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	<title>Arquivos fidelidade - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos fidelidade - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Fidelidade à Ilusão: Por que não vemos o que vemos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 17:17:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[traição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio convida a olhar a traição não como ruptura súbita, mas como o desvelar de uma fissura silenciosa que já habitava a alma. Antes do ato, há pequenas renúncias à própria verdade, onde o que se vê é suavizado para que o vínculo permaneça. Na trama invisível das relações, sombra, projeção e heranças inconscientes dançam, revelando que o outro também habita em nós. E é na queda da ilusão, dolorosa e lúcida, que a consciência pode enfim nascer, pedindo a coragem de sustentar o que se vê.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-da-traicao-ha-sempre-uma-lacuna-silenciosa-em-que-algo-e-visto-e-quase-no-mesmo-instante-suavizado" style="font-size:17px"><em>Antes da traição, há sempre uma lacuna silenciosa em que algo é visto e, quase no mesmo instante, suavizado.</em></h2>



<p><strong>Resumo:</strong> Este ensaio convida a olhar a traição não como ruptura súbita, mas como o desvelar de uma fissura silenciosa que já habitava a alma. Antes do ato, há pequenas renúncias à própria verdade, onde o que se vê é suavizado para que o vínculo permaneça. Na trama invisível das relações, sombra, projeção e heranças inconscientes dançam, revelando que o outro também habita em nós. E é na queda da ilusão, dolorosa e lúcida, que a consciência pode enfim nascer, pedindo a coragem de sustentar o que se vê.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:11px">
<p style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>“A traição é o descuido do confiar (fiar com). Parando de “fiar junto”, a relação não se estabelece.</em></p>



<p style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>A traição se insere, no momento de passar ao outro o que eu sou, não o que ele gostaria que eu fosse. Trair, nesse sentido, significa tomar propriedade do homem ou da mulher que eu sou, quem sabe tal experiência abra as portas da percepção a ponto de descobrirmos que não sabemos nada a respeito do outro, que tudo que ele (ela) demonstrava ser era na verdade o que eu pintava, era na verdade o que eu precisava em mim mesmo. Só quando eu trair a imagem que o outro tem de mim – me revelando como diverso – poderei trair a mim mesmo ao me entregar a ele (ela).” </em>(Waldemar Magaldi em aula)</p>
</blockquote>



<p>Este ensaio propõe uma reflexão analítica sobre a traição, deslocando-a de uma categoria meramente moral para a compreensão de um fenômeno psíquico complexo. Há um campo onde se entrelaçam a história individual, a dinâmica inconsciente do vínculo e os fios invisíveis da ancestralidade.</p>



<p>A traição raramente começa onde pensamos que começa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-ilusao-da-traicao-como-evento-isolado-e-a-vida-psiquica-secreta-que-a-antecede" style="font-size:19px"><strong>A ilusão da traição como evento isolado e a vida psíquica secreta que a antecede</strong></h2>



<p>Na clínica, a traição é frequentemente apresentada como um “raio em céu azul”, um corte abrupto na linearidade de um vínculo. Um acontecimento inesperado que irrompe e destrói o que antes parecia estável.</p>



<p>Contudo, a psicologia analítica nos ensina que a psique não opera por saltos isolados, não há rupturas súbitas, mas processos de compensação e represamento de energia. Há processos longos, silenciosos e muitas vezes imperceptíveis.</p>



<p>A traição, enquanto fenômeno psíquico, pode então ser compreendida como expressão de um afastamento da consciência em relação a determinadas imagens arquetípicas, que sustentam os vínculos de confiança e reciprocidade.</p>



<p>Quando a consciência se distancia do Self, perde-se a orientação para a totalidade e a integridade, abrindo espaço para atitudes fragmentadas e contraditórias. Do mesmo modo, o afastamento de Eros (arquétipo que fundamenta a união e o vínculo afetivo) favorece a ruptura dos laços relacionais, instaurando uma lógica unilateral e desvinculada da dimensão simbólica do encontro.</p>



<p>A sombra, por sua vez, ao ser reprimida em excesso, irrompe de forma inconsciente, manifestando-se em atos que violam pactos e alianças.</p>



<p>O erro fundamental consiste em tratar o ato de trair como a causa da desunião, quando ele é, na verdade, o sintoma de uma cisão que já habitava a estrutura do relacionamento.</p>



<p>Antes do ato concreto, há pequenas cenas: conversas evitadas, incômodos não nomeados, diferenças percebidas e rapidamente relativizadas, uma sensação sutil de distância que é explicada como “uma fase”, “cansaço” ou “normal”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-afirma-que-a-doenca-e-uma-diminuicao-na-capacidade-de-adequacao" style="font-size:18px">Jung afirma que &#8220;a doença é uma diminuição na capacidade de adequação&#8221;:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p style="line-height:1.4"><em>“&#8230;a esta luta dá-se o nome de neurose. Se tal conflito fosse claramente conscientizado, os sintomas neuróticos não se formariam; estes aparecem quando não encaramos o outro lado da nossa natureza e a urgência de seus problemas. Nestas circunstâncias os sintomas se manifestam e ajudam a exprimir o lado não reconhecido da psique. O sintoma é, pois, uma expressão indireta de um desejo que não se reconhece; quando este se torna consciente, entra em conflito violento com nossas convicções morais. Como já dissemos, se este lado sombrio da psique for subtraído da compreensão consciente, o doente não poderá confrontar-se com ele, corrigi-lo, conformar-se com ele, ou então renunciá-lo; pois na realidade ele não possui de forma alguma os impulsos inconscientes. Expulsos da hierarquia da psique consciente, eles se tornam complexos autônomos, que podem ser postos de novo sob o controle consciente, através da análise do inconsciente.</em></p>



<p style="line-height:1.4"><em>(JUNG, 2013, pg. 223)</em></p>
</blockquote>



<p>Nesse sentido, a traição denuncia a incapacidade do ego de sustentar a tensão inerente aos opostos: o dever e o desejo, a segurança e a liberdade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-traicao-e-portanto-na-maioria-das-vezes-o-sintoma-tardio-de-uma-cisao-ja-instalada" style="font-size:17px">A traição é, portanto, na maioria das vezes, o sintoma tardio de uma cisão já instalada.</h2>



<p>Quando a consciência não consegue sustentar as tensões, a psique encontra caminhos indiretos para restaurar o movimento e a traição é um desses caminhos.</p>



<p>A traição não se inicia no encontro físico com um terceiro, mas nas pequenas auto-traições cotidianas. Ela começa quando um dos parceiros percebe um incômodo ou uma verdade interna e escolhe relativizá-la para manter o conforto da <em>persona</em>.</p>



<p>É o momento em que se sente, mas se traduz rápido demais, abafando o incômodo da alma com racionalizações, do tipo: “não é nada”, “eu estou exagerando”, “isso é coisa minha, não preciso compartilhar”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nesse-instante-que-ocorre-a-primeira-infidelidade-a-traicao-da-propria-percepcao" style="font-size:17px">É nesse instante que ocorre a primeira infidelidade: a traição da própria percepção.</h2>



<p>No cotidiano conjugal, isso pode ser extremamente sutil. Perceber que o parceiro está menos presente (e imediatamente justificar), notar uma repetição que incomoda (e suavizar), sentir-se em segundo plano (e rapidamente compreender o outro).</p>



<p>Essa capacidade de compreender, tão valorizada, pode se tornar um mecanismo de apagamento. Enquanto isso, no outro polo, algo semelhante acontece de forma inversa. Quem trai frequentemente vive uma ruptura interna, uma vida dividida entre aquilo que sustenta conscientemente e aquilo que busca viver à margem. Não se trata apenas de desejo, mas de uma incapacidade de sustentar a própria verdade dentro da relação existente.</p>



<p>Neste estágio, a <em>anima</em> (no homem) ou o <em>animus</em> (na mulher) deixam de ser pontes de relação com o inconsciente para se tornarem &#8220;amantes ciumentos&#8221;. Sanford, em <em>Os Parceiros Invisíveis</em>, destaca que quando a <em>anima</em> não é reconhecida como uma função interna de vida, ela se projeta e &#8220;envenena as necessidades criativas&#8221;, sussurrando pensamentos de desvalorização que impelem o ego para uma busca externa compensatória:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p><em>Quando um homem tem uma ideia ou impulso criativo que poderia levá-lo além do ordinário, uma voz sutil parece sussurrar-lhe ao ouvido um pensamento destrutivo, que bem pode interromper as suas conjecturas, digamos que o homem concebe a ideia de escrever e se vê já elaborando um livro ou artigo. A anima certamente lhe cochichará: “Quem é você para pensar que pode escrever alguma coisa?” Ou: “mas isto já foi escrito”. Ou ainda: “Mas não vai haver ninguém que queira publicá-lo”. A energia criativa de muitos homens murcha por si mesma por causa dessa voz sutil, que parece querer anular as tentativas de um homem no sentido de fazer alguma coisa por si mesmo. (SANFORD, 1987, pg.58)</em></p>
</blockquote>



<p>De todo modo, quem trai não é um inocente dominado por forças externas, mas alguém que sofre de um rompimento interno. Há uma incapacidade de sustentar a própria verdade sem fragmentar a relação, uma fuga da responsabilidade moral de ser ele mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-campo-relacional-e-a-danca-dos-inconscientes" style="font-size:19px"><strong>O campo relacional e a dança dos inconscientes</strong></h2>



<p>Para a análise junguiana, o relacionamento humano nunca é composto por apenas duas pessoas. Sanford nos relembra que em cada encontro há, no mínimo, seis participantes: o casal e seus respectivos parceiros invisíveis (<em>anima</em> e <em>animus</em>). A traição ocorre então, dentro de uma <em>participation mystique</em>, uma identidade inconsciente em que as esferas psíquicas se interpenetram a tal ponto que se torna impossível dizer o que pertence a quem.</p>



<p>Assim, se percebe que o relacionamento é um campo onde múltiplas camadas psíquicas se encontram.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cada-parceiro-traz-consigo-nao-apenas-sua-historia-mas-tambem-suas-imagens-inconscientes-aquilo-que-projeta-aquilo-que-evita-aquilo-que-nao-reconhece-em-si" style="font-size:17px">Cada parceiro traz consigo não apenas sua história, mas também suas imagens inconscientes. Aquilo que projeta, aquilo que evita, aquilo que não reconhece em si.</h2>



<p>Nesse campo, configura-se uma dinâmica muitas vezes invisível: um encarna o movimento – o desejo, a ruptura, a sombra e o outro sustenta a estabilidade – a adaptação, a compreensão, o vínculo. Ambos participam.</p>



<p>No cotidiano, isso aparece de forma concreta na medida em que um evita conflitos através da racionalização e o outro evita a si mesmo, através de distrações, excessos ou fugas. Um sustenta a relação e o outro a tensiona.</p>



<p><strong>Em resumo, organiza-se uma dança de sombras:</strong></p>



<p><em>O Traidor: Muitas vezes encarna o polo da sombra que o outro se recusa a ver em si mesmo.</em></p>



<p><em>O Traído: Frequentemente &#8220;escolhe não ver&#8221; para preservar o vínculo a qualquer custo, sustentando uma harmonia fictícia baseada em afetos contidos.</em></p>



<p>A corresponsabilidade aqui não dilui a dor nem justifica o ato. Mas revela que há uma organização inconsciente onde cada um ocupa umlugar necessário na dinâmica, até que algo se torne insustentável.</p>



<p>E importa, sim, reconhecer que a &#8220;mão direita não sabe o que a esquerda faz&#8221; em ambos os lados do vínculo. A leitura de &#8220;quem sustenta e quem evita&#8221; é o que permite retirar a projeção e devolver a cada um a sua parcela na escuridão do mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-repeticao-do-nao-elaborado-e-a-historia-familiar-a-ferida-dor-e-lucidez" style="font-size:19px"><strong>A repetição do não elaborado e a história familiar. A ferida: dor e lucidez</strong></h2>



<p>A escolha de parceiros e a dinâmica da infidelidade mergulham suas raízes no rizoma da ancestralidade. Jung observa que &#8220;a vida que os pais poderiam ter vivido, mas foi impedida, é herdada pelos filhos sob forma oposta&#8221;. A traição pode ser, portanto, uma tentativa desesperada da psique de elaborar o não vivido da árvore familiar.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.3">
<p><em>“Em regra, a vida que os pais podiam ter vivido, mas foi impedida por motivos artificiais, é herdada pelos filhos, sob uma forma oposta. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. Assim, pais exageradamente moralistas têm filhos do tipo conhecido como sem moral, e um pai irresponsável e boêmio tem um filho dotado de ambição doentia, e assim por diante. A inconsistência artificial dos pais tem as piores consequências. (JUNG, 2014, pg. 249)</em></p>
</blockquote>



<p>Por exemplo, quando uma mulher que viu a mãe ser traída se vê em uma situação semelhante, não se trata apenas de coincidência, mas há um campo psíquico que busca elaboração. Não como destino inevitável,<br>mas como tentativa de consciência.</p>



<p>Assim, há relações que não começam no presente, elas são, em parte, reencontros com histórias antigas. Inconscientemente, buscamos parceiros que encarnam o complexo parental para tentar uma possibilidade de libertação.</p>



<p>E então surge o paradoxo, porque há uma parte que vê o padrão e outra que precisa não ver para continuar amando, para manter o vínculo, para não romper com a imagem internalizada do amor e essa divisão é profundamente humana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-traicao-provoca-um-abaissement-du-nivel-mental-uma-queda-da-energia-consciente-que-forca-o-individuo-a-uma-descida-as-profundezas-do-inconsciente" style="font-size:17px">A traição provoca um <em>abaissement du</em> nível mental, uma queda da energia consciente que força o indivíduo a uma descida às profundezas do inconsciente.</h2>



<p>A dor não provém apenas da perda do outro, mas da quebra da imagem idealizada de si mesmo e do relacionamento. É o fim da respeitabilidade que reprimia a psique.</p>



<p>Assim, a traição fere, mas não apenas pelo ato. Ela fere porque quebra as idealizações: do outro, da relação, e de si mesmo. E revela algo ainda mais difícil, que, em algum nível, algo já havia sido percebido. E então a dor se mistura com lucidez.</p>



<p>Não ficam apenas as perguntas: “por que isso aconteceu comigo?”, “por que o outro me feriu?” Mas também o pico de lucidez brutal, onde a sombra se integra por necessidade vital: <em>“em algum lugar, eu vi e não sustentei o que vi.”</em></p>



<p>E esse é um momento existencial decisivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-possibilidade-de-transformacao" style="font-size:19px"><strong>A possibilidade de transformação</strong></h2>



<p>O encerramento deste processo não deve ser buscado em uma reconciliação fácil ou em um crescimento bonito e suavizado. A verdadeira transformação é sóbria. Ela aponta para a possibilidade de viver relações em que amar não implica se apagar e onde a verdade, quando emerge, não é negociada rapidamente por medo da solidão.</p>



<p>Ela exige algo mais denso, que é sustentar percepções sem traduzi-las imediatamente, permanecer em relação sem se apagar e tolerar a tensão entre amor e verdade.</p>



<p>No cotidiano, isso se traduz em gestos simples e profundamente difíceis: dizer “isso me afeta” sem explicar demais, não justificar automaticamente o outro e permitir que a realidade do vínculo apareça, mesmo que ela desestabilize.</p>



<p>Porque amar não é apenas acolher. É também ver e não recuar diante do que se vê.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao" style="font-size:19px"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>Ao final desta análise, resta o desconforto de perceber que a &#8220;cura&#8221; não é o retorno à harmonia anterior, mas a coragem de sustentar a tensão de uma totalidade que inclui a própria escuridão.</p>



<p>Como afirma Jung: &#8220;<em>Ninguém pode ser redimido de um pecado que não cometeu</em>&#8221; (JUNG, 2013a, pg.153). A consciência, portanto, nasce da ferida, e não do seu encobrimento.</p>



<p>Porque a traição que mais nos marca não é a do outro, mas aquela, quase imperceptível, em que renunciamos àquilo que vimos para continuar pertencendo.</p>



<p>A consciência, por sua vez, não nasce da harmonia, mas sim da ruptura da ilusão.</p>



<p>E talvez o verdadeiro desafio não seja evitar a traição do outro, mas sustentar a própria verdade quando ela aparece.</p>



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<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/alessandra-brizotti-mazzieri/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/alessandra-brizotti-mazzieri/">Alessandra Mazzieri &#8211; Analista em formação / IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata / IJEP</a></strong></p>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>JUNG, Carl Gustav, <strong>Psicologia do Inconsciente.</strong> Edição Digital. Petrópolis: VOZES, 2013.</p>



<p>SANFORD, John A., <strong>Os Parceiros Invisíveis: o masculino e o feminino dentro de cada um de nós</strong>. 1ª Edição, 14ª Reimpressão, São Paulo: Ed. Paulus,1987.</p>



<p>______. <strong>O desenvolvimento da Personalidade</strong>. Ed. Digital. Petrópolis: VOZES, 2014.</p>



<p>______. <strong>Civilização em Transição</strong>. Ed. Digital. Petrópolis: VOZES, 2013 a.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
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