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	<title>Arquivos esperança - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sat, 10 Oct 2026 16:50:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
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	<title>Arquivos esperança - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 09:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[criança divina]]></category>
		<category><![CDATA[Erês]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Linha das Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[umbanda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio propõe a uma reflexão sobre a imagem da Criança Divina e partir da Psicologia Analítica, em diálogo com a simbólico com a presença dos Erês na Umbanda e com as demandas do espírito do nosso tempo. Em uma sociedade marcada pela aceleração, hiperconexão, produtividade e excesso de estímulos, deixo um convite aos adultos para reconhecerem, acolherem e resgatarem qualidades próprias da sua criança interior. A Criança Divina emerge como uma imagem de esperança e renovação, convocando-nos a recuperar a capacidade de brincar, imaginar, criar e encantar-se com a nossa própria capacidade de nascer e renascer, sempre e de novo.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-crianca-divina-os-eres-e-a-alegria-como-possibilidade-de-renovacao-da-alma/">A Criança Divina: os Erês e a alegria como possibilidade de renovação da alma</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este ensaio propõe a uma reflexão sobre a imagem da Criança Divina e partir da Psicologia Analítica, em diálogo com a simbólico com a presença dos Erês na Umbanda e com as demandas do espírito do nosso tempo</strong>. Em uma sociedade marcada pela aceleração, hiperconexão, produtividade e excesso de estímulos, deixo um convite aos adultos para reconhecerem, acolherem e resgatarem qualidades próprias da sua criança interior. A Criança Divina emerge como uma imagem de esperança e renovação, convocando-nos a recuperar a capacidade de brincar, imaginar, criar e encantar-se com a nossa própria capacidade de nascer e renascer, sempre e de novo.</p>



<h2 id="h-ha-imagens-que-atravessam-culturas-religioes-e-tempos-historicos-porque-parecem-tocar-uma-regiao-muito-profunda-da-experiencia-humana-a-crianca-e-uma-delas" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Há imagens que atravessam culturas, religiões e tempos históricos porque parecem tocar uma região muito profunda da experiência humana. A criança é uma delas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Pequena e, ao mesmo tempo, portadora de algo maior que ela mesma; frágil e surpreendentemente poderosa; dependente e, paradoxalmente, símbolo de um futuro ainda não realizado, a criança ocupa um lugar singular no imaginário humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na Umbanda, essa imagem aparece de maneira particularmente expressiva na <strong>Linha das Crianças</strong>, dos Erês, também chamados em diferentes contextos de Ibejis, Beijadas ou Cosminhos. Na Psicologia Analítica, encontramos uma imagem que guarda ressonâncias profundas com essa representação: o arquétipo da Criança Divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Não se trata de afirmar que Erês e Criança Divina sejam a mesma coisa</strong>. <strong>São construções pertencentes a campos distintos</strong>. Entretanto, uma leitura simbólica permite colocá-las em diálogo, observando como ambas podem evocar temas como renovação, espontaneidade, esperança, alegria, transformação e possibilidade de um novo começo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tal aproximação torna-se especialmente significativa principalmente porque vivemos em uma época marcada pelo excesso de estímulos, pela aceleração, pelo cansaço psíquico e pela dificuldade contemporânea de brincar, imaginar e simplesmente estar presente. Num tempo em que somos frequentemente apresentados por siglas, ou melhor, muitas crianças são encapsuladas nestas siglas: TDAH, TEA, TOD, TAG, Transtorno depressivo, Transtorno bipolar e tantas outras classificações que fazem parte do vocabulário contemporâneo sobre o sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Será que podemos pensar que antes de qualquer diagnóstico existe uma criança: aquela que brinca, que sonha, que se angustia, que deseja, que se relaciona, que cria e que sofre. Existe uma história onde ela faz parte e, justamente por isso, a criança simbólica tenha muito a resgatar e nos ensinar.</p>



<h2 id="h-em-os-arquetipos-e-o-inconsciente-coletivo-jung-apresenta-a-crianca-como-uma-imagem-paradoxal-ela-pertence-simultaneamente-ao-passado-e-ao-futuro" class="wp-block-heading" style="font-size:20px">Em <em>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em>, Jung apresenta a criança como uma imagem paradoxal: ela pertence simultaneamente ao passado e ao futuro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao passado porque carrega a memória de nossa condição originária, anterior à diferenciação da consciência. E ao futuro porque anuncia uma transformação que ainda não aconteceu. Jung afirma:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“O motivo da criança representa o aspecto pré-consciente da infância da alma coletiva.” </p><cite>JUNG, 2014, p.163</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acrescenta uma ideia fundamental para compreender a dimensão simbólica da criança: ela pode representar uma antecipação de uma futura transformação da personalidade. A criança, portanto, não é apenas aquilo que fomos. É também aquilo que podemos vir a ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>A criança arquetípica não significa simplesmente infantilidade: ela também é potência de futuro.</strong> É uma pequena semente que contém uma linda árvore que ainda, não podemos enxergar. É o início que carrega secretamente a possibilidade da totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Jung aproxima a imagem da criança do processo de individuação, simbolicamente, ela pode representar uma síntese ainda em formação entre conteúdos conscientes e inconscientes. O motivo da criança aparece, assim, como uma imagem de transformação e de aproximação do Self.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nos mitos e nos contos de fadas, a criança divina frequentemente nasce em circunstâncias de ameaça, abandono ou vulnerabilidade. Ela é pequena demais para enfrentar o mundo e, ao mesmo tempo, carrega algo que o mundo ainda não conhece.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung observa que o motivo da criança aparece em inúmeras culturas sob a forma do deus-menino, do herói-criança, do ser abandonado que sobrevive, da criança milagrosa ou daquele que parece insignificante, mas contém uma força extraordinária.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança é, portanto, uma imagem de algo novo que ainda não possui lugar na consciência. &nbsp;Ela aparece constantemente em sonhos, fantasias, contos, mitos ou produções artísticas.</p>



<h2 id="h-narrativa-de-um-sonho" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Narrativa de um sonho:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Uma mulher estava numa casa com seus pais e uma amiga que, na realidade, engravidou na mesma época que ela. A mulher teve um menino e a amiga uma linda menina. No sonho a mulher sabia que estava grávida há pouco tempo, pois não tinha barriga. Rapidamente sua barriga cresceu e, quando se deu conta, estava prestes a ter o bebê, seu pai a acompanhava, chamou a ambulância porque começaram as contrações e começou a sentir as dores do parto. Por mais que sua mãe e sua tia quisessem ajudá-la não conseguiram, estourou a bolsa e a bebê escorregou e imediatamente saiu. Quando ela percebeu, a cabecinha já estava ali no seu colo do lado esquerdo, com um cabelinho espetado e olhinhos verdes. A bebê tinha a carinha da mulher quando pequena, era linda, independente, autônoma e muita esperta, sabia exatamente o que queria e onde queria chegar!”</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A princípio, a presença da criança nesse sonho, pode nos levar a pensar: “Será que o sonhador está voltando a ser criança?” ou ainda “Qual parte desse sonhador é infantil?”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mas, refletindo melhor, talvez a pergunta mais apropriada seja “O que nessa mulher sonhadora está tentando nascer?”, “Quem é esse bebê que nasce olhando o mundo de um jeito diferente e com os olhos verdes?”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“&#8230; Nossos sonhos são como janelas que nos permitem olhar para, ou escutar, aquele processo psicológico que está continuamente acontecendo no nosso inconsciente. (JUNG, 1934, apud PUNNETT, 2023, p. 221)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-o-nosso-inconsciente-muito-vezes-nos-chama-a-atencao-para-aspectos-que-precisam-ser-vistos-que-merecem-nosso-olhar-cuidadoso-como-o-nascimento-de-uma-crianca-a-crianca-divina-anuncia-algo-ela-anuncia-uma-nova-fase-um-novo-comeco" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O nosso inconsciente muito vezes nos chama a atenção para aspectos que precisam ser vistos que merecem nosso olhar cuidadoso, como o nascimento de uma criança. A Criança Divina anuncia algo. Ela anuncia uma nova fase, um novo começo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Todo novo começo, de certa forma, é um reencontro, um encontro com nós mesmos, um encontro com um novo eu. O eu que está nascendo, que está surgindo de um modo diferente. É nesse encontro que me faz lembrar da imagem da Criança Divina dentro da Umbanda, símbolo da alegria, da renovação, como uma espécie de energia que nos percorre trazendo uma luz interior, uma verdadeira transformação. Nos faz pensar na energia dos Erês e o mistério da infância na Umbanda.</p>



<h2 id="h-na-tradicao-umbandista-a-linha-das-criancas-possui-significados-proprios-e-nao-deve-ser-reduzida-a-uma-simples-interpretacao-psicologica" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na tradição umbandista, a Linha das Crianças possui significados próprios e não deve ser reduzida a uma simples interpretação psicológica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Rubens Saraceni apresenta os Erês como ligados ao chamado estágio encantado da natureza, e não simplesmente como espíritos de crianças humanas desencarnadas. Em sua formulação, o arquétipo da Criança na Umbanda estaria relacionado aos seres encantados da natureza e às forças dos Orixás.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Todo arquétipo só é verdadeiro se estiver fundamentado em algo preexistente. O arquétipo “Criança” fundamentou-se na inocência na franqueza e na ingenuidade dos seres encantados ainda na primeira idade: a infantil.” (Saraceni, 2023, p.100)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa concepção é importante porque desloca a imagem da criança de uma representação meramente biográfica. Afinal, não se trata simplesmente de “imitar uma criança”.</p>



<h2 id="h-para-saraceni-existe-um-misterio-infantil-que-se-expressa-por-meio-da-inocencia-da-alegria-da-espontaneidade-da-simplicidade-e-da-capacidade-de-transformar-o-ambiente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Para Saraceni, existe um mistério infantil que se expressa por meio da inocência, da alegria, da espontaneidade, da simplicidade e da capacidade de transformar o ambiente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em texto atribuído a Saraceni sobre as Crianças na Umbanda, a Linha das Crianças é descrita como marcada pela ternura, inocência, carinho, alegria e amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sebastião Cabral, escritor, terapeuta e sacerdote umbandista, ao abordar as Crianças na Umbanda, também enfatiza a alegria, a pureza, as cores, o arco-íris, o desprendimento e a possibilidade de renovação das atitudes. Para ele, a presença das Crianças pode simbolicamente nos convidar a começar novamente, tal como uma criança que retorna à tarefa sem carregar o peso excessivo do fracasso anterior, assim como o sonho acima mencionado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim podemos relacionar o arquétipo da criança na Umbanda com o Arquétipo da Criança Divina, na Psicologia Analítica a criança também aparece como possibilidade de recomeço, recuperar a capacidade de renovação.</p>



<h2 id="h-a-crianca-divina-aponta-para-a-possibilidade-de-transformacao-ela-anuncia-o-futuro" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A Criança Divina aponta para a possibilidade de transformação, ela anuncia o futuro.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(&#8230;) A vida é um fluxo, um fluir para o futuro e não um dique que estanca e faz refluir. Não admira, portanto, que tantas vezes os salvadores míticos são crianças divinas. Isto corresponde exatamente às experiências da psicologia do indivíduo, as quais mostram que a &#8216;criança&#8217; prepara uma futura transformação da personalidade. No processo de individuação antecipa uma figura proveniente da síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade. É, portanto, um símbolo de unificação dos opostos, um mediador, ou um&nbsp;portador da salvação, um propiciador da completude. (JUNG,&nbsp;2014,&nbsp;p.&nbsp;16).</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-maturidade-psicologica-nao-exige-eliminar-a-crianca-interior-mas-permitir-que-a-energia-da-crianca-encontre-uma-forma-adulta-de-expressao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A maturidade psicológica não exige eliminar a criança interior, mas permitir que a energia da criança encontre uma forma adulta de expressão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez seja esse um dos grandes desafios do nosso tempo: crescer sem envelhecer por dentro, colocar a alegria num lugar de privilégio psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não estamos falando de uma alegria eterna ou da necessidade de “estar bem” o tempo todo e nem ao menos de felicidade obrigatória. Estamos nos referindo a uma alegria arquetípica, uma abertura à vida, uma transformação interior que nos leva a renovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Um movimento psíquico que permite nascer algo novo, mesmo após sermos idosos ou termos atingido a velhice propiciando a inteireza, a completude.</p>



<h2 id="h-por-isso-a-alegria-das-criancas-na-umbanda-pode-ser-aproximada-simbolicamente-daquilo-que-jung-identifica-como-uma-forca-renovadora-do-arquetipo-infantil" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Por isso, a alegria das Crianças na Umbanda pode ser aproximada, simbolicamente, daquilo que Jung identifica como uma força renovadora do arquétipo infantil.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança não sabe exatamente o que acontecerá amanhã, mas continua a brincar e a se divertir no hoje e no agora. Ela nos convida a comemorar e a lembrarmos da importância dos rituais em nossas vidas que, em muitas famílias, já foram extintos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No calendário popular brasileiro, 27 de setembro tornou-se uma data profundamente associada às crianças, especialmente por sua relação com São Cosme e São Damião e, em muitas tradições afro-brasileiras e umbandistas, com as celebrações dedicadas às Crianças e aos Erês.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para além das diferenças entre as tradições religiosas, essa data pode ser compreendida simbolicamente como uma oportunidade de recordar aquilo que a criança representa para a alma humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O doce, a festa, as cores, a partilha e a alegria podem ser vistos, simbolicamente, como imagens de uma vida que não se resume à produtividade. Existe algo que precisa ser celebrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por sua vez, em nosso calendário o <strong>Dia das Crianças</strong> no Brasil é comemorado no dia <strong>12 de outubro</strong>. A data homenageia as crianças e reforça a importância da garantia de seus direitos, bem como o combate ao abuso infantil.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A ideia de&nbsp;celebrar as crianças no país virou um projeto de lei que&nbsp;foi aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, e&nbsp;assinado como decreto oficial em novembro de 1924 pelo então presidente Arthur Bernardes com o nome de “Festa da Criança”, sendo&nbsp;comemorada pela primeira vez em&nbsp;12 de outubro de 1925, há 100 anos, diz a Agência Senado.”<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><strong>[1]</strong></a> (National Geographic Brasil, 2025)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-e-curioso-que-uma-sociedade-que-frequentemente-exige-que-as-criancas-crescam-rapidamente-reserve-um-dia-para-celebra-las" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É curioso que uma sociedade que frequentemente exige que as crianças cresçam rapidamente, reserve um dia para celebrá-las.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Talvez a data possa ser ampliada para além do consumo e das comemorações externas, para um momento de reflexão e de nos perguntarmos: “Onde está aquela criança alegre, que antes brincava e imaginava?”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atualmente somos atropelados pela velocidade e pela hiperconexão, pela produtividade e pelo desempenho, pela necessidade de estar permanentemente disponível e pela dificuldade de silenciar, enfim, pela dificuldade de esperar e pela exigência de sucesso cada vez mais precoce. Um grande paradoxo que nos leva a pensar:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>No adulto está oculta uma criança, uma criança eterna, algo ainda em formação e que jamais estará terminado, algo que precisará de cuidado permanente, de atenção e de educação. Esta é a parte da personalidade humana que deveria desenvolver-se até alcançar a totalidade. </p><cite>Jung, 2013, p. 181</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não precisamos ficar presos ao passado, mas reencontrar aquilo que ainda podemos resgatar e viver no presente: aquela criança que não precisa justificar cada instante de sua existência por produtividade, mas aquele adulto que pode amadurecer sem enrijecer, aquele que continua brincando, rindo, fazendo suas travessias e encontrando sua beleza interior.</p>



<h2 id="h-como-a-mulher-do-sonho-nos-trouxe-precisamos-recuperar-a-crianca-divina-no-nosso-tempo-resgatar-a-capacidade-de-brincar-com-a-vida-e-nos-permitir-nascer-novamente-sempre-e-de-novo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Como a mulher do sonho nos trouxe, precisamos recuperar a Criança Divina no nosso tempo, resgatar a capacidade de brincar com a vida e nos permitir nascer novamente: sempre e de novo!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os Erês, através da sua alegria e encantamento, nos fazem lembrar algo que em nossa época parecem ter esquecido: a vida não é apenas aquilo que precisa ser corrigido, tratado ou adaptado. A vida também precisa ser vivida, imaginada, brincada e encantada, muitas vezes, a Criança Divina não está pedindo para voltar e sim para nascer de novo, de um modo diferente, com olhos verdes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Bedin dos Reis – Membro Analista em Formação IJEP&nbsp;</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata e Fundadora do IJEP</a></strong></p>



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</div></figure>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cabral, Sebastião. <em>Erês na Umbanda</em>: O Mistério Revelado. São Paulo: Madras, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PUNNETT, Audrey (org.) Análise Junguiana de Crianças. São Paulo: Paulus, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>Os Arquétipos da Umbanda: As Hierarquias Espiritual dos Orixás</em>. São Paulo: Madras, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>O Código de Umbanda</em>. São Paulo: Madras, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SARACENI, Rubens. <em>O Código dos Orixás</em>. São Paulo: Madras, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie-Louise. <em>A interpretação dos contos de fadas</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> National Geographic Brasil 2025. Disponível em: &lt;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/10/qual-e-a-origem-do-dia-das-criancas-no-brasil-o-unico-pais-que-celebra-a-data-em-outubro">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2025/10/qual-e-a-origem-do-dia-das-criancas-no-brasil-o-unico-pais-que-celebra-a-data-em-outubro</a>&gt;. Acesso em:13 set.2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.editoragente.com.br/a-vida-quer-voce-inteiro-7546/p?utm_source=prevenda&amp;utm_medium=autor&amp;utm_campaign=WaldemarMagaldi"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="851" height="315" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi.png" alt="" class="wp-image-14020" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi.png 851w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-300x111.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-767x284.png 767w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-149x55.png 149w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-448x166.png 448w" sizes="(max-width: 851px) 100vw, 851px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Pré-venda: até 10/11/2026</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Esperança Mercurial</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-esperanca-mercurial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Adriane Grein Basso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Feb 2026 23:15:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[esperança]]></category>
		<category><![CDATA[inseto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo investiga a esperança em seu aspecto psicológico, tomando como ponto de partida o surgimento de um inseto, primeiro no sonho e, em seguida, no mundo concreto, cuja presença carrega a superstição de ser um sinal de prosperidade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Este artigo investiga a esperança em seu aspecto psicológico, tomando como ponto de partida o surgimento de um inseto, primeiro no sonho e, em seguida, no mundo concreto, cuja presença carrega a superstição de ser um sinal de prosperidade. A reflexão desloca o olhar da superstição em relação ao mundo externo, para o seu sentido interno, articulando dados biológicos do inseto, a etimologia da palavra esperança, o simbolismo do verde e seu lugar na alquimia enquanto espírito da vida e força germinativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse horizonte, a esperança não é entendida como pensamento positivo, mas como uma tonalidade psíquica liminar, situada entre a putrefação da forma anterior e o brotar de novas possibilidades, quando o verde começa a se insinuar, numa fase em que a transformação ainda é incompleta, porém já pressentida e desejada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O momento em que a transformação psíquica, não é mais sentida apenas como sofrimento, mas reconhece-se o aparecimento de uma certa alegria, como uma primavera oculta, quando brotos verdes começam a despontar na terra nua anunciando uma possível colheita futura. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“&#8230;nosso mundo, se desumanizou. O homem está isolado no cosmos. Já não está envolvido na natureza e perdeu sua participação emocional nos acontecimentos naturais que até então tinham um sentido simbólico para ele”. Perda desses valores morais e espirituais que possibilitavam o indivíduo a dar contenção para a vida, seriam a causa de uma imensa cisão interna, assim consciente e inconsciente mostram-se cada vez mais afastados, sendo a falta de sentido do indivíduo moderno o grande sintoma.”&nbsp;</em>(JUNG, 2013, p.274).&nbsp;</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-artigo-tem-por-base-um-inseto-primeiro-surgido-em-um-sonho-e-no-dia-seguinte-na-concretude" style="font-size:18px">Este artigo tem por base um inseto, primeiro surgido em um sonho e no dia seguinte, na concretude.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Inseto este, cuja aparição carrega, na cultura popular, certas superstições associadas a seu nome. Antes de avançar para ampliação teórica, considero este acontecimento cotidiano como ponto de partida, tendo em vista a forte carga energética que provocou reflexão e elaboração. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma vez que é neste cruzamento entre o ordinário e o extraordinário que a psicologia analítica encontra matéria viva para o estudo dos aspectos psicológicos da experiência. Assim não se trata apenas de um episódio cotidiano, mas também de uma imagem que emergiu e que, por sua força evocativa, abriu espaço para pensar a esperança em suas múltiplas camadas psicológicas.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-neste-momento-passo-a-relatar-como-a-experiencia-se-deu-em-seu-aspecto-subjetivo" style="font-size:17px">Neste momento, passo a relatar como a experiência se deu em seu aspecto subjetivo:</h3>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>“E lá estava ela, primeiro no sonho</em></strong><em>, verde, muito verde, daquele verde que me atrai o olhar no começo da primavera. No final do inverno, lá estão as plantas adormecidas com seu verde estabelecido, intenso, daquele verde de quem já acumulou dias de sol, chuva, invernos, verões e outras primaveras, e então, eles aparecem: os brotos. E como eles, era um verde novo, que se destaca, um verde fresco, alegre, mas também de certa forma um verde tímido e brilhante, o verde da esperança</em>.&nbsp;<em>Assim era ela no sonho</em>.”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mas no dia seguinte, ao entrar no banheiro, sinto um temor, aquele de quando percebemos que não estamos só, e como para aqueles brotos, logo meu olhar foi atraído para ela. E ali estava, no teto do banheiro, a presença que me invadiu, o inseto, que no sonho chamaram de grilo, mas eu sabia que este verde era da esperança, as emoções se misturaram, eu seguia com medo, medo de ela voar em mim, mas porque alguém teria medo da esperança?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>E o que eu estava chamando de grilo, mas era esperança em seu verde mais vivo? Na verdade, a descoberta da esperança foi algo recente em minha vida, antes de retornar a vida animada, todos esses insetos eram grilos, ao meu modo apático de ver.&nbsp;</strong>No entanto, meu reino de certezas ruiu e assim a esperança pode entrar.</p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-o-inseto"><strong>O inseto</strong></h1>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A esperança, enquanto inseto, pertence a família <em>Tettigoniidae</em>, ordem <em>Orthoptera,</em> também é conhecida como “inseto folha”. Apesar de serem parentes próximos de outros insetos cantores, como os grilos e gafanhotos, como eu vim descobrir, a esperança possui características que as tornam bem diferentes. Enquanto os grilos possuem um corpo mais robusto e arredondado, coloração marrom-escura, preta, e quando verde uma tonalidade mais opaca, as esperanças possuem corpo mais alongado e comprimido lateralmente, e seu verde, na maioria das espécies, mais forte e brilhante e suas asas imitam folhas, e não só na aparência, suas assas podem possuir depressões e irregularidades que refletem a luz como uma folha danificada e até ter furos como que “comida por lagartas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao contrário dos grilos onde só os machos produzem sons, em algumas espécies de esperanças, a fêmea também produz em resposta ao canto do macho, realizando um dueto para que o macho possa ir ao seu encontro. O canto da esperança também é bem distinto de seus parentes, pois o som que produz possui uma forma difusa e vibrátil, que faz com que sua origem não seja detectada, e somado ao seu mimetismo, se confunde com a vegetação que a abriga, causando a experiência de uma voz que não se sabe de onde vem, parecendo que o som vem do ambiente e não do inseto.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alta-sensibilidade-a-esperanca-como-radar-do-invisivel"><strong>Alta sensibilidade: a esperança como radar do invisível</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A esperança possui tímpanos nas tíbias das patas dianteiras, ou seja, ela escuta com as pernas, e é capaz de detectar frequências extremamente altas, muito acima da capacidade humana. Ela ouve sons de morcegos predadores a distância e muda o comportamento para não ser capturada. Por isso, é um inseto de sensibilidade extrema, afinado às vibrações mínimas e às menores variações do clima.  </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Outra marca da esperança são as antenas extremamente longas, por vezes maiores do que o próprio corpo e mesmo quando permanecem absolutamente imóveis suas antenas seguem, fazendo a “leitura do ambiente” como um mapa vibratório. Essas antenas são repletas de receptores sensoriais capazes de captar: vibrações mínimas no ar, variações de temperatura, deslocamento imperceptíveis do ambiente, presença de outros insetos, frequências sonoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atualmente existem estudos, que consideram estes insetos como bioindicadores ecológicos, sendo possível reconhecer através de sua presença e comportamento, se o ambiente se encontra em equilíbrio, ou seja, possam indicar a possibilidade de boas colheitas. Contudo, seu excesso também demonstra desiquilíbrios, podendo causar devastações em plantações, como seus parentes cantores.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nossos ancestrais já pareciam possuir a sabedoria de que quando este inceto aparecia boas colheitas estavam por vir, sendo este um dos prováveis fatores, além de sua cor verde ser reconhecida como a cor da esperança, que deram origem ao seu nome popular e a crença de que quando o inseto aparece é sinal de prosperidade, simbolizando boa sorte, renovação, transformação, prosperidade, boas colheitas, chuva, casamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-palavra-spes-esperanca-expandir-avancar-prosperar"><strong>A palavra &#8211; <em>Spes</em>: esperança, expandir, avançar, prosperar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No português <em>esperança</em> deriva da raiz indo-europeia <em>spe</em>, significa expandir, estender-se, projetar-se, fazer brotar, levar adiante (Ernout &amp; Meillet, 2001). Essa raiz forma o latim <em>spes</em> que significa acreditar, mas confiar no movimento da vida, no devir. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Da mesma raiz deriva prosperar e espergir (espalhar), ambas imagens de gesto.<em>&nbsp;</em>E ao mesmo tempo,&nbsp;<em>spe&nbsp;</em>de origem a palavras como espuma, esporro, esperma: imagens de semente que se lança ao mundo sem garantia.<em>&nbsp;</em>Em inglês,<em>&nbsp;hope&nbsp;</em>provém do antigo inglês&nbsp;<em>hopian</em>, associado à ideia germânica de esperar, confiar, conforme registra o Oxford English Dicitionary (2024).&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-esperanca-e-verde"><strong>A esperança é verde</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Eva Heller, no livro a psicologia das cores, demonstra como o verde está associado a fertilidade, esperança, sagrado, espírito santo, sendo a cor da vida e da saúde, da primavera, dos negócios que florescem, da fertilidade, do frescor, da liberdade, da esperança, que acalma, mas também da imaturidade, do veneno, dos monstros, do diabo, da raiva, da inveja. (HELLER, 2021, p. 105-123).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No livro dos símbolos, no verbete verde encontra-se:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A ligação entre “verde” e crescimento da planta está incorporado na própria palavra: ‘Green” (verde) está relacionado com palavra do inglês antigo growan, que significa crescer ou cobrir com verde (Barnhart, 329). O verde afeta o corpo baixando a pressão sanguínea e dilatando os vasos capilares, um efeito repousante usado contra a insônia e a fadiga (Portmann 139). Mas para além da energia física da vida, o verde também representa a esperança, a promessa de se atingir o precioso objetivo para além da escuridão do desânimo (CW 14:635-4<a href="applewebdata://2ECD4978-7C76-44B2-AFB8-DDA8A9BD9072#_ftn1"><sup><strong>[1]</strong></sup></a>).</em>(MARTIN, 2012, p.646)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na mitologia, Osíris, o Deus da fertilidade no Egito, tinha representações com a pele verde e era considerado o espírito do milho e da árvore. Sendo que a morte e o renascimento constituem o mito. Existindo um hino, conforme relata Edward Edinger (2020,p. 243), a seu louvor que diz: “o mundo se torna verde através dele”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Kernunnos, o “Deus Cornífero</strong>, é o rosto da própria floresta: uma deidade animal masculina, que possui o rosto coberto de folhas e chifres de veado, representando o espírito da renovação, pois quando os veados perdem os chifres outros nascem em seu lugar. Seu encontro com a&nbsp;<strong>Rainha de Maio</strong>, uma deidade feminina que personifica a fertilidade, beleza, e potência germinal da terra marca o ponto culminante do Beltane, rito celta de fertilidade. Que representa a união simbólica entre o Homem Verde e a Rainha de Maio, o casamento sagrado, entre o princípio masculino fertilizador e o princípio feminino da terra que acolhe e desperta.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espirito-da-vegetacao-o-verde-na-alquimia"><strong>O espírito da vegetação – o verde na alquimia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Este espírito, que provém de Deus, é também a causa do&nbsp;<em>verdor&nbsp;</em>muito elogiado pelos alquimistas, a&nbsp;<em>benedicta viriditas&nbsp;</em>(o verdor ou vigor abençoado)”, relata Jung (2012a, p. 114). Segue citando Mylius que dizia; “Deus inspirou às coisas criadas&#8230; uma força germinativa, isto é, o verde”. Sobre o simbolismo da cor verde, Jung discorre:&nbsp;<strong>“A cor verde, no domínio da psicologia cristã, indica propriedade espermática ou geradora. O verde é a cor atribuída ao Espírito Santo como um princípio criador.”&nbsp;</strong>&nbsp;(grifo meu) (2012b, p. 158.)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Psicologicamente, o verde</strong>, a esperança enquanto inseto que aparece nas transições das estações e a esperança enquanto tonalidade emocional, que anuncia o frescor da renovação, expressão uma força germinativa: em estado liminar entre a putrefação da semente e o brotar da nova vida, o morrer da forma antiga e enrijecida para a promessa de novas possibilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Este verde não é fruto da vontade consciente, nem de pensamento positivo; é uma função vital, que se mostra com o frescor, como a seiva que corre no interior da planta, que desponta para o que ainda não é, mas insiste em nascer. Neste contexto, verde é a cor da transição. Da transformação incompleta, desejada, esperada, de <strong>quando a nigredo não parece mais apenas tormento, mas um sopro de frescor</strong>, de uma felicidade positiva, que se faz sentir ainda que oculta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ainda-acrescenta" style="font-size:18px">Jung ainda acrescenta:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:13px">
<p class="wp-block-paragraph">Com isso se descreve o estado de uma pessoa, que em sua peregrinação pelas peripécias das transformações psíquica, a qual se parece antes com sofrimento do que qualquer coisa, encontra uma alegria oculta que a reconcilia em seu isolamento aparente. No trato consigo mesma não acha ela enfado mortal nem melancolia, mas encontra um parceiro com quem pode conviver, e, até mais ainda, um relacionamento que se parece com a felicidade de um amor secreto, ou uma primavera oculta, em que brota do chão aparentemente ressecado uma verde sementeira, promissão de futura colheita. Do ponto de vista alquímico trata-se da “Benedicta viriditas, quae cunctas res generas! (“Verdor abençoado que gera todas as coisas”) exclama o autor do Rosarium. (JUNG, 2012c, p. 228)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez por isso nossos ancestrais tenham escutado o canto deste inseto esguio, verde, quase invisível entre as folhas e reconhecido nele, este espírito, o espírito do verde, que ao aparecer também fazia reconhecer o que despontava internamente. A presença verde alada, parecia ser a própria aparição do despertar, o primeiro gesto da vida em transição, retornando após a decomposição. Como se, o verde através dele ganhasse voz.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diante-disso-nao-apenas-sua-cor-lhe-deu-o-nome-mas-a-experiencia-emocional-que-sua-presenca-faz-reconhecer-um-pressagio-do-que-o-espirito-do-verde-acarreta" style="font-size:18px">Diante disso, não apenas sua cor lhe deu o nome, mas a experiência emocional que sua presença faz reconhecer: um presságio do que o espírito do verde acarreta.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O momento em que apesar de parecer não restar mais nada, algo vibra, quase imperceptível no que antes era silêncio, quando tudo parecia perdido. Assim, sob este aspecto o verde não representa conclusão, e sim a primeira vibração da matéria que começa a se reorganizar após a morte da forma anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A esperança, contudo, como pude perceber nos seis dias em que convivemos, não vem para ficar, vem para movimentar, e tentar segurá-la é contrário à sua natureza, o que a intoxica e a transforma em um movimento infértil. E se por vezes pode ser necessário suportar que ela se afaste, por outras pode ser necessário o ato de abrir a mão e retorná-la ao mundo, no mesmo ato da mão que se abre, com confiança, para lançar as sementes na terra, sem garantias, mas acreditando que assim, a possibilidade do verde se fará.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como Napoleão, que se diz ter sido lentamente envenenado pelos vapores do pigmento verde arsenical que impregnava as paredes de seu exílio, também a esperança que me visitou morreu intoxicada, pelos vapores da água do banho. Mostrando que, quando mercúrio está presente, remédio e veneno andam juntos. O mesmo verde que anuncia o renascimento também pode sufocar; a mesma umidade que prepara o broto também pode afogar o sopro. Assim é o processo psíquico: aquilo que salva é o mesmo que pode ferir, porque a transformação nunca vem purificada, ela vem viva, ambígua, mercurial.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Esperança Mercurial&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/Dri9I37FDSY?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/adriane-grein-basso/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/adriane-grein-basso/">Adriane Grein Basso – Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Luiz Balestrini Junior – Analista Didata IJEP </a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, J.; GARCIA, M. Insetos na Cultura Popular Brasileira. Revista de Etnobiologia, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERNNOUT, A.; MEILLET, A. Dictionnaire étymologique de la langue latine. Paris: Klincksieck, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, Edward F. Ego e arquétipo:&nbsp;<em>uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung</em>. 2. ed. São Paulo: Editora Pensamento Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESPERANÇA. In: Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis. São Paulo: Editora Melhoramentos, [s.d.]. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Olhares, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ Mysterium coniunctionis:&nbsp;<em>pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na alquimia. Os componentes da Coniunctio; Paradoxa; As personificações dos opostos.</em>&nbsp;6. ed. Petrópolis: Vozes, 2012b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ Mysterium Conuctionis:&nbsp;<em>pesquisas sobre a separação e composição dos opostos na psíquicos na alquimia. Rex e Regina; Adão e Eva, A conjunção.</em>&nbsp;3. ed. Petrópolis: Vozes, 2012c.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">______&nbsp;<em>A Vida Simbólica</em>. Vol. 1. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTIN, Kattlen (org.). O livro dos símbolos:&nbsp;<em>reflexões sobre imagens arquetípicas.</em>&nbsp;Köln: Tashen, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O´CONNEL, Mark. Interpretação e significado dos símbolos. São Paulo: Lafonte, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PINHEIRO, Karina. Esperança, o inseto que supostamente pode mudar destinos. Portal Amazônia, 4 mar. 2023. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia/esperanca-o-inseto-que-supostamente-pode-mudar-destinos/￼. Acesso em: 08 dez. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TETIGONIÍDEOS. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tetigoni%C3%ADdeos￼. Acesso em: 05 dez. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UPLIFTING German expressions with “hope”. Deutsche Welle, 2021. Disponível em: https://www.dw.com/en/uplifting-german-expressions-with-hope/g-57364624￼. Acesso em: 8 dez. 2025./esperan%C3%A7a/￼. Acesso em: 09 dez. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: arquivo próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="applewebdata://2ECD4978-7C76-44B2-AFB8-DDA8A9BD9072#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>&nbsp;A citação referente a Jung, não foi encontrada nas obras completas em português, devido a diferença nas publicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
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