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	<title>Arquivos mercado de trabalho - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos mercado de trabalho - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Trabalho, identidade e realização pessoal</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-identidade-e-realizacao-pessoal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2022 19:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
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		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo procura explorar e refletir sobre a relação da humanidade com o trabalho. Essa atividade já foi sinônimo de tortura, de punição divina mas hoje é vida com viés de identidade e auto-realização. Mas movimentos como a Grande Resignação mostram que sempre estamos em busca de rever nossa relação com o trabalho.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A profissão e/ou o trabalho são parte importante da nossa vida adulta, desde crianças somos questionados sobre “o que queremos ser quando crescer”. Pensando que, se quando crescermos não trabalharmos, não somos talvez adultos ou cidadãos. Trabalho vem do latim <em>“tripalium”, </em>que é o nome de um instrumento de madeira de três pontas, usado para trabalhos agrícolas ou para tortura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por muito tempo o significado de trabalho foi associado a fardo e sacrifício. Na Grécia Antiga, o trabalho era desprezado pelos cidadãos livres. Platão considerava o exercício das profissões vil e degradante. Nos primeiros tempos do cristianismo, o trabalho era visto como tarefa penosa e humilhante, como punição para o pecado. Ao ser condenado, Adão teve por expiação trabalhar para ganhar o pão com o suor do seu próprio rosto (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando essa concepção do trabalho como castigo divino ou tarefa menos digna, vemos que o ser humano sempre teve uma relação complicada com o trabalho. Essa visão perdura até hoje, pois o trabalho intelectual é visto como nobre e elevado, enquanto o trabalho braçal é visto como algo de menos valia. Não é a toa que o trabalho braçal até pouco tempo atrás era destinado à mão de obra escrava.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A concepção de trabalho como fonte de identidade e autorrealização humana, foi constituída a partir do Renascimento. [&#8230;] A partir dessa época, uma outra visão passou a vigorar, concebendo o trabalho não mais como uma ocupação servil. Longe de escravizar o homem, entende-se que propicia o seu desenvolvimento, preenche a sua vida, transforma-se em condição necessária para a sua liberdade (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não à toa, muitas vezes somos identificados com ou pelo nosso trabalho. Até pouco tempo, a profissão era uma espécie de prefixo identitário, dizendo qual o papel daquela pessoa na sociedade. Ou ainda, quem nunca fez ou ouviu a pergunta: O que (você) faz da vida? Como se o único fazer da vida estivesse ligado ao valor produzido ou ao trabalho realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A categoria trabalho não pode ser pensada como natural ou a-histórica. O trabalho impregnado de toda uma subjetividade, inserido em um contexto econômico/ político/ social com tantas diversidades, leva os indivíduos a terem vivências bastante distintas. Ao longo dos tempos, identifica-se duas visões contraditórias do trabalho que convivem nos mesmos espaços, e por vezes, um mesmo indivíduo revela sentimentos ambíguos em relação a sua vida profissional (RIBEIRO e LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas visões apresentadas dizem respeito às concepções de trabalho como sofrimento, castigo, obrigação ou como gerador de valor pessoal, fonte de satisfação, crescimento e dignidade (“O trabalho dignifica o homem”). E como falado as vezes essas duas concepções ocorrem ao mesmo tempo no indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Profissão, vem da palavra professar, do latim, “professio, onis”, cujo sentido é ensinar. É a mesma origem da palavra professor. Professar também tem o significado de declaração ou confissão pública<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Professar também é um ato de fé e o trabalho com a fé, é chamado de vocação. Vocação é o chamado, pois entende-se que nem todo mundo pode ser um trabalhador da fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente a profissão era parte da herança familiar. Hoje temos a “possibilidade” de escolha, mas ainda assim há fatores culturais e socioeconômicos envolvidos, portanto, muitas vezes essa escolha é limitada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estando em contato com nosso chamado a vida é mais fluida, os estresses não pesam e se luta o bom combate. Aí é que reside a diferença entre trabalho e profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 39% dos brasileiros têm interesse em mudar de carreira ou profissão<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>: Perspectiva de maior remuneração, desejo de inovar ou aprender algo novo, busca de realização pessoal e expectativa de uma melhor qualidade de vida foram os motivos apontados. Ou seja, para 39% o trabalho ainda tem o teor mais prevalente de castigo do que de realização pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achei interessante inclusive observar que a maioria dos textos que li sobre transição de carreira falam que é uma crise que se apresenta por volta dos 40 anos de idade, quando já se teve a oportunidade de viver uma parte da vida profissional. No entanto, parece que esse fenômeno tem se dado cada vez mais cedo. Sair de uma área que, você já possui experiência, conhece pessoas, domina técnicas, é remunerado e possui história para mergulhar numa nova profissão não é uma tarefa simples, nem fácil. Ouvir o chamado é um ato de coragem e de ir encontro ao Si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise de meio de carreira parece ser mais comum entre os 40 e 50 anos de idade, não coincidentemente o período apontado como metanoia por Jung. Esse processo pode se iniciar aos 30 anos. Nessa idade, o indivíduo se volta ao desenvolvimento de aspectos inconscientes. E atualmente os jovens abaixo de 30 anos são os que mais se demitem voluntariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Não coincidentemente, essas idades têm a ver com o processo de intensificação do autoconhecimento, o voltar-se para dentro e conhecer a si mesmo, levando então o indivíduo a buscar sentido em sua vida, de acordo com sua vocação, seu chamado. A adaptação à transição de carreira na meia idade emerge como uma oportunidade para a reavaliação de valores individuais na esfera do trabalho e para a construção de um caminho que promova a expressão do novo autoconceito profissional (QUISHIDA e CASADO, 2009).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O homem deve ser levado a adaptar-se em dois sentidos diferentes, tanto à vida exterior – família, profissão, sociedade – quanto às exigências vitais de sua própria natureza. Se houve negligência em relação a qualquer uma dessas necessidades, poderá surgir a doença. (JUNG, 2014, v. 17, par. 172).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há atualmente em curso um movimento, principalmente nos países ricos, mas que já começa a apresentar seus sinais por aqui, chamado de A Grande Resignação<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. Trata-se de um movimento coletivo, não organizado, em que as pessoas estão pedindo demissão voluntariamente de seus empregos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que a Grande Resignação veio como resposta às condições de trabalho precárias, que foram percebidas principalmente durante a pandemia. Quem se isolou nesse período, percebeu como a vida não pode ser segmentada. Em um mesmo ambiente, no caso, nossas casas, tivemos lar, escritório, escola, faculdade, etc, tal qual acontece em nossa “casa” interna. No entanto, durante a pandemia, tudo isso passou a ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo aumentando a sensação de esgotamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o trabalho na pandemia trouxe em muitos casos um desejo maior de ficar em casa, de se ter vida com maior qualidade, estar mais próximo da família ou até mesmo ter mais tempo para si. Nesse sentido, o dilema viver para trabalhar ou trabalhar para viver se apresenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O trabalho não pode ser uma negatividade da vida, mas, muito pelo contrário, sua expressão, coisa que o capitalismo, em suas mais variadas versões apresentadas no decorrer da história, não permitiu que ocorresse. Eis a Esfinge que cabe ao homem contemporâneo decifrar, para não ser definitivamente devorado por ela (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos apontam que 32% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, ou de esgotamento profissional<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>. Muitas pessoas deixaram de considerar o trabalho como a prioridade das suas vidas e passaram a ver a vida como a prioridade das suas existências. O constante estresse causado pela cobrança por uma produtividade, medo do desemprego, por outro lado, faz com que se aceite trabalhar em condições cada vez mais precárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>As condições e as exigências do mercado de trabalho na atualidade rotinizam e amortecem o sentido da vida, deixando no corpo as marcas do sofrimento, que se manifestam nas mais variadas doenças ditas ocupacionais, além de atentar contra a saúde mental, em especial quando o psiquismo anquilosado em sua mobilidade faz com que a mente seja absorvida em formas de evitação do sofrimento (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mais nova música da Beyoncé – Break My Soul (Despedaçar Minha Alma) (https://youtu.be/yjki-9Pthh0), inclusive, diz-se que pode ser o hino dessa era e suspeita-se que tem inclusive incentivado as pessoas a pedirem demissão ao invés de perderem sua alma para o trabalho. Diz a música:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Eu vou encontrar uma nova motivação/ droga, me fazem trabalhar tanto/ Às nove no trabalho, saio depois das cinco/ E forçam meus nervos, por isso não durmo à noite<a href="#_ftn5" id="_ftnref5"><strong>[5]</strong></a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A meu ver há em curso um movimento, uma nova busca de significado pelo trabalho, individual e coletivamente. O cansaço não é apenas individual, mas faz parte de um movimento coletivo de pensar nosso papel na sociedade e o papel do trabalho em nossa vida consequentemente. Longe de trabalhar apenas para viver, queremos trabalhar para significar. Além disso, não devemos ser criados para o trabalho e sim para a vida, pois não somos apenas aquilo com que trabalhamos, mas podemos trabalhar com o que somos de melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mauro Angelo Soave Junior – Membro Analista em Formação do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E. Simone Magaldi – Analista didata do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O.C. XVII, O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">HELOANI, José R. e CAPITÃO, Cláudio G. Saúde Mental e Psicologia do Trabalho. In: São Paulo em Perspectiva, v.17, n.2, p.102-108, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUISHIDA, Alessandra; CASADO, Tania Adaptação à transição de carreira na meia-idade Revista Brasileira de Orientação Profissional, vol. 10, núm. 2, 2009, pp. 81-92</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, Carla Vaz dos Santos; LEDA, Denise Bessa. O significado do trabalho em tempos de reestruturação produtiva.<strong>&nbsp;Estud. pesqui. psicol.</strong>,&nbsp; Rio de Janeiro ,&nbsp; v. 4,&nbsp;n. 2,&nbsp;dez.&nbsp; 2004 . &nbsp; Disponível em &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812004000300006&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em&nbsp; 29&nbsp; jun.&nbsp; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UVALDO, Maria da Conceição Coropos. Tecendo a trama identitária: um estudo sobre mudanças de carreira. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VELOSO, Elza Fátima Rosa. Decisões na transição interprofissão: um modelo de orientação de mudanças de carreira. Tese de Livre-Docência, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> https://www.dicio.com.br/profissao/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a>https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2022/02/19/quer-mudar-de-carreira-ou-emprego-em-2022-veja-pontos-para-avaliar.ghtml</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a>https://www.istoedinheiro.com.br/o-que-e-a-grande-resignacao-e-como-ela-pode-mudar-os-paises-ricos/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/burnout-e-reconhecido-pela-oms/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/nova-cancao-de-beyonce-representa-grande-resignacao-de-geracao-de-trabalhadores-nos-eua.ghtml</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um olhar junguiano sobre as mudanças na cultura e no ambiente de trabalho de grandes corporações</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-sobre-as-mudancas-na-cultura-e-no-ambiente-de-trabalho-de-grandes-corporacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leila Montanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 15:25:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em minha experiência profissional de 30 anos no mercado financeiro tenho visto, ao longo deste tempo, grandes mudanças no ambiente de trabalho corporativo. As grandes salas de diretoria, elevadores e banheiros privativos típicos dos anos 90, os restaurantes exclusivos para executivos que ainda existiam nos anos 2.000, foram dando espaço para ambientes mais integrativos e inclusivos, ao mesmo tempo que a hierarquia rígida foi sendo substituída por relações mais horizontais entre os níveis das organizações, buscando com isso alcançar uma maior produtividade dos colaboradores, além de maior eficiência nos custos. &nbsp;Nos últimos tempos as mudanças se aceleraram, as tradicionais &#8220;baias&#8221; foram trocadas por mesas coletivas, onde os colaboradores escolhem onde e perto de quem se sentar, e em qual local físico querem trabalhar. Começando pelas empresas de tecnologia, outros setores passaram a adotar a mobilidade como mote principal na relação com os funcionários. A estrutura física da empresa passou a servir apenas como base de apoio, e o home office se tornou uma opção cada vez mais utilizada. Vemos que no bojo de tais mudanças, o funcionário não tem mais um lugar para chamar de seu na estrutura física da empresa, uma mesa onde colocar os tradicionais porta-retratos com fotos de família ou coleção de canetas, ou mesmo uma gaveta para guardar pertences pessoais, fazendo com que os colaboradores tenham um novo de padrão de trabalho, com maior flexibilidade e maior descontração, porém o ambiente se torna, ao mesmo tempo, totalmente impessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, é muito interessante observar a reação das pessoas, como e se conseguem se adaptar a uma nova situação que, por muitos anos, foi o &#8220;status quo&#8221; dentro das grandes empresas. &nbsp;Intriga-me entender como estas mudanças tão abruptas na cultura organizacional se dão, do ponto de vista psicológico dos indivíduos que as compõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, entendo que a mudança é gerada por um movimento de adequação ao ambiente externo, aos fatores econômicos e do mercado que exigem ajustes tanto do ponto de vista de custos, eficiência, rentabilidade, como também de atratividade da empresa para o recrutamento de novos talentos. Atualmente as empresas buscam inovação e criatividade como perfil básico em novos colaboradores e, para atrair jovens com estes atributos, quebrar paradigmas culturais é necessário. Por outro lado, fatores internos da organização, tais como potencial para alcançar resultados e satisfação dos colaboradores também pressionam para que as mudanças ocorram. Nesta época em que vivemos, com todo o acesso à informação e à conectividade, manter a rigidez do ambiente de trabalho é algo que, após o movimento de mudança, se tornou impensável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lafitte (LAFITTE, 2002) coloca que os estudos organizacionais têm buscado compreender os fenômenos que atuam nas organizações em diversas vertentes do conhecimento, não se restringindo mais apenas as teorias clássicas da administração. E, neste contexto, a psicologia analítica pode ser utilizada também no estudo da dinâmica das organizações, para trazer maior entendimento sobre como se dão os movimentos da psique coletiva em busca do impulso para a mudança, mas também como as mudanças atuam na psique coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Os conceitos de persona, sombra, inconsciente tem sido utilizados para falar sobre os fenômenos culturais e sociais que afetam a vida das organizações. Lafitte (LAFITTE, 2002, pag. 11), propõe a &#8220;transposição de conceitos que se aplicam à psique humana para uma possível psique organizacional.&#8221; Desta forma, a organização poderia ser vista como se fosse um organismo que possui uma &#8220;mente&#8221; (estrutura) organizacional, pois, afinal é composta por seres humanos. Ampliando esta ideia, é possível entender que há um inconsciente coletivo da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chegar neste conceito Lafitte coloca que entende as organizações como uma coletividade e toma emprestado o conceito de inconsciente coletivo de Jung, abordando-o como um &#8220;inconsciente coletivo organizacional&#8221;, que se torna &#8220;mais do que seria a soma dos conteúdos particulares de uma dada organização, sua história, seus mitos, suas lendas particulares, seus tabus, etc.. &#8221; (LAFITTE, 2002, pg.26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung considerava que &#8221; o inconsciente coletivo é afetado pelas condições sociais, políticas e religiosas em geral, na mesma medida em que todos aqueles fatores oprimidos na vida de um povo pela perspectiva dominante e sua respectiva atitude reúnem-se paulatinamente no inconsciente coletivo e conseguem, deste modo, tornar vivos seus conteúdos. Na maior parte das vezes, um indivíduo ou mais, dotados de poderosa intuição, são os que percebem essas mudanças no inconsciente coletivo e as traduzem em ideias comunicáveis. Essas ideias se propagam rapidamente, pois também para outras pessoas ocorreram mudanças paralelas no inconsciente.&#8221; (HARK, 2000 apud LAFITTE, 2002, pg.15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trazendo esta discussão para o contexto das organizações, uma análise possível é a de que a pressão interna por mudanças vai se consolidando em seu coletivo até que a ideia seja captada pela liderança, que a implementa. Isso não significa que será aceita de pronto. Podem ocorrer resistências, normalmente originadas pelo medo do novo ou pela perda do poder, mas estas serão quebradas à medida que o inconsciente coletivo se impõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomando como exemplo as mudanças de layout nas organizações, esperava observar maior resistência às mudanças nos colaboradores mais experientes, aqueles que, pelo tempo de trabalho e de vida, estiveram expostos por mais tempo à cultura anterior. Mas esta hipótese não se mostrou verdadeira. Muitos colaboradores antigos se adaptaram mais rapidamente às mudanças que os mais jovens. Foi interesse notar que os que não se adaptaram de pronto buscaram alternativas para as mesas, nos primeiros momentos da mudança, utilizando gaveteiros de plástico para fazer às vezes do famoso &#8220;porquinho&#8221;, o tradicional gaveteiro volante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Citando Jung, novamente, &#8220;novas ideias não são simples oponentes das antigas; em geral, surgem sob uma forma tal que parecem também inaceitáveis para a atitude anterior&#8221; (HARK, 2000 apud LAFITTE, 2002, pg.15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, observando uma situação real como a mencionada acima, é exatamente isso que se nota. Por mais criativas que tenham sido as tentativas de voltar à atitude anterior, isso não ocorreu, o novo modelo se impôs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, vemos que o inconsciente impõe o novo com uma força incontrolável, permitindo a evolução da cultura das grandes organizações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leila Cristina Montanha</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Junguiana em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tel. 9 8596-8335</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências:</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;A Natureza da Psique. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 2008</p>



<h2 class="wp-block-heading">LAFITTE, &nbsp;Eduardo Santos &#8211;&nbsp;A persona e a sombra da organização: uma análise das defensividades organizacionais. Dissertação (Mestrado em Administração) &#8211; Universidade Federal do Paraná. 2002</h2>



<h2 class="wp-block-heading">PIVETTI, Fernando &#8211;&nbsp;Como você imagina seu próximo ambiente de trabalho?&nbsp;2017 &#8211;&nbsp;<a href="https://exame.abril.com.br/carreira/ambiente-de-trabalho-mudancas">https://exame.abril.com.br/carreira/ambiente-de-trabalho-mudancas</a>&nbsp;&#8211; acesso em&nbsp; 14/01/2017, 06h00</h2>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Leila Cristina Montanha&nbsp;</em></strong></h4>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando seu crachá se torna a sua identidade &#8211; identificação com a persona do profissional</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-seu-cracha-se-torna-a-sua-identidade-identificacao-persona-profissional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dulce Kurauti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jun 2019 12:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5332</guid>

					<description><![CDATA[<p>O presente artigo trata acerca da identificação com a persona do profissional no mundo corporativo. O mundo corporativo, principalmente o das empresas grandes e altamente lucrativas, aparenta ser a opção certa para se construir a carreira quando se quer atender às expectativas ambiciosas daqueles que estão no início da vida profissional e sonham em obter [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O presente artigo trata acerca da identificação com a persona do profissional no mundo corporativo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo corporativo, principalmente o das empresas grandes e altamente lucrativas, aparenta ser a opção certa para se construir a carreira quando se quer atender às expectativas ambiciosas daqueles que estão no início da vida profissional e sonham em obter altos ganhos financeiros, ocupar cargos executivos de comando e usufruir do poder que eles proporcionam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando as etapas da vida humana segundo Jung (2000), o início da careira profissional é uma das marcas do começo da segunda fase que dura até se atingir a meia-idade. Nessa etapa surgem as exigências de se buscar um lugar no mundo, de produzir algo que faça com o que o jovem adulto sinta que está em voo solo, se soltando dos laços que o amarravam a sua família, que por um lado lhe davam a sensação de segurança e proteção, porém só lhe permitiam ir até o limite do comprimento dessas amarras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A condição primordial para poder se desvencilhar desses laços é a independência financeira, que virá como remuneração pela produção do seu trabalho. O que o mundo corporativo oferece é a oportunidade de se atingir esse objetivo de forma muito mais que satisfatória, pois pode se adicionar ao salário que já não é baixo, um bônus que multiplica por algumas dezenas seu salário e dada a valorização da juventude para se ocupar os cargos de comando, não é raro se conseguir uma ascensão meteórica na carreira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o que se tem aqui é, aparentemente, um cenário ideal para se conseguir conquistar um lugar no mundo, produzir algo de sua própria autoria com seu trabalho e se tornar independente através da remuneração obtida com ele, o que, segundo o conceito apresentado por Jung é o curso natural da vida para o início da vida adulta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando que se está falando de empresas altamente lucrativas, não é difícil se concluir que elas sempre estarão recebendo mais do que estão dando, assim, quem trabalhar para elas terá que dar em troca pelo que recebem, algo que gera muito mais valor, pois elas nunca ficam no prejuízo. Obviamente as pessoas tem consciência que terão que se dedicar muito e que o nível de exigência que terão que enfrentar será altíssimo, mas por mais que estejam cientes de tudo isso não terão noção do custo exato dessa escolha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A única exigência feita para que se possa ter acesso a todas essas recompensas irrecusáveis é que o profissional se ajuste ao modelo de trabalho definido pela empresa, o que parece ser muito razoável, considerando o mundo de possibilidades que está sendo oferecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A parte mais simples desse processo é conseguir realizar as longas jornadas de trabalho diárias que consumem tantas horas que restam muito poucas para serem passadas junto à família, amigos, para se cuidar da saúde ou até mesmo para dormir e recuperar a energia gasta. Como se não bastassem todas as horas dedicadas dentro da empresa durante a semana, não é raro se levar atividades para casa para serem concluídas durante a noite ou até mesmo nos finais de semana, essa é uma tentativa de aumentar a presença no convívio familiar, mas isso acaba se provando uma ilusão, pois acaba sendo somente uma presença física que não é suficiente para compensar a ausência sentida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A outra parte dessa adaptação exige mais do que a dedicação de tempo, ela demanda um ajuste de comportamento e personalidade. No que diz respeito a comportamento, expectativa é que os profissionais persigam seus objetivos com a voracidade de uma fera que rói um osso maior até do que eles são capazes de segurar, o que mostra a agressividade e competitividade que eles são instigados a demonstrar como prova de sua capacidade de desempenhar sua função a contento e de que estão aptos a receberem desafios cada vez maiores. Já com relação à personalidade, os talentos natos e o potencial individual são desconsiderados e as funções a serem assumidas são atribuídas de acordo com escolhas estratégicas e as movimentações são feitas como se eles fossem peças de um jogo de xadrez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses casos em que há a necessidade se apresentar ao mundo externo segundo uma série de características, surge a figura da persona, um recurso da psique, que funciona como uma máscara que permite que um indivíduo se apresente de acordo com as expectativas impostas pelo ambiente e ao mesmo tempo ocultar por trás dela todos os conteúdos pessoais indesejados por não se encaixarem no modelo a ser seguido. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">&#8220;No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo&#8221;. </p>
<cite>(JUNG, 1982, §246)</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Desempenhar o papel da persona do profissional modelo exige o empenho de uma grande quantidade de energia, considerando toda a dedicação de tempo exigida, o desprezo e desconsideração com o real potencial do indivíduo na escolha das funções que eles terão que executar, mais a forma desumanizada como são vistos quando se espera que tenham a voracidade de uma fera ou são movimentados entre áreas como peças de xadrez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse esforço é tão grande que em um dado momento leva a pessoa a uma situação extrema, em que ela só consegue se ver como profissional, não tem mais uma vida familiar, social, ou mesmo individual, todo seu ser se resume a figura caracterizada pelas exigências da sua ocupação, ou seja, ocorre uma identificação total com a persona do profissional e passa-se a ignorar a natureza verdadeira do indivíduo, com seu verdadeiro potencial que abrange um leque mais completo de aspectos da vida,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este fato por si só não gera no indivíduo a sensação de que algo não está certo, é a reação do inconsciente que causando angústias e desconforto leva a perceber que algo está errado nessa vida totalmente desprovida de conteúdos do seu verdadeiro ser (Jung, 1982).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reação do inconsciente trazendo questionamentos quanto a essa forma de se conduzir a vida, identificado com a persona e afastado do seu verdadeiro ser, ocorre mais frequentemente na segunda metade da vida adulta, quando é esperada a realização do verdadeiro potencial de uma pessoa, e para que se siga nessa etapa de acordo com suas exigências, é necessário que se desfaça essa figura que segura esse movimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta não é uma tarefa fácil, pois, exige uma mudança radical de prioridades e forma de se conduzir a vida, o que antes era importante passa a não ter valor, o que era tido como verdade absoluta passa a ser falso e as pessoas estão totalmente despreparadas para lidar com essa situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung (2000), é fato que não há escolas ou universidades onde se possa aprender os ensinamentos para lidar com os problemas dessa natureza, porém ele próprio traz uma possibilidade para solucionar esse problema, &#8220;Disse há pouco que não temos escolas para os que chegaram aos quarenta anos. Mas isto não é totalmente verdadeiro. Nossas religiões têm sido sempre, ou já foram, estas escolas; mas para quantos de nós elas o são ainda hoje?&#8221; (JUNG, 2000, §786), ou seja, é possível encontrar um caminho que nos ensine a lidar com os desafios trazidos pela mudança radical de perspectiva quanto a condução da vida, porém para estarmos aptos a encontrá-lo temos que rever a forma como entendemos o papel da religião em nossas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<a href="https://blog.sudamar.com.br/author/dulce/">Dulce Kurauti</a> é especialista em Psicologia Junguiana e Membro Analista em Formação pelo IJEP. Atende na Vila Mariana, e-mail: dulce_kurauti@hotmail.com &#8211; Fone: (11) 9996-17090</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1982.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. A natureza da psique. 5a. ed. Petrópolis: Editora Vozes, v. VIII/2, 2000.</p>



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