IJEP ACADÊMICO

Ensaios, Artigos e Produções Acadêmicas
dos membros didatas e membros analistas
do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa.

Pesquisar

Este artigo discute a concepção junguiana da arte visionária como expressão simbólica de conteúdos oriundos do inconsciente coletivo. Analisa-se a função compensatória da criação artística diante das unilateralidades do espírito do tempo e a atuação do artista como mediador entre a psique coletiva e a consciência histórica, coletiva e cultural. Nessa perspectiva, o artista visionário assume uma função de psicopompo, conferindo forma e linguagem a conteúdos ainda não assimilados pela consciência. A arte se configura, assim, como modalidade de comunicação simbólica capaz de produzir novos sentidos e ampliar as possibilidades de compreensão individual e coletiva.

Professores do IJEP

Este artigo apresenta uma análise simbólica do conto nórdico “O Gigante Sem Coração” a partir dos fundamentos da psicologia analítica de Carl Gustav Jung. A narrativa é examinada como expressão arquetípica do processo de individuação, articulando imagens como a sombra, o complexo autônomo, a dissociação afetiva, a anima, o Self e a integração das funções psíquicas.

Selecionados da semana

A supervisão ocupa um lugar fundamental na formação e na prática do analista junguiano, oferecendo um espaço de reflexão, aprendizado e amadurecimento clínico. Neste texto, exploramos a figura do Mentor como metáfora para o papel do supervisor, aquele que orienta sem substituir e favorece o desenvolvimento da autoridade interior do supervisionando. Em contraponto, o mito de Pigmalião nos alerta para os riscos de uma supervisão atravessada pelo narcisismo, na qual o supervisor tenta moldar o outro à sua própria imagem. Entre esses dois polos, propomos pensar a supervisão como um espaço ético de troca, no qual conhecimento, experiência e singularidade podem se encontrar para favorecer o florescimento de cada analista.

Veja mais

Pressupondo que tenhamos uma ideia coletiva do que seja arte, podemos nos surpreender que não existe uma categorização objetiva e clara para o que isso seja, mas esse conceito foi explorado por muitos pensadores, artistas e filósofos ao longo do tempo. Esse artigo visa pensar a arte e o processo…

Teoria Junguiana

Este artigo tem como objetivo apresentar como o avanço da inteligência artificial (IA), sobretudo a IA generativa, tem transformado as formas de relacionamento humano. Em uma sociedade hiperconectada e orientada por dados, emergem novas formas de vínculo afetivo entre humanos e sistemas artificiais, como chatbots e assistentes digitais. A partir de um panorama contemporâneo, este artigo articula conceitos relacionados à inteligência artificial, IA generativa, engenharia de prompts e interfaces virtuais conversacionais com uma leitura fundamentada na psicologia analítica, perspectiva que contribui para compreender as conexões entre humanos e modelos de IA. Mais do que interpretar tais relações como meramente tecnológicas, trata-se de reconhecê-las como fenômenos psíquicos nos quais conteúdos inconscientes são mobilizados, projetados e, por vezes, intensificados. São abordados conceitos como inflação do ego, anima, animus e sombra, bem como uma leitura simbólica à luz do mito de Narciso e Eco.

O presente trabalho percebe a cidade contemporânea como um espaço desanimado pelo racionalismo absoluto do “meio-dia de Apolo”, que transformou a urbe em um cenário de espetáculo e desempenho. Diante do risco da enantiodromia — a irrupção caótica e violenta do irracional reprimido —, o ensaio defende a aisthesis como caminho para resgatar a anima mundi, devolvendo a alma ao mundo através da capacidade de notar e sentir a interioridade das coisas.

Este ensaio propõe uma leitura simbólica da violência masculina na adolescência a partir da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, das ampliações realizadas por Marie-Louise von Franz em O Asno de Ouro e da compreensão de Bernard Lievegoed acerca das fases da vida. Discute-se a adolescência como um momento crítico da constituição da consciência, marcado pela separação psíquica em relação ao mundo infantil, pela emergência da sexualidade e pela busca de pertencimento e identidade. Von Franz aprofunda essa reflexão ao descrever determinadas manifestações de brutalidade juvenil como expressões de uma masculinidade imatura e impulsiva, associada a formas degradadas de passagem para o mundo adulto. Em diálogo com essas formulações, Lievegoed compreende a adolescência como o grande despertar da realidade, período marcado pela busca de sentido e lugar no mundo. O ensaio propõe compreender determinadas formas contemporâneas de violência juvenil como expressões de falhas na elaboração simbólica da entrada na vida adulta.

Apoiado na perspectiva da psicologia analítica, este ensaio propõe uma reflexão sobre a evolução da vida e da consciência humana, destacando que, apesar dos avanços civilizatórios, permanecemos intimamente conectados a dimensão coletiva da psique. O artigo discorre sobre como a diferenciação dos pares de opostos, unidos originalmente no pleroma, é condição fundamental para o surgimento da individualidade, da consciência e do próprio desenvolvimento psíquico e da vida. Nesse sentido, a tensão entre polaridades não deve ser eliminada ou rechaçada, mas sustentada como um campo criativo e autorregulador, capaz de promover transformação e ampliação da consciência através de uma compreensão mais integrada da existência. Assim, uma importante tarefa evolutiva do ser humano consiste em evitar as fixações unilaterais, mantendo o diálogo entre opostos e resgatando a conexão com a unidade essencial que sustenta e integra toda a vida.

Continue lendo