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	<title>Arquivos crise da meia idade - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 19:59:05 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos crise da meia idade - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Partejar a si mesmo: renascimento psíquico na maturidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/partejar-a-si-mesmo-renascimento-psiquico-na-maturidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Pessanha Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 18:08:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<category><![CDATA[transformação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>RESUMO: </strong><em>Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-momentos-da-vida-em-que-aquilo-que-antes-sustentava-o-sentido-trabalho-papeis-sociais-expectativas-reconhecimento-posicao-social-deixa-de-responder-as-perguntas-mais-profundas-da-alma-nbsp" style="font-size:18px">​​Há momentos da vida em que aquilo que antes sustentava o sentido — trabalho, papéis sociais, expectativas, reconhecimento, posição social — deixa de responder às perguntas mais profundas da alma.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-vida-segue-mas-algo-essencial-se-perde" style="font-size:18px"><strong>A vida segue, mas algo essencial se perde</strong>. Aquilo que antes organizava a identidade já não oferece sustentação. Instala-se um sentimento de vazio, uma perda de vitalidade, um desânimo, que frequentemente é confundido com fracasso pessoal ou até mesmo uma patologia. Esse estado costuma ser vivido com angústia, no entanto, esse esvaziamento não é, em si, depressão nem sinal de adoecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trata-se-muitas-vezes-de-uma-crise-de-identidade-o-individuo-ja-nao-se-reconhece-naquilo-que-antes-lhe-dava-contorno" style="font-size:18px">Trata-se, muitas vezes, de uma <strong>crise de identidade</strong>: o indivíduo já não se reconhece naquilo que antes lhe dava contorno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que agradava, já não satisfaz mais; valores que eram importantes perdem a força; surge a experiência de não saber mais quem se é. Esse desconhecimento de si pode ser profundamente desestabilizador — e exatamente por isso, carregado de <strong>potencial transformador</strong>. Perguntas antes irrelevantes tornam-se urgentes. “Por que eu gostava disso e agora não gosto mais?”, “O que, afinal, ainda faz sentido para mim?, “O que a vida quer de mim?”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na Psicologia Analítica, esse momento pode indicar uma <strong>exigência psíquica de transformação</strong>, típica da segunda metade da vida. A busca que se impõe já não é externa. Não se trata de novos projetos, novos papéis ou novos reconhecimentos. Trata-se de uma busca <strong>interior</strong>, que não pode ser simplesmente decidida ou planejada. Ela precisa ser gestada, sustentada e, finalmente, parida. É nesse horizonte que emerge a imagem central deste artigo: <strong>“partejar a si mesmo”</strong>, como símbolo de um processo interno árduo, inevitável e criativo do amadurecimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-etapas-da-vida" style="font-size:22px"><strong>As etapas da vida</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung descreve a primeira metade da vida como orientada fundamentalmente pela <strong>adaptação ao mundo exterior</strong>. O desenvolvimento da psique, nesse período, está centrado no fortalecimento e na estruturação do ego, que precisa se diferenciar progressivamente do inconsciente (JUNG, <em>2013</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nessa etapa o indivíduo desenvolve a personalidade parcialmente consciente, constrói a persona, sua vida funcional e produtiva. Trabalho, família, vida social e conquistas materiais tornam-se eixos organizadores da identidade. Trata-se de uma fase necessária e legítima do desenvolvimento psíquico. Sem um ego suficientemente estruturado, não há base para desenvolvimento de processos mais complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Contudo, Jung é enfático ao afirmar que essa lógica não pode reger toda a existência. Na <strong>segunda metade da vida</strong> surge uma relação diferente entre ego e Self. É o que Jung denomina <strong>metanoia</strong>: uma crise profunda de reorientação psíquica, na qual ocorre um questionamento radical dos valores até então vigentes. A libido (energia psíquica), antes predominantemente dirigida ao mundo externo, volta-se para o mundo interno. O ego passa a buscar o si-mesmo (centro regulador da psique) a procura de uma nova orientação para a vida. É chegado o momento do resgate da alma. A esse movimento Jung dá o nome de <strong>processo de individuação</strong>, entendida como o objetivo do desenvolvimento psíquico em direção à realização da totalidade da personalidade, ao tornar-se verdadeiramente quem se é.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para ilustrar essa inversão de valores, Jung compara o desenvolvimento humano ao curso diário do sol:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:5px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Suponhamos um Sol dotado de sentimentos humanos e de uma consciência humana relativa ao momento presente. De manhã, o Sol se eleva do mar noturno do inconsciente […] Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e este declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §778).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-inversao-nao-e-patologica-nem-opcional-simplesmente-acontece-quando-o-ego-insiste-em-viver-a-maturidade-segundo-a-logica-da-juventude-expansao-produtividade-adaptacao-externa-o-sofrimento-e-inevitavel" style="font-size:18px">Essa inversão não é patológica nem opcional, simplesmente acontece. Quando o ego insiste em viver a maturidade segundo a lógica da juventude — expansão, produtividade, adaptação externa —, o sofrimento é inevitável.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Da mesma forma que o indivíduo preso à infância recua apavorado diante da incógnita do mundo e da existência humana, assim também o homem adulto recua assustado diante da segunda metade da vida, como se o aguardassem tarefas desconhecidas e perigosas, ou como se sentisse ameaçado por sacrifícios e perdas que ele não teria condições de assumir, ou ainda como se a existência que ele levara até agora lhe parecesse tão bela e tão preciosa, que ele já não seria capaz de passar sem ela.” (JUNG, <em>A natureza da psique</em>, OC 8/2, §777)</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sofrimento-nesse-contexto-surge-pela-resistencia-a-transformacao-psiquica" style="font-size:18px">O sofrimento, nesse contexto, surge pela <strong>resistência à transformação psíquica</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung foi muito claro ao afirmar que é a recusa em aceitar a mudança, em atender ao chamado do Self, que traz sofrimento. Segundo ele, “para o homem que envelhece é um dever e uma necessidade dedicar atenção séria ao seu próprio si-mesmo. Depois de esbanjar luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe seus raios para iluminar a si-próprio.” (JUNG, 2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No entanto, é muito comum vermos essa recusa perdurar até depois da metanoia, que costuma acontecer por volta dos 40 anos. Importante deixar claro que o envelhecimento, não leva necessariamente ao amadurecimento psíquico. Para que isto ocorra, o indivíduo deve aceitar esse chamado com consciência e confiança. O processo de amadurecimento pode acontecer tardiamente, ou até mesmo, nunca acontecer.&nbsp; E se assim for, se vive uma velhice sem sentido, em profunda depressão, acompanhado somente das lembranças do passado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-renascimento-psiquico" style="font-size:22px"><strong>O renascimento psíquico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A recusa em viver o envelhecimento sem sentido pode levar as pessoas ao processo do <strong>renascimento psíquico</strong>. Jung se debruçou sobre esse tema, considerando-o como um arquétipo. Isso porque a ideia de renascimento está presente na história da humanidade e amplamente difundida por meio de mitos em diferentes culturas. O renascimento pode ser ocasionado por um evento externo, como por exemplo, uma doença ou a morte de um ente querido, ou interno, como o caso da metanoia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Renascimento, portanto, <strong>não equivale a recomeçar a vida</strong> nem a buscar uma juventude tardia. Trata-se de uma <strong>morte simbólica</strong> de antigas identificações egóicas, acompanhada de desorganização do ego e da emergência de novas imagens orientadoras do Self. Jung descreve diferentes formas de renascimento: a <em>renovatio</em>, na qual funções psíquicas são fortalecidas sem alteração essencial da personalidade; a <strong>transformação no sentido de ampliação</strong>, a possibilidade de modificação da personalidade; e o <strong>renascimento indireto</strong>, pela participação em processos ou ritos de transformação (JUNG, <em>2014</em>). Na maturidade, é frequentemente a transformação que se impõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo não é confortável. Ele envolve perda de certezas, desorientação e espera. O ego perde centralidade, e o Self passa a orientar a vida psíquica. Novas imagens e valores emergem do inconsciente, exigindo elaboração simbólica e ética.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-partejar-a-si-mesmo" style="font-size:22px"><strong>Partejar a si mesmo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O renascimento desejado na maturidade é, portanto, um processo consciente, ou seja, de ampliação de consciência. E exige muito trabalho e dedicação. É nesse campo que se insere a imagem simbólica de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>. Partejar a si mesmo não é um projeto de autoaperfeiçoamento; é responder ao <strong>chamado do Self</strong>. É uma experiência psíquica: o nascimento de algo novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como todo parto, trata-se de um processo marcado por dor, tempo próprio e impossibilidade de controle. O novo não nasce por decisão racional; ele nasce <strong>apesar do ego</strong>. Partejar a si mesmo é suportar os lutos inerentes à maturidade: deixar morrer personas que garantiam pertencimento, abandonar ideais de onipotência, integrar aspectos sombrios da personalidade que permaneceram dissociados durante a vida produtiva. O que nasce não é um “novo eu” idealizado, mas uma <strong>nova relação entre ego e Self</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para partejar a si mesmo, é necessário um ego suficientemente flexível, capaz de sustentar a tensão com o inconsciente, sem colapsar nem se defender rigidamente. Esse processo ocorre no tempo do <em>kairós</em>, o tempo da alma, e não no tempo cronológico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transformacao-psiquica-exige-tomada-de-consciencia" style="font-size:18px">A transformação psíquica exige <strong>tomada de consciência.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo só se torna possível por meio daquilo que Jung denominou <strong>função transcendente</strong> &#8211; um processo que emerge da tensão entre consciente e inconsciente:&nbsp; passado e futuro, vida externa esvaziada e exigência interna ainda informe. Quando o ego suporta essa tensão sem repressão ou identificação inflacionada, surgem símbolos vivos — sonhos, imagens, sintomas significativos — que mediam a transformação psíquica. Jung afirma que, nesse movimento, conteúdos inconscientes são assimilados pela consciência, ampliando-a e produzindo uma nova atitude diante da vida (JUNG, 2013).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Ninguém que haja passado pelo processo de assimilação do inconsciente poderá negar o fato de ter-se emocionado profundamente e de ter-se transformado.</p><cite>JUNG, <em>O eu e o inconsciente</em>, OC 7/2, §361</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse momento da vida, as perguntas que se impõem não dizem mais respeito ao que foi conquistado ou desempenhado externamente, mas à <strong>verdade psíquica</strong> que sustenta — ou não — essa trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“As personas (máscaras sociais) que desempenhei durante toda minha vida estão conectadas aos valores do Self?”</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“Reconheço minhas partes reprimidas da personalidade (sombras), aqueles piores defeitos ou então aquela potencialidade que não tive coragem de assumir?”</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“Quem eu sou para além da história e dos papeis que representei?”</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-recusa-da-espera-da-morte" style="font-size:22px"><strong>A recusa da espera da morte</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sob essa perspectiva, o envelhecimento pode ser compreendido como um <strong>portal iniciático</strong>. A perda de valor da persona social não é um empobrecimento, mas uma convocação à interiorização. A recusa em “esperar a morte” — tão frequente em culturas que associam valor à produtividade — pode ser lida como resposta do Self à estagnação psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como imagem contemporânea desse processo temos o filme <strong>Azul Profundo</strong>. O filme acompanha uma mulher idosa que, após a aposentadoria forçada, se vê retirada do mundo produtivo e confrontada com a expectativa social de recolhimento e espera passiva da morte. Em vez disso, a personagem recusa essa morte psíquica antecipada e inicia um movimento de reinvenção subjetiva, ainda que marcado por solidão, estranhamento e conflito. A crise vivida pela protagonista não se configura como depressão, mas como <strong>desorientação existencial</strong>: aquilo que antes estruturava o cotidiano já não existe, e nada ainda ocupou o lugar deixado por essa perda. A personagem não “se reinventa”; ela <strong>atravessa uma morte simbólica</strong>. A recusa em simplesmente “esperar a morte” não se expressa como rebeldia, mas como <strong>persistência em permanecer viva psiquicamente</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-observa-que-quando-o-desenvolvimento-psiquico-e-interrompido-a-vida-perde-sentido-e-o-individuo-adoece-nao-por-envelhecer-mas-por-deixar-de-se-transformar-jung-2013" style="font-size:18px">Jung observa que, quando o desenvolvimento psíquico é interrompido, a vida perde sentido e o indivíduo adoece não por envelhecer, mas por deixar de se transformar (JUNG, 2013).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O filme encarna essa afirmação ao mostrar que a velhice, quando reduzida à inutilidade social, torna-se insuportável; mas quando vivida como território de escuta e transformação, pode adquirir outro estatus simbólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse sentido, o filme ilustra com precisão a imagem de <strong>“partejar a si mesmo”</strong>: algo precisa morrer, algo ainda não tem forma, e o ego — despojado de seus antigos papéis — precisa suportar a dor, o tempo e a incerteza desse processo. O novo sentido, se surgir, não virá como conquista do ego, mas como resposta silenciosa do Self à coragem de não viver de forma falsa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como disse Jung: “a vida tem de ser conquistada sempre e de novo&#8221; (JUNG, 2013). Quando a vida externa já não oferece sentido, a psique não está falhando. Ela está exigindo transformação. Nem todo envelhecimento conduz à individuação; mas <strong>sem atravessar a crise</strong>, ela não ocorre.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Partejar a si mesmo</strong> não é escolha confortável, nem promessa de plenitude. É seguir o chamado da alma, quando já não é mais possível viver de outra forma. Em última instância, é responder à pergunta que inaugura a maturidade: <strong>quem sou eu quando já não sou quem fui?</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: &quot;Partejar a si mesmo renascimento psíquico na maturidade&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/EC0BaGsVZ-Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/ana-paula-pessanha-lima/"><strong>Ana Paula Pessanha Lima &#8211; Membro Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h3>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2015). <em>O eu e o inconsciente</em> (OC 7/2). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2013). <em>A natureza da psique</em> (OC 8/2). Petrópolis: Vozes.<br>JUNG, C. G. (2014). <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em> (OC 9/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2013). <em>Desenvolvimento da Personalidade </em>(OC 17). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>METANOIA E MENOPAUSA, A CRISE DA MEIA IDADE FEMININA</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/metanoia-e-menopausa-a-crise-da-meia-idade-feminina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laiana Nascimento Neves Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Mar 2026 18:46:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[crise da meia idade]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
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		<category><![CDATA[menopausa]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analitica]]></category>
		<category><![CDATA[PsicologiaJunguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo trata da crise da meia idade associada à menopausa e traz algumas reflexões de como essa crise pode ser vivenciada e superada de forma positiva ou negativa, uma vez que a crise é inevitável. Porém, tudo dependerá do manejo, de como se lida com a crise e se há abertura para lidar com a nova realidade. E diante disso, se continuará reprodutiva do ponto de vista criativo e espiritual ou se ficará presa à questão da reprodução biológica e desperdiçará toda a capacidade de continuar procriando.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Este artigo trata da crise da meia idade associada à menopausa e traz algumas reflexões de como essa crise pode ser vivenciada e superada de forma positiva ou negativa, uma vez que a crise é inevitável. Porém, tudo dependerá do manejo, de como se lida com a crise e se há abertura para lidar com a nova realidade. E diante disso, se continuará reprodutiva do ponto de vista criativo e espiritual ou se ficará presa à questão da reprodução biológica e desperdiçará toda a capacidade de continuar procriando.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A metanoia, conhecida popularmente como crise da meia idade, é o processo que se interpõe na vida de um sujeito que se encontra no meio da vida, e acontece, aproximadamente, entre 35 a 50 anos. Trata-se de uma fase de transição que causa angústia, pois uma crise de ordem psíquica se instala, surgindo diversos questionamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Geralmente, o indivíduo reavalia todas as áreas da vida e muitas vezes constata que grande parte das suas realizações não fazem mais sentido ou que houve uma alteração de valores. Surgem as insatisfações, e tudo o que antes satisfazia, bem como o que também o preenchia, agora não o preenche mais. O Ego – o administrador da consciência, também chamado por Jung de Eu – entra em sofrimento e o sujeito costuma ter a sensação de vazio, tristeza e perda de sentido da vida. Sente-se perdido e solitário na escuridão, como nas palavras de Dante em sua obra A divina comédia – Inferno:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-metade-do-caminho-da-vida-pelo-qual-caminhamos-acordei-e-me-vi-no-meio-de-uma-floresta-escura-onde-a-estrada-certa-havia-desaparecido-completamente-dante-1974" style="font-size:18px"><strong>“Na metade do caminho da vida pelo qual caminhamos, acordei e me vi no meio de uma floresta escura onde a estrada certa havia desaparecido completamente.”</strong> (Dante, 1974)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Deste modo, o Ego é assolado por pensamentos do tipo: o que eu passei anos construindo e pelo que me dediquei tanto para alcançar. Agora não vejo mais graça! E agora?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em paralelo a essa questão psíquica, em termos comportamentais, o sujeito pode ser visto como desajustado pela comunidade em que se encontra inserido, uma vez que as mudanças surgem e é possível que sejam observadas como transgressões. E o sujeito sente-se então incompreendido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste momento da vida, ocorrem muitas vezes as transições de carreira profissional, a mudança de parceiros amorosos ou a reestruturação dos relacionamentos, a mudança de ciclos de amizades, a realização do não vivido na primeira metade da vida, o abandono ou mudança de religião e outros&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há uma queda do movimento de progressão da energia psíquica, que facilita ao Ego a retirada de algumas projeções &#8211;&nbsp; que sempre são inconscientes. Este momento de crise pode acontecer de forma mais violenta na proporção da unilateralidade da atitude consciente, e esse fenômeno Jung chama de enantiodromia, gerando compensatoriamente a regressão da energia psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com a diminuição das projeções, devido ao reconhecimento da sombra, o mundo externo, em um movimento de progressão da energia psíquica predominante na primeira metade da vida, destinada à construção da persona, o indivíduo começa a enxergar as pessoas com quem se relaciona, os objetivos conquistados e os sistemas aos quais está inserido como realmente são; com sua respectiva luz e sombra; e não mais com uma visão, muitas vezes, idealizada e romantizada como fora outrora na primeira metade da vida adulta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conforme-citacao-de-jung" style="font-size:18px">Conforme citação de Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p><strong>Todo processo energético se assemelha a um corredor que procura alcançar sua meta com o máximo esforço e o maior dispêndio possível de forças. A ânsia do jovem pelo mundo e pela vida, o desejo de consumar altas esperanças e objetivos distantes constituem o impulso teleológico manifesto da vida que se converte em medo da vida, em resistências neuróticas, depressões e fobias, se fica preso ao passado, sob algum aspecto, ou recua diante de certos riscos sem os quais não se podem atingir as metas prefixadas. Mas o impulso teleológico da vida não cessa quando se atinge o amadurecimento e o zênite da vida biológica. A vida desce agora montanha abaixo, com a mesma intensidade e a mesma irresistibilidade com que a subia antes da meia idade, porque a meta não está no cume, mas no vale, onde a subida começou. A curva da vida é como a parábola de um projétil que retorna ao estado de repouso, depois de ter sido perturbado no seu estado de repouso inicial.</strong></p><cite>Jung, OC 8/2, §798</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Configura-se então um diálogo entre o Ego e o Si- mesmo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E uma vez que algo é visto, não tem como “desver”. Mas, ainda bem que se vê! Pois ao indivíduo é dado a grande oportunidade de revisitar as áreas de sua vida, refletir sobre o sentido do seu existir e a possibilidade de viver a segunda metade da vida com sentido e propósito de alma. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em uma sociedade capitalista, voltada para o externo, pautada no monoteísmo da consciência, onde o sujeito é convocado o tempo todo a <em>performance</em> de sucesso e ao hedonismo, há consequentemente uma resistência a voltar-se para dentro, ao viver com alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em um cenário como esse, quão grande dor e sofrimento é sentido pelo ego em meio a um processo de metanoia, uma vez que a energia psíquica, em um movimento de regressão introversiva, nesse processo de transição, exerce uma força atrativa que direciona a voltar-se às demandas do mundo interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Porém, há uma razão de ser. Na metanoia há a crise, mas também esta pode levar a transcendência. Simbolicamente, acontece uma morte e um renascimento, produz-se uma bagunça e depois organiza, ciclos se fecham e outros se abrem, deixa-se o velho para dá lugar ao novo. É um momento de turbulência!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mas há uma ordem que engendra o caos. Por trás de toda a desordem estabelecida na metanoia, a manifestação da crise e as transgressões, há uma exigência do Si-mesmo que deseja realizar-se. E, passada a transição, podemos inverter a perspectiva e dizer então que: do caos vem a ordem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-e-quando-a-metanoia-e-menopausa-acontecem-simultaneamente" style="font-size:18px"><strong>Mas e quando a metanoia e menopausa acontecem simultaneamente?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No universo feminino, devida à faixa etária em que ocorre a experiência da metanoia, acoplado a isso, geralmente acontece também a menopausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A crise da meia idade feminina pode ser mais evidente, uma vez que, a chegada da perimenopausa, que é o início da flutuação hormonal e o período que se estende até a menopausa propriamente dita, que por sua vez se configura como sendo a ausência de menstruação por doze meses consecutivos; vem com sintomas físicos importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como o início da metanoia, a perimenopausa não tem uma data certa de chegada. A mulher começa a perceber que tem alguma coisa acontecendo, mas não sabe bem ao certo o que é. Várias alterações de ordem física e emocional começam a ser sentidas por ela e pelo entorno relacional. Sintomas como ciclos menstruais irregulares, fogachos, suores noturnos, insônia, aumento de peso corporal, cansaço e irritabilidade, são os mais comuns.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-um-chacoalhar-das-estruturas" style="font-size:18px"><strong>Há um chacoalhar das estruturas.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Durante esse período, até que se chegue a constatação de que se trata do anúncio da menopausa e até mesmo depois de fechado o diagnóstico de tais alterações, a mulher entra em crise. Como corpo e mente são um só, a queda do estrogênio causa também um sofrimento ao ego, que passa a ter a sensação de instabilidade e descontrole no corpo. A mulher se vê em uma fase em que não se reconhece mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Além dos questionamentos feitos acerca das áreas da vida que geralmente são feitos no transcurso da metanoia, a mulher brasileira, ao se deparar com o encerramento da capacidade reprodutiva, ainda lida com mais algumas questões; em uma sociedade etarista, onde envelhecer é perder o seu valor e que apenas a juventude é vista como beleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Somado a isso, menopausa ainda é um tabu na sociedade brasileira e poucos estudos e pesquisas médicas foram realizados no mundo sobre essa fase da vida da mulher. Há ainda muita desinformação e nem mesmo entre as próprias mulheres esse assunto costuma ser abordado. Paira uma espécie de constrangimento, uma espécie de vergonha, o que prejudica a troca de ideais, informações e o acolhimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As mulheres quando jovens não são orientadas e nem preparadas para a chegada dessa fase da vida feminina. Deste modo, não é de se entranhar os relatos de se sentirem perdidas, incompreendidas e solitárias, pois muitas não dialogam sobre o que estão passando com a chegada dos sintomas, por não sentirem que haja espaço e acolhimento para essa temática.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-um-momento-liminar-e-uma-encruzilhada-e-uma-transicao-e-uma-metamorfose" style="font-size:18px"><strong>É um momento liminar, é uma encruzilhada, é uma transição, é uma metamorfose!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">À vista disso, o que se configura com a chegada da menopausa é mais um dos ritos de passagem que ocorrem na vida da mulher. É mais uma das metamorfoses que acontecem ao longo da vida feminina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como a puberdade e a menarca, que é a primeira menstruação, e posteriormente, para aquelas que se tornam mães, e para aquelas que passam pelo puerpério, alterações físicas e psíquicas também se apresentaram. E os sintomas da transição para a menopausa tendem a amenizar em aproximadamente dois anos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-menopausa-como-tributo-do-si-mesmo-para-levar-o-ego-ao-processo-de-individuacao" style="font-size:18px"><strong>Menopausa como tributo do Si-mesmo para levar o ego ao processo de individuação.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A chegada da menopausa configura também um chamado, um convite a evolução e ao amadurecimento. Metaforicamente, e diferente do que a sociedade atual prega, há uma liberação da mulher, com o fim da capacidade de reproduzir fisicamente, para passar a reproduzir criativamente e espiritualmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É dada a mulher a oportunidade de fazer a travessia e viver o seu mito pessoal, trazendo autenticidade e sentido para a própria vida. E deste modo, com a liberação que a menopausa traz, a possibilidade de entregar sua contribuição à coletividade. Estando livre para exercer outros papeis na sociedade e com as experiências vividas, transbordar o potencial que há para guiar, orientar, auxiliar e liderar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-tem-de-ser-conquistada-sempre-e-de-novo-jung-oc-8-2-142" style="font-size:18px"><strong>“A vida tem de ser conquistada sempre e de novo.” (Jung, OC 8/2,</strong><strong> </strong><strong>§ 142)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao perceber o chamado da alma, a mulher se depara com a incerteza dos desdobramentos da segunda metade da vida. Porém, caso não atenda ao chamado, ficará passível a uma vida neurótica, adoecida e sem significado. Ficando o ego alienado do Si-mesmo, atendendo muitas vezes, ao chamado de uma sociedade descompromissada com a realização da alma.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: METANOIA E MENOPAUSA, A CRISE DA MEIA IDADE FEMININA" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/WgHfzHN5cjc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Laiana Nascimento Neves Soares</strong> &#8211; <strong>Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/"><strong>Waldemar Magaldi </strong>&#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">DANTE, A. <strong>The divine comedy: hell</strong>. Translated by Dorothy L.Sayers. Penguin Books, 1974.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A natureza da psique</strong>.<strong>OC.8.2</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entre o Vivido e o Não Vivido: A Sabedoria da Velhice</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/entre-o-vivido-e-o-nao-vivido-a-sabedoria-da-velhice/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosana T W Hanada]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 15:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[crise da meia idade]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Envelhecer é, talvez, uma das experiências humanas mais universais e, paradoxalmente, menos compreendidas. Em uma sociedade que idolatra a produtividade, a juventude e o desempenho, o processo de envelhecimento costuma ser visto sob a ótica da perda: perda do corpo, do vigor, do espaço social, da autonomia. Entretanto, para a Psicologia Analítica, a velhice representa muito mais do que um declínio orgânico. Trata-se de um período decisivo para a alma, um momento em que os conteúdos esquecidos, negados ou não vividos ao longo da vida retornam, convidando a consciência para um diálogo profundo com o inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A metáfora solar utilizada por Jung ilustra esse processo ao afirmar que “<strong>a vida desce agora montanha abaixo, com a mesma intensidade e irresistibilidade com que a subia antes da meia-idade</strong>” (JUNG, 2013a, §798). A consciência, antes dirigida ao mundo e às suas exigências, passa a se voltar para o íntimo, em que um pedido de reorganização e de sentido começa a emergir. É nesse ponto que a velhice revela sua dimensão simbólica: um tempo em que a vida nos devolve a nós mesmos. É um convite à interiorização, ao recolhimento e à pergunta essencial: <em>“O que foi feito da minha vida e o que ainda falta integrar?”</em> O envelhecimento é uma espécie de retorno ao próprio eixo, quando o ego, já cansado de manter as personas, encontra-se diante da tarefa inevitável de olhar para si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esta reflexão nasce de duas fontes: minha trajetória pessoal e o estudo desenvolvido em meu trabalho sobre envelhecimento na conclusão do curso de psicologia junguiana. A intenção desse artigo é oferecer um olhar cuidadoso e humano sobre uma etapa que, embora temida, pode ser rica e libertadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-envelhecimento-como-movimento-de-interiorizacao" style="font-size:22px"><strong>O Envelhecimento como Movimento de Interiorização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung comparou a vida humana ao curso do sol: da aurora ao zênite, a energia progride para fora e para frente, expandindo-se em direção ao mundo (Cf. JUNG, 2014, §114). É o período da juventude e da maturidade inicial, dedicado à formação das personas, ao aprendizado social, ao trabalho, aos papéis familiares e à conquista de um lugar no mundo. Trata-se da fase em que a consciência se fortalece por meio da relação com o exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entretanto, ao atravessar o meio-dia simbólico da vida, algo começa a mudar internamente. A força que impulsionava o indivíduo para fora passa a demandar retorno, introspecção e simplificação. O olhar antes voltado para conquistas e estabilidade começa a buscar silêncio, significado e profundidade. Jung descreve esse fenômeno como uma mudança natural do eixo energético, um deslocamento do foco da adaptação externa para a integração interna, pois:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>O ser humano não chegaria aos setenta ou oitenta anos se esta longevidade não tivesse um significado para a sua espécie. Por isto, a tarde da vida humana deve ter também um significado e uma finalidade próprios, e não pode ser apenas um lastimoso apêndice da manhã da vida.</p><cite>JUNG, 2013a, § 787</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-segunda-metade-da-vida-a-alma-pede-um-outro-tipo-de-alimento-menos-material-mais-simbolico-menos-performatico-mais-essencial" style="font-size:18px">Na segunda metade da vida, a alma pede um outro tipo de alimento: menos material, mais simbólico; menos performático, mais essencial.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É o período em que muitas pessoas começam a questionar seus valores, suas identidades e até mesmo a necessidade de manter certas máscaras sociais. A persona, tão necessária na adaptação ao mundo externo (Cf. JUNG, 2015, §246), começa a se mostrar estreita para conter o movimento da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse processo costuma ser acompanhado por sentimentos de estranhamento, inquietação ou certo vazio. O que antes parecia suficiente, como carreira, desempenho, reconhecimento, segurança, status, já não oferece o mesmo sentido. É o inconsciente que está chamando a atenção da consciência para a necessidade de reorganização interna (Cf. JUNG, 2013b, §331b).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A vida moderna reforça um padrão que prolonga artificialmente a lógica da juventude: produtividade contínua, culto ao corpo, aceleração, hiperconexão, negação da fragilidade e da vulnerabilidade. Essa força cultural empurra o indivíduo a permanecer na expansão, mesmo quando sua psique pede quietude. O conflito entre essas duas dinâmicas, a externa coletiva e a interna individual, gera sofrimento e angústia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No entanto, do ponto de vista junguiano, este é justamente o momento mais potente da existência. É quando a pessoa tem a oportunidade de questionar as narrativas que construiu sobre si mesma e de permitir que as partes esquecidas de sua alma, muitas vezes relegadas ao inconsciente por exigências da persona e do contexto social, venham à luz (Cf. HOLLIS, 1995, p. 58). É uma fase em que as perguntas se tornam mais importantes que as respostas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-meia-idade-a-pessoa-fica-mais-suscetivel-a-ocorrencia-da-metanoia-que-pode-significar-expansao-da-consciencia-ir-alem-da-razao-logica-transcender-converter-se-ter-mudanca-de-crencas-ou-visao-de-mundo-magaldi-2023" style="font-size:18px">Na meia-idade, a pessoa fica mais suscetível à ocorrência da metanoia, que pode significar “expansão da consciência, ir além da razão lógica, transcender, converter-se, ter mudança de crenças ou visão de mundo” (MAGALDI, 2023).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O envelhecimento, então, deixa de ser interpretado como perda e passa a ser compreendido como um convite para reorganizar a vida a partir da verdade interior, não mais das expectativas externas, mas um chamado para viver “melhor”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No caminho da individuação, esse movimento de interiorização representa maturação (Cf. JUNG, 2014, §91). Assim como o sol que se põe tingindo o céu de cores que só o entardecer pode produzir, o envelhecimento oferece tonalidades de sabedoria que não estão disponíveis em outras fases da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-nao-vivida-e-o-retorno-dos-conteudos-esquecidos" style="font-size:22px"><strong>A Vida Não Vivida e o Retorno dos Conteúdos Esquecidos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao atravessar a metade da vida, muitas pessoas descobrem que o passado, antes acomodado em silêncios, retorna, muitas vezes, com surpreendente intensidade. Sensações de nostalgia, lembranças persistentes, perguntas sobre escolhas feitas ou evitadas, e um sentimento difuso de que “algo essencial ficou para trás” começam a ocupar a paisagem interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nesse-momento-que-nossa-vida-nao-vivida-se-ergue-dentro-de-nos-exigindo-nossa-atencao-johnson-2010-p-9" style="font-size:18px"><em>“É nesse momento que nossa vida não vivida se ergue dentro de nós, exigindo nossa atenção” (JOHNSON, 2010, p. 9).</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung (Cf. 2013, §789), a vida vivida de forma expandida, útil, eficiente, com boa imagem social, emprego adequado e bom casamento são conquistas importantes e necessárias na primeira metade da vida, mas:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="is-style-large wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Infelizmente não são objetivos suficientes nem têm sentido para muitos que não veem na aproximação da velhice senão uma diminuição da vida e consideram seus ideais anteriores simplesmente como coisas desbotadas e puídas! Quantas coisas na vida não foram vividas por muitas pessoas – muitas vezes até mesmo potencialidades que elas não puderam satisfazer, apesar de toda a sua boa vontade – e assim se aproximam do limiar da velhice com aspirações e desejos irrealizados que automaticamente desviam o seu olhar para o passado (ibidem, p. 357).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nada-do-que-deixamos-de-viver-desaparece-tudo-e-preservado-no-inconsciente-a-espera-de-um-momento-propicio-para-emergir" style="font-size:18px">Nada do que deixamos de viver desaparece; tudo é preservado no inconsciente, à espera de um momento propício para emergir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A meia-idade é o momento propício para que isso ocorra, conteúdos antes reprimidos encontram passagem para a consciência, trazendo à tona aspectos esquecidos, negados ou simplesmente negligenciados (Cf. HOLLIS, 1995, p. 58). A psique tenta reparar e integrar aquilo que ficou sem lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essas imagens que emergem, os sentimentos que insistem, as memórias que reaparecem têm o propósito de ampliar a consciência, mesmo quando provocam desconforto. A nostalgia que muitos sentem é um sinal simbólico de que fragmentos da personalidade desejam ser reconhecidos. Ela aponta para partes legítimas de nós mesmos que, por circunstâncias diversas, não puderam se desenvolver.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-isso-a-vida-nao-vivida-nao-e-apenas-sombra-dolorosa-contem-tambem-brilho-vocacao-e-vitalidade-que-nao-encontrou-expressao-cf-johnson-2010-p-147" style="font-size:18px">Por isso, a vida não vivida não é apenas sombra dolorosa: contém também brilho, vocação e vitalidade que não encontrou expressão (Cf. JOHNSON, 2010, p. 147).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitas pessoas, ao envelhecer, se surpreendem ao reencontrar antigos desejos, gostos esquecidos, aspirações que adormeceram, sensibilidades que haviam sido abafadas pela necessidade de adaptação. Tudo isso ressurge, não para ser realizado literalmente, mas para ser integrado simbolicamente (<em>ibidem,</em> p. 239).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando esses aspectos retornam e não são reconhecidos, costumam produzir inquietação interna. A pessoa pode experimentar irritação frequente, rigidez, desânimo, ressentimentos difíceis de localizar, ou uma sensação persistente de inadequação. O sujeito percebe que viveu uma vida inteira respondendo às expectativas externas, familiares, sociais, culturais, e agora sente o peso de ter se afastado demais de si mesmo. Em alguns casos, esse processo pode manifestar-se em sintomas físicos, depressivos, sensação de fracasso ou medo de que o tempo restante não seja suficiente para viver de forma autêntica, conforme Stein (<em>apud </em>Pandini, 2014, p. 24).&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-fundamental-compreender-que-integrar-a-vida-nao-vivida-nao-significa-recuperar-literalmente-o-que-nao-foi-feito-algo-impossivel-e-muitas-vezes-fantasioso" style="font-size:18px">É fundamental compreender que integrar a vida não vivida não significa recuperar literalmente o que não foi feito – algo impossível e, muitas vezes, fantasioso.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A integração ocorre quando se permite que o significado daquilo que não foi vivido encontre expressão de alguma forma. Isso pode acontecer por meio da criatividade, da arteterapia, de novos interesses, de diálogos profundos, de maior liberdade emocional, de transformações internas, ou simplesmente pela capacidade de olhar para a própria história com autoperdão, compaixão e compreensão. Ao reconhecer esses conteúdos, o indivíduo resgata energia psíquica que estava aprisionada e sente-se mais inteiro, mais coerente consigo mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Envelhecer, assim, revela-se como um processo de reencontro. Não se trata apenas de revisitar o que passou, mas de compreender quem se tornou e quem ainda pode ser. A vida não vivida, quando acolhida, torna-se ponte entre o que fomos e o que podemos integrar. Ela permite que a última etapa da vida seja vivida em totalidade, com a serenidade de quem reconhece, nas palavras de Caetano Veloso, “a dor e a delícia de ser o que é” da canção “Dom de Iludir”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-envelhecer-a-luz-da-psicologia-analitica" style="font-size:22px"><strong>Envelhecer à luz da psicologia analítica</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Portanto, envelhecer é muito mais do que atravessar a última etapa cronológica da vida. Se a primeira metade da vida se organiza em torno da formação das personas, da adaptação ao mundo e da consolidação do ego, a segunda metade inaugura um processo inverso: a alma pede profundidade, interiorização e plenitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A velhice nos convida a rever a biografia pela ótica da presença. Não mais perguntamos “o que conquistei?”, mas “quem me tornei?”. Nessa fase, a necessidade de manter imagens sociais se afrouxa, permitindo que a autenticidade ganhe espaço. A consciência volta-se para temas outrora evitados como a vida não vivida, sendo uma oportunidade tardia de reconciliação. A proximidade da finitude, longe de ser apenas fonte de insegurança, desperta a urgência de viver o que ainda pode ser vivido, de integrar o que ficou esquecido e de honrar aquilo que não se pôde realizar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hillman-lembra-que-esses-fragmentos-da-biografia-nao-sao-descartaveis-eles-precisam-ser-transformados-pela-reflexao-tardia-em-substancia-capaz-de-fortalecer-o-carater" style="font-size:18px"><strong>Hillman</strong> lembra que esses fragmentos da biografia não são descartáveis, eles precisam ser transformados pela reflexão tardia em substância capaz de fortalecer o caráter.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A revisão da vida, esse gesto de olhar para trás não apenas para recordar, mas para compreender, permite que erros e acontecimentos antes dispersos revelem padrões e significado. É como se a velhice nos oferecesse a oportunidade de organizar nossa narrativa interna, reconhecendo que cada experiência, mesmo as mais dolorosas, fazem parte de nossa alma (Cf. HILLMAN, 2001, p.24).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando vivido com consciência, o envelhecimento torna-se um processo alquímico. O supérfluo se dissolve, o essencial se intensifica, e aquilo que parecia fragmentado encontra coerência (Cf. MAGALDI, 2020). Revisar a vida não é apagar dores nem refazer escolhas, mas reconhecer seu propósito no desenvolvimento da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ser humano não envelhece para morrer, mas para se tornar inteiro. O envelhecimento é a fase em que o Self, essa instância que transcende o ego, orienta com mais clareza seu chamado (Cf. JUNG, 2013a, §787). É como se, no crepúsculo da vida, a alma adquirisse uma outra luminosidade, menos solar, mais interior; menos expansiva, mais verdadeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, envelhecer torna-se um ato de coragem, a coragem de olhar para si, de acolher o que faltou, de reconciliar o vivido e o não vivido, de aceitar a própria história e de permitir que a vida siga seu curso natural. E é justamente nesse gesto de entrega, desapego e autenticidade que se revela a maior possibilidade dessa etapa: viver, finalmente, a vida como merece ser vivida – porque <strong>envelhecer é fazer da vida uma obra. E toda obra verdadeira, quando chega ao fim, não se encerra: se revela.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Entre o Vivido e o Não Vivido: A Sabedoria da Velhice" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/LrYSraK8mqI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/beatriz-whitaker/">Rosana T W Hanada – Analista em formação IJEP</a></strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James<em>. </em><em>A força do caráter</em> <em>e a poética de uma vida longa</em>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A passagem do meio. </em>Da miséria ao significado da meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSON, Robert. <em>A vida não vivida: </em>A arte de lidar com sonhos não realizados e cumprir o seu propósito na segunda metade da vida. São Paulo: Paulus, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A Natureza da Psique. </em>10.ed.Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ O <em>Desenvolvimento da Personalidade</em>. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Psicologia do Inconsciente</em>. 24.ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O Eu e o Inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar (2020). <em>Alquimia e Psicologia Junguiana</em>. <em>&lt;https://www.youtube.com/watch?v=zxKBRbY2ENE&gt; </em>Acesso em 29 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar (2023). Metanoia na Psicologia Analítica.&nbsp; &lt;<em>https://blog.ijep.com.br/metanoia-na-psicologia-analitica&gt;/</em> Acesso em 25 nov. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PANDINI, Ana. <em>Metanoia:</em> caminho para o desenvolvimento no meio da vida.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tese Doutorado USP. São Paulo, 2014. 176 f. Disponível em: &lt;<em>https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-19122014-110846/pt-br.php</em>&gt;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1019" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-1024x1019.png" alt="" class="wp-image-12470" style="aspect-ratio:1.0046691354049266;width:528px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-1024x1019.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-300x300.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-150x149.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-768x764.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso-450x448.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/03/x-congresso.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Conheça o <a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep" type="link" id="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep"><strong>X Congresso Junguiano do IJEP</strong></a>: &#8220;<strong><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep" type="link" id="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep">Crise da Meia Idade: O direito de envelhecer e de Morrer</a></strong>&#8221; &#8211; Online e Gravado &#8211; Certificado 30h: <a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep ">https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep </a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Longevidade: Uma jornada transformadora ou assustadora?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/longevidade-uma-jornada-transformadora-ou-assustadora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 May 2025 11:49:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A vida é uma pausa luminosa entre dois grandes mistérios que, contudo, são um.” C.G. Jung Resumo: Pessoas 50+: Esse público está crescendo de forma intensa no Brasil. Esse texto tem como objetivo analisar como essas pessoas estão se preparando para vivenciar essa etapa da vida. Como estão lidando com as mudanças que estão se [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“A vida é uma pausa luminosa entre dois grandes mistérios que, contudo, são um.”</em></p><cite>C.G. Jung</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em><strong>Resumo</strong>: Pessoas 50+: Esse público está crescendo de forma intensa no Brasil. Esse texto tem como objetivo analisar como essas pessoas estão se preparando para vivenciar essa etapa da vida. Como estão lidando com as mudanças que estão se processando em seu corpo físico, em suas emoções, em seu meio social e principalmente em seu mundo interno. Onde estão buscando referências ou apoios para atravessarem essa etapa da jornada? Enfim, esse texto é um convite à reflexão de: “Quem sou eu além da minha história de vida e dos papéis que interpretei?”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>60.212.062 pessoas 50+ no Brasil</strong>, esse é o número informado pelo <a href="https://contador.longevidade.com.br">Contador de Longevidade</a>, atualizado em 21/04/2025, às 15h44, momento em que começo a escrever essas linhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Para o cálculo desse número, o Contador de Longevidade utiliza-se de dados do IBGE e uma interface que permite a contabilização em tempo real.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-se-a-tecnologia-e-capaz-de-mensurar-de-forma-tao-apurada-a-realidade-do-crescimento-da-populacao-que-se-encaminha-para-o-entardecer-da-vida-qual-e-o-cenario-legitimo-dessa-populacao" style="font-size:19px">Mas se a tecnologia é capaz de mensurar de forma tão apurada a realidade do crescimento da população que se encaminha para o entardecer da vida, qual é o cenário legítimo dessa população?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Como ela está enfrentando as mudanças que advém nessa fase? As alterações físicas, as transformações hormonais, a falência das crenças e valores?</strong> A constatação de que se tem mais tempo vivido do que para se viver, além de sentimentos que começam a visitá-la de forma perturbadora, como por exemplo a solidão e o medo da morte?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jung</strong>, em seu livro <em><strong>Natureza da Psique</strong></em>, nos diz que os indivíduos entram totalmente despreparados na segunda metade de suas vidas, pois inexiste uma preparação para essa nova etapa, como por exemplo, as universidades que incluem e orientam os jovens para o início da fase adulta, ou pelo menos deveriam!</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>Entramos totalmente despreparados na segunda metade da vida, e, pior do que isto, damos este passo, sob a falsa suposição de que nossas verdades e nossos ideais continuarão como dantes</strong>. Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer.  </p><cite>(JUNG, 2013, p. 355)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-deparamos-aqui-com-mudancas-que-nao-sao-somente-fisicas-mas-de-principios-e-valores" style="font-size:19px">Deparamos aqui com mudanças que não são somente físicas, mas de princípios e valores. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Enquanto somos jovens e começamos a escalar a montanha de nossas vidas, nos orientamos por ideais e crenças que no entardecer da vida, muitas vezes, se tornam totalmente inadequados ou obsoletos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Aquilo que nos guiou durante o início de nossa jornada não fornece mais satisfação e plenitude, é como se estivéssemos com um mapa e descobríssemos, quase no final do trajeto, que o destino estava errado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>James Hollis</strong>, em seu livro <em><strong>Passagem do Meio</strong></em>, diz que esse momento ocorre quando a pessoa se vê obrigada a encarar a sua vida como algo além do que sucessão de anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Nessa fase o indivíduo tem a oportunidade de reexaminar a sua vida e se questionar: “<strong>Quem sou eu além da minha história de vida e dos papéis que interpretei?</strong>”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Como durante toda vida fomos condicionados a assumir e representar papéis, como o de filhos, companheiros, arrimos de família, mãe, pai, amigos, profissional etc., nós projetamos e cristalizamos nossa identidade exclusivamente neles e muitas vezes, ficamos identificados com essa persona e paralisamos nosso processo de experimentação e crescimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Para <strong>Hollis</strong> (1995, p. 30), “podemos dizer que a pessoa se encontra na passagem do meio quando o pensamento mágico da infância e o pensamento heroico da adolescência não mais coincidem com a vida que ela vivenciou”. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-momento-da-vida-a-pessoa-necessita-enfrentar-questoes-ate-entao-evitadas-e-assumir-responsabilidades" style="font-size:19px">Nesse momento da vida a pessoa necessita enfrentar questões até então evitadas e assumir responsabilidades.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa fase é um verdadeiro chamado para a mudança e para a transformação, ela convoca o indivíduo a uma interiorização, o foco que durante a primeira metade da vida estava direcionado para fora de si, vai gradativamente invertendo-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">É muito comum o indivíduo dizer que perdeu o interesse por atividades, lugares, ou pessoas, que antigamente lhe eram atraentes e que um vazio existencial ou uma angústia pela busca de um propósito em sua vida começa a ser uma questão constante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-primavera-da-vida-o-individuo-projeta-e-busca-fora-de-si-o-sentido-de-sua-vida-por-esta-razao-e-habitual-que-suas-escolhas-estejam-desconectadas-de-sua-vocacao" style="font-size:19px">Na primavera da vida, o indivíduo projeta e busca fora de si o sentido de sua vida, por esta razão, é habitual que suas escolhas estejam desconectadas de sua vocação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Sua graduação e sua carreira profissional, normalmente, são baseadas naquilo que é rentável, na sucessão familiar ou em <em>status</em>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O trabalho é aquilo a que nos dedicamos para ganhar dinheiro e satisfazer nossas necessidades econômicas. A vocação (do latim <em>vocatus</em>) é o que somos chamados a fazer com a energia da nossa vida. Sentir que somos produtivos é uma parte fundamental da nossa individuação, e deixar de responder à nossa vocação pode causar dano à alma. </p><cite>(HOLLIS, 1995, p. 101)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-nesta-fase-da-vida-direciona-sua-energia-na-conquista-de-dinheiro-poder-e-de-status-e-muitas-vezes-paga-um-preco-muito-alto-por-esse-objetivo" style="font-size:19px">O indivíduo nesta fase da vida direciona sua energia na conquista de dinheiro, poder e de <em>status</em> e muitas vezes paga um preço muito alto por esse objetivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na sociedade atual, um exemplo clássico são os <em>workaholics, </em>que dedicam horas excessivas ao trabalho em busca de alto desempenho. Como forma de regular esse comportamento obsessivo, a psique leva o corpo à uma psicossomatização. Conduzindo o indivíduo a um quadro de exaustão física, emocional e mental &#8211; intitulado de Síndrome de <em>Burnout </em>ou Esgotamento Profissional<em>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa desconexão com a vocação individual, ou as escolhas feitas priorizando os interesses materiais em detrimento dos interesses da alma, levam o indivíduo, no entardecer da vida, a constatar que algo está errado em sua trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Alguns se sentem perdidos, outros percebem que seu casamento está falido, alguns que sua vida profissional está desalinhada à sua vocação, ou que aquilo que disseram ser a receita para o sucesso e a felicidade não funcionou para eles, mesmo que tenham conquistado tudo aquilo que projetaram. Essa desconexão e desalinho com a realidade subjetiva faz com que esses indivíduos comecem a se deparar com alguns sintomas que podem ser físicos, emocionais ou espirituais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Hollis</strong> diz que os sintomas são como presentes para o indivíduo reajustar a rota da vida. Seria como uma exigência do Si-Mesmo (Self), e que “<strong>O indivíduo é intimado, psicologicamente, a morrer para o velho eu para que o novo possa nascer</strong>.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hollis-metaforiza-o-inicio-dessa-fase-como-sendo-uma-especie-de-pressao-tectonica-e-ondulacoes-sismicas-que-visam-abrir-espaco-para-que-o-si-mesmo-possa-realizar-se" style="font-size:19px">Hollis metaforiza o início dessa fase como sendo uma espécie de pressão tectônica e ondulações sísmicas, que visam abrir espaço para que o Si-mesmo possa realizar-se.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Invariavelmente, muito antes de a pessoa tornar-se consciente de uma crise os indícios e os sintomas já estão presentes: a depressão reprimida, o abuso do álcool, o uso de maconha para intensificar o ato sexual, casos amorosos, constantes mudanças de emprego, e assim por diante – esforços de anular, desprezar ou deixar para trás as pressões interiores. A partir do ponto de vista terapêutico, os sintomas devem ser bem recebidos, pois eles não apenas servem de flechas que apontam para a ferida, como também exibem uma psique saudável e autorreguladora em funcionamento.</p><cite>(HOLLIS, 1995, p.23)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O Si-mesmo representa a unidade e a totalidade da personalidade</strong>. Devido a totalidade ser composta de conteúdos conscientes e inconscientes ela só pode ser descrita em parte, pois, outra parte continua irreconhecível e indimensionável (<em>cf. Jung,</em> <em>Tipos Psicológicos, §902</em>).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Enquanto permanecermos basicamente identificados com o mundo exterior, objetivo, estaremos separados da nossa realidade subjetiva. É claro que somos sempre seres sociais, mas somos também seres espirituais com um telos ou um misterioso propósito individual. </p><cite>(HOLLIS, 1995, p.135)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Desta maneira, constatamos que o indivíduo, ao chegar ao entardecer da vida, necessita fazer um mergulho em seu mundo interior. Confrontar sua realidade subjetiva e ouvir o chamado de sua alma, para ser capaz de realizar seu <strong>processo de individuação</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2013a-dizia-que-era-um-dever-e-uma-necessidade-para-o-homem-que-envelhece-destinar-atencao-ao-seu-proprio-si-mesmo" style="font-size:19px">Jung (2013a) dizia que era um dever e uma necessidade para o homem que envelhece destinar atenção ao seu próprio si-mesmo.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe os seus raios para iluminar-se a si mesmo. Em vez de fazer o mesmo, muitos indivíduos idosos preferem ser hipocondríacos, avarentos, dogmatistas <em>elad iores temporis acti</em> (louvadores do passado) e até mesmo eternos adolescentes, lastimosos sucedâneos da iluminação do si-mesmo, consequência inevitável da ilusão de que a segunda metade da vida deve ser regida pelos princípios da primeira. </p><cite>(JUNG, 2013a, p. 356)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">É muito comum encontrarmos indivíduos presos ao passado, petrificados na vida, sobrevivendo de forma nostálgica, temendo e afastando os conteúdos sombrios sobre a velhice que se aproxima e querendo negar o fluxo da vida.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Os indivíduos de hoje estão à deriva e sem orientação, sem modelos e sem ajuda para atravessar os diversos estágios da vida. Desse modo, o entardecer da vida, que exige a morte antes do renascimento, é frequentemente vivenciada de forma assustadora e separadora, pois quase não existem mais ritos de passagem e quase nenhuma ajuda dos companheiros que estão igualmente à deriva. </p><cite>(HOLLIS, 1995, p.32)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-realizar-essa-travessia-o-que-nos-auxiliara-nessa-transicao-onde-buscar-orientacao-ou-um-modelo-a-seguir" style="font-size:19px">Como realizar essa travessia? O que nos auxiliará nessa transição? Onde buscar orientação ou um modelo a seguir?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">No entardecer da vida, entra em cena um quesito fundamental que nos auxiliará a minimizar o medo do desconhecido e realizar essa travessia de forma transformadora. Esse quesito é a <strong>Espiritualidade</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A espiritualidade na meia-idade é um novo despertar &#8211; na metade de nossas vidas &#8211; para o Espírito que há dentro de nós, e para o Espírito que nos cerca, no qual vivemos, nos movemos e temos nossa existência. No final da juventude, ou despertamos para &#8220;o mais querido e profundo frescor das coisas&#8221;, o mistério da vida e da morte, a consciência de uma nova vida, frequentemente surgida de nossas maiores dores e sofrimentos, ou nos tornamos velhos cansados, cínicos e, consequentemente, &#8220;apagados&#8221;. A espiritualidade se torna, na meia-idade, a razão e o modo como vivemos nossas vidas. (BRENNAM, 2004, p.10)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-diz-que" style="font-size:19px">Jung diz que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Nossas religiões têm sido sempre, ou já foram, estas escolas; mas para quanto de nós elas o são ainda hoje? Quantos dos nossos mais velhos se prepararam realmente nessas escolas para o mistério da segunda metade da vida, para a velhice, para a morte e a eternidade?” </p><cite>(Jung, 2013a)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-base-nesses-questionamentos-de-jung-eu-finalizo-esse-texto-convidando-os-as-seguintes-reflexoes" style="font-size:19px">Com base nesses questionamentos de Jung, eu finalizo esse texto convidando-os às seguintes reflexões:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quantas dessas 60.286.428 pessoas 50+ no Brasil &#8211; número atualizado em 08/05/2025, às 20h54, horário que finalizo meu artigo &#8211; estão se preparando para vivenciar essa etapa da vida de forma saudável, transformadora e de maneira a seguir o fluxo para o anoitecer da vida e rumo ao grande mistério que é a morte?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quantos estão se libertando das crenças limitadoras e projeções idealizadas na primeira fase da vida, que tanto petrificam ou acorrentam essa caminhada?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quantos estão buscando a espiritualidade para se lançarem nesse processo de autoconhecimento, autoiluminação e integração do eu com o Si-mesmo?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Apesar da vida ser essa pausa luminosa entre esses dois grandes mistérios, nós não podemos nos dar ao luxo de pausar nosso processo de individuação, pois poderemos decretar nosso óbito em vida, com medo do que acontecerá após a cortina se fechar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><em>Apesar da vida, muitas vezes, parecer assustadora, desejo que você faça dela uma jornada transformadora.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Longevidade: Uma jornada transformadora ou assustadora?" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/7y4a2i9bZuE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristiane-santos/">Cristiane dos Santos &#8211; Membro Analista em formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone D. Magaldi &#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.2"><a href="https://contador.longevidade.com.br">https://contador.longevidade.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.2">BRENNAN, Anne; BREWI, Janice. <em>Arquétipos Junguianos</em> A Espiritualidade na meia idade. São Paulo: Madras, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.2">HOLLIS, James. A Passagem do Meio. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.2">JUNG, C.G. &nbsp;A Natureza da Psique. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.2">_________&nbsp; &nbsp;Tipos Psicológicos. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Canais IJEP:</strong></p>



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		<title>A crise da meia-idade como chamado da alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crise-da-meia-idade-como-chamado-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caroline Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2025 13:35:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[crise da meia idade]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[insconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: A crise da meia-idade, embora frequentemente associada a um período negativo, pode ser reinterpretada como um chamado profundo da alma, um convite à introspecção e à transformação. Este artigo examina esse momento delicado da segunda metade da vida, sob a perspectiva da psicologia junguiana, ampliando o nosso olhar para a necessidade de reintegrar aspectos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Resumo: </strong>A crise da meia-idade, embora frequentemente associada a um período negativo, pode ser reinterpretada como um chamado profundo da alma, um convite à introspecção e à transformação. Este artigo examina esse momento delicado da segunda metade da vida, sob a perspectiva da psicologia junguiana, ampliando o nosso olhar para a necessidade de reintegrar aspectos não vividos da vida &#8211; que são essenciais para o desenvolvimento da personalidade e para a sensação de significado existencial mais profundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-desenvolvimento-da-humanidade-e-marcada-por-ciclos-de-crise-revolucao-e-transformacao-tanto-em-nivel-coletivo-quanto-individual" style="font-size:20px">A história de desenvolvimento da humanidade é marcada por ciclos de crise, revolução e transformação, tanto em nível coletivo, quanto individual.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A contemporaneidade, em particular, se caracteriza por uma intensificação dessas crises, manifestando-se em instabilidade política, econômica e social, e reverberando profundamente na experiência individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Momentos de <strong>crise</strong>, embora frequentemente associados a eventos puramente negativos, são, em sua essência, períodos que impulsionam mudança e transformação.&nbsp; </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>A própria etimologia da palavra &#8220;crise&#8221; remete a movimento, a um processo dinâmico que impulsiona a reflexão e a busca por novas possibilidades.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A profundidade das dúvidas e incertezas, inerentes aos momentos de <strong>crise</strong>, nos força a questionar padrões de comportamentos e paradigmas arraigados. Abrindo caminho para a (de)cisão – a ruptura com o conhecido e o surgimento de novas perspectivas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-da-psicologia-analitica-longe-de-representar-um-desastre-a-crise-se-configura-como-uma-oportunidade-de-confrontar-a-psique-a-fim-de-reconhecer-e-integrar-aspectos-sombrios-da-personalidade" style="font-size:20px">Na visão da psicologia analítica, longe de representar um desastre, a crise se configura como uma oportunidade de confrontar a psique, a fim de reconhecer e integrar aspectos sombrios da personalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Em momentos de crise, somos levados a refletir sobre nossas polaridades. Essa atitude de confrontação gera uma tensão psíquica que se manifesta como sofrimento, angústia e ansiedade. &nbsp;Embora desagradáveis, essas emoções podem ser impulsionadoras de mudança, levando à criatividade e à busca de novas soluções. No entanto, se reprimidas, podem resultar no desenvolvimento de patologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A necessidade de olhar para o mundo interno pode surgir de maneira natural, quando passamos por momentos difíceis e precisamos superar perdas, desafios e problemas diversos – ou através do estímulo para ampliação da consciência que ocorre durante o processo de análise.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-embora-possivel-em-qualquer-fase-da-vida-a-meia-idade-se-apresenta-como-um-periodo-particularmente-propicio-a-essa-busca-interna" style="font-size:20px">Embora possível em qualquer fase da vida, <strong>a meia-idade</strong> se apresenta como um período particularmente propício a essa busca interna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A inversão natural da energia psíquica, do mundo externo para o interno, combinada com a crescente consciência da finitude, impulsiona o anseio de reconciliação com as partes não vividas da personalidade. Levando à necessidade de <strong>integrar aspectos inconscientes</strong>, com o propósito de reunir nossos pedaços faltantes e nos tornamos inteiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A dor da <strong>crise de meia-idade</strong> frequentemente resulta da dissonância entre o &#8220;eu&#8221; autêntico e a personalidade construída ao longo da vida.&nbsp;As escolhas inevitáveis que fazemos implicam na renúncia de outras possibilidades, gerando um conflito interno, especialmente quando essas renúncias, que não foram vivenciadas, representam aspectos essenciais da nossa identidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Assim, podemos observar que sempre teremos que lidar com nossas possibilidades não vividas. No entanto, a problemática surge quando essas partes não vividas são fundamentais para a nossa sensação de completude.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jonhson-e-ruhl-esclarecem-que" style="font-size:20px">Jonhson e Ruhl esclarecem que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>&nbsp;A vida não vivida inclui todos os aspectos essenciais do sujeito que não foram integrados à sua experiência. São talentos e capacidades que foram abandonados ao longo da primeira metade da vida e permaneceram inconscientes. Estes aspectos não vividos encontram lugar no subterrâneo da nossa psique e, à medida que vamos envelhecendo, podem tornar-se problemáticos se não forem resgatados.</p><cite>(JOHNSON; RUHL, 2010)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-periodos-de-crise-temos-a-sensacao-de-estar-desconectados-de-nossa-propria-vida-p-erdendo-a-capacidade-de-sentir-prazer-e-se-envolver-nas-relacoes-e-situacoes-do-dia-a-dia" style="font-size:20px"><strong>Nos períodos de crise temos a sensação de estar desconectados de nossa própria vida</strong>. P<strong>erdendo a capacidade de sentir prazer e se envolver nas relações e situações do dia</strong> <strong>a</strong> <strong>dia.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Nestes momentos, somos atravessados por questionamentos como:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Quem sou eu?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>O que estou fazendo da minha própria vida?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Será que está é a profissão que realmente deveria estar seguindo?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>Será que está relação faz sentido para mim?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>A crise de meia-idade</strong>, portanto, se apresenta como uma oportunidade de confrontar a personalidade moldada pela aculturação, com o &#8220;si-mesmo&#8221; autêntico. Caracteriza-se, assim, por um período de conflito interno intenso que geralmente é acompanhado pela redução da energia disponível para a realização das atividades cotidianas. Essa experiência nos leva a questionar crenças e paradigmas que nortearam a nossa vida até então.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A resistência a essa confrontação, bem como a incapacidade de abandonar crenças ou relacionamentos que não fazem mais sentido, pode gerar sentimento de vazio existencial, angústia e falta de propósito, demonstrando que a vida está acontecendo desconectada das necessidades da alma. Já a conscientização e a integração dessas partes não vividas, por outro lado, abrem caminho para uma nova etapa de desenvolvimento pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-johnson-e-ruhl-salientam-que" style="font-size:20px">Johnson e Ruhl salientam que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>&nbsp;A tarefa mais importante da meia-idade é <strong>viver a vida não vivida</strong> em busca de ser mais realizado e trazer sentido à existência. Ao explorarmos a vida não vivida, ultrapassamos os limites de nossos medos, anseios e decepções, adquirimos nova vitalidade e energia e aprendemos a expandir nossa visão para além da consciência comum, assumindo nossa forma plena de ser.</p><cite>(JOHNSON; RUHL, 2010)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A vida nos oferece uma quantidade de energia suficiente para a nossa jornada, contudo, quando percebemos a redução progressiva dessa energia, é necessário nos questionar se as escolhas que estamos fazendo fazem sentido para a nossa alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Hollis</strong> salienta que “<em>somente observando a nossa perda de energia que podemos segui-la até o local da separação. A energia perdida é recuperável. Se escolhermos servir a alma a energia volta a nos servir.</em>”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Percebemos que o descontentamento e a falta de energia comum nos momentos de crise, podem servir como um portal que nos conduz à ressignificação das experiências vividas e a mudanças necessárias para nos expressar no mundo conectados com a alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diante-do-exposto-podemos-nos-questionar-qual-a-melhor-maneira-para-lidar-com-momentos-de-crise" style="font-size:20px"><strong>Diante do exposto, podemos nos questionar: qual a melhor maneira para lidar com momentos de crise?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Como já vimos, devemos lidar com a crise como uma oportunidade e não como um desastre</strong>. Buscando desenvolver um trabalho reflexivo para entender o propósito de estarmos passando por ela, qual o sentido desta situação em nossa vida e o que podemos aprender com essa experiência?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">As possíveis respostas encontradas durante a reflexão, embora dolorosas, por revelar nossas contradições, podem ser profundamente libertadoras, permitindo o resgate e a integração de potencialidades reprimidas.&nbsp; Essa nova compreensão pode proporcionar um redirecionamento de vida mais consciente e a descoberta de novos caminhos, mais plenos de realização existencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">No entanto, para o Self ganhar espaço e energia na vida, e poder atuar como uma bússola interna que a direciona segundo os anseios da alma, torna-se necessário o “morrer” simbólico de velhas atitudes e pensamentos, considerados essenciais pelo ego.&nbsp; Vale salientar, que essa “morte” não é literal, mas uma transformação que permite um renascimento mais autêntico e alinhado com a verdadeira essência do ser.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-enfatiza-que-a-psique-e-um-sistema-dinamico-a-qual-possui-caracteristicas-autocorretivas-e-compensatorias-fato-que-a-permite-retornar-sempre-a-sua-trajetoria-ou-seja-torna-se-si-mesmo" style="font-size:20px">Jung enfatiza que a psique é um sistema dinâmico, a qual possui características autocorretivas e compensatórias. Fato que a permite retornar sempre a sua trajetória, ou seja, torna-se si-mesmo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Corroborando com este ponto de vista, Jung traz a visão de <strong>metanóia</strong> como mudança radical vinda de um inconsciente que entra em conflito com a consciência sintônica e com o <em>status quo</em> adquirido com tanto esforço. Ela produz angústia, depressão, pensamento de morte, assim como perspectiva de liberdade, de novos planos e de um novo renovador que muda o rumo de uma vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-explica-que-a-palavra-metanoien-significa-justamente-mudar-de-mente-ou-mudar-a-maneira-de-pensar" style="font-size:20px">Jung explica que a palavra<em> metanoien</em> significa justamente “mudar de mente” ou “mudar a maneira de pensar.”</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A<strong> metanóia</strong> remete ao corte que rompe o contínuo da história, estabelecendo uma nova ordem, podendo acontecer tanto em nível coletivo como individual. Fala sobre a necessidade de mudanças ao longo da vida e remete tanto a noção de morte, quanto de renascimento compatível com a demanda inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Desta forma, percebemos que os aspectos da vida não vivida, repletos de potencial criativo, merecem atenção, pois representam uma rica fonte de motivação e propósito.&nbsp; As escolhas feitas ao longo da vida inevitavelmente levaram à repressão de outras facetas da personalidade, que agora podem emergir como novas oportunidades de desenvolvimento e direcionamento existencial.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-trazida-a-consciencia-a-vida-nao-vivida-pode-torna-se-o-combustivel-para-nos-levar-alem-de-nossas-limitacoes-atuais-e-em-direcao-a-uma-vida-mais-profunda" style="font-size:20px"><strong>Quando trazida a consciência, a vida não vivida pode torna-se o combustível para nos levar além de nossas limitações atuais e em direção a uma vida mais profunda.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Em última análise, a <strong>crise de meia-idade</strong>, apesar de seu caráter desafiador, apresenta-se como um catalisador fundamental para a introspecção e a subsequente reconexão com alma.&nbsp; Este processo permite a ressignificação de padrões comportamentais e ao direcionamento da energia vital para a realização do propósito da alma.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A crise da meia-idade como chamado da alma" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/frPLThR08Jg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/caroline/">Caroline Costa &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">JOHNSON, R. A.; RUHL, J. M. Viver a vida não vivida: A arte de lidar com sonhos não realizados e cumprir o seu propósito na segunda metade da vida. Petrópolis: Vozes, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">HOLLIS, James. A passagem do meio: da miséria ao significado na meia idade. São Paulo: Paulus, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:24px"><strong>Canais IJEP:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Saiba mais sobre nossos Cursos, Congressos e Pós-graduações</strong>&nbsp;com inscrições abertas: Psicologia Analítica, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas, matrículas abertas –&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>X Congresso Junguiano IJEP</strong>: Online e Gravado &#8211; 30h Certificação</p>



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		<title>O que você quer ser quando envelhecer?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-que-voce-quer-ser-quando-envelhecer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dulce Kurauti]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Nov 2019 12:23:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[crise da meia idade]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[ficar velho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A população brasileira está envelhecendo, ela não só está vivendo mais como também o aumento do percentual de idosos está levando a uma inversão na configuração da pirâmide etária, uma base mais estreita do que seu topo, ou seja, com mais idosos que jovens. Segundo dados do IBGE, em 2017 a expectativa de vida ao [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><a>A população brasileira está envelhecendo, ela não só está vivendo mais como também o aumento do percentual de idosos está levando a uma inversão na configuração da pirâmide etária, uma base mais estreita do que seu topo, ou seja, com mais idosos que jovens.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do IBGE, em 2017 a expectativa de vida ao nascer de um brasileiro era de 76 anos, um amento de três meses e 11 dias em um ano e se comparado com um dado bem mais antigo o ganho é mais significativo, para quem nasceu em 1940 a previsão era de que viveriam em média até os 45,5 anos, 31,5 anos a menos do que em 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O percentual de idosos na população também está aumentando, em 2017 as pessoas com 65 anos ou mais representavam 9% da população, e de acordo com as projeções do instituto, em 2039 chegará a 17%, quando pela primeira vez se iguala ao percentual de jovens, pessoas com menos de 15 anos. Em 2060 a previsão é de que uma em cada quatro pessoas no país tenha mais de 65 anos, 25% versus 15% de jovens, caracterizando a inversão da pirâmide etária do país, considerando que em 2010 esses valores eram 7% e 25% respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ampliando o olhar desses dados para as pessoas com 50 anos ou mais, em 2017 a previsão era de que eles viveriam em média até 80,5 anos, enquanto que em 1940 se esperava que vivessem até 69,1 anos, um aumento de 11,4 anos. Em termos de representatividade, essa fatia da população passará de 24% em 2017 para 45% em 2060, quase uma em cada duas pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Obviamente esses dados não estão sendo utilizados apenas para justificar insustentabilidade do nosso sistema previdenciário, dado o foco para o consumo e lado material ao qual estamos submetidos e do qual estamos tendo dificuldade de nos desvencilhar, essa informação tem grande relevância mercadológica, e já há algum tempo produtos voltados para o público com mais de 50 estão sendo divulgadas em propagandas nos meios de comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Predominantemente os produtos dos anúncios estão relacionados ao cuidado com a saúde e o bem estar a partir de certa idade. Há também a adaptação da tecnologia, a fim de torná-la mais amigável e útil para aqueles que se sentem excluídos deste mundo tão modificado por ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As propagandas dos produtos ligados à saúde e ao bem estar mostram cenas que são variações do mesmo tema, ter vitalidade para realizar atividades que remetem a manutenção da juventude. O que se vê, invariavelmente, são pessoas com alguns fios de cabelo grisalhos, com marcas do tempo no rosto, praticando esportes como surfe, ciclismo, caminhadas até o topo de uma montanha, andando de moto, tocando instrumentos, dançando, namorando, jogando vídeo game com seus netos, dando a entender que estão tendo a vida que ainda não tinham tido a oportunidade de viver ou mantendo um estilo de vida jovial e arrojado que tinham tido até então.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre esses anúncios, um de um suplemento alimentar chamou particularmente minha atenção, a chamada inicial era a seguinte pergunta: “O que você quer ser quando envelhecer?” e na seqüência surge uma série de situações que não fugiram do padrão descrito anteriormente, finalizando com a seguinte resposta: “Escolha viver bem”, dando a entender que o viver bem a partir de uma certa idade é ter aquele estilo de vida que era almejado na juventude mas que talvez não pôde ser vivido por falta de tempo e dinheiro, e que se foi vivido o produto anunciado daria as condições de ser mantido. Em ambos os casos a resposta estaria em manter os padrões adquiridos na juventude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo olhar da psicologia junguiana a pergunta é perfeita para esta fase da vida, porém a resposta seria muito diferente, porque para Jung a partir da segunda metade da vida há uma transformação psíquica que nos leva a uma inversão nos valores e prioridades que nos guiaram até então, porém como não há nenhuma formação que nos prepare para esse momento, quando atingimos essa fase e nos deparamos essas mudanças, a tendência é tentar nos agarrar aos padrões antigos e ir contra esse movimento psíquico. Para Jung, “todos os distúrbios neuróticos, bastante freqüentes, da idade adulta têm em comum o fato de quererem prolongar a psicologia da fase juvenil para além do limiar da chamada idade do siso“ (JUNG, 2000 §776) e “a causa fundamental de todas as dificuldades desta fase de transição é uma mudança singular que se processa nas profundezas da alma” (JUNG, 2000 §778).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ilustrar a dimensão das mudanças, Jung comparou as etapas da vida com as fases da &nbsp;trajetória descrita pelo Sol durante o dia:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De manhã, o Sol se eleva do mar noturno inconsciente e olha para a vastidão do mundo colorido que se torna tanto mais amplo, quanto mais alto ele ascende no firmamento. O Sol (&#8230;) se dará conta de que seu objetivo supremo está em alcançar a maior altura possível e, consequentemente, a mais ampla disseminação possível de suas bênçãos sobre a terra. (&#8230;) Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e este declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã. O Sol torna-se, então, contraditório consigo mesmo. É como se recolhesse dentro de si seus próprios raios, em vez de emiti-los. A luz e o calor diminuem e por fim se extinguem. (JUNG, 2000 §778).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma que não se pode desviar o sol do seu movimento descendente ou evitar a perda de sua exuberância quando ele passar a recolher seus raios, as pessoas precisariam entender que resistir aos movimentos vindos do inconsciente não trará nada de bom. Apesar de não ser foco desse artigo, vale falar dos resultados aberrantes que algumas pessoas conseguem na busca obsessiva da exuberância da juventude, passam por intervenções cirúrgicas que acabam desfiguradas. No que diz respeito às questões psíquicas, dado o comportamento dominante de nossa época, em que se acredita que a felicidade está proporcionalmente relacionada com a quantidade de bens e riquezas adquiridas, a tendência é acreditar que o sentimento de vazio e insatisfação surgem porque &nbsp;não se tem o suficiente, e parte-se para a busca de mais bens, porém a felicidade desejada não acontece gerando as crises de angústia, depressão e ansiedade tão comuns nos dias de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual seria então a melhor forma de lidar com os desafios trazidos pela meia-idade? No passado as religiões eram as escolas onde se aprendia essa matéria, hoje não são mais. Assim vale usar novamente o exemplo do sol, que recolhe seus raios e os direciona para dentro de si para levar luz para os locais que estiveram obscurecidos e sombrios até então.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse novo olhar permite aceitar que o que tinha valor pela manhã à tarde não tem mais valor, o que era certo vira errado e diante dessas novas possibilidades, trazer do inconsciente não só aqueles talentos e potencialidades que foram negligenciados ou que nunca tiveram a chance de serem realizados, como também os aspectos mais sombrios de nossa personalidade. Em ambos os casos, esses conteúdos foram confinados no inconsciente porque não se ajustavam aos padrões de comportamento e atitudes que eram exigidas como filho, estudante, profissional, marido, mulher, pai ou mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a energia despendida para se atender a cada uma dessas situações, é possível imaginar porque é tão difícil olhar para o outro lado e começar uma nova jornada igualmente desafiadora. Certamente ter energia, disposição e vigor físico não são coisas ruins, como também não o é estar feliz com a própria aparência. O ponto é que estamos totalmente despreparados para responder a pergunta sobre o que ser quando envelhecer. Acreditamos que viver bem essa fase se resume a evitar que os efeitos adversos da idade não nos afetem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O inconsciente irá se manifestar diante dessa atitude unilateral e irá atuar no sentido de nos fazer perceber que algo não está indo conforme deveria. Ele vai causar desconfortos emocionais e psíquicos que nos paralisam até que se entenda que precisamos diluir essa rigidez permitindo que os conteúdos inconscientes que se opõe a ela apareçam. Desse confronto deverá aparecer uma pessoa com novas perspectivas, que considerem seus verdadeiros desejos, sem censura e restrições, resultando em uma ampliação de consciência que vai contribuir para a realização do Self, uma necessidade e dever de toda pessoa que está em fase de envelhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a pergunta “o que você quer ser quando envelhecer?” é realmente muito importante para esse contingente cada vez mais significativo da população, já a resposta sugerida pelas propagandas pode ser uma armadilha, pois ao se acreditar que “viver bem” se resume a ter saúde e energia para se manter um estilo de vida de quando se era jovem, o que irá acontecer será bem diferente das cenas repletas de sorrisos e carregadas de um clima de alegria e felicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dulce Ayako Kurauti</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tel.: (11)99961-7090 email:&nbsp;dulce_kurauti@hotmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consultório na Vila Mariana&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A natureza da psique</strong>. 5a. ed. Petrópolis: Editora Vozes, v. VIII/2, 2000.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Dulce Ayako Kurauti&nbsp;</em></strong></h4>
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