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	<title>Arquivos infância - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Jul 2026 18:12:59 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos infância - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Ser Avó &#8211; O Exercício do Presente Carregado de Vários Passados</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/ser-avo-o-exercicio-do-presente-carregado-de-varios-passados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 17:59:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[avó]]></category>
		<category><![CDATA[avós]]></category>
		<category><![CDATA[avosidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[parentalidade]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[velho sábio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As avós trazem em si algo que as diferem das demais mulheres, e lhes concede habilidade para o acolhimento, aconselhamento, transmissão dos saberes ancestrais, e tudo isso com temperos que atravessaram os tempos nos chás, sopas, conversas com o tempo acontecendo em um compasso mais lento, mas assertividade garantida.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>: As avós trazem em si algo que as diferem das demais mulheres, e lhes concede habilidade para o acolhimento, aconselhamento, transmissão dos saberes ancestrais, e tudo isso com temperos que atravessaram os tempos nos chás, sopas, conversas com o tempo acontecendo em um compasso mais lento, mas assertividade garantida.</p>



<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Era um momento de curso de Desenvolvimento da Personalidade, em que se falava didaticamente sobre o desenvolvimento do ego e suas fases. A professora do curso começou a exemplificar a teoria com o desenvolvimento dos netos. O tempo tomou outra dimensão, e começou a passar mais lentamente, respeitando o prazer do relato daquela que alinhavava conhecimento técnico com a felicidade de ser avó. Aconteceu algo mágico, naquele momento, todo seu corpo se iluminava. Através da tela, eu que já a conhecia, fui apresentada a uma pessoa belíssima, de olhos brilhantes, de fala cheia de vida, de movimentos livres, que falava dos netos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fiquei pensando sobre o que ocorre na nossa mente quando evocamos esses seres tão especiais? O que faz deles serem tão especiais? Como lembrar deles ou de suas peripécias faz as vovós sorrirem sozinhas?</p>



<h2 id="h-persona-da-avo" class="wp-block-heading">PERSONA DA AVÓ</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, toda avó é essencialmente uma mãe, que de acordo com o arquétipo Materno acionado pode ter aspectos negativos e positivos (nutridora, protetora, mas também controladora e devoradora). Do ponto de vista da Persona, maneira social de desempenhar o papel materno ou de avó, pode apresentar inúmeras máscaras diante do mundo: a avó sábia, a matriarca da família, dentre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Persona da avó é uma das várias facetas que é mais adequada àquele momento de interação com o ambiente externo no qual se encontra. E há uma grande facilidade de usufruir desta Persona pelo acolhimento social dado a avó, representando um complexo de emoções acolhedoras e ao mesmo tempo de sabedoria trazida da ancestralidade.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora e avó quando, transbordando felicidade, se refere aos netos no decorrer de uma aula, lembrando que as filhas tinham comportamento semelhante a eles, está usufruindo das emoções maternais em paralelo ao raciocínio lógico, e do prazer especial de reviver o tempo infantil das próprias filhas.</p>



<h2 id="h-arquetipo-do-velho-sabio" class="wp-block-heading">ARQUÉTIPO DO VELHO SÁBIO</h2>



<h2 id="h-o-velho-sabio-e-um-arquetipo-que-contempla-tanto-homens-quanto-mulheres-e-pode-aparecer-nelas-como-o-animus-positivo-uma-forca-auxiliadora-e-escondida-de-sabedoria-que-transforma-e-cria-cf-hopcke-2024-p-136" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O Velho Sábio é um arquétipo que contempla tanto homens quanto mulheres, e pode aparecer nelas como o Animus positivo, uma força auxiliadora e escondida de sabedoria, que transforma e cria. (Cf. HOPCKE, 2024, p. 136)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ser avó é um exercício do princípio Feminino ampliado a partir daquele de ser mãe, porque exige mais experiência e resiliência. Atravessando o tempo e caminhando sobre obstáculos inusitados, aprendendo caminhos alternativos, ressignificando experiências dolorosas, valorizando a sabedoria dos que lhe precederam, fortalecendo-se para quando os complexos do medo e da insuficiência surgirem, a avó possa convidá-los para partilhar da jornada e seguir em frente integrando os mesmos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Para Jung o Velho representa, por um lado, o saber, o conhecimento, a reflexão, a sabedoria, a inteligência e a intuição e, por outro, também qualidades morais como benevolência e solicitude, as quais tornam seu caráter “espiritual”. Uma vez que o arquétipo é um conteúdo autônomo do inconsciente[&#8230;] (OC 9/1, §406).</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-aqui-ele-nos-convida-a-refletir-sobre-o-velho-como-o-espirito-que-aparece-nos-contos-de-fadas-quando-o-heroi-esta-em-situacao-desafiadora-e-ele-se-apresenta-para-acolher-e-orientar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Aqui ele nos convida a refletir sobre o Velho como o espírito que aparece nos contos de fadas quando o herói está em situação desafiadora, e ele se apresenta para acolher e orientar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No cotidiano quantas são às vezes que as avós são evocadas, mesmo que somente à memória para aliviar uma tensão ou para imaginar o que elas diriam ou fariam numa determinada situação, para  encontrar as melhores saídas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avó se relaciona com os netos de forma salutar, quando reconhece que neles está um condensado de inúmeros anos da sua própria história. Neles há a representação de sua origem étnica, das expressões de religiosidade, dos prazeres alimentares, das formas de interagir com o mundo de maneira peculiar a ambos. Justificando o reconhecimento de semelhanças entre os netos e os que lhe precederam, como também entre traços de comportamentos dos netos e aqueles feitos pelas filhas; como foi exemplificado em aula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a avó professora exemplifica assuntos técnicos através de experiências afetivas com os netos, ela demonstra que as informações se transformam em conhecimento quando são vivenciadas na prática, e que quando temperadas com amor e carinho este processo é muito mais prazeroso e suave; sendo inclusive muito mais fácil de fixar.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ser uma grande avó significa ensinar os caminhos do amor e da compreensão aos mais novos&#8230; porque os conselhos e advertências da avó com frequência podem ajudar a impedir deslizes dos mais jovens; e, caso não tornem os mais jovens de imediato mais sábios, conseguem ajudar a extrair sentido daqueles deslizes quando resultam em desnorteamento ou tristeza. (ESTÉS, 2023, p.58)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-estar-com-os-netos-e-viver-a-oportunidade-de-acolher-suas-dificuldades-permite-a-avo-o-exercicio-de-todo-seu-conhecimento-acumulado-alem-de-demonstrar-na-pratica-que-o-caminho-do-amor-e-da-compaixao-pode-ser-trilhado-com-suavidade-e-firmeza" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Estar com os netos e viver a oportunidade de acolher suas dificuldades permite a avó o exercício de todo seu conhecimento acumulado, além de demonstrar na prática que o caminho do amor e da compaixão pode ser trilhado com suavidade e firmeza.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A avó aparece como uma figura arquetípica ancestral, representando o feminino profundo, a sabedoria encarnada, a hospitalidade da alma.”</em> <em>(MARTINEZ, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Este princípio Feminino profundo é acionado no acolhimento daquele bebê que precisa de amparo para se manter sentadinho e com apoio para a pesada cabeça, ensinando que muitas outras oportunidades virão em que a avó estará próxima para sustentá-lo no braço, assim como para facilitar a experimentação dos alimentos, abrindo um mundo de possibilidades de sabores e texturas, também ensinando que os relacionamentos são feitos com pessoas de diversos perfis, e que se não for muito satisfatória essa experiência relacional, a vovó estará atenta para ceder o ombro, ouvidos e carinho para que as emoções pulsantes possam escorrer seguras.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>As ferramentas mágicas que a avó arquetípica usa para a transformação não muda há milhares de anos. A mesa da cozinha. A luz do lampião. Uma única vela. A música. O ritual. O insight. A intuição. A sopa. O chá. A história. A conversa. O longo passeio. A confissão. A mão amorosa. O sorriso brincalhão. A sensualidade bem resolvida. O senso de humor malicioso. A capacidade de examinar os outros e ler sua alma. A palavra gentil. O provérbio. O coração atento. A perspicácia para, quando necessário, proporcionar aos outros a experiência angustiante do “olhar”.” (ESTÉS, 2023, pp. 58 e 59).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É impossível não relacionar de imediato as “ferramentas mágicas” citadas acima que nossas avós, e outras que conhecemos, usavam para acalmar nosso coração que se despedaçou nas primeiras experiências amorosas, ou nas dúvidas diante das escolhas profissionais, quando perdemos o primeiro emprego, ou quando as coisas não saíram exatamente como planejamos. Eram chás, doces, comidinhas especiais que só elas sabiam fazer, e conversas com o tempo que passava mais devagar para que coubesse toda a nossa angústia e o acolhimento delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo hoje, sinto dificuldade em conceituar o sentimento que ocorria quando chegava à casa da minha avó e atravessava o seu portal; era como atravessar o portal do tempo: a luz era diferente, o som da casa ecoava de forma única, as plantas eram mais simples e bonitas, e sempre a encontrava me esperando para passarmos o dia juntas. Havia doce de leite feito para me esperar, sendo aquele que mais gosto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Jung diz que há “Três aspectos essenciais de mãe, isto é, sua bondade nutritiva e dispensadora de cuidados, sua emocionalidade orgástica e a sua obscuridade subterrânea” (OC 9/1, §158), creio que ele está se referindo a essa generosidade e permissão para sentir a emoção que aflora, para praticar o acolhimento sem que haja limite de tempo ou motivação, semelhante ao cuidado necessário a uma planta tão sensível como a avenca. Ela exige receber água, calor, claridade, vento, mas nada pode ser em excesso, nada pode ser escasso, senão ela morre. Quanto a obscuridade e subterrânea, é possível que sejam as pedras e tropeços que foram imperiosos e superados no caminhar para chegar ao destino, e suas representações simbólicas quando as mães, que se tornam avós, aludem nas conversas sobre suas trajetórias.</p>



<h2 id="h-ser-avo-e-participar-de-uma-faixa-da-humanidade-que-agrega-a-ancestralidade-e-a-possibilidade-de-transmitir-tudo-que-ela-representa-envolvendo-sentimentos-lembrancas-e-emocoes-que-a-moldaram-e-a-trouxeram-ate-o-hoje" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Ser avó é participar de uma faixa da humanidade que agrega a ancestralidade e a possibilidade de transmitir tudo que ela representa, envolvendo sentimentos, lembranças e emoções que a moldaram e a trouxeram até o hoje.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a professora avó, durante a aula, trouxe o exemplo dos netos para explicar os conhecimentos técnicos sobre o desenvolvimento da personalidade, ela evocou sua ancestralidade, elaborou os saberes científicos específicos e se expressou com falas transbordantes de afetividade. Foi a mestra avó que tomou lugar naquele momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi fantástico!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/">Dayse de Araújo Raphael – Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Rachel B Romano – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação:</p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS. Clarissa Pinkola. <em>A ciranda das mulheres sábias.</em> Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem. Ed Rocco, RJ, 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOPCKE. Robert H. <em>Guia para a obra completa de C. G. Jung</em>, Petrópolis: Vozes, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Símbolos da Transformação</em>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Psicologia do inconsciente</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Simone. <em>A importância do passado a construção da psique infantil</em>. Blog do IJEP junho/2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINEZ, Monica. <em>Do surfista sagrado à avó ancestral</em>: análise de um sonho à luz da jornada da heroína. Blog do IJEP, agosto/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br" type="link" id="www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/ser-avo-o-exercicio-do-presente-carregado-de-varios-passados/">Ser Avó &#8211; O Exercício do Presente Carregado de Vários Passados</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 00:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento infantil]]></category>
		<category><![CDATA[formação do ego]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Neumann]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12104</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/">A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Desde o nascimento, todo indivíduo é acolhido em um contexto previamente estabelecido, marcado por uma determinada cultura, por padrões sociais, por códigos morais e por costumes específicos de seu tempo histórico. Esse ambiente inicial também é configurado por uma constelação familiar singular, que oferece à criança sua primeira moldura de sentido e pertencimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-momentos-de-vida-a-relacao-da-crianca-com-seus-cuidadores-ocorre-em-um-estado-que-jung-descreve-como-participation-mystique" style="font-size:18px">Nos primeiros momentos de vida, a relação da criança com seus cuidadores ocorre em um estado que Jung descreve como <em>participation mystique</em>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O termo, originalmente utilizado por <strong>Lévy-Bruhl</strong> ao estudar sociedades tradicionais e originárias, refere-se a uma forma de experiência na qual não se distingue plenamente entre aquilo que pertence ao indivíduo e aquilo que pertence ao grupo ou ao mundo ao redor. Trata-se de uma vivência psíquica sem separação rígida entre sujeito e objeto, marcada por uma identidade indiferenciada e profundamente conectada ao inconsciente (JUNG, 2013a).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Partimos de uma formação como homens e como humanidade de uma fusão grupal, representada pela mescla urobórica, para só então atingirmos a individualidade promovida pelo complexo de ego. Muito embora não haja uma espécie de ‘psique objetiva de grupo’ apartada dos seus componentes, <strong>Eric Neumann</strong> (2014, p. 197) afirma que, nos grupos primevos, as diferenças individuais podiam ser percebidas e havia espaço para relativa independência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança, especialmente nos primeiros anos de vida, também passa por um processo de identificação inconsciente com o grupo ao qual pertence. Ela se vincula aos pais de maneira não consciente, permanecendo imersa no campo psíquico familiar e manifestando tanto as dificuldades quanto os progressos presentes nesse ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-neste-artigo-serao-discutidos-o-desenvolvimento-da-consciencia-na-infancia-a-influencia-do-contexto-familiar-sobre-a-vida-psiquica-e-o-papel-fundamental-dos-pais-nesse-percurso" style="font-size:18px">Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-formacao-do-ego-ocorre-de-maneira-progressiva" style="font-size:18px">A formação do ego ocorre de maneira progressiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Antes que a consciência se estabeleça, o indivíduo permanece no âmbito do inconsciente, e o self já está presente antes mesmo da constituição egóica. Nos primeiros anos de vida, enquanto o complexo do ego ainda não está claramente delimitado, grande parte da personalidade funciona de forma inconsciente. Nesse período, segundo Erich Neumann (1995, p. 112), o que existe é uma “consciência do self”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao chegar ao mundo, o ser humano encontra-se em um estágio pré-egóico, vivenciando aquilo que se denomina estado urobórico, representado pelo uroboros, a serpente que devora a própria cauda. Nessa fase, não há distinção de opostos na experiência psíquica; tudo é percebido como uma unidade. Neste ponto, a figura materna, materializada na mãe real, tem um peso expressivo de grande magnitude, pois mesmo após o nascimento, a criança ainda está imersa na mãe. Nesta ligação mãe e filho, há uma unidade primária entre eles.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-discute-amplamente-esse-tema-em-sua-obra-a-crianca-que-servira-como-referencia-central-para-a-exposicao-dos-estagios-de-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>Neumann</strong> discute amplamente esse tema em sua obra <em>A Criança</em>, que servirá como referência central para a exposição dos estágios de formação do ego.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De acordo com o autor, a vivência urubórica presente no início da vida ultrapassa a noção de uma psique indiferenciada, abrangendo uma conexão total com o ambiente. Para o bebê, ainda não existe uma separação entre “interno” e “externo”; tudo é percebido como um campo único e contínuo. <strong>Sua experiência do mundo ocorre por meio do corpo e das sensações mediadas pela mãe</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mãe e filho permanecem simbolicamente unidos mesmo após o nascimento, como se a criança ainda estivesse envolta pelo útero. Suas necessidades fisiológicas, como fome, desconforto e busca por aconchego, são experimentadas de forma imediata e encontram alívio apenas por intermédio do cuidado maternal. Cuidado este que pode estar materializado na figura propriamente da mãe, do pai ou de um cuidador que incorpore este papel materno diante da bebê. Assim sendo, estabelece-se uma identidade biopsíquica entre o corpo do bebê e o mundo que o circunda (NEUMANN, 1995, p. 12).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-uniao-primordial-constitui-o-alicerce-de-toda-a-vida-relacional" style="font-size:18px">Essa união primordial constitui o alicerce de toda a vida relacional.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na perspectiva junguiana, é nesse estágio pré-egóico que o self atua como totalidade psíquica originária, enquanto o ego ainda está em formação. A qualidade do vínculo inicial, marcado pela segurança, acolhimento e previsibilidade das respostas maternas, torna-se fundamental não só para o desenvolvimento do ego, mas também para a construção da confiança básica que sustentará os futuros laços sociais. Assim, a experiência de imersão no materno não apenas organiza as primeiras percepções corporais da criança, mas também molda a maneira como ela se abrirá ao mundo e às demais relações ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao analisar historicamente e antropologicamente diferentes culturas, Neumann estabelece uma analogia entre a organização dos agrupamentos humanos e o processo de amadurecimento da personalidade individual. Ele observa que sociedades consideradas tradicionais mantinham uma forte fusão entre o coletivo e o individual, em que predominava a inconsciência coletiva sobre a consciência pessoal. Nesses contextos, as estruturas egóicas eram incipientes ou pouco desenvolvidas, e a organização social sob influência do princípio matriarcal refletia uma vivência psíquica mergulhada no inconsciente. O ser humano, ligado profundamente ao ambiente, experienciava uma identidade simbiótica com o mundo, marcada pela <em>participation mystique</em>. De modo semelhante, a criança inicia sua vida psíquica no interior de um estado inconsciente matriarcal, do qual gradualmente se diferencia à medida que o ego emerge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-igualmente-descreve-uma-sequencia-evolutiva-na-formacao-do-ego-que-transita-simbolicamente-do-matriarcado-ao-patriarcado" style="font-size:18px">Neumann igualmente descreve uma sequência evolutiva na formação do ego que transita simbolicamente do matriarcado ao patriarcado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os estágios iniciais, considerados inferiores ou primordiais, estão vinculados ao princípio materno e à relação primal com o inconsciente. Nos estágios posteriores, denominados superiores ou solares, ocorre a ascensão do princípio paterno, relacionado ao desenvolvimento da consciência, da diferenciação e à aproximação com a dimensão masculina do self. Esse movimento expressa não apenas uma mudança estrutural da personalidade, mas também um deslocamento arquetípico: da acolhida materna inconsciente para a direção e ordenação do arquétipo paterno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-o-ego-comeca-a-adquirir-atividade-propria-o-que-neumann-descreve-como-o-aparecimento-do-ego-ativo-ele-passa-por-etapas-progressivas-ate-sua-consolidacao" style="font-size:18px">Quando o ego começa a adquirir atividade própria, o que Neumann descreve como o aparecimento do ego ativo, ele passa por etapas progressivas até sua consolidação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entre elas estão os estágios fálicos, divididos em fálico-ctônico e mágico-fálico. Nessas fases, a criança vive um senso de totalidade e uma percepção do corpo relativamente autônoma, embora ainda profundamente permeada pelo inconsciente. A vivência permanece transpessoal e unificada, pois a consciência ainda não produziu a separação entre polos opostos. Como afirma Neumann (1995, p. 112), nesse período “a criança possui uma consciência flutuante, instável e não localizada, uma consciência de Self”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-esse-carater-ainda-indiferenciado-da-experiencia-infantil-corresponde-ao-momento-em-que-o-ego-esta-em-formacao-emergindo-gradualmente-da-matriz-inconsciente-que-o-sustenta" style="font-size:18px"><strong>Esse caráter ainda indiferenciado da experiência infantil corresponde ao momento em que o ego está em formação, emergindo gradualmente da matriz inconsciente que o sustenta.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No estágio inicial, denominado fálico-ctônico, a psique incipiente opera sob a influência predominante do inconsciente coletivo e do arquétipo da Grande Mãe, refletindo uma fase essencialmente matriarcal e inconsciente. O ego em gestação permanece flutuante e guiado por processos inconscientes. A progressão deste estágio se dá de uma fase vegetativo-passiva para uma manifestação mais ativa, instintiva e animal, coincidente com o desenvolvimento da locomoção e a orientação do impulso libidinal para o exterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-para-o-segundo-estagio-o-magico-falico-assinala-o-inicio-da-estruturacao-da-consciencia" style="font-size:18px">A transição para o segundo estágio, o mágico-fálico, assinala o início da estruturação da consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Embora o ego permaneça inserido na esfera de influência matriarcal, e o self seja experienciado de forma corporal e integrada ao inconsciente, emerge uma atividade mais delineada. Esta etapa é marcada pelo surgimento de uma posição mais ativa do ego e uma busca antropocêntrica, na qual o ego começa a se consolidar como o centro organizador da consciência, demarcando o início da diferenciação em relação ao inconsciente coletivo indiferenciado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No estágio seguinte, o mágico-guerreiro, o ego inicia sua diferenciação do inconsciente, buscando a libertação da influência da Grande Mãe arquetípica por meio de um movimento de oposição ativo. Este processo exige um distanciamento da figura da mãe pessoal, que carrega a projeção do arquétipo, em direção à esfera patriarcal, marcando uma fase crucial de separação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As fases solares, que compreendem os quarto e quinto estágios (solar-guerreiro e solar-racional), denotam um ego com maior autonomia e assertividade (Neumann, 1995, p. 137). A evolução da consciência progride de características de um &#8220;caçador&#8221; e &#8220;guerreiro devorador&#8221;, que luta pela sua existência e diferenciação, para aspectos mais elevados e espirituais da paternidade, simbolizados pela figura do pai celestial. Esta transição entre as esferas matriarcal e patriarcal também coincide com a paulatina diferenciação das expressões do masculino e feminino na personalidade, culminando na independência clara do ego nas fases solares.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ambiente-familiar-na-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>O ambiente familiar na formação do ego</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A construção do ego acontece de maneira progressiva e é profundamente marcada pelas experiências externas que a criança recebe desde muito cedo. A consciência, por sua vez, emerge gradualmente do inconsciente, que lhe é anterior, e se apoia em uma herança psíquica comum a toda a humanidade: os arquétipos e os instintos, que conectam o ser humano atual às gerações ancestrais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Embora cada sujeito percorra seu próprio caminho de desenvolvimento, existem padrões gerais que caracterizam esse processo como essencialmente transpessoal. Um dos movimentos centrais é o afastamento progressivo do ego em relação ao inconsciente, formando o eixo ego–self, estrutura pela qual a personalidade se organiza numa oscilação constante entre o mundo interno e o contexto externo. Neumann descreve esse movimento inicial como matriarcal, pois é conduzido pelo inconsciente, de onde surge a consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-tempos-de-vida-antes-do-estabelecimento-do-ego-a-crianca-permanece-em-um-estado-uroborico-como-mencionado-anteriormente-marcado-por-uma-intensa-fusao-emocional-e-psiquica-com-o-ambiente-especialmente-com-a-mae-figura-que-simboliza-o-arquetipo-materno" style="font-size:18px">Nos primeiros tempos de vida, antes do estabelecimento do ego, a criança permanece em um estado urobórico, como mencionado anteriormente, marcado por uma intensa fusão emocional e psíquica com o ambiente. <strong>Especialmente com a mãe</strong>, <strong>figura que simboliza o arquétipo materno</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Posteriormente, passa-se para a etapa patriarcal, associada às identificações com a figura paterna. Para Jung, a constituição plena da individualidade só começa a ocorrer quando a criança consegue referir-se a si mesma como “eu” &#8211; algo que geralmente se dá entre os três e cinco anos de idade (JACOBY, 2010, p. 121). Nesse período inicial, sobretudo antes do ingresso na escola, o impacto da família é determinante, podendo inclusive desencadear conflitos emocionais e dificuldades psíquicas na criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-familia-e-o-primeiro-ambiente-em-que-a-crianca-observa-imita-e-aprende-modos-de-agir" style="font-size:18px">A família é o primeiro ambiente em que a criança observa, imita e aprende modos de agir. Nos primeiros anos, esse convívio intenso faz dela um verdadeiro “centro de gravidade emocional”, onde a identidade e o caráter começam a se formar sob a influência das diferentes personalidades presentes (ZWEIG; ABRAMS, 1994). Nesse estágio de forte dependência, algo natural ao desenvolvimento psíquico infantil, qualquer perturbação pode afetar seu crescimento saudável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-que-a-mente-da-crianca-e-extremamente-sensivel-as-influencias-do-meio-absorvendo-impressoes-profundas-dos-pais-inclusive-conteudos-nao-verbalizados-ou-inconscientes" style="font-size:18px">Jung ressalta que a mente da criança é extremamente sensível às influências do meio, absorvendo impressões profundas dos pais, inclusive conteúdos não verbalizados ou inconscientes:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Se nós, adultos, nos mostramos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>(JUNG,1995, p. 496)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por ainda viverem em participação mística com as figuras parentais, as crianças captam tanto os comportamentos visíveis, quanto o movimento psíquico interno dos pais. Assim mesmo quando os adultos tentam controlar seus complexos, sua energia inconsciente continua atuando e repercutindo na psique infantil, pois, como observa Jung, os complexos têm força contagiante e alcançam a criança mesmo sem intenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com a entrada na escola, a criança passa a se afastar gradualmente da influência direta dos pais e o ambiente escolar assume um papel importante nesse processo de autonomia. Por isso, Jung (2013b) destaca que educadores deveriam ter consciência da responsabilidade que exercem na formação da personalidade infantil, investindo em autoconhecimento e amadurecimento para poderem educar de forma mais íntegra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ainda assim o ambiente familiar continua exercendo forte impacto sobre a expressão individual da criança. Os pais transmitem condicionamentos emocionais e padrões afetivos que influenciam profundamente a formação da psique e da consciência nos primeiros anos de vida. Zweig e Abrams (1994) lembram que todos recebemos uma “herança psicológica” que inclui aspectos da sombra familiar, valores, hábitos, tensões e até problemas não resolvidos pelos próprios pais, que podem se manifestar na criança como dificuldades de socialização. Jung reforça que, nesse início, a criança tende a mergulhar no inconsciente parental, reproduzindo padrões que atravessam gerações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">A análise do desenvolvimento infantil evidencia que a consolidação do ego é um processo profundamente vinculado ao ambiente familiar e às primeiras relações estabelecidas pela criança. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">Desde o nascimento, as vivências emocionais, os vínculos formados e a qualidade do cuidado recebido moldam a base sobre a qual a consciência se estrutura. A família, com seus padrões afetivos, valores e conteúdos conscientes e inconscientes, exerce influência determinante sobre esse percurso inicial, deixando marcas que podem favorecer o crescimento ou gerar conflitos que se prolongam ao longo da vida. Embora transitar por outro meio sociais, como o ambiente escolar, amplie o universo da criança e introduza novas referências, é no seio da família que se encontram os primeiros alicerces da personalidade que acompanharão o indivíduo em sua trajetória. Assim, compreender a dinâmica familiar e seu impacto na formação psíquica é fundamental para reconhecer como se constitui a formação egóica e como se perpetuam tendências que atravessam gerações.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/XC0LoyJgQ8E?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Simone Magaldi</strong> &#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências bibliográficas</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, A vida simbólica. Vol. 1, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, Estudos Experimentais, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, Freud e a psicanálise, 16 ª edição, Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, O desenvolvimento da personalidade, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, Erich, A criança: Estrutura e dinâmica da personalidade em</p>



<p class="wp-block-paragraph">desenvolvimento desde o início de sua formação, 10ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 1995.31</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs.). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana, São Paulo: Editora Cultrix, 1994</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Um diálogo necessário entre a Psicologia Analítica e relatórios de saúde mental da criança e do adolescente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-dialogo-necessario-entre-a-psicologia-analitica-e-relatorios-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Danielle Chaves Gomes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 17:49:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tenho-grande-interesse-em-aproximar-a-psicologia-analitica-de-outras-areas-do-conhecimento-e-das-questoes-que-marcam-a-contemporaneidade" style="font-size:19px">Tenho grande interesse em aproximar a Psicologia Analítica de outras áreas do conhecimento e das questões que marcam a contemporaneidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Acredito que nós, terapeutas junguianos, podemos construir pontes entre a Psicologia Analítica e os fenômenos atuais, ampliando reflexões sobre os desafios do nosso tempo. Esse tangenciamento — seja em artigos como esse, congressos, aulas, diálogos ou sessões de análise — enriquece terapeutas, analisandos, profissionais de outras áreas e o coletivo. Por isso, considero essencial que a Psicologia Analítica dialogue com campos como políticas públicas, epidemiologia, cultura, educação e saúde, pois esses espaços evidenciam, de forma concreta, como a vida psíquica se expressa na sociedade em determinado tempo e espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre os muitos temas possíveis, escolho aqui a infância e a adolescência. Seguindo a intenção exposta anteriormente, os dados oficiais de saúde mental aparecem como uma fonte valiosa de reflexão, já que há a possibilidade de analisá-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-de-avancar-e-importante-fazer-algumas-ressalvas" style="font-size:19px">Antes de avançar, é importante fazer algumas ressalvas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Definir saúde mental não é simples, devido às diversas discussões sobre o tema. Assim, utilizo a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) pela frequência com que aparece na literatura e por ser uma das principais referências deste trabalho. Além disso, embora o foco aqui seja a vida psíquica de crianças e adolescentes, é essencial lembrar que todos somos frutos de um contexto biopsicossocial e espiritual, que deve sempre ser considerado na análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para a OMS, a saúde mental está inserida em um contexto biopsicossocial e, portanto, sofre a influência de múltiplos fatores que estão interligados entre si, exercendo cada qual a sua participação no bem-estar mental. Quando há saúde mental, o indivíduo é capaz de lidar com situações estressantes da vida, de aprender, desenvolver suas habilidades, trabalhar, se relacionar e contribuir com sua comunidade. Especificamente em relação às crianças, ela se reflete em distintos aspectos do desenvolvimento, como um senso positivo de identidade, capacidade de organizar pensamentos e emoções, construção de relacionamentos sociais e capacidade de aprendizado &#8211; o que irá impactar, no futuro, na sua participação na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-oms-lembra-que-a-saude-mental-nao-esta-inserida-em-um-sistema-binario-no-qual-ou-se-tem-saude-mental-ou-nao" style="font-size:19px">A OMS lembra que a saúde mental não está inserida em um sistema binário, no qual ou se tem saúde mental ou não.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pelo contrário, uma pessoa com algum diagnóstico de transtorno mental pode experienciar períodos de maior bem-estar mental, assim como uma pessoa sem qualquer transtorno pode passar por momentos de baixo nível de bem-estar. Sendo assim, no decorrer da vida, o bem-estar mental oscila na dependência de fatores individuais, familiares e estruturais que, combinados, são determinantes da saúde mental porque podem atuar de forma protetiva ou não (WHO, 2021; WHO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 2022, ano em que a ONU estimou a população mundial em 8 bilhões, a OMS divulgou sua maior revisão sobre saúde mental desde a virada do século, e apontou que cerca de 970 milhões de pessoas viviam com pelo menos um transtorno mental em 2019,&nbsp; aproximadamente 13% da população mundial (WHO, 2022; UNITED NATIONS, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em relatório mais recente, constatou-se que a prevalência aumentou para 14% em 2021, avançando mais rápido que o crescimento populacional entre 2011 e 2021. Entre as crianças de 5 a 9 anos, 7% viviam com algum transtorno mental; entre adolescentes de 10 a 19 anos, esse número subia para 14%.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alem-disso-um-terco-dos-transtornos-que-aparecem-na-vida-adulta-se-inicia-ate-os-14-anos-metade-ate-os-18-e-quase-dois-tercos-ate-os-25-anos-who-2025" style="font-size:19px">Além disso, um terço dos transtornos que aparecem na vida adulta se inicia até os 14 anos; metade até os 18; e quase dois terços até os 25 anos (WHO, 2025).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A esses dados soma-se o relatório do UNICEF (2021), que reforça o papel decisivo dos determinantes de saúde mental na infância e adolescência. O documento destaca o papel crucial dos determinantes de saúde mental nessa fase do desenvolvimento e mostra como experiências adversas — como abuso, negligência e violência — influenciam de forma significativa o bem-estar psíquico infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Para facilitar a compreensão, o UNICEF organiza esses determinantes em três esferas</strong>: o mundo da criança (ambiente doméstico e cuidados), o mundo ao redor (escola, comunidade, vínculos) e o mundo mais amplo (determinantes sociais).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em relação ao primeiro fator, foco deste artigo, ressalta que o papel dos pais no processo de promoção e apoio ao desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual de uma criança é de suma importância para a construção de uma base sólida da saúde mental da criança e do adolescente. Porém, muitos pais precisam de apoio nesta construção em relação à própria saúde mental, com orientações, informações e apoio psicossocial. (UNICEF, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Dentre tantos dados, estudos, considerações e apontamentos, uma informação é comum e de extrema importância: o período da vida compreendido desde a gestação até a puberdade é a etapa da vida na qual o ser humano está mais suscetível à influência dos fatores determinantes de saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-por-sua-vez-destaca-que-nesta-fase-se-encontram-as-bases-da-vida-psiquica-como-sera-explicitado-adiante" style="font-size:19px">Jung, por sua vez, destaca que nesta fase se encontram as bases da vida psíquica, como será explicitado adiante.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Considerando que a criança permanece por muitos anos sob a influência dos pais e do ambiente familiar, é de extrema importância ir além dos critérios diagnósticos e, com base na Psicologia Junguiana, compreender como a dinâmica familiar impacta o desenvolvimento psíquico, ajudando a interpretar o que os dados oficiais revelam.&nbsp; Isto não significa que se negue os diagnósticos apresentados.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sobre isso, a psicopatologia, na perspectiva da Psicologia Analítica, tem uma visão importante sobre a forma como se dá a dinâmica da relação consciência e inconsciente, na compreensão da psicogênese do que é dito “doente”, conforme pontua <strong>Salvador</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O texto Junguiano leva a refletir que algo apareceria como psicopatológico (doente) quando, numa dissociação na psique, se instalasse uma cisão e embate onde o padrão dominante na consciência vivesse como ameaça e lutasse contra os aspectos configurados em complexo de outra forma. (&#8230;) E, quanto mais unilateral e rígida, maior a intensidade do que diverge do dominante.</p><cite>(2022, p. 441)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desta forma, o Professor <strong>Ajax Salvador</strong> nos traz que aquilo que aparece como ‘doente’, trata-se, na realidade, da dinâmica de um eu rígido, inflexível e unilateral, que não se relaciona com os conteúdos do inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É essa dinâmica de “luta” contra os conteúdos inconscientes que está como pano de fundo do sofrimento da alma, podendo chegar até mesmo a uma dissociação psíquica, levando a um quadro de psicose. Porém, quando falamos da infância e da adolescência, um olhar para além desta dinâmica deve ser lançado, pois se trata de uma etapa da vida em que a psique ainda está em formação e desenvolvimento e a criança ainda está imersa na vida psíquica dos pais e cuidadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-sentido-carl-gustav-jung-destaca-que-ha-um-fator-preponderante-em-relacao-aos-outros-que-influencia-a-formacao-e-o-desenvolvimento-da-psique-infantil" style="font-size:19px">Neste sentido, Carl Gustav Jung destaca que há um fator preponderante em relação aos outros que influencia a formação e o desenvolvimento da psique infantil:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram (pois se trata de fenômeno psicológico atávico do pecado original). Tal afirmação poderia parecer algo de sumário e artificial sem esta restrição: essa parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido se não a tivesse ocultado mediante subterfúgios mais ou menos gastos. Trata-se, pois, de uma parte da vida que — numa expressão inequívoca — foi abafada talvez com uma mentira piedosa. É isto que abriga os germes mais virulentos. (JUNG, 2013a, p. 52).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-ainda-que-os-pais-sao-fontes-primarias-das-neuroses-dos-filhos-e-que-via-de-regra-as-reacoes-mais-fortes-sobre-as-criancas-nao-provem-do-estado-consciente-dos-pais-mas-de-seu-fundo-inconsciente-jung-2013a-p-51-p-84" style="font-size:19px">Jung ressalta ainda que os pais são fontes primárias das neuroses dos filhos e que “<em>(&#8230;) via de regra, as reações mais fortes sobre as crianças não provêm do estado consciente dos pais, mas de seu fundo inconsciente</em>.” (JUNG, 2013a, p. 51, p. 84).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sendo assim, é importante compreender que não são somente as atitudes conscientes de pais e cuidadores que afetam a vida psíquica da criança. A forma que se relacionam com o inconsciente também afeta, ou seja, aquilo que não é falado, que é negado, reprimido e não confrontado também afeta. Isso ocorre porque o eu da criança está em formação e, portanto, principalmente a criança pequena, vive em um estado de inconsciência sobre si própria, que origina uma indiferenciação em relação ao objeto, de tal maneira que experimenta a mãe e o mundo como sendo si própria. (JUNG, 2013a, p. 50).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A consequência é que, devido ao estado de identidade que se estabelece, a criança não sabe diferenciar o que é conteúdo dela e o que é conteúdo de seus pais, e a consequência é que ela vai se tornando depositária das questões deles, tomando como parte de si tudo o que ocorre na vida psíquica de seus pais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-isso-jung-nos-diz-nesse-trecho-que-e-longo-mas-fundamental-para-o-entendimento" style="font-size:19px"><strong>Sobre isso, Jung nos diz nesse trecho que é longo, mas fundamental para o entendimento:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Não é a vida honesta e piedosa, não é a inculcação de verdades pedagógicas que exercem influência moldadora sobre o caráter da pessoa em formação; o que tem maior influência é a atitude emocional, pessoal e inconsciente, dos pais e educadores. A desarmonia latente entre os pais, uma preocupação secreta, desejos secretos e reprimidos, tudo isso produz na criança um estado emocional, com sinais perfeitamente reconhecíveis, que devagar, mas segura e inconscientemente vai penetrando na psique dela, levando às mesmas atitudes e, portanto, às mesmas reações aos estímulos do meio ambiente. (&#8230;). Se nós, adultos, mostramo-nos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>JUNG, 2012, p. 524</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Zweig e Abrams (1994, p.69) ampliam essa ideia ao dizer que&nbsp; “Cada um de nós tem uma herança psicológica que não é menos real que nossa herança biológica. Essa herança inclui um legado de sombra que nos é transmitido e que absorvemos no caldo psíquico do nosso ambiente familiar.” Portanto, estamos falando de uma herança psíquica transgeracional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outro-ponto-essencial-da-relacao-parental-e-a-projecao" style="font-size:19px"><strong>Outro ponto essencial da relação parental é a projeção.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jacoby (2010, p.28) mostra como a imagem arquetípica da criança é frequentemente projetada sobre o filho quando os pais não buscam sua própria realização. Nestes casos, o desejo de autorrealização é projetado nas crianças e pode trazer consequências significativas em suas vidas porque “ela rouba, até mesmo violenta, o crescente esforço por autonomia da criança em amadurecimento.” (JACOBY, 2010, p.27).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-campo-da-relacao-primal-autores-como-neumann-e-edinger-destacam-que-sera-fundamental-para-o-desenvolvimento-psiquico" style="font-size:19px">No campo da relação primal, autores como Neumann e Edinger destacam que será fundamental para o desenvolvimento psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É a vivência de segurança adquirida na relação primal que capacita o eu a integrar as possíveis crises que possam transcorrer no percurso do desenvolvimento. Também é esta experiência que capacita a criança a suportar as inibições impostas por um código de conduta ou por valores culturais (NEUMANN, 1995, p. 51). Edinger (2020, p. 29, p.60) pontua que&nbsp; a vivência de segurança e acolhimento nos primeiros anos é decisiva para a formação do eixo eu–Si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando essa relação é fragilizada — seja por ausência de afeto, violência, rejeição, abandono ou mesmo conflitos familiares intensos — surgem danos psíquicos que podem ressoar por toda a vida, como sentimentos de vazio, desespero, falta de sentido e, em casos extremos, psicoses e risco de suicídio. Aqui, vale lembrar os dados de suicídio na infância e na adolescência apresentados nos relatórios e a reflexão acerca do quanto tais análises podem estar representando a dor da falta do amor, da aceitação e de um ambiente amoroso. Por outro lado, um ambiente excessivamente permissivo também pode gerar inflação do eu, dificultando o contato com limites e frustrações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-desafio-da-educacao-esta-em-estabelecer-o-equilibrio-entre-os-dois-caminhos" style="font-size:19px">O desafio da educação está em estabelecer o equilíbrio entre os dois caminhos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É possível perceber, após toda a discussão do tema, que a conclusão dos relatórios de que a maioria dos transtornos mentais se iniciam no início do desenvolvimento é perfeitamente plausível de acordo com a visão junguiana, ao considerar que a psique do adulto é uma consequência da psique que iniciou sua formação na infância. Inclusive, como coloca Jung, tal influência pode conduzir toda a vida da pessoa: “Vemos em cada neurótico como a constelação do meio ambiente infantil influencia não só o caráter da neurose, mas também o destino de vida, até mesmo em pequenos detalhes.” (JUNG, 2012, p. 526).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em resumo, pais e cuidadores exercem grande influência sobre o desenvolvimento psíquico infantojuvenil por diversas vias: herança psicológica transgeracional; formação da sombra; projeções parentais; e prejuízo da formação e desenvolvimento do eixo eu-Si-mesmo &#8211; onde está a influência da relação primal, do tipo de educação e do ambiente. Por isso, quando falamos de saúde mental da criança e do adolescente, não podemos separar essa discussão da saúde mental dos pais e cuidadores e de seu compromisso com o autoconhecimento. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-que-esse-efeito-seja-minimizado-jung-pontua-que" style="font-size:19px">Para que esse efeito seja minimizado, Jung pontua que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A única coisa que pode preservar a criança desses danos desnaturais é a atitude sincera dos pais diante dos problemas da vida.” (JUNG, 2013a, p. 89). Também nos lembra que: “Para o bem de seus filhos, os pais deveriam considerar seu dever jamais esquecer suas próprias dificuldades íntimas. O que não devem fazer é reprimi-las levianamente e talvez fugir de confrontos dolorosos. </p><cite>JUNG, 2013a, p. 140</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É possível concluir o quanto esta fase da vida é importante e determinante para o bem-estar mental de toda uma vida, não somente na infância. Além disso, fica claro que não é possível separar saúde mental da criança e do adolescente da saúde mental parental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-a-compreensao-junguiana-mostra-que-quando-se-fala-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente-e-de-suma-importancia" style="font-size:19px"><strong>Em resumo, a compreensão junguiana mostra que quando se fala de saúde mental da criança e do adolescente, é de suma importância:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:19px">a valorização do autoconhecimento dos pais;</li>



<li style="font-size:19px">que se incluam intervenções que ajudem pais e cuidadores a reconhecerem suas projeções;</li>



<li style="font-size:19px">que políticas públicas considerem pais e cuidadores, e não apenas as crianças;</li>



<li style="font-size:19px">a compreensão dos sintomas infantis como expressões também de complexos familiares;</li>



<li style="font-size:19px">que considerem a criança como sujeito, mas também como parte de um campo psíquico maior.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por fim, ressalto o quanto Jung foi pioneiro: muito antes de haver dados epidemiológicos mundiais, ele já apontava que as bases da vida psíquica se estruturam nos primeiros anos de vida, aquilo que hoje é sustentado por pesquisas globais.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Psicologia Analítica e saúde mental da criança e do adolescente" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/kXYWMnIix98?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/">Danielle Chaves Gomes de Oliveira – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Maria da Glória Miranda &#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E.F. Ego e arquétipo: uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos</p>



<p class="wp-block-paragraph">fundamentais de Jung. 2.ed. São Paulo, Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, J. Estudos de psicologia arquetípica. 1.ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1978.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JACOB, M. Psicoterapia Junguiana e a pesquisa contemporânea com crianças. 1.ed. São</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paulo, Paulus, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Estudos Experimentais, 3. ed., Petrópolis, Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G O desenvolvimento da personalidade. 14. ed. Petrópolis, Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E. A criança. 10. ed. São Paulo, Cultrix, 1995</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALVADOR, A.P. Psicopatologia na perspectiva junguiana: uma psicopatologia “re-imaginada”.In: MAGALDI, W. (Org.). Fundamentos da psicologia analítica. 1.ed. São Paulo, Eleva Cultural, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNICEF. United Nations Children’s Fund, The State of the World’s Children 2021: On My</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mind – Promoting, protecting and caring for children’s mental health, UNICEF, New York:</p>



<p class="wp-block-paragraph">2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs, Population Division. World Population Prospects 2022: Summary of Results. New York: United Nations; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Comprehensive mental health action plan</p>



<p class="wp-block-paragraph">2013–2030. Geneva: World Health Organization; 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World mental health report: transforming</p>



<p class="wp-block-paragraph">mental health for all. Geneva: World Health Organization; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION. World mental health today: latest data. Genebra:2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, C.; ABRAMS, J. Ao encontro da sombra. 1. ed. São Paulo, Cultrix, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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