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O presente ensaio é um convite à reflexão simbólica do Complexo de Cassandra e a endometriose. A narrativa mítica apresenta um contexto para pensar sobre os significados da histeria e fazer uma releitura desse diagnóstico de forma simbólica. Esse texto não se propõe a esgotar o tema, mas a aprofundar a reflexão acerca do descrédito do feminino e do enlouquecimento do feminino sob uma leitura arquetípica do complexo materno negativo.

O trecho de carta de Emma Jung para Neumman, apresentado pela analista junguiana e professora Cris Guarnieri em aula, não parou de ecoar em mim. Emma diz suspeitar que toda mulher contém um componente não relacional, ao qual chamou de componente Artemis. Ao observar experiências de mulheres contemporâneas a mim e as minhas próprias experiências, encontro exemplos que ampliam e confirmam a suspeição de Emma.

O presente artigo propõe uma leitura simbólica dos mitos de dilúvio, especialmente da narrativa de Noé, a partir da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, buscando compreender sua relação com a metanoia e o processo de envelhecimento no indivíduo contemporâneo. Partindo da recorrência das narrativas cataclísmicas em diferentes civilizações, o texto investiga o dilúvio como imagem arquetípica associada à dissolução de antigas estruturas psíquicas, à desorientação e às experiências limiares que marcam o meio da vida. A metanoia é compreendida como um processo de transformação em que formas anteriores de adaptação e identificação começam a desorganizar-se, possibilitando o surgimento de uma nova relação com o si-mesmo. Nesse contexto, o artigo busca refletir sobre como essas imagens míticas ainda expressam aspectos fundamentais da experiência humana e das transformações psiquicas no meio da vida.

Este ensaio aborda o conceito de Sombra, conforme definido por C. G.  Jung, examinando suas manifestações na mitologia e na arte cinematográfica. A fúria e a loucura, como manifestações sombrias, ocupam lugar central nas ampliações analisadas: o filme A Noiva e a deusa grega Lyssa. Ambas as manifestações dão contorno para a fúria e a loucura de uma perspectiva feminina, sendo ao mesmo tempo um chamado para o reconhecimento e integração desses aspectos sombrios que nos habitam.

Este artigo propõe uma reflexão simbólica sobre a invalidação do feminino a partir do mito de Perséfone e da narrativa de Ofélia. Mais do que analisar personagens míticas ou literárias, o texto busca compreender como determinadas imagens arquetípicas atravessam o tempo e se atualizam na psique contemporânea, revelando dinâmicas internas que ainda influenciam a forma como muitas mulheres se relacionam. À luz da psicologia analítica, a proposta é investigar de que modo o arquétipo da donzela pode tanto aprisionar quanto iniciar processos de transformação.

O artigo analisa o símbolo da serpente, à luz da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, como representação do processo de individuação feminina. A serpente, com sua capacidade de trocar de pele, simboliza a necessidade de abandonar padrões antigos, integrar a sombra e reconectar-se com a dimensão instintiva. A verdadeira cura do feminino ocorre por meio da transformação psíquica, da coragem de romper com papéis impostos e da busca por autenticidade.

O olhar que recebemos pode expandir a vida psíquica — ou restringi-la. Neste artigo, exploramos como as expectativas do outro moldam profundamente a experiência humana, articulando dois conceitos da psicologia social: o Efeito Pigmaleão, que eleva, e o Efeito Golem, que rebaixa. A partir de mitos, pesquisas clássicas e da clínica junguiana, refletimos sobre o poder criativo ou destrutivo do olhar que incide sobre o sujeito. No setting analítico, essa dinâmica se manifesta na forma como o terapeuta sustenta — ou limita — a emergência do Self. Enquanto o olhar pigmaleônico favorece o florescimento da potência psíquica, o olhar golem pode cristalizar defesas, sintomas e identificações empobrecidas. O texto convida, assim, a uma pergunta ética e clínica fundamental: que imagem ajudamos a esculpir no outro — e em nós mesmos? Afinal, o olhar que reconhece o “suficientemente bom” não apenas vê: ele cria condições para que a vida se torne mais inteira.

Este artigo apresenta uma análise simbólica do conto nórdico “O Gigante Sem Coração” a partir dos fundamentos da psicologia analítica de Carl Gustav Jung. A narrativa é examinada como expressão arquetípica do processo de individuação, articulando imagens como a sombra, o complexo autônomo, a dissociação afetiva, a anima, o Self e a integração das funções psíquicas.

O objetivo deste artigo é oferecer uma ampliação sobre o mito de Narciso, destacando e refletindo dinâmicas psíquicas importantes, que estão presentes desde o início na história. O que nos condena e às nossas relações? E, principalmente, como é possível, mesmo encurralados em extremos e polaridades, encontrarmos aquilo que ajuda a mirar o caminho?