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	<title>Barbara Pessanha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 23 Mar 2026 16:36:14 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Barbara Pessanha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Nise da Silveira e a Psiquiatria Brasileira</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/nise-da-silveira-e-a-psiquiatria-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 14:23:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presente artigo analisa a contribuição de Nise da Silveira para a psiquiatria brasileira a partir do referencial da Psicologia Analítica, enfatizando o conceito de afeto catalisador como operador clínico, ético e político. A autora introduziu uma ruptura radical com práticas psiquiátricas coercitivas, ao reconhecer a expressão simbólica e imagética como linguagem legítima do inconsciente, especialmente em quadros psicóticos. O texto discute a centralidade do vínculo, do ambiente afetivo e da criatividade como fundamentos do cuidado em saúde mental, relacionando-os ao processo histórico da Reforma Psiquiátrica brasileira. Por fim, problematiza-se o atual cenário de reorientação e fragilização das políticas públicas de saúde mental, compreendido por diversos autores como um processo de desmonte do modelo psicossocial, apontando os riscos de uma retomada de práticas manicomiais incompatíveis com o legado de Nise da Silveira.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:24px"><strong>Reflexões sobre psicologia analítica, afeto catalisador e os desdobramentos da Reforma Psiquiátrica hoje</strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: O presente artigo analisa a contribuição de Nise da Silveira para a psiquiatria brasileira a partir do referencial da Psicologia Analítica, enfatizando o conceito de afeto catalisador como operador clínico, ético e político. A autora introduziu uma ruptura radical com práticas psiquiátricas coercitivas, ao reconhecer a expressão simbólica e imagética como linguagem legítima do inconsciente, especialmente em quadros psicóticos. O texto discute a centralidade do vínculo, do ambiente afetivo e da criatividade como fundamentos do cuidado em saúde mental, relacionando-os ao processo histórico da Reforma Psiquiátrica brasileira. Por fim, problematiza-se o atual cenário de reorientação e fragilização das políticas públicas de saúde mental, compreendido por diversos autores como um processo de desmonte do modelo psicossocial, apontando os riscos de uma retomada de práticas manicomiais incompatíveis com o legado de Nise da Silveira.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Palavras-chave</strong>: Nise da Silveira; Psicologia Analítica; Afeto catalisador; Reforma Psiquiátrica; Saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-da-psiquiatria-brasileira-e-marcada-por-longos-periodos-de-institucionalizacao-segregacao-e-praticas-terapeuticas-centradas-no-controle-dos-corpos-e-comportamentos-considerados-inadequados-ou-fora-do-considerado-normal-em-aspectos-psicossociais" style="font-size:18px">A história da psiquiatria brasileira é marcada por longos períodos de institucionalização, segregação e práticas terapêuticas centradas no controle dos corpos e comportamentos considerados inadequados ou fora do considerado “normal” em aspectos psicossociais.</h2>



<p style="font-size:18px">Nesse contexto, a trajetória de Nise da Silveira (1905-1999) constitui um desvio ético e epistemológico decisivo, não podemos deixar de citar a influência de Dona Ivone Lara (1921-1918) como um dos pilares desse movimento progressista no cuidado da saúde mental. Ao recusar procedimentos violentos como eletrochoque, lobotomia e contenções sistemáticas, Dra. Nise propôs uma clínica fundamentada no reconhecimento da subjetividade, da expressão simbólica e da relação afetiva como eixos do cuidado em saúde mental (Frayze-Pereira, 2003).</p>



<p style="font-size:18px">Nise da Silveira foi uma mulher alagoana, reconhecida por sua contribuição decisiva à humanização do cuidado em saúde mental no Brasil a partir da sua formação como médica psiquiatra.</p>



<p style="font-size:18px">Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, sendo a única mulher de sua turma e ao longo de sua trajetória profissional, posicionou-se criticamente contra práticas psiquiátricas de caráter coercitivo, como eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia, então hegemônicas no tratamento das psicoses mesmo sendo uma voz feminina dissonante em um universo extremamente dominado por homens.</p>



<p style="font-size:18px">Sua atuação no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no bairro do Engenho de Dentro (Rio de Janeiro), marcou uma ruptura paradigmática ao introduzir ateliês de pintura e modelagem como dispositivos clínicos além de permitir animais como coterapeutas dos pacientes internados e que estavam sob seus cuidados.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-influenciada-pela-psicologia-analitica-de-carl-gustav-jung-nise-compreendia-a-producao-imagetica-dos-pacientes-psicoticos-como-expressao-simbolica-do-inconsciente-dotada-de-sentido-e-potencial-organizador-da-vida-psiquica" style="font-size:18px">Influenciada pela Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, Nise compreendia a produção imagética dos pacientes psicóticos como expressão simbólica do inconsciente, dotada de sentido e potencial organizador da vida psíquica.</h2>



<p id="h-a-partir-dessas-experiencias-e-percepcoes-empiricas-do-cuidado-a-pacientes-no-hospital-pedro-ii-fundou-o-museu-de-imagens-do-inconsciente-instituicao-dedicada-a-preservacao-pesquisa-e-difusao-das-obras-produzidas-nos-atelies-terapeuticos-articulando-clinica-arte-e-ciencia" style="font-size:18px">A partir dessas experiências e percepções empíricas do cuidado a pacientes no Hospital Pedro II, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, instituição dedicada à preservação, pesquisa e difusão das obras produzidas nos ateliês terapêuticos, articulando clínica, arte e ciência.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>Nise</strong> desenvolveu ainda o conceito de afeto catalisador, no qual o vínculo afetivo é entendido como condição essencial para o desencadeamento de processos psíquicos, sem coerção ou adestramento. Seu legado ultrapassa o campo clínico psiquiátrico, influenciando diretamente os princípios éticos da Reforma Psiquiátrica brasileira, especialmente no que se refere ao reconhecimento da subjetividade e à centralidade do cuidado humanizado.</p>



<p style="font-size:18px">Dona Ivone Lara foi profissional da área da saúde mental, e posteriormente: compositora, cantora e sambista. Carioca, nascida no Rio de Janeiro, formou-se em Enfermagem e, posteriormente, em Serviço Social, atuando por décadas no sistema público de saúde, com destaque para seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II.</p>



<p style="font-size:18px">No contexto institucional – ao lado da Dra. Nise e de outros profissionais da área da saúde &#8211; exerceu funções voltadas ao acompanhamento psicossocial de pacientes internados, desenvolvendo uma prática marcada pela escuta, pelo cuidado cotidiano e pela valorização das expressões culturais e afetivas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-paralelamente-a-carreira-na-saude-construiu-uma-trajetoria-singular-na-musica-popular-brasileira" style="font-size:18px">Paralelamente à carreira na saúde, construiu uma trajetória singular na música popular brasileira. </h2>



<p style="font-size:18px">Foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores da escola de samba Império Serrano, rompendo barreiras de gênero em um campo tradicionalmente masculino. Suas composições, como <em>S</em><strong><em>onho Meu</em>, <em>Alguém Me Avisou</em> e <em>Acreditar</em>,</strong> são reconhecidas pela dimensão espiritual e pela percepção pessoal de uma experiência afetiva – conseguimos encontrar reverberações do seu cuidado aos pacientes psiquiátricos em sua expressão musical. Dona Ivone Lara ocupa um lugar extremamente importante e relevante na cultura brasileira por articular, em sua trajetória: cuidado, música e sensibilidade social. Sua obra pode ser compreendida como expressão simbólica de uma ética do afeto, em diálogo implícito com os princípios humanizadores que atravessam a história da Reforma Psiquiátrica e das práticas de cuidado em saúde mental.</p>



<p style="font-size:18px">Assim, inspirada pela Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, Nise defendeu que a psicose não representa a ausência de vida psíquica ou que as pessoas estavam descartadas de uma vida produtiva e com sentido, mas desorganização psíquica mostrava uma forma singular de organização do inconsciente, e que poderiam ser expressas por imagens, cores e símbolos. Essa compreensão desloca o tratamento da lógica da correção medicamentosa como sendo única e exclusiva para a lógica do acompanhamento integrativo, reconhecendo o sofrimento psíquico como processo e não como falha a ser eliminada (Catta-Preta, 2021).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-mesmo-tempo-discutir-o-legado-de-nise-da-silveira-no-brasil-contemporaneo-exige-situa-lo-no-interior-dos-debates-sobre-a-reforma-psiquiatrica-e-seus-impasses-atuais" style="font-size:18px">Ao mesmo tempo, discutir o legado de Nise da Silveira no Brasil contemporâneo exige situá-lo no interior dos debates sobre a Reforma Psiquiátrica e seus impasses atuais.</h2>



<p style="font-size:18px">Desde meados da década de 2010, diversos estudos apontam para uma reorientação das políticas de saúde mental, caracterizada pela fragilização do modelo psicossocial e pela revalorização de dispositivos asilares e segregadores (Cruz, 2020; Lima et al., 2023) que eram malvistos por uma perspectiva “mais social” que médica. Porém, tal cenário coloca em risco os fundamentos clínicos e éticos que sustentam a proposta “niseana”.</p>



<p style="font-size:18px">A aproximação de Nise da Silveira com a Psicologia Analítica não se deu apenas em nível teórico, mas sobretudo na prática clínica. Para Jung, o inconsciente se manifesta primordialmente por imagens simbólicas, que não podem ser reduzidas a significados fixos ou traduzidas de forma racionalizantes (Jung, 2012).</p>



<p style="font-size:18px">Nise incorpora esse princípio ao reconhecer nas produções plásticas de pacientes psicóticos uma linguagem legítima do inconsciente e absorve em sua epistemologia práticas expressivas como recurso para a homeostase psíquica desses pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-atelies-terapeuticos-do-hospital-do-engenho-de-dentro-a-expressao-artistica-passou-a-ser-compreendida-como-via-de-comunicacao-e-reorganizacao-psiquica-e-nao-como-mera-atividade-ocupacional" style="font-size:18px">Nos ateliês terapêuticos do Hospital do Engenho de Dentro, a expressão artística passou a ser compreendida como via de comunicação e reorganização psíquica, e não como mera atividade ocupacional.</h2>



<p style="font-size:18px">A observação de séries de imagens permitia acompanhar processos simbólicos em curso, respeitando o ritmo próprio de cada sujeito (Frayze-Pereira, 2003) e isso é desenvolvido e demonstrado por dra. Nise em seus livros: <em>O mundo das Imagens</em> (2006) e <em>Imagens do Inconsciente</em> (2022). A reorganização de cada indivíduo era dentro de suas capacidades e com auxílio de funcionários capacitados para dar continuidade ao tratamento, e esse tipo de condução ia além da prática médica e medicamentosa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-perspectiva-rompe-com-o-paradigma-psiquiatrico-tradicional-ao-substituir-a-interpretacao-patologizante-medicamentosa-que-deixavam-corpos-e-mentes-inertes-sem-qualquer-possibilidade-de-escuta-simbolica" style="font-size:18px">Essa perspectiva rompe com o paradigma psiquiátrico tradicional ao substituir a interpretação patologizante, medicamentosa que deixavam corpos e mentes inertes sem qualquer possibilidade de escuta simbólica.</h2>



<p style="font-size:18px">O terapeuta deixa de ocupar o lugar de especialista que decifra e interpreta ao assumir a função de acompanhante do processo, sustentando o campo relacional necessário para que o símbolo possa emergir e se transformar (<strong>Melo</strong>, 2025).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-afeto-catalisador-inspirado-na-metafora-quimica-designa-a-qualidade-da-relacao-afetiva-capaz-de-favorecer-processos-psiquicos-sem-impor-direcoes-ou-consumir-o-sujeito-que-cuida-trata-se-de-uma-presenca-etica-atenta-e-nao-intrusiva-que-possibilita-a-expressao-e-a-reorganizacao-do-mundo-interno-magaldi-2020" style="font-size:18px">O afeto catalisador, inspirado na metáfora química, designa a qualidade da relação afetiva capaz de favorecer processos psíquicos sem impor direções ou consumir o sujeito que cuida. Trata-se de uma presença ética, atenta e não intrusiva, que possibilita a expressão e a reorganização do mundo interno (Magaldi, 2020).</h2>



<p style="font-size:18px">Devemos lembrar que o <em>afeto catalisador</em> não se confunde com uma postura assistencialista ou sentimental. Ao contrário, exige formação técnica, supervisão contínua e profunda consciência dos limites do terapeuta – exatamente a proposta teórica junguiana de estudo, supervisão e terapia – o profissional deve estar disponível, mas deve assumir a postura de curador ferido (Magaldi, 2026). Segundo <strong>Damião Júnior</strong> (2021), trata-se de uma atitude clínica que pressupõe paciência, respeito pela singularidade e recusa de qualquer forma de adestramento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-concepcao-amplia-o-setting-terapeutico-deslocando-o-do-consultorio-individual-para-o-ambiente-institucional-e-coletivo" style="font-size:18px">Essa concepção amplia o <strong>setting terapêutico</strong>, deslocando-o do consultório individual para o ambiente institucional e coletivo.</h2>



<p style="font-size:18px"><strong>Ateliês, oficinas, museus e espaços de convivência tornam-se dispositivos clínicos na medida em que sustentam vínculos, continuidade e reconhecimento simbólico.</strong></p>



<p style="font-size:18px">A criação do Museu de Imagens do Inconsciente representa uma das mais importantes materializações do pensamento de Nise da Silveira. O museu não apenas preserva produções artísticas, mas constitui um arquivo clínico, científico e cultural que desafia a fronteira entre normalidade e loucura (Frayze-Pereira, 2003). E, ao expor as obras ao público, Nise rompe com o isolamento simbólico imposto aos pacientes psiquiátricos, reinscrevendo-os no campo da cultura. Essa dimensão política da clínica antecipa princípios centrais da Reforma Psiquiátrica, como a desinstitucionalização e o reconhecimento da cidadania das pessoas em sofrimento psíquico.</p>



<p style="font-size:18px">A Reforma Psiquiátrica brasileira consolidou-se como um movimento social, sanitário e jurídico que propôs a substituição progressiva do modelo manicomial por uma rede de atenção psicossocial territorializada, o que se apresentou como uma ideia de integração se tornou mais um fator de marginalizar e afastar pessoas de um tratamento acolhedor, cuidadoso e com perspectivas reais de integração psíquica (mesmo que estivessem restritas ao espaço do tratamento).</p>



<p style="font-size:18px">No entanto, estudos recentes apontam para um processo de reorientação das políticas públicas, marcado pelo fortalecimento de internações, comunidades terapêuticas e dispositivos “segregadores” (Cruz, 2020).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-nos-traz-crises-sociais-oriundas-de-incapacidade-dos-caps-e-estabelecimentos-que-deveriam-promover-tratamento-de-qualidade-a-um-lugar-que-e-apenas-enfermaria-com-diretrizes-de-colocar-pacientes-que-precisam-de-um-olhar-mais-diligente-fora-dos-espacos-que-previamente-seriam-destinados-a-uma-intervencao-integrativa-e-multidisciplinar" style="font-size:18px">Isso nos traz crises sociais oriundas de incapacidade dos CAPS e estabelecimentos que deveriam promover tratamento de qualidade a um lugar que é apenas enfermaria, com diretrizes de colocar pacientes que precisam de um olhar mais diligente fora dos espaços que previamente seriam destinados a uma intervenção integrativa e multidisciplinar.</h2>



<p style="font-size:18px">Segundo <strong>Lima </strong>et al. (2023), alterações normativas, como a Portaria nº 3.588/2017, contribuíram para a fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), comprometendo a continuidade do cuidado e a centralidade do território. Esse movimento é frequentemente descrito como um desmonte ou contrarreforma psiquiátrica.</p>



<p style="font-size:18px">Assim, do ponto de vista do legado de Nise da Silveira, tais mudanças afetam diretamente as condições de possibilidade do afeto catalisador. A precarização das equipes, a rotatividade de profissionais, a ênfase em dispositivos de contenção, a dispersão dos pacientes sem um acompanhamento mais longevo e humanizado inviabilizam a construção de vínculos duradouros, essenciais à clínica junguiana.</p>



<p style="font-size:18px">O impacto de <strong>Nise da Silveira</strong>, e da sua equipe como D. Ivone Lara,  na psiquiatria brasileira ultrapassa o campo da inovação terapêutica. Configurando-se como uma proposta ética de cuidado baseada no reconhecimento da alteridade, do símbolo e do vínculo com a finalidade de dar ao paciente e aos familiares – principalmente aos que não tem recursos financeiros &#8211; de um tratamento com qualidade e dignidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-obra-niseana-e-uma-obra-que-para-alem-do-teorico-demonstra-na-pratica-que-a-loucura-nao-e-ausencia-de-sentido-mas-uma-expressao-subjetiva-que-busca-reorganizacao" style="font-size:18px">A obra “niseana” é uma obra que para além do teórico, demonstra na prática que a “loucura” não é ausência de sentido, mas uma expressão subjetiva que busca reorganização.</h2>



<p style="font-size:18px">Diante dos impasses contemporâneos da Reforma Psiquiátrica, retomar Nise não significa apenas preservar uma memória histórica, mas reafirmar um projeto de saúde mental comprometido com a dignidade, a criatividade e a vida em comunidade.</p>



<p style="font-size:18px">O afeto catalisador, nesse sentido, permanece como critério clínico e político fundamental para avaliar práticas e políticas públicas em saúde mental, reavaliar e rever os impactos negativos do que estamos vivenciando hoje é urgente para podermos avançar como indivíduos e sociedade.</p>



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<iframe title="Artigo novo: &quot;Nise da Silveira e a Psiquiatria Brasileira&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/hs3nmAmeoDA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/barbara/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha – Analista Didata em Formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px">Referências:</h2>



<p>CATTA-PRETA, Maria V. Diálogos entre Nise da Silveira e Jung: a obra expressiva e suas contribuições para a psicologia analítica. <em>Junguiana</em>, São Paulo, v. 39, n. 1, p. 111–128, 2021. Disponível em: <a href="https://junguiana.sbpa.org.br/revista/article/view/164?utm_source=chatgpt.com">https://junguiana.sbpa.org.br/revista/article/view/164</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>CRUZ, Nelson F. O. Retrocesso da reforma psiquiátrica: o desmonte da política nacional de saúde mental brasileira de 2016 a 2019. <em>Trabalho, Educação e Saúde</em>, Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, e00285117, 2020. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/j6rLVysBzMQYyFxZ6hgQqBH/?utm_source=chatgpt.com">https://www.scielo.br/j/tes/a/j6rLVysBzMQYyFxZ6hgQqBH/</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>DAMIÃO JUNIOR, Moacyr. Fundamentos do método de Nise da Silveira. <em>Junguiana</em>, São Paulo, v. 39, n. 1, p. 93–110, 2021. Disponível em: <a href="https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-08252021000100007&amp;script=sci_arttext&amp;utm_source=chatgpt.com">https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0103-08252021000100007&amp;script=sci_arttext</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>FRAYZE-PEREIRA, João A. Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e política. <em>Estudos Avançados</em>, São Paulo, v. 17, n. 49, p. 55–70, 2003. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/ea/a/DXNtq8VnSpjxsh5YvgYX8qM/">https://www.scielo.br/j/ea/a/DXNtq8VnSpjxsh5YvgYX8qM/</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-carl-gustav-a-natureza-da-psique-9-ed-petropolis-vozes-2012" style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</h2>



<p>LIMA, Fernando A. C. et al. Digressões da Reforma Psiquiátrica brasileira: a política de saúde mental entre rupturas e continuidades. <em>Physis: Revista de Saúde Coletiva</em>, Rio de Janeiro, v. 33, e33078, 2023. Disponível em: <a href="https://www.scielosp.org/article/physis/2023.v33/e33078/?utm_source=chatgpt.com">https://www.scielosp.org/article/physis/2023.v33/e33078/</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>MAGALDI, Felipe S. <em>Mania de liberdade: Nise da Silveira e a humanização da saúde mental no Brasil</em>. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2020. Disponível em: <a href="https://books.scielo.org/id/8vq58">https://books.scielo.org/id/8vq58</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>MAGALDI FILHO, Waldemar<em>. A relação de ajuda: reflexões sobre o curador e o ferido</em>. Disponível em: <a href="https://doceru.com/doc/x8v81xcv">https://doceru.com/doc/x8v81xcv</a>. Publicado em: 2026-02-26. Acesso em: 4 mar. 2026.</p>



<p>MELO, Walter. As imagens do inconsciente e a metáfora do escafandrista. <em>Psicologia USP</em>, São Paulo, 2025. Disponível em: <a href="https://revistas.usp.br/psicousp/article/view/238517?utm_source=chatgpt.com">https://revistas.usp.br/psicousp/article/view/238517</a>. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>MUSEU DE IMAGENS DO INCONSCIENTE. <em>Nise da Silveira: vida e obra</em>. Rio de Janeiro, s.d. Disponível em: http://www.museudeimagensdoinconsciente.org.br. Acesso em: 30 jan. 2026.</p>



<p>SANDRONI, Carlos; LOPES, Nei. <em>Dona Ivone Lara</em>. Rio de Janeiro: IMS, 2015.</p>



<p>TINHORÃO, José Ramos. <em>História social da música popular brasileira</em>. São Paulo: Editora 34, 2010.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
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		<title>Ensaio sobre a escrita, vida e autoanalise</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/ensaio-sobre-a-escrita-vida-e-autoanalise/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Oct 2025 14:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O ensaio reflete sobre a dificuldade da escrita e a inveja da fluidez de autores que parecem escrever com naturalidade. Como analista junguiana, relaciono essa experiência ao processo criativo e à clínica, percebendo a escrita como esforço, enfrentamento e também como forma de redenção psíquica. A criatividade é entendida menos como dom e mais [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px;line-height:1.6"><strong>Resumo</strong>: O ensaio reflete sobre a dificuldade da escrita e a inveja da fluidez de autores que parecem escrever com naturalidade. Como analista junguiana, relaciono essa experiência ao processo criativo e à clínica, percebendo a escrita como esforço, enfrentamento e também como forma de redenção psíquica. A criatividade é entendida menos como dom e mais como trabalho, crise e solução. A escrita, antes vista como inacessível, surge como exercício terapêutico e organizador, permitindo contato com funções internas desprezadas. Ao citar <strong>Jung</strong> e <strong>Suassuna</strong>, destaca a escrita como conexão íntima com o outro e como possibilidade de viver com autenticidade. Mesmo difícil, torna-se prática de exposição de alma e de comunhão atemporal entre escritor e leitor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-palavras-chave-clinica-escrita-suassuna-vida-autoanalise" style="font-size:19px"><strong>Palavras-chave</strong>: <strong>Clínica; escrita; Suassuna; vida; autoanálise</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Ao dedicar tempo a escrita sempre me falta tempo, sou daquelas que demora para sentar e desenvolver um texto ou artigo</strong>. Fico mais tempo refletindo sobre a inveja que tenho da facilidade dos bem habilitados a escrever. Tem gente que simplesmente consegue desenvolver em uma sentada aqueles textos incríveis, engraçados e elaborados que nos prendem no seu desenvolver e saímos ao final com aquela sensação que foi tão bom o que li que poderia durar mais. Mas infelizmente sou do outro tipo de gente, que um bom texto é um texto feito e sempre se consola com o famoso ditado: “<em>antes o feito que o perfeito</em>”.</p>



<p style="font-size:19px">A minha reflexão vem conjunta com a minha profissão de analista junguiana e paralela a minha insistência (ou teimosia, não sei) de me colocar sempre em posições de “desconforto” nesse lugar. Fugir da Academia me empurrou diretamente para ela e, com isso, me vejo escrevendo. A maioria sempre sai a fórceps, mas me vejo algumas vezes conduzida por um eu “que não sou eu” a elaborar “coisas” interessantes, e sempre me surpreendo com isso.</p>



<p style="font-size:19px">Tudo bem que sempre me vi como uma pessoa criativa, talvez isso tenha sido tão verbalizado no meu seio familiar quando eu era criança que eu acredito nisso até hoje, pode ser crença, porém vejo como uma habilidade que pode ter me conduzido até onde estou hoje. Mas a criatividade é mais trabalho do que propriamente um dom inato e impermeável aos pouco criativos, tenho estudado isso há algum tempo. Criatividade exige esforço, crise e tentativa de solução. Sempre usei essa fórmula para as técnicas expressivas e essa foi uma boa saída para meus processos internos, já a escrita não.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escrita-estava-naquele-lugar-imaginal-de-uma-bencao-concedida-a-poucos" style="font-size:19px"><strong>A escrita estava naquele lugar imaginal de uma benção concedida a poucos</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px">Ariano Suassuna que fala: &#8220;<em><strong>O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado</strong></em>&#8220;, não basta a criatividade, precisa de <em>borogodó</em> para traçar o roteiro e contar a história sem se perder, sem enrolar, sem ficar chato ou enfadonho. Uma espécie de condução direta ao leitor, tão intima e precisa que quando te leem vocês estão conectados de forma direta pelo inconsciente coletivo. Você – escritor &#8211; conduz o outro &#8211; o leitor &#8211; direto a SUA imaginação e assim a história se desenvolve DENTRO de uma outra pessoa que pode nunca te ver, nunca te encontrar e nesses tempos de rede social encontrar um pedaço do que você produziu e nem saber quem você é ou foi.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>Na minha clínica me sinto muito uma leitora de livros muito bem escritos pelos meus clientes</strong>. Ler, sempre foi uma posição mais confortável para mim, por isso talvez ter feito terapia antes de me tornar terapeuta me deu uma percepção interna e profunda da importância e dedicação do trabalho do terapeuta, ajudar o outro a ampliar a própria história ajuda a boas narrações para “finais felizes”, ou reviravoltas emocionantes a quais podemos chamar de “plot twist” (guinadas surpreendentes e incríveis!). Escrever é sempre mais difícil na minha visão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-escrever-pode-estar-associado-a-viver" style="font-size:19px"><strong>Escrever pode estar associado a viver</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px">Viver é difícil! E como Jung expressa em <em>Símbolos da Transformação Vol.5 de OC</em>: “<strong><em>O reverso da santidade são as tentações, sem as quais nenhum santo pode viver</em></strong>”. (§436) Somos chamados o tempo todo a saber viver, experimentar, realizar e o que diferencia a disponibilidade a “santidade” de servir ao Self é saber que sempre estaremos expostos a tentação da acomodação e nos colocarmos protegidos em “templos”. A verdadeira santidade, o verdadeiro servir ao Self, é nos relacionarmos com o mundo, nos aventurarmos em possibilidades de continuar firmes na caminhada com proposito ao lado das tentações, e negando ao medo de viver a possibilidade de viver “de verdade”. Vejo isso quando me permito escrever, mesmo não considerando uma área a qual tenho talento ou dom inato, tenho me negado cada vez menos a essa exposição; e esse texto vem falar sobre isso.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>No ato da redenção revive o que estava sem vida, morto; isto significa psicologicamente: aquelas funções que jaziam incultas e estéreis, inativas, reprimidas, desprezadas, subestimadas etc. irrompem e começam a viver. É exatamente a função menos valorizada que leva avante a vida, ameaçada de extinguir-se na função diferenciada. &nbsp;</p><cite>Jung, 2012 vol.6, §496</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-concordo-que-e-muito-dificil-a-gente-se-expor-a-experiencias-que-nao-nos-sao-agradaveis-ou-consideramos-enfadonhas-nao-vejo-a-escrita-nesse-lugar" style="font-size:19px">Concordo que é muito difícil a gente se expor a experiências que não nos são agradáveis ou consideramos enfadonhas, não vejo a escrita nesse lugar.</h2>



<p style="font-size:19px">A realidade é que gosto tanto de ler livros, ouvir histórias bem contadas e ver desenvolvimento de enredos surpreendentes em filmes, series e afins que meu senso crítico me reprime. Quem conta melhor uma história do que alguém que viveu ou vivenciou aquilo? Talvez por isso fico tão atenta nos relatos em setting terapêutico. Mas voltando a repressão crítica quando Jung fala: “<strong><em>se alguém se voltar só para fora, tem que viver seu mito; se for para dentro, tem que sonhar sua vida exterior, a vida real</em></strong>” (Jung, 2012 vol.6 §268) ficou fácil entender que a escrita vinha como um processo terapêutico ordenador e organizador para mim, e acaba sendo uma necessidade para alguém introvertido (como eu).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-existem-muitos-tipos-de-introvertidos-talvez-seja-bom-lembrar-consegue-se-achar-por-essa-consideracao-de-jung" style="font-size:19px">Existem muitos tipos de introvertidos, talvez seja bom lembrar. Consegue se achar por essa consideração de Jung?</h2>



<p style="font-size:19px">Talvez o que me aprisiona nesse movimento da escrita é a sinceridade, como esse texto explora, o medo de ser expor já que pela palavra é mais difícil eu sair fora da persona. Um pensamento rápido e uma língua afiada são ferramentas disponíveis, escrever exige elaborar e conduzir. E para ser interessante, precisa de alma, colocar alma na escrita nos expõe a muitos, relações reais são mais reduzidas e nos revelarmos a elas é escolha. Algumas nos conhecem muito, outras nem tanto. Podemos manter um ar distante e formal. Mas a escrita sendo uma organização pode nos colocar visíveis numa humanidade que um introvertido (como eu, lembrando) se sinta tremendamente <em>vulnerável</em>.</p>



<p style="font-size:19px">Escrever hoje ocupa outros espaços para mim, não fica mais fácil, mas com certeza é mais leve e prazeroso. Menos acadêmico também. Tenho me permitido a exposição de alma e vejo a escrita como um a troca que vai além do conteúdo partilhado, mas também uma permissão e acesso a imaginação daquele que comunga suas percepções, talvez as que julga mais interessante, com todos aqueles que vão acessar, ler e compartilhar.</p>



<p style="font-size:19px"><strong><em>Poderia ser um acesso indireto a gente mesmo que isso seja em outro tempo? Não sei. Mas gosto da ideia dessa conexão atemporal permitida, e fico pensando que Suassuna talvez tenha razão quando falou que &#8220;quem gosta de ler não morre só&#8221;.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Ensaio sobre a escrita, vida e autoanalise&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/NIRiKYtiXTE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha – Analista Didata em formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h2>



<p style="font-size:16px">JUNG, C. G. <strong>Símbolos da Transformação 5</strong>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. [OC 5]</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C. G. <strong>Tipos Psicológicos 6</strong>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. [OC 6]</p>



<p style="font-size:16px">FERNANDES, Márcia. <strong>Ariano Suassuna. </strong>Disponível em: <a href="https://www.todamateria.com.br/ariano-suassuna/">https://www.todamateria.com.br/ariano-suassuna/</a> Acesso: 20. set. 25.</p>



<p style="font-size:16px">MONTAIGNE, Michel de. <strong>Os ensaios</strong>: uma seleção. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.</p>



<p>&#8212;</p>



<p style="font-size:17px"><strong><a href="https://www.ijep.com.br/clinica">Conheça a Clínica IJEP </a></strong>&#8211; Terapia Junguiana de qualidade para nossos alunos e para o público em geral:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ijep.com.br/clinica"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="414" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-1024x414.jpeg" alt="" class="wp-image-11309" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-1024x414.jpeg 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-300x121.jpeg 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-768x311.jpeg 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-1536x621.jpeg 1536w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-150x61.jpeg 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-450x182.jpeg 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228-1200x485.jpeg 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/10/slide_228.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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<p></p>
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		<item>
		<title>Me conta seu conto</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/me-conta-seu-conto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 13:08:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[Imaginação ativa]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Marie-Louise von Franz]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os contos de fadas são assim.Uma manhã, a gente acordaE diz: &#8220;era só um conto de fadas&#8230;&#8221;E a gente sorri de si mesma.Mas, no fundo, não estamos sorrindo.Sabemos muito bem que os contos de fadasSão a única verdade da vida. Antoine de Saint-Exupéry Resumo: Este ensaio visa formular ideias e experiências a partir dos contos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center" style="font-size:17px">Os contos de fadas são assim.<br>Uma manhã, a gente acorda<br>E diz: &#8220;era só um conto de fadas&#8230;&#8221;<br>E a gente sorri de si mesma.<br>Mas, no fundo, não estamos sorrindo.<br>Sabemos muito bem que os contos de fadas<br>São a única verdade da vida.</p>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:17px"><a href="https://www.pensador.com/autor/antoine_de_saint_exupery/">Antoine de Saint-Exupéry</a></p>
</blockquote>



<p style="font-size:17px"><em><strong>Resumo</strong>: Este ensaio visa formular ideias e experiências a partir dos contos de fadas que surgem no processo terapêutico, além de aspirar impulsionar terapeutas, analistas e arteterapeutas a ampliar os contos, histórias ou &#8220;vestígios&#8221; mitológicos dos clientes trazidos a clínica. A busca pelos conteúdos sombrios que emergem a partir da associação com histórias e &#8216;estórias&#8217; podem nos auxiliar como condutor simbólico para revelar ao cliente mais de si mesmo.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-era-uma-vez-era-uma-vez-nao-respeita-chronos-o-grande-senhor-do-tempo-cronologico-pelo-menos-assim-me-parece" style="font-size:19px"><em>Era uma vez&#8230;</em> Era uma vez não respeita Chronos, o grande senhor do tempo cronológico &#8211; pelo menos assim me parece.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Os contos trazem o tempo do <em>não tempo</em>, eles trazem o efeito do agora e mesmo que a história tenha sido escutada, ouvida, assistida e elaborada uma vida inteira quando acessamos esse espaço do que <em>uma vez foi</em>, posso assegurar com alguma confiança de o tempo é agora.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Uma vez que, na prática, existem fenômenos da consciência e do inconsciente, o si mesmo como totalidade psíquica tem aspecto consciente e inconsciente. O si mesmo aparece empiricamente em sonhos, mitos e contos de fadas, na figura de “personalidades superiores” como reis, heróis, profetas, salvadores etc., ou na figura de símbolos de totalidade como o círculo, o quadrilátero, a quadratura circuli (quadratura do círculo), a cruz etc. Enquanto representa uma complexio oppositorum, uma união dos opostos, também pode manifestar-se como dualidade unificada, como, por exemplo, no tao, onde concorrem o yang e o yin, como irmãos em litígio, ou como o herói e seu rival (dragão, irmão inimigo, arqui-inimigo, Fausto e Mefisto etc.). Empiricamente, pois, o si mesmo aparece como um jogo de luz e sombra, ainda que seja entendido como totalidade e, por isso, como unidade em que se unem os opostos.</p><cite>JUNG, 2012. vol.6 §902</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-contos-de-fadas-estao-presentes-em-diversas-culturas-ao-redor-do-mundo-e-em-cada-lugar-ele-se-adapta-para-responder-e-reescrever-as-necessidades-de-coletivos-e-individuos-e-fazem-isso-pois-carregam-uma-riqueza-simbolica-que-transcende-fronteiras-e-epocas" style="font-size:19px">Os contos de fadas, estão presentes em diversas culturas ao redor do mundo e em cada lugar ele se adapta para responder e reescrever as necessidades de coletivos e indivíduos, e fazem isso pois carregam uma riqueza simbólica que transcende fronteiras e épocas.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Para Jung, esses contos representam manifestações do inconsciente coletivo, uma camada da psique compartilhada por toda a humanidade e composta por arquétipos que nos afetam de forma laboriosa, é inevitável o afeto, assim como é inevitável para de respirar para se viver. Esses contos, mitos e histórias reveladas de forma ancestral nos apresentam símbolos e contextos que aparecem de forma simbólica nas narrativas, oferecendo um espelho das experiências humanas mais profundas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Do mesmo modo como as constelações foram projetadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso, podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo. Como não posso colocar este último material ao alcance dos leitores, devo limitar-me à mitologia.</p><cite>JUNG, 2012. vol.6 §325</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">C. G. Jung tenta trazer na sua obra a importância do trabalho terapêutico feito a partir de elaborações e ampliações na clínica em cima de determinados temas trazidos pelos clientes pelo método de contação de estórias ou ampliação simbólica de mitos e contos de fadas. Essa condução atinge camadas da psique que não conseguimos acessar de forma livre ou espontânea, mas permite ao indivíduo elaborar questões de valor pessoal que muitas vezes não são perceptíveis pela consciência. Afinal, “<strong>todos os contos de fadas tentam descrever apenas um fato psíquico</strong>” (Von Franz, p.10) e muitas vezes nos negamos a conscientizar que nos apoiamos em fatores externos para não darmos conta desses fatos internamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-louise-von-franz-aprofundou-essa-compreensao-ao-analisar-os-contos-de-fadas-como-expressoes-simbolicas-do-processo-de-individuacao-o-caminho-de-integracao-do-self" style="font-size:19px"><strong>Maria Louise Von Franz</strong>, aprofundou essa compreensão ao analisar os contos de fadas como expressões simbólicas do processo de individuação &#8211; o caminho de integração do self. </h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo ela, esses contos não são apenas histórias infantis, mas mapas simbólicos que orientam o indivíduo na jornada de autoconhecimento, confrontando aspectos internos como medos, desejos e potencialidades; e mais que isso a analista abre seu livro <em>A interpretação dos contos de fada </em>afirmando de forma objetiva que os contos de fada são “a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo” (Von Franz, p.9) e completa que o valor deles dentro de um processo analítico de investigação do inconsciente é tão importante, que ela considera o mais importante.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fada existe um material cultural consciente muito menos específico e, subsequentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique.</p><cite>VON FRANZ, PÁG.09</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Na prática terapêutica, tanto <strong>Jung </strong>quanto <strong>Von Franz </strong>utilizavam os contos de fadas como ferramentas de ampliação para a elaboração dos processos individuais dos clientes em seus respectivos processos. Através da análise dos símbolos presentes nas histórias, o cliente pode reconhecer padrões internos, conflitos e potencialidades. Essa abordagem arteterapêutica nos ajuda a acessar uma compreensão mais profunda do inconsciente, promovendo a integração de aspectos reprimidos ou desconhecidos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“Nos mitos e contos de fada, como no sonho, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural, como “formação, transformação, eterna recriação do sentido eterno””. </p><cite>(Jung, 2012. vol.9/1 §400)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Na arteterapia, os contos de fadas servem como fonte de inspiração para a criação de imagens que representam os processos internos do indivíduo, e quando falamos imagens, podemos ficar apenas na elaboração verbal, no caso. Imagens dentro do processo arteterapêutico junguiano fala de todo e qualquer aspecto que traga conteúdo para elaboração simbólica na clínica. Mas os contos de fada podem promover mais, pois ao ilustrar ou dramatizar esses contos, o paciente acessa emoções e símbolos que muitas vezes estão além da fala, facilitando a expressão de conteúdos inconscientes e promovendo algumas integrações e percepções que dirigidas pelos afetos das práticas e dos materiais rompem um padrão de controle, ao qual todos somos submetidos, quando nosso complexo do Ego tem a permissão para elaborar.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A arteterapia nos possibilita usar todas as funções e olhar o objeto como um terceiro elemento promovendo uma percepção única e apurada dos elementos trazidos a consciência pelo Self. “<strong>Quanto mais diferenciadas e desenvolvidas são as funções do consciente, melhor e mais rica será a interpretação feita, pois, a história será circundada, tanto possível, pelas quatro funções</strong>&#8220;. (Von Franz, pág.24)</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Do mesmo modo como as constelações foram projetadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso, podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo. Como não posso colocar este último material ao alcance dos leitores, devo limitar-me à mitologia.</p><cite> JUNG, 2012. vol.6 §325</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Assim sendo, podemos “contar” com os contos de fadas, sob a perspectiva da psicologia analítica como um recurso extremamente importante e funcional pois são instrumentos poderosos de conexão com o inconsciente coletivo, facilitando o processo de reconhecimento de conteúdos muitas vezes desconhecidos por nós mesmos. Sua virtude está nos acessos simbólico e universal os torna recurso valiosos tanto na prática clínica junguiana quanto na arteterapia com elaboração e aprofundamento da psicologia analítica sobre os conteúdos oriundos das práticas. <strong>Com isso, contribuímos para uma compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo interior dos nossos clientes/criantes/analisandos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-large is-style-default" style="font-size:18px"><blockquote><p>Não vemos as coisas como são, vemos as coisas como somos.</p><cite><strong>Anais Nin</strong></cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Me conta seu conto&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/hL_X19zOwes?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha &#8211; Membro Analista Didata em formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Tipos Psicológicos</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 6)</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 9/1)</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si mesmo</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 9/2)</p>



<p>VON FRANZ, Marie Louise.&nbsp;A Interpretação dos Contos de Fada. São Paulo. Paulus, 7ª edição, 2008.</p>
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		<item>
		<title>Leonardo da Vinci</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/leonardo-da-vinci/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Dec 2024 11:41:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10017</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: Neste artigo vamos abordar Leonardo da Vinci e sua genialidade pelo viés junguiano com dinâmicas de luz e sombra tendo com base a Obra de Walter Isaacson e as anotações de Da Vinci nos seus caderninhos, além das próprias observações de C. G. Jung sobre esse personagem tão peculiar que foi Leonardo di Ser [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Resumo: Neste artigo vamos abordar Leonardo da Vinci e sua genialidade pelo viés junguiano com dinâmicas de luz e sombra tendo com base a Obra de Walter Isaacson e as anotações de Da Vinci nos seus caderninhos, além das próprias observações de C. G. Jung sobre esse personagem tão peculiar que foi Leonardo di Ser Piero da Vinci.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-titulo-desse-artigo-pode-ter-chamado-a-sua-atencao-so-pelo-nome-do-nosso-personagem-mas-a-minha-expectativa-e-trazer-o-que-esta-para-alem-da-genialidade-de-da-vinci" style="font-size:17px">O título desse artigo pode ter chamado a sua atenção só pelo nome do nosso personagem, mas a minha expectativa é trazer o que está para além da genialidade de Da Vinci.</h2>



<p>Leonardo, talvez seja um homem em si mais interessante do que as suas obras em si. Ao me deparar com o livro “Leonardo da Vinci” do autor Walter Isaacson, pude adentrar em um lugar que não pensei ser possível mesmo estudando sobre a arte de Leonardo da Vinci ao longo de tantos anos. E isso, pelo viés da psicologia analítica se tornou ainda mais profundo para mim, e quis compartilhar com vocês.</p>



<p>Talvez seja um “artigo” um tanto informal, algo mais solto, menos preso ao tipo de retórica que costumo ter, mas peço paciência, e que vocês tentem me acompanhar nesse fluxo de pensamentos, ideias e percepções que a psicologia de C. G. Jung pode nos trazer ao ler sobre algo que gostamos e achávamos já “conhecer”. Sempre podemos nos deparar com o “RE &#8211; conhecimento” de algo fora ou dentro de nós. E estudar sobre Da Vinci me proporcionou isso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-historiografias-de-leonardo-da-vinci-tem-perspectivas-diferentes-quando-vamos-ver-qual-espectro-ela-esta-sendo-abordada" style="font-size:17px">As historiografias de Leonardo da Vinci têm perspectivas diferentes quando vamos ver qual espectro ela está sendo abordada.</h2>



<p>Na arte, que talvez seja o principal (ou mais comum), vemos muito as 12 obras completas sendo consideradas verdadeiras obras-primas. Suas técnicas de <em>chiaroscuro</em> e <em>sfumato</em> sendo enaltecidas como criações que mudaram a História da Arte ou seus esboços de anatomia que até pouquíssimo tempo eram utilizados em livros médicos de anatomia dada sua perícia e competência técnica na reprodução daquilo que ele havia estudado secretamente nos idos 1480 (ISAACSON, 2017).</p>



<p>Mas da Vinci se apresentava como engenheiro de tudo o que fosse preciso numa “carta ao governador de Milão listando os motivos pelos quais deveria lhe dar um emprego [&#8230;] só no décimo primeiro parágrafo ele mencionou que também era artista” (ISAACSON, p.19, 2017). O curioso dessa apresentação é pensar se ele realmente se via como tudo isso e &#8211; <em>também</em> &#8211; pintor como algo extra, ou se ele sabia se vender a época dadas as necessidades daquele tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-genialidade-de-leonardo-da-vinci-veio-ao-logo-da-historia-trazendo-questoes-e-impressoes-de-grandes-nomes" style="font-size:17px">A genialidade de Leonardo da Vinci veio ao logo da história trazendo questões e impressões de grandes nomes. </h2>



<p>O próprio <strong>Freud</strong> se ocupou em escrever sobre o artista no seu livro <em>Uma Recordação De Infância De Leonardo Da Vinci</em>, e no prefácio de seu livro os psicanalistas Kon e Majolo falam da “provável identificação” de Freud com Da Vinci não só pela genialidade mas pela capacidade de fazer perguntas sem respostas – o que encontramos em demasia nos seus cadernos, como se ele pensasse e anotasse para não esquecer suas perguntas, assim como uma criança curiosa. Mas <strong>Sigmund Freud</strong>, segue sua reflexão no contorno da infância com “duas mães” de Leonardo Da Vinci, e isso é pontuado por Jung (algumas vezes) ao longo de Obras Completas.</p>



<p>Fazendo um breve resumo da vida de Da Vinci, ele foi filho ilegítimo e sua mãe, Catarina, sendo uma simples campesina, renunciou a sua criação e o entregou ao seu pai Piero da Vinci que era tabelião e vinha de uma família que tinha alguns bens e ascensão social. Os avós, pais de Ser Piero da Vinci, criaram Leonardo até o casamento do pai com sua primeira madrasta, que nunca teve filhos com seu pai, mas o amava e faleceu quando ele tinha 12 anos no seu primeiro parto de uma criança natimorta. Leonardo só foi ter irmãos quando ele já tinha 24 anos e seu pai estava no terceiro casamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isaacson-relata-no-seu-livro-que-leonardo-nasceu-na-epoca-de-ouro-dos-bastardos-isaacson-2017-pois-mesmo-sem-seu-pai-ter-lhe-possibilitado-uma-educacao-formal-a-epoca-leonardo-foi-criado-como-filho" style="font-size:17px">Isaacson relata no seu livro que Leonardo nasceu “na época de ouro dos bastardos” (ISAACSON, 2017) pois mesmo sem seu pai ter lhe possibilitado uma educação formal a época, Leonardo foi criado como filho.</h2>



<p>O não reconhecimento de registro deu ao artista a liberdade de ser quem se era, o que seria uma impossibilidade se ele fosse tutelado com legitimidade, pois os filhos homens mais velhos herdavam a profissão do pai. Leonardo não só pode trilhar seu caminho como um autodidata multidisciplinar como era incentivado por seu pai.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-questao-trabalhada-pela-psicanalise-de-freud-e-repensada-pela-psicologia-profunda-de-jung-se-da-em-cima-do-complexo-materno-dessa-questao-das-duas-maes-e-suas-representacoes-na-arte-de-da-vinci" style="font-size:17px">A questão trabalhada pela psicanalise de Freud e repensada pela psicologia profunda de Jung se da em cima do complexo materno, dessa questão das duas mães e suas representações na arte de da Vinci.</h2>



<p>E a obra em questão é <em>A Virgem e o Menino com Santa Ana (1508-1513) </em>uma das muitas obras não finalizadas pelo da Vinci. De qualquer forma, Jung contesta Freud sobre a consciência de Leonardo Da Vinci sobre essa questão da renúncia da mãe e as consequências disso.</p>



<p><strong>Jung</strong> acredita que o tema trazido é um tema mítico e vivenciado não só no âmbito pessoal do artista.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“supor que ele mesmo se identificava com o menino Jesus, provavelmente representava a dupla maternidade mítica e de modo alguma sua própria história pessoal. E o que dizer de todos os demais artistas que representaram o mesmo tema? Será que todos eles tinham duas mães?” </p><cite>JUNG, 2012 §95</cite></blockquote></figure>



<p><strong>Freud</strong> foi muito criticado por esse ensaio sobre Leonardo, e bastante contestado por Jung.</p>



<p>Leonardo era livre, ou pelo menos se sentia assim. Os relatos sobre a sua beleza, graça, educação e inteligência estão disponíveis em todos os documentos de contemporâneos da época. Inclusive existem muitos gênios renascentistas da época com quem Leonardo se encontrou e podemos hoje fazer paralelos entre suas personas e obras. Michelangelo foi um que como Leonardo era homoafetivo, mas tinha questões extremamente repressivas sobre sua condição (o que era considerado pecado, na época) mas isso nunca foi “uma questão” para Da Vinci, ele se permitiu viver suas histórias amorosas de forma espontânea e natural. (ISAACSON, 2017)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ele-ja-estava-ganhando-fama-como-alguem-que-se-vestia-de-forma-muito-colorida-apaixonado-por-gibao-de-brocado-e-tunica-cor-de-rosa-e-tambem-para-ser-um-artista-com-talento-para-montagens-teatrais-muito-imaginativas-isaacson-2017-p-64" style="font-size:17px">“Ele já estava ganhando fama como alguém que se vestia de forma muito colorida, apaixonado por gibão de brocado e túnica cor de rosa, e também para ser um artista com talento para montagens teatrais muito imaginativas.” (ISAACSON, 2017, p. 64)</h2>



<p>Leonardo era bonito, inteligente, criativo, delicado, tocava, desenhava, escrevia ideias e tentava fundamentá-las, mas seus aspectos sombrios permeavam tudo isso, entramos pouco em contato com a sombra de Da Vinci pois como seres humanos olhamos a superfície com mais clareza, aprofundar é tentar compreender.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-mesmo-tempo-de-tantas-qualidades-positivas-leonardo-era-um-homem-que-abandonava-seus-projetos-com-muita-facilidade-no-meio-nao-se-sabe-se-por-um-perfeccionismo-exacerbado-ou-se-por-desinteresse-puro-por-ja-ter-realizado-na-sua-mente-criativa-aquilo-que-estava-porvir" style="font-size:17px">Ao mesmo tempo de tantas qualidades positivas, Leonardo era um homem que abandonava seus projetos com muita facilidade no meio. Não se sabe se por um perfeccionismo exacerbado ou se por desinteresse puro por já ter “realizado” na sua mente criativa aquilo que estava porvir.</h2>



<p>Como já relatado neste texto, só existem 12 obras acabadas e delegadas a Da Vinci. Muitas obras são inacabadas ou tem especialistas que contestam a veracidade da origem ser dele ou alegam que foram acabadas por outros artistas anônimos pela falta de “alma” em algumas minucias que não seriam permitidas por Leonardo. Ele era relapso, obsessivo, procrastinador, desinteressado, crítico. Sua observação era de certa forma compulsiva a ponto dele conseguir detalhar no seu caderninho como eram o bater de asas de uma libélula. (ISAACSON, 2017, p.205)</p>



<p>Leonardo se relacionou aos 38 anos com um rapaz de 13 chamado Giacomo, apelidado Salai, esse relacionamento foi duradouro, mas trouxe muitas questões pois Salai era iluminação de ideias, mas ao mesmo tempo o próprio Leonardo chamava o rapaz de “diabinho” (ISAACSON, 2017).</p>



<p>De inspiração a imagem do <em><strong>Homem Vitruviano</strong> (1490) </em>ele também roubava, mentia e manipulava Leonardo. Leonardo sabia dada algumas anotações nos seus cadernos sobre situações inusitadas as quais era colocado pelo seu “pupilo”. “Ladrão, mentiroso, teimoso, ganancioso.” “Salai, eu quero paz, não guerra. Chega de Guerra, eu desisto.” (ISAACSON, 2017, p.157)</p>



<p>Leonardo podia escrever com a mão esquerda e desenhar com a mão direita ao mesmo tempo. Mas ao envelhecer temos relatos de envelhecimento “precoce”, ele aparentava mais idoso do que realmente era com 60, 65 anos. <strong>Walter Isaacson</strong> escreve: “Quando chegou aos sessenta anos, seus demônios e tormentos podem ter cobrado o preço” (Ibdem. p.534). E problemas físicos, que poderiam ter sidos causados por um derrame, também foram descritos por Antonio De Beatis, artista contemporâneo de Da Vinci; ele relata uma paralisia na mão direita de Leonardo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-embarcar-nos-cadernos-de-leonardo-da-vinci-sendo-guiados-por-walter-isaacson-temos-a-oportunidade-de-construir-uma-a-figura-mais-honesta-de-uma-personalidade-genial-com-integridade" style="font-size:17px">Ao embarcar nos cadernos de Leonardo da Vinci, sendo guiados por Walter Isaacson, temos a oportunidade de construir uma a figura mais honesta de uma personalidade genial com integridade.</h2>



<p>A inteireza da luz e da sombra estão presentes nas perguntas irrespondíveis, nos esboços feitos ao jantar com estranhos a convite do próprio Leonardo apenas para saber como aperfeiçoar facetas humanas, suas intenções de criar e passar realidade através de fantasias fantásticas. Ele era a junção de imaginação e execução. Mas acabava se comprometendo quando SE realizava, suas perguntas respondidas eram soluções internas, mas motivadoras de angústia como as dissecações de cadáveres feitas secretamente; tal foi o caso que ele sentiu necessidade de se confessar no leito de morte para dar conta de tamanha inquietude.</p>



<p>Leonardo da Vinci é um dos maiores gênios do Renascentismo, e talvez da humanidade, mas sua história nos mostra um ser humano cheio de perguntas que quis se responder. E esse tipo de atuação no mundo e respeito consigo mesmo, me faz refletir sobre nossos propósitos e a questão que Jung nos põe em toda sua obra que é explicita em <em>Sonhos, Memórias e Reflexões</em>: “<strong><em>Sou eu próprio uma questão colocada ao mund</em></strong>o e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der.” (JUNG, 2019, p.314)</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Leonardo da Vinci&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/d3C1rzTvEBA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha – Membro Didata em formação IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 9/2).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Sonhos, memórias e reflexões</strong>. ed. Especial e Limitada. Coleção Clássicos de Ouro. Nova Fronteira, 2019.</p>



<p>Isaacson, Walter. Leonardo da Vinci. Editora Intrínseca Ltda., capa mole, edição livro brochura em português, 2017.</p>



<p>Equipe Editorial. Leonardo da Vinci: 15 fatos que talvez você não saiba. Disponível em:https://arteref.com/arte-no-mundo/15-fatos-sobre-leonardo-da-vinci-voce-talvez-nao-saiba/, Acesso em: nov.2024.</p>



<p>AIDAR, Laura. Vida e Obra de Leonardo da Vinci. Disponível em:https://www.todamateria.com.br/vida-e-obra-de-leonardo-da-vinci/, Acesso em: nov.2024.</p>



<p>Arte Para Você. Leonardo da Vinci: fatos e curiosidades. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2u19pPKraVI, Acesso em: nov.2024.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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		<title>Sobre a música na Arteterapia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sobre-a-musica-na-arteterapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2024 14:19:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9472</guid>

					<description><![CDATA[<p>Esse ensaio visa refletir sobre a música na arteterapia de forma subjetiva e pessoal a partir de um conhecimento de condução clínica distinta da musicoterapia. Buscamos ponderar sobre áreas de conhecimento que vão além do nosso arcabouço dentro da arteterapia e entender como podemos nos suprir na clínica em cima de uma ferramenta ao qual não temos domínio</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:18px"><blockquote><p>A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que<br>a razão não compreende.</p><cite> Arthur Schopenhauer</cite></blockquote></figure>



<p>Meu percurso como Arteterapeuta não é longo, mas posso considerar robusto dada minha iniciação tardia como terapeuta, minha precocidade em ter gosto por arte e alguma habilidade manual que sempre foi incentivada em casa, me colocaram em contato desde cedo com expressões criativas. Dado meu gosto e habilidade pelas artes plásticas de um modo geral e pela história da arte &#8211; e os bastidores desse meio -, sempre me vi pouquíssimo envolvida com a música. Talvez pensasse ser uma “inabilidade natural” (o que podemos falar de pronto, que talvez não exista nem em mim nem em ninguém isso). Ou mais provável uma falta de interesse por achar que não estava habilitada para lidar com sons, instrumentos e com a música.</p>



<p>Ao me deparar com a <strong>arteterapia</strong> vi a mim mesma com um “grande problema” quando entendi que teria que pelo menos “entender” como a música funciona na psique e no processo terapêutico. Não foi menor o pânico ao me relacionar com a dança, mas isso fica para outro momento mais oportuno. Eu gostaria de fazer um artigo científico sobre o tema, mas tenho “sido chamada a atenção” pela minha rigidez e falta de “alma” ao tentar desenvolver temas aos quais eu domino e tenho respaldo referencial para divagar (assertivamente) sobre o tema. Logo, a proposta aqui é diametralmente oposta. Vou expor meus sentimentos e conhecimentos em cima de um tema ao qual não domino, mas vibra em mim, assim como vibra em você.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-musica-esta-inserida-na-arteterapia-mas-o-arteterapeuta-nao-necessariamente-e-musicoterapeuta" style="font-size:19px">A música está inserida na arteterapia, mas o Arteterapeuta não necessariamente é musicoterapeuta.</h2>



<p>Este profissional normalmente é músico ou educador musical, ele trabalha com instrumentos, e sua música já é em sim parte do tratamento terapêutico e não apenas ferramenta. Entendo que o domínio de toda a construção musical para a clínica da musicoterapia seja fundamental, dada a importância do profissional na construção de uma dinâmica que muitas vezes dispensa palavras. </p>



<p>Por isso é uma terapia importantíssima para portadores de TEA (Transtorno de Espectro Autista) e outras pessoas atípicas, principalmente TDL (Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem) (BANDEIRA, 2022).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-existe-uma-aula-que-eu-tenha-dado-ate-hoje-e-que-nao-tenham-me-perguntado-e-a-musica-professora" style="font-size:20px">Não existe uma aula que eu tenha dado até hoje e que não tenham me perguntado “e, a música, professora?”</h2>



<p>A música demanda um cuidado especial na clínica, principalmente se trabalhamos com <strong>grupos</strong>. A música que eu gosto pode afetar ao outro de maneira completamente oposta ao bem-estar que me causa. Músicas com letras e/ou muito populares, se o facilitador não conhece bem o grupo ou não tem domínio do que está sendo feito ali naquele espaço com aquelas pessoas pode ter problemas, pessoas afetadas podem “sair de si”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-relata-uma-observacao-se-dando-como-exemplo-em-estudos-psiquiatricos-vol-1-nas-obras-completas" style="font-size:22px">Jung relata uma observação se dando como exemplo em <em>Estudos Psiquiátricos Vol.1</em>  nas obras Completas:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p>Estou ocupado num trabalho qualquer e assobio alguma melodia; naquele momento não estou me lembrando da letra. Alguém me pergunta que música é essa que estou assobiando e então me lembro: é uma canção do tempo de estudante.<br>“Não tenho um centavo no bolso”. Não faço a menor ideia de como cheguei a esta canção que, no momento, nada tinha a ver com as associações que estavam ocupando minha consciência. Passei em revista retrospectivamente o curso do pensamento que percorri durante meu trabalho. De repente me lembrei que poucos minutos antes pensara, com certo acento emocional, numa grande conta que recebera no Ano-Novo. Daí o motivo da canção! Nem preciso dizer que dessa maneira é possível fazer todo tipo de belos diagnósticos psicológicos em nossos semelhantes. Quando um amigo meu teve a imprudência de assobiar, no espaço de dez minutos, três pequenas melodias, pude dizer-lhe que seu caso amoroso tivera um fim infeliz. As melodias eram <em>Im Aargau sind zwei Liebi</em> (“Em Aargau há dois amantes” – melodia popular suíça), <em>Verlassen, verlassen bin ich</em> (“Abandonado, abandonado estou eu”) e <em>Steh’ich in fínster Mitternacht</em> (“Estou na lúgubre meia-noite”). Já me aconteceu inclusive assobiar uma melodia cujo texto me era desconhecido.</p><cite>JUNG, 2012a §168</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-neste-pequeno-relato-da-duas-importantes-dicas-diretas-e-podemos-ampliar-mais-algumas-questoes-a-partir-de-uma-reflexao-do-saber-da-ferramenta-no-caso-a-musica" style="font-size:17px">Jung, neste pequeno relato, dá duas importantes dicas diretas e podemos ampliar mais algumas questões a partir de uma reflexão do “saber” da ferramenta, no caso: a música.</h2>



<p>Quando o próprio Jung assovia, ele entende que aquilo queria dizer algo, mas de forma afetiva e inconsciente lhe vem uma música sem letras a cabeça que ele vai entrar em um processo autorreflexivo para compreender aquilo ter ocorrido. Ele consegue e percebe a questão do afeto e chega à conclusão de que ele <em>nem precisa</em> “dizer que dessa maneira é possível fazer todo tipo de belos diagnósticos psicológicos em nossos semelhantes” (JUNG, 2012a) e faz isso com um amigo. E, sim, música vibra. Somos de água e a água vibra junto com o som. O som faz a água se mobilizar no seu ritmo e mesmo que eu não queira, não há som que nos deixe indiferente. Somos manipulados em nossas <em>águas internas</em> mesmo que não consigamos perceber e nos atentar no momento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perceber-que-a-experiencia-musical-acontece-antes-mesmo-do-nascimento-nbsp-a-partir-das-percepcoes-ainda-no-utero-materno-paula-2022-nos-faz-ter-um-infimo-entendimento-o-quao-importante-os-sons-sao-na-nossa-constituicao-psiquica" style="font-size:17px">Perceber que “<strong>a experiência musical acontece antes mesmo do nascimento,&nbsp;a partir das percepções ainda no útero materno</strong>” (PAULA, 2022) nos faz ter um ínfimo entendimento o quão importante os sons são na nossa constituição psíquica. </h2>



<p>A música ser um meio tão eficaz de tratar transtornos e problemas de comunicação faz com que seja uma ferramenta dentro do processo terapêutico muito importante, mas também muito delicada. <strong>A responsabilidade do arteterapeuta é entender que usar uma música sem conhecimento prévio pode não ser uma boa ideia, não sabemos como aquilo pode mobilizar o indivíduo</strong>. Mas, trabalhar algo que tenha sido trazida pelo próprio cliente pode ser muito rico e ajudar a condução clínica assim como um sonho, um desenho, um filme &#8211; a música se torna uma imagem com vibração que toca afetivamente com consciência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:17px"><blockquote><p>O desenvolvimento da musicalidade humana, ou seja, do comportamento musical, engloba as reações musicais hereditárias, somadas à experiência pessoal, às experiências musicais de caráter histórico e às experiências musicais de caráter social. Em outras palavras, à medida que a criança se desenvolve na sociedade humana, os reflexos musicais incondicionados (genéticos) se tornam condicionados e se forjam através do outro, do social, enfim, da cultura.<br>Isso nos habilita a dizer, pelo olhar da teoria que nos alicerça, que toda função psicológica musical superior (escuta voluntária ou atenta, memória e imaginação, musical etc.) historicamente, origina-se de uma relação social entre pessoas antes de a internalizarmos intrapsicologicamente.<br>Neste momento, queremos explicitar que conceber uma didática específica da educação musical calcada na Teoria Histórico-Cultural é primar pela ética no sentido mais estrito do termo, a saber: defender a conduta e o sentimento de alteridade para com as experiências musicais do outro que nos constitui musicalmente.</p><cite>PEDERIVA &amp; GONÇALVES, 2018, pp. 316-317</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pensar-a-musica-pela-psicologia-analitica-e-encaixar-uma-imagem-dentro-de-um-processo-construtivo-que-afeta-a-todos-e-quando-falo-todos-sao-todos-mesmo" style="font-size:17px">Pensar a música pela psicologia analítica é encaixar uma imagem dentro de um processo construtivo que afeta a todos (e quando falo todos, são todos mesmo!)</h2>



<p>Pessoas com deficiências ou atípicas dão respostas positivas a esse tipo de terapia, além de TEA, TDL, deficientes visuais, pacientes psiquiátricos diversos e até mesmo surdos e surdos oralizados; a música vibra e mesmo sem o ouvir, eles podem sentir. E, sendo uma sociedade apegada a rótulos e pré-conceitos, nos distanciamos da questão simbólica da linguagem. <strong>A música é uma linguagem sonora e vibracional ao mesmo tempo</strong> e quando possui letra ela também entra na metalinguística de todo o conjunto da obra.</p>



<p>Pessoalmente, é um lugar bem difícil para eu habitar, talvez pela falta de controle que a vibração promove; mesmo tendo a consciência de que isso vai acontecer pode me passar despercebido e eu ser “afetada”. E, a respeito disso, eu simplesmente sei que não temos controle.</p>



<p>Afinal, Jung já explicou que “<strong>todas as neuroses contêm complexos autônomos</strong>” (JUNG, 2012b §1353). E para um analista ser afetado de forma incontrolável e autônoma por um complexo basta estar vivo.</p>



<p><strong>Entrar em contato com aquilo que eu não sei, me leva a lugares surpreendentes, e na clínica sempre busco sutilezas além do ouvir</strong>.</p>



<p>Busco sentir como os relatos vibram em mim e percebi que a minha pouca competência com a música, com a musicalidade, com os sons que vibram dos instrumentos musicais são incompatíveis com o que eu vivencio diariamente. Eu entendo não de forma conceitual, acadêmica e prática de um musicista, mas de um outro lugar.</p>



<p>E esse lugar me ajuda a caminhar com meus clientes para um outro lugar além da fala e do que se fala. Como disse o multifacetado romancista alemão E. &nbsp;T. &nbsp;A. <strong>Hoffmann</strong>: “<strong>A música começa onde acaba a fala</strong>.” </p>



<p><strong>Na clínica junguiana ouvimos música todos os dias!</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Sobre a música na arteterapia&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/Ttfk6REOKZQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Bárbara Pessanha &#8211; Membro Analista IJEP</strong></p>



<p><strong>Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. Estudos Psiquiátricos. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2012a. Obras Completas de C. G. Jung, v.1.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. Estudos Experimentais. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2012b. Obras Completas de C. G. Jung, v.2.</p>



<p style="font-size:15px">BARCELLOS, L. R. M. ., &amp; SANTOS, M. A. C. . (2022). A musicoterapia no Brasil.&nbsp;<em>Brazilian Journal of Music Therapy</em>, (32), 4–35. Disponível: <a href="https://doi.org/10.51914/brjmt.32.2021.378">https://doi.org/10.51914/brjmt.32.2021.378</a> Acesso em: 30. ago. 2024</p>



<p style="font-size:15px">PAULA, Tatiane Ribeiro Morais de. &amp; PEDERIVA, Patrícia Lima Martins A musicalidade das pessoas surdas: um olhar a partir da teoria histórico-cultural Artigos • DELTA 38 (1) • <a>Disponível:&nbsp; &nbsp;2022. </a><a href="https://doi.org/10.1590/1678-460X202257176">https://doi.org/10.1590/1678-460X202257176</a>&nbsp; Acesso em: 30. ago. 2024</p>



<p style="font-size:15px">BANDEIRA, Gabriela. Práticas baseadas em evidências: a musicoterapia como estratégia de intervenção. Disponível:&nbsp; 27. mai. 2022 <a href="https://genialcare.com.br/blog/musicoterapia/">https://genialcare.com.br/blog/musicoterapia/</a> Acesso em: 30. ago. 2024</p>



<p style="font-size:15px">PEDERIVA, P. L. M., &amp; GONÇALVES, A. C. A. B. (2018). Educação musical na perspectiva histórico-cultural: uma didática para o desenvolvimento. Disponível:&nbsp; 2022. <a href="https://www.academia.edu/38830356/Educa%C3%A7%C3%A3o_musical_na_perspectiva_hist%C3%B3rico_cultural_uma_did%C3%A1tica_para_o_desenvolvimento_da_musicalidade_Music_education_in_the_historical_cultural_perspective_a_didactic_for_the_development_of_musicality">https://www.academia.edu/38830356/Educa%C3%A7%C3%A3o_musical_na_perspectiva_hist%C3%B3rico_cultural_uma_did%C3%A1tica_para_o_desenvolvimento_da_musicalidade_Music_education_in_the_historical_cultural_perspective_a_didactic_for_the_development_of_musicality</a> .&nbsp;Acesso em: 30. ago. 2024</p>



<p></p>
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		<title>Marrom: Ambiguidade e Naturalidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/simbologia-da-cor-marrom/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 17:25:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[estudo das cores]]></category>
		<category><![CDATA[eva heller]]></category>
		<category><![CDATA[marrom]]></category>
		<category><![CDATA[michel pastoureau]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia das cores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este presente artigo visa abordar sobre a cor marrom e sua pouca preferência pela maioria das pessoas feita pela cientista social alemã Eva Heller e a influência do marrom dentro da clínica de arteterapia e imagens criadas dentro do processo terapêutico. Avaliamos o valor simbólico e as possibilidades para uma ampliação mais profunda em cima da cor marrom.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Este presente artigo visa abordar sobre a cor marrom e sua pouca preferência pela maioria das pessoas feita pela cientista social alemã Eva Heller e a influência do marrom dentro da clínica de arteterapia e imagens criadas dentro do processo terapêutico.</em></p>



<p><em>Avaliamos o valor simbólico e as possibilidades para uma ampliação mais profunda em cima da cor marrom.</em></p>



<p>Nos idos 2000, a cientista social alemã <strong>Eva Heller </strong>traz um estudo sobre as <strong>13 cores</strong> que mais se mostram “autônomas, não podendo ser substituídas por nenhuma outra” (HELLER, 2022). Assim, a escritora nos mostra através de um estudo analítico e subjetivo dentro da sociedade alemã uma percepção arquetípica dessas cores e suas influências dentro de um aspecto emocional e simbólico.</p>



<p>Dentro de uma análise perceptiva, Heller nos apresenta o <strong>marrom</strong> como a cor menos apreciada dentro da cartela de cores apontadas nesse estudo. Menos de 1% das pessoas consultadas a tem como cor preferida e mais de 20% de ambos os sexos consideram a cor que menos benquista deste grupo de 13 cores (HELLER, 2022).</p>



<p>Devemos lembrar que esse estudo foi feito na Alemanha, com alemães, poderia ter uma pluralidade considerável dentro de perspectivas culturais distintas e ideais estéticos diferentes, mas acredito que podemos tomar como base algumas percepções desse estudo, pois temos uma visão ocidental comum, e isso faz com que essa ideia global arquetípica alce campos partilhados entre nossa cultura e a cultura alemã e europeia.</p>



<p><strong>No círculo cromático o marrom vem da junção das três cores primárias: azul, vermelho e amarelo</strong>, suas tonalidades variam da composição dessas cores. Quando temos mais azul, temos um marrom mais frio; quando temos mais vermelho aparece um marrom mais quente e quando adicionamos mais amarelo temos um marrom mais esverdeado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-marrom-ao-mesmo-tempo-que-e-a-uniao-das-cores-primarias-e-a-anulacao-das-suas-individualidades-como-cor">O marrom ao mesmo tempo que é a união das cores primárias é a anulação das suas individualidades como cor.</h2>



<p>Como se percebe, é ambígua essa interpretação, mas essa dicotomia é sentida, percebida e afeta esteticamente e emocionalmente quando nos relacionamos com a cor marrom.</p>



<p>Enquanto que o historiador e antropólogo francês <strong>Michel Pastoureau</strong>, em seu livro “<em>As cores das nossas memórias</em>” (tradução livre do francês) apresenta o marrom como uma cor “desagradável e vulgar” (PASTOUREAU, 2010). </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>E o estudo de <strong>Eva Heller</strong> apresenta dentre essas características o marrom como:“a cor da preguiça e imbecilidade [&#8230;]. E, no entanto, como cor de vestuário, o marrom é muito bem aceito; pois que se acredita que a mistura de todas as cores combina bem com todas elas e são adequadas a todas as ocasiões” </em></p>
<cite>HELLER, 2022, p. 255</cite></blockquote>



<p>Essa dubiedade do ordinário e necessário se apresenta na cor marrom. Pois <strong>no marrom se encontra a natureza</strong>, a terra, os troncos das árvores, nas folhagens secas, na carne que comemos, em leguminosas, etc. O marrom está em todo lugar.</p>



<p>Entender a cor como valor simbólico é necessário principalmente quando temos algum objetivo perceptivo analítico. Não é para menos que na moda, arquitetura, marketing, dentre outras profissões, o estudo das cores, colorismo, e entendimento do que a cor passa emocionalmente é necessário para formação.</p>



<p>Logo, nós dentro da Arteterapia e da Análise Junguiana não podemos deixar de nos orientar nesse tipo de percepção e entendimento. Não precisamos fazer como <strong>Goethe</strong> ou <strong>Kandinsky</strong>, mas existe uma importância grande em nos orientarmos dentro das ampliações perceptivas daqueles que vieram estudando o assunto previamente e aplicar a ferramenta dentro da nossa clínica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-marrom-na-clinica-e-na-arteterapia">O marrom na clínica e na arteterapia</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em><strong>Carl Gustav Jung</strong> em sua obra tece comentários e percepções sobre as cores em ampliações de clientes e pessoas que passaram pelo processo terapêutico com uso de imagens com ele. Em determinado ponto ele associa as cores vermelha, branco, amarela e branca aos tipos psicológicos “quatro cores básicas: vermelho, verde, branco e amarelo, representando os quatro pontos cardeais e ao mesmo tempo as funções psíquicas, conforme mostra o Bardo Tödol tibetano” </em></p>
<cite>JUNG, 2012d, §630</cite></blockquote>



<p>Dentro de outra análise, <strong>Jung</strong> considera: “as cores típicas: vermelho, verde, amarelo e azul” (JUNG, 2012d, §648) e essas são as cores que compõem o marrom. Logo, a percepção das cores para <strong>Jung </strong>tem viés simbólico, ao mesmo tempo que emergem de forma inconsciente nas artes produzidas por clientes que não elaboram suas produções de maneira racional.</p>



<p>Mesmo que tenhamos a intenção na produção de qualquer arte plástica ela vem com conteúdos que não conseguimos acessar com a nossa consciência. <strong>Jung</strong> talvez tenha sido um dos pioneiros nessa percepção das imagens como caminho para o inconsciente. Se não foi o primeiro a se utilizar de tal recurso.</p>



<p>Voltando à cor marrom: quando vemos dentro de uma imagem na clínica sempre devemos perguntar ao cliente o que ele sente, como ele percebe aquela cor na imagem. O que ele fala vai determinar para onde nossa ampliação segue.</p>



<p>Se o marrom for <strong>seriedade, estrutura, estabilidade</strong>, podemos direcionar para aspectos dentro dessa leitura e tentar perceber qual marrom se viabiliza na imagem, mais frio, mais quente ou mais esverdeado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-direcionamento-clinico">Direcionamento clínico</h2>



<p>Isso pode ser um bom direcionador para condução analítica de avaliar o marrom na clínica e na arteterapia, pois as características aplicadas pelo cliente na clínica são em si neutras.</p>



<p>Por exemplo: seriedade pode ser muito bom para alguém que não se compromete na vida, já alguém que se leva muito a sério e que se compromete de forma rígida com tudo o que se relaciona é percebido por um viés negativo, pois reforça um complexo dominante.</p>



<p>Assim, cada troca traz uma possibilidade e variedade de caminhos ao fazermos essa análise em consultório com cliente e imagem. Outra possibilidade é o marrom “aparecer”, começa com uma imagem sem intenção de marrom, mas ele aparece ali e toma espaço da imagem.</p>



<p>Quando isso ocorre gosto de pensar em como isso ocorreu e pergunto que cores usou primeiro e quando foi percebido pelo autor da imagem esse marrom invasor.</p>



<p>Esse tipo de evento ocorre com muita frequência na clínica arteterapêutica. E, normalmente, se mostra muito fértil para ampliação de conteúdos inconscientes, o marrom pode ser fértil mesmo sendo um conteúdo indesejado.</p>



<p>No processo terapêutico, a maioria dos temas e pontos abordados são deliberadamente dolorosos e se não conduzidos com muita cautela e cuidado podem se tornar apenas dejetos fedorentos, assim como o marrom em si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-intencionalidade-por-detras-da-cor-marrom">A intencionalidade por detrás da cor marrom</h2>



<p>O marrom esconde a intenção de um modo geral, o preto não mostra, o cinza é indeciso, o marrom quer revelar, mas tem alguma impossibilidade naquele momento de visualizar com clareza algo que pode estar emergindo. Eva Heller ressalta no seu livro que</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>“pela simbologia antiga, o marrom é uma cor <strong>feminina</strong>. É a cor da<strong> terra</strong>, da fertilidade [&#8230;] A vagina tem sido comparada também com frutos da cor marrom, como o figo e as ameixas.”</em></p>
<cite>HELLER, 2022, p. 260</cite></blockquote>



<p>E o mais interessante é que esse texto vem com o título de “<strong>A cor do amor secreto</strong>”. Isto porque os homens que não tinham dinheiro para se casar na antiguidade não tinham direito ao amor vermelho, sim ao amor marrom. Davam anéis com uma pedra marrom para amada, mas a relação tinha que ser discreta. Desse modo, o marrom também “<em>designava a cor da infidelidade</em>” (HELLER, 2022, p.260/261).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-logo-a-cor-marrom-com-sua-dubiedade-pode-trazer-conteudos-profundos-e-que-estao-emergindo-dentro-da-clinica">Logo, a cor marrom com sua dubiedade pode trazer conteúdos profundos e que estão emergindo dentro da clínica.</h2>



<p>Gosto de pensar que as cores nos trazem possibilidades de visitar determinados temas, mas o marrom traz à tona algo que ainda não se permite visualizar com clareza ou definição, então pede cuidado e atenção pois são oportunidades que o inconsciente quer revelar de maneira discreta e com atenção.</p>



<p>Portanto, a<strong> naturalidade</strong> do marrom faz com que ele seja ordinário, mas ao mesmo tempo necessário. Ele é onipresente na paisagem, na comida, na natureza, na vida. E assim é o trabalho terapêutico, trabalhamos com fatos, o comum, o ordinário e o extraordinário &#8211; assim como as <strong>sincronicidades </strong>&#8211; e o marrom participa desse processo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p style="font-size:18px"><em>Um conteúdo inesperado, que está ligado direta ou indiretamente a um acontecimento objetivo exterior, coincide com o estado psíquico ordinário</em>: é isto o que chamo de sincronicidade, e sou de opinião que se trata exatamente da mesma categoria de eventos, não importando que sua objetividade apareça separada da minha consciência no espaço ou no tempo.</p>
<cite>JUNG, 2012c, §855</cite></blockquote>



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<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha &#8211; Membro Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi – Fundadora e Membro Didata IJEP</a></p>



<p>Referências:</p>



<p>CESARINI Argiroffo, G. (2019).&nbsp;<em>Il significato dei colori: il marrone.&nbsp;</em>Disponível em: &lt;https://www.giornaledipsicologia.it/il-significato-dei-colori-il-marrone/&gt; Acesso em: 01 set. 2023.</p>



<p>CODICI Colori (2021). Significato del marrone. Disponível em: &lt;https://codicicolori.com/significato-dei-colori/significato-del-marrone&gt; Acesso em: 01 set. 2023.</p>



<p>HELLER,&nbsp;Eva. A Psicologia das Cores: Como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Editora Olhares, 2022.</p>



<p>PASTOUREAU, Michel. As cores das nossas memórias.&nbsp;Diário cromático com mais de meio século, trad.&nbsp;por L. De Tomasi, Série de Ensaios, Milão, Ponte alle Grazie, 2011,&nbsp;<a href="https://it.wikipedia.org/wiki/Speciale:RicercaISBN/9788862203401">ISBN 978-88-6220-340-1</a>.</p>



<p>JUNG, C. G., <strong>O eu e o Inconsciente 7/2</strong>. Obras Completas de C. G. Jung. 11ª Edição. Petrópolis: Vozes, 2012a.</p>



<p>_______. <strong>A natureza da psique 8/2</strong>. Obras Completas de C. G. Jung. 11ª Edição. Petrópolis: Vozes, 2012b.</p>



<p>_______. <strong>Sincronicidades 8/3</strong>. Obras Completas de C. G. Jung. 11ª Edição. Petrópolis: Vozes, 2012c.</p>



<p><a></a>_______. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo 9/1</strong>. Obras Completas de C. G. Jung. 11ª Edição. Petrópolis: Vozes, 2012d.</p>
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		<item>
		<title>Misoginia: resquícios da Caixa de Pandora</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/misoginia-o-que-e/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2022 10:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[misoginia]]></category>
		<category><![CDATA[pandora]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6874</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estamos no ano de 2022, e o debate sobre questões de gênero, sexualidade e identidade estão em todas as pautas importantes para a tentativa de integração em um novo modelo de existir social global. Repensar a sociedade a partir de novas (ou não tão novas) demandas é importante para todo aquele que trabalha e se envolve com ser humano. Então, posso incluir a humanidade, sem qualquer medo de errar nessa afirmação. Mas o caminho que estamos tomando é o correto? Estamos fazendo a inclusão e a imersão de pensar a sociedade sobre a bandeira queer de maneira segura e confiável para que sejamos mais agregadores, inclusivos e pertencentes com as minorias? Minha resposta a essa pergunta é um grande não. Pois acredito que enquanto não olharmos a fêmea da espécie, a mulher e a feminilidade em si não teremos chances de ser uma sociedade que olhe seus tons de cinza e se desconstrua, se não trouxermos equidade para o polo que trabalha o Eros.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estamos no ano de 2022, e o debate sobre questões de gênero, sexualidade e identidade estão em todas as pautas importantes para a tentativa de integração em um novo modelo de existir social global. Repensar a sociedade a partir de novas (ou não tão novas) demandas é importante para todo aquele que trabalha e se envolve com ser humano. Então, posso incluir a humanidade, sem qualquer medo de errar nessa afirmação. Mas o caminho que estamos tomando é o correto?Estamos fazendo a inclusão e a imersão de pensar a sociedade sobre a bandeira queer de maneira segura e confiável para que sejamos mais agregadores, inclusivos e pertencentes com as minorias? Minha resposta a essa pergunta é um grande não. Pois acredito que enquanto não olharmos a fêmea da espécie, a mulher e a feminilidade em si não teremos chances de ser uma sociedade que olhe seus tons de cinza e se desconstrua, se não trouxermos equidade para o polo que trabalha o Eros.</p>



<p>Dentro da Psicologia Analítica temos a ideia deturpada de inclusão quando vemos que as maiores partes de colaboradores de Carl Gustav Jung eram mulheres, todas brilhantes e foram extremamente importantes para o escalonamento da Psicologia Profunda ser reverenciada e introduzida aos poucos nos meios filosófico, psicológicos, sociológicos e antropológicos. Jung, foi sim, um grande pensador e o trabalho de valorizar as polaridades esteve sempre presente no centro de sua teoria. Feminino e Masculino são tomados quanto arquétipo e temos um modelo para nos orientar e guiar nas pontas que são opostas e complementares. Mas a mulher em si, a mulher como parte de uma construção de uma sociedade patriarcal foi pouco elaborada na psicologia de Jung pois ele teve o cuidado de se ver como homem ao falar sobre “A mulher na Europa” no livro Civilização em Transição Vol.10/3. Apesar de termos falas controversas aos dias atuais, ele fala no início da sua palestra: “Além disso, o que pode um homem dizer sobre a mulher, seu próprio contrário? Será que posso pensar em algo realmente autêntico, sem qualquer interferência da programática sexual, sem ressentimento, sem ilusão, que não seja pura teoria?”&nbsp;(JUNG, 2012, §236)</p>



<p>São homens pensando a humanidade desde sempre, homens pensando homens, homens pensando a mente humana, mas não se pensa o lugar da mulher e a redução de espaços ocupados pelas fêmeas da nossa espécie quando falamos em pluralidade e pertencimento. Apagamento de gênero pode ser mais um motivo para o apagamento da mulher em si. Apagar um lugar que nunca foi ocupado na sua importância e valor adequados. Somos uma sociedade patriarcal que ao lutar pela desconstrução de gênero e pela inclusão temos que primeiro excluir e reduzir a mulher as minorias. Lugar improprio para uma classe que ocupa mais 50% desse planeta.</p>



<p>A construção do patriarcado, segundo a hipótese da historiadora&nbsp;Gerda Lerner, a subordinação da mulher como classe se constrói sob bases obrigatórias de sobrevivência já que as mulheres geravam, os homens tinham que lutar pela subsistência da tribo, ou grupo. E isso desencadeia uma construção social que não se pensa o papel do homem ou da mulher, é quase como se o fator biológico determinasse onde as pessoas se encaixariam e viveriam. E ela completa que a escravidão é fruto da subjugação anterior dos homens sobre as mulheres. (LERNER, 2019) Essa resenha diminuta não consegue elaborar o tamanho do problema, mas posso sustentar que muitos dos nossos problemas com as questões de gênero provém da construção de modelo social de milênios ser feita por uma minoria de homens que detinham os poderes necessários em suas épocas para impor suas moralidades e questões para todo um grupo. Vivemos isso até hoje.</p>



<p>Na publicação “A mulher na Europa” de C.G. Jung do ano de 1927. Ele faz uma longa reflexão sobre o matrimonio e os lugares que a mulher e o homem ocupam na relação, além disso discorre como a instituição do casamento é importante para a sociedade como um todo. “Nada se pode ganhar com a destruição de um ideal e de um valor indiscutível, se não forem substituídos por algo melhor.” (JUNG, 2012) Aqui na reflexão de Jung vemos uma construção de mulher e homem ocupando posições sociais diferente, mas alerta que a mulher tendo animus “pode acontecer – e é a regra geral – que a mente de uma mulher que exerce uma função masculina seja influenciada pela masculinidade inconsciente, sem que ela o perceba, embora todos à sua volta o percebam claramente.” (JUNG, 2012)</p>



<p>Se observarmos que a mulher, já na segunda metade do século XIX, começou a assumir profissões masculinas, a tomar parte ativa na política, a fundar associações e dirigi-las etc., será fácil constatar que está pronta a romper com um padrão de sexualidade essencialmente feminino, de inconsciência e passividade aparentes, e fazer uma concessão à psicologia masculina, para erigir-se em membro visível da sociedade. A partir daí ela não precisa mais dissimular-se atrás da máscara de Sra. Fulana de Tal, para conseguir que o homem satisfaça todos os seus desejos, ou para fazê-lo sentir que as coisas não estão correndo como ela deseja. JUNG, 2012 §242</p>



<p>Lembrando que esse recorte foi de um texto de 1927, onde ainda os problemas eram de ordem de gênero e homossexualidade não era nem doença e sim, crime. A conquista do voto feminino começa na Inglaterra no ano de 1918, apenas 9 anos antes. Estamos 100 anos a frente da construção da Psicanálise e estudos mais focados nas questões psíquicas. Freud lança seu livro “Interpretação dos Sonhos” em 1901 e Jung vai além das questões de desenvolvimento de trauma e aprofunda a ideia de libido após o rompimento com o pai da Psicanálise em 1913. (BAIR, 2006) Era um período muito fecundo de teorias sobre a influência da psique e a ideia de individuo ser mente e corpo, trazendo assim questões subjetivas individuais para o cuidado do homem como um todo.&nbsp;</p>



<p>Nos dias atuais as demandas sociais são outras, as necessidades de conhecimento e integração da psicologia e psicanálise são outras, mas esbarramos em questões que ainda atravessam as mesmas, ou seja, gênero e sexualidade, que eram pano de fundo 100 anos atras. E uma reflexão essencial para pensarmos as demandas atuais e que podem nos trazer progressos sociais são trazidas em 2019 por Paul Preciado no livro “Eu sou o monstro que vos fala” em que ele sendo um homem trans é convidado para falar na Escola da Causa Freudiana em Paris para tratar o tema de “Mulheres na Psicanálise” e é vaiado e não consegue terminar seu texto e para se fazer compreendido lança o livro. (PRECIADO, 2020)</p>



<p>Faz mais de seis anos que abandonei o estatuto jurídico e político de mulher. Um tempo talvez curto para quem está instalado no conforto ensurdecedor da identidade normativa, mas infinitamente longo quando tudo que foi aprendido na infância deve ser desaprendido, quando novas barreiras administrativas e políticas &#8211; invisíveis, mas eficazes &#8211; se erguem e a vida cotidiana se torna uma corrida de obstáculos. PRECIADO, 2020, p.16</p>



<p>A importância de trazermos a reflexão é que psique e corpo são indivisíveis. Nascer mulher já traz uma série de fatores indissolúveis a construção social na sociedade patriarcal atualmente (nascer homem ou intersexo também, mas a discussão aqui é sobre a mulher e feminilidade). Papéis são indissociáveis a uma construção milenar e primordial do que é ser homem e mulher, e para haver pertencimento em todas as possibilidades de ser e existir precisamos dar lugar de fala e existência a mulher. E isso inclui a feminilidade em si. Pois depois da <strong>misoginia</strong> vieram todos os males do mundo. Ser afeminado é ser fraco, ser uma super fêmea que quer parir e ter um milhão de filhos é fora de propósito, a mulher TEM QUE conquistar seu espaço às custas de mansplaning, gagslighting, manterrupting e bropriating e com tudo isso existe a possibilidade de não inclusão, principalmente quando falamos de apagamento de gênero. Talvez esse movimento seja o maior para o silenciamento da mulher e do feminino como um todo. Como ouvir os diversos se não possibilitamos os modelos arquetípicos, e primordiais de referência se manifestarem de maneira plena?</p>



<p>Ainda nos apoiamos nas visões e considerações do patriarcado, infelizmente para mudar precisamos de depoimentos e rupturas sociais como Paul Preciado fez e faz, mas entendo, como mulher cis, que a coragem e a determinação dele para falar no tom que ele falou só foi suportado pela sua condição de homem trans, se fosse uma mulher cis teria muito menos tempo que ele teve. E isso mostra que de 1927 quando Jung foi chamado para falar sobre “As mulheres na Europa”, mudamos muito pouco quando Preciado é chamado pra falar sobre “As mulheres na Psicanálise”. E ele faz esse adendo:</p>



<p>As senhoras e os senhores organizaram um encontro para falar “as mulheres na psicanálise” em 2019 como se estivéssemos ainda em 1917, como se esse tipo particular de animal que se chamam de “mulheres”, de forma condescendente e naturalizada, ainda não tivesse adquirido pleno reconhecimento como sujeito político, como se as mulheres fossem apêndices ou notas de rodapé, criaturas estranhas e exóticas sobre as quais é imperativo refletir de tempos em tempos, em colóquios ou mesas redondas. (PRECIADO, 2020, p.14)</p>



<p>Logo, podemos, devemos e estamos nos construindo para criar uma sociedade nova, mas não existe inclusão enquanto as polaridades não são olhadas com igualdade. E para a mulher ter igualdade temos primeiro que ter equidade. Olhar para a construção patriarcal e dissolver da nossa história o apagamento da mulher é destruição social. Precisamos urgentemente rever e olhar para a sociedade contemporânea e nos perguntar onde estamos como classe. Pensar em classe é importante pois isso nos dá sentido de pertencimento. E a mulher como classe se pensa muito pouco, parece que estamos divididas em subclasses que disputam a atenção do protótipo masculino e pede ainda permissão para existir. E isso me parece um mal não só da mulher, mas das bandeiras de diversidade também. Queremos permissão para existir, sendo que já somos. Mas precisamos pensar isso como grupos e coletividade em busca de um mundo em que mulheres, homens, lgbtqia+ e todas as possibilidades de ser coexistam sem a gente ter que pensar o outro como oponente da nossa existência, mas acredito que a mulher fêmea da espécie seja a primeira direção a se olhar para conquistarmos isso.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=bárbara+pessanha" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bárbara Pessanha </a>Membro Analista em Formação</p>



<p>E. Simone Magaldi membro didata</p>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <strong>Civilização em Transição</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012b. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 10/3)</p>



<p>BAIR, Deidre. Jung &#8211; uma Biografia Vol. 1. Ed. Globo, 2006.</p>



<p>LERNER, Gerda.&nbsp;<strong>A criação do patriarcado</strong>: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo, Cultrix, 2019.&nbsp;</p>



<p>PRECIADO, Paul B.&nbsp;<strong>Eu sou o monstro que vos fala – Relatório para uma academia de psicanalistas.</strong>&nbsp;Ed. Zahar, 2020.</p>



<p><a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/o-apagamento-das-mulheres-na-historia-e-o-direito-a-memoria/">https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/o-apagamento-das-mulheres-na-historia-e-o-direito-a-memoria/</a>&nbsp;Disponível em: 12.04.2019 Acesso: 22 nov.2022</p>



<p><a href="https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/">https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/</a>&nbsp;Disponível em:&nbsp;<a href="https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/">06/12/2018</a>Acesso: 22 nov.2022</p>
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		<title>Benção de Nahualt</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/bencao-de-nahualt/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 19:49:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Benção de nahualt]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há algum tempo chegou em minhas mãos uma “oração” atribuída a Nahualt, na verdade dei pouca importância pois chegou exatamente como chegam as fakenews. Eu não sei o que me fez voltar ali e reler, eu não sou dessas pessoas que voltam pra ler coisas tipo corrente, ou baixa imagens que parecem ser só reprodução [...]</p>
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<p>Há algum tempo chegou em minhas mãos uma “oração” atribuída a Nahualt, na verdade dei pouca importância pois chegou exatamente como chegam as fakenews. Eu não sei o que me fez voltar ali e reler, eu não sou dessas pessoas que voltam pra ler coisas tipo corrente, ou baixa imagens que parecem ser só reprodução automática. Voltei, voltei e me deparei com algo que me atravessou, e me possibilitou orar, falar e agir. Refletir nas minhas ações e em todas as não atitudes que eu estava tomando. Estudar Jung faz esse tipo de arrebatamento, somos pegos desprevenidos por eventos sincronísticos que se tivermos olhos de ver, conseguiremos apreender alguma coisa com isso.</p>



<p>Nahualt provem da língua madre dos Astecas, é uma língua indígena e milenar onde são falados até hoje em zonas mais rurais com dialetos diferenciados. Procurei saber se a oração era de um deus ou deusa, ou alguma entidade especifica da religião Asteca. O pouco que posso falar sobre a religião deles é que eram politeístas e cultuavam a natureza e os animais como deuses. Então, posso ser sugestionada a acreditar que essa prece seja ao Criador, se por algum acaso, tenha sido feita pelos astecas. Não posso garantir isso pois em toda pesquisa que fiz não tinha fontes fidedignas desta origem para o que me foi apresentado, mas eu queria saber de onde foi que se originou tal poema, pois eu vi como uma prece de libertação. E eu queria falar sobre ela, mesmo que não seja dos astecas, mesmo que tenha sido feita por um gênio contemporâneo, ela me trouxe um caráter numinoso. Quando entramos em contato com algo que muda qualquer percepção, da forma que me foi colocada esses versos, podemos trabalhar de forma terapêutica. A Arteterapia trabalha todas as formas de arte e possibilita esse encontro com um eu interior a partir de imagens, textos e produções que nos fazem refletir essa interioridade fina e particular a partir de um outro. Esse outro pode ser um material, um desenho, uma foto, uma escultura, um livro, uma poesia; sai de mim o que entrou em contato com meu maior EU que é esse pedaço que se faz presente constantemente, mas é inconsciente. Segue a “oração” abaixo:</p>



<p><strong>Bênção Nahualt</strong></p>



<p>Eu liberto meus pais do sentimento de que já falharam comigo.</p>



<p>Eu liberto meus filhos da necessidade de trazerem orgulho para mim. Que possam escrever seus próprios caminhos de acordo com seus corações, que sussurram o tempo todo em seus ouvidos.</p>



<p>Eu liberto meu parceiro da obrigação de me completar. Não me falta nada, aprendo com todos os seres o tempo todo.</p>



<p>Agradeço aos meus avós e antepassados, que se reuniram para que hoje eu respire a vida. Libero-os das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, consciente de que fizeram o melhor que puderam para resolver suas situações dentro da consciência que tinham naquele momento. Eu os honro, os amo e os reconheço inocentes.</p>



<p>Eu me desnudo diante de seus olhos. Por isso, eles sabem que eu não escondo nem devo nada além de ser fiel a mim mesmo e à minha própria existência, que caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto de vida, livre de lealdades familiares invisíveis e visíveis que possam perturbar minha Paz e Felicidade, que são minhas únicas responsabilidades.</p>



<p>Eu renuncio ao papel de salvador, de ser aquele que une ou cumpre as expectativas dos outros.</p>



<p>Aprendendo por meio e somente por meio do AMOR, eu abençoo minha essência, minha maneira de expressar, mesmo que alguém possa não me entender.</p>



<p>Eu entendo a mim mesmo, porque só eu vivi e experimentei minha história. Porque me conheço, sei quem sou, o que sinto, o que faço e porque faço.</p>



<p>Eu me respeito e me aprovo.</p>



<p>Eu honro a Divindade em mim e em você.</p>



<p>Somos livres!</p>



<p>Podemos perceber pelo aspecto da Psicologia Analítica o simbólico de libertação desta oração, prece, poesia, carta ou mesmo escrita sagrada, caso tenha sido originada mesmo pelos Astecas. Quando libertamos, pedimos liberdade&#8230; ao que viemos presos? Aceitar que temos limitações e que relações de poder não nos trazem a possibilidade de vivenciar o amor.&nbsp;“Onde o&nbsp;<em>amor</em>&nbsp;impera,&nbsp;<em>não</em>&nbsp;há desejo de&nbsp;<em>poder</em>; e onde o&nbsp;<em>poder</em>&nbsp;predomina há falta de&nbsp;<em>amor</em>. Um é a sombra do outro.” (Jung, 2012)</p>



<p>A obra é maior que o autor quando ela cria redes de afeto além daquilo que ele, o autor, pode alcançar.  A etimologia de benção vem do “[&#8230;]hebraico, a palavra “bênção” (“berekhah”) vem de uma raiz (“barakeh”, “beirakheh”) que significa “ajoelhar, abençoar, exaltar, agradecer, felicitar, saudar”. Tanto no hebraico quanto no grego (“eulogia”) apresenta um sentido de concessão de alguma coisa material. Todavia, a forma grega acrescenta ainda os bens espirituais que vem de Cristo. Nos dicionários, consta como “ação de benzer, favor divino, graça”.” (<a href="http://www.etimologista.com/2011/06/origem-da-bencao.html">http://www.etimologista.com/2011/06/origem-da-bencao.html</a>). Podemos ver que só a chamada tem uma incitação a invocação de algo sagrado e ao fazer uma análise das partes podemos ver os aspectos que fazem o todo mas pedem uma percepção muito individual e privada daquilo que possuímos como experiência de vida, retificando a fala de Jung que somos seres, únicos e exclusivos, e devemos entender processos universais vividos no indivíduo. </p>



<p>“Não é somente qualquer leigo que presume emitir um juízo, quando se apresenta a ocasião, mas até mesmo qualquer psicólogo, e isto não somente com referência ao sujeito, mas também, o que é mais grave, com referência ao objeto. Sabemos ou acreditamos saber o que se passa com outro indivíduo, e o que seja bom para ele.&nbsp; Isto se deve menos a um soberano desconhecimento das diferenças, do que propriamente à tácita suposição de que todos os indivíduos são iguais entre si. A consequência disto é que as pessoas se sentem inclinadas, a acreditar na validez universal de opiniões subjetivas.” (JUNG, 2012, §343)</p>



<p>Poderíamos dissecar o texto, eu poderia criar suposições do que o autor quis me falar, mas dentro do processo terapêutico o lugar mais seguro e fiel é falar sobre quais emoções me tocaram ao entrar em contato com o objeto. Através dos trechos posso especificar a teoria viva de Jung quando se fala de libertamos nossos pais, avós, bisavós e tataravós, as quatro gerações de influência psíquica e isso poderia se adequar e ressignificar conteúdo dos complexos materno e paterno; ou da necessidade de “orgulho” como forma de vida não vivida por nós que acarreta em sofrimento aos nossos descendentes, no caso os filhos; ou ainda, ao entendermos que somos seres completos e que vivenciamos nas relações formas nossas projetivas, principalmente nos parceiros. Podemos interpretar verso a verso, mas entendendo que foi o que ME passou ao olhar essa escrita. Poderia não me dizer nada também, ou apenas soar auto ajuda piegas. O além é que incorpora de maneira subjetiva e dá sentido a essa relação individuo/objeto. Libertando-nos de ter que viver a vida não vivida dos nossos antepassados.</p>



<p>Perceber nossas demandas internas é o papel do processo terapêutico, utilizar formas lúdicas e oníricas são maneiras preciosas de desenvolvermos métodos únicos com aqueles que passam a dividir suas demandas interiores no setting terapêutico. Jung nos permite vivenciar isso com o cliente quando apostamos, não em métodos ou técnicas, mas em evolutivas pessoais intransferíveis que com o nosso auxílio podemos ajudar nos baseando na Psicologia Analítica. A Arteterapia parece mágica, quando falamos assim&#8230; talvez soe piegas, ou muito fantasioso, mas se relacionar consigo mesmo é assim mesmo. Pontuando que isso só pode acontecer com entrega ao crescimento interno e para haver “cura”, temos que dar atenção, que é isso que cura quer dizer. Se dar atenção, produzir sua arte, ser atravessado por outras obras&#8230; se escutar a partir de objetos. Nossa relação com os materiais e nossas múltiplas possibilidades de nos comunicarmos com o nosso inconsciente é uma relação de encanto. Não tem lugar comum nessa variedade, o caminho é lindo e muito particular.</p>



<p>Bárbara Pessanha</p>



<p>Membro Analista em Formação RJ</p>



<p>Referencias:</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012c. (Obras</p>



<p>Completas de C. G. Jung, v. 8/2).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. O espírito na arte e na ciência. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012i.</p>



<p>(Obras Completas de C. G. Jung, v. 15).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-mendes-iba-a-origem-da-bencao">MENDES, Iba.&nbsp;A origem da “Bênção”</h3>



<p>Disponível em:&nbsp;<a href="http://www.etimologista.com/2011/06/origem-da-bencao.html">http://www.etimologista.com/2011/06/origem-da-bencao.html</a>&nbsp;Acesso em: 19 ago. 2020.</p>



<p>SANT&#8217;ANA, Maraci. Disponível em:&nbsp;<a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/consultoriosentimental/bencao-nahuatl/">https://blogs.correiobraziliense.com.br/consultoriosentimental/bencao-nahuatl/</a>&nbsp;,&nbsp;Acesso em: 19 ago. 2020.</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-barbara-pessanha"><strong><em>Bárbara Pessanha</em></strong></h4>
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		<title>O uso da tinta acrílica no processo arteterapêutico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-uso-da-tinta-acrilica-no-processo-arteterapeutico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 22:09:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Estresse]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapêutico]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução Partindo da premissa de que a relação da Arteterapia com os processos individuais dos facilitadores merece um olhar atento, este artigo coloca uma lente de aumento sobre tal temática, com a intenção de vislumbrar uma fração de um projeto pessoal mais amplo que aborda o uso da tinta acrílica na tela como um caminho [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Introdução</strong></h2>



<p>Partindo da premissa de que a relação da Arteterapia com os processos individuais dos facilitadores merece um olhar atento, este artigo coloca uma lente de aumento sobre tal temática, com a intenção de vislumbrar uma fração de um projeto pessoal mais amplo que aborda o uso da tinta acrílica na tela como um caminho de percepção subjetivo. <strong>Tal experiência permitiu aprender junto com a técnica a própria vivência da arteterapia.&nbsp;</strong></p>



<p>Ao acompanhar as explanações e percepções pessoais da presente autora, ficou evidente o entendimento da Arteterapia como uma prática terapêutica subjetiva, que visa permitir ao criante se expressar por meio de expressões criativas, sejam na área plástica, na música, pelo corpo, pela imagem ou até mesmo pela escrita. São diversas frentes que podem ser tomadas pelo facilitador. O arteterapeuta, para perpetuar a prática, deve experienciar os processos para se situar dentro do processo. O entendimento da prática é fundamental para possibilitar a condução do cliente que, a partir do processo, percebe a si mesmo e amplia seu autoconhecimento.</p>



<p>Esse artigo intenciona fazer uma descrição dessa experiência, que teve como fio condutor os arcanos do tarô. A proposta era vivenciar e articular os arcanos por meio da expressão artística, sobre uma tela. Foi um trabalho em grupo que trouxe compreensões individuais e coletivas dentro de uma proposta arteterapêutica.&nbsp;</p>



<p>O tarô não é visto como um oráculo dentro da arteterapia, mas possibilita uma visão ampliada e ao mesmo tempo compreensível de um determinado arquétipo. O material escolhido para entrar em contato com a prática vivencial é uma escolha de foro íntimo do criante, mas precisamos pontuar que o reconhecimento e entendimento da técnica pelo arteterapeuta é relevante para dar orientação à jornada, porque é isso que os arcanos maiores podem nos possibilitar: entender de forma muito reduzida o que é um arquétipo e em quais arcanos existe a necessidade de trabalhar subjetivamente determinado assunto. A expressão criativa vai determinar como isso é trabalhado internamente, mesmo quando o criante não possui essa consciência, ou mesmo não sabe como se dá o processo.&nbsp;</p>



<p>A tinta acrílica vem promover a expansão, a fluidez e a elaboração das emoções. É preciso levar em consideração que se trata de uma técnica bastante utilizada em viés artístico, que possui materiais de alto custo e com um tempo de secagem curto. De posse dessas informações, pode-se idear, a partir de suas possibilidades, os rumos tomados pelo próprio processo criativo e dentro dele. Sempre considerando as demandas individuais daquele que está absorto na terapêutica da imagem.</p>



<p>Um dos aprendizados que visa a boa prática é compreender que as técnicas são aprendidas. No entanto, mais importante do que isso é perceber que as técnicas são incorporadas para a realização de trabalhos consistentes, que respeitam a intenção terapêutica. Com isso, sinto que fui escolhida pelo material, mesmo existindo uma indução para aplicabilidade da tinta acrílica. E, assim, o trabalho desenvolvido se deu de forma muito conectada com as experiências vividas na época e com as necessidades emocionais vitais que tinham pouco espaço para serem elaboradas. Foi certamente o trabalho com a arteterapia e a técnica da tinta acrílica que permitiram o desenvolvimento dos afetos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Arteterapia e o Tarô</strong></h2>



<p>Dentro dos trabalhos de psicoterapia, talvez o mais abrangente em termos de técnicas e possibilidades de atuação seja o mais difícil de explicar. <strong>A Arteterapia engloba dezenas de atividades que podem servir para acessar o inconsciente, algo que demanda um olhar especial. </strong>Faz-se imprescindível, portanto, pontuar o que seja a aplicabilidade desta formação e qual o papel do arteterapeuta nesse processo.</p>



<p><em>A arteterapia é definida pela American Art Therapy Association (2009, 1) como uma &#8220;profissão de saúde mental que usa o processo criativo de fazer arte para melhorar e aprimorar o bem-estar físico, mental e emocional de indivíduos de todas as idades&#8221;. Esta disciplina se baseia no fato de que o processo criativo ajuda as pessoas a resolver conflitos e problemas, desenvolve habilidades interpessoais, administra comportamentos, reduz o estresse, aumenta a autoestima, a autoconsciência e atinge o insight. É o resultado da integração de vários campos do desenvolvimento humano, das artes visuais &#8211; desenho, pintura, escultura e outras formas &#8211; e processos criativos a partir de modelos psicoterapêuticos.”</em> (CACERES-GUTIERREZ, 2018)&nbsp;</p>



<p>Desta forma, podemos entender que a Arteterapia tem uma função multidisciplinar e que as técnicas de expressão – ou criativas – são ferramentas para possibilitar o desenvolvimento desse trabalho terapêutico, uma vez que os métodos são possibilidades criativas baseadas nos conhecimentos e nas habilidades do arteterapeuta.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-style-default" id="omo-usar-tinta-acrílica-no-processo-arteterapêutico"><img decoding="async" width="997" height="623" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited.png" alt="A temperança, Arcano 14. Como usar tinta acrílica no processo arteterapêutico" class="wp-image-4036" title="omo usar tinta acrílica no processo arteterapêutico" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited.png 997w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited-300x187.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited-768x480.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited-150x94.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-edited-450x281.png 450w" sizes="(max-width: 997px) 100vw, 997px" /><figcaption class="wp-element-caption">A temperança, Arcano 14. Imagem pintada em tinta acrílica Data 23 nov. 2018&nbsp;</figcaption></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="343" height="480" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image.jpeg" alt="" class="wp-image-4010"/></figure>
</div>


<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited.png" alt="A sacerdotisa, Arcano 3. omo usar tinta acrílica no processo arteterapêutico" class="wp-image-4038" width="557" title="omo usar tinta acrílica no processo arteterapêutico" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited.png 806w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited-300x242.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited-768x618.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited-150x121.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/image-1-edited-450x362.png 450w" sizes="(max-width: 806px) 100vw, 806px" /><figcaption class="wp-element-caption">A sacerdotisa, Arcano 3. Data 15 jun. 2018. Aqui temos a representação no taro mitológico, no taro de Marselha e no Rider Wait.&nbsp;</figcaption></figure>



<p>&nbsp;Na formação em Arteterapia, somos estimulados a buscar alternativas e técnicas para abrir nosso leque de aprendizados e integrações junto aos materiais. Durante todo o período, são dadas oportunidades de vivenciar diversas práticas, mas tudo que aprendemos “fora” vira possibilidades e acabamos por buscar cursos e espaços que nos possibilitem aprender conteúdos, que nos complementem de forma pessoal. Talvez por isso vemos amigos e colegas buscando a biodanza, a biblioterapia, o teatro, a música, entre outros. Minha busca pessoal volteou-se para as expressões plásticas e, nesse lugar, surge o tarô, atrelado aos crescentes conhecimentos que passei a experimentar, por meio do estudo dos arquétipos, através dos símbolos. A Arteterapia me possibilitou expressar criativamente – via tinta acrílica – as vivências simbólicas, tendo como fio condutor os vinte e dois arcanos do tarô.</p>



<p><em>Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovarmos os seus conteúdos. Os conteúdos do inconsciente pessoal são principalmente os complexos de tonalidade emocional, que constituem a intimidade pessoal da vida anímica. Os conteúdos do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos.</em> (JUNG, §4 2012a)</p>



<p>&nbsp;</p>



<p>Sobre tais conteúdos, sabe-se que estão presentes em cada um de nós. No entanto, na grande maioria das vezes, não somos capazes de entrar em contato com eles porque não temos o entendimento ou a dimensão de como estamos imersos nesse processo coletivamente. Não obstante, os conteúdos podem ser acessados, de maneira consonante e proporcional a cada indivíduo, através de símbolos. Jung fala o seguinte em <em>Os arquétipos do inconsciente coletivo:</em> “<em>Se quisermos ter uma ideia do processo simbólico, podemos tomar como exemplo as séries de imagens alquímicas, embora tais símbolos sejam em sua maioria tradicionais, [&#8230;] a série de imagens do tarô também parece ser derivada dos arquétipos de transformação, [&#8230;]</em>.” (§81 2012a); e continua: “<em>o processo simbólico é uma vivência na imagem e da imagem. Seu desenvolvimento apresenta geralmente uma estrutura enantiodrômica, tal como o texto do I Ching, apresentando, portanto, um ritmo de negativo e positivo, de perda e ganho, de escuro e claro</em>.” (JUNG,§82 2012a). Enantiodromia é um movimento que vem de forma proporcional e muitas vezes, de maneira inconsciente a uma atitude unilateral consciente. A Arteterapia se conecta fortemente com esse viés de trazer à luz aquilo que segue irrefletido e precisa ser trabalhado para promover a homeostase psíquica.</p>



<p>O tarô é criativo por si mesmo, podemos olhar as cartas e ver uma história sendo contada. Quando lidamos com as imagens, falamos sobre <strong>mitologemas</strong>.</p>



<p>[&#8230;]<em>o conceito de &#8220;<strong>Mitologema</strong></em>&#8220;, desenvolvido por Károly Kerényi (KERÉNYI, 1941), filólogo <em>clássico e um dos estudiosos mais influentes da mitologia grega, romana e da religião antiga em geral. &#8220;Mitologema&#8221; representa o elemento mínimo reconhecível de um complexo material mítico&nbsp;que é continuamente revisto, reformulado e reorganizado, mas que, na essência, permanece a mesma história primordial. Essa história primordial é o &#8220;Mitologema&#8221;, a partícula que atravessa os mitos, o material eternamente revisitado em cada uma das narrativas.</em></p>



<p><em>Ele funcionaria, então, como um modelo arquetípico que, enriquecido por uma cultura específica, daria origem ao mito. O abandono de uma criança que sobrevive e se torna grandioso trazendo profundas mudanças ao mundo é o &#8220;Mitologema&#8221; de tantas narrativas míticas, gerando as histórias de Moisés, Paris e Rômulo. A &#8220;Imagem Primordial&#8221; do Sol e a sua adoração pelos povos antigos deram origem aos mitos de Apolo, Cristo, Osíris e Mitra</em>. (CARVALHO, 2019)</p>



<p>Assim sendo, aprender a transmutar os mitologemas aos mitos pessoais faz com que possamos conversar com nossas questões como seres únicos e complexos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="792" height="448" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit.png" alt="" class="wp-image-4046" title="O Tarô mitólogico em imagem. Arcanos maiores em ordem. Usando tinta acrílica no processo arteterapêutico" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit.png 792w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit-300x170.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit-768x434.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit-150x85.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/tartor-mit-450x255.png 450w" sizes="(max-width: 792px) 100vw, 792px" /><figcaption class="wp-element-caption">O tarô mitológico em imagem. Os arcanos maiores em ordem, cada um falando de mitos que se relacionam com o mitologema da carta. Tarô Mitológico&nbsp;<a href="https://br.pinterest.com/pin/692921092639600861/">https://br.pinterest.com/pin/692921092639600861/</a>&nbsp;Acesso em:&nbsp;&nbsp;12&nbsp;&nbsp;Fev.&nbsp;&nbsp;2021.</figcaption></figure>



<p>Não se pode imaginar a história contada como algo óbvio e constante. O tarô vem falar das profundezas. Jodorowsky, um grande estudioso do tarô, disse: “‘<em>De que me serve esse estudo? Qual é o poder que ele pode me dar?’ E imaginei que o Tarô me respondia: “Só vais adquirir o poder de ajudar. Uma arte que não serve para curar não é arte”</em>” (Jodorowsky, 2016. pág 38). Podemos concluir que a arte e o tarô podem – e devem – ser aliados nesse florescer interno, pois são ferramentas que, em processo alquímico, podem se mostrar transformadoras.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tinta Acrílica e o processo criativo</strong></h2>



<p>Para Carrano e Requião (2013, p. 99), “<em>podemos utilizar as tinhas para explorar o mundo dos sentimentos e das emoções, por meio da sua fluidez e de suas cores.</em>&#8221; Assim, podemos começar a pensar como o material não só influencia o processo terapêutico, mas também em como ele é um fator determinante do processo.</p>



<p>Anteriormente, relatei que o material me escolheu. Na realidade, na condução do grupo, feita pelas arteterapeutas Flávia Hargreaves e Maria Teresa Rocha, a primeira proposta era a técnica de grafismo com tinta acrílica. No entanto, como um trabalho de grupo se dá de maneira plural para tornar fluido, não existia o aprisionamento de metodologia. O mais importante era entrar em contato com o simbólico dos arcanos do tarô. E esse sim seria o fio condutor para o processo terapêutico.&nbsp;</p>



<p>Os trabalhos e dinâmicas de grupo nos fornecem muito material emocional. Percebemos isso dentro da formação quando criamos vínculos. <strong>No entanto, quando acionamos a Arteterapia para um entendimento pessoal e criamos nossa “arte”, entendemos que o recurso, as ferramentas e as possibilidades que se mostraram durante a realização são fundamentais para ampliar e entender onde estamos indo, ou onde estamos sendo tocados.</strong></p>



<p><em>Por sua própria natureza, a arte não é ciência e ciência tampouco é arte; por isso esses dois campos espirituais possuem áreas reservadas que lhe são peculiares e só podem ser explicadas por elas mesmas. Portanto, quando falamos da relação entre psicologia e a arte, estaremos tratando apenas daquele aspecto da arte que pode ser submetido à pesquisa psicológica sem violar a sua natureza. Seja o que for que a psicologia possa fazer com a arte, terá que se limitar ao processo psíquico da criação artística e nunca atingir a essência profunda da arte em si. É o mesmo caso do intelecto que não consegue explicar nem muito menos entender a essência do sentimento. E essas duas coisas não existiriam como entidades separadas, se sua diversidade, em princípio, não se tivesse imposto, há muito tempo, à inteligência</em>. (JUNG, §99 2012b)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="582" height="436" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sacerdot.png" alt="" class="wp-image-4048" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sacerdot.png 582w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sacerdot-300x225.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sacerdot-150x112.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sacerdot-450x337.png 450w" sizes="(max-width: 582px) 100vw, 582px" /><figcaption class="wp-element-caption">A Sacerdotisa, Arcano 3. Imagem pintada em tinta acrílica Data 15 Jun. 2018.</figcaption></figure>
</div>


<p>Isto quer dizer que o resultado não pode ser avaliado sem perceber a aura do <em>setting</em> e todo o processo alavancado na produção da arte. O estético não cabe aqui. O mais importante é entender a escolha. A tinta é um material que permite uma libertação e “<em>podemos utilizar as tinhas para explorar o mundo dos sentimentos e das emoções, por meio da sua fluidez e de suas cores.</em>&#8221; (CARRANO, 2013, p.99). As autoras complementam: “<em>a tinta acrílica possui uma textura consistente e macia, tem um leve brilho, sua secagem é rápida, embora permita a correção durante o processo de trabalho, ficando impermeável após sua secagem</em>” (CARRANO, 2013, p.125).&nbsp;</p>



<p>Sendo a primeira vez que me deparava com o material, achei incrível a maleabilidade e, num primeiro momento, me deu a impressão de que trabalhar a tinta acrílica era semelhante ao processo de trabalho com a cola. “<em>As colas por suas características próprias de adesão, vão permitir o agregar, o unir, o juntar e o sobrepor, valorizando o contato com o sensorial e com o sensível, tendo assim uma função superimportante no processo expressivo e criativo na técnica da colagem</em>” (CARRANO, 2013, p.35).</p>



<p>O que proporcionou uma sensação de maior conexão com a experimentação e descoberta <strong>foi encontrar um trabalho terapêutico dentro da Arteterapia, pois a formação, embora possua um viés terapêutico, não tem essa função <em>a priori.</em> </strong>A intenção é qualificar, ensinar e entender as práticas. O grupo inicia o processo sem uma compreensão prévia e depois, entendendo que estamos expostos quando fazemos práticas de expressões criativas, percebe-se que a potência disso é a visibilidade de conteúdos que, muitas vezes, são necessários para desenvolver o trabalho no <em>setting</em> terapêutico.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="578" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/louco-arteterapia.png" alt="" class="wp-image-4049" title="O louco, Arcano 0. Primeira imagem pintada em tinta acrílica. Usando tinta acrílica no processo terapêutico"/><figcaption class="wp-element-caption">O louco, Arcano 0. Primeira imagem pintada em tinta acrílica Data 11 Mai. 2018 (imagem ilustrativa da técnica). Imagem Freepick&lt;a href=&#8217;https://br.freepik.com/fotos/pintura&#8217;&gt;Pintura foto criado por freepik &#8211; br.freepik.com&lt;/a&gt; Acesso em:&nbsp;&nbsp;12&nbsp;&nbsp;Fev.&nbsp;&nbsp;2021.</figcaption></figure>
</div>


<p>A associação da tinta com a cola, feita anteriormente, não tem a ver com o material propriamente dito, mas sim com a forma pela qual eu senti a experiência, bem como na forma que ela se mostrou para mim. Conhecer e dominar a técnica, com o tempo, permitiu avaliar as dinâmicas que eu, durante a condução, adotei a partir daquilo com o qual eu tinha “me comprometido”. Minha caminhada com a tinta se desenvolveu, antes mesmo de entender que ela me permitia uma expansão e uma possibilidade de lidar com emoções que se mostravam a partir dos símbolos trabalhados, pois eu podia perceber o material e eu me comunicava com ele.</p>



<p><em>As tintas, por serem em sua maioria solúveis em água, são fluidas. A fluidez e a expansão das tintas favorecem a liberação, o soltar-se, a ultrapassar limites e barreiras internas. Durante o processo de pintar com as tintas mais fluidas, percebemos que, aos poucos, o pincel, que antes só exercitava caminhar por pequenas partes do papel, vai lentamente ganhando espaço, soltando-se, cobrindo áreas cada vez maiores</em>. (CARRANO, 2013. Pag.99)</p>



<p>Eu me deparava com a tinta acrílica como uma possibilidade artística e expressiva. A partir do que relatam Eveline e Maria Helena, a tinta acaba tendo mesmo essa função: “<em>ela tem um grande valor artístico, pois consegue respostas expressivas bem próximas aos efeitos e resultados obtidos pelo guache, pela aquarela e pela tinta a óleo</em>” (2013, p.125). Assim, conseguia usar <em>in natura</em>, utilizava quase transparente, bem líquida. No entanto, a meu ver, percebi durante o trabalho que foi um processo e um encontro entre o que o símbolo trabalhava e o que eu entendia em mim. “<em>[&#8230;] Quanto mais aguada mais fluida. Quanto mais cremosa e consistente mais resistente</em>.” (CARRANO, 2013, p.100). A<strong> Arteterapia é subjetiva</strong> e ver um grupo trabalhar é muito gratificante, pois somos seres individuais, trabalhando nossos próprios conteúdos internos dentro de uma mesma explanação. <strong>A pluralidade de materiais, de imagens e de percepções é preciosa, quando nos permitimos compartilhar essas descobertas interiores e íntimas.&nbsp;</strong></p>



<p><em>A causalidade pessoal tem tanto ou tão pouco a ver com a obra de arte, quanto o solo tem a ver com a planta que dele brota. Certamente poderemos conhecer determinadas peculiaridades da planta, quando conhecermos as condições de seu habitat. Para o botânico é até um dado importante. Mas ninguém diria que isto basta para compreendermos toda a essência da planta. A insistência no pessoal, surgida da pergunta sobre a causalidade pessoal, é totalmente inadequada em relação à obra de arte, já que ela não é um ser humano, mas algo suprapessoal. É uma coisa e não uma personalidade e, por isso, não pode ser julgado por um critério pessoal. A verdadeira obra de arte tem inclusive um sentido especial no fato de poder se libertar das estreitezas e dificuldades insuperáveis de tudo o que seja pessoal, elevando-se para além do efêmero do apenas pessoal.</em> (JUNG, §107 2012b)</p>



<p>Trabalhar o individual no coletivo promove um estado de pertencimento e a percepção de que eu não sou como o outro. Mas, ao mesmo tempo, permite também o entendimento de que existe algo dentro de mim que pertence a esse mesmo lugar. Arquétipos são lugares comuns quando tentamos passar para o “papel”. Seja de que forma for, isso muda a entoação de coletivo: o individual pertence ao coletivo e o coletivo se expressa no pessoal. A tinta foi o meio que eu encontrei de expressar algo abstrato e coletivo. A tinta me permitiu fluidez e expansão, atributos difíceis de alcançar naquele momento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>CONCLUSÃO</strong></h2>



<p>Ampliar o entendimento do processo descrito até aqui e olhar o que foi feito e apresentado, dentro das dinâmicas conduzidas no grupo, possibilitou a percepção da pluralidade de vivências dentro de minha própria realização artística. São muitas facetas que são olhadas quando trabalhamos no plural, pois ali existe o outro que não nos pertence. Podemos olhar o método, a prática, a condução. Podemos perceber o que não foi percebido ou sentido naquele momento. Mas quando o grupo expõe, aquilo imediatamente se torna um ponto de reflexão. Acredito que a distinção da minha realização pessoal no trabalho terapêutico fica mais potente a partir do desenvolvimento de uma sensibilidade para legitimar a diversidade que circunda, vive e realiza o mesmo tema de forma tão “não eu”.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="490" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-1024x490.png" alt="" class="wp-image-4050" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-1024x490.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-300x143.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-768x367.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-150x72.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3-450x215.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/04/arteterapia-artigo-3.png 1491w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Tarô pessoal em tinta acrílica Data 28 Jun. 2019. Conclusão do Grupo Pintando os Arcanos</figcaption></figure>



<p>Nesta jornada pessoal, houve diversos desafios. <strong>Um deles foi participar de um processo arteterapêutico aplicando uma técnica nunca antes trabalhada.</strong> O que se consagrou bem valioso e rico. No início, havia receios e timidez. Com cores vibrantes, o arcano 0 (zero) estava de olhos fechados, mas de peito aberto para caminhar pelos mitos e aprender a intuir. A tinta acrílica foi muito importante para a fluidez do processo, pois de início eu tinha muitas certezas e, ao pintar, percebia que me abria para o entendimento daquilo que meu inconsciente trazia e eu tentava realizar. Sempre percebia que o trabalho interno acontecia, mas só era realizado quando compartilhava com o grupo. O trabalho em grupo não pertence apenas a nós, mas ao todo e a todos. Partilhar e compartilhar é fundamental.</p>



<p>Por fim, posso concluir que as dinâmicas subjetivas de material, técnicas e vivências possibilitadas pelos processos arteterapêuticos são resultados conjuntos. A imagem “conversa” conosco. É uma foto daquele momento. No entanto, o que faz aquilo ter validade terapêutica integrativa é todo o processo: falas, partilhas, conversas, exposições, técnicas, mitos, histórias etc. Só aí pode-se compartilhar a imagem interna que fizemos dentro de toda essa construção. Ver e observar o conjunto da obra, bem como tudo o que foi produzido, é constituição de um todo. Assim, ao celebrar a arte, a técnica e aquilo que geramos e colocamos no mundo, percebemos que fazemos parte do todo e o todo faz parte de nós.</p>



<p><strong>Bárbara Pessanha</strong>, Membro Analista em Formação IJEP/RJ<br>Dra <strong>E. Simone Magaldi</strong> membro didata do IJEP<br></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>CACERES-GUTIERREZ, Juana M.; SANTAMARIA-OSORIO, Laura P.. La arteterapia como camino de transformación espiritual. Trab. soc.,&nbsp; Bogotá ,&nbsp; v. 20, n. 1, p. 133-161, 2018. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2256-54932018000100133&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em:&nbsp; 14&nbsp; Jan.&nbsp; 2021.</p>



<p>CARRANO, Eveline / REQUIÃO, Maria Helena. <strong>Materiais de Arte &#8211; Sua Linguagem Subjetiva Para o Trabalho Terapêutico e Pedagógico</strong>. Wak Editora 2013.</p>



<p>CARVALHO, Isa. <a href="https://ijep.com.br/artigos/show/o-mitico-circulo-de-eranos-parte-2">https://ijep.com.br/artigos/show/o-mitico-circulo-de-eranos-parte-2</a>, Disponível em: Fev.2019. Acesso em: 17 Fev. 2021</p>



<p>HARGREAVES, Flávia<strong>. A jornada do herói pelo tarô</strong>. Disponível em: 23 de Setembro de 2020. http://flaviahargreaves.blogspot.com/2020/09/a-jornada-do-heroi-pelo-taro.html Acesso em: 15/01/2021&nbsp;</p>



<p>JODOROWSKY, A. COSTA, M.. <strong>O Caminho do Tarot</strong>. São Paulo: Ed. Campos, 2016. NICHOLS, Sallie. Jung e o Tarô: uma jornada arquetípica. São Paulo: Cultrix, 2007.</p>



<p>JUNG, Carl G. <strong>O espírito na arte e na ciência</strong>. Vol. 15. Editora Vozes, 2012.(b)</p>



<p>JUNG, Carl G. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. Vol.9.1. Editora Vozes, 2012.(a)</p>



<p>KERÉNYI, Károly; <strong>Prolegomeni allo studio scientifico della mitologia (1941)</strong>, Torino: Boringhieri, 1983, pp. 15-17. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologema, Acesso em:&nbsp; 09&nbsp; Fev.&nbsp; 2021.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-uso-da-tinta-acrilica-no-processo-arteterapeutico/">O uso da tinta acrílica no processo arteterapêutico</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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		<title>O mito de Hebe e suas reverberações na sociedade contemporânea</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-mito-de-hebe-e-suas-reverberacoes-na-sociedade-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 19:52:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[Mito de Hebe]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje em dia vivemos numa sociedade que cultua a beleza, a juventude e o hedonismo; com isso acabamos nos moldando em torno de ideias que o envelhecer seja algo ruim e depreciativo. Para compreender e tentar ampliar esse tipo de construção social e nos apropriar dos símbolos da mitologia como um dos meios de formar imagens, e assim, conseguir trazer a reflexão condutas atuais que são arquetípicas, tais como a juvenilidade eterna. Logo, o presente artigo visa visitar o Mito de Hebe e desenvolver à luz da psicologia analítica com o enaltecimento da juventude e beleza na sociedade atualmente.</p>



<p>A contemporaneidade nos traz possibilidades incríveis de longevidade a partir da tecnologia e avanço da medicina, hoje podemos viver em situações que há muito pouco tempo atras seriam sentenças de morte. Mas tanta benesse vem junto com um ônus de achar que devemos conservar um padrão estabelecido por algum sintoma social de que aquele modelo é o bom. Isso se dá com a juventude, parece que ser jovem – ou aparentar &#8211; é o que se estabeleceu no consenso social como meta para o envelhecer. E hoje temos cirurgias plásticas, técnicas estéticas e cremes milagrosos capazes de oferecer tudo isso e um pouco mais, nada que seja condenável, até se tornar um comportamento gerentofóbico.</p>



<p>A gerentofobia, segundo o site da Academia Brasileira de Letras é por definição: “Medo excessivo de envelhecer ou do processo de envelhecimento; aversão ou desprezo por tudo que se refere à velhice ou pelas pessoas idosas. [De geront(o)- (do grego&nbsp;<em>gérōn</em>,&nbsp;<em>gérontos</em>&nbsp;‘velho, ancião’) + -fobia.]”. Pessoas que acabam por tomar esse comportamento patológico se submetem a uma infinidade de procedimentos e sua vida acaba se pautando por esse medo, então se coloca em risco justamente para não lidar com o envelhecimento e o que o envelhecer traz consigo.&nbsp;</p>



<p>Ainda, sem registro no CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a&nbsp;<strong>gerontofobia</strong>&nbsp;não é considerada diagnóstico. No entanto, é possível percebê-la na conduta do indivíduo. ‘Chamamos de fobia porque é um medo excessivo e desproporcional ao risco oferecido por tal coisa. No caso, o envelhecimento. Pessoas que discriminam idosos, que estão preocupadas demais com a aparência, adultos que se comportam como jovens são exemplos. É claro que não podemos generalizar, pois um conjunto de fatores é que vai determinar se o que você tem é&nbsp;<strong>gerontofobia</strong>&nbsp;ou não’, explica Dinah Akerman, psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo) (DINIZ, 2014)</p>



<p>Assim sendo, as pessoas adotam comportamentos e atitudes que não estão de acordo com a idade, isso se dá por uma infantilização e condutas que se mostram ausentes de uma responsabilidade de uma pessoa adulta; obviamente aliada a grande necessidade de aparentar juventude, e aí entram os procedimentos estéticos que acabam por ser excedentes as necessidades e consumam uma desconfiguração das características que personificavam aquele indivíduo. “Uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest em 2017 revela que 9 em cada 10 brasileiros têm medo de envelhecer.” (ALMEIDA, 2020) Todos os procedimentos seguem uma determinada ordem, e com isso, as pessoas estão ficando com as mesmas facetas. O bonito é se enquadrar nesse padrão estético de boca de uma determinada atriz, olhos da tal modelo, contorno de face de tal estrela do cinema e nisso as pessoas seguem um mesmo padrão igualando assim, um modelo de juventude as pessoas maduras, que não aceitam esse processo de envelhecer que é associado a morte.&nbsp;“Estamos famintos pela perpetuidade de algo que nunca existiu.” (WATTS, Pág 41)</p>



<p>Quando trazemos a análise pelo viés junguiano, podemos associá-los aos mitos, desta forma fica mais palatável a nossa percepção tal fenômeno, pois é uma temática que paira na humanidade desde sempre o que modifica a tônica e como isso se desenvolve é o espírito do tempo – no caso é tudo que envolve o aqui e agora. Os mitos são bastante esclarecedores às temáticas humanas e a essa necessidade de manter a juventude a qualquer custo, como se a aparência fosse capaz de pausar o tempo, temos o mito de Hebe.</p>



<p>Das núpcias legítimas de Zeus e Hera nasceram Hebe, Ilítia e Ares.&nbsp; O nascimento de Hefesto será tratado à parte, logo após se falar de Ares. Hebe, em grego” Hbh (Hébe), personificação da juventude. Estava encarregada, no Olimpo, da mansão dos deuses: servia o néctar aos imortais, antes do rapto de Ganimedes, preparava o banho de Ares e ajudava Hera a atrelar seu carro divino. Divertia-se dançando com as Musas e as Horas, ao som da lira de Apolo. Quando da apoteose de Héracles e de sua reconciliação com Hera, Hebe se casou com o herói, simbolizando assim o acesso do filho de Alcmena à juventude eterna. (BRANDÃO, pág.39)</p>



<p>Allan Watts no livro&nbsp;<em>A sabedoria da Insegurança</em>&nbsp;no ano de 1951 já falava:&nbsp;“O corpo humano vive porque é um conjunto de movimento, circulação, respiração e digestão. Resistir à mudança, tentar se apegar à vida, é, portanto, como prender a&nbsp;respiração: se você não parar, acaba se matando.” (WATTS, Pág 35) Assim como Hebe as pessoas estão presas a um paradigma de que as coisas estão boas como são e tem que permanecer assim para sempre e acabam não vivendo o aqui e agora, elas vivem a ansiedade de manter o que já não é mais e assim ficam presas ao passado e a idealização do que já foi. E o que já foi no imaginal da pessoa que vive o aqui e agora, nunca mais pode voltar a vir e ser novamente, pois vivemos de fantasias de nós mesmos. Jung já falava:</p>



<p>As fantasias dos adultos, enquanto conscientes, são de uma variedade incrível e assumem formas muito individuais. Por isso é impossível fazer delas uma descrição geral. Outra coisa é a gente entrar no mundo inconsciente de fantasias do adulto por meio da análise. Nesse mundo também é grande a variedade do material fantasioso, mas nem de longe encontramos aquelas muitas peculiaridades individuais como no consciente. Vamos encontrar, sim, material mais típico que, não raro, repete-se de forma semelhante em diversas pessoas. São constantes, por exemplo, ideias que aparecem como variações daquelas encontradas na religião e mitologia. O fato é tão evidente que podemos afirmar ter encontrado nessas fantasias os precursores das ideias mitológicas e religiosas&nbsp;JUNG, 2012a,&nbsp;§341 p.1559</p>



<p>Mas a percepção de que algo vai acabar para o ser humano, assim como o poder de Hebe ao servir ambrosia aos deuses, gera uma ansiedade com o fim, essa sensação de morte parece ser enganada quando perpetuamos alguma situação ou simulamos juventude, como se fossemos capaz de enganar o tempo nos olhando no espelho. Isso é uma ilusão que não permite o processo de vida e morte, para viver, precisamos morrer, não literalmente, mas deixar aspectos que não são mais nossos e não nos pertencem mais no aqui e agora. Aceitar viver e viver com plenitude, precisamos aceitar que o tempo exerce sua atividade e possibilitar esse crescimento interno com toda a bagagem que a vida nos possibilitou com alegrias e tristezas.&nbsp;</p>



<p>O envelhecer pode ser uma aventura esplendorosa e criadora quando pensamos no real poder de transmutação e possibilidades que já vivenciamos e descobrimos. O voo da borboleta é feito nesse momento, quando já foi maturada a asa, e assim nos é permitido voar. Podemos tomar como exemplo o próprio Carl Gustav Jung que escreve e reescreve sua obra já em idade avançada, e faz com que sua teoria ganhe escopo e ainda mais consistência.&nbsp;“A individuação é exclusivamente adaptação à realidade interna e, por isso, um processo “místico”. A expiação é adaptação ao mundo externo. Ela deve ser oferecida ao meio ambiente, com o pedido de que a aceite.” (JUNG, 2012b, §1.095)</p>



<p>Este presente artigo não é uma condenação aos bens e subterfúgios que a medicina&nbsp; estética contemporânea podem trazer, mas é um ode ao envelhecer com dignidade e sabedoria entendendo que não podemos ser inimigos do tempo mas, podemos trazer a nossa realidade que este é invencível e que morremos todos os dias. Devemos ser inspirados pelo hoje, a juventude eterna não existe, o eterno não existe. Deixamos passar tanta vida para manter determinados processos que, internamente não são mais coerentes com aquilo que somos no aqui e agora e, não nos permitimos vivenciar as mudanças que vão nos possibilitar voos maiores e melhores. “Passar é viver; permanecer e continuar é morrer.” (WATTS, Pág 34)</p>



<p>Bárbara Pessanha, Membro Analista em formação do IJEP/ RJ</p>



<p>E. Simone D. Magaldi, Membro didáta do IJEP</p>



<p><strong>Referencias</strong></p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>Freud e a psicanálise</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012a. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 4).&nbsp;</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>A vida simbólica</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012b. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 18/1).</p>



<p>ALMEIDA, Romildo, L.&nbsp;<strong>Gerontofobia: o terrível medo de envelhecer</strong>. Hospital Santa Casa de Misericórdia, 23 jan. 2020. Disponível em:&nbsp;<a href="http://www.santacasasorocaba.com.br/gerontofobia-o-terrivel-medo-de-envelhecer/">http://www.santacasasorocaba.com.br/gerontofobia-o-terrivel-medo-de-enve&#8230;</a>. Acesso em: 14 mar. 2021.</p>



<p>DINIZ, Thais Carvalho.&nbsp;<strong>Medo de envelhecer pode ser um problema; entenda a gerontofobia</strong>.&nbsp;<em>Uol</em>, Universa, São Paulo, 3 out. 2014. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2014/10/03/medo-de-envelhecer-pode-ser-um-problema-entenda-a-gerontofobia.htm">https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2014/10/03/medo-de-enve&#8230;</a>. Acesso em: 14 mar. 2021.</p>



<p><a href="https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/gerontofobia">https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/gerontofobia</a>. Acesso em: 18 out. 2021.</p>



<p>WATTS,&nbsp;<a href="https://play.google.com/store/books/author?id=Alan%20Watts">Alan</a><strong>. A sabedoria da insegurança</strong>, 2017. Editora, Alaúde Editorial</p>



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<iframe title="O MITO DE HEBE E SUAS REVERBERAÇÕES NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/fvyvn77szhI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading" id="h-barbara-pessanha"><strong><em>Bárbara Pessanha</em></strong></h4>
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