Browsing: Psicologia Junguiana
Este ensaio propõe uma reflexão sobre a atitude simbólica na psicologia analítica, compreendendo a imagem como linguagem própria da psique e, o símbolo, como principal mediador da relação entre consciência e inconsciente. A partir das contribuições de Carl Gustav Jung, Nise da Silveira e outros autores da tradição junguiana, discute-se o potencial transformador da imaginação, dos símbolos e dos recursos expressivos no processo terapêutico.
Este artigo discute a dificuldade de romper padrões familiares na parentalidade, mesmo quando existe o desejo consciente de educar os filhos de forma diferente daquela vivenciada na própria infância. As experiências emocionais não elaboradas, e até mesmo as elaboradas, podem influenciar reações automáticas e a repetição de comportamentos herdados. Utilizando o mito grego de Urano, Cronos e Zeus como metáfora da transmissão transgeracional de padrões, o texto reflete sobre os desafios de transformar a própria história familiar.
A propaganda atual, para o caminho da felicidade, é: quanto mais conforto, melhor. As dificuldades são colocadas como inimigas a serem evitadas. Cada vez mais, somos ensinados a termos o que desejamos, sem limites. A nossa capacidade de suportar as contrariedades, saber esperar e conviver com os obstáculos é cada vez menor. Ficamos mais frágeis e impacientes. A insatisfação aumenta. Neste breve artigo, discorro sobre a resiliência e sua importância para o caminho de autoconhecimento. E as consequências de sua falta, nas pequenas coisas cotidianas corriqueiras, nas relações, no processo de autodesenvolvimento espiritual e no caminho da individuação.
O que é suficiente para uma vida humana? Essa questão, aparentemente simples, atravessa diferentes tradições do pensamento ocidental e ressurge, em cada época, como uma crítica às diversas formas de excesso que caracterizam a experiência humana. Para Sêneca, tratava-se do excesso de desejos e da dependência dos bens exteriores; para os transcendentalistas, do afastamento da natureza e da simplicidade; para Jung, da identificação com a persona e da perda de contato com o Si-mesmo. Embora formuladas em contextos distintos, essas perspectivas convergem na compreensão de que o sofrimento humano não decorre apenas da escassez, mas também do acúmulo: de posses, de papéis, de expectativas e de tudo aquilo que obscurece a experiência do essencial.
Este ensaio propõe uma leitura junguiana da normose digital, ampliando a relação do mito de Narciso com a dinâmica contemporânea das telas digitais e o vício em redes sociais. A tela do celular é analisada como a versão moderna do “espelho mágico” da rainha má em Branca de Neve, um objeto que promete reconhecimento total, mas aprisiona o ego em uma ilusão de reconhecimento. Utilizando os conceitos de Self, ego e complexo elaborados por C. G. Jung, e apoiando-se nas contribuições de Mario Jacoby, Nathan Schwartz-Salant e Alexander Lowen, o artigo argumenta que o vício em redes sociais representa uma fixação narcísica estrutural: a impossibilidade de o ego se separar de seu próprio reflexo, distanciando-se, assim, do si-mesmo.
O trecho de carta de Emma Jung para Neumman, apresentado pela analista junguiana e professora Cris Guarnieri em aula, não parou de ecoar em mim. Emma diz suspeitar que toda mulher contém um componente não relacional, ao qual chamou de componente Artemis. Ao observar experiências de mulheres contemporâneas a mim e as minhas próprias experiências, encontro exemplos que ampliam e confirmam a suspeição de Emma.
O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.
ocê já foi intensamente desejado para pouco tempo depois ser completamente ignorado? Onde conversas antes fluídas são friamente bloqueadas nos aplicativos e nos afetos? Entre o fascínio e a descartabilidade, o love bombing e o ghosting bailam na superfície das relações digitais , onde projeções, idealizações e rupturas se entrelaçam. Num encontro dialético entre Carl Gustav Jung e Zygmunt Bauman, este ensaio é um convite para refletir sobre a liquidez das relações e a sombra das projeções na era digital. Se o love bombing aponta para uma inflação do ego e o ghosting para a descartabilidade sombria, ambos denunciam a dificuldade de sustentar a alteridade. Entre a fusão e a fuga, a relação revela a dificuldade em estabelecer vínculos. Jung diz que “o amor custa caro e nunca deveríamos tentar torná-lo barato”, e nos tempos líquidos e de fuga, talvez seja a profundidade e a alteridade que nos permitirá encontrar a plenitude no amor.”
Atualmente vivemos sob o signo de um paradoxo avassalador. De um lado, um patriarcado abstrato e onipresente, que governa através do poder tecnológico e dos algoritmos do mercado financeiro dominados por um pai-máquina que tudo controla e nada abraça. De outro, uma ausência de paternagem que deixa um vazio ensurdecedor nos lares. Esta não é apenas a falta de um corpo, mas a do amparo que guia e fortalece. No lugar do pai amoroso, impera a sombra de uma estrutura tirânica que, por sua própria rigidez, gera uma geração de órfãos de pais vivos, com a alma marcada pela tristeza, o abandono e a rejeição.
A perimenopausa e a menopausa constituem uma das transições mais significativas da vida física e psíquica da mulher e, paradoxalmente, uma das mais silenciadas culturalmente. Este artigo propõe uma leitura desta fase fundamentada na Psicologia Analítica, com o objetivo de sensibilizar analistas e profissionais de saúde sobre a complexidade deste momento e a importância de reconhecê-lo e validá-lo. Para tanto, articula dimensões biopsíquicas e socioculturais, situando a perimenopausa e a menopausa como um momento propulsor da individuação.
