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	<title>Arquivos sísifo - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos sísifo - Blog IJEP</title>
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		<title>No meio da vida, é preciso imaginar Sísifo infeliz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wagner Borges]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 13:44:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[cgjung]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[meio da vida]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[morte e renascimento]]></category>
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		<category><![CDATA[sísifo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O mito de Sísifo, numa perspectiva junguiana, pode ilustrar a resistência humana a abrir mão de uma atitude psíquica obsoleta para a descoberta de uma nova e necessária atitude. O escritor franco-argelino, Albert Camus, defende que Sísifo representa o ideal heróico humano em face do absurdo da vida. Por isso, para ele, seria preciso [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O mito de Sísifo, numa perspectiva junguiana, pode ilustrar a resistência humana a abrir mão de uma atitude psíquica obsoleta para a descoberta de uma nova e necessária atitude. O escritor franco-argelino, Albert Camus, defende que Sísifo representa o ideal heróico humano em face do absurdo da vida. Por isso, para ele, seria preciso imaginar Sísifo feliz no Tártaro. A partir de dados de um estudo realizado com pessoas bem-sucedidas na meia-idade, mas paradoxal e perturbadoramente infelizes, este pequeno ensaio aborda Sísifo como um complexo afetivo, contrapõe a leitura clássica à de Camus e propõe uma rota de saída do nosso mais íntimo Tártaro, o qual costumamos visitar no meio da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crise-da-meia-idade-e-assunto-antigo-no-meio-junguiano" style="font-size:20px">A crise da meia-idade é assunto antigo no meio junguiano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Foi no meio da vida que Jung produziu o conteúdo d’<em>O Livro Vermelho</em>, lírica nascente do que viria a se tornar boa parte de suas obras completas. No entanto, por muito tempo, o tema parece ter sido negligenciado pelos meios acadêmicos científicos tradicionais. Com o envelhecimento da população mundial, porém, o assunto emerge na academia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Estudo publicado há três anos pelo National Bureau of Economic Research (NBER) dos Estados Unidos, intitulado The Midlife Crisis, confere um verniz materialista-científico à metanoia, palavra do grego que significa “mudança de mentalidade” e que, no meio junguiano, costuma designar também o drama que muitas pessoas vivem ao chegar ao meio-dia da vida. Realizado por um grupo de economistas, a pesquisa envolveu uma amostra de 500 mil pessoas de países ricos — Áustria, Canadá, Finlândia, França, Holanda, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos — e, na visão dos pesquisadores, revelou que a crise da meia-idade não é misticismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-o-estudo-assinado-por-giuntella-et-al-2022-p-19-20-ha-evidencias-longitudinais-de-extrema-angustia-entre-adultos-de-meia-idade-entre-quarenta-e-cinquenta-anos-em-paises-ricos" style="font-size:19px">Segundo o estudo, assinado por <strong>Giuntella</strong> (et al., 2022, p. 19-20), há “<em>evidências longitudinais de extrema angústia entre adultos de meia-idade [entre quarenta e cinquenta anos] em países ricos</em>”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O que parece fugir inteiramente à razão dos pesquisadores, segundo os quais, “<em>esses indivíduos estão próximos de seus ganhos máximos ao longo da vida e, em geral, não passaram por nenhuma doença grave</em>”. Ou seja, com grana e, em tese, ainda com vitalidade de sobra, tais “evidências de extrema angústia”, o que inclui depressão extrema, ideações suicidas, suicídio, distúrbios do sono, entre outros, só podem ser, na palavra dos próprios pesquisadores, um “paradoxo pertubador” da “sociedade moderna”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>É possível afirmar que, sob a lente junguiana, não há, no sentido apontado pelo estudo, paradoxo na metanoia, embora haja perturbação de sobra</strong>. Mas como pode não ser paradoxal se os caras estão no ápice de suas carreiras, com segurança financeira e são, em grande medida, bem-sucedidos? Por que estariam infelizes, deprimidos e pensando ou cometendo suicídio?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nossos-quereres-sao-menos-nossos-do-que-supomos-e-mudam-ao-longo-da-existencia" style="font-size:19px">Nossos quereres são menos nossos do que supomos e mudam ao longo da existência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como escreveu <strong>Jung</strong> (2013a, p. 354): “<em>Não podemos viver a tarde de nossas vidas segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer</em>”. Contudo, numa sociedade que supervaloriza a hiperprodutividade, o vigor, a beleza sensual, o sucesso, a conquista material e a força, é difícil enxergar vida na poesia, na sabedoria, na intuição, é difícil fazer da dor pérola, do sofrimento significado, das rugas troféus, da velhice uma bênção e, da morte, ressurreição — talvez nunca tenha sido fácil. Tem-se assim, então, um mundo de Sísifos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sísifo, o mais astuto dos mortais e rei de Corinto, ficou famoso na Grécia Antiga por ultrapassar seus limites humanos ao meter-se num assunto dos deuses. Delatou Zeus em uma de suas luxuriosas incursões entre os humanos e extorquiu o deus-rio Asopo para conseguir uma fonte d’água para a sua cidade. O fim até era nobre, mas os meios eram questionáveis e Zeus, em seu divino orgulho ferido, pediu sua cabeça. Sísifo, porém, se negaria a morrer: primeiro, enganaria Tânatos; depois, Hades.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por tanta ousadia e desaforo aos deuses, foi condenado ao Tártaro, onde deveria rolar uma enorme e pesada pedra montanha acima, consciente de que jamais seria capaz de levá-la ao topo. A poucos centímetros do cume, inevitavelmente perderia suas forças, sendo obrigado a deixar que a pedra rolasse montanha abaixo. Era, assim, obrigado a voltar ao pé da montanha, pegar a pedra de novo para reiniciar o trabalho sem sentido a que estava eternamente condenado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-deuses-viraram-doencas" style="font-size:19px"><strong>Os deuses viraram doenças</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na perspectiva da moral clássica, Sísifo é mais um exemplo do desejo humano de não se curvar diante das forças misteriosas e impiedosas dos deuses — ou da natureza. Extrapolar a própria condição humana e se identificar com as intenções, que, para os gregos, não eram humanas, mas divinas, era o maior dos pecados que um homem poderia cometer: a <em>hýbris</em>. Sísifo não aceitou a sua humana mortalidade e fez “das tripas coração” para não morrer. Assim, acabou condenado a uma imortalidade sem vida no mundo dos mortos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O espírito dos novos tempos é diferente do da Grécia Antiga. Pensamentos, desejos, sentimentos, sonhos e imaginações, mesmo que não venham das nossas deliberações conscientes, mas a partir de fontes misteriosas que parecem ter autonomia, são tratadas sempre com pronomes possessivos. É tudo “meu” ou “minha”. Com essa mentalidade reinante, o que acontece quando a produção espontânea e inconsciente da psique não está de acordo com a minha vontade consciente? Se tudo em mim sou eu e não há espaço para outros em mim, então, essas imagens só podem ser a prova de que adoeci. Daí vem a famosa máxima de Jung segundo a qual os deuses viraram doenças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-indicadores-de-extrema-angustia-na-meia-idade-aos-quais-alude-a-pesquisa-que-inspira-este-ensaio-sao-aos-olhos-contemporaneos-doencas" style="font-size:19px">“Os indicadores de extrema angústia” na meia-idade, aos quais alude a pesquisa que inspira este ensaio, são, aos olhos contemporâneos, doenças.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na visão junguiana, assim como os deuses, as doenças querem revelar algo. Mas o que? Seria a resistência inútil do homem de meia-idade a aceitar a morte de quem ele foi na primeira metade da vida adulta para encontrar a nova versão de si na segunda metade? A hipótese deste ensaio é a de que sim. É interessante, então, imaginar que, na meia-idade, a depressão, por exemplo, cujo significado etimológico é pressão para dentro, possa ser, no plano simbólico, um indesejável mergulho nas regiões mais profundas do Hades de si próprio. As entranhas da terra (ou da alma) são a cova e o útero ao mesmo tempo. É necessário realizar o sacrifício de uma parte de quem éramos para renascermos numa nova perspectiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Albert Camus em seu ensaio <em>O Mito de Sísifo</em>, escrito em 1942, quando os gritos da Segunda Grande Guerra soavam em alto e bom som, trouxe uma perspectiva diferente, redentora e heróica de Sísifo, lendo-o como um personagem da resistência humana ao absurdo da existência e da vontade dos deuses, vendo nisso um mérito. Com apenas 28 anos, o escritor franco-argelino, que ganharia o Nobel em 1957, talvez não pudesse aceitar a vontade dos deuses quando ela permitia que os nazistas controlassem Paris e boa parte da Europa. Camus (2021, p. 141) escreve: “D<em>eixo Sísifo na base da montanha! [&#8230;] Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e ergue as rochas [&#8230;] A própria luta para chegar ao cume basta para encher o coração de um homem. É preciso imaginar Sísifo feliz</em>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-busca-da-resposta" style="font-size:19px"><strong>Em busca da resposta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Independentemente do contexto histórico, todos trazemos, em si, um complexo de Sísifo, ou seja, uma personalidade autônoma sensível a gatilhos afetivos que nos dispõe a negar e resistir às mortes simbólicas que a vida exige de nós. Na meia-idade, esse complexo tende a se pronunciar, o que é natural, afinal, só desenvolvemos uma nova cosmovisão porque, antes, estivemos envolvidos em outra. Não há como ignorar Sísifo, tampouco se deve, mas ele precisa entender que tão importante quanto saber o que se quer da vida é saber o que a vida quer da gente. Por isso, na meia-idade, é preciso imaginar Sísifo infeliz, disposto a abrir mão da influência que tem sobre nós para nos deixar seguir em frente, o que significa aceitar a morte de uma velha maneira de enxergar o mundo para poder reencontrar a vida em uma nova perspectiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-interessante-observar-pelo-mito-que-a-resistencia-a-morte-costuma-estar-associada-a-dificuldade-de-deixar-para-tras-um-lugar-onde-se-e-rei" style="font-size:19px">É interessante observar, pelo mito, que a resistência à “morte” costuma estar associada à dificuldade de deixar para trás um lugar onde se é rei.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Fica mais difícil, como ocorreu com Sísifo, abrir mão da glória para descobrir uma nova jornada cujo destino é incerto. Pode ser o caso daquele empresário que fez de seu vigor intelectual, disposição física e ambição juvenil uma fonte de riqueza, mas, na virada do sol íntimo, começa a experimentar uma falta de significado existencial no mundo corporativo, o que se expressa, por exemplo, num <em>burnout</em>. Ele não quer deixar de ser quem se esforçou tanto para se tornar. Ao mesmo tempo, no fundo, não vê mais a sua alma se refletir em suas conquistas anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A primeira metade da vida, como escreveu Jung, segue imperativos bem distintos da segunda. Enquanto a juventude adulta costuma ser marcada pela conquista de um lugar no mundo, um caminhar extrovertido de demarcação de território e conquista de reconhecimento e segurança social, a segunda metade tende a nos levar para dentro, na busca por corresponder a demandas mais éticas que morais, na direção de honrar a nossa criança, a qual não quer outra coisa senão poder ser verdadeira sem deixar de ser amada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-segunda-metade-da-vida-seremos-obrigados-a-descobrir-que-somos-mais-do-que-qualquer-papel-social-que-cumprimos" style="font-size:19px">Na segunda metade da vida, seremos obrigados a descobrir que somos mais do que qualquer papel social que cumprimos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Que todo o poder e segurança alcançados são importantes, mas não conseguem mais conferir sentido à nossa existência. Mas qual então seria o sentido? Cada um haverá de encontrar a resposta em si. Não há mais espaço para reducionismos, é na amplitude da alma e na conciliação de desejos e aspirações conflitantes, o que pressupõe vencer e perder ao mesmo tempo, que nos encontramos individual e coletivamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-tempo-acordados" style="font-size:19px"><strong>Mais tempo acordados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A maior parte do que escrevo não é mera pesquisa acadêmica. Estou às vésperas de completar quarenta e cinco anos, mas já aos trinta e cinco algo em mim procurava me dizer que eu poderia acabar no Tártaro de mim mesmo, identificado com o meu astuto Sísifo e, como ele, carregando em vão uma pedra montanha acima. É difícil reconhecer que a pedra e a montanha não enchem meu coração, reconhecer que, às vezes, a desistência é a escolha mais nobre e recompensadora. Como jornalista, tive uma longa carreira, mas <strong>a partir de dado momento a profissão não mais me nutria a alma</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pelos cinco primeiros anos dos últimos dez, tentei aplicar, na segunda metade da vida, receita parecida à aplicada na primeira. Minhas expectativas juvenis sempre me prometeram mais do que fui capaz de me dar. Não havia tantas glórias assim a abandonar, havia mais anseios de glórias não alcançadas. Por isso, tinha vontade de ficar e seguir tentando. Eis outra razão pela qual é difícil desistir da pedra e da montanha: a sensação de que, ao fazê-lo, fracassamos. Quanto mais corria na direção das velhas aspirações, porém, colocando-as como a cenoura motivadora, menos vontade de avançar o burro sentia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>James Hillman</strong> (2001, p. 12) escreve que a crise da meia-idade: “<em>refere-se menos ao fato de ser velho demais do que ser jovem demais [&#8230;] não se refere à falta de capacidade, mas à falta de ilusão [&#8230;] aos quarenta anos não temos oitenta, e temos muito mais ‘tempo acordados’ pela frente do que no nosso passado</em>”. O que eu precisava aceitar, então, era a morte, a morte das ilusões juvenis que tinham inspirado a minha jornada até ali. É difícil sepultar as ilusões quando ainda as vemos como sonhos. Eu precisava encontrar, no Hades do meu íntimo, um novo sentido, algo que me permitisse unir o ordinário e o extraordinário da vida. Assim, cheguei à clínica junguiana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-foi-um-movimento-racional-minha-alma-e-meu-corpo-exigiram-apesar-de-toda-a-minha-resistencia-egoica" style="font-size:19px">Não foi um movimento racional: minha alma e meu corpo exigiram, apesar de toda a minha resistência egóica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando falo em corpo, não é força de expressão, porque, até que se prove o contrário, nada nos permite supor que seja possível uma vida animada sem que haja um corpo. Por isso, toda mudança psíquica tem reverberações físicas e toda mudança física reverbera na psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto é que estudo recente da Universidade Monash revela mudanças significativas no cérebro humano entre os quarenta e cinquenta anos, como atesta o texto de Valencia (BBC News Brasil, 2024): &#8220;’<em>É como se, antes dos 40, os circuitos passassem pelas unidades do cérebro conectados a redes muito sofisticadas’, indica a neurocientista [Sharna Jamadar]. ‘Depois dos 40, o que observamos é que os circuitos se conectam com todos os circuitos, quase sem discriminação’</em>&#8220;.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Neumann</strong> (Cf. 2024, p.340) defende que a integração de aspectos da totalidade psíquica, nessa etapa da vida, despertam crises existenciais marcadas por fortes emoções, as quais, a depender do caso, podem colocar o ego em risco, como atesta a angústia extrema que tende a marcar essa época da vida. Arrisco dizer, portanto, que as evidências fisiológicas trazidas pelos pesquisadores da Universidade Monash se somam às comportamentais quando se trata da metanoia da meia-idade, reforçando assim a maneira pela qual a psicologia analítica enxerga o desenvolvimento da personalidade humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com tudo isso, é possível dizer que as transformações psicossomáticas da meia-idade teriam a finalidade de desvendar um novo horizonte, o qual talvez só sejamos capazes de enxergar quando dispostos a morrer para velhos padrões, para sonhos caducos e para expectativas de grandeza egóicas. Um novo horizonte, sem a ilusão das certezas, sisudas ou polianas, cheio de dúvidas e com a possibilidade de inúmeras respostas, todas certas e erradas, a depender do contexto e da finalidade. Um novo horizonte em que não é preciso erguer, em vão, a pedra ao topo da montanha, porque a imortalidade não é o propósito, o propósito é apenas viver quantas vidas forem necessárias neste mesmo sopro de existência.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/wagnerhilario/">Wagner H P Borges — Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi — Membro Didata pelo IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia" style="font-size:19px"><strong>Bibliografia</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. 22ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">GIUNTELLA, Osea; MCMANUS, Sally; MUJCIC, Redzo; OSWALD, Andrew J.; POWDTHAVEE, Nattavudh; TOHAMY, Ahmed. The Midlife Crisis. NBER, 2022. Disponível em: https://www.nber.org/papers/w30442#fromrss. Acesso em: 17 de agosto de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">HILLMAN, James. A força do caráter: e a poética de uma vida longa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">HOLLIS, James. A passagem do meio — da miséria ao significado da meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">_________. A natureza da psique. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">_________. O desenvolvimento da personalidade. 14ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">NEUMANN, Erich. História das origens da consciência — Uma jornada arquetípica, mítica e psicológica sobre o desenvolvimento da personalidade humana. 2ª Ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">VALENCIA, Alejandro M. Como o cérebro humano se &#8216;reconfigura&#8217; a partir dos 40 anos (e o que fazer para mantê-lo saudável). BBC News Brasil, 2024. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51z402jjz4o. Acesso em: 24 de agosto de 2024.</p>



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