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	<title>Arquivos expressão do inconsciente - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 Sep 2026 20:25:27 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos expressão do inconsciente - Blog IJEP</title>
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		<title>A Tecitura da Alma através do Tecido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Maluf]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 19:42:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, a proposta é aproximar a costura, um recurso usado no campo da arteterapia, através do tecido, a aspectos da psicologia analítica e pensar na magia que dá origem a imagem do encontro entre a arte e o próprio processo de análise. O tecido nesse artigo se apresenta como tela de expressão de alma. O texto apresenta o simbolismo do tecido e o tecer relacionando com a estrutura psíquica dentro do referencial Junguiano.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Uma análise de como o ato de tecer facilita o processo de autoconhecimento quando o tecer é entendido além da concretude e literalidade.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo:</strong> Neste artigo, a proposta é aproximar a costura, um recurso usado no campo da arteterapia, através do tecido, a aspectos da psicologia analítica e pensar na magia que dá origem à imagem do encontro entre a arte e o próprio processo de análise. O tecido nesse artigo se apresenta como tela de expressão de alma. O texto apresenta o simbolismo do tecido e o tecer relacionando com a estrutura psíquica dentro do referencial Junguiano.</p>



<h2 id="h-sobre-a-arteterapia" class="wp-block-heading"><strong>Sobre a arteterapia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As ferramentas que compõe o campo da arteterapia são de extrema importância para ajudar a tornar visível os temas psicoafetivos, revelando a vida anímica, onde a potência do material se torna visível aos olhos da descrente consciência diante dos aspectos sombrios que habitam o inconsciente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“(&#8230;) Pintar aquilo que vemos diante de nós é uma arte diferente de pintar o que vemos dentro de nós.” (SILVEIRA, 2015, p. 86)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sendo assim, “o estudo de uma obra de arte é fruto ‘intencional’ de atividades anímicas complexas” (JUNG, OC 15, § 133).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A arteterapia é a abordagem terapêutica que utiliza o fazer artístico como via de expressão, elaboração e transformação de material psíquico, onde, pelo ato criativo, o indivíduo dá forma simbólica, criando campo de diálogo entre consciência e inconsciente, favorecendo a função transcendente.</p>



<h2 id="h-sobre-o-tecido-e-o-tecer" class="wp-block-heading"><strong>Sobre o Tecido e o Tecer</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Falar de tecido é mergulhar na imensidão da história, reconhecendo o tecido como algo maior, assim como o ato de tecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O gesto diante do material com sua materialidade cria a trama, e a alma oferece o fio. Trabalha-se a partir da imagem que revela algo essencial do Self, onde a confecção na materialização é caminho lúdico e menos violento de confronto com o material sombrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ideia do tecer, costurar e bordar, nos conecta ao pensamento e a dimensão espiritual, reconhecendo nas obras tecidas a intencionalidade do Self. Nessa ideia e ato são representadas a cosmovisão de um povo que carrega sentido pessoal, coletivo, cósmico, ao mesmo tempo em que se refere ao infra mundo, à fertilidade como potencial criativo do inconsciente e remete a diversidade de processos culturais e históricos que guardam memória; nota-se, então, o quão amplo e abrangente é esse recurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ato de tecer remete a um processo quase alquímico, transforma a linha do tempo cronológico em presente presença nos trazendo à comunhão com Kairós, carrega carga mítica ancestral que nos faz associar a ideia dos arquétipos e inconsciente coletivo, além de expressar a identidade de quem elabora a tecitura, quem toca ou veste o tecido, revelando, também, os aspectos da Persona.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A <strong>Persona </strong>é estrutura que nos compõe e a possibilidade de estabelecermos relação saudável com o mundo externo, são como as roupas que nos vestem e roupas são feitas de fios.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Como seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva. (JUNG, O.C. 7/2, § 245)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E sobre a <strong>sombra</strong>&#8230;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>A sombra, porém, é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma. Não é possível anulá-la argumentando, ou torná-la inofensiva através da racionalização. Este problema é extremamente difícil, pois não desafia apenas o homem total, mas também o adverte acerca do seu desamparo e impotência. (JUNG, O.C. 9/1, §44)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-quantos-sao-os-fios-ou-melhor-que-fios-nos-ligam-para-estarmos-conectados-nesse-momento-formando-um-tecido-coletivo-e-quais-fios-precisam-ser-cortados-numa-sociedade-hiperconectada" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quantos são os fios, ou melhor, que fios nos ligam para estarmos conectados nesse momento formando um tecido coletivo? E quais fios precisam ser cortados numa sociedade hiperconectada?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tudo tem início nos primórdios da humanidade quando Adão e Eva, primeira história mítica judaico-cristã, se vestem e se cobrem por vergonha e culpa devido a desobediência ao provar do fruto proibido. Nesse momento, ocorre a queda do Paraíso, nos denunciando a perda da inocência e ingenuidade. Com o surgimento da Sombra e da consciência, pode-se refletir a respeito de cenas sociais tecidas a partir dos complexos culturais, ficando escancarado aos olhos a realidade sombria da qual fazemos parte, denunciando nossos pecados. São fios invisíveis que nos conectam criando a realidade visível.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao nos vestirmos, pensamos na própria Persona e, ao mesmo tempo, na Sombra. Com a Persona nos vestimos para a vida, onde a Sombra nos investe de energia, se sobrepõe ao Ego e nos atira ao mundo através do mecanismo de projeção sobre alguém ou algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O homem se veste para se proteger literal e metaforicamente. Nesse sentido, todo recurso desenvolvido criativamente pelo homem surge da necessidade de sobrevivência como princípio e adaptação ao meio.</p>



<h2 id="h-tecer-e-tao-antigo-quanto-a-humanidade-num-primeiro-momento-o-homem-tece-utilizando-se-de-fibras-vegetais-e-depois-pele-animal" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Tecer é tão antigo quanto a humanidade. Num primeiro momento, o homem tece utilizando-se de fibras vegetais e, depois, pele animal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>A tecelagem nasce da observação da natureza, das raízes que se entrelaçam, das teias de aranha, dos ninhos de pássaros, do bicho da seda e dentre outros.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Portanto, o homem desenvolve a tecitura na própria relação com a natureza externa e pautada no que constitui a natureza interna. A tecitura envolve entrelaçar fios, o que nos faz pensar na própria relação humana que exige encontro e entrelaçamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ideia do encontro e entrelaçamento nos constitui como humanos biopsicossocial, ou seja, somos constituídos a partir do encontro do material masculino e feminino. Somos também constituídos por figuras que se contrapõe ao nosso gênero. A contraparte masculina (Animus) na mulher, e a contraparte feminina (Anima) no homem, evidenciando a ideia de sermos seres gregários.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Há uma imagem coletiva da mulher no inconsciente do homem, com o auxílio da qual ele pode compreender a natureza da mulher. Esta imagem herdada é a terceira fonte importante da feminilidade da alma. (JUNG, O.C. 7/2, § 301)</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino” (JUNG, O.C. 7/2, § 297)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-nos-entrelacamos-o-tempo-todo-dai-surge-a-ideia-do-tear-como-se-houvesse-um-tear-cosmico-existe-uma-relacao-entre-parte-e-todo-entre-ego-e-self-que-se-relaciona-atraves-de-um-eixo-um-fio-de-comunicacao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Nos entrelaçamos o tempo todo, daí surge a ideia do tear como se houvesse um tear cósmico. Existe uma relação entre parte e todo, entre Ego e Self que se relaciona através de um eixo, um fio de comunicação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Somos constituídos fisicamente por tecidos: tecido neural, conjuntivo, e contornados pela pele, que é nosso maior órgão, com uma infinidade de terminações nervosas. Fomos constituídos e nutridos em nossa formação pelo cordão umbilical e vamos formando linhas de impressão digital que revela nossa identidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O tecido, fruto de diferentes técnicas de tecitura, está ligado ao espírito do tempo, ou seja, é a linha histórica, que carrega valores morais e espirituais de uma época, através das vestes ligadas ao povo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No início, a tecelagem era realizada por mulheres, e, só depois os homens desenvolvem esse ofício, por volta da idade média. Como tecnologia, o tear evolui até a padronização mais sofisticada, utilizando-se do tear mecânico. Mas, mesmo antes da criação do tear, o homem já desenvolvia o ato de fiar, torcer e costurar no intuito de unir partes. A união de partes é a base do processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Simbolicamente, estamos falando das tramas criadas também psiquicamente durante nosso processo de vida que compreende o processo de individuação no encontro e integração de partes que um dia, durante nosso desenvolvimento psíquico, foram separadas. Nascemos do todo, de forma inconsciente, e retornamos à totalidade de forma consciente. Então, a busca de união de partes é tendência natural que depende de uma certa dose de vontade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Da aproximação de partes que se opõem surge a função transcendente, conceito desenvolvido por Jung que ocorre como fruto de tensão no encontro de opostos, surgindo, assim, uma terceira forma criativa diferente do que estava na consciência, e acalmando material inconsciente, que pressiona a consciência, para poder se fazer presente. Somos constituídos por materiais que se opõe em sua natureza.</p>



<h2 id="h-pensemos-no-arquetipo-do-fio-da-vida-que-liga-a-realidade-consciente-e-inconsciente-que-se-contrapoe-e-se-complementam-podemos-pensar-o-fio-como-material-do-fiar-pode-se-mostrar-simbolo-do-processo-de-individuacao-e-tudo-que-o-envolve" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Pensemos no arquétipo do fio da vida, que liga a realidade consciente e inconsciente que se contrapõe e se complementam. Podemos pensar o fio como material do fiar, pode se mostrar símbolo do processo de individuação e tudo que o envolve.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Hoje, na contemporaneidade, onde a tecnologia mecânica é maravilhosa e necessária, tendemos a negligenciar, perdendo algumas ações simbólicas e significativas. Mas, como diz Jung, <em>“[&#8230;] mesmo no melhor e precisamente no melhor, existe o germe do mal. E nada é tão mal que não possa produzir um bem.” (JUNG, OC 10/2, § 461)</em></p>



<h2 id="h-precisamos-resgatar-os-gestos-manuais-nos-reconectando-as-nossas-raizes" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Precisamos resgatar os gestos manuais, nos reconectando às nossas raízes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tecemos história e vida a todo momento, envolvendo movimento, ritmo, razão (Logos), relação (Eros), tensão (tônus), imaginação, a relação entre Cronos e Kairós onde o tecer fios envolve Matemática, Química, Espiritualidade e envolve todo aparelho sensorial evocando memoria pessoal e ancestral como dito anteriormente. Tudo isso, o que não é pouco, é também o que compõe vida. Vamos percebendo pelo ato de fiar o que é de nosso feitio ou não, entendendo feitio como a forma habitual de atuação como atitude da consciência.</p>



<h2 id="h-o-ato-de-trancar-entrelacar-fios-e-unir-representa-o-movimento-em-direcao-aos-encontros-e-a-descoberta-da-beleza-na-uniao-de-fios-e-partes-diversas-em-nos-onde-muitas-dessas-foram-negadas" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O ato de trançar, entrelaçar fios e unir, representa o movimento em direção aos encontros e à descoberta da beleza na união de fios e partes diversas em nós onde muitas dessas foram negadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É possibilidade de lidar com a diversidade das tantas partes que nos compõe, reconhecendo-nos um retalho que compõe uma grande colcha através do encontro e integração do estranho e diferente que nos habita. O diverso carrega oposições, representando o próprio entrelaçamento dos diferentes fios com o movimento e tônus. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse movimento só é possível pela confiança que deriva do fiar com a vida e o Self. Aliás, nos entrelaçamentos dos encontros, é que construímos histórias onde as relações saudáveis se sustentam na confiança, criando uma trama entre almas envolvendo os nós e laços. Os nós podem ser associados aos complexos, que são conteúdos psíquicos carregados de afetividade. Uma curiosidade é que os tapetes mais valiosos são feitos a partir de torcitura e nós.</p>



<h2 id="h-os-complexos-sao-constituidos-por-tramas-que-se-encontram-no-inconsciente-como-fruto-de-nossa-historia" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Os complexos são constituídos por tramas que se encontram no inconsciente como fruto de nossa história.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Não existe ninguém que não tenha um complexo, assim como não há ninguém que não tenha sentimentos. Assim mesmo as pessoas são muito diferentes de acordo com a força de seus sentimentos. O pensar e agir das pessoas bem como suas associações são constelados através de seus complexos conforme a intensidade de seus sentimentos. (JUNG, O.C. 2, § 736)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para tecer história profunda e almada, precisamos arriscar a própria pele, aceitando os espinhos da carne. Cada um de nós tece a própria história na vida, mas é o Self quem guarda o padrão invisível do tecido. Podemos compreender esse padrão como potencial do vir a ser, onde o Self intencionalmente nos chama ao caminho de realização de um propósito. Sendo assim, a vida é uma tapeçaria inacabada, sendo a vida não vivida, um fio que pede para ser tecido. O que em nós clama por movimento no sentido do tecer?</p>



<h2 id="h-o-que-estamos-tecendo-qual-a-trama-da-qual-fazemos-parte-qual-e-o-tear-do-nosso-tempo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O que estamos tecendo? Qual a trama da qual fazemos parte? Qual é o tear do nosso tempo?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Somos todos artistas da realidade contemporânea.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;] Assim a arte representa um processo de autoregulação espiritual na vida das épocas e nações. (JUNG, O.C. 15, § 131)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O artista é o tecelão e tecelã do invisível através do ato criativo, desenvolvendo e concretizando material que vai além de si. A obra, por sua vez, é o que acontece quando deixamos a consciência puxar o fio do inconsciente.</p>



<h2 id="h-a-vida-e-obra-que-se-tece-no-encontro-de-fios-onde-a-alma-costura-experiencias-desconexas-a-principio-ligando-passado-presente-e-futuro-criando-tempo-novo-ritmo-e-novos-tecidos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A vida é obra que se tece no encontro de fios onde a alma costura experiências desconexas a princípio, ligando passado, presente e futuro, criando tempo, novo ritmo e novos tecidos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A psicologia analítica, que dá referência e base ao processo de análise envolve a tecitura entre analista e analisando, indivíduo (particular) e mundo (universal), as experiências e o sentido. No processo, costuramos, fios se rompem, se refazem, mudam de forma, de espessura, fiamos memória, esticamos o fio, com paciência desatamos nós, e, quando não tem jeito, aprendemos que muitas vezes na vida, vai com nó mesmo. Pegamos o fio do passado que leva ao futuro e se faz no presente. Transformamos fatos em história com sentido através de fios simbólicos.</p>



<h2 id="h-as-sincronicidades-sintomas-sonhos-e-a-propria-expressao-artistica-sao-fios-condutores-no-processo-de-individuacao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">As sincronicidades, sintomas, sonhos, e a própria expressão artística são fios condutores no processo de individuação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O percurso da vida e o processo de análise nos apresentam metaforicamente um tear simbólico onde somos artesãos que compactuam com a trama, tecendo fios de reflexão na busca de sentido seguindo o afeto, que é o fio que nos leva ao que de fato é essencial e habita o mundo imaginal de onde se desencadeiam as emoções.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A partir de um fio condutor, vai sendo tecida alma e vida, criando um grande tecido coletivo. Os tecidos que se apresentam na sessão arte terapêutica formam uma grande pele que nos abraça, nos acolhe e nos assegura para uma viagem profunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O processo de tecitura é um tecer de forma circular que vai nos conduzindo por um percurso fluido, profundo e sensível, levando o indivíduo a confrontar a própria existência, saindo do anestesiamento e do monoteísmo da consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O tecido é flexível e poroso, assim como a pele, e no processo de análise se busca flexibilidade e porosidade do Ego na tentativa de tecer uma sociedade mais igualitária, amorosa, menos rígida, preconceituosa e literal, resgatando, assim, a humanidade do homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Zaidan Maluf &#8211; Analista Didata e Professora do IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas v. 2 Estudos Experimentais. Petrópolis: Vozes, 2011;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas v. 7/2. Dois Escritos Sobre Psicologia Analítica. O Eu e o Inconsciente. 23ª ed. Petrópolis: Vozes, 2011;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas v. 9/1. Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2016;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas v. 15. O Espírito na Arte e na Ciência. Edição digital. Petrópolis: Vozes, 2013;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEZZOLO, D. B. Tecidos – histórias, tramas, tipos e usos. 5ª ed. rev. e atual. São Paulo: Senac, 2019;</p>



<p class="wp-block-paragraph">KOLTUV, B. B. A Tecelã: Ensaios sobre a Psicologia Feminina. São Paulo: Cultrix, 1992;</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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