<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos crença - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/crenca/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crenca/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 12 Oct 2026 15:52:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos crença - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crenca/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A Alma no Carrinho de Compras: A Ascensão do Mercado Espiritual Premium</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alma-no-carrinho-de-compras-a-ascensao-do-mercado-espiritual-premium/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Itala Resende Carvalhal]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 18:18:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[alma humana]]></category>
		<category><![CDATA[crença]]></category>
		<category><![CDATA[ego-self]]></category>
		<category><![CDATA[egocentrismo]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade premium]]></category>
		<category><![CDATA[gourmetização da espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[mercantilização da fé]]></category>
		<category><![CDATA[sagrado]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<category><![CDATA[status]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=13883</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma análise, à luz da psicologia junguiana, sobre como a espiritualidade contemporânea pode ser transformada em produto de luxo e status, afastando-se do verdadeiro processo de individuação, que exige o encontro e a integração da própria sombra.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alma-no-carrinho-de-compras-a-ascensao-do-mercado-espiritual-premium/">A Alma no Carrinho de Compras: A Ascensão do Mercado Espiritual Premium</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: <strong>Uma análise, à luz da psicologia junguiana, sobre como a espiritualidade contemporânea pode ser transformada em produto de luxo e status, afastando-se do verdadeiro processo de individuação, que exige o encontro e a integração da própria sombra.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, as transformações socioeconômicas trouxeram mudanças não apenas nos padrões de consumo e de status material, mas também na forma como as pessoas buscam sentido, transcendência, saúde mental e espiritualidade. Em um cenário marcado pelo esgotamento do materialismo e do capitalismo, observamos o surgimento de uma nova tendência no mercado de alto padrão, com a mercantilização e elitização também da espiritualidade.</p>



<h2 id="h-nesse-artigo-analisarei-sob-a-perspectiva-junguiana-como-esse-fenomeno-do-que-podemos-chamar-de-espiritualidade-premium-ou-gourmetizada-passa-por-uma-busca-cada-vez-mais-vazia-de-apropriacao-de-praticas-contemplativas-e-de-rituais-e-saberes-ancestrais-por-parte-da-industria-da-espiritualidade" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Nesse artigo, analisarei, sob a perspectiva junguiana, como esse fenômeno do que podemos chamar de &#8220;espiritualidade <em>premium</em>&#8221; ou &#8220;gourmetizada&#8221; passa por uma busca, cada vez mais vazia, de apropriação de práticas contemplativas e de rituais e saberes ancestrais por parte da indústria da espiritualidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente ostentação era ter uma mansão, um carrão importado, viajar para o exterior, como forma de mostrar ao mundo como o indivíduo era bem-sucedido. Hoje podemos perceber uma tendência de mudança nesse status. Ostentar hoje não é só sobre o que eu tenho, mas também demonstrar um estilo de vida saudável e espiritualizado. É ter uma alimentação impecável, ser fitness, vida equilibrada, meditar, ir à igreja todos os domingos, passar as férias em um retiro&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claro que não há nada de errado em querer viver bem e saudável, a questão é, se isso é um verdadeiro chamado da alma, ou apenas algo bonito para mostrar nas redes sociais e provar para os outros. Será que não estamos apenas criando uma persona para atender as expectativas da sociedade, e assim, criando mais problema emocional e até físico em busca dessa vida perfeita e equilibrada?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung, a religião é a expressão mais antiga e universal da alma humana e, portanto, essencial para o indivíduo que, sem esta, ficará em desequilíbrio (Cf. Psicologia e Religião, pg.09). Assim, na visão da psicologia analítica, o fenômeno religioso representa um aspecto psicológico muito importante, uma vez que um dos propósitos básicos da religião é definir a ideia de bem e mal, contrapondo o mundo da escuridão ao mundo da luz, trazendo a ideia de céu e inferno e, dessa maneira determinar o comportamento moral da sociedade.</p>



<h2 id="h-ha-um-impulso-natural-arquetipico-de-busca-pelo-sagrado" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Há um impulso natural, arquetípico, de busca pelo sagrado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung dizia ainda que, o afastamento do sagrado era uma das principais causas das neuroses, uma vez que as pessoas perdem o caminho para dentro delas mesmas. Cabe esclarecer que com isso ele não estava dizendo que a pessoa tinha que seguir uma religião, mas sim encontrar o seu próprio caminho, o seu sagrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung define a religião (do latim <em>religere</em>) como a observação cuidadosa e conscienciosa do &#8220;numinoso&#8221;, que é uma existência ou efeito dinâmico não causado por um ato arbitrário da vontade, mas que se apodera e domina o sujeito. Ele, entretanto, já ressaltava o problema da atuação prática onde deparamos com certas exceções, como o grande número de práticas e rituais que são executados unicamente com a finalidade de provocar deliberadamente o efeito do numinoso, numa busca de uma causa exterior e objetiva divina. (Cf. Psicologia e Religião, pg.12).</p>



<h2 id="h-a-obra-junguiana-analisa-ainda-o-risco-de-transformar-a-experiencia-religiosa-em-algo-puramente-mundano-ou-estetico-que-parece-ser-o-fenomeno-que-estamos-vivendo-hoje-com-essa-espiritualidade-premium" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A obra junguiana analisa ainda o risco de transformar a experiência religiosa em algo puramente mundano ou estético, que parece ser o fenômeno que estamos vivendo hoje com essa espiritualidade ‘’premium’’.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma das suas muitas análises de sonhos de pacientes, ele descreveu uma igreja que se adapta ao mundo moderno com jazz e um ambiente de &#8220;alegria de viver&#8221; epicurista (cf. Psicologia e Religião, pg.36) e critica essa atitude como um &#8220;compromisso muito barato e superficial&#8221;, onde a seriedade austera do espírito é minada por uma alegria perfumada, gourmetizada, ignorando o conflito moral e a dor da alma.</p>



<h2 id="h-o-mercado-de-luxo-da-espiritualidade-por-sua-vez-tenta-imitar-esse-cenario-mas-oferecendo-o-numinoso-o-sagrado-destituido-de-sua-forca-transformadora-e-substituindo-o-por-um-sentimentalismo-religioso-que-nao-produz-um-efeito-moral-e-transformador-real" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">O mercado de luxo da espiritualidade, por sua vez, tenta imitar esse cenário, mas oferecendo o &#8220;numinoso&#8221; (o sagrado) destituído de sua força transformadora e substituindo-o por um sentimentalismo religioso que não produz um efeito moral e transformador real.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme apontam os dados do <em>Global Wellness Institute</em> <a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>(2025), uma organização sem fins lucrativos com a missão de promover o bem-estar em todo o mundo, o setor de bem-estar mental e espiritual tem demonstrado crescimento exponencial, movimentando trilhões de dólares e consolidando o turismo de transformação como um dos segmentos mais lucrativos da economia global. Experiências que variam de retiros de silêncio imersivos em <em>resorts</em> luxuosos ou exótico jornadas xamânicas customizadas em instalações de alto luxo, exemplificam a convergência entre o sagrado e o excesso de materialismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo sentido, assistimos a olhos vistos o surgimento cada vez maior de igrejas e templos luxuosos, de gurus famosos cultuados por celebridades, cerimônias que parecem um espetáculo, bem como, de inúmeras possibilidades de imersões, cursos e retiros que custam uma fortuna, no que muitas vezes parece uma busca por ganância e poder, no lugar da real transcendência espiritual. Uma religiosidade voltada para a riqueza e prosperidade material. E aqui, não estamos falando de uma religião específica, pois esse é um fenômeno que podemos observar nas mais diversas religiões, cultos e crenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somos uma sociedade que visa o poder, lucro e acúmulo. Para cada vez mais ter, em vez de ser e para ostentar ao outro uma vida perfeita, feliz e equilibrada. E as religiões massificantes seguem essa lógica do mercado, descontruindo a alma.</p>



<h2 id="h-voce-nao-se-torna-iluminado-imaginando-figuras-de-luz-mas-sim-ao-tornar-a-escuridao-consciente-jung" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><em>&#8220;Você não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim ao tornar a escuridão consciente.&#8221; (Jung)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apenas pensar em coisas boas, frequentar lugares bonitos, que aparentemente irradiam luz, paz e espiritualidade, fingindo que a sombra não existe, não traz uma maturidade e evolução real. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Raras são as religiões que auxiliam o indivíduo nesse trabalho de ir para dentro, de se autoconhecer, em sua luz e sombra, de busca por uma evolução real, que sabemos não é fácil. Esse processo passa por se despir da persona, que nos serve também como escudo e proteção, evidenciando o nosso outro lado, a sombra. E, abrir mão dessa imagem ideal de nós mesmos, é um processo dinâmico e dolorido, com mortes simbólicas, mas que permitem a expressão do nosso verdadeiro eu. Fazendo isso o indivíduo também se libertará e romperá com essa dinâmica lucrativa do mercado.</p>



<h2 id="h-no-entanto-verificamos-que-a-grande-maioria-das-pessoas-nao-estao-dispostas-a-fazer-esse-mergulho-de-se-religar-a-sua-alma-pois-da-trabalho-e-nao-e-algo-confortavel" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No entanto, verificamos que a grande maioria das pessoas não estão dispostas a fazer esse mergulho de se religar à sua alma, pois dá trabalho e não é algo confortável.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na busca desse caminho mais fácil, a paz interior pode se tornar um bem de consumo privado e uma ferramenta de otimização da performance individual. A busca não é por transcendência, por evolução como ser humano. Não se busca a prática da caridade, do coletivo e a evolução espiritual, mas sim, somente mais uma forma de se sentir especial e privilegiado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desse contexto, a ascensão do mercado espiritual <em>premium</em>, nos traz a reflexão das contradições intrínsecas à transformação da busca por sentido em um produto de luxo. Dessa forma, devemos nos questionar de que maneira a mercantilização do sagrado opera realmente para preencher ou apenas anestesiar o vazio existencial da elite contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva junguiana, o processo de individuação, o torna-se si mesmo, é um processo teleológico que busca a existência de uma lógica com sentido e significado existencial. É o sair da uniformidade rasa e alienante da normalidade coletiva, onde cada indivíduo poderá valorizar sua singularidade na pluralidade e diversidade. Tem, assim, como meta a realização do Self, sendo parecido com o caminho da Iluminação.</p>



<h2 id="h-o-sentido-onde-caminha-a-nossa-existencia-e-ser-total-integral-e-juntar-todas-as-nossas-partes-ate-mesmo-aquelas-que-renegamos-que-nao-gostariamos-de-ter-mas-que-tambem-nos-constituem" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O sentido onde caminha a nossa existência, é ser total, integral. É juntar todas as nossas partes, até mesmo aquelas que renegamos, que não gostaríamos de ter, mas que também nos constituem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>processo de individuação</strong> não busca a perfeição, mas a realização do ser na sua plenitude, permitindo o reconhecimento e integração dos pares de opostos e da sombra, fazendo com que a vida se torne mais harmoniosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como visto anteriormente, para Jung a religião é um fenômeno psíquico que existe de modo irracional, assim como a fisiologia e anatomia, e, portanto, essencial para o equilíbrio do indivíduo. Podemos, assim, reconhecer a religião como uma das “ferramentas” do processo de individuação.</p>



<h2 id="h-em-sua-obra-jung-aborda-a-religiao-como-uma-funcao-da-psique-tratando-desse-conceito-nao-como-definicao-de-uma-crenca-mas-sim-trazendo-a-importancia-e-relacao-das-experiencias-religiosas-para-os-processos-internos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Em sua obra, Jung aborda a religião como uma função da psique, tratando desse conceito não como definição de uma crença, mas sim trazendo a importância e relação das experiências religiosas para os processos internos:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>&#8220;Na medida em que o fenômeno religioso apresenta um aspecto psicológico muito importante, trato o tema dentro de uma perspectiva exclusivamente empírica: limito-me, portanto, a observar os fenômenos e me abstenho de qualquer abordagem metafísica ou filosófica.&#8221; (JUNG, 1978, pg.10).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Jung explica que, o que ele entende pelo termo religião significa aquilo que nos impute zelo e um sentimento de reverência por algo de ordem superior, que ultrapassa aquilo que nos é conhecido, geralmente chamado de Divino. Religar a si mesmo. Aquilo que, segundo Jung, foi apresentado pelo alemão Rudolf Otto como numinoso (Cf.1978, pg.11). Assim, trazendo para uma leitura psicológica, religião é uma atitude transformada pela experiência do que transcende a consciência. É o reconhecimento de que existe algo além de nós mesmos e que interfere na nossa vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma postura religiosa para Jung é uma postura de respeito, de cuidado, que vai além do ego, é encontrar essa imagem divina (de totalidade) em cada um de nós. Assim, em linguagem religiosa, o processo de individuação pode ser compreendido como a realização do “divino” no homem. E, o objetivo não é o homem perfeito, mas o homem completo com sua luz e escuridão.</p>



<h2 id="h-o-mercado-de-luxo-espiritual-tende-entretanto-a-alimentar-a-hybris-da-consciencia-e-a-inflacao-do-ego-onde-o-individuo-escolhe-o-eu-em-sua-miserabilidade-visivel-para-senhor-do-universo-1978-pg-119-a-verdadeira-sabedoria-espiritual-entretanto-envolve-o-ego-se-curvar-a-algo-maior" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O mercado de luxo espiritual tende, entretanto, a alimentar a <em>hybris</em> da consciência e a inflação do ego, onde o indivíduo &#8220;escolhe o eu, em sua miserabilidade visível, para senhor do universo&#8221; (1978, pg.119). A verdadeira sabedoria espiritual, entretanto, envolve o ego se ‘’curvar’’ a algo maior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A espiritualidade <em>premium</em> foca somente no bem-estar, na luz e no positivo, fazendo com que o indivíduo se sinta cada vez mais único, superior e especial. No entanto, para Jung, o encontro com o Self é, primeiramente, o encontro com a nossa própria sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao profetizar e comercializar apenas o lado &#8220;luminoso&#8221;, o mercado da espiritualidade pode dificultar a integração da sombra, não havendo uma transformação real, mantendo o indivíduo em um estado de inocência infantil e unilateralidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Bíblia <em>&#8220;Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos&#8221;</em> (Mateus 22:14). Ao contrário do que possa parecer numa primeira leitura, essa metáfora, não trata de um Deus elitista selecionando nomes para uma área VIP ou <em>premium</em> no céu, onde somente uma minoria especial ou privilegiada terá acesso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se analisarmos essa passagem segundo a psicologia de Jung, o &#8220;chamado&#8221; é na verdade um apelo da nossa alma para expandir a consciência e se conectar com o <em>Self</em> (o nosso Eu mais profundo e verdadeiro). A &#8220;escolha&#8221;, por sua vez, não é um passe premiado que cai do céu, pois, como visto, o processo de autoconhecimento é duro e contínuo.</p>



<h2 id="h-o-convite-para-essa-transformacao-e-facultado-para-todo-mundo-mas-a-maioria-prefere-deixar-esse-chamado-para-se-distrair-com-a-rotina-com-os-prazeres-rapidos-do-consumo-e-com-as-regras-do-rebanho-que-diariamente-nos-inundam-as-redes-sociais" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O convite para essa transformação é facultado para todo mundo, mas a maioria prefere deixar esse chamado, para se distrair com a rotina, com os prazeres rápidos do consumo e com as regras do &#8220;rebanho&#8221;, que diariamente nos inundam as redes sociais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E, assim, transformamos essa busca ancestral e essencial em um produto de status. A espiritualidade vira vitrine, se torna apenas mais uma forma para exibir riqueza e busca para se sentir especial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O chamado continua ecoando o tempo todo. Mas, ser &#8220;escolhido&#8221; não é uma questão de ter um Deus lá fora te apontando o dedo ou de pagar caro por um retiro exclusivo ou pelo alto dízimo imposto, é a decisão de encarar o próprio mundo interior e aceitar o convite desafiador de se conectar com a totalidade e o numinoso que já habita em nós.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;Então, contou‑lhes esta parábola: ― Ninguém tira um remendo de roupa nova e a costura em roupa velha. Se o fizer, estragará a roupa nova; além disso, o remendo da nova não se ajustará à velha. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho novo romperá os odres, se derramará, e os odres se estragarão. Ao contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos</em>.&#8221;<em> <strong>Lucas 5:36-38,</strong> Bíblia</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A espiritualidade autêntica flui da plenitude da vida, que inclui tanto o sofrimento quanto a alegria, o belo e o feio, o bem e mal, o pobre e o rico. Um mercado que foca apenas no luxo e no conforto corre o risco de oferecer apenas &#8220;odres velhos&#8221; para o &#8220;vinho novo&#8221; da transformação psíquica, falhando em preparar o indivíduo para verdadeira jornada de auto transcendência e encontro real com o divino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/itala-carvalhal/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/itala-carvalhal/">Itala Resende – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; JUNG, Carl Gustav. <em>Psicologia e Religião.</em> Edição Digital. Petrópolis: Vozes, 1978</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ <em>Fundamentos da Psicologia Analítica</em>. 07ª Edição. Petrópolis: Vozes 1996.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ <em>A Natureza da Psique</em>. <a>Edição digital. Petrópolis: Vozes</a>, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ <em>Memórias, Sonhos, Reflexões</em>. 31ª Edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ <em>O Eu e o Inconsciente.</em> 27ª Edição. <a>Petrópolis: Vozes, 2021</a>a.<a></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ <em>Psicologia do Inconsciente</em>. 24ª Edição. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> https://globalwellnessinstitute.org/industry-research/2025-global-wellness-economy-monitor/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alma-no-carrinho-de-compras-a-ascensao-do-mercado-espiritual-premium/">A Alma no Carrinho de Compras: A Ascensão do Mercado Espiritual Premium</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Oxalá: o princípio, o tempo longo e a ética do fundamento</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/oxala-o-principio-o-tempo-longo-e-a-etica-do-fundamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Natalhe Vieni]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:39:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Orixás]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[crença]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[formação de analistas]]></category>
		<category><![CDATA[IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente coletivo]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[orixás]]></category>
		<category><![CDATA[Oxalá]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>
		<category><![CDATA[paterno]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[religiões de matriz africana]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=13117</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Oxalá meu Pai,venha nos valer.Com seu manto brancovenha nos cobrir.” (Ponto de Umbanda, autor desconhecido) Oxalá não chega com urgência.Ele chega com tempo. Enquanto outros Orixás se manifestam no movimento, na caça, na dor ou na ruptura, Oxalá sustenta o princípio. Ele é o Orixá da criação, da ordem possível, da matéria moldada com cuidado. [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/oxala-o-principio-o-tempo-longo-e-a-etica-do-fundamento/">Oxalá: o princípio, o tempo longo e a ética do fundamento</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><em>“Oxalá meu Pai,<br>venha nos valer.<br>Com seu manto branco<br>venha nos cobrir.”</em></strong></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><em>(Ponto de Umbanda, autor desconhecido)</em></strong></p>



<h2 id="h-oxala-nao-chega-com-urgencia-ele-chega-com-tempo" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Oxalá não chega com urgência.<br>Ele chega com tempo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto outros Orixás se manifestam no movimento, na caça, na dor ou na ruptura, Oxalá sustenta o princípio. Ele é o Orixá da criação, da ordem possível, da matéria moldada com cuidado. Senhor do branco, da lentidão e da paciência, Oxalá ensina que nem tudo se resolve pelo conflito ou pela ação imediata. Há processos que exigem espera, silêncio e amadurecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Conta o itã que Olodumaré confiou a Oxalá o pó primordial e o saco da criação,<br>e lhe deu a tarefa de criar a humanidade.<br>Oxalá moldou o corpo com cuidado,<br>mas cansou-se do caminho,<br>embriagou-se, tropeçou, errou a forma.<br>Ainda assim, não abandonou a criação.<br>Voltou. Refez. Sustentou.<br>Porque criar não é acertar de primeira,<br>é responder pelo que se cria.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oxalá não inaugura a perfeição. Inaugura o cuidado. Oxalá não vem para resolver rapidamente. Vem para sustentar o que ainda não tem forma.</strong> (ampliação minha)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>“Eu não criei o mundo para dominá-lo. Criei para que tivesse tempo.” (Itã de Oxalá, adaptado de PRANDI, 2001)</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Na mitologia africana, Oxalá é aquele que recebe de Olodumaré, o princípio criador supremo, a incumbência de dar forma ao mundo e à humanidade. Olodumaré não cria diretamente, ele confia. E confiar é um gesto ético profundo. A criação, nesse sentido, não é ato de onipotência, mas de responsabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há algo profundamente revolucionário nisso: Oxalá erra. E o erro, aqui, não é pecado, nem desvio moral. É parte do processo criativo. Não existe criação viva sem risco, sem exposição, sem imperfeição. E é justamente aí que reside sua humanidade simbólica. Oxalá não representa a perfeição absoluta, mas a ética do recomeço, do cuidado com aquilo que se cria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente das imagens ocidentais de um Deus onipotente, infalível e moralmente perfeito, Oxalá nos apresenta um princípio criador que aprende com a própria obra. Isso muda tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clinicamente, essa imagem é preciosa. Muitos sujeitos adoecem porque não suportam errar, mudar de ideia ou rever escolhas. Vivemos sob a tirania da performance e da coerência absoluta. Oxalá ensina outra lógica: a da responsabilidade contínua, não da perfeição inicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Criar a si mesmo, tarefa central do Processo de Individuação, envolve aceitar que versões anteriores do eu precisarão morrer, ser revistas ou corrigidas. Oxalá sustenta esse movimento sem humilhação. Ele ensina que amadurecer é aprender a responder pelo que se criou, inclusive pelos próprios enganos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá não explode, não corta, não impõe pela força. Ele estabelece. O limite, em Oxalá, não aparece como castigo, mas como condição de existência. Sem contorno, não há forma. Sem limite, tudo se dissolve. Oxalá representa a função paterna estruturante que organiza sem esmagar, orienta sem violentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa imagem é fundamental para pensar a clínica contemporânea. Muitos sofrimentos psíquicos decorrem da ausência de limites internos: sujeitos que não sabem parar, que não reconhecem o próprio cansaço, que se exigem até adoecer. Oxalá aparece como arquétipo daquele que diz, com firmeza silenciosa: até aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung lembra que “a unilateralidade da atitude consciente é continuamente compensada por conteúdos inconscientes” (JUNG, 2023, p. 44). Assim, quando o Ego se torna rígido ou excessivamente adaptado às exigências externas, algo da psique retorna, muitas vezes como sintoma, exaustão ou angústia. Oxalá aparece, então, como imagem restauradora do ritmo, do limite e da escuta.</p>



<h2 id="h-nao-se-trata-de-repressao-mas-de-cuidado-o-limite-de-oxala-protege-a-vida-do-excesso-ele-nao-nega-o-desejo-mas-o-orienta-nao-apaga-a-singularidade-mas-lhe-da-sustentacao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Não se trata de repressão, mas de cuidado. O limite de Oxalá protege a vida do excesso. Ele não nega o desejo, mas o orienta. Não apaga a singularidade, mas lhe dá sustentação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá também ensina o silêncio. Mas não o silêncio da omissão, o da escuta. Há momentos em que falar invade. Interpretar viola. Agir apressa o que ainda precisa maturar. Esse silêncio não abandona. Ele acompanha.</p>



<h2 id="h-cria-o-campo-onde-algo-pode-aos-poucos-ganhar-forma" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Cria o campo onde algo pode, aos poucos, ganhar forma.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na clínica junguiana, isso é fundamental. Nem toda angústia pede interpretação. Nem todo sofrimento pede explicação. Há experiências que precisam ser vividas antes de serem simbolizadas. Oxalá ensina o analista a sustentar presença sem intervenção constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num campo cultural marcado por feridas profundas na experiência do pai, seja pela ausência, seja pelo autoritarismo. Oxalá oferece uma imagem rara: a do pai que não abandona e não domina. Ele permanece e ensina a amadurecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá sustenta esse tempo. Ele não responde a tudo. Não resolve imediatamente. Não entrega atalhos. Seu silêncio é ético porque respeita o ritmo do outro e o tempo do processo. Assim como na criação do mundo, há momentos em que o gesto mais responsável é esperar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sequência dos vínculos de Oxalá é simbolicamente precisa. Ele se une primeiro a Iemanjá, depois a Nanã. Isso não é casual. Iemanjá representa a Grande Mãe das águas em movimento, do cuidado, da gestação da vida psíquica. Seu campo é o da maternagem, da proteção, da origem emocional. O primeiro vínculo de Oxalá com Iemanjá indica que nenhuma criação se sustenta sem cuidado, sem acolhimento, sem base afetiva.</p>



<h2 id="h-psicologicamente-isso-aponta-para-o-inicio-da-vida-psiquica-quando-o-mundo-e-vivido-a-partir-da-experiencia-materna-primaria-oxala-cria-mas-precisa-do-colo-da-agua-do-vinculo-a-criacao-sem-afeto-se-torna-arida-no-entanto-esse-vinculo-nao-e-suficiente-para-sustentar-o-tempo-longo-da-existencia" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Psicologicamente, isso aponta para o início da vida psíquica, quando o mundo é vivido a partir da experiência materna primária. Oxalá cria, mas precisa do colo, da água, do vínculo. A criação sem afeto se torna árida. No entanto, esse vínculo não é suficiente para sustentar o tempo longo da existência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá, então, se une a Nanã, a mais velha entre as divindades, senhora do barro, da morte, da ancestralidade e da decomposição fértil. Nanã representa o tempo profundo, aquilo que antecede e sucede a vida individual. Ao unir-se a Nanã, Oxalá reconhece que criar exige também aceitar o fim, a perda, o envelhecimento e a morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa passagem é arquetipicamente belíssima: da água que acolhe (Iemanjá) ao barro que devolve à terra (Nanã). Da maternagem à sabedoria do fim. Da vida que nasce à vida que retorna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clinicamente, isso revela um movimento essencial: amadurecer não é permanecer apenas no campo do cuidado, mas integrar a dimensão da finitude. Oxalá só se torna plenamente fundamento quando reconhece que a criação precisa do tempo de Nanã para não se perder na ilusão da eternidade.</p>



<h2 id="h-oxala-cria-oxala-sustenta-oxala-sabe-a-hora-de-se-retirar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><em>Oxalá cria.<br>Oxalá sustenta.<br>Oxalá sabe a hora de se retirar.</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Que possamos aprender com Oxalá a renunciar ao poder sem abandonar a responsabilidade. A sustentar o meio em tempos de extremos. E a assumir, sem vergonha, a alma que nos habita. Ele não permanece colado à obra. Sustenta, orienta, mas permite que o mundo siga. Essa retirada não é abandono, é confiança. Renunciar ao poder é reconhecer o outro como sujeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falar de Oxalá exige falar de Olodumaré. E falar de Olodumaré exige reconhecer um limite. Olodumaré não é um deus-personagem. Não tem rosto, não tem forma, não interfere diretamente na vida humana. Ele é o princípio absoluto, o mistério irredutível da criação. Diferente da lógica ocidental, que personaliza o divino, a cosmologia africana sustenta um sagrado que não se reduz à imagem humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa concepção dialoga profundamente com a Psicologia Analítica. Jung nos lembra que o Self, enquanto centro regulador da psique, não pode ser plenamente representado. Toda imagem é parcial. Toda tentativa de capturar o absoluto produz distorção. Olodumaré, nesse sentido, é imagem simbólica do irrepresentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá, então, torna-se mediador. Ele traduz o mistério em forma, o invisível em gesto, o absoluto em ética concreta. Ele não é o todo, mas aquele que sustenta o vínculo com o todo. É fundamental afirmar: Oxalá não é o pai patriarcal ocidental. Ele não governa pelo medo, não impõe pela força, não controla pelo castigo. Sua paternidade é ética, não autoritária. Ele cria, cuida, corrige e espera.</p>



<h2 id="h-no-campo-junguiano-isso-permite-uma-ampliacao-essencial-do-arquetipo-paterno" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">No <strong>campo junguiano</strong>, isso permite uma ampliação essencial do arquétipo paterno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá representa o Pai estruturante que não anula o feminino, não exclui o erro, não rompe com a vulnerabilidade. Ele sustenta limites, mas também sustenta acolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma cultura marcada por feridas profundas no campo do pai , muito vista nas nossas clínicas em ausências, violências, autoritarismos. Oxalá oferece outra imagem possível: a do pai que cria sem dominar, que orienta sem esmagar, que suporta o tempo do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O branco de Oxalá é frequentemente confundido com pureza moral. Essa leitura é colonizada. No simbolismo africano, o branco representa síntese, totalidade, potencial não diferenciado. É o branco que contém todas as cores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá veste branco porque sustenta o campo onde tudo pode vir a ser. Ele não escolhe lados, ele sustenta o espaço onde os opostos podem coexistir sem se aniquilar. Psicologicamente, isso se aproxima da função do Self como organizador da totalidade psíquica. Oxalá ensina que maturidade não é tomar partido impulsivamente, mas sustentar tensões sem colapsar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cajado de Oxalá, o opaxorô, não é cetro de poder. É apoio. Oxalá caminha apoiado. E isso diz muito. A autoridade que ele representa não se sustenta na força, mas na experiência. Não domina, ampara. Não exige submissão, oferece sustentação. Essa imagem dialoga diretamente com a ética clínica e institucional. Liderar, formar, orientar não é impor saber, mas sustentar processos. O opaxorô lembra que até quem fundamenta precisa de apoio. Não há onipotência aqui. Há maturidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Falar de Oxalá, Olodumaré e dos Orixás dentro da Psicologia Analítica não é um adorno multicultural. É um gesto ético e epistemológico. Durante décadas, o campo junguiano no Brasil reproduziu, muitas vezes sem questionamento, uma mitologia exclusivamente europeia, como se ela fosse universal.</p>



<h2 id="h-resgatar-a-mitologia-africana-e-reconhecer-que-o-inconsciente-coletivo-nao-e-homogeneo-que-ele-se-expressa-a-partir-de-matrizes-culturais-diversas-e-que-a-alma-brasileira-carrega-marcas-profundas-da-heranca-africana" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Resgatar a mitologia africana é reconhecer que o inconsciente coletivo não é homogêneo, que ele se expressa a partir de matrizes culturais diversas, e que a alma brasileira carrega marcas profundas da herança africana.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ignorar isso não é neutralidade, é apagamento.</p>



<h2 id="h-nesse-contexto-e-fundamental-reconhecer-o-carater-pioneiro-do-ijep-ao-inserir-de-forma-estruturada-o-estudo-dos-orixas-no-programa-de-psicologia-analitica-nao-como-curiosidade-folclorica-mas-como-conteudo-formativo-simbolico-e-clinico" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nesse contexto, é fundamental reconhecer o caráter pioneiro do IJEP ao inserir, de forma estruturada, o estudo dos Orixás no programa de Psicologia Analítica. Não como curiosidade folclórica, mas como conteúdo formativo, simbólico e clínico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse gesto rompe com uma tradição eurocêntrica e afirma que a Psicologia Analítica, para permanecer viva, precisa dialogar com a cultura em que se insere. Ao abrir espaço para Oxalá, Exu, Oxóssi, Obaluaê e outros orixás, o IJEP reconhece que a alma brasileira não pode ser compreendida apenas a partir de mitos europeus. Trata-se de um avanço teórico, clínico e ético. Um compromisso com a pluralidade simbólica e com a responsabilidade cultural da formação analítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oxalá é profundamente necessário hoje.<br>Em tempos de aceleração, ele ensina pausa.<br>Em tempos de polarização, ele sustenta o meio.<br>Em tempos de excesso de estímulos, ele devolve silêncio.</strong></p>



<h2 id="h-oxala-nao-inaugura-apenas-o-mundo-ele-inaugura-um-modo-de-criar" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Oxalá não inaugura apenas o mundo.<br>Ele inaugura um modo de criar.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa imagem é profundamente atual quando pensamos o Brasil e, mais especificamente, o pensamento psicológico brasileiro. Criamos muito, mas muitas vezes não assumimos o que criamos. Produzimos cultura, símbolos, modos de viver e sofrer, mas seguimos olhando para fora em busca de legitimação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá ensina o contrário: criar é comprometer-se com a própria obra. É sustentar aquilo que nasce de nós, mesmo quando não se encaixa nos modelos hegemônicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olodumaré representa o mistério que não se captura. Ele não se antropomorfiza, não se explica, não se reduz à imagem. Na Psicologia Analítica, isso ressoa diretamente com a noção de Self como centro regulador da psique, jamais plenamente consciente ou representável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma cultura perde a capacidade de sustentar o mistério, ela passa a importar respostas prontas. Importa modelos, teorias, mitos e imagens que não nasceram de sua experiência histórica. O resultado é um saber sofisticado, porém desenraizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá, como mediador entre Olodumaré e o mundo, simboliza a tarefa de traduzir o universal sem perder o enraizamento local. Ele não copia a criação, ele a encarna. Não replica um modelo externo, ele cria a partir do fundamento recebido.</p>



<h2 id="h-oxala-cria-mas-nao-governa-de-forma-tiranica-aquilo-que-cria-esse-e-um-dos-aspectos-mais-sofisticados-de-sua-imagem-simbolica-a-renuncia-consciente-ao-poder" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Oxalá cria, mas não governa de forma tirânica aquilo que cria.<br>Esse é um dos aspectos mais sofisticados de sua imagem simbólica: a renúncia consciente ao poder.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente das figuras criadoras onipotentes, Oxalá não permanece colado à obra. Ele sustenta, orienta, mas permite que o mundo siga seus próprios caminhos. Essa retirada parcial não é abandono, é confiança. Criar, aqui, não significa controlar cada desdobramento, mas aceitar que aquilo que nasce terá vida própria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista psíquico, essa imagem é fundamental. Muitos sofrimentos surgem quando o ego se recusa a abrir mão do controle: pais que não soltam os filhos, líderes que não descentralizam, analistas que não permitem a autonomia do analisando. Oxalá ensina que a verdadeira autoridade é aquela que não precisa se impor continuamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Renunciar ao poder é um gesto ético porque reconhece o outro como sujeito. Na clínica, isso se traduz na capacidade de sustentar o processo sem capturá-lo, de acompanhar sem dirigir, de confiar no tempo psíquico sem violentá-lo com intervenções excessivas.</p>



<h2 id="h-oxala-funda-e-ao-mesmo-tempo-se-desloca-do-centro-esse-movimento-e-raro-maduro-e-profundamente-necessario-em-tempos-de-autoritarismo-simbolico" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Oxalá funda e, ao mesmo tempo, se desloca do centro. Esse movimento é raro, maduro e profundamente necessário em tempos de autoritarismo simbólico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No ensaio publicado na Folha de S. Paulo, Waldemar Magaldi retoma a imagem do complexo de vira-lata, expressão consagrada por Nelson Rodrigues, para refletir sobre a dificuldade brasileira de reconhecer o próprio valor simbólico, cultural e intelectual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vira-lata não é apenas aquele que se sente inferior. É aquele que desconfia da própria origem, que acredita que tudo o que vem de fora é melhor, mais sério, mais profundo. Esse complexo atravessa o campo político, cultural e, de forma silenciosa, o campo psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pensamento junguiano praticado no Brasil, isso se manifesta quando mitologias europeias são tomadas como universais, enquanto as matrizes africanas e indígenas são vistas como “complementares”, “alternativas” ou “menos sofisticadas”. Trata-se de um equívoco simbólico grave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá nos confronta exatamente nesse ponto.</p>



<h2 id="h-assumir-oxala-como-fundamento-simbolico-nao-e-rejeitar-jung-freud-ou-a-tradicao-europeia-e-amadurecer-o-dialogo-e-sair-da-posicao-de-dependencia-simbolica-e-entrar-numa-posicao-de-co-criacao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Assumir Oxalá como fundamento simbólico não é rejeitar Jung, Freud ou a tradição europeia. É amadurecer o diálogo. É sair da posição de dependência simbólica e entrar numa posição de co-criação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá representa o Pai que não coloniza. Ele não exige submissão, mas responsabilidade. Ele não apaga as diferenças, mas sustenta o campo onde elas podem existir. Esse arquétipo permite pensar uma Psicologia Analítica enraizada na alma brasileira, sem perder rigor teórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando associamos Oxalá ao ensaio de Waldemar Magaldi sobre o complexo de vira-lata, algo se ilumina: talvez nossa dificuldade em assumir a mitologia africana, como fundamento simbólico, revele uma dificuldade mais profunda de assumir quem somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oxalá ensina criação sem submissão.<br>Criação sem vergonha da origem.<br>Criação que dialoga com o universal, mas nasce do chão.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Resgatar Oxalá no campo junguiano brasileiro não é ruptura com Jung, é fidelidade ao espírito da Psicologia Analítica: escutar as imagens vivas do inconsciente onde elas realmente emergem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assumir isso é um gesto oxaláico: Fundador, maduro, responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o Brasil assume seus Orixás como imagens legítimas do inconsciente coletivo, ele deixa de pedir permissão para existir simbolicamente. Sai da posição do vira-lata e entra na posição do criador responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá não escolhe entre Europa ou África. Ele sustenta o campo onde ambas podem ser pensadas, elaboradas e transformadas. Psicologicamente, isso corresponde a uma posição madura do ego cultural: capaz de dialogar com referências externas sem se alienar de si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inserir o estudo dos Orixás no programa de Psicologia Analítica não é apenas inovação curricular. É um gesto oxaláico. Um gesto de fundação simbólica. <strong>O IJEP assume que formar analistas no Brasil exige escutar a alma brasileira, com suas feridas, suas crenças, suas imagens e seus mitos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse pioneirismo rompe com o vira-latismo acadêmico e afirma que o inconsciente coletivo que nos atravessa fala também iorubá, bantu, indígena e etc. Fala pelo corpo, pelo ritmo, pela oralidade, pelo sagrado vivido.</p>



<h2 id="h-trata-se-de-uma-tomada-de-posicao-etica-e-clinica" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Trata-se de uma tomada de posição ética e clínica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá é especialmente convocado em tempos de ruptura civilizatória.<br>Quando os opostos se radicalizam, quando o discurso se polariza, quando a violência simbólica substitui o diálogo, a função de Oxalá torna-se vital: sustentar o meio sem cair na neutralidade vazia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sustentar o meio não é omissão. É tensão consciente. É recusar respostas fáceis, soluções imediatistas, inimigos absolutos. Oxalá não acelera processos históricos, mas impede que eles colapsem por excesso de radicalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil contemporâneo, essa imagem ganha força especial. Uma sociedade marcada por desigualdades profundas, violências históricas e apagamentos simbólicos precisa de fundamentos que não reproduzam a lógica do domínio. Oxalá oferece um princípio organizador que não se constrói pela exclusão, mas pela integração possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um gesto profundamente político no melhor sentido do termo: não partidário, mas civilizatório. Oxalá lembra que não há reconstrução social sem pausa, sem escuta e sem responsabilidade com o que se funda.</p>



<h2 id="h-quem-somos-quando-deixamos-de-imitar" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Quem somos quando deixamos de imitar?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando falamos de Oxalá como fundamento simbólico, não falamos apenas de um Orixá, mas de uma imagem possível do Self coletivo brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um Self que não é homogêneo, nem puro, nem linear. Um Self tecido por múltiplas matrizes &#8211; africanas, indígenas, europeias e outras &#8211; atravessadas por conflitos, violências e reinvenções. Oxalá, com seu branco que contém todas as cores, simboliza essa síntese sem apagamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assumir Oxalá como imagem legítima do inconsciente coletivo brasileiro é um passo decisivo para sair do lugar de imitação simbólica. Não se trata de rejeitar a tradição europeia, mas de deixar de colocá-la como único espelho possível. A Psicologia Analítica, quando praticada no Brasil, precisa dialogar com as imagens que efetivamente habitam a psique de seu povo.</p>



<h2 id="h-oxala-sustenta-esse-dialogo-sem-submissao-e-sem-ruptura-violenta-ele-permite-uma-integracao-cultural-reconhecer-o-que-nos-constitui-integrar-nossas-contradicoes-e-criar-a-partir-do-proprio-chao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Oxalá sustenta esse diálogo sem submissão e sem ruptura violenta. Ele permite uma integração cultural: reconhecer o que nos constitui, integrar nossas contradições e criar a partir do próprio chão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Oxalá caminha devagar porque sustenta muito.<br>Ele não corre porque sabe o peso do que carrega.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que possamos aprender com ele a criar sem violência, a errar sem nos destruir, a estabelecer limites sem culpa, e a silenciar quando o silêncio for o gesto mais ético.</p>



<h2 id="h-oxala-nao-promete-respostas-rapidas" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Oxalá não promete respostas rápidas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ele oferece fundamento.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E, às vezes, isso é tudo o que a alma precisa.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assumir nossa mitologia não é folclore. E que Oxalá nos ensine a criar sem negar nossas origens. Que Olodumaré permaneça como o mistério que orienta, não que oprime. E que possamos, finalmente, abandonar o medo de sermos quem somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que possamos aprender com Oxalá a criar sem violência, a sustentar o tempo sem desespero, a respeitar o mistério sem precisar dominá-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que Olodumaré permaneça como aquilo que não se explica,<br>mas se reverencia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E que a Psicologia Analítica, no Brasil, tenha coragem de continuar ampliando seus mitos, honrando a alma que a habita.</p>



<h2 id="h-salve-oxala-em-nos" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Salve Oxalá em nós!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/natalhe/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/natalhe/">Ms. Natalhe Vieni – Analista Didata em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra E. Simone Magaldi – Analista Didata e Fundadora do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: &quot;Oxalá: o princípio, o tempo longo e a ética do fundamento&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/ZtMJWei2Bq8?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BOFF, Leonardo. <em>Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra</em>. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras Completas, v. 8/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. (Obras Completas, v. 9/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A prática da psicoterapia</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras Completas, v. 16/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Waldemar. <em>Dinheiro, saúde e sagrado</em>. São Paulo: Eleva Cultural, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRANDI, Reginaldo. <em>Mitologia dos orixás</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZACHARIAS, José Jorge de Morais. <em>Orixás: arquétipos brasileiros</em>. São Paulo: Vetor, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="488" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-1024x488.png" alt="" class="wp-image-13121" style="aspect-ratio:2.0971265333557385;width:736px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-1024x488.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-300x143.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-768x366.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-150x72.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-450x215.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Matrículas abertas no <strong>Curso de Introdução à teoria de C.G. Jung </strong>&#8211; Início: 3/Agosto &#8211; Online e Ao Vivo<strong> </strong>&#8211; Para <strong>Graduados em geral</strong> &#8211; Segundas e Terças, das 20h às 22h &#8211; 16 aulas (Certificado 32h): <strong><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas" type="link" id="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas">Saiba mais</a></strong></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/oxala-o-principio-o-tempo-longo-e-a-etica-do-fundamento/">Oxalá: o princípio, o tempo longo e a ética do fundamento</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
