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Fidelidade à Ilusão: Por que não vemos o que vemos
Este ensaio convida a olhar a traição não como ruptura súbita, mas como o desvelar de uma fissura silenciosa que já habitava a alma. Antes do ato, há pequenas renúncias à própria verdade, onde o que se vê é suavizado para que o vínculo permaneça. Na trama invisível das relações, sombra, projeção e heranças inconscientes dançam, revelando que o outro também habita em nós. E é na queda da ilusão, dolorosa e lúcida, que a consciência pode enfim nascer, pedindo a coragem de sustentar o que se vê.

A Rainha da Neve: A desconexão com a Anima, o ceticismo e a ruptura da Alma
Este texto propõe uma análise simbólica do conto “A Rainha da Neve” (1844), de Hans Christian Andersen, sob a perspectiva da psicologia analítica de C. G. Jung. A narrativa da amizade entre Kay e Gerda interrompida pela ação do espelho de Hobglobin e pela sedução gélida da Rainha da Neve, é interpretada como metáfora da dinâmica psíquica marcada pela unilateralidade do Logos dissociado do Eros. O congelamento de Kay representa a fixação da consciência masculina em uma atitude racionalista e crítica , que, ao perder a mediação da anima, transforma-se em frieza, ceticismo e esterilidade da alma. O conto evidencia que a desconexão entre Logos e Eros gera adoecimento psíquico, enquanto sua integração abre caminho para a totalidade e o sentido da vida.
