<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Elfriede Walzberg, Autor em Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 19 May 2026 15:24:22 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Elfriede Walzberg, Autor em Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O Bem-Viver, o Amor e a Consciência Contemporânea</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-bem-viver-o-amor-e-a-consciencia-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 00:01:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[ambientalismo]]></category>
		<category><![CDATA[bem-viver]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[consciência amorosa]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Gaia]]></category>
		<category><![CDATA[hybris]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[Kaká werá]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12926</guid>

					<description><![CDATA[<p>Observando a situação em que Gaia se encontra atualmente, esse artigo propõe uma pequena reflexão sobre uma mudança de paradigma embasando-se em conceitos da Psicologia Junguiana (soberania da consciência, o rebaixamento do inconsciente, a antinomia poder – amor) e do Bem-Viver (filosofia ancestral dos povos originários). Esse artigo reflete sobre a soberania da consciência e o consequente rebaixamento inconsciente, a antinomia poder-amor, conforme C.G. Jung, e a filosofia do Bem-Viver.</p>
<p>Ao conhecer o conceito Tekoá-porã - termo guarani, que significa Bem-Viver - não pude deixar de pensar sobre o que estamos presenciando atualmente em relação ao mundo natural. Embaso-me na Psicologia Junguiana para fazer uma pequena reflexão sobre esse tema tão importante para o contexto atual da humanidade onde Gaia se encontra ameaçada.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-bem-viver-o-amor-e-a-consciencia-contemporanea/">O Bem-Viver, o Amor e a Consciência Contemporânea</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>Observando a situação em que Gaia se encontra atualmente, esse artigo propõe uma pequena reflexão sobre uma mudança de paradigma embasando-se em conceitos da Psicologia Junguiana (soberania da consciência, o rebaixamento do inconsciente, a antinomia poder – amor) e do Bem-Viver (filosofia ancestral dos povos originários). Esse artigo reflete sobre a soberania da consciência e o consequente rebaixamento inconsciente, a antinomia poder-amor, conforme C.G. Jung, e a filosofia do Bem-Viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao conhecer o conceito <em>Tekoá-porã</em> &#8211; termo guarani, que significa Bem-Viver &#8211; não pude deixar de pensar sobre o que estamos presenciando atualmente em relação ao mundo natural. Embaso-me na Psicologia Junguiana para fazer uma pequena reflexão sobre esse tema tão importante para o contexto atual da humanidade onde Gaia se encontra ameaçada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-bem-viver"><em>O Bem-Viver</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para os povos originários <em>tekoá-porã</em> (em guarani), <em>sumak kawsay</em> (em quéchua), <em>suma-qamana</em> (em <em>aymara</em>) e bem-viver (em português), significa um modo de viver em harmonia consigo próprio, com o mundo natural e com todos os seres humanos e não humanos, respeitando-se a ancestralidade &#8211; que, para os povos originários, inclui todos os seres humanos e mais-que-humanos. (WERÁ, 2024) <em>Tekoa-porã</em> é uma filosofia ancestral milenar que “encapsula a arte do bem-viver” (WERÁ, 2024, p.18). O bem-viver:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="line-height:1.4"><em>é alcançado pelo reconhecimento de nossa essência ancestral, que transcende nossa existência material e se desdobra no tempo e no espaço como experiência de vida, manifestando-se na maneira como nos conectamos com o lugar que habitamos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="line-height:1.4"><em>O “tekoá” nos convida a viver em harmonia com nós mesmos, com a natureza e com a comunidade de seres (incluindo os humanos), respeitando nossas raízes e os ensinamentos de nossos antepassados. (WERÁ, 2024, p.15)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-luz-da-consciencia"><em>A luz da consciência</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente vivemos em um mundo de desigualdade social, econômica, espiritual, racial, onde observamos guerras, doenças, desequilíbrio e alterações no mundo natural (como as climáticas). Vivenciamos um paradigma onde é necessário ser feliz, produzir e não sofrer, no seu tempo integral. Vivemos sob a luz da consciência que, segundo Jung, tornou o homem o segundo criador do mundo e possibilitou ao ser humano “uma existência objetiva e do significado: foi assim que o homem encontrou seu lugar indispensável no grande processo do ser.” (JUNG; JAFFÉ, 2012, p.311) Mas, além desse ponto, Jung também realça que enaltecendo-se a consciência rebaixa-se a alma humana. Há uma tendência à objetificação de tudo e a alma não tem mais lugar, tudo se tornou coisa (objeto), a razão se sobrepôs ao irracional, os “deuses” não têm mais lugar na vida humana. A consciência passa a negar conteúdos inconscientes que não lhe cabem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-consequencia-dessa-hybris-cometida-pela-unilateralidade-da-consciencia-o-nosso-zeitgeist-espirito-da-epoca-tem-como-uma-das-caracteristicas-principais-segundo-balestrini-amp-torres-2022-p-256" style="font-size:16px">Em consequência dessa <em>hybris,</em> cometida pela unilateralidade da consciência, o nosso <em>Zeitgeist</em> (Espírito da Época) tem como uma das características principais, segundo Balestrini &amp; Torres (2022, p.256):</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;] a busca puramente egóica pelo controle e pelo poder, e esse critério, tomado como supremo por uma parcela muito grande da humanidade, guarda uma dimensão irracional correspondente ao seu exagero racionalista; desse acúmulo energético no inconsciente surgem os mais diversos sintomas psicopatológicos individuais e coletivos o que podemos observar no mundo atual.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência tem como essência excluir, escolher e diferenciar. (JUNG, 2014a, p.287). Ela tem como característica a unilateralização, pois seleciona o que lhe interessa e o direciona, excluindo o que não lhe é relevante. O que não é selecionado “cai” no inconsciente e cria um contrapeso, mas se a unilateralização consciente aumentar demais, a tensão cresce, o que pode inibir a consciência, mas também pode ser inibido por ela. (JUNG, 2013d, p.437)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse conteúdo inconsciente excluído pela consciência pode irromper na consciência, manifestando-se através de sonhos, sincronicidades, atos falhos, fantasias, visões, sintomas ou até dominar a consciência. Os sintomas podem ser observados tanto a nível individual como coletivo, no indivíduo como no mundo natural. A consciência parece ser a “boazinha” na relação com o inconsciente que se manifesta de forma, muitas vezes, assustadora, mas Jung coloca que a consciência pode ser mais maléfica que o inconsciente que é atribuído ao mundo natural:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>As histórias da carochinha sobre o terrível homem primitivo, aliadas aos ensinamentos sobre o inconsciente infantil perverso e criminoso, conseguiram fazer com que essa coisa natural que é o inconsciente aparecesse como um monstro perigoso. Como se tudo o que há de belo, bom e sensato, como se tudo aquilo que torna a vida digna de ser vivida, habitasse a consciência! Será que a guerra mundial e seus horrores ainda não nos abriram os olhos? Será que ainda não percebemos que a nossa consciência é mais diabólica e mais perversa do que esse ser da natureza que é o inconsciente? (JUNG,2012b, p.35-36)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-inconsciente-coletivo"><em>O Inconsciente Coletivo</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os arquétipos e os instintos são parte estrutural do inconsciente coletivo. Os arquétipos, “são a parte <em>ctônica</em> da psique”, a parte que vincula a psique (consciência e inconsciente) à natureza &#8211; com a terra e o mundo. “<em>É nestes arquétipos ou imagens primordiais que a influência da terra e de suas leis sobre a psique se manifesta com maior nitidez</em>.” (JUNG, 2013c, p.40)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre os instintos Jung aponta que: “na realidade, a natureza é portadora de um combate cruel e infindável entre o princípio do eu e o princípio do instinto: o eu, todo barreiras; o instinto, sem limites ambos os princípios com igual poder.(JUNG, 2014b, p.45) A vida instintiva se expressa através dos hábitos tradicionais com seus costumes e convicções que, se perdidos, separam-se do instinto, levando a uma separação da consciência dos instintos, que por sua vez, perde suas raízes. (JUNG, 2013b)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao se realçar a consciência em detrimento do inconsciente (com seus arquétipos e instintos), ocorre uma resistência da consciência pelos deuses antes projetados na natureza. A natureza se torna “des-deusada” e, na sequência “des-almada” e os mesmos deuses que antes estavam projetados fora foram deslocados para dentro da psique humana (JUNG, 2012a, p.177-179) e, a partir disso, Jung coloca que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Os deuses tornaram-se doenças. Zeus não governa mais o Olimpo, mas o plexo solar e produz espécimes curiosos que visitam o consultório médico; também perturba os miolos dos políticos e jornalistas, que desencadeiam pelo mundo verdadeiras epidemias psíquicas. </em><em>(JUNG; WILHELM, 2013, p.50-51)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mudanca-de-paradigma"><em>Mudança de Paradigma –</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>com a presença do coração, diminuição da tirania egóica e inspiração no Bem-Viver</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente os sintomas que acometem os indivíduos, o mundo natural e os seres que nele habitam são claros e visíveis. O inconsciente reclama o seu lugar. A natureza ou mundo natural quer aparecer novamente, pois com a existência apenas objetiva da consciência rebaixa-se “a vida e o ser, inclusive a alma humana”, onde não há mais lugar para “o drama do homem, do mundo e de Deus”. (JUNG, 2012c, p.311) Para isso evidencia-se a necessidade de uma mudança de paradigma onde a alma, a natureza, volte a ter o seu lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Roszac</strong> (1995), os relatos inquietantes sobre a situação que se encontra Gaia (o planeta Terra) trazendo em evidência a culpa, a raiva e a vergonha para as pessoas que se veem nessa situação, muitas vezes, as assustam e estas podem ter como reação a negação ou a inação perante a situação desesperadora que se apresenta. Ele afirma que mudanças na ação de ambientalistas e terapeutas já estão acontecendo e relata a presença do:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>trabalho de ambientalistas que demonstram curiosidades saudáveis sobre suas necessidades de encontrar uma psicologia mais sustentável, uma que irá clamar por motivações afirmativas e pelo amor à natureza. (ROSZAC,1995, p. 3, </em><em>tradução de Sônia Fernandes)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A reconexão dos humanos com o mundo natural (com os seres humanos e mais-que-humanos) é necessária, e será mais bem elaborada por todos se lhes forem mostradas a beleza, o amor (Eros), a grandiosidade e suas origens no mundo natural. Jung (2013a, p.367) considera que um “pensamento psicologicamente correto” mantém “sua vinculação com o coração, com as profundezas da alma, com a raiz mestra de nosso ser” e a separação da consciência dos fundamentos da psique (instintos e arquétipos) é um “pensamento dissimulado” que pode trazer consequências (como sintomas neuróticos e outros).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-roszac-1995-p-3-traducao-de-sonia-fernandes-coloca-que" style="font-size:16px">Roszac (1995, p.3, tradução de Sônia Fernandes) coloca que:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>em uma carta privada, um ativista australiano, John Seed, escreveu assim:</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>É óbvio para mim que as florestas não podem ser todas salvas de uma vez, nem o planeta pode ser salvo de uma vez, uma questão de cada vez: sem uma profunda revolução na consciência humana, todas as florestas logo irão desaparecer. Psicólogos a serviço da Terra ajudam ecologistas a alcançar profundos entendimentos sobre como facilitar profundas mudanças no coração humano, e a mente parece ser a chave nesse ponto.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No nosso <em>Zeitgeist, a</em> consciência com sua racionalidade assumiu o controle, está no poder, e o inconsciente, o irracional, que se identifica com a natureza, abarca a alma humana rebaixada. Para Jung o poder é a antinomia do amor que está relacionado com Eros. É de grande importância colocar que de modo algum Eros se restringe a uma terminologia sexual. Ele aponta que Eros é um dos principais aspectos da natureza nos humanos, pois “pertence à natureza primitiva e animal do homem e existirá enquanto o homem tiver um corpo animal.” Eros, por outro lado, se liga ao espírito. Apenas quando instinto e espírito estão em harmonia é que o erotismo floresce. (JUNG, 2014b, p.39). Hillman (2020, p.53) aponta que é “através da alma que recebemos o amor, alma não é amor.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2014b-p-65-coloca-que" style="font-size:16px">Jung (2014b, p.65) coloca que:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro. Quem se encontra do ponto de vista de Eros procura o contrário, que o compensa, na vontade de poder. Mas quem põe a tônica no poder, compensa-o com Eros. [&#8230;] É no oposto que se acende a chama da vida.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Portanto, segundo a psicologia junguiana, o amor (Eros) é necessário para contrabalançar o poder estabelecido pela consciência e restabelecer a conexão entre os seres humanos e o mundo natural.</strong> Ele poderá trazer a beleza e o reencantamento para as pessoas poderem se reconectar ao mundo natural (como John Seeds propõe na citação de Roszac) e ajudar na promoção de uma mudança de paradigma que dê mais ênfase ao inconsciente, às raízes ancestrais. A consciência brota do inconsciente, tem suas raízes no inconsciente e, portanto, ao perder sua base nas raízes distanciou-se do inconsciente. Segundo Jung, “alienar-se do inconsciente e alienar-se do condicionamento histórico é sinal de falta de raízes” (JUNG,2013c, p.59) e complementa afirmando que “um dos mais graves males psíquicos” é “a perda das raízes que não só é perigosa para as tribos primitivas, mas também para o homem civilizado.” (JUNG,2013b, p. 114)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reverter essa questão é em primeiro plano necessário identificá-la para poder se desidentificar dela. Faz-se necessário uma ampliação da consciência (“uma profunda revolução na consciência humana”, como citado acima), reduzindo a sua unilateralidade, para que o inconsciente possa se restabelecer: conscientizar a consciência da inconsciência do perigo de sua <em>hybris</em>. O poder precisa ser compensado por Eros, pelo amor. Assim o poder dividirá espaço com o amor à natureza, os deuses realojar-se-ão na natureza, e alma do mundo terá novamente o seu lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir disso compreende-se a importância de se olhar para o Bem-Viver que pressupõe uma relação harmoniosa com o próprio ser, o território e todos os seres, respeitando uma ancestralidade natural. Os seres humanos pertencem à teia da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-discursou-o-chefe-seattle-ao-presidente-franklin-pierce-em-1854-quando-este-quis-adquirir-a-terra-que-os-povos-originarios-habitavam" style="font-size:17px">Como discursou o chefe Seattle ao presidente Franklin Pierce, em 1854, quando este quis adquirir a terra que os povos originários habitavam:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida: ele é meramente um fio dela. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará.” (Chefe Seattle apud WERÀ, 2024, p.167)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Somos internos à alma do mundo, à Natureza, ao inconsciente. Portanto sugiro que o Bem-Viver, que nesse ponto conversa com a psicologia junguiana, também poderá ajudar para a mudança de um paradigma onde o mundo foi objetificado, coisificado, para um paradigma de um mundo com alma. Concluo com as palavras de <strong>Kaká Werá</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>No bem-viver, a riqueza e a beleza estão nesse lugar interior representado pelo coração, que, por sua vez, com toda a certeza irá refletir, sim, em riqueza e beleza exterior, devido à ênfase na qualidade das relações e no cuidado com o espaço onde se vive.</strong> (WERÁ, 2024, p.21)</em></p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📃Artigo novo: O Bem-Viver, o Amor e a Consciência Contemporânea" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/yzhHKrPzlrs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Walzberg – Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/"><strong>Ajax Perez Salvador – Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BALESTRINI JUNIOR, J. L.; TORRES, L., <em>A Consciência: </em>um campo interacional e dialético. In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p.&nbsp;231-271.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, J., <em>Anima</em>: a psicologia arquetípica do lado feminino da alma no homem e sua interioridade na mulher. 2.ed. São Paulo: Pensamento Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A Natureza da Psique</em>.10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>A prática da psicoterapia</em>: contribuições ao problema da psicoterapia e à psicologia da transferência. 16.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________A vida simbólica: escritos diversos. 4.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</em>. 9.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Civilização em transição</em>. 6.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________<em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>.11. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Psicologia do Inconsciente</em>. 24.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.; JAFFÉ, A. (Org.); <em>Memórias, sonhos e reflexões</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.; WILHELM, R., <em>O segredo da flor de ouro</em>: um livro de vida chinês. 15 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROSZAK, T.; GOMES, M. E.; KANNER, A. D. <em>Ecopsychology: </em>Restoring the earth, healing the mind. San Francisco: Sierra Club Books, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WERÁ, K., <em>Tekoá</em>: uma arte milenar para o bem-viver. Rio de Janeiro: Best Seller, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-bem-viver-o-amor-e-a-consciencia-contemporanea/">O Bem-Viver, o Amor e a Consciência Contemporânea</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[complexos]]></category>
		<category><![CDATA[corpo e psique]]></category>
		<category><![CDATA[figuras inconscientes]]></category>
		<category><![CDATA[imagem]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[libido de parentesco]]></category>
		<category><![CDATA[padrões]]></category>
		<category><![CDATA[pareidolia]]></category>
		<category><![CDATA[pareidolie]]></category>
		<category><![CDATA[projeção]]></category>
		<category><![CDATA[Rorschach]]></category>
		<category><![CDATA[teste de Rorschach]]></category>
		<category><![CDATA[teste psicológico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=11713</guid>

					<description><![CDATA[<p>Esta &#160;nuvem ☁️ se parece com 🐑 &#8230; A arte de ver&#8230; Resumo: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/">Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-b173bf72ce08d36b38a225f7d6f3e8b1 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>Esta &nbsp;nuvem ☁️</em> <em>se parece com 🐑</em> <em>&#8230;</em></p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-ff20a91b3bcd8e749c35091eab0b2086 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>A arte de ver&#8230;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma reflexão traçando um paralelo entre eles.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desde criança olho para as nuvens e vejo figuras, assim como nas dobras de cobertores, na superfície de pedras, no formato das montanhas, em manchas em geral. E você? Já observou nuvens e nelas identificou alguma forma ou figura? Viu alguma mancha que te remeteu a algo parecido? Já se perguntou sobre a origem dos nomes pico das Agulhas Negras ou do morro do Pão de Açúcar? Ou, ainda, do termo “Bico de Papagaio” observado em radiografias?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Descobri que isso tinha uma denominação: pareidolia. Existiria esse termo na psicologia junguiana? Haveria alguma relação com a libido de parentesco?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse artigo proponho, a partir dessas questões acima colocadas, uma reflexão sobre pareidolia e libido de parentesco, trazendo a visão da psicologia junguiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Primeiro será apresentado o termo pareidolia, sua história e ocorrência. Na sequência o conceito de libido de parentesco será abordado trazendo a visão de C. G. Jung. Após essa exposição inicial será feita uma breve reflexão relacionando ambos os termos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 1886, o psiquiatra alemão Karl Ludwig Kahlbaum introduziu o termo “<em>Pareidolie</em>” em seu artigo &#8220;<em>Die Sinnesdelierien</em>” (Sobre a ilusão dos sentidos). No ano seguinte o termo foi adotado na língua inglesa como pareidolia, sendo definido como uma “&#8230;alucinação mutável, alucinação parcial, [e] percepção de imagens secundárias.&#8221; <a>(Wikipedia, 2025)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Etimologicamente pareidolia deriva do grego <em>παρά</em> (para) &#8211; ao lado, junto a, em vez de &#8211; e do substantivo <em>εἴδωλον</em> (eídōlon) &#8211; imagem, forma, figura. (Wikipedia, 2025)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-e-uma-producao-normal-da-psique-a-consciencia-tende-a-achar-padroes-mesmo-onde-nao-ha-para-organizar-uma-situacao-caotica" style="font-size:19px">A pareidolia é uma produção normal da psique. A consciência tende a achar padrões mesmo onde não há para organizar uma situação caótica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Possivelmente essa tendência já se encontrava nos primeiros seres humanos e pode ser considerada como sendo uma raiz instintiva de grande valor para a sobrevivência por identificar precocemente ameaças e rostos. (Ungvarsky, J., 2023). Segundo Magaldi (2025): “<strong><em>O cérebro é uma máquina de achar padrões, mesmo onde não há. Por isso acontecem os fenômenos de Apofenia e Pareidolia. Vemos rostos em nuvens, constelações no caos</em></strong>.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pareidolia-pode-ser-definida-como" style="font-size:19px"><strong>Pareidolia pode ser definida como:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>a tendência da percepção de impor uma interpretação significativa a um estímulo nebuloso, geralmente visual, de modo que se detecte um objeto, padrão ou significado onde não há nenhum. Pareidolia é um tipo específico, mas comum, de apofenia (a tendência de perceber conexões significativas entre coisas ou ideias não relacionadas). (Wikipedia, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Há muitos relatos sobre ver figuras nas nuvens, em meio de folhas, em pedras, em manchas presentes em diferentes materiais e objetos.&nbsp; Alguns artistas usaram as manchas como inspiração, espontaneamente davam sentido às formas indefinidas e as associavam a formas conhecidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Elas são um estímulo à imaginação e à fantasia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A mancha é como uma massa indiferenciada da qual surge o desenho (figura, forma) que se apresenta como o seu oposto, com linhas e contornos definidos. Ela se caracteriza pela instabilidade, por contornos difusos ou complexos, onde não há definição rígida ou fixa e, por isso, tem o potencial de se parecer com qualquer coisa. (PAYO, 2000)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referindo-se-a-joseph-beuys-que-usava-materiais-gordurosos-para-suas-obras-que-se-caracterizavam-por-manchas-sem-contornos-definidos-payo-2000-coloca-que" style="font-size:19px"><strong>Referindo-se à Joseph Beuys que usava materiais gordurosos para suas obras, que se caracterizavam por manchas sem contornos definidos, Payo (2000) coloca que:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Beuys aproveita precisamente esse efeito psicológico, quase mágico ou xamanístico que determinadas matérias cruas ou naturais têm de nos perturbar pela sua inevitabilidade, independente da nossa vontade ou controlo.</p><cite><em>PAYO, 2000, p. 25</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Artistas de diferentes movimentos usaram a mancha como fonte de inspiração, fizeram uso da pareidolia, para criar suas obras. Leonardo da Vinci descreve em seu famoso &#8220;Trattato della Pittura” ver diferentes padrões em manchas de diversos objetos (também cita o mesmo em sons) onde aconselha outros artistas a também se inspirarem nelas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se observas uma parede atacada de manchas ou constituída de pedras de tipos diferentes, e tens de imaginar uma cena qualquer, verás no dito muro paisagens variadas, montanhas, rios, rochedos, árvores, planícies, vales extensos e diferentes agrupamentos de colinas. Descobrirás igualmente combates e figuras de movimentos rápidos, estranhos esboços de rostos e trajes exóticos e uma infinidade de coisas que poderás transformar em formas diferenciadas e bem concebidas. Acontece com esse tipo de paredes e aglomerados de pedras diferentes como o som dos sinos em que cada sino evoca o nome ou a palavra que tu imaginas. Não menosprezes o meu conselho, quando te lembro que não te deveria ser difícil parar por vezes para ver nas manchas das paredes, nas cinzas do fogo, ou nas nuvens, na lama ou coisas semelhantes: se as considerares com atenção, encontrarás nelas ideias verdadeiramente maravilhosas. O espírito do pintor deixa-se estimular com novas invenções, composições de batalhas de animais ou de homens, diversas composições de paisagens e coisas monstruosas, tais que diabos e coisas semelhantes que te poderiam honrar, pois que é nas coisas confusas que o espírito encontra matéria para novas invenções.</p><cite><em>Da Vinci, L apud Payo, M.S., 2000, p.12</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além de <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Leonardo_da_Vinci?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Leonardo da Vinci</a> outros artistas renascentistas inspiraram-se nelas como <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Andrea_Mantegna?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Andrea Mantegna</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giotto?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giotto</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Hans_Holbein_the_Younger?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Hans Holbein</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giuseppe_Arcimboldo?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giuseppe Arcimbold</a>o; entre os surrealistas Salvador Dali, Max Ernst; em Andy Warhol com suas “Rorschach Paintings” (Pop Art); em Joseph Beuys (Neodadaísmo); entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-se-constata-na-arquitetura-mesquitas-do-seculo-xiii-na-turquia-por-exemplo-na-religiao-como-imagens-de-jesus-da-virgem-maria-hanuman-deus-macaco-hindu-e-mais-recentemente-na-visao-computacional-nos-programas-de-reconhecimento-de-imagem" style="font-size:19px">A pareidolia se constata na arquitetura (mesquitas do século XIII na Turquia, por exemplo), na religião (como imagens de Jesus, da Virgem Maria, Hanuman &#8211; “Deus Macaco” hindu) e, mais recentemente, na visão computacional (nos programas de reconhecimento de imagem).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Andy Warhol, na série <em>Rorschach’s</em> de 1984, comenta sobre as manchas e o psicologismo que elas parecem comumente inferir. Para Mia Fineman, Warhol sugere através dessa série que mesmo as formas ingenuamente abstratas se transformam em “conteúdos literários – tais como uma árvore ou um pássaro ou uma flor.” (PAYO, 2000, p.25) Andy Warhol baseou-se nas pranchas do teste de Rorschach para produzir suas obras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-teste-de-rorschach-nbsp-tambem-conhecido-por-nbsp-teste-do-borrao-de-tinta-teste-projetivo-ou-de-autoexpressao-nbsp-foi-desenvolvido-pelo-psiquiatra-e-nbsp-psicanalista-freudiano-nbsp-suico-nbsp-hermann-rorschach-1884-1922" style="font-size:19px">O teste de Rorschach &#8211; &nbsp;também conhecido por&nbsp;&#8220;teste do borrão de tinta&#8221;, teste projetivo ou de autoexpressão &#8211; &nbsp;foi desenvolvido pelo psiquiatra e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista">psicanalista</a> freudiano&nbsp;suíço&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_Rorschach">Hermann Rorschach</a> (1884 – 1922).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ele, na infância era chamado de <em>Klecks</em> (mancha de tinta), pois jogava <em>Klecksographie</em>, um jogo do século XIX, cujo objetivo era criar pequenos poemas a partir de manchas abstratas de tinta. A brincadeira tinha como base a pareidolia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse teste se utiliza de uma avaliação psicológica pictórica. São usadas pranchas com manchas simétricas e, após a visualização delas, a pessoa responde com o que se parecem as manchas e, através das respostas, avalia-se a sua dinâmica psicológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-rorschach-se-baseou-no-conceito-freudiano-da-projecao-onde-aspectos-inconscientes-da-personalidade-se-projetam-nesse-caso-nas-manchas-de-tinta" style="font-size:19px"><strong>Rorschach se baseou no conceito freudiano da projeção onde aspectos inconscientes da personalidade se projetam, nesse caso, nas manchas de tinta</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção clássica freudiana é descrita como um mecanismo de defesa onde características negativas da personalidade são projetadas em um objeto de maneira inconsciente. Rorschach fez uso do teste na psiquiatria, principalmente para o diagnóstico da esquizofrenia. (Wikipedia, 2019)&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa tendência, descrita acima como pareidolia, repete-se em várias áreas, desde a arte, na medicina, em jogos lúdicos&#8230;, e em várias culturas, há muito tempo como um instinto de sobrevivência, com isso podemos supor que está relacionada com uma camada mais profunda da psique, uma camada coletiva. Desse modo poderemos talvez entender a pareidolia mais profundamente pela teoria junguiana traçando um paralelo com a libido de parentesco abordada por Jung em sua obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung, em suas <strong>Obras Completas</strong>, parece não citar o termo pareidolia, nem Karl Ludwig Kahlbaum &#8211; que o introduziu -, no entanto, encontram-se citações sobre a técnica de <em>Rorschach</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, o teste de Rorschach é uma espilografia (palavra de etimologia grega que significa desenho de manchas) ou Klecksographie (palavra por ele utilizada), que evita qualquer instigação de sentido e que produz “<strong>um fantasma puramente subjetivo</strong>”. (JUNG, 2013e, p.119)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung também se refere ao <strong>Teste de Rorschach</strong> ao escrever sobre a caracterologia que é composta por características físicas e psíquicas, pois o “caráter é a forma individual estável da pessoa” que é de natureza física e corporal. <strong>Corpo e alma são inseparáveis, pois na natureza há uma continuidade que impossibilita a separação de ambos</strong>. Portanto, seria possível tirar conclusões das características psíquicas a partir do corpo e das corpóreas a partir da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As características advindas do corpo pela psique são mais fáceis de serem compreendidas, pois o corpo é visível, mais conhecido. No entanto, a psique é mais obscura, menos explorada e dela obtemos apenas informações indiretas, por meio das funções da consciência que também podem falhar. Por isso a caracterologia, para Jung (2013d, p. 529 &#8211; 530), sempre se apoiou em um caminho “que vai de fora para dentro, do conhecido para o desconhecido, do corpo para a alma”, como se observou na astrologia, quiromancia, grafologia e na técnica de <em>Rorschach</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O caminho contrário que possibilitaria constatar expressões físicas a partir de fatos psíquicos é mais difícil devido a constatação dos fatores psíquicos, pois nós somos psique e, portanto, “<strong><em>é quase inevitável que, ao darmos livre curso ao processo psíquico, sejamos nele confundidos e fiquemos privados de nossa capacidade de reconhecer distinções e fazer comparações</em></strong>.” (JUNG, 2013d, p.531)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da sintomatologia os processos psíquicos subjacentes foram sendo conhecidos e, Jung afirma que, a base desses sintomas são os próprios processos psíquicos. Portanto, a partir da psicopatologia foi possível fazer uma fenomenologia psíquica que seria a própria teoria dos complexos. (JUNG, 2013d, p.532).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complexos-sao-conteudos-ativos-da-psique-com-nucleo-arquetipico-carregados-de-afeto-que-tem-certa-autonomia-e-nao-se-submetem-ao-controle-da-consciencia-podendo-nela-interferir" style="font-size:19px">Complexos são conteúdos ativos da psique, com núcleo arquetípico, carregados de afeto, que tem certa autonomia e não se submetem ao controle da consciência, podendo nela interferir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Apresentam-se como “um sintoma valioso para diagnosticar uma disposição individual”, pois têm características de conflito e discordância que mostram ao indivíduo um sofrimento ou algo não resolvido e, com isso, trazem a possibilidade para o indivíduo perceber a sua inadequação de adaptação. Atuam nos indivíduos de forma totalmente singular (JUNG, 2013d, p.533 &#8211; 535).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Eles se estabelecem por semelhanças e analogias (JUNG, 2013c, p.79). O complexo forte tem como característica assimilar tudo o que puder (JUNG, 2013c, p.96). Os complexos de tonalidade afetiva, que eram considerados falhas de reação nas experiências de associação, foram descobertos por Jung por meio da assimilação. (JUNG, 2013a, p. 40)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>A assimilação é um comportamento autônomo da psique onde o indivíduo apresenta uma tendência a se comportar de acordo com um condicionamento psíquico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na assimilação um novo conteúdo psíquico é registrado pela consciência como se fosse um conteúdo já conhecido, devido a sua semelhança com um conteúdo conhecido. Desse modo pode-se perder o que teria de diferente para ser observado no objeto externo, pois a imagem recordada toma o seu lugar. O complexo assimila a nova forma (como se já fosse conhecida); “a consciência assume o papel de complexo assimilante”. (JUNG, 2013a, p.40-41) </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung-a-assimilacao" style="font-size:19px"><strong>Nas palavras de Jung a assimilação:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É a aproximação de um novo conteúdo da consciência de um material subjetivo que está à disposição, em que é ressaltada sobremodo a semelhança do novo conteúdo com o material subjetivo disponível, às vezes em detrimento da qualidade autônoma do novo conteúdo. A assimilação é basicamente um processo de apercepção que se distingue, porém, da pura apercepção pelo elemento de aproximação do material subjetivo.</p><cite>JUNG, 2013d, p.432</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A assimilação também pode ser compreendida como uma “<strong>interpenetração recíproca de conteúdos conscientes e inconscientes</strong>” onde, nesse caso, a consciência não avalia unilateralmente, não reinterpreta, nem distorce os conteúdos do inconsciente. (JUNG, 2012, p.35)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entende-se-por-apercepcao-a-psiquificacao-da-percepcao" style="font-size:19px">Entende-se por apercepção a psiquificação da percepção.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A psiquificação seria a assimilação de um fator extra psíquico, por exemplo um instinto extra psíquico, por uma estrutura psíquica complexa, tornando esse instinto um fenômeno psíquico <a>(JUNG, 2013a, p.61)</a>. Por exemplo, ao perceber um ruído o indivíduo o apercebe quando ele se psiquifica, ou seja, quando o ruido percebido como onda mecânica apreendida pelos órgãos sensoriais (estrutura fisiológica) se torna para o indivíduo aquele ruido que abarca muitos significados singulares e coletivos, nesse momento esse ruido se psiquificou (<a>JUNG, 2013a</a>, p.84). A apercepção tem uma complexidade psíquica na qual vários processos psíquicos atuam (pensamento, sensação, sentimento e intuição) e ela pode ser dirigida (racional) ou não dirigida (irracional). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Portanto, quando olhamos para uma mancha inicialmente haverá a percepção por meio dos sentidos e através da psiquificação apercebe-se a imagem, que é assimilada por um complexo e experienciada pelo indivíduo.&nbsp; <strong>Tudo é vivenciado e experienciado através da psique, pois é apenas através da realidade psíquica que podemos nos relacionar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-pergunta-o-leitor-onde-fica-a-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">E, pergunta o leitor, <strong>onde fica a libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung denominou a libido de parentesco ao analisar o incesto como uma relação endógama que equivaleria a uma libido que “tende a manter a coesão da família em seu sentido mais restrito”. Seria como um instinto muito importante com a função de manter o grupo familiar unido, a exemplo dos cães pastores. (JUNG, 2012, p.108-109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013d-p-474-libido-e-o-mesmo-que-energia-psiquica-onde-energia-e-o-valor-psicologico-determinado-pela-intensidade-do-processo-psiquico" style="font-size:19px"><strong>Para Jung (2013d, p.474) libido é o mesmo que energia psíquica</strong>, onde energia é o valor psicológico determinado pela intensidade do processo psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-as-afinidades-ou-seja-as-semelhancas-e-analogias-conferidas-pela-familiaridade-e-pelo-incesto-conferem-a-assimilacao-um-carater-de-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">As afinidades, ou seja, as semelhanças e analogias, conferidas pela familiaridade e pelo incesto, conferem à assimilação um caráter de libido de parentesco:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>o perigo da “afinidade” com suas projeções falaciosas e sua tendência de assimilar o objeto no sentido da projeção, isto é, de conferir-lhe um caráter familiar, a fim de concretizar a situação incestuosa secreta: quanto menor o discernimento a respeito, tanto maior a atração e o fascínio que ela exerce.</p><cite>JUNG, 2012, p.126</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A libido de parentesco é um instinto próprio da natureza &#8211; que pode ser vista no caso do incesto como algo contra a natureza-, porém, seguir uma forte atração pelo semelhante é próprio da natureza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É contra a natureza cometer um incesto e é contra a natureza não seguir uma forte atração. E, no entanto, também é a natureza que obriga a uma tal atitude, uma vez que se trata da libido de parentesco.&nbsp;</p><cite>JUNG, 2012, p.148</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-quando-sao-vistas-as-figuras-nas-diferentes-manchas-pode-se-falar-em-pareidolia-e-ou-em-libido-de-parentesco" style="font-size:19px"><strong>Afinal, quando são vistas as figuras nas diferentes manchas pode-se falar em pareidolia e/ou em libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nessa pergunta estaria embutida uma pareidolia ou libido de parentesco, devido ao fato de haver uma sugestão de semelhança e analogia? Ao traçar um paralelo entre pareidolia e libido de parentesco observam-se semelhanças e diferenças. Ambos os termos são considerados condições normais da psique, involuntárias, que tendem a buscar semelhança entre objetos conhecidos pelo sujeito com objetos desconhecidos ou indefinidos apresentados a ele. Têm a função de organizar, aumentar a coesão de aspectos conhecidos e, com isso, diminuem o caos, a desordem e a tensão psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Inicialmente, o termo pareidolia foi usado para uma técnica baseada na projeção clássica freudiana onde, na sua maioria, aspectos negativos eram projetados do inconsciente &#8211; correspondente a uma parte dos aspectos que compõem o inconsciente pessoal da psicologia analítica. O inconsciente pessoal contém memórias perdidas, ideias reprimidas, percepções subliminares e conteúdos que não atingiram a consciência por não terem energia suficiente. (MGALDI, 2022, p.71).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013e-p-23-a-projecao-e-a-transferencia-de-algo-inconsciente-para-um-objeto-que-pode-ser-tanto-do-inconsciente-pessoal-quanto-do-coletivo" style="font-size:19px">Para Jung (2013e, p.23) a projeção é a transferência de algo inconsciente para um objeto, que pode ser tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, a técnica de Rorschach se baseou em aspectos externos para determinar aspectos internos (de fora para dentro, do corpo para a alma). Na libido de parentesco, pelo contrário, vimos que é uma forma de ver a partir dos complexos que assimilam os conteúdos, seria a visão de dentro para fora, da alma para o corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-libido-de-parentesco-e-um-instinto-e-instintos-sao-constituintes-do-inconsciente-coletivo" style="font-size:19px"><strong>Libido de parentesco é um instinto e instintos são constituintes do inconsciente coletivo</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na libido de parentesco, sendo uma tendência que vem de dentro para fora, tem-se também a influência de padrões coletivos. Essa tendência de coesão entre aspectos conhecidos pode deixar de fora aspectos que são diferentes, que trazem algo desconhecido e isto pode fazer com que o complexo ganhe mais energia, por um lado, mas que eventualmente se <strong>unilateralize</strong> por outro. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Talvez os artistas por acessarem mais facilmente o inconsciente coletivo possam fazer um uso mais intenso e constante dessas tendências. O artista, para Jung (2013b, p.104, grifo do autor), é um “<em>homem coletivo</em>, portador e plasmador da alma inconsciente e ativa da humanidade”. Seria interessante nesse sentido observar uma ligação mais forte com o termo libido de parentesco. Como anteriormente mencionado, Leonardo da Vinci, Andy Warhol e outros artistas fizeram uso de tendências assimiladoras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2013e-referindo-se-a-tecnica-de-rorschach-compara-a-a-arte-moderna-pela-falta-de-instigar-um-sentido-e-por-produzir-um-fantasma-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>Jung (2013e) referindo-se à técnica de Rorschach compara-a à Arte Moderna pela falta de instigar um sentido e por produzir um “fantasma subjetivo</strong>”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Baseando-se nisso fez um experimento com um quadro do modernista Yves Tanguy. Menciona que a Arte Moderna tem a tendência de “tornar o objeto irreconhecível e assim barrar a participação e a compreensão do observador, que, chocado e confuso, sente-se jogado contra si mesmo.” (JUNG, 2013e, p. 109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-compara-isso-ao-efeito-psicologico-produzido-pelo-teste-de-rorschach-que-traz-o-inconsciente-a-participar-da-situacao-trazendo-um-fator-subjetivo-que-aumenta-a-carga-energetica-assemelhando-se-aos-testes-iniciais-de-associacao" style="font-size:19px">Jung compara isso ao efeito psicológico produzido pelo teste de <em>Rorschach </em>que traz o inconsciente a participar da situação, trazendo um “fator subjetivo” que aumenta a carga energética assemelhando-se aos testes iniciais de associação:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O efeito psicológico é comparável ao teste de Rorschach, em que um quadro puramente casual irracional apela para as forças igualmente irracionais da imaginação do espectador fazendo com que a sua disposição inconsciente participe do jogo. Onde o interesse manifestado é interrompido tão bruscamente, ele recai sobre o assim chamado &#8220;fator subjetivo&#8221;, aumentando sua carga energética &#8211; fenômeno claramente expresso nos testes iniciais de associação.</p><cite>JUNG, 2013e, p.109-110</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, se notam reações perturbadas que são provocadas pela intromissão de conteúdos inconscientes. &nbsp;A Arte Moderna pode ser instigadora de uma reação involuntária fazendo com que um fator subjetivo desperte um interesse relacionado à alma e, com isso, pode-se realizar uma análise mais profunda dos complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto os testes de <em>Rorschach</em>, quanto o teste de associação, quanto a Arte Moderna fornecem “<strong>informações sobre a constituição dos subestratos da consciência</strong>.” (JUNG, 2013e, p.110)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode-se inferir que a pareidolia e a libido de parentesco estão presentes na técnica de <em>Rorschach, </em>nos testes de associação e na arte de vários movimentos, assim como no dia a dia do ser humano: as manchas podem te instigar a refletir sobre algo muito mais profundo, pois cada indivíduo terá uma experiência psíquica singular frente a essas tendências.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo - Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/GSRea_SzwP4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Walzberg – Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Ab-reação, análise dos sonhos, transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>A natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>O espírito na arte e na ciência</em>. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Psicogênese das doenças mentais</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. <a>Petrópolis: Vozes, 2013</a>d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Um mito moderno sobre coisas vistas no céu</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013e.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, S. (2022) <em>Inconsciente Coletivo e inconsciente pessoal</em>. &nbsp;In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p. 61-76.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. (2025) <em>A orquestra oculta do universo produz a sincronicidade e a dança da realidade.</em> Disponível em: <a href="https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/">https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/</a> Acesso em: 29 out 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAYO, M. S. (2000) <em>Da mancha no desenho</em>. In: Relatório de aula teórico-prática, Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica, assistente estagiário Lic. Pintor. Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes. Disponível em: <a href="https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf">https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf</a> Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNGVARSKY, J. (2023) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: <a href="https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true">https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true</a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2019) <em>Teste de Rorschach</em>. Disponível em:&nbsp; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach">https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach</a><a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2025) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: (<a href="https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge</a> &nbsp;Acesso em: 29 out 2025.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png" alt="" class="wp-image-11717" style="width:741px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/">Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Banho de Floresta e Participação Mística</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/banho-de-floresta-e-participacao-mistica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 20:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Estresse]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[participação mistica]]></category>
		<category><![CDATA[reconexãointerna]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10904</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8230; Adentrei a vida da floresta marrom,E a grande vida dos antigos cumes, a paciência da pedra, senti as mudanças nas veiasNa garganta da montanha, um grão em muitos séculos, temos nosso tempo, não o seu; e fui o riachoEscoando os galhos da floresta; e fui o alce bebendo; e fui as estrelasFervendo de luz, [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/banho-de-floresta-e-participacao-mistica/">Banho de Floresta e Participação Mística</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><em>&#8230; Adentrei a vida da floresta marrom,<br>E a grande vida dos antigos cumes, a paciência da pedra, senti as mudanças nas veias<br>Na garganta da montanha, um grão em muitos séculos, temos nosso tempo, não o seu; e fui o riacho<br>Escoando os galhos da floresta; e fui o alce bebendo; e fui as estrelas<br>Fervendo de luz, vagando solitárias, cada qual senhora de seu próprio ápice; e fui a escuridão<br>Ao redor das estrelas, incluí-as, elas eram parte de mim. Fui ainda a humanidade, um líquen móvel<br>Na face da pedra redonda&#8230;<br>&#8230; como posso expressar a dignidade que encontrei, que não tem cor, mas clareza;<br>Não o mel, mas o êxtase&#8230;</em></p><cite>Jeffers, Robinson apud <a>Macy, J; Brown</a>, M. Y., 2004, p. 37-38</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: Neste artigo aborda-se a aproximação da experiência de (re)conexão do <strong>banho de floresta</strong> com o termo <strong>participação mística </strong>presente na narrativa junguiana. Ambos os temas são apresentados enfatizando-se aspectos que os aproximam. Essa reflexão traz a importância de uma mudança de perspectiva dos seres humanos em relação à natureza para atravessar a crise que afeta o planeta Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Referindo-se às estrofes acima <strong>Macy</strong> e <strong>Brown</strong> (2004) colocam a importância de haver mudanças nos seres humanos em relação ao mundo natural para um despertar de uma grande mudança (Grande Virada) que possua uma base cognitiva, espiritual e perceptiva para a humanidade passar pela crise que afeta o planeta Terra:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-mudanca-em-nosso-senso-de-identidade-salvara-vidas-nos-traumas-sociopoliticos-e-ecologicos-que-nos-aguardam-macy-brown-2004-p-38" style="font-size:19px">“<strong>Essa mudança em nosso senso de identidade salvará vidas nos traumas sociopolíticos e ecológicos que nos aguardam</strong>.” (MACY; BROWN, 2004, p.38)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com essa colocação pontuo a importância de uma mudança de perspectiva dos seres humanos em relação à natureza trazendo relevância para a seguinte reflexão: poderia a experiência de (re)conexão do <strong>Banho de Floresta</strong> ser aproximada do termo participação mística presente na narrativa junguiana? Essa questão me surgiu ao participar de Banhos de Floresta e ao ouvir o relato de outros participantes (que conduzi ou foram conduzidos por outros guias de Banho de Floresta).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Serão abordados a seguir, de forma breve, o <strong>Banho de Floresta</strong> e a <strong>Participação Mística</strong>, com ênfase em aspectos que os aproximam.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-banho-de-floresta-ou-shinrin-yoku" style="font-size:22px">Banho de Floresta ou <em>Shinrin-Yoku</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Banho de Floresta é também conhecido pelo termo <a><em>Shinrin-Yoku</em></a>. <em>Shinrin</em> traduz-se como floresta e <em>Yoku</em> pode ser traduzido por banhar-se. De forma mais abrangente é possível compreender <em>Shinrin-Yoku</em> como banhar-se na atmosfera da floresta com todos os sentidos despertos. (cf. SELHUB; LOGAN, 2012) Essa expressão foi criada no Japão por Tomohide Akiyama, em 1982, que teve como objetivo ter uma marca única que associasse o ecoturismo de florestas com saúde e bem-estar. (cf. CLIFFORD, 2018)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Os Banhos de Floresta, no entanto, são práticas com <strong>raízes ancestrais</strong>. O xintoísmo, religião tradicional japonesa que teve forte influência na formação do povo japonês, acredita no poder curativo das florestas e tem a visão de que todas as coisas &#8211; rios, montanhas, árvores&#8230; &#8211; são habitadas por espíritos. Povos originários por todo o planeta sempre buscaram a cura em meio ao mundo natural: colhendo ervas, raízes, fazendo rituais e entrando em relação com outros seres.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-onde-houver-povos-tradicionais-e-florestas-ha-praticas-terapeuticas-baseadas-na-floresta-clifford-2018-p-23" style="font-size:19px">“Onde houver povos tradicionais e florestas, há práticas terapêuticas baseadas na floresta.” <a>(CLIFFORD, 2018, p 23)</a></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Vários benefícios a nível físico e psíquico estão sendo comprovados atualmente para o ser humano que participa do <em>Shinrin-Yoku. </em>Benefícios como diminuição do stress, da ansiedade e dos sintomas depressivos; melhora no sono e na sensação de vivacidade foram confirmados por pesquisas realizadas por uma equipe na Universidade de Chiba pelo Centro de Meio Ambiente, Saúde e Serviços de Campo. Em outras pesquisas resultados objetivos de queda de cortisol, frequência cardíaca e pressão arterial foram constatados, que afetam o sistema circulatório e nervoso parassimpático, o que resulta em diminuição do stress (cf. SELHUB; LOGAN, 2012, p.19). </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O aumento da imunidade foi outro benefício constatado, segundo Li e colaboradores (2009) pelo aumento das células assassinas naturais humanas (células NK) após a exposição a fitoncidas de árvores, presente em florestas. &nbsp;A consideração dos resultados das pesquisas científicas atuais relacionadas aos Banhos de Floresta e o reconhecimento e aceitação da natureza como parte dos seres humanos é de extrema importância, pois acarretará numa grande influência na sobrevivência de indivíduos, de nações e do planeta. Pode-se entender que o cérebro é influenciado pela natureza e responde ao ambiente natural, isso influencia diretamente na saúde dos seres humanos e do planeta, além de diminuir o distanciamento da natureza que leva a um menor envolvimento perante a crise ambiental (cf. SELHUB; LOGAN, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante a prática do Banho de Floresta os sentidos são percebidos, os pensamentos vão diminuindo de intensidade e há um foco no estado presente que faz com que a floresta seja percebida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-permitimos-que-a-floresta-ocupe-o-seu-lugar-dentro-de-nos-ela-ajuda-a-capacidade-natural-de-cura-e-bem-estar-do-nosso-corpo-clifford-2018-p-nbsp-20" style="font-size:19px">“Quando permitimos que a floresta ocupe o seu lugar dentro de nós, ela ajuda a capacidade natural de cura e bem-estar do nosso corpo.” (CLIFFORD,2018, p.&nbsp; 20)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O foco da prática é a ligação e a relação, sentir e experienciar o pertencimento ao mundo natural, o ritmo é lento (diferenciando-se de uma caminhada), busca-se o silêncio e a imobilidade. Segundo <strong>Clifford</strong> (2018, p. 22):</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Tomar um banho de floresta é ficar imerso num estado de graça que permeia o mundo, sentir um poder imanente e uma beleza que estão em todo o lado, a sussurrar. É a nossa herança humana enquanto membros da comunidade da Terra, não apenas para ouvir esses sussurros, mas para lhes juntarmos as nossas próprias vozes. Se aprendermos isto, talvez possamos começar a reparar alguns dos danos que a nossa espécie causou e encontrar novas maneiras de cuidar do bem-estar do vasto mundo selvagem.</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Banho de Floresta é uma prática de conexão com o mundo natural e que, segundo Li (2018), traz um sexto sentido além dos cinco sempre mencionados – tato, paladar, visão, olfato, audição – que proporciona uma conexão além do limite humano, uma conexão com o mundo. Segundo o autor é uma sensação de felicidade e de entusiasmo, de transcendência, que quando experienciada pode-se dizer que realmente ‘banhou-se em uma floresta’.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Após essa breve apresentação sobre o Banho de Floresta será apresentada a Participação Mística presente na psicologia junguiana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-participacao-mistica-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp" style="font-size:22px">Participação Mística&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O antropólogo, filósofo, escritor, sociólogo e professor universitário da universidade de Paris, Lucien Lévy-Bruhl (Paris,1857 – id.,1939) (cf. WIKIPÉDIA, 2013) descreveu o termo <em>participation mystique. </em><strong>Elealega</strong> que a participação mística ocorre nos povos originários, pois estes não compreendem a alma (psique) como uma unidade. Muitos deles acreditam ter uma “alma do mato” além da sua própria (em algum animal selvagem ou árvore) com a qual mantem uma identidade psíquica. <strong>Lévy-Bruhl </strong>chega a retirar essa descrição que fez, devido às críticas ocorridas, mas Jung acredita que seus críticos foram injustos (cf. JUNG, 2009) e afirma que é “<strong>um fenômeno psicológico bem conhecido o de um indivíduo identificar-se, inconscientemente, com alguma outra pessoa ou objeto</strong>.” (JUNG, 1995, p.24).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A participação mística é um fato psicológico onde “<strong>entre o sujeito e o objeto não há aquela distinção absoluta que se encontra em nossa mente racional. O que acontece fora, acontece também dentro dele, e o que acontece dentro dele, acontece também fora</strong>.” (JUNG, 2013a, p.98)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É a partir do inconsciente que a consciência se desenvolveu e ainda continua em processo de desenvolvimento. Estima-se que esse processo trabalhoso e lento alcançou o estado de civilização por volta de 4000 a.C. com a invenção da escrita, mas que ainda está longe de sua conclusão, pois muitas partes da alma humana ainda se encontram na escuridão (cf. JUNG, 1995).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-2009-p-23-a-psique-constituida-pela-consciencia-e-pelo-inconsciente-e-uma-parte-da-natureza-e-como-esta-ilimitada" style="font-size:19px">Segundo Jung (2009, p.23), a psique (constituída pela consciência e pelo inconsciente) é uma parte da natureza e, como esta, ilimitada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A consciência ainda não chegou a um grau razoável de continuidade, ocorrendo ainda fragmentações. O ser “civilizado” tem a capacidade de se concentrar em determinada situação, mas acaba suprimindo aspectos psíquicos que podem emergir espontaneamente sem a consciência esperar que isso ocorra, sendo esta situação conhecida pelos povos originários como “perda da alma”. <strong>Jung</strong> (1995, p.25) coloca que:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] mesmo nos nossos dias, a unidade da consciência ainda é algo precário e que pode ser facilmente rompido. A faculdade de controlar emoções que, de um certo ponto de vista, é muito vantajosa, seria, por outro lado, uma qualidade bastante discutível já que despoja o relacionamento humano de toda a sua variedade, de todo o colorido e de todo o calor.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-sob-esta-perspectiva-que-devemos-examinar-a-importancia-dos-sonhos-fantasias-inconscientes-evasivas-precarias-vagas-e-incertas-do-nosso-inconsciente" style="font-size:19px">É sob esta perspectiva que devemos examinar a importância dos sonhos — fantasias inconscientes, evasivas, precárias, vagas e incertas do nosso inconsciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung “<strong>a mente humana não existe (e não pode existir) fora de uma estrutura mítica, e negar a participação mística no universo apenas força a psique a encontrar outras estruturas de criação de sentido</strong>” (JUNG, 2023, p. 66 &#8211; 67, posfácio de Tim Newcomb). A participação mística seria um estado apriorístico verificado no ser humano, existente na relação do homem tradicional com o objeto, onde seus objetos têm animação dinâmica, estão carregados de matéria ou força anímica (mas nem sempre dotados de alma, como pretende a hipótese animista) e exercem influência psíquica direta sobre as pessoas, produzindo nelas como que uma identidade dinâmica com seu objeto (JUNG, 2013b, p. 308).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto a abstração (verificada na introversão) quanto a empatia (verificada na extroversão) são “mecanismos de adaptação e proteção” contra perigos externos, defesas da consciência em relação à participação mística:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Assim como para o abstrativo a imagem abstrata representa um engaste, um muro protetor contra os efeitos destrutivos dos objetos inconscientemente animados, a transferência para o objeto é para o empatizante uma proteção contra a dissolução por fatores internos subjetivos que consistem em possibilidades ilimitadas da fantasia e correspondentes impulsos à ação. </p><cite>(JUNG, 2013b, p.310)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apos-breve-apresentacao-do-banho-de-floresta-e-da-participacao-mistica-a-reflexao-sobre-a-experiencia-de-re-conexao-do-banho-de-floresta-poder-ser-aproximada-do-termo-participacao-mistica-presente-na-narrativa-junguiana-pode-tomar-continuidade" style="font-size:19px">Após breve apresentação do Banho de Floresta e da Participação Mística, a reflexão sobre a experiência de (re) conexão do Banho de Floresta poder ser aproximada do termo participação mística presente na narrativa junguiana pode tomar continuidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Seria a participação mística um estado de consciência diferenciado</strong>? Talvez uma <em>consciência conscientemente inconsciente</em> onde não há nem a defesa empática nem a abstrativa, onde a experiência psíquica não seja nem introversão nem extroversão, onde o colorido do mundo natural é vivido no seu calor e variedade e onde a conexão com o mundo natural acontece para além do limite humano, como é a sensação ao participar de um Banho de Floresta. É, conforme Clifford (2018), ser natureza, estar em estado de comunidade com o mundo natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo <strong>Tacey</strong> (2009) o estado de participação mística presente nos aborígenes como em outros povos originários até a contemporaneidade é espontâneo e automático. O autor enfatiza que se deve tentar recuperar algo de semelhante para voltar ao passado e reanimar o mundo, porém de uma forma nova.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Uma guinada para além do mundo racional sem ser uma regressão para o passado, mas como num movimento cultural em espiral onde não haverá perda para a consciência e para a civilização, mas visando atingir uma consciência mais ampliada. Não haverá renúncia do intelecto e nem repressão do desenvolvimento, mas uma diminuição da ênfase dada a ambos com um simultâneo envolvimento com o lado originário do ser humano. <strong>Será um desenvolvimento espiritual e não egóico</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Banho de Floresta proporciona a (re) conexão do ser humano com o mundo natural com uma experiência bem semelhante à participação mística e pode ser considerado, eventualmente, como uma nova forma de experienciar a participação mística, já fazendo parte do movimento em espiral para uma consciência mais integrada e estar atuando na Grande Virada.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Banho de Floresta e Participação Mística&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/of_HRZw0EEs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/"><strong>Elfriede Walzberg &#8211; Analista em Formação</strong> <strong>do IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/"><strong>Ajax Perez Salvador &#8211; Analista Didata</strong> <strong>do IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. A natureza da psique. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ Der Mensch und seine Symbole. 17.ed. Düsseldorf: Patmos, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ O Homem e seus Símbolos. 5.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________Sete sermões aos mortos. Orlando: Press, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ Tipos psicológicos. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b</p>



<p class="wp-block-paragraph">CLIFFORD, M. AMOS. O guia dos banhos de floresta. <a>[s.l.] </a>Lua de Papel, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LI, QING. Forest bathing: how trees can help you find health and happiness. [s.l.] Penguin Life, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;LI, Q.; KOBAYASHI, M.; WAKAYAMA, Y.; INAGAKI, H.; KATSUMATA, M.; HIRATA, Y.; HIRATA, K.; SHIMIZU, T.; KAWADA, T.; PARK&#8217;, T B.; OHIRA, J.; KAGAWA, T.; MIYAZAK, Y. Efeito do fitoncídio de árvores nas células assassinas naturais humanas. Revista Internacional de Imunopatologia e Farmacologia. Vol. 22, no. 4, 950-959 25 ago. 2009.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACY, J; BROWN, M. Y. Nossa vida como gaia. São Paulo: Gaia, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SELHUB, E. M.; LOGAN, A. C. Your brain on nature: the science of nature’s influence on your health, happiness and vitality.<strong> </strong>Toronto: Collins, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tacey, D. Edge of the sacred &#8211; Jung, psyche, earth. Einsiedeln: Daimon, 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wikipédia – a enciclopédia livre. (2013) Lucien Lévy-Bruhl. Disponível em: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lucien_L%C3%A9vy-Bruhl">https://pt.wikipedia.org/wiki/Lucien_L%C3%A9vy-Bruhl</a> Acesso em: 21 jun 2025.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep"><strong>Canais IJEP:</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10882" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pós-graduações&nbsp;</strong>– Certificado pelo MEC – 2 anos de duração- Psicologia Junguiana; Arteterapia e Expressões Criativas; Psicossomática;&nbsp;<strong>Matrículas abertas</strong>:&nbsp;<a href="http://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Congressos Junguianos</strong>: Gravados e Online – Estude Jung de casa! Aulas com os Professores do IJEP:&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>YouTube</strong>&nbsp;<strong>IJEP</strong>:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos">+700 vídeos de conteúdo junguiano</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos"><img decoding="async" width="1024" height="772" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-1024x772.png" alt="" class="wp-image-10909" style="width:651px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-1024x772.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-300x226.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-768x579.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-150x113.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2-450x339.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-2.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/banho-de-floresta-e-participacao-mistica/">Banho de Floresta e Participação Mística</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Inconsciente Coletivo e Inconsciente Ecológico: uma breve reflexão</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/inconsciente-coletivo-e-inconsciente-ecologico-uma-breve-reflexao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Dec 2024 09:33:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10085</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ao ser apresentada ao termo Inconsciente Ecológico, muito usado na Ecopsicologia, uma certa inquietação acometeu-me: haveria uma relação com o Inconsciente Coletivo abordado por Carl Gustav Jung? Como se daria essa relação? Nesse artigo, portanto, apresento uma breve reflexão sobre os termos Inconsciente Coletivo apresentado por Carl Gustav Jung e Inconsciente Ecológico apresentado por Theodore [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/inconsciente-coletivo-e-inconsciente-ecologico-uma-breve-reflexao/">Inconsciente Coletivo e Inconsciente Ecológico: uma breve reflexão</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao ser apresentada ao termo Inconsciente Ecológico, muito usado na Ecopsicologia, uma certa inquietação acometeu-me: haveria uma relação com o Inconsciente Coletivo abordado por Carl Gustav Jung? Como se daria essa relação?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse artigo, portanto, apresento uma breve reflexão sobre os termos Inconsciente Coletivo apresentado por <strong>Carl Gustav Jung</strong> e Inconsciente Ecológico apresentado por <strong>Theodore Roszac</strong>, dada a relevância desse assunto para o momento atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O tema é extremamente relevante para a atualidade, pois nos encontramos em uma crise ambiental marcada pela extinção de espécies, extremos de chuva e extremos de seca em diferentes regiões do globo, poluição do ar e da água, entre outros distúrbios que afetam o planeta Terra como um todo. Estamos sofrendo com a mudança climática causada pela emissão de gases de efeito estufa proveniente da queima de combustíveis fósseis e queimadas, pelos desmatamentos, entre outros fatores. Essa desordem pode nos levar à sexta grande extinção em massa, à extinção de nosso planeta, nossa casa comum, devido à ação, pela primeira vez, de uma única espécie, a espécie humana, diferentemente das cinco extinções anteriores ocasionadas por desastres naturais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-muitas-consequencias-para-a-saude-humana-advindas-da-crise-ambiental-mencionada-acima" style="font-size:18px">Há muitas consequências para a saúde humana advindas da crise ambiental, mencionada acima. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As alterações ambientais ocasionadas pela mudança climática, poluição sonora, atmosférica, do solo, química, &#8230;, afetam a saúde a nível físico (doenças respiratórias, doenças cárdio vasculares, intoxicação por metais pesados, câncer, entre outros problemas que levam à morte precipitada) e a nível psíquico (casos de ansiedade, depressão, TDAH etc.) (PNUMA, 2022) ocasionando sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De acordo com a <strong>teoria de Gaia</strong> constatamos que somos fisicamente interconectados e interdependentes com o planeta, com Gaia. (THOMPSON, 2014) Psiquicamente também podemos constatar uma relação de conexão e interdependência com Gaia. Jung e Roszac contemplam essa proposição nas citações que seguem trazendo a psique fazendo parte de uma alma maior, a alma do mundo, a mãe universal. Para Jung, a psique (alma) é constituída pela consciência e pelo inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-2013c-p-13" style="font-size:18px"><a>Segundo Jung (2013c, p.13):</a></h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:18px"><blockquote><p>A alma não é de hoje! Sua idade conta muitos milhões de anos. A consciência individual é apenas a florada e a frutificação própria da estação, que se desenvolveu a partir do perene rizoma subterrâneo, e se encontra em melhor harmonia com a verdade quando inclui a existência do rizoma em seus cálculos, pois a trama das raízes é mãe universal.</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Segundo Roszac (ROSZAC, T., 1995, p.16):</strong></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>&nbsp;[&#8230;] a psique está enraizada <em>dentro</em> de uma inteligência maior uma vez conhecida como <em>anima mundi</em>, a psique da própria Terra que vem nutrindo a vida no cosmos por bilhões de anos através de seu drama de altíssima complexidade.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-estamos-conectados-ao-planeta-fisica-e-psiquicamente-tudo-o-que-ocorrer-ao-planeta-esta-tambem-nos-afetando" style="font-size:18px">Se estamos conectados ao planeta física e psiquicamente tudo o que ocorrer ao planeta está também nos afetando.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa compreensão pode nos aprofundar na aceitação da interdependência com Gaia e ao pertencimento à alma do mundo. A partir disso poderemos ter mais cuidado conosco (Gaia), mais amor e diminuir a distância de experienciar a alma, a alma do mundo. &nbsp;Cuidar do planeta é cuidar de si mesmo, um planeta saudável possibilita que o ser humano seja saudável física e psiquicamente. Com essa consciência abre-se a possibilidade do ser humano olhar com mais amor ao outro mais que humano podendo mudar a situação atual gerada pela exploração do planeta Terra, pela deficiência de amor e conexão para com Gaia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É pertinente, diante do exposto onde se identificam ideias comuns, buscar a compreensão do que ambos os autores nos propõem com os termos Inconsciente Coletivo e Inconsciente Ecológico.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-color has-link-color wp-elements-d9cece0b77818d060a926c6ed94cf04a" id="h-theodore-roszak-conceitos" style="color:#80c252;font-size:20px"><em><u>Theodore Roszak: conceitos</u></em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Roszac, T. (2010) propõe que no nível mais profundo da mente inconsciente se encontra o <strong>Inconsciente Ecológico</strong> onde a psique humana tem sua inserção no planeta. Nele se situa uma sabedoria ecológica responsável por sobrevivermos e nos desenvolvermos desde o Big Bang. O Inconsciente Ecológico, afirma, é a parte mais profunda do Inconsciente Coletivo, aquela que nos conecta com a natureza, com a sabedoria ecológica que existe desde os primórdios da origem do universo:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O inconsciente coletivo, no seu mais profundo nível, abriga a essência da inteligência ecológica das nossas espécies, a fonte da qual nossa cultura por fim se desenvolve como um reflexo autoconsciente da própria natureza que emerge continuamente como uma imagem da mente (mindlikeness). A sobrevivência da nossa espécie não teria sido possível sem essa sabedoria autoajustável e de evolução. Ela estava lá para guiar o desenvolvimento na tentativa e erro, seleção e extinção, assim como estava lá no instante do Big Bang para congelar o primeiro flash de radiação numa matéria durável e rudimentar. (ROSZAC, T., 1992, p. 305, Tradução livre de Elfriede Walzberg)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-inconsciente-ecologico-nos-conecta-intimamente-cooperativamente-com-flora-e-fauna-com-montanhas-com-rios-com-o-mundo-natural-ao-nosso-redor-roszac-2010" style="font-size:18px">O inconsciente ecológico nos conecta <em>“intimamente, cooperativamente, com flora e fauna, com montanhas, com rios, com o mundo natural ao nosso redor.</em>” (ROSZAC, 2010)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O Inconsciente Ecológico, enfatiza Roszac (2010), é uma hipótese que ainda precisa ser explorada. Afirma que a própria psicologia é uma ideia especulativa, pois é o “<em>estudo profundo da natureza humana onde se trabalha com palpites, suposições inspiradas e intuição” onde nunca se “pode “provar”, apenas persuadir.</em>” (ROSZAC, 1995, p.14)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo <strong>Roszac</strong> (1992), Jung com o termo Inconsciente Coletivo foi, dentre as contribuições teóricas da psicologia moderna, aquele que mais favoreceu a criação da Ecopsicologia. A Ecopsicologia tem a proposta de unir a Psicologia com a Ecologia, para legitimar a inserção do ser humano ao planeta e a sua interdependência com os seres mais-que-humanos que coabitam nossa casa comum. (CARVALHO, 2013) Roszac (1992) destaca o fato de ser o Inconsciente Coletivo um depósito da história psíquica da evolução de nossa espécie, onde herdamos imagens primordiais de nossos ancestrais humanos, pré-humanos e animais. Para ele, quando se olha para o inconsciente profundo com uma visão ecopsicológica o que se acha é a conexão com o mundo natural. (ROSZAC, 2010)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Roszac quando expõe o termo Inconsciente Ecológico traz o conceito de Inconsciente Coletivo proposto por Jung. &nbsp;Assim sendo, uma breve exposição sobre o Inconsciente Coletivo e alguns termos relacionados darão sequência a esta reflexão.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-color has-link-color wp-elements-ea0236174532f4d204a78ad05b0566a9" id="h-carl-gustav-jung-conceitos-nbsp-nbsp-nbsp" style="color:#8ccc54;font-size:20px"><em><u>Carl Gustav Jung: conceitos</u></em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">&nbsp;Para Jung (2013d) o inconsciente é um conceito psicológico, o qual não pode ser mensurado e nem se sabe ao certo o que ele contém. Ele é formado por conteúdos que não estão conscientes. Ele é constituído pelos inconscientes pessoal e coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo <strong>Jung</strong> (2013a), nós nascemos com o inconsciente coletivo, com toda a experiência dos antepassados, e a partir dele se diferenciam o inconsciente pessoal e a consciência. O inconsciente coletivo é composto por conteúdos que provêm “da estrutura cerebral herdada. São as conexões mitológicas, os motivos e imagens que podem nascer de novo, a qualquer tempo e lugar, sem tradição ou migração históricas.” O inconsciente coletivo caracteriza-se por ser infinito, eterno, atemporal e universal. Nele se encontram instintos e arquétipos (imagens primordiais).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Através dos arquétipos perpetuam-se as experiências desde tempos remotos e através dos instintos, gera-se o impulso criador. Sendo o arquétipo “um princípio formador da força instintiva”. (JUNG, 2013a, p.162) O arquétipo tem caráter arcaico, mítico e universal, é irrepresentável, não é acessado diretamente (somente como imagem arquetípica) e tem caráter numinoso (espiritual).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O inconsciente coletivo constitui-se de “temas ou imagens de natureza mitológica”, sendo assim a mitologia dos povos os seus verdadeiros representantes. Para Jung o organismo vivo e a alma têm uma conexão íntima com o meio ambiente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-acordo-com-isso-jung-2013a-p-100-coloca-que" style="font-size:18px">De acordo com isso, Jung (2013a, p.100) coloca que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>As condições psicológicas do meio ambiente naturalmente deixam traços míticos semelhantes atrás de si. Situações perigosas, sejam elas perigos para o corpo ou ameaças para alma, provocam fantasias carregadas de afeto, e, na medida em que tais situações se repetem de forma típica, dão origem a <em>arquétipos</em>, nome que eu dei aos temas míticos similares em geral.</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung (2013a, p. 75) exemplifica a presença de instintos e arquétipos em animais através da observação da reprodução da mariposa iúca (<em>Pronuba yucassella</em>). Esta deposita seus ovos na flor da iúca que se abre apenas por uma noite na qual a mariposa faz uma complicada operação para perpetuar sua espécie apenas uma vez em sua vida. Menciona que esta mariposa, provavelmente, traz dentro de si uma “imagem daquela situação que provocou o seu instinto” que lhe dá a capacidade de fazer esta operação de reprodução extremamente complicada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-imagem-primordial-poderia-ser-descrita-como-a-percepcao-do-instinto-de-si-mesmo-ou-o-autorretrato-do-instinto-jung-2013-p-80" style="font-size:18px">Essa imagem primordial poderia ser descrita como “a <em>percepção do instinto de si mesmo</em> ou o <em>autorretrato do instinto</em>”. (JUNG, 2013, p.80)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Coloca que se a psique animal fosse capaz de apresentar imagens de fantasia, mitos, folclore a partir da linguagem apresentadas a um observador (como os seres humanos o fazem),</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>&nbsp;[&#8230;] talvez poderíamos saber algo sobre a mitologia que o joão-de-barro expressa quando constrói seu ninho, ou a mariposa da iúca quando deposita seus ovos na flor da iúca, isto é, quais as imagens da fantasia que preparam sua ação instintiva. Mas esta introspecção só é possível no ser humano; ela nos abre ali o mundo imenso do mito e do folclore com suas analogias e motivos paralelos que envolvem o globo terrestre. </p><cite>(JUNG, 2012a, p. 117)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ser humano pode através da linguagem manifestar a presença de sua alma. “<strong>A alma humana vive unida ao corpo, numa unidade indissolúvel</strong> [&#8230;]” (JUNG, 2013a, p. 60). Isso não quer dizer que outros seres não tenham alma. Como exemplificado acima, a mariposa iúca está inserida no inconsciente coletivo, como todos os outros animais. &nbsp;Nas palavras de <strong>Jung</strong> (2013a, p.96):</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“O inconsciente coletivo, que, como herança e memorial de possibilidades de representação, não é individual, mas comum a todos os homens e mesmo a todos os animais, e constitui a verdadeira base do psiquismo individual.”</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como os animais, os vegetais também não usam de uma linguagem como a dos seres humanos que, portanto, na sua maioria não conseguem ter acesso à sua mitologia. Jung coloca que a Mana &#8211; a atividade da alma, que remete a uma noção arcaica do “extraordinariamente poderoso”, do numinoso (JUNG, 2013a, p.184) &#8211; existe nas árvores:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] a árvore simboliza a vida. Ela é viva como um ser humano, com uma cabeça, pés etc., e vive mais que o homem, por isso é impressionante, há Mana nas árvores. Os salgueiros, na mata africana alcançam grande altura, e, como regra, são reverenciadas com adoração. As árvores falam; em grande número de tribos os homens saem e falam com as árvores, se identificam com elas. </p><cite>(JUNG, 2014, p.349)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-perdemos-a-conexao-com-o-mundo-natural-por-perdermos-esse-contato-emocional-com-a-natureza-com-a-alma-do-mundo-que-agora-se-encontra-desaparecido-no-inconsciente" style="font-size:18px">Para Jung, perdemos a conexão com o mundo natural por perdermos esse contato emocional com a natureza, com a alma do mundo, que agora se encontra desaparecido no inconsciente:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Por causa da mentalidade científica, nosso mundo se desumanizou. O homem está isolado no cosmos. Já não está envolvido na natureza e perdeu sua participação emocional nos acontecimentos naturais que até então tinha um sentido simbólico para ele. O trovão já não é a voz de Deus nem o raio seu projétil vingador. Nenhum rio contém qualquer espírito, nenhuma árvore significa uma vida humana, nenhuma cobra incorporou a sabedoria e nenhuma montanha é ainda habitada por um grande demônio. Também as coisas já não falam conosco, nem nós com elas, como as pedras, fontes, plantas e animais. Já não temos uma alma da selva que nos identifica com algum animal selvagem. Nossa comunicação direta com a natureza desapareceu no inconsciente, junto com a fantástica energia emocional a ela ligada. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 274-275)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como visto acima, os inconscientes abordados têm uma íntima relação: o inconsciente ecológico é a conexão com o mundo natural inserida no inconsciente coletivo, onde se apresenta uma sabedoria ecológica. Os arquétipos constituintes do inconsciente coletivo trazem os temas míticos presentes no mundo natural. Esses manifestam-se através de imagens arquetípicas que trazem experiências míticas para os seres. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-carvalho-2013-p-23-coloca-que-esses-mitos-e-essas-experiencias-subjetivas-de-conexao-com-a-matriz-de-vida-e-sua-sabedoria-correspondem-a-camada-do-inconsciente-coletivo-chamada-por-roszak-de-inconsciente-ecologico-1992-p-301" style="font-size:18px"><strong>Carvalho</strong> (2013, p.23) coloca que: “<strong>esses mitos e essas experiências subjetivas de conexão com a matriz de vida e sua sabedoria correspondem à camada do Inconsciente Coletivo chamada por Roszak de Inconsciente Ecológico </strong>(1992, p. 301).”</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Carvalho (2020) aborda que Roszac, com o termo Inconsciente Ecológico, dá ênfase à dimensão não humana do Inconsciente Coletivo de Jung, chamando a atenção para um mundo psíquico detentor de uma sabedoria ecológica, de um mundo que precisa ser experienciado:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A proposição do Theodore Roszac que é o inconsciente ecológico. Roszac pegou a ideia do inconsciente coletivo do Jung e realçou a dimensão não humana do inconsciente coletivo. Isso é o inconsciente ecológico. O inconsciente ecológico é a nossa vinculação psíquica ao mundo da vida. Num mundo que é todo psíquico, num mundo que é pleno de sensorialidade, de sensitividade. Então, nessa perspectiva, o que nós chamamos de inconsciente ecológico é a experiência da conexão sensível, da intuição e da sabedoria ecológica. É de onde vem a sabedoria ecológica. A sabedoria ecológica não é aprendida em livro, o livro cooperativo, mas bem na direção do Arne Naess ela exige a experiência. Ela exige o despertar dessa sensibilidade e aí a partir disso os conceitos ganham lugar. (CARVALHO, M. A. B., 2020, 1:41-1:42)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-escrevendo-essa-reflexao-sugiro-a-seguinte-questao-o-inconsciente-ecologico-de-roszak-aponta-para-a-ideia-de-self-de-jung" style="font-size:21px">Escrevendo essa reflexão sugiro a seguinte questão: o inconsciente Ecológico <em>de Roszak </em>aponta para a ideia de <em>Self de Jung</em>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung (2013d, p.485-486), <em>Self</em> (si-mesmo) é o arquétipo central (<em>imago dei)</em>: símbolo numinoso; transcendente; representa a totalidade dos fenômenos psíquicos, com conteúdos conscientes e inconscientes; a união dos opostos; é apreendido apenas pela linguagem simbólica; abarca os primórdios da vida psíquica e as metas da vida dirigem-se a ele (JUNG, 2015, p.129) O <em>Self</em> é representado pelo mandala, assim como a alma do mundo o é. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2012b-p-32-o-termo-que-mais-se-aproxima-da-ideia-de-alma-do-mundo-e-o-inconsciente-coletivo-com-o-si-mesmo-como-seu-centro" style="font-size:18px">Para Jung (2012b, p.32) o termo que mais se aproxima da ideia de alma do mundo, é o inconsciente coletivo com o si-mesmo como seu centro:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que manifestamente paira na mente dos alquimistas é um ser que se acha em toda a parte e que tudo penetra uma <em>anima mundi</em> (alma do mundo) &#8211; para usar a terminologia deles &#8211; e ao mesmo tempo o <em>maximus thesaurus</em> (o maior tesouro), o numinoso mais íntimo e mais secreto do homem. Não existe decerto nenhum outro conceito psicológico que melhor convenha a esse estado de coisas do que o inconsciente coletivo cujo núcleo, centro e princípio ordenador (o “<em>principale</em>”) é o si-mesmo (<em>das Selbst</em>) (a monas dos alquimistas e dos gnósticos).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nas duas primeiras citações dessa reflexão, tanto Jung como Roszac, enfatizam que há uma mãe universal, uma alma do mundo na qual estamos <em>enraizados</em>, detentora de uma inteligência maior, da qual descendemos e da qual somos apenas “<strong>a florada e a frutificação própria da estação</strong>”. (JUNG, 2013c, p.13)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com essa sintética descrição de Self, considerando o acima escrito sobre a alma do mundo e as duas citações mencionadas, podemos inferir que <strong>o inconsciente ecológico se aproxima do conceito de <em>Self</em></strong><em>?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ambos os autores veem o afastamento da natureza como prejudicial à saúde humana. Ambos relatam a importância de uma conexão mais profunda com a alma do mundo. Roszac (1992, p.321) pontua que “[&#8230;] as necessidades do planeta são necessidades da pessoa, e os direitos da pessoa são os direitos do planeta” e Jung (2013a, p. 363) enfatiza que “a vida natural é o solo em que se nutre a alma.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Inconsciente Coletivo e Inconsciente Ecológico: uma breve reflexão" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/675YYstPUKg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Cristina Seidel Walzberg &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia" style="font-size:18px"><strong>BIBLIOGRAFIA</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">CARVALHO, M. A. B. De Frente Para o Espelho: Ecopsicologia e Sustentabilidade. Tese de Doutorado, UNB, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">&nbsp;_________________ (2020). Ecologia Profunda e Ecopsicologia &#8211; Prof. Dr. Marco Aurélio Bilibio Carvalho. In: Reconectar Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-nCj7c_fqHU Acesso em: 18 out 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, C. G. A vida simbólica, Vol.2. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2012a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">_________ Mysterium Coniunctionis: pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na alquimia. Vol.2. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 2012b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ A natureza da psique. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ A vida simbólica, Vol.1. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ Símbolos da transformação. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ Tipos psicológicos. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013d.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ Seminários Sobre Análise de Sonhos. Petrópolis: Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">__________ O eu e o inconsciente. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ROSZAC, T. The Voice of the Earth – an exploration of Ecopsycology, 2.ed. New York: Simon &amp; Schuster, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ROSZAK, T.; GOMES, M. E.; KANNER, A. D. Ecopsychology: Restoring the earth, healing the mind. San Francisco: Sierra Club Books, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ROSZAK, T. (2010). Theodore Roszak: Towards an Eco-Psychology (excerpt) &#8212; Thinking Allowed DVD w/ Jeffrey Mishlove. In: Thinking Allowed TV Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=83VHiA2HhkM&nbsp; Acesso em: 16 out 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">&nbsp;PNUMA &#8211; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (2022) Quatro maneiras como a crise planetária está impactando a saúde mental In: ONU programa para o meio ambiente. Disponível em: https://www.unep.org/pt-br/noticias-e-reportagens/reportagem/quatro-maneiras-como-crise-planetaria-esta-impactando-saude#:~:text=O%20relat%C3%B3rio%20Danger%20in%20the,TDAH)%2C%20ansiedade%20e%20depress%C3%A3o&nbsp; Acesso em: 09 nov 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">THOMPSON, W. I. (Org.). Gaia. Uma Teoria do Conhecimento 4.ed. São Paulo: Gaia, 2014.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Saiba mais sobre nossos&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">Cursos, Pós-graduações e Formação de Analistas</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><em>Matrículas abertas nas Pós-graduações: Psicologia Junguiana, Psicossomática e Arteterapia</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Saiba mais:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Acompanhe nosso<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung">&nbsp;Canal no YouTube</a>&nbsp;para receber as novidades</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Conheça nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>, Online e Gravados, com 30h de Certificação por Congresso</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/inconsciente-coletivo-e-inconsciente-ecologico-uma-breve-reflexao/">Inconsciente Coletivo e Inconsciente Ecológico: uma breve reflexão</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Sagrado na Dança Circular Sagrada sob a luz da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-sagrado-na-danca-circular-sagrada-sob-a-luz-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 14:47:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Dança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[dança circular]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sagrado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9328</guid>

					<description><![CDATA[<p>Partindo da inquietação referente à palavra ‘sagrado’ na Dança Circular, será abordado o sagrado na perspectiva de Bernhard Wosien, algumas características da Dança Circular Sagrada (DCS) - harmonização, círculo, centro de roda - pertinentes ao assunto e a visão da Psicologia Junguiana sobre o tema apresentado, onde mandala, numinoso, religião e sagrado serão alguns dos termos apresentados.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-sagrado-na-danca-circular-sagrada-sob-a-luz-da-psicologia-junguiana/">O Sagrado na Dança Circular Sagrada sob a luz da Psicologia Junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Na apresentação da Dança Circular Sagrada (DCS), geralmente, o ‘sagrado’ gera indagações. Há uma certa inquietação referente à palavra ‘sagrado’ ligada à dança. Estaria esta dança ligada a alguma confissão religiosa, a alguma doutrina?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bernhard Wosien</strong>, o fundador da DCS, em 1976, colocou o nome <strong>Dança Sagrada</strong> – ‘Sacred Dance’ -, o qual já na época, ocasionou um certo estranhamento, mesmo na comunidade de Findhorn (onde o movimento iniciou com a sua vinda).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Anna Barton</strong> (2020), dançante moradora da comunidade e primeira pessoa a registrar as danças circulares com a linguagem escrita, explica que muitas pessoas ligaram o termo ‘Sacred’ a uma elite que detinha o segredo (como os padres o faziam) e que o passava para as pessoas mais simples. Ela relata que tentaram mudar o nome em vão, pois este já havia se propagado. Porém, em alguns lugares, principalmente na Grã-Bretanha, começaram a usar Dança Circular e, por fim, o movimento passou a ser nomeado Dança Circular Sagrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Serão brevemente expostos nessa explanação para se compreender melhor o termo ‘sagrado’ usado na DCS e o não pertencimento, da mesma, a uma confissão religiosa: o sagrado na perspectiva do fundador da DCS, algumas características da DCS pertinentes ao sagrado e a visão da Psicologia Junguiana sobre o tema abordado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-danca-para-wosien-b-2006-e-um-caminho-para-a-totalidade-do-ser-humano-onde-corpo-e-alma-se-unem" style="font-size:19px">A dança para <strong>Wosien</strong>, B. (2006) é um caminho para a totalidade do ser humano, onde corpo e alma se unem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Através dela os dançarinos se expressam por uma linguagem espírito-corporal, o que faz da dança uma forma de oração humana. Para ele (WOSIEN, B., 2006, p. 27-28): O homem vivencia na dança a transfiguração de sua existência, uma metamorfose transcendente de seu interior, relativa ao ser e também à elevação ao seu eu divino. A dança, como na forma de uma imagem característica e móvel, é o próprio sagrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas danças fazem parte da DCS (tradicionais, folclóricas, contemporâneas, &#8230;) que, na sua maioria, são dançadas em círculo no qual se coloca um centro de roda. Uma harmonização, geralmente, precede o início da dança com o intuito de trazer a presença do indivíduo e do grupo para o espaço da roda, formando-se um espaço sagrado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-renata-ramos-ramos-1998-p-188" style="font-size:17px">Segundo <strong>Renata Ramos</strong> (RAMOS, 1998, p. 188):</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“O sagrado desse momento é, portanto, expresso no ambiente e no corpo físico das pessoas, possibilitando uma comunhão entre as almas que habitam esses corpos e entre essas almas e a Fonte.”</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A forma de círculo com um centro caracteriza um mandala. Este símbolo aparece em várias culturas, apresenta-se de forma espontânea (não racional e sem manifestação de uma vontade) retratando um processo de desenvolvimento da psique.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Mandala significa círculo e particularmente círculo mágico.” </p><cite>(JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p. 38)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Jung cita que algumas de suas clientes dançavam mandalas (dança mandálica) ao invés de desenhá-las e sentiam um fascínio, embora desconhecessem seu lado simbólico, e reconheciam que expressavam algo e que atuavam “sobre seu estado anímico subjetivo.” <a>(JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013</a>, p. 39).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entendimento-oriental" style="font-size:18px">No entendimento oriental:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“<strong>o símbolo mandala não é apenas expressão, mas também atuação. Ele atua sobre seu próprio ator</strong>.” </p><cite>(JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p.40)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A harmonização feita no início da roda de DCS aproxima-se da ideia sobre o círculo, o qual se forma ao redor do centro e estabelece uma área sagrada, para que nela permaneça o que está dentro e o que está fora, nela não interfira. Nas palavras de <strong>Jung</strong>: Oculta-se neste símbolo uma antiquíssima atuação mágica, cuja origem é o &#8220;círculo de proteção&#8221;, ou &#8220;círculo encantado&#8221;, cuja magia foi preservada em numerosos costumes populares (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p. 41). A meta evidente da imagem é traçar um &#8220;<em>sulcus primigenius</em>&#8220;, um sulco mágico em redor do centro, que é o templo ou <em>temenos</em> (área sagrada) da personalidade mais íntima, a fim de evitar uma possível &#8220;efluxão&#8221;, ou preservá-la, por meios apotropaicos, de uma eventual distração devido a fatores externos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A circulação (<em>circumambulatio</em>, o “aproximar-se circundando”) não é apenas movimento em círculo, mas também uma delimitação de área sagrada e uma “ideia de fixação e concentração”. A circulação, vista de forma psicológica, proporciona um olhar sobre todos os lados (conscientes e aqueles que estão na sombra) o que gera autoconhecimento, pois possibilita um contato com a unidade. (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p.42)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uniao-dos-opostos" style="font-size:22px"><strong>União dos opostos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>Jung</strong> a “união dos opostos num nível mais alto da consciência, [&#8230;], não é uma questão racional e muito menos uma questão de vontade, mas um processo de desenvolvimento psíquico, que se exprime em símbolos” (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p. 38). No momento dessa união dos opostos (luz e sombra) pode-se experienciar o <em>numinoso</em>, pois “se trata de um caso de consciência agudo, intenso e abstrato, de uma consciência &#8220;isenta&#8221;”, onde se pode conscientizar partes da sombra. É um fenômeno espontâneo. (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p. 44). Esse processo tem um “valor psíquico avassalador”, pois age como ‘Deus’ para o indivíduo e o mandala é um símbolo que exprime essa atitude “religiosa” <a>(JUNG, 2012c, p. 102)</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-religiao-na-sua-etimologia-deriva-do-latim-religio-proveniente-de-religere-e-nao-de-religare" style="font-size:20px">Religião na sua etimologia deriva do latim <em>religio</em> proveniente de <em>religere </em>e não de<em> religare.</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Religere significa</em> “considerar ou observar cuidadosamente”, que confere à religio uma correta base empírica, ou seja, conduzir a vida religiosamente. Diferentemente do patrístico <em>religare</em> (voltar a ligar ou conectar novamente) que remete à credo e imitação, os quais nem sequer substituem a religião (JUNG, 2012a, p.268).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para<strong> Jung</strong> o fenômeno religioso é genuíno (JUNG, 2013a), é uma “atitude do espírito humano” (JUNG, 2012c, p. 20). Ele não se refere ao termo “religião” como uma profissão de fé religiosa ou confissão religiosa. Ele coloca que “o termo &#8220;religião&#8221; designa a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso.” (JUNG, 2012c, p. 20-21)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-numinoso-e-algo-totalmente-diferente-e-radical" style="font-size:18px">O <em>numinoso</em> é algo totalmente diferente e radical.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rudolf Otto</strong> descreve o sagrado como um <em>mysterium tremendum</em> (um poder esmagador) e um <em>mysterium fascinans</em> (uma expansão da perfeita plenitude do ser) onde essas experiências são descritas como “<em>numinosas</em> (do latim numen, “deus”), porque elas são provocadas pela revelação de um aspecto do poder divino” (apud ILIADE, M., 1992). <strong>N<em>uminoso, </em>portanto, são experiências do sagrado</strong>, uma revelação do poder de Deus. Segundo Jung (2012b, p.146), Deus são todas as grandes emoções que ocorrem na psique e que subjugam a vontade consciente, apoderando-se do controle do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sagrado é “uma realidade inteiramente diferente das realidades “naturais”, que a linguagem não consegue exprimir por ultrapassar a experiência natural humana (ILIADE, M. 1992, p. 12). Segundo <strong>Magaldi</strong>, W. (2009, p. 97), “<strong>o sagrado expressa a idéia e a imagem do Self, sendo essa idéia e imagem semelhantes à idéia e à imagem de Deus. Com isso, o sagrado é a manifestação de Deus para a consciência humana</strong>.” O &#8220;Si-mesmo&#8221;, <em>Self</em>, representa “a totalidade do homem, a soma de seus aspectos, abarcando o consciente e o inconsciente.” (JUNG, 2012c, p. 104).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mandala-e-um-simbolo-do-numinoso-e-representa-o-self-jung-2013b-p-485-486-a-alma-do-mundo-jung-2012c-p-114-115" style="font-size:18px">O mandala é um símbolo do numinoso e representa o <em>Self</em> (JUNG, 2013b, p. 485-486), a alma do mundo. (JUNG, 2012c, p. 114-115)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa experiência numinosa pode ser vivenciada diretamente (como ocorre em alguns místicos e em certas doenças mentais), mas na sua grande maioria se utiliza dos símbolos. &nbsp;O símbolo mandálico é uma das formas em que esses aspectos podem ser apresentados para o consciente. Eles podem aproximar a conexão do consciente com o inconsciente (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-a-experiencia-numinosa-capaz-de-ser-vivenciada-pelo-simbolo-pode-proporcionar-uma-organizacao-interna" style="font-size:18px">Segundo Jung a experiência numinosa capaz de ser vivenciada pelo símbolo pode proporcionar uma organização interna:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Seu efeito é espantoso e quase sempre soluciona complicações anímicas, liberando a personalidade interna de confusões emocionais e intelectuais, e criando assim uma unidade de ser, experimentada em geral como uma “liberação”. (JUNG, C. G., WILHELM, R., 2013, p. 44-45)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Como visito, <strong>Bernhard Wosien</strong> (2006) coloca a dança como um caminho para a totalidade do ser humano e a reconhece como uma oração. <strong>Ana Paula Maluf</strong> descreve que a dança é uma oração e abre ao ser humano a possibilidade de unir corpo e alma ao Todo (<em>Self</em>), é um momento de experiência de plenitude:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>Quando ouvimos nossa natureza, nos conectamos com o nosso ritmo e buscamos harmonia: a mente pensa, o coração sente, o corpo expressa e o ser relaciona com o Todo, com tudo e todos. Como em uma oração. Observamos, em muitas danças, seus gestuais simbolizando a conexão entre o ser, o mundo externo e algo superior, remetendo a uma sensação de plenitude.&nbsp; (&#8230;)&nbsp;No momento da dança, a alma, por estar conectada ao self, se liberta e expressa-se de forma livre<strong>.</strong> </p><cite>(MALUF, A. P. Z., 2022, p.619)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme o texto acima, foi visto que na harmonização da DCS constitui-se um espaço apropriado para se acolher uma experiência de plenitude, cria-se um espaço para se orar dançando, forma-se uma área sagrada. Através da atuação do símbolo do mandala (roda de DCS) possibilita-se a união dos opostos (luz e sombra) podendo-se chegar a uma unidade, ampliando a consciência. A DCS nos possibilita vivenciar a experiência de plenitude, o numinoso, o sagrado, experienciar a relação consigo, com o outro e com o Todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer, portanto, que a Dança Circular Sagrada sob a luz da Psicologia Junguiana é religiosa e não pertence a nenhuma doutrina ou confissão de fé. Ela é sagrada, pois pode abarcar experiências numinosas onde pode ser vivenciada a totalidade do homem, que une o corpo e a alma ao <em>Self</em>. A DCS pode ser considerada uma oração espírito-corporal, onde corpo e alma se unem ao Todo (ao <em>Self</em>, à alma do mundo).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O Sagrado na Dança Circular Sagrada sob a luz da Psicologia Junguiana" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/T7fqBiGNSjE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Elfriede Walzberg </strong>&#8211;<strong> Analista em Formação IJEP </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">BARTON, A. (2020). <em>Sacred Dance Film Anna Barton. </em>In: Peter Vallance Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=N3lkpf3RzgA">https://www.youtube.com/watch?v=N3lkpf3RzgA</a> &nbsp;Acesso em: 18 julho 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ILIADE, M. <em>O sagrado e o profano.</em> São Paulo: Martins Fontes, 1992.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Briefe</em> – Dritter Band: 1956 – 1961. Ostfildern, DE: Patmos Verlag, 2012 a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________Escritos Diversos. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012 b.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>__________Psicologia e religião</em>. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2012 c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>__________Tipos psicológicos</em>. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G., WILHELM, R. <em>O segredo da flor de ouro</em>: um livro de vida chinês. 15 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, W. <em>Dinheiro, saúde e sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica, 2.ed., São Paulo: Eleva Cultural, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MALUF, A. P. Z. <em>Luz e sombra na dança</em>. In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p. 615-625.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMOS, R. (Org.). <em>Danças Circulares Sagradas</em>: uma proposta de educação e cura. São Paulo: TRIOM: Faculdade Anhembi Morumbi, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOSIEN, B. <em>Dança</em>: <em>um caminho para a totalidade</em>. 2.ed. São Paulo: TRIOM, 2006</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-sagrado-na-danca-circular-sagrada-sob-a-luz-da-psicologia-junguiana/">O Sagrado na Dança Circular Sagrada sob a luz da Psicologia Junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
