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	<title>Arquivos lixo - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos lixo - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>DO REJEITO AO SAGRADO: A TRANSFORMAÇÃO DO LIXO EM ARTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 19:22:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que acontece quando aquilo que considerávamos sem valor ganha uma nova função? Neste artigo, a partir da transformação de materiais descartados em arte, proponho uma reflexão sobre lixo, sombra e as possibilidades de ressignificação e reintegração na vida psíquica.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/do-rejeito-ao-sagrado-a-transformacao-do-lixo-em-arte/">DO REJEITO AO SAGRADO: A TRANSFORMAÇÃO DO LIXO EM ARTE</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: O que acontece quando aquilo que considerávamos sem valor ganha uma nova função? Neste artigo, a partir da transformação de materiais descartados em arte, proponho uma reflexão sobre lixo, sombra e as possibilidades de ressignificação e reintegração na vida psíquica.</p>



<h2 id="h-neste-artigo-reflito-sobre-as-potencialidades-simbolicas-que-podem-emergir-ao-utilizarmos-o-lixo-como-materia-prima-no-fazer-artistico" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Neste artigo reflito sobre as potencialidades simbólicas que podem emergir ao utilizarmos o lixo como matéria-prima no fazer artístico</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Toda essa reflexão se iniciou após uma experiência pessoal com um material que automaticamente eu jogaria fora, mas que ao não o fazer, evocou profundas transformações em mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Desde criança, eu sempre gostei de transformar coisas. Me lembro que mais ou menos aos seis anos, enquanto muitas crianças brincavam com os brinquedos que recebiam, eu gostava mesmo era de inventar os meus. Eu desenhava, pintava, recortava, colava e transformava rolos de papel, fios, retalhos e tudo aquilo que encontrava pela casa em alguma coisa nova. Havia algo de mágico em olhar para aquele material todo e conseguir enxergar nele outra possibilidade. Porém, com o passar dos anos, a criatividade foi perdendo espaço para os estudos, as responsabilidades e a necessidade de funcionar de maneira cada vez mais organizada, racional e adaptada às expectativas externas.</p>



<h2 id="h-ate-que-recentemente-encontrei-um-copo-de-vidro-trincado-e-minha-primeira-reacao-foi-joga-lo-fora-mas-alguma-coisa-em-mim-resistiu-e-resolveu-trabalhar-com-aquele-objeto" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Até que, recentemente, encontrei um copo de vidro trincado e minha primeira reação foi jogá-lo fora. Mas alguma coisa em mim resistiu e resolveu trabalhar com aquele objeto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Decorei o copo com fitas coloridas e, primeiramente, o transformei em um porta-canetas, que logo depois ganhou uma nova função, recebendo uma muda de espada-de-São-Jorge. Enquanto fazia aquilo, senti uma alegria difícil de explicar. Estava concentrada, quase meditativa e percebi que não estava apenas transformando um objeto, eu estava resgatando alguma coisa em mim também.</p>



<h2 id="h-foi-entao-que-uma-frase-atribuida-a-lavoisier-voltou-a-minha-cabeca-na-natureza-nada-se-cria-tudo-se-transforma" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Foi então que uma frase atribuída a Lavoisier voltou à minha cabeça: “Na natureza nada se cria, tudo se transforma.”</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Comecei a pensar no quanto essa lógica parece evidente quando observamos a natureza e, ao mesmo tempo, tão distante da maneira como a vida externa se organiza. Na natureza, aquilo que morre não simplesmente desaparece, aquilo que morre se decompõe e seus elementos retornam ao ciclo da vida. Não existe propriamente um “fora” da natureza. Aquilo que deixa de cumprir uma função em determinado momento pode tornar-se alimento, matéria ou condição para que outra coisa exista.</p>



<h2 id="h-na-nossa-sociedade-entretanto-retiramos-do-nosso-campo-de-visao-tudo-aquilo-que-perdeu-sua-utilidade-para-nos-o-lixo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na nossa sociedade, entretanto, retiramos do nosso campo de visão tudo aquilo que perdeu sua utilidade para nós: o lixo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para trazer um pouco de contexto, no Brasil produzimos cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos por ano e apenas uma pequena parcela dos resíduos secos é reciclada, enquanto a maior parte acaba sendo destinada a aterros ou de maneira inadequada (ABREMA, 2025, p.27). É neste contexto que emerge a chamada cultura do descarte, caracterizada por um modelo linear de funcionamento que visa extrair, produzir, consumir e descartar. Diferentemente do sistema circular da natureza, esse modelo gera resíduos que não são reintegrados ao ciclo da vida, acumulando-se como excedentes sem função aparente. O lixo, portanto, não é apenas um subproduto material, mas um sintoma de uma forma específica de funcionamento da consciência., onde privilegia apenas uma parte, excluindo o todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E é aqui que a reflexão sobre o lixo encontra a Psicologia Analítica, pois, de certa maneira, não existe produção de lixo do lado de fora se não existir a mesma dinâmica do lado de dentro. Desta forma, a consciência também produz seus “resíduos”. Para Jung a consciência é uma porção bem pequena e restrita perante a totalidade da psique do indivíduo, e por isso limitada, conseguindo reter poucos dados simultâneos, enquanto isso tudo o mais é inconsciente (CF. JUNG, OC 18/1, §13).</p>



<h2 id="h-quando-os-conteudos-sao-inconscientes-eles-nao-desaparecem-por-nao-serem-integrados-conscientemente-estes-sao-empurrados-para-aquilo-que-jung-chamou-de-sombra" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quando os conteúdos são inconscientes, eles não desaparecem por não serem integrados conscientemente, estes são empurrados para aquilo que Jung chamou de sombra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na Psicologia Analítica, a <strong>sombra</strong> reúne aspectos da personalidade que não foram reconhecidos ou integrados pela consciência. É uma parte daquilo que somos que não encontra lugar consciência.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>A experiência no campo da psicologia analítica nos tem mostrado abundantemente que o consciente e o inconsciente raramente estão de acordo no que se refere a seus conteúdos e tendências. Esta falta de paralelismo, como nos ensina a experiência, não é meramente acidental ou sem propósito, mas se deve ao fato de que o inconsciente se comporta de maneira compensatória ou complementar em relação à consciência.(JUNG, OC 8/2, §132)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como o lixo retirado de casa continua existindo em algum outro lugar, os conteúdos psíquicos que retiramos da consciência continuam pertencendo à nossa personalidade. Não existe um “fora” da psique, aquilo que é reprimido não deixa simplesmente de existir e permanece atuando de maneira inconsciente, podendo influenciar nossas escolhas, relações, emoções e comportamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na própria lógica junguiana, aquilo que não é assimilado pela consciência permanece ativo no inconsciente até que possamos estabelecer algum tipo de diálogo com esses conteúdos e encontrar uma forma de integrá-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por isso a imagem que experimentei com aquele copo trincado foi tão importante no meu processo. Ele continuava sendo o mesmo copo rachado, porém, a mudança aconteceu na forma como o eu se relacionou com ele. E, de forma análoga, assim funciona o processo de individuação que, segundo Jung, envolve uma aproximação progressiva da totalidade, não pela eliminação dos opostos, mas pela possibilidade de integrá-los em uma nova relação.</p>



<h2 id="h-e-nesse-encontro-entre-consciente-e-inconsciente-que-jung-apresenta-a-funcao-transcendente-uma-dinamica-psiquica-que-possibilita-a-passagem-de-uma-atitude-para-outra-fazendo-emergir-algo-novo-a-partir-da-tensao-entre-os-opostos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É nesse encontro entre consciente e inconsciente que Jung apresenta a função transcendente: uma dinâmica psíquica que possibilita a passagem de uma atitude para outra, fazendo emergir algo novo a partir da tensão entre os opostos.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>O modo pelo qual se obtém a harmonização de dados conscientes e inconscientes não pode ser indicado sob a forma de uma receita. Trata-se de um processo de vida irracional, que se expressa em determinados símbolos&#8230;o conhecimento dos símbolos é indispensável, pois é nestes que se dá a união de conteúdos conscientes e inconscientes. Da união emergem novas situações ou estados de consciência. Designei por isso a união dos opostos pelo termo “função transcendente”. A meta de uma psicoterapia que não se contenta apenas com a cura dos sintomas é a de conduzir a personalidade em direção à totalidade. (JUNG, OC 9/1, § 524)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-quando-o-lixo-vira-materia-prima-encontramos-uma-metafora-desse-movimento-a-integracao-consciente-daquilo-que-foi-rejeitado-pela-consciencia" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quando o lixo vira matéria-prima, encontramos uma metáfora desse movimento: a integração consciente daquilo que foi rejeitado pela consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por esta razão, na Arteterapia, o material rejeitado não é apenas um suporte para produzir alguma coisa, através do fazer artístico ele funciona como mediador da experiência psíquica, favorecendo a expressão e a elaboração simbólica de conteúdos que nem sempre encontram palavras. A matéria oferece resistência, impõe limites, surpreende e, justamente por isso, também convida o sujeito a flexibilizar suas expectativas. Ao trabalhar com materiais descartados, a consciência no individuo é convidada a estabelecer uma nova relação com aquilo que, a princípio, é percebido como sem valor, permitindo que aquilo que estava excluído encontre um lugar diferente dentro da totalidade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Durante o caminho de crescimento, transformador e transformado pelo processo criativo do indivíduo eu se encontra em acompanhamento arteterapêutico, muitos materiais tornam-se o veículo plástico, onde as imagens se configurarão em símbolos integradores de toda a energia psíquica que caminha para a individuação (PHILIPPINI, 2022, p.23)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como o material descartado pode ganhar uma nova função, aquilo que foi rejeitado na psique pode carregar uma energia que ainda não encontramos maneira de utilizar conscientemente. O que parecia apenas defeito pode esconder potência e, neste processo, matéria e conteúdos psíquicos parecem se encontrar em um mesmo movimento: resgatar, ressignificar e reintegrar.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>A sombra, porém, é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma (&#8230;) Se tivermos tal atitude, forças auxiliadoras adormecidas na nossa natureza mais profunda poderão despertar e vir em nosso auxílio. (JUNG, OC 9/1, § 44).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A arte, nesse sentido, pode ser muito mais do que uma produção estética. Pode ser uma experiência de diálogo com aquilo que ainda não compreendemos completamente em nós. Porque aquilo que é descartado, seja no mundo externo ou no mundo interno, não deixa de existir. <strong>O que foi rejeitado continua atuando e encontrando formas de se manifestar até que possamos estabelecer com ele uma relação consciente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/renata-pastorello/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/renata-pastorello/">Renata Fraccini Pastorello &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">ABREMA, <em>Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. 2025</em>. Disponível em: https://www.abrema.org.br/panorama/ . Acesso em 12 de abril de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl. G. <em>A natureza da psique</em>, Edição Digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 8/1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________<em>Os Arquétipos do Inconsciente Coletivo</em>, Edição Digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 9/1</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________<em>A vida simbólica: escritos diversos</em>, Edição digital. Petrópolis, RJ: Vozes, 18/1</p>



<p class="wp-block-paragraph">PHILIPPINI, Angela. <em>Arteterapia: Métodos, Projetos e Processos</em>. Rio de Janeiro, RJ: Wak, 2022</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.editoragente.com.br/a-vida-quer-voce-inteiro-7546/p?utm_source=prevenda&amp;utm_medium=autor&amp;utm_campaign=WaldemarMagaldi"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="851" height="315" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4.png" alt="" class="wp-image-14104" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4.png 851w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4-300x111.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4-767x284.png 767w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4-149x55.png 149w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/A-VIDA-QUER-VOCE-INTEIRO-Waldemar-Magaldi-4-448x166.png 448w" sizes="(max-width: 851px) 100vw, 851px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Pré-venda até 10/11/2026; o envio ocorrerá após o encerramento da pré-venda</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/do-rejeito-ao-sagrado-a-transformacao-do-lixo-em-arte/">DO REJEITO AO SAGRADO: A TRANSFORMAÇÃO DO LIXO EM ARTE</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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