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Este ensaio propõe uma leitura junguiana da normose digital, ampliando a relação do mito de Narciso com a dinâmica contemporânea das telas digitais e o vício em redes sociais. A tela do celular é analisada como a versão moderna do “espelho mágico” da rainha má em Branca de Neve, um objeto que promete reconhecimento total, mas aprisiona o ego em uma ilusão de reconhecimento. Utilizando os conceitos de Self, ego e complexo elaborados por C. G. Jung, e apoiando-se nas contribuições de Mario Jacoby, Nathan Schwartz-Salant e Alexander Lowen, o artigo argumenta que o vício em redes sociais representa uma fixação narcísica estrutural: a impossibilidade de o ego se separar de seu próprio reflexo, distanciando-se, assim, do si-mesmo.

O trecho de carta de Emma Jung para Neumman, apresentado pela analista junguiana e professora Cris Guarnieri em aula, não parou de ecoar em mim. Emma diz suspeitar que toda mulher contém um componente não relacional, ao qual chamou de componente Artemis. Ao observar experiências de mulheres contemporâneas a mim e as minhas próprias experiências, encontro exemplos que ampliam e confirmam a suspeição de Emma.

O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.

ocê já foi intensamente desejado para pouco tempo depois ser completamente ignorado? Onde conversas antes fluídas são friamente bloqueadas nos aplicativos e nos afetos? Entre o fascínio e a descartabilidade, o love bombing e o ghosting bailam na superfície das relações digitais , onde projeções, idealizações e rupturas se entrelaçam. Num encontro dialético entre Carl Gustav Jung e Zygmunt Bauman, este ensaio é um convite para refletir sobre a liquidez das relações e a sombra das projeções na era digital. Se o love bombing aponta para uma inflação do ego e o ghosting para a descartabilidade sombria, ambos denunciam a dificuldade de sustentar a alteridade. Entre a fusão e a fuga, a relação revela a dificuldade em estabelecer vínculos. Jung diz que “o amor custa caro e nunca deveríamos tentar torná-lo barato”, e nos tempos líquidos e de fuga, talvez seja a profundidade e a alteridade que nos permitirá encontrar a plenitude no amor.”

Atualmente vivemos sob o signo de um paradoxo avassalador. De um lado, um patriarcado abstrato e onipresente, que governa através do poder tecnológico e dos algoritmos do mercado financeiro dominados por um pai-máquina que tudo controla e nada abraça. De outro, uma ausência de paternagem que deixa um vazio ensurdecedor nos lares. Esta não é apenas a falta de um corpo, mas a do amparo que guia e fortalece. No lugar do pai amoroso, impera a sombra de uma estrutura tirânica que, por sua própria rigidez, gera uma geração de órfãos de pais vivos, com a alma marcada pela tristeza, o abandono e a rejeição.

A perimenopausa e a menopausa constituem uma das transições mais significativas da vida física e psíquica da mulher e, paradoxalmente, uma das mais silenciadas culturalmente. Este artigo propõe uma leitura desta fase fundamentada na Psicologia Analítica, com o objetivo de sensibilizar analistas e profissionais de saúde sobre a complexidade deste momento e a importância de reconhecê-lo e validá-lo. Para tanto, articula dimensões biopsíquicas e socioculturais, situando a perimenopausa e a menopausa como um momento propulsor da individuação.

No filme “O Labirinto do fauno” (2006), a trajetória de Ofélia, interpretada pela atriz Ivana Baquero, pode ser compreendida como um processo simbólico de individuação, onde o sofrimento é ressignificado por meio de uma escolha ética. Ofélia não foge do mundo, ela o atravessa por dentro, transformando a dor em uma escolha que dá sentido ao caos. Em vez de evasão da realidade, observa-se uma integração psíquica que a reconcilia com a brutalidade do mundo externo. No labirinto, não há fuga, mas um retorno à própria alma.

Este ensaio aborda a relevância do trabalho com os contos de fadas no setting terapêutico de Psicologia Analítica e de Arteterapia. A estrutura narrativa dos contos reflete a jornada de individuação, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da personalidade. Nos contos de fadas a psique se manifesta através de formas simbólicas, funcionando como uma projeção do inconsciente coletivo. Os contos de fadas falam sobre a jornada do ser humano, seus dilemas, seus sonhos, seus desafios, seus medos, suas potencialidades e podem ser considerados, como os sonhos, um meio de contatar o inconsciente. O conto possui uma linguagem que todos entendem, por tratar-se de um material que está além das diferenças culturais e raciais, uma linguagem de toda a espécie humana, uma linguagem arquetípica. Os contos de fadas trazem um material simbólico muito rico e estimulante para o desenvolvimento psíquico, sendo capaz de funcionar como catalisador no processo de individuação do analisando.