotam repletas de infinitos significados, dando a possibilidade da expansão de ideias e percepções que anteriormente estavam adormecidas.&nbsp;</h2>



<p style="font-size:18px">Esse é um processo que se inicia despretensioso e que com a prática amplia a fluência da comunicação e da integração dos conteúdos.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Philippini</strong> considera que no processo arteterapêutico a escrita criativa tem a importância de escrever para compreender a si mesmo, que as palavras seriam como o Fio de Ariadne que conduziriam para a saída do labirinto e que a codificação de afetos e emoções através da palavra é uma das possibilidades expressivas de se acessar o inconsciente. (Cf. PHILIPPINI, 2018, p. 111)</p>



<p style="font-size:18px">Os “Self-books”, ou “Livros do self”, ou ainda, “Livro feito à mão” são os nomes dados ao conteúdo criado mesclando-se a escrita com os diversos materiais expressivos e recursos plásticos, e uma infinidade de temas e subjetividades podem ser abordados.</p>



<p style="font-size:18px">Na criação desse livro, pode se utilizar colagem, decupagem, desenho, fotografia, pintura, poema, poesia, tecidos e linhas e de toda possibilidade criativa disponível para dar concretude às imagens e ideias.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cada-um-desses-recursos-auxiliara-o-individuo-a-mergulhar-nos-processos-expressivos-acessando-algum-aspecto-de-sua-personalidade-a-ser-aperfeicoado-por-exemplo" style="font-size:18px"><strong>Cada um desses recursos auxiliará o indivíduo a mergulhar nos processos expressivos acessando algum aspecto de sua personalidade a ser aperfeiçoado, por exemplo:</strong></h2>



<p style="font-size:18px">O uso da <strong>colagem </strong>colabora nos processos de estruturação, organização, sintetização, integração, além de ser uma facilitadora do início do processo terapêutico.</p>



<p style="font-size:18px">O <strong>desenho</strong> auxilia na ampliação da objetividade, na percepção espacial, na observação, na coordenação visual e motora, na percepção das relações luz e sombra e ativar a memória.</p>



<p style="font-size:18px">A <strong>fotografia</strong> serve para resgatar memórias afetivas, desenvolver a percepção da autoimagem, autopercepção sobre si e sobre o entorno, além de servir como ponte para outras linguagens plásticas, como pintura e colagem. </p>



<p style="font-size:18px">A pintura auxilia o indivíduo a desbloquear e ativar o fluxo criativo, facilitar a liberação de conteúdos inconscientes, fazer experimentações sensoriais e lúdicas através das cores, além de ter a possibilidade de mobilizar emoções.</p>



<p style="font-size:18px">Confeccionar o <em>self-book</em> é mergulhar no mundo interno e resgatar fragmentos da história de nossas vidas, ter a possibilidade de decodificar imagens simbólicas e padrões arquetípicos e com muita paciência e atenção, permitir a integração desses conteúdos à Consciência, que é o objetivo do processo de individuação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p> A codificação de emoções e afetos pela mediação da palavra corresponde a mais uma, entre as inúmeras das possibilidades expressivas de acesso ao inconsciente, oferecendo canal e continente para sentimentos difusos e, muitas vezes desconhecidos. (&#8230;)<br><br>A escrita oferece meios de estabelecer um efetivo diálogo silencioso entre indivíduo e fragmentos seus, muitas vezes, sombrios e inconscientes que, em cada releitura dos textos produzidos, tornam-se mais claros, pois gradualmente os significados vão sendo apreendidos pela consciência.</p><cite> (PHILIPPINI, 2018, p. 113)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-vemos-a-releitura-do-self-book-propicia-a-continuidade-do-processo-terapeutico-e-como-disse-o-filosofo-heraclito-de-efeso-nenhum-homem-pode-banhar-se-duas-vezes-no-mesmo-rio-pois-na-segunda-vez-o-rio-ja-nao-e-o-mesmo-nem-tao-pouco-o-homem" style="font-size:18px">Como vemos, a releitura do self-book propicia a continuidade do processo terapêutico e como disse o filósofo Heráclito de Éfeso: “<em>Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois, na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem</em>.”  </h2>



<p style="font-size:18px">Acessar o Inconsciente e ouvir o que o Self quer de nós, encontrando o sentido e o significado de nossa vida, para que possamos nos realizar através desse mito, deve ser a busca de cada indivíduo. Pois, podemos estar atravessando o deserto, mas se tivermos a consciência de que o Inconsciente é um oceano com infinitas possibilidades e que contém as respostas para as nossas dúvidas mais cruciais, nenhuma aridez externa impedirá que nos saciemos com a água da fonte da vida e a escrita expressiva oferece meios para que essa travessia seja feita de forma mais fértil.</p>



<p style="font-size:18px">Você já se utiliza desse recurso? Se ainda não, experimente e elabore o seu <em>selfbook</em> e depois comente conosco como foi a sua experiência. Boa travessia!</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Self-book como recurso para acessar Conteúdos Inconscientes durante o processo terapêutico" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/f37Xupsg2pY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:18px"><strong>Cristiane dos Santos &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p style="font-size:15px">JUNG, C.G. O<em> Livro vermelho: Liber Novus</em>. Edição: Sonu Shamdasani; tradução: Edgar Orth; revisão da tradução: Dr. Walter Boechat, Petrópolis: Vozes, 2010</p>



<p style="font-size:15px">______ A Natureza da Psique. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p style="font-size:15px">______ Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p style="font-size:15px">______ O Eu e o Inconsciente. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p style="font-size:15px">______Os Livros Negros, 1913-1932: Cadernos de transformação. Edição: Sonu Shamdasani; tradução: Markus A. Hediger; revisão da tradução: Dr. Walter Boechat</p>



<p style="font-size:15px">Petrópolis: Vozes 2020a – Livro I &#8211; 2020b -Livro II</p>



<p style="font-size:15px">PESSOA, Fernando. Obra poética de Fernando Pessoa. Volume 2. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016</p>



<p style="font-size:15px">PHILIPPINI, Angela. Arteterapia: Métodos, projetos e processos. 3.ed. Rio de Janeiro: Wak, 2013</p>



<p style="font-size:15px">PHILIPPINI, Angela. Linguagens e materiais expressivos em arteterapia: uso indicações e propriedades – 2.ed. Rio de Janeiro: Wak, 2018</p>



<p style="font-size:15px">SANTOS, Cristiane dos. Trabalho Monográfico para obtenção do título de especialista em Arteterapia e Expressões Criativas – IJEP:  <em>Arteterapia de abordagem Junguiana: A Escrita Expressiva revelando aspectos da sombra e o caminho para transformação no processo terapêutico</em>, 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p>Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p>Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e&nbsp;<strong>Pós-Graduações</strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p><em>*Psicossomática</em></p>



<p><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p><strong>Promoção especial para o próximo semestre&nbsp;</strong>(março/abril 2025):</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://chk.eduzz.com/801V2KKQ97"><img decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-9759" style="width:520px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-1024x1024.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-300x300.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-150x150.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-768x768.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1-450x450.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/11/COMBO-1-e-4-1.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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		<title>A adolescência perdida na ausência dos rituais de passagem</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/adolescencia-perdida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 15:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presente artigo propõe uma reflexão sobre como a ausência de rituais de passagem na adolescência, conduzidos por adultos experientes e capazes de estabelecer limites, pode estar agravando o desenvolvimento psíquico dos jovens na contemporaneidade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>“A adolescência é um período do desenvolvimento caracterizado pelo luto e pela angústia da perda. Uma sensação iminente de perda faz parte do pano de fundo da luta para deixar para trás a infância e se tornar menos dependente das figuras parentais”</em> (FRANKEL, 2021, p. 165).</p>



<p>De acordo com <strong>Jung</strong>, a personalidade existe desde o indivíduo criança, porém seu desenvolvimento se dá ao longo da vida e por meio dela. <em>“Atingir a personalidade não é tarefa insignificante”</em> (2021, pg. 182). E de forma alguma podemos dissociá-la da <strong>adolescência</strong>. Pelo contrário, as experiências vividas dos 14 aos 21 anos são determinantes para o desenvolvimento do complexo do eu, que é mutável e desconhece vários aspectos de si mesmo que nunca tomou conhecimento.</p>



<p>Podemos dizer que, historicamente, a <strong>adolescência</strong> é uma fase do desenvolvimento humano de muitos desafios e mudanças, física e emocionais. No entanto, atualmente, temos observado dados cada vez mais alarmantes no que se refere à saúde mental dos nossos adolescentes.</p>



<p>De acordo com pesquisa do Datafolha, divulgada no final de 2022, 8 a cada 10 brasileiros, de 15 a 29 anos, apresentaram recentemente algum problema de saúde mental. O uso excessivo de álcool e drogas ilícitas e tantos outros comportamentos autodestrutivos parecem ter se tornado a marca de uma juventude que não só enfrenta graves problemas psíquicos, como parece seguir sem orientação, sem rumo e sem rituais de iniciação.</p>



<p>Nessa perspectiva, podemos nos perguntar: <strong>Onde estão os rituais de iniciação da adolescência? Será que devemos considerá-los algo primitivo/arcaico para os dias atuais? Será que a juventude de hoje não necessita mais de ritos de passagem?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-da-psicologia-analitica-entendemos-que-o-impulso-a-iniciacao-e-algo-arquetipico-e-compulsorio-portanto-inerente-a-vontade-consciente-do-ego-e-coletivo-e-inconsciente" style="font-size:21px">Na visão da psicologia analítica, entendemos que o impulso à iniciação é algo arquetípico e compulsório, portanto, inerente à vontade consciente do ego. É coletivo e inconsciente.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Rimos da superstição primitiva, achando que somos superiores a isso, mas esquecemos que este pano de fundo do qual zombamos como se fosse museu de coisas estúpidas, tem uma influência tão temível sobre nós quanto sobre os primitivos. [&#8230;] o que acontece é que damos nomes diferentes a tudo isso.” </em></p>
<cite>(JUNG, 2017, pg. 19).</cite></blockquote>



<p>Para Jung, os <strong>arquétipos</strong>, presentes no inconsciente coletivo, não podem ser explicados a partir de uma concepção individual. São aspectos de toda vida, dos primórdios até os dias atuais. “<em>É o pressuposto e a matriz de todos os fatos psíquicos e por isto exerce também uma influência que compromete altamente a liberdade da consciência</em> [&#8230;]” (2020, pg.58).</p>



<p>O fato é que, independente de como nomeamos esse “chamado ritualístico”, ele acontece. A <strong>adolescência</strong> é um novo despertar para a vida que nos convida a uma tentativa de iniciação, a vivências transformadoras e evolutivas. Há uma busca de uma nova visão de mundo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>[&#8230;] os temas de iniciação permanecem vivos sobretudo no inconsciente do homem moderno&#8230; em seu ser mais profundo, o homem moderno ainda é capaz de ser afetado por cenários ou mensagens de iniciação</em>.” </p>
<cite>(ELIADE apud. FRANKEL, 2021, p. 187).</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-ritos-de-passagem-nao-deixaram-de-existir">Os ritos de passagem não deixaram de existir.</h2>



<p><strong>A realidade é que os adolescentes estão criando os seus próprios rituais</strong>, experienciando de maneira inconsequente e perigosa, processos de transição que de alguma forma tragam sentido para esse novo “eu” que surge nessa fase do desenvolvimento da personalidade. Segundo <strong>Frankel</strong>, quando a sociedade sublima os rituais de iniciação, tão importantes para psique humana, os adolescentes tentam fazer por conta própria (Cf. FRANKEL, 2021, p.87).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nessa perspectiva, proponho um novo olhar para esses padrões autodestrutivos do adolescente como uma tentativa, desesperada e solitária &#8211; sem um condutor experiente -, na separação do seu lado infantil e identificado com os pais para a nova fase que surge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-puberdade-jung-aborda-as-seguintes-dificuldades-vividas-pelos-jovens" style="font-size:18px">Sobre a <strong>puberdade</strong>, Jung aborda as seguintes dificuldades vividas pelos jovens:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“O começo da puberdade também opera mudanças consideráveis na aparência do corpo e em seu metabolismo [&#8230;]. Da mesma forma, sua psique é afetada e tirada de seu equilíbrio [&#8230;]. Por longo tempo, as ilusões impossibilitam uma estabilidade e maturidade do julgamento.”</em> </p>
<cite>(2017, p. 217).</cite></blockquote>



<p>Se compreendemos que o ritual de passagem é uma necessidade da psique humana e, talvez, a <strong>adolescência </strong>seja a fase de maior mudança de corpo, alma e espírito, vivida simultaneamente e abruptamente pelo indivíduo, como permitir que os jovens experienciem essa transição sem a presença, a atenção e a condução de um adulto experiente e com ego estruturante?!</p>



<p>É comum em roda de pais e cuidadores ouvirmos que os jovens estão cada vez mais isolados por conta do mundo digital. Todavia, <strong>na outra ponta desse cabo de guerra, encontramos adultos que renunciaram à presença, física e afetiva, negando a escuta e aumentando cada vez mais o abismo entre as gerações</strong>. No final, entregamos os adolescentes ao impulso da iniciação numa tentativa visceral de sentir e transformar, levando o que deveria ser simbólico para o literal, ignorando a demanda urgente de se testar o mundo através das suas próprias ações.</p>



<p>De acordo com <strong>HILLMAN</strong> (apud FRANKEL, 2021, p. 91), o sofrimento vivido nos rituais de iniciação leva o iniciado para outro plano, onde a inocência infantil dá lugar à dor e a necessidade de proteção. Assim, <strong>o indivíduo faz a passagem da infância para a vida adulta</strong>. Uma evolução compulsória, mas que merece e deve ser conduzida por um adulto experiente capaz de dar contorno e limite. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>A adolescência como a conhecemos é um fenômeno moderno. Em sociedades antigas e culturas tribais, os adultos em geral deixavam rapidamente a infância por meio da participação em ritos de puberdade. [&#8230;] os adolescentes modernos devem tentar dizer adeus à infância sem o benefício desses ritos de passagem oferecidos pela sociedade. [&#8230;] Hoje, nossos jovens se empenham em alcançar a vida adulta de formas bastante perigosas, participando de seitas religiosas, abusando de substâncias cada vez mais nocivas, exibindo sintomas de anorexia, automutilação e tentativa de suicídio</em>.”</p>
<cite> (GENTRY apud FRANKEL, 2021, p. 88).</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nossa-sociedade-contemporanea-desejou-tanto-se-distanciar-daquilo-que-consideramos-arcaico-e-primitivo-que-acabamos-unilateralizados" style="font-size:21px">A nossa sociedade contemporânea desejou tanto se distanciar daquilo que consideramos arcaico e primitivo que acabamos unilateralizados.</h2>



<p>Nesse contexto, estamos à margem da consciência individual, agindo sem consciência crítica sobre os nossos próprios atos. Porém, precisamos compreender que os rituais emergem a partir de uma necessidade coletiva para que a psique seja capaz de assimilar tantas mudanças que ocorrem durante a <strong>adolescência</strong>. Logo, a falta de espaço para que os jovens vivenciem esses ritos de passagem cria um lugar muito perigoso, solitário e autodestrutivo.</p>



<p>Nessa perspectiva, o analista, dentro do <em>setting </em>terapêutico, pode oferecer um espaço de escuta e reflexão individual, análogo aos rituais, para elaboração desses sentimentos, angústias e emoções que a <strong>adolescência</strong> provoca. Um local onde o adolescente pode se expressar e experienciar o simbólico dando sentido a essas transformações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escuta-no-processo-terapeutico-do-adolescente"><strong>A escuta no processo terapêutico do adolescente</strong></h2>



<p>Uma vez que percebemos a solidão dos jovens e que é proporcional a intensidade de suas experiências de vida, o acompanhamento psicológico pode ser o espaço de acolhimento e contenção nessa etapa do desenvolvimento. O <em>setting </em>terapêutico pode e deve se tornar o lugar seguro para o compartilhamento de suas histórias. Nesse processo de escuta ativa do analista, ocorre também a escuta de si mesmo por parte do jovem em processo de análise, ou seja, a escuta da própria voz do adolescente que, muitas vezes, foi silenciada por conta dos valores morais, familiares e culturais. Segundo Frankel, precisamos estar atentos às imagens primordiais que caracterizam a <strong>adolescência</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Choro, solidão, autopiedade, pensamento de morte, isolamento e longos períodos soturnos de tristeza são parte integrante da experiência adolescente, e estarmos atentos à prevalência dessas emoções e encontrar formas de mobilizá-las terapeuticamente diminui nossa tendência em patologizar em excesso esses estados mentais.” </em></p>
<cite>(2021, p.112).</cite></blockquote>



<p>A relação adolescente-terapeuta, se bem estabelecida, pode oferecer ao jovem a possibilidade de conexão direta e sem censura. Revelando e reelaborando sentimentos conflitantes, carências, rejeição, medos e, também, potências que ainda não foram descobertas e, por isso, não foram desenvolvidas. Precisamos limpar nossas mentes de ideias pré-concebidas e rótulos que estigmatizam a adolescência e abrir a nossa alma para os gritos desesperados por socorro.</p>



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<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Membro Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>FRANKEL, Richard. A psique adolescente: perspectivas junguianas e winnicottianas. Edição Digital. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p>_____, Carl Gustav.&nbsp; Civilização em Transição. 5.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>RENNÓ, Joel. Como anda a saúde dos jovens. Estadão. https://www.estadao.com.br/emais/joel-renno/como-anda-a-saude-mental-dos-jovens/ . Acessado em 30 de outubro de 2023</p>



<p>Site Faculdade de Medicina da USP. Pandemia é responsável por cerca de 36% dos casos de depressão em crianças e adolescentes. https://www.fm.usp.br/fmusp/noticias/pandemia-e-responsavel-por-cerca-de-36-dos-casos-de-depressao-em-criancas-e-adolescentes#:~:text=14%2F10%2F2021-,Pandemia%20%C3%A9%20respons%C3%A1vel%20por%20cerca%20de%2036%25%20dos%20casos,depress%C3%A3o%20em%20crian%C3%A7as%20e%20adolescentes&amp;text=Estudo%20realizado%20pela%20Faculdade%20de,e%20ansiedade%20durante%20a%20pandemia. Acessado em 30 de outubro de 2023.</p>



<p>Site UNICEF. Selo UNICEF tem recorde de adesões: 2.023 municípios em 18 estados. https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/selo-unicef-tem-recorde-de-adesoes-2023-municipios-em-18-estados. Acesso em: 30 outubro de 2023.</p>



<p>Acesse nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



<p>Conheça os Congressos Junguianos do IJEP: <a href="https://ijep.pages.net.br/congressos-carl-jung-ijep">Congressos IJEP (pages.net.br)</a></p>
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		<title>A solidão nossa de cada dia&#8230;</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-solidao-nossa-de-cada-dia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Natalhe Vieni]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 12:27:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[isolamento]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dicionário da língua portuguesa a palavra solidão está classificada como&#160;estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.&#160;&#160;Mas não pude deixar de me perguntar, será que somente quando estamos sozinhos de fato que nos sentimos assim, com certeza não! Muitas vezes mesmo em meio a uma multidão estamos sós. Num mundo [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dicionário da língua portuguesa a palavra solidão está classificada como&nbsp;estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.&nbsp;&nbsp;Mas não pude deixar de me perguntar, será que somente quando estamos sozinhos de fato que nos sentimos assim, com certeza não! Muitas vezes mesmo em meio a uma multidão estamos sós. Num mundo muito regido pela performance e pela persona, quase sempre estamos sós, pois como poderíamos compartilhar qualquer sorte de coisas com outros, sendo que queremos que os outros nos vejam de determinada forma, esta que muitas vezes é bem diferente daquilo que eu sou ou de como me sinto.&nbsp;</p>



<p>Muito ouvimos falar sobre exatamente isso, ser sozinha(o) ou estarmos sozinhas (os), mas gostaria de falar de um outro tipo de solidão, aquela que se sente na alma, e muitas vezes me pergunto se tais indivíduos aprenderam algum dia a compartilharem , seja por imposição de sua história de vida, ou seja até pelo espírito de nossa época que nos impulsiona para um autismo, esse muito diferente daquele dos autistas, falo aqui de um estado imposto ao indivíduo em que ele deve condenar quem ele é ao ostracismo de sua própria mente, ou até para o fundo do inconsciente, onde ele se perde. Quantas vezes nos chegam clientes, ou nós mesmos nos assustamos com nossas próprias sentenças ao dizer: “Não sei o que eu quero”, isso pode se traduzir: “Não sei mais -ou de fato nunca aprendi- quem eu sou de verdade”. Olhando assim rapidamente tudo isso sempre me pareceu extremamente triste, um cenário desolador. Mas não visualizo como poderia ser diferente uma vez que desde que nascemos o espírito da nossa época, personalizado em todas as pessoas que encontramos na vida nos imputa uma forma de ser e de agir, e “Ai de nós se não o escutarmos!”. Há fórmulas para tudo, mas qual será a fórmula para sair da solidão?&nbsp;</p>



<p>Qual será a fórmula para eu me encontrar comigo mesmo?</p>



<p>De certa forma muitos dos clientes que nos procuram tem essa pergunta impressa de modo velado em suas falas, e cabe a nós terapeutas, ajudar o Self a demonstrar como fazer isso.</p>



<p>Nesse ponto acredito que a teoria Analítica de Carl Jung tem um papel protagonista neste processo pois ela acredita que o indivíduo não deve se contentar com uma vida vazia, sem sentido e polarizada somente no lado desse personagem imposto pelo mundo, a tão falada persona, mas sim deve conhecer a si mesmo e reencontrar o seu&nbsp;<em>Daimon</em>, que para Jung correspondia ao portador do seu sentido de vida. Mas para minimamente conhecê-lo o único caminho possível é primeiramente conhecer a si mesmo.&nbsp;</p>



<p>Muito me espanta, (e acho que sempre vai espantar!) que na maioria das vezes a análise ou a autoanalise faz o indivíduo conhecer e reconhecer em si coisas que nunca tinha visto, será que em certa medida o mundo contemporâneo está criando pessoas que não se conhecem, perdidos no voraz espírito da época da sociedade das mídias digitais?</p>



<p>Estamos produzindo cada vez mais pessoas sozinhas e solitárias?</p>



<p>É muito comum acharmos que nos conhecemos e que conhecemos os outros pelas redes, pois como diz o filósofo sul coreano Byung-Chul Han, que está profundamente posicionado nas mesmas raízes filosóficas que Jung, que diz em seus livros:&nbsp;<em>Sociedade do Cansaço e Sociedade Paliativa: a dor hoje</em>, que nos colocamos (ou fomos colocados) em uma redoma panóptica, tal qual as prisões, em que toda nossa vida pode ser vista e acompanhada pelas outras pessoas através das redes sociais, e o que intriga mais os estudiosos de tal fenômeno é que ninguém nos empurra para tal abuso, somos nós mesmos que nos colocamos nesta posição, podemos ainda dizer que não é necessário que nada de externo nos cobre para fazer isso, o que cobra, podemos nomeá-lo de abusador, está dentro de nós, ele nos cobra muitas coisas, inclusive isso.</p>



<p>Mas quem o colocou dentro de nós senão o espírito voraz de nossa época, o insaciável.&nbsp;</p>



<p>Insaciável porque vivemos na época da performance, e nada nunca será o suficiente!</p>



<p>Se a solidão ficou posicionada dentro de nós na sombra, uma vez que nesta posição panóptica que nos colocamos, a vida deve ser livre de qualquer tipo de canto, de qualquer dificuldade ou sofrimento. Acredito que a solidão está profundamente fincada na sombra, pois além de se encaixar nessa posição de algo que possa provocar sofrimento, ela nos é desconhecida e pode atrapalhar a produtividade, pois se pensarmos bem, ela nos leva para dentro e para baixo, posição propícia , como nos mostra Jung, para refletirmos profundamente sobre a vida que levamos, então é natural que no mundo de superfícies brilhantes ela seja evitada a todo custo, pois no geral o mundo não quer pessoas que pensam e compreendem ao próprio mundo, inclusive.&nbsp;</p>



<p>Acontece que na Psicologia Analítica é quase um imperativo que façamos esse movimento de ir para dentro de nós e para baixo, até as profundezas dos infernos que existe dentro de cada um de nós e trazemos de lá verdadeiros tesouros, sejam possibilidades nossas que abandonamos, ou partes nossas mesmo que largamos ao longo de nossas vidas ou seja a possibilidade de ressignificar nossas feridas, a isso damos o nome aqui de: “integrar a sombra ao Ego”, esse é um dos movimentos mais desejados numa terapia profunda, ela vai ampliando a consciência do indivíduo e fazendo ele caminhar em seu processo de individuação.</p>



<p>Vamos passear um pouco no que diz Jung sobre esta temática:</p>



<p>“Nada fecha tanto o homem sobre si mesmo e o separa do convívio dos demais do que a “posse” de segredos que julga importantes e que guarda ansiosa e ciosamente. Muitas vezes são os atos e pensamentos “pecaminosos” que separam os homens e os mantêm afastados uns dos outros. Aqui a confissão tem, não raro, um verdadeiro efeito de redenção. A incrível sensação de alívio que costuma seguir-se ao ato da confissão deve ser atribuída à readmissão daquele que estava perdido no seio da comunidade humana. A solidão e o isolamento moral anterior, tão difíceis de suportar, cessam com a confissão. E aqui está o verdadeiro valor psicológico da confissão.” (JUNG, 2013, p.198)</p>



<p>Nesse ponto ele está elencando a importância do indivíduo sair do estado de solidão induzido pela necessidade de guardar algum segredo, mesmo que dele mesmo, e ao realizar essa confissão que na maioria das vezes é confessada, para si mesmo, ou para o Ego que o defendia dessa verdade a todo custo, ele cria um vínculo e faz uma projeção com o confessor, Jung chama de “ vinculação moral” que ele faz com o confessor, que passa a ser o detentor dos segredos, criando então uma relação de transferência, e não podemos nos esquecer que toda a análise Junguiana acontece na transferência, esse vínculo é inicialmente criado e, tanto o terapeuta como o analisando usam dele para se conhecer e ressignificar seus complexos, principalmente os que estão negativos. Por exemplo, um indivíduo que tem um complexo materno negativo e pode usar desse momento para confessar sua vontade imensa de “ matar sua mãe , ou a relação que tem com ela”, e na projeção de mãe que faz sob o terapeuta tem a possibilidade de experienciar uma diferente relação com a mãe, provocando que sua própria mãe interior renasça e a mãe literal ou a relação com ela passe a ter um segundo plano, e por fim, ele mesmo é capaz de exercer este papel em sua vida, sem nem precisar mais do terapeuta ou da análise .&nbsp;</p>



<p>Em outro momento ele diz:</p>



<p>“Nietzsche, por reconhecimento e compreensão, o desespero e a amargura de sua solidão. Poder-se-ia esperar que um homem genial se deleitasse com a grandeza de seu próprio pensamento, renunciando ao aplauso barato das massas que despreza; mas ele sucumbe à força do instinto gregário, à sua busca e ao seu encontro; seu chamado se dirige irremediavelmente à tribo e precisa ser ouvido(&#8230;).” (JUNG,2013, p.32)</p>



<p>Nesse ponto Jung estava falando sobre a solidão que acomete a todos os grandes gênios, ou aqueles que tem de certa forma um pensamento muito além do nosso tempo, mas isso pode ser ampliado a todos nós que porventura nascemos em famílias ainda tão reféns da persona, ou todo e qualquer um que faz uma ampliação da consciência, ela ocasionalmente vai se deparar com a solidão, pois o caminho da individuação é quase sempre solitário, uma vez que cada alma tem o seu tempo e cada um está em algum ponto deste mesmo caminho.&nbsp;</p>



<p>Não podemos nos esquecer que o movimento natural ou os marcos essenciais da vida são de certa forma solitários, todos nascemos sozinhos, gozamos a vida e até na própria relação sexual estamos sozinhos, passamos por inúmeras experiências durante a vida e por fim morremos sozinhos, isso pensando que ninguém nunca será capaz de sentir por nós, mesmo que acompanhados nestes momentos, ninguém nunca será capaz de entrar no outro e saber como ele realmente se sente.&nbsp;</p>



<p>É interessante que corremos tanto da solidão, mas a maior parte de nossa vida é passada em nossa própria companhia e muito sabiamente devemos aprender ou reaprender a gostar de nós mesmos e podemos assim formar uma nova relação com a solidão, onde ela pode ser uma sábia conselheira, porque permite que nós consultemos nossa profundeza e de lá retornemos com as melhores respostas, bem alinhadas com o nosso Self que tudo sabe.</p>



<p>Sobre isso Jung nos diz:</p>



<p>“Sê esta nossa partida, ave ou Satanás, gritei me erguendo: Retorna às tempestades e às praias plutônicas da noite! Nem deixes negra pluma como penhor da tua mentira! Deixa minha solidão intacta! (&#8230;)” (JUNG, 2013, p. 74)</p>



<p>Nesses versos do poeta Edgar Alan Poe, em “The Raven” (O Corvo), citado por Jung, o corvo que nos visita, deseja roubar-nos essa possibilidade de ficar com nossa própria solidão e buscar dentro de nós as respostas do Self. Embora este texto fale sobre a perda de um amor, Jung faz uma aproximação da vivência da solidão para nós reencontrarmos o amor por nós mesmos.&nbsp;</p>



<p>Nesse ponto me lembro da Daniela Euzébio que dia desses me citou um conceito muito interessante, ela me disse da necessidade de os indivíduos aprenderem a “Flanar”, que no dicionário da língua portuguesa é especificado como&nbsp;andar ociosamente, sem rumo, nem sentido certo; flanear, flainar, perambular. Nesse sentido devemos fazê-lo para conviver com nossa própria solidão e dar espaço para nos ver, ver a cidade e tudo fora e dentro de nós de uma outra perspectiva, para isso sem dúvida é necessário respeitar o silêncio e o tempo da alma, o ócio, para que possa a própria psique possa realizar, talvez, até a redistribuição da energia psíquica que está represada em assuntos específicos.</p>



<p>Em outro ponto das obras completas Jung diz:</p>



<p>“Quando o iniciado, à noite, dirigia-se para a gruta sagrada, oculta na solidão da floresta, a cada passo novas impressões despertavam uma emoção mística em seu coração. As estrelas que brilhavam no céu, o vento que agitava a folhagem, a fonte ou o riacho que corriam marulhantes até o vale, mesmo a terra em que pisava, tudo era sagrado a seus olhos, e toda a natureza que o envolvia despertava o temor respeitoso pelas forças infinitas que agiam no universo.”&nbsp;(JUNG, 2013, p. 96)</p>



<p>Fazendo uma reflexão sobre a simbologia da floresta, essa amplitude rica de vida, cor, e transformações profundas, mas que como podemos ver, precisa da solidão para que se revele diante de nossos olhos.</p>



<p>Em outra passagem Jung busca na obra de Nietzche a energia necessária para a transformação, encontrada na solidão:</p>



<p><strong>O sinal de fogo</strong></p>



<p>Aqui, onde entre mares cresceu a ilha,&nbsp;</p>



<p>uma pedra sacrifical erguida bruscamente,&nbsp;</p>



<p>aqui, sob um céu escuro,</p>



<p>Zaratustra, acende seu fogo celestial&#8230;</p>



<p>Esta chama com ventre esbranquiçado</p>



<p>Até frias distâncias lança labaredas seu anseio,</p>



<p>para alturas cada vez mais puras estende seu pescoço &#8211;&nbsp;</p>



<p>uma serpente se impacienta empertigada:</p>



<p>este sinal diante de mim ergui.</p>



<p>Minha própria alma é esta chama:&nbsp;</p>



<p>por novas distâncias insaciável,&nbsp;</p>



<p>sobe, sobe, seu silencioso ardor&#8230;</p>



<p>Tudo que é solitário procuro agora:&nbsp;</p>



<p>respondei à inquietação da chama,&nbsp;</p>



<p>apanhai para mim, pescador em altos montes,&nbsp;</p>



<p>minha sétima, derradeira, solidão!</p>



<p>(JUNG, 2013, p. 120)</p>



<p>Aqui Jung está demonstrando que este símbolo – a solidão- é o precursor da libido, vale a pena relembrar sempre que este conceito para Jung, não está posicionado somente no campo sexual, Jung entende que a libido pode e é usada em qualquer área da vida, aliás precisamos dessa “vontade” para que haja a vida, e sem ela nos tornamos um autômato, vivendo uma vida vazia e na maioria das vezes sem um sentido definido.</p>



<p>Num outro ponto ele mostra que a solidão também está com raízes primordiais fincadas com a existência de Deusas antigas, que se “sentavam em seus tronos de solidão”, desse modo podemos ampliar que essa associação é feita no inconsciente coletivo, ela também pode estar sendo vivida como um conteúdo sombrio por conta de todo o rechaço ao feminino, que aconteceu e continua acontecendo desde que o patriarcado se instaurou. Dessa forma ele diz que o individuo deve receber via complexo materno a libido, a energia vinda da mãe, para que a use ao seu dispor, agora se este complexo está negativo, esse movimento se torna impossível, e se as mães não aprenderam sobre a solidão devido ao aprisionamento de seus femininos como podem também repassar aos seus filhos essa força motivadora e criativa advinda da solidão, ou do caos criativo do feminino? Impossível!</p>



<p>Ele diz ainda que a libido que retorna da solidão, vem da mãe, ou do complexo materno, que ela pode tornar-se ameaçadora como uma cobra, símbolo do pavor mortal que temos de quebrar a relação que temos com a mãe, causando a nossa própria morte. Simbolicamente ele nos diz que dói matar o filho dependente de atenção e cuidados, para surgir o adulto que está em nós, escolher, arcar com as escolhas igualmente, dói, e por isso fingimos dessa morte e preferimos confortavelmente nos manter “acompanhados” de situações ou pessoas que fazem esse papel de uma mãe, assim nos furtamos o direito de sofrer essa dor, a de arcar com nossas próprias escolhas. Desse modo posso me manter na posição de espectador da minha própria vida e há um conforto imenso nessa posição. Dói, e no mundo contemporâneo toda dor deve ser evitada. Nos esquecemos que a dor, assim como a solidão são provocadoras de catarse. Então a solidão não está verdadeiramente posicionada na posição de uma manifestação do mal, talvez seja difícil senti-la, até por não estarmos acostumados a olhá-la desta forma, mas ela pode &#8211; assim como todos os sentimentos tidos como ruins &#8211; se tornar um portal para a transformação do indivíduo, não por acaso ouvimos falar muito dela no livro&nbsp;<em>intitulado Símbolos da Transformação</em>&nbsp;(JUNG,2013).&nbsp;</p>



<p>“Solidão e jejum são por isto os mais antigos meios conhecidos para apoiar a meditação que deverá permitir acesso ao inconsciente.” (JUNG,2013, p. 395)</p>



<p>Quem sabe possamos nos reconciliar com esta parte nossa, ressignificar a solidão dentro de nós e chegar num ponto que Jung também nos conta em sua obra, ele diz que há um perigo à espreita quando falamos sobre solidão e sobre aprender a apreciar a nossa própria companhia, pois depois disso há uma força quase mística que nos impulsiona a não querer mais contato com o mundo, pois passamos a nos apreciar tanto que todo o resto nos parece fugaz e supérfluo. Não sei se este polo também seria interessante, pois toda e qualquer polarização a longo prazo se mostra destrutiva para a psique, mas esse pensamento e a observação deste fenômeno na vida de alguns indivíduos, nos faz constatar que a solidão é nossa amiga e não um monstro assustador que nos espreita todos os dias antes de irmos dormir!</p>



<p>Boas ampliações a todos!</p>



<p>Natalhe Vieni- Analista em Formação IJEP</p>



<p>E. Simone Magaldi- Membro Didata IJEP</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>JUNG, C. G. Freud e a Psicanálise. 7ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p>_________. Símbolos da Transformação. 9ª ed.&nbsp;&nbsp;Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p>_________. Memórias, sonhos e reflexões. (reunidas e editadas por Aniela Jaffé). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. Sociedade Paliativa: a dor hoje.&nbsp;&nbsp;1ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes,2021.</p>



<p>_________. Sociedade do Cansaço. 2ª ed.&nbsp;Petrópolis, RJ: Vozes,2017.</p>
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		<title>Wu Wei: o princípio taoista de deixar acontecer</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/wu-wei-o-principio-taoista-de-deixar-acontecer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 22:09:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo proponho uma ampliação simbólica do princípio taoísta conhecido como Wu Wei. De maneira reduzida, a expressão é comumente traduzida como “não ação”, mas veremos que essa explicação, apesar de não estar errada, é insuficiente para englobar o princípio psicológico que ela trás. C. G. Jung utilizou essa mesma expressão em vários momentos de sua obra depois de entrar em contato com essa ideia no texto taoísta O segredo da flor de ouro, por isso, para estudiosos da obra junguiana, é importante dar atenção ao tema.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu costumo provocar meus clientes e alunos para um exercício de reflexão com a seguinte frase: “É preciso fazer um esforço tremendo para conseguir deixar a vida acontecer.” Gosto da palavra “tremendo” nessa sentença porque ela passa, de maneira ambígua, a ideia de um adjetivo, mas ao mesmo tempo indica movimento, afinal é o gerúndio de tremer. É preciso fazer o esforço enquanto trememos, enquanto ele mesmo, o esforço, é assustador. Tremendo vem do Latim <em>tremendus</em> e significa temível, perigoso, abalado e que abala. Tem origem em <em>tremere</em>, que é traduzido como sacudir, agitar. Então é como se, diante da percepção e compreensão de que egoicamente somos minúsculos, mas, ao mesmo tempo temos um papel importante na realização da totalidade, tremêssemos perante aquilo que é tremendo. Talvez essa seja a experiência daquilo que C. G. Jung descreve como numinoso.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acredito que a ideia taoísta do <em>Wu Wei </em>(無為)esteja conectada com esse pensamento. Esse princípio, que pode ser considerado um dos pilares dessa escola filosófica, é comumente traduzido por “não ação” ou “não governar” e muitas vezes é encontrado também na expressão <em>Wei Wu Wei</em>, que poderia ser traduzido como “agir não agir” ou “ação não ação”. Como sempre, quando mergulharmos mais profundamente no significado dos caracteres chineses, percebemos que a tradução literal e direta de qualquer expressão dessa língua é insuficiente para a sua verdadeira compreensão. A língua chinesa não foi estruturada para exprimir conceitos, ela traz, ao invés disso, sugestões práticas que visam a conversão da conduta; seus caracteres podem ser olhados de maneira simbólica de acordo com a acepção dada a este termo por C. G. Jung.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O primeiro caractere da expressão, <em>Wu </em>(無) pode significar, de maneira prática, “não”, “não ter que”, “ausência”, “negativo”. Porém, um fato curioso sobre esse caractere é que quando ele é usado como radical na formação de outras palavras, pode ganhar uma definição oposta a esse significado trazendo a ideia de “abundância” ou “fartura”, como por exemplo no caractere <em>Wû</em> (廡) que pode ser traduzido como “exuberante”. A pronúncia das duas palavras não é a mesma, percebam o acento circunflexo em <em>Wû </em>(exuberante)e sua falta em<em> Wu </em>(ausência)<em>.</em> Portanto, aqui já encontramos a raiz do paradoxo que a sentença <em>Wu Wei </em>carregacom o mesmo ideograma que atua como germe da expressão podendo possuir significados completamente opostos dependendo da maneira como está sendo empregado. Mas não será essa uma visão racionalista e unilateralizante? Podemos olhar para <em>Wu</em> como sendo, puramente, numa só palavra, a enunciação de um elemento unificador, não formado por antinomias, mas sim representante de totalidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim chegamos no segundo caractere que forma a expressão, <em>Wei</em> (為), que pode ser traduzido como “agir”, “governar”, “lidar” ou “manejar”. Do ponto de vista pictográfico mostra uma mão conduzindo um elefante. Essa imagem é muito interessante porque podemos ampliar seu significado, num primeiro momento, como sendo a representação da nossa própria busca pela governança de aspectos instintivos constituintes da psique. A mão, uma imagem que remete diretamente ao corpo humano, guia o elefante. Os atos de pegar, construir, controlar representados pela mão são característicos da nossa espécie, enquanto o elefante pode representar uma parte animal grandiosa da nossa psique. No ocidente poderíamos dizer que o elefante representa lentidão e peso, porém, do ponto de vista oriental, isso é muito diferente. Poderíamos amplificar muito a imagem do elefante a partir do ponto de vista hindu, porém, vamos nos contentar com a ideia geral de que ele representa estabilidade, é a montaria de reis e, portanto, mostra soberania (CHEVALIER; GHEERBRANT, 1990). Ao mesmo tempo, existe um lado sombrio desse animal que normalmente é considerado como um ser gentil e dócil; quando enfurecido, pode tornar-se extremamente destrutivo e avassalador, atropelando e matando aqueles que se encontram em seu caminho.</p>



<p>As manadas de elefantes são guiadas por uma matriarca que carrega consigo experiência e memória (KATHLEEN; RONNBERG, 2012). Isso pode indicar que a sabedoria da terra, de Gaia, a grande mãe, precisa fazer parte do processo de conexão entre a mão humana e a esfera dos instintos numa relação de contribuição. Olhando para estudos da etologia, experimentos mostram que o elefante é também um dos mamíferos no qual podemos encontrar o reconhecimento de si mesmo. Quando colocado em frente a um espelho, sabe que está olhando para si, para seu reflexo, e não para um indivíduo diferente (DE WAAL, 2021); possui, portanto, consciência, mesmo que ela seja de qualidade ou quantidade diferente da humana – aqui não há julgamento de valor, talvez a consciência do elefante seja melhor do que a humana em alguns aspectos e pior em outros, cada ser tem a consciência que lhe cabe do ponto de vista evolutivo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; C. G. Jung, ampliando e traçando paralelos arquetípicos sobre o princípio do <em>Wu Wei</em>, faz uma conexão importante com a visão filosófica ocidental que ele encontrou na obra do pensador cristão medieval, que viveu entre os séculos XII e XIV, Eckhart de Hochheim: “O deixar acontecer (<em>Sichlassen)</em>, na expressão de Mestre Eckhart, a ação da não ação foi, para mim, uma chave que abriu a porta para entrar no caminho:<em> Devemos deixar as coisas acontecerem psiquicamente</em>” (JUNG; WILHELM, 2017, p. 33). Mestre Eckhart foi uma figura polêmica dentro da Igreja Católica exatamente pelas características paradoxais de sua obra; parece que até hoje não é possível determinar com precisão se ele era ou não ortodoxo em sua posição religiosa. Esse dado já é suficiente para mostrar a genialidade de sua obra, afinal, somente o pensamento paradoxal pode abarcar, ainda que de maneira aproximativa, o fenômeno da existência (JUNG, 2008). No texto citado, Jung dá destaque para a frase<em> “Devemos deixar as coisas acontecerem psiquicamente”;</em> acredito que aqui está a chave para a compreensão da ideia do <em>Wu Wei</em>, que consiste em encontrar o movimento harmônico em que a consciência age, a partir de seu ponto de vista, paradoxalmente e simultaneamente em colaboração e combate aberto frente ao inconsciente, situação na qual surge a <em>Função Transcendente</em> que pode levar o indivíduo para uma nova situação de vida (JUNG, 2011). Essa seria, segundo a visão taoísta, a maneira natural de seguir as mutações, comportamento que leva à harmonia do indivíduo atingindo também seu entorno relacional: “A felicidade humana, segundo os taoístas, é alcançada quando os homens seguem a ordem natural, agindo espontaneamente e confiando em seu próprio conhecimento intuitivo” (CAPRA; EICHEMBERG, 1987, p. 115).” A intuição é, de acordo com Jung (2013), a função psíquica da consciência mais próxima do inconsciente e, através dela, a energia arquetípica pode encontrar um caminho para se manifestar de maneira saudável na psique do indivíduo. Nas palavras do pensador taoísta <em>Chuang Tzu </em>(séc. IV a. C), o sábio “não intervém em nada, e os dez mil seres transformam-se espontaneamente (GRANET; RIBEIRO, 2020).” As dez mil coisas e os dez mil seres são, de acordo com o simbolismo chinês, o mundo concreto e as pessoas que o habitam; nesse sentido, se o indivíduo consegue viver pelo princípio do <em>Wu Wei</em>, ele age de acordo com as mutações permitindo que transformações da mesma ordem aconteçam à sua volta, e a intuição tem papel fundamental nesse processo.</p>



<p>Inúmeras práticas taoístas buscam esse estado, alguns exemplos são a caligrafia chinesa (<em>Fǎshū</em>), a prática meditativa do <em>Chi Kung</em><a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>, as formas marciais – sequências de técnicas de mãos livres ou armas &#8211; do <em>Kung Fu</em>, a arte de cortar papel (<em>Jiǎnzhǐ</em>), entre outras. Através dessas práticas os artistas buscam o movimento natural e espontâneo do corpo, desprovidos de inibição, mas que, paradoxalmente, só podem alcançar a perfeição através da repetição disciplinada. A perfeição do movimento ou da produção é relativa e condicional; diz respeito exclusivamente ao que é possível e natural para cada indivíduo e, nesse sentido, não é automatismo, mas sim autonomia para representar aquilo que é arquetípico com as camadas imagéticas possíveis de serem acessadas no âmbito individual. É a realização daquilo que é universal através do particular de que fala C. G. Jung em muitos momentos de sua obra. <em>Wu Wei</em> é permitir que o inconsciente se realize através de nós, servir como terreno fértil para que a totalidade decida o que deve crescer em seu jardim, trabalhar para a criação de consciência enquanto renunciamos ao controle e ao poder para que a própria natureza ética se manifeste em nossos corpos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este ensaio serve como introdução para outros que seguirão tratando do mesmo tema. No próximo da série abordarei uma mensagem clara que o <em>I Ching</em> versa com relação a como devemos conduzir e ser conduzidos no caminho para o processo de individuação. Por enquanto, encerramos – ou iniciamos – nossa reflexão com um poema <em>Zen</em>: “Sentado tranquilamente, nada fazendo. Surge a primavera e a grama cresce por si mesma.”</p>



<p>José Balestrini – Membro Analista e Analista Didata em Formação pelo IJEP.</p>



<p>Analista Responsável – Waldemar Magaldi</p>



<p>Imagem: Ensô de Hakuin Ekaku. Uso de domínio público. Disponível em https://www.wikiart.org/en/hakuin-ekaku/ens</p>



<p>Referências</p>



<p>CAPRA, F.; EICHEMBERG, N. R. <strong>O tao da física: um paralelo entre a física moderna eo misticismo oriental</strong>.&nbsp; Cultrix, 1987.</p>



<p>CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos. Trad. Vera da Costa e Silva et al. : Rio de Janeiro: José Olympio 1990.</p>



<p>DE WAAL, F. <strong>A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil</strong>.&nbsp; Companhia das Letras, 2021. 6557822616.</p>



<p>GRANET, M.; RIBEIRO, V. <strong>O pensamento chinês</strong>.&nbsp; Contraponto Editora, 2020. 6556530107.</p>



<p>JUNG, C. G. A vida simbólica. Vol. 18/1. : Petrópolis: vozes 2008.</p>



<p>JUNG, C. G. <strong>A natureza da psique</strong>.&nbsp; Editora Vozes Limitada, 2011. 8532641342.</p>



<p>JUNG, C. G. Tipos psicológicos. <strong>Tipos psicológicos</strong>, p. 1-633, 2013.</p>



<p>JUNG, C. G.; WILHELM, R. <strong>O segredo da flor de ouro: um livro de vida chinês</strong>.&nbsp; Editora Vozes Limitada, 2017. 8532655556.</p>



<p>KATHLEEN, M.; RONNBERG, A. O livro dos Símbolos: reflexões sobre imagens arquetípicas. : Taschen do Brasil 2012.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> No livro <em>O segredo da flor de ouro</em> Jung se refere à essas práticas como <em>Yoga Chinesa</em>, acredito que isso seja um erro de tradução do próprio autor porque, apesar de serem práticas similares, provavelmente tiveram origem isoladas, possuindo, portanto, nomenclaturas distintas e características da cultura de onde surgiram; o <em>Chi Kung</em> é uma prática endêmica chinesa. Esse fato, na verdade, provaria a dimensão arquetípica do surgimento de tais práticas. Deveríamos então, no livro, substituir a expressão <em>Yoga Chinesa</em> por <em>Chi Kung</em>.</p>



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		<title>Modernos Xamãs: o analista e os desafios do processo de cura</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/modernos-xamas-o-analista-e-os-desafios-do-processo-de-cura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leila Montanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 15:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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<p>Este artigo teve como ponto de partida minha reflexão sobre o processo de formação como analista junguiana e as práticas iniciáticas existentes tanto no Xamanismo como nas religiões Afro-Brasileiras, em especial na Umbanda, onde me formei como sacerdote (Babá), realizando as iniciações que a formação exigia à época. &nbsp;O objetivo desse artigo é propor um paralelo entre os dois caminhos de iniciação, a psicológica e a religiosa, e refletir sobre a forma como o inconsciente nos convida a viver essa jornada, de tornar-se analista, convocando-nos a participar junto de um outro, nosso cliente, de um processo de cura que tem mão dupla, pois nunca acontece numa direção exclusiva.</p>



<p>Os xamãs foram descritos por Mircea Eliade (2002, pg.19) como &#8220;os grandes especialistas da alma humana&#8221;. Von Franz (1997, pg.85) os aponta, inclusive, como precursores da moderna psicoterapia. O &#8220;chamado&#8221; para a jornada de cura começa com uma série de eventos estranhos, normalmente sonhos e doenças, as mais diversas. E os sintomas são revertidos à medida em que se iniciam suas atividades como xamã.&nbsp; Estes relatos se parecem muito com o &#8220;chamado&#8221; para a mediunidade, vivido também por pessoas que se iniciam nas práticas religiosas mediúnicas. É bastante comum e usual que as pessoas procurem os Centros Espíritas ou Terreiros de Umbanda devido a doenças repentinas e inexplicáveis, apresentando dificuldades tanto na dimensão física quanto psicológica, financeira ou social. Normalmente, são orientados nos Centros ou Terreiros a dar início a sua preparação para a prática mediúnica e, na medida que o fazem, os sintomas também desaparecem. Os médiuns, como os xamãs, buscam auxiliar na cura de quem os procuram através do mundo espiritual, um &#8220;locus&#8221; onde os espíritos de pessoas mortas &#8220;vivem&#8221;, e, através de suas emanações, influenciam os vivos, seja auxiliando na cura ou atrapalhando suas vidas, fazendo com que fiquem doentes, por exemplo.</p>



<p>Von Franz (Idem, pg.85) descreve a doença que antecede ao chamado dos xamãs como &#8220;um rapto por um pássaro que leva o indivíduo para o chamado mundo inferior&#8221;. Lá, ele fica aprisionado, sendo desmembrado pelos espíritos ou sofrendo torturas. Como Osíris, o futuro Xamã renasce, volta ao mundo dos seres humanos, desperto, e passa a ter o poder de cura. A preparação de um médium, especialmente nas religiões afro-brasileiras, como a Umbanda, também passa por diversos rituais e iniciações, sendo que a última é a entrada no reino de Exu, Orixá mais próximo da esfera terrestre e, portanto, do ser humano, associado muitas vezes ao diabo. Como Hermes, Exu personifica o psicopompo, aquele que faz a intermediação entre vários reinos: o mundo humano, o mundo dos Orixás e o das entidades superiores e o charco, conhecido também como o inferno.</p>



<p>Mas o que xamãs e médiuns tem a ver com a psicoterapia? A relação se estabelece pelo fato de ambos lidarem com o desconhecido, com o mundo dos &#8220;espíritos&#8221;, dimensões que se aproximam, analogamente, ao inconsciente &#8211; termo do campo da psicoterapia, utilizando o acesso a esse espaço como instrumento de cura. A analogia entre o mundo dos &#8220;espíritos&#8221; e o inconsciente foi proposta por Jung em sua conferência &#8220;Os fundamentos psicológicos da crença nos espíritos&#8221; (JUNG, 2013, pg.254).</p>



<p>Von Franz (1997, pg. 89) coloca um &#8220;surpreendente paralelismo&#8221; nesta forma de contato com o &#8220;mundo dos espíritos&#8221;, o inconsciente, na vida de Jung, mas é claro que ela se atinha a questão dos xamãs ao fazer tal discussão. A autora nos conta que durante o período da meia-idade, Jung &#8220;teve sonhos cujo tema recorrente era o renascimento dos mortos do passado histórico ou de uma pomba, que se transformava em uma garotinha, vindo a ele como mensageira do mundo dos mortos&#8221;, algo que se assemelhava muito ao transe dos xamãs. Ampliando para a experiência mediúnica, especialmente na Umbanda, que me é conhecida, este paralelo se enquadra igualmente. Zélio de Moraes, médium que deu início à Umbanda no Brasil, foi acometido por uma doença que o deixou de cama, incapaz de andar, até dar início a sua jornada na criação desta nova religião (TRINDADE, 2014).</p>



<p>Von Franz (idem, pg. 17) conta que certa vez apontou para Jung que sua atitude para com o inconsciente parecia idêntica a dos indivíduos que praticavam religiões mais arcaicas, citando o xamanismo ou a religião dos índios Naskapi. Estes seguiam seus próprios sonhos, sem sacerdotes ou rituais, acreditando que os sonhos vinham de uma força superior, de um &#8220;grande homem imortal do coração&#8221;. Jung, ela diz, respondeu com um sorriso: &#8220;Bem, não há do que se envergonhar. É uma honra!&#8221;.</p>



<p>Não posso afirmar que todos os analistas tenham passado pela experiência do &#8220;chamado&#8221;, mas certamente algo despertou dentro de cada um de nós para iniciarmos o caminho da psicologia profunda. O processo de formação é uma forma de iniciação, o mergulho na própria sombra, que permite ampliar o potencial de cura.&nbsp;</p>



<p>Há uma diferença, porém, nos processos de cura utilizados pelo Xamã e pelos médiuns: em ambos os casos a jornada ao inconsciente para a busca da cura é feita de forma indireta. O cliente, adoecido, é neste caso um elemento passivo do processo. Digo isso sem menosprezar, de forma alguma, a parte que lhe é devida, a fé necessária, a abertura e a confiança para que o processo ocorra. Porém, não é ele quem entra diretamente em contato com o &#8220;mundo dos espíritos&#8221;, o inconsciente. Na análise, a cura vem pelo mergulho também do cliente em seu mundo anímico, onde irá se encontrar com seu curador interno, e através dele reestabelecer a saúde, seja em qualquer um desses níveis: físico, financeiro, psicológico, social&#8230; É uma jornada conjunta vivida por analista e cliente, onde ambos estão em contato com o &#8220;mundo dos espíritos&#8221;, explorando o inconsciente, acionando o &#8220;poder do Exu&#8221;, do psicopompo, para transitar pelos diversos níveis da psique, a fim de que a cura possa ocorrer.</p>



<p>Leila Cristina Montanha</p>



<p>Economista, Sacerdote de Umbanda e Analista Junguiana em Formação pelo IJEP.</p>



<p>Referências:</p>



<p>ELÍADE, Mircea&nbsp;O Xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase. São Paulo:</p>



<p>Martins Fontes, 2002</p>



<p>JAFFÉ, Aniela.&nbsp;Ensaios sobre a Psicologia de C.G.Jung. 10ª ed. São Paulo: Cultrix, 1995</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;A Natureza da Psique. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>TRINDADE, Diamantino Fernandes.&nbsp;História da Umbanda no Brasil. Limeira: Ed. do Conhecimento, 2014</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Leila Cristina Montanha&nbsp;</em></strong></h4>
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		<item>
		<title>Dependência química e alcoolismo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/dependencia-quimica-e-alcoolismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 21:02:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DAC é a doença que produz uma variedade enorme de sintomas que vão desde a adicção de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas, usadas como drogas, passando por distúrbios alimentares, como anorexia, bulimia, hiperfagia ou ortorexia, e comportamentais, com oneomaia, que é compulsão pelas compras, vigorexia, da busca de vigor, vicio em jogos, indivíduos workaholic, parafilias sexuais, entre outras manias compulsórias que interditam a liberdade dos doentes (atualmente já existem mais de cem classificações psiquiátricas, mas todas possuem o mesmo núcleo, que é a ferida do amor próprio). </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vivemos numa sociedade onde, infelizmente, lazer e prazer estão associados ao consumo. Por isso, não podemos restringir o problema das&nbsp;<strong>DAC</strong>&nbsp;–&nbsp;<strong>Dependências, Abusos e Compulsões</strong>, apenas a fatores psicopatológicos ou biológicos, porque as questões políticas, econômicas e culturais da nossa atual sociedade de consumo também contribuem para essa epidemia onde 5% da população mundial já é usuária de drogas e é previsto que em 2100, de acordo com as atuais estatísticas, mais da metade da população mundial estará dependente de algum tipo de substância psicoativa ou atividades comportamentais que produzem dependência das substancias endógenas, aquelas que são produzidas pelo próprio organismo, por conta dos vícios em games, redes sociais, pornografia e outras práticas do universo virtual, associadas a 1 bilhão de mortes que serão causadas pelo tabagismo ativo ou passivo.</p>



<p><strong>DAC</strong>&nbsp;é a doença que produz uma variedade enorme de sintomas que vão desde a adicção de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas, usadas como drogas, passando por distúrbios alimentares, como anorexia, bulimia, hiperfagia ou ortorexia, e comportamentais, com oneomaia, que é compulsão pelas compras, vigorexia, da busca de vigor, vicio em jogos, indivíduos&nbsp;<em>workaholic</em>, parafilias sexuais, entre outras manias compulsórias que interditam a liberdade dos doentes (atualmente já existem mais de cem classificações psiquiátricas, mas todas possuem o mesmo núcleo, que é a ferida do amor próprio). A&nbsp;<strong>Dependência</strong>, acontece quando a liberdade do Ego se apresenta bastante limitada. O&nbsp;<strong>Abuso</strong>&nbsp;é a repetição exacerbada de uma experiência considerada saudável ou normal produzindo sofrimento ao Ser. A&nbsp;<strong>Compulsão</strong>, por sua vez, já inclui o conflito psíquico, quando o Ego é dominado pelos complexos mantendo o doente escravizado pelo objeto ou comportamento, que outrora pode ter sido de prazer, mas agora torna-se imperativo para não gerar o desprazer da sua abstinência.</p>



<p>Do uso social ao problemático, o álcool é a droga mais consumida no mundo. Segundo dados de 2004, da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas. O uso indevido de álcool é um dos principais fatores que contribuem para a diminuição da saúde mundial, sendo responsável por 3,2% de todas as mortes e por 4% de todos os anos perdidos de vida útil. Por outro lado, o sucesso no tratamento da&nbsp;<strong>DAC</strong>&nbsp;é muito pequeno. Menos de 20% das pessoas que ingressam num programa transdisciplinar conseguem a abstinência, geralmente depois de passarem, no mínimo, por duas recaídas. Por isso, associo os transtornos de&nbsp;<strong>DAC</strong>&nbsp;a questões psicossomáticas, por terem sua etiologia no construto psicoafetivo do dependente.</p>



<p>É importante deixarmos claro que psicossomática não é um adjetivo de uma queixa ou de um sintoma qualquer, sejam eles físicos, psíquicos, sociais, ambientais, entre outros. Em nossos cursos, ministrados pelo IJEP, insistimos muito que a nossa condição de vida é psicossomática e, nesta premissa, não podemos limitar nossos estudos exclusivamente na busca reducionista das causas das doenças. Precisamos ir além das causas, buscamos o sentido, ou seja, para onde aquele sintoma pode estar apontando, que caminho de evolução pode haver nele? Consequentemente, ao invés de procurarmos uma explicação generalista e reducionista sobre as causas dos sintomas e das doenças, tentamos compreender sua manifestação na totalidade de cada ser, no processo evolucional e individual.</p>



<p>O alcoolismo, assim como todas as adições e dependências, é simultaneamente um sintoma individual e social, registrado histórica e antropologicamente há milênios. A grande pergunta é: Por que a humanidade busca experiências com substâncias psicoativas que produzem estado alterado de consciência? É uma busca de alívio, saídas, encontros ou desencontros com o si mesmo? As experiências de picos e de vales, produzidas por qualquer adição, nos deixam perplexos e nos remete para hipotetizarmos uma série de causas, mas na raiz de qualquer justificativa, o que temos como resultante é a falta de sentido e de significado existencial do doente, devido a inexistência de um propósito de vida que vai além da biosobrevivência, dos prazeres imediatos, da ilusão do sucesso, da fama ou da riqueza material. Ou seja, existem muitos fatores que influenciam uma adição. É um absurdo buscarmos uma causa única, porque a doença é multifatorial incluindo as predisposições genéticas, ancestrais, sociais, familiares, espirituais e vivenciais e todas, em alguma intensidade, contribuem para que aconteça a&nbsp;<strong>DAC</strong>. Por isso, a ajuda ao doente exige atitudes compreensivas, confortantes, acolhedoras e, simultânea e paradoxalmente, energicamente assertivas, limitantes e restritivas, abandonando qualquer tentativa de encontrar a culpa do doente ou os culpados que contribuíram para a doença.</p>



<p>Aliás, sempre digo aos codependentes, que é o entorno relacional do doente que, na maioria das vezes, por não reconhecerem que podem estar dependentes da dependência do seu ente querido, ou seja, dependem da dependência do dependente, que eles não devem continuar acreditando, iludidamente, que podem ser culpados, que podem controlar ou até curar seu dependente. Porque, desta forma, e nesta dinâmica, acabam mais atrapalhando do que ajudando, contribuindo ainda mais para as contínuas recaídas do tratamento.</p>



<p>A busca de estado alterado de consciência, que é gratificante, por produzir, transitoriamente, alívio e prazer, está diretamente ligada com falta de sentido existencial. Muitas vezes ouvi alguns jovens dizerem que usavam drogas para ficarem “descolados” deixarem de ser “caretas”, se sentirem pertencentes, mais criativos, alegres, confiantes, entre outras justificativas para defender seu vício, obviamente negado como tal, porque ainda se julgam livres, sem reconhecer sua dependência da substância e do estado alterado de consciência que ela produz. Sendo que, na medida que o consumo vai ficando mais frequente, o organismo vai adquirindo resistência e tolerância, exigindo cada vez mais quantidade e frequência.&nbsp; Até que eles acabam deslocados do processo adaptativo e evolutivo sócio, econômico, profissional, relacional e familiar, tornando-se dependentes e alienados, cada vez mais distantes de si mesmos, agravados pelas complicações físicas. Ou seja, o indivíduo perdeu a referência da sua essência e, consequentemente, da sua vocação e seu chamado. Neste caso surge o mau destino e todos os eventos desastrosos e trágicos, pela inconsciência da sua trajetória existencial, ficando à mercê do catastrófico. C. G. Jung nos alerta para a necessidade da relação do Eu com o inconsciente e para o risco desta falta de autoconhecimento:</p>



<p>“[&#8230;] as pretensões do inconsciente se impõem categoricamente ao consciente e causam nefasta dissensão que se exterioriza sobretudo no seguinte: as pessoas já não sabem o que realmente querem e não encontram prazer em nada, ou querem demais de uma vez só e têm prazer demais, mas em coisas impossíveis. A repressão das pretensões infantis e primitivas, necessária por motivos culturais, leva facilmente a neuroses ou ao abuso de drogas narcóticas como álcool, morfina, cocaína etc. Em casos mais sérios ainda, o desfecho da dissensão pode ser o suicídio.” (CW6 &#8211; §639)</p>



<p>Os profissionais de saúde, por convenção, estabelecem que a dependência química implica na necessidade psíquica do indivíduo frente a adição, e o vício é o estágio mais avançado da dependência química, onde o organismo já não consegue funcionar adequadamente sem a presença da substância de adição. Mas, tanto o dependente químico quanto o viciado são indivíduos doentes que necessitam de tratamento. Ninguém está nessa por vontade própria, com lucidez e consciência plena.</p>



<p>A ideia de cura é muito complexa e de grande ambiguidade. Por exemplo, em função do meu conhecimento em homeopatia e psicologia junguiana, acredito que é possível morrer curado. Mas, filosofia aparte, é inconcebível acreditar que apenas uma droga poderia curar a dependência de outra droga. Nossa experiência aponta para um tratamento transdisciplinar, preferencialmente o menos invasivo possível, que propicie autoconhecimento para que o doente possa descer nas profundezas do seu ser e, como Fausto de Goethe, resgatar sua alma. Por isso, não são raros os casos em que a experiencia metafórica de “fundo de poço” são determinantes na conquista da abstinência e sobriedade.</p>



<p>O caminho de tratamento das&nbsp;<strong>DAC</strong>&nbsp;começa pela desintoxicação, depois exige o reconhecimento da dependência e o desejo de abstinência, levando em consideração a síndrome da dependência, abordando a família, fazendo a conscientização do risco das recaídas, o ressignificar dos velhos hábitos, o reconhecimento das situações de risco para recaída e a produção de estratégias de abstinência de curto prazo, porque a “batalha” é diária e, na maioria dos casos, pelo resto da vida.</p>



<p>As adições são doenças com características de comorbidade e codependêcia, desta forma nada que aja isoladamente pode ser eficaz. A cura depende de muitas intervenções nos aspectos pessoais, psíquicos, físicos, sociais, familiares e até espirituais. Porém, sem o real compromisso do dependente quase nada se pode fazer. Toda intervenção arbitrária e truculenta acaba gerando mais problemas e danos do que cura. Paciência e amor são as ferramentas essenciais para o sucesso do tratamento. Mesmo assim, teremos que encarar potencias muito significativas para que a transformação do ser aconteça. Mudanças sempre desencadeiam mecanismos de defesa e, nestes casos, teremos que enfrentar as reações biológicas, onde cada célula deseja manter o indivíduo no seu padrão viciante, além das resistências neuro cerebrais, psicoafetivas, familiares e sócio culturais.</p>



<p>Porque o cérebro, assim como nossas estruturas somáticas, tende a padrões viciantes, por isso é tão difícil mudança de hábitos, como a rotina alimentar para aqueles que desejam perder peso. Nosso cérebro consome de 20 a 25% da glicose e do oxigênio do organismo, apesar de representar, na média, apenas 2% do peso corporal, nesta perspectiva, a massa cerebral consome, proporcionalmente, de 60% a 80% a mais do que a corporal. Ele é uma máquina voraz, constantemente ligada para garantir a manutenção da vida biológica, produzindo rotinas e padrões repetitivos e automáticos, para a manutenção da vida, associando-as com os mecanismos de prazer e recompensas, produzindo dopaminas, serotoninas, endorfinas e outras substâncias. Desta forma, quando o sistema de recompensas é ativado entramos em modo automático de repetição e, em muitos casos, de compulsão, dificultando, cada vez mais, a capacidade de crítica reflexiva, tirando a autonomia da consciência. E esse mesmo mecanismo acontece, de forma ainda mais efetiva, com as substâncias psicoativas, como álcool outras drogas de abuso.</p>



<p>É preciso muito diálogo, muita sinceridade e muita disponibilidade para enfrentarmos um mundo tão desigual e sem perspectivas. Os vínculos estão sendo substituídos por eficácia e pelo acúmulo de bens. Os valores afetivos estão ficando em segundo plano. Nossos jovens estão perdidos e completamente diluídos frente a tantas demandas. Precisamos dar possibilidades criativas, sentimento de pertença e autoestima mais elevada aos jovens. Estamos assistindo uma crescente falta de entusiasmo para a vida. O grande desafio que temos para o futuro da humanidade é o engajamento entusiástico dos jovens para com as questões sociais e ecológicas. Sem isso teremos uma sociedade individualista, buscando um prazer hedônico e sem sentido. A dessacralização e o desencantamento do mundo, provocado pelo utilitarismo materialista e racional devem ser repensadas.</p>



<p>Encerro esse artigo lembrando que em 1996, a Unesco (Organização da Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), divulgou um estudo mundial sobre a educação, desembocando nesses quatro pilares:&nbsp;<strong>Aprender a ser</strong>;&nbsp;<strong>Aprender a conviver</strong>;&nbsp;<strong>Aprender a aprender</strong>; e&nbsp;<strong>Aprender a fazer</strong>; Observe que tudo começa pelo autoconhecimento, porque só assim que poderemos alcançar um sistema político democrático, de governança e não predatório,&nbsp; por ser sustentável e humanista, que poderá contribuir para um cenário onde a diferença entre os mais ricos e a população não seja tão desigual e desumana e que o consumo e a riqueza material deixem de ser sinônimos de prazer e sucesso.</p>



<p><em>WALDEMAR MAGALDI FILHO</em>&nbsp;&#8211; Psicólogo, Especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”, Analista didata do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa – e coordenador dos cursos de pós-graduação em Psicologia Junguiana; Psicossomática e Arteterapia e Expressões Criativas.</p>



<p>Email:&nbsp;wmagaldi@ijep.com.br</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Waldemar Magaldi &#8211; 19/02/2021</em></strong></h4>
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